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Cognição Social

Psicologia Social
Felipe A L Tonial

Reflexão extraída do livro “Psicologia Social”,


de Rodrigues, Assmar e Jablonski
Psicologia Cognitiva X Cognição Social

Psicologia Cognitiva: estuda a cognição, ou seja, os processos mentais


que estão por detrás do comportamento.
Cognição é o conjunto de processos mentais atuante na aquisição do conhecimento e
se dá através de alguns processos, como a percepção, a atenção, a memória, o
raciocínio, o juízo, a imaginação, o pensamento e a linguagem.

Cognição Social: é o estudo de como as pessoas compreendem a


realidade social a partir dos processos mentais e considerando as
informações sociais fornecidas pelo meio.
“Ao entrarmos e contato com o ambiente social que nos rodeia, percebemos
outras pessoas, (re)conhecemos membros de diferentes grupos e interagimos
com estas pessoas e grupos. Nosso processo de socialização constitui um
incessante intercâmbio com os mais diferentes estímulos sociais (pessoas, classes,
grupos étnicos, família, escolas, instituições e etc) e, nesse intenso intercâmbio,
coletamos e processamos informações, e chegamos a julgamentos. Cognição
social diz respeito a esse processo cognitivo por meio do qual somos
influenciados por 1) esquemas sociais, 2) heurísticas e 3) automatismos, tanto
para nos conhecer quanto para conhecer os outros e dar sentido a realidade
social”
Esquemas Sociais

Esquemas: “estruturas mentais que giram em torno de um tema específico


e que nos ajudam a organizar informações concernentes ao ambiente
social”.

Esquemas sociais: “estruturas mentais que nos possibilitam reunir em torno


de certos temas aspectos da realidade social que, uma vez estabelecidos,
influenciarão a maneira pela qual reagimos estímulos sociais”.
Exemplos:
- Esquemas a respeito das pessoas: engenheiros, artistas, políticos, etc.
- Esquemas sobre nós mesmos: tímidos, esportistas, amorosos, etc
- Sobre comportamentos em determinados lugares: na escola, na igreja, em festas, etc.
- Sobre determinado grupo: negros, asiáticos, homens, mulheres, etc

Usamos estes esquemas para viver em sociedade.


Consequência dos esquemas mentais...

Os esquemas nos ajudam a viver em sociedade, caso contrário, sempre


estaríamos tendo que aprender tudo de novo – o que nos demandaria um
gasto de energia imenso por situação.

A bem dizer, os esquemas facilitam nossas vidas.

Nos permitem também preencher lacunas quando não estamos


familiarizados com algo..

Exemplo: viajar para fora do país (cardápio)


Esquemas mentais e atenção

Os esquemas mentais exercem influencia na nossa atenção: tendemos a


reter na memória e dar mais atenção aqueles esquemas que se adaptam
melhor aos esquemas que já temos.

Aquilo que difere do esquema, tem a tendência de ser desprezado.

Contudo, informações muito contrárias ao esquema também tendem a


serem armazenadas na memória.
Esquemas sociais e comportamento

Os esquemas, evidentemente, influenciam no nosso comportamento, como no caso das


profecias autorrealizadoras.

Profecia autorrealizadora é uma forma de manutenção dos esquemas mentais.

Consiste na exibição de um padrão de comportamento que, guiado por esquemas, faz com
que a pessoa alvo deste comportamento seja influenciada por ele e responda de forma
coerente as expectativas.

Exemplo: um professor formar um esquema sobre um aluno (p. ex., é desatento) e a partir
disso se relacionar com esse aluno sempre a partir disso, ou o contrário.

Tende a impedir que vejamos a diferença nos comportamentos se somos guiados pelas pelos
esquemas. Ou seja, quando o aluno não for desatendo, podemos não perceber.
Heurística

Além da construção de esquemas sociais, para tentar entender o


contexto social lançamos mão de atalhos. Ou seja, métodos rápidos para
chegar a conclusões.

Esses “métodos” são chamados de heurística, mas nem sempre levam à


conclusões corretas.

Heurística é como uma “chave-interpretativa”. Tem valor explicativo.


Heurística da Representatividade

Consiste em levar em conta a semelhança entre dois objetos para inferir


que um tem as características daquele com o qual se parece.

Exemplo: “mas ele é muito ordeiro, meticuloso, atento aos detalhes”

Essa pessoa é modelo, fazendeiro ou contador?


Heurística da Representatividade

Consiste em levar em conta a semelhança entre dois objetos para inferir


que um tem as características daquele com o qual se parece.

Exemplo: “mas ele é muito ordeiro, meticuloso, atento aos detalhes”

Essa pessoa é um modelo, um fazendeiro ou um contador?

Partimos do estereótipo de contador e aplicamos a heurística da


representatividade para resolver esta questão.

É evidente que pode induzir a erros.


Heurística da Acessibilidade

Consiste em fazermos julgamentos da probabilidade de ocorrência de um


evento com base na facilidade com que o vento vem à mente, o que
depende da maior ou menor acessibilidade de informação sobre o
assunto.
Ou seja, julgar com base na probabilidade.

Exemplo:

Aquela pessoa da aula de psicologia social quis jogar a cadeira da


sala pela janela.

Essa pessoa é do sexo masculino ou feminino?


Heurística da Acessibilidade

Consiste em fazermos julgamentos da probabilidade de ocorrência de um evento


com base na facilidade com que o vento vem à mente, o que depende da maior
ou menor acessibilidade de informação sobre o assunto.
Ou seja, julgar com base na probabilidade.

Exemplo:

Aquela pessoa da aula de psicologia social quis jogar a cadeira da sala pela
janela.

Essa pessoa é do sexo masculino ou feminino?


A probabilidade maior é que seja do sexo feminino, porque 95% das pessoas
das salas de psicologia são mulheres. Então, julgamos que seja uma mulher..
Heurística do ponto de referência

Usarmos a nós mesmo como ponto de referência para entender uma


situação social.

Exemplo: Se somos extremistas na política, podemos julgar uma pessoa de


centro como nosso oposto.
Heurística do Falso Consenso

Tendemos a achar que nossa posição é partilhada por um grande número


de pessoas. Isso nos leva a aceitar, sem crítica, a veracidade de nossos
pontos de vista.

“Todo mundo acha isso”.

Retomando:
Heurísticas: atalhos para chegarmos a conclusões sociais que podem
induzir ao erro.
Pensamento automático

“Refere-se a ideia de que, por vezes, agimos por um controle de processos


psicológicos internos desencadeado por estímulos externos”.

Parte do nosso comportamento é guiado por pensamento automático,


não consciente, no qual representações mentais são desencadeadas por
fatores ambientais”.
Exemplo: aprender a dirigir. Primeiro olhamos para os mínimos
detalhes, depois já fazemos no automático.

O pensamento social pode ser sistemático, lógico e requer esforço e


concentração, mas, como nesse caso, também pode ser rápido,
independente de esforço.
Percepção Social
Psicologia Social
Felipe A L Tonial
Percepção e Percepção Social

Percepção: perceber é ter consciência de um objeto que se faz presente


através de sensações (a partir dos sentidos).

Contudo, o processo de percepção não acontece como se as pessoas


fossem passivas. Ou seja, não é uma simples entrada do estímulo na
consciência. Há um papel ativo dos indivíduos na construção das
percepções.

Percepção social: já a percepção, em Psicologia Social, é


especificamente o estudo das maneiras pelas quais formamos impressões
sobre as outras pessoas e fazemos inferências sobre elas.
Como percebemos os outros

Podemos dizer que existem algumas fontes de informação que utilizamos


para formar impressões de outras pessoas

a. Aparência Física
b. Comportamento não verbal
c. Categorização
Aparência Física

A aparência física, atravessada evidentemente por processos de subjetivação


em um contexto, fornecem alguma informação acerca de uma pessoa.

Mas porque “via processos de subjetivação em um contexto”?

Exemplo: beleza, roupa, etc


Olhar para uma pessoa e achá-la bonita ou não é uma atribuição de sentido
atravessada por um contexto cultural.

Por tanto, a mera “aparência” está vinculada a um processo de naturalização


social – o que inclusive varia ao longo da história.
A beleza, por exemplo, varia.

Porque isso é importante?


Tendemos a agir de formas diferentes com pessoas.
Comportamento não-verbal

Para além da fala, outros tipos de comportamentos também influenciam


a forma como percebemos as pessoas.

Por exemplo: gestos, posturas, olhares, posição corporal, etc.

A expressão/comportamento não-verbal é uma


peça-chave na nossa adaptação no mundo,
pois nos permite ter mais elementos para
perceber as outras pessoas, como por exemplo
compreender as emoções que expressam.
Categorização

Categorização é processo de atribuir a uma pessoa as características do


grupo a que pertence.

Por exemplo: faixa etária, tipo de profissão, etc

Essas categorias também influenciam a ideia que temos das outras


pessoas, mesmo que as vezes (ou muitas vezes) possam ser atribuídas de
forma errônea as características.

É a partir do processo de categorização, que construímos os estereótipos.


Atitude e valores
Psicologia Social
Felipe A L Tonial
Atitude

“Atitudes são sentimentos pró ou contra pessoas ou objetos com que


entramos em contato, que se formam ao longo do nosso processo de
socialização”.

As atitudes são formadas de 3 componentes:


a) Um componente cognitivo;
b) Um componente afetivo
c) Um componente comportamental
Componente cognitivo

Para que se tenha uma atitude em relação à um objeto é necessário que


se tenha alguma representação cognitiva (uma ideia) deste objeto.

Componente afetivo

O componente afetivo é um sentimento pró ou contra um objeto social.

Componente comportamental

Componente ativo das atitudes. É o que se faz. É o comportamento frente


ao objeto, e está em consonância com o componente cognitivo (a ideia
que se tem do objeto) e o componente afetivo (o que se sente em
relação ao objeto)
Formação das Atitudes
As atitudes são aprendidas.

Exemplo
“Uma criança que reforçada por mostrar-se favorável a um objeto e
punida quando indica sentimento desfavorável a outro, tenderá a
desenvolver uma atitude favorável ao primeiro e desfavorável ao
segundo.”

Preconceito racial, por exemplo é uma atitude negativa em relação a um


grupo social que é formada por reforço e punição.

Modelagem: outra forma de aprendizado de atitudes.


Definição: modelagem é adotar as atitudes das pessoas que são
significativas para nós. (Albert Bandura, psicólogo)
Atitudes e Valores

Valores são categorias gerais dotadas também de componentes


cognitivos, afetivos e predisponentes de comportamentos, diferindo das
atitudes por sua generalidade. Uns poucos valores podem incluir muitas
atitudes.

Exemplo
Os valores da religião, por exemplo, contingenciam atitudes em
direção a Deus, à Igreja, a recomendações específicas (alimentos, por
exemplo), em relação às outras pessoas e assim por diante.
A função das Atitudes

Atitudes nos ajudam a lidar com o ambiente social

Funções:
a. permitir-nos a obtenção de recompensas e a evitação de castigos;
b. proteger nossa autoestima e evitar ansiedade e conflitos;
c. ajudar-nos a ordenar e assimilar informações complexas;
d. subsidiar nossas convicções e valores
e. estabelecer nossa identidade social.

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