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Curso de Especialização em

Direito Tributário

Módulo II
2º semestre de 2018

SEMINARIO V

Thiago Maciel

Campus Consolação – Unidade COGEAE - Rua da Consolação, 881 - São Paulo/SP – CEP 01301-000 1
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SEMINÁRIO V

1. Defina o conceito de isenção tributária, relacionando-o, se possível, com a regra-


matriz de incidência tributária e seus critérios. Explique também se a isenção pode
ser considerada uma “exclusão do crédito tributário”, nos termos do artigo 175, I, do
CTN, isto é, trata-se de “dispensa legal do pagamento”?
Resposta:
A isenção tributaria é a dispensa do pagamento de um tributo devido em face da
ocorrência de seu fato gerador.
A teoria clássica entende que a isenção é um favor legal consubstanciado na
dispensa do pagamento do tributo devido, em outras palavras o legislador desonera o
sujeito passivo da obrigação tributária ao dever jurídico de recolher referida exação.
Segundo Paulo de Barros Carvalho a isenção se perfaz no encontro de duas normas
jurídicas, sendo uma a regra-matriz de incidência tributária e outra a regra da
isenção, com seu caráter supressor da área de abrangência de qualquer dos critérios
da hipótese ou da consequência da primeira regra-matriz. Nesta linha de raciocínio, o
que o preceito de isenção faz é subtrair parcela do campo de abrangência do critério
do antecedente ou do consequente.
Como a incidência, a isenção tributária necessariamente é decorrente de lei,
competindo ao ente publico que criou o tributo o poder de isentar sua cobrança. Nos
termos do artigo 175, I, do CTN, a isenção um caso de exclusão ou de dispensa
legal do pagamento do crédito tributário.

2. Elabore um quadro comparativo distinguindo, se puder, (i) isenção, (ii) imunidade,


(iii) não-incidência e (iv) não tributado (NT). Ao final, responda se a impossibilidade
dos Estados de instituírem ICMS sobre o ouro, quando definido em lei como ativo
financeiro ou instrumento cambial (art. 153, §5º, CTN), é caso de imunidade, isenção,
não-incidência ou não tributação.
Resposta:
Isenção é o ato subtrair parcela do campo de abrangência do critério do antecedente
ou do conseqüente, desde que disposto em lei.
Imunidade refere-se normas jurídicas, contidas no texto da Constituição Federal, e
que estabelecem, expressamente, a incompetência das pessoas políticas de direito
constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem
situações específicas e suficientemente caracterizadas.

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Não-incidência configura-se na própria norma de tributação, sendo objeto da não-
incidência todos os fatos que não estão abrangidos pela própria definição legal da
regra-matriz de incidência tributária.
Tratando-se de caso de isenção Não Tributado são as situações em que há alíquota
zero para determinado objeto, havendo nestes casos a separação de parte do critério
quantitativo da regra-matriz de incidência.
Em razão de ter previsão constitucional de que não incidirá ICMS sobre o ouro
quando utilizado como ativo financeiro ou instrumento cambial, (art. 153, §5º da CF),
resta evidente a imunidade tributária do mesmo.

3. Explique se a revogação da isenção reinstitui a norma tributária no sistema,


apenas restabelece sua eficácia ou requer a publicação de nova regra tributária no
ordenamento. No caso, deverá ser respeitado o princípio da anterioridade? E a
isenção condicionada ou a prazo pode ser revogada? Em quais circunstâncias?
Resposta:
A legislação que revoga a isenção só deve entrar em vigor no primeiro dia do
exercício seguinte àquele que for publicado, isto é, preceitos de lei que extingam ou
reduzam isenções devem respeitar o princípio da anterioridade. Isso porque,
dispositivos com esse fim equivalem aos que instituem o tributo, inaugurando um tipo
de incidência, motivo pelo qual entendo ser a publicação de nova regra tributária no
ordenamento jurídico.
Nos casos de isenção condicionada ou a prazo poderá haver a revogação, pois, por
ser inerente aos atos administrativos, não gera direito adquirido, podendo ser
reformado, de ofício, toda vez que verificar o descumprimento das condições ou dos
requisitos estipulados na lei.

4. Que é diferimento? Trata-se de hipótese de substituição tributária ou de isenção?


Que é diferido: a ocorrência do fato jurídico tributário, o nascimento da obrigação ou a
constituição do crédito? No caso do IPI, quando se concede isenção a insumos e não
se autoriza o aproveitamento de crédito, temos diferimento? (Anexo I).
Resposta:
O diferimento consiste em uma postergação ou adiamento do pagamento de
determinado tributo.
O diferimento também é intitulado como um espécie de substituição tributária, ou
seja, o legislador responsabiliza o adquirente da mercadoria pelo pagamento do
tributo devido pelo contribuinte que vende, adiando este pagamento, ou seja ao
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mesmo tempo que ocorre a postergação ou adiamento do pagamento de
determinado tributo, pode ocorrer a transferência da responsabilidade para o
pagamento do imposto a um terceiro
Diferido é a futura constituição do crédito tributário, pois o pagamento foi postergado
a data futura ocorrendo assim a substituição do imposto plurifásico vertido em
linguagem competente.
No caso do IPI não há o diferimento do tributo, pois diferimento refere-se a uma
postergação, ou seja, o pagamento que seria devido ao vendedor será devido pelo
adquirente, não devendo ser relacionado à isenção, mas sim há uma espécie
substituição tributária.

6. Considerando o art. 6º da L. 10.051 de 10/05/2002, responda às perguntas abaixo


formuladas:
Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de
Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto
no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as disposições contidas nas
respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação
"NT" (não-tributado).

a) Há distinção entre alíquota zero e isenção? É correto afirmar que produto


classificado na TIPI com alíquota de 0% é tributado pelo IPI?
Resposta:
A isenção se perfaz com a mutilação parcial de algum critério do antecedente ou do
consequente da regra-matriz de incidência tributária, sendo que no caso da alíquota
zero a mutilação se dá em face do critério quantitativo.
Desta forma é incorreto afirmar que produto com alíquota zero é tributado pelo IPI,
pois, por ser isento, nem mesmo ocorre a incidência do tributo.

b) Há distinção entre alíquota zero e produtos não-tributados? O NT contido na


tabela do IPI sempre representa situação de isenção?
Resposta:
Não há distinção entre alíquota zero e produtos não-tributados, pois a alíquota zero
refere-se ao produto não-tributado. A situação de isenção contida na tabela é a
dispensa do pagamento do IPI, logo o NT contido na tabela do IPI sempre representa
situação de isenção.
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c) O Poder Executivo pode estabelecer alíquota zero a um produto com alíquota de
10%? E se, ao contrário, o Poder Executivo majorar a alíquota de zero para 10%,
deve-se observar o princípio da anterioridade previsto nas alíneas “b” e “c”, do art.
150, III, da CF/88? Explicar.
Resposta:
Diferentemente de outros tributos, a Constituição o excepciona da aplicação do
princípio da anterioridade ao IPI (Art. 150, §1), logo, o aumento ou a redução do IPI
pode ser efetuada no mesmo exercício em que foi instituído.
O princípio da anterioridade trata da instituição ou aumento do imposto além dos
limites anteriormente fixados.
Não obstante, o disposto na alínea “c”, no inciso III do art. 150 da Constituição, veda
a cobrança de determinados tributos, dentre eles o IPI, tão somente antes de
decorridos noventa dias da data em que houver sido publicada a lei que os institui ou
aumentou, observado ainda o disposto na alínea “b”, restando assim mitigada o
principio da anterioridade.
Desta forma, a aplicação do princípio da anterioridade no caso de redução ou
extinção de isenções de tributos, não se aplica aos tributos dispostos Art. 150, §1, ou
seja não se aplica ao IPI.

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