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Educação Unisinos

13(3):255-263, setembro/dezembro 2009


© 2009 by Unisinos - doi: 10.4013/edu.2009.133.08

Os limites da democracia: quando a política


(des)educa e a educação (des)politiza

The limits of democracy: When politics (des)educates


and education (des)politicizes

Marcello Baquero
nupesal@yahoo.com.br
Rute Vivian Ângelo Baquero
rbaquero@unisinos.br

Resumo: O papel do cidadão na arena política da América Latina é um dos temas que
mais atenção tem recebido nos últimos anos. No entanto, o resultado dessas reflexões tem
sido inversamente proporcional à real eficácia política das pessoas. Neste contexto, este
artigo tem por objetivo examinar os dilemas da democracia contemporânea na América
Latina, a partir de uma reflexão de natureza interdisciplinar que problematiza as relações
entre educação e política e o papel que as mesmas assumem na equação da construção
democrática nesta Região. A reflexão se apóia em autores da área da cultura política e
da vertente crítica em educação. O artigo destaca a assimetria entre a democracia formal
procedimental e a democracia na sua dimensão social e propõe o conceito de democracia
inercial como uma alternativa para a compreensão do paradoxo democrático desta Região.
Neste contexto, sinaliza para a importância de uma educação emancipatória como instrumento
de fortalecimento democrático.

Palavras-chave: democracia, educação, cidadania, América Latina.

Abstract: The role of the citizen in the political arena in Latin America is one of the topics
that more attention has received in the last years. However, the results of these analyses
have been inversely proportional to the real political efficacy of the citizens. Under those
circumstances the main objective of this paper is to examine the dilemmas of contemporary
democracy in Latin America based upon a refl ection of interdisciplinary nature that
questions the relationship between education and politics and their role in the democratic
construction process of this Region. The analysis is supported by authors of political culture
and the critical approach in education. The article emphasizes the asymmetry between
formal representative democracy and democracy in a social dimension and proposes the
concept of inertial democracy as an alternative to understand the democratic paradox of
this Region. It signals, therefore, to the significance of an emancipatory education as an
instrument of democratic strengthening.

Key words: democracy, education, citizenship, Latin America.


Marcello Baquero, Rute Vivian Ângelo Baquero

Introdução procedimentos poliárquicos como autor, “passa por um processo de


suficientes para garantir a consolida- capacitação das pessoas, para não
Este artigo tem por objetivo ção democrática. A dimensão social só se interessarem por assuntos de
examinar os dilemas da democracia é concebida, no máximo, como natureza política, mas, fundamen-
contemporânea na América Latina, elemento secundário nesse processo. talmente, participarem nesta arena”
focalizando as relações entre edu- Evidência histórica e empírica so- (Baquero, 2003, p. 17).
cação e política e o papel que as bre a América Latina tem mostrado Há, na literatura, um debate
mesmas têm exercido no processo que, embora procedimentos e leis se- sobre a relação entre democracia
de construção democrática. jam necessários ao sistema político, e educação: muitas vezes, países
A América Latina, neste traba- é preciso ir além desses elementos com populações com altos níveis
lho, é considerada como um con- e incluir o cidadão na equação da de escolarização têm se afastado
junto de nações que, a despeito de construção democrática. Nessa li- do regime democrático; em países
suas diferenças culturais, históricas nha de pensamento, pesquisadores com regimes opressores, a educa-
e de valores, compartilham um latino-americanos sinalizam para o ção é utilizada como ferramenta
ponto em comum no seu processo fato de que a participação política re- desta opressão (Reimers e Villegas-
histórico - a independência da regra duzida dos cidadãos está se tornando Reimers, 2005). No entanto, Rifkin
colonial ibérica. Numa perspectiva um fator que compromete a solidez (1998) assinala que “a maioria dos
longitudinal, esta Região tem segui- democrática (Casanova, 1995; Fur- estudos demonstram que não há
do padrões semelhantes em termos tado, 2000). As razões apontadas democracia sem educação, ou seja,
de estratégias de desenvolvimento: para explicar esse comportamento não existe um país democrático com
nos anos 1940, substituição de vão desde um legado histórico que uma população não educada”.
importações até 1980, e liberali- valorizava a desmobilização e o não Dessa forma, embora a educação
zação econômica, nos anos 1990. envolvimento na política até explica- seja necessária, nem todo tipo de
Atualmente, as nações enfrentam ções racionalistas que sugerem que educação é condição suficiente para
os mesmos problemas no processo é de interesse dos cidadãos não se a existência de uma democracia. Isso
de construção democrática, de pro- envolver na política. Tal argumento nos leva a questionar que tipo parti-
dução da cidadania e de construção está respaldado no princípio de que cular de educação pode preparar os
de uma cultura política participativa: o não envolvimento dos cidadãos na cidadãos para viver em democracia,
patrimonialismo, clientelismo, per- política não compromete a constru- obtendo eficácia política.
sonalismo e corrupção. ção eficiente da democracia, desde A situação torna imperativo o de-
O desempenho econômico da que existam instituições eficientes, senvolvimento de reflexões, de natu-
Região, nas últimas cinco décadas, e as regras do jogo político sejam reza interdisciplinar, sobre o proces-
tem sido decepcionante, mantendo a seguidas e obedecidas. No entanto, so de democratização considerando
desigualdade social em patamar ele- pesquisas (Latinobarómetro, 1999- outros fatores, além daqueles que
vado. O crescimento econômico não 2007) constataram que, durante o convencionalmente são apontados
tem incidido na melhoria da qualida- período de reconstrução democrática na literatura sobre a América Lati-
de de vida da maioria dos cidadãos, da Região, houve uma crescente na, com vistas ao encaminhamento
tendo como corolário o entrave do rejeição da ortodoxia tradicional de de respostas consistentes a esses
desenvolvimento democrático e a fazer política. dilemas. Exige, entre outras neces-
ineficácia política das pessoas. Estudos sobre os processos de sidades, que se problematizem as
Desse modo, há um consenso educação política, no entanto, têm relações entre política e educação e
de que a América Latina está ex- enfatizado a necessidade de formar o papel que as mesmas assumem no
perimentando um paradoxo no seu cidadãos com um caráter democrá- que diz respeito ao desenvolvimento
processo de construção democrática. tico. De acordo com Baquero (2003, do processo democrático.
Se, por um lado, os ganhos institu- p. 17), os processos de educação Diante dessa realidade, nossa re-
cionais são evidentes, bem como o política devem contribuir para uma flexão inicia com a retomada teórica
desenvolvimento tecnológico, por maior ingerência dos cidadãos na sobre a democracia latino-americana,
outro lado, persistem desigualdades política, de modo “a garantir que a problematizando os modelos con-
sociais, econômicas e políticas que conduta do governo seja submetida vencionais e propondo o conceito
256 minam a legitimidade da democracia a uma fiscalização atenta por parte de democracia inercial como uma
representativa. A literatura sobre a dos cidadãos”. Esta capacidade de alternativa analítica para a compre-
democracia continua a enfatizar os fiscalização, conforme destaca o ensão do paradoxo democrático desta

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Região. A seguir, não só destacamos construção democrática dos países tos, se duráveis, podem contribuir
a importância do compromisso cívico latino-americanos não pode ser ade- para uma democracia mais estável,
para a construção de uma democracia quadamente analisado sem levar em na medida em que estabelecem um
socialmente eficiente como também conta a dimensão social. A afirmação equilíbrio negociável com as insti-
apresentamos uma discussão a res- de Camp (2003, p. 3) de que “tomei tuições formais.
peito da relação entre educação e consciência de que os estudiosos e Tem se observado um cresci-
democracia, enfatizando a importân- a comunidade norte-americana têm mento significativo do número de
cia de uma educação emancipatória pouca, se é que têm, compreensão do cidadãos que apóiam os princípios e
como instrumento de fortalecimento significado da democracia mexicana” valores democráticos, possibilitando
democrático. No final, retomamos é, em nossa opinião, aplicável à maio- a alternância de poder dentro das
algumas considerações de natureza ria dos países da América Latina. O regras do jogo democrático. No en-
conclusiva. ponto central do argumento de Camp tanto, ao mesmo tempo, vem sendo
(2003) é o de que a dimensão social constatada uma crescente frustração
A democracia é um eixo fundamental na análise da dos cidadãos com as políticas sociais
contemporânea democracia latino-americana e as promovidas por essas instituições.
na América Latina análises centradas em procedimentos Esse paradoxo levanta uma questão-
distorcem a compreensão a respeito chave para o futuro da região: até
Existem inúmeras perspectivas desta Região. quando esse paradoxo se manterá?
teóricas sobre a democracia, por Esta perspectiva de análise é No contexto econômico e social da
isso tentar sumariá-las seria im- aprofundada por Barber (1984), se- América Latina, a resposta a essa
possível. Nesse contexto, optamos gundo o qual a principal deficiência indagação é incerta, porque a capa-
por destacar quatro vertentes que do tipo de democracia formal é o cidade da democracia representativa
predominam no debate acadêmico ponto de vista cínico a respeito da em manter a população passiva, em
da Ciência Política. natureza humana, sendo os cidadãos face das desigualdades sociais, é
Em primeiro lugar, identificamos encorajados a acreditar que o voto cada vez menor.
a chamada escola da democracia é suficiente enquanto participação Essas observações indicam que
representativa, que se estrutura com política e que outras formas de par- existe uma crise na democracia
base num sistema de delegação de ticipação são pouco eficientes. Tal representativa contemporânea na
poderes para um corpo de repre- argumento leva o autor a afirmar que América Latina, se por crise se
sentantes que agem em nome de, e democracias fortes são democracias entende a incapacidade das institui-
autorizados pelo povo, por meio de participativas. ções políticas vigentes em resolver
um processo de escolha (eleições). A possibilidade de materializa- contradições geradas pelo sistema
Tal arranjo se constitui numa garantia ção de democracias participativas político. Dados empíricos longitudi-
de que os eleitos não se desviam dos depende de mecanismos que viabili- nais (Latinobarômetro, 1999-2007;
caminhos da virtude, honestidade e zem, no cotidiano, a participação das World Values Survey, 2004-2005)
transparência, ou seja, de um governo pessoas na política. Desse modo, se indicam que as agências tradicionais
efetivo. Nas últimas décadas, essa o objetivo é gerar mais participação, de mediação política (partidos polí-
linha de pensamento abriu caminho os contatos face a face e os laços ticos) não são vistas como entidades
para a institucionalização da aborda- comunitários precisam ser fortale- de confiança na mediação entre Es-
gem institucional e, posteriormente, cidos. Uma maneira de fortalecer a tado e sociedade. O Congresso não
a neoinstitucional. A premissa cen- democracia é promover a participa- é visto pela maioria da população
tral dessas abordagens é de que a ção dos cidadãos, não somente em como seu legítimo representante, a
participação da massa não é neces- instituições formais da democracia despeito de ter sido por ela eleito.
sária ou é secundária para manter a representativa, mas, sobretudo, em Desse modo, de acordo com Hun-
governabilidade de um sistema polí- associações comunitárias via edu- tington (2000, p. 17), “é mais prová-
tico. Nessa perspectiva minimalista, cação emancipatória. Quando esses vel que as ameaças às democracias
o desenvolvimento econômico e a dispositivos funcionam organica- de Terceira Onda venham não de
existência de instituições sólidas são mente, as organizações promovem generais ou revolucionários, mas
suficientes para gerar uma melhor a deliberação, a interconexão e as dos próprios participantes no pro-
democracia (Przeworski et al., 2003). ações cooperativas para resolver cesso democrático”. Uma questão 257
Discordamos fortemente des- problemas coletivos. Dessa maneira, estratégica que surge neste cenário
te argumento, pois o processo de agem pedagogicamente, e seus efei- não é se as instituições são ou não

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importantes (obviamente que o são), mas precisam ser estimulados a se do milênio não confirma o que
mas como os cidadãos percebem as engajar ativamente na determinação se esperava - a implantação de
instituições. O problema que as de- e fiscalização das políticas públicas uma democracia orientada para
mocracias poliárquicas enfrentam na via canais formais e informais. Este o social. As expectativas criadas
atualidade não são golpes de Estado, argumento, às vezes, é banalizado como consequências do colapso da
mas a erosão gradual dos princípios por discussões de natureza técnica ideologia socialista produziram um
e valores democráticos, não só por sobre a viabilidade de proporcionar pensamento único do fim da história
parte da população, mas dos próprios mecanismos que possibilitem a par- (Fukuyama, 1995), o qual sinalizava
gestores públicos. Nesse contexto, a ticipação de todos. para a solução de problemas sociais
forma como, em geral, a política é Entre as principais abordagens das democracias contemporâneas
conduzida na América Latina con- que valorizam o envolvimento dos por meio de mecanismos formais
duz à desmobilização e apatia dos cidadãos estão a democracia deli- de caráter poliárquico. No entanto,
cidadãos, operando como um meca- berativa de Habermas (2003), a de- a história tem mostrado que tais so-
nismo que deseduca politicamente a mocracia radical de Mouffe (2000), luções não se aplicam ao cotidiano
população. a democracia reflexiva de Giddens da política real.
Em artigo anterior (Baquero e (2000) e a democracia participativa Tal contexto proporcionou o ce-
Baquero, 2006) destacamos, com de Pateman (1992). nário para a emergência de um pen-
base em Souza (2002), que o agir As teorias radicais da democracia samento que caracterizava as nações
político transformou-se em ramo da têm contribuído de forma significativa como menos ou mais democráticas,
administração, em saber de caráter para compreendermos os obstácu- dependendo da qualidade de sua
instrumental. O modelo político pro- los de participação cidadã na arena democracia, analisada em termos de
movido pela cultura moderna tem, política, ao proporem mecanismos respeito e implementação de liber-
cada vez mais, acirrado o individua- alternativos de participação política dades básicas e da consideração da
lismo, indo na contramão de valores - deliberação, reflexividade e partici- dimensão social, principalmente na
pautados na humanização. Nesta pação social. No entanto, tais teorias implementação de políticas públicas.
mesma direção, Sandoval (2002, p. são limitadas na sua aplicação à Amé- Nessa categoria de análise da demo-
168) destaca que a ressignificação do rica Latina, em virtude das condições cracia, identificamos a democracia
fazer político, ocorrido após a Dita- de desigualdade socioeconômicas iliberal de Zakaria (1997), a demo-
dura nos países da América Latina, existentes na Região. Outro aspecto a cracia predatória de Diamond (2001)
conseguiu “despolitizar la política, considerar é o pressuposto da raciona- e a democracia defeituosa de Puhle
[...] y pasó a tener otra significación, lidade no comportamento das pessoas (2004). No âmago dessas teorias
se trasladó al mercado, es decir, de na política, assumido por essas teorias. está a ideia de que democracias em
un discurso político pasó a ser un Não é coincidência, nesse contex- países em desenvolvimento passam
discurso económico de mercado”. to, que, na entrada do novo milênio, por uma crise de credibilidade e
Esse discurso, segundo o autor, as teorias que reforçam a hegemonia legitimidade, produzida por uma si-
sinaliza para a impossibilidade de da democracia formal não questio- tuação na qual o regime democrático
criar sujeitos políticos ou sujeitos nem sua inevitabilidade, mas, ao convive com práticas oligárquicas
sociais, gerando meros sujeitos contrário disso, se voltem para ana- dentro do Estado, distorcendo, des-
consumidores. Os partidos, por sua lisar sua qualidade. Este é o caso de se modo, a essência democrática.
vez, também têm contribuído para teorias situadas no terceiro bloco, as Para resolver esses problemas, tais
a deslegitimação da política, já que quais enfatizam, simultaneamente, teorias propõem a necessidade de
se tornaram organizações centrali- aspectos formais das democracias democratizar o Estado e a socieda-
zadas com forte ênfase na profis- representativas (constituição, sepa- de. Em relação a esse fato, Crouch
sionalização e na burocratização, ração de poderes, eleições conse- (2004) supõe que a implementação
distanciando-se, cada vez mais, da cutivas e algum grau de liberdades de uma sociedade pós-democrática
convivência popular e social. políticas concedidas aos cidadãos) e esteja em andamento. Segundo esse
Temos, ainda, as teorias radicais mecanismos protetores das pressões autor, o novo modelo democrático
de democracia, as quais defendem populares. Para Olcott e Ottaway em construção indica que, embora
uma maior valorização do ser hu- (2004), tal situação se caracteriza as eleições visem gerar alternância
258 mano na arena política. Os cidadãos, como um novo semiautoritarismo. de poder, o debate público eleitoral
nessa perspectiva, não podem ser Desse modo, o tipo de sistema está limitado a um espetáculo, cuida-
reduzidos a espectadores da política, político que prevalece na virada dosamente controlado e gerenciado

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por grupos profissionais rivais espe- materializam quando se produzem, lização dos gestores públicos e das
cializados no campo de persuasão, e simultaneamente, uma legitimidade instituições políticas nesse contexto
está restrito a um pequeno número jurídica e a ausência de legitimidade é frágil e ineficiente. Os mecanismos
de assuntos selecionados por esses social. Tal sistema está presente em institucionais de fiscalização não
grupos. Para Crouch (2004, p. 11), “a países nos quais o poder se mantém funcionam, e os instrumentos e o
maioria dos cidadãos desempenham concentrado nas mãos de governos acompanhamento societário são ain-
um papel passivo, inativo e respon- que não prestam contas e, de maneira da incipientes. A responsabilização
dem unicamente a sinais que são geral, apesar de todas as tramas societária que deve agir como me-
jogados na arena política”. Tal situ- formais, praticam uma soberania canismo de controle de autoridades
ação explica a sensação generalizada doméstica em relação às demandas por meio de atividades de associação
de desapontamento dos cidadãos em da sociedade. da sociedade civil, dos movimentos
relação à política e, consequente- A característica essencial de uma dos cidadãos e da mídia de massa,
mente, seu desejo de não se envolver democracia inercial é a presença e o ainda se encontra em estado embrio-
nela. Embora tais explicações sejam funcionamento de mecanismos que nário. Assim, mantêm-se reduzidas
conceitualmente atraentes, elas não relegam os poderes do Legislativo as poucas iniciativas por parte dos
clarificam ou propõem mecanismos e Judiciário a um lugar secundário, atores mencionados que demandam
que possam alcançar uma situação sob a justificativa da necessidade de uma função legal e eficiente das
de democratização horizontal. dar governabilidade ao país. Se, por instituições governamentais.
Neste cenário em que crescente- um lado, o objetivo da governabili- O elemento diferenciador da
mente o poder político é delegado a dade é alcançado pela implementa- democracia inercial em comparação
grupos econômicos e politicamente ção de procedimentos formais, por aos outros modelos de democracia
poderosos, reduz-se a possibilidade outro lado, no campo econômico e diz respeito a uma assimetria tríplice
de pensar e implementar políticas social se constata a presença crônica entre (i) crescimento positivo de in-
públicas igualitárias mediante a de desigualdades, as quais inibem o dicadores agregados (produtividade
distribuição do poder é reduzida. crescimento econômico e aprofun- industrial, aumento das exportações,
De nosso ponto de vista, ignorar dam as desigualdades existentes. aumento da arrecadação tributária e
ou negligenciar fatores culturais Tal situação tem-se materializado expansão do crédito), (ii) estagnação
e históricos na compreensão de na predominância da engenharia dos investimentos sociais (educação,
dilemas democráticos da América institucional como mecanismo único saúde, moradia e segurança) e (iii)
Latina leva-nos a desenvolver um e eficaz de correção das dificuldades aumento da desconfiança dos cida-
conhecimento reativo (dependemos do sistema político, na expectativa dãos nas instituições políticas, bem
e reagimos a tudo que é produzido da produção de resultados sociais, como na desconfiança interpessoal.
externamente) e não propositivo de forma imediata, tais como melhor Essa assimetria mantém a democra-
(não desenvolvemos modelos com redistribuição econômica e diminui- cia em estado inercial, produzindo
base nas nossas especificidades ção das desigualdades sociais. Além a utilização de práticas políticas
socioeconômicas e culturais). Tais disso, no cenário de uma democracia atrasadas as quais comprometem
circunstâncias desembocam num inercial, observa-se o aprofunda- o processo de democratização da
quarto tipo de democracia não mento da desconfiança dos cidadãos sociedade.
contemplada pelas três vertentes em relação à política, minando as Desse modo, os sistemas consti-
examinadas anteriormente aqui as- precárias bases de legitimidade do tucionais formais, embora propor-
sumida como modelo democrático Estado e suas instituições. cionem uma base fundamental da
de democracia inercial. Essas características institucio- função de democracia, ao mesmo
O conceito de democracia inercial nalizam atitudes e comportamentos tempo, obstaculizam o desenvol-
identifica a fragilidade do sistema que desvalorizam as instituições po- vimento do compromisso cívico
político em organizar a vida demo- líticas e geram uma distância maior que permite a constituição de uma
crática do país, apontando que, em entre cidadãos e arena política, democracia socialmente eficiente.
muitos casos, têm sido o próprio desestimulando sua participação. De É neste ponto que a educação como
regime e o Estado causadores de maneira geral, as pessoas se sentem instrumento primordial de constru-
uma maior conflituosidade social desempoderadas politicamente, e as ção democrática e cidadã assume
no país, ao invés de reduzi-la. As relações sociais são constituídas com centralidade, na medida em que a 259
características desse tipo de siste- base em critérios individualistas e capacitação política dos sujeitos
ma político inercial, portanto, se não coletivos. O processo de fisca- depende preponderantemente de

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um processo educativo de formação, uma prática de democracia repre- nos e conduzam a um processo
capaz de constituir um sujeito polí- sentativa que se dá com base em um de educação cidadã de uma nova
tico, ético e solidário, gerando uma sistema hierárquico de delegação de sociabilidade, com base não só no
relação virtuosa entre educação e poder. Nesse sentido, constatamos, direito à igualdade, mas no direito
democracia. no âmbito escolar, a reprodução de à diferença (Dagnino, 1994). Em
formas minimalistas de democracia relação a isso, Reimers e Villegas-
Relação entre educação com base forte em procedimentos Reimers (2005, p. 22) defende que
e democracia que, em nossa opinião, explicam “o que falta é educar explicitamente
os baixos níveis de participação para a democracia”, e acrescenta-
Segundo Baquero (2004), há no política dos estudantes mostrados mos: desenvolvendo uma educação
campo da educação três expressões nas pesquisas. Dados provenientes cidadã para a emancipação social.
que relacionam as palavras educação de pesquisas qualitativas também Cabe ressaltar que, no âmbito
e democracia: democratização da revelam a desconfiança dos estu- da educação formal, as práticas
educação, educação democrática e dantes na capacidade das escolas educativas têm se apoiado, de modo
educação para a democracia. em responder as suas demandas. geral, em concepções não críticas de
Em geral, os esforços dos sis- De fato, o exercício da democracia educação (Saviani, 1983), as quais
temas educativos têm se orientado se mantém restrito a poucos, e os negam as relações entre educação e
na direção de um processo de de- resultados dependem da boa vontade sociedade. Concepções acríticas de
mocratização da educação, isto é, dos hierarquicamente superiores. fenômeno educativo, que desvin-
visando garantir acesso à demanda A mesma análise pode ser feita culam a educação das relações de
por educação a contingentes cada a respeito do funcionamento dos poder presentes nas relações sociais
vez maiores da população do país, conselhos escolares constituídos têm contribuído, no nosso entender,
buscando, ao mesmo tempo, a sua por professores, estudantes e pais para uma formação alienada e des-
permanência na escola e a redução dos alunos. O exercício democrático politizada dos sujeitos.
das taxas de evasão escolar. nas escolas tem se reduzido a um Paulo Freire enfatiza a politi-
É possível identificar algumas conjunto de procedimentos com cidade da educação, destacando a
experiências escolares de educação uma forte ênfase na representação. centralidade do cultural e do social
democrática, o tipo de educação Trata-se de uma democracia interna, no ato educativo. O autor alerta para
em que estudantes, professores, restrita e minimalista, no ambiente a necessidade de politizar os conte-
administradores e funcionários se escolar, com um projeto encapsulado údos dos programas das disciplinas,
comportam democraticamente na em si próprio sem relações signifi- questionando para que e a quais inte-
comunidade educativa. Ela diz res- cativas com a comunidade. resses servem. Neste sentido, Freire
peito ao estilo de funcionamento das Um projeto democrático de uma dá uma contribuição significativa ao
organizações no sentido de construir educação pública na comunidade, campo da educação para a demo-
uma cultura de participação como para além da participação em me- cracia, ao problematizar a educação
um processo de formação de cida- canismos formais na escola, é um como uma prática de emancipação
dania: o direito de todos a votar, a desafio a ser enfrentado, tanto pelos do sujeito. Este tipo de educação,
participar ativamente das decisões educadores como pelos cientistas na nossa opinião, é essencial para
do grupo etc. políticos. Pesquisas mostram que educar para a democracia.
Dados de pesquisas de campo práticas orientadas para o desen- Uma ação pedagógica como
realizadas em escolas públicas e pri- volvimento de uma educação para prática emancipatória requer o de-
vadas em Porto Alegre, Rio Grande a democracia, ou seja, uma educa- senvolvimento de um pensamento
do Sul, pelo Núcleo de Pesquisas ção com o objetivo de preparar os crítico, o qual necessariamente im-
sobre América Latina (NUPESAL, cidadãos para valorizar o sistema plica, de acordo com Freire (2001),
2000-2004), analisando esse tipo de democrático, não existem no con- o desenvolvimento de uma “curiosi-
participação democrática, revelaram texto brasileiro. Torna-se impera- dade epistemológica”. Tal conceito é
que existem baixos níveis de parti- tivo, portanto, estimular práticas definido por Freire, em diálogo com
cipação nas organizações escolares nas quais os cidadãos internalizem Ira Shor, (Freire e Shor, 1986, p.
bem como problemas com a legiti- conhecimentos, habilidades e va- 35) como “[...] um questionamento
260 midade dos procedimentos democrá- lores que defendam e promovam irrequieto como uma inclinação a
ticos no âmbito escolar. Além disso, sistemas democráticos, no âmbito revelar alguma coisa, como uma
uma análise desse processo revela dos direitos civis, sociais e huma- questão verbalizada ou não, como

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uma busca esclarecedora, como um vem um trabalho de orientação e localizar essas informações. A
sinal de atenção que sugere estar para a realização de uma avaliação segunda dimensão de uma educação
alerta [...]”. ética dos casos. A quantidade de para a cidadania envolve a promoção
Uma educação emancipatória não material de orientação varia entre de espaços para que os alunos pos-
é somente uma questão de métodos as experiências, no entanto deve sam refletir a respeito de sua própria
e técnicas, mas envolve, conforme ser destacado que, em todas elas, o identidade e das outras identidades
Freire, no referido diálogo com Shor sujeito dispõe de materiais que se que constituem o entorno social
sinaliza (Freire e Shor, 1986, p. 48), apóiam em argumentos de diferentes plural e democrático. A dimensão
“o estabelecimento de uma relação posições éticas: liberal, conservado- da inclusão envolve uma vivência
diferente com conhecimento e com ra e moderada. comunitária democrática com a
a sociedade”. A educação é um ato Conforme Valdivieso (2005), presença de minorias e opiniões
político. Reduzir a educação a um uma educação para uma cidadania divergentes. Finalmente, a educação
conjunto de técnicas e procedi- ativa envolve não só conhecimentos cidadã requer o desenvolvimento de
mentos significa considerá-la numa teóricos, mas também práticos, uma habilidades necessárias para a atua-
dimensão de neutralidade em relação vez que a atividade de formação po- ção na vida democrática por meio
à sociedade, sem questionar as rela- lítica se produz em situação da qual de inserção do sujeito em processos
ções de poder que nela prevalecem. participam seres humanos. Nesse participativos; exige a formação em
Uma educação politizada envolve a tipo de atividade de formação, são valores fundamentais para a ação
discussão dos fins sociais aos quais tematizadas relações entre indivíduo democrática – liberdade, igualdade,
serve e a direção da formação cida- e sociedade, indivíduo e processos solidariedade, respeito e diálogo
dã. Despolitizar a educação é despo- históricos, indivíduo e Estado (Val- (Gutierrez, 2006). No contexto
litizar os cidadãos. Gentilli (2000, divieso, 2005, p. 91). latino-americano, uma educação
p. 154), ao examinar qual educação Assim, uma educação para a ci- para a cidadania está, necessaria-
para qual cidadania, argumenta que a dadania de natureza emancipatória mente, comprometida, conforme
formação cidadã pressupõe as possi- tem como prioridade promover o assinala Gutierrez (2006, p. 34),
bilidades de criar espaços educativos discernimento do cidadão, tendo em com a luta contra a desigualdade e a
nos quais os sujeitos sociais sejam vista o comportamento e a ação no favor da promoção da justiça social,
capazes de questionar, de assumir regime democrático, em situações condições fundamentais para o for-
e também de submeter a avaliações da vida cotidiana. Não se trata, por- talecimento da cultura democrática.
críticas não somente valores, normas tanto, de, com base na ética política,
e direitos morais de indivíduos, argumentar a favor de determinados Conclusões
grupos e comunidades, mas também princípios morais abstratos ou da
seus próprios valores. descrição das grandes metas da Educar a política e politizar a
Embora a educação política do ci- política, mas de direcionar a ação educação são desafios a serem en-
dadão seja uma condição necessária formativa para produzir resultados frentados na agenda da educação
para o funcionamento democrático práticos nas disposições, posiciona- e da Ciência Política, a fim de que
(Baquero e Baquero, 2005), a pro- mentos e comportamentos dos indi- se possam construir práticas mais
dução a respeito desta temática é víduos na política, entendida como democráticas capazes de promover
ainda incipiente, e suas práticas são práxis cotidiana dos seres humanos efeitos socialmente igualitários nas
sujeitas à validação. na sociedade. democracias latino-americanas.
Valdivieso (2005) relata experi- Segundo Osler (in Gutierrez, Para além da democracia mini-
ências de educação cidadã desen- 2006), um projeto de educação para malista de procedimentos e uma
volvidas em sociedades com larga e cidadania ativa se estrutura pedago- educação tecnicista, tanto a edu-
consolidada tradição democrática, gicamente sobre quatro elementos- cação quanto a política lidam com
referindo os trabalhos de Thompson, chave: informação, identidade, a necessidade de estimular uma
Mapps e Zembaty e o de Gutmann inclusão e habilidade. A informação maior participação dos cidadãos
e Thompson. diz respeito à aquisição de conhe- no processo político. Isto envolve
Tais experiências abordam temas cimentos sobre cidadania (direitos o redirecionamento de práticas in-
de discussão pública – o aborto, a humanos, estruturas e instituições dividualistas predominantes, tanto
tecnologia de reprodução, a pobreza sociais, temas importantes para o nos processos educacionais formais 261
no mundo, a pornografia e a censura, desenvolvimento da vida cívica) e à quanto nos procedimentos minima-
a discriminação etc. – e desenvol- capacitação dos alunos para buscar listas da democracia poliárquica,

volume 13, número 3, setembro • dezembro 2009


Marcello Baquero, Rute Vivian Ângelo Baquero

para práticas associativas com base ções e mecanismos de outra natureza DIAMOND, L. 2001. Civic communities and
na solidariedade. Tal exigência é tarefa que, na América Latina, não predatory societies. Mimeo.
FREIRE, P.; SHOR, I. 1986. Medo e Ousadia.
requer uma educação e uma ação pode mais ser adiada.
O cotidiano do professor. Rio de Janeiro,
de natureza emancipatória capaz de Neste artigo, propomos o con-
Paz e Terra, 224 p.
promover o empoderamento entre ceito de democracia inercial como FREIRE, P. 2001. À sombra de uma manguei-
indivíduos e suas comunidades, categoria analítica para compreender ra. São Paulo, Olho de Água, 120 p.
e isso significa questionar o atual os dilemas enfrentados pelos países FUKUYAMA, F. 1995.creation of prosperity.
processo social e suas contradições. da América Latina na sua luta para New York, Free Press Paperbacks, 457 p.
Estudos de natureza histórica sobre solidificar uma democracia plena e FURTADO, C. 2000. Teoria e política do
a América Latina têm destacado a desenvolvimento econômico. 10ª ed., São
não simplesmente uma democracia
Paulo, Paz e Terra, 356 p.
necessidade de empreender esforços eleitoral. Finalmente, indicamos que
GENTILLI, P. 2000. Qual educação para qual
de caráter estrutural para promover a é imperativo o desenvolvimento de cidadania? Reflexões sobre a formação
democracia nesta Região, reformas esforços que integrem perspectivas do sujeito democrático. In: J.C. de AZE-
estruturais e autonomia do Estado interdisciplinares na análise dos VEDO; P. GENTILI; A. KRUG (orgs.),
(Furtado, 2000), ou enfrentar demo- dilemas da ação coletiva. A busca Utopia e democracia na educação ci-
ras na resolução da dimensão social, de respostas a esses dilemas passa, dadã. Porto Alegre, Ed. da Universidade/
colocando em perigo o processo de UFRGS, p. 143-156.
em nossa opinião, pela discussão
GIDDENS, A. 2000. A terceira via: reflexões
democratização. integrada entre a ciência política e
sobre o impasse político atual e o futuro
Dados referidos neste trabalho, a educação. da social-democracia. Rio de Janeiro,
com base em pesquisas de opinião Record, 173 p.
pública realizadas por diversos Ins- Referências GUTIERREZ, A.S.C. 2006. El Ocio-deporte
titutos de investigação, tais como o como espaço de formación en la ciudada-
World Values Survey, Latinobarôme- BAQUERO, M. 2003.Construindo uma outra nia. Deusto, Espanha. Tese de Doutorado.
sociedade: o papel do capital social na es- Universidade de Deusto, 374 p.
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truturação da política participativa no Brasil. HABERMAS, J. 2003. Consciência moral e
American Public Opinion Project
Revista de Sociologia e Política, 21:55-68. agir comunicativo. Rio de Janeiro, Tempo
(LAPOP), sinalizam que a região BAQUERO, M.; BAQUERO, R.V.A. 2006. Brasileiro, 240 p.
latino-americana se caracteriza por Formatando o cidadão: um estudo de HUNTINGTON, S. 2000. Democracia a la lar-
elevados índices de desconfiança socialização política e capital social entre ga. Revista Etcetera, 13 p. Disponível em:
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normativa de apoio à democracia portamento político e desenvolvimento. LATINOBARÓMETRO. 1999-2007. Cor-
Cascavel, Coluna do Saber, p. 129-148. poración Latinobarómetro. Santiago do
dificilmente ocorrerá. Os proce-
BAQUERO, R.V.A.; BAQUERO, M. 2005. Chile Informes: 1999-2007. Disponível
dimentos utilizados para resolver
Educação, capital social e democracia- em: www.latinobarómetro.org, acesso
tais problemas, contudo, têm sido buscando pontos de convergência. Edu- em 12/06/2009.
ineficientes no sentido de criar uma cação Unisinos, 9(2):77-83. MOUFFE, C. 2000. The democratic para-
cultura política participante. BAQUERO, R.V.A. 2004. Desconstruindo dox. London/New York, Verso/The Free
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nas últimas décadas, especialmente jovem (Revista do Ensino, 1964-1978). NÚCLEO DE PESQUISAS SOBRE AMÉRI-
a abordagem que privilegia a dimen- In: M. BAQUERO (org.), Democracia, CA LATINA (NUPESAL). 2000-2004.
juventude e capital social. Porto Alegre, UFRGS. Pesquisas de cultura política.
são institucional, prospera por razões
Editora da UFRGS, p. 49-78. 2000-2004
negativas, ou seja, na medida em BARBER, B. 1984. Strong Democracy. Berke- OLCOTT, M.V.; OTTAWAY, M.S. 2004.
que os procedimentos sugeridos di- ley, University of California Press, 320 p. Challenge of semi-authoritarianism.
ficilmente são implementados pelos CAMP, R. 2003. Citizens views of democracy Carneggie Endowment for International
governos de plantão, a permanência in Latin América. Pittsburg, University of Peace Publications. Paper, 7:1-13.
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porciona o cenário onde tudo pode CASANOVA, P.G. 1995. O colonialismo democrática. Rio de Janeiro, Paz e Terra,
ser (des)construído para imediata- global e a democracia. Rio de Janeiro, 162 p.
Civilização Brasileira, 263 p. PRZEWORSKY, A.; ALVAREZ, M.E.;
mente ser reconstruído com novos
CROUCH, C. 2004. Pos-Democracia. CHEIBUB, J.; LIMONGI, F. 2003.
procedimentos. Tal metodologia está
262 levando à inércia política.
México, Taurus, 135 p.
DAGNINO, E. (org.). 1994. Os anos 90:
Democracy and development. Political
institutions and well being in the world,
Acreditamos que o desafio de política e sociedade no Brasil. São Paulo, 1950-1990. Cambridge, Cambridge Uni-
enfrentar a criação de outras explica- Brasiliense, 172 p. versity Press, 344 p.

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Os limites da democracia: quando a política (des)educa e a educação (des)politiza

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Marcello Baquero
UFRGS - Instituto de Filosofia
e Ciências Humanas
Av. Bento Gonçalves, 9500, Agronomia
91509-900, Porto Alegre, RS, Brasil

Rute Vivian Angelo Baquero


Unisinos
Av. Unisinos, 950, Cristo Rei
263
93022-000, São Leopoldo, RS, Brasil

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