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ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL DE ARRIAGA

ANO LETIVO 2020/2021


TESTE DE AVALIAÇÃO DE PORTUGUÊS - 11.º ANO - VERSÃO 1

Nome: ___________________________________ N.º____ Turma ___Data: ____________

Professora: ______________________ Encarregado de Educação: _________________

ENUNCIADO

GRUPO I – EDUCAÇÃO LITERÁRIA

Lê o texto a seguir transcrito. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

TEXTO A
Ato III - Cena XI
O Prior de Benfica, o Arcebispo, Manuel de Sousa, Madalena, etc., Maria, que entra
precipitadamente pela igreja em estado de completa alienação; traz umas roupas brancas,
desalinhadas e caídas, os cabelos soltos, o rosto macerado, mas inflamado com as rosetas
héticas1; os olhos desvairados; para um momento, reconhece os pais e vai direita a eles. Espanto
geral; a cerimónia interrompe-se.
5 Maria — Meu pai, meu pai, minha mãe, levantai-vos, vinde! (Toma-os pelas mãos; eles
obedecem maquinalmente, vêm ao meio da cena: confusão geral).
Madalena — Maria! minha filha!
Manuel — Filha, filha…. Oh, minha filha… (Abraçam-se ambos nela).
Maria (separando-se com eles da outra gente e trazendo-os para a boca de cena) — Esperai:
10 aqui não morre ninguém sem mim. Que quereis fazer? Que cerimónias são estas? Que Deus é
esse que está nesse altar, e quer roubar o pai e a mãe a sua filha? (Para os circunstantes). Vós
quem sois, espetros fatais?… quereis-mos tirar dos meus braços?… Esta é a minha mãe, este é
o meu pai… que me importa a mim com o outro? que morresse ou não, que esteja com os
mortos ou com os vivos, que se fique na cova ou que ressuscite agora para me matar?… Mate-
15 me, mate-me, se quer, mas deixe-me este pai, esta mãe, que são meus. Não há mais do que vir
ao meio de uma família e dizer: “Vós não sois marido e mulher… e esta filha do vosso amor, esta
filha criada ao colo de tantas meiguices, de tanta ternura, esta filha é…” Mãe, mãe, eu bem o
sabia… nunca to disse, mas sabia-o; tinha-mo dito aquele anjo terrível que me aparecia todas as
noites para me não deixar dormir… aquele anjo que descia com uma espada de chamas na mão,
20 e a atravessava entre mim e ti, que me arrancava dos teus braços quando eu adormecia neles…
que me fazia chorar quando meu pai ia beijar-me no teu colo. Mãe, mãe, tu não hás de morrer
sem mim… Pai, dá cá um pano da tua mortalha… dá cá, eu quero morrer antes que ele venha:
(encolhendo-se no hábito do pai). Quero-me esconder aqui, antes que venha esse homem do
outro mundo dizer-me na minha cara e na tua — aqui diante de toda esta gente: “Essa filha é filha
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do crime e do pecado!…” Não sou; dize, meu pai, não sou… dize a essa gente toda, dize que não
sou… (Vai para Madalena). Pobre mãe! tu não podes… coitada!… não tens ânimo… Nunca
mentiste?… Pois mente agora para salvar a honra de tua filha, para que lhe não tirem o nome de
seu pai.
Madalena — Misericórdia, meu Deus!
30 Maria — Não queres? Tu também não, pai? Não querem. E eu hei de morrer assim… e ele vem
aí…
1. héticas: com a cor dos doentes febris que sofrem de tuberculose.

GARRETT, Almeida (2015). Frei Luís de Sousa. Porto: Porto Editora [pp. 135-137]

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Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Identifica três traços do perfil psicológico de Maria, tendo em conta o seu discurso e os
seus atos.

2. Identifica o(s) recurso(s) expressivo(s) e explica em que consiste a sua expressividade


literária, tendo em consideração o sentido geral do excerto.

“Vós quem sois, espetros fatais?… quereis-mos tirar dos meus braços?… Esta é a minha mãe,
este é o meu pai… que me importa a mim com o outro?" (ll. 12-13)

3. Explicita o simbolismo do local que serve de cenário à ação representada.

TEXTO B
Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

4. Considera a carta transcrita.

“É necessário arrancar-te daí – dizia a carta de Simão. – Esse convento há de ter uma
evasiva. Procura-a, e diz-me a noite e a hora em que devo esperar-te. Se não puderes fugir,
essas portas hão de abrir-se diante da minha cólera. Se daí te mandarem para outro
convento mais longe, avisa-me, que eu irei, sozinho ou acompanhado, roubar-te ao
caminho. É indispensável que te refaças de ânimo para te não assustarem os arrojos da
minha paixão. És minha! Não sei de que me serve a vida, se a não sacrificar a salvar-te.
Creio em ti, Teresa, creio. Ser-me-ás fiel na vida e na morte. Não sofras com paciência; luta
com heroísmo. A submissão é uma ignomínia, quando o poder paternal é uma afronta.
Escreve-me a toda a hora que possas. Eu estou quase bom. Diz-me uma palavra, chama-
me e eu sentirei que a perda do sangue não diminui as forças do coração.”
CASTELO BRANCO, Camilo, Op. cit., Capítulo VIII [pp. 90-91]

4.1 Com base no excerto e na tua experiência de leitura da obra Amor de Perdição, de Camilo
Castelo Branco. aponta características de Simão que o permitam classificar como um herói
romântico.

4.2 O recurso expressivo que está patente no segmento textual “(…) Ser-me-ás fiel na vida e na
morte (…)” é:

a. antítese.
b. eufemismo.
c. personificação.
d. sinédoque.

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GRUPO II – LEITURA
Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

Um país sem Latim

28 de agosto, 2012

por Inês Pedrosa


Dentro de poucos anos, ninguém saberá ler os clássicos greco-latinos no original. As
edições portuguesas desaparecerão e esses autores serão varridos para o esquecimento.
Que mal advirá daí ao mundo? – perguntarão, impacientes, os deslumbrados pelo progresso
5 tecnológico.

O amor pelos textos do passado e pelas línguas mortas não é apenas um lirismo. Poesis
significa fazer. O pensamento que modelou os textos de referência da nossa civilização faz
falta à reflexão sobre o futuro. A desistência do ato de pensar é a causa central da crise que
10 atravessamos – que é cultural antes de ser económica, porque a economia representa o
território material e imediato de uma determinada cultura. A aceleração da existência
potenciada pelas novas tecnologias e pelos equívocos da globalização (ficção virtual sem
adequação ao real) levou-nos a agir antes de pensar, ou a agir pensando apenas nos efeitos
imediatos da ação. As estratégias são hoje como os powerpoints: uma sequência de ecrãs
com vacuidades1 projetadas para impressionar em cinco minutos, sem considerar o que
15
excede o horizonte visível. Vivemos desfasados do tempo humano: anulam-se as rugas,
costuram-se os corpos e deita-se fora a alma, feita de lentidão, que sente e pensa e
envelhece, mas sobrevive, nos corpos futuros que beneficiam dos seus sonhos e
descobertas. A economia desfez-se por falta de filosofia. “Nada há tão prático como uma boa
teoria”, lembrava o psicólogo alemão Kurt Lewin, que já ninguém sabe quem foi.
20
A democratização não pode redundar no esmagamento dos saberes minoritários, sob
pena de se torpedear a si mesma. O anúncio de que o Latim está em vias de extinção no
ensino secundário português é grave. O Liceu Camões aguarda autorização para manter este
ano a turma de Latim – já única em Lisboa – com 10 alunos; 20 é o número de estudantes
25
mínimo decidido pelo Ministro da Educação para manter uma disciplina. Compreende-se que
a manutenção destas disciplinas pouco úteis de um ponto de vista económico chinês (o da
produção sem regras e do lucro instantâneo) seja financeiramente difícil.
Mas a genuflexão2 absoluta diante do Dinheiro tem conduzido o mundo à miséria e ao
desespero. Os jovens portugueses que quiserem ler Horácio ou Séneca terão, muito em
30 breve, de ir para o Brasil, o que não deixa de ser irónico. Se as Cartas a Lucílio de Séneca
fossem texto obrigatório no ensino secundário, a educação cívica e política dos portugueses
seria de outro nível, e a recessão não teria atingido este ponto. […]
Também a Filosofia e a Literatura parecem destinadas à morte. O cânone de 50 livros
imprescindíveis estabelecido pelo Expresso na passada semana é eloquente: Camões é
dispensável, o Livro do Desassossego de Pessoa também. Séneca não existe, como não
30
existe o Padre António Vieira (densamente editado e estudado no Brasil). Portugal nunca
apreciou o ensaio, risco de pensar sem rede nem limites. Os resultados estão à vista.
1. vacuidades: inutilidades. 2. genuflexão: ato de dobrar o joelho ou de ajoelhar.

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Sol [em linha, consult. 17-11-2015]

1. Para responderes a cada um dos itens de 1.1. a 1.7., seleciona a opção correta.
Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção
escolhida.
1.1. No primeiro parágrafo são colocados em confronto dois pontos de vista:
a. a leitura em livros impressos e a leitura em livros digitais.
b. o progresso tecnológico e as tradições ancestrais.
c. o conhecimento das línguas clássicas e a realidade atual.
d. os valores greco-latinos e os valores da sociedade contemporânea.

1.2. No segundo parágrafo, a autora critica


a. a adesão à língua e à literatura greco-latina.
b. a capacidade de refletir sobre o futuro.
c. o imediatismo associado às novas tecnologias.
d. a crise económica nacional e internacional.
1.3. A autora estabelece uma comparação entre as estratégias e os powerpoints,
com a intenção de
a. criticar os powerpoints.
b. elogiar os powerpoints.
c. criticar a alienação provocada pelo progresso tecnológico.
d. elogiar o progresso tecnológico.
1.4. A expressão “costuram-se os corpos e deita-se fora a alma” (l. 16) é marcada
estilisticamente
a. pela metáfora e pela antítese.
b. pela hipérbole e pela enumeração.
c. pela gradação e pelo eufemismo.
d. pela ironia e pela personificação.
1.5. Nos três últimos parágrafos, Inês Pedrosa argumenta que
a. a aprendizagem de línguas clássicas tem repercussões ao nível social e económico.
b. o estudo das obras de Horácio e de Séneca não permite um conhecimento abrangente
da sociedade atual.
c. Séneca, Pessoa, Camões e Vieira são autores bastante conhecidos e apreciados pela
sociedade portuguesa.
d. o ensaio é um género textual que tem a desvantagem de promover o pensamento “sem
rede nem limites”.
GRUPO III – GRAMÁTICA

1. Para responderes a cada um dos itens de 1. a 2., seleciona a opção correta. Escreve,
na folha de resposta, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. O mecanismo de coesão presente na expressão sublinhada (…) Dentro de poucos


anos, ninguém saberá ler os clássicos greco-latinos no original (…). (l.1) é um mecanismo
de:

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a. coesão lexical.
b. coesão temporal.
c. coesão referencial.
d. coesão espacial.
1.2. O mecanismo de coesão referencial presente no termo sublinhado “(…) Vivemos
desfasados do tempo humano (…)” (l.14) é uma:
a. anáfora.
b. catáfora.
c. correferência anafórica.
d. elipse.

1.3 A oração sublinhada (…) Os jovens portugueses que quiserem ler Horácio ou Séneca
terão, muito em breve, de ir para o Brasil (…) (ll.27-28) classifica-se como uma oração:
a. oração subordinada adverbial causal.
b. oração subordinada adverbial final.
c. oração subordinada substantiva completiva.
d. oração subordinada adjetiva relativa restritiva.

2. Responda aos itens apresentados sobre o texto do Grupo II. Relê as frases que se
seguem e classifica o tipo de oração em causa.
2.1. “(…) lembrava o psicólogo alemão Kurt Lewin, que já ninguém sabe quem foi. (..)”
(ll.17-18).
2.2 “(…) O Liceu Camões aguarda autorização para manter este ano a turma de Latim (…)
(linhas 21-22).
GRUPO IV – ESCRITA

Seleciona uma das opções, assinalando-a, na folha de teste.

Partindo da imagem, redige um texto de


apreciação crítica, entre 200 a 300 palavras,
respeitando as marcas específicas deste género.

O teu texto deve incluir:

Uma descrição da imagem apresentada,


destacando elementos significativos da sua
composição;

Um comentário crítico, fundamentando


devidamente a sua apreciação e utilizando um
discurso valorativo;

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Uma conclusão adequada aos pontos de vista desenvolvidos.

Redige um texto de opinião sobre o tema patente na imagem, entre 200 a 300 palavras,
respeitando as marcas específicas deste género.

Deve incluir uma parte introdutória, uma de desenvolvimento e uma conclusão.

Observações:

1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo
quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra,
independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2015/).

1. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – um mínimo de duzentas e um máximo de


trezentas palavras –, há que atender ao seguinte:
• um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido;
• um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

Cotações:

Grupo I 1.– 40 2. – 40 3. – 40 4.1 – 40 5.1 – 40

Grupo II 1.1.– 40 1.2. – 40 1.3 – 40 1.4. – 40 1.5. – 40

Grupo III 1.1.– 40 1.2. – 40 1.3 – 40 2.1 – 40 2.2 – 40

Grupo IV 200

Bom trabalho! A Professora: Ester Pinto Pereira

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