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11/04/2015 O 

lado sujo da Ciência e a consolidação do Racismo Científico | Ciência e Cultura

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atualizado em 22 de março de 2014 ás 13:40 Últimas Notícias

O lado sujo da Ciência e a Palestra aborda bem­estar na aposentadoria

consolidação do Racismo Científico como temática

Aplicativo de celular ajuda localizar vasos
A animalização do diferente foi uma prática bastante comum realizada por estudiosos em nome do progresso sanguíneos
científico no Brasil e no mundo. Atos de crueldade e racismo podiam ser conferidos e mesmo aplaudidos em
Exposições Antropológicas, os “freaks shows”, considerados marcos da popularização da Ciência à época Apoio pedagógico melhora desempenho de
crianças autistas

NÁDIA CONCEIÇÃO* Curtir 330 Mais


 
nadconceicao@gmail.com

A existência de uma raça ariana superior não é um pensamento excludente que ficou no Mais lidas
passado. Ainda podemos testemunhar a perpetuação de teorias que reforcem a
permanência de um racismo velado e extremamente cruel que, muitas vezes, fica Encontro organizado pela Rede Vital para o
Brasil discute ensaios clínicos em
camuflado, porém reforçado por leigos e cientistas renomados dentro do campo
toxinologia
científico. Pois bem, esses cientistas acabam reproduzindo, por gosto ou não, um tipo de
racismo denominado de Racismo Científico. Museu de Ciência e Tecnologia da Bahia
tem futuro incerto

Pesquisadores da Ufba expõem trabalhos
em seminários estudantis 2013

Endorfina: o combustível que move a
paixão

Política de saneamento básico em Salvador
é caótica, afirma Moraes

Facom realiza seminário para reforma do
projeto pedagógico

Tecnologia, arte, música e inovação
marcam eventos em Salvador

Foto Nádia Conceição Escola de Música da Ufba inscreve para
cursos de extensão
O Racismo Científico tem registro desde os primórdios da teoria da evolução humana de
Charles Darwin, quando atestava a existência de raças inferiores e que poderiam ser
Causas da Mortalidade Materna
capazes de evoluírem com o passar dos tempos. Já o naturalista francês Buffon pensou,
ainda no século XVIII, na ideia de degeneração, que seria amplamente usada em Salão Nobre da Reitoria recebe
meados do século seguinte para se discutir as misturas raciais, sobretudo no Brasil. pesquisadores e estudantes para o
lançamento oficial da ACTA 13
Segundo ele, se não existisse o fato de que o negro e o branco podem: “Produzir
juntamente haveria duas espécies distintas; o negro estaria para o homem como o asno
para o cavalo, ou antes, se o branco fosse homem, o negro não seria mais homem,
seria um animal à parte como o macaco”.

Essas teorias foram amplamente difundidas através do cientificismo na Europa, cujo
discurso científico “recebeu largo espaço no Brasil, questionando e disputando espaços
inclusive com a religião e a Igreja, até então grandes fontes dos discursos
e​
fechados​competentes da época”, afirma o pesquisador da Universidade Federal de São João

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11/04/2015 O lado sujo da Ciência e a consolidação do Racismo Científico | Ciência e Cultura
del­Rei, (UFSJ), no artigo Racismo científico: O legado das teorias bioantropológicas na
Agência de Notícias Ciência e
estigmatização do negro como delinquente, Flávio Raimundo Giarola. Cultura
Curtir
O francês Louis Couty, na época professor na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e no
2.595 pessoas curtiram Agência de Notícias Ciência e
Museu Nacional, pode ser tomado como exemplo de viajante que tendeu a ver o Brasil Cultura.
sob a ótica negativa do racismo europeu. Em sua publicação “O Brasil em 1884: Esboços
Sociológicos” ele atribuiu às populações africanas como causadoras de diversas mazelas
do país e, por isso, clamava pelo fim da escravidão: “Uns a querem por
sentimentalismo, outros por utilidade; estamos entre esses últimos. O escravo é mal Plug­in social do Facebook

trabalhador; sua produção é muito cara, de má qualidade e pouco abundante. Tudo isso
é hoje em dia demonstrado por vários estudos precisos que não podemos aqui resumir e
a inferioridade do negro em relação ao homem livre não é negada por mais ninguém”. Mais Acessadas

Produções científicas como essas que foram fundamentais para a disseminação do
racismo no Brasil. Algumas delas foram tiveram ênfase na palestra Zoológicos humanos?
Exibições antropológicas dos séculos XIX e XX, no contexto de um tratamento sobre o racismo
científico, proferida pelo doutor em Biologia pela Universidad Autónoma de Madrid, Juanma
Sánchez Arteaga (Ihac­Ufba), no primeiro Café Científico Salvador de 2014, realizado na
Biblioteca dos Barris.

Na apresentação, o pesquisador mostrou que durante todo o século XIX e até quase
completar a primeira metade do XX, numerosos países Europeus e Americanos e
também no Brasil organizaram diversas “exposições antropológicas de caráter
‘científico’, nas quais membros nativos de diferentes comunidades indígenas,
especialmente transportados desde suas terras para participar em tais eventos, foram Últimos Tweets
exibidos publicamente com uma intenção educativa”, afirma Arteaga.
@CiencultCiência e Cultura

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O objetivo do Café Científico foi analisar diversas tentativas de popularizar o
conhecimento científico em antropologia e biologia humana por meio da exibição de
nativos, com ambições científicas, tanto para popularização do saber antropológico da
época entre o público leigo quanto para fornecer uma oportunidade para o estudo “in
vivo” desses povos por parte de médicos, antropólogos ou especialistas em biologia
humana.

A partir dessa forma de popularização da ciência, equivocada e excludente, existia uma
forte animalização dos nativos implícita em muitos desses shows, que algumas vezes
eram realizados em parques zoológicos, e exibidos em gaiolas junto com animais. Essa
forma de violência é denominada por alguns autores e “Zoológicos Humanos”.

No Brasil, segundo Arteaga, a “Primeira Exposição Antropológica Brasileira” que tinha
como foco as exibições humanas como principal atração, aconteceu no Rio de Janeiro,
em 1882, eram os chamados “freaks shows” ou as “exposições missionais” e consideradas
pelos organizadores e pelo público como sendo de alto interesse científico para a
popularização da ciência da época, assim como  com o discurso científico da biologia

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humana e da etnocêntrica antropologia física, apresentado ao público carioca. Nessa
exposição foi exibido um grupo de índios Botocudos, sendo descritos pelos organizadores
“como representantes brutalizados e semibestiais da humanidade nos seus primórdios
evolutivos, mais próximos aos primatas do que às supostas “raças superiores” sob
muitos aspectos”.

De acordo com Arteaga, essas práticas são uma forma de enxergar o outro racial como
um “semi­animal”, selvagem apresentados em zoológicos humanos, perpetuando,
assim, o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chama de Violência Simbólica, ou seja,
uma forma de coação que “se apoia no reconhecimento de uma imposição determinada,
seja esta econômica, social ou simbólica. Ela se baseia na fabricação contínua de
crenças no processo de socialização, que induzem o indivíduo a se posicionar no espaço
social seguindo critérios e padrões do discurso dominante”.

Para que essas práticas possam ser repensadas e não disseminadas dentro dos espaços
científicos é preciso que as universidades e centros de produção da ciência pensem seu
desenvolvimento, levando em consideração a realidade cultural do local em que estão
inseridos. “A ciência tem responsabilidade enorme, com suas teorias, na legitimação do
racismo, sobretudo as Ciências Naturais e sua rivalidade com as Ciências Sociais”,
afirma Arteaga.

O pesquisador reforça ainda que o racismo científico, que exclui os negros das
academias e os marginaliza dentro dela não é uma exclusividade dos americanos, mas
dos brasileiros também, a exemplo do que aconteceu recentemente quando
o coordenador de medicina da Universidade Federal da Bahia, Antônio Dantas, 69, disse que
“o berimbau é o tipo de instrumento do indivíduo quem tem poucos neurônios”.

“O que quero é suscitar reflexões concernentes tanto à popularização da ciência quanto
à educação em ciência, em especial quanto aos valores ideológicos subjacentes ao
conhecimento científico e aos processos de alterização que tem conduzido à
marginalização, estigmatização e inferiorização de numerosos grupos humanos ao longo
da história das ciências. Nós cientistas deveríamos fazer muito mais. Temos que refletir
quanto ao sistema de ensino que temos”, problematiza Arteaga, que reforça que é
preciso sair da mera reprodução de métodos e discursos antigos, “o essencial é
pensarmos em reformular os currículos dos cursos de Ciências Naturais, saindo de uma
formação meramente técnica e que se passe a conhecer as histórias das disciplinas, o
que não vemos em Biologia”, finaliza.

*Nádia Conceição é jornalista, estudante de Produção Cultural , mestranda do Programa
Multidisciplinar de Pós­Graduação em Cultura e Sociedade – IHAC e bolsista da Agência de Notícias
FACOM – UFBA

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