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S DE USUÁRIO contribuiria para aprimorar o sentido de responsabilidade da

criança (a proposta foi rejeitada pelas autoridades

A MORADOR
educacionais sob o pretexto de que seriam necessários
banheiros separados para meninos e meninas- como se fosse
assim na casa deles-, o que exigiria o dobro de banheiros).
A tradução dos conceitos de "público" e "privado" à É perfeitamente concebível que as crianças de cada sala
luz de responsabilidades diferenciadas torna mais fácil mantenham seu "lar" limpo, como os pássaros fazem com seu
para o arquiteto decidir onde devem ser tomadas ninho, dando deste modo expressão à ligação emocional com
medidas para que os usuários/habitantes possam dar seu ambiente diário.
suas contribuições ao projeto do ambiente e onde isto A idéia Montessori, na verdade, compreende os chamados
é menos relevante. Na organização de um projeto em deveres domésticos como parte do programa diário para
função de plantas-baixas e de cortes, e também de todas as crianças. Assim, dá-se muita ênfase ao cuidado com
acordo com o princípio das instalações, podem-se criar o ambiente, fortalecendo com isso a afinidade emocional das
as condições para um maior senso de responsabilidade crianças com o espaço à sua volta.
e, conseqüentemente, também um maior envolvimento Cada criança também pode trazer sua própria planta para a
no arranjo e no mobiliamento de uma área. Deste sala de aula e cuidar dela. (A consciência do ambiente e a
modo os usuários tornam-se moracfores. necessidade de cuidar dele ocupam um lugar proeminente no
conceito de Montessori. Exemplos típicos são a tradição de
ESCOLA MüNTESSORI, DELFT (44-47) trabalhar no assoalho sobre tapetes especiais- pequenas
As salas de aula desta escola são concebidas como unidades áreas temporárias de trabalho que são respeitadas pelos
autônomas, pequenos lares, por assim dizer, já que todas outros- e a importância atribuída ao hábito de arrumar as
estão situadas ao longo do ha/1 da escola, como uma rua coisas em armários abertos.) Um passo à frente, no sentido de
comunitária. A professora, a "tia", de cada casa decide, junto uma abordagem mais pessoal para os espaços que circundam
com as crianças, que aparência terá o lugar e, portanto, qual diariamente as crianças, incluiria a possibilidade de regular o
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será o seu tipo de atmosfera. aquecimento central de cada sala. Isso aumentaria a
Cada sala de aula também tem seu pequeno vestíbulo, em vez consciência das crianças quanto ao fenômeno do calor e ao
do usual espaço comunitário para toda a escola, que em cuidado que temos de tomar para nos mantermos aquecidos,
geral significa a ocupação total do espaço por filas de ao mesmo tempo em que as tornaria mais conscientes dos
cabides e sua inutilização para qualquer outro fim. E, se cada usos da energia.
sala de aula tivesse seu próprio banheiro, isto também
Um "ninho seguro" - um espaço conhecido à nossa
volta, onde sabemos que nossas coisas estão seguras e
onde podemos nos concentrar sem sermos perturbados
pelos outros - é algo de que cada indivíduo precisa
tanto quanto o grupo.
Sem isso, não pode haver colaboração com os outros.
Se você não tem um lugar que possa chamar seu, você
não sabe onde está!
Não pode haver aventura sem uma base para onde
retornar: todo mundo precisa de alguma espécie de
ninho para pousar.

O domínio de um grupo particular de pessoas deveria ser


respeitado tanto quanto possível pelos "estranhos". Por esta
razão, há certos riscos ligados ao chamado uso •
multifuncional. Vamos tomar como exemplo uma sala de
aula: se é usada para outras finalidades fora do horário
escolar, por exemplo, para atividades da vizinhança, toda
a mobília tem de ser deslocada temporariamente e, claro,
nem sempre é colocada de volta a seu lugar adequado. Em
tais circunstâncias, figuras de barro modelado deixadas
para secar, por exemplo, podem ser quebradas
"acidentalmente" com facilidade, ou então o apontador de
lápis de alguém pode desaparecer.

28 LIÇÕES DE ARQUITETURA

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Embora a expressão da relatividade dos conceitos de
interior e exterior seja antes de tudo uma questão de
organização espacial, o fato de uma área tender para
uma atm osfera mais parecida com a da rua ou mais
parecida com a de um interior depende especialmente
da qualidade do espaço.
Além disso, se as pessoas reconhecerão a área em
questão como interior ou exterior, ou como alguma
forma intermediária, depende em grande parte das
dimensões, da forma e da escolha dos materiais.

No coso do Centrool Beheer 1206) e do Centro Musical


Vredenburg 1207), os espaços dos trechos projetados
parcialmente como áreas de ruas são especialmente altos e
estreitos, com iluminação do oito como no galeria de lojas
tradicional. Este tipo de corte tronversol evoco os becos de
cidades antigos, e esta evocação se torno ainda mais
intensificado pelo tipo de material aplicado nos assoalhos e
paredes que estamos acostumados o ver no exterior. amplos e só incidentalmente iluminados do alto. O caráter 206
À medido que penetramos no Centro Musical, esta horizontal, com iluminação predominantemente artificial, e
sensação é salientada pelo uso de madeiro no assoalho e o mármore brilhante, de aparência glomouroso, foz com 207
nos paredes. A área comercial adjacente, Hoog Cothorijne, que o Hoog Cathorijne lembre mais uma grande loja de
é pavimentado com mármore, seus espaços são bem mais departamentos do que o espaço público que essencialmente é.

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DOMÍNIO PÚBLICO 83

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