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ECONOMIA I - O PASSADO ECONÔMICO.

CAPITALISMO: COMO CHEGAMOS A ESTE SISTEMA.

VIVEMOS NO SISTEMA CAPITALISTA, E MUITA GENTE PENSA E FALA DO CAPITALISMO


COMO SE O CAPITALISMO FOSSE TÃO VELHO COMO QUANTO AS MONTANHAS, ANTIGO
COMO A BÍBLIA.

DEIXANDO IMPLÍCITO QUE HÁ ALGO NELE QUE ESTARIA DE ACORDO COM A


“NATUREZA HUMANA”.

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O que é a Natureza Humana?

“A natureza humana é um conjunto de características descritas pela filosofia,


incluindo formas de agir e pensar, que todos os seres humanos têm em comum”.

Na realidade:

o Capitalismo explora elementos básicos da natureza humana,

• acumular riqueza a partir da eficiência com que se luta em sociedade e com


a própria sociedade;
• vencer por méritos pessoais;
• ser integrado mas desigual.

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Já que o Capitalismo não existe desde sempre, quais os Sistemas Econômicos
tiveram apogeu no passado?

Os Egípcios, os Gregos, o Império Romano, a Europa Medieval, que


conviveram com todo um apogeu significativo no passado, com certeza não
eram Capitalistas em suas fases áureas.

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EM PRIMEIRO LUGAR ESTAS SOCIEDADES CARECIAM DA INSTITUIÇÃO DA
PROPRIEDADE PRIVADA, EMBORA POUCOS DETIVESSEM MUITAS TERRAS, OS
MONARCAS PODERIAM DESVESTIR DE SUAS POSSES QUALQUER PESSOA OU
ORDEM RELIGIOSA, E DE FATO O FIZERAM MUITAS VEZES.

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EM SEGUNDO LUGAR, NENHUMA DESSAS SOCIEDADES TINHAM UM ATRIBUTO
CENTRAL DO CAPITALISMO: UM SISTEMA DE MERCADO.

OS MERCADOS ERAM ORNAMENTOS DA SOCIEDADE, CUJA ESTRUTURA FÉRREA


VINHA DA TRADIÇÃO E DO COMANDO. A IDÉIA DA LIBERDADE ECONÔMICA NÃO
ERA MUITO LEVADA EM CONTA.

NESTE CENÁRIO, O PRÓPRIO ATO DE GANHAR DINHEIRO NÃO ERA MUITO


VALORIZADO. AS PESSOAS AMBICIOSAS DAS CAMADAS MAIS PRIVILEGIADAS
PROCURAVAM FAMA E FORTUNA NOS FEITOS MILITARES, A SERVIÇO DA CORTE
OU NAS HIERARQUIAS DA RELIGIÃO.

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TRÊS CLASSES SOCIAIS DISTINTAS FORMAVAM A EUROPA MEDIEVAL: NO TOPO O REI,
A SEGUIR , O CLERO E A NOBREZA, POR ÚLTIMO O POVO, (QUE TINHAM QUE TRABALHAR )

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A IGREJA CATÓLICA DOMINAVA O CENÁRIO RELIGIOSO E TAMBÉM
TINHA GRANDE PODER ECONÔMICO, POIS POSSUIA TERRAS EM
GRANDE QUANTIDADE E ATÉ MESMO MUITOS SERVOS TRABALHANDO,
TONANDO-SE UMA GRANDE SENHORA FEUDAL.
Durante a Idade Média (século V ao XV) a Igreja Católica, como religião única e oficial,
conquistou e manteve grande poder:

•possuía muitas terras (poder econômico),

•influenciava nas decisões políticas dos reinos (poder político),

•interferia na elaboração das leis (poder jurídico)

•e estabelecia padrões de comportamento moral para a sociedade (poder social).

APENAS COMO LEMBRANÇA, NESTE PERÍODO TIVEMOS AS CRUZADAS, INICIADA EM 1.096 E A


INQUISIÇÃO INICIADA EM 1.184 PELO PAPA LÚCIO, E QUE TEVE 9 MILHÕES DE MORTES, SENDO 80%
MULHERES, A REFORMA PROTESTANTE “DE LUTERO”, QUE FOI EXPULSO DA IGREJA POR DISCORDAR DO
SEU ENORME PODERÍO ECONÔMICO ,E DE TER TRADUZIDO A BÍBLIA PARA O LÍNGUA ALEMÃ.

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E o fluxo de capitais, como se dava na Europa Medieval?

Se alguém emprestava ao outro um valor , julgava-se que tinha o direito moral de exigir de volta
apenas o valor que emprestou.

Quem cobrasse juros pelo uso do dinheiro estaria vendendo o tempo,


e o tempo não pertence a ninguém, para que possa ser vendido.

O tempo pertence a Deus, e ninguém tinha o direito de vendê-lo.

Os judeus, que normalmente concediam pequenos empréstimos, eram odiados e perseguidos,


considerados agiotas.

A doutrina da usura foi ao longo do tempo, sendo modificada em função da prática comercial diária.

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A RIQUEZA DESTAS SOCIEDADES NÃO ESTAVA NAS MÃOS DOS “RICOS”, MAS NAS DOS
PODEROSOS, QUE SE APODERAVAM DA RIQUEZA NA LUTA POR TERRAS E PRIVILÉGIOS.

POR ÚLTIMO, A VIDA ECONÔMICA ERA ESTÁVEL, O QUE DE CERTO MODO É O MAIS
IMPORTANTE.

HOMENS E MULHERES SEMEAVAM E COLHIAM, POTEIROS E FERREIROS TORNEAVAM E


MARTELAVAM, TECELÕES FIAVAM E TECIAM, TODOS USANDO MAIS OU MENOS O MESMO
TIPO DE EQUIPAMENTO POR DÉCADAS, GERAÇÕES, ÀS VEZES SÉCULOS.

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A ECONOMIA MEDIEVAL (DO ANO 476 AO 1.453) OU FEUDAL BASEAVA-SE
PRINCIPALMENTE NA AGRICULTURA.

EXISTIAM MOEDAS NA IDADE MÉDIA, PORÉM ERAM POUCO UTILIZADAS.

AS TROCAS DE PRODUTOS E MERCADORIAS ERAM COMUNS NA ECONOMIA


FEUDAL (ESCAMBO).

O FEUDO ERA A BASE ECONÔMICA DESTE PERÍODO, POIS QUEM TINHA A TERRA
TINHA O PODER.

O ARTESANATO TAMBÉM ERA PRATICADO, MAS A PRODUÇÃO ERA BAIXA.

AS TÉCNICAS DE TRABALHO AGRÍCOLA ERAM EXTREMAMENTE RUDIMENTARES.

O ARADO PUXADO POR BOIS ERA MUITO UTILIZADO NA AGRICULTURA.


COMO FORAM SEMELHANTES AS ROUPAS E UTENSÍLIOS, OS MATERIAIS, OS MEIOS DE TRANSPORTE, PODEMOS
CONSTATAR COMO FOI MUITO PEQUENO O AVANÇO MATERIAL NESTES MAIS DE MIL ANOS.

• QUANDO OS CAMPONESES NÃO TINHAM LIBERDADE PARA IREM PARA ONDE QUISESSEM;
• QUANDO OS ARTESÃOS ESTAVAM PRESOS AO SEU OFÍCIO POR TODA VIDA;
• QUANDO AS RELAÇÕES DOS TRABALHADORES DO CAMPO COM OS PATRÕES ERAM AS DE SERVO E SENHOR;
• QUEM PODERIA PREOCUPAR-SE COM O DIREITO DE LAVRAR CONTRATOS OU DE NEGAR-SE A TRABALHAR???

ESTA DISTINÇÃO É FUNDAMENTAL PARA DISTINGUIR O CAPITALISMO DE TUDO O QUE VEIO ANTES DELE:
UMA PESSOA NO REGIME CAPITALISTA TEM O DIREITO DE TRABALHAR OU NÃO, COMO QUISER;
EMBORA ESSE DIREITO POSSA PARECER IRRISÓRIO EM CONDIÇÕES DE POBREZA, PRECISA SER COMPARADO À SEMI-
ESCRAVIDÃO DO SERVO LEGALMENTE PRESO À TERRA DO SENHOR E AO TRABALHO QUE ESTE LHE ATRIBUÍSSE.

ISSO NOS DÁ UMA IDÉIA DE COMO FOI VASTA A MUDANÇA TRAZIDA PELO CAPITALISMO,
QUANDO ESTE FINALMENTE IRROMPEU NO CENÁRIO DA HISTÓRIA.
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• O SURGIMENTO DA SOCIEDADE DE MERCADO.

ESSENCIALMENTE, UMA SOCIEDADE DE MERCADO É AQUELA EM QUE AS


ATIVIDADES ECONÔMICAS ESTÃO NAS MÃOS DE HOMENS E MULHERES QUE
REAGEM LIVREMENTE ÀS OPORTUNIDADES E DIFICULDADES DO MERCADO, E
NÃO ÀS ROTINAS ESTABELECIDAS PELA TRADIÇÃO OU AOS DITAMES DE ALGUM
SENHOR – TAL COMO NOS REGIMES ESCRAVIDÃO (IMPÉRIO ROMANO) OU
RELAÇÃO SERVO-SENHOR (IDADE MÉDIA SISTEMA FEUDAL).

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ASSIM, EM UM SISTEMA DE MERCADO:
• OS INDIVÍDUOS TÊM LIBERDADE PARA PROCURAR EMPREGO;
• COMPRAR OU VENDER TERRAS;
• FINALMENTE, UM MERCADO DE CAPITAL SIGNIFICA QUE HÁ UM
FLUXO REGULAR DE RIQUEZA PARA A PRODUÇÃO – UM FLUXO DE
POUPANÇA E DE INVESTIMENTOS – ORGANIZADOS POR BANCOS E
OUTRAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, ONDE OS QUE TOMAM
EMPRÉSTIMOS PAGAM JUROS PARA PODEREM USAR A RIQUEZA
DE QUEM EMPRESTA.
NADA DISSO EXISTIA ANTES DO CAPITALISMO, A NÃO SER NOS
MINÚSCULOS E MAL-AFAMADOS MERCADOS DE CAPITAL
PERSONIFICADOS PELO DESPREZADO AO AGIOTA.
O TRABALHO, A TERRA E O CAPITAL CONTRATADOS OU DISPENSADOS EM UMA
SOCIEDADE DE MERCADO SÃO CHAMADOS DE FATORES DE PRODUÇÃO.

GRANDE PARTE DA ECONOMIA TEM A VER COM O MODO COMO O MERCADO


COMBINA AS CONTRIBUIÇÕES ESSENCIAIS DESSES FATORES À PRODUÇÃO.

• FATORES DE PRODUÇÃO:

• TRABALHO = CONTRIBUIÇÃO DO SER HUMANO

• TERRA OU RECURSOS NATURAIS = ELEMENTOS DA NATUREZA – A TERRA, A


ÁGUA, OS MINERAIS.

• CAPITAL = “BENS DE CAPITAL” – MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS,


INSTALAÇÕES, TUDO PARA MELHORAR A EFICIÊNCIA DO HOMEM.

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ENTÃO PERGUNTA-SE, NÃO HAVIA FATORES DE PRODUÇÃO ANTES DO CAPITALISMO?

DECERTO QUE SIM:

A MÃO-DE-OBRA HUMANA, A TERRA E OS RECURSOS NATURAIS PROPORCIONADOS


PELA NATUREZA E AS FERRAMENTAS DA SOCIEDADE SEMPRE EXISTIRAM; MAS NÃO
ERAM MERCADORIAS À VENDA.

• O TRABALHO ERA REALIZADO COMO PARTE DOS DEVERES SOCIAIS DO SERVO OU


ESCRAVO, QUE NÃO ERAM PAGOS POR ELE.

• A TERRA ERA VISTA COMO A BASE DO PODER MILITAR OU ADMINISTRAÇÃO CIVIL,


DO MESMO MODO QUE UM MUNICÍPIO OU UM ESTADO NOS DIAS DE HOJE, E NÃO
COMO UM IMÓVEL A SER COMPRADO E VENDIDO.

• O CAPITAL ERA UM TESOURO OU EQUIPAMENTO NECESSÁRIO DE UM ARTESÃO, NÃO


COMO UMA SOMA ABSTRATA DE RIQUEZA COM UM VALOR DE MERCADO, E SIM
COMO UMA HERANÇA QUE NUNCA DEVERIA SER VENDIDA.

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• COMO FOI QUE:

• A MÃO DE OBRA NÃO ASSALARIADA,

• A TERRA NÃO COMERCIALIZADA,

• E OS TESOUROS PARTICULARES SE TORNARAM FATORES DE


PRODUÇÃO,

• OU SEJA, MERCADORIAS A SEREM


COMPRADAS E VENDIDAS?

COMO MUDOU?
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A RESPOSTA É QUE UMA VASTA REVOLUÇÃO SOLAPOU O MUNDO DAS TRADIÇÕES E DO COMANDO E
TROUXE A LUZ AS RELAÇÕES DE MERCADO DO MUNDO MODERNO.

COMEÇANDO COM A PESTE NEGRA OU BULBÔNICA – MEADOS SÉCULO XIV.

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TEMOS QUE EM MEADOS DO SÉCULO XIV, A PESTE NEGRA OU PESTE
BUBÔNICA DEVASTOU UM TERÇO DA POPULAÇÃO DA EUROPA, CERCA DE
75 MILHÕES DE PESSOAS.
ESTA DOENÇA ERA TRANSMITIDA ATRAVÉS DA PICADA DE PULGAS DE
RATOS CONTAMINADOS, SENDO QUE ESTES RATOS CHEGAVAM À
EUROPA NOS PORÕES DOS NAVIOS VINDO DO ORIENTE, SENDO A PORTA
DE ENTRADA A CIDADE DE GENOVA, NA ITÁLIA.
APÓS A PESTE NEGRA, COM A POPULAÇÃO REDUZIDA, MUITOS
SENHORES FEUDAIS RESOLVERAM AUMENTAR OS IMPOSTOS, TAXAS E
OBRIGAÇÕES DE TRABALHO DOS SERVOS SOBREVIVENTES, ESTOURANDO
ASSIM VÁRIAS REVOLTAS CAMPONESAS NAS REGIÕES DA INGLATERRA E
FRANÇA. MUITAS FORAM SUFOCADAS COM TODA VIOLÊNCIA POSSÍVEL,
MAS OUTRAS CONSEGUIRAM CONQUISTAS.
O FATOR QUE MAIS CONTRIBUI PARA O DECLÍNIO DO FEUDALISMO FOI O
RESSURGIMENTO DAS CIDADES E DO COMÉRCIO. ASSIM, OS CAMPONESES PASSARAM
A VENDER MAIS PRODUTOS E CONSEGUIR MAIS DINHEIRO.

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O FORTALECIMENTO DAS MONARQUIAS NACIONAIS, PRINCIPALMENTE
NA FRANÇA E INGLATERRA FOI OUTRO FATOR DECISIVO, POIS OS REIS
DESSES PAÍSES CONSEGUIRAM DIMINUIR CADA VEZ MAIS O PODER DOS
NOBRES.
COM INÍCIO POR VOLTA DO SÉCULO XVI, UM PROCESSO DE MUDANÇA
ROMPEU OS LAÇOS E COSTUMES DO MUNDO MEDIEVAL E ABRIU AS
PORTAS PARA A SOCIEADE DE MERCADO QUE CONHECEMOS.

MAS ANTES PASSAMOS PELO MERCANTILISMO.


COM A DECADÊNCIA DO FEUDALISMO, SURGE O MERCANTILISMO (1.450 A 1.750),
QUE TINHA PREOCUPAÇÕES SOBRE A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZAS DE UMA NAÇÃO.

OS PENSAMENTOS DESSA ÉPOCA ERAM BASEADOS EM PRINCÍPIOS DE COMO FOMENTAR O COMÉRCIO EXTERIOR E ENTESOURAR RIQUEZAS.

“O GOVERNO DE UM PAÍS SERÁ FORTE E PODEROSO QUANTO MAIOR FOR SEU ESTOQUE DE METAIS PRECIOSOS”.

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DURANTE OS TRÊS SÉCULOS DO MERCANTILISMO, AS NAÇÕES DA EUROPA OCIDENTAL
ORGANIZARAM SUA ECONOMIA INTERNA, BASEADAS NA UNIDADE NACIONAL E NA
EXPORTAÇÃO DE SEUS RECURSOS ECONÔMICOS.

• COM A PASSAGEM DA ECONOMIA REGIONAL PARA A ECONOMIA NACIONAL.

ESSE PROCESSO LONGO, TORTUOSO E ÀS VEZES SANGRENTO SÓ PODERÁ SER ABORDADO


AQUI DE PASSAGEM. CITANDO POR EXEMPLO QUE NA INGLATERRA, ELE AFETOU COM
ESPECIAL GRAVIDADE OS CAMPONESES, EXPULSOS DE SUAS TERRAS COM O CERCAMENTO
DAS TERRAS DE PASTAGEM COMUNS, TENDO COMO OBJETIVO A CRIAÇÃO DE OVELHA, CUJA
LÃ TORNARA-SE UMA MERCADORIA LUCRATIVA.

A TÍTULO DE INFORMAÇÃO, 15.000 FAMÍLIAS DE ARRENDATÁRIOS EXPULSOS DE SUAS TERRAS,


FORAM SUBSTITUÍDOS POR 131.000 OVELHAS, O IMPORTANTE ERA VENDER A LÃ!!!

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FISIOCRACIA.

A FISIOCRACIA, CONSIDERADA A PRIMEIRA ESCOLA DE ECONOMIA, EMBORA MUITO INFLUENCIADA PELA FILOSOFIA, ÉTICA E RELIGIÃO,
ANTES MESMO DA TEORIA CLÁSSICA DE ADAM SMITH.

É UMA TEORIA ECONÔMICA QUE SURGIU PARA SE OPOR AO MERCANTILISMO, SE APRESENTANDO COMO FRUTO DE UMA REAÇÃO
ILUMINISTA (DOUTRINA DOS QUE CREEM NA AÇÃO DE UMA INTUIÇÃO MÍSTICA, ILUMINAÇÃO DIVINA NO INTERIOR DO SER HUMANO,
GUIANDO-O PARA A VERDADE RELIGIOSA).

EM SÍNTESE, A FISIOCRACIA SE BASEIA NA AFIRMAÇÃO DE QUE TODA A RIQUEZA ERA PROVENIENTE DA TERRA, DA AGRICULTURA.

O IDEALIZADOR DA TEORIA FOI FRANÇOIS QUESNAY, MÉDICO DA CORTE DO REI LUÍS XV.
EM SEU LIVRO “TABLEAU ECONOMIQUE”, ESCRITO EM 1.758, ELE AFIRMAVA QUE ERA INÚTIL TENTAR ALTERAR A ORDEM NATURAL DA
SOCIEDADE ATRAVÉS DE LEIS E REGULAMENTOS GOVERNAMENTAIS, CONFIRMANDO ASSIM, UMA CARACTERÍSTICA DE SUA TEORIA:
O ESTADO DO LAISSEZ FAIRE, OU SEJA, A NÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO NO SISTEMA ECONÔMICO ( LIBERALISMO ECONÔMICO).

PARA OS FISIOCRATAS, A AGRICULTURA ERA O VERDADEIRO E ÚNICO MODO DE GERAR RIQUEZAS PELO FATO DE QUE A MESMA
PROPORCIONA GRANDES LUCROS E EXIGE POUCOS INVESTIMENTOS, POR ISSO DEVERIA SER VALORIZADA.
CONTRARIANDO ASSIM, O PENSAMENTO MERCANTILISTA DE ACUMULAÇÃO DE METAIS.

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ASSIM, O CAPITALISMO É O DESFECHO DE UMA MUDANÇA REVOLUCIONÁRIA.
UMA MUDANÇA DAS LEIS, DAS ATITUDES E DAS RELAÇÕES SOCIAIS TÃO PROFUNDAS
QUANTO QUALQUER OUTRA NA HISTÓRIA.

O ASPECTO REVOLUCIONÁRIO DO CAPITALISMO ESTÁ NO FATO DE TER SIDO PRECISO DESMANTELAR UM


MODO DE VIDA FEUDAL ANTERIOR PARA QUE O SISTEMA DE MERCADO PUDESSE SURGIR.

ISTO NOS TRAZ DE NOVO AO ELEMENTO DE LIBERDADE ECONÔMICA QUE TEM UM PAPEL TÃO
IMPORTANTE NA NOSSA DEFINIÇÃO DE CAPITALISMO.

O FEUDALISMO EUROPEU, COM TODAS AS SUAS CRUELDADES E INJUSTIÇAS, PROPORCIONAVA CERTA


SEGURANÇA ECONÔMICA. POR MAIS POBRE QUE FOSSE A VIDA DE UM SERVO, ELE PELO MENOS SABIA
QUE NOS TEMPOS DIFÍCEIS TERIA A GARANTIA DE UMA PEQUENA PARCELA DOS CELEIROS DO SENHOR.

O SISTEMA DE MERCADO FOI, ASSIM, CAUSA DE INQUIETAÇÃO, INSEGURANÇA E SOFRIMENTO


INDIVIDUAL, MAS FOI TAMBÉM CAUSA DE PROGRESSO, OPORTUNIDADE E REALIZAÇÃO.

NESSA COMPETIÇÃO ENTRE OS CUSTOS E OS BENEFÍCIOS DA LIBERDADE ECONÔMICA


ENCONTRA-SE UM TEMA QUE ATÉ HOJE É UMA QUESTÃO FUNDAMENTAL PARA O CAPITALISMO.

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DECORRÊNCIAS DO CAPITALISMO:

A TECNOLOGIA DESENCADEADA.

O QUE É TECNOLOGIA? UMA COLEÇÃO DE RECEITAS, OU SEJA: KNOW HOW.

SEMPRE EXISTIU, MAS NÃO PARA O COTIDIANO, SOMENTE PARA AS GRANDES OBRAS.

PARA INICIARMOS, ENTENDEMOS TECNOLOGIA COMO UMA COLEÇÃO DE “RECEITAS” CONHECIDAS DE COMO SE FAZER
AS COISAS, ESPECIALMENTE DE COMO SE UTILIZAR RECURSOS PARA PRODUZIR BENS, DA MANEIRA MAIS EFICIENTE.

A CRIAÇÃO DE UMA SOCIEDADE DE MERCADO TAMBÉM ABRIU CAMINHO PARA UMA MUDANÇA DE PROFUNDO
SIGNIFICADO PARA O NASCIMENTO DA VIDA ECONÔMICA MODERNA:

A INCORPORAÇÃO DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA À PRÓPRIA EXISTÊNCIA COTIDIANA.

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A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL.

ESSE NOVO DINAMISMO DEU ORIGEM A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, PRIMEIRO CAPÍTULO DE UMA
HISTÓRIA AINDA INACABADA EM QUE ESPANTOSAS E CONTÍNUAS MUDANÇAS
REVOLUCIONARAM TANTO AS TÉCNICAS DE PRODUÇÃO QUANTO A TEXTURA DE NOSSAS VIDAS
NO DIA A DIA.

A TECNOLOGIA TROUXE CONSIGO MUITOS PRODUTOS QUE ANTES ERAM OBJETOS RAROS NAS
ERAS PRÉ-CAPITALISTAS,
AOS POUCOS O CAPITALISMO DEU ORIGEM AO QUE CHAMAMOS DE
PADRÃO DE VIDA EM ASCENSÃO.
UM AUMENTO CONSTANTE, REGULAR E SISTEMÁTICO DO NÚMERO, DA VARIEDADE E DA
QUALIDADE DOS BENS MATERIAIS DESFRUTADOS PELO GROSSO DA SOCIEDADE.

NENHUM PROCESSO SEMELHANTE JAMAIS OCORRERA ANTES.

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A DIVISÃO DO TRABALHO FOI A PRINCIPAL RESPONSÁVEL PELO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE DO
TRABALHADOR MÉDIO.

MAS TAMBÉM ALTEROU DE OUTRAS MANEIRAS A VIDA SOCIAL, POIS O TRABALHO FICOU
FRAGMENTADO, MONÓTONO, RESTRINGINDO A AUTO-SUFICIÊNCIA DOS INDIVÍDUOS.

DIVISÃO DO TRABALHO ►EFICIÊNCIA ► PRODUTIVIDADE.

OS INDIVÍDUOS JÁ NÃO FIAVAM OU TECIAM, MAS MANIPULAVAM ALAVANCAS E ALIMENTAVAM O


MAQUINÁRIO QUE DE FATO FIAVA E TECIA. UM TRABALHADOR DE UMA FÁBRICA DE SAPATOS FAZIA
SOLAS, CORPOS OU SALTOS, MAS NÃO MAIS OS SAPATOS.

A TECNOLOGIA LIBERTOU OS HOMENS E MULHERES DE MUITAS CARÊNCIAS MATERIAIS, MAS


PRENDEU-OS AO FUNCIONAMENTO DO MECANISMO DE MERCADO, COM SEUS REFLEXOS POSITIVOS
E NEGATIVOS, AFINAL TODA UMA CULTURA FOI DESPREZADA, FAZENDO COM QUE AS PESSOAS
TIVESSEM QUE SE ADAPTAR A NOVA ERA.

“A TECNOLOGIA FOI O GÊNIO QUE O CAPITALISMO DEIXOU ESCAPAR DA GARRAFA,


E DESDE ENTÃO,
ELE TEM-SE RECUSADO A VOLTAR PARA DENTRO DELA”.

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A DIMENSÃO POLÍTICA – REVOLUÇÃO FRANCESA.

A NATUREZA PERTUBADORA, INQUIETANTE E REVOLUCIONÁRIA DO MERCADO E DA TECNOLOGIA PREPARA O CENÁRIO PARA UM ÚLTIMO ASPECTO DO CAPITALISMO
QUE ABORDAMOS: AS CORRENTES POLÍTICAS TRANSFORMADORAS TRAZIDAS PELO CAPITALISMO, QUE SÃO UMA PARTE TÃO FUDAMENTAL DA SUA HISTÓRIA QUANDO
O SURGIMENTO DO MERCADO OU O DESMANTELAMENTO DAS BARREIRAS CONTRA AS MUDANÇAS TECNOLÓGICAS.

UMA DESSAS CORRENTES POLÍTICAS FOI A ASCENSÃO DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS OU PARLAMENTARES.

AS INSTITUIÇÕES POLÍTICAS DEMOCRÁTICAS SÃO MUITO ANTERIORES AO CAPITALISMO, COMO ATESTAM A HISTÓRIA DA ANTIGA ATENAS. MESMO ASSIM, A ASCENSÃO
DAS CLASSES MERCANTIS ESTEVE INTIMAMENTE LIGADA À LUTA CONTRA OS PRIVILÉGIOS E AS INSTITUIÇÕES LEGAIS DO FEUDALISMO EUROPEU.

O MOVIMENTO HISTÓRICO QUE ACABOU VARRENDO A ORDEM ECONÔMICA PRÉ-CAPITALISTA TAMBÉM VARREU A SUA ORDEM POLÍTICA. COM O SURGIMENTO DO
SISTEMA DE MERCADO, APARECEM, PARALELAMENTE, E SERVINDO-LHE DE APOIO, MODOS DE VIDA POLÍTICA MAIS ABERTOS.

DEVEMOS RESISTIR À TENTAÇÃO DE AFIRMAR QUE O CAPITALISMO GARANTE OU É NECESSÁRIO PARA A LIBERDADE POLÍTICA, POIS ALGUMAS NACÕES CAPITALISTAS
CAEM NA DITATUDA TOTALITÁRIA.

ALÉM DISSO, O EXERCÍCIO DA DEMOCRACIA POLÍTICA ERA MUITO LIMITADO NO INÍCIO DO CAPITALISMO, POIS MUITOS NÃO TINHAM DIREITO AO VOTO, APENAS OS
QUE TINHAM MUITAS PROPRIEDADES.

FONTE: ENTENDA A ECONOMIA – ROBERT HEILBRONER E LESTER THUROW.


MFP.01/19.

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