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A Botica Caseira

Curso de Manejo e Preparo de Ervas


Theresa Tullio

A Botica Caseira
Curso de Manejo e Preparo de Ervas
Capa:
Ativas and Criativas Agência

Projeto Gráfico:
Ativas and Criativas Agência
Para Vila de Beroë Editora
Copyright © 2017 Theresa Tullio
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, no todo ou
em parte, sem autorização prévia por escrito da autora ou seus
representantes legais, sejam quais forem os meios empregados,
com exceção das resenhas literárias, que podem reproduzir
algumas partes do livro, desde que citada a fonte.
Dedicatória & Agradecimentos

Gratidão por tanta Fé e tanta Certeza!

A
Deus

Aos
Mentores
Guias
Mestres
Protetores
Conselheiros

Às Mães
Maria e Natureza
À

Meus pais Ilson e Penha,

Irmãos Cris, Paulo e Marta


E a caçula de coração Arlinda

Bruna, Ilson Neto e Yasmin


Luz, Orgulho e Doçura da vida da tia

Joana minha Mãe-Dinda,


Marcilene, minha querida laotong
Márcia Henriques, Rafael e Alex
Família de Coração

Minha Outra Parte

Meus avós, minha querida ancestral e meu anjo Aruãna

E a cada pessoa que procura minhas orientações para ajustar o


rumo de sua vida, continue a caminhar, caminhemos juntos...
SUMÁRIO
Apresentação ....................................................................... 11
Preciosos Conselhos Para Começar ................................ 14
Alertas Sobre Expressões E Referências ........................ 16
Toxicidade, Potência, Validade De Vegetais ................. 17
Sobre Receitas Para Olhos, Ouvidos E Nariz ............... 21
Teste Para Alergia .............................................................. 22
Fatores Importantes No Preparo E Manipulação De
Herbais ................................................................................. 24
Esterilização De Frascos De Vidro ................................. 25
Rotular - Etiquetas Detalhadas São Uma Medida
Necessária ............................................................................ 26
Medidas & Equivalências .................................................. 28
Seu Álbum Herbário E/Ou Fotográfico ........................ 31
O Melhor Horário Para Ingestão De Preparados Herbais
................................................................................................ 33
Reverência & Gratidão ...................................................... 36
Utensílios & Material ......................................................... 37
Chás, Infusões & Decocções ........................................... 44
Macerados ........................................................................... 54
Sumos & Sucos ................................................................... 57
Pós & Pílulas ....................................................................... 61
Tinturas & Alcoolaturas .................................................... 67
Óleos .................................................................................... 74
Vinhos Medicinais & Garrafadas ..................................... 78
Xaropes Ou Lambedores .................................................. 84
Compressas ......................................................................... 92
Banhos Medicinais & Vaporizações ................................ 96
Unguentos & Pomadas ................................................... 124
Cataplasmas & Emplastos .............................................. 132
Travesseiros De Ervas & Almofadas Terapêuticas .... 141
Outras Práticas ................................................................. 151
Sobre Bochechos & Gargarejos ..................................... 152
Sobre Extratos .................................................................. 153
Sobre Loções .................................................................... 154
Sobre Melotes ................................................................... 154

Bibliografia, WebGrafia E Fontes de Consulta ........... 155


Conheça Alguns Livros De Theresa Tullio ................. 159
Sobre A Autora ................................................................ 162
Deusa Eir, A Curadora Silenciosa ................................. 163
A Botica Caseira

APRESENTAÇÃO

Botica era como chamava-se farmácia antigamente. O boticário ou


apotecário foi por muito tempo e é até hoje, a única opção de
medicina para vilarejos inteiros, longe dos grandes centros, em
pleno século XXI.

Estabelecimentos miúdos, escuros, misteriosos, de plantas secas


penduradas e ajuntadas em todo canto, gavetinhas, potes
gigantescos de vidro escuro, sacos de papel pardo e embrulhos em
jornal velho. Mas ali se encontra elixir, veneno e unguento, ali tem
pomada, confiança e alento. É lá que se manda o moleque às
pressas à busca do que se precisa, pois ali se encontra o que se
resolve e quem resolve. Unidos em disfarçadas confrarias às
dindas, dindos, benzedeiras e benzedores em inusitadas mesas-
redondas nas quais os pajés são sempre bem vindos convidados de
honra.

Hoje, mais e mais pessoas estão tomando coragem e "Fazendo O


Caminho De Volta", trocando carreiras rentáveis e destaque no
mundo corporativo por uma vida mais simples e mudando-se para
localidades que nem sempre dispõe de rede hospitalar próxima, de
filiais de grandes e sortidas drogarias.

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Theresa Tullio

As orientações de manejo e preparo de ervas deste livro não se


destinam a formação profissional ou processos para fabricação de
preparados terapêuticos em larga escala para fins comerciais e sim,
para fins medicamentosos caseiros, para usar no lar, beneficiar a
família e ajudar os vizinhos.

Neste Curso foram incluídas apenas práticas que utilizam produtos


naturais e também selecionadas as mais simples.

As TÉCNICAS DE MANEJO E PREPARO não incluem


instruções de plantio, jardinagem, colheita ou secagem, ou seja, as
plantas nos capítulos são consideradas ingredientes prontos para o
uso nas receitas.

Minha intenção é incentivar que cada lar tenha seu jardim de ervas,
sua horta terapêutica, do tamanho que couber, na área de serviço,
num canto de sacada ou até na janela da cozinha.

E quer seja sua escolha pelas ervas pura falta de opção assistencial,
ou ainda necessidade de uma terapêutica mais natural e menos
agressiva ao organismo, meu desejo é que este livro lhe seja útil.

Que os boticários e suas alquímicas funções lhe inspirem no


aprendizado proposto por esta despretensiosa obra.

Bênçãos a ti, sua família e sua casa,


Nos vemos no Caminho De Volta...

Theresa Tullio
Março de 2017

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PARA COMEÇAR, ALGUNS PRECIOSOS


CONSELHOS BÁSICOS

Evite o uso de plantas “da moda”.

Duvide sempre das plantas tidas como milagrosas.

Utilize aquelas plantas cujos efeitos são bem conhecidos.

É importante identificar corretamente a doença a ser


tratada, senão o tratamento pode ser inadequado e atrasar a
procura de um serviço de saúde em casos em que seja
necessário.

A preparação da planta e as doses devem ser adequadas.

Em caso de dúvida, procure um conhecedor que trabalhe


com plantas.

Prepare os medicamentos em vasilhas de louça, vidros, aço


inox ou esmaltados, quando possível. Vasilhas de alumínio
e ferro atrapalham o efeito do medicamento.

Não adoce os chás nem com açúcar nem com adoçante,


pois eles interferem na ação medicinal.

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A Botica Caseira

Procure usar os preparados por um período máximo entre


21 e 30 dias, intercalados por um período de descanso de 7
dias (há algumas exceções à essa regra).

Evite o uso de plantas medicinais na gravidez,


especialmente nos 3 primeiros meses, pois podem
provocar aborto ou causar problemas ao bebê.

As misturas de plantas devem ser evitadas ou restritas a


pequeno número de espécies, no máximo três, pois podem
trazer efeitos inesperados devido à interação entre seus
constituintes.

Saber sobre a doença, o tratamento e o preparo do


remédio é muito importante. Quando não sabemos isso
direito e não preparamos bem o remédio, o tratamento
pode ser ineficaz ou mesmo fazer com que a pessoa piore.
Nestes casos, as pessoas podem achar que o tratamento
não funcionou porque o remédio era de plantas.

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Theresa Tullio

ALERTAS SOBRE EXPRESSÕES E


REFERÊNCIAS

O nome FITOPREPARADO é o melhor e o mais usado para se


referir aos produtos herbais finalizados. Esse nome está
substituindo os nomes “remédio caseiro” ou “remédio popular”,
desde que o nome FITOTERÁPICO foi apossado pela indústria
farmacêutica.

Outro nome apossado: CURA. É perigoso você falar que curou


alguém. Pelo código penal curar é direito do(a) médico(a).

Não fale ou use curar, fale e use equilibrar ou harmonizar.

Não fale ou use receita/receitar, fale e use


indicação/indicar.

Não fale ou use consulta, fale e use atendimento.

Não fale ou use consultório, fale e use sala.

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TOXICIDADE, POTÊNCIA, VALIDADE DE


VEGETAIS

Existem plantas medicinais de conhecimento popular que são


tóxicas. Como está ocorrendo uma intensificação da procura e do
uso dessas plantas, é importante alertar para os perigos que o seu
uso indiscriminado pode acarretar.

Antes de utilizar uma planta medicinal, é preciso procurar


informações a respeito de suas indicações terapêuticas, dosagem,
modo de usar e possíveis efeitos tóxicos.

As intoxicações ocorrem quase sempre por causa do uso de


quantidades excessivas de determinadas plantas, preparo, uso
inadequado e, principalmente, por causa do uso de plantas com
efeitos tóxicos.

Como os prováveis efeitos tóxicos de muitas plantas ainda são


ignorados, deve-se procurar utilizar aquelas cujos efeitos sejam
bem conhecidos, usando-se dosagens moderadas e bem
determinadas, evitando-se os excessos.

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Theresa Tullio

Na dúvida sobre o uso de uma planta, é aconselhável procurar a


orientação de um profissional de saúde que trabalhe com plantas
medicinais ou usar uma outra mais conhecida e que tenha os
mesmos princípios terapêuticos.

O uso pouco cuidadoso das plantas medicinais tem causado


efeitos indesejados como intoxicações e mesmo a ausência da
resposta medicamentosa esperada. Este mau uso se deve ao
conhecimento insuficiente do assunto, a pouca informação ou
mesmo à falsa ideia de que “se é natural”, se não fizer bem, mal
não fará. Essa afirmação é totalmente errônea, pois todo
medicamento quer seja de origem química ou natural possui
efeitos positivos e também negativos ao organismo.

O risco de intoxicação pelo uso de plantas é grande. Estas


intoxicações normalmente ocorrem por causa de erros na
identificação das espécies (uso de nomes populares), do uso de
quantidades excessivas de determinadas plantas, do preparo e uso
inadequados e, principalmente, por causa do uso de plantas com
efeitos tóxicos.

Determinadas plantas medicinais podem, ainda, provocar


queimaduras na pele e algumas sofrem foto sensibilização quando
expostas ao sol e podem provocar queimaduras.

Os preparados de origem vegetal, na maioria das vezes, possuem


uma dose terapêutica distante da dose tóxica, sendo o efeito tóxico
atingido somente com grande consumo. Mas pode sim, haver
perigo no uso de plantas medicinais, sem as devidas precauções,
cuidados e orientação segura.

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A Botica Caseira

Atenção então!

Plantas com efeito tóxico imediato, mesmo em pequenas


doses podem causar intoxicação.

Plantas com efeito tóxico retardado possuem substâncias


químicas que provocam intoxicação quando ingeridas por
tempo prolongado. Mesmo após suspender o uso da planta
os sintomas de intoxicação podem ocorrer.

Plantas mofadas e mal conservadas contém substâncias


tóxicas produzidas por alguns fungos que podem causar
câncer hepático.

Plantas trocadas ou utilizadas erroneamente são um perigo,


há principalmente inúmeras folhas na Natureza muito
parecidas. Por isso é importante saber a procedência da
indicação, ver realmente quem é o raizeiro ou quem é o
vendedor das plantas medicinais.

Uma planta quando corretamente cultivada, colhida e armazenada


é mais potente. Mas com o tempo, as ervas também perdem a
força e devem ser descartadas depois de 12 ou 15 meses,
dependendo do tipo.

Os preparados de plantas já prontos também não devem ser


usados por tempo prolongado, acabam perdendo o efeito ou
causando efeitos colaterais.

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Theresa Tullio

Ao preparar um remédio, certifique-se que esteja usando a parte


certa da planta. As folhas, flores, caules e raízes de uma planta
podem ter, cada um, propriedades diferentes. Portanto, cuidado
para usar a parte correta da planta indicada na receita.

Elabore os fitopreparados apenas com plantas conhecidas,


consagradas ou validadas. Identifique com segurança as plantas ou
tenha ajuda de quem conhece. Evite as novidades milagreiras.
Somente após você conviver algum tempo é que terá suas próprias
convicções.

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A Botica Caseira

SOBRE RECEITAS PARA OLHOS,


OUVIDOS E NARIZ

Em se tratando de remédio para uso tópico-interno de OLHOS,


OUVIDOS E NARIZ, todo cuidado é pouco. Os tratamentos
otorrinolaringológicos com aplicações internas como colírios,
soluções nasais e remédios para ouvidos, mesmo naturais, não são
ensinados neste guia.

No livro "Curando Em Casa - Guia Prático de Terapêutica


Complementar", que faz parte da Enciclopédia AS ERVAS, há
várias receitas para tratamentos caseiros dos males dos olhos,
ouvidos, nariz e garganta, mas restringindo-se a soluções de uso
externo.

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Theresa Tullio

TESTE PARA ALERGIA

Um processo alérgico pode ocorrer através do contato da pele


com partes do vegetal ou pela ação do sumo de algumas plantas
que tornam a pele sensível aos raios do sol.

Pessoas que trabalham diretamente com certas plantas, ou o


consumo prolongado, podem causar perturbações digestivas,
urticária, rinite e enxaqueca.

A pele de cada pessoa possui características diferentes, como cor,


cheiro e textura. Além disso, cada uma apresenta uma sensibilidade
única quando exposta a variadas substâncias. Assim, antes de
utilizar qualquer ingrediente natural, é importante fazer um teste
para verificar se a pessoa apresenta alergia a algum componente,
seja ele uma folha, flor, semente, óleo essencial ou qualquer outro
produto de origem natural.

Não só testar a pessoa à qual será ministrado o preparado, mas


também testar a pessoa que irá manipular a planta.

Algumas substâncias podem provocar uma hipersensibilidade em


certos tipos de pele e outras podem causar danos à pele se
utilizadas concomitantemente com outras substâncias e/ou com a
exposição solar. Por isso, valem o bom senso e o cuidado.

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Para fazer um simples teste de reação alérgica:

Junte uma colher de sopa de água fervente a uma colher de


sopa do material bem esmagado, preferencialmente na
forma de pó.
Misture até formar uma pasta.
Passe com espátula de madeira na parte de dentro do braço
da pessoa, que é onde a pele é mais fina, e portanto, mais
sensível.
Se quiser, pode envolver com uma bandagem.
Espere por alguns minutos e veja se ocorre alguma reação
adversa, como vermelhidão, coceira ou irritação.
Em caso positivo, não utilize mais a planta.

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FATORES IMPORTANTES NO PREPARO E


MANIPULAÇÃO DE HERBAIS

Higiene do local onde se trabalha:


Pia, balcões e mesas devem ser limpos antes e depois da
atividade.
O piso deve ser mantido limpo e seco.
Paredes, armários e teto deve ser limpos com frequências
para evitar acúmulo de poeiras e formação de teias de
aranhas.

Higiene dos equipamentos e utensílios:


Limpar antes e depois do uso.

Higiene pessoal:
Lavar as mãos, escovar as unhas, procurar retirar anéis e
relógio.
Usar luvas, avental limpo e proteger os cabelos.

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ESTERILIZAÇÃO DE FRASCOS DE VIDRO

Todo frasco a ser utilizado para maceração e para armazenamento


dos preparados herbais deve ser previamente esterilizado.

A forma mais natural de esterilização é usar apenas água quente.

Para esterilizar frascos de vidro em água quente:

Você vai precisar de uma panela grande, bem limpa, dentro da qual
os potes não encostem uns nos outros, e um pedaço de tecido de
algodão também bem limpo, de preferência que nunca tenha sido
usado.

Forre o fundo da panela com o pano para os potes ficarem


acomodados e sem atrito com o fundo na fervura.
Disponha os potes sobre o pano, afastados um do outro e
cubra-os completamente com água.
Deixe ferver por 10 minutos.
Espere esfriar um pouco, retire os potes com cuidado,
coloque sobre outro pano limpo e seco e enxugue com
toalhas de papel.

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ROTULAR - ETIQUETAS DETALHADAS


SÃO UMA MEDIDA NECESSÁRIA

É necessário etiquetar todas as preparações que não sejam de uso


imediato para evitar erros posteriores. Mesmo que o preparado
esteja sendo feito para uso doméstico, a etiqueta ajuda a lembrar a
composição, quando foi feito e quando irá vencer.

Seguem modelos para etiquetas:

ETIQUETA DE PRODUTO INTERMEDIÁRIO


(Quando ainda está sendo feito)

RESPONSÁVEL: PAULO
DATA DO INÍCIO DA MACERAÇÃO: 01/12/2008
DATA DA FILTRAÇÃO: 16/12/2008
CONTEÚDO: AGUARDENTE DE CANA - 1 LITRO
CARQUEJA SECA - 200 GRAMAS
LOCAL DA COLETA: QUINTAL DO SEU JOAQUIM

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ETIQUETA DE PRODUTO FINAL:

TINTURA DE CARQUEJA
NOME CIENTÍFICO: BACCHARIS TRIMERA
PARTE DA PLANTA: FOLHAS
INDICAÇÃO: DIGESTIVA
LÍQUIDO EXTRATOR: VODKA
RESPONSÁVEL: MARINA
DATA DA MANIPULAÇÃO: 16/12/2008
VÁLIDA ATÉ: 16/12/2010
LOCAL DA COLETA: BEIRA DO MORRO,
PRÓXIMO AO LAGO
VOLUME: 1 LITRO
POSOLOGIA: TOMAR DE 15 A 20 GOTAS NA
HORA DO DESCONFORTO.

Também podem aparecer na etiqueta observações como:

USO EXTERNO OU INTERNO.


CONSERVAR AO ABRIGO DA LUZ.
NÃO DEIXAR AO ALCANCE DAS CRIANÇAS.

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MEDIDAS & EQUIVALÊNCIAS

"A Diferença
Entre O Remédio
E O Veneno
Está Na Dose"

Há muitas dúvidas ainda sobre o cálculo das doses das ervas e


como usá-las.

Se você consultar 100 livros e 100 sites na internet, encontrará


pelo menos umas 20 listas de equivalências diferentes.

Até o Instituto de Pesos e Medidas Nacional e a ANVISA, são


citados como fontes de tabelas que variam de Estado para Estado
no Brasil.

Sempre que determinada receita pede medidas como xícaras e


colheres, a tendência é pesarmos e medirmos os ingredientes
empregando utensílios caseiros, pela facilidade de estarem à mão.

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A Botica Caseira

É preciso, no entanto, levar em conta que o tamanho das xícaras e


das colheres varia bastante; consequentemente, não existe uma
uniformidade. O correto é investir em conjuntos de medidores
padronizados, para manipular ervas com o máximo de segurança.

Mas, como nem sempre é possível ter o ideal à mão, não precisa
deixar de usar os benefícios das ervas por causa disso. Seguem
algumas equivalências para medidas de líquidos e sólidos utilizando
colheres, copos, xícaras e até as mãos. Vale ressaltar que essas
medidas são apenas uma média da diversidade imensa das plantas
medicinais, podendo variar, dependendo do peso específico de
cada planta.

As medidas são aproximadas, não exatas, mas as margens para


mais ou para menos não comprometem ou incorrem em riscos de
super ou subdosagem.

Todo sólido nestas medidas (gramas) corresponde a


material triturado, não inteiro, seja seco ou fresco.

Ao medir ingredientes secos em xícaras ou colheres, nunca


os aperte, salvo se isso for solicitado na receita.

Coloque os ingredientes nas medidas despejando-os


delicadamente.

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Theresa Tullio

GOTAS: 20 gotas = 1ml

UMA PITADA: Uma pitada é o tanto que se pode segurar de


sólidos triturados entre as pontas de dois dedos. 1/2 colher de chá
para sólidos secos triturados

UM PUNHADO: Um punhado é o tanto que se pode pegar com


uma mão e fechá-la. O que ficar na mão é o punhado.

UMA COLHER DE CAFÉ = 2 ml e 0,5 a 1,0 g

UMA COLHER DE CHÁ = 5 ml e 1,0 a 2,0 g

UMA COLHER DE SOBREMESA = 10 ml e 2,0 a 3,0 g

UMA COLHER DE SOPA = 15 ml e 5 a 10 g

UM CÁLICE = 30 ml

UMA XÍCARA DE CAFÉ = 50 ml

UMA XÍCARA DE CHÁ = 150 a 200 ml

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A Botica Caseira

SEU ÁLBUM HERBÁRIO E/OU


FOTOGRÁFICO

Este álbum é uma pasta com sacos plásticos, contendo folhas


brancas tamanho ofício, com plantas medicinais secas, onde
devem ser anotadas as características e indicações de cada espécie.
Serve para a identificação e informação das plantas que você
habitualmente usar em seus preparos.

Como se faz?

O álbum ajuda a lembrar a aparência e o uso da planta,


assim, devem-se colher as partes mais importantes para o
reconhecimento e caracterização das mesmas.
Se forem pequenas, recolhe-se a planta inteira.
Para plantas maiores usar as folhas ou ramos inteiros e se
possível, incluir flores, frutos e sementes.
Escolher plantas sadias e bem desenvolvidas.
Logo depois de colhidas as plantas devem ser prensadas.

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Theresa Tullio

Para prensar:

A prensa pode ser feita com duas tábuas, que devem ser bem
planas, retinhas e lisinhas, ou pequenos estrados de ripas de
madeira.

Coloca-se a planta esticada entre duas folhas de jornal e depois


entre as duas tábuas, com um peso em cima ou amarradas. Depois
de alguns dias a planta estará seca.

A planta seca é pregada em uma folha de ofício, com as


características e indicações escritas embaixo e colocada no seu
Álbum Herbário, dentro de um dos sacos plásticos. Frutas e
sementes podem ser agrupadas em saquinhos de plástico, com
rótulo, e colocadas dentro de um saco plástico na pasta do seu
Álbum.

Pode-se fazer apenas um Álbum Fotográfico das plantas


medicinais, para substituir o álbum Herbário. Esta opção tem
como vantagens, a maior facilidade e rapidez para a sua
elaboração, atendendo muito bem às pessoas que não elaboram
trabalhos científicos, mas apenas produzem ou coletam plantas
para o uso medicinal.

Você também pode juntar as duas opções, coletando e registrando


algumas plantas da forma tradicional aqui ensinada, e outros de
forma fotográfica apenas. O importante é montar uma fonte de
consulta confiável.

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A Botica Caseira

O MELHOR HORÁRIO PARA INGESTÃO DE


PREPARADOS HERBAIS

Geralmente, o horário em que se toma o preparado fitoterápico é


muito importante para a cura ou efeitos desejados. Assim tem-se
as seguintes regras gerais:

Antiácidos: Meia hora antes das refeições principais.

Antifermentativos: Após as refeições.

Antireumáticos (Preparações para cura de reumatismo):


Meia hora antes do desjejum ou café da manhã e/ou duas
horas antes ou depois das refeições principais.

Antitussígenos (Preparados contra tosse): Meia hora antes


do desjejum ou café da manhã e/ou duas horas antes ou
depois das refeições principais.

Aperientes (Estimulantes do apetite): De 30 a 40 minutos


antes das principais refeições.

Calmantes: Duas horas antes ou depois das refeições


principais, de preferência após.

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Theresa Tullio

Carminativos (Anti-gases): Logo após as refeições


principais.

Depurativos de toxinas e resíduos (Purificantes do


organismo): Meia hora antes do desjejum ou café da
manhã e/ou duas horas antes ou depois das refeições
principais.

Digestivos: Logo após as refeições principais.

Diuréticos (Estimulantes de eliminação de urina): Meia


hora antes do desjejum ou café da manhã e/ou duas horas
antes ou depois das refeições principais.

Emenagogos (Estimulantes do fluxo menstrual): Meia hora


antes do desjejum ou café da manhã e/ou duas horas antes
ou depois das refeições principais.

Expectorantes: Meia hora antes do desjejum ou café da


manhã e/ou duas horas antes ou depois das refeições
principais.
Febrífugos - Antifebris (Preparados contra febre): Meia
hora antes do desjejum ou café da manhã e/ou duas horas
antes ou depois das refeições principais.

Hepatoprotetores (Protetores do fígado): Antes das


refeições principais e/ou antes de deitar.

Laxantes - Laxativos: Meia hora antes do desjejum ou café


da manhã e/ou entre as refeições e/ou antes de deitar.

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A Botica Caseira

Neurotônicos (Revigorantes ou equilibradores dos nervos):


Duas horas antes ou depois das refeições principais.

Tônicos: Meia hora antes do desjejum ou café da manhã


e/ou duas horas antes ou depois das refeições principais.

Vermífugos (Eliminadores de vermes intestinais): Meia


hora antes do desjejum ou café da manhã e/ou duas horas
antes ou depois das refeições principais.

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Theresa Tullio

REVERÊNCIA & GRATIDÃO

Sempre que iniciar seus trabalhos, tenha antes o momento de


reverenciar.

Peça licença à planta antes de retirar folhas, raízes e cascas.

Faça sua oração antes de começar a fazer o fitopreparado.

Mantenha sua serenidade pensando apenas no bem que você está


praticando.

Agradeça à Natureza Mãe.

Dê graças por este momento e ofereça seu trabalho ao Criador, à


Humanidade, ao Universo.

Irradie Amor e Respeito pelos males e padecimentos de quem


usará o preparado.

Você estará doando e recebendo as vibrações mais positivas e


saudáveis.

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A Botica Caseira

UTENSÍLIOS & MATERIAL

1. Reserve com carinho espaços separados em armários,


prateleiras ou gavetas para seus utensílios, materiais e
ingredientes.

Mesmo que você use ingredientes como canela, manjericão e


gengibre em pó na sua culinária do dia a dia; a canela, o manjericão
e o gengibre usados no preparo terapêutico devem ser estocados
separados.

Não é proibido à cozinha de casa pegar um ingrediente


emprestado de vez em quando e vice versa, mas guarde separado.
O mesmo vale para os utensílios.

2. Sempre que houver possibilidade, use vidro. Dê


preferência a utensílios e materiais de vidro, louça, barro,
madeira, palha, bambu, cerâmica, algodão.

Não use utensílios de alumínio, sejam panelas, frigideiras ou


recipientes para armazenagem, no preparo de qualquer alimento
ou remédio. Quando a água ou o alimento entram em contato com
o alumínio, sofrem mudança química e absorvem minúsculas
partículas desse metal, que se acumula no fígado, baço e rins. Ferro
e inox também não são as mais indicadas.

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Theresa Tullio

Esta lista é bem básica e genérica.

Apesar da praticidade e conforto oferecidos pelos aparelhos


elétricos, leve em conta ter opções de instrumentos manuais para o
caso de precisar preparar uma receita em um momento de falta de
energia elétrica. Por exemplo, você pode ter um espremedor
elétrico, mas não deixe de ter à mão o espremedor manual.

Conforme sua familiaridade nos preparos, sinta-se à vontade para


investir em materiais para sua botica caseira, e fique à vontade
também se já tiver o hábito de usar certos materiais, como
utensílios de silicone, por exemplo, tão em voga.

Então, vamos à lista.

Você vai manusear, é recomendável que disponha de:

Luvas de látex. Mesmo que more longe da cidade, vale a


pena adquirir caixas de luvas, são baratas, vêm com muitas
unidades e o prazo de validade é bem grande.

Aproveite e providencie também avental de cor clara e


lenços para a cabeça, que deverão ser usados apenas para
seus trabalhos de botica.

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A Botica Caseira

Para medir:

Balança de precisão para cozinha capacidade até 1 kg


Jarra de vidro com medidor em ml
Jogo de colheres de medidas (Hoje já existem colheres de
medidas com mostradores digitais de peso)
Jogo de medidas em xícaras

Você vai cortar, triturar, moer, picar. Precisará de:

Facas inox de diversos tamanhos e utilidades


Tábuas de corte
Pilão e almofariz - Pode providenciar mais de um
conjunto, de acordo com suas necessidades - para preparo
de pomadas, pós e sumos.
Liquidificador
Espremedor de frutas manual e/ou elétrico
Moedor manual
Martelo ou socador de madeira para reduzir argila para
cataplasmas a pó

Para levar ao fogo:

Chaleira para ferver água


Bule com tampa para infusão de ervas
Panela pequena ou média para preparo de pomadas e
unguentos
Panela grande para preparo de óleos
Panela para preparo de xaropes
Panela grande com tampa para banho-maria, que acomode
as panelas usadas para os preparos

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Theresa Tullio

Para mexer e misturar, providencie:

Espátulas resistentes ao fogo e de cabo longo


Colheres de cabo longo resistentes ao fogo
Conchas pequenina e grande

Utensílios e materiais para usos diversos:

Tigelas de vidro ou louça refratária de diversos tamanhos


Jarro resistente de vidro refratário para preparo de óleos
Bacias de ágata de 3 tamanhos
Panos de algodão, chumaços de algodão ou gaze para
compressas, cataplasmas e emplastos
Canecos e jarros de diversos tamanhos
Retalhos de tecido de algodão. Panos de algodão têm mil e
uma utilidades em uma botica caseira.
Dois baldes grandes que comportem os pés
confortavelmente e as pernas até os joelhos para banhos
alternados frio-quente.
Bacia grande para aplicação de banhos de imersão para pés
e para banhos de assento.
Um banquinho para aplicação de banho vital ou semicúpio.
Funil para auxílio de colocação de líquidos em frascos
Sacos de papel para colocar os frascos no processo de
maceração dos vinhos medicinais e garrafadas
Etiquetas adesivas de papel de diversos tamanhos para
rotulagem.
Retalhos de tecidos 100% algodão, mas que não sejam
grossos, para confecção de bolsas térmicas ecológicas,
travesseiros e almofadas de ervas. Se desejar, pode usar
TNT, mas lembre-se que TNT não é algodão.

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A Botica Caseira

Fibra sintética de enchimento de almofadas, também


chamada de fibra siliconada, para os travesseiros.
Linhas de algodão de boa qualidade e agulhas.
Tesouras de diversos tamanhos
Pinças e pegadores de diversos tamanhos
Lente de aumento
Espátulas de madeira descartáveis - Podem ser do tipo
abaixa língua, usadas por dentistas

Na hora de coar, peneirar e filtrar, tenha à mão:

Coadores de papel para diversas utilidades


Tecidos de algodão ou coadores de pano para filtrar
infusões de ervas
Coadores de pano de tecido fino ou tecidos de algodão
para coar sucos e sumos
Peneira para coar sucos e sumos
Peneira fina ou tecidos de algodão para usar no preparo de
pós e peneirar argila para cataplasmas
Tecidos de algodão para coar vinhos medicinais
Tecido de algodão para filtragem de óleos
Peneira para filtragem de óleos
Porta filtro como os de café para colocar coadores de
papel dentro

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Theresa Tullio

Você vai usar para guardar na maceração e para


armazenagem:

Ao escolher frascos e potes para armazenagem, calcule


corretamente o tamanho que usará e a quantidade necessária.

Tenha em conta que os recipientes devem ser cheios até a borda e


as tampas devem fechar bem. Bem cheios para evitar que o ar
dentro deles acelere a deterioração dos produtos, e bem tampados,
para evitar a entrada de ar, umidade e micróbios que aos poucos
degradam o produto também.

Os frascos dependem dos produtos que você venha a preparar.


Não há necessidade de estocar frascos em casa, hoje ninguém tem
mais espaço em casa para fazer estoques pensando em algo que
um dia possa precisar. Dê uma olhada nos capítulos, nas receitas,
veja primeiro o que lhe interessa e que possa ser útil à seu lar e
providencie os frascos. As quantidades também vão depender de
suas necessidades, mas, basicamente:

Para a maceração de vinhos medicinais, garrafadas, tinturas


e alcoolaturas, são necessários frascos de vidro escuro com
tampa.

Para armazenar garrafadas e vinhos medicinais:


Recomenda-se, se possível, utilizar as próprias garrafas de
vidro das bebidas utilizadas no preparo, ou frascos de
vidro escuro com tampa.

42
A Botica Caseira

Para armazenar óleos e xaropes: Frascos de vidro escuro


com tampa. Para óleos a tampa pode ser de rosquear, para
xaropes, é melhor tampar com rolhas de cortiça, pois
xaropes têm propensão a fermentar e explodir se vedados
com tampas de enroscar.

Para argila para cataplasmas: Guardar em recipiente de


barro, de vidro, madeira ou bambu; jamais utilizar
recipientes plásticos ou de metal.

Para pomadas e unguentos: Você pode comprar potes


plásticos ou de vidro, com tampa. É só procurar potes para
cremes.

Para pós: Frascos de vidro com tampa de rosquear ou


cápsulas gelatinosas vazias. Há cápsulas de diversos
tamanhos. O tamanho mais utilizado é o 00, que comporta
em torno de 500 a 600 mg de pó.

Se tiver intenção de encapsular uma grande quantidade de pó, vale


a pena comprar uma encapsuladora manual, que facilita a tarefa,
encapsulando até 100 cápsulas por vez, dependendo do modelo.
Ela pode ser adquirida nos mesmos locais onde você comprar as
cápsulas gelatinosas.

43
Theresa Tullio

CHÁS, INFUSÕES & DECOCÇÕES


Os Chás. Na verdade, AS TISANAS.

Ensinar a fazer um chá pode parecer ridículo e até ofensivo,


porque é lógico que qualquer pessoa pode fazer uma bebida com
água quente e um punhado de ervas frescas ou secas. Mas, como
estamos falando de chás que serão tomados para curar alguma
coisa ou pelo menos aliviar alguma dor, certas regras básicas
deverão ser seguidas, como os cuidados com o recipiente, que
deve ser de vidro ou porcelana, e com a água, que deve ser pelo
menos filtrada para diminuir um pouco a quantidade de produtos
químicos adquiridos no tratamento.

Para começar... Vem no saquinho, mergulhou na água quente é


chá ... Não é bem assim. Não que isso faça a mínima diferença no
uso, seja para beleza, terapêutica ou para relaxar e aquecer, mas
sempre vale a pena aprender mais um pouquinho.

Apenas para ilustrar, visto que continuaremos a chamar tisana de


chá como sempre fizemos e como sempre fizeram nossos pais e
avós, mas vale o esclarecimento: Qualquer preparado utilizando
água quente e plantas, seja folha, flor, raiz, casca ou fruto, É UMA
TISANA, e a única tisana QUE PODE SER CHAMADA DE
CHÁ é aquela que utiliza as folhas da Camellia Sinensis, da qual se
originam os chás pretos, verdes e oolongs (o verde azulado
oriental), O RESTO É SÓ TISANA mesmo, não é chá.

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A Botica Caseira

Recomendações, Dicas e Cuidados Importantes:

Não adoce com açúcar. Use mel na menor quantidade possível e,


na falta dele, açúcar mascavo.

Deixe o organismo acostumar-se, tomando mais fraco no primeiro


dia e aumentando a dose nos dias subsequentes.

Após três semanas, o organismo vai responder cada vez menos. É


recomendável substituir a planta ou erva por uma outra, com as
mesmas propriedades.

Não ingerir qualquer preparado de planta em forma de chá por


mais de 24 horas depois de pronto, pois as plantas entram em
fermentação, causando problemas gástricos e intestinais. Preparar
cada dia o tanto que vai ser ingerido naquele dia.

É bom tomar tisanas em jejum, ao meio-dia, ao pôr do sol e ao


deitar. Em média três xícaras por dia. Mas depende do efeito
terapêutico que se procura com as ervas. Procure neste livro o
capítulo “O MELHOR HORÁRIO PARA INGESTÃO DE
PREPARADOS HERBAIS”.

Qualquer tisana pode ser ingerida ainda quente, morna ou fria. As


pessoas doentes devem tomar mornas ou quentes, pois aquecidos,
os preparados de plantas fazem efeito mais rápido.

Não jogar fora a erva utilizada! Se houver necessidade de usar mais


do preparado em forma de chá no dia corrente, quando o material
pronto estiver acabando, verta mais água quente sobre os vegetais.
Essa segunda infusão dá o verdadeiro sabor da planta e você faz
duas porções com a mesma erva.

45
Theresa Tullio

Depois de utilizado, deixe a erva esfriar e coloque nos seus vasos.


É um excelente adubo!

O primeiro cuidado é com a higiene do fruto ou erva a ser usada.


Lavar durante alguns minutos em água corrente para que resíduos
agrotóxicos que se acumulam nas superfícies possam ser
removidos. Retirar também as partes queimadas ou velhas das
folhas, deixando-as o mais perto possível do natural.

Evitar o preparo em vasilha de alumínio, ferro ou teflon. Só use se


não houver outra opção. Dê preferência a recipientes de vidro
refratário, ágata ou barro.

Doses sugeridas - Cada dose 3 vezes ao dia.

Adultos: 1 xícara de chá


Crianças: ½ xícara de chá
Bebês: 1 colher de chá

Indicações de uso por temperatura:

Quente: Para resfriados, gripes e bronquite.

Frio: Para problemas digestivos, problemas do estômago,


diarreia e indigestão.

Morno: Para problemas do sistema nervoso, como insônias


e calmante.

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A Botica Caseira

Decocção

Este método é um dos mais usados no Brasil. A erva vai para o


fogo junto com a água.

Trata-se de um método mais profundo de extração que a infusão.


A planta permanece por um tempo mais prolongado em contato
com o líquido extrator em ebulição.

Esta forma é mais recomendável para as sementes, cascas grossas,


raízes e talos, principalmente de plantas das quais não se conta
com as propriedades aromáticas para a terapêutica.

Os orientais utilizam além da água, opções como água de arroz ou


vinho de arroz. Mas no Ocidente a água pura é mais utilizada.

Como Fazer:

Quantidade: Para simplificar, calcular 1 parte de planta seca ou 2


partes de planta fresca para cada 15 partes de água.

Lavar as partes da planta durante alguns minutos em água corrente


para que resíduos agrotóxicos que se acumulam nas superfícies
possam ser removidos. Retirar também as partes queimadas ou
velhas, deixando-as o mais perto possível do natural.

Evitar o preparo em vasilha de alumínio, inox, ferro ou teflon. Só


use se não houver outra opção. Dê preferência a recipientes de
vidro refratário ou ágata.

A casca, semente ou raiz deve ser cortada em pequenos pedaços


ou esmagada antes de juntar à água.

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Theresa Tullio

Juntar água e levar ao fogo.

Deixar ferver por uns minutos em fogo alto até que a água
fervente retire mais profundamente os princípios ativos das
plantas. Em geral, quando não há indicação de tempo, 5 minutos
depois da água entrar em ebulição já pode apagar o fogo. É mais
ou menos o tempo do líquido se reduzir cerca de um terço da
quantidade inicial.

Começar a contar o tempo só a partir da fervura.

Se desejar ser mais específico, deixar 5 minutos para raízes e caules


e 10 minutos para a planta inteira.

Retirar do fogo, tampar e abafar por 5 a 10 minutos colocando um


pano para não escapar o vapor (se na receita não houver outra
recomendação) antes de usar. Durante este tempo, de vez em
quando, movimentar o recipiente delicadamente para misturar o
conteúdo.

Filtrar após o repouso em peneira fina ou filtro de papel ou pano.

Conservação: Guardar no refrigerador ou em local fresco durante


24 horas no máximo.

Utilizar no mesmo dia do preparo ou pelo menos, dentro das 24hs


seguintes.

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A Botica Caseira

Infusão

Preparação utilizada para plantas medicinais ricas em componentes


voláteis, aromas delicados e princípios ativos que se degradam pela
ação combinada da água e do calor prolongado, como por
exemplo alecrim, hortelã, sálvia, melissa, camomila, capim-limão,
erva-cidreira, erva-doce e losna, plantas que possuem cheiro
característico.

Esta forma é mais recomendável para folhas, flores e também


cascas finas.

As infusões são uma boa opção quando o material vegetal é


facilmente penetrado pela água e as suas substâncias se dissolvem
rapidamente em água quente.

Além de fornecer as substâncias terapêuticas, hidratam o


organismo, estimulam a eliminação de substâncias tóxicas,
favorecem o controle da temperatura do corpo e auxiliam a
digestão.

Neste método, a água bem quente é adicionada à erva e esta não


vai ao fogo.

Algumas vezes para se obter uma infusão, pode utilizar-se, ao


invés de água, vinho, vinagre, álcool ou leite. Mas a água pura é o
líquido mais usado mesmo.

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Theresa Tullio

Como Fazer:

Quantidade: Para simplificar, calcular 1 parte de planta seca ou 2


partes de planta fresca para cada 20 partes de água.

Por água para ferver e logo que entrar em ebulição, apagar o fogo
e despejar a água fervendo sobre as ervas em um recipiente.

Tampar e abafar por 10 minutos colocando um pano para não


escapar o vapor (se na receita não houver outra recomendação)
antes de usar. Durante este tempo, de vez em quando, movimentar
o recipiente delicadamente para misturar o conteúdo.

Filtrar após o repouso em peneira fina ou filtro de papel ou pano.

As receitas que sugerem o preparo do chá em pequena quantidade


(1 ou 2 xícaras), devem ser tomadas de imediato e não é
recomendável guardar a sobra, já que podem perder suas
propriedades com o tempo. Já naqueles casos onde a quantidade
de água sugerida é maior (1 ou 2 litros, por exemplo), o chá pode
ser guardado na geladeira ou em outro local fresco.

Conservação: Guardar no refrigerador ou em local fresco durante


24 horas no máximo.

Utilizar no mesmo dia do preparo ou pelo menos, dentro das 24hs


seguintes.

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A Botica Caseira

Serenado

O serenado é um processo de extração de princípios ativos muito


demorado, no qual a água não vai ao fogo e é chamado assim
porque se põe algo a serenar quando deixamos a noite toda ao
relento para pegar sereno e absorver o ar da noite. Mas também se
aplica simplesmente deixando pronto de um dia para o outro para
só consumir na manhã seguinte.

É utilizado para plantas que possuem grande quantidade de


princípios voláteis que podem evaporar se utilizarmos o calor,
como por exemplo, o alho.

Todo serenado deve ser preparado em dose única de um só copo


ou uma só xícara.

Como Fazer:

É muito simples. Colocar em um copo ou xícara o ingrediente


recomendado na receita, completar com água fria, tampar e deixar
descansar a noite toda em local fresco. Não colocar na geladeira.

Não amassar ou socar, não triturar, apenas deixar de molho.


Quando o vegetal é triturado e/ou amassado e deixado de molho
na água fria, é chamado de Maceração. Ver no capítulo com este
título o modo de preparo.

Utilizar a quantidade toda de uma vez, em dose única, na manhã


seguinte e em jejum - salvo se na receita houver outra orientação.

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Theresa Tullio

Alguns ingredientes utilizados nas Tisanas, sob


decocção ou infusão.

À exceção do alho, que deve ser usado no processo serenado e


tomado no dia seguinte:

Agrião (Nasturtium officinalis) - Indicações: Tosse, gripe,


catarro no peito, anti-inflamatório das vias respiratórias,
muito indicado nas bronquites crônicas e anemias.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Gengibre (Zingiber
officinale) e/ou Mentrasto (Ageratum conyzoides L) -
Indicações: Dores localizadas, artrite e dores reumáticas.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Manjericão
(Ocimum basilicum) - Indicações: Fortificar, cansaço,
fraqueza, disposição e revitalizar.
Alfavaca-Cravo (Ocimum gratissimum) - Indicações:
Gripe.
Alho (Allium sativum) - Indicações: colesterol alto,
expectorante, antisséptico, aumenta a imunidade e alivia
problemas circulatórios.
Angico (Anadenanthera macrocarpa) - Indicações: Tosse,
gripe e catarro no peito.
Avenca (Adiantum capillus-veneris) - Indicações: Tosse,
rouquidão e inflamação na garganta.
Carqueja (Baccharis genistelloides) - Indicações:
Indigestão, equilibrar funções hepáticas.
Camomila (Matricaria chamomilla) e/ou Erva-Doce
(Pimpinella anisum) e/ou Melissa (Melissa officinalis) e/ou
Capim-Limão (Cymbopogon citratus) - Indicações:
Estresse, insônia, ansiedade e acalmar.

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A Botica Caseira

Cenoura (Daucus carota) folhas - Indicações: Fraqueza e


desânimo.
Eucalipto (Eucalyptus globulus) - Indicações: Apatia,
insônia, sintomas congestionantes de gripes e resfriados.
Gengibre (Zingiber officinale) - Indicações: Sinusite,
Gripe.
Guaco (Mikania glomerata) e Assa-peixe (Vernonia
polyanthes) - Indicações: Tosse, gripe, bronquite, catarro
no peito.
Hortelã (Mentha piperita) - Indicações: Congestão nasal e
coriza, depressão, revigorar e refrescar.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

MACERADOS

Também chamada de chá macerado ou infusão fria, o objetivo da


maceração é amolecer a planta na água fria, como outros métodos
conseguem utilizando a água quente.

A parte escolhida da planta fica de molho em água fria como


diluente, que extrai lentamente os conteúdos solúveis e
principalmente os aromáticos porque amolece a planta.

A vantagem deste método é que os sais minerais e as vitaminas da


ervas são aproveitadas ao máximo.

A maceração é mais indicada para as plantas frescas e é a base


herbal das garrafadas, vinhos e óleos medicinais, que em seu
preparo utilizam outros diluentes como óleos ou vinhos no lugar
da água fria, também com molhos por prazos mais prolongados
que a maceração.

Como Fazer:

Limpar bem, picar miúdo e/ou amassar a parte escolhida da erva


escolhida.

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A Botica Caseira

Por de molho na água fria, mineral ou previamente fervida e


filtrada, em recipiente de vidro, na proporção de 1 parte de vegetal
para 6 partes de água.

O tempo do molho varia de acordo com o material:

10 horas para as folhas, sementes moles e flores


12 horas para raízes, talos e cascas
24 horas para itens bem duros

Não misturar partes moles e duras da planta, para conseguir extrair


as propriedades ativas no tempo certo.

O recipiente deve permanecer em lugar fresco, protegido da luz


solar direta.

Agitar suavemente o recipiente periodicamente. Também pode-se


auxiliar a retirada das essências usando pilão de vez em quando,
durante o molho.

Findo o tempo previsto, coar em peneira bem fina ou filtrar o


líquido em coador de papel

Após haver coado ou filtrado o líquido, deve-se espremer o


resíduo no coador ou na tela da peneira para extrair o máximo de
material.

Pode acrescentar uma quantidade a mais de água, se achar


necessário para obter um volume final desejado.

Guardar em recipiente de vidro com tampa, limpo e esterilizado,


em local fresco e seco, abrigado da luz solar e da umidade.

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Theresa Tullio

Pode ingerir, começar a usar logo em seguida ao tempo de repouso


e filtragem.
Preparar quantidade suficiente para uso em até 24hs no máximo.
Após 24hs o material restante deve ser descartado.

Importante:
Plantas com possibilidade de fermentação não devem ser
preparadas desta forma.

Posologia: 1 cálice, copinho de cafezinho ou 2 colheres de sopa,


aproximadamente 30 ml, por 3 vezes ao dia.

Alguns ingredientes utilizados nos Macerados:

Ameixa (Prunus salicina) - Indicações: Prisão de Ventre


Arruda (Ruta graveolens) - Indicações: Menstruação
escassa
Boldo (Peumus boldus) - Indicações: Ressaca, indigestão e
crises de fígado
Malva Santa (Plectranthus barbatus) - Indicações: Azia

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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A Botica Caseira

SUMOS & SUCOS

Sumos e sucos são líquidos obtidos pelo simples escoamento,


quando se espremem os frutos, as folhas ou o caule, de preferência
com a planta fresca, espremida e/ou esmagada e filtrada em
seguida.

O suco pode ser obtido espremendo-se as partes das plantas.


Sucos hidratam, alimentam, refrescam e são muito saborosos.

O sumo pode ser obtido triturando-se a planta fresca. Os sumos


têm a vantagem de conter os constituintes ativos sem os degradar.

Como fazer:

Sumo de planta fresca

Cortar a planta fresca em pedaços pequenos e triturar grosseiro


num pilão ou máquina de moer.

Quando a planta possuir pequena quantidade de líquido, deve-se


acrescentar um pouco de água e triturar novamente após uma hora
de repouso.

Recolher então o líquido liberado, espremendo e coletando o


líquido, filtrando-o em pano fino e usar em seguida.

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Theresa Tullio

Sumo de planta seca

Obter pó limpo e seco da planta (Veja neste livro o capítulo com


as orientações para fazer pó).

Adicionar água, 1 parte de água para 1 parte da planta

Deixar em maceração, de molho, por 24 horas em recipiente de


vidro

Espremer e coletar o líquido, filtrando-o em pano fino e usar em


seguida.

Posologia para sumos: 1 colher de sopa, 2 ou 3 vezes ao dia

Suco

Triturar/liquidificar a planta ou fruto fresco

Adicionar um pouco de água, se ficar muito grosso

Deixar descansar por 5 minutos

Coar em peneira ou usar filtro, adoçar se desejar e ingerir em


seguida.

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A Botica Caseira

Recomendações:

Todos os sucos e sumos devem ser preparados na hora do


consumo.

O pilão, espremedor ou moedor, assim como coadores, filtros e


peneiras devem estar bem limpos antes de usar.

Alguns ingredientes utilizados em sumos:

Batata-inglesa (Solanum tuberosum) tubérculos -


Indicações: Acidez no estômago.
Courama-branca (Kalanchoe brasiliensis) folhas -
Indicações: Inflamações no ovário e no útero.
Hortelã rasteira (Mentha villosa) folhas - Indicações:
Giardíase e amebíase.

Alguns frutos utilizados em sucos:

Abacaxi (Ananás sativus) - Indicações: Prisão de ventre


eventual, anemia, problema da próstata, uretrite, artrite,
excesso de líquido no organismo.
Acerola (Malpighia glabra) - Indicações: Excesso de ácido
úrico, excesso de líquido no organismo, problemas
pulmonares, tuberculose, reumatismo, problemas na
vesícula, afecção hepática, para evitar o sangramento das
gengivas, fadiga, estresse, fraqueza das veias, para prevenir
a anemia, ação antioxidante, antiradical livre.

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Theresa Tullio

Goiaba (Psidium guajava) - Indicações: Tuberculose, úlcera


gástrica, gripe, excesso de ácido úrico, excesso de líquido
no organismo, melhorar o funcionamento do intestino,
prevenir a hipertrofia benigna da próstata.
Laranja (Citrus aurantium) - Indicações: Gripe, para
estimular o apetite, ação depurativa, auxiliar da digestão,
ação diurética, para prevenir doenças degenerativas por
falta de vitamina C, ajudar a assimilação do cálcio, inibir a
produção de colesterol, reumatismo, excesso de ácido
úrico, cálculo renal, prisão de ventre eventual.
Limão (Citrus limonum) - Indicações: Ação desintoxicante,
para aumentar as defesas do organismo, inibir enzimas dos
tumores, ação antioxidante, gripe, cistite, ação depurativa,
para combater as infecções, estimular os rins, ação
diurética.
Manga (Mangifera indica) - Indicações: Anemia, auxiliar no
trabalho do intestino, ação diurética, ação laxativa, para
estimular a lactação.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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A Botica Caseira

PÓS & PÍLULAS

Pó é a planta desidratada e triturada. As partes das plantas,


principalmente as folhas, são secas e depois trituradas, peneiradas,
e o pó originário deve ser guardado em embalagem bem fechada e
em local escuro, podendo servir para se extrair dele outros
subprodutos ou fazer seu encapsulamento para uso direto.

O encapsulamento é uma alternativa ao chá. E pode ser mais


conveniente, pois nem sempre temos tempo para fazer um chá, ou
estamos num local propício. A cápsula é uma boa opção no local
de trabalho, por exemplo.

Armazenar ervas sob a forma de pó é uma excelente iniciativa para


ter a base de muitas terapêuticas sempre à mão.

Para maior conforto na ingestão, o pó pode ser encapsulado


(colocado em cápsulas). Também pode ser adicionado a infusões e
outros preparados herbais.

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Theresa Tullio

Modo de usar:

O pó obtido de vegetais desidratados e secos pode ser usado via


oral ou aplicado externamente.

Para uso interno, o pó pode ser misturado ao leite, mel, água,


sumo vegetal ou suco de frutas. Também encapsulado.

No uso externo, o pó pode ser espalhado puro, sobre o local


ferido ou antes de aplicar, ser misturado em óleo ou água ou
adicionado a pomadas, cataplasmas, preparados de compressas e
outros tratamentos herbais.

Posologia:
Quanto à dosagem por cápsula, considerar a mesma quantidade
que usaria para fazer a tisana (chá).

Por exemplo, se a receita diz que é necessário tomar uma infusão


com uma colher de sopa de ervas secas 2 vezes por dia, é só dividir
a quantidade enchendo as cápsulas, e ingerir o equivalente 2 vezes
ao dia.

Modo de Fazer:

Como obter o pó:

Podem ser utilizados folhas, flores, cascas, raízes ou sementes.

Para iniciar o processo, a planta já deve ter passado pelo processo


de secagem e estar livre de qualquer tipo de umidade.

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A Botica Caseira

A planta deve estar seca até ficar quebradiça, o suficiente para


permitir sua trituração.

O próximo passo é esfarelar bastante com as mãos mesmo, dentro


de uma tigela, um recipiente largo de bordas altas, até obter um pó
fino.
As mãos devem estar muito bem lavadas e muito secas (cuidado
com o suor!), ou calçadas em luvas.

No caso de raízes e cascas, o esfarelamento com as mãos não


funciona. É preciso ralar em ralador fino (tomar cuidado com os
dedos!) e depois passar na peneira para separar pedaços grandes
que tenham ficado.

Após triturar ou ralar, coar com o auxílio de uma peneira fina ou


tecido. O importante é que o resultado final deve ser um pó bem
fino, sem pedaços maiores ou grânulos.

Guardar em frascos de vidro, bem fechados e rotular, colando


etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer e quais dados
devem ser incluídos nas etiquetas.

Armazenagem: Os pós são muito sensíveis à ação da luz, do


oxigênio e da umidade. Armazenar em local fresco, seco e
ventilado, ao abrigo do sol.

Conservação e Validade:
A não ser que sejam contaminados por insetos ou fungos, ou
sujeitos a umidade, pós podem ser usados por 6 meses. Mas
atenção: Os pós retém sua potência integral por um período de 2
meses, a partir daí, começam a perder a força gradualmente.
Então, mesmo que não estraguem, o ideal é preparar quantidade
suficiente para uso em até 60 dias.

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Theresa Tullio

Cápsulas

Cada vez mais pessoas estão adquirindo o hábito de ingerir as


ervas secas sob a forma de pós encapsulados. Mas é recomendável
que as cápsulas sejam apenas uma opção prática nas situações nas
quais não seja possível o preparo de infusões.

O primeiro passo é comprar as cápsulas gelatinosas vazias. Há


cápsulas de diversos tamanhos. O tamanho mais utilizado é o 00,
que comporta em torno de 500 a 600 mg de pó, essa medida varia
um pouco, porque depende da forma de preparo do pó e também
a forma de encapsulamento. Elas são facilmente encontradas em
lojas de produtos naturais, farmácias de manipulação e até pela
internet.

Como já explanado, é preciso encher as cápsulas com a quantidade


de erva em pó que precisará ser ingerida diariamente. Se a receita
indicar uma infusão com uma colher de sopa de ervas secas em 1
xícara de chá de água fervente 2 vezes por dia, é preciso preparar 2
colheres de sopa de pó para cada dia de uso.

Mas não é preciso se preocupar muito com o tamanho da cápsula.


Basta separar a quantidade de erva seca em pó receitada e encher
quantas cápsulas forem necessárias.

1 colher de sopa enche umas 15 a 20 cápsulas 00.

Para preencher as cápsulas, basta desmontá-las (abrir) e encher


com o pó.

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A Botica Caseira

Depois de encher, fechar bem as cápsulas e acondicionar em um


frasco pequeno, muito limpo, seco e esterilizado, que possa ser
muito bem fechado e rotular, colando etiquetas detalhadas. Veja
neste livro como fazer e quais dados devem ser incluídos nas
etiquetas.

Usar luvas e utensílios muito limpos, secos e esterilizados para esta


tarefa.

Também é fácil encontrar encapsuladoras manuais no mercado


que facilitam esta tarefa, encapsulando até 100 cápsulas por vez,
dependendo do modelo. Podem ser adquiridas nos mesmos locais
onde encontrar as cápsulas gelatinosas.

As cápsulas gelatinosas vazias têm a validade de 2 anos a partir da


data de fabricação.
Os pós duram em torno de 60 dias para começarem
gradativamente a perder o poder de ação.

Alguns ingredientes utilizados em Pós:

Azeitona-roxa (Syzygium jambolana) pó dos frutos e das


sementes secas - Indicações: Tratamento auxiliar da
diabetes.
Babaçu (Orbignya phalerata) pó do mesocarpo -
Indicações: Prisão de ventre eventual, menstruação
irregular e dolorosa.
Batata-de-purga-amarela (Operculina alata) e/ou Batata-de-
purga-branca (Operculina macrocarpd) pó dos tubérculos -
Indicações: Ação laxativa, purgativa e prisão de ventre
eventual.

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Theresa Tullio

Canela (Cinnamomum zeylanicum) pó da casca -


Indicações: Cólicas menstruais.
Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana) pó da casca -
Indicações: Prisão de ventre eventual.
Castanha-da-índia (Aesculus Hippocastanus L) pó das
sementes - Indicações: Varizes e hemorróidas.
Chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) pó das folhas
- Indicações: Ação diurética e ação depurativa.
Hortelã rasteira (Mentha villosa) pó das folhas -
Indicações: Giardíase e amebíase.
Mentrasto (Ageratum conyzoides) pó das folhas, não usar
as flores - Indicação: Cólicas menstruais.
Mulungu (Erythrina mulungu) pó da casca - Indicações:
Ansiedade, nervosismo e insônia leve.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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A Botica Caseira

TINTURAS & ALCOOLATURAS

Estas são as maneiras mais simples de conservar os princípios


ativos das plantas por muito tempo, preparados por extração dos
princípios ativos das ervas por meio de uma solução alcoólica:
Tintura para plantas secas e alcoolatura para plantas frescas.

Tintura é a forma resultante da extração dos princípios ativos de


plantas secas por solução alcoólica e água. A alcoolatura é a forma
resultante da extração dos princípios ativos de plantas frescas, por
solução alcoólica e água.

As tinturas e alcoolaturas podem ser simples, usando uma única


planta, ou compostas, usando várias plantas, mas convém que
sejam preparadas individualmente e depois misturadas, e que não
se misture mais que 3 tinturas ou mais que 3 alcoolaturas em cada
composição.

As tinturas e alcoolaturas podem ser usadas no preparo de outros


remédios, tais como pomadas e xaropes.

Indicações:
Dependem das ervas usadas na preparação. Tratar problemas
como má digestão, feridas na pele, tosse, dor de garganta, estresse,
insônia, infecção urinária, dor de dentes e muitas outras.

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Theresa Tullio

Contraindicações:
As tinturas e alcoolaturas, por conterem álcool, são
contraindicadas para crianças, para mulheres durante a gravidez e
período de amamentação, pacientes com problemas no fígado ou
que estejam tomando medicação controlada e dependentes de
álcool.

Modo de Fazer:

O que usar como solução alcoólica?

Álcool de cereais, vodka, cachaça e uísque são boas opções.

Vodka - A mais recomendada é a vodka, mas é preciso adquirir


produto de boa procedência e qualidade. A vodka é um destilado
obtido a partir de grãos ou tubérculos. Este destilado é depois
diluído em água. A vodka para tinturas e alcoolaturas é a pura, sem
adição de qualquer ingrediente além dos cerais destilados.

Cachaça - A cachaça é obtida pela destilação do mosto fermentado


do caldo de cana-de-açúcar. Aqui também é importante atentar à
procedência e mais ainda, observar se leva adição de açúcar. A lei
diz que se a bebida é adoçada com mais de 6 g de açúcar por litro
– ou adicionada de qualquer outro ingrediente, não é cachaça.
Acima de 6g/L e até o limite de 30g/L elas devem ter no rótulo a
denominação de “cachaça adoçada” ou “aguardente adoçada”.
Estas não servem para as tinturas e alcoolaturas.

Uísque - O uísque é obtido a partir da fermentação de grãos de


centeio, milho ou cevada. Neste caso, também a boa procedência é
importante.

68
A Botica Caseira

Receita para Tintura

Ingredientes

Usar 100g de erva seca triturada para cada litro de mistura de


solução alcoólica e água.

Para a tintura, que é uma solução que usa plantas secas, para cada
litro, usar 700 ml de solução alcoólica e 300 ml de água.

Pode usar plantas secas ou já em pó. Veja neste livro o capítulo


que ensina a fazer pós.

Se a planta não estiver em pó, esfarelar bem com as mãos. É


recomendável usar luvas para esta tarefa.

Fragmentar bem a planta.

Colocar 100g dela em vidro âmbar (escuro) limpo e de boca larga.

Adicionar 1 litro de mistura de solução alcoólica e água na


proporção de 700 ml de solução alcoólica e 300 ml de água.

Fechar bem o vidro

Rotular, colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer


e quais dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Macerar (deixar de molho) por 15 dias, agitando 2 vezes por dia

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Theresa Tullio

Filtrar (coar) a tintura com ajuda de um porta filtro com coador de


papel ou em um coador de pano de tecido fino.

Medir o volume da tintura filtrada que deverá ser de um litro.

Caso não obtenha 1 litro, colocar um pouco de solução alcoólica


(sem água) sobre as plantas que estão no funil ou coador até atingir
um litro.

Rotular de novo, colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro


como fazer e quais dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Se não tiver frascos de vidro âmbar, pode cobrir vidros claros com
papel para ficarem mais escurinhos por dentro.

Armazenar em local fresco e ventilado, ao abrigo do sol e


protegido da luz.

Receita para Alcoolatura

Ingredientes

Usar 200g de erva fresca triturada para cada litro de mistura de


solução alcoólica e água.

Para alcoolatura, que é uma solução que usa plantas frescas, para
cada litro, usar 900 ml de solução alcoólica e 100 ml de água.

Fragmentar bem a planta.

Colocar 200g dela em vidro âmbar (escuro) limpo e de boca larga.

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A Botica Caseira

Adicionar 1 litro de mistura de solução alcoólica e água na


proporção de 900 ml de solução alcoólica e 100 ml de água.

Fechar bem o vidro.

Rotular, colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer


e quais dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Macerar (deixar de molho) por 15 dias, agitando 2 vezes por dia.

Filtrar (coar) a alcoolatura com ajuda de um porta filtro com


coador de papel ou em um coador de pano de tecido fino.

Medir o volume da alcoolatura filtrada que deverá ser de um litro.

Caso não obtenha 1 litro, colocar um pouco de solução alcoólica


(sem água) sobre as plantas que estão no funil ou coador até atingir
um litro.

Rotular de novo, colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro


como fazer e quais dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Se não tiver frascos de vidro âmbar, pode cobrir vidros claros com
papel para ficarem mais escurinhos por dentro.

Armazenar em local fresco e ventilado, ao abrigo do sol e


protegido da luz.

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Theresa Tullio

Recomendações:

Usar somente para terapêutica em adultos.


Não usar álcool comum.
Por serem concentradas, as tinturas e alcoolaturas são
geralmente mais fortes que os chás ou óleo feitos
preparados plantas medicinais e por isso devem ser usadas
com cuidado e com moderação.

Posologia:

São de fácil dosagem, pois basta saber a quantidade de gotas ou


colheres a serem tomadas.

Sugestão de dose adulta: Doses de 25 a 30 gotas em uma xícara de


água, no máximo três vezes ao dia.

Validade:

As duas formas têm boa conservação antimicrobiana, com


validade de até 2 anos, mas é recomendável usar em até um ano.
Não é necessário preparar o medicamento cada vez que for tomar,
o que pode facilitar o seguimento do tratamento.

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A Botica Caseira

Alguns ingredientes utilizados em Tinturas e


Alcoolaturas:

Alecrim (Rosmarinus officinalis) - Indicações:


Hemorróidas, gases intestinais, lavar feridas, cortes e
problemas leves do coração.
Angico (Anadenanthera colubrina) - Indicações: Tosse,
diarréia e fortificante.
Hortelã (Mentha) - Indicações: Mau hálito, infecções na
boca, dor de garganta, má digestão e vermífugo.
Macela-da-terra (Egletes viscosa L) - Indicações:
Enxaqueca, má digestão, azia, diarreia e gastrite.
Maracujá (Passiflora edulis) - Indicações: Menopausa,
nervosismo, febre, dor de cabeça e insônia.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

ÓLEOS

Pode-se obter Óleo ou Azeite Medicamentoso através de preparo


quente ou frio, misturando as ervas a óleo ou azeite. Mas também
é possível obter os óleos de frutos e outras partes de plantas que
os contêm através de simples prensagem. Atenção, não confundir
com óleo essencial.

Neste livro não abordaremos o preparo através da simples


prensagem.

Os óleos ou azeites medicamentosos, tanto no preparo quente


quanto no preparo frio, são usados puros, esfregados na pele em
massagens, ou acrescentados a pomadas, unguentos e cataplasmas,
e até na preparação de máscaras e cremes de beleza.

Óleos ou azeites preparados para massagem, para uso em


contusões, são simples de se fazer e com resultados excelentes,
podendo usar uma planta só ou uma combinação de até três
plantas.

Indicações: Aliviar dores reumáticas e artríticas, melhorar a


circulação sanguínea e relaxar os músculos.

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A Botica Caseira

Uso: A aplicação deve ser feita através de massagens ou fricções,


na direção dos pelos do corpo, seguidas de aquecimento,
cobrindo-se por uma meia hora as partes massageadas.

Ação: Ocorre uma absorção por via cutânea, o que promove uma
ação terapêutica rápida e eficaz. As propriedades terapêuticas são
aquelas das plantas medicinais utilizadas em sua preparação.

Como fazer óleo medicamentoso sob preparo quente:

Misturar 1 parte de ervas secas moídas ou 2 partes de ervas frescas


picadas, para cada 5 partes de óleo de girassol, gergelim ou coco
em uma tigela de vidro refratário.

Levar ao fogo em banho-maria em uma panela grande com tampa,


em fogo baixo, pois a água não deve ferver, durante 3 horas
seguidas.

Retirar do banho-maria e deixar esfriar.

Quando a mistura esfriar, passar em peneira fina ou filtro, sobre


um jarro ou outro recipiente de vidro, prensando o material
vegetal contra a tela da peneira ou filtro, para extrair todo o óleo
possível.

Com um funil, colocar o óleo obtido em frascos de vidro escuro,


limpos e esterilizados.

Fechar com rolhas de cortiça ou tampas de enroscar e rotular,


colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer e quais
dados devem ser incluídos nas etiquetas.

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Theresa Tullio

Armazenar em local fresco, seco e ventilado, ao abrigo do sol.

Os óleos duram 1 ano, mas obtêm-se melhores resultados se só


utilizados nos primeiros 6 meses após o preparo.

Como fazer azeite medicamentoso sob preparo frio:

Misturar 1 parte de ervas secas moídas ou 2 partes de ervas frescas


picadas, para cada 5 partes de azeite em um recipiente de vidro
transparente com tampa.

Tampar o vidro e agitar bem.

Deixar descansar em local fresco e seco, abrigado da luz solar e da


umidade, por um período de 2 a 6 semanas.

Ao final do período de repouso, colocar o azeite para filtrar em


um saco de pano fino, sobre um jarro ou outro recipiente de vidro,
e deixar o azeite filtrar-se.

Espremer o saco para extrair o resto do azeite no fim.

Com um funil, colocar o azeite obtido em frascos de vidro escuro,


limpos e esterilizados.

Fechar com rolhas de cortiça ou tampas de enroscar e rotular,


colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer e quais
dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Armazenar em local fresco, seco e ventilado, ao abrigo do sol.

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A Botica Caseira

Os azeites medicamentosos sob preparo frio duram 6 meses, e


deve-se utilizá-los no prazo de até 6 meses após o preparo.

Alguns ingredientes utilizados em Óleos e Azeites


Medicamentosos:

Açafrão-da-Terra (Curcuma longa) - Indicações:


Hematomas.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) - Indicações: Relaxante
muscular e antiespasmódico.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Gengibre (Zingiber
officinale) e/ou Mentrasto (Ageratum conyzoides L) -
Indicações: Dores localizadas, artrite e dores reumáticas.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Manjericão
(Ocimum basilicum) - Indicações: Fortificar, cansaço,
fraqueza, disposição e revitalizar.
Calêndula (Calendula officinalis) e/ou Gengibre (Zingiber
officinale) - Indicações: Anti-inflamatório.
Mentrasto (Ageratum conyzoides L.) - Indicações: Dores
localizadas, artrite e dores reumáticas.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

VINHOS MEDICINAIS & GARRAFADAS

Os Vinhos Medicinais e Garrafadas são preparações nas quais as


substancias vegetais sofrem a ação dissolvente de uma bebida
alcoólica, ou seja, são extraídos por maceração, devendo tanto a
bebida quanto as ervas serem de boa procedência.

Os vinhos medicinais podem ser enquadrados como similar as


tinturas, podem ser usados vinhos brancos ou tintos secos, com
aproximadamente 11 a 12% de percentagem de álcool no líquido.

As duas diferenças entre os vinhos medicinais tradicionais no


mundo inteiro e as famosas garrafadas brasileiras:

1. As garrafadas podem utilizar em seu preparo outras bebidas


alcoólicas em substituição ao vinho, como a aguardente de cana.

2. Algumas garrafadas utilizam outros ingredientes além das ervas


medicinais.

Os vinhos medicinais são preparados sob maceração com vinho


branco ou tinto, e resultam da ação dissolvente do vinho sobre as
plantas (raízes, cascas ou folhas).

Indicações: O vinho medicinal costumeiramente é diurético ou


estomáquico.

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A Botica Caseira

Contraindicações: Contraindicados para diabéticos. E por


conterem álcool, são contraindicadas para crianças, para mulheres
durante a gravidez e período de amamentação, pacientes com
problemas no fígado ou que estejam tomando medicação
controlada e dependentes de álcool.

Modo de Fazer - Receita Básica:

Ingredientes:

A Bebida: Vinho branco ou vinho tinto, com graduação alcoólica


baixa, de 11 a 12% de percentagem de álcool no líquido. O vinho
usado com plantas medicinais em maceração, deve ser puro seco
(sem açúcar) podendo ser tinto (funções: adstringentes, tônicas) ou
branco (funções: diuréticas, digestivas). Para a Garrafada, há a
opção de utilizar aguardente de cana.

A Erva:
A erva medicinal a ser usada vai variar de acordo com a finalidade
terapêutica do vinho medicinal ou da garrafada.

Quantidades:

100 gramas da planta seca ou 200 gramas da planta fresca para


cada litro de bebida, podendo utilizar uma só espécie vegetal ou
mais de uma, sendo no máximo 3 vegetais diferentes por preparo,
mas mantendo-se a proporção recomendada.

Para o Vinho Medicinal, usar sempre plantas secas, já que o vinho


apresenta baixo teor alcoólico, o que pode facilitar a alteração por
microrganismos.

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Theresa Tullio

Para a Garrafada, se a bebida alcoólica escolhida for vinho,


também é recomendável usar plantas secas, pelo mesmo motivo.

Só utilizar plantas frescas se no preparado for utilizada a


aguardente de cana, que tem um teor alcoólico bem alto.

Preparo:

Picar ou triturar a planta medicinal em pedaços pequenos; se


estiver seca, transformar em pó.

Colocar em um frasco escuro com tampa.

Adicionar o vinho ou a cachaça cobrindo toda a planta.

Arrumar as ervas para que fiquem submersas na bebida.

Tampar bem.

Colocar o frasco em um saco de papel.

Deixar em local escuro e fresco, ao abrigo da luz, protegido do sol,


por um período de 10 a 15 dias.

Durante o período de maceração agitar com suavidade o frasco,


diariamente, uma ou duas vezes.

Coar, espremendo o material em um pano.

Armazenar em vidro de cor escura, esterilizado.

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A Botica Caseira

Se possível, usar funil e colocar na própria garrafa previamente


esterilizada e limpa da bebida utilizada no preparo (se for de vidro)
e rotular, colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer
e quais dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Manter em lugar fresco e ao abrigo da luz, de preferência em


geladeira. Não havendo refrigerador, colocar em local fresco e
ventilado, ao abrigo do sol.

Recomendações:

O vinho usado com plantas medicinais em maceração,


deve ser puro seco (sem açúcar) podendo ser tinto
(funções: adstringentes, tônicas) ou branco (funções:
diuréticas, digestivas).

Deve-se usar vinho com graduação alcoólica baixa, de 11 a


12% de percentagem de álcool no líquido.

As plantas escolhidas precisam ser compatíveis, e devem


ser escolhidas pelos usos comuns ou por serem
complementares.

Geralmente utilizam-se plantas secas na preparação do


vinho medicinal ou da garrafada que utiliza vinho, pois este
apresenta baixo teor alcoólico, o que pode facilitar a
alteração por microrganismos.

Para a garrafada que utiliza cachaça, pode-se usar tanto


plantas secas quanto frescas, já que as aguardentes de cana
têm graduação alcoólica alta, em média de 35 a 42% de
percentagem de álcool no líquido.

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Theresa Tullio

Posologia:

1 colher de sopa 2 vezes ao dia antes das principais refeições, ou 1


cálice uma vez ao dia antes do almoço.

Conservação e validade:

Se bem preparados e estocados adequadamente, são válidos por


um ano. Não deve ser usado e é recomendável descartar
imediatamente se apresentar fermentação, formações brancas, sinal
de coalhado ou cheiro azedo.

Alguns ingredientes utilizados em Vinhos medicinais e


Garrafadas:

Alcachofra (Cynara scolymus) folhas e/ou Alecrim


(Rosmarinus officinalis) folhas e/ou Funcho (Foeniculum
vulgare) sementes - Indicações: Digestivo estomacal.
Aluman (Vernonia condensatà) folhas - Indicações: Fluir o
suco biliar e para vesícula preguiçosa.
Boldo-do-chile (Peumus boldus) folhas - Indicações: Má
digestão.
Camomila (Matricaria chamomillà) flores - Indicações:
Menstruação dolorosa e menstruação excessiva.
Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana) pó da casca -
Indicações: Prisão de ventre eventual.
Colônia (Alpinia speciosa) folhas - Indicações:
Hipertensão.
Dente-de-leão (Taraxacum officinale) raízes e folhas -
Indicações: Ação diurética.

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A Botica Caseira

Erva-doce (Pimpinella anisum) sementes - Indicações:


Enjoos e enxaquecas de origem digestiva.
Fáfía (Ginseng-brasileiro) (Pfaffia paniculatá) raízes -
Indicações: Fadiga.
Gengibre (Zingiber officinale) rizomas - Indicações:
Resfriado.
Guaco (Mikania glomerata) folhas - Indicações:
Reumatismo.
Jurubeba (Solanum paniculatum) raízes - Indicações:
Convalescença de doenças infecciosas e anemia.
Pata-de-vaca (Bauhinia forficata) folhas - Indicações:
Diabetes (controle de taxas).
Serralha (Sonchus oleraceus) planta toda - Indicações:
Anemia e falta de apetite.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

XAROPES OU LAMBEDORES

Xaropes ou Lambedores são preparados líquidos, viscosos e


concentrados, os quais se obtêm misturando ingredientes vegetais
na proporção de uma parte para cinco de calda de água e açúcar,
rapadura ralada ou mel.

Prepara-se quente ou frio e toma-se às colheradas.

Na verdade, o xarope é um chá, espessado e com sacarose, para o


doce mascarar o gosto dos vegetais componentes e assim facilitar a
ingestão, principalmente para crianças.

Uso: Interno

Dose Recomendada: A dose padrão é 5 a 10 ml 3 vezes por dia.

Indicações: São utilizados nos casos de tosse, dores de garganta,


inflamação na garganta, rouquidão, anemia, bronquite, catarro no
peito, má digestão, estados gripais. Os xaropes têm a vantagem
adicional da ação calmante.

Contra indicações: Contraindicado para diabéticos por tratar-se de


solução concentrada de sacarose.

84
A Botica Caseira

Há até opções de xaropes sem açúcar nos quais empregam-se


excipientes à base de sorbitol (sorbitol é um poliol - álcool de
açúcar), mucilagem de amido ou goma arábica entre outros. Neste
Curso não trabalharemos com estas receitas.

Ingredientes para receita padrão

Açúcar (de preferência mascavo), rapadura picada ou mel.


Água
Ingrediente Vegetal processado da forma escolhida - Veja
mais adiante lista com alguns ingredientes vegetais

Receita Padrão

Colocar para ferver duas partes de água e três partes de açúcar ou


rapadura ralada até dissolver.

Em fogo baixo, adicionar uma medida da planta ou fruto,


processados da forma escolhida, para cinco medidas da mistura de
água e açúcar. Para crianças pequenas, usar meia medida de vegetal
para cinco de água e açúcar.

O ingrediente vegetal já deve estar processado ao ser usado na


receita.

Pode-se adicionar apenas o sumo da planta, decocção ou infusão


frios, e também tintura.

Optando pela tintura, adicionar uma medida de tintura para três


medidas da mistura de água e açúcar.

85
Theresa Tullio

Não usar a receita com tintura para preparar o xarope para


crianças pequenas.

Colocar para ferver, mexer suavemente por 3 a 5 minutos, não


permitindo o aumento da temperatura superior a 80° C.

Obs: Veja neste livro as receitas detalhadas para preparo de


infusões, decocções e tinturas.

Variações da Receita Padrão

As decocções ou infusões podem servir de base para o xarope,


neste caso adiciona-se o açúcar diretamente nas mesmas, podendo
submeter a leve aquecimento para facilitar a dissolução do açúcar.

Basta preparar 500 ml de infusão ou decocção da planta escolhida,


e à este preparado acrescentar 500 gramas de açúcar, mexendo e
aquecendo devagar até o adoçante se derreter e a mistura ficar
xaroposa.

Para crianças pequenas, usar a metade da quantidade de vegetal ao


preparar a infusão ou decocção.

Uma opção ainda mais simples:

Fragmentar a planta fresca - picando ou amassando da forma


escolhida - e reservar.

Depois dissolver o açúcar na água (duas partes de água para três


partes de açúcar).

86
A Botica Caseira

Aquecer até ferver.

Abaixar o fogo e acrescentar o vegetal reservado (uma medida de


vegetal para cinco de água e açúcar).

Cozinhar em fogo brando.

Cascas, sementes e raízes devem cozinhar por 10 a 15 minutos e


folhas tenras e flores devem cozinhar por 2 a 3 minutos.

Retirar do fogo, abafar, deixar em repouso até esfriar totalmente.

Depois coar, envasar e todo o resto.

Nesta opção com vegetais frescos e picados, como tem que ferver,
é mais indicado usar açúcar e não mel.

Para crianças pequenas, usar meia medida de vegetal para cinco de


água e açúcar.

Se a planta for muito suculenta não é preciso adicionar água ao


preparado do xarope. A água é liberada pela planta no
aquecimento e junto ao açúcar dá ao líquido a consistência de
xarope.

Se quiser utilizar mel em substituição ao açúcar, não levar o mel ao


fogo, não se deve aquecer o mel para não empobrecer suas
propriedades. O xarope com mel é preparado frio, misturando o
líquido vegetal já processado com o mel até dissolver por
completo.

87
Theresa Tullio

Conservantes Naturais:

Para auxiliar a conservação do xarope e aumentar seu prazo de


validade, é possível adicionar algumas gotas de álcool de cereais,
gotas de cachaça, extrato de própolis ou cravo da Índia in natura
ao xarope já pronto e após coar para os frascos.

Para usar cravos, basta adicionar uma colher de chá da especiaria


ao xarope pronto.

No caso dos xaropes preparados com tinturas de própolis, este


ingrediente já serve como conservante, além de auxílio terapêutico.

Envasamento:

Utilizando um funil, filtrar o xarope sobre gaze ou outro tecido de


algodão de trama larga, para frascos de vidro esterilizados (limpos
e escaldados), e de preferência de cor escura, âmbar (Cor padrão
das garrafas de cerveja).

Fechar os frascos com rolhas de cortiça, pois xaropes têm


propensão a fermentar e explodir se vedados com tampas de
enroscar.

Rotular, colando etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer


e quais dados devem ser incluídos nas etiquetas.

Conservação: Se bem preparados e usando os conservantes


naturais, xaropes conservam-se por 3 meses. Mas o ideal mesmo é
preparar uma quantidade suficiente para consumo em 2 semanas e
descartar as sobras após este prazo.

88
A Botica Caseira

É também recomendável que o xarope caseiro seja guardado na


geladeira, e por até 15 dias, pois em temperatura ambiente,
principalmente em locais de clima muito quente, está mais sujeito à
contaminação.

Não havendo refrigerador, colocar em local fresco e ventilado, ao


abrigo do sol.

Obs: Quanto à aparência, o xarope deve ser limpo. Não deve ser
usado e é recomendável descartar imediatamente se apresentar
fermentação, formações brancas, sinal de coalhado ou cheiro
azedo.

Recomendações:

Ao preparar xaropes para crianças, reduzir para metade a


quantidade de vegetal das receitas e não utilizar álcool ou cachaça
como conservantes.

89
Theresa Tullio

Alguns ingredientes vegetais utilizados em xaropes e


lambedores:

Agrião (Nasturtium officinale) - Indicações: Tosse, gripe e


catarro no peito.
Agrião-do-Pará (Acmella oleracea) - Indicação: Anemia.
Angico (Anadenanthera macrocarpa) - Indicações: Tosse,
gripe e catarro no peito.
Avenca (Adiantum capillus-veneris) - Indicações: Tosse,
rouquidão e inflamação na garganta.
Beterraba (Beta vulgaris) - Indicação: Tosse.
Cebola (Allium cepa) - Indicação: Catarro no peito.
Chambá (Justicia pectoralis) - Indicações: Tosse, gripe,
bronquite, catarro no peito.
Courama-branca (Kalanchoe brasiliensis) - Indicações:
Tosse, gripe e catarro no peito.
Cumaru (Amburana cearensis) - Indicações: Tosse,
bronquite, gripe e catarro no peito.
Chambá (Justicia pectoralis) e Malvarisco (Plectranthus
amboinicus) - Indicações: Tosse, bronquite, gripe e catarro
no peito.
Chambá (Justicia pectoralis), Malvarisco (Plectranthus
amboinicus) e hortelã japonesa (Mentha arvensis) -
Indicações: Tosse, gripe, bronquite e catarro no peito.
Courama-branca (Kalanchoe brasi-liensis) e Malvarisco
(Plectranthus amboinicus) - Indicações: Tosse, gripe e
catarro no peito.

90
A Botica Caseira

Courama-branca (Kalanchoe brasiliensis), Ipecacuanha-


branca (Hybanthw ipecacuanha) e Cebolinha-branca
(Allium scalonicum) - Indicação: Tosse.
Courama-branca (Kalanchoe brasi-liensis) e Mussambê
(Cleome spinosa) - Indicação: Tosse.
Quiabo (Hibiscus esculentus) e Guaco (Mikania glomerata)
- Indicações: Tosse e catarro no peito.
Jatobá (Hymenaea courbaril), Jucá (Caesalpinia férrea) e
Eucalipto medicinal (Eucalyptus globulus) - Indicações:
Tosse, gripe e catarro no peito.
Guaco (Mikania glomerata) e Assa-peixe (Vernonia
polyanthes) - Indicações: Tosse, gripe, bronquite, catarro
no peito.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

COMPRESSAS

Preparação para uso externo local, que surte efeito pela penetração
dos constituintes ativos através da pele.

Feitas com panos, chumaços de algodão ou gaze embebidos em


preparados de ervas sob infusão, decocção ou tintura, e aplicadas
quentes ou frias sobre a zona da pele afetada, renovando-se a
aplicação umas 3 vezes durante o tempo da prática.

Um pedaço de pano à parte é necessário para colocar por cima do


primeiro, para ajudar a manter a umidade e a temperatura em
equilíbrio. Este pano deve ficar seco. Uma flanela é bem indicada
para este segundo pano.

A compressa pode ser aplicada quente ou fria.

Indicações: Têm efeito sedativo sobre inchaços, nevralgias,


contusões e reumatismo.

Indicações de acordo com a temperatura da compressa:


Analisar o problema a ser tratado e escolher a temperatura ideal.

92
A Botica Caseira

Compressa fria: Para tratamento de contusão, torção, dor


muscular, inchaço nas pernas, olhos e pele congestionados e
problemas inflamatórios gerais. Especialmente indicadas para
dores de cabeça de origem nevrálgica e dores reumáticas.

Compressa morna: Para acalmar peles irritadas e avermelhadas e


relaxar músculos doloridos.

Compressa quente: Para estimular a circulação do corpo e ajudar


na eliminação de toxinas pela pele. Especialmente indicadas para
combater processos inflamatórios, principalmente nas articulações
(artrite, gota etc) e doenças dos rins.

Como Fazer:

Preparar 500 ml de uma decocção, infusão ou tintura com as ervas


escolhidas, para fazer uma loção. Veja os capítulos neste livro que
ensinam como preparar decocção, infusão e tinturas.

Lavar bem as mãos e ensopar na loção um pano macio de algodão,


chumaços de algodão ou gaze.

Torcer para tirar o excesso de líquido.

Passar óleo mineral ou vegetal na área afetada para evitar que a


compressa grude e depois colocá-la, quente ou fria, sobre o local.

Sobre a compressa, colocar um outro pedaço de pano, seco,


melhor ainda se for um pedaço de flanela, para ajudar a manter a
umidade e a temperatura em equilíbrio.

93
Theresa Tullio

O tempo de aplicação deve ser de 5 a 20 minutos, dependendo da


atividade da planta utilizada e da gravidade do processo.

Durante o tempo de aplicação, voltar a ensopar o pano, algodão


ou gaze, torcer e recolocar sobre o local, e cobrir com o outro
pano. Umas 3 repetições são suficientes.

Se houver dores e inchaço, prender a compressa com fita adesiva


ou outra retenção e deixar agir por 30 minutos direto, com o outro
pano por cima.

Numa emergência, se tratar-se de urgência, pode ser usado o sumo


da planta embebido direto no pano ou no algodão.

Também se não tiver panos, algodão ou gaze para usar, molhar a


ponta de uma toalha e colocar no local afetado, cobrindo com a
outra ponta da toalha seca, para conservar o calor.

Deve ser preparado na hora da utilização.

Descartar o preparado após o uso.

94
A Botica Caseira

Alguns ingredientes utilizados em Compressas:

Açafrão-da-Terra (Curcuma longa) - Indicações:


Hematomas.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) - Indicações: Prisão de
ventre ocasional.
Alecrim-Pimenta (Lippia sidoides) - Indicações: Sarna
infectada, ferimentos e acne.
Alfazema (Lavandula angustifolia) - Indicações: Eczemas e
pequenas queimaduras.
Aroeira (Myracrodruon urundeuva) - Indicações: Infecções
vaginais.
Manjericão (Ocimum basilicum) - Indicações: Mamilos
doloridos e rachaduras nos mamilos.
Mastruz (Dysphania ambrosioides) - Indicações:
Ferimentos na pele e irritação na pele.
Mentrasto (Ageratum conyzoides L.) - Indicações: Dores
localizadas, artrite e dores reumáticas.
Romãzeira (Punica granatum) - Indicações: Sapinhos.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

BANHOS MEDICINAIS & VAPORIZAÇÕES

O que é Hidroterapia? Terapia – palavra grega que significa


“tratamento”; hidro – “água”; portanto hidroterapia significa:
tratamento através da água. A hidroterapia e os tratamentos
naturais são os métodos mais antigos utilizados pelos seres
humanos.

A água é elemento curativo por excelência. Para se compreender a


importância da água sobre a saúde do organismo, basta lembrar
que o corpo humano contém aproximadamente dois terços do seu
peso constituído de elemento líquido.

Os banhos são para uso externo, aplicados usando água pura ou


água misturada a preparações com ervas medicinais. Banhos
podem ser parciais ou de corpo inteiro, quentes, frios ou
alternados.

É importante nunca usar a prática de qualquer banho de estômago


cheio, logo após uma refeição. É recomendável guardar ao menos
um intervalo de 3 horas.

Conservação e Validade: Todos os banhos medicinais que utilizam


ervas devem ser preparados na hora da utilização e os restos não
utilizados devem ser descartados.

96
A Botica Caseira

Banho Terapêutico

Há várias maneiras de preparar e usar um Banho Terapêutico.


Pode-se usar despejo de caneco, chuveiro ou banheira, que é o
Banho de Imersão.

Preparo Básico:

Providenciar uma decocção ou infusão mais concentrada das


plantas escolhidas utilizando 1 parte de plantas para 4 partes de
água e deixar em infusão ou decocção por 20 a 40 minutos. (Veja
neste livro como preparar infusões e decocções).

Filtrar ou coar e misturar à água do banho em um recipiente para


derramar sobre o corpo ou misturar à água da banheira para o
banho de imersão.

O banho terapêutico pode ser frio ou quente.

O banho frio deve ser rápido, com duração máxima de 2 minutos,


e é indicado para baixar febres, acalmar o sistema nervoso e ativar
a circulação.

O banho quente deve ter a duração de 20 minutos.

A quantidade de água do banho tem que ser suficiente para cobrir


a parte afetada ou para banhá-la seguidamente. A parte afetada
deve permanecer em contato com o banho por cerca de 15
minutos.

97
Theresa Tullio

Variação 1:

Colocar as ervas em um saco de pano firme e deixar boiando na


água do banho. Essa variação dispensa a decocção ou infusão, mas
só pode ser usada em banho de imersão, na banheira.

Variação 2:

1º Passo - Corte um pedaço de tecido de algodão ou tule bem fino,


com 20 a 25 cm de diâmetro no formato circular.

2º Passo - Faça uma barra sem arrematar a extremidade. Passe por


ela um barbante. O Saquinho deve ficar com um formato
suficiente para envolver toda a base do seu chuveiro.

3º Passo – Coloque sais de banho, ervas aromáticas a pétalas de


flores da sua preferência e amarre bem firme no chuveiro de modo
que toda a água passe pelo saquinho.

Se optar por banho quente na banheira, é interessante (Salvo


contraindicações por conta do estado de saúde) depois do banho,
tomar uma rápida ducha de água fria, para fechar os poros.

O banho de imersão é especialmente indicado para combater


doenças artríticas e reumáticas.

98
A Botica Caseira

Alguns ingredientes utilizados em Banhos


Terapêuticos:

Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Manjericão


(Ocimum basilicum) - Indicações: Fortificar, cansaço,
fraqueza, disposição e revitalizar.
Alfavaca-Cravo (Ocimum gratissimum) - Indicações:
Gripe.
Camomila (Matricaria chamomilla) e/ou Erva-Doce
(Pimpinella anisum) e/ou Melissa (Melissa officinalis) e/ou
Capim-Limão (Cymbopogon citratus) - Indicações:
Estresse, insônia, ansiedade e acalmar.
Cenoura (Daucus carota) folhas - Indicações: Fraqueza e
desânimo.
Hortelã (Mentha piperita) - Indicações: Depressão,
revigorar e refrescar.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Livro
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

Banho Frio e Quente Alternado

Indicações: Reumatismo, problemas dos rins, bexiga, gripe, má


circulação do sangue, anemia, insônia, nervosismo, enxaqueca e
amenorreia.

Há 2 variações - Utilizar para corpo inteiro no chuveiro ou apenas


para as pernas em dois baldes grandes que comportem os pés
confortavelmente e as pernas até os joelhos.

No chuveiro:

O chuveiro deve ter capacidade para alternância de temperaturas.

Banhar o corpo na ducha fria por um minuto, depois alternar para


água quente por um minuto. Alternar minuto a minuto, frio e
quente. O primeiro e o último minutos devem ser na água fria.

Enxugar-se bem, vestir roupas confortáveis e evitar expor-se ao ar


livre ou correntes de ar após a terapêutica.

Com os baldes:

Para evitar acidentes com tropeços, esta opção deve ser usada com
a pessoa sentada.

Encher um balde com água bem fria.

Aquecer bem 2 litros de água ou mais - Dependerá da temperatura


climática local - e completar com mais água, enchendo o segundo
balde.

100
A Botica Caseira

Se considerar que a água quente pode amornar no decorrer da


terapêutica, manter ao lado uma chaleira com água quente para
renovar o aquecimento.

Sentar-se confortavelmente e colocar os dois pés no balde com


água bem fria por um minuto.

Logo em seguida, colocar os pés no balde com água bem quente.

Alternar minuto a minuto, frio e quente.

O primeiro e o último minutos devem ser na água fria.

Enxugar bem os pés e calçar meias de algodão logo em seguida.

O mínimo de duração dos Banhos Frio e Quente Alternados, seja


no chuveiro ou usando os baldes, é de 7 minutos, e o máximo 10
minutos.

Recomendações:

Mulheres durante a menstruação devem evitar principalmente o


banho alternado, pois pode ser abortivo ou pode interromper a
menstruação desregulando o ciclo.

101
Theresa Tullio

Banho de Imersão Para Pés

Terapêutica milenar e uma das mais eficazes, conhecidas e


utilizadas no mundo inteiro por sua simplicidade, é um método
relaxante que estimula a circulação sanguínea dos membros
inferiores, e alivia o estresse e o cansaço acumulado.

Pode ser quente, morno ou frio, não sendo via de regra usar água
quente.

De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), nos pés


estão cerca de 70 mil terminações ou pontos nervosos que estão
associados a todos os órgãos do corpo humano. A pressão e a
estimulação com água nesses pontos, causam um reflexo imediato
na parte física, e também no equilíbrio energético de todo o corpo.
Além disso, os pés são a base de sustentação do corpo e tratando-
os de maneira correta, é possível obter sensação de bem-estar e
benefícios para todo o organismo.

Indicações: Febres viróticas, gripes, resfriados, garganta, sinusite,


problemas de ouvido, acalmar, tirar as dores de pés cansados e
inchados, estimular a circulação, relaxar e descongestionar. Seu
efeito se propaga por todo o corpo, desbloqueando o excesso de
energia estagnada na cabeça, pescoço e ombros, liberando as
toxinas, relaxando e diminuindo o estresse, por isso, são indicados
nas dores de cabeça em geral, além de garantirem um ótimo sono.

Os músculos e a cabeça sentem alívio imediato, graças aos ativos


naturais dissolvidos na água, que promovem uma limpeza
energética, ao descarregar toda a tensão elétrica do corpo.
Imediatamente, os poros dilatam, a circulação é ativada e a mente
relaxa, numa agradável sensação de bem-estar.

102
A Botica Caseira

As variações:

Frios: São os chamados "Refresca Pés".

Colocar os pés numa bacia com água fria e os demais ingredientes


escolhidos, com líquido suficiente para cobri-los completamente
ou num balde com líquido até a altura da barriga da perna.

Mornos ou Quentes:

Colocar os pés numa bacia com água morna ou quente e os demais


ingredientes escolhidos, com líquido suficiente para cobri-los
completamente ou num balde com líquido até a altura da barriga
da perna.

Pode durar meia hora ou mais.

Ir acrescentando água morna ou quente para manter a


temperatura.

Com água bem quente, o popular "escalda-pés":

É especialmente indicado para aquecer os pés, para fazer suar,


sendo muito útil nos resfriados, gripes e febres de origem virótica.

Nesses casos, cobrir as pernas com manta ou cobertor, vedando a


saída do ar.

103
Theresa Tullio

Preparo Básico de Banho Para Pés Quente:

Adicionar um punhado das ervas escolhidas, lavadas e picadas a 1


litro de água fervente e abafar.

Colocar água morna no balde ou na bacia.

Coar a infusão e adicionar a esta água.

Colocar os pés e os tornozelos, desfrutando do calor penetrante


durante 20 minutos.

Procurar manter a água sempre morna.

Uma dica: Procure deixar uma chaleira com água quente próxima
para ir temperando a água e mantê-la na temperatura desejada
durante o banho de imersão.

Preparo Básico de Banho Para Pés Frio:

Macerar 1 xícara das ervas escolhidas, lavadas e picadas com um


pouco de sal grosso e um pouquinho de água em temperatura
ambiente formando uma pasta.

Colocar água na temperatura ambiente no balde ou na bacia e


acrescentar a pasta, mexendo bem para misturar.

Colocar os pés e os tornozelos, desfrutando durante 20 minutos.

104
A Botica Caseira

Reflexologia:

Para o Banho de Imersão Para os Pés também funcionar como um


tratamento de reflexologia, basta colocar algumas bolinhas de gude
ou pedrinhas redondas no fundo do recipiente onde se
mergulharão os pés.

Durante o banho, basta rolar os pés pressionando-os suavemente


sobre elas, proporcionando uma boa massagem. Se não conseguir
as bolinhas de gude ou as pedras, usar grãos de feijão cru, as
sementes ajudam a massagear os pés com a mesma eficácia das
bolas de gude e pedras, depois é só jogar fora.

Recomendações:

Após banhar, é imprescindível enxugar bem os pés, principalmente


entre os dedos e não deixar nenhuma umidade.

Os calçados utilizados em seguida também devem estar bem secos


e limpos.

Não fazer os banhos após as refeições. Guardar ao menos um


intervalo de 3 horas.

Como os banhos para pés lidam com o fluxo sanguíneo, não são
indicados para hipertensos, pessoas com câncer em metástase,
tromboses e comprometimentos mais sérios com a circulação.
Gestantes devem consultar seu médico antes do uso.

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Theresa Tullio

Em pessoas portadoras de Diabetes, devido à falta de sensibilidade


tátil, quando podem queimar-se com água quente e não
perceberem, só devem ser utilizados banhos para pés de mornos a
frios.

Não são recomendados para portadores de arteriosclerose ou


doença de Buerger - doença que afeta os vasos sanguíneos dos
membros superiores e inferiores.

Alguns ingredientes utilizados em Banho de Imersão


Para os Pés:

Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Mentrasto


(Ageratum conyzoides) e/ou Tanchagem (Plantago major)
- Indicações: Dores nas pernas, pés e tornozelos.
Camomila (Matricaria chamomilla) e/ou Erva-Doce
(Pimpinella anisum) - Indicações: Calmante.
Capim-Limão (Cymbopogon citratus) - Indicações: Insônia
Eucalipto (Eucalyptus globulus) - Indicações: Apatia,
insônia, sintomas congestionantes de gripes e resfriados e
mau cheiro nos pés.
Gengibre (Zingiber officinale) - Indicações: Dor de cabeça
ou dores nos pés e tornozelos.
Hortelã (Mentha piperita) - Indicações: Refrescar e renovar
o ânimo.
Laranjeira (Citrus sinensis) folhas - Indicações: Sensação de
peso nas pernas, inchaço, cansaço, desânimo.
Sal Grosso - Indicações: Ajuda a drenar o excesso de
líquidos, reduzir o inchaço dos pés e também ajuda a
combater infecções causadas por fungos.

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A Botica Caseira

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

Caminhada na Água

Uma variação dos Banhos para Pés é a Caminhada na Água.

Indicações: Atua sobre os rins, preservando-os das doenças, é bom


para a bexiga, facilita a respiração, expulsa os gases do estômago e
combate a dor de cabeça.

Como fazer:

Pode ser feito dentro de uma banheira ou piscina plástica, piscina


grande ou beira-mar.

Na banheira ou piscina plástica:

Colocar um pouco de água fria, na temperatura que sair da


torneira, só até à altura dos tornozelos.

A pessoa deve caminhar de um lado para o outro, ou pelo menos,


em pé na água, fazer movimentos com os pés como se
caminhasse.

Gradualmente, ir aumentando o nível da água, até que atinja a


panturrilha (barriga da perna) e finalmente os joelhos.

107
Theresa Tullio

Idem na beira-mar.

Na piscina grande, iniciar a prática no ponto mais rasinho e dirigir-


se aos poucos, aos níveis de mais profundidade.

Este exercício deve durar de 5 a 10 minutos.

Ao encerrar, fazer movimentos com as pernas fora da água para


restaurar a temperatura.

Banho de Assento

O banho de assento é um tratamento caseiro que se pode fazer


numa banheira ou numa bacia grande.

Consiste em mergulhar a área pélvica em água quente ou fria.

Este banho normalmente é aplicado na região pélvica, parte das


coxas e baixo ventre.

Esta prática fornece ao organismo um melhor condicionamento


preventivo e terapêutico auxiliar para vários problemas de saúde.

Atua como laxante, descongestiona o intestino, favorece a


digestão, combate a prisão de ventre, regulariza a circulação do
sangue, acalma o sistema nervoso e acalma para dormir.

108
A Botica Caseira

Indicações de acordo com a temperatura da água

Quente:

Doenças genitais, perineais e pélvicas como corrimentos vaginais,


cólicas uterinas e intestinais, inflamações dos ovários, menstruação
irregular, esterilidade, inflamações da próstata, cistite, hemorroidas
e fissuras anais. Também facilita a recuperação dos tecidos de
parturientes - É recomendável contar com a autorização do
médico e só fazer os banhos a partir de 7 dias após o parto.

Frio:

Infeções de ovários, testículos, útero, bexiga, vagina, pênis e prisão


de ventre.

Como Fazer:

Banho de Assento Quente

Misturar a erva preparada por infusão ou decocção em uma bacia


com uma quantidade de água morna para quente, suficiente para
cobrir a área afetada.

Sentar pelo período de 15 a 20 minutos.

Depois enxaguar a região com água morna pura e enxugar bem.

Recomendações para o uso do Banho de Assento Quente:

Ao fazer o Banho de Assento Quente, os pés não devem estar


descalços no chão frio e sim, sempre protegidos da umidade.

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Theresa Tullio

O melhor horário do dia para fazer este banho é à noite, antes de


deitar, evitando qualquer outro banho ou golpe de ar a seguir.

A pessoa deve estar agasalhada ou pelo menos vestida, deixando


despida apenas a parte do corpo em contato com a água.

Repetir a prática enquanto permanecerem os sintomas ou, nos


casos mais graves e persistentes, por 21 dias seguidos.

Após este período, se desejar continuar com esta terapêutica


auxiliar, suspender por 7 dias e só depois retomar.

Banho de Assento Frio

Misturar a erva preparada por infusão ou decocção, já em


temperatura fria, em uma bacia com uma quantidade de água fria,
suficiente para cobrir a área afetada.

Este deve ser um banho rápido, sentar pelo período de 5 minutos.

Depois enxaguar a região com água fria pura e enxugar bem.

Recomendações para o uso do Banho de Assento Frio:

Este banho deve ser feito 2 vezes por dia, pela manhã e ao deitar.

Repetir a prática enquanto permanecerem os sintomas ou, nos


casos mais graves e persistentes, por 30 dias seguidos.

Após este período, se desejar continuar com esta terapêutica


auxiliar, suspender por 7 dias e só depois retomar.

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A Botica Caseira

Alguns ingredientes vegetais utilizados em Banhos de


Assento:

Aroeira (Myracrodruon urundeuva) entrecasca -


Indicações: Inflamação vaginal e anal.
Aroeira (Myracrodruon urundeuva) entrecasca e/ou
Angico (Anadenanthera colubrina) entrecasca e/ou
Cajueiro Roxo (Anacardium occidentale) entrecasca e/ou
Romãzeira (Punica granatum) - Indicações: Inflamação
vaginal.
Arruda (Ruta graveolens) e/ou Confrei (Symphytum
officinale) rizoma - Indicações: Prurido anal e prurido
vaginal.
Babosa (Aloe vera) polpa ou Camomila (Matricaria
chamomilla) ou Jucá (Caesalpinea Ferrea) ou Mamona
(Ricinus communis) - Indicações: Hemorróidas.
Cajazeira (Spondias mombin) - Indicações: Herpes genital.
Chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) - Indicações:
Tratamento auxiliar da prostatite.
Pau D'arco Roxo (Tabebuia serratifolia) - Indicações:
Inflamação na vagina, inflamação no colo do útero e
inflamação no ânus.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

Banho Vital ou Semicúpio

O banho vital é considerado por muitos terapeutas como uma das


mais eficazes aplicações hidroterápicas. Ele atua mais
especificamente no sistema circulatório, no sistema nervoso e nos
órgãos excretores e genitais. É revigorante e estimulante das
funções orgânicas.

Indicações:

Inflamações nas regiões dos órgãos digestivos e intestinais, rins,


ovários, útero, mioma uterino, cisto de ovários, menstruações
dolorosas (fazer 10 dias antes de iniciar o ciclo), prolapso de
bexiga (queda), constipação intestinal crônica, regulariza a digestão,
retenção urinária, estimula os rins, o fígado, combate a insônia e
favorece a eliminação de toxinas pelo organismo.

Contraindicações: Cistite aguda, caso estiver apresentando também


dores agudas, como ciática, coluna (hérnia de disco), cólicas renais,
não faça este banho. Evitar durante período menstrual (deve-se
usar 10 dias antes do ciclo).

Providenciar:

Uma bacia para água fria - O tamanho desta bacia tem que
ser suficiente para pôr um pequeno banquinho dentro e
sentar-se. A água deve ficar a uns dois centímetros abaixo
do assento, para que a pessoa não precise abaixar-se
demais para encharcar o pano.

Uma bacia para água quente - Esta é para os pés, não


precisa ser muito grande.

112
A Botica Caseira

Um banquinho baixo para colocar dentro da bacia grande e


sentar
Uma manta, xale ou agasalho para as costas
Um pano macio
Uma chaleira para ir repondo a água quente da bacia dos
pés

Como Fazer:

Encher uma bacia com água fria, natural, como sai da torneira e
outra menor com água quente, para os pés.

Colocar o banquinho dentro da bacia com água fria.

Sentar no banquinho com o corpo despido, mas com um abrigo


sobre as costas e peito - manta, xale ou agasalho.

Colocar a bacia com água quente posicionada de forma


confortável para pôr os pés.

Colocar os dois pés na bacia com água quente.

Baixar a mão com o pano por entre as pernas até a água,


molhando bem. A água deve estar a uns dois centímetros abaixo
do assento, para que a pessoa não precise abaixar-se demais para
encharcar o pano.

Subir o pano encharcado, deslizando devagar, fazendo fricção,


pelo lado direito do órgão genital, até a altura do umbigo (região
inguinal).

113
Theresa Tullio

Levar a mão para a esquerda e descer pelo lado esquerdo do órgão


genital, até a água, formando-se com isso um triângulo, no sentido
horário.

Subir de novo o pano encharcado deslizando devagar, fazendo


fricção, agora pelo lado esquerdo do órgão genital, e levar a mão
para a direita, e descer pelo lado direito do órgão genital, fazendo
novamente o triângulo, agora em sentido anti-horário, levando o
pano de volta à agua.

E assim repetir a operação, alternando sempre o sentido do


movimento da mão, durante todo o tempo do banho, que deve
durar de 10 à 30 minutos, sendo iniciado com 10 minutos e ir
aumentando 5 minutos por dia.

Ao final de cada sessão, molhar os pés com água fria e agasalhar-


se.

Banho de Tronco

Indicações: Muito indicado para tirar febre alta, também para o


fígado, rins, intestino, estômago e descongestionar a cabeça.

Este banho deve ser aplicado em banheira ou ofurô.

Encher a banheira ou ofurô com água fria à temperatura da


torneira, de forma que, ao acomodar-se a pessoa fique com todo o
quadril e mais ou menos submerso até o peito.

Sentar ou ficar meio deitado. O importante é que das axilas para


cima e as pernas fiquem fora da água.

114
A Botica Caseira

Durante o banho, esfregar o baixo ventre em movimentos


circulares suaves com a mão ou uma esponja molhada.

A duração média deste banho é de 10 minutos.

Recomendações:
Pessoas fracas, crianças e idosos não devem demorar mais que
cinco minutos neste banho.

A água deve ficar bem fria o tempo todo do banho.

Banho Genital

Indicações: Fortifica os nervos, elimina matérias estranhas que


estão atrapalhando dentro do corpo, é poderoso para normalizar a
digestão, refresca o interior do corpo, elimina febre, cura dor de
cabeça em meia hora, e inflamações de garganta, cura prisão de
ventre, é calmante, bom para rins e fígado.

É bem simples. Aplica-se somente na genital do corpo do homem


(a ponta do pênis) e da mulher (a vulva), lavando estas partes com
água bem fria.

Como Fazer:

O homem deve segurar com uma mão a pele cobrindo a ponta do


pênis dentro da água e com a outra esfregando de leve com um
pano macio somente a ponta do pênis. Para ele pode ser feito
também numa torneira de água corrente.

115
Theresa Tullio

A mulher deve lavar somente a vulva, passando sempre água fria


com um pano macio.

A duração média desse banho é de 15 a 20 minutos e pode ser


usado por vários dias seguidos.

Recomendações:

Fazer o banho genital sempre de estômago vazio e não comer logo


em seguida.

Se as mãos gelarem durante o banho, é sinal de que a água usada


para o banho está fria demais. Neste caso, convém não usar
torneira, usar um recipiente com água para o homem e uma bacia
para a mulher, para que se possa misturar um pouquinho de água
morna para quebrar o gelo. Mas atenção, a água para este banho
tem que ser fria, não morna. A água morna é apenas para que não
fique fria demais.

Durante o período da menstruação, a mulher deve suspender o


uso deste banho.

Banho de Vapor ou Sauna Caseira

Indicações: Normalizar a circulação do sangue, purificando e


expulsando impurezas orgânicas como ácido úrico, sais minerais
inorgânicos, medicamentos e toxinas através dos poros. Muito
bom para quem sofre de sífilis, gonorreia ou blenorragia, uremia,
reumatismo, doenças dos rins e sistema nervoso.

116
A Botica Caseira

As pessoas cardíacas devem pedir a liberação de seu médico antes


de adotar a prática.

Como Fazer:

Retirar toda a roupa e sentar em uma cadeira. Não pode ser de


metal, para não aquecer e queimar a pele, madeira é o ideal.

Se for cadeira vazada é melhor ainda.

Quando o objetivo específico for terapêutica de genitais ou


distúrbios ligados a esta área, recomenda-se o uso de cadeira
vazada.

Colocar debaixo da cadeira uma panela grande com água fervente.

Pode-se colocar plantas medicinais na água. Um punhado para


cada litro de água utilizado.

Cobrir bem o corpo todo do pescoço para baixo. Pode usar


lençóis, toalhas, mantas ou coberta. Uma dessas opções ou várias,
o importante é fazer uma tenda do pescoço aos pés, deixando
apenas a cabeça de fora.

Pode fechar bem a coberta com alfinetes ou outro tipo de


prendedor para não deixar escapar o vapor.

Os pés devem ficar em cima de um banquinho ou sobre uma


toalha dobrada, ou até mesmo calçados em chinelo de borracha. É
errado deixar os pés sobre o chão frio.

117
Theresa Tullio

Graduar a temperatura levantando um pouco a coberta em que se


recolhe o vapor quando achar que ficou quente demais. É preciso
que o vapor seja suportável, não pode agredir.

Durante o banho de vapor é permitido e necessário refrescar o


rosto e a cabeça com água fria.

A pessoa pode se refrescar pegando a água com as mãos ou


utilizando um pano de algodão. Assim se consegue acalmar a
agitação e prevenir as congestões de cabeça. E é muito importante
evitar que o sangue suba à cabeça.

O ideal é fazer banhos de vapor com o auxílio de outra pessoa,


que neste momento se encarregará de refrescar a cabeça de quem
estiver se submetendo ao banho sem precisar sair da tenda.

Há uma variação nesta prática que sugere a cada 10 minutos sair da


tenda e passar água fria por todo o corpo com um pano ou mesmo
chuveiro rápido e depois voltar a sentar e fechar a tenda.

Nesta interrupção não é preciso molhar a cabeça pois ela deve


ficar sempre fora do vapor. Para esta prática de sair e voltar é
imprescindível ter o auxílio de outra pessoa para evitar acidentes.

Repetir até completar meia hora no máximo de duração do banho


todo (Incluindo as saídas, se for a opção) ou antes disso, para que
não incomode a pessoa.

Finalizar a prática com um rápido banho frio.

118
A Botica Caseira

Vestir-se com roupas confortáveis, beber água e comer frutas e


saladas cruas, para compensar a perda de água no banho e não
expor-se ao ar livre.

Sugestão: No caso de optar por plantas medicinais na água, pode-


se utilizar os ingredientes vegetais listados nas demais opções de
banhos.

Banho de Vapor Vaginal

Indicações: Miomas uterinos, menstruação dolorosa, fraqueza


uterina, prolapso uterino, ciclos menstruais irregulares, cistos
ovarianos, endometriose, cicatriz por episiotomia (Incisão para
alargar o canal do parto), e sangue roxo ou marrom escuro no
início ou no fim da menstruação.

Casos em que não se deve praticar a vaporização: Ciclos


menstruais extremamente densos, não fazer durante a
menstruação, se estiver com uma infecção vaginal, feridas abertas,
feridas ou bolhas, não fazer se estiver grávida ou achar que pode
estar grávida.

É bem semelhante ao Banho de Vapor da receita anterior, com


algumas poucas alterações descritas a seguir.

Nesta opção o uso das ervas é imprescindível. Usar um punhado


para cada litro de água utilizado.

119
Theresa Tullio

Como Fazer:

Retirar os piercings genitais antes da prática, o calor fará com que


o piercing esquente e queime.

A ideia no vapor vaginal é água bem quente, mas não fervendo,


para não queimar as partes íntimas.

Se sentir que o vapor está queimando, retirar a panela com água


fervente e ervas imediatamente, permanecer coberta para o vapor
não escapar e deixar a panela esfriar um pouco, depois colocá-la
embaixo da cadeira novamente.

É preciso permanecer na cadeira, coberta pela tenda absorvendo o


vapor de ervas na vagina durante vinte minutos.

Nesta opção, não tomar o banho em seguida. Manter-se aquecida


após o banho de vapor.

O ideal é ir diretamente para a cama e cobrir-se bem por uma


hora. Isso servirá para reforçar o tratamento e ajudar o corpo a
processar os efeitos curativos do banho de vapor vaginal.

É preciso ter cuidado com a exposição ao frio e não permanecer


nem dormir em ambiente com ar condicionado.

Repetir o banho por até cerca de 7 dias antes da menstruação. O


processo pode ser repetido todo mês, até sentir melhora.

120
A Botica Caseira

Alguns ingredientes vegetais utilizados em Banhos de


Vapor Vaginal:

Alecrim (Rosmarinus officinalis) - Indicações: aumenta a


circulação para os órgãos reprodutivos além de ser anti-
séptico e purificante.
Alfazema (Lavandula angustifolia) ou Lavanda (Lavandula)
- Indicações: Ervas relaxantes, acalmam a mente e o corpo.
Nutritivas para o sistema nervoso. Servem de anti-séptico
para os tecidos vaginais e também de efeito anti-
espasmódico, auxiliando na função uterina saudável.
Orégano (Origanum vulgare) - Indicações: Usado para
trazer a menstruação. Aumenta o fluxo escasso. Esta erva é
usada por suas qualidades anti-sépticas, estimulantes e
fortalecedoras. O orégano é uma erva maravilhosa para
ajudar na prevenção da infecção.
Calêndula (Calendula officinalis) - Indicações: Utilizada
para induzir a transpiração e a limpeza dos tecidos
vaginais. Ela também é curativa para feridas, auxilia na
cicatrização de tecidos dos lábios e do períneo quando
submetidos a episiotomia. Nota: Não deve-se usar o vapor
em uma ferida aberta, isso poderia causar dor e inchaço.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

121
Theresa Tullio

Banho de Vapor Para Inalação

Indicações: As inalações com banho de vapor são excelentes para


depurar o sangue e para descongestionar as vias respiratórias,
combatem dores de cabeça, catarro nos brônquios, sinusite, além
de muitos outros benefícios, dependendo das plantas escolhidas
para usar na vaporização.

Contraindicações: Pessoas com baixa pressão arterial e que sofrem


do coração não devem tomar banhos de vapor.

Como Fazer:

Para preparar a inalação, usar um caldeirão, panela grande de boca


larga ou uma lata que possa ir ao fogo, cheia de água.

Adicionar as ervas medicinais escolhidas. Um punhado para cada


litro de água.

Levar ao fogo alto, deixar ferver por alguns minutos e usar em


seguida, colocando o recipiente sobre uma mesa.

Direcionar para a cabeça e o tórax.

A pessoa deve inalar o vapor que subir da fervura, abrigado por


um cobertor, pelo período de 20 minutos.

Ao final da inalação, fazer fricção no peito, garganta e testa com


toalha molhada em água fria para fechar os poros.

122
A Botica Caseira

Variação: em vez de fazer a inalação por 20 minutos direto,


interromper a cada 5 minutos, fazer fricção no peito, garganta e
testa com toalha molhada em água fria e retornar à inalação.

Cuidados: É preciso que o vapor seja suportável, não pode agredir.


Se sentir que o vapor está queimando, afastar-se do recipiente com
água fervente, mas permanecer com a coberta. Deixar a panela
esfriar um pouco, depois retomar a inalação. Lembrar que o tempo
de inalação deve ser de 20 minutos. Descontar os períodos de
interrupções, caso hajam.

Alguns ingredientes vegetais utilizados em Banhos de


Vapor Para Inalação:

Arruda (Ruta graveolens) - Indicações: Enjoos


Eucalipto Medicinal (Eucalyptos globulus) - Indicações:
Gripe e Desobstruir os brônquios.
Gengibre (Zingiber officinale) - Indicações: Sinusite.
Hortelã Japonesa (Mentha arvensis) - Indicações:
Congestão nasal e coriza.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

123
Theresa Tullio

UNGUENTOS & POMADAS

Unguento e pomada são sinônimos. São preparados de


consistência final pastosa, sólidos à temperatura ambiente, que
amolecem quando se estendem sobre a pele e têm suas
propriedades terapêuticas absorvidas por ela.

As pomadas são totalmente absorvidas pela pele por conterem


mais água na formulação que os unguentos, que se mantêm em
camada mais compacta sobre a pele, sem total absorção, por não
conterem água nenhuma.

Muitas receitas requerem adição de produtos que não são 100%


naturais. Estas não serão consideradas. As receitas abaixo seguem
o princípio deste Livro da utilização restrita a matérias primas
naturais.

As propriedades tanto do unguento medicamentoso quanto da


pomada medicamentosa, advêm das ervas escolhidas para uso em
sua formulação.

Indicações tanto de pomada quanto de unguento: Cicatrizante,


pancada, dor muscular, torção, contusão, luxação, reumatismo,
torcicolo, artrite e fricção pós retirada do gesso.

124
A Botica Caseira

Como Fazer Pomada:

A pomada pode ser feita a partir de tintura de erva já pronta, ou


ervas picadas. As ervas sempre frescas, não secas.

Para fazer, se combina gordura e um preparado de ervas com água


(sumo da erva, infusão ou macerado), ou gordura e tintura de
ervas.

Se usar preparados de ervas com água:

Ingredientes e quantidades:

Uma boa medida é 1 colher de sopa rasa de cera de abelhas para


cada copo americano (uns 130, 150 ml) de gordura escolhida, na
forma líquida e 2 colheres de sopa da erva escolhida, processada
em forma de sumo, infusão concentrada ou em macerado (Veja
neste livro os capítulos que ensinam a preparar sumos, infusões e
macerados).

Em um refratário, misturar as plantas (já processadas na forma


selecionada) à gordura escolhida: Azeite, óleo de amêndoas, óleo
de coco, gordura de coco, óleo de amêndoas doces, óleo de
girassol, óleo de amendoim, manteiga fresca ou ainda gordura
animal.

Adicionar a cera de abelhas.

Levar ao fogo baixo, em banho-maria, de 1 a 2 horas.

125
Theresa Tullio

Cozinhar até derreter a cera e evaporar o excesso da água que


porventura soltar do vegetal, não precisa secar tudo, a pomada tem
sim um pouquinho de água, mexendo sempre com espátula de
madeira.

Tirar do fogo.

Coar, passar a mistura por um filtro.

Continuar mexendo lentamente enquanto vai esfriando até chegar


ao ponto de começar a tomar consistência.

Tem que ficar tudo bem misturado e de forma homogênea

Colocar ainda líquida nos potes limpos, secos e esterilizados,


deixar esfriar e a pomada estabilizar.

Se a pomada ficar muito dura, aumente a quantidade de óleo. Se


ficar mole é porque a cera foi pouca. Ajuste sua fórmula.

Fechar os potes.

Apertar bem as tampas e rotular, colando etiquetas detalhadas.


Veja neste livro como fazer e quais dados devem ser incluídos nas
etiquetas.

126
A Botica Caseira

Se usar tintura de ervas (Veja neste livro o capítulo que ensina a


fazer tinturas):

Ingredientes e quantidades:

Uma boa medida é 1 colher de sopa rasa de cera de abelhas para


cada copo americano (uns 130, 150 ml) de gordura escolhida, na
forma líquida e 2 colheres de sopa de tintura (que dá uns 30 ml).

Em um refratário, adicionar um pouco de cera de abelhas à


gordura escolhida: Azeite, óleo de amêndoas, óleo de coco,
gordura de coco, óleo de amêndoas doces, óleo de girassol, óleo de
amendoim, manteiga fresca ou ainda gordura animal.

Levar ao fogo baixo, em banho-maria, até derreter a cera,


mexendo sempre com espátula de madeira.

Tirar do fogo.

A tintura não pode ser adicionada quando o óleo estiver ainda


muito quente.

Então, mexer com espátula de madeira enquanto a gordura com a


cera vai esfriando e ficando mais consistente.

Acrescentar a tintura antes da mistura solidificar.

Coar, passar a mistura por um filtro.

Continuar mexendo lentamente enquanto vai esfriando até chegar


ao ponto de começar a tomar consistência.

127
Theresa Tullio

Tem que ficar tudo bem misturado e de forma homogênea.

Colocar ainda líquida nos potes limpos, secos e esterilizados,


deixar esfriar e a pomada estabilizar.

Se a pomada ficar muito dura, aumente a quantidade de óleo. Se


ficar mole é porque a cera foi pouca. Ajuste sua fórmula.

Fechar os potes. Apertar bem as tampas e rotular, colando


etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer e quais dados
devem ser incluídos nas etiquetas.

Recomendações importantes:

Manusear o conteúdo sempre com uma espátula, evitando o


contato com as mãos.

Sugestões:
Independentemente das ervas escolhidas, ao fazer pomadas, juntar
na maceração algumas folhas de cânfora (Cinnamomum
camphora) ou, se não encontrar, uma pedrinha de cânfora mesmo,
no momento do banho-maria.

Mesmo não manuseando com as mãos, procurar usar luvas.

Dar sempre preferência a usar pequenos potes em vez de grandes.

Modo de Usar:

As pomadas permanecem mais tempo sobre a pele, devem ser


usadas a frio e renovadas 2 a 3 vezes ao dia.

128
A Botica Caseira

Validade: Se bem preparadas e adequadamente envasadas e


estocadas, pomadas valem por 6 meses. Mas é recomendável usar
em até 3 meses. As pomadas nas quais se utiliza gordura animal
têm menor validade. Usar em até 2 meses.

Conservação e Armazenamento: Pode guardar no refrigerador.

Como Fazer Unguento:

Para o unguento tradicional, primeiro é preciso preparar o óleo


medicamentoso e depois juntar à cera de abelhas.

Misturar 2 partes de ervas frescas picadas, para cada 5 partes de


gordura escolhida: Azeite, óleo de amêndoas, óleo de coco,
gordura de coco, óleo de amêndoas doces, óleo de girassol, óleo de
amendoim, manteiga fresca ou ainda gordura animal.

Levar ao fogo em banho-maria em uma panela grande com tampa,


em fogo baixo, pois a água não deve ferver, durante 3 horas
seguidas.

Retirar do banho-maria ainda quente, passar em peneira fina ou


filtro para outro recipiente refratário, prensando o material vegetal
contra a tela da peneira ou filtro, para extrair todo o óleo possível.

Adicionar 6 partes de cera de abelhas para cada parte de óleo


medicamentoso ainda quente.

Misturar vigorosamente com espátula de madeira até


homogeneizar.

129
Theresa Tullio

Colocar em estado ainda líquido, nos potes limpos, secos e


esterilizados, deixar esfriar e estabilizar.

Fechar os potes. Apertar bem as tampas e rotular, colando


etiquetas detalhadas. Veja neste livro como fazer e quais dados
devem ser incluídos nas etiquetas.

Recomendações importantes:

Manusear o conteúdo sempre com uma espátula, evitando o


contato com as mãos.

Sugestões:
Independentemente das ervas escolhidas, ao fazer unguentos,
juntar na maceração algumas folhas de cânfora (Cinnamomum
camphora) ou, se não encontrar, uma pedrinha de cânfora mesmo,
no momento do banho-maria.

Mesmo não manuseando com as mãos, procurar usar luvas.

Dar sempre preferência a usar pequenos potes em vez de grandes.

Modo de Usar:

Aplicar em massagem sobre o local por 3 vezes ao dia.

Conservação e validade: Em recipientes hermeticamente fechados


e em local livre de umidade, a validade é de até 12 meses. Os
unguentos nos quais se utiliza gordura animal têm menor validade.
Usar em até 8 meses. Mas o ideal mesmo é preparar unguentos em
quantidades para usar em até 6 meses no máximo.

130
A Botica Caseira

Alguns ingredientes utilizados em Unguentos e


Pomadas:

Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Mentrasto


(Ageratum conyzoides L) - Indicações: Dores localizadas,
artrite e dores reumáticas.
Arnica (Arnica Montana) - Indicações: Hematomas,
contusões, dores reumáticas, gota e tendinites.
Babosa (Aloe vera) - Indicações: Antisséptico, queimaduras
e cicatrização.
Barbatimão (Stryphnodendron) - Indicações: cicatrizante e
antibactericida.
Calendula (Calendula officinalis) - Indicações: Anti-
inflamatório e cicatrizante.
Confrei (Symphytum officinale) - Indicações: regeneração
dos tecidos, excelente cicatrizante.
Guaco (Mikania glomerata) - Indicações: Anti-inflamatório
e antimicrobiana.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

CATAPLASMAS & EMPLASTOS

Emplasto

O Emplasto (ou emplastro - as duas formas são corretas) é uma


pasta feita exclusivamente de vegetais.

A diferença entre o emplasto e a cataplasma, é que no preparo da


cataplasma usamos um veículo, que pode ser argila, farinha de
mandioca ou fubá de milho, já o emplasto é a pasta feita de planta
pura. A pasta colocada em contato com a pele é amolecida pelo
calor do corpo e então adere ao local e pedaços de pano são
aplicados cobrindo a pasta, assegurando maior tempo de
permanência terapêutica.

Indicações: Curar inflamações da pele, inchaços, contusões,


feridas, chagas, ulcerações e dores reumáticas.

Como Fazer:

Para preparar o emplasto, a erva deve ter passado por decocção


com pouca água ou maceração. Ver neste livro como preparar
decocções e macerações.

132
A Botica Caseira

Podem-se usar folhas, caules e polpas.

Uma opção é simplesmente lavar o vegetal fresco e usá-lo sem


passar por nenhum preparo, simplesmente aplicando no local e
cobrindo com um pano de tecido de algodão.

Calcular uma quantidade de vegetal que após trabalhado possa


cobrir toda a área a ser tratada.

Após o preparo, espremer da erva todo o líquido possível;

Esfregar um óleo vegetal ou mineral na zona doente para evitar


que a erva grude;

Aplicar a erva no local e prender bem com ataduras de gaze para


não sair do lugar.

Deixar agir por 2 horas e depois trocar por um novo emplasto.

Trocar de 2 em 2 horas.

Cataplasma

A cataplasma consiste em aplicar sobre a pele, na parte lesada do


corpo, uma preparação de consistência branda em massa ou tecido
de algodão durante alguns minutos.

O objetivo da cataplasma é aquecer o local em que é aplicado,


umedecer e estimular a circulação.

133
Theresa Tullio

As indicações são as mesmas dos emplastos: Curar inflamações da


pele, inchaços, contusões, feridas, chagas, ulcerações e dores
reumáticas.

Como Fazer:

Para preparar a cataplasma, a erva deve ter passado por uma


infusão ou decocção com pouca água. Ver neste livro como
preparar infusões e decocções. Pode-se usar sementes, folhas ou
raízes de plantas.

Para que a infusão ou decocção de ervas vire uma massa, é preciso


colocar um veículo, que pode ser argila, farinha de mandioca ou
fubá de milho.

A consistência deve ficar parecida com a de uma “papa”


ligeiramente espessa.

As ervas também podem ser usadas sob a forma de tintura,


pomada ou outras fontes, misturadas depois ao veículo. Veja neste
livro os capítulos que ensinam a fazer pomadas e tinturas.

Estender a pasta num pano, um tecido fino de algodão, de


tamanho suficiente para cobrir toda a área machucada ou ferida.

Aplicar sobre o local a ser tratado.

Alertas e Observações Importantes:

No caso de feridas no local, colocar uma bandagem ou gaze e só


depois a cataplasma por cima.

134
A Botica Caseira

Tomar o cuidado de passar antes um óleo vegetal ou terapêutico


na zona doente para evitar que a bandagem ou gaze grude.

A cataplasma pode ser utilizada quente ou fria, dependendo do


local a ser tratado, uma ou até três vezes ao dia e cada aplicação
pode durar 2 horas.

Ou deixar agir por 2 horas e depois trocar de 2 em 2hs


ininterruptamente.

Deve ser preparada na hora de ser utilizado.

Alguns ingredientes utilizados em Cataplasmas e


Emplastos de Ervas:

Açafrão-da-Terra (Curcuma longa) - Indicações:


Hematomas.
Alecrim (Rosmarinus officinalis) e/ou Gengibre (Zingiber
officinale) e/ou Mentrasto (Ageratum conyzoides L) -
Indicações: Dores localizadas, artrite e dores reumáticas.

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

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Theresa Tullio

Cataplasma de Barro

A terra é um agente curativo extraordinário, pois seu efeito é


regenerador, refrescante, descongestionante, cicatrizante,
absorvente e purificador.

Muitas doenças resultam de febres gastrointestinais. Mesmo


quando a temperatura exterior não sofre alterações, a febre está
refugiada nas entranhas do organismo. A elevação da temperatura
do tubo digestivo favorece a putrefação intestinal e causa diversas
enfermidades!

Assim como muitas doenças têm seu ponto de partida nos


desarranjos gastrointestinais, o restabelecimento deve
fundamentar-se na normalização da digestão, sendo então
necessário combater a febre interna.

A argila é uma substância bem apropriada para esta finalidade,


refrescando e descongestionando o sistema gastrointestinal, o
sangue é liberado para a superfície do corpo, estabelecendo o
equilíbrio térmico que resulta em saúde.

Indicações: Inflamações dos rins, do fígado e do estômago, febres


internas, catarros intestinais e muitas outras enfermidades.

Pequenas cataplasmas de barro, misturadas com pedaços ralados


de alho e cebola, são muito eficazes em casos de úlceras,
furúnculos, feridas de qualquer espécie, mordeduras de cachorros
e outros animais e picadas venenosas de aranhas e cobras.

136
A Botica Caseira

Contraindicações: Não é recomendável para mulheres durante o


período menstrual ou durante a gravidez, e para pacientes muito
debilitados.

Como Fazer:

Preparando a argila base:


A terra para fins medicinais, usada nas cataplasmas de barro deve
ser extraída de uns 30 a 80 centímetros de profundidade, a fim de
conseguir terra limpa que não esteja em contato com as sujeiras e
o lixo da superfície.

A terra pode ser de qualquer cor, pois o importante é que seja


limpa, de preferência extraída em regiões pouco ou não habitadas
e onde não haja escoamento de água e raízes de vegetais.

Os barrancos costumam garantir uma argila de boa qualidade.

Depois de extrair, expor a argila ao sol, sobre uma área plana e


limpa, para secar completamente.

Com a ajuda de um martelo ou outro instrumento, reduzir a pó.

Depois, passar numa peneira fina, para que a terra fique livre de
pedrinhas.

Guardar em um recipiente de barro, de vidro, madeira ou bambu;


jamais utilizar recipientes plásticos ou de metal.

137
Theresa Tullio

Reutilização:

Para reutilizar a argila é necessário espalhá-la em uma superfície até


secar completamente.

Em seguida, passar em peneira fina para adquirir a consistência de


talco.

Levar ao fogo sem queimar por uns quarenta minutos, e depois


guardar em um pote de barro, de vidro, madeira ou bambu.

Para fazer a cataplasma:

Colocar em um recipiente, acrescentar água mineral, destilada ou


fervida e filtrada, e amassar com uma colher de madeira até obter
uma pasta nem muito mole nem demasiado dura.

As cataplasmas lombo-ventrais são as mais usadas, com cobertura


do ventre e da região lombar, mas também há as aplicações em
áreas menores, localizadas.

As lombo-ventrais devem ser suficientemente grandes para cobrir


todo o ventre, os lados do tronco e a região lombar atrás.

A espessura da pasta de barro deve ser mais ou menos de 1


centímetro para os adultos, e para as crianças, cada vez menos
espessa quanto menor for a idade.

138
A Botica Caseira

Como preparar a cama e aplicação lombo-ventral:

1. Forrar um plástico resistente sobre o colchão;


2. Sobre o plástico, forrar um lençol;
3. Sobre o lençol, estender um cobertor atravessado na cama;
4. Sobre o cobertor, estender duas folhas grandes de papel
(jornais velhos, por exemplo);
5. Sobre o papel, estender um pano grande, que envolverá a
pessoa;
6. Espalhar a pasta de argila sobre o pano, em camada
uniforme com aproximadamente 1 cm de espessura;
7. Deitar diretamente sobre a pasta, e distribuir outra camada
de argila sobre o ventre.
8. Envolver com o pano, as folhas de papel e o cobertor,
agasalhando bem.
9. Manter os pés aquecidos com bolsa de água quente.

A compressa deve ter duração máxima de duas horas em pessoas


com mais de oito anos de idade.

Nos mais novos, a duração máxima é uma hora.

Decorrido este tempo, retirar a compressa para que a pessoa se


banhe em água fria ou morna.

Ao retirar a cataplasma, verificar se o barro está seco.

Se este for o caso, indica que existe grande calor interno e então é
necessário colocar outra cataplasma após lavar, e assim
sucessivamente até eliminar a febre.

139
Theresa Tullio

Quando a febre interna desaparece, o barro quase não fica seco, e


isto é uma manifestação positiva de que se alcançou o êxito
desejado.

No caso das cataplasmas menores, colocar diretamente sobre a


pele, onde está localizada a enfermidade e renovar a cada 2 ou 3
horas, conforme a necessidade. Ao retirar, limpar delicadamente
com uma toalha molhada a parte onde foi aplicada a cataplasma.

Alertas e Observações Importantes:

No caso de feridas no local, colocar uma bandagem ou gaze e só


depois a cataplasma por cima. Tomar o cuidado de passar antes
um óleo vegetal ou terapêutico na zona doente para evitar que a
bandagem ou gaze grude.

Pode-se usar o barro em qualquer parte do corpo a qualquer hora,


em cataplasma sempre fria, a não ser sobre o coração, rins e
coluna vertebral, onde é aconselhável aplicar barro morno
aquecido em banho-maria ou no sol.

Cada aplicação pode durar 2 ou 3 horas, e depois renovar por mais


2 ou 3 horas, conforme a necessidade.

140
A Botica Caseira

TRAVESSEIROS DE ERVAS
& ALMOFADAS TERAPÊUTICAS

Travesseiros de Ervas

Indicações: Estresse, insônia, cólicas, dores de cabeça, ansiedade,


ronco, pesadelos, TPM, problemas respiratórios e muitos outros.
Veja mais adiante algumas sugestões de ervas e suas indicações de
uso.

Durabilidade: A duração do cheiro é de 12 a 18 meses. Ao adquirir


as ervas, pergunte a validade de cada uma e lembre-se: Quanto
mais nova, mais aroma tem e mais tempo vai durar o cheiro.

Usam-se no lugar dos travesseiros comuns em situações


específicas. Pode-se confeccionar travesseiros de tamanho grande
ou menores e encher com ervas. Também fazer saquinhos de
tamanho menor e colocar dentro das fronhas junto com os
travesseiros que se usa de costume. Esta opção é mais aceita, já
que muitas pessoas acostumam-se e apegam-se aos "travesseiros
de estimação" e têm dificuldades em dormir com outros.

Uma forma simples e barata de fazer um travesseiro aromático, é


aproveitando os travesseiros que já tem em casa.

141
Theresa Tullio

Você precisará apenas fazer o saquinho para colocar as ervas e


introduzi-lo diretamente em seu travesseiro, fazendo uma abertura
na costura e fechando novamente depois.

Ou, você pode colocar entre a capa protetora (caso use) e o


travesseiro ou entre a fronha e o travesseiro, o que lhe permitirá
usar a terapêutica das ervas apenas quando quiser e variar de
saquinho de acordo com a necessidade.

Como Fazer:

Material

Linha e agulha

Tecido:

Para travesseiros normais: O tamanho padrão é 50cm X 70cm.

Para os travesseirinhos menores: Quando prontos, a medida 20cm


X 30cm fica perfeita.

Para os saquinhos: Saquinhos de 15cm X 15cm quando prontos


ficam ótimos.

Lembre-se que você precisa das medidas dobradas, pois costurará


frente e costas. Adquira tecidos 100% algodão, mas que não sejam
grossos, pois o aroma das ervas precisa ventilar.

Se desejar, pode usar TNT, mas lembre-se que TNT não é


algodão.

142
A Botica Caseira

Para os travesseiros, uma opção, apesar de não-natural, é comprar


fibra sintética de enchimento de almofadas, também chamada de
fibra siliconada, tem opção antialérgica e não é cara.

A fibra é útil para não ter que usar uma quantidade muito grande
de ervas e também para distribuí-las por igual no interior.

Pode usar o enchimento até para os saquinhos, se desejar.

Há enchimentos naturais alternativos, como lã de carneiro,


algodão orgânico ou capim. Mas incorrem em risco de
contaminação por fungos ou infestação por insetos.

Ervas:

Devem ser utilizadas sempre secas, e bem secas, para não gerar
fungos quando estiverem dentro do travesseiro ou saquinho.

Mas, uma dica: Se puder, não compre as ervas secas, compre


frescas e seque em casa. Assim você terá certeza que não são ervas
velhas e o aroma vai durar bastante.

Se optar por misturar, misture no máximo 3 ervas diferentes.

Quantidade: Para acondicionar nos saquinhos ou para colocar


diretamente dentro do travesseiro grande, 1 xícara de chá bem
cheinha de ervas é suficiente - Dá em torno de 100 a 150g.

Já para o travesseirinho, usar meia xícara.

143
Theresa Tullio

Confecção:

O processo de confecção é o mesmo para todos,


independentemente do tamanho. Seja para travesseiro normal,
para os menores ou para os saquinhos.

Fazer um saco de tecido no tamanho desejado, costurando três das


laterais, deixando uma aberta.

Rechear com o enchimento - se for o caso - e com as ervas


escolhidas.

Para uma distribuição ainda melhor das ervas, se optar por usar o
enchimento, colocar o enchimento a ser utilizado em um saco
plástico grande, adicionar a quantidade de ervas selecionada e
segurando a boca do saco, misturar enchimento e ervas lá dentro e
só depois transferir para o saco de tecido.

Para o saquinho, é só usar um saco plástico menor.

Não encher demais, não devem ficar estufados e sim molinhos,


principalmente os pequenos e os saquinhos que serão usados
dentro das fronhas, para não incomodar a posição da cabeça ao
dormir.

Para finalizar, costurar o quarto lado, para fechá-lo.

Coloque o travesseiro aromático para tomar um pouco de sol ou


pelo menos tomar ar uma vez por mês, sem fronha ou capa
protetora.

144
A Botica Caseira

Alguns ingredientes vegetais utilizados nos


travesseiros:

Alecrim (Rosmarinus officinalis) - Indicações: Estresse,


dores de cabeça, ansiedade e afasta os pesadelos.
Camomila (Matricaria chamomilla) - Indicações: Dores de
cabeça, calmante, TPM.
Erva Cidreira (Melissa officinalis) - Indicações: Ansiedade,
enxaqueca, dores musculares e pressão alta.
Erva-Doce (Pimpinella anisum) - Indicações: Calmante e
também age no Sistema Digestivo.
Eucalipto (Eucalyptus globulus) - Indicações: Sistema
respiratório, ajuda no combate a gripe, resfriado, tosse e
bronquite, especialmente tosse de tabagista.
Hortelã (Mentha piperita) - Indicações: Rinite, nariz
entupido, tosse e bronquite.
Jasmim (Jasminum officinale - o branquinho, mais comum)
- Indicações: Depressão, TPM e nervosismo.
Lavanda (Lavandula sp) ou Alfazema (Lavandula
angustifolia) - Indicações: Estresse, insônia, palpitação,
tensão nervosa, bronquite e ronco.
Macela (Achyrocline satureoides) - Indicações: Calmante e
Insônia.
Rosa Branca (Rosa Alba) - Indicações: Desânimo, preguiça
e traz sensação de Paz.
Rosa Vermelha (Rosa gallica) - Indicações: Afrodisíaco,
Antidepressivo e estimuante energético.

Para travesseiros infantis, usar macela, erva-doce, camomila ou


alecrim.

145
Theresa Tullio

Estas são apenas algumas sugestões a título de ilustração.


Lembramos que a proposta do livro "A Botica Caseira - Curso de
Manejo e Preparo de Ervas" é oferecer orientação técnica de
manipulação de vegetais em linguagem prática e acessível. As
propriedades das ervas e as indicações receitadas estão detalhadas
nos 6 livros da Enciclopédia AS ERVAS, que a venda deste Curso
se destina a financiar.

Bolsa Térmica Ecológica

Também conhecida como Almofada Terapêutica, pode ser


utilizada em substituição às compressas ou bolsas térmicas
convencionais.

A bolsa relaxa, diminui as dores, ativa a circulação e ajuda a


desinflamar.

Indicação: Dores locais de qualquer espécie, tensões musculares,


cólicas em adultos, cólicas de bebês, artrite, artrose, sinusite,
luxações, gases, inflamações e outras aplicações.

Aplicação: Uso local, pode ser usada em qualquer parte do corpo -


pernas, joelhos, abdome, ombros, costas, até na região dos olhos.
Não há restrições.

O tratamento pode ser:

Por calor - Uso sobre o ventre para cólicas, sobre o ponto de


tensão para dor, "sob" a panturrilha (batata da perna) para dor nas
pernas e ajudar na circulação.

146
A Botica Caseira

Por resfriamento - Uso sobre o abdômen e baixo ventre, na


prevenção de problemas com útero, ovário e bexiga, por exemplo.

Por simples contato, em temperatura ambiente - Uso como


coadjuvante no tratamento de qualquer patologia da visão.
Também para relaxar os olhos e até prevenir problemas. Como é o
caso do abuso do uso dos computadores, ambientes muito secos e
contaminados pelo ar condicionado ou excesso de luminosidade
artificial. Tenha sempre uma por perto para usar a todo momento
que puder dar uma parada e relaxar os olhos.

Como Fazer:

Material

Linha e agulha

Tecido:

Tecido natural e mais firme, como tricoline ou sarja. Quando


pronta, a medida 15cm X 30cm fica perfeita.

Lembre-se que você precisa da medida dobrada, pois costurará


frente e costas.

Para o recheio:

Cereal ou grão. Tranquilize-se. Não há risco de cozinhar ou mofar.


Linhaça é a mais comumente usada, mas também pode fazer com
arroz.

Quantidade: 1 xícara de chá ou mais, dependendo do cereal


escolhido. Usar cereal ou grão cru e absolutamente seco.

147
Theresa Tullio

Confecção:

Fazer um saco com o tecido, costurando três das laterais, deixando


uma aberta.

Atenção: Costurar com linha e agulha, não colar com silicone por
conta de ser aquecido para uso.

Encher o saquinho de tal forma que não fique nem cheio demais,
nem muito vazio, justo para poder se acomodar bem a qualquer
parte do corpo onde for usar. Ou seja, 2/3 do seu volume total.

Para finalizar, costurar o quarto lado, para fechá-lo.

Modo de Usar:

Na hora de colocá-la para aquecer ou resfriar, borrife um


pouquinho (só uma leve névoa) de água na almofadinha.

Tratamento por calor:

Envolver a almofada em papel alumínio e colocar em um


refratário. Aquecer em forno baixo por uns 10 minutos.

Se desejar, também pode aquecer no microondas de 2 a 3 minutos.


Mas o ideal mesmo é usar aquecimento o mais natural possível.

O tempo recomendado para o aquecimento não pode ser excedido


para não danificar o produto.

148
A Botica Caseira

Checar a temperatura antes da aplicação para não queimar a pele.

Cobrir a parte do corpo que irá tratar com uma toalha ou fralda.

Colocar a almofada já quente por cima (sem o papel alumínio, pois


os aromas de linhaça e ervas também fazem parte do tratamento).

Deixar agir pelo tempo necessário. 10 a 15 minutos é suficiente


para relaxar e aliviar dores.

Após o uso, evitar expor-se a corrente de ar frio.

Tratamento por resfriamento:

Colocar a almofada dentro de um saco plástico e deixar no


congelador da geladeira ou no freezer resfriando por uns 30
minutos.

O tempo recomendado para o resfriamento não pode ser excedido


para não danificar o produto.

Colocar a almofadinha direto sobre a pele no local a ser tratado.

Deixar agir pelo tempo necessário. 10 a 15 minutos ou até que


perca sua capacidade de resfriamento.

Precaução: No caso de pessoa com baixa fertilidade, o


resfriamento da região do baixo ventre não é recomendado.

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Theresa Tullio

Conservação: Guardar a almofada em local arejado e protegido da


luz solar. Não lavar.

Validade: Depende do cereal ou grão escolhido, uso e


armazenagem corretos. A duração média dos mais usados é 1 ano
para a linhaça e 2 anos para o arroz.

150
A Botica Caseira

OUTRAS PRÁTICAS

Há muitas outras formas de manejo, preparo e aproveitamento


terapêutico de ervas. Este livro contém uma seleção.

Neste livro não abordaremos nenhuma prática que utilize


ingredientes que não sejam naturais.

Em se tratando de remédio para uso tópico-interno de OLHOS,


OUVIDOS E NARIZ, todo cuidado é pouco. Os tratamentos
otorrinolaringológicos com aplicações internas como colírios,
soluções nasais e remédios para ouvidos, mesmo naturais, não são
ensinados neste guia. No livro "Curando Em Casa - Guia Prático
de Terapêutica Complementar", que faz parte da Enciclopédia AS
ERVAS, há várias receitas para tratamentos caseiros dos males dos
olhos, ouvidos, nariz e garganta, mas restringindo-se a soluções de
uso externo.

Também não estão incluídos processos complicados ou muito


sofisticados.

Como esclarecido na abertura, neste Curso foram incluídas apenas


técnicas que utilizam produtos naturais e também selecionadas as
mais simples. Assim como existem algumas técnicas tão simples,
quase instintivas, como gargarejos e bochechos, que dispensam
lhes dedicar um capítulo e são citadas neste rol a seguir.

151
Theresa Tullio

A título de ilustração, seguem breves exposições sobre algumas


outras técnicas.

SOBRE BOCHECHOS & GARGAREJOS

Bochechos e gargarejos são usados para combater afecções da


garganta, amigdalite e mau hálito.

A técnica do gargarejo e do bochecho é uma forma fácil de se


aplicar a terapêutica sobre a mucosa que reveste bochechas,
gengivas, o fundo da boca, amígdalas e faringe.

Para o gargarejo, toma-se a infusão morna sem engolir, inclinando


a cabeça para trás, buscando suportar o líquido durante
aproximadamente um minuto e cuspindo fora o líquido da boca,
repetindo o processo durante cinco a dez minutos.

Já para o bochecho, toma-se a infusão morna sem engolir, fecha-se


a boca e procede-se inflando e comprimindo as bochechas com
cuidado, conduzindo o líquido para ambos os lados, depois
cuspindo fora o líquido.

A receita consiste em preparar uma infusão concentrada (Procure


neste livro o capítulo que ensina o preparo de infusões) e
gargarejar ou bochechar quantas vezes for necessário.

Bons exemplos de infusões são o uso da salvia para tratar mau


hálito e uso de tanchagem, malva e romã para amigdalite e
afecções na boca.

152
A Botica Caseira

SOBRE EXTRATOS

Os extratos são obtidos através da destilação das ervas para a


extração da essência. São preparações concentradas líquidas,
sólidas (extrato seco) ou de consistência intermediária.

Os extratos são geralmente obtidos por maceração ou por


lixiviação.

Na preparação por maceração, a planta triturada é misturada com


o solvente escolhido, na maior parte dos casos com etanol diluído,
e levada a repouso. A planta é depois separada do líquido por
expressão e este é concentrado até à consistência desejada.

Na preparação por lixiviação, a planta triturada é misturada com o


solvente escolhido e posta no lixiviador. O lexiviador é alimentado
com o solvente e é deixado a gotejar até o esgotamento da planta.
No final é reunido o líquido filtrado com o obtido por expressão
do conteúdo do lixiviador seguido de concentração.

Extratos moles: Os extratos moles são preparados semissólidos ou


soluções extrativas que possuem consistência semelhante ao mel,
obtidos por concentração do extrato fluido que, quando
dessecadas a 105ºC perdem entre 15 a 20% de água. São de fácil
contaminação, por isso necessitam de um conservante
antimicrobiano.

Extratos secos: São obtidos concentrando-se os extratos líquidos


até eliminação total do solvente, obtendo-se assim um pó
ligeiramente higroscópico. Esta purificação pode ser conseguida
através de vários métodos – evaporação à vácuo, liofilização,
nebulização ou atomização.

153
Theresa Tullio

SOBRE LOÇÕES

Loções são líquidos aquosos, soluções coloidais, emulsões e


suspensões, de acordo com a solubilidade da planta destinada a
aplicações sobre a pele.

Um exemplo de loção: Prepara-se o chá de ervas e adiciona-se 1/4


de álcool (3 xícaras de chá e 1 de álcool).

SOBRE MELOTES

O melote é pouquíssimo conhecido. É utilizado para substituir o


gesso em caso de necessidade de imobilização tanto de seres
humanos quanto de animais. Faixas de tecido de algodão são
embebidas em um líquido de consistência bem grossa, um melado,
bem quente. Ao atingir uma temperatura já suportável à pele, estas
faixas encharcadas são usadas para enfaixar a região/membro que
deve imobilizar-se. À medida que vai esfriando, vai endurecendo.

O processo de preparo é lento. Cascas de árvores indicadas são


cortadas e levadas ao fogo em recipiente grande - panelão, tacho
ou lata, contendo muita água e deixando ferver até reduzir à
metade. Coa-se, e a este resíduo que sobrou junta-se mais água e
após a fervura, coa-se novamente, juntam-se os 2 líquidos que
devem ser fervidos mais uma vez até adquirirem consistência
xaroposa, que encharcará, fervente, as faixas de algodão. É preciso
experiência para o preparo e a aplicação do melote.

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A Botica Caseira

Bibliografia, WebGrafia e Fontes de Consulta do livro A


Botica Caseira - Curso de Manejo e Preparo de Ervas e
da Enciclopédia AS ERVAS
(Em Ordem Alfabética)
100 Sucos Com Poderes Medicinais - Lelington Lobo Franco
1001 Remédios Naturais - Laurel Vukovic
A Cura pela Natureza - Eric Karlsson
A Cura pelas Plantas - Guacira Dias
A Cura Pelos Remédios Caseiros - Raunei Iamoni
A Flora Nacional na Medicina Doméstica - Vol II - Prof. Alfons
Balbah
A Força Curativa da Respiração - Marietta Till
A Linguagem Do Corpo I e II - Cristina Cairo
A Magia das Pedras Preciosas - Mellie Uyldert
A Magia das Velas - Gerina Dunwich
Alimentação Alternativa e Fitoterapia - SESC
Alimentação Saudável - Isabel Carter
Apostila de Plantas Medicinais - Prof. José Carlos Vianna
As Plantas Receitam - Pe. Durval dos Santos
As Sensacionais 50 Plantas Medicinais - Lelington Lobo Franco
Caderno das Nossas Plantas Medicinais - Carolina Weber Kffuri
Coleta e Preparação de Plantas Medicinais - Farm. Mara Rúbia F.
de Freitas
Cromoterapia Cores Para a Vida e Para a Saúde - Eneida Duarte
Gaspar
Cuidados Com os Alimentos - Elisabetta Recine e Patrícia
Radaelli
Cultivo de Plantas Medicinais - IBS
Cultivo Uso e Manipulação de Plantas Medicinais - Vanda Gorete
Curso de Fitoterapia Chinesa - Prof. Rogério Versolatto

155
Theresa Tullio

Dicas Caseiras de Beleza - Manuela Nunes


Diga-me Onde Dói e Eu Te Direi Porque - Michael Odoul
Enciclopédia de Cristais Pedras Preciosas e Metais - Scott
Cunningham
Ervas de A a Z e suas Propriedades
Ervas do Sítio
Ervas e Aplicações - Ervanária Rosil Portugal
Ervas e Temperos - Cynthia de Oliveira Frank
Farmácia Verde – Marcelo Rigotti
Farmácia Verde - Unisantos
Farmácia Viva - Rose Mara de Oliveira
Farmacopeia Popular do Cerrado - Jaqueline Evangelista Dias e
Lourdes Cardozo Laureano
Fitocosmética - Vera Fróes
Fitoterapia - Humaniversidade Holística
Formando Uma Farmácia Caseira - Renata Corrêa Martins, Ariana
Dantas Filgueiras e Andréa Alvarenga de Oliveira
Formas de Preparo e Uso das Plantas Medicinais - Daniela Koch
Guia Completo Como Usar Aloe Vera - Luciana Marques
Guia Prático de Saude - Soc Espanha de Medicina
Guia Prático do Cuidador de Idosos - Ministerio Saude
Homeopatia Para Plantas Animais e Solo
Limpar, Purificar, Revitalizar - Charmaine Yabsley
Livro dos Cristais e Florais Etéricos - Edgar Holus
Livro Xacriabá de Plantas Medicinais
Mais Fatos e Mitos Sobre a Sua Saude - Dr. Fernando Lucchese
Manipulação Artesanal das Plantas Medicinais - Angelo L.
Robertina
Manual das Ervas Ciclos Femininos - Mariana Almeida
Manual de Cultivo de Plantas Medicinais - Prefeitura RJ
Manual Terapeutico de Fitoterapicos - Prefeitura RJ
Medicamentos Homeopáticos de A a Z - Eduardo Egisto
Medicina Alternativa de A a Z - Carlos Nascimento Spethmann

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A Botica Caseira

Medicina Natural Sufi - Sheik Nazim Al Aqqani


Medicina Popular - Alvarina Nogueira
Medicina Popular do Centro Oeste - Bariani Ortêncio
Memento de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira
O Livro do Vinagre - Emily Thacker
O Livro Vermelho da Saúde - Renato Dias
O Milagre dos Alimentos Vivos - Dra. Kirstine Nolfi
O Poder Curativo das Plantas - Andre Resende
O Poder das Plantas - Adele G. Dawson
O Poder de Cura da Linhaça - Conceição Trucom
O Uso das Plantas Medicinais no Parque Nacional do Jaú
Pimenta e seus Benefícios à Saúde - Dr Marcio Bontempo
Plantas de Uso Medicinal ou Ritual no RJ - Mary Margaret Stalcup
Plantas Medicinais - Emater
Plantas Medicinais Aromáticas e Condimentares - Inês Fonseca
Plantas Medicinais Aromáticas e Condimentares do Conselho de
Bragança - Filomena C. Neto
Plantas Medicinais e Fitoterapia - Antônia Vitória
Plantas Medicinais Índigenas - Ana Luisa Menezes e José Fonteles
Filho
Plantas Medicinais No Brasil Nativas e Exóticas 2ª edição – Harri
Lorenzi
Plantas Medicinais Usos Populares Tradicionais - P Clemente J
Steffen
Plantas Medicinais Utilizadas na Medicina Tradicional - Danuza
Carvalho Uggioni
Plantas Que Curam - Hugo de Caravaca
Plantas Que Curam- Sylvio Parnizza
Pomar e Ervas Medicinais- National Geografic Revista
Principios Ocultos de Saude e Cura - Max Heindel
Receitas Para Ficar Doente - Dr Marcio Bontempo
Religiosidade Afroindigena E Natureza Na Amazonia- Agenor
Sarraf Pacheco

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Theresa Tullio

Remédios Caseiros Aprovados - Dr. Osmar C. Cavalcante


Remédios e Tratamentos na Medicina Ayurvédica Para Doenças
Comuns - Dr. Bhagwan Dash
Segredos de Tias e Flores - Henda
Uso Terapêutico e Religioso das Ervas - Cilma Laurinda
Yoga para Nervosos - Hermógenes

De Theresa Tullio:
Manual da Encantadora
Banhos

http://www.umpedeque.com.br/
http://www.plantasquecuram.com.br/Jonas Heitich Brasil

Gratidão à sra. Sonô Taira Oliveira por apresentar-me à Bolsa


Térmica Ecológica

Gratidão especial, sempre, a Mirella Faur, pela entrega e pela


generosidade que me inspira a compartilhar ensinamentos.

http://www.teiadethea.org/

Créditos imagens:
public-domain-photos.com
gratisography.com
freeimages.com
Emily Balivet www.emilybalivet.com Deusa Eir

Projeto Gráfico
Ativas and Criativas Agência

158
A Botica Caseira

Conheça alguns livros de Theresa Tullio

O Livro das Rezas


Manual da Benzedeira
Coletânea de rezas e benzimentos com passo a passo e orientações
para qualquer pessoa benzer e rezar a casa, o emprego, o sono,
planta, bicho, gente, casamento, dor de todo tipo, dor de dente, de
cabeça, insolação, íngua, quebranto, mau olhado, herpes, sapinho,
picada de cobra e inseto, erisipela, dores em geral (dente, perna,
corpo), cólica, íngua, verrugas, terçol, unheiro, impinge,
verminose, proteção (fechar o corpo), espinhela caída, cobreiro,
embruxamento de criança e outras necessidades.

Banhos
105 banhos para todos os fins! Seu banho: Sua cura e sua terapia!

Você já teve a sensação de que está carregando o mundo nos


ombros? Alguma vez se interrogou por que, por mais que deseje
algo, o seu sonho não se realiza? Ou sentiu que uma situação
parece “amarrada” de uma tal forma que é impossível desatar o
nó? Se a resposta é sim, pode ser que esteja precisando de uma
“ajudinha”, ou melhor, de um bom banho! O banho adequado
tem efeitos terapêuticos, ajuda a relaxar, a repor as forças depois
de um dia difícil, atrair ou afastar energias e vibrações.

159
Theresa Tullio

Manual da Encantadora
Simpatias Receitas Rituais
150 Simpatias, Receitas e Rituais e ainda, lista com descrição dos
ingredientes mais comuns utilizados em receitas de banhos, chás,
garrafadas, simpatias, encantos e magias, incluindo todos os
ingredientes do livro e conselhos para extrair o máximo das
práticas ensinadas! Concilie-se com a vibração dos encantamentos
praticados por seus ancestrais, esta energia está em você, a energia
que as antigas gerações espalharam pelo astral cada vez que
plantaram uma erva, esmagaram uma semente, esfregaram um óleo
ou unguento na pele. Nossas raízes estão impregnadas de aromas,
sons, murmúrios e proclamas. Basta chamar, convocar, e ela virá à
tona, sem alarde, silenciosamente.

ANJOS
Como Invocar Seu Poder
Neste livro você aprenderá sobre a energia de cada um dos 72
Anjos Cabalísticos e como essa energia pode ser utilizada para
injetar Luz em temas específicos de sua vida. 314 páginas que
levarão você ao Universo Angélico sem mistérios. Em uma
linguagem simples, apresentando a você a Força dos Anjos da
forma mais prática possível.

160
A Botica Caseira

Manual Mágico do Lar


174 páginas que transformarão seu lar em uma casa tão mágica
quanto as casas das dindas, dos magos, das curandeiras,
encantadoras e bruxos, casas vivas onde se trabalha a cura pelas
ervas, cristais e poções, onde se reza baixinho ao anoitecer e de
manhã já está resolvido. Fortaleza firme e protegida, protetora e
renovadora.

161
Theresa Tullio

Sobre a Autora

Theresa Tullio é Pesquisadora de Herbalismo e Herbologia e


Orientadora Holística. Especialista nas técnicas de aplicação do
Pensamento Positivo e do Segredo de Carnegie, escreve livros
sobre os temas que pesquisa, faz Mapa Astral e Estudos Pessoais
sob encomenda.

Theresa Tullio reside atualmente em Rio de Janeiro-RJ/Brasil,


cidade onde nasceu.

Contato via e-mail theresatullio@integralita.com

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A Botica Caseira

Que A Deusa Eir, A Curadora Silenciosa,


Lhe Inspire E Lhe Abençoe

“Eu louvo Eir, a curadora divina, ela é sábia e poderosa e o


bálsamo das suas mãos cura as feridas de todos. Felizes são aqueles
que ficam aos seus cuidados, pois o seu trabalho é de doação
incessante e a todos ela ensina o poder da silenciosa contemplação.
Eu honro Eir, a deusa curadora, cujo toque no nosso ser é
amoroso e leve como a mão da jardineira hábil, que entrega a
pequena semente para germinar no ventre cálido e rico da Mãe
Terra.”

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