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“Universidade do Crime”

É fundamental entender onde e como se originou o caos no sistema carcerário brasileiro,


diariamente isso é noticiado nos jornais. Entretanto pensamos que a causa disso é atribuído ao tráfico
de drogas, mas só após assistir o documentário percebo que não é bem esse contexto. O documentário
Guerras do Brasil, em seu último episódio, com poucos minutos percebemos a raiz e os surgimento de
facções criminosas que até hoje perseguem a sociedade e o Estado, surgiram como resposta a ação que
demonstra a repressão, o excesso de violência, a crueldade e o descaso do próprio Estado,
comprovando que a brutalidade e a desumanização contribuem diretamente para fomentar o ciclo de
violência.

De acordo com o jornalista Carlos Amorim em 1969 os militares decidiram fazer uma emenda na
Constituição do Brasil, almejando uma reintrodução da pena de morte para determinados tipos de
crimes, justamente aos grupos que faziam uma oposição das ideias militares, neste momento ocorria
um clima terrível no Brasil. Exatamente nesse período dentro dos presídios do Rio de Janeiro foram
encontrados armas e dinheiros dentro de algumas celas, proveniente do grupo Aliança Libertador
Nacional - ALN. Ao deparar com essa situação os militares ficaram enfurecidos e decidiram se que os
presos com condenações agravantes, tais como: roubo armado, homicídio e alguns presos políticos, (o
tráfico não era tão presenciado naquela época), apanhou todos esses condenados e os colocaram em
um porão de um Navio Graneleiro e despacharam para a penitenciaria agrícola de Ilha Grande, que
ficava frente a um mar enfurecido e cercado por uma mata selvagem.

Como forma de proteger uns aos outros os prisioneiros acabaram se ajustando em grupos
chamados Falange, sua organização era de acordo com a origem geográfica de cada um, seja da zona sul
ou zona norte e etc.. Nesse desembarque dos presos surgiu a Falange Vermelha, que era os presos
condenados pela Lei de Segurança Nacional, eles tinham esse nome devido na sua ficha conter uma
faixa vermelha, o destino deles é a galeria do “fundão” uma cela de isolamento total sem iluminação
solar. Os presos dessa falange vermelha, começaram a lutar contra a exploração dos presos com os seus
próprios semelhantes, entre eles era cobrado pedágios para atravessar as galerias, roubavam a comida
dos mais fracos, alimentação e remédios eram saqueados. Esse comando decidiu resolver tais dilemas
que estavam ocorrendo, começaram a visar a coletividade, criaram uma farmácia feita com doações e
decidiu dar proteção aos mais frágeis.

Não adiantaria somente a organização e a coletividade partir através dessa organização, era
preciso uma atuação do Estado perante as condições humana dos encarcerados. Foram colhidos alguns
depoimentos dos presos que se sentiam explorados pelo sistema, sendo obrigados a conviver em
condições totalmente precárias e sub-humanas, dizendo assim: “o nosso comportamento é de acordo
com o tratamento que recebemos desse sistema”. Analisando sistematicamente essa conjuntura do
Documentário “Guerras do Brasil Ep. 5” realizo aqui uma aplicação das aulas ministradas pelo Prof.
Marco Vinicius, tais fatos narrado acima não podem ser resolvidos pelo juiz de valor (avaliar sobres as
coisas, pessoas e situação). Temos que ir pelo sentido de saber o que as coisas são, como são e porque
são assim faríamos um juízo de fato, nisso nos exige uma reflexão, não devemos seguir o senso comum
e o desejo por justiça. O Senso Moral pode ser perigoso pois nele vem o sentimento e a ação imediata
em resposta as emoções, agindo desta forma seremos guiados por fortes ações que é terrivelmente
invade a nossa complexidade humana, na Psicologia aprendemos sobre as emoções e o comportamento
humano, a ideia é trabalhar na conscientização moral, levar as pessoas que teve um desvio de conduta a
uma reflexão racional e não ser guiado por emoções mas pela razão, pois existe uma relação
fundamental entre o mundo interno e externo na atividade de julgar. Concluo essa análise que a
responsabilidade não deverá ser atribuída aos detentos, é dever do Estado garantir a cada um deles o
direito de assistência, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade,
assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa.

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