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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC

Natália da Silva

Viviane Caminha Rocha

Yasmin Marcos

DIAGNÓSTICO E PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PARA O ASSENTAMENTO


PRECÁRIO CHAFIK-MACUCO (MAUÁ-SP) - SETORES 1, 2, 3 E 4

Santo André

2017
Natália da Silva RA: 11061711

Viviane Caminha Rocha RA: 11037611

Yasmin Marcos RA: 11125611

DIAGNÓSTICO E PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PARA O ASSENTAMENTO


PRECÁRIO CHAFIK-MACUCO (MAUÁ-SP) - SETORES 1, 2, 3 E 4

Trabalho apresentado à Universidade Federal do ABC


como parte dos requisitos integrantes para aprovação
na disciplina Habitação e Assentamentos Humanos.

Prof.a Dr.a Flávia da Fonseca Feitosa


Prof.a Dr.a Rosana Denaldi

Santo André

2017
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Localização da área de estudo perante os municípios do ABC Paulista ..................... 7


Figura 2: Delimitação dos setores da área de estudo .................................................................. 9
Figura 3: Principais vias de acesso ao assentamento precário Chafik-Macuco. ...................... 11
Figura 4: Hidrografia e microbacias do município de Mauá .................................................... 13
Figura 5: Tipologia de canalização dos rios e córregos na região de estudo............................ 13
Figura 6: Cobertura Vegetal da área de estudo......................................................................... 15
Figura 7: Fragmento de mata capoeira no Setor 1 .................................................................... 16
Figura 8: Declividade na área de estudo ................................................................................... 17
Figura 9: Via íngreme de difícil acesso na área de estudo - Rua Figueiras .............................. 17
Figura 10: Carro da Defesa Civil em via íngreme de difícil acesso na área de estudo - Rua
Figueiras ................................................................................................................................... 17
Figura 11: Hipsometria da área de estudo ................................................................................ 18
Figura 12: Tecido urbano da área de estudo ............................................................................. 19
Figura 13: Exemplo de áreas do tecido urbano ........................................................................ 20
Figura 14: Hierarquia do viário da área de estudo.................................................................... 21
Figura 15: Viela estreita no assentamento do Chafik-Macuco ................................................. 22
Figura 16: Tipologia e declividade das escadarias ................................................................... 23
Figura 17: Iluminação pública na área de estudo ..................................................................... 24
Figura 18: Pontos de parada de ônibus próximos à área de estudo .......................................... 25
Figura 19: Viela Oceano ........................................................................................................... 26
Figura 20: Localização da adutora que passa pelo setor 1 da área de estudo ........................... 27
Figura 21: Rede permanente de abastecimento de água na área de estudo .............................. 28
Figura 22: Rede provisória de abastecimento de água na área do Chafik - Viela Oceano ....... 28
Figura 23: Tubulação provisória de água em contato com efluentes - Viela Oceano .............. 29
Figura 24: Tubulação provisória de água em contato com córrego em que há despejo de
esgoto - Viela Manacá da Serra ................................................................................................ 29
Figura 25: Rede de esgotamento sanitário na área de estudo ................................................... 30
Figura 26: Tubulação de esgoto ligada diretamente à margem direita do córrego - Viela Gaia
.................................................................................................................................................. 30
Figura 27: Trecho do assentamento com esgoto a céu aberto na Avenida Guilherme Polydoro
.................................................................................................................................................. 31
Figura 28: Acúmulo de esgoto em beco da área de estudo - Viela Gaia .................................. 31
Figura 29: Estrutura construída pela população para encaminhamento de águas servidas na
Rua João Aragão ....................................................................................................................... 31
Figura 30: Caçambas coletoras de resíduos sólidos na esquina da Rua Manuel Nascimento
com a Avenida Guilherme Polydoro ........................................................................................ 32
Figura 31: Acúmulo de resíduos na lateral do sistema viário na Rua Figueiras ...................... 33
Figura 32: Acúmulo de resíduos às margens de um córrego local na Rua José Ferreira Cunha
.................................................................................................................................................. 33
Figura 33: Edificações em Restrição por Declividade ............................................................. 34
Figura 34: Áreas de Preservação Permanente (APP) ............................................................... 36
Figura 35: Edificação sobreposta a curso d'água na rua Manoel Carlos Pinto ......................... 37
Figura 36: Graus de risco na região de estudo segundo IPT (2012) ........................................ 40
Figura 37: Possíveis cicatrizes de deslizamento na área de estudo - Setor 1 ........................... 40
Figura 38: Despejo de efluente diretamente em encosta e presença de bananeira na Rua João
Alves Duarte ............................................................................................................................. 41
Figura 39: Cicatriz de deslizamento ao lado esquerdo e barreira de proteção ao lado direito -
Viela próxima à Rua Pitangueiras ............................................................................................ 41
Figura 40: Rachadura em talude de aterro - Rua José Ferreira Cunha ..................................... 42
Figura 41: Edificações em áreas de restrição ........................................................................... 43
Figura 42: Edificações em áreas de restrição severa ................................................................ 44
Figura 43: Equipamentos Públicos ........................................................................................... 45
Figura 44: Praça Joana Darc Alcantara da Silva ...................................................................... 48
Figura 45: Quadra Francisco Eufrasio de Oliveira ................................................................... 49
Figura 46: Vazios Urbanos ....................................................................................................... 51
Figura 47: Definição das áreas classificadas como ZEIS no perímetro de estudo ................... 63
Figura 48: Relevo acidentado na área onde é proposta remoção ............................................. 71
Figura 49: Síntese de remoções por categoria .......................................................................... 72
Figura 50: Setorização das remoções propostas ....................................................................... 73
Figura 51: Intervenções no sistema viário ................................................................................ 75
Figura 52: Classificação do sistema viário após intervenções ................................................. 76
Figura 53: Áreas destinadas ao reassentamento e remanejamento ........................................... 77
Figura 54: Tipologias para a área de reassentamento ............................................................... 78
Figura 55: Perfil de elevação da área destinada ao reassentamento ......................................... 78
Figura 56: Cenário pós-intervenção ......................................................................................... 80

LISTA DE MAPAS

Mapa 1 - Localização do assentamento precário Chafik-Macuco (setores 1 a 4) .................... 86


Mapa 2 - Principais vias de acesso ao assentamento Chafik-Macuco ...................................... 87
Mapa 3 - Tipologia de canalização dos cursos d'água na região de estudo .............................. 88
Mapa 4 - Cobertura vegetal na área de estudo.......................................................................... 89
Mapa 5 - Hipsometria da área de estudo .................................................................................. 90
Mapa 6 - Padrão urbanístico na área de estudo ........................................................................ 91
Mapa 7 - Hierarquia do sistema viário dentro da área de estudo ............................................. 92
Mapa 8 - Infraestrutura de transporte ....................................................................................... 93
Mapa 9 - Rede permanente de abastecimento de água no Chafik-Macuco .............................. 94
Mapa 10 - Rede de esgotamento sanitário no Chafik-Macuco ................................................. 95
Mapa 11 - Restrição por declividade ........................................................................................ 96
Mapa 12 - Restrição por Áreas de Preservação Permanente (APP) ........................................ 97
Mapa 13 - Restrição por grau de risco (IPT, 2012) .................................................................. 98
Mapa 14 - Síntese de restrições severas ................................................................................... 99
Mapa 15 - Equipamentos Públicos ......................................................................................... 100
Mapa 16 - Vazios urbanos no entorno da área de estudo ....................................................... 101
Mapa 17 - Áreas delimitadas como ZEIS na região de estudo ............................................... 102
Mapa 18 - Síntese de remoções por categoria ........................................................................ 103
Mapa 19 - Setorização das remoções propostas ..................................................................... 104
Mapa 20 - Intervenções no sistema viário .............................................................................. 105
Mapa 21 - Classificação do sistema viário após intervenções................................................ 106
Mapa 22 - Áreas destinadas ao reassentamento e remanejamento ......................................... 107
Mapa 23 - Cenário pós-intervenção ....................................................................................... 108
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 7

2 INFORMAÇÕES GERAIS ..................................................................................................... 8

2.1 O Município de Mauá ....................................................................................................... 8

2.2 O Assentamento Precário Chafik-Macuco ....................................................................... 8

3 ASPECTOS URBANÍSTICOS E AMBIENTAIS ................................................................ 12

3.1 Características do sítio ........................................................................................................ 12

3.1.1 Microbacia ............................................................................................................... 12


3.1.2 Cobertura Vegetal .................................................................................................... 14
3.1.3 Declividade e Hipsometria ....................................................................................... 16
3.2 Tecido Urbano e Sistema viário ...................................................................................... 18

3.2.1 Tecido Urbano.......................................................................................................... 18


3.2.2 Sistema Viário e Acessibilidade ............................................................................... 21
3.3 Saneamento Integrado..................................................................................................... 26

3.4 Áreas com Restrições ...................................................................................................... 33

3.4.1 Restrição devido a declividade ................................................................................ 33


3.4.2 Restrição devido a Áreas de Preservação Permanentes (APP) ............................... 35
3.4.2 Restrição devido a existência de algum grau de Risco ............................................ 37
3.4.3 Síntese de Restrições ................................................................................................ 42
3.5 Equipamentos e Vazios Urbanos .................................................................................... 44

3.5.1 Equipamentos públicos ............................................................................................ 44


3.5.2 Áreas vazias.............................................................................................................. 50

4 ASPECTOS SOCIAIS........................................................................................................... 51

4.1 Perfil da população ......................................................................................................... 52


4.1.1 Caracterização geral ............................................................................................... 52
4.1.2 Tempo de residência................................................................................................. 53
4.1.3 Faixa etária .............................................................................................................. 53
4.1.4 Renda Familiar ........................................................................................................ 54
4.1.5 Situação Ocupacional .............................................................................................. 55
4.1.6 Frequência Escolar .................................................................................................. 56
4.1.7 Vulnerabilidade social ............................................................................................. 56
4.2 Acesso a serviços e equipamentos .................................................................................. 57

5 ASPECTOS JURÍDICO-FUNDIÁRIOS .............................................................................. 58

5.1 Propriedade da terra ........................................................................................................ 58

5.2 Legislação Incidente ....................................................................................................... 59

5.2.1 Legislação Federal ................................................................................................... 59


5.2.2 Legislação Municipal ............................................................................................... 61
5.2.3 Restrições impostas pela legislação ambiental ........................................................ 64

6 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ....................................................................................... 69

6.1 Diretrizes de Intervenção ................................................................................................ 69

6.2 Propostas ......................................................................................................................... 70

6.2.1 Remoções .................................................................................................................. 70


6.2.2 Readequação do sistema viário................................................................................ 74
6.2.3 Remanejamentos e reassentamentos ........................................................................ 77
6.2.4 Cenário pós-intervenção .......................................................................................... 79

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 80

ANEXOS .................................................................................................................................. 85
7

1 INTRODUÇÃO

O presente relatório consiste no diagnóstico dos setores 1, 2, 3 e 4 do assentamento precário


Chafik-Macuco, para o qual pretende-se efetuar uma proposta de urbanização no âmbito da
disciplina EN2116 - Habitação e Assentamentos Humanos, da Universidade Federal do ABC.

A área denominada Chafik-Macuco localiza-se no extremo norte do município de Mauá, na


divisa com o município de São Paulo. A Figura 1 ilustra a localização da área de estudo na
região dos municípios do ABC Paulista.

Figura 1: Localização da área de estudo perante os municípios do ABC Paulista

Pretende-se reunir no presente diagnóstico dados que embasem a elaboração de uma proposta
de intervenção no local de estudo. Para tal, serão reunidas informações acerca dos aspectos
físicos, ambientais, sociais e fundiários da localidade a fim de que a proposta se adeque à
realidade vivenciada no assentamento de estudo.
8

2 INFORMAÇÕES GERAIS

2.1 O Município de Mauá

O município de Mauá localiza-se na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e é parte


dos sete municípios do chamado “ABC Paulista”, fazendo divisa com os municípios de Santo
André, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos e Ribeirão Pires.

Em 2010, a população era de 417.064 habitantes e a área da unidade territorial 61,909 km2,
resultando em uma densidade demográfica de 6.741,41 hab/km2 (IBGE, 2010). Entre os sete
municípios do ABC Paulista, Mauá é o 3° mais populoso, ocupando ainda a 11° posição entre
os 39 municípios da RMSP (BARBOSA et al., 2014).

A economia no município é fortemente impulsionada pelo Pólo Petroquímico de Capuava e


pelo Pólo Industrial de Sertãozinho, com destaque para empresas dos ramos químico, plástico
e de metalurgia. Apesar de ser, segundo dados do IBGE (2010), o 62° no ranking do Produto
Interno Bruto (PIB) entre os municípios brasileiros, Mauá possui uma dívida alta que
compromete sua receita, fazendo com que seja o 10° município mais carente em termos de
renda per capita (BARBOSA et al., 2014).

O crescimento de Mauá se deu principalmente entre as décadas de 1960 e 1980 de forma


rápida e desorganizada. Sem o planejamento adequado por parte do poder público, a
população de baixa renda se instalou nas áreas mais periféricas do município, muitas das
quais são regiões de encostas de morros ou estão nas proximidades de rios e córregos
(QUINTINO, 2012). Estima-se que hoje há cerca de 109 assentamentos precários e/ou
irregulares no município, dentre os quais encontra-se o Chafik-Macuco (CONSÓRCIO
INTERMUNICIPAL DO ABC; UFABC, 2016).

2.2 O Assentamento Precário Chafik-Macuco

A área denominada Chafik-Macuco localiza-se no Jardim Zaíra, região antes conhecida


apenas como Corumbé, nome do córrego que corta o bairro. Localizado no nordeste do
município de Mauá, o Jardim Zaíra possui população bastante numerosa, que em 2012
estimava-se ser de 77.950 habitantes, sendo maior do que a população de Rio Grande da Serra
no mesmo período, 44.669 pessoas (QUINTINO, 2012).
9

O referido bairro é o maior do município de Mauá, concentrando também o maior número de


ocupações irregulares em área de risco e a população de mais baixa renda. Popularmente,
divide-se a região, que possui extremidades isoladas, de acordo com as linhas de ônibus Zaíra
I, II, III, IV, V e VI. A divisa do bairro com São Mateus, no município de São Paulo,
encontra-se em localidade de morros altos e mata fechada antes denominada pelos moradores
como “fundão” (QUINTINO, 2012).

Estima-se que em 2010 a população do Chafik era de 25.750 habitantes, em uma área dividida
em 9 setores, apresentando uma densidade demográfica de 13.036 hab/km2 (QUINTINO,
2012). A área objeto de estudo do presente diagnóstico engloba, entretanto, somente os
setores 1, 2, 3 e 4 do assentamento precário, que ocupam uma área de aproximadamente
800.350 m2, ilustrados na Figura 2.

Figura 2: Delimitação dos setores da área de estudo

Fonte: Mauá (2013)

Os setores objeto de estudo do presente diagnóstico são considerados de intervenção


prioritária por encontrarem-se na borda do município, em áreas mais vazias, ambientalmente
frágeis e com declividade acentuada. Verifica-se maior densidade de ocupação no setor 1 e a
10

gradativa diminuição das edificações nos demais setores, chegando praticamente à ausência
dessas no setor 4, que possui área ambiental mais preservada, com mata arbórea.

Devido à topografia a área apresenta severas restrições quanto à ocupação, tornando-se


imprópria para moradia em muitos trechos por apresentar riscos de deslizamentos. Há relatos
de 5 mortes por escorregamentos de terra na área apenas no início de 2011.

Sabe-se ainda que o município de Mauá apresenta ampla rede de drenagem, sendo que todos
os cursos d’água que o cortam possuem nascentes dentro do mesmo. O rio Tamanduateí, um
dos mais importantes do Estado de São Paulo, tem suas nascentes na porção sudeste do
município, no Parque da Gruta de Santa Luzia, próximo à divisa com o município de Ribeirão
Pires, no Jardim Adelina. O referido curso d'água é o principal canal de drenagem de grande
parte da região do ABC (CONCEIÇÃO, 2013).

A hidrografia do município de Mauá apresenta, entretanto, boa parte dos inúmeros cursos
d’água e nascentes contaminados por esgotos domésticos, efluentes industriais, ou ainda
disposições irregulares de resíduos sólidos. A área do Chafik, especificamente, situa-se na
microbacia do Tamanduateí, e, assim como no restante do município, seus corpos d’água e
nascentes encontram-se descaracterizados.

Além disso, segundo Fernandes (2015), a área de estudo encontra-se em um bairro que se
destaca entre os outros do município como o mais suscetível e vulnerável social e
economicamente.

O município de Mauá é transposto por duas importantes rodovias estaduais: a SP-017,


popularmente conhecida como Avenida Jacú Pêssego, e a SP-021, ou Rodoanel Mário Covas,
sendo ambas vias de principal acesso à área de estudo. O assentamento precário Chafik-
Macuco possui quatro avenidas importantes quanto à acessibilidade ao local, além das duas
rodovias anteriormente citadas: Avenida Eugênio Negri, Avenida Presidente Castelo Branco,
Avenida Barão de Mauá e Avenida Capitão João. É importante citar ainda a Rua Manoel
Carlos Pinto que possui acesso direto ao Chafik.

Tais vias são categorizadas de acordo com a Lei Municipal nº 4.968/2014, que dispõe sobre o
uso, ocupação e urbanização do solo. No Anexo XII desta lei, é possível observar o descrito
na Tabela 1.
11

Tabela 1: Hierarquia das principais vias da área de estudo.


Via Tipologia
Avenida Capitão João Via arterial
Avenida Barão de Mauá Via coletora mista
Avenida Presidente Castelo Branco Via coletora mista
Avenida Eugênio Negri Via local mista
Rua Manoel Carlos Pinto Via local mista
Fonte: Adaptado de MAUÁ (2014)

Além disso, é importante citar que ao longo da Avenida Capitão João, existe uma via férrea,
na qual opera a linha 10 - Turquesa da CPTM. Sendo assim, a estação de trem mais próxima
do assentamento é a estação Mauá.

Na Figura 3, é possível observar as principais vias de acesso ao local de estudo.

Figura 3: Principais vias de acesso ao assentamento precário Chafik-Macuco.

Segundo o Projeto de Trabalho Social (PTS) (Mauá, 2013), que obteve informação direta dos
moradores do assentamento precário Chafik-Macuco, 310 famílias estão incluídas em
programas sociais, tais como Bolsa Família, Ação Jovem, Leve Leite e Renda Cidadã.
12

De acordo com informações da Prefeitura de Mauá, o ex-prefeito Donisete Braga assinou


dois contratos com a Caixa Econômica Federal referente a intervenções de urbanização e
regularização fundiária na área de estudo no valor de 79 milhões de reais, financiado
pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ainda, a prefeitura projeta a construção
de 1,3 mil unidades habitacionais através do Programa Minha Casa Minha Vida no valor de
98,8 milhões. Somando ambos os recursos federais, a área conta com mais de 175 milhões de
reais em intervenções (OLIVEIRA, 2013).

No entanto, o projeto de urbanização da área enfrenta complicações, pois o envio de recursos


federais, que seria destinado para obras de drenagem, reurbanização e remoção de famílias de
áreas de risco, foi cancelado pelo atual presidente (LINHA DIRETA, 2016).

3 ASPECTOS URBANÍSTICOS E AMBIENTAIS

A seguir apresenta-se uma síntese de aspectos urbanísticos e ambientais do assentamento


precário Chafik-Macuco. Os mapas mais importantes apresentados nesse item, encontram-se
também disponíveis nos anexos para melhor visualização de detalhes.

3.1 Características do sítio

3.1.1 Microbacia

A área do assentamento Chafik-Macuco localiza-se no município de Mauá, que, conforme


exposto na Figura 4, situa-se entre as microbacias Guaió e Tamanduateí. O perímetro de
estudo, especificamente, encontra-se totalmente inserido na microbacia Tamanduateí e é
cortado pelo córrego Corumbé. Este córrego possui sua nascente dentro dos limites do Chafik
e é afluente do rio Tamanduateí.

Na Figura 5, na sequência, é possível visualizar a situação dos corpos d’água da área de


estudo e de suas proximidades, chegando-se até o rio Tamanduateí, conforme a tipologia de
canalização: aberta, fechada ou natural.
13

Figura 4: Hidrografia e microbacias do município de Mauá

Figura 5: Tipologia de canalização dos rios e córregos na região de estudo


14

Na área de estudo, praticamente todos os córregos possuem canalizações fechadas sobrepostas


por edificações, exceto alguns trechos próximos às nascentes, que possuem canalização
natural e encontram-se dentro de cobertura vegetal remanescente, embora esta encontre-se
descaracterizada. Dentro da área não há canalização de tipologia aberta.

Observa-se ainda que a maior parte do córrego Corumbé, para o qual drenam diversos
afluentes menores da área de estudo, possui canalização aberta. Os córregos menores, por sua
vez, possuem canalização fechada. Já o rio Tamanduateí, em toda a sua extensão dentro do
município, possui canalização aberta, exceto nas proximidades de sua nascente. Existem ainda
pequenos córregos na área do Chafik que possuem canalização natural e que, mediante
constatação realizada em campo, encontram-se extremamente degradados, com lançamento de
efluentes e resíduos sólidos.

Ressalta-se, por outro lado, que há incerteza sobre a existência de alguns dos cursos d'água
que constam no mapeamento uma vez que nem todos foram verificados em campo. A
confirmação da existência e estado de tais córregos demanda análises de campo específicas.

Ainda, no âmbito de caracterização dos cursos d'água, segundo SAMA (2014) é importe notar
que, conforme também observado na área de estudo:

“[...] à medida que se expandiu a malha urbana, alguns córregos foram


canalizados em galerias, tendo sido ocupadas suas várzeas, chegando,
em alguns casos, a haver recobrimento dessas galerias. Desta forma, o
aproveitamento dos rios e córregos, do ponto de vista do lazer e como
elementos estruturantes da paisagem, está muito comprometido.”

3.1.2 Cobertura Vegetal

Segundo Conceição (2013), a área do município de Mauá era originalmente ocupada por
exuberante vegetação do Bioma Mata Atlântica misturada com espécies do Planalto Paulista e
araucárias nas encostas dos morros, e plantas características de regiões alagadiças e
pantanosas nas áreas de várzea. Os picos de morros, por sua vez, possuíam vegetação rala e
eram cobertos por gramíneas.

A área do Chafik possui, mais especificamente (Figura 6), predominância de manchas de mata
capoeira e alguns fragmentos de vegetação antrópica.

As capoeiras, ou florestas secundárias, como também são chamadas, constituem um tipo de


vegetação resultante de um processo de regeneração, configurando um estágio intermediário
15

de sucessão ecológica, entre o estágio inicial (capoeirinha) e o avançado (capoeirão). A mata


de capoeira geralmente possui de dez a vinte anos de idade e caracteriza-se por apresentar
vegetação arbustivo-arbórea, trazendo um misto de espécies, com poucas herbáceas e muitas
lenhosas de médio porte. Apesar de possuir maior diversidade biológica, ainda há predomínio
de vegetação pioneira no referido estágio (SALOMÃO et al., 2012).

Figura 6: Cobertura Vegetal da área de estudo

Observa-se a existência de pequenos fragmentos de vegetação (mata capoeira) entre as


edificações nos setores com maior densidade de ocupação, de 1 a 3, e predominância de
vegetação (mata capoeira) no setor 4, que apresenta ainda os maiores níveis de elevação. A
Figura 7 ilustra a presença de fragmentos de mata capoeira no setor 1 da área de estudo.
16

Figura 7: Fragmento de mata capoeira no Setor 1

Ressalta-se que a vegetação desempenha papel fundamental na dinâmica natural das encostas,
que se altera em função do desmatamento e do cultivo de espécies exóticas. O desmatamento
e a abertura de clareiras, especificamente, removem a proteção do solo, levando não só à
erosão, mas possivelmente ao deslizamento coletivo de solo, conforme eventos anteriormente
relatados na área de estudo.

Segundo Conceição (2013), além do desmatamento, verifica-se também nos morros do


Chafik-Macuco a presença de bananeiras, o que agrava o cenário de vulnerabilidade aos
deslizamentos, uma vez que a referida árvore frutífera acumula água no solo e possui raízes
curtas, não fixando o solo.

3.1.3 Declividade e Hipsometria

A área onde se localiza o assentamento precário Chafik-Macuco caracteriza-se por estar em


região de relevo e declividade bastante acentuados. Segundo Quintino (2012), o pico mais alto
do município de Mauá, Morro Pelado ou Morro do Cruzeiro, como também é conhecido,
encontra-se justamente na região do Chafik, na divisa com o Parque São Rafael, em São
Paulo.

A área é inclusive local de instalação de antenas de emissoras de televisão e de rádios livres


por ser uma das regiões mais altas do entorno (QUINTINO, 2012).
17

A Figura 8 ilustra a representação da declividade local. Verifica-se que a maior parte do


assentamento se encontra em regiões de declividades acentuadas, dentro das manchas de
declividade entre 30% e 45% e maior que 45%.

Figura 8: Declividade na área de estudo

As Figuras 9 e 10 ilustram a declividade acentuada em alguns pontos da área de estudo. Tal


característica resulta em diversos tipos de dificuldade para a população residente,
especialmente grupos mais vulneráveis, como idosos e cadeirantes.

Figura 9: Via íngreme de difícil acesso na área de


estudo - Rua Figueiras
Figura 10: Carro da Defesa Civil em via íngreme
de difícil acesso na área de estudo - Rua Figueiras

Fonte: Conceição (2013)


18

Adicionalmente, a Figura 11 apresenta a hipsometria da área do Chafik. Observa-se que os


setores de estudo apresentam amplitude bastante significativa, de 207 metros, variando de 787
a 994 metros acima do nível do mar.

Figura 11: Hipsometria da área de estudo

3.2 Tecido Urbano e Sistema viário

3.2.1 Tecido Urbano

Para identificação das manchas que caracterizam o tecido urbano da área de estudo (Figura
12), considerou-se aspectos como o padrão construtivo, presença de rede de esgoto e rede de
abastecimento de água, densidade das moradias, coleta de resíduos sólidos, cobertura vegetal,
e características das vias de acesso.
19

Figura 12: Tecido urbano da área de estudo

A mancha vermelha, classificada como “Tipo 1 – Não Consolidada”, é composta pelas


construções mais precárias da área de estudo. Suas principais características são o padrão
construtivo precário, a baixa densidade de moradias, a elevada cobertura vegetal de mata
capoeira e o fato de não serem atendidas por redes de esgoto, não havendo também coleta de
resíduos sólidos. Ainda, o abastecimento de água é provisório, o acesso é difícil, as vias não
são pavimentadas e há muitas vielas e escadarias. A declividade é maior que 45% em quase
toda a mancha e há nascentes e córregos descaracterizados nessas áreas devido às ocupações.

As construções que possuem as melhores condições nos aspectos considerados foram


agrupadas como “Tipo 2 – Consolidado”. As características dessa tipologia são a presença de
rede de esgoto e abastecimento de água, o padrão construtivo mais adequado apesar da alta
densidade de moradias, inexistência de cobertura vegetal, viário pavimentado com
possibilidade de tráfego de veículos, coleta de resíduos sólidos, ausência de nascentes e
córregos canalizados. Além disso, as residências encontram-se fora das áreas de risco R3
(alto) e R4 (muito alto) e a declividade é menor que 45%.

Já na mancha amarela, tem-se características de padrão construtivo mais heterogêneo entre


todas as tipologias, com a maior parte das moradias em situação precária. Não há rede de
20

esgoto e a rede de abastecimento de água formal é presente em apenas uma pequena parcela
da área, existindo no restante apenas ligações provisórias. Parte da mancha é coberta por mata
capoeira, não há coleta de resíduos sólidos e observa-se média densidade de moradias. As vias
não são pavimentadas e há vielas e escadarias. As nascentes e córregos encontram-se
descaracterizados e a maior parte das residências estão em áreas de risco R3 (alto) e R4
(muito alto). Devido essas características, essas áreas foram agrupadas e denominadas de
“Tipo 3 – Parcialmente Consolidado".

Em relação à rede elétrica, não se considerou tal aspecto para delimitação das manchas uma
vez que não há maiores informações a respeito. Sabe-se apenas que os funcionários da
Prefeitura de Mauá relataram que os moradores da área tem acesso a esse serviço de maneira
formal, o que de fato foi verificado em campo. Por outro lado, não há informações
consolidadas a respeito.

Na Figura 13 é possível visualizar um exemplo de área para cada mancha delimitada. É válido
salientar que não há linhas bem definidas de divisão entre as manchas, entretanto buscou-se
agrupar as áreas que possuem características similares para facilitar a visualização.

Figura 13: Exemplo de áreas do tecido urbano


21

3.2.2 Sistema Viário e Acessibilidade

A hierarquização das vias foi realizada a partir de observação de campo e de verificação


realizada por meio do street view. A principal ideia para a classificação do viário foi
relacionar a importância das vias para o assentamento, como por exemplo a passagem de
transporte público, veículos pesados e acessibilidade para outras vias de menor importância.
Não foi considerada a pavimentação do viário nesta classificação, uma vez que o objetivo foi
identificar quais vias são mais significativas para a mobilidade e acessibilidade do
assentamento. O resultado da classificação da hierarquia das vias pode ser observado na
Figura 14.

Figura 14: Hierarquia do viário da área de estudo

Dessa forma, as vias foram classificadas em quatro categorias: (i) Viário principal – que
corresponde às vias com larguras variáveis, onde é possível a passagem de veículos pesados,
de alta importância de acesso ao assentamento e majoritariamente com declividades menos
acentuadas; (ii) Viário secundário – vias fragmentadas que partem do sistema principal, com
largura menor e declividades maiores, onde é possível a passagem apenas de veículos
22

menores e pedestres; (iii) Vielas – vias estreitas, onde é possível apenas a passagem de
pedestres e que podem apresentar declividades extremamente acentuadas; (iv) Escadarias.

Durante verificação de campo, observou-se que as vias principais, que possuem larguras
maiores e permitem a passagem de carros e veículos maiores, limitam-se às regiões com
topografia mais favorável. No entanto, o acesso às residências em locais de declividade mais
acentuada é majoritariamente realizado através das vielas e escadarias. Em campo, foi
possível caminhar no interior do sistema viário do assentamento e observar que muitas das
vielas eram tão estreitas que só havia possibilidade da passagem de uma pessoa por vez
(Figura 15). Ainda, foi possível observar que as vielas se apresentavam pavimentadas com
concreto ou sem qualquer pavimentação.

Figura 15: Viela estreita no assentamento do Chafik-Macuco

Ainda, é importante ressaltar que algumas vias do Chafik-Macuco também foram


classificadas no Anexo XII da Lei Municipal nº 4.968/2014, que dispõe sobre o uso, ocupação
e urbanização do solo. Quatro vias dentro da área de estudo foram classificadas: uma como
via coletora mista e as outras três como vias locais mistas. Segundo o Art. 4º da Lei Municipal
nº 4.968/2014, as vias coletoras 1 e 2 são definidas com a função de conectar o tráfego de
veículos entre os bairros e acessar a via arterial pela via coletora, respectivamente; as vias
locais 1 e 2 com função possibilitar o acesso dos veículos aos lotes no interior dos bairros e
acessar a via coletora pela via local, respectivamente; e as vias mistas correspondem as que
23

dão acesso aos pedestres e possibilitam o acesso dos veículos aos lotes. Na Tabela 2 estão
relacionadas as vias classificadas segundo a tipologia estabelecida pelo município.

Tabela 2: Vias do Chafik-Macuco classificadas no Anexo XII da Lei Municipal nº 4.968/2014


Nome da via Tipologia
Av. Pres. Castelo Branco Via coletora mista
Av. Eugênio Negri Via local mista
Rua José Ferreira da Cunha Via local mista
Rua Manoel Carlos Pinto Via local mista
Fonte: Adaptado de MAUÁ (2014)

Quanto às escadarias, estas se caracterizam pela alta declividade (Figura 16) e continuidade
com as vielas. Assim como as vielas, as escadarias também apresentam a característica de
largura estreita, sendo possível afirmar também que constituem o principal acesso à um
grande número de residências. Ainda, as escadarias se exibem nas mais diversas tipologias,
tais como alvenaria, madeira ou cavadas na própria encosta.

Figura 16: Tipologia e declividade das escadarias


24

Ainda durante trabalho de campo, foi possível observar que para atravessar alguns dos
córregos, pontes foram improvisadas com remanescentes de móveis, pedaços de madeira e
portas. Também foi identificado in loco que muitas vias não acompanham as curvas de nível
da área de estudo e as atravessam, como por exemplo, a Rua Figueiras (Figuras 9 e 10), que
apresenta declividade extremamente acentuada.

Assim, a descontinuidade do sistema viário interno do assentamento e o acesso aos bairros


vizinhos pode ser apontada como um dos principais fatores da exclusão da população em
relação aos serviços públicos e segregação social dessas ocupações no tecido da cidade.

No que tange à iluminação pública, observa-se que a boa parte das vias da área são dotadas
desse tipo de infraestrutura, inclusive algumas vielas e escadarias verificadas em campo.
Apesar disso, em alguns trechos acentuadamente precários verificou-se ausência de
iluminação pública. A Figura 17, na sequência, ilustra as estruturas de iluminação presentes
na área.

Figura 17: Iluminação pública na área de estudo

Quanto ao fator acessibilidade, é possível destacar que o assentamento possui acesso restrito
às linhas de ônibus municipais e intermunicipais, pois os pontos de parada de ônibus
encontram-se nas vias ao longo dos limites da área de estudo ou externos a estes (Figura 18),
sendo a região o local de ponto inicial/final destas linhas. Conforme ilustrado na Figura 18, os
moradores no interior do assentamento devem se deslocar até os limites da área de estudo para
acessar o sistema de transporte público da região.
25

Figura 18: Pontos de parada de ônibus próximos à área de estudo

O trabalho de campo foi determinante para melhor entendimento da situação do transporte


público na região. Observou-se in loco que a grande maioria do viário do Chafik-Macuco não
comporta a passagem de veículos grandes, como caminhões e ônibus, impossibilitando a
extensão do percurso das linhas pré-existentes de adentrarem o assentamento.
Segundo informações retiradas da Suzantur Mauá e EMTU, as linhas que atendem as
proximidades do assentamento são as descritas na Tabela 3.

Tabela 3: Linhas municipais e intermunicipais que atendem o assentamento precário Chafik-Macuco.


Linha Nome Tipo Responsável
81 Egnes Rimazza Municipal Suzantur Mauá
84 Zaíra 4 Municipal Suzantur Mauá
85 Zaíra 5 Municipal Suzantur Mauá
88 Zaíra Sertãozinho Municipal Suzantur Mauá
Mauá (JD. Zaíra) / São Paulo
158 Intermunicipal EMTU
(Terminal Sacomã)
Mauá (JD. Zaíra) / São Caetano do
158BI1 Intermunicipal EMTU
Sul (Bairro Santo Antonio)
Fonte: Suzantur Mauá, EMTU.
26

Ainda, o acesso ao local também é possível através de outros modais de transporte, tais como
automóveis e motocicletas. No entanto, muitas residências podem ser acessadas apenas a pé
devido à tipologia, largura ou alta declividade da via.

Durante verificação de campo, observou-se ainda que o acesso a muitas residências só poderia
ser realizado através de vielas e/ou escadarias, dificultando algumas tarefas diárias, tais como
dispor os resíduos para coleta, indisponível na grande maioria do assentamento, ou acesso a
transporte público. Ainda durante o campo, uma moradora da Viela Oceano (Figura 19),
relatou que uma vizinha deu à luz ao seu bebê nesta mesma viela, pois não houve tempo hábil
de chegada até o hospital e que o percurso se tornou mais difícil em razão das condições do
viário local, que não permitiu o acesso de veículos, fazendo com que a gestante tivesse que
descer até a Rua Manoel Carlos Pinto.

Figura 19: Viela Oceano

Também é importante ressaltar que a estação de trem mais próxima é a Mauá, da Linha 10 –
Turquesa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que se encontra mais de 6
quilômetros distante da área de estudo, sendo viável o acesso apenas através de ônibus ou
veículo particular. Ainda, o Terminal Municipal de Mauá está ao lado da estação de trem de
Mauá, estando distante do Chafik-Macuco na mesma proporção.

3.3 Saneamento Integrado

Segundo a Lei n°11.445 de 2007, de Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico


(LDNSB), define-se que saneamento básico abrange todo o conjunto de serviços,
27

infraestruturas e instalações operacionais de: (i) abastecimento de água; (ii) esgotamento


sanitário; (iii) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos; e, (iv) drenagem e manejo de
águas pluviais urbanas.

O abastecimento de água é realizado no município de Mauá pela BRK Ambiental, que


distribui a água comprada da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo
(SABESP). A adutora que abastece o município pelo sistema Rio Claro passa pelo meio da
área do Chafik (Figura 20), com presença de caixa de passagem e booster no setor 1 do
assentamento (TEREZA ARQUITETURA E URBANISMO, 2013).

Figura 20: Localização da adutora que passa pelo setor 1 da área de estudo

Ainda assim, poucos trechos do assentamento são atendidos por redes permanentes de
abastecimento de água (Figura 21). Segundo informações dos funcionários da Prefeitura
Municipal de Mauá, as demais residências são atendidas por ligações provisórias. A Figura
22, na sequência, ilustra as ligações provisórias existentes na área, que passam por becos e
vielas em contato com trechos em que há empoçamento de água e até mesmo presença de
efluentes, conforme Figuras 23 e 24.
28

Figura 21: Rede permanente de abastecimento de água na área de estudo

Fonte: Adaptado de Mauá (2017)

Figura 22: Rede provisória de abastecimento de água na área do Chafik - Viela Oceano
29

Figura 23: Tubulação provisória de água em Figura 24: Tubulação provisória de água em
contato com efluentes - Viela Oceano contato com córrego em que há despejo de esgoto -
Viela Manacá da Serra

Os serviços de coleta, afastamento e tratamento de esgoto no município de Mauá, tal qual os


de abastecimento de água, são realizados pela BRK Ambiental desde 2017. Sabe-se que em
2016 foram instalados coletores tronco no córrego Corumbé, que são ligados a interceptores
existentes no leito do rio Tamanduateí, que por sua vez encaminham o efluente para
tratamento na Estação de Tratamento de Efluentes Mauá (ETE Mauá) (BRK Ambiental,
2016).

Em relação ao sistema de esgotamento sanitário dentro da área, entretanto, em poucos trechos


há rede de esgoto no assentamento, conforme Figura 25, elaborada com base em informações
disponíveis no portal "WebGis", da Prefeitura de Mauá. Em muitos casos, o esgoto doméstico
é encaminhado por meio de tubulação de PVC até o córrego mais próximo (Figura 26), ou até
mesmo despejado diretamente no solo em regiões mais íngremes, aumentando o risco de
deslizamento por conta do constante encharcamento do solo. Em alguns trechos o esgoto
corre à céu aberto, conforme ilustra a Figura 27, aumentando as chances de proliferação de
doenças de veiculação hídrica, a atração de vetores e intensificando o cenário de degradação
ambiental. Adicionalmente, A Figura 28 ilustra o acúmulo de esgoto em beco da região de
estudo. Verifica-se forte cheiro nas localidades em que as águas servidas correm à céu aberto.
30

Figura 25: Rede de esgotamento sanitário na área de estudo

Fonte: Adaptado de Mauá (2017)

Figura 26: Tubulação de esgoto ligada diretamente à margem direita do córrego - Viela Gaia
31

Figura 27: Trecho do assentamento com esgoto a Figura 28: Acúmulo de esgoto em beco da área de
céu aberto na Avenida Guilherme Polydoro estudo - Viela Gaia

Há também trechos em que a própria população construiu algum tipo de estrutura para
encaminhamento de águas servidas (Figura 29) segundo relatado por funcionários da
Prefeitura de Mauá.

Figura 29: Estrutura construída pela população para encaminhamento de águas servidas na Rua João Aragão
32

Os serviços de coleta e disposição de resíduos sólidos em Mauá são realizados pela empresa
Lara Central de Tratamento de Resíduos Ltda. Especificamente na área do Chafik-Macuco,
existe coleta nas regiões que o caminhão de lixo, que é 4x4, consegue acessar. A dificuldade
de acesso se dá em razão não só das características do sistema viário, mas devido à
declividade local, extremamente acentuada em determinadas localidades. O caminhão coletor
acessa as regiões mais baixas do assentamento. Para as demais, são disponibilizadas caçambas
coletoras em alguns pontos, conforme Figura 30, na sequência. A população residente nos
trechos não carroçáveis é responsável por encaminhar o lixo às caçambas existentes nas ruas
principais. A coleta é realizada todas as terças, quintas e sábados na região.

Figura 30: Caçambas coletoras de resíduos sólidos na esquina da Rua Manuel Nascimento com a Avenida
Guilherme Polydoro

Segundo dados do PTS (Mauá, 2013), moradores locais relatam transtornos decorrentes do
ponto de coleta de resíduos ilustrado na Figura 30 e localizado na Rua Manuel Nascimento.
Dentre as reclamações está a questão de atração de vetores, insetos e ratos, o mau cheiro e a
problemática relacionada às manobras de caminhões na área, que interferem no trânsito e
ocasionam a quebra de calçadas. Ainda segundo o PTS (Mauá, 2013), existe grande
reivindicação popular para a retirada das caçambas.
33

Observou-se que há diversos pontos com acúmulo de resíduos ao longo do assentamento,


especialmente nas laterais das vielas e escadarias e às margens dos cursos d'água existentes na
área, conforme Figuras 31 e 32.

Figura 31: Acúmulo de resíduos na lateral do Figura 32: Acúmulo de resíduos às margens de um
sistema viário na Rua Figueiras córrego local na Rua José Ferreira Cunha

Em relação à rede de drenagem local, verifica-se a presença de estruturas de microdrenagem


para encaminhamento de águas pluviais, guia e sarjeta, somente em determinados trechos do
assentamento que estão mais consolidados, dotados de maior infraestrutura viária, com
asfaltamento. Nas demais áreas, as águas de chuva se acumulam junto às águas servidas e
seguem a linha de drenagem natural, chegando aos cursos d'água mais próximos.

3.4 Áreas com Restrições

3.4.1 Restrição devido a declividade

Conforme abordado anteriormente, a área do Chafik caracteriza-se por apresentar um


predomínio de declividades bastante acentuadas. A Figura 33, a seguir, apresenta as
edificações dos setores de estudo em restrição por declividade.
34

Figura 33: Edificações em Restrição por Declividade

Observa-se que praticamente toda a área de estudo encontra-se dentro das manchas de
declividade entre 30 e 45% e maior do que 45%. Mais especificamente, 1.844 famílias
residem em regiões com declividade maior que 45%, que torna a área restrita para qualquer
finalidade, e cerca de 3.402 famílias encontram-se em áreas com declividade entre 30 e 45%,
restando apenas uma pequena parcela do total de 4.842 famílias do assentamento vivendo fora
das restrições por declividade. A Tabela 4 apresenta a síntese de restrições por declividade.

Tabela 4: Síntese de restrições por declividade


Percentual em relação ao total
Restrição Número de Famílias
de famílias do assentamento
Declividade entre 30% e 45% 3.402 70,26%

Declividade maior que 45% 1.844 38,08%

Adicionalmente, ressalta-se que a Lei Municipal n°4.968/2014, que trata do uso e ocupação
do solo na cidade de Mauá, classifica áreas com declividade superior a 30% como de
complexidade geológica, permitindo urbanização somente mediante correção de situações
desfavoráveis à ocupação.
35

3.4.2 Restrição devido a Áreas de Preservação Permanentes (APP)

Segundo o novo Código Florestal, Lei n°12.651 de 2012, as Áreas de Preservação


Permanentes (APP) são áreas protegidas, cobertas ou não por vegetação nativa, que cumprem
determinada função ambiental, seja de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a
estabilidade geológica, a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o
solo ou até mesmo assegurar o bem estar das populações humanas.

O novo Código Florestal apresenta ainda a delimitação das diversas tipologias de áreas
classificadas como APPs. Mantendo-se os limites estabelecidos anteriormente pelo Código
Florestal instituído pela Lei n°7.803 de 1989, é tida como APP a faixa marginal de 30 metros
ao longo de cursos d'água de até 10 metros de largura e um raio de 50 metros no entorno de
nascentes.

A Figura 34, a seguir, apresenta as áreas de APP na região do assentamento de estudo.


Considerando-se a descaracterização dos cursos d'água e da função ambiental das APPs ao
longo da microbacia, conforme abordado anteriormente, apresenta-se ainda uma faixa menos
restritiva de APP, de 15 metros. Adiconalmente, a Tabela 5 apresenta a síntese de restrições
por APP de cursos d'água e nascentes.

Tabela 5: Síntese de restrições por APP de cursos d'água e nascentes


Percentual em relação ao total
Restrição Número de Famílias
de famílias do assentamento
APP de Nascente (50m) 231 4,77%
APP de cursos d'água (30m) 1.164 24,04%
APP de cursos d'água (15m) 532 10,99%
36

Figura 34: Áreas de Preservação Permanente (APP)

Observa-se que há quantidade significativa de edificações nas faixas de APP. Dessas,


verifica-se que cerca de 1.164 famílias se encontram na faixa mais abrangente de APP de
curso d'água, de 30 metros, e cerca de 532 famílias residem no perímetro menos restritivo, de
15 metros. Nas áreas de APP de nascentes, verifica-se um total de 231 famílias. Assim,
considerando-se as faixas de proteção mais abrangentes para cursos d'água, de 30 metros, e os
50 metros de faixa de proteção para nascentes, constata-se um total de 1.927 famílias
residindo em APPs, o que corresponde a aproximadamente 40% do total de famílias do
assentamento.

De fato, a área do Chafik-Macuco apresenta diversos córregos de canalização fechada


sobrepostos por edificações. Acrescenta-se ainda que os cursos d'água de canalização natural
presentes na área encontram-se também descaracterizados, com forte presença de resíduos
sólidos em suas margens. A Figura 35, por exemplo, apresenta um caso em que uma
edificação se sobrepõe ao córrego existente na rua Manoel Carlos Pinto.
37

Figura 35: Edificação sobreposta a curso d'água na rua Manoel Carlos Pinto

3.4.2 Restrição devido a existência de algum grau de Risco

Considera-se como área de risco, de acordo com o Mapeamento de Risco em Encostas e


Margens de Rios, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em parceria com o
Ministério das Cidades (2007):

“Área passível de ser atingida por fenômenos ou processos naturais


e/ou induzidos que causem efeito adverso. As pessoas que habitam
essas áreas estão sujeitas a danos à integridade física, perdas materiais
e patrimoniais. Normalmente, no contexto das cidades brasileiras,
essas áreas correspondem a núcleos habitacionais de baixa renda
(assentamentos precários).”

Segundo IPT (2017), para determinar se uma área é ou não de risco, é preciso verificar, pelo
menos, o meio físico ou geológico, identificando o solo, o relevo e observando atentamente a
inclinação das encostas, e o tipo de ocupação feita no lugar, uma vez que moradias de baixo
padrão construtivo são mais vulneráveis.

Segundo Conceição (2013), o município de Mauá encontra-se em região de diversidade


geológica considerável. Tal variação litológica na vertical, somada às mudanças abruptas
entre camadas com composição e granulometria muito diferentes geram descontinuidades
geomecânicas que facilitam desestabilizações em taludes de corte, por exemplo.
38

Ainda segundo Conceição (2013), no município de Mauá existem três tipologias


predominantes de solo: Argissolos, Cambissolos e Latossolos. Sabe-se ainda que em locais de
excessiva declividade, os solos desenvolvidos na região, principalmente em materiais
derivados de granitos, gnaisses e xistos, caracterizam-se por serem pouco evoluídos e bastante
erosivos quando expostos à concentração de águas pluviais, tornando-se também bastante
instáveis à realização de taludes de corte, podendo ocasionar deslizamentos de terra.

Somada às características mencionadas, ainda se verifica o fato de a área de estudo


apresentam encostas de declividade acentuada.

O mapeamento realizado pelo IPT classifica o risco em diferentes graus, conforme Tabela 6.

Tabela 6: Classificação de risco IPT/ Ministério das Cidades


Grau de probabilidade Descrição

Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação,


tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de baixa ou
nenhuma potencialidade para o desenvolvimento de processos de
deslizamentos e solapamentos. 2. não se observa(m)
R1 (Baixo ou sem risco) sinal/feição/evidência(s) de instabilidade. Não há indícios de
desenvolvimento de processos de instabilização de encostas e de
margens de drenagens. 3. mantidas as condições existentes não se espera
a ocorrência de eventos destrutivos no período compreendido por uma
estação chuvosa normal.

Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação,


tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de média
potencialidade para o desenvolvimento de processos de deslizamentos e
solapamentos. 2. observa-se a presença de algum(s) sinal/feição/
evidência(s) de instabilidade (encostas e margens de drenagens), porém
R2 (Médio)
incipiente(s). Processo de instabilização em estágio inicial de
desenvolvimento. 3. mantidas as condições existentes, é reduzida a
possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de
chuvas intensas e prolongadas, no período compreendido por uma
estação chuvosa.

Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação,


tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de alta
potencialidade para o desenvolvimento de processos de deslizamentos e
solapamentos. 2. observa-se a presença de significativo(s) sinal/ feição/
evidência(s) de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em
R3 (Alto)
taludes, etc.). Processo de instabilização em pleno desenvolvimento,
ainda sendo possível monitorar a evolução do processo. 3. mantidas as
condições existentes, é perfeitamente possível a ocorrência de eventos
destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas, no
período compreendido por uma estação chuvosa.
39

Grau de probabilidade Descrição

Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes (inclinação,


tipo de terreno, etc.) e o nível de intervenção no setor são de muito alta
potencialidade para o desenvolvimento de processos de deslizamentos e
solapamentos. 2. os sinais/feições/evidências de instabilidade (trincas no
solo, degraus de abatimento em taludes, trincas em moradias ou em
muros de contenção, árvores ou postes inclinados, cicatrizes de
deslizamento, feições erosivas, proximidade da moradia em relação à
R4 (Muito alto)
margem de córregos, etc.) são expressivas e estão presentes em grande
número ou magnitude. Processo de instabilização em avançado estágio
de desenvolvimento. É a condição mais crítica, sendo impossível
monitorar a evolução do processo, dado seu elevado estágio de
desenvolvimento. 3. mantidas as condições existentes, é muito provável
a ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas
e prolongadas, no período compreendido por uma estação chuvosa.
Fonte: Ministério das Cidades (2007)

O assentamento Chafik-Macuco apresenta trechos com risco de escorregamento e


solapamento de acordo com o mapeamento realizado pelo IPT (2012) (Figura 36). De fato,
conforme anteriormente descrito, existem características do meio físico propícias à ocorrência
de tais processos. Além disso, relata-se diversos desses eventos que resultaram em perdas de
vidas humanas. O ano de 2011 apresentou, particularmente, um número expressivo de
episódios de escorregamento na região como resultado da grande quantidade de chuva que
atingiu o município de Mauá no referido ano.

A Tabela 7, a seguir, apresenta a síntese da classificação de risco segundo IPT (2012) para a
área de Chafik.

Tabela 7: Síntese de classificação de risco segundo IPT (2012)


Percentual em relação ao total
Grau de Risco Número de Famílias
de famílias do assentamento
R1 223 4,60%
R2 1.600 33,04%
R3 1.562 32,26%
R4 115 2,37%
40

Figura 36: Graus de risco na região de estudo segundo IPT (2012)

É possível constatar que a maior parcela da área se encontra sob graus de risco R3 (alto) e R2
(médio), estando pequenos trechos classificados como graus R4 (muito alto), R1 (baixo) e
fora da área de risco. Observa-se ainda que praticamente todas as edificações, com poucos
casos de exceção, encontram-se em áreas com algum grau de risco, indicando a extensão do
problema habitacional existente dentro do perímetro de estudo.

Em verificação realizada em campo, constatou-se a existência de possíveis cicatrizes de


deslizamento na área, conforme ilustra Figura 37, na sequência.

Figura 37: Possíveis cicatrizes de deslizamento na área de estudo - Setor 1


41

Além disso, verificou-se que há diversos trechos com despejo de efluentes diretamente nas
encostas dos morros, o que leva ao encharcamento dos terrenos, facilitando a ocorrência de
deslizamentos. Somada à tal fator, está ainda a existência de diversas bananeiras na
localidade, característica que também agrava o cenário de vulnerabilidade à ocorrência de
escorregamentos, conforme anteriormente mencionado. A Figura 38, na sequência, ilustra
ambas as características mencionadas na área do Chafik.

Figura 38: Despejo de efluente diretamente em encosta e presença de bananeira na Rua João Alves Duarte

A recorrência de eventos de deslizamentos faz com que os moradores executem medidas de


proteção às edificações. A Figura 39 apresenta, ao lado esquerdo, uma cicatriz de
deslizamento e, ao lado direito, uma barreira construída pelo morador como medida de
proteção à sua residência.

Figura 39: Cicatriz de deslizamento ao lado esquerdo e barreira de proteção ao lado direito - Viela próxima à
Rua Pitangueiras
42

Por fim, verificou-se em campo um trecho em que há significativa rachadura em um talude de


aterro (Figura 40), o que, atrelado a outros fatores pode representar risco de escorregamento
na área.

Figura 40: Rachadura em talude de aterro - Rua José Ferreira Cunha

3.4.3 Síntese de Restrições

As áreas com restrições à ocupação foram determinadas a partir das análises previamente
efetuadas acerca da existência de edificações em trechos com alta declividade, em APP de
cursos d’água e nascentes e com base no mapeamento de risco realizado pelo IPT para a
região.

Foram elaborados dois mapas de restrição. O primeiro deles, mais restritivo (Figura 41),
considera a faixa de APP de curso d’água mais abrangente, de 30 m, o perímetro de APP de
nascente, a região classificada como graus de risco R3 e R4 pelo IPT e ainda as manchas de
declividade com declividade maior que 30%, abrangendo as classes de declividade entre 30 e
45% e maior que 45%. Encontram-se nas áreas de restrição mencionadas um total de 4.189
famílias, cerca de 86% do total, praticamente todo o assentamento de estudo. Ainda, a Tabela
8 apresenta a síntese de restrições por tipologia e o percentual correspondente.
43

Figura 41: Edificações em áreas de restrição

Tabela 8: Síntese por tipologia de restrição


Percentual em relação ao total
Restrição Número de Famílias
de famílias do assentamento
APP de curso d'água (30m) 1.164 24,04%
APP de curso d'água (15m) 532 10,99%
APP de nascente (50m) 231 4,77%
Declividade entre 30% e 45% 3.402 70,26%
Declividade maior que 45% 1.844 38,08%
Grau de Risco R3 - IPT (2012) 1.562 32,26%
Grau de Risco R4 - IPT (2012) 115 2,37%
Total de Famílias em Área de
4.189 86,51%
Restrição

A segunda classificação de restrição elaborada abrange somente as áreas de restrição severa,


considerando faixa de 15 m de APP para cursos d’água, APP de nascente, graus de risco R3 e
R4 pelo IPT e declividades superiores a 45% (Figura 42). Nesse mapeamento, enquadram-se
2.878 famílias, o que corresponde a cerca de 59,4% do total. A Tabela 9 apresenta a síntese de
restrições por tipologia e o percentual correspondente.
44

Figura 42: Edificações em áreas de restrição severa

Tabela 8: Síntese por tipologia de restrição - Restrições severas


Percentual em relação ao total
Restrição Número de Famílias
de famílias do assentamento
APP de curso d'água (15m) 532 10,99%
APP de nascente (50m) 231 4,77%
Declividade maior que 45% 1.844 38,08%
Grau de Risco R3 - IPT (2012) 1.562 32,26%
Grau de Risco R4 - IPT (2012) 115 2,37%
Total de Famílias em Área de
2.878 59,44%
Restrição

3.5 Equipamentos e Vazios Urbanos

3.5.1 Equipamentos públicos

Através das informações disponíveis no Projeto de Trabalho Social (PTS), realizado no


âmbito do Projeto de Urbanização do Assentamento Precário Chafik-Macuco em 2013, do
Plano Local de Habitação de Interesse Social de Mauá (PLHIS) e do mapa de equipamentos
45

públicos disponível no site da Prefeitura de Mauá, caracterizou-se a área de estudo no que se


refere à disponibilidade de equipamentos públicos.

Constata-se que dentro da área de estudo há apenas um equipamento público, a Praça Joana
Darc Alcantara da Silva, inaugurada em setembro de 2017. Associa-se como principais
motivos dessa ausência de equipamentos públicos, o fato de o assentamento caracterizar-se
como uma ocupação irregular em uma área privada e as características do próprio terreno, que
possui alta declividade, o que por si só já seria um fator limitante para construção de
equipamentos em boa parte do território em questão.

Na Figura 43, exposta a seguir, é possível verificar a localização dos equipamentos que estão
nos arredores da área. Em um raio de 500m da área há apenas duas escolas municipais, uma
escola estadual, uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e um Centro de Referência de
Assistência Social (CRAS).

Figura 43: Equipamentos Públicos


46

• Equipamentos de Educação

A identificação do acesso aos equipamentos de educação é imprescindível no âmbito da


realização de diagnósticos. No Brasil, a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece
as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, citando em seu 1º artigo, que:

“[...] a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na


vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino
e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
manifestações culturais”.

Segundo Ferreto apud Moretti (2012), quanto à localização dos equipamentos de educação,
indica-se que preferencialmente devem estar situados de tal forma que possibilite o acesso a
pé em até 15 minutos, com um raio de atendimento de cerca de 800 m. Partindo desse
pressuposto, a área é atendida pelas escolas: E. M. João Rodrigues Ferreira, E.M. Maria
Rosemary de Azevedo e E.E. Prof ª Olinda Furtado de A. Cavalcanti.

A E. M. João Rodrigues Ferreira atende as etapas de ensino de educação infantil (creche e


pré-escola), ensino fundamental e educação de jovens e adultos (supletivo), possui 10 salas de
aula e 38 funcionários, ainda conta com uma quadra de esportes coberta e possui
dependências e vias adequadas a alunos com deficiência e mobilidade reduzida (INEP, 2016).

A E.M. Maria Rosemary de Azevedo atende as mesmas etapas de ensino que a E. M. João
Rodrigues Ferreira, entretanto, possui 13 salas de aula e 70 funcionários, e não possui quadra
de esportes. Já a E.E. Prof ª Olinda Furtado de A. Cavalcanti atende apenas o ensino
fundamental (anos iniciais), possui 20 salas de aula e 61 funcionários (INEP, 2016).

Ampliando-se o raio de abrangência para até 2 km, é possível contabilizar um total de 15


escolas estaduais e 12 escolas municipais, sendo 6 de ensino infantil, 15 de ensino
fundamental e 6 de ensino fundamental e médio.

• Equipamentos de Saúde

A UBS (Unidade Básica de Saúde) Jd. Zaira III, situada na Rua Joaquim Alves de Oliveira, é
a unidade de saúde mais próxima da área de estudo, e está em um raio de 500 m de distância.
47

De acordo com a prefeitura, todas as ações municipais de prevenção, promoção e recuperação


da saúde dos munícipes estão de acordo com a Política Nacional do Sistema Único de Saúde
(SUS) e são norteadas pelas seguintes diretrizes:

" - Descentralização, com administração única em cada esfera de governo,


com ênfase na municipalização das ações e serviços de saúde.
- Atendimento Integral, garantindo-se o direito do usuário de acesso aos
serviços de saúde em todos os pontos do sistema atendendo as suas
necessidades de saúde.
- Gestão Participativa, com participação de gestores, trabalhadores e usuários
na formulação e deliberação das políticas da saúde a partir do Conselho
Municipal de Saúde, Conselhos Gestores, Conferências Municipais e as
Audiências Públicas.
- Equidade considerando as vulnerabilidades e riscos na qualificação
diferenciada das ofertas de saúde.
- Intersetorialidade, por intermédio da integração das políticas, programas e
serviços de saúde com as políticas sociais de educação, saneamento básico,
transporte e ação social, bem como com as políticas econômicas de trabalho,
emprego e renda (PREFEITURA MUNICIPAL DE MAUÁ, 2017)."

Considerando um raio de 2,5 km de abrangência, há quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS)


e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A cidade de Mauá possui apenas um hospital
público, que é o Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini, situado Rua Regente Feijó, na
Vila Bocaina, que está a cerca de 5 km de distância da área de estudo.

• Equipamentos de Segurança

Com relação aos equipamentos de segurança, Ferreto apud Ferrari (2012) afirmam que deve
existir um posto policial localizado em um raio de atendimento de 800 m das residências.
Entretanto, o posto policial mais próximo da área de estudo está a cerca de 1km, e é o da
polícia civil, situado na Avenida Presidente Castelo Branco. Considerando um raio de
abrangência de 2,5 km, não há nenhum outro posto policial.

De acordo com a prefeitura do município, através da Guarda Civil Municipal são realizadas
rondas para segurança nos espaços públicos, tais como postos de saúde, praças, parques, zona
comercial, paço municipal e unidade escolares. Há ainda as Rondas Escolares, que são
responsáveis por garantir a proteção dos alunos, docentes, funcionários e todos os munícipes
nas instituições de ensino, essas rondas têm também como objetivo estabelecer uma relação
48

de confiança entre os guardas civis municipais e a comunidade como um todo


(PREFEITURA MUNICIPAL DE MAUÁ, 2017).

Do ponto de vista da segurança do meio ambiente, há a Ronda Ambiental, que é realizada em


parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e tem como principais objetivos identificar e
coibir a prática de atividades que causem impactos negativos nas áreas de proteção
permanente e de mananciais.

A cidade também conta com monitoramento por vídeo eletrônico de segurança pública. De
acordo com informações divulgadas pela prefeitura, a criminalidade no município diminuiu,
de acordo com dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo,
comparando-se o mês de maio de 2017 com maio de 2016 (PREFEITURA MUNICIPAL DE
MAUÁ, 2017).

• Equipamentos de Cultura, Esporte e Lazer

Dentro da área de estudo localizou-se apenas um equipamento de lazer e recreação, a Praça


Joana Darc Alcantara da Silva (Figura 44). Essa praça foi inaugurada recentemente, no dia 03
de setembro de 2017, e ainda não consta no mapa de equipamentos públicos da prefeitura, sua
existência foi constatada por meio de vistoria de campo.

Figura 44: Praça Joana Darc Alcantara da Silva


49

No período de inauguração do equipamento, a região foi atendida por uma série de serviços,
dentre eles, é válido destacar a operação cata-bagulho (para o recolhimento dos resíduos
sólidos), tapa-buraco, sinalização de trânsito, pintura de vias e praças públicas, jardinagem e
capinação. Entretanto, dentro da área não há nenhum equipamento de cultura ou esporte.

O equipamento de cultura mais próximo é a Biblioteca Castro Alves, que se localiza na


Avenida Castelo Branco, mas que, de acordo com informações do site da prefeitura de Mauá,
encontra-se em reforma.

Dentro do raio de abrangência de 500 m localizou-se apenas um equipamento de esportes, a


Quadra Francisco Eufrasio de Oliveira (Figura 45), que está situada entre a Rua Eugenio
Negri e a Avenida Joaquim Alves de Oliveira, e foi inaugurada em outubro de 2016.

Figura 45: Quadra Francisco Eufrasio de Oliveira

Além dessa quadra, o equipamento mais próximo da área é o Ginásio Poliesportivo Celso
Daniel, que se situa na Rua Fabio José Delpoio, no bairro Vila Noêmia, e está a cerca de 7 km
da área.

O parque mais próximo é o Parque Ecológico da Gruta Santa Luzia, localizado na Rua Luzia
da Silva Itabaiana no bairro Jardim Itapeva. O parque abriga a nascente do Rio Tamanduateí e
está a 7 km da área de estudo.
50

• Equipamentos de Assistência Social

Quanto aos equipamentos de assistência social, em um raio de 2 km da área de estudo há dois


Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). O CRAS é um equipamento público
que funciona no desenvolvimento das políticas públicas preconizadas pelo Sistema Único de
Assistência Social para descentralizar o atendimento aos moradores, esse atendimento deve
ocorrer próximo a suas residências. De acordo com a Prefeitura Municipal de Mauá:

"O CRAS é a porta de entrada dos usuários da Assistência Social, ou seja, de


toda família, indivíduo ou comunidade, para que recebam a proteção social
básica em caso de necessidade. É por meio do CRAS que seu direito como
cidadão será efetivado, por meio da inscrição no CADÚNICO, tendo acesso
a programas como o Bolsa Família, Ação Jovem, PETI e outros. O CRAS
recebe a família, o indivíduo e a comunidade; acolhe, escuta, orienta e
encaminha; desenvolve trabalhos socioeducativo e de geração de trabalho e
renda; oferece atendimento socioassistencial e psicossocial; encaminha à
rede de serviços; articula, mapeia e coordena a rede socioassistencial local.
(PREFEITURA MUNICIPAL DE MAUÁ, 2017)."

O CRAS Zaíra, situa-se na Avenida Presidente Castelo Branco e atende parte do Zaíra e do
Chafik. O CRAS Macuco, por sua vez, localiza-se na Rua Remo Luiz Corradine e possui uma
área de abrangência maior, atendendo os bairros Alto da Boa Vista, Nova Mauá, Parque das
Flores, Paranavaí e parte do Jardim Zaíra, incluindo o Chafik (PTS, 2013).

Outro importante equipamento público é o Centro de Referência Especializado de Assistência


Social (CREAS), que oferece serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos
em situação de ameaça ou violação de direitos. No município há apenas um CREAS, situado
na Rua Avaré, no bairro Matriz, que está a 7 km de distância da área de estudo.

3.5.2 Áreas vazias

Após o diagnóstico dos aspectos físicos, ambientais e urbanísticos, identificou-se as áreas


vazias, que possuem o potencial de serem utilizadas para programas de habitação social e
construção de equipamentos públicos. As áreas identificadas como vazios encontram-se
mapeadas na Figura 46.
51

Figura 46: Vazios Urbanos

Como dentro do perímetro de estudo não há áreas vazias para as quais recomenda-se
ocupação, foram identificadas as áreas vazias que estão em um raio de 2 km e inseridas em
Zonas Especiais de Interesse Social 2 (ZEIS 2), que são áreas compostas por terrenos não
edificados em imóveis subutilizados ou não utilizados, e que são necessários à implantação de
programas habitacionais.

Se somadas, as áreas vazias em ZEIS 2 em um raio de até 2 km da área de estudo totalizam


440.469 m². Sendo que 79 % dessa área disponível está localizada em até 1 km de distância.

4 ASPECTOS SOCIAIS

Além do entendimento de aspectos físicos, ambientais e urbanísticos, faz-se necessário efetuar


uma análise de aspectos sociais que permitam traçar um perfil da população local, com dados
socioeconômicos, de vulnerabilidade social e informações a respeito da relação dos
moradores com a área, de maneira que as intervenções propostas possam efetivamente
considerar a realidade local e proporcionar melhoria da qualidade de vida aos habitantes do
assentamento.
52

4.1 Perfil da população

Para caracterização do perfil da população considerou-se o PTS (Mauá, 2013), elaborado


mediante levantamento realizado pela Secretaria de Habitação por meio de selagens e
entrevistas com moradores dos setores 1 e 2 do assentamento Chafik-Macuco. Embora a área
de estudo englobe os setores de 1 a 4, utilizou-se dados do PTS para caracterização da
população por considerar-se que, na ausência de informações mais específicas, estes dados
sejam mais representativos da realidade local do que dados gerais do município de Mauá.

4.1.1 Caracterização geral

As entrevistas foram realizadas em 1.514 domicílios, que representam um total de 1.532


famílias. Observa-se que a maior parte dos domicílios são unifamiliares, com pequena
proporção de coabitações, que na área caracterizavam-se por apresentar 2 ou 3 núcleos
familiares (Mauá, 2013).

Em relação ao número de pessoas por domicílio (Gráfico 1), a maior parcela das moradias
possui 3 e 4 pessoas, 22,7% e 22,5%, respectivamente. Há também parcelas significativas de
domicílios com 1 (14,6%) e 2 pessoas (18,2%). Verifica-se assim que a maior parcela dos
domicílios possui um número reduzido de moradores, mas que alguns dos casos levantados
chegam a apresentar até 12 pessoas residindo na mesma edificação.

Gráfico 1: Número de famílias por domicílio

Fonte: Adaptado de Mauá (2013)


53

4.1.2 Tempo de residência

Sabe-se que o processo de ocupação irregular da área do Chafik teve início por volta de 1970,
entretanto não há informações mais detalhadas a respeito do tempo de residência das famílias
no assentamento. Acredita-se que esses valores variem significativamente. Em conversa com
profissionais da Prefeitura de Mauá, por exemplo, foram ouvidos relatos de desapropriações
de edificações em áreas de risco do Chafik que recentemente foram reconstruídas e ocupadas
por novas famílias. Por outro lado, em visita de campo à área foi ouvido o relato de uma
moradora que reside na área do assentamento há 26 anos.

4.1.3 Faixa etária

O Gráfico 2 apresenta a divisão da população por faixa etária. Constata-se que


aproximadamente 16,8% da população é composta por crianças de 0 a 12 anos, com maior
parcela, 6,6%, na faixa dos 7 a 12 anos. Verifica-se assim a necessidade de equipamentos de
educação, cultura e lazer na área para atendimento dessa população.

Por outro lado, observa-se que a maior parcela dos moradores do assentamento se encontra na
faixa dos 31 aos 43 anos (23,5%) e porcentagens semelhantes da população está entre 44 e 59
anos (20,9%) e 22 a 30 anos (19,1%).

Por fim, cerca de 6,4% dos moradores tem 60 anos ou mais, acentuando a problemática da
acessibilidade na área de estudo, que, conforme já abordado, encontra-se bastante
comprometida em razão das características das ruas e vielas e da declividade locais.

Gráfico 2: Faixa etária da população da área de estudo

Fonte: Adaptado de Mauá (2013)


54

Os Gráficos 3 e 4 apresentam a divisão por faixa etária para os chefes de família do sexo
masculino e feminino, respectivamente. Observa-se que as mulheres assumem, em maior
porcentagem, a responsabilidade domiciliar já a partir da adolescência, uma vez que 1,6% das
chefes de família estão na faixa dos 15 a 18 anos, em comparação com apenas 0,2% no caso
dos homens. Verifica-se ainda que a maior parcela dos chefes de família possui entre 22 e 48
anos.

Gráfico 3: Faixa etária dos chefes de família do Gráfico 4: Faixa etária dos chefes de família do
sexo masculino sexo feminino

Fonte: Adaptado de Mauá (2013)

4.1.4 Renda Familiar

Em relação à renda familiar (Gráfico 5), em 94,4% dos casos as famílias possuem rendimento
de até 3 salários mínimos, com porcentagem elevada de renda entre 1,1 e 1,5 salários mínimos
(41,7%) e 0 a 1 salários mínimos (23,6%). Observa-se assim condições de rendimentos
bastante baixos na área de estudo, confirmando o cenário de precariedade observado no
assentamento.

Gráfico 5: Renda familiar área de estudo

Fonte: Adaptado de Mauá (2013)


55

Segundo IBGE (2017), a renda média dos moradores do município de Mauá em 2015 era de
3,5 salários mínimos, de maneira que é possível constatar que o rendimento da população
residente no Chafik-Macuco é inferior ao da cidade em que o assentamento se encontra
inserido.

4.1.5 Situação Ocupacional

Em relação à situação ocupacional da população do Chafik, apresentada no Gráfico 6,


observa-se que a maior parcela da população, cerca de 40,3%, possui emprego com carteira
assinada. Por outro lado, verifica-se algum tipo de precarização das relações de trabalho em
14,6% dos casos, sendo que destes, 3,8% representa a parcela de empregados sem carteira
assinada e 10,8% são autônomos sem previdência. Além disso, 14,7% da população está na
parcela de desempregados e 14,2% trabalha em empregos eventuais, os chamados "bicos".
Verifica-se ainda que cerca de 3,9% da população é de aposentados ou pensionistas e que
7,7% declararam que são "do lar".

Segundo PTS (Mauá, 2013) muitos dos moradores exercem atividades na construção civil ou
no setor de serviços.

Gráfico 6: Situação ocupacional da população do Chafik-Macuco

Fonte: Adaptado de Mauá (2013)

Já a situação ocupacional dos chefes de família apresenta maior percentual, 26,6%, de


precarização das relações de trabalho, com 6,3% de empregados sem carteira assinada, 13,9%
de autônomos sem carteira assinada e 6,4% trabalhando em empregos eventuais. Já o
percentual de desempregados se mantém em relação ao caso anterior e o de empregados com
56

carteira assinada fica também bastante próximo. Além disso, verifica-se que 6,4% dos chefes
de família são aposentados ou pensionistas.

Gráfico 7: Situação ocupacional dos chefes de família

Fonte: Adaptado de Mauá (2013)

4.1.6 Frequência Escolar

Segundo dados do PTS (Mauá, 2013), a análise de frequência escolar por faixa etária revela
que 21,3% dos moradores da área verificada frequenta os bancos escolares. Na faixa de 0 a 3
anos, relata-se 88,7% das crianças não são atendidas por creches, constatando a necessidade
de implementação desses serviços na localidade. Verifica-se também uma frequência de
98,2% no grupo de 7 a 16 anos, percentual que cai bruscamente a partir dessa faixa etária, em
que ocorre a inserção no mercado de trabalho. Segundo IBGE (2010), a taxa de escolarização
de 6 a 14 anos no município de Mauá é de 97,4%, semelhante ao cenário observado na área de
estudo.

4.1.7 Vulnerabilidade social

Para análise de vulnerabilidade social é preciso considerar diversos indicadores que permitam
a verificação da situação socioeconômica, ambiental, de saúde, de direitos e muitos outros
(MONTEIRO, 2011).

O Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS) considera as dimensões socioeconômica


(renda familiar per capita, rendimento médio da mulher chefe de família, porcentagem de
domicílios com renda domiciliar per capita de até ½ e ¼ salário mínimo e porcentagem de
57

pessoas alfabetizadas responsáveis pelo domicílio) e demográfica (porcentagem de pessoas


responsáveis pelo domicílio entre 10 e 29 anos, porcentagem de mulheres responsáveis pelo
domicílio entre 10 e 29 anos, idade média das pessoas responsáveis pelo domicílio e
porcentagem de crianças entre 0 e 5 anos). Para o município de Mauá, o IPVS indica 52,8%
da população entre média, alta e muito alta vulnerabilidade social, sendo que 15,9% dos
habitantes encontram-se na classificação de muito alta vulnerabilidade. Segundo PTS (Mauá,
2013), o IPVS indica que há dificuldade para as famílias do município de Mauá controlarem
as variáveis que afetam seu bem-estar, com exposição a certas tipologias de risco e
precariedade, limitação de acesso a oportunidades de trabalho e remuneração adequados e a
serviços.

Na área de estudo, especificamente, observa-se diversas situações que comprovam a


vulnerabilidade da população local. A assistência social do município se faz presente na
região por meio do Centro de Ações Socioeducativas (CASE), que promove atividades para
adolescentes, jovens, adultos e idosos por meio de três unidades: o CASE-Zaíra e os CRAS
Zaíra e Macuco, conforme anteriormente mencionado.

Em relação à participação em programas sociais, sabe-se que cerca de 310 famílias estão
incluídas em programas como o Bolsa Família, Renda Cidadã, Ação Jovem e Leve Leite
(Mauá, 2013).

Por meio de levantamento realizado para o PTS (Mauá, 2013), constatou-se alguns casos de
maior vulnerabilidade, que correspondem aos casos de moradores que possuem algum tipo de
deficiência. Estima-se que estes representem cerca de 43 pessoas, sendo 1 deficiente visual,
04 deficientes auditivos, 18 deficientes físicos e 20 deficientes mentais.

4.2 Acesso a serviços e equipamentos

No perímetro do assentamento precário Chafik-Macuco os equipamentos públicos são


escassos, visto que há apenas uma praça, e, embora exista alguma diversidade de
equipamentos públicos no seu entorno, a população enfrenta sérias dificuldades para acessá-
los devido às péssimas condições das vias e vielas, em sua maioria não pavimentadas, e em
razão da declividade acentuada em determinados trechos, que torna o trajeto notadamente
mais complexo.
58

Por meio de verificação realizada em campo foi possível constatar que percorrer um trajeto
curto pode se tornar extremamente cansativo na presença de declividades acentuadas, o que
se agravar dependendo das condições de mobilidade dos habitantes.

Dentre todas as limitações de acesso aos equipamentos, ressalta-se as que se referem à saúde
da população. Em relação aos serviços de saúde, são fatores impeditivos não só a distância
dos equipamentos à área e a existência de um único hospital público em Mauá, mas a
dificuldade de acesso, principalmente em caso de urgência. Quando há a necessidade de
acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), esse demora muito para
chegar na área, e, quando chega, dificilmente consegue localizar a residência do solicitante, já
que as condições do viário não permitem que a ambulância chegue até o local onde a pessoa
que precisa de atendimento aguarda.

Em relação a equipamentos de educação, verifica-se a existência de certa diversidade no


entorno da área. Apesar disso, conforme já relatado, dados do PTS (Mauá, 2013) indicam que
cerca de 88,7% das crianças na faixa dos 0 aos 3 anos não são atendidas por creches,
indicando a necessidade de maior abrangência no atendimento desta demanda.

Ressalta-se que os equipamentos de cultura, esporte e lazer são bastante escassos na cidade
como um todo, mas para a área de estudo a situação é ainda mais crítica, existindo baixa
diversidade de tais tipologias de equipamentos.

De maneira geral, nota-se baixa diversidade de equipamentos de atendimento à área e


ausência desses dentro da delimitação da área de estudo.

5 ASPECTOS JURÍDICO-FUNDIÁRIOS

5.1 Propriedade da terra

O Jardim Zaíra, antes de ser loteado, fazia parte de uma enorme fazenda denominada Bocaina,
com área de 4.284.860 m2. A referida propriedade pertencia a João Jorge Figueiredo, que
instalou a primeira fábrica de louças da região na localidade e construiu ainda uma vila
operária que se tornou o primeiro núcleo habitacional da área (QUINTINO, 2012).

A propriedade foi posteriormente vendida, em 1952, a Chafik Mansur Sadek, que iniciou na
localidade loteamentos populares com 200 e 300 m2. Há relatos de que o loteador fornecia
59

ainda como material de construção alguns tijolos, telhas, uma porta, um vitrô e uma janela no
ato de venda dos lotes, de maneira que este tornou-se um negócio bastante atrativo para a
população de baixa renda, que dava entrada no pagamento e construía as residências em
mutirões aos finais de semana. Chafik dividiu as terras em glebas, de maneira a loteá-las para
venda. Registros da Prefeitura de Mauá indicam que a aprovação das 3 primeiras glebas,
denominadas A, B e C, deu-se nos anos de 1956, 1960 e 1963, respectivamente (QUINTINO,
2012).

Chafik Mansur não vendeu, entretanto, toda a extensão de sua propriedade, de maneira que
até hoje parcela das terras, localizadas junto aos trechos mais altos do bairro, na gleba C,
pertencem aos herdeiros da família. Tais áreas, com restrições físicas severas quanto à
ocupação territorial, foram ocupadas irregularmente (QUINTINO, 2012). O parcelamento
irregular da gleba C deu origem às glebas D, E, F e G, que constituem um loteamento que
nunca atendeu a legislação municipal por envolver áreas de risco, que apresenta infraestrutura
precária e título de propriedade com descrição inadequada e insuficiente da área (Mauá,
2013).

Constata-se assim que a área é de propriedade particular e foi ocupada de maneira irregular. O
fato de a propriedade da terra ser particular dificultou a construção de equipamentos públicos,
de tal maneira que se verifica, por exemplo, ausência de serviços de saúde e de educação
dentro dos limites da área, conforme anteriormente mencionado.

5.2 Legislação Incidente

5.2.1 Legislação Federal

O direito à moradia é garantido pela Constituição Federal Brasileira, conforme estabelecido


em seu TítuIo II, Capítulo II, que trata dos direitos sociais. O Título VII, por sua vez, trata da
política urbana em seu Capítulo II, nos artigos n° 182 e 183, que são regulamentados pelo
Estatuto da Cidade por meio da Lei n° 10.257/2001.

O Estatuto da Cidade (EC) estabelece diretrizes gerais da política urbana brasileira e tem
como princípio básico o planejamento participativo e a função social da cidade e da
propriedade. Por meio do EC, define-se o direito não só à moradia, mas a cidades
sustentáveis, à terra urbana, ao saneamento, à infraestrutura urbana, ao transporte, aos
60

serviços públicos, ao trabalho e ao lazer. O EC cria também diversos instrumentos para


garantia do cumprimento de seus princípios básicos. Um deles é o Plano Diretor, obrigatório
para cidades com mais de vinte mil habitantes ou inseridas em regiões metropolitanas.

Ainda no âmbito da legislação federal que incide sobre o caso de estudo, tem-se a Lei n°
11.977/2009, que dispõe sobre a regularização fundiária dos assentamentos localizados em
áreas urbanas e sobre o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). Fica estabelecido por
tal lei que regularização fundiária consiste no conjunto de medidas jurídicas, urbanísticas,
ambientais e sociais que visam a regularização de assentamentos irregulares e a titulação de
seus ocupantes, de modo a garantir o direito social a moradia, o pleno desenvolvimento das
funções sociais da propriedade urbana e o direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado.

Recentemente, a referida Lei foi alterada pela Lei n° 13.465, de 11 de julho de 2017, que
dispõe, dentre outras coisas, sobre a regularização fundiária rural e urbana. Estabelece-se pela
Lei n°13.465/2017, que a regularização fundiária de interesse social em áreas de APP não
identificadas como áreas de risco será permitida por meio da aprovação do projeto de
regularização fundiária, na forma da lei específica de regularização fundiária urbana. Ainda
nesse sentido, a Lei n°12.651/2012 autoriza a intervenção ou a supressão de vegetação nativa
em APP excepcionalmente para execução de obras habitacionais e de urbanização inseridas
em projetos de regularização fundiária de interesse social em áreas urbanas consolidadas
ocupadas por população de baixa renda.

No âmbito de projetos de urbanização e regularização, ainda é fundamental mencionar o


aspecto de licenciamento ambiental. Este é um procedimento administrativo estabelecido pela
Política Nacional de Meio Ambiente através Lei n°6.938/1981 e que deve ser realizado por
órgão competente vinculado ao Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA). O
licenciamento ambiental, segundo definido pela Resolução CONAMA n°237/1997, é
efetuado por um único ente federado, União, Estados ou Municípios. Ainda no âmbito de
licenciamento, a Lei Complementar n°140/2011 fixa normas para cooperação entre os entes
no exercício de suas competências e estabelece ainda que, desde que os municípios tenham
conselho municipal de meio ambiente e órgão ambiental capacitado, serão responsáveis pelo
licenciamento de empreendimentos de impacto local.
61

Os aspectos referentes à legislação ambiental serão tratados com maior detalhamento no


tópico 5.2.3 deste diagnóstico.

5.2.2 Legislação Municipal

• Plano Diretor

A Constituição Federal Brasileira estabelece, no Capítulo II, de Política Urbana, em seu artigo
n°182, que a política de desenvolvimento urbano, que é executada pelo poder público
municipal, objetiva ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir
o bem-estar de seus habitantes. O mesmo artigo, em seu parágrafo 1°, aponta a
obrigatoriedade da elaboração e aprovação em Câmara Municipal do Plano Diretor
Municipal, que é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana,
para cidades com mais de vinte mil habitantes.

O Plano Diretor de Mauá, Lei n°4.153/2007, constitui o instrumento básico da política de


desenvolvimento urbano, econômico e social e disciplina a expansão urbana da cidade. Dentre
as funções sociais estabelecidas na referida legislação estão (i) o fornecimento de
infraestrutura urbana integrada à ocupação territorial e que atenda às necessidades básicas da
população; (ii) o atendimento à demanda de serviços e equipamentos públicos e comunitários
da população; (iii) a proteção, recuperação e preservação do meio ambiente; e (iv) o
oferecimento de espaços voltados para atividades culturais, esportivas e de lazer para a
população. Sendo assim, leva-se em consideração aspectos de infraestrutura, de acesso à
moradia digna e aos serviços públicos e questões ambientais e culturais na definição das
funções sociais.

O Capítulo V, que trata da Política Habitacional, estabelece dentre as diretrizes da Política


Municipal de Habitação, o desenvolvimento de políticas habitacionais e fundiárias que visem
a realização do direito à moradia adequada, a regularização urbanística, imobiliária, fundiária
e administrativa dos aglomerados de população de baixa renda para incentivo da melhoria das
habitações, a criação de áreas especiais de interesse social sujeitas a padrões urbanísticos
diferenciados e de programas de subsídios para garantir a democratização do acesso à moradia
digna à população excluída ou de baixa renda, a priorização da regularização fundiária em
núcleos de loteamentos irregulares existentes e a urbanização.
62

Nesse sentido, o Plano Diretor de Mauá estabelece Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS)
para as quais são estabelecidos normas e padrões urbanísticos diferenciados com o intuito de,
dentre outras coisas, ampliar os mecanismos de democratização do acesso à terra,
favorecendo o acesso à população de baixa renda e promovendo a urbanização e regularização
fundiária dos assentamentos habitacionais irregulares que já estão inseridos no tecido urbano,
conforme será abordado no tópico a seguir.

• Lei de Uso e Ocupação do Solo

A Lei n°4.968/2014 dispõe sobre uso e ocupação do solo no município de Mauá e insere a
área do Chafik na macrozona não adensável da cidade, considerando-a como Zona de Uso
Diversificado 2 (ZUD 2), que corresponde a regiões com infraestrutura e condições
geotécnicas desfavoráveis ao adensamento populacional.

A Lei de Uso e Ocupação do Solo define ainda, em sua Seção III, artigo n°22, que nos
terrenos com declividade predominante igual ou superior a 30%, a ocupação somente será
permitida mediante taludamento, construção de muro de arrimo ou outra solução técnica.
Ainda nesse sentido, no Título IV, artigo n°42, conforme anteriormente mencionado, define-
se que a urbanização somente será permitida em terrenos de complexidade geológica, tais
como de declividade predominante igual ou superior a 30% ou ainda em zonas de erosão ou
risco de escorregamento, mediante correção das situações inadequadas ou comprovação de
que há situação favorável para tal.

A Lei n°4.968/2014 dispõe ainda sobre padrões de uso, ocupação e urbanização do solo,
estabelecendo parâmetros específicos para habitações em áreas de interesse social.
Adicionalmente, define as áreas de Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) e Zona Especial
de Interesse Ambiental (ZEIAS).

A área de estudo foi delimitada como Área Especial de Interesse Social pela primeira vez
através da Lei n°2.959 de 1998. Atualmente, a Lei n°4.968 de 2014 define as ZEIS do
município de Mauá. O artigo n° 128 da referida legislação aponta a classificação das áreas em
ZEIS 1A, 1B e 2:

“I - Zonas Especiais de Interesse Social 1A (ZEIS 1A): compreendem


as áreas públicas ocupadas por assentamentos de população de baixa
renda;
63

II - Zonas Especiais de Interesse Social 1B (ZEIS 1B): compreendem


as áreas particulares ocupadas por assentamentos de população de
baixa renda;
III - Zonas Especiais de Interesse Social 2 (ZEIS 2): compreendem os
terrenos não edificados em imóveis subutilizados ou não utilizados,
necessários à implantação de programas habitacionais.”

A delimitação da área como ZEIS garante a aplicação de normas e padrões urbanísticos


diferenciados para tais localidades, facilitando a promoção da urbanização e a regularização
fundiária de assentamentos irregulares e clandestinos já inseridos na malha urbana.

A Figura 47, a seguir, aponta as regiões classificadas como ZEIS na área de estudo. Observa-
se que praticamente toda a extensão dos setores da área é classificada como ZEIS, à exceção
do setor 4, que é classificado como Zona Especial de Interesse Ambiental II (ZEIA II), em
que é permitido o uso sustentável e compatível com a conservação das características
ambientais da área, tais como instalação de áreas de lazer, parque linear, cultivo e plantio de
mudas de compensação ambiental.

Figura 47: Definição das áreas classificadas como ZEIS no perímetro de estudo

Observa-se ainda que nas proximidades do assentamento há áreas consideráveis delimitadas


como ZEIS II, constituindo um potencial para possíveis reassentamentos.
64

5.2.3 Restrições impostas pela legislação ambiental

• Código Florestal – Lei nº 12.651/2012

A Lei nº 12.651/2012, dispõe sobre a proteção da vegetação nativa. Trata-se do Código


Florestal e na Capítulo II desta lei são previstas as delimitações e regime de proteção das
áreas de preservação permanente.

Nos incisos de I a XI do artigo 4º são estabelecidas as áreas de preservação permanente, sendo


elas: margens de quaisquer cursos d'água naturais com largura mínima definida a partir da
largura da calha do leito regular, áreas no entorno de reservatórios, área no entorno de
nascentes e olhos d'água perenes com raio mínimo de cinquenta metros, encostas com
declividade superior a 45°, restingas, manguezais, bordas dos tabuleiros ou chapadas, topos de
morros, montes, montanhas e serras com altura mínima de cem metros e inclinação média
maior que 25°, áreas localizadas acima de 1800 metros de altitude e veredas com largura
mínima de cinquenta metros a partir do local brejoso e encharcado.

E, conforme já exposto no tópico 5.2.1, no artigo 8º é estabelecido que a intervenção ou


supressão da vegetação em áreas de preservação permanente será autorizada somente em
casos de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental.

É possível relacionar o previsto nesta lei com a área de estudo Chafik-Macuco, pois uma
porção significativa das áreas de preservação permanente existentes encontram-se ocupadas.

• Resolução CONAMA 369/2006

A Resolução CONAMA 369/2006 dispõe sobre os casos extraordinários, de utilidade pública,


interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de
vegetação em Área de Preservação Permanente (APP). Sabendo da possibilidade de suprimir
a vegetação em APPs para regularização fundiária sustentável, foi apurado o cumprimento ou
não das exigências desta resolução para a área de interesse.

A resolução ainda prevê, nos incisos I, II e III do Art. 2º, que as áreas de preservação
permanente só serão autorizadas a sofrer intervenção ou supressão para os casos de utilidade
pública, interesse social e de baixo impacto ambiental.
65

A seguir, são analisados itens desta resolução e comparado com as características da área de
interesse.

• Art. 1º, § 1º - é especificado que em manguezais, nascentes, veredas e dunas


originalmente providas de vegetação são proibidas a intervenção e supressão. Ainda é
estabelecido que a autorização da supressão e intervenção em área de preservação permanente
fica condicionada apenas para outorga do direito de utilização de recursos hídricos. Como é
possível observar na Figura 34, que ilustra as áreas de preservação permanente no local de
estudo, este critério não é atendido, pois existem diversas residências em APP de nascentes;

• Art. 9º - autoriza a intervenção nas áreas de preservação permanente para


regularização fundiária sustentável se atendidas as condições previstas nos incisos de I a VI
desta resolução;

• Art. 9º, Inciso I - condiciona o uso das APPs a ocupações de baixa renda
predominantemente residenciais. Este critério é totalmente compatível com a área de estudo,
visto que a maior parte da população tem renda familiar de até 1,5 salários mínimos;

• Art. 9º, Inciso II – estabelece que as ocupações estejam em área urbana decretada
como zona especial de interesse social. Esta condição se enquadra inteiramente com o
assentamento de estudo, visto que o local está em área de ZEIS 1B (Figura 47) estabelecida na
Lei Municipal nº 4.968/2014;

• Art. 9º, Inciso III – (a) estabelece que a ocupação em área urbana deve atender ao
menos três critérios referentes à infraestrutura. Como já previsto nos tópicos anteriores, o
assentamento possui malha viária em alguns setores, esgotamento sanitário em poucos trechos
(Figura 25), rede de distribuição de água permanente em áreas limitadas e provisórias nas
demais residências (Figuras 21 e 22) e rede de distribuição de energia em diversos pontos da
área de estudo (Figura17). E referente à alínea "b", que estabelece que a densidade
demográfica deverá ser maior que 50hab/ha. Dessa forma, a densidade da área de estudo é
maior que o estabelecido na resolução, pois os quatro setores de estudo possuem um total de
322hab/ha;

• Art. 9º, Inciso IV – a localização deve ser exclusivamente em áreas de preservação


permanente de reservatórios e cursos d'água, respeitando a faixa mínima de 50m e 15m,
respectivamente; topo de morros e montanhas, de forma que seja respeitada as áreas de
66

recarga de aquíferos e restingas. Conforme ilustrado na Figura 34, existem diversas


residências dentro dos limites da faixa mínima de 15m dos cursos d'água na área de estudo;

• Art. 9º, Inciso V – estabelece que as ocupações devem ser consolidadas, até 10 de
julho de 2001, conforme previsto na Lei 10.257/2001 e Medida Provisória nº 2.220/2001.
Conforme elucidado no tópico 4.1.2 deste trabalho, não existem informações detalhadas sobre
o tempo de residência dos moradores na área, porém durante a visita de campo uma moradora
informou que morava no local há 26 anos;

• Art. 9º, Inciso VI – critérios para elaboração de um Plano de Regularização Fundiária


Sustentável pelo município. É evidente que este trabalho não se trata deste plano em si, no
entanto, atende à maioria das exigências previstas neste inciso.

Ainda, no parágrafo 1º do artigo 9º desta resolução, é proibida a regularização de ocupações


que estejam localizadas em áreas de risco de inundações, corrida de lama, movimentos de
massa rochosa e outras definidas como de risco. Conforme ilustrado na Figura 36, quase
100% do assentamento encontra-se em área de risco.

Dessa forma, ao analisar e correlacionar a Resolução CONAMA nº 369/2006 com a área de


estudo, é possível afirmar que o assentamento precário Chafik-Macuco atende às condições e
requisitos da legislação, sendo possível autorizar a intervenção e supressão de vegetação em
áreas de preservação permanente bem como ser autorizada a diminuição a faixa de APP em
cursos d'água, em alguns casos.

• Resolução CONAMA 237/1997 e Lei Complementar nº 140/2011

A Resolução CONAMA nº 237/1997 estabelece diretrizes para o processo de licenciamento


ambiental, que consistem em um processo administrativo no qual o órgão ambiental
competente licencia a localização, instalação, operação e ampliação de empreendimentos ou
quaisquer atividades que utilizem recursos naturais, consideradas potencial ou efetivamente
poluidoras ou que possam ocasionar degradação ambiental.

Relacionando essa legislação com a área de estudo, o artigo 6º desta resolução estabelece
que o órgão ambiental municipal é responsável pelo licenciamento dos empreendimentos e
atividades de impacto ambiental local. Desta forma, no caso de intervenções para
67

melhorias, urbanização e regularização fundiária do assentamento, o município de Mauá é o


responsável por licenciar as obras.

O poder público expedirá as seguintes licenças: a. Licença prévia (LP); b. Licença


de instalação (LI); c. Licença de operação (LO). Ainda, as licenças poderão ser expedidas de
forma isolada ou sucessiva, de acordo com o tipo de empreendimento ou atividade. Ainda, são
estabelecidas as etapas e prazos a serem cumpridos.

Já a Lei Complementar nº 140/2011 fixa normas de cooperação entre União, Estados, Distrito
Federal e Municípios nos processos administrativos consequentes da execução da
competência comum em função da proteção das paisagens naturais e do meio ambiente bem
como no combate à poluição em quaisquer formas, além da preservação de florestas, fauna e
flora. A referida lei complementar atua como complemento no processo de licenciamento
ambiental discutido sucintamente acima.
68

PARTE II - PROPOSTA DE INTERVENÇÃO


69

6 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

Com base no diagnóstico ambiental, socioeconômico, fundiário e de legislação aplicada,


apresenta-se uma proposta de intervenção para a área dos setores de 1 a 4 do
assentamento Chafik-Macuco.

6.1 Diretrizes de Intervenção

As diretrizes da presente proposta refletem os critérios adotados para


tomadas de decisão acerca de consolidação de trechos, remoções, reassentamentos, integração
à cidade, recuperação ambiental e inclusão social da população do assentamento precário.
São diretrizes da proposta de intervenção:

• Considerando o grande déficit habitacional do município de Mauá, priorizar a


permanência das famílias na área;

• Promover acesso a saneamento integrado, incluindo redes de água, esgoto, coleta de


resíduos e sistema de drenagem, de maneira a melhorar a qualidade de vida e promover
recuperação ambiental;

• Adequar as condições do viário em termos de pavimentação, acesso, dimensões e


garantir sua ampliação de maneira a promover a integração e conectividade do assentamento
ao bairro e à cidade;

• Remover a população residente em áreas de risco muito alto, classificadas como R4,
em que há grande probabilidade de ocorrência de eventos de deslizamentos;

• Remover a população de áreas muito adensadas e precárias, de maneira a garantir


condições sanitárias aceitáveis e adequar o tecido urbano nesses locais, quando possível;

• Remover edificações nas faixas de 25 metros de APP de nascentes e 5 metros de APP


para os cursos d'água não confinados;

• Priorizar a realocação e, em casos de reassentamentos, garantir sua realização


em áreas próximas e dotadas de infraestrutura e acesso a equipamentos;

• Implantar equipamentos públicos na área, especialmente creche;


70

• Promover recuperação ambiental nas áreas não consolidáveis em que


será efetuada remoção, com plantio de espécies nativas e adequadas às condições de
declividade.

6.2 Propostas

Apresentam-se nos tópicos a seguir as propostas de intervenção elaboradas para a área com o
objetivo de melhoria das condições de qualidade de vida e recuperação ambiental mediante
consolidação de determinadas áreas, rearranjo de outras e fornecimento dos serviços
e infraestrutura adequados. Os mapas aqui apresentados encontram-se também nos anexos
para melhor visualização de detalhes.

6.2.1 Remoções

Conforme verificado no diagnóstico, a área de estudo apresenta declividades extremamente


acentuadas, edificações em grau de risco muito alto (R4) e diversos trechos não consolidados
caracterizados por severa precariedade.

Propõe-se remoção das edificações localizadas em área de risco de grau R4, considerando-
se a segurança da população e a impossibilidade de adequação. Da mesma maneira, as
construções dispersas classificadas como "não consolidadas" no diagnóstico e algumas outras
em diferentes trechos foram consideradas impróprias para readequação em virtude de sua
localização no meio de encostas com vegetação e/ou alta declividade, onde se verifica ainda
precariedade significativa, e, portanto, não será admitida consolidação. A Figura 48 ilustra o
relevo extremamente acidentado de um dos trechos onde se propõe remoção das edificações.
71

Figura 48: Relevo acidentado na área onde é proposta remoção

É proposta ainda a remoção das edificações do setor 4 que se encontram na Rua Deise, bem
como a desativação do trecho do viário referente à essas residências, como forma de conter a
expansão para a área, que é AEIA 1, conforme verificado no diagnóstico realizado.

Ainda, propõe-se a remoção das edificações localizadas em APP de 25 metros de nascentes e


5 metros para os cursos d'água não confinados. Admite-se aqui que a abertura de faixas de
APP para os córregos confinados não resulta em melhoria e cumprimento de
função ambiental. A flexibilização proposta foi realizada mediante análise da Resolução
CONAMA n°369/2006, considerando-se a descaracterização do córrego Corumbé e seus
afluentes e, por outro lado, a importância ambiental de determinados trechos próximos
às cabeceiras.

Em virtude da adequação e da abertura de novas vias, traçadas de maneira a promover


acesso às vias carroçáveis em um raio de 50 metros, algumas outras edificações serão
removidas.

A Tabela 9, a seguir, apresenta a síntese de remoções propostas separadas por categoria. No


total, propõe-se a remoção de 1095 famílias da área de estudo, o que corresponde à 22,61% do
total de edificações do assentamento. Verifica-se que a maior parte das remoções se dá por
conta de precariedade e trechos não consolidáveis.
72

Tabela 9: Síntese de remoções por categoria


Número de Famílias Percentual em relação ao total
Restrição
Removidas de famílias
Grau de Risco R4 – IPT (2012) 71 1,47%
APP cursos d'água (5m) 168 3,47%
APP de nascentes (25m) 38 0,78%
Abertura/adequação do viário 25 0,52%
Precariedade/Áreas não
709 14,64%
consolidáveis
Total de Edificações removidas 1 1011 20,88%
Requalificação habitacional
84 1,73
(adensamento excessivo)
Total de Edificações removidas 2 1095 22,61%

A Figura 49 ilustra, tal qual informações da Tabela 9, a proposta de remoções separadas por
categoria.

Figura 49: Síntese de remoções por categoria

Ainda, realizou-se a setorização das remoções (Figura 50), associando cada setor ao conjunto
de motivos que levaram à proposta de retirada das famílias. De maneira simplificada:
73

• O setor S1 representa remoções para eliminação de vetor de expansão. O trecho


localizado na Rua Deise, especificamente, visa contenção da expansão em área de proteção
ambiental;

• O setor 2 refere-se às remoções para substituição de tecido, uma vez que as


edificações são excessivamente precárias e o tecido significativamente irregular;

• Ainda, no setor S3 há precariedade excessiva, além de grau de risco R4 e diferentes


trechos de APP de nascentes e cursos d'água. Além disso, considera-se a inviabilidade de
consolidar as edificações desse setor, uma vez que essas se encontram em trecho de relevo
extremamente acidentado;

• O setor S4 foi definido com remoção de 10% das edificações para fins
de desadensamento e garantia de condições de salubridade;

• O setor S5 representa as remoções para abertura e/ou adequação do viário, de maneira


a garantir acesso às vias carroçáveis em um raio de 50 metros das edificações;

• O setor S6 refere-se às remoções em razão de APP de 25 metros de nascente.

Figura 50: Setorização das remoções propostas


74

Ainda, apresenta-se na Tabela 10 a síntese das famílias removidas em cada um dos setores,
totalizando o mesmo valor de 1095 remoções apresentado na Tabela 9.

Tabela 10: Motivação e número de remoções por setor


Setor Motivação Número de famílias removidas
S1 Eliminação de Vetor de Expansão 72
S2 Substituição de Tecido 389
Risco R4/Precariedade/APP de
S3 508
cursos d'água e nascentes
Requalificação Habitacional
S4 84
(adensamento excessivo)
S5 Abertura e/ou adequação de viário 25
S6 APP de Nascente 17
Total 1095

6.2.2 Readequação do sistema viário

Após a definição das moradias que deverão ser removidas, elaborou-se a proposta para o
sistema viário (Figura 51), que conforme uma das diretrizes da proposta, visa adequar as
condições das vias em termos de pavimentação, dimensões e garantir sua ampliação de
maneira a promover a integração do assentamento ao bairro e à cidade.
75

Figura 51: Intervenções no sistema viário

Devido à proposta de remoções, parte de algumas vias ficará sem funcionalidade. São elas:
Rua das Laranjeiras, Rua Manoel Carlos Pinto, Rua Manoel Nascimento e Rua das
Goiabeiras. Assim, os referidos trechos serão desativados.

Propõe-se também melhoria e adequação de algumas vias por meio de alargamento,


pavimentação e inclusão e/ou melhoria do sistema de drenagem. Ressalta-se que é desejável o
aproveitamento das obras do sistema viário para inclusão da rede de coleta de esgoto nas áreas
não atendidas.

Ainda, sugere-se a criação de 4 novas vias. Três delas visam melhorar a conectividade e
promover acesso a vias carroçáveis em um raio de 50 metros para todas as edificações. Por
outro lado, uma dessas novas vias, que será a mais larga do assentamento, com 7 metros, e
paralela à Rua Manoel Nascimento, visa conter o vetor de expansão e facilitar a fiscalização
na área. Ressalta-se que as vias propostas seguem o traçado das curvas de nível da área de
estudo, evitando problemas relacionados à declividade excessiva.

A Figura 52, a seguir, ilustra a classificação do sistema viário após as intervenções propostas.
76

Figura 52: Classificação do sistema viário após intervenções

A via classificada como “Carroçável 1 “ é uma das novas vias propostas, com 7 metros de
largura. A referida via foi proposta para funcionar como uma barreira física à novas
ocupações e permitir fiscalização, conforme citado anteriormente.

Por outro lado, as vias classificadas como “Carroçável 2”, que estão em maior número,
possuirão 5 metros de largura. Para tal, parte destas passará por obras de readequação.

Por fim, a classificação “Carroçável 3” engloba a Rua das Figueiras e parte da Rua Manoel
Rodrigues da Costa, que possuem altíssima declividade ao mesmo tempo em que conectam
áreas com edificações consolidadas e com bom padrão construtivo. Propõe-se então a
implantação de mão única e a construção de escadaria com platôs para facilitar o
deslocamento e acesso dos moradores, e, dessa maneira permitir que não sejam removidas as
moradias existentes no local.

Ressalta-se que todas as vias serão pavimentadas e atendidas por iluminação pública. Propõe-
se que todas as vielas e escadarias existentes na área sejam readequadas, e que haja
padronização dessas, com construção em cimento e instalação de corrimãos para aumentar a
segurança e acessibilidade.
77

6.2.3 Remanejamentos e reassentamentos

De acordo com a síntese de remoções (Tabela 9), 1095 famílias serão removidas, e, portanto,
deverão ser remanejadas e reassentadas.

A área disponível devido à remoção por precariedade, em que será efetuada substituição de
tecido e que, após a intervenção será delimitada por uma ampla via, totaliza 15.890 m². Desse
montante, 1.410 m² serão utilizados para a implantação de uma Unidade Básica de Saúde
(UBS), 780 m² serão destinados para a construção de uma creche, e o excedente, que é de
13.700 m², será destinado ao remanejamento.

Como a área dentro do assentamento é insuficiente para suprir as remoções, propõe-se a


utilização de uma área situada em ZEIS 2, que se encontra em um raio de abrangência de 500
m da área de estudo, e que totaliza 92.445 m².

A Figura 53 ilustra as áreas destinadas ao reassentamento e ao remanejamento.

Figura 53: Áreas destinadas ao reassentamento e remanejamento

Para a área destinada ao remanejamento, propõe-se a construção de prédios em lâmina, que


juntos comportarão 160 famílias. A Figura 54, na sequência, ilustra a tipologia escolhida.
78

Figura 54: Tipologias para a área de reassentamento

A área destinada ao reassentamento, que está inserida em ZEIS 2, possui altitude variando
entre 873 e 889 metros, conforme o perfil de elevação apresentado na Figura 55.

Figura 55: Perfil de elevação da área destinada ao reassentamento


79

Considerando que para cada família reassentada serão destinados 70 m², o que inclui
infraestrutura viária e de acesso, será necessária uma área de 65.450 m² para construção de
935 moradias para as famílias remanescentes. A Tabela 11, a seguir, expõe a síntese do
número de famílias reassentadas e remanejadas.

Tabela 11: Síntese do remanejamento e reassentamento


Área Tipo Número de Famílias
A1 Substituição de Tecido - Remanejamento 160
A2 Área externa - Reassentamento 935
Total 1.095

6.2.4 Cenário pós-intervenção

A proposta aqui apresentada foi construída mediante consideração das remoções e


readequações do sistema viário já mencionadas, além da necessidade da implantação de
equipamentos públicos na área do assentamento e da tentativa de realocar o maior número de
pessoas após intervenção.

Assim, em um cenário pós intervenção, planeja-se a implantação dos seguintes equipamentos:


creche, serviço de saúde e praça, em diferentes pontos do assentamento. Ainda, conforme já
discutido, propõe-se a construção de edifícios em lâmina na área, como meio de aproveitar o
difícil estoque de terra local com qualidade urbanística e maximizar o número de
remanejamentos.

Como meio de recuperação da qualidade ambiental local, pretende-se também que seja feita a
requalificação ambiental das áreas de remoção nas encostas, mediante substituição de solo nos
casos necessários e utilização de espécies nativas adequadas às condições de declividade
locais.

Por fim, a Figura 56 apresenta o cenário pós intervenção, com todas as alterações propostas.
80

Figura 56: Cenário pós-intervenção

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Jhonson Lins Rocha, et al. Finanças Públicas: Estudo sobre a LRF no Município
de Mauá. Revista Eletrônica Gestão e Serviços, v.5, n. 1, jan./jun. 2014.

BRASIL. Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e dá outras providências.

BRASIL. Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da


Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.

BRASIL. Lei n° 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o


saneamento básico; altera as Leis nos 6.766, de 19 de dezembro de 1979, 8.036, de 11 de
maio de 1990, 8.666, de 21 de junho de 1993, 8.987, de 13 de fevereiro de 1995; revoga a Lei
n° 6.528, de 11 de maio de 1978; e dá outras providências.

BRASIL. Lei n°11.977, de 7 de julho de 2009. Dispõe sobre o Programa Minha Casa, Minha
Vida – PMCMV e a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas;
altera o Decreto-Lei no 3.365, de 21 de junho de 1941, as Leis nos 4.380, de 21 de agosto de
81

1964, 6.015, de 31 de dezembro de 1973, 8.036, de 11 de maio de 1990, e 10.257, de 10 de


julho de 2001, e a Medida Provisória no 2.197-43, de 24 de agosto de 2001; e dá outras
providências

BRASIL. Lei n°12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação


nativa; altera as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e
11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e
7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória no 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e
dá outras providências.

BRASIL. Lei n°12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação


nativa; alteras as Leis nos 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996,
e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis nos 4.771, de 15 de setembro de 1965, e
7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisório n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e
dá outras providências.

BRASIL. Lei n°13.465, de 11 de julho de 2017. Dispõe sobre a regularização fundiária rural
e urbana, sobre a liquidação de créditos concedidos aos assentados da reforma agrária e sobre
a regularização fundiária no âmbito da Amazônia Legal; institui mecanismos para aprimorar a
eficiência dos procedimentos de alienação de imóveis da União; altera as Leis nos 8.629, de 25
de fevereiro de 1993, 13.001, de 20 de junho de 2014, 11.952, de 25 de junho de 2009,
13.340, de 28 de setembro de 2016, 8.666, de 21 de junho de 1993, 6.015, de 31 de dezembro
de 1973, 12.512, de 14 de outubro de 2011,10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil),
13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), 11.977, de 7 de julho de 2009,
9.514, de 20 de novembro de 1997, 11.124, de 16 de junho de 2005, 6.766, de 19 de
dezembro de 1979, 10.257, de 10 de julho de 2001, 12.651, de 25 de maio de 2012, 13.240,
de 30 de dezembro de 2015, 9.636, de 15 de maio de 1998, 8.036, de 11 de maio de 1990,
13.139, de 26 de junho de 2015, 11.483, de 31 de maio de 2007, e a 12.712, de 30 de agosto
de 2012, a Medida Provisória no 2.220, de 4 de setembro de 2001, e os Decretos-Leis nos
2.398, de 21 de dezembro de 1987, 1.876, de 15 de julho de 1981, 9.760, de 5 de setembro de
1946, e 3.365, de 21 de junho de 1941; revoga dispositivos da Lei Complementar no76, de 6
de julho de 1993, e da Lei no 13.347, de 10 de outubro de 2016; e dá outras providências.

BRASIL, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as Diretrizes e Bases da


Educação Nacional. Congresso Nacional, Brasília, 20 de dezembro de 1986; 175º da
Independência e 108º da República.

BRASIL. Lei Complementar n°140, de 8 de dezembro de 2001. Fixa normas, nos termos
dos incisos III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para
a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações
administrativas decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção das
paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao combate à poluição em qualquer
82

de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a Lei no 6.938, de 31
de agosto de 1981.

BRASIL. Resolução CONAMA n°237, de 19 de dezembro de 1997. Regulamenta os


aspectos de licenciamento ambiental estabelecidos na Política Nacional do Meio Ambiente.

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das Cidades; Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, 2007.

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Jardim Zaíra, município de Mauá/SP: Uma análise episódica. 2013. 267 f. Dissertação
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TEREZA ARQUITETURA E URBANISMO. Assentamento Chafik - Macuco - JD. Zaíra


4 e 5: Diagnóstico e diretrizes urbanísticas. 2013.
85

ANEXOS
86

Mapa 1 - Localização do assentamento precário Chafik-Macuco (setores 1 a 4)


87

Mapa 2 - Principais vias de acesso ao assentamento Chafik-Macuco


88

Mapa 3: Tipologia de canalização dos cursos d'água na região de estudo


89

Mapa 4- Cobertura vegetal na área de estudo


90

Mapa 5 - Hipsometria da área de estudo


91

Mapa 6 - Padrão urbanístico na área de estudo


92

Mapa 7 - Hierarquia do sistema viário dentro da área de estudo


93

Mapa 8 - Infraestrutura de transporte


94

Mapa 9 - Rede permanente de abastecimento de água no Chafik-Macuco


95

Mapa 10 - Rede de esgotamento sanitário no Chafik-Macuco


96

Mapa 11 - Restrição por declividade


97

Mapa 12 - Restrição por Áreas de Preservação Permanente (APP)


98

Mapa 13 - Restrição por grau de risco (IPT, 2012)


99

Mapa 14 - Síntese de restrições


100

Mapa 15 - Equipamentos Públicos


101

Mapa 16 - Vazios urbanos no entorno da área de estudo


102

Mapa 17 - Áreas delimitadas como ZEIS na região de estudo


103

Mapa 18 - Síntese de remoções por categoria


104

Mapa 19 - Setorização das remoções propostas


105

Mapa 20 - Intervenções no sistema viário


106

Mapa 21 - Classificação do sistema viário após intervenções


107

Mapa 22: Áreas destinadas ao reassentamento e remanejamento


108

Mapa 23 - Cenário pós-intervenção

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