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Dra.

Waldeciria Souza da Costa

Saúde, Satisfação X
Transtornos Mentais
no Trabalho

PLANO DE ESTUDOS

A síndrome de Burnout ou O alcoolismo e


estafa profissional suas implicações

Trabalho, saúde e Depressão: Satisfação no trabalho


qualidade de vida o mal do século e saúde mental do
trabalhador

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Definir qualidade de vida no trabalho, estabelecendo suas • Reconhecer o alcoolismo como doença que exige inter-
relações com a saúde mental. venção das organizações.
• Relacionar os estressores no trabalho com suas conse- • Descrever as estratégias a serem empregadas por indiví-
quências à saúde mental e desempenho do trabalhador. duos e organizações para a promoção da saúde mental.
• Conhecer aspectos da síndrome de burnout ou estafa • Refletir sobre o papel dos dirigentes das organizações
profissional. na prevenção e no combate aos transtornos mentais no
• Identificar aspectos relacionados à depressão no trabalho. contexto do trabalho.
Trabalho, Saúde
e Qualidade de Vida

Não é difícil para você, que trabalha ou mesmo


observa entre seus parentes, verificar a grande
ocorrência de doenças decorrentes do trabalho
que a pessoa realiza. Em geral, é mais fácil perce-
ber os males físicos, sendo que, muitas vezes, os
males psicológicos chamam menos atenção, pois,
quando aparecem, há uma tendência em respon-
sabilizar a própria pessoa pelas dificuldades, por
vezes, considerada fraca, preguiçosa ou com falta
de força de vontade. Contudo, você já se pergun-
tou o quanto as condições de trabalho podem
estar afetando o bem-estar das pessoas?
Muitas empresas têm se preocupado em criar
ambientes agradáveis, buscando o comprometi-
mento de seus funcionários para a melhoria do
desempenho e a manutenção de sucesso orga-
nizacional. Ao mesmo tempo, ainda prevalecem
cenários em que as doenças decorrentes do tra-
balho se proliferam.
Nesta unidade, abordaremos alguns aspectos que ele chama de trabalho fatigante. Por outro
ligados à saúde mental, discutindo, inicialmente, lado, quando o trabalho é livremente escolhido
questões de saúde e qualidade de vida no trabalho, ou organizado, ele é fonte de equilíbrio, chamado
em seguida, esclarecendo sobre os principais fato- pelo autor de trabalho equilibrante.
res capazes de minar a saúde mental das pessoas e Zanelli (2010) aponta como causadora de pres-
que contribuem para quadros de estresse, depres- sões ao trabalhador a busca por oportunidades
são, síndrome de burnout e alcoolismo, dentre possibilitadas pela internet, a participação em
outros transtornos. Ao tratar desses transtornos, hierarquias horizontalizadas (menos níveis de
procuraremos esclarecer sobre as suas caracte- hierarquia) e o desenvolvimento de equipes, que
rísticas, causas e modo de enfrentamento pelos exigem pessoas “multifunções”, cujos altos desem-
indivíduos e organizações. penhos são esperados em menor tempo possível.
Por fim, apresentaremos o tema da satisfação e A situação do trabalhador fica ainda mais
insatisfação no trabalho, por acreditarmos na sua complicada em épocas de crise, que trazem de-
importante ligação com a saúde mental. semprego e insegurança extra. Apesar dos estudos
Existem outros fatores muito importantes que e dos manuais de administração sinalizarem para
não serão aqui tratados e você poderá se infor- a necessidade de comprometimento do colabora-
mar sobre eles orientando-se pelas indicações dor com a organização face ao ambiente compe-
bibliográficas e material complementar, como é titivo, essa meta passa a ser um enorme desafio
o caso do assédio moral e do sexual no trabalho, para os gestores.
dos transtornos de personalidade e do fenômeno Como conseguir o comprometimento de fun-
dos trabalhadores workaholics, pessoas “viciadas cionários em um contexto cada vez mais indivi-
em trabalho” que perdem a noção dos prejuízos dualista, em que cada indivíduo procura manter-
causados pelo excesso de trabalho em suas vidas. -se em seu posto de trabalho? É uma situação que
As pressões cada vez mais fortes por capaci- evidencia relações interpessoais e intergrupais
tação, desenvolvimento de competências, atuali- conflituosas e um campo propício para a dete-
zação e risco de desemprego em tempos de crise rioração da saúde do trabalhador.
trazem um nível de insegurança aos trabalhadores Jackson e Polanyi (2002 apud ZANELLI, 2010)
que coloca em risco a sua saúde física e mental. destacam alguns aspectos, na perspectiva dos de-
Assim como afirma Zanelli (2010, p. 26), terminantes sociais da saúde, associados aos

““
locais e às condições de trabalho que têm efeitos
[...] as intensas e céleres mudanças no mundo negativos sobre a saúde do trabalhador: altos ní-
do trabalho têm agravado os níveis de estres- veis de estresse; insegurança; ritmo de trabalho;
se e os danos à saúde dos trabalhadores, espe- controle; turno, participação e relações; desequi-
cialmente a partir do final do século passado. líbrio entre vida pessoal e trabalho.
Você pode verificar, caro(a) aluno(a), que em
Para o psicanalista Christophe Dejours nossa vida diária, muitas vezes, somos vítimas
(DEJOURS; ABDOUCHELI; JAYET, 1994), um de um ritmo intenso de trabalho e de busca por
dos principais estudiosos da psicopatologia do atender a inúmeras expectativas na vida familiar,
trabalho, a organização do trabalho imposta social e, mais ainda, no trabalho. Nossa qualida-
ao trabalhador é a fonte de tensão responsável de de vida fica comprometida e muitas doenças
pelos transtornos e desequilíbrios psíquicos, o físicas e psicológicas podem surgir.

UNIDADE 3 87
Fatores de Qualidade As Enfermidades
de Vida no Trabalho Profissionais

Neste ponto, cabe explicitarmos o que significa As enfermidades profissionais ou doenças laborais
falar da qualidade de vida, um conceito já estabe- são aquelas contraídas pela exposição do traba-
lecido há alguns anos pela Organização Mundial lhador a fatores de risco em seu local de trabalho.
de Saúde e que pode ser definido como: Segundo dados publicados em 2013, a OIT – Or-



ganização Internacional do Trabalho (SARRES,
[...] o desenvolvimento de hábitos saudá- 2013) lista as principais causas de doenças profis-
veis, enfrentamento de tensões cotidianas, sionais no Brasil:
consciência dos impactos dos fatores do a) Pneumoconiose – doença do pulmão em
ambiente, desenvolvimento permanente trabalhadores expostos a partículas de pó de
do equilíbrio interior e na relação com os sílica (matéria-prima do vidro e do cimento).
outros (ZANELLI, 2010, p. 28). b) Doenças musculoesqueléticas – doenças
ligadas à perda de movimentos devido a
Em se tratando do contexto de trabalho, a quali- problemas nos nervos, tendões, músculos
dade de vida (conhecida pela sigla QVT) refere-se e estruturas de suporte do corpo, como a co-
ao grau de bem-estar físico, psicológico e social luna (as denominadas LER – Lesão por Es-
que uma pessoa experimenta no seu ambiente de forço Repetitivo, também chamadas DORT
trabalho (GARCIA; SÁEZ, 1995 apud ZANELLI, – Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao
2010). Trabalho).
Segundo Chiavenato (2008, p. 487), a QVT c) Transtornos mentais ou comportamentais
envolve fatores diversos, psicossociais e ambien- – depressão, ansiedade e transtorno do pâ-
tais, dentre eles: nico, dentre outras.
1. A satisfação com o trabalho executado.
2. As possibilidades de futuro na organização. Nogueira e Ferreira (2013) apresentam dados do
3. O reconhecimento pelos resultados alcan- Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) re-
çados. ferentes a 2012, em que estão especificadas as por-
4. O salário percebido. centagens dos afastamentos por grupos de doenças,
5. Os benefícios auferidos. com pagamento de auxílio doença. Esses dados,
6. O relacionamento humano dentro da equi- apresentados no Quadro 1, podem ser interessantes
pe e da organização. para verificarmos a prevalência dos tipos de doença
7. O ambiente psicológico e físico de trabalho. apresentados entre os brasileiros e que resultam em
8. A liberdade de atuar e responsabilidade de afastamento do trabalho.
tomar decisões. Chama a atenção a grande prevalência de trans-
9. As possibilidades de estar engajado e de tornos mentais, estando em 4º lugar entre os mo-
participar ativamente. tivos de afastamento do trabalho. Para atender aos
principais objetivos da nossa disciplina, traremos a
É possível afirmar que, se esses fatores forem aten- você, futuro(a) gestor(a), algumas informações im-
didos satisfatoriamente, serão importantes para a portantes a respeito dos transtornos mentais, cada
prevenção de doenças de vários tipos. vez mais presentes nos ambientes de trabalho.

88 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


Quadro 1 – Porcentagem dos afastamentos por grupo de doenças no ano de 2012, segundo a Previdência Social (INSS)
- (BRASIL, 2013).

GRUPOS DA CID 10* %


Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas. 24,47
Doenças do tecido osteomuscular e conjuntivo. 18,68
Doenças do aparelho digestivo. 9,67
Transtornos Mentais. 9,39

Doenças do aparelho circulatório. 7,94


Doenças do aparelho geniturinário. 4,07
Neoplasias (Tumores). 3,19
Doenças da gravidez, parto e puerpério. 3,12
Doenças do sistema nervoso. 2,15
Doenças dos olhos e anexos. 1,98

*CID-10: Classificação Internacional de Doenças, publicada pela Organização Mundial de Saúde - OMS.
Fonte: adaptado de Nogueira e Ferreira (2013).

Transtornos Mentais no Trabalho

As condições de trabalho inadequadas e as pres- O estresse (stress, em inglês) é entendido como



sões do mundo globalizado ocasionam doenças
que trazem prejuízos para todos os tipos de or- [...] um conjunto de reações físicas, químicas
ganizações, públicas ou privadas. Em termos dos e mentais de uma pessoa decorrente de estí-
transtornos mentais ou psicológicos, existem aque- mulos ou estressores que existem no ambiente.
les transtornos em decorrência do estresse, da de- É uma condição dinâmica que surge quando
pressão, transtornos de ansiedade, transtornos do uma pessoa é confrontada com uma oportuni-
estresse pós-traumático, transtornos não orgânicos dade, restrição ou demanda relacionada com o
do sono, alcoolismo e transtornos de personali- que ela deseja (CHIAVENATO, 2008, p. 473).
dade. Apresentaremos alguns desses transtornos,
indicando suas características, causas e modos de Conjunto de reações que ocorrem em um orga-
enfrentamento por indivíduos e organizações. nismo quando está submetido a um esforço de
Você, provavelmente, ouve o termo estresse adaptação (SELYE, 1936 apud FRANÇA; RODRI-
algumas vezes durante o dia. É um termo que se GUES, 2011, p. 18).
tornou muito comum, utilizado até pelas crian- Podemos verificar nas duas definições que o
ças quando se sentem irritadas ou ansiosas. Sem termo em si não possui um teor positivo ou nega-
dúvida, ele é responsável por uma queda na nossa tivo, embora seja utilizado de forma quase sempre
qualidade de vida, mas não pode ser usado por negativa, ou seja, o estresse em si não é bom e
profissionais indiscriminadamente, como no nem ruim e é impossível e indesejável eliminá-lo
senso comum. Vamos analisar duas definições (FRANÇA; RODRIGUES, 2011). Talvez, essa afir-
de estresse. mação surpreenda você, mas vamos à explicação.

UNIDADE 3 89
O conjunto de reações do nosso corpo para Fases do Estresse
responder a uma situação é necessário para que
enfrentemos os desafios mais variados do cotidia- As situações que desencadeiam o estresse são os
no, as mais variadas situações percebidas como estímulos estressores ou estressor, e o modo de
difíceis e que exigem esforços. O estresse, ao nos responder do indivíduo é a resposta ou proces-
impulsionar à ação, tem garantido a nossa sobre- so de estresse. Quando o fenômeno é negativo,
vivência por nos fazer reagir a ameaças – con- com um processo adaptativo (resposta do orga-
cretas ou simbólicas. Você já deve ter notado que nismo) inadequado e que pode causar, inclusi-
muitas pessoas conseguem bons desempenhos ve, doenças, é denominado como distress. Se a
sob alguma pressão e cobrança de metas. Um ní- pessoa tiver uma boa resposta, com equilíbrio
vel pequeno de estresse leva a maior criatividade e de forma positiva, denomina-se de eustress.
quando a situação exige novas ideias e soluções Analise a Figura 2:
(CHIAVENATO, 2008).
Dito isso, vemos como é importante não confun-
TIPOS DE STRESS
dirmos estresse com angústia, ansiedade, irritação
ou “nervoso” e que ele não é explicação para todos os Distress Eustress Distress
males. Na verdade, é preciso analisar que o mundo Monotonia Sobrecarga
atual e suas exigências às pessoas fazem com que as (-esforço) (+esforço)
Área de melhor
situações de estresse realmente se repitam de forma desempenho
exagerada, o que traz consequências negativas sobre e conforto
ESFORÇO

manifestações manifestações
a saúde, como as doenças coronarianas. O impor-
e sintomas e sintomas
tante é conhecermos cada vez mais esse fenômeno da doença da doença
e agirmos para minimizar os seus efeitos. TEMPO
França e Rodrigues (2011) citam Hans Selye,
Figura 2 – Curva do Estresse
que, em 1965, propôs que quando um organismo é Fonte: adaptada de França e Rodrigues (2011 apud RO-
submetido a estímulos que ameacem o seu equilí- DRIGUES, 1988).
brio orgânico (homeostase), é desencadeada uma
síndrome nesse organismo, que ele denominou Quando o estresse é negativo e transforma-se na
stress, ou síndrome geral de adaptação, confor- síndrome geral de adaptação, ele pode ser definido
me demonstra o esquema na Figura 1. como:



Mundo Interno (pensamentos,
sentimentos, emoções, fantasias) [...] uma relação particular entre uma pes-
Estímulos soa, seu ambiente e as circunstâncias às
Mundo Externo
(meio socioeconômico-cultural, quais está submetida, que é avaliada pela
inclusive o trabalho) pessoa como uma ameaça ou algo que exige
STRESS dela mais que suas próprias habilidades ou
Ser Humano recursos e que põe em perigo seu bem-estar
ou sobrevivência (FRANÇA;RODRIGUES,
Síndrome Geral de Adaptação 2011, p. 19) .
Figura 1 – Representação esquemática do processo de estresse
Fonte: adaptada de França e Rodrigues (2011).

90 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


A síndrome geral de adaptação é dividida em três ameaças do meio, havendo esgotamento
fases: por sobrecarga fisiológica (imagine uma
1ª Reação de alarme: em que vários proces- pessoa com o coração acelerado constan-
sos físicos são desencadeados, como au- temente!), o que pode levar à morte.
mento da frequência cardíaca e liberação
de várias substâncias, preparando o orga- Se o estímulo agressor for muito intenso, constan-
nismo para a luta ou fuga frente à ameaça. te e prolongado, os esforços de adaptação serão
2ª Fase de resistência: mantendo-se o agen- desgastantes ao indivíduo, havendo como conse-
te ou agentes estressores, as alterações no quência a predisposição ao desenvolvimento de
organismo são mais acentuadas, com sin- diferentes males físicos e psicológicos.
tomas como irritabilidade, insônia, mu- Cooper e Artrose (1988 apud FRANÇA; RO-
danças de humor, depressão, diminuição DRIGUES, 2011) apresentam alguns indicadores
do desejo sexual. de estresse que evidenciam a relação entre as rea-
3ª Fase de exaustão: nessa fase, ocorre a fa- ções adaptativas inadequadas e os resultados para
lha nos mecanismos de adaptação, ou seja, o indivíduo, evidenciando as doenças psicossomá-
nas respostas do organismo aos desafios e ticas. Esses indicadores encontram-se na Figura 3.

INDICADORES DE STRESS (Copper e Artose)

PSICOLÓGICOS
DANOS FÍSICOS

Instabilidade emocional. Úlceras. Alcoolismo.


Ansiedade. Alergias. Disfunções
Depressão. Asma. coronarianas
Agressividade. Enxaquecas. e circulatórias.
Irritabilidade.

SOCIAIS

Queda no desempenho.
Profissional.
Ausências.
Acidentes.
Conflitos domésticos.
Apatia.

Figura 3 – Indicadores de Estresse


Fonte: adaptada de França e Rodrigues (2011).

UNIDADE 3 91
Fatores Desencadeantes
do Estresse

A Medicina do Trabalho tem afirmado que a


grande maioria das doenças estudadas nesse cam-
po estão associadas ao estresse. Zanelli (2010, p.
23) classifica os agentes estressantes no ambiente
de trabalho:
• Exigências acima das condições efetivas
de produção ou prestação de serviços de
qualidade.
• Pouco ou nenhum reconhecimento pro-
fissional.
• Reduzida participação nas decisões.
• Longas jornadas de trabalho.
• Dificuldades de promoção.
• Exposição constante aos riscos e pericu-
losidade.
• Pressão do tempo e atuações de urgência.
• Problemas de comunicação.
• Competição no ambiente laboral.
• Excesso de burocracia.

É possível analisar que os fatores estressantes de-


correm principalmente de aspectos que não estão
sob o controle do trabalhador, mas decorrem de
decisões e condições estabelecidas pela empresa.
Cabe-nos indicar a você, futuro(a) gestor(a), o
que os estudiosos da área têm afirmado como
possível de implementação por parte das empre-
sas para a melhoria da qualidade de vida e saúde
do trabalhador.

92 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


Formas de Combater e Evitar o Estress (Distress)

É importante ao gestor refletir que não adianta procurar artigos em revistas ou internet, sem nenhuma
base científica de investigação, que indicam regras ingênuas para minorar as causas de estresse no
local de trabalho. Essas indicações ingênuas podem ser: quando se sentir estressado, dê uma voltinha,
respire fundo, delegue uma tarefa, evite trabalhar à noite, chegue mais cedo ao trabalho (FIORELLI,
2006). Para muitos, essas atitudes podem até aumentar o estresse. No Quadro 2, estão indicadas me-
didas para o trabalhador e para as organizações prevenirem e diminuírem os agentes estressores no
contexto do trabalho.

Quadro 2 – Medidas para reduzir o estresse negativo

Medidas para reduzir o estresse por parte do Medidas para reduzir o estresse por parte
trabalhador* das organizações**
Desenvolver relações cooperativas, recompensa- Permitir o relacionamento amigável entre os tra-
doras e agradáveis com os colegas. balhadores.
Respeitar os limites do que cada um pode fazer. Procurar reduzir os conflitos pessoais no trabalho.
Desenvolver relações construtivas e eficazes com Dar aos colaboradores o controle sobre como
o gerente. devem fazer o seu trabalho.
Compreender os problemas do chefe e ajudá-lo Assegurar adequada assessoria e orçamentos de
a compreender os seus. despesas, ouvindo opiniões.
Negociar metas realísticas para o trabalho. Desenvolver comunicação aberta com os cola-
Planejar o futuro e se preparar para futuros de- boradores.
safios. Apoiar os esforços.
Gerenciar o tempo para poder desligar-se das Proporcionar benefícios e manter os seus níveis.
preocupações. Reduzir burocracia e “papelório”.
Reconhecer e recompensar os trabalhadores.

*Albrecht (1979 apud CHIAVENATO, 2008).


** Northwestern National Life Insurance Co. (apud CHIAVENATO, 2008).
Fonte: adaptado de Chiavenato (2008).

A despeito do grande número de pesquisas realizadas sobre o fenômeno do estresse, Zanelli (2010)
chama a atenção ao fato de que as intervenções nas organizações são pouco frequentes, em razão das
resistências apresentadas pelos dirigentes. O autor conclui que as intervenções que têm sido realiza-
das chegam a resultados de melhoria da produtividade, do desempenho, da saúde da coletividade e
redução de custos.

O trabalho torna-se perigoso para o aparelho psíquico quando ele se opõe à sua livre atividade.
Fonte: adaptado de Dejours (1994).

UNIDADE 3 93
A Síndrome de Burnout
ou Estafa Profissional

A exposição da pessoa a prolongados níveis de


estresse no trabalho tem como consequência a
chamada síndrome de burnout, expressão criada
por Freudenberger, nos anos de 1970, em seus
trabalhos com profissionais de saúde. O termo
vem do inglês: burn out – apagar-se, esgotar-se,
ou seja, foi empregado com o sentido de algo que
parou de funcionar por falta de energia (TRIGO;
TENG; HALLAK, 2007).
A síndrome de Burnout é considerada a res-
posta emocional a situações de estresse no traba-
lho. No campo de estudos sobre esse transtorno,
existem quatro linhas teóricas principais quanto
a suas causas: clínica, sociopsicológica, organiza-
cional e sócio-histórica.
A concepção sociopsicológica é a mais utiliza-
da nos estudos atuais e defende que as caracterís-
ticas psicológicas de cada indivíduo associadas a
características do ambiente de trabalho propiciam
o aparecimento dos aspectos básicos da síndro-
me: exaustão emocional, despersonalização (ou
distanciamento afetivo) e baixa realização pro-
fissional e pessoal.
Exaustão emocional: caracterizada por um
sentimento de esgotamento e falta de energia para

94 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


atender às demandas do trabalho. Abrange, ainda, Formas de Enfrentamento
sentimentos de desesperança, solidão, depressão, da Síndrome de Burnout
raiva, impaciência, irritabilidade, aumento da sus-
cetibilidade para doenças, cefaleias, náuseas, ten- Os estudos sobre o Burnout na população em
são muscular, dor lombar ou cervical e distúrbios geral ainda são escassos, especialmente no Bra-
do sono. O profissional torna-se pouco generoso sil. Por todo o mundo, esses estudos se iniciaram
com colegas e familiares, apresentando pessimismo com os profissionais de saúde, médicos e enfer-
exacerbado com o trabalho e a vida de forma geral meiros, e os números apresentam-se preocupan-
(TRIGO; TENGI; HALLAK, 2007; FRANÇA; RO- tes. Uma pesquisa com 1.840 médicos ameri-
DRIGUES, 2010). canos detectou que dos 55% que trabalham no
Despersonalização: caracteriza-se por um setor privado, 39% do setor público e 37% do
distanciamento afetivo, frieza, insensibilidade setor acadêmico apresentam o problema. Estu-
às necessidades das outras pessoas, com atitu- dos da OMS (Organização Mundial de Saúde)
des que demonstram a desumanização em suas de 2000 e 2004, consideraram o burnout como
relações com os outros, perda de empatia e trata- uma das principais doenças dos europeus e ame-
mento do outro como “coisas” ou “objetos”. Todas ricanos, ao lado do diabetes e das doenças car-
as questões relacionadas ao trabalho passam a diovasculares. Na Alemanha, um estudo indicou
incomodar e perturbar. A presença de outras que 4,2% da sua população de trabalhadores
pessoas torna-se desagradável e indesejável apresentavam esse transtorno em diferentes ní-
(TRIGO; TENGI; HALLAK, 2007; FRANÇA; veis (TRIGO; TENGI; HALLAK, 2007).
RODRIGUES, 2010). No Brasil, as categorias mais abrangidas quan-
Baixa realização profissional e pessoal. Carac- to à prevalência de burnout foi a de profissionais
teriza-se pela sensação de fracasso e de que seus de saúde e professores, que apresentaram níveis
esforços não estão sendo recompensados. Quanto similares a de outras partes do mundo, citadas
mais expectativas as pessoas têm com relação ao anteriormente. Dentre os professores de ensino
seu trabalho, ao enfrentar as situações estressan- fundamental e médio, um estudo de 1999 indi-
tes, mais fortes são os sentimentos de decepção cou que 26% da amostra estudada apresentavam
e frustração. Surge uma tendência a se avaliar exaustão emocional.
sempre de forma negativa, com forte sentimento Por esses números, você já deve ter percebi-
de infelicidade e insatisfação com seu desenvolvi- do a amplitude do problema e que, certamente,
mento profissional. A autoestima fica seriamente as organizações precisam estar atentas, porque o
abalada e, em consequência, as relações interpes- burnout vai se instalando e corroendo progressi-
soais deterioram-se (FRANÇA; RODRIGUES, vamente as relações da pessoa com seu trabalho.
2010; MORENO et al., 2011). É importante, também, perceber que não há uma
Analisando as principais alterações sofridas solução fácil para o problema, sendo indicadas
por pessoas com a síndrome, verifica-se que há pelos estudiosos algumas estratégias principais: a)
desgaste em vários aspectos da atividade laboral: intervenções com o indivíduo; b) intervenções no
perda do comprometimento, falta de desenvolvi- contexto organizacional; e c) intervenções com-
mento profissional, absenteísmo, baixa produtivi- binadas entre o indivíduo e o contexto organi-
dade, abandono do emprego e perda de qualidade zacional. No Quadro 3, organizamos os aspectos
de produtos e serviços para a organização. referentes a essas intervenções.

UNIDADE 3 95
Quadro 3 – Estratégias para o enfrentamento do estresse no trabalho

Rever processos de trabalho.


Distribuir tempo adequado para descanso.
Supervisão e apoio ao trabalho.
Mudanças em estilo de liderança.
Estratégias Mudanças em estilo de gestão.
organizacionais Flexibilidade de horário.
(modificação de
Participação na tomada de decisão.
ambiente e clima
de trabalho). Planos de carreira.
Atividades que favoreçam a integração interpessoal.
Atender aspectos ergonômicos.
Valorização e reconhecimento do trabalhador.
Educação permanente.
Atenção à própria qualidade de vida e saúde mental.
Buscar valores positivos em eventos negativos (reavaliação positiva).
Estratégias individuais
Procurar soluções alternativas para as dificuldades.
(refere-se a ações
que dependem das Encarar as dificuldades como desafios.
características pessoais Avaliar possibilidades de ações e consequências.
e dos tipos de resposta Resolução de problemas.
a estresse).
Procurar suporte social.
Hábitos saudáveis: alimentação, exercícios físicos, sono, lazer.
Reconhecimento da interação indivíduo e fatores organizacionais para a
ocorrência do problema.
Estratégias combinadas Reuniões de equipes para discussões e reflexões sobre os problemas.
(incidem no ambiente, Palestras/programas sobre riscos a que estão expostos e a identificação
considerando as da síndrome.
individualidades) Proporcionar espaço para relato de vivências subjetivas de medo, ansieda-
de, insatisfação, fornecendo apoio pelo próprio grupo, com minimização
do sofrimento.

Fonte: adaptado de Moreno et al. (2011).

O assédio moral e sexual refere-se à exposição de homens e mulheres a situações humilhantes e


constrangedoras, repetitivas e prolongadas em sua jornada de trabalho. Essas práticas criminosas
favorecem a discriminação no trabalho, a degradação das relações de trabalho e sérios riscos à saúde
mental de trabalhadores e trabalhadoras.
O Ministério Público Federal disponibiliza uma cartilha para informação e orientação a todos os
atores sociais sobre Assédio Moral e Sexual no Trabalho. A cartilha está acessível on-line, no site
do Ministério, em: <http://www.mpf.mp.br/para-o-cidadao/ouvidoria/publicacoes/assedio-moral-
sexual-e-discriminacao-saiba-mais-sobre-essas-distorcoes-de-conduta-no-ambiente-de-trabalho>.

96 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


Pode-se perceber que as ações sob a responsabilida- significa que sejam simples de serem executadas,
de da empresa dependem de uma flexibilização no pois dependem de uma conscientização sobre
modo de organizar os processos de trabalho com o seu próprio papel na busca de seu equilíbrio
reconhecimento sobre a realização de atividades físico e mental.
que promovam o bem-estar e sejam preventivas As estratégias combinadas contribuem para a
para que não surjam doenças. O desenvolvimento integração da equipe, apoio mútuo e redução de
da ideia de humanização no trabalho é essencial. tensão no ambiente de trabalho. Pressupõe a parti-
Como você pode verificar, as estratégias in- cipação de cada indivíduo e da organização na bus-
dividuais dependem do trabalhador, o que não ca pelo bem-estar, em que todos sairão ganhando.

UNIDADE 3 97
Depressão:
O Mal do Século

Considerada pela Organização Mundial de Saú-


de como “o mal do século”, a depressão é um tipo
de transtorno que afeta milhões de pessoas em
todo o mundo. Se você tiver a curiosidade de
perguntar às pessoas próximas se já tiveram al-
gum episódio depressivo, talvez se surpreenda
com o número de pessoas que já foram ou estão
acometidas por esse transtorno e que, prova-
velmente, utilizam algum medicamento para
tratá-lo. Infelizmente, a depressão, por vezes, é
mal diagnosticada, sendo confundida com mo-
mentos de tristeza que são comuns a qualquer
pessoa ao longo da vida, como na perda de entes
queridos e decepções marcantes.

98 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


A depressão pode surgir como sintoma de vá- • Sintomas psíquicos: sentimentos de tris-
rias outras doenças, como estresse pós-traumá- teza; autodesvalorização; sentimentos de
tico, demência, esquizofrenia, alcoolismo, dentre culpa; apatia; irritabilidade; redução da
outros quadros clínicos. A síndrome ou trans- capacidade de sentir prazer na maior par-
torno depressivo inclui não apenas alterações do te das atividades antes consideradas como
humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade agradáveis; fadiga ou sensação de perda
de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de energia; diminuição da capacidade de
de outros aspectos, incluindo alterações cogni- pensar, concentrar-se e tomar decisões.
tivas, psicomotoras e vegetativas - sono, apetite • Sintomas fisiológicos: alterações do
(DEL PORTO, 1999). sono (demorar a dormir, acordar duran-
Segundo a OMS, 20% de mulheres e de 8 a te a noite ou muito cedo e não conseguir
12% dos homens apresentarão durante a vida conciliar o sono ou sonolência excessiva
algum episódio de depressão. No ano 2000, foi durante o dia); alterações do apetite (per-
a principal causa de incapacidade no mundo e a der o apetite ou comer demais); ganho ou
quarta causa de perda de dias de trabalho. Apesar perda anormal de peso; diminuição do
de inúmeros tratamentos já disponíveis, como interesse sexual.
antidepressivos e psicoterapias, as taxas de inca- • Evidências comportamentais: retrai-
pacidade e de suicídio em pacientes depressivos mento social, crises de choro; compor-
são altas. O suicídio atinge 15% dessas pessoas, na tamentos suicidas, retardo psicomotor
maioria homens (JARDIM, 2011). É um número e lentificação generalizada ou agitação
realmente expressivo de uma doença que requer motora.
tratamento médico e psicológico.
No Brasil, segundo dados da Previdência So- É importante a conscientização de dirigentes
cial referentes a auxílios doença, a depressão cor- das empresas e de todos os colaboradores de
responde a 80% dos transtornos mentais respon- que a depressão é uma doença que precisa ser
sáveis por afastamento do trabalho. Esses dados tratada, não se trata de preguiça ou falta de força
confirmam dados levantados também em outros de vontade. O encaminhamento aos tratamentos
países (JARDIM, 2011). disponíveis quando o problema já está instalado
é responsabilidade da organização e do indi-
víduo. Os dirigentes devem estar capacitados
Principais Sintomas para reconhecer as necessidades e fazer o en-
da Depressão caminhamento do funcionário para os devidos
atendimentos. Contudo, também é importante
A depressão compromete a atividade profissional pensar em medidas preventivas, com a realiza-
e, por vezes, a pessoa nem consegue trabalhar. ção de ações importantes que promovam um
Estão relacionados à depressão, principalmente, ambiente de trabalho que traga mais satisfação
três tipos de sintomas: psíquicos, fisiológicos e para as pessoas, como as medidas comentadas
comportamentais, conforme especificaremos a anteriormente para a redução das situações es-
seguir (DEL PORTO, 1999, p. 7-8): tressantes no trabalho.

UNIDADE 3 99
O Alcoolismo
e suas Implicações

No meio social em que vivemos, é fácil perceber


o grande consumo de álcool, que se inicia cada
vez mais cedo entre crianças e adolescentes. O
álcool e o tabaco são as drogas mais comumente
consumidas nas sociedades atualmente, segui-
dos pelos inalantes, os ansiolíticos (redutores de
ansiedade) e as anfetaminas. Fiorelli (2006) cita
pesquisas de 2005 que indicam que o uso abu-
sivo de álcool, ou seja, a dependência na faixa
etária de 12 a 17 anos em cidades com mais de
200 mil habitantes é alarmante – superior a 6%
para meninos e 3% para meninas. O alcoolismo
é considerado doença pela Organização Mundial
de Saúde, sendo um dos maiores problemas de
saúde pública em todo o mundo.

100 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


Como acontece com o uso de outras dro- Prejuízos do Uso Abusivo
gas, o uso do álcool dissemina-se pela procura de Álcool para o Indivíduo
do ser humano por aliviar as suas dificuldades e para as Organizações
cotidianas ou para sentir prazer. Já houve um
tempo, nos séculos XVII e XVIII, em que o uso O alcoolismo potencializa o aparecimento de
do álcool era incentivado pelas empresas, pois, transtornos psiquiátricos, como distúrbios de
sob o seu efeito, o trabalhador se submetia às conduta, depressão, transtornos ansiosos, alimen-
condições mais adversas de trabalho. A partir tares, hábito patológico de jogar, personalidade
da revolução industrial e cada vez mais nos dias antissocial e outros transtornos de personalidade,
atuais, com o uso das máquinas, cumprimento trazendo sérios prejuízos ao indivíduo em todos
de prazos e rotinas de trabalho, o seu consumo os aspectos da vida: social, familiar e profissional.
excessivo passou a ser visto como prejudicial Os prejuízos do uso abusivo de álcool não
ao desempenho no trabalho, com significati- atingem apenas o indivíduo, mas trazem conse-
vos prejuízos para as organizações (MORAES; quências negativas diretas para as organizações:



PILATTI, 2004).
Há inúmeros fatores psicossociais de risco • Absenteísmo.
para o abuso de álcool, como fatores genéticos • Acidentes de trabalho.
e experiências ao longo da vida do indivíduo, • Acidentes de trajeto.
aos quais não vamos nos direcionar neste mo- • Queixas diversas com relação à saúde.
mento. • Aumento de falhas na execução das tarefas.
No contexto do trabalho, é possível apontar • Redução da produtividade.
como principais fatores as atividades social- • Conflitos com colegas, superiores e clien-
mente menos privilegiadas e as atividades com tes (FIORELLI, 2006, p. 299).
grande tensão. O álcool, nesses casos, funciona
como uma “válvula de escape” para fugir das Vários estudos são publicados todos os anos com
angústias provocadas pelas pressões sofri- informações e conclusões sobre os prejuízos cau-
das. Como já comentamos, em vários setores, sados pelo álcool e outras drogas na vida das pes-
torna-se cada vez mais comum os ambientes soas, em seu contexto familiar, social e de trabalho.
altamente exigentes e estressantes, em que as No entanto, segundo Fiorelli (2006), os gestores e
organizações, procurando atender às deman- as organizações ainda não estão suficientemente
das do mercado, colocam em risco a saúde dos convencidos do seu papel na prevenção e inter-
trabalhadores. venção sobre o uso abusivo do álcool.

UNIDADE 3 101
Recomendações para Programas de
Atendimento nas Empresas sobre Uso
Abusivo de Álcool e de Outras Drogas

A Organização Internacional do Trabalho – OIT defende que o


local de trabalho é o espaço mais adequado para se implantar pro-
gramas e políticas para o tratamento do uso abusivo do álcool e de
outras drogas, reafirmando a necessidade de participação de vários
parceiros sociais nesses programas, com as empresas exercendo
um papel fundamental. A OIT indica que os programas serão mais
efetivos se forem fruto de consultas e acordos entre os trabalhadores
e a administração das empresas.
Em 2001, o Ministério da Saúde indicou políticas que as em-
presas devem seguir no atendimento à dependência de álcool e de
outras drogas no local de trabalho (BARROS, 2009, p. 54):
• Práticas de supervisão e chefia direta em que a dignidade e a
valorização do trabalhador sejam consideradas, com especial
atenção nas situações de trabalho socialmente desprestigia-
das.
• Fornecimento de equipamentos adequados, disponibilidade
de chuveiros e material para a higiene pessoal (inclusive
trocas suficientes de roupa).
• Desenvolvimento de estratégias de redução das situações de
exposição às ameaças, como agressão armada e ira popular,
com a participação dos próprios trabalhadores no desenvol-
vimento de tais estratégias.
• Disponibilidade de pausas em ambientes agradáveis e con-
fortáveis, visando o alívio da tensão.
• Disponibilidade de meios de comunicação e de interação
com outras pessoas durante a jornada laboral, nas situações
de trabalho em isolamento.
• Redução e controle dos níveis de ruído e de vibração nos
ambientes de trabalho.

É importante ressaltar que as empresas devem comprometer-se com


essas políticas, porém, com o cuidado de que elas sejam planejadas
e conduzidas por profissionais altamente capacitados, preferencial-
mente em equipe multidisciplinar.

102 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


Satisfação no
Trabalho e Saúde
Mental do Trabalhador

Você já deve ter percebido a ênfase que estamos


dando neste texto ao enfoque dado ao ser hu-
mano no trabalho como crucial para o resultado
alcançado por uma organização. Alguns dos temas
que têm ocupado um espaço importante são os
que tratam da satisfação no trabalho. Há pouco
mais de cem anos, era um assunto absolutamente
ausente nas organizações, hoje, pode-se conside-
rar como uma das variáveis mais estudadas no
campo da Psicologia Organizacional. Buscam-se
respostas para a questão: afinal, o que faz as pes-
soas gostarem ou não de seu trabalho?
Como nos coloca Spector (2006), a satisfação
no trabalho é indicativa de grandes realizações
das pessoas nos contextos organizacionais, estan-
do ligadas ao desempenho, saúde e longevidade.
Vamos apresentar algumas conclusões sobre o
tema: o que determina ou influencia essa satisfa-
ção, como ela é medida e quais as suas possíveis
consequências. Iniciemos com duas definições
para o termo.

UNIDADE 3 103
A satisfação no trabalho é uma variável de ati- Segundo Spector (2006), os estudos sobre sa-
tude que mostra como as pessoas se sentem em tisfação no trabalho adotam principalmente três
relação ao trabalho que têm, seja no todo, seja em perspectivas para suas análises: o ambiente, a per-
relação a alguns de seus aspectos. De forma sim- sonalidade e a interação pessoa/trabalho.
ples, a satisfação no trabalho é o quanto as pessoas No caso das perspectivas que focam no am-
gostam do trabalho delas; insatisfação no trabalho biente, são investigadas as características do tra-
é o quanto não gostam (SPECTOR, 2006, p. 321). balho e das organizações; as perspectivas que
Satisfação no trabalho é considerada um esta- enfocam a personalidade demonstram que, sob
do emocional agradável resultante da avaliação condições de trabalho bastante similares, algumas
que o indivíduo faz de seu trabalho e resulta da pessoas sentem-se satisfeitas e outras não; já na
percepção da pessoa sobre como este satisfaz ou perspectiva da interação, são combinados os dois
permite satisfação de seus valores importantes enfoques anteriores, pois há a busca por com-
no trabalho (LOCKE, 1976 apud MARTINEZ; preender que tipos de pessoas ficam satisfeitas
PARAGUAY, 2003). com quais condições de trabalho.
A definição de Spector (2006) é centrada no De qualquer forma, também é possível verifi-
componente afetivo da satisfação no trabalho. Já na car grandes semelhanças em termos do que causa
definição de Locke (1976 apud MARTINEZ; PARA- satisfação ou insatisfação no trabalho. Vamos ten-
GUAY, 2003) aparecem dois componentes distintos: tar esclarecer esses aspectos no tópico seguinte.
a) O emocional: refere-se a quão bem a pes-
soa se sente em relação ao seu trabalho.
b) O cognitivo: referente à opinião e ao pen- Fatores Ligados à Satisfação
samento da pessoa sobre o seu trabalho. no Trabalho

Esses dois componentes sugerem que a satisfa- Valle (2007) levantou os fatores ligados à satisfa-
ção no trabalho baseia-se, por um lado, no que o ção no trabalho em estudos nacionais e estran-
indivíduo pensa e, por outro, no que o indivíduo geiros e, a partir desses, classificou seis fatores que
sente, ou seja, há uma relação entre o que a pessoa considerou suficientemente abrangentes para a
espera do seu trabalho (ligado a aspectos que ela construção de instrumentos de medida, as chama-
valoriza) e o que ela realmente está recebendo em das escalas de satisfação. Para Valle (2007, p. 30),
troca. Se ela obtém valores importantes para ela, os seis fatores considerados como componentes
ficará satisfeita, e se perceber desvalorização, fica- básicos da satisfação no trabalho são:
rá insatisfeita (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003). 1. Trabalho Desafiador: grau em que o tra-
É importante ressaltar, e isso não é difícil que balho apresenta interesse, desafio, permi-
você perceba no cotidiano, que há inúmeras dife- te criatividade, diversidade e satisfação
renças individuais em relação ao que cada pessoa pessoal.
quer de seu trabalho, o que impede a indicação 2. Oportunidade de crescimento: oportuni-
de padrões universais para a satisfação. Fatores dade de aperfeiçoar capacidades e, assim,
como a personalidade individual, as condições ampliar as competências do indivíduo.
de trabalho, as expectativas, as necessidades e as Oportunidades para aprender a crescer,
motivações influenciam diretamente na satisfa- bem como para progredir dentro da or-
ção ou insatisfação. ganização.

104 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


3. R econhecimento por realizações: reconhe- Papel dos Gestores na
cimento por parte de colegas e superiores. Promoção da Saúde Mental
4. Remuneração: recebimento de remu- do Trabalhador
neração direta e indireta, especialmente
baseado em políticas organizacionais e Não há como negar o interesse da administração
decorrentes do desempenho e da produ- da empresa em promover a saúde mental de seus
tividade do trabalhador. funcionários. O importante é tornar os profissio-
5. Condições de Trabalho: ambiente físico nais gestores cada vez mais conscientes quanto
de trabalho, condições de segurança, equi- ao seu papel.
pamentos, suporte material e tecnológico Como ressalta Fiorelli (2011, p. 273), não cabe
para a realização de trabalhos. aos gestores e administração da empresa realizar
6. Relacionamento com colegas e chefia: in- diagnósticos. Considera-se que esse papel envolve:
teração social com colegas e chefia (apoio, • Compreender a importância de promo-
confiança, identificação, comunicação, ver a saúde mental, pois, além das questões
amizade, relacionamento interpessoal no humanas, estará promovendo aumento de
trabalho). produtividade e da qualidade de vida dos
funcionários.
Existem várias escalas de medida de satisfação que • Adquirir conhecimentos mínimos sobre
podem ser aplicadas aos trabalhadores para que se transtornos mentais, capacitando-se para
tenha um retrato do quão satisfeitos ou não estão planejar ações e atuar visando a promo-
os funcionários. Cabe aos gestores conhecerem ção da saúde e avaliar os resultados dessas
esses instrumentos, para que os resultados apon- ações.
tados por estes quanto à satisfação do trabalhador • Ter a percepção sobre a importância de
possam indicar caminhos para intervenções no conhecimentos de diferentes campos do
contexto de trabalho, visando melhoria da qua- conhecimento e da existência de equipes
lidade de vida, da saúde mental e do bem-estar multidisciplinares (com psicólogos e assis-
geral dos trabalhadores, aspectos diretamente tentes sociais, por exemplo) para a atuação
relacionados com a satisfação no trabalho. da organização nesse campo.
A relação entre satisfação no trabalho e saúde
física e mental do trabalhador tem sido estudada É necessário, ainda, a sensibilização das pessoas
por muitos autores e esperamos que você tenha responsáveis pela empresa para prevenir as situa-
conseguido fazer essa relação ao longo dos tópi- ções do contexto que se apresentam como fatores
cos abordados anteriormente. Para terminar essa de risco à saúde mental das pessoas e procurar
unidade, conversemos, brevemente, sobre o papel conscientizar o seu pessoal para a diminuição do
dos responsáveis pela administração das empresas preconceito com pessoas que sofrem de transtor-
nessa temática. nos mentais.

UNIDADE 3 105
Em sua tese de doutorado, Valle (2007) desenvolveu e validou um instrumento de avaliação da sa-
tisfação no trabalho, definindo essa satisfação como a atitude do indivíduo em relação a aspectos
gerais do seu trabalho.
O trabalho de Valle resultou em um instrumento que avalia variados fatores sobre satisfação no
trabalho e é apresentado em versão completa e em versão reduzida. Por ser um instrumento adap-
tado ao contexto brasileiro, pode ser de grande valia para administradores interessados no tema.
Para consultar o trabalho completo, em que a autora apresenta suas pesquisas e os instrumentos
produzidos, acesse o link disponível em: <http://repositorio.unb.br/handle/10482/2585>.

Caro(a) aluno(a), ao final desta unidade, espe- procuramos informar sobre suas causas, conse-
ramos ter conseguido atingir os objetivos a que quências e modos de enfrentamento, nem sempre
nos propomos, lembrando a você que isso só terá muito claros tanto para os funcionários quanto
sido possível a partir do seu esforço de leitura e para os dirigentes das empresas.
reflexão sobre os temas abordados. É possível afirmar que a busca pelo lucro, como
Utilizamos o trabalho de vários pesquisadores objetivo maior das empresas, seja um fator impor-
para trazer conhecimentos sobre os transtornos tante na precarização das condições de trabalho
psicológicos que se apresentam com maior ocor- no Brasil e no mundo, porém podemos verificar
rência em nosso país, conforme é possível verificar que, muitas vezes, a ignorância e a falta de preparo
pelas estatísticas oficiais e pela convivência com dos profissionais gestores os impedem de realiza-
as pessoas em nosso cotidiano. rem ações e intervenções que poderiam melhorar
Primeiramente, tentamos esclarecer alguns o desempenho dos funcionários e a qualidade
aspectos sobre a saúde de forma geral e chamar de produtos e serviços, ao mesmo tempo em que
a atenção sobre o grande impacto que o trabalho promoveriam ambientes em que a satisfação no
tem sobre a nossa vida e a nossa saúde mental. trabalho fosse alcançada, preservando a saúde e
Esperamos que tenha conseguido refletir sobre o bem-estar dos trabalhadores.
como a organização do trabalho e as grandes exi- Esperamos ter contribuído para a sua forma-
gências que incidem sobre cada trabalhador nos ção e reflexão sobre esses aspectos, conscientizan-
dias atuais podem nos levar a desequilíbrios. do-o sobre o seu importante papel como colabo-
Falamos sobre o estresse no trabalho, a sín- rador e, possivelmente, gestor das organizações
drome de burnout, a depressão e o alcoolismo e em que venha a atuar!

106 Saúde, Satisfação X Transtornos Mentais no Trabalho


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Os determinantes sociais da saúde, apresentados por Jackson e Polanyi (2002


apud ZANELLI, 2000), indicam as relações entre ambiente de trabalho e saúde do
trabalhador. Explique o que são esses determinantes e dê três exemplos deles.

2. Defina estresse e responda: ele é sempre negativo na vida das pessoas?

3. Para enfrentar a síndrome de burnout ou estafa profissional, são necessárias


estratégias nem sempre de fácil implementação. A que se referem as estratégias
organizacionais e as estratégias individuais para o enfrentamento do problema?
Dê um exemplo de cada uma.

4. A depressão é um grave problema de saúde pública e, segundo Del Porto (1999),


estão relacionados a ela três tipos de sintomas. Cite quais são esses sintomas
e exemplifique.

5. Ao definir satisfação no trabalho, Locke (1976 apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003)


indica dois componentes desse fenômeno: o emocional e o cognitivo. Explique
a que se refere cada um desses componentes.

107
LIVRO

Sob Pressão - Compreendendo e Administrando a Pressão e o Estresse no


Trabalho
Autor: Sartain Denis e Maria Katsarou
Editora: Qualitymark
Sinopse: a obra discute um dos temas mais difíceis de definir na sociedade
atual, assim como maneiras de lidar com um assunto que, normalmente, só é
reconhecido quando seus resultados são dramáticos e potencialmente preju-
diciais. No atual mercado de trabalho, no qual a sobrecarga de informações é
cada vez mais constante, o estresse tornou-se um dos maiores obstáculos às
organizações e aos colaboradores. Indicado como o mal do século, tanto capaz
de causar prejuízos de bilhões de dólares quanto de destruir milhares de vidas,
ele ainda pode ser contornado de forma eficaz.

WEB

A precarização do trabalho no Brasil e na América, que deteriora a saúde mental


dos trabalhadores, vem se generalizando cada vez mais nos dias atuais. Leia o
interessante artigo no link indicado.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.

108
FILME

A Fúria
Ano: 2007
Sinopse: Bob Maconel (Christian Slater) é funcionário de um escritório cujo
trabalho é insignificante. Ele senta em um cubículo e é ignorado pelos seus co-
legas, vivendo em um mundo onde se sente completamente isolado. Seu maior
desejo é matar seus companheiros de trabalho de diversas maneiras. Um dia,
entretanto, acontece um tiroteio no escritório e Bob salva a vida da bela Vanessa
(Elisha Cuthbert). Por seus atos heroicos, ele acaba ganhando a admiração de
todos, inclusive do diretor da empresa Gene Shelby (William H. Macy), que lhe dá
o cargo de vice-presidente de criação. Será que Bob está pronto para enfrentar
todas essas mudanças?
Comentário: filme interessante para analisar como o ambiente de trabalho pode
fazer eclodir os transtornos mentais. É preciso “cuidar” do que está ocorrendo
com o outro no local de trabalho.

109
BARROS, D. R.; CARVALHO, E.; ALMEIDA, M.; RODRIGUES, C. Alcoolismo no contexto organizacional:
uma revisão bibliográfica. Revista Psicologia &m Foco, Aracaju, n. 1, v. 2, p. 48-57, jan./jun. 2009. Disponível
em: <http://linux.alfamaweb.com.br/sgw/downloads/161_120215_ARTIGO5-Alcoolismonocontextoorgani-
zacionalumarevisaobibliografica.pdf>. Acesso em 28 fev. 2019.

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FRANÇA, A. C. L.; RODRIGUES, A. L. Stress e trabalho: uma abordagem psicossomática. 4. ed. São Paulo:
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110
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ZANELLI, J. C. Estresse nas organizações de trabalho: compreensão e intervenções baseadas em evidências.


Porto Alegre: Artmed, 2010.

111
1. Os determinantes sociais da saúde referem-se à ligação entre os locais e condições de trabalho e seus
efeitos negativos sobre a saúde mental do trabalhador. São exemplos desses determinantes: controle,
turno de trabalho, altos níveis de estresse, ritmo de trabalho, insegurança, dentre outros.

2. O estresse é um conjunto de reações que ocorre em um organismo quando está submetido a um esforço
de adaptação, ou seja, são as reações quando se é confrontado com um desafio, ameaça ou situação a
resolver. O estresse não é sempre negativo, pois prepara a pessoa para responder às situações da vida.

3. As estratégias organizacionais são utilizadas pela empresa e promovem modificação no ambiente e clima
de trabalho, como exemplo, rever os processos de trabalho; supervisão e apoio ao trabalho, dentre outras.
As estratégias individuais dependem de cada pessoa, dependendo das suas características pessoais e do
modo como respondem às situações. Nesse caso, as estratégias podem ser: encarar as dificuldades como
desafio, procurar apoio social, dentre outras.

4. Sintomas psíquicos, como os sentimentos de tristeza; os sintomas fisiológicos, como alterações do sono;
e evidências comportamentais, como as crises de choro.

5. O componente emocional refere-se ao quanto a pessoa se sente bem em relação a seu trabalho, e o com-
ponente cognitivo refere-se à opinião e pensamentos que a pessoa tem sobre o seu trabalho.

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