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Recursos Terapêuticos

Físicos II
Eletroestimulação Muscular

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Dr. Igor Phillip dos Santos Glória

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Eletroestimulação Muscular

• Eletroestimulação Muscular;
• Colocação dos Eletrodos;
• Corrente Russa;
• Corrente Aussie.


OBJETIVO

DE APRENDIZADO
• Proporcionar ao aluno o entendimento sobre os aspectos referentes à eletroestimulação
muscular, as principais correntes utilizadas, seus efeitos, indicações e contraindicações.
UNIDADE Eletroestimulação Muscular

Eletroestimulação Muscular
Introdução
Para aplicar efetivamente a eletroestimulação, é importante rever alguns princí-
pios básicos de como os nervos são ativados pelos sinais elétricos e como os mús-
culos se contraem em resposta a tais sinais. É também importante compreender os
tipos de fibras musculares, padrões normais de recrutamento de fibras musculares e
o modo como esses são revertidos quando se usa a estimulação elétrica.

Morfologicamente, os músculos esqueléticos são constituídos pelas fibras envol-


tas uma a uma por tecido conjuntivo fibroso, o endomísio. A divisão do músculo
­esquelético em diversas classes ocorre de acordo com sua característica histoquímica
ou bioquímica das fibras individuais. De modo que as diferentes terminologias usa-
das para classificação das fibras musculares são resultantes da grande variedade de
procedimentos para sua classificação (MINAMOTO, 2005). Segundo Scott Powers
(2005), o musculo esquelético é classificado conforme suas propriedades bioquímicas
individual de cada fibra, sendo dois grupos distintos as do Tipo I (contração lenta),
Tipo IIA (fibra intermediária) e do Tipo IIB (contração rápida) – vide Tabela 1. Essas
diferenças morfológicas são importantes, pois a eletroestimulação, dependendo da
sua parametrização, tem a finalidade de ativar mais um outro tipo de fibra.

Tabela 1 – Características dos diferentes tipos de fibras musculares.


Tipo de Fibra Fibras Tipo I Fibras Tipo IIA Fibras Tipo IIB
Coloração Vermelhas Brancas
Quantidade de mitocôndria Muita Mitocôndria Pouca Mitocôndria
Metabolismo Oxidativas Glicolítica
Velocidade de contração Contração Lenta Fibras Intermediárias Contração Rápida
Tempo pra fadiga Lenta Fadiga Rápida Fadiga
Tipo de contração Resistência Muscular Potência Muscular
Frequência Tetênica F Tetânica (20-50Hz) F Tetânica (50-100Hz)

Functional Eletrical Stimulation (FES)


O FES (Functional Electrical Stimulation) faz parte das correntes elétricas de
baixa frequência (até 1000Hz), não polarizadas, que são utilizadas com a finalidade
de estimular a contração muscular por meio de um estímulo elétrico.

Nos pacientes que permaneceram muito tempo imobilizados, o FES pode surgir
como um importante aliado para ajudar a retardar e tratar as hipotrofias por desuso,
a manter ou ganhar a amplitude de movimento articular e combater as contraturas,
­reduzindo assim o tempo de recuperação funcional do indivíduo. Em condições clínicas­
como hemiplegia e lesados medulares, um programa de estimulação elétrica neuro-
muscular diário pode ajudar a minimizar a degeneração neuronal e muscular, contri-
buindo com a facilitação neuromuscular ou auxiliando no controle da espasticidade.

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Parâmetros do FES
Os equipamentos que possuem a corrente FES permitirão o ajuste dos parâme-
tros citados a seguir, porém, é muito importante destacar que o ajuste dos parâme-
tros deve sempre ser realizado de forma individual, de acordo com as necessidades
do paciente e do momento da reabilitação desse.
• Intensidade: será ́ ajustada de acordo com o limiar sensitivo do paciente, sendo
indicado aumentar a intensidade até que possa observar a contração muscular,
sem gerar desconforto ao paciente;
• Frequência: variável de 5 Hz a 200 Hz.;
• Duração do pulso ou largura do pulso: variável de 50 useg a 400 useg;
• Tempo de subida (RISE): é o tempo de subida do pulso, tem como função
regular a velocidade de contração, ou seja, o tempo desde o começo até a má-
xima contração muscular. Tempos altos produzem uma lenta, mas gradual con-
tração, enquanto tempos pequenos produzem uma contração repentina (súbita);
• Rampa de descida (Decay): é o tempo de descida do pulso, que tem como
função regular a velocidade com que a contração diminui, ou seja, o tempo des-
de a máxima contração até o relaxamento muscular. Tempos altos produzem
relaxamento lento e tempos baixos produzem relaxamentos repentino (súbito);
• Tempo de contração: é o tempo de sustentação da estimulação. No aparelho,
pode estar descrito como Ton, correspondendo ao tempo em que o paciente
precisará manter a contração muscular;
• Tempo de repouso: quando não há contração efetiva. No aparelho, costuma
estar descrito como Toff, período em que não há estímulo elétrico e o paciente
se recupera para a próxima contração. Em estágios iniciais, do programa de
reabilitação com corrente eletroestimuladora, recomenda-se uma relação 3x1,
que indica o triplo do tempo de repouso (Toff) em relação ao tempo de contra-
ção (Ton). Exemplo: em um programa em que há 10 segundos de contração, é
indicado programar 30 segundos de repouso;
• Sincronizado: nesse modo, todos os canais funcionarão ao mesmo tempo no
tempo gerando estímulo elétrico de forma simultânea;
• Recíproco: os canais funcionam alternadamente, enquanto um está no ciclo on,
enviando estímulo elétrico, o outro está no ciclo off, em repouso.

Colocação dos Eletrodos


Os eletrodos devem ser aplicados com tamanho proporcional ao tamanho do mús-
culo a ser estimulado e da intensidade da contração a ser promovida. Eletrodos peque-
nos são utilizados na estimulação de pequenos músculos de forma isolada. Eletrodos
maiores são usados para músculos maiores ou grupos musculares. Quando a opção

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UNIDADE Eletroestimulação Muscular

for a utilização de eletrodos autoadesivos, não haverá a necessidade de colocar gel


condutor, porém, quando a escolha for pelo eletrodo de borracha, haverá a neces-
sidade de aplicar gel condutor na região a ser estimulada e no eletrodo em questão.
• Indicação:
» Facilitação neuromuscular;
» Fortalecimento muscular;
» Ganhar ou manter a amplitude de movimento articular;
» Controlar a espasticidade;
» Como substituição ortótica;
» Subluxação de ombro.
• Contraindicações:
» Quadros de disfunções cardíacas, tal como arritmia;
» Portadores de marcapassos;
» Na região dos olhos;
» Útero grávido.
• Fatores que podem influenciar a eletroestimulação:
» Presença de tecido adiposo;
» Presença de neuropatias periféricas;
» Distúrbios sensoriais;

Corrente Russa
Introdução
Segundo Borges (2006), a corrente russa foi descrita por Kots, por volta de 1977,
como um estimulador muscular elétrico para aumentar o ganho de força, o que
evoluiu. Atualmente, é classificada como uma corrente de média frequência, de
2500 Hz, caracterizada por apresentar uma onda senoidal de frequência de 2500 Hz
e batimento de 50 Hz. Com isso, obtemos trens de pulso (burst) com duração de 10
milissegundos, com intervalos também de 10 milissegundos.

A corrente russa apresenta várias vantagens em relação à corrente de baixa fre-


quência. Uma dessas vantagens está relacionada à resistência (impedância) que o
corpo humano oferece à passagem da corrente elétrica. Como a impedância do cor-
po é do tipo capacitivo e, em sistemas capacitivos, quanto maior a frequência menor
será ́ a resistência, podemos concluir que uma corrente de média frequência, como
é o caso da corrente russa, diminui-se sensivelmente o desconforto da corrente à
qual o paciente está sendo submetido. Uma outra vantagem devido à diminuição da

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resistência do corpo é o grau de profundidade alcançada pela corrente russa, sendo
superior às correntes de baixa frequência.

Obs.: os parâmetros do aparelho são similares à corrente interferencial, com ciclo


on, ciclo off, intensidade de corrente, tempo de subida e tempo de descida do pulso.

Parâmetros de Utilização da Corrente Russa


• Frequência de modulação: é a frequência de ciclos por segundo, ou seja, é a
corrente de baixa frequência dos pulsos;
• Intensidade: normalmente vai de 0 a 150 mA, podendo variar até 200 mA.
Vale a pena ressaltar que a intensidade deve ser ajustada de acordo com o limiar
motor do paciente. É importante que haja contração e não ocorra desconforto
ao paciente, pois a dor em alta intensidade pode inibir a contração muscular;
• Tempo de contração: é o tempo de sustentação da estimulação. No aparelho,
pode estar descrito como Ton, correspondendo ao tempo em que o paciente
precisará manter a contração muscular;
• Tempo de repouso: quando não há contração efetiva. No aparelho, costuma
estar descrito como Toff, período em que não há estímulo elétrico e o paciente
recupera para a próxima contração. Em estágios iniciais, do programa de rea-
bilitação com corrente eletroestimuladora, recomenda-se uma relação 3x1, que
indica o triplo do tempo de repouso (Toff) em relação ao tempo de contração
(Ton). Exemplo: em um programa onde há 10 segundos de contração, é indica-
do programar 30 segundos de repouso;
• Rampa de subida (Rise): é o tempo de subida do pulso, tem como função
regular a velocidade de contração, ou seja, o tempo desde o começo até a máxima
contração muscular. Tempos altos produzem uma lenta, mas gradual contração,
enquanto tempos pequenos produzem uma contração repentina (súbita);
• Rampa de descida (Decay): é o tempo de descida do pulso, que tem como
função regular a velocidade com que a contração diminui, ou seja, o tempo des-
de a máxima contração até o relaxamento muscular. Tempos altos produzem
relaxamento lento e tempos baixos produzem relaxamentos repentino (súbito);
• Modos: são dois os modos de maior utilização, o modo sincronizado, quando
todos os canais estarão ligados e estimulando o músculo de forma simultânea, e
o modo sequencial, que estará com os canais programados para emitirem o estí-
mulo em sequência – modo muito utilizado em programas de drenagem linfática;
• Efeitos Fisiológicos:
» Aumento da circulação sanguínea;
» Melhora do retorno venoso;
» Aumento da oxigenação muscular;
» Hipertrofia muscular.

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• Indicações:
» Flacidez muscular;
» Fortalecimento/manutenção da força muscular;
» Controle de espasticidade;
» Facilitação neuromuscular;
» Uso na estética.
• Contraindicações:
» Inflamação articular na fase aguda;
» Processo infeccioso;
» Tumor;
» Fraturas não consolidadas e instáveis;
» Miopatias que impeçam a contração muscular;
» TVP;
» Marca-passo;
» Estimulação sobre seios carotídeos;
» Pacientes mentalmente confusos;
» Diminuição da sensibilidade para a passagem da corrente elétrica.

Corrente Aussie
A corrente Aussie é caracterizada por ser uma corrente alternada também de
­média frequência, assim como a corrente russa, modulada em burst e foi desenvolvida­
pelo pesquisador australiano, Alex Ward. A mesma apresenta uma conformação de
corrente alternada de média frequência em kHz e se diferencia das correntes inter-
ferencial e russa pelo ajuste em burst, fenômeno em que há um tempo de eletroes-
timulação intervalada por momento off, que permite ao paciente um maior conforto
durante a sua aplicação quando comparado às duas anteriores (WARD; CHUEN,
2009). Essa corrente tem a capacidade de realizar uma estimulação sensorial com
desconforto mínimo por se tratar também de uma corrente de média frequência
(4000 Hz ou 4 kHz) e também em função de utilizar a modulação em burst de curta
duração, se tornando, assim, ainda mais confortável quando comparada à terapia
interferencial e corrente russa, segundo a fabricante Neudodyn.

Um aspecto importante com relação à parametrização da corrente é que, para se


obter uma estimulação motora intensa e eficiente e com desconforto mínimo, há a
necessidade de ajustar a frequência para 1000 Hz ou 1 kHz, devendo ser utilizada
combinada com a modulação em bursts com duração de 2 ms. Esses parâmetros são
utilizados visando ao fortalecimento muscular. Porém, essa corrente também pode

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ser utilizada com intuito de promover analgesia local, só que, para isso, há a neces-
sidade de parametrizar a corrente com 4000 Hz ou 4 kHz e modulação em burst
com duração de 4 ms. Vale ressaltar que, quando o objetivo for promover analgesia,
a intensidade do equipamento deverá ser ajustada ao limiar sensitivo do paciente,
e, quando o objetivo for promover recrutamento muscular, a intensidade deverá ser
ajustada ao limiar motor do paciente.

Outra indicação do uso da corrente Aussie que vem sendo estudada é a aplicação
visando à redução de edema, estimulando o efeito vasomotor e promovendo uma
reabsorção mais rápida do edema localizado. Para tal efeito, é importante salientar que
a parametrização do equipamento deverá mudar, sendo indicada uma frequência de
4 kHz, duração do burst de 4 ms e frequência de modulação do burst de 100 a 120 Hz.
• Indicações:
» Hipotrofia muscular;
» Redução da força muscular;
» Redução do quadro álgico;
» Redução de quadros de edema.
• Contraindicações:
» Inflamações articulares em fase aguda;
» Quadros infecciosos;
» Tumor;
» Déficit de sensibilidade;
» Fraturas não consolidadas;
» Miopatias que impeçam a contração muscular fisiológica;
» Marcapasso cardíaco;
» TVP/tromboflebite.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

 Livros
Classificação e adaptações das fibras musculares: uma revisão
MINAMOTO, V. B. Classificação e adaptações das fibras musculares: uma revisão.
Fisioterapia e pesquisa, v. 12, n. 3, p. 50-55, 2005.
Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho
POWERS, S. K.; HOWLEY, E. T. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao
condicionamento e ao desempenho. 5. ed. Barueri: Manole, 2005.
Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas
BORGES, F. S. Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções
estéticas. São Paulo: Phorte, 2006.
Práticas da Reabilitação Musculoesquelética
MAGEE, J.; ZACHAREZEWKI, J. E.; QUILLEN, W. S. Práticas da Reabilitação
Musculoesquelética. 1. ed. Barueri: Manole, 2013.
Agentes Físicos na Reabilitação: da Pesquisa à Prática
CAMERON, M. Agentes Físicos na Reabilitação: da Pesquisa à Prática. 3. ed.
São Paulo: Elsevier, 2009.
Eletrofisiologia Clínica: eletroterapia e teste eletrofisiológico
ROBINSON, A. J.; SNYDER-MACKLER, L. Eletrofisiologia Clínica: eletroterapia
e teste eletrofisiológico. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 1995.

 Leitura
Influência do resfriamento e do aquecimento local na flexibilidade dos músculos isquiotibiais
BRASILEIRO, J. S; FARIA, A. F.; QUEIROZ, L. L. Influência do resfriamento e do
aquecimento local na flexibilidade dos músculos isquiotibiais. Rev. bras. fisioter.
[online], v. 11, n. 1, p. 57-61. 2007.
https://bit.ly/34fSSqv

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Referências
BÉLANGER, A.-Y. Recursos Fisioterapêuticos: evidências que fundamentam a
prática clínica. 2. ed. Barueri: Manole, 2012. (e-book)

HALL, J. E.; GUYTON, A. C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13. ed.


Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. 

KNIGHT, K. L. Crioterapia no tratamento das lesões esportivas. Barueri: Manole,


2000.

PRENTICE, W. E. Modalidades terapêuticas para fisioterapeutas. 2. ed. Porto


Alegre: Artmed, 2004.

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