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EBOOK 

GUIA PASSO A PASSO PARA


IMPLANTAR O CUIDADO
FARMACÊUTICO NA
FARMÁCIA COMUNITÁRIA
ÍNDICE
3 INTRODUÇÃO

5 RECURSOS NECESSÁRIOS

7 FORMAÇÃO DA EQUIPE  CLÍNICA

9 RECURSOS DIDÁTICOS E DE ESCRITÓRIO

10 DIVULGAÇÃO DO SERVIÇO

12 CONCLUSÃO
INTRODUÇÃO
O cuidado farmacêutico é uma prática profissional na qual o
farmacêutico tem o paciente como foco de seu atendimento.
Nesse contexto, o profissional analisa a farmacoterapia do
paciente, a experiência subjetiva em relação ao uso dos
medicamentos, bem como as nuances biopsicossociais.

Essa atividade tem sido apontada como o retorno do


farmacêutico às atividades clínicas, ao mesmo tempo
em que a sociedade carece de profissionais de saúde
que se responsabilizam pelas necessidades
farmacoterapêuticas do indivíduo.

A importância dessa ferramenta nos dias de hoje se deve ao fato


de melhorar a adesão do paciente ao tratamento medicamentoso,
facilitar a intervenção das condutas terapêuticas e prevenir a
ocorrência de problemas relacionados à farmacoterapia.

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Sua implantação nos estabelecimentos farmacêuticos é uma tendência
crescente, em especial nas farmácias comunitárias. Nesses ambientes é
possível contar com os serviços de dispensação, aplicação parenteral de
medicamentos injetáveis e, mais recente, o acompanhamento
farmacoterapêutico.

Para que esse projeto tenha os resultados


esperados, é preciso planejar cuidadosamente cada
etapa, analisar a aceitação da população, e investir
em recursos necessários a esse serviço.

Por isso, se você deseja implantar o cuidado farmacêutico na


farmácia comunitária, leia esse e-book que explicará o passo a
passo para um processo eficaz. Boa leitura!

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RECURSOS
NECESSÁRIOS
O cuidado farmacêutico deve ser entendido como parte da filosofia
profissional da atenção farmacêutica, e sua atuação se dará por meio da
avaliação clínica e medicamentosa do paciente ao longo dos encontros
sucessivos.

O farmacêutico terá como atribuição analisar a prescrição médica sob a


ótica farmacológica, correlacionando com os guias terapêuticos e a
evolução do tratamento do paciente.

Além disso, no atendimento, o farmacêutico analisa as características


intrínsecas do paciente, tais como a doença apresentada, os fatores
clínicos, e as possíveis complicações em longo prazo. Da mesma forma, é
crucial analisar o ambiente em que ele vive e os fatores comportamentais
que influenciam fortemente no sucesso da terapia medicamentosa.

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Fatores socioeconômicos, condições higiênico-sanitárias, perfil
epidemiológico da região e o nível de conhecimento do paciente sobre o
assunto são indicadores que poucos profissionais consideram na escolha
da melhor terapia para o paciente.

Para tanto, é importante investir em requisitos que garantam a boa


aceitação do serviço e possibilitem o retorno financeiro para o profissional,
seja na forma de cobrança por consultas farmacêuticas ou nos serviços
associados.

Nesse sentido, é preciso pensar em fatores que envolvam a capacitação do


farmacêutico e de investimento em uma área física para realização das
consultas terapêuticas. Vamos detalhar tudo isso nos tópicos abaixo.

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FORMAÇÃO DA EQUIPE
CLÍNICA
A equipe clínica necessária para a implantação do cuidado farmacêutico envolve
necessariamente o farmacêutico e os demais profissionais de saúde que participarão do
processo.

Para esse propósito, é fundamental que o farmacêutico desenvolva habilidades clínicas,


gerenciais e pessoais para atuar tanto no manejo com o paciente quanto para
estabelecer parcerias com outros profissionais.

As habilidades clínicas correspondem aos conhecimentos específicos sobre o manejo do


paciente. Nesse aspecto, o farmacêutico precisa atualizar seus saberes em protocolos
clínicos e diretrizes terapêuticas, fazer assinaturas de revistas científicas, além dos
requisitos necessários para compreender o seguimento farmacoterapêutico.

No Brasil, as duas metodologias mais comumente utilizadas para acompanhamento


farmacoterapêutico são o método Dader e o método PW. O primeiro foi desenvolvido na
Espanha por Faus Dader e seus colaboradores, que elaboraram etapas para o
seguimento farmacoterapêutico. Essa ferramenta apresenta como vantagem a
possibilidade de adaptar os formulários de acompanhamento à realidade brasileira e
classificar os problemas relacionados ao uso de medicamentos (PRM) conforme os
consensos publicados periodicamente.

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O método PW (Pharmacotherapy Workup), por As habilidades pessoais devem ser desenvolvidas na
sua vez, foi idealizado e desenvolvido na forma de lidar com os pacientes, funcionários e
Universidade de Minnesota, por Linda Strand e profissionais de saúde. É fundamental considerar o
seus pesquisadores. Esse método não dispõe de nível de conhecimento de cada um deles, a
formulários específicos, mas os pesquisadores linguagem não verbal (gestos, manias etc) e adequar
brasileiros que o utilizam caracterizam esse às formas de comunicação. Para alguns pacientes é
processo como o mais completo no sentido de importante fazer alusões ou comparações menos
analisar holisticamente o paciente. complexas para facilitar o entendimento de uma
doença, enquanto para outros é importante elaborar
quadro de horários ou explicar todo o processo aos
Porém, nada disso será efetivo se o farmacêutico
cuidadores.
não desenvolver as habilidades gerenciais e
pessoais, concomitantemente. As habilidades
Especial atenção deve ser dada aos pacientes
gerenciais se relacionam à capacidade de gerir
idosos, devido à diminuição da capacidade cognitiva,
adequadamente um estabelecimento de saúde.
e aos fatores emocionais subjacentes, como, por
exemplo, viuvez, abandono da família e perda
Nesse contexto, espera-se que o farmacêutico auditiva.
saiba organizar as rotinas da farmácia, mantenha
um estoque de produtos coerente com o Posteriormente, o farmacêutico deve analisar quais
consumo, entenda das boas práticas de serão os colaboradores de sua equipe, tais como os
armazenamento, além de realizar as compras balconistas, que serão treinados para captar os
conforme os recursos financeiros disponíveis. pacientes, e os profissionais de saúde que serão
acionados quando necessário, para mudanças da
Ademais, é preciso considerar as estratégias de terapia medicamentosa ou situações que requeiram
negócio, as metas de atendimento e a um acompanhamento mais aprofundado.
produtividade dos serviços para garantir a
sustentabilidade financeira do estabelecimento. 8
RECURSOS DIDÁTICOS E DE
ESCRITÓRIO
Para se implantar os cuidados farmacêuticos, é preciso atentar para os fatores
administrativos, como a aquisição de recursos didáticos e materiais de escritório.
Portanto, os farmacêuticos devem ter em mãos livros de farmacologia, além
de ter acesso a banco de dados sobre interações medicamentosas e condutas
clínicas. Também é preciso se atualizar quanto às principais publicações
científicas a respeito da abordagem ao paciente.

Além disso, é fundamental estabelecer um local para as consultas


farmacêuticas, idealmente, uma sala reservada, com os equipamentos exclusivos
para este fim. Computador com acesso à internet, mesas e cadeiras confortáveis
e, caso não seja possível um local somente para esse serviço, deve-se pensar em
revezar os horários nas salas de aplicação de injetáveis.

Antes de formalizar os serviços, é crucial imprimir e personalizar os documentos


que serão utilizados nas consultas. O formulário da primeira consulta e das
consultas de retorno devem ser impressos para controle da pressão arterial e
glicemia, e guias para classificação dos PRMs.

Como já foi estabelecido pelo Conselho Federal de Farmácia, é possível elaborar um


modelo de prescrição farmacêutica constando a logomarca da farmácia comunitária,
endereço e formas de contato.

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DIVULGAÇÃO DO
SERVIÇO
Assim que estiver tudo pronto para a execução dos serviços de cuidado farmacêutico, é
hora de captar os pacientes. As principais formas de captação envolvem a busca ativa ou
passiva.

A busca ativa vai acontecer quando o paciente for adquirir, por exemplo, um medicamento
para doenças crônicas na farmácia comunitária. O farmacêutico, ao tomar conhecimento
de tal situação, poderá abordar esse paciente, convidá-lo a participar do
acompanhamento, explicar seus propósitos e a forma como se dará o processo dentro
desse estabelecimento.

Outra forma de busca ativa é quando o farmacêutico dispensa o medicamento para o


paciente, faz o cadastro simples na farmácia e acompanha o consumo desses
produtos. Dessa forma, o profissional poderá entrar em contato telefônico com o paciente
quando o estoque do medicamento adquirido estiver próximo do fim.

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A divulgação passiva do serviço de cuidado farmacêutico, por sua vez, se dá por meio de
elaboração de folhetos informativos, visitação médica e disseminação entre os pacientes.

Os folhetos devem apresentar linguagem clara e objetiva, constando os propósitos dos


serviços, as formas de abordagem e as vantagens clínicas, econômicas e humanísticas para o
paciente.

A visitação médica deve acontecer principalmente com os profissionais que tratam dos
doentes crônicos, mostrando os benefícios da interação multidisciplinar e as contribuições
efetivas do farmacêutico.

Outra forma de divulgação passiva é o cadastro do farmacêutico no aplicativo e-Santé


(www.e-sante.com.br). Com esse recurso, o profissional se disponibiliza para atender a
chamadas a domicílio. Ao realizar o atendimento na casa do paciente, o farmacêutico, além de
expandir sua área de atuação, tem a chance de falar sobre a forma como realiza o cuidado
farmacêutico em sua farmácia, podendo, assim, fidelizá-lo. O aplicativo funciona com um
sistema semelhante ao do Uber: o farmacêutico baixa o aplicativo e faz seu cadastro. O
usuário, por sua vez, deverá baixar o app, informar seus dados cadastrais, e poderá solicitar
uma consulta farmacêutica domiciliar, ou marcar um horário na farmácia mais próxima. 

Por fim, a melhor forma de captação de pacientes se dá quando um indivíduo relata um ótimo
atendimento realizado pelo farmacêutico. Um paciente com boas percepções desse serviço
disseminará essa informação e terá maior credibilidade, dada a falta de interesse subjacente.

É importante ressaltar que entre a divulgação do serviço de cuidado farmacêutico e seu


funcionamento pleno, existirão percalços e problemas ao longo do tempo, como toda
atividade em expansão.

Todavia, nos estabelecimentos onde esse serviço está ativo, os benefícios são nítidos e
diminuem drasticamente a utilização irracional de medicamentos, garantindo, assim, uma
melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
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CONCLUSÃO
A implantação do cuidado farmacêutico em farmácias comunitárias é uma prática que
vem ganhando adeptos a cada dia, favorecendo, de um lado, o paciente que carece de
informações sobre medicamentos e, de outro, o farmacêutico que busca seu lugar
enquanto profissional clínico.

As farmácias comunitárias são estabelecimentos adequados para a implantação dessa


ferramenta, pois os pacientes chegam de forma voluntária e podem ser abordados
nesse momento.

Todavia, os farmacêuticos precisam planejar antecipadamente o local para


atendimento de pacientes e analisar os recursos didáticos e administrativos que
precisam adquirir.

Além disso, devem fazer a divulgação do serviço para captar um maior número de
pacientes e alcançar também os profissionais de saúde, de forma direta e indireta, no
sentido de colaborarem com essa atividade.

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O percurso é longo e com alguns obstáculos,
porém os benefícios podem ser mensurados
na otimização da adesão medicamentosa,
resolução e prevenção de problemas
relacionados aos medicamentos, e melhora
da qualidade de vida dos pacientes.

Além disso, um bom atendimento


farmacêutico se reflete em fidelização do
paciente e disseminação positiva do serviço
para outro paciente, o que, posteriormente,
pode vir a ser um ponto importante a favor da
possibilidade de cobrança das consultas.

e-Santé - Aplicativo para Farmacêuticos


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www.e-sante.com.br

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