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SEMANA 36 (EXTENSIVO) | SEMANA 15 (SEMIEXTENSIVO)

FGV
TEMA A PRISÃO APÓS SEGUNDA INSTÂNCIA PROMOVE JUSTIÇA?
Considerando as ideias neste texto, além de outras informações que você julgue pertinentes, redija uma dissertação em prosa,
argumentando de modo a expor seu ponto de vista sobre o tema: A prisão após segunda instância promove justiça?

TEXTO 1

Você provavelmente já ouviu falar na discussão sobre a prisão em segunda instância, certo? O que talvez você não saiba é que este debate envolve a
própria Constituição brasileira! Isso porque existe um dispositivo constitucional que versa sobre qual seria o momento da privação da liberdade de alguém que
está em julgamento no sistema judiciário, entretanto esse dispositivo já foi apresentado com entendimentos diferentes pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
algumas vezes.
Desde a Constituição Federal (CF) de 1988, o entendimento sobre a prisão em segunda instância já mudou duas vezes. Em 2009, o STF determinou que o
réu só podia ser preso após o trânsito em julgado, ou seja, depois do recurso a todas as instâncias. Antes do esgotamento de recursos, ele poderia no máximo
ser condenado à prisão preventiva. Já em fevereiro de 2016, o Supremo decidiu que um réu condenado em segunda instância já pode começar a cumprir sua
pena, mesmo enquanto recorre aos tribunais superiores. Em 2019, esse tema voltou para votação no STF.
Por um lado, para quem argumenta contra a prisão em segunda instância, justifica-se que há um ferimento ao princípio da presunção de inocência, previsto
no artigo 5º do inciso LVII da CF – no qual se afirma que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Ainda,
de acordo com o defensor público Pedro Carrielo, “a relativização no processo penal permite a relativização de outros direitos fundamentais. É uma porta que se
abre”. Além disso, conforme dados trazidos pelo ministro Ricardo Lewandowski, um terço dos pedidos de habeas corpus de condenados em segunda instância
que chegam ao Superior Tribunal de Justiça tem suas penas revistas. Esse volume revelaria a importância dos recursos aos tribunais superiores, que corrigem
penas injustas.
Por outro, para quem é a favor da prisão em segunda instância, a justificativa é de que os réus protelam condenação com recursos. Seis dos onze
magistrados em 2016 que votaram a favor da prisão logo após a condenação em segunda instância consideraram que o recurso a instâncias superiores tornou-
se uma forma de protelar ao máximo a decisão final. Ademais, pode aumentar casos de impunidade como o do jornalista Antônio Pimenta Neves, que
assassinou a namorada, Sandra Gomide – passaram-se quase onze anos até que Neves fosse preso. Há também casos como o do ex-senador Luís Estevão,
que foi condenado em 1992 por desviar R$169 milhões de uma obra. Depois de apresentar mais de 30 recursos aos tribunais superiores, o processo contra ele
se arrastou por vinte e quatro anos. Apenas em 2016, saiu o trânsito em julgado e o ex-parlamentar foi parar na prisão. Por fim, o modelo de prisão antes do
trânsito em julgado é adotado por outros países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Portugal, Espanha e Argentina.
Disponível em: https://www.politize.com.br/prisao-apos-decisao-em-segunda-instancia-argumentos-contra-e-favor/. [Adaptado].

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