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Direito Processual Civil II

João Alberto de Almeida e Renata Vieira Maia


Laura Cardoso Bernardes – Monitora
17/05/2021

Apresentação do plano de ensino.

Disciplina dividida em 12 unidades.

Todas as aulas síncronas serão as 19 horas, serão também gravadas e reservadas em especial para
dias anteriores as provas.

Método de avaliação
 3 provas individuais realizadas por meio do moodle.

Em caso de perda de prova, a substituição é feita por meio de prova oral.

Dica
Ler o código de processo Civil acerca do tópico a ser estudado

19/05/2021
ATOS PROCESSUAIS
1.Atos processuais
1.1- Forma
1.2- Prática eletrônica dos atos processuais
1.3- Tempo e lugar
1.4 – Prazos, Verificação e Penalidades
1.5- Comunicação: Citação, intimação e cartas
1.6- Distribuição e registro
1.7 – Valor da causa
Formalismo Processual
Nós sabemos que o processo se forma através de vários atos desencadeados para um provimento
final. Inicia pela demanda, se desenvolve por outros meios, até chegar a sentença.

Formalismo do processo = requisito intrínseco de validade


Formalismo processual é “não só a forma, ou as formalidades, especialmente a delimitação dos
poderes, faculdades de veres dos sujeitos processuais, coordenação da sua atividade, ordenação do
procedimento e organização do processo, com vistas a que sejam atingidas as suas finalidades
primordiais.” (OLIVERA,Carlos Alberto Alvaro, 1887).

Funções do formalismo processual


a) indicar as fronteiras e limites para o começo e o fim do processo;
O Juiz só pode dar provimento, negar ou prover parcialmente dentro daquilo que foi pedido.

b) estabelecer dentro de quais limites devem cooperar e agir as pessoas que atuam no processo;
Os sujeitos têm de saber quais são os limites e quando devem praticar certos atos.

c) dar previsibilidade ao procedimento;


Uma vez proposta a ação se desenvolve por um impulso oficial.

d) disciplinar o poder do juiz, bem como das partes;


Qual o poder/dever das partes.

e) controle de eventuais excessos de uma parte em face da outra;

f) dar segurança jurídica aos sujeitos do processo.

Por que é necessário o formalismo processual:


O formalismo, segundo Carlos Alberto Álvaro de Oliverira, “reveste-se de poder ordenador e
organizador, que restringe o arbítrio judicial, promove a igualdade das partes e empresta maior
eficiência ao processo, tudo com vistas a incentivar a justiça do provimento judicial. “
E, por isso, o “formalismo excessivo” ou “excesso ritual” são males que a todos custo cumpre evitar.
Não é forma pela forma, mas visando dar segurança jurídica.
No entanto é imprescindível considerar que, até mesmo para garantia das partes “o processo não
pode prescindir de um mínimo de organização, sendo inconcebível qualquer tentativa de informaliza-
lo totalmente.

Atos processuais
O processo, sob o aspecto estrutural (processo + procedimento), é um conjunto sequencial de atos,
tendentes à efetiva tutela jurisdicional.
Processo é uma sequência ordenada de fatos, atos e negócios processuais. (Helio Tornaghil).
Ato processual é modalidade de ato jurídico, mas que é praticado e busca gerar efeitos dentro do
processo. Qualquer ato realizado fora do processo, ainda que a ele ligado, só adquirirá relevo e
produzirá efeitos se trazido ao processo.
“Ato processual é aquele que é praticado no processo, pelos sujeitos do processo com eficácia no
processo, com eficácia no processo e que somente no processo pode ser praticado. ”
Fato processual – fato jurídico capaz de influir no processo. Ex. morte de uma pessoa – Suspensão
do processo (art.313 do CPC/15)

Ato do processo – ato jurídico que exerce influência no processo.


Diferem do ato jurídico em razão dos sujeitos que o praticam.
Ex. depoimento de testemunha e a informação prestada por uma repartição pública.

Conceito de Ato processual


“Toda manifestação da vontade humana que tem por fim criar, modificar, conservar ou extinguir a
relação jurídica processual.” (Wambier).

“São atos jurídicos processuais os que tem importância jurídica em respeito a relação processual, isto
é, os atos que tem por consequência imediata a constituição, a conservação, o desenvolvimento, a
modificação ou a definição de uma relação processual.” (Chovienda)

Os atos processuais – são atos que têm por consequência imediata a constituição, a conservação, o
desenvolvimento, a modificação ou a extinção do processo.
Exemplos:
 De ato processual de constituição – demanda
 De ato processual de desenvolvimento – audiência preliminar, atos de instrução, de
ordenação
 De ato processual Modificação – alteração objetiva da demanda
 De ato processual Extintivo – sentença ou decisão parcial do mérito
Disposto na parte geral, Livro IV, CPC/15 que trata sobre a forma, o tempo, o lugar de sua
realização, os prazos, as comunicações dos atos e as nulidades.

Forma dos atos processuais


Por forma – não é só o aspecto exterior do ato, como também todo o conjunto de solenidades
necessárias para sua validade.
Forma “é o conjunto de solenidades que se devem observar para que o ato jurídico seja plenamente
eficaz. É por meio da forma que a declaração de vontade adquire realidade e se torna ato jurídico
processual. ” (HTJ, p.466)
Logo, o modo, o lugar e o tempo dizem respeito à forma dos atos.

Quanto à forma os atos são classificados:


 Solene – são os que a lei prevê certa solenidade, observância da forma para sua validade:
Para HTJ (p.467)”os atos processuais são solenes porque, via de regra, se subordinam à
forma escrita, a termos adequados, a lugares e tempo expressamente previstos em lei.”

 Não-solene – os atos são realizados de forma livre.

CPC/15 – Art. Os atos e os termos processuais independem de forma determinada, salvo quando a lei
expressamente exigir (Vide art.280 – Citação), considerando-se válidos os que, realizados de outro
modo, lhe preencham a finalidade essencial.

Quanto a solenidade
Serve como garantia e segurança das partes
O que se condena é o excesso de solenidades, por vezes imotivadas
A virtude está no meio-termo: “a forma é valiosa e mesmo imprescindível na medida que se faz
necessária para garantir aos interessados o proveito que a lei procurou visar com sua instituição”.
(HTJ, p.467)
Está sempre ligada a instrumentalidade do processo e somente quando não atingir sua finalidade.

Quanto ao modo
Quanto aos aspectos formais tem-se que os atos processuais estão sujeitos a alguns aspectos
reguladores.
A forma, como vimos é uma garantia de segurança para as partes;

Princípios informadores:
 Princípio da liberdade das formas (Art.188, CPC) – Os atos são não solenes, pois não estão
submetidos em princípio, a formas sacramentadas. A solenidade é exceção e depende de
expressa previsão legal.
 Princípio da instrumentalidade das formas – Determina que os atos processuais solenes
praticados, sem a observância das formalidades impostas na lei, serão validos, desde que
atinjam a finalidade.
o Vale o conteúdo do ato, em detrimento da forma.
 Princípio da documentação – Segundo o qual os atos devem ser escritos ou, quando oral,
devem ser reduzidos a termo. E deve ser usado a língua portuguesa (art.192).
 Princípio da Publicidade (Art.189,CPC) – Elevado a categoria de garantia constitucional.
Exceção à regra:
Art. 189. Os atos processuais são públicos, todavia tramitam em segredo de justiça os
processos:

I - em que o exija o interesse público ou social;

II - que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável,
filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes;

III - em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à intimidade;

IV - que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que a
confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo.

Atos processuais por meio eletrônico


Lei 11.419 de 19/12/2016 – tratou da informatização do processo judicial, como também da
comunicação eletrônica dos atos processuais, que podem ser realizados:
 Por meio eletrônico, mediante assinatura eletrônica (assinatura digital – certificado digital por
autoridade competente – credenciamento).
 Por meio do envio de petições, recursos e prática dos atos processuais em geral poderão ser
admitidos por meio da assinatura eletrônica.
 Intimações por meio da publicação de atos judiciais através do Diário da Justiça eletrônico na
internet.
 Intimação eletrônica substituindo a qualquer outro meio, exceto a que por lei, exige-se
intimação pessoal ou vista pessoal.
 Possibilidade de desenvolvimento de sistemas eletrônicos de processamento de ações
judiciais, por meio de autos total ou parcialmente digitais, utilizando a internet.
Atos processuais pelo CPC/2015 – arts.193 – 199
 Podem ser total ou parcialmente digitais – permitindo sua produção comunicação,
armazenamento e validade por meio eletrônico (art.193);
 Devem respeitar a publicidade dos atos, o acesso e participação das partes e de seus
procuradores – observando-se as garantias de disponibilidade, independência da plataforma
computacional (art.194).
 Ao CNJ, compete, supletivamente, aos tribunais, regulamentar a pratica e a comunicação
oficial de atos processuais por meio eletrônico e velar pela compatibilidade dos sistemas,
disciplinando a incorporação progressiva de novas avanços tecnológicos e editando, para esse
fim, os atos que forem necessários, respeitadas as normais fundamentais deste código.
(Art.196).
 Acessibilidade – as unidades do poder judiciário assegurarão as pessoas com deficiência
acessibilidade aos seus sítios na rede mundial de computadores, ao meio eletrônico de pratica
de atos judiciais, à comunicação eletrônica dos atos processuais e a assinatura eletrônica.
(Art.199)

Atos processuais em relação as partes


Se classificam em:
 Atos postulatórios: Seriam atos de petição, aqueles em que se solicita algo do Juiz, se faz
por requerimento ou pedido. O pedido se confunde com o mérito da demanda, é aquilo que se
busca com o ato final esperado a sentença, já os requerimentos relacionam-se aos atos
requerimentos relativos a atos processuais como por exemplo citação, justiça gratuita. Tudo
que não tem a ver com o mérito da demanda, seu pedido é requerimento.
 Atos dispositivos: Declarações de vontade que dizem respeito a tutela jurisdicional. Esses
atos são dispositivos pois os atos são unilaterais ou concordantes, unilaterais quando
praticados por apenas uma das partes (ex. desistência), porém após a citação para a
desistência torna-se necessária a concordância da parte contrária. Quando há renuncia ao
Direito que é diferente da desistência, esse é um ato unilateral de fato. Atos concordantes,
tem como exemplos a transação (acordo), concordância para suspensão do processo.
Art. 200. Os atos das partes consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais de vontade
produzem imediatamente a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais.
Parágrafo único. A desistência da ação só produzirá efeitos após homologação judicial.

Atos processuais em relação ao Juiz


Os atos do Juiz estão previstos no art.203 do CPC:
 Despachos – atos desprovidos de conteúdo decisório, portanto, não emitem qualquer juízo de
valor, são meros atos ordinatórios, que podem inclusive ser realizados pelo escrivão, o
assistente do Juiz. Ex. Vistas obrigatórias, vistas acerca da perícia.
 Sentenças – aquele ato do Juiz que põe fim, seja com (Art.487, CPC) ou sem resolução do
mérito (art.485, CPC), a fase cognitiva e a fase executiva.
 Decisões interlocutórias – Decisão que profere um conteúdo decisório, no entanto não tem
intenção de pôr fim ao processo de conhecimento ou execução. Pode extinguir parcialmente o
mérito com resolução do mérito. Tudo que não for sentença mas possui conteúdo decisório é
decisão interlocutória, por exemplo indeferir litisconsórcio, extinguindo por exemplo em
relação a uma das partes constituintes do litisconsórcio por ilegitimidade.

 Atos reais – são atos instrutórios do Juiz, que são por exemplo oitiva de testemunha.

 Atos de documentação – todo e qualquer ato do Juiz deve ser rubricado e assinado segundo
art.205, CPC.

Atos dos auxiliares da justiça (servidores da Secretária)


 Movimentação (abertura de vistas), documentação (certidão), atos de execução (Citação,
perícia), Juiz determina a citação, mas quem executa são os auxiliares. Arts. 206 a 211.

Tempo dos atos processuais


Há um tempo para a prática dos atos processuais, o art.212, do CPC trouxe uma grande novidade a
medida que os prazos processuais passam a se contar apenas em dias úteis, ou seja, não contam
sábados, domingos e feriados, de 6:00 ás 20:00. Excepcionalmente esses atos podem ocorrer antes ou
depois desses horários de expediente e de prática de atos processuais, mas os atos processuais
realizam-se sempre em dias úteis. Contagem dos prazos processuais em dias uteis.
Analise dos protocolos de atos processuais realizados pelas partes acontece no horário de expediente,
determinado pelo fórum.
No protocolo dos autos eletrônicos o prazo pode ser realizado até as 23:59 do dia final do prazo, se
for praticado as 00:00 já está fora do prazo, sendo protocolado no dia seguinte ao fim.
Horário de pratica forense 06:00 as 20:00 é diferente do expediente forense (definido pelo Fórum).
Durante as férias forenses não se praticarão atos processuais (citações, intimações) execeto por
ordem judicial e tutelas de urgência.
Não ocorrerá suspensão do prazo segundo art.215, CPC:
Art. 215. Processam-se durante as férias forenses, onde as houver, e não se suspendem pela
superveniência delas:

I - os procedimentos de jurisdição voluntária e os necessários à conservação de direitos,


quando puderem ser prejudicados pelo adiamento;

II - a ação de alimentos e os processos de nomeação ou remoção de tutor e curador;

III - os processos que a lei determinar.

Onde os atos processuais devem ser realizados?


 Se realizam no edifício do fórum ou tribunal competente, via de regra.
 Se atos eletrônicos, em qualquer lugar.

 Existem ainda exceções, como atos a serem realizados em local determinado.


 Jurisdição adere ao território, porém se tiverem de ser realizados em outra comarca é
expedida a carta precatória.

Prazos processuais
 Prazos peremptórios – são aqueles que não podem ser alterados pelas partes, mas pelo juiz
diante da complexidade do processo, aumentando-os de oficio, mas nunca os reduzindo, a
não ser pela manifestação e anuência expressa das partes (art.222, §1º).
 Prazos dilatórios - são aqueles prazos que embora previstos na lei podem ser ampliados pelo
juiz, ou por convenção das partes podem ser ampliados ou reduzidos, por exemplo prazos que
não são previstos em lei, como manifestação das partes, então aplica-se o prazo mínimo de 5
(cinco) dias, pode-se, no entanto, ser solicitado pela parte a dilação do prazo para
cumprimento do determinado, sem que a outra parte precise concordar.

Após decorrido o prazo para realização do ato, ocorre a preclusão, cessa a faculdade de pratica-lo.
(art.223), porém se comprovar justa causa o Juiz pode devolver-lhe este prazo.

Contagem dos prazos


Contagem se faz em dias úteis
Art.224, CPC
 O início do prazo é aquele dia útil seguinte a concessão do prazo, exclui-se o dia inicial e
inclui-se o dia final, de vencimento do prazo. Se coincidir o vencimento do prazo com dia
onde o expediente forense inicie-se após o horário normal ou encerre-se antes ou ainda
houver indisponibilidade, o vencimento passa ao próximo dia útil.
 Se excepcionalmente ocorre uma exceção no vencimento do prazo, prorroga-se ao próximo
dia útil.
 Na publicação eletrônica ainda ocorre uma outra situação pois a disponibilização ocorre no
dia que o Juiz emite o despacho, porém sua publicação no diário oficial só ocorre no próximo
dia útil e como exclui-se o dia da publicação, começa a contagem do prazo no dia seguinte a
publicação, ou seja, começa a se contar o prazo de fato no 3º dia útil após o despacho do Juiz.
 Contagem do prazo de carta e mandado - Data da juntada aos autos do aviso de recebimento,
aplica-se a mesma regra de contagem que excluí o dia de início e inclui-se o de vencimento.
 Se citação por escrivão, da data que ocorreu a citação.
 Citação por edital – exclui-se o dia de publicação, conta-se o prazo de dilação no qual conta-
se os dias corridos, na sequencia flui o prazo por exemplo para contestação.
 Primeiro dia útil após a consulta do teor da citação, por exemplo na citação eletrônica o
advogado tem 10 dias corridos para abrir a intimação antes da leitura automática, então se ele
abre no fim de semana só começa a correr no próximo dia útil.
 Os atos de comunicação precatória, carta de ordem, contam-se os prazos a partir da juntada
da carta, no entanto se o Juiz deprecado avisa ao deprecante o cumprimento da ordem, por
exemplo avisando a secretária, a contagem começa desse cumprimento. Art.232, CPC.
 Carga – retirada dos autos na secretária prazo se conta daí.
 Quando houver feriado local, não preciso comprovar tal feriado ao me manifestar perante ao
Juiz da comarca onde foi feriado, mas se meu recurso é para tribunal distinto STJ e STF e o
feriado é local, tenho de fazer tal comprovação. Art.1003, §3º.

Atos de comunicação
 Atos de citação – arts.238 a 259
 Atos de intimação – art.269 e 275
 Atos das partes

Atos das partes Art.236 e 237 –


Atos de comunicação entre os juízos – cartas, sejam elas precatórias, entre juízos de mesma
hierarquia, quando de hierarquia mais elevada para uma mais baixa, carta de ordem, já em país
distinto trata-se de carta rogatória.

Artigo 238 define do que se trata a citação.


Art. 238. Citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o interessado para
integrar a relação processual.

Intimação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém e também as partes dos atos e termos do processo,
se difere da citação pois não se restringe as partes processo, mas a qualquer pessoa ligada ao
processo, exemplo testemunha, perito.

Citação é essencial para que o processo se desenvolva e para que seja válida, deve seguir alguns
requisitos, é um ato solene de chamar alguém para o processo, ainda que emitida por juízo
incompetente se cumprida é válida.

Parte tem o prazo de até o ultimo dia antes da prescrição para propor ação, sendo que a citação ainda
que feita após, retroage a data da propositura da ação.

Citação via de regra é pessoal, devendo ser feita na pessoa do promovido , porém há exceções.
Art.242- A citação será pessoal, podendo, no entanto, ser feita na pessoa do representante
legal ou do procurador do réu, do executado ou do interessado.

§ 1º Na ausência do citando, a citação será feita na pessoa de seu mandatário, administrador,


preposto ou gerente, quando a ação se originar de atos por eles praticados.

§ 2º O locador que se ausentar do Brasil sem cientificar o locatário de que deixou, na


localidade onde estiver situado o imóvel, procurador com poderes para receber citação será
citado na pessoa do administrador do imóvel encarregado do recebimento dos aluguéis, que
será considerado habilitado para representar o locador em juízo.

§ 3º A citação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas


respectivas autarquias e fundações de direito público será realizada perante o órgão de
Advocacia Pública responsável por sua representação judicial.

Pode ocorrer extinção antes da citação?


Sim, pois na propositura da ação estabelece-se a relação entre autor e juiz, pode ocorrer por exemplo
o indeferimento da petição inicial pelos mais diversos motivos, como ilegitimidade, prescrição e
outros, onde não há necessidade de citação do réu. No entanto se houver recurso de apelação pelo
autor, o réu será citado para apresentar contrarrazões, no entanto se ocorre o transito em julgado do
indeferimento por exemplo, sem que haja recurso, apesar de não ser citado o réu é intimado para ter
ciência acerca do transito em julgado.

Onde deve ocorrer a citação?


Art.243 indica que em princípio em qualquer lugar e no caso de militar, onde presta serviço ou onde
for encontrado, se não for conhecida sua residência.
Art. 243. A citação poderá ser feita em qualquer lugar em que se encontre o réu, o executado
ou o interessado.
Parágrafo único. O militar em serviço ativo será citado na unidade em que estiver servindo,
se não for conhecida sua residência ou nela não for encontrado.

A citação não poderá ser realizada em determinados lugares ou situações, exceto para evitar
perecimento.
Art. 244. Não se fará a citação, salvo para evitar o perecimento do direito:

I - de quem estiver participando de ato de culto religioso;

II - de cônjuge, de companheiro ou de qualquer parente do morto, consanguíneo ou afim, em


linha reta ou na linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias
seguintes;

III - de noivos, nos 3 (três) primeiros dias seguintes ao casamento;

IV - de doente, enquanto grave o seu estado.

Quando houver incapacidade mental não se fara a citação, apenas a seu representante.
Art. 245. Não se fará citação quando se verificar que o citando é mentalmente incapaz ou
está impossibilitado de recebê-la.

§ 1º O oficial de justiça descreverá e certificará minuciosamente a ocorrência.


§ 2º Para examinar o citando, o juiz nomeará médico, que apresentará laudo no prazo de 5
(cinco) dias.

§ 3º Dispensa-se a nomeação de que trata o § 2º se pessoa da família apresentar declaração


do médico do citando que ateste a incapacidade deste.

§ 4º Reconhecida a impossibilidade, o juiz nomeará curador ao citando, observando, quanto


à sua escolha, a preferência estabelecida em lei e restringindo a nomeação à causa.

§ 5º A citação será feita na pessoa do curador, a quem incumbirá a defesa dos interesses do
citando.

A citação pode ser:


 Real – quando ela de fato acontece e o promovido é verdadeiramente citado.
 Ficta – uma criação para que a aquelas pessoas não encontradas serem possíveis de serem
citadas.

 Citação por correio ou oficial de justiça– citação real.


 Citação por hora certa ou edital – citação ficta.

Exceção acerca da citação por correio:


Art. 247. A citação será feita pelo correio para qualquer comarca do país, exceto:

I - nas ações de estado, observado o disposto no art. 695, § 3º ;

II - quando o citando for incapaz;

III - quando o citando for pessoa de direito público;

IV - quando o citando residir em local não atendido pela entrega domiciliar de


correspondência;

V - quando o autor, justificadamente, a requerer de outra forma.

Réu citado fictamente não fica desamparado, lhe é designado um curador ou defensor público.

Prazo para contestação quando há mais de um réu


Processo físico: se possuírem advogados distintos, terão prazo de contestação em dobro, ademais
contando-se o prazo para contestação da juntada do mandado que chegar por último.
Processo eletrônico: nos autos eletrônicos, não há prazo em dobro, mas conta da juntada de citação
do réu que foi citado por último.
Prazo de intimação quando há mais de um réu
Prazo contado individualmente para cada réu.

Prazo para cumprimento da determinação de ato que deve ser cumprido pela parte conta a
partir da data em que se der a comunicação, porque uma coisa é prazo processual e outro prazo da
parte.

Renúncia do prazo – pela lei processual o réu tem 15 dias para contestar, sendo esse prazo
peremptório, pois não pode solicitar dilação, quando ele realiza a contestação antes do fim do prazo
ele renuncia ao restante do prazo.

Suspensão do prazo – entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, prevista no CPC, além de outras


situações, prazo para de contar e recomeça com os dias restantes, após a suspensão.

Juiz também possui prazos para cumprir o que lhe é facultado. Não há nenhuma punição então
trata-se de prazo impróprio, diferente dos prazos para as partes que são próprios, uma vez que elas
perdem o direito.

Contagem do prazo em dobro


Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas
autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas
manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.

§ 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico.

§ 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma


expressa, prazo próprio para o ente público.

Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia


distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer
juízo ou tribunal, independentemente de requerimento.

§ 1º Cessa a contagem do prazo em dobro se, havendo apenas 2 (dois) réus, é oferecida
defesa por apenas um deles.

§ 2º Não se aplica o disposto no caput aos processos em autos eletrônicos.

Verificação dos prazos e suas penalidades


Art. 233. Incumbe ao juiz verificar se o serventuário excedeu, sem motivo legítimo, os
prazos estabelecidos em lei.

§ 1º Constatada a falta, o juiz ordenará a instauração de processo administrativo, na forma da


lei.
§ 2º Qualquer das partes, o Ministério Público ou a Defensoria Pública poderá representar ao
juiz contra o serventuário que injustificadamente exceder os prazos previstos em lei.

Art. 234. Os advogados públicos ou privados, o defensor público e o membro do Ministério


Público devem restituir os autos no prazo do ato a ser praticado.

§ 1º É lícito a qualquer interessado exigir os autos do advogado que exceder prazo legal.

§ 2º Se, intimado, o advogado não devolver os autos no prazo de 3 (três) dias, perderá o
direito à vista fora de cartório e incorrerá em multa correspondente à metade do salário-
mínimo.

§ 3º Verificada a falta, o juiz comunicará o fato à seção local da Ordem dos Advogados do
Brasil para procedimento disciplinar e imposição de multa.

§ 4º Se a situação envolver membro do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da


Advocacia Pública, a multa, se for o caso, será aplicada ao agente público responsável pelo
ato.

§ 5º Verificada a falta, o juiz comunicará o fato ao órgão competente responsável pela


instauração de procedimento disciplinar contra o membro que atuou no feito.

Para o Juiz não há penalidade por perda de prazo. Pode apenas obstar promoção como
previsto constitucionalmente.

Faça a Leitura dos Capítulos X, XI, XII e XIV, do Curso de Direito Processual Civil, Volume I,
do Professor Humberto Theodoro Júnior, que é a bibliografia básica da nossa Disciplina.

26/05/2021
NEGÓCIO PROCESSUAL
O negócio processual:
 Veio como novidade no código de processo civil
 Embora já o admitisse José Carlos Barbosa Moreira, para quem o negócio processual
encontrava-se previsto no CPC/1973:
 Convenções celebradas pelas partes sobre matéria processual, asseverando que a vontade das
partes pode sim ordenar-se a influi no modo de ser do processo, no conteúdo da relação
processual.

Os negócios processuais típicos, estão previstos numerus clausus tais como:


 A clausula de eleição de foro (CPC/15, art.63)
 A cláusula de inversão do ônus da prova (CPC/15, art.373, §3º)
 A desistência da ação (CPC/15, art.485, § 4º: antes da contestação, é um negócio unilateral,
após é bilateral)
 A retirada dos autos de documento objeto de arguição de falsidade (CPC/15, art.432, par.
Único)
 A convenção arbitral (Lei 9.307, art.3º e ss.)
Cláusula Geral – art.290 CPC/15
 O art.190 do CPC/2015 consagrou verdadeira cláusula geral de atipicidade de negócios
processuais, dando ampla a liberdade para as partes celebrarem convenções no âmbito do
processo; onde as partes vão dispor sobre ônus, faculdades e direitos no processo desde que
dentro dos escopos da lei.
 Permitiu-se a celebração de negócios processuais atípicos
 Fontes de inspiração – A arbitragem – permitindo ao legislador instituir essa possibilidade de
ampla formatação voluntária do processo judicial (Talamini).
 Reconhece Eduardo Talamini que:
 “O ajuste de vontade das partes poderá modular o procedimento ou posições jurídicas
processuais em outras hipóteses, que não apenas aquelas taxativamente previstas em lei.
Assim, atribui-se ampla liberdade às partes para, em comum acordo, modularem o processo
judicial, ajustando-o às suas necessidades e expectativas concretas. “

Art. 190. Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes
plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da
causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou
durante o processo.

Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções


previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de
inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em manifesta
situação de vulnerabilidade.

Calendarização do processo seria um negócio processual? É possível compreender que sim.


Art. 191. De comum acordo, o juiz e as partes podem fixar calendário para a prática dos atos
processuais, quando for o caso.
§ 1º O calendário vincula as partes e o juiz, e os prazos nele previstos somente serão
modificados em casos excepcionais, devidamente justificados.
§ 2º Dispensa-se a intimação das partes para a prática de ato processual ou a realização de
audiência cujas datas tiverem sido designadas no calendário.
Calendário vincula partes e Juiz. Visa a economia processual.

Negócios processuais unilaterais e bilaterais


 O negócio processual unilateral – expressão de vontade de um único sujeito (ou polo de
sujeitos), que unilateralmente dispõe de alguma posição jurídica processual de que era titular.
 O negócio processual bilateral é fruto do ajuste de vontade de dois ou mais sujeitos (ou polos
de sujeitos), que coordenadamente dispõem sobre suas respectivas posições processuais. Os
negócios jurídicos bilaterais são também chamados de convenções processuais.
 Os negócios jurídicos bilaterais são também chamados de convenções processuais.
Pressuposto subjetivos e objetivos
 Pressuposto subjetivos: Capacidade de ser parte e de estar em juízo (CPC/15 , art.70)
 Pressuposto genérico: direitos que admitam auto composição
 Pressupostos objetivos específicos: que será determinada de acordo com o caso concreto.
o “Considerar não só o preenchimento de seus pressupostos gerais, como também
investigar se não há adicionais pressupostos específicos” (Talamini). P. ex: Não é
possível impedir o duplo grau obrigatório, por meio de convenção.

Não são admissíveis acordo para:


 Modificação da competência absoluta
 Supressão da primeira instancia
 Afastar os motivos de impedimento do juiz
 Criação de novas espécies recursais
 Ampliação das hipóteses de cabimento de recursos. (Enunciado 20 FPPC)

O que pode ser objeto de negócio processual?


 São admissíveis os seguintes negócios processuais, dentre outros:
 Pacto de impenhorabilidade
 Redução de prazos processuais
 Acordo de rateio de despesa processuais
 Dispensa consensual de assistente técnico, acordo para retirar o efeito suspensivo de recurso
 Acordo para não promover execução provisória;
 Pacto de mediação ou conciliação extrajudicial prévia obrigatória, inclusive com a correlata
previsão de exclusão da audiência de conciliação ou de mediação prevista no art. 334 CPC;
 Pacto de exclusão contratual da audiência de conciliação ou de mediação prevista no art. 334
CPC;
 Pacto de disponibilização prévia de documentação, inclusive com estipulação de sanção
negocial, sem prejuízo de medidas coercitivas, mandamentais, sub-rogatórias ou indutivas;
 Previsão de meios alternativos de comunicação das partes entre si;
 Acordo de produção antecipada de prova;
 A escolha consensual de depositário-administrador no caso do art. 866;
 Convenção que permita a presença da parte contrária no decorrer da colheita de depoimento
pessoal;
 Acordo para realização de sustentação oral, acordo para ampliação do tempo de sustentação
oral,
 Julgamento antecipado do mérito convencional, convenção sobre prova,
 (Vide Enunciados 19 e 21 FPPC.)
 “O negócio jurídico processual não pode afastar os deveres inerentes à boa-fé e à
cooperação.” (Enunciado 6º FPPC)
A quem vincula o negócio processual ?
 “O art. 190, ao empregar o pronome possessivo seus, indica apenas que o objeto dos negócios
processuais deve ser ônus, poderes, faculdades e deveres das partes” (REDONDO, Bruno
Garcia) Deduzindo-se assim, que o negócio processual é apenas com relação a elas e não para o
juiz.

 Para Eduardo Talaminia convenção vincula o juiz, quando ele a homologar:


o Por ocasião do saneamento do processo, o juiz deverá delimitar as questões de
fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de
prova admitidos, bem como as questões de direito relevantes para a decisão do
mérito (art. 355, inc. II e IV). Todavia, a lei também prevê que as partes
podem apresentar delimitação consensual dessas questões de fato e de direito
de modo que, se houver homologação pelo juiz, tal definição vincula-o, tanto
quanto às partes (art. 355, §2º).
 Este também é o entendimento do Prof. Érico Andrade, para quem o juiz ao tratar de
saneamento e organização do processo, “que as partes possam apresentar ao juiz delimitação
consensual das questões de fato e de direito, acordo que se homologado vincula partes e juiz”
porque no seu entender:
o “.... o novo CPC parece admitir, (...) as convenções sobre o direito aplicável
ao caso e que, uma vez homologada pelo juiz, torna-se vinculante, de modo
que o juiz não poderia decidir a questão trazendo, de ofício, temática jurídica
fora daquilo que foi delimitado no acordo.” (2016, p. 60)

O acordo de saneamento (art. 357, §2º) limita os poderes instrutórios do juiz? A realização de
negócio processual pode limitar o direito probatório do juiz?
 Entendo que não, e justifico:
 O juiz não tem um papel passivo na condução da atividade probatória –ao juiz foi dado ampla
autonomia para exercer seus poderes instrutórios;
 O juiz pode indeferir provas (decisão fundamentada) inúteis ou meramente protelatórias (art.
370, §único. CPC);
 E quando o legislador permitiu convenção ou negócio processual com relação a matéria
probatória, ele o fez por meio de negócios processuais típicos

Os negócios processuais típicos no âmbito probatório, quando permitidos, foram


expressamente previstos, confira-se:
 Na distribuição dinâmica da prova (art. 373. CPC):
§3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes,
salvo quando:

I -recair sobre direito indisponível da parte;II -tornar excessivamente difícil a uma parte o
exercício do direito.

§4o A convenção de que trata o §3o pode ser celebrada antes ou durante o processo.
 Na escolha do perito:
Art. 471. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o mediante
requerimento, desde que:

I -sejam plenamente capazes;

II -a causa possa ser resolvida por autocomposição.

Em suma

 Logo, a meu entender, a convenção no âmbito probatório só poderá ocorrer em se tratando de


distribuição dinâmica do ônus da prova e na escolha do perito. Entendendo que as partes não
têm o condão de limitara capacidade e o poder-dever do juiz frente a atividade probatória.
Sobretudo, quando o juiz pelo novo CPC assume um papel mais ativo na seara probatória.
 A mim me parece, portanto, mais acertada a posição de adotada por Eduardo Talamini, que
reconhece que:
o “Se o ajuste almejado pelas partes interferirá em termos práticos de modo muito
direto sobre a esfera de atuação do juiz –sendo, então, imprescindível que ele
intervenha na própria celebração do ato, confirmando sua viabilidade prática. Ou seja,
são casos que envolvem uma programação de condutas para o próprio juiz –e que só
terão como vinculá-lo se ele for previamente consultado e aferir a factibilidade
daquilo que se pretende. ”
 Contudo, este entendimento está longe de ser pacífico, pois:
o Para Suzana Cremasco entende que “havendo convenção das partes sobre as provas a
serem realizadas e mostrando-se estas ineficazes ao convencimento do juiz, nada
poderá fazer o juiz que não julgar a pretensão em desfavor do qual competia o ônus de
provar. ”

31/05/2021
NULIDADES PROCESSUAIS

Nulidades do processo é um tema de suma importância pois quando nós falamos sobre atos
processuais sabemos sobre o excesso de formalismo que deve ser repelido e a nulidade também
pertence ao gênero dos atos jurídicos, logo, sua validade perpassa para a averiguação das seguintes
condições:
 Agente capaz;
 Objeto lícito;
 Forma prescrita ou não defesa em lei.
Quando se fala em nulidade do processo é preciso lembrar que o ato processual é composto de atos
intercalados. Quando vamos analisar as nulidades de um processo não vamos analisar um ato
isoladamente, mas pode ser que um juiz ao apreciar esse ato declare a nulidade de apenas um deles
porque os demais subsequentes não foram atingidos pelo vicio daquele ato antecedente, mas quando
aquele ato antecedente gera vicio nos subsequente o Juiz irá declarar a nulidade desses atos.
Para Aroldo Plínio (“Nulidades no Processo”, Del Rey, 2014, 2ª ed.) tais elementos não bastam para
o estudo das nulidades no Direito Processual. Por que em se tratando o processo um complexo de
normas que preveem a regularidade de cada ato pode ser que:
“um ato tomado isoladamente, em sua forma e em seu conteúdo, pode se revestir de todas as
condições de validade que são requeridas em seu modelo legal e, não obstante, pode ser irregular e
até mesmo inexistente, no processo. Ou pode não revestir de forma prescrita em lei e ser aproveitado
como válido quando cumprir a sua finalidade.” (p. 17).

Nulidade
Conceito
“É a sanção destinada ao ato que se desvia do seu modelo legal no processo, não é apenas pela forma
que o ato se sujeita a ela. A nulidade alcança a forma e todas as demais condições de regularidade do
ato processual (Aroldo Plínio, p. 18);
A regra é a não formalidade , mas na existência de formalidade essa deve ser cumprida sob pena de
constituir-se o vício resultando em nulidade.
É, “uma sanção que incide sobre a declaração de vontade contrária a algum preceito do direito
positivo.” (HTJ, p. 573)
Deve ser reconhecida pelo juiz, é uma sanção que incide e é destinado sobre o ato ou aquela
declaração de vontade, contraria ao direito positivo.

Existência, validade e eficácia dos atos


Como analisar a nulidade de um ato?
O ato deve ser analisado em três esferas, seja quanto a sua existência, validade e eficácia.
 1º Passo é verificar sua Existência.
 Se o mesmo não existe, nada mais será analisado.
 Se existe, há que se verificar se o ato é válido e se produz efeitos.
 2º Passo é verificar a Validade e Eficácia que estão em planos distintos, sendo errado afirmar
que o ato nulo é aquele que não produz efeitos. Por que?
 o ato nulo não vale, mas pode produzir efeitos.

EX: Sentença proferida em um processo que não teve citação válida. Nesse caso não chega nem a
existir processo, pois se para que haja processo é necessário que haja citação válida, se ela não
ocorreu nenhum dos atos subsequentes pode ser considerado valido. Ou seja, apesar de ter
acontecido a sentença, de fato o processo nunca existiu, pois foi violado seu requisito de existência.
Necessária Querela nulitatis.

Espécies de vícios do ato processual (HTJ, COUTURE)


 Atos inexistentes –não reúne requisito mínimo para sua existência
 Atos absolutamente nulos;
 Atos relativamente nulos

Ato inexistente
“O ato pode ser inexistente pela ausência de sua própria constituição material ou por defeito
essencial de sua formação, ou de sua situação no processo. ” (Aroldo Plínio, p. 39)
Ou seja, o ato processual será inexistente quando lhe faltar elemento constitutivo mínimo.
O ato inexistente jamais se tornará existente. Pois, não há meio de fazer com que um ato inexistente
passe a existir. Logo, contra decisão inexistente não cabe recurso, e muito menos trânsito em
julgado.
Se existente um ato, passa-se a análise de sua validade e eficácia.
Exs: Ex.: Sentença proferida por quem não é juiz; sentença sem dispositivo ou sem assinatura ou
petição inicial assinada por quem não tem capacidade postulatória.

Da validade do ato
Ato inválido será aquele que não se conformar com o esquema abstrato (tipo) determinado pelo
legislador. Ou seja, no caso em que for descumprido uma série de ditames previstos na lei
processual. O seu descumprimento, portanto, pode levar a sua invalidade.
Ex; Sendo a citação um ato solene que se não tiver advertência que o réu deve comparecer à
audiência ou para a contestação, há uma invalidade nesse ato, então existiu o mandado de citação e ai
por ausência de conformação é necessária reconhecer sua invalidade seja ela absoluta ou relativa.
Diferente dos atos jurídicos, os atos processuais para serem considerados não validos se um juiz o
declarar por decisão judicial.Art.282, CPC.
A invalidade deve ser reconhecida por provimento judicial. Pois, só existirá invalidade do ato,
quando este for reconhecido por decisão do juiz. Assim, antes do provimento jurisdicional, o ato,
ainda que inválido, será tratado como válido.

O CPC/15 reconhece 2 espécies de invalidade, a saber:


Lembrando que não se fala mais em anulabilidade no CPC de 2015.
 1 )nulidade absoluta (quando a norma violada for uma norma cogente de proteção de
interesse público);
 2) nulidade relativa, (quando for infringida uma norma cogente de tutela de interesse
privado);

 Estas espécies, portanto, se distinguem pela espécie de norma jurídica desrespeitada


Atos absolutamente nulos
 Ainda que absolutamente nulos é necessária a sentença para assim declara-los
 Cogente – de Interesse Público > nulidade absoluta
 Norma cogente é aquela que garante a segurança de seus destinatários, e não podem ser
afastadas, por ato de vontade.
 É vício insanável, e pode ser reconhecida de ofício ou mediante requerimento das partes, e a
qualquer tempo;
 São sempre insanáveis, devendo outro ato ser praticado –exceto se não houver prejuízo
(novidade -§§1º e 2º, art. 282, CPC);
 O juiz pode determinar a sua repetição, eliminando-se os vícios –art. 282

Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e
ordenará as providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados.

 Exemplo: sentença proferida quando não houve a citação válida, Quando ato por praticado
por quem não tem ius postulandi(art. 4º Lei 8.906/94);

Atos relativamente nulos


 Cogente –de Interesse Privado ou Particular > nulidade relativa
 É norma cogente, não podendo ser afastada por vontade das partes, mas é criada como meio
de tutela de um interesse particular;
 Sua violação acarreta a nulidade relativa;
 É vício sanável, e deve ser requerida pela parte a quem interessa na primeira oportunidade
que tiver que manifestar nos autos (art. 278);
 O ato, embora viciado, mostra-se capaz de produzir efeitos processuais, se a parte prejudicada
não requerer a sua invalidação;
 Exemplo: Incompetência relativa do juiz. Se não alegada pelo réu na primeira oportunidade,
prorroga-se a competência do juiz.

Princípio do prejuízo –invalidades processuais


 De acordo com este princípio, não poderá ser declarada a invalidade de ato processual quando
este não tiver causado prejuízo às partes. Ou, não há invalidade sem prejuízo (art. 282 §1º
CPC), que assim reza:
-‘§1º O ato não será repetido nem sua falta será suprida quando não prejudicar a
parte.”

 Não há invalidade, se não houver prejuízo.


 Como também, não será reconhecida a invalidade processual, quando o juiz puder decidir o
mérito em favor daquele a quem aproveitaria a decretação de invalidade (§2º. Art. 282 PC):
“§2º Quando puder decidir do mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação
da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato, ou suprir-lhe a
falta.”

 Ou seja, no direito processual brasileiro existe uma forte tendência de banir, de extirpar as
formalidades não essenciais, pois, o excesso de formalismo deve ser afastado como nocivo à
efetividade do processo.

O CPC/15 e o princípio da instrumentalidade das formas


 Tal como reconhece HTJ (p. 576), o princípio que inspirou o Código foi o da
instrumentalidade das formas e dos atos processuais “segundo o qual o ato só se considera
nulo e sem efeito se, além de inobservância da forma legal, não tiver alcançado a sua
finalidade.”
 O que se observa é a finalidade das formas.
 Nesse sentido:
Art. 277. Quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro
modo, lhe alcançar a finalidade.

 E, nem mesmo quando haja expressa prescrição de nulidade, tal ato não será invalidade se:
o Não houver prejuízo para a parte (§1º do art. 282, CPC);
o Puder decidir o mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação de invalidade(§2º do
art. 282, CPC)

Exs. Nulidades previstas no CPC/15


Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.

Art. 146 -§7o O tribunal decretará a nulidade dos atos do juiz, se praticados quando já
presente o motivo de impedimento ou de suspeição.

Art.190 -Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das


convenções previstas neste artigo, recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade
ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que alguma parte se encontre em
manifesta situação de vulnerabilidade.

Art. 270 -§2o Sob pena de nulidade, é indispensável que da publicação constem os nomes
das partes e de seus advogados, com o respectivo número de inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil, ou, se assim requerido, da sociedade de advogados.

Art. 279. É nulo o processo quando o membro do Ministério Público não for intimado a
acompanhar o feito em que deva intervir.

Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como
condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.

Nulidades da citação e intimação


 São atos solenes de comunicação dos atos;
 Há, portanto, cominação expressa de nulidade caso ocorram sem a observância das
prescrições legais;
Art. 280. As citações e as intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais.

 O comparecimento espontâneo, no entanto, supre o vício, desde que a parte não tenha sofrido
prejuízo (art. 282 e 239 §1º, CPC);

Quem pode arguir a nulidade?


 Apenas a parte prejudicada;
 Jamais por quem lhe deu causa:
Art. 276. Quando a lei prescrever determinada forma sob pena de nulidade, a decretação
desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa.

 Deve ser arguida por simples petição, como ainda contestação, preliminar de recurso,
impugnação ao cumprimento de sentença, etc., como ainda em sustentação oral;

Efeitos da decretação
 Vimos que enquanto não decretada (ou declara, se considerar que o vício já estava lá) a
invalidade, o ato processual é válido;

 Cabendo ao juiz ao decretá-lo determinar quais os demais atos foram atingidos pela nulidade
do ato antecedente;
Art. 281. Anulado o ato, consideram-se de nenhum efeito todos os subsequentes que dele
dependam, todavia, a nulidade de uma parte do ato não prejudicará as outras que dela sejam
independentes.

Art. 282. Ao pronunciar a nulidade, o juiz declarará que atos são atingidos e ordenará as
providências necessárias a fim de que sejam repetidos ou retificados.

Da convalidação dos atos inválidos


 Que pode ser objetiva e subjetiva, vejamos:
 Convalidação Objetiva:
 Dá-se pela aplicação conjunta dos princípios da instrumentalidade das formas e do prejuízo;
 Ou seja, ainda que o ato esteja formalmente inadequado, mas que tenha atingindo a sua
finalidade essencial ENEM causou prejuízo às partes, o ato é convalidado, não mais sendo
possível de ser decretado a sua invalidade;

Convalidação Subjetiva:
 Dá-se pela aplicação das regras contidas nos artigos 276 e 278 do CPC, cuja :
 Decretação de nulidade não pode ser requerida pela parte que Ihe deu causa; e ainda
 Da qual a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte
falar nos autos, sob pena de preclusão.
 Só não se aplica esta disposição às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem
prevalece a preclusão, provando a parte legítimo impedimento.

Da sanatória geral –trânsito em julgado


 OBS.: As espécies de invalidade processual (nulidade absoluta, nulidade relativa) são
fenômenos intrínsecos ao processo, e assim em sendo este encerrado (com o trânsito em
julgado), todos os vícios convalescem.
 Isto quer dizer que, todos os vícios, até mesmo aqueles inicialmente tidos por insanáveis,
estarão sanados. A coisa julgada, assim, faz desaparecer todos os vícios que tenham se
formado ao longo do processo.
 Contudo, após a coisa julgada, pode surgir uma nova espécie de invalidade, que seria
extrínseco ao processo, que causa a rescindibilidade da decisão, como previsto no art. 966 do
CPC. No que se considerou ser vício tão grave, que se deveria permitir a rescisão da sentença
ainda que esta já tenha transitado em julgado.
 Podendo também, como é a ausência de citação, ser alegada na impugnação do cumprimento
de sentença –art. 535, I;

PARA COMPLETAR O ESTUDO ACERCA DE NULIDADES


Faça a Leitura do Capítulo XIII, do Curso de Direito Processual Civil, Volume I, do Professor
Humberto Theodoro Júnior, que é a bibliografia básica da nossa Disciplina;
Também como leitura essencial desta Unidade indicam-se os seguintes textos, que se encontram no
M. Teams:
 Texto Professor Antônio P. Cabral
 Texto Professor Valle Ferreira
 Texto Professor Aroldo Plínio Gonçalves 

07/06/2021 – 09/06/2021
UNIDADE IV – TUTELAS PROVISÓRIAS

INTRODUÇÃO
 O tempo de duração do processo é um problema a ser enfrentado pelos processualistas.
As técnicas e mecanismos das tutelas diferenciadas é utilizado para minimizar os
impactos causados pelo decurso do tempo do processo até a efetiva e satisfativa entrega da
prestação jurisdicional.
Dentre as técnicas diferenciadas adotadas pelo Código de Processo Civil, destaca-se:
 A tutela provisória baseada na urgência (cautelar e antecipada) que visa resguardar,
antecipar, obstar, impedir, conservar o bem ou direito tutelado, mas que ainda não é
possível de ser entregue em definitivo ao jurisdicionado.

 A tutela provisória, que se contrapõe a definitiva, é uma tutela concedida em grau não
exauriente e superficial, guardando em si certa precariedade.

TÉCNICA DIFERENCIADA

 São técnicas onde não preciso aguardar o desfecho do procedimento comum, ou ordinário.
 A tarefa da tutela diferenciada, como mecanismo de aceleração do procedimento ou mesmo
para resguardar o direito lesado ou a sua frutuosidade, é conhecida como provisória, porque,
visa suprir, os efeitos indesejáveis da demora na solução do processo.

 “Tutelas diferenciadas” significa, em última análise, pensar na predisposição de


mecanismos, no processo, que o tornem apto a cumprir, com maior eficiência, seu papel
(ARMELIN, 1992).

 Para Ada a ‘tutela diferenciada’ seria “aquela que se contrapõe à obtida pelo procedimento
ordinário, considerado o paradigma das formas processuais em boa parte do século passado,
por possibilitar a solução dos conflitos de maneira segura, cercando o exercício da função
jurisdicional das mais plenas garantias e culminando com a sentença de mérito e a
estabilidade da coisa julgada.”

 Ou seja, é uma técnica para as tutelas que se contrapoem “ao solene procedimento
ordinário”. MARINONI, ARENHART)

TÉCNICAS DIFERENCIADAS
 Sumarização do procedimento
o Decorre da criação de procedimentos especiais (ex.: JEsp´s);
o Abrevia-se o procedimento comum (ex.: julgamento antecipado do mérito; decisão
parcial de mérito);
 Em que ficam preservadas todas as garantias fundamentais das partes, tais
como: contraditório, cognição plena, coisa julgada;
 Sumarização da cognição
o Do qual o contraditório se mostre eventual ou postecipado (ex. ação monitória)
– o contraditório somente se instaurará se a iniciativa for tomada por aquele em
face de quem se pede a tutela (hoje, tutela satisfativa antecedente);
o E a que adianta provisoriamente o resultado do pleito, em vista da presença de
alguns requisitos que permite ao juiz, embora insuficiente a convicção plena, em
juizo de probabilidade a conceda;

OBJETIVO DAS TÉCNICAS DIFERENCIADAS

 Proto Pisani (La Tutela Sommaria, 1982): “não existe um único processo che offra uma
única forma di tutela per tutte le situazioni di vantaggio, ma esistono invece uma pluralità di
processi ed uma pluralità di forme di tutela giurisdizionale; la diversità di questi processi e
di queste forme di tutela, e delle loro varigate combinazioni, rifletono la diversità dei
bisogni di tuteal delle situazioni di vantaggio.”

TÉCNICAS DIFERENCIADAS – CONFERIR MAIOR EFETIVIDADE À TUTELA


FINAL – SEM, NO ENTANTO, SOLUCIONAR A CRISE DO DIREITO MATERIAL
 “Tanto urgência quanto evidência são aspectos considerados pelo legislador para
construir técnicas processuais destinadas à adoção de determinadas medidas, cuja
finalidade outra não é senão conferir maior efetividade à tutela final, na maioria das
vezes sem solucionar a crise de direito material. Provisórias, portanto.” (BEDAQUE,
2015, p. 50)

TUTELAS PROVISÓRIAS
 - Opção Legislativa – Livro próprio Livro V da Parte Geral;
 - Unificação como Tutela Provisória, como gênero, tendo como espécie as tutelas satisfativa
(antecipada) e cautelar;
CARACTERÍSTICAS DAS TUTELAS PROVISÓRIAS
 Sumariedade da cognição {Kazuo Watanabe - limitações à atividade cognitiva do juiz: -
no plano horizontal (extensão da cognição): cognição limitada [parcial] ou plena e no
plano vertical (profundidade da cognição): cognição superficial ou exauriente} – Juízo de
probabilidade;
 Precariedade (vez que a decisão poderá ser revogada ou modificada);
 Não induz a coisa julgada (nem mesmo quando estabilizada);

ESPÉCIES DE TUTELAS PROVISÓRIAS NCPC


 - Satisfativa – que antecipa os efeitos do direito afirmado, ou seja, da tutela definitiva;
que confere a eficácia imediata ao direito afirmado
o - Natureza satisfativa
 - Cautelar – antecipa os efeitos da tutela definitiva não satisfativa
o - Natureza acautelatória;
o - É necessário demonstrar a urgência;
o - Dupla função: a) é provisória; e é b) cautelar, por assegurar a eficácia futura do
provimento definitivo da tutela satisfativa;
o - Assegura o resultado útil do direito acautelado;

OBJETO DA CAUTELAR
 Cautelar – tem por objetivo não só assegurar a efetividade da tutela do direito
material ou uma situação substancial que possa ser tutelada, como por exemplo, no
caso em que a tutela visa assegurar a própria situação;

 Marinoni e Arenhart reconhecem que a tutela cautelar deixa de ser aquele cuja vocação
seria apenas a de garantir a efetividade do processo.
 Sendo equivocado afirmar que a cautelar é instrumento do processo principal;

REFERIBILIDADE – COMO CARACTERÍSTICA DA CAUTELAR

 Na cautelar há referibilidade a situação acautelada. Assegurando Marinoni (2010, p. 37)


que: “inexistindo referibilidade, não há direito acautelado, mas sim tutela satisfativa.”
 Para Marinoni a referibilidade advém da ideia de ligação assegurativa da tutela cautelar à
tutela do direito.” (2010, p. 38)
 A falta de referibilidade é evidência da existência de satisfatividade e, assim, de ausência de
cautelaridade.
 Que se refere a outro direito, que se acautela, ou visa conservar.

DISPOSIÇÕES GERAIS
(ARTS. 294 A 299 NCPC):
FUNDAMENTOS:
 A) Urgência (satisfativa ou cautelar); - demonstração da probabilidade
do direito e do perigo de dano ou risco do resultado útil do processo;
 b) Evidência (satisfativa, art. 311);

MOMENTO REQUERIMENTO:
 a) Antecedente (urgência)
o Requisitos da petição ( art. 303 – satisfativo e art. 305)
 b) Incidente (evidência, art. 294, § un.)
o - É contemporâneo ou posterior à formulação do pedido;

MOMENTO CONCESSÃO:
 Liminarmente - (in limine litis – de Urgência – art. 9, § un, inc. I, e
ar. 300, §2°)
o - Evidência – nas hipóteses dos incs. II e III do art. 311 - art. 9, §
un, inc. II;
 b) Na sentença – (técnica de adiantamento provisório dos efeitos da
tutela em si) – art. .012, V;
 c) Em grau recursal – caso em que o pedido será dirigido ao próprio
Tribunal – art. 299;
o - pressupostos os art. 999 e §4°, art. 1.012
o - Em RE ou Resp (art. 1.037 c/c 1.029, §5°;

COMPETÊNCIA

A tutela provisória será requerida ao juízo da causa e, quando antecedente, ao juízo


competente para conhecer do pedido principal;
Na ação de competência originária de tribunal e nos recursos a tutela provisória será
requerida ao órgão jurisdicional competente para apreciar o mérito.
DA DECISÃO
 Não há discricionariedade judicial, vez que preenchidos os requisitos legais, o juiz
deverá conceder a tutela provisória;
 Poderá o juiz determinar as medidas que assegurem a efetivação da tutela (art. 297 –
poder geral de cautela), com emprego das medidas de apoio (art. 536, §1 c/c art.
537); e em sua efetivação observar-se-á a execução provisória (arts. 520 a 522);
NATUREZA DA DECISÃO
 É decisão interlocutória (juízo de 1º Grau), contra qual cabe o AI (art. 1.015, I);
 Podendo no entanto ser proferida:
o na sentença – contra o qual cabe Apelação;
o Como no Tribunal:
 Decisão unilateral pelo relator - agravo interno (art. 1.021);
 Se no acórdão – REsp para discutir o preenchimento dos pressupostos da
concessão da medida (REsp 816.050);
A DECISÃO
 Deve ser fundamentada (como qualquer decisão judicial) – art. 298, sob pena de se encaixar
nas hipótese de decisão sem fundamentação (art. 489, §1, incs. II, II e III);
 Enunciado 16 do TJMG “A tutela provisória, por não ser exauriente, poderá ser
fundamentada de forma sucinta.”
 Pode ser cassada ou modificada a qualquer tempo (art. 296 e 298) – em sobrevindo alguma
alteração posterior no estado de fato ou novo elemento probatório;
 ENUNCIADO 39 CJF – Cassada ou modificada a tutela de urgência na
sentença, a parte poderá, além de interpor recurso, pleitear o respectivo
restabelecimento na instância superior, na petição de recurso ou em via
autônoma.
 É de natureza mandamental, cabendo a parte cumpri-la com exatidão, sob pena de sua
conduta ser “punida como ato atentatório à dignidade da justiça”, com multa de até 20%
do valor da causa (§§1 e 2, art. 77);
PRESSUPOSTOS PARA CONCESSÃO DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA
 Pressupostos: a) demonstração de probabilidade do direito (fumus boni iuris);
 b) demonstração perigo de dano ou de ilícito (periculum in mora) ou, o
comprometimento da utilidade útil do resultado final;
 c) no caso de tutela inibitória (art. 497, § un., CPC) é irrelevante a demonstração de
culpa ou de dano– o pressuposto se restringe à probabilidade de cometimento do ilícito

 Enunciado 18 do TJMG: “O perigo de dano ao direito material da parte deve ser analisado
para o deferimento da tutela antecipada e o risco ao resultado útil do processo para a
concessão da tutela cautelar.”
 E, no caso da tutela de urgência satisfativa – há que ser reversível os efeitos da decisão
antecipada (art. 300, §3°, CPC)
DA IRREVERSIBILIDADE
 Enunciado 40 CJF– “A irreversibilidade dos efeitos da tutela de urgência não impede sua
concessão, em se tratando de direito provável, cuja lesão seja irreversível.”

 Enunciado 25 ENFAM – “A vedação da concessão de tutela de urgência cujos efeitos
possam ser irreversíveis (art. 300, § 3º, do CPC/2015) pode ser afastada no caso concreto
com base na garantia do acesso à Justiça (art. 5º, XXXV, da CRFB).”

 Para Marinoni (2017, p. 120), a irreversibilidade consiste na impossibilidade que a


decisão uma vez antecipada produza efeitos “de impedir outro juízo sobre o direito ou
mesmo um efeito que, embora possa admitir decisão com sentido contrário, é incompatível
com a situação de direito substancial tutelanda.”
o Como por exemplo, desconstituir provisoriamente um casamento.” E que não “as
constituições provisórias” – “não há como decretar provisoriamente o divórcio e
não seria possível pensar em antecipação nas ações relativas ao estado ou à
capacidade das pessoas.

 Para HTJ (2015, p. 611) a irreversibilidade “preserva o direito do réu à reversão do


provimento, caso ao final, seja ele, e não o autor, o vitorioso.” Destacando que a
reversibilidade deve ser “aferida dentro dos limites do processo em que o processo
ocorre.”

DA CAUÇÃO
 Pode o juiz, conforme o caso, para a concessão da tutela de urgência, exigir caução real ou
fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer,
podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder
oferecê-la. (§ 1º, art. 300, CPC).
A PARTE RESPONDERÁ PELO PREJUÍZO QUE A EFETIVAÇÃO DA TUTELA
CAUSAR À PARTE ADVERSA SE (ART.302):
 I - a sentença lhe for desfavorável;
 II - obtida liminarmente a tutela em caráter antecedente, não fornecer os meios necessários
para a citação do requerido no prazo de 5 (cinco) dias;
 III - ocorrer a cessação da eficácia da medida em qualquer hipótese legal;
 IV - o juiz acolher a alegação de decadência ou prescrição da pretensão do autor.
 Obs.: Sempre que possível, a indenização será liquidada nos autos em que a medida
tiver sido concedida.
DA TUTELA DE URGÊNCIA SATISFATIVA ANTECEDENTE
 - Requisitos da petição inicial – nos casos em que a urgência for contemporânea a
propositura da ação – limita-se (art. 303):
o - A) ao requerimento da tutela antecipada;
o - B) a indicação do pedido da tutela definitiva;
o - C) exposição da lide, o direito que se busca realizar (e sua probabilidade), e o perigo
da demora;
o - D) indicar o valor da causa, tendo como base o pedido de tutela definitiva;
o - E) explicitar se pretende valer-se do benefício do requerimento de tutela
antecipada em caráter antecedente (intenção de ver estabilizada a decisão) - e
neste caso, o Autor não manifestará a sua intenção de dar prosseguimento ao
processo;
RECEBIDA A PETIÇÃO O JUIZ PODERÁ:

1) não conceder a tutela, pelo não preenchimento dos pressupostos, intimado o autor a
emendar a petição inicial no prazo de 5 dias, sob pena de indeferimento e extinção sem
resolução;
2) conceder a tutela (só esta é que está apta a estabilizar);

CONCEDIDA A TUTELA DE URGÊNCIA SATISFATIVA (ANTECEDENTE):


 O juiz deverá:
o 1º) Ordenar a intimação do autor para que promova (???) o aditamento a inicial (art.
303, §1°), sem incidência de custas (art. 303, §3°), para, no prazo de 15 dias (ou outro
prazo maior fixado pelo juiz):
 complementar sua causa de pedir;
 Juntar novos documentos;

o 2º) Ordenar a citação e intimação do réu para que:


 Cumpra a providência deferida; e
 Compareça à audiência de conciliação ou mediação (caso em que a contestação só
será apresentada se não houver conciliação)

 Obs.: a meu sentir esta audiência só ocorrerá caso o autor opte em sua petição
inicial (art. 319, VII) por esta audiência – caso em que o Réu será citado para
contestar
PROBLEMA PROCEDIMENTAL QUANTO A ESTABILIZAÇÃO
 Concedida a tutela antecipada, o autor deverá aditar a inicial no prazo de 15 dias, ou no
prazo maior fixado pelo juiz;
 Ocorre que, este prazo será inferior ao prazo da citação e intimação do réu.
 Logo, com ou sem a impugnação, caso o autor não emende a petição inicial, acarretará na
extinção do processo sem resolução do mérito (§2°, art. 303)
 Solução: O juiz determinar a intimação para emenda depois de findo o prazo para que o
Réu se oponha a decisão;
o Enunciado 19 do TJMG: “O autor do requerimento de tutela antecipada antecedente
concedida só estará obrigado a aditar a petição inicial se houver a interposição
de recurso.”
 Do contrário, a decisão nunca estabilizará pela exigência contida no §2°, art. 303, CPC;
PRESSUPOSTOS PARA ESTABILIZAÇÃO

Só ocorre quando:
 a) o autor, na petição inicial, declinar pelo benefício da tutela antecedente,
que faz presumir sua estabilização;
 b) que o autor não tenha manifestado no bojo da petição, no sentido de dar
prosseguimento ao processo após eventual decisão concessiva da tutela;
 c) se concedida a decisão de tutela satisfativa em caráter antecedente; e
 d) se não impugnada (por AI, art. 1.015, I) pelo réu, litisconsorte passivo ou
assistente. E desde que não seja caso de citação ficta;
É SÓ A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO QUE OBSTA A ESTABILIZAÇÃO?

Já há muita divergência doutrinária.


o Para Fredie Didier o obstáculo tanto pode ser o AI ou qualquer outro meio de
impugnação;
o Já para o Prof. Humberto só o AI tem o condão de impedir a estabilização
PARA O STJ:
“ É de se observar, porém, que, embora o caput do art. 304 do CPC/2015 determine que "a tutela
antecipada, concedida nos termos do art. 303, torna-se estável se da decisão que a conceder não for
interposto o respectivo recurso", a leitura que deve ser feita do dispositivo legal, tomando como
base uma interpretação sistemática e teleológica do instituto, é que a estabilização somente
ocorrerá se não houver qualquer tipo de impugnação pela parte contrária, sob pena de se
estimular a interposição de agravos de instrumento,
sobrecarregando desnecessariamente os Tribunais, além do ajuizamento da ação autônoma,
prevista no art. 304, § 2º, do CPC/2015, a fim de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada
estabilizada. (...) 4. Na hipótese dos autos, conquanto não tenha havido a interposição de
agravo de instrumento contra a decisão que deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da
tutela requerida em caráter antecedente, na forma do art. 303 do CPC/2015, a ré se
antecipou e apresentou contestação, na qual pleiteou, inclusive, a revogação da tutela
provisória concedida, sob o argumento de ser impossível o seu cumprimento, razão pela qual
não há que se falar em estabilização da tutela antecipada, devendo, por isso, o feito prosseguir
normalmente até a prolação da sentença.
REsp 1760966/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA,
julgado em 04/12/2018, DJe 07/12/2018)
ESTABILIZAÇÃO DA DECISÃO SATISFATIVA ANTECEDENTE
 Estabilizando-se ocorrerá:
 A extinção do processo, e a decisão continuará produzindo efeitos, até que
(dentro de 2 anos – prazo decadencial) seja ajuizada a ação autônoma para revisá-
la, reformá-la ou invalidá-la.
 Não há falar em coisa julgada;
 A Estabilização é uma técnica monitória (o que não é desconhecido pelo CPC/73
– art. 1.102-A);
 A técnica monitória (art. 700 a 702 NCPC) é aplicável ao caso de
estabilização (Didier), criando-se um microssistema, que se complementam;
E QUANTO AOS HONORÁRIOS?
  Se se reconhece a estabilização como técnica monitória, não há falar no reembolso de
despesas para o réu que não impugnou a decisão;
 Mas são devidos os honorários advocatícios a razão de 5%. Nesse sentido:
o Enunciado 18 da ENFAM: “Na estabilização da tutela antecipada, o réu ficará isento
do pagamento das custas e os honorários deverão ser fixados no percentual de 5%
sobre o valor da causa (art. 304, caput, c/c o art. 701, caput, do CPC/2015).”
UMA VEZ ESTABILIZADA
 Qualquer das partes terá a possibilidade, no prazo decadencial de 2 anos (§5°, art. 304),
ajuizar a ação de cognição plena para pedir a revisão, reforma ou invalidação da decisão
estabilizada;
o Enunciado 20 do TJMG: (art. 304, §§ 2º, 3º, 5º e 6º) “A revisão, reforma ou
invalidação da tutela estabilizada decorrerá do acolhimento de pretensão em
demanda de procedimento comum ou especial promovida por quaisquer das
partes, que venha a discutir a relação jurídica material.”
 O prazo decadencial conta-se da ciência da decisão que extinguiu o processo;
 A ação ulterior tramitará pelo procedimento comum;
 Deve ser deduzida em petição inicial, como nova ação que deverá ser distribuída por
dependência ao processo anterior (em que houve a prolação da decisão satisfativa
estabilizada);

FINALIDADE DA ESTABILIZAÇÃO
 O CPC/15 permitiu a estabilização da tutela provisória antecedente de natureza satisfativa
com clara finalidade de:
 “regular a crise de direito material, mesmo após extinção do processo antecedente e
sem o sequenciamento para o processo principal ou de cognição plena.” (HTJ,
Dierle e Érico).
EFICÁCIA DA ESTABILIZAÇÃO

É ultrativa;
É temporalmente ilimitado, após definitivamente estabilizada;
 E após o decurso do prazo bienal, adquire a eficácia definitiva, incontroversa,
indiscutível e imutável;
Na França se fala que esta decisão estabilizada adquire a eficácia de “provisória
independente”;
Enquanto na Itália se fala em “eficácia indefinidamente postergada”
 Em ambos os países não há prazo para o ajuizamento da ação autônoma

A ESTABILIZAÇÃO NOS PEDIDOS CONTRA O ESTADO E MENOR INCAPAZ?


Enunciado 21 do TJMG – “A Fazenda Pública se submete ao regime de estabilização da
tutela antecipada, por não se tratar de cognição exauriente sujeita a remessa necessária.”
Enunciado 22 do TJMG “O réu absolutamente incapaz não se submete ao regime de
estabilização da tutela antecipada.”
A TÉCNICA DE ESTABILIZAÇÃO NO BRASIL
 Se mostra complexa e contraditória (Giovanni Bonato);
 De acordo com o Giovanni fica claro que a intenção do legislador foi:
o De um lado – a de não atribuir a idoneidade de coisa julgada substancial;
o E de outro lado – assegurar a provisoriedade, mas dotando o provimento de uma
eficácia indefinidamente postergada;
 E que esta opção, sem dúvida, “trouxe uma dificuldade interpretativa que deriva, de
um lado, a expressa exclusão da produção de coisa julgada (§6º, art. 304) e, de outro
lado, da previsão de dois anos para a propositura da ação revisional tendente a rever,
reformar ou anular a medida antecipada de urgência.”
DENTRE AS TRÊS POSSÍVEIS INTERPRETAÇÕES, A CORRENTE MAJORITÁRIA,
ENTENDE QUE :
 Embora a estabilização possa adquirir certa definitividade e uma incontroversa no âmbito
processual, do ponto de vista de sua indiscutibilidade, não há ainda assim como
identificá-la como coisa julgada;
 Trata-se, na verdade, de uma nova técnica processual, que já vem sendo chamada de
“estabilidade qualificada” (Heitor Sica); “estabilização definitiva” (Érico e Dierle);
“estabilidade processual” (Didier e Paula Sarno);
 Sobretudo, porque há expressa previsão (§6º, art. 304, CPC) que a tutela estabilizada não
adquire a condição de coisa julgada;
 Implicando dizer que a estabilização atinge apenas os seus efeitos e resultados;

TUTELA DE URGÊNCIA CAUTELAR EM CARÁTER ANTECEDENTE

 Requisitos da petição inicial (art. 319, incs. I, II, V e VI, CPC):


 Requerimento de concessão de tutela provisória cautelar antecedente – a ser
confirmada em caráter definitivo;
 Se for o caso, pedido de justificação prévia (art. 300, §2°);
 Indicação da lide, seu fundamento e exposição sumária da probabilidade do direito
que se busca acautelar; e
 (OBS.: “não se trata de uma exposição ´sumária´ ou resumida do direito
cautelando, mas de uma exposição que, embora deva convencer o julgador
da probabilidade do direito, deve ser tão bem fundamentada e
adequada quanto qualquer exposição que pretenda convencer o juiz.”
(MARINONI, 2017, p. 254)
 Demonstração do perigo de demora (art. 305 e seguintes);
 Valor da causa - ENUNCIADO 44 CJF –.
 Afinal, apenas a tutela provisória requerida em É requisito da petição
inicial da tutela cautelar requerida em caráter antecedente a indicação
do valor da causa caráter incidental é que independe do pagamento de
custas. (art. 295, CPC)
RECEBENDO A PETIÇÃO, PEDIDO CAUTELAR ANTECEDENTE, O JUIZ PODERÁ:
 Determinar a emenda (art. 321, CPC);
 Indeferir a petição inicial (nos casos do art. 330, CPC); ou
 Deferir a petição inicial, concedendo ou não a tutela provisória cautelar.
DEFERIDA A PETIÇÃO INICIAL O JUIZ DEVERÁ:
 Julgar o requerimento liminar de tutela cautelar, e deferida:
 Ordenar o cumprimento da medida – podendo exigir caução para concedê-la (art. §°, art.
300);
 Citar o réu, para, no prazo de 5 dias, caso queira contestar o pedido e especificar provas
o Não sendo contestado o pedido, OS FATOS alegados pelo autor presumir-se- ão
aceitos pelo réu como ocorridos, caso em que o juiz decidirá dentro de 5 (cinco)
dias. (art. 307)
 A tutela cautelar concedida terá que ser efetivada em 30 dias, sob pena de cessar sua
eficácia, desde que caracterizada a omissão do Requerente:
 ENUNCIADO 46 CJF – A cessação da eficácia da tutela cautelar, antecedente ou
incidental, pela não efetivação no prazo de 30 dias, só ocorre se caracterizada omissão
do requerente.
DA TUTELA CAUTELAR ANTECEDENTE
 Após efetivação da medida cautelar concedida, é que começa a correr o prazo de 30
dias (art. 308) para que o autor formule o pedido principal de tutela definitiva satisfativa,
aditando a causa de pedir;
 Após o aditamento é que será ordenada a intimação (não é necessária nova citação do
Réu) da parte (se for o caso), para a audiência de conciliação ou mediação;
 O procedimento após contestação segue o curso do procedimento comum (§un., art. 307).
Nada impedindo a designação da audiência primeiro.

OBSERVAÇÃO
No pedido de cautelar requerido de forma antecedente há um procedimento com duas
ações:
o a primeira, cautelar e
o a segunda, principal – mas eventual, sujeita a efetivação da tutela cautelar.
o
Para Marinoni: “Não é comum uma ação ser proposta no curso de um procedimento,
embora isso seja técnica possível e tenha sido a opção do legislador.” (2017, p. 253)

CESSA A EFICÁCIA DA TUTELA PROVISÓRIA QUANDO (ART. 309):


 I - o autor não deduzir o pedido principal no prazo legal;
 II - não for efetivada dentro de 30 (trinta) dias;
 III - o juiz julgar improcedente o pedido principal formulado pelo autor ou extinguir o
processo sem resolução de mérito.

 Obs.: Uma vez cessada a eficácia da tutela cautelar, é vedado à parte renovar o pedido,
salvo sob novo fundamento.
O INDEFERIMENTO DA CAUTELAR NÃO FAZ COISA JULGADA
 O indeferimento da tutela cautelar não obsta a que a parte formule o pedido principal,
nem influi no julgamento desse;
 Exceto, no entanto, se o motivo do indeferimento for o reconhecimento de
decadência ou de prescrição.
TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA
 Evidência – fato jurídico processual em que as afirmações de fato estão comprovadas
– a exemplo do MS (mas neste caso, as provas dos fatos não necessariamente devem ser
pré-constituídas);
 A evidência – fato jurídico processual – autoriza que se conceda tutela jurisdicional,
mediante a técnica de tutela diferenciada;
 É uma técnica processual; e pode servir tanto às tutelas definitivas ou provisórias;
o Se direito se mostra incontroverso e estiver em condições de imediato julgamento – a
técnica é pelo julgamento parcial do mérito (art.356) –
 Também visa combater a injustiça do tempo do processo, quando a evidência do direito
material assegura à parte que tem razão a fruição do seu direito, sem que precise aguardar
o desfecho final do processo;
TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA X PEDIDO INCONTROVERSO – DECISÃO
PARCIAL DE MÉRITO

- Não confundir tutela da evidência com a concessão do pedido, porquanto:


 - Se o direito se mostra incontroverso e estiver em condições de imediato
julgamento – a técnica é pelo julgamento parcial do mérito (art.356) – ou
seja – a tutela de evidência não se confunde com o julgamento antecipado da
lide;

ROL TAXATIVO DAS TUTELAS DA EVIDÊNCIA (ART. 311, CPC)

 - O legislador optou por enumerar, de forma taxativa, as hipóteses de tutela sumária


baseada na evidência. De acordo com o artigo 311, a tutela de evidência terá cabimento
quando:
 - I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito
protelatório da parte;
 - II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e
houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula
vinculante;
 - III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada
do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do objeto
custodiado, sob cominação de multa;
 - IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos
constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar
dúvida razoável.
 - Traço comum das hipóteses acima: -necessidade de uma prova que se mostre
completa a permitir que o juiz reconheça a comprovação dos fatos;
TUTELA PROVISÓRIA DE EVIDÊNCIA – HIPÓTESES PARA ALÉM DO ART. 311 DO
CPC
 Hipóteses previstas no CPC de tutela provisória pela evidência:
 - Tutela provisória satisfativa da ação possessória (art. 562), mandado liminar
de manutenção ou reintegração;
 - Do embargos de terceiro (art. 678) na suspensão das medidas constritivas
sobre os bens objeto dos embargos;
 - Ação monitória (art. 700);
 - O arresto de bens do devedor, quando este não é encontrado para a citação
(art. 830);
 - O sequestro de receita pública na execução contra a Fazenda Pública no caso
de desobediência à ordem cronológica dos precatórios (art. 100, §6° da CF);
 - Separação dos bens do espólio no processo de inventário nas hipóteses
 (1) de habilitação de crédito fundado em título documental (art. 643, § un.)
e
 (2) quando a habilitação de herdeiro for remetida para as vias ordinárias (art.
627, §3);
 - A autorização para levantamento imediato pelo réu do depósito feito pelo
autor na ação de consignação em pagamento, mesmo quando contestado o
pedido (art. 545, §1°);

14/06/2021 – 20/06/2021

UNIDADE V - FORMAÇÃO, SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO


PROCESSO
DA FORMAÇÃO
 O processo inicia por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial.
 E uma vez proposta a ação, a marcha do processo rumo a sentença não depende da
provocação das partes, o próprio juiz impulsiona o processo, com ou sem a colaboração
destas.
 Toda a atividade das partes está voltada para estimular o poder de decidir e alcançar a
prestação jurisdicional devida pelo Estado.
 O vínculo como vimos, não é estabelecido entre si, mas entre elas e o juiz, e se relacionam
com o impulso do processo.

FORMAÇÃO DO PROCESSO
 Em suma, os direitos das partes se exercem perante o juiz e nunca perante a outra parte.
 O processo é uma entidade jurídica de formação gradual. Nasce com a propositura da ação
(princípio dispositivo), mas só se completa com a citação, que á a integração do réu a
relação jurídica.
 Iudicium est actus trium personarum: iudicis, actoris et rei;
CONSIDERA-SE PROPOSTA A AÇÃO:
 Com o protocolo da petição inicial:
 Art. 240. “Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada,
todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no
art. 240 depois que for validamente citado.”
ANTES DA CITAÇÃO JÁ EXISTE PROCESSO?
Sim. Tanto é que o juiz pode:

 Indeferir a petição inicial (art. 330, CPC/15);


 Julgar extinto o processo, com mérito, pela improcedência liminar do pedido (art. 332,
CPC/15)
Podemos dizer que:

 a propositura da ação vincula autor e juiz – exercício do direito de ação;


 a citação amplia a relação e nela integra o réu, assegurando-lhe o direito de defesa;
 completa a relação, assegurado estará o Estado para o exercício pleno do poder
jurisdicional.

ESTABILIZAÇÃO DO PROCESSO

Até a citação, o autor pode aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir,


independentemente de consentimento do réu (art. 329, I)
Após a citação, até o saneamento do processo, o autor pode aditar ou alterar o pedido e a
causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a
possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o
requerimento de prova suplementar (art. 329, II)
- Com a citação não se permite:
1) a modificação do pedido ou causa de pedir (salvo com anuência do réu);
2) nem as modificações das partes (salvo substituições permitidas em lei);
3) inalterabilidade do juízo – perpetuatio iurisdicionis.

ALTERAÇÃO DO PEDIDO
 A estabilidade do processo é atingida pelo aperfeiçoamento do processo, com a citação
válida.
 Assim só se admite a alteração do pedido, quando:
o a) feito antes da citação – por ato unilateral e livre do autor;
o b) depois da citação – somente por acordo de ambas as partes (art. 329, II);
o c) depois da fase de saneamento – não é possível.
No caso de revelia, posso alterar o pedido desde que o réu seja citado novamente.
ALTERAÇÃO SUBJETIVA
 O juízo não se altera depois da propositura da ação, salvo se ocorrer: conexão/continência
ou algum motivo legal posterior que o impeça ou que o torne incompetente;
 As partes, depois da citação se estabilizam, e não se substituem, salvo nos casos previstos
em lei. Ex.: falecimento (art. 75, VI e § 1º CPC/15);
 E no caso de sucessão entre vivos, a substituição da parte por seu sucessor só se dará no
processo com o consentimento da outra parte ou suprimento do juiz (art. 109, §1º CPC).
Assegurando, no entanto, o adquirente, a sua intervenção como assistente litisconsorcial
(art109, §2º CPC).
SUSPENSÃO
 Ocorre quando um acontecimento voluntário ou não, provoca, temporariamente, a
paralisação da marcha dos atos processuais. (HTJ, p.709)
 A suspensão inibe o andamento do feito, mas não elimina o vínculo jurídico.
 Durante a suspensão nenhum ato processual se realiza, exceto para prática de atos
urgentes, com o fim de evitar dano irreparável (art. 221 e 314 CPC).
Tais como, por exemplo:
 Evitar a ocorrência de prescrição ou decadência;
 Antecipação de prova em risco de se perder.
CASOS DE SUSPENSÃO DO PROCESSO: ART. 313 DO CPC (QUE SÃO DE
ORDEM FÍSICA, LÓGICA E JURÍDICA):
 I - pela morte ou pela perda da capacidade processual de qualquer das partes, de seu
representante legal ou de seu procurador;
 II - pela convenção das partes (que não pode ser superior a 6 meses);
 III - pela arguição de impedimento ou de suspeição;
 IV- pela admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas;
 V - quando a sentença de mérito (até um ano):
o a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de
inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo
pendente;
o b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a
produção de certa prova, requisitada a outro juízo;
 VI - por motivo de força maior;
 VII - quando se discutir em juízo questão decorrente de acidentes e fatos da navegação de
competência do Tribunal Marítimo;
 VIII - nos demais casos que este Código regula.
DOS DEMAIS CASOS DE SUSPENSÃO REGULADOS NO CPC:
 Verificação, pelo juiz, da incapacidade processual ou irregularidade da representação da
parte - art. 76 (prazo razoável);
 Embargos à execução - art. 921, II;
 Execução frustrada – art. 921, III;
 Para cumprimento voluntário pelo devedor na Execução – art. 922;
 Embargos na Execução Fiscal e em caso de frustrada a execução – art. 40 LEF;
 ADI – art. 21 Lei 9.868/1999;
A DECLARAÇÃO JUDICIAL
 Será necessária para que se dê a suspensão;
 É meramente declarativa – e, para todos os efeitos, o processo é suspenso desde o
momento em que ocorreu o fato que a motivou e não do seu reconhecimento nos autos.
QUANTO AO TÉRMINO DA SUSPENSÃO:
 É automático (313, §5º, CPC);
 E se impreciso (sine die), o termo de suspensão, a retomada da marcha e dos prazos
depende de uma nova deliberação judicial com a consequente intimação das partes;
FÉRIAS E SUSPENSÃO DO PROCESSO (ARTS. 214 E 215, CPC/15)
Durante as férias e nos feriados as houver não se praticarão atos processuais (art. 214), com
exceção:

I – das as citações, intimações e penhoras e II - das


tutelas de urgência.
Não se suspendem pela superveniência das férias (art. 215):
I - os procedimentos de jurisdição voluntária e os necessários à conservação de direitos, quando
puderem ser prejudicados pelo adiamento;
II - a ação de alimentos e os processos de nomeação ou remoção de tutor e curador; III - os
processos que a lei determinar

EXTINÇÃO
 Encerramento da relação processual.
 Se o objetivo da relação processual é a composição ou solução da lide, logo, em sendo esta
atingida, o processo se exaure.
 Entretanto, alguns fatos extraordinários impedem o prosseguimento da marcha
processual. Ocorrendo a sua extinção anômala. Ou seja, sem apreciação do mérito.
 Extinção com resolução do mérito (atinge a meta) → art. 487 do CPC -- DEFINITIVA;
 Extinção sem resolução do mérito (não atinge a meta) → art. 485 CPC -- TERMINATIVA.
 A sentença quem põe fim ao processo. E o recurso contra ela é o de apelação.
DEFINITIVA X TERMINATIVA
 Sentença de mérito ou definitiva → é aquela que encerra a relação processual, compondo
a lide;
 Sentença terminativa → é aquela que extingue sem dar solução ao litígio.
 Caberá ao juiz (art. 317), antes de proferir decisão sem resolução de mérito,
conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício.

EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO


 A negativa da prestação jurisdicional com a extinção sem resolução do mérito, pode dar
nas seguintes fases do procedimento:
 após a propositura da ação → com o indeferimento da petição inicial (art. 330 do CPC/15);
 na fase de saneamento (sentença antecipada conforme o estado do processo – art. 354 c/c
485 do CPC/15);
 decisão parcial (356 c/c 485);
 no final do procedimento → art. 485 CPC;
 em qualquer fase do processo – quando ocorrer:
 abandono da causa ou outro fato impeditivo do prosseguimento da ação. Ex.
desistência ação.
ART. 485. O JUIZ NÃO RESOLVERÁ O MÉRITO QUANDO:
 I - indeferir a petição inicial;
 II - o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes;
 III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a
causa por mais de 30 (trinta) dias;
 IV - verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e
regular do processo;
 V - reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;
 VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual;
 VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo
arbitral reconhecer sua competência;
 VIII - homologar a desistência da ação;
 IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição
legal; e
 X - nos demais casos prescritos neste Código.
EFEITO DA EXTINÇÃO DO PROCESSO – SENTENÇA TERMINATIVA
 A sentença terminativa não faz coisa julgada material, que não chegou a apreciar a
substância da controvérsia instaurada.
 Efeito é de apenas coisa julgada formal. Impedindo apenas que no mesmo processo volte a
parte postular novo julgamento, depois de exaurida a possibilidade de impugnação
recursal.
 A parte pode, portanto, intentar nova ação (art. 486, CPC). Entretanto, a petição inicial da
nova ação não será despachada sem que antes demonstre o autor que já pagou ou realizou o
depósito das custas e honorários devidos pela extinção anterior (§2º, art. 486);
 Exceções à regra (casos em que a sentença terminativa impede a renovação do processo),
que são os casos de:
 a) litispendência;
 (b) coisa julgada; ou a
 (c) perempção (§3º, 486).
INICIATIVA DA EXTINÇÃO DO PROCESSO
 As que podem se conhecidos de ofício (a qualquer tempo e grau de jurisdição) são:

 pressupostos processuais;
 às condições da ação;
 perempção;
 Litispendência;
 coisa julgada
 Compete ao Réu alegar em sede de preliminares, na 1ª oportunidade que lhe caiba falar nos
autos. Mas se não o fizer. Não ocorrerá a preclusão, nem impedirá que o juiz a conheça de
ofício.
EXTINÇÃO DO PROCESSO COM RESOLUÇÃO DO MÉRITO
 O pedido do autor, manifestado na propositura da ação, revela processualmente, qual a lide
que se pretende compor.

Alfredo Buzaid dizia: o julgamento desse conflito de pretensões (lide ou litígio) mediante
a qual o juiz, acolhendo ou rejeitando o pedido, dá razão a uma das partes e nega-a a outra
constitui uma sentença definitiva de mérito.

AINDA QUE SEJA MERAMENTE HOMOLOGATÓRIA – HÁ SENTENÇA DE MÉRITO:


 As vezes as próprias partes se antecipam, encontrando, por si mesmas a solução. Neste
caso, compete ao juiz, homologar o negócio jurídico, dando-lhe eficácia equivalente ao de
julgamento de mérito, como quando há (art. 487, III):
 a) o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na
reconvenção;
 b) a transação;
 c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.
ARTIGO 487 DO CPC - RESOLUÇÃO DE MÉRITO:
“Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:
 I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;
 II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;
 III - homologar:
 o reconhecimento da procedência do pedido formulado na ação ou na
reconvenção;
 b) a transação;
 c) a renúncia à pretensão formulada na ação ou na reconvenção.
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1o do art. 332, a prescrição e a decadência não serão
reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se.
________________________________________________________________________________

UNIDADE 6 - PROCESSO DE CONHECIMENTO


UNIDADE - 6
 6.1 Procedimento comum: disposições gerais
 6.2 Petição inicial: requisitos, pedido e indeferimento
 6.3 Improcedência liminar do pedido
 6.4 Audiência de conciliação e mediação

PROCEDIMENTO
 é a exteriorização da relação processual que, dependendo de alguns fatores (valor da causa,
pretensão das partes, natureza do direito material) pode assumir diferentes feições ou modos
de ser.
 é a denominação que se dá às variadas formas exteriores de se movimentar o processo.
 é sinônimo de rito do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos no
processo.(Pontes de Miranda).
PROCEDIMENTO COMUM
 Um único procedimento – processo de conhecimento, que será subsidiário e complementar (§
ún., art. 318, CPC) para os procedimentos especiais (arts. 539 a 770, CPC) e de execução;
 É dividido em 4 fases: postulação (arts. 319 a 346, CPC), saneamento (arts. 347 a 357, CPC),
instrução (arts. 358 a 484, CPC) e decisão (arts. 485 a 512, CPC). E eventualmente podem ter
outras 2, a saber: liquidação (arts. 509 a 512, CPC) e a satisfativa (arts. 513 a 538, CPC).

PROCEDIMENTOS NO PROCESSO DE COGNIÇÃO


 procedimento comum
o é o que se aplica a todas as causas em que a lei não tenha estipulado um rito próprio e
específico (art. 318 do CPC);
 é delimitado por exclusão, tudo que não for especial é comum;
 procedimento especial
o previsto na Parte Especial, Livro I, Título III do CPC/15 (arts. 539 a770) de
procedimentos de jurisdição contenciosa e voluntária; e em leis extravagantes, tais
como:
 Leis Especiais (Lei 9.099/95);
 Lei Mandado de Segurança.
PROCEDIMENTOS ESPECIAIS
 Jurisdição Contenciosa: - solução de litígios;
- simbiose de cognição e execução;
- gerando num só relação processual, um complexo de atividades chamadas ações executivas latu
sensu
- ex.: ações possessórias, divisórias, demarcatórias, de consignação em pagamento; monitória, etc;
 Jurisdição Voluntária: - visa a administração de interesses privados não litigiosas;
- ex.: interdição, separação consensual.

FASES DO PROCEDIMENTO COMUM

⯈As fases que ora vamos ver, nem sempre se mostram nitidamente separadas, se interpenetrando, às
vezes.

⯈O que as caracterizam é a predominância de um tipo de atividade processual desenvolvida pelas partes


e pelo juiz.
Fase Postulatória
• Petição inicial
• Contestação

Fase Decisória

ADEQUAÇÃO DO PROCEDIMENTO

⯈ A adequação do procedimento é de ordem pública (não existindo, pois, liberdade);

⯈ O erro de forma não conduz à nulidade do processo (art. 283 CPC/15) competindo ao juiz adequar a
adaptação da causa ao procedimento, qualquer que seja a fase em que se encontre, aproveitando-se
os atos já realizados, desde que não tenha ocorrido prejuízo para as partes.

⯈ Obs.: Não é o nome dado à ação pela parte que importa. O que se tem de apurar é a compatibilidade
entre o pedido e o rito escolhido- Humberto Theodoro Júnior (p. 731)

PETIÇÃO INICIAL
- Juízo
- Partes – qualificação completa
- Fatos e fundamentos - Causa de Pedir - fatos (causa de pedir próxima)
- fundamentos (causa de pedir remota)
- Pedido e suas especificações
- - Imediato (provimento jurisdicional – sentença)
- Mediato (tutela jurisdicional pretendida)
 O pedido limita o poder de decisão do juiz (arts. 141 e 492)
- Valor da Causa - arts. 291 a 293 CPC
- Provas que pretende demonstrar a verdade dos fatos;
- Opção pela realização ou não da audiência de mediação ou conciliação

⯈Princípio da inércia do judiciário – no qual o juiz só age quando provado por meio da demanda

⯈Demanda é o ato inicial de impulso da atividade jurisdicional. E a petição inicial é o instrumento da


demanda (AFC)
Requisitos: 319 CPC
REQUISITOS

⯈ Art. 319. A petição inicial indicará:

⯈ I - o juízo a que é dirigida;

⯈ II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de


inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço
eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu;

⯈ III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido;

⯈ IV - o pedido com as suas especificações;

⯈ V - o valor da causa;

⯈ VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;

⯈ VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de mediação.

I - O JUÍZO A QUE É DIRIGIDA;

⯈ CR/88 + Art. 42 a 53 CPC

⯈ Justiça comum? Trabalhista? Federal? (Absoluta)

⯈ Juizados?

⯈ Varas especializadas?

⯈ Onde?

⯈ União, Estados e DF (autores) – foro de domicílio do réu (art. 51 e 52)

⯈ Art. 53, II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos;

⯈ Tem processo anterior?

⯈ Extinção do processo sem resolução do mérito?

⯈ Embargos à Execução?

II - OS NOMES, OS PRENOMES, O ESTADO CIVIL, A EXISTÊNCIA DE UNIÃO ESTÁVEL,


A PROFISSÃO, O NÚMERO DE INSCRIÇÃO NO CADASTRO DE PESSOAS FÍSICAS
OU NO CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA, O ENDEREÇO
ELETRÔNICO, O DOMICÍLIO E A RESIDÊNCIA DO AUTOR E DO RÉU;

⯈ Novidade: endereço eletrônico

⯈ Capacidade civil X processual (art. 3º e 4º CC)

⯈ Absolutamente incapazes – representados


⯈ Relativamente capazes – assistidos

NÃO TENDO OS DADOS DO REQUERIDO

⯈Caso o Requerente não tenha as informações do Requerido, poderá ele, na petição inicial, requerer ao
juiz diligências necessárias a sua obtenção.

⯈E neste caso, não há que se fala do indeferimento da petição inicial, se a obtenção de tais informações
tornar impossível ou excessivamente oneroso o acesso à justiça. (§§ 1º, 2º e 3º do art. 319)

III - O FATO E OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO;

⯈Fatos

⯈ Descrição objetiva, sucinta

⯈ Informações e datas relevantes

⯈ Primeiro contato do juiz com o processo – primeira impressão

⯈ Estrategicamente: não apresentar informações prejudiciais (preservando boa-fé)

PELO PRINCÍPIO DA SUBSTANCIAÇÃO

⯈ Cabe à parte descrever não só o fato (ou conjuntos de fatos) como ainda atribuir-lhe nexo jurídico a
justificar o seu pedido;

⯈ Não é obrigatória a menção do texto legal, posto que “mesmo a invocação errônea de norma legal
não impede que o juiz aprecie a pretensão do autor à luz do preceito adequado.” (HTJ, p. 753);

⯈ Neste sentido: “O juiz não está adstrito a nomes jurídicos nem a artigos de lei indicados pelas partes,
devendo atribuir aos fatos apresentados o enquadramento jurídico adequado. Aplicação do brocardo
da mihi factum, dabo tibi ius.” (REsp 1537996/DF, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 28/06/2016)

⯈ Ocorreu pelo CPC/15 a mitigação do princípio da iuria novit curia, uma vez que:

⯈ Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito
do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria
sobre a qual deva decidir de ofício.

III - O FATO E OS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO;

⯈Fundamentos

⯈ Leis

⯈ Doutrina
⯈ Jurisprudência

⯈ Precedentes vinculantes (art. 927, CPC)

⯈Improcedência liminar do pedido (art. 332, CPC)

⯈Tutela de urgência (art. 311, II. CPC)

IV - O PEDIDO COM AS SUAS ESPECIFICAÇÕES;

⯈ Pedidos – certo, determinado

⯈ Cumulativos/ Alternativos

⯈ Subsidiários – importante!

⯈ Princípio da eventualidade - gradação

⯈ Ex.: Exoneração/revisão

⯈ Condenação em honorários e custas

⯈ Requerimentos – Ex.:

⯈ Citação do réu

⯈ Participação do MP – ex.: incapazes, interesse público (art. 178 CPC)

⯈ Justiça gratuita (requerimento ou tópico específico)

⯈ Publicações sejam feitas em nome de advogado específico

DO PEDIDO CERTO E DETERMINADO:

⯈ Quanto a Certeza e Determinação: Não se admite qualquer indeterminação do aspecto quantitativo do


pedido.

⯈ O pedido deve ser certo (art. 322) e determinado (art 324), compreendendo no principal, os juros
legais e correção monetária e as verbas de sucumbência;

⯈ Exceção à regra: (§1º, art. 322) – em caso de pedido genérico (obs. que se aplica a reconvenção - §2º,
art. 322), que se dá:

⯈ Ações Universais (petição herança; biblioteca, estabelecimento empresarial);

⯈ quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato;

⯈ quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu, ex.:
prestação de contas.

⯈ A indeterminação, portanto, refere-se a ao aspecto quantitativo ou qualitativo do mesmo, jamais


quanto ao gênero da prestação pretendida.

PEDIDO – AÇÃO RELACIONADA COM CONTRATOS DE EMPRÉSTIMOS,


FINANCIAMENTOS OU ALIENAÇÃO DE BENS (ART. 330, §2º CPC/15):

⯈ Quando a discussão da demanda gire em torno de referidos contratos, caberá ao Requerente, em sua
petição inicial, discriminar:

⯈ A) quais obrigações contratuais pretende controverter; e

⯈ B) quais os valores do contrato permanecem incontroversos;

⯈ Pois, compete a ele: “(...), discriminar na petição inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que
pretende controverter, além de quantificar o valor incontroverso do débito.”

⯈ E enquanto se discute o valor da parcela controversa, “o valor incontroverso deverá continuar a ser
pago no tempo e modo contratados” (§3º, art. 330)

PEDIDO COMINATÓRIO

⯈Nas obrigações de fazer, não-fazer (art. 498) entregar (art. 538, §3º) é possível inserir na ordem
judicial (de ofício ou a requerimento) a pena pecuniária pelo atraso no cumprimento;

⯈Tem cabimento nas tutelas provisórias, como nas definitivas (arts. 297 e 537, CPC)

⯈Pode ser fixada a requerimento ou de ofício (art. 537, CPC).

CUMULAÇÃO DE PEDIDOS

⯈ É possível (art. 327 CPC), num único processo, contra o mesmo réu, de vários pedidos, ainda que
entre eles não haja conexão, mas desde que:
I - os pedidos sejam compatíveis entre si;
II - seja competente para conhecer deles o mesmo juízo; III - seja adequado para todos os pedidos o
tipo de
procedimento.

⯈ E ainda que não haja compatibilidade de procedimento, permite-se a cumulação, desde que o autor
empregue o procedimento comum, sem prejuízo das técnicas processuais diferenciadas dos
procedimentos especiais (arts. 327, §2º).

ESPÉCIES DE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS

⯈Cumulação simples – o acolhimento ou rejeição de um não afeta o outro;

⯈Cumulação sucessiva – o acolhimento de um pedido posterior pressupõe o acolhimento do pedido


anterior;

⯈Cumulação superveniente – quando ocorre a denunciação da lide ou chamamento ao processo.

CLASSIFICAÇÃO DA CUMULAÇÃO DOS PEDIDOS

⯈ Cumulação em sentido estrito

 admite-se a procedência simultânea


- simples – pedidos absolutamente independentes
EX.:(cobrança de dívidas oriundas ≠ contratos)
- sucessiva – quando se trata de 2 ou + pedidos, sendo que a análise do posterior depende da
procedência do anterior (paternidade c/ alimentos)

⯈ - Cumulação em sentido amplo

 um dentre vários é que poderá ser julgado - eventual ou subsidiária – 2 ou + pedidos, sendo que o 2º
só será apreciado se 1º for improcedente (condenação em espécie na impossibilidade entrega coisa)
- Art. 326 do CPC – “É lícito formular mais de um pedido em ordem subsidiária a fim de que o juiz
conheça do posterior, quando não acolher o anterior”.

PEDIDO ALTERNATIVO

⯈ OBS.: NÃO CONFUNDIR CUMULAÇÃO DE PEDIDOS COM PEDIDOS ALTERNATIVOS, pois


neste último, a relação de direito material deduzida no processo dá origem a uma obrigação
alternativa (que pode ser cumprida por mais de uma forma pelo devedor). E neste caso, do pedido
alternativo, o pedido é único.

⯈ Pedido Alternativo - Art. 325 CPC - Onde não há cumulação de demandas, pois, será alternativo,
quando, pela natureza da obrigação, o devedor puder cumprir a prestação de mais de um modo.

⯈ Ex.: o devedor que se comprometeu a entregar o boi ou um cavalo, e a obrigação não foi cumprida.

PEDIDO DE PRESTAÇÕES PERIÓDICAS – TRATO SUCESSIVO

⯈ Pedido de Obrigação de Trato Sucessivo – no qual subentende no pedido que as prestações vincendas
se encontram incluídas no pedido.

⯈ Art. 323 CPC: “Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações sucessivas,
essas serão consideradas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor, e
serão incluídas na condenação, enquanto durar a obrigação, se o devedor, no curso do processo,
deixar de pagá-las ou de consigná-las.” Ex.: consignação de aluguel, alimentos.
INTERPRETAÇÃO DOS PEDIDOS

⯈ O pedido é interpretado de acordo com a boa-fé (§2º, art.


322 e §3º, art. 489 CPC/15 c/c art. 5º, CPC);

⯈ Art. 322:

⯈ § 2o A interpretação do pedido considerará o conjunto


da postulação e observará o princípio da boa-fé.

⯈ Art. 489:

⯈ § 3o A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em
conformidade com o princípio da boa-fé.

PEDIDO IMPLÍCITO:

⯈ Os juros, correção monetária e verbas de sucumbência, inclusive honorários advocatícios (art. 322,
§1º, 82, §2º e 85. CPC);

⯈ As prestações que se vencerem no curso do processo, em se tratando de


obrigações de trato sucessivo (art. 323, CPC);

⯈ E ainda que a sentença seja omissa, será possível ao credor incluir tais valores na liquidação, os juros
e correção monetária. E os honorários?

⯈ Quanto aos honorários, reconhecia o STJ que: “"Se a sentença - omissa na condenação em honorários
de sucumbência - passou em julgado, não pode o advogado vitorioso cobrar os honorários
omitidos." (EREsp 462.742/SC).

⯈ Hoje, contudo, o CPC/2015 prevê que (art.85 § 18): “Caso a decisão transitada em julgado seja
omissa quanto ao direito aos honorários ou ao seu valor, é cabível ação autônoma para sua definição
e cobrança.”

V - O VALOR DA CAUSA;

⯈ Art. 292 CPC – exs:

⯈ II - na ação de alimentos, a soma de 12 (doze) prestações mensais pedidas pelo autor;

⯈ V - na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral, o valor pretendido;

⯈ VIII - na ação em que houver pedido subsidiário, o valor do pedido principal.

⯈ § 2º O valor das prestações vincendas será igual a uma prestação anual, se a obrigação for por tempo
indeterminado ou por tempo superior a 1 (um) ano, e, se por tempo inferior, será igual à soma das
prestações.

⯈ Fundamento para definição de competência, arbitramento de multas, honorários,


etc.

VI - AS PROVAS COM QUE O REQUERENTE PRETENDE DEMONSTRAR A VERDADE


DOS FATOS ALEGADOS;

⯈ A priori, não podem ser apresentados posteriormente.

⯈ Dica 1: comparar narração dos fatos e documentos. A ordem dos documentos


anexados deve ser a mesma das informações constantes na inicial.

⯈ Dica 2: Se forem muitos documentos, numere-os. Faça anotações e grifos caso seja necessário.

⯈ Dica 3: se tiver pedido de justiça gratuita, solicitar documentos para comprovar renda;

⯈ Dica 4: conferir se é procedimento especial: normalmente são exigidos outros documentos.

⯈ Dica 5: se for prejudicial, não junte-o.

VII - A OPÇÃO DO AUTOR PELA REALIZAÇÃO OU NÃO DE AUDIÊNCIA DE


CONCILIAÇÃO OU DE MEDIAÇÃO.

⯈ Já houve tentativa de conciliação?

⯈ No silencio do Requerente, presume-se pela concordância com a realização da audiência.

⯈ Para o TJMG, por meio do enunciado 01 tem-se que:

⯈ “A omissão da petição inicial quanto à audiência de conciliação ou mediação deve ser interpretada
como concordância, desnecessária a intimação para emenda.”
DICAS

⯈ Grifar as partes relevantes – cautela

⯈ Consulta de jurisprudência e doutrina – cuidado com fontes e referências

⯈ Fundamentação em jurisprudências e peças (inteiro teor)

⯈ Citação de Requerente/Requerido ou Autor/Réu – não utilizar nomes

⯈ (Nem precisa dizer) - Erros de ortografia e gramática – Pedir que alguém releia a peça

⯈ Cola: lista de conectivos e sinônimos

RECEBIDA A PETIÇÃO INICIAL, O JUIZ PODERÁ:

⯈ Se estiver em termos, determinar a citação;

⯈ Havendo vício sanável, determinar a emenda da petição, caso em que deverá indicar “com precisão”
o que precisa ser saneado (art. 321, CPC) – e só se o autor não cumprir a diligência no prazo em que
lhe foi assinado é que o juiz indeferirá a inicial (art. 321, § ún., CPC) – e só depois, se for o caso;

⯈ Indeferir a petição inicial;

⯈ Julgar improcedência liminar de rejeição do pedido (art. 332.CPC)

CASOS DE INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL – ART. 330

⯈ I - for inepta, quando:

⯈ I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;

⯈ II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico;

⯈ III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;

⯈ IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.

⯈ II - a parte for manifestamente ilegítima;

⯈ III - o autor carecer de interesse processual;

⯈ IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 (advocacia em causa própria) e 321 (quando não
cumprido, pelo autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emenda determinada pelo juiz).

⯈ De acordo com HTJ (p. 758)– “o indeferimento liminar e imediato da petição inicial, antes da citação
do réu, é de se ver com exceção.”

DA IMPROCEDÊNCIA LIMINAR DE REJEIÇÃO DO PEDIDO, SEM CITAÇÃO DO RÉU


(ART. 332, CPC), QUANDO CONTRARIAR:

⯈ I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;

⯈ II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em
julgamento de recursos repetitivos;

⯈ III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de


assunção de competência;

⯈ IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.

⯈ Se também verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição (§ 1º).

⯈ “Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:


II - decidir, de ofício ou a requerimento, sobre a ocorrência de decadência ou prescrição;
Parágrafo único. Ressalvada a hipótese do § 1o do art. 332, a prescrição e a decadência não serão
reconhecidas sem que antes seja dada às partes oportunidade de manifestar-se.”
SENTENÇA DE INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL OU DA REJEIÇÃO LIMINAR
DO PEDIDO

⯈ Seja a terminativa (art. 330 c/c art. 495, I, CPC) como a definitiva de improcedência liminar do
pedido (art. 332, CPC) caberá o recurso de Apelação;

⯈ Recurso este que ensejará o juízo de retratação – prazo de 5 dias (art. 331 e §3º, art. 332. CPC);

⯈ Retratando-se da decisão, será determinada a citação do réu;

⯈ Não retratando, o juiz mandará citar o réu para responder o recurso (§1º, art.
331 e §4º art. 332);

⯈ Não interposto o recurso de apelação, o réu será intimado do trânsito em julgado (§3º, art. 331 e §2º,
art. 332, CPC)

DEFERIDA A PETIÇÃO INICIAL (ART. 334, CPC):

⯈ Será designada audiência de mediação e conciliação com antecedência mínima de 30 dias;

⯈ O autor será intimado da audiência na pessoa do seu advogado; e

⯈ O réu será citado, com pelo menos 20 dias de antecedência


para:

⯈ Comparecer na audiência de conciliação ou mediação (art.334, CPC);

DA AUDIÊNCIA PRELIMINAR DE CONCILIAÇÃO OU MEDIAÇÃO

⯈Não é obrigatória;

⯈É facultativa, vez que a audiência não será realizada quando:

⯈ambas as partes manifestarem, expressamente, o desinteresse na composição; ou

⯈Não comportar autocomposição (inc. I e II,


§4º, 334, CPC)

DIVERGÊNCIA QUANTO A OBRIGATORIEDADE OU NÃO DA AUDIÊNCIA


PRELIMINAR

⯈ Há divergência se ainda que o autor manifeste ou não sua intenção na petição inicial, se ainda assim,
esta audiência deve ser designada:

⯈ Para HTJ (p. 779) – “ainda que o autor manifeste, expressamente na petição inicial, desinteresse pela
autocomposição, o juiz a despachará designando dia e hora para sua realização”;
⯈ Para Didier (p. 555) – que além de concordar com HTJ entende que mesmo quando não houver
pedido expresso do autor, seja pelo sim ou pelo não, o juiz deve entender como indicativo de sua
vontade pela realização da audiência inicial, designando-a;

⯈ Para AFC (p. 199) – contrariamente entende que “a audiência não será designada se qualquer das
partes manifestar, expressamente, desinteresse na composição consensual. “ E, coadunando com os
autores acima, também entende que no silêncio da petição, que tal “deve ser interpretado no sentido
de que pretende ela participar da tentativa de solução
consensual.”

⯈ Não parece acertada tal entendimento. Reconheço que este é um requisito indispensável da petição
inicial e sua omissão permite ao juiz determinar a emenda da mesa.

AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO

⯈ Poderá ocorrer em mais de uma sessão;

⯈ Não pode ser realizada pelo juiz,

⯈ vez que ao mediador ou ao conciliador é exigido (art. 166) a confidencialidade e


o sigilo das sessões;

⯈ Caso realizada a audiência de conciliação ou mesmo mediação pelo juiz, entendo que o juiz se torna
impossibilitado ao julgamento do processo;

⯈ Logo, a mediação e conciliação deverá se conduzida pelos auxiliares do juízo (§1º, art. 334, CPC);

AUDIÊNCIA DA MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO

⯈ As partes devem estar acompanhadas de seus advogados (§9º, 334, CPC);

⯈ O não comparecimento das partes (ou seus prepostos com poderes especiais) é considerado ato
atentatório à dignidade da justiça. Sanção: multa de até 2% da vantagem econômica revertida para
União ou Estado;

⯈ Obtida a auto composição, será esta reduzida a termo e homologada por sentença;

⯈ Não obtida a auto composição, poderá o réu contestar;

BIBLIOGRAFIA

⯈Capítulos XXII e XXIII do Livro do Prof.


Humberto Theodor Jr. – Curso de Direito Processual Civil, vol. I
UNIDADE 7 – RESPOSTAS DO RÉU

⯈7. Resposta do réu


⯈7.1 Contestação

⯈7.2 Reconvenção

DA CONTESTAÇÃO

⯈ É através da qual réu apresenta a parte essencial de sua defesa (preliminar, fato e mérito);

⯈ A contestação é a principal e mais importante resposta do réu, deve ser feita de forma escrita (art.
335, CPC) e por petição, jamais por cota nos autos. Não há qualquer previsão legal que permita a
contestação oral, ainda que reduzida a termo;

⯈É “o instrumento processual utilizado pelo réu para opor-se, formal ou materialmente, à pretensão
deduzida em juízo pelo autor.” (HTJ, p. 789);

CONTESTAÇÃO E SUA ALEGAÇÃO

⯈ As defesas processuais (tanto peremptórias quanto as dilatórias) devem ser


arguidas antes do enfrentamento do objeto do processo (art.337);

⯈ Peremptórias – são aquelas que se acolhidas, conduzem a extinção do processo (ex. inépcia,
ilegitimidade, litispendência, coisa julgada, perempção);

⯈ Dilatórias – não conduzem a extinção, mas amplia ou dilata o curso do procedimento (ex. nulidade
da citação, incompetência do juízo; conexão, deficiência de representação ou falta de autorização
para a causa, etc);

⯈ Defesa direta de mérito  negação do fato constitutivo do direito do autor (inexistência do


contrato empréstimo);

⯈ Pelo princípios da eventualidade (exceção – art. 342), também deve o réu arguir:

⯈ Defesa indireta do mérito  alegação de fato extintivo (prescrição);

⯈ impeditivo (incapacidade do agente) ou

⯈ modificativo (pagamento parcial) do direito do autor;

O RÉU PODE NÃO CONTESTAR?

⯈ Sim, uma vez que este ato é uma faculdade que pode ou não ser exercida pelo Réu;

⯈ Entretanto, caso ele não conteste, ocorrerá a revelia (consequências da revelia, art. 344);

⯈ Só no caso em que o direito for indisponível, é que será afastada a revelia, quando então o MP é
convocado para atuar como custus legis;

⯈Pode ainda, caso queira, reconhecer a procedência do pedido (art. 487, III, a, CPC)
PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE

⯈ É na contestação que deve ser alegada toda e qualquer defesa, devendo observar o princípio da
eventualidade (= que todas as alegações da parte devem ser produzidas de uma só vez, na 1ª
oportunidade que tenha para manifestar, ainda que contraditórias entre si);

⯈ Ou seja: toda a matéria de defesa deve ser arguida na contestação sob pena de preclusão.
Excetuando, no caso, apenas:

⯈ as matérias supervenientes,

⯈ ou as questões que o juiz possa conhecer de ofício;

⯈ ou aquelas que podem ser arguidas em qualquer grau de jurisdição (art. 342, CPC)

ÔNUS DA DEFESA ESPECIFICADA

⯈ Cabe ao réu impugnar especificadamente todos os fatos arrolados pelo autor.


Cabendo-lhe impugnar os fatos (art. 341 CPC), de forma clara, precisa e específica, pois o fato
narrado pelo autor e não impugnado pelo réu, presume- se verdadeiro (presunção relativa, iuris
tantum – admitindo prova em contrário);

⯈ Só não geram essa presunção (art. 341):

⯈ I - não for admissível, a seu respeito, a confissão (ex. direitos indisponível);

⯈ II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da


substância do ato (art. 406);

⯈ III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto

⯈ Não se admite contestação por negativa geral (pois, é o mesmo que não contestar), exceto quando
apresentada por curador especial, advogado dativo (art. 341, § único CPC);

⯈ Revelia é, portanto, ausência de “contestação”, no prazo e forma legais. Ou seja, deixando o réu de
oferecer contestação dentro do prazo e com as observâncias das formalidades legais, será ele revel.

DA PRELIMINAR EM CONTESTAÇÃO
Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar:

I - inexistência ou nulidade da citação; II - incompetência absoluta e relativa; III - incorreção


do valor da causa;

IV - inépcia da petição inicial; V - perempção;

VI - litispendência; VII - coisa julgada; VIII - conexão;


IX - incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X - convenção de
arbitragem;

XI - ausência de legitimidade ou de interesse processual;

XII - falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar;

XIII - indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça.

CONHECIMENTO EX OFFICIO DAS PRELIMINARES

⯈ Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das


matérias enumeradas neste artigo (§ 5º, art. 337);

⯈ Este poder decorre do fato de que “qualquer uma das demais preliminares afeta os requisitos de
constituição ou desenvolvimento válido e regular do processo, matéria na qual há, sem dúvida,
evidentes interesse público.” (HTJ, p. 795);

ALEGAÇÃO DA ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM

⯈ Se alegada a ilegitimidade passiva:

⯈ Deverá o réu indicar o sujeito passivo, quando tiver conhecimento de quem o seja, sob pena de
arcar com as despesas e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação (art.
339, CPC);

⯈ Caso em que o juiz intimará o autor para, querendo, no prazo de 15 (quinze) dias, altere a petição
inicial requerendo a substituição do réu (art. 338) ou a inclusão como litisconsorte passivo do sujeito
indicado como o legitimado passivo (art. 339, §3º).

⯈ Ocorrendo deste modo, a substituição processual ou a ampliação subjetiva no polo passivo.


Evitando-se, assim, a possível extinção do processo sem resolução do mérito, pela indicação errônea
do réu.

⯈ E são devidos reembolso e honorários pela indicação errônea ao réu substituído, percentual de 3 a
5% (p. un., art. 338, CPC)

PRAZO PARA CONTESTAÇÃO:

⯈ Com audiência de conciliação ou mediação - a resposta do réu, neste caso, só será apresentada nas
seguintes hipóteses e partir:

⯈ 1º dia útil seguinte ao do protocolo (que deve ser de até 10 dias úteis antes da audiência) da petição
do réu, manifestando expressamente o seu desinteresse na audiência;

⯈ 1º dia útil seguinte ao da realização da audiência, caso:


- não haja autocomposição; ou
- manifestem as partes, em audiência, pela não realização do procedimento de mediação ou
conciliação, ou também
- quando nenhuma das partes compareça a audiência;
• Da última sessão de conciliação ou mediação realizada em caso de seu encerramento sem a
autocomposição.

PRAZO PARA CONTESTAÇÃO

⯈ Sem audiência de conciliação e mediação

⯈ Deferida a petição e não tendo o autor optado expressamente pela audiência e em se tratando de
causa que não admite a autocomposição, será o réu citado para, em 15 (quinze) dias úteis a contar da
citação, apresentar sua resposta.

⯈ Em caso de litisconsórcio passivo:

⯈ O prazo só será em dobro, se o processo não for eletrônico (art. 229, CPC) e se os advogados
forem distintos com escritórios distintos e que mais de um tenha contestado (§2º, 229);

⯈ Se houver desistência de um dos réus ainda não citado, o prazo para resposta será da intimação que
homologar a desistência (art. 335, §2º);

⯈ O prazo é comum, exceto quando, havendo designação da audiência e um deles manifestar pelo
desinteresse. Aplicando-se assim o art. 335, §1º - No caso de litisconsórcio passivo, ocorrendo a
hipótese do art. 334, § 6º, o termo inicial previsto no inciso II será, para cada um dos réus, a data de
apresentação de seu respectivo pedido de cancelamento da audiência.

LOCAL DO PROTOCOLO DA DEFESA - QUANDO ALEGADA A INCOMPETÊNCIA


ABSOLUTA OU RELATIVA

⯈ Outra novidade referente à resposta do réu refere-se ao local do protocolo da contestação quando
for caso de alegação de incompetência relativa ou absoluta do juízo.

⯈ Permitiu-se que a contestação seja protocolada ou distribuída no domicílio do réu.

⯈ Será caso de livre distribuição da contestação, é o que se deduz, quando o réu não for citado por
carta precatória.

⯈ Pois, sendo o réu citado por meio de carta, será o caso de protocolo da contestação que será
juntada aos autos da carta precatória (art. 340).

⯈ E em qualquer destas hipóteses, o juiz da causa será imediatamente comunicado,


preferencialmente, por meio eletrônico, e a contestação será imediatamente remetida a ele.

CITAÇÃO EM OUTRA COMARCA – ALEGAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO


⯈ Prevento será o juízo para o qual foi distribuída a contestação ou que cumpriu a carta precatória,
caso o juiz deprecante reconheça a competência do foro indicado pelo réu.

⯈ Enquanto não apreciada a alegação de incompetência relativa ou absoluta, (§3º, art. 340, CPC), e a
nova data de audiência dependerá da decisão que definir a competência (§4º, art. 340, CPC),
suspende-se audiência.

⯈ Implicando dizer que, no caso em que houve citação para a audiência, o réu ainda não precisa
apresentar a contestação referente às demais matérias, sobretudo, a de mérito. E, neste caso, a
contestação será apenas para arguir a incompetência. E o seu prazo para contestar começa a fluir se,
depois de ocorrida a audiência, não tenham as partes chegado à autocomposição, ou caso o réu
manifeste o seu desinteresse na realização desta.

DA RECONVENÇÃO

⯈ “É a ação do réu contra o autor, proposta no mesmo feito em que está sendo demandado.” (João
Monteiro, citado por HTJ, p. 798)

⯈ É um contra-ataque, e não uma resistência como é a contestação. Em que o


Réu é o Reconvinte e o Autor o Reconvindo;

⯈ Com a reconvenção há 2 demandas, em cumulação, aumentando-se o objeto do processo (objeto


do autor – ação originária, e objeto do réu- reconvinte – ação reconvencional);

⯈ Funda-se na economia processual;

⯈ E assim como a contestação, a reconvenção é mera faculdade, só que sem ônus. Pois, não
apresentando a reconvenção, pode o réu ajuizar ação paralela diante do mesmo juiz (mesmo depois
de perdido o prazo para reconvenção);

NOVIDADE DO CPC

⯈A reconvenção, deverá ser feita na própria contestação, e não mais em petição autônoma, sendo
esta desnecessária só no caso em que o autor optar por não oferecer a contestação (§6º, art. 343,
CPC);

AUTONOMIA DA RECONVENÇÃO

⯈ Continua preservada no CPC a autonomia da demanda reconvencional frente à demanda originária


(§2º, art. 343, CPC). A demanda reconvencional prosseguirá como ação autônoma que é, ainda que o
autor peça a extinção da demanda originária ou nesta seja proferida sentença extintiva sem resolução
do mérito;

PRESSUPOSTOS DA RECONVENÇÃO
⯈ Cabe ao réu-reconvinte demonstrar estarem presentes

⯈ os pressupostos processuais e

⯈ as condições da ação, bem como que

⯈ há conexão entre a causa originária e principal e a ação


reconvencional ou com o fundamento da defesa;

PRESSUPOSTOS:

⯈ 1) Cabimento da reconvenção – pressupostos processuais e condições para qualquer ação;

⯈ 2) Pressupostos específicos:

⯈ Que seja conexa com a ação principal ou com o fundamentos da defesa (a que foi utilizada na
contestação para resistir o pedido do autor);

⯈ Legitimidade;

⯈ Competência;

⯈ Rito

⯈ Mencionar o valor da causa (art. 292), pois na reconvenção deve-se observar todas as exigências
do art. 319 no que lhe couber;

RECONVENÇÃO – AMPLIAÇÃO SUBJETIVA

⯈ Nada impede, portanto, por se tratar de ação autônoma do réu em face do autor, que ocorra a
ampliação subjetiva da demanda, casos em que a reconvenção é proposta pelo reconvinte em
litisconsórcio com terceiro (§4º, art. 343), ou contra o autor reconvindo e terceiro (§3º, art. 343);

⯈ Em sendo o autor substituto processual, ainda que o reconvinte afirme ser titular de direito em face
do substituído, a reconvenção deve ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto
processual (§5º, art. 343), mas desde que o autor-reconvindo também tenha legitimidade
extraordinária;

RECONVENÇÃO E COMPENSAÇÃO

⯈ É necessário o uso da reconvenção para submeter o autor a compensação?

⯈ Não.

⯈ Para tanto, basta que o réu invoque o seu crédito em simples petição (desde que menor que do
autor, porque se maior, não);

⯈ O mesmo ocorre no caso de pagamento, remissão, novação – que são defesa indiretas do mérito;
⯈ O manejo da reconvenção, no entanto, será necessário quando o crédito do réu, face ao autor não
está baseado em título líquido e certo. Exigindo-se assim a apresentação da reconvenção, para o
reconhecimento do mesmo;

A PETIÇÃO DA DEMANDA RECONVENCIONAL PODE SER INDEFERIDA


LIMINARMENTE?

⯈ Sim, assim como a rejeição liminar do pedido;

⯈Tratando-se de decisão parcial (art. 354, § único, CPC), de modo que contra esta cabe recurso de
agravo de instrumento;

EXISTE SUCUMBÊNCIA NA RECONVENÇÃO?

⯈ Sim, se rejeitado o pedido reconvencional ou mesmo quando houver extinção da mesma sem
resolução do mérito;

⯈Nesse sentido ver o §1º do art. 85 CPC;

BIBLIOGRAFIA

⯈THEODORO JR., Humberto. CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL, vol. I, capítulo XXIII

UNIDADE 8. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E SANEAMENTO

⯈ 8. Providências preliminares e saneamento


8.1 Revelia e seus efeitos
8.2 Fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor
8.3 Alegações do réu

FASES DO PROCESSO
Fase Postulatória
• Petição inicial
• Contestação

Fase Saneamento

Fase Probatória
Fase Decisória

PROVIDENCIAS PRELIMINARES

⯈ Destina-se a: “encerrar a fase postulatória do processo e preparar a fase saneadora.” (HTJ, p.


815)

⯈ Findo o prazo para apresentação da resposta do Réu, os autos serão conclusos ao juiz, que
caberá verificar:

⯈ Se houve contestação ou se ocorreu a revelia;

⯈ Com a contestação, se houve alegação de preliminar, ou quaisquer defesas indiretas;

PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES – CABERÁ AO JUIZ VERIFICAR:

⯈ Da não contestação e não ocorrência da revelia (art. 348) – intimará o autor para especificar
provas;

⯈ Ao réu revel é permitido apresentar provas (art. 349);

⯈ Se foi alegado pelo réu qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo (inclusive questão
prejudicial) – caso em que o Autor será intimado a manifestar-se (art. 350, CPC), assim como se
arguido qualquer matéria preliminar (art. 351, CPC);

⯈ Se foi alegado pelo réu qualquer questão preliminar – dando-se oportunidade para que os vícios
sanáveis sejam saneados (prazo: nunca superior a 30 dias – art. 353);

1- QUANTO A REVELIA – ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS

⯈ Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de
fato formuladas pelo autor. (art. 344, CPC)

⯈ Não ocorrerá a revelia quando (art. 355, CPC):


I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;

⯈ litisconsórcio: a contestação oferecida por um dos réus aproveita aos litisconsortes que não tiveram
contestado; e neste caso só aproveitará aos ausentes no limite que nela tiver sido alegado;
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à
prova do ato;
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou
estiverem em contradição com prova constante dos autos.
EFEITOS DA REVELIA

⯈ Art. 348 CPC, em sendo revel o réu, o juiz ordenará que o autor que especifique provas que
pretende produzir na AIJ, se ainda não as tiver indicado;

⯈ Tornou-se praxe, independentemente da revelia, o juiz determinar que as partes especifiquem as


provas que pretendem produzir

⯈ Ao réu revel será lícita a produção de provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça
representar nos autos a tempo de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção. (Art.
349 – que reproduz a súmula 231 do STF)

EFEITOS DA REVELIA

⯈a revelia opera-se em razão da matéria de fato. Assim as questões de direito deverão ser apreciadas
livremente pelo Juiz;

⯈ ainda que ocorra a revelia, cumpre ao autor provar o que alega;

⯈a revelia pode acarretar no julgamento antecipado do mérito (art. 355, II do CPC);

⯈os prazos correrão sem que o réu revel que não tenha advogado nos autos da data da publicação
(art. 346 CPC);

⯈ O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que se encontrar
(§ un., 356)

A REVELIA – NÃO IMPLICA A PROCEDÊNCIA DO PEDIDO

⯈“A revelia não importa em procedência automática dos pedidos, porquanto a presunção de
veracidade dos fatos alegados pelo autor é relativa, cabendo ao magistrado a análise conjunta das
alegações e das provas produzidas.” (4ª T. do STJ; AgInt no AREsp 1.588.993, rel. Ministro Raul
Araújo, julg. 2610.2020).

2 – COM CONTESTAÇÃO, COM ALEGAÇÃO DAS PRELIMINARES (ART. 337, CPC)

⯈ Se o réu alegar algumas das matérias previstas no art. 337, CPC (preliminares), o juiz intimará o
Autor para, em 15 dias:

⯈ Não só impugnar à contestação, mas para que este, querendo, possa produzir prova documental
com o fito de refutar alegação do réu;

⯈ E, sendo o caso de irregularidades ou de nulidades sanáveis, cabe ao Autor supri-las, no prazo


nunca superior a 30 (trinta) dias. (art. 352)

⯈ Obs.: a solução, acolhimento ou rejeição da liminar será apreciada quando do julgamento


conforme o estado do processo.
3. CONTESTAÇÃO COM ALEGAÇÃO DE DEFESA INDIRETA (ART. 350, CPC)

⯈ Em tendo o réu alegado qualquer fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor, o
juiz determinará a ouvida do autor, que o fará por meio da réplica, no prazo de 15 dias;

⯈ se na contestação o réu, apenas limitou-se a negar o fato constitutivo do direito do autor (defesa
direta), não haverá réplica, por absoluta desnecessidade;

⯈ Não poderá o autor, na réplica, aduzir fatos novos, devendo apenas impugnar as alegações feitas
pelo réu.

INTERVENÇÃO DO MP

⯈ Nas hipóteses em que o MP deve intervir no feito (art. 178 CPC), caberá ao juiz abrir vista a ele,
na fase das providências preliminares, para que o mesmo manifeste-se;

⯈ A não manifestação MP, como visto, pode acarretar a nulidade do processo (art. 279, CPC);

OUTRAS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES

⯈É também nesta fase que o juiz delibera sobre a:

⯈Citação dos litisconsortes necessários (art. 115, § ún.);

⯈A intervenção de 3ºs (tais como: denunciação da lide ou chamamento ao processo)

ULTRAPASSADAS AS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES

⯈Cumpridas as providências preliminares ou não havendo necessidade delas, o juiz proferirá


julgamento conforme o estado do processo. (art. 353, CPC – Matéria esta que veremos no próximo
capítulo – unid. 9).

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