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Literário, sem frescuras!
1664ISSN 1664-5243

O SEU JEITO DE EXPRESS@R @ VID@ ESTÁ @QUI!

Ano 2 - Maio - 2011 - Edição no. 9

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1664ISSN 1664-5243

LITERÁRIO, SEM FRESCURAS
Genebra, primavera de 2011 No. 9

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Varal do Brasil - Maio de 2011

EXPEDIENTE
Revista Literária VARAL DO BRASIL®

1664ISSN 1664-5243
NO. 9- Genebra - CH Copyright Vários Autores O Varal do Brasil é promovido, organizado e divulgado pelo site: www.coracional.com Genebra Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Textos: Vários Autores Colaboradora: Paula Barrozo COMO PARTICIPAR DO VARAL (REVISTA E SITE): Ilustrações: Vários Autores Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL

Enviar seus textos, fotos e/ou desenhos acompanhados de uma foto e de uma minibiogra ia para o email varaldobrasil@bluewin.ch Toda participaçã o é gratuita

Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman Editora-Chefe: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica, por e-mail, é gratuita. Se você deseja par cipar do VARAL DO BRASIL NO. 10, envie seus textos até 10 de JUNHO para: varaldobrasil@bluewin.ch
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Varal do Brasil - Maio de 2011

As estações representam na natureza de maneira tão bela nossas próprias estações. Somos quentes, desesperados, frios, reservados, coloridos, alegres, desprendidos, chorosos! Nunca somos apenas uma coisa, somos sempre muito e tanto. Aqui no Varal é o que encontramos, pessoas que se encontram nas várias estações da vida e do coração e que nos trazem a palavra e a imagem como elas são, sem retoques. Pensam, sentem e brindam nossos sentidos com uma emoção difícil de igualar. No site do Varal também vemos esta diversidade e aproveitamos momentos de puro prazer com o talento das pessoas que participam: Fotografias, pinturas, receitas culinárias, livros, música e muito mais. E tudo isto é muito bom se pensarmos que o mundo em que vivemos passa, infelizmente, por uma hora dura, onde desgraças, catástrofes e crimes inomináveis fazem parte do cotidiano. Lemos jornais que nos contam os infortúnios; se ligarmos a televisão lá estará tudo também. Ao nosso redor a dimensão das tristezas é muitas vezes insuportável. É quando vemos faces da natureza do planeta e do homem que gostaríamos de nunca conhecer. Mas que existem. Diante da mazela que vinga em nossas vidas e pisoteia nossos olhos e corações, o que fazer além de chorar? Ajudar, com certeza! Porque sem a ajuda de cada um não há como preservar nem o planeta e nem os seres vivos que o habitam, sejam eles cães e gatos abandonados ou crianças tratadas como lixo. Educar, com certeza! Porque devemos, sempre!, nos lembrar que o governo somos nós e que a educação é responsabilidade máxima da família. É a educação recebida em casa que irá criar raízes e desabrochar em galhos e folhas de humanidade diante da sociedade. Sem a base familiar não há como educar depois. Nem escolas, nem o mundo lá fora poderão substituir a educação primeira que vem do berço. E, finalmente, fazer arte! Muita arte! Porque é a arte que alivia as dores, que nos permite traduzir as tristezas, canalizar os medos, realçar a bondade e o amor. Sem a arte, o que seríamos? O que seria dos que sofrem? O que seria da vida? Façamos arte, amigos! Que a arte ajuda, educa e transforma! Sejamos simples, sejamos puros em nossa arte: que ela venha do coração, que não seja intelectualizada e não afaste um público que precisa, mais do que nunca, de muitas formas de arte! Sejamos a arte! Abraços da Equipe do Varal!
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ANTONIO VENDRAMINI NETO JACI SANTANA CARLOS ROBERTO DE SOUZA DÚLCIO ULYSSÉA JR. ELIANE ACCIOLY JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO LORENI F. GUTIERREZ ISABEL CRISTINA S. VARGAS ANDRÉ LUIS MANSUR AMÍLTON MACIEL MONTEIRO ANNA RIBEIRO PAULA BARROZO MARIA GORETI DE O. ULBRICHT CARLOS D. CRISTIANE STANCOVIK DÉ BARRENSE MADHU MARETIORE FÁBIO RENATO VILLELA FÁTIMA DIÓGENES FÁTIMA VENUTTI GILBERTO N. DE OLIVEIRA MARIA LAUDECY F. DE CARVALHO LUIZ EDUARDO GUNTHER MIRIAM DE SALES OLIVEIRA NORÁLIA DE MELLO CASTRO ROZELENE FURTADO DE LIMA

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SANDRA L. STABILE SONIA NOGUEIRA TERESINKA PEREIRA MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA YARA DARIN WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS VÓ FIA CHAJAFREIDAFINKESZSTAIN AGUINALDO BECHELLI VAL BEAUCHAMP VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO ICLÉIA INÊS R. SCHWARZER LEÔNIA OLIVEIRA RUI MARTINS SÉRGIO GIBIM ORTEGA JU PETEK JANIA SOUZA
Genebra

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Por Antonio Vendramini Neto
Vozes no silêncio da noite afagaram os meus ouvidos Eram os meus ascendentes chorando a pátria distante Falaram de suas terras deixadas sem destino De uma colheita sem realizar... Querem voltar... Para rever os parreirais Manchas vermelhas nas camisas De sangue e de vinho sangrando na saída Choro de mulheres com crianças na barriga Contaram sobre uma época Quando aportaram nas águas verdes do Brasil Percorrendo os confins de Treviso Para ganhar o mar azul saindo de Nápoles Na busca de ilusões sonhos e conquistas O navio trouxe pessoas e à alma da família O tempo passou... Passou... Passou... Estou voltando com as cinzas do passado... Dos homens e mulheres... Que sentiram as sensações de outrora... Em uma terra de sonhos... Mar revolto... Velhas canções... Na passagem por águas e terras africanas No começo de velho continente Deixo cair um pouco de nuvem cinza no oceano Guardadas em velhas garrafas de vinho Para recordar o caminho Daqueles que por ali passaram em vida É o fim de um verão Em um colóquio de sentimentos No Transatlântico branco Europeu Percorrendo o caminho inverso De águas aquecidas pelos sonhos no oceano Parti do porto esperança Do universo de minha vida Correu uma lágrima na face sonhadora
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Fiquei angustiado na saída... Mas com uma vontade imensa de chegar... Para as cinzas espalhar No seio e no cio da terra onde nasceram Replantei a semente dos velhos capitães... Na terra dos antepassados...

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Os Miseráveis
Por Jaci Santana

Pela fome que lhes corrói a carne, Dias e noites sem cessar. Quero falar desses pobres miseráveis,

Hoje, não quero falar de amores perdidos . Quero falar do cotidiano que me cerca; Da vida lá fora; dessa gente que passa, Em murmurantes desafios diários. Quero falar desses rostos, Que se aglomeram Na soleira da porta do “Café Paradiso;” Que cruzam o salão, Em desconcertante fúria matinal. Quero falar desses rostos, Que passam inexpressivos, Entre ruas e calçadas, Em desatinada indiferença. Que olham vitrines, Sem, ao menos, perceber, O chão onde pisam. Quero falar das ruas que todos os dias, Abrigam os pobres miseráveis do Brasil. Das crianças sujas e empoeiradas, Que esmolam aos transeuntes, Por um pedaço de pão. Quero falar desses pobres miseráveis, Que ali entrincheirados pelo frio gélido Da manhã, Esboçam um insuportável gemido,

Pertencentes ao mesmo grupo de desesperados, Que lutam pela vida em desatinada aflição, Tentando, entre sorrisos e lágrimas, Esconder a dor que se alastra, A tantas outras gerações que passam...

Keith Harris

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Paula Barrozo Convida :
O poeta e editor Carlos Roberto de Souza :

1964: Nasce em Machado-MG 1966: Muda-se para São Paulo/SP, onde surge sua paixão pelo Cinema. 1995: Retorna para Machado, passando a pesquisar a trajetória do Cinema local. 2005: Edita a Revista do Cinema Machadense (1911-2005) 2006: Compõe três letras gravadas pela banda finlandesa “Força Macabra” 2008: Lança o livro “O Anjo e a Tempestade” sob o pseudônimo Agamenon Troyan. 2008: Edita o Fanzine Episódio Cultural 2009: Edita o Jornal Ciclone 2010: Novo membro da Academia Machadense de Letras 2010: Destaque do ano (Troféu Carlos Drummond de Andrade”/Itabira-MG)

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A Caixa de Pandora
Quando criança Eu falava com os anjos, Enxergava o mundo Com os olhos da Inocência. Cresci, tornei-me um homem Cheio de ideias, metas e planos. Abri minha caixa de Pandora E só encontrei o engano. Revoltado e sem esperança, lancei-a ao mar Junto com a minha frustração Que, calada, não se manifestou. E agora, o que fazer? O passado sepultei, O presente neguei, O que dirá o meu futuro? Arrependido, voltei ao penhasco e, Ofegante, a caixa procurei. Por um momento, desesperançoso, orei. O que eu desejava não aconteceu, Mas uma resposta um anjo me deu: Revelou-me que sem lutar Um homem derrotado se torna. Sem objetivos e sem sonhos Sua vida é vazia de glórias.

*Do livro “O ANJO E A TEMPESTADE”, de Agamenon Troyan

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Câncer!
Ali está ele! Quieto e devorador, Escondido em seu D.N.A. Destrói, neutraliza Aniquila tudo em volta Em tudo ele corre: Em cada ponto, em cada vírgula, Sem reticências. Ousa roubar-lhe O resquício que lhe resta de vida: O vazio, o zero, o nada absoluto! Ele se aloja em um repúdio Sinônimo de antônimo feliz. ... A cada instante a vida se esgota. Tu enxergarás na escuridão benigna, Porém, ele, em clareza, no Tártaro. Sofrerá calado, extirpado, Em trevas malignas

O livro "O Anjo e a Tempestade" foi editado em 2008 pela Editora Nelpa (30 exemplares). A capa é uma concepção da artista plástica carioca Mel Gama (www.melgama.com). São 94 páginas de poesias e contos. Depois editei novamente com a Editora Insanno (50 exemplares). A tiragem baixa se deve ao custo alto em lançar um livro no Brasil. Pretendo relançá-lo, ainda este ano, através da Câmara Brasileira do Jovem Escritor.

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A vitória de um dia

Por Dúlcio Ulysséa Jr.

Como posso enxergar Se tenho os olhos vendados como a justiça Se manipulam a população com um monte de informação Deixando suas mentes com preguiça Bitolados e controlados Sejam da raça branca negra ou mestiça Encilhados ou educados ? Gente boa, inteligentíssima Mas sem nem um pouco de perícia Acanhados acuados assim prostrados pelo poder Por essa supremacia inescrupulosa Que não deixa o povo aprender Povo amado encurralado Sofrido e aborrecido Tendo apenas que sobreviver Lado a lado com seus esposos, junto a eles seus filhos lindos Já nem tem o que comer Mas o Homem é vitorioso E um dia mostra pra seu povo Que ainda podemos vencer

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ESCULTUR@S Por Eli[n_ @]]ioly

P_qu_n[s _s]ultur[s ^_ fios ^_ [r[m_ r_v_sti^os por fios ^_ nov_los, intitul[^[s OS @TR@VESS@DORES

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TIC TAC
Por José Carlos Paiva Bruno
Compasso da jornada, passo a passo... Sempre posso; doces do paço! Gostoso como um abraço... Carinhoso em laço... Castelo onírico casto... Perene graça da face... Imaginação dum tempo de fadas... Madrinhas, Contagem dos corações... Sabedoria do primeiro Rebe de Chabad! Luz que burla a escuridão da prisão russa... Sintonia fina ectoplasma, Pasma em doze luzes do dia e dúzia da noite... Tetragramas... Pijamas do riso e do sono do Rabi Zalman... Ponteiros telegramas... Tramas divinas... Conexões cristalinas... Mimos do Criador... Amor! Parada do relógio de Karin Fischer... Primeira foto da Alma? Nosso corpo glorioso em calma... Disse Padre Quevedo... Sem medo, Troca do corpo material... Sublime Conto... Parapsicológico Ponto, Criatura Criador Encontro... Certeza d’eternidade... Afinidade sem fim! Gonzaguinha e a batida de um coração... Morte abatida meu irmão... Mas e a Vida... Cronômetro da ilusão... Certeza d’outra dimensão... Mas o que é; o que é? Senão o sapatinho da Cinderela... Fellini Bela, Adormecida carruagem em sono profundo... Profuso em fuso da roca... Doze badaladas... Abóbora da contradição... Abóbada da emoção... Comunicação... Reencontro em ação... Visual da voz e aura... Carecemos das fábulas... Celestiais da Ciência... Experiência... Talento desses seres mágicos... Homens e Mulheres explosão! Canção... Coragem do dedinho na represa... Presa da pressa da solidariedade... Postura da cura... Tal qual vasilhas de barro, curadas em eternidade... Porque o Amor é a Alma da vontade... Almadraque da subida... Fim da cela temporária... Qual roubar o algoz, e seu cárcere atroz! Talvez a funda de Davi abatendo Golias... Afunda egoísmo tirano... Fim deste profano... Vitória daquele por seu Amo... Fim do cigano... Adeus engano... Prometida Terra aos de Fé... Vença sempre Josué! Em minutos, segundos e horas; dias, noites e anos... Vençamos... Assim, tique-taques solares gnomos, ou mecânicos de Silvestre II, Bailam a sonata da vida; passando ao pulso em Santos Dumont, Aquele nosso herói da Torre Eiffel, 14 bis aplauso em bis de voo pulsar... Amizade Cartier; voando qual Hemingway em sinos, dobrando por ti...

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EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Emanuel Medeiros Vieira nasceu em Florianópolis, SC, em 1945. Morou muitos anos em Brasília e hoje reside em Salvador. Formado em Direito pela UFRGS (1969). Foi cineclubista, professor, crítico de cinema, editor, vendedor de livros, jornalista e funcionário público. É detentor de diversos prêmios literários nacionais. Tem 17 livros publicados. Terminou uma longa obra intitulada “Cerrado Desterro”, espécie de memórias de geração, que será publicada pela Thesaurus Editora. Ativo militante da política estudantil, foi dirigente do IEPES, embrião da Fundação Pedroso Horta. Redator de discursos parlamentares, foi membro do conselho editorial do jornal “Movimento”, e correspondente em SC do semanário “Opinião”. Sua obra foi elogiada e estudada – entre outros escritores e críticos – por Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux, Afrânio Coutinho, Antônio Cândido, Mário Quintana, Caio Fernando Abreu, Antonio Olinto, Hélio Pólvora, Carlos Appel, Assis Basil, Moacyr Scliar, Jorge de Sá, Rubem Mauro Machado, Anderson Braga Horta, Ronaldo Cagiano, Salim Miguel, Silveira de Souza, Flávio Cardozo, Alberto Crusius, Antônio Carlos Vilaça, Leo Gilson Ribeiro, Lourenço Cazarré, Ruy Espinheira Filho, Dionísio da Silva, Nei Duclós, Antônio Hohlfeldt, Celso Huffell, José Santiago Naud, Nelson Hoffmann, Herculano Farias, Rodrigo de Haro, Pedro Port, Joanyr de Oliveira e Paulo Leminski. Em “Cerrado Desterro” (com cerca de 50 depoimentos de amigos) medita, entre outros temas – sobre sua participação e de outros amigos de geração – como Luiz Travassos –, na luta. contra a ditadura militar, a clandestinidade, a prisão política, a saída do país, e o seu incansável trabalho em favor da anistia política.

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Estou lançando oficialmente o livro O menino que colecionava sonhos, de minha autoria o qual foi apresentado ao publico no dia 02/04 em evento realizado na livraria Saraiva, do Center Norte shopping, em São Paulo – Sp. Darlan Hayek Soares

O menino que colecionava sonhos conta a história de Antony, um garoto de oito anos, pobre, que sofre com o alcoolismo da mãe, Sophia, e a humilhação dos colegas de escola. Amigos ele só tem um, Tommy, um garoto que assim como ele sonha em ser feliz. Antony não tem brinquedos e nem perspectivas, mas ele tem um ótimo coração e a pureza que só as crianças têm. A mãe um dia lhe disse que ele não deveria se preocupar em realizar seus sonhos e sim ajudar as outras pessoas a realizarem os seus. E por que não? Antony descobre que ajudar aos outros pode ser muito mais divertido que ele pensara, e descobre que ver as pessoas felizes é a melhor maneira de sentir-se feliz. Venha aprender como ser feliz fazendo os outros felizes. Aprenda com Antony lições de amor, companheirismo e dedicação. Um livro emocionante, capaz de mudar o mundo em que vivemos.
A apresentação foi um grande sucesso, contando com um excelente público. Para este livro consegui alguns exemplares em promoção para os amigos. Serão apenas algumas unidades, já que o preço é definido pela editora , junto com as livrarias. Estou passando o livro aos interessados, com dedicatória , autógrafo, e marcador de páginas pelo valor de R$ 19,90. Essa é uma promoção de lançamento. São poucas unidades. Depois só será possível adquiri-lo nas livrarias pelo preço de mercado. Aproveitem, divulguem aqueles que gostam de uma boa leitura. Os pedidos devem ser feitos diretamente para darlanhayek@hotmail.com ou diretamente comigo. Aproveite para presentear. Todos os livros vão com dedicatória personalizada para a pessoa presenteada

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ALMA GÊMEA

Por Loreni F. Gutierrez.

Naquele dia, quando a vi chegando à entrada Numa lentidã o quase contida Confesso que a senti meio perdida Passei por ela e nã o lhe disse nada. Observei-a um pouco e percebi Alguma coisa má gica em seu andar E també m me dirigira no olhar Uma mensagem que nã o compreendi. Era quase uma maneira de implorar Como algué m que chega e quer icar. E tantas vezes mais passei por ela Mas dei continuidade à minha vida Sem nunca perguntar, sequer, quem era. Tempos depois partiu, enternecida, E só entã o soube quem era: Era o porto seguro dos anos de espera Era a “alma gê mea de minha vida”. Guardo comigo as marcas de meu desencanto Logo eu, que a esperara tanto!

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O QUE IMPORTA
Isabel Cristina Silva Vargas Não importa o nome, se Maria, Joana ou Teresa. Não importa a raça, a profissão a crença nem a condição financeira. Importa o que temos no coração e na mente, qual nossa visão de mundo, com que cores o pintamos, o que recebemos de nossa família, como somos no presente e o que buscamos. Isto não tem a ver com idade, pois sempre é tempo de esperança, sempre é tempo de semear. Não importa quem vai colher os frutos. Isto é doação, generosidade, dar sem olhar a quem. Importa nossa alegria, nosso desejo de realização, a capacidade de sonhar, a tenacidade para enfrentar desafios, a maturidade de perceber que não se ganha sempre, que a vida não é só feita de momentos bons e alegres. Importa ter a dignidade de recomeçar do nada, quando é preciso nos desmontar para podermos nos recompor. Importa abrir espaço para o diálogo, exercitar a ternura, a solidariedade, a capacidade de perdoar e a disposição de não se acomodar. É importante evoluir com a vida, não ficar paralisado pelo medo da idade, das mudanças físicas. É verdade que algumas coisas pioram a visão, a memória, a agilidade, em muitas ocasiões, entretanto, podemos aprimorar outras áreas, como a inteligência, a sabedoria a paciência, a tolerância, a solidariedade, a amizade. Importa conviver com alegria, diluir as dores, aprender com os erros, construir relacionamentos saudáveis para manter o espírito forte, dar o melhor de si para superar as adversidades, vencer os temores, ter confiança que o futuro pode ser melhor e isto depende de como somos hoje e de como estamos nos preparando para vivê-lo. Importa, sobretudo, ter fé, e ter a sensibilidade para perceber a presença divina nas pequenas coisas do dia a dia e sentir a sua presença constante em nossas vidas e em nossos corações.

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Paula Barrozo Convida :
O Jornalista e escritor ANDRÉ LUIS MANSUR

Nasceu no Rio de Janeiro – RJ, publicou o livro ´Manual do Serrote - nos botequins da vida, sem contas nem despesas´, pela editora Bruxedo, (www.manualdoserrote.blogspot.com), ´O Velho Oeste Carioca´, sobre a História da zona oeste do Rio de Janeiro, pela editora Ibis Libris, e "A rebelião dos sinais", de ficção, pela editora Multifoco. Colaborou em jornais como crítico literário e reuniu todos os textos feitos desde 1995 no blog seu blog, www.criticasmansur.blogspot.com

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DUZENTOS ANOS DE ENCHENTES

linhos da Lagoa Rodrigo de Freitas, que invadiram a rua e serviram de condução para quem queria fugir das enchentes.

Por que uma tragédia precisa se repetir indefinidamente? O temporal que provocou o caos Segundo conta o importante historiador Vieira Fazenda, citado por José Antônio Nonato e no Rio de Janeiro, com mais de 200 mortes, Núbia Melhem Santos no excelente livro “Era carrega um elemento ainda mais dramático, pois está perto de se completar 200 anos uma uma vez o morro do Castelo”, começou a chover torrencialmente às 11 da manhã do dia 10 enchente devastadora que assolou a cidade entre os dias 10 e 17 de fevereiro de 1811 e que e “a borrasca, longe de amainar, continuou incessante durante sete longos dias de verdaficou conhecida como as “águas do monte”, deiro suplício para os habitantes desta heróica centro do Rio e alagava tudo, provocando des- e leal cidade”. As ruas, assim como hoje, viralizamentos, desmoronamentos e muitas mor- ram “caudalosos rios”, o Campo de Santana se transformou em uma grande lagoa e muita tes. gente morreu soterrada nas casas que ruíram com a grande massa de terra que desceu do De lá para cá, pelo visto nada mudou. Quer pois a chuva descia dos muitos morros do dizer, mudou para pior, pois a cidade se alastrou, sem nenhum planejamento urbano, e hoje apresenta uma situação para a qual não vejo solução, da mesma forma que em São Paulo as enchentes do Tietê vão continuar provocando o caos na cidade. Nas “águas do monte”, parte do extinto morro do Castelo, berço da cidade, desmoronou, levando junto muitas casas. As igrejas da cidade acabaram acolhendo os muitos desabrigados, por ordem do príncipe D. João, e o principal meio de transporte na cidade acabou sendo a canoa, herança dos indígenas (chegou a haver uma batalha de canoas na Baía de Guanabara na época da guerra entre portugueses contra franceses e tamoios pela conquista da cidade) e que encontra sua referência nas balsas dos bombeiros hoje em dia para tirar gente de ônibus, nas pranchas de surfe e até nos pedamorro do Castelo, principalmente as casas do antigo Beco do Cotovelo, na parte do morro que ficava defronte à Ilha das Cobras. Uma canção muito popular no século XIX guardou na memória dos cariocas a tragédia de 1811. Dizia:

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- Vem cá Bitu! Vem cá Bitu! Vem cá, vem cá, vem cá... - Não vou lá, não vou lá, não vou lá, Tenho medo de apanhar! - Cadê o teu camarada? - Água do Monte o levou... Não foi água, não foi nada, Foi cachaça que o matou.

Registrada por Santa Ana Nery, a letra de “Vem cá Bitu!” deve ser acompanhada pela melodia da cantiga de roda “Cai, cai, balão” e Bitu, segundo conta Vieira Fazenda, parece ter existido mesmo. Teria sido um dos mortos entre as casas soterradas pelo morro do Castelo. Sua triste cantiga, pelo visto, ecoa até hoje entre os escombros desta cidade que não consegue absorver as tais intempéries da natureza.

“Manual do Serrote”
Definição :
"Indivíduo dedicado a tirar o melhor proveito das situações, adversas ou não, utilizando-se, para isso, de esperteza, raciocínio rápido e planejamento. Um bom serrote age em qualquer ambiente, sem ofender ninguém, principalmente a sua imagem, garantindo assim o campo sempre livre para suas investidas".

APRESENTAÇÃO
Publicado originalmente em 1825, o "Código dos homens honestos", de Honoré de Balzac, ensina o leitor presumivelmente honesto a reconhecer os larápios e golpistas que estão, a toda hora, a circudá-lo, e traça uma linha de defesa para aqueles que desejam se precaver. Quase dois séculos se passam e vêm agora André Luis Mansur, Francisco Rosa Lemos e Sandro Nunes surpreender-nos com esse Manual do Serrote, um livro que pode ser considerado, em termos de proposta, a antítese perfeita do guia balzaquiano.
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Sim, pois o que ensina o Manual do Serrote é a forma mais sofisticada de ladroagem: o serrotismo. Como definir esta prática que parece nova mas é milenar, que parece absurda mas é real, que parece moralmente condenável mas pode ser vista também como profissão honrada? Tomemos como referência o ventanista, aquele ladrão dos bons tempos que entrava pelas janelas das casas, não acordava a família, saía de fininho, não usava armas. Pois, em relação ao ventanista, o serrote (adepto do serrotismo), é um santo. É certo e líquido que a família vitimada pelo ventanista terá, no dia seguinte, um grande aborrecimento, ao passo que as vítimas do serrotismo, ao serem serrotadas (é assim que se diz) não raro ficam agradecidas por estarem mais pobres, comovem-se consigo próprias, são tomadas pela sensação de que seus laços de amizade com o serrote saíram fortalecidos e de que o ser humano é um animal viável. Pode-se dizer até que, na escala social, o serrote ocupa uma posição importante no sentido de azeitar as relações entre os indivíduos. A existência do serrote é, pois, de indiscutível utilidade pública. Sim! O serrote, afinal de contas, desconhece o ato do furto! Não usa a violência. Nem meios ilegais. Além disso, os bens ambicionados pelo serrote são recebidos das mãos das próprias vítimas, sem que qualquer mal físico ou moral lhes tenha sido impingido ou que alguma lei tenha sido contrariada. Mais detalhes não dou. Apenas digo que, ao descrever esta fascinante atividade, os autores criam toda uma infraestrutura imaginária que, por um momento, chega a fazer duvidar de que o serrotismo exista. Só para, em seguida, revelarem-nos, à medida que lemos o manual, uma verdade atordoante: todos somos serrotes, e todos somos serrotados, diariamente, sob sol ou chuva, na vigília e no sono, no amor e no trabalho, no sentido estrito, e nas várias escalas que as relações podem assumir. Por Arnaldo Bloch.

Introdução
O objetivo deste manual é muito simples: explicar o que é a serrotagem, ou o serrotismo, como também é chamado, e mostrar a diferença entre esta prática e a malandragem. O serrote é uma figura muito conhecida, presente em todos os lugares, principalmente em bares e botequins. O serrote basicamente serra qualquer coisa, uma bebida, um almoço, telefones, cartões de crédito, mas nunca a conta. Tanto que os bolsos de sua calça ou bermuda são devidamente apertados, para que na hora derradeira (a de pagar) sua carteira fique presa e alguém diga: "Pode deixar, na próxima você paga." Pretendemos com este livro mostrar diversas técnicas de serrotagem e também um pouco do cotidiano e da origem desta prática. Falaremos, portanto, do Congresso Mundial de Serrotagem, que reúne serrotes consagrados, como o italiano Giuseppe Serrottini, o escocês James McSerrott III e o chileno Gonçalo Serrotierrez. Explicaremos técnicas como a do gás, utilizada quando o botijão está no fim; a da leitura do jornal do vizinho; a do telefone celular, que o serrote pede emprestado a alguém porque "seu cartão estava vazio e ele não sabia." Daremos dicas também, como a da leitura de almanaques e horóscopos, para puxar assunto, e a do gestual, utilizada para expressar decepção quando, por exemplo, o sujeito para quem o serrote pediu para trocar um cheque não apareceu na hora de pagar a conta.

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Falaremos, também, de Dom Serrote de la Plata, o único Grande Mestre do Serrotismo, que vive numa montanha da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro e possui uma técnica tão desenvolvida que precisa viver isolado da sociedade. Muitas pessoas chegam a ficar sem as roupas quando vão à sua casa, e ele mesmo já teve problemas de vista quando serrotou o colírio de uma vítima. Mas o objetivo principal deste manual, encomendado pela Associação dos Serrotes Anônimos (Asa), é o de acabar com a confusão entre as definições e as figuras do serrote e do malandro. O adepto da malandragem é alguém que pensa apenas em tirar vantagem, enquanto o serrotismo é muito mais do que isso, é uma arte, uma prática de convívio social. Tanto é assim que o autêntico serrote é uma figura querida e muitas vezes desempenha uma função social. Já houve casos de pessoas solitárias, amarguradas com a vida, que encontraram na figura do serrote sua única companhia. Uma recomendação: este livro não deve ser serrotado, em obediência à máxima: "Otário é quem empresta, mais otário é quem devolve."

SERROTE DE LEITURA
Três coisas o serrote não compra: relógio, isqueiro (no caso dos fumantes) e jornal. Os dois primeiros itens são indispensáveis para puxar assunto com a vítima e o último é para se manter bem informado, condição importante para a prática da serrotagem. Sentado ao lado da vítima num meio de transporte, ou em qualquer outro recinto, o serrote aguarda a abertura do jornal ou revista. É preciso estar com o exame de vista em dia, pois muitas vezes as condições de observação não são ideais (luz fraca, vento, jornal ou revista num ângulo desfavorável para a leitura). Aberto o objeto de interesse, que também pode ser um livro, folheto, ou qualquer coisa que valha a pena ser serrotada, o serrote, discretamente e com o canto dos olhos, observa se a vítima está atenta à leitura. Se estiver, o serrote pode começar imediatamente sua atividade, mas sempre mantendo o corpo num nível alguns centímetros para trás em relação ao corpo da vítima, para que ela não perceba estar sendo serrotada. Por algum motivo ainda não identificado, vítimas do serrotismo por leitura costumam se tornar bastante agressivas quando percebem o que está acontecendo. Houve inclusive o caso, famoso nos compêndios de serrotagem, de uma vítima que percebeu estar sendo serrotada num ônibus e escreveu em letras bem grandes numa folha colocada entre duas páginas de um jornal que estava lendo: “VAI LER O C...” Situações como esta devem sempre ser evitadas, daí o cuidado que o serrote deve ter em sempre seguir os procedimentos recomendados. Nas viagens longas durante a manhã, de trem ou de ônibus, o serrote não precisa se preocupar, pois é quase certo que ele vai encontrar um exemplar inteiro de um jornal no canto de um banco.

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DOM SERROTE
Vive nas montanhas de um bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro aquele que é considerado o maior serrote do mundo: Dom Serrote de la Plata. Foi o único a ter recebido o título de Grande Mestre, que lhe foi conferido num dos últimos congressos dos quais participou. Também é conhecido como "Vovô Serrote" e sua figura desperta fascínio em serrotistas do mundo inteiro, tanto profissionais quanto amadores. Infelizmente, Dom Serrote precisa viver isolado, pois sua habilidade, além de vasta, é incontrolável. Acontecia que muitas pessoas iam visitá-lo e saíam literalmente sem roupa, pois Dom Serrote fazia seu trabalho de forma quase inconsciente, incontrolável, como foi dito. Houve o caso de um senhor que saiu da visita sem dentadura e outro que estava disposto a ir ao hospital para retirar uma prótese do joelho e entregá-la a Dom Serrote, mas foi convencido a desistir. Uma mulher saiu também disposta a raspar seus belos e longos cabelos e vendê-los a Dom Serrote, mas também foi dissuadida e desistiu. O isolamento do Vovô Serrote, que foi determinado pela Confederação Nacional de Serrotagem, também teve como objetivo resguardar a própria saúde do Grande Mestre, pois uma vez ele quase ficou cego quando viu uma pessoa usando colírio e serrotou algumas gotas. Felizmente, não houve maiores complicações para seus olhos. De qualquer maneira, mesmo com o isolamento, todo ano, um pouco antes do Congresso, um serrote altamente experimentado grava um depoimento de Dom Serrote para ser exibido no encerramento do Congresso. Geralmente, causa grande emoção.

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RECEITAS PORTUGUESAS
http://www.gastronomias.com/

Papos-de-anjo de Mirandela Ingredientes: • 500 g de açúcar ; • 3 ou 4 colheres de sopa de doce de fruta ; • 8 ovos, mais 7 gemas ; • 1 colher de chá de canela ; açúcar para polvilhar Confecção: Na preparação para estes papos-de-anjo pode ser utilizado qualquer doce de fruta (incluindo de abóbora), com excepção dos doces de maça, marmelada ou qualquer geleia. Leva-se o açúcar ao lume com um copo de água (cerca de 2 dl) e deixa-se ferver até se obter ponto de espadana (117º C). Adiciona-se o doce escolhido e deixase ferver novamente até se obter o mesmo ponto. Retira-se então o doce do lume e depois de se ter deixado arrefecer um pouco adicionam-se os ovos, que foram previamente muito bem batidos com as gemas. Junta-se ainda a canela. Distribui-se o preparado obtido por forminhas de queques muito bem untadas com manteiga e levam-se a cozer em forno moderadamente quente (cerca de 200º C). Desenformam-se e polvilham-se com açúcar.

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ADOTE UM PATUTO FLORIPA Florainópolis - SC adoteumpatudo@gmail.com

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LUIZ GARRIDO
FOTOGRAFIAS
Em 1968, o carioca Luiz Garrido foi para Paris, onde iniciou sua carreira como repórter fotográfico na sucursal da revista Manchete. Lá estudou fotografia na Faculdade de Vincennes e na École Nationale de Photographie Française. Foi ainda durante o período parisiense que o fotógrafo começou a se interessar por retratos, tendo clicado várias personalidades internacionais como: John Lennon, Alfred Hitchcock, Gina Lollobrigida, Alain Delon, entre outros. De volta ao Rio, em 1971, dedicou-se a fotografia de moda e publicidade, tendo sido colaborador assíduo de revistas como: Vogue (Brasil e França), Interview, Cláudia Moda, Moda Brasil, Elle (Brasil, França e Itália), Playboy, Big (EUA) e G.Q. (Inglaterra).
Tom Jobim

Fernando Torres

LIVRO: RETRATOS - TÉCNICA, COMPOSIÇÃO E DIREÇÃO

Luiz Garrido, um dos maiores especialistas em retratos do Brasil, apresenta neste livro seus segredos, técnicas e truques para fazer retratos de personagens e de beleza, conhecimento desenvolvido após anos de trabalho para revistas como Vogue, Elle, Playboy, entre outras. Aprenda como iluminar bem a cena e extrair em cada retrato a alma de cada personagem. O autor conta como fez os retratos de 24 personalidades famosas do país, como Tom Jobim, Pedro Bial, Faustão, Oscar Niemeyer, Lula e Jô Soares. Garrido também mostra como fotografar retratos de beleza para, por exemplo, capas de revista e editoriais. Tudo ilustrado com os esquemas de luz, ficha técnica de captura e equipamentos usados para produzir cada retrato.

Isadora Ribeiro

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Comum-de-dois
Por Amilton Maciel Monteiro O que separa o antes do depois É uma linha tão tênue e tão delgada, Que em verdade ela não separa nada, Tal qual o que ocorre ao menos a nós dois! Homem e mulher nós somos, minha amada, E tão unidos, tão colados, pois Que já nos chamam até “comum-de-dois”, Galhofa para a qual damos risada! Não sei por que é que Deus nos faz assim: Eu grudado em você, e você em mim, Como o hoje se gruda ao amanhã! O Pai do Céu, talvez, agrade a gente Pra que tenhamos vida mais cristã E o nosso amor perdure eternamente!

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Marias Tela de Anna Ribeiro

Mulheres de Sempre
Por Anna Ribeiro Mulheres de Ontem Mulheres de Hoje Entre poemas e flores, Seu nome é Mulher Mulher, mulher, Mulher criação Mulher dos Anjos Mulher dos Diabos Mulher ousada Mulher Danada Mulher Amada Mulher audaciosa Mulher desiludida Mulher Paixão Mulher da Vida ... SANTA MULHER ! Da vida que fere, que ao mesmo tempo prazeres dá. MULHERES que tem nelas vida de muitas MULHERES. BENDITAS MULHERES!

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Paula Barrozo
Achei esse poema Maravilhoooooso, romântico e de grande sabedoria !!!!! Nos faz refletir e ver como é Linda a Vida e como é Bom Viver !!!! Basta olhar com os olhos do coração e ouvir com os ouvidos da alma !!!!
LINDA NOITE Não vale a pena mergulhar nos sonhos e se esquecer de viver. Viva, sonhe, sorria, supere-se, brilhe e ame. Viva intensamente a aurora de cada dia. Faça de cada momento um devaneio contínuo. Torne-se mais e mais forte. Sonhe... E conquiste seus sonhos. Acorde a cada amanhecer com a certeza de que tudo poderá acontecer. Sorria... E consiga todos os bens que o sorriso pode lhe dar. Pois sempre que você sorrir uma estrela há de brilhar. Supere-se... Seja melhor do que você já é. Conquiste superioridade a cada dia. Faça tudo o que você quiser. Brilhe... E seja brilhante até nos passos em falso que a vida dá. Tente, tente até conseguir o que quer. Brilhe o máximo que você puder. Ame... “É impossível ser feliz sozinho!“ UMA ÓTIMA NOITE... (autor desconhecido “por mim”)

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NEM TUDO QUE É O QUE PARECE

Por Maria Goreti de Oliveira Ulbricht

Eram dezoito horas e quinze minutos mais ou menos, de um lindo dia de sol e calor, quando Luiz, chegou em casa desesperado. Sua fisionomia estava mais carregada do que de costume, nas mãos trazia o pão e o leite, e num ritmo apressado chegou até a cozinha reclamando: Não! Não! Sou um cara azarado mesmo! Tudo acontece comigo! Puxa vida! Eu estava na fila da padaria, lá no supermercado Fazendão, conversando com uns amigos, que também esperavam pela fornada de pão quentinho, quando começou um zumbido no meu ouvido. E não para! Nossa, eu vim dirigindo com este zumbindo, não é fácil não! Fica difícil prestar atenção, ou se concentrar em alguma coisa, com esse barulho, invadindo a minha cabeça. Coisa de doido! O Hugo tinha razão! Ele contava que tinha um zumbido no ouvido, que quase o deixava doido... é não é fácil, não! Esse zumbido deixa qualquer um doido! Eu queria interrompê-lo, mas ele desorientado, quase não me dava oportunidade, falava, falava... E eu queria dizer à ele, que eu também estava ouvindo o mesmo que ele, desde a hora que ele apareceu ali na cozinha. Quando ele me deu uma brechinha, me atrevi a dizer: Calma! Calma, Luiz! O zumbido está contigo... Mas, é claro que está comigo! Estás surda? Ou não estás querendo entender o que estou te contando? Não! Não! Eu, também estou ouvindo este zumbido. Ele está vindo de ti. Me aproximei dele, querendo ver se o barulho estava saindo do alarme do carro, já que era um barulho diferente, nada que eu tivesse escutado antes. Parecia um som eletrônico... Nisso, ele indignado, detesta ser contrariado, afastou-se da cozinha para fechar a porta da sala, que havia deixado aberta quando entrou, pois estava com as mãos ocupadas. Foi quando então gritei! Volta Luiz! Volta! O som foi junto contigo, por tanto deve ser mesmo um ruído vindo do alarme do carro... Ele voltou repetindo, é claro que o som está comigo! Estou ouvindo, desde do supermercado, até agora. Só pode estar comigo, está no meu ouvido, estou quase ficando louco, louco! Não sei, como alguém pode conviver com este zumbido no ouvido. Vou te dizer uma coisa Goreti, se eu não ficar bom desse zumbido, eu juro que dou um tiro na minha cabeça... ah! Dou! Viver com esse zumbido eu não vou conseguir não. Fui chegando perto e me abaixando um pouco, para ficar com meus ouvidos na altura da cintura dele, onde havia pendurado o chaveiro com as chaves e o alarme do carro. Só assim, eu poderia me certificar se era dali que estava sendo emitido àquele som. Mas, para minha surpresa, o zumbido não era do alarme do carro.

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Ao passar com a cabeça perto do braço dele, notei que o zumbido partia do relógio de pulso dele. Um relógio grande, preto, com a pulseira emborrachada, caro, próprio para mergulho de grande profundidade, que ele havia comprado, há muitos anos, só para ser usado quando fosse andar de barco ou lancha. É daqui! É do teu relógio! É do relógio, que está vindo este som... um som fininho e ensurdecedor. Luiz, incrédulo, passa a mão e apressadamente arranca o relógio do pulso. Leva o até a orelha esquerda para se certificar, se é mesmo dele, que saí o tal ruído. E era! Pegou uma caixinha de ferramenta e retirou apressadamente a bateria do relógio. E como num passe de mágica, tudo serenou, o barulho cessou, e nós caímos na gargalhada. Era a própria comédia da vida privada! Tudo não passou de um relógio, que resolveu despertar para avisar ao seu dono, que ele estava à mais de 6 mil metros de profundidade no fundo do mar. E cá pra nós, ainda bem que não fui eu que comprei o relógio, se não a culpa “do mico”, como sempre, seria minha. Ufa! Que alívio! Por pouco ele não ficou doido, ou pelo menos mais doido do que já é. Ai! Ai!

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Harmonia
Por Carlos D Falei com as estrelas que gostam de dançar de realçar a beleza do universo a brilhar Sempre que o fico a olhar meu espirito me lança um desafio de encantar me propõe uma dança Dançar com o universo por entre as estrelas pelo vácuo me dispersar acompanhando os planetas Esta musica afinal é o universo a cantar a harmonia sem igual do sentir, do amar Para o universo sentir temos que saber meditar a natureza conseguir ouvir o nosso eu querer amar

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Palpite
Por Cristiane Stancovik Ah se eu soubesse Se eu tivesse Se eu falasse Agisse Pudesse Merecesse Tudo... Tudo bem! Eu, não... Não viveria tão... Assim, tão emocionante Vida incerta Certeza que não!

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SAUDADE Por Dé Barrense ME DIGA COMO TIRAR SAUDADE SAUDADE NÃO TIRA NÃO! A SAUDADE FICA GUARDADA NUM CANTO DO NOSSO CORAÇÃO QUEM FOI EMBORA E NÃO VOLTOU QUEM FICOU, NÃO ESQUECEU NÃO! A DOR DE UMA SAUDADE É COMPARADA A SECA NO SERTÃO OS OLHOS FICAM SEM BRILHO IGUALZINHO UMA NOITE SEM LUAR E MESMO COM AS ESTRELAS FICA DIFICIL DE ENXERGAR, E QUANDO ESTOU NO MEU RANCHO E COMEÇO A PENSAR AS LÁGRIMAS ROLAM NO MEU ROSTO MEU AMIGO! É A SAUDADE DELA QUE NÃO CONSIGO APAGAR

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ROMARIA (NO TERRITÓRIO DOS AFETOS)
(Carta para Lucas, Clarice, Célia, Maurício e Américo) Uma missiva sentimental demais Por Emanuel Medeiros Vieira
“Só uma palavra me devora: aquela que o meu coração não diz”. (Suely Costa)

havia “sobrevivido” contra a previsão dos médicos (haviam me dado só dois dias de vida), já tendo recebido a unção dos enfermos por três vezes. O tom parece piegas? É. Me perdoem. Estava escutando também “Jesus Alegria dos Homens”, de Bach, e “Yesterday”. São as três músicas que, afetivamente, mais me tocam nesse dia de hoje, no mês em que, se me for permitido, completarei 66 anos. Hoje, no primeiro dia do mês de março de 2011, não consigo escrever de outra forma. Há muito gestava o texto. Já fizera vários rascunhos. A morte? Passagem. O tempo – que antes me atormentava – está mais serenado no meu coração.

Não reparem: é romaria interior, fragmentada carta não postada, pobre prosa poética, tosco hino de amor, sentimental demais, ouvindo Elis Regina (ela também nasceu em 1945) e Renato Teixeira.

Peço que toquem “Romaria” no dia da minha partida – Ele – segundo o meu saudoso amigo Caio Fernando hora de descer aos sete palmos. Abreu –, é um orixá que não incorpora porque humano algum suportaria o seu peso. (Queria também outras duas músicas, mas não é de bom dar muito trabalho nessa hora.) Insisto (antes de dar os trâmites por findos), olhando Se algo ficar na retina de vocês, será na riqueza de alguma recordação, somos criaturas da memória, finitos continuamos sendo, um dia, estaremos unidos numa coisa só: pó, estrume, rio, mar, fundidos nesse cosmos. Nessa carta, eu queria informar – quando eu for embora, se quiserem me “ver”, indico três locais: A servidão que leva à casa azul e branca da Lagoinha bem, você me enxergarão “além de mim”. O terceiro lugar no qual vocês me “verão”, será aqui em Salvador, na Praça Castro Alves, um local maravilhoso, onde amo contemplar a Baía-de-Todos-os Santos. Se Ele Existir, foi um dos locais em que cheguei muito perto Dele. E agora anoitece. A raiz do meu amor por vocês é irrevogável – vai comigo à eternidade. Nos três locais, vocês me verão, sim, me enxergarão além do esquecimento, além desta breve passagem, além de mim, além da vida, além do pó do que serei.

(havia um pé de pitanga), na minha mítica Desterro (não a cidade desfigurada de hoje), a Ilha em que nasci. Sim, me verão – estrela, semente, ou bússola em busca de um oceano maior. O segundo local: o Parque da Cidade, ou na entrada da SQS 114, em Brasília – no pilotis do meu bloco, onde (E ensinem para os seus filhos: é nosso dever reconhepeguei o Lucas no colo, ele só tinha poucos meses de cer o mérito de quem cumpre a vida.) vida, eu saía do hospital, mas a infecção ainda estava no meu corpo, vieram recidivas, mas isso agora não (Salvador, fevereiro e março de 2011) importa, a grama estava seca, comecei a chorar, e fui tomar um cafezinho com rosquinha na padaria, pois

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SUÍÇA
Fonte: http://www.eda.admin.ch/

Cultura e Tradição
Você conhece a catedral de Berna, o castelo de de Pássaro”, em Beijing, que é da autoria dos Chillon em Montreux, a catedral de Notre Da- arquitetos suíços Herzog & de Meuron, resme de Lausanne, os castelos de Bellinzona, os ponsáveis também pelo projeto do novo cenescritórios da ONU em Genebra ou a catedral de Zurique? tro de dança em São Paulo? E lhe diz alguma coisa os nomes Pipilotti Rist, Albert Anker, Alberto Giacometti, Jean Tinguely, Max Bill, Max Frisch, Friedrich Dürrenmatt ou Robert Walser? Todos estes exemplos nas áreas de arquitetura, arte, literatura, filme, música, tradições e festas são apenas uma pequena amosSabía, que música suíça não só é o famoso cantar a tirolesa (“jodeln”), tocar o Alphorn ou Acordeom e que o filme do Suíço Xavier Koller „ “Reise der Hoffnung” ganhou um Oscar em 1991? Que tal o Carnaval de Basiléia, a Escalade de Genebra, o Sechseläuten de Zurique ou o Zibelemärit em Berna? tra de toda variedade e do charme da cultura suíça. Ela é influenciada pelas diferentes regiões geográficas (as montanhas do Jura no norte, a planície central da Suíça (o chamado Mittelland) e os Alpes no sul), pelo plurilinguismo, e pelo contato com a cultura dos países vizinhos (Alemanha, França, Itália, Áustria e o Principado de Liechtenstein).

Já ouviu falar de Le Corbusier, Mario Botta, do ousado projeto do estádio olímpico “Ninho

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http://yeah.paleo.ch

Mardi 19 juillet 2011
OUVERTURE DES PORTES À 16:30

• ROCK/POP/ELECTRO Jack Johnson The National Patrice & The Supowers Bloody Beetroots Death Crew 77
Tame Impala Pulled Apart By Horses

Mercredi 20 juillet 2011
OUVERTURE DES PORTES À 16:30

Jeudi 21 juillet 2011
OUVERTURE DES PORTES À 16:30

• ROCK/POP/ELECTRO The Chemical Brothers Portishead AaRON Beirut
Angus & Julia Stone Beak>

• ROCK/POP/ELECTRO The Strokes PJ Harvey Jean-Louis Aubert The Dø
Congotronics vs Rockers Anna Calvi Mama Rosin & Hipbone Slim Avi Buffalo King Charles

Concrete Knives Bonobo (live) Oy June & Lula Pierre Omer Anika Dans La Tente

• CHANSON Cali Katerine Zaz

Nasser Oh! Tiger Mountain Beataucue Yokonoe

• GROOVE/HIP HOP/REGGAE Tarrus Riley Queen Ifrica & Tony Rebel
Kara Sylla Ka Mosquito Professor Wouassa

Florent Marchet Überreel

• VILDU MONDE Calypso Rose
Choc Quib Town Bomba Estéreo

• VILLAGE DU MONDE Admiral T
Systema Solar

• VILLAGE DU MONDE Afrocubism Raul Paz
Los De Abajo

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http://yeah.paleo.ch

Vendredi 22 juillet 2011
OUVERTURE DES PORTES À 16:30

Samedi 23 juillet 2011
OUVERTURE DES PORTES À 15:30

• ROCK/POP/ELECTRO James Blunt Les Cowboys Fringants Stromae
Shaka Ponk Round Table Knights Fiona Daniel We Love Machines La Fanfare En Pétard

• ROCK/POP/ELECTRO Surprise guest star Robert Plant & The Band of Joy Metronomy Moriarty
Noisettes

Dimanche 24 juillet 2011
OUVERTURE DES PORTES À 15:30

• ROCK/POP/ELECTRO Yael Naïm Cocoon
Lilly Wood & The Prick Missill DJ Set The Hillbilly Moon Explosion

William White Sheila She Loves You The BellRays Selah Sue The Bewitched Hands Irma Madjo Ventura Captain Moustache & Fredo Ignazio Welington Irish Black Warrior Great Black Waters The National Fanfare of Kadebostany

• GROOVE/HIP HOP/REGGAE Soprano Danakil
Pigeon John Solillaquists of Sound Binary Audio Misfits Trip In

• CHANSON Eddy Mitchell
Camélia Jordana Karimouche Aliose Mr Dame

• VILLAGE DU MONDE Los Van Van Calle 13
Aurelio The Creole Choir of Cuba

• VILLAGE DU MONDE Boukman Eksperyans
Yumuri y Sus Hermanos Joaquin Diaz

• VILLAGE DU MONDE Chucho Valdés
Renegades Steel Orchestra Joaquin Diaz

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Por Madhu Maretiore

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CARNAVAL DA SEGREGAÇÃO
curta reflexão sobre a instalação de usinas nucleares)
EMANUEL MEDEIROS VIEIRA
(E

O carnaval, pelo menos na Bahia, virou a celebração do “apartheid” e da segregação. Os cantores famosos que já ganham rios de dinheiros, ganharam mais. Como observou Emiliano José, são vários os “apartheids” da organização do carnaval em Salvador nos últimos anos. Os “cordeiros” (as pessoas que seguram as cordas dos blocos, onde entram quem pode pagar os abadás) são submetidos a um regime de trabalho semiescravo – são “negros convertidos em guardiãs dos brancos bem nascidos, protegidos por cordas”. São obrigados a sustentar as cordas, afastando a multidão a que eles mesmo pertencem. Resumindo: de um lado, a multidão de fora das cordas. De outro, os que pagam proteção e brincam no interior das mesmas. Reconheça-se o esforço do Ministério Público para diminuir a exploração. Mas a segregação não desaparece. Como observou o jornalista citado, “há turistas que chegam aos hotéis, embarcam nos ônibus, descem protegidos por seguranças, entram nas cordas, e dali voltam para suas camas, sem sequer interagir com Salvador, com a complexidade da cidade.” Com esse tipo de privatização do espaço que deveria ser de todos, com privilégio para tais blocos, o chamado folião “pipoca” é marginalizado. Os camarotes representam outro tipo de “apartheid”. Uma plateia da dita elite vê o trio elétrico passar, e paga alto para fruir o espetáculo. Muitos que participavam de blocos de rua e combatiam a ditadura, agora estão nos camarotes. Preferem terceirizar responsabilidades (ABANDONANDO OS APOSENTADOS E O FUNCIONALISMO PÚBLICO COM SEUS SALÁRIOS DE FOME), e culpar Obama por tudo o que de ruim acontece. (Salvador, março de 2011) Quem conhece um pouco de Freud, sabe que tal postura poderia ser qualificada de “mecanismo compensatório”, álibi ou truque mental para não assumir as próprias responsabilidades.
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Não é má vontade. É só ler os jornais. Os que foram eleitos para combater a funesta herança carlista, hoje estão aliados a muitos remanescentes da ditadura. Mas conheço antecipadamente a reação de vários petistas e simpatizantes camuflados ou envergonhados: culparão o mensageiro (o autor destas linhas) e não a mensagem (o modelo de governo). É como culpar o termômetro pela febre. Oferecem circo (o pão é pouco...), e o governador dito “progressista” quer a todo custo instalar uma usina nuclear na Bahia, mesmo com o “apocalipse” japonês. O carnaval virou também virou espetáculo televisivo. Alpinistas sociais e atores de segunda, querem a todo custo aparecer. Mesmo cantores conhecidos, não criticam tais jogadas. Ficam quietos para ganhar mais dinheiro. Afastaram-se da Bahia real. Repetem os estereótipos para turistas, e negam as raízes. Não querem misturas. Esquecem-se que Salvador é uma cidade de maioria negra. Nos camarotes, “os palácios se reproduzem em ambientes cinematográficos, devidamente aromatizados, a depender do gosto do freguês, o ar condicionado evitando ou minimizando o suor.” Que um dia, no carnaval da Bahia, as cordas sejam abolidas e as praças e as ruas sejam do povo. E que voltem os verdadeiros blocos de rua* *O governador da Bahia, Jacques Wagner, se lesse as minhas linhas, provavelmente, logo as desqualificaria. Ele chamou de besteirol um belo texto do baiano João Ubaldo Ribeiro, contra a ponte SalvadorItaparica. Governador: desista da instalação de uma usina nuclear na Bahia! Infelizmente, vários amigos (que, no seu íntimo sabem que eu tenho razão) não vão me apoiar. Dirão que é “jogo da direita”. Como se usina nuclear fosse algo bom para o socialismo e a esquerda! Como escreveu Jânio de Freitas, “só mesmo a irracionalidade dos racionais para continuar espalhando usinas nucleares em seus países. O Brasil, é claro, vai para Angra3 e planeja mais”.

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RECEITAS PORTUGUESAS
http://www.gastronomias.com/

Bacalhau à Lagareiro
Ingredientes: Para 6 pessoas • 4 postas de bacalhau grosso (600 g aprox.) • 2 dl de azeite • 4 dentes de alho • sal • pimenta • 1 limão • 2 ovos • pão ralado • 2 colheres de sopa de manteiga ou de margarina 4 dl de azeite Confecção: Corta-se o bacalhau em quadrados grandes e põe-se de molho durante 24 horas, mudando a água duas ou três vezes. Uma ou duas horas antes de se cozinhar, escorre-se o bacalhau, cobre-se com leite e tempera-se com os dentes de alho cortados às rodelas, sal, pimenta e sumo de limão. Em seguida escorrem-se e passam-se os filetes de bacalhau pelos ovos batidos e por pão ralado e dispõem-se numa frigideira de barro. Sobre cada filete coloca-se uma nozinha de manteiga ou de margarina. Deita-se o azeite na frigideira (não deve cobrir o bacalhau) juntamente com duas colheres de sopa do leite que serviu para temperar o bacalhau. Leva-se a assar no forno regando de vez em quando com o molho. O bacalhau deve ficar muito louro. Come-se bem quente com batatas cozidas. À parte serve-se uma boa salada.

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ANDRÉ MADI
André Madi lança Os Olhos Musicais
O artista revela seu jeito peculiar neste CD que homenageia a MPB Com mais de 200 composições de sua autoria, André Madi está empenhado no lançamento da segunda edição do CD Os Olhos Musicais, que conta com duas composições do primo Tito Madi, canções autorais e parcerias, com participações de Arthur Maia (baixo e produção), Carlos Bala (bateria), Kiko Continentino (piano elétrico), da cantora e compositora Kay Lyra e do próprio Tito. A obra já recebeu elogios de artistas consagrados como Djavan, Chico Pinheiro, maestro Eduardo Souto Neto, entre outros. Em agosto de 2008, fez o show de lançamento no SESC Santana (SP), ao lado de Marcelo Mariano (baixo), Adriano Trindade (bateria), com participações das artistas Kay Lyra, Keila Abeid e Fernanda Fróes, com quem assina a parceria “Vila Madalena”, elogiada pelo crítico e escritor Nelson Motta. músico e arranjador do grupo vocal Boca Livre. Em 2009, gravou ao lado do renomado pianista Paulo Calasans um DVD em formato intimista e mais jazzístico do CD, no SESC Pinheiros, em São Paulo, no contexto do show “Onde Estão Eles”, uma homenagem aos cantores do Brasil. Neste show, canções de Lulu Santos, Djavan, João Bosco, entre parcerias e canções autorais. André começou a estudar violão aos 11 anos no Conservatório Carlos Gomes de sua cidade natal, São José do Rio Preto. Trazendo na bagagem influências do samba, jazz, bossa nova e rock'n roll, André Madi teve a oportunidade de dividir o palco ainda com o violonista e compositor Chiquito Braga, Arthur Maia (um de seus grandes parceiros), Maurício Maestro, Glauton Campello, Margareth Menezes, Izzy Gordon, Gabriel Moura, entre outros nomes. Entre seus parceiros, destacam-se ainda a artista portuguesa Catarina dos Santos, Beatriz Azevedo, a poeta e escritora portuguesa Kátia Drummond, João Viana, Cláudio Lyra e Simone Guimarães.

Este cantor, compositor e instrumentista de São José do Rio Preto desenvolveu um estilo http://www.myspace.com/andremadi particular em sua obra, o que lhe rendeu os prêmios de melhor música e melhor arranjo (com “Samba Partido”), no Festival Nacional de Música de São José do Rio Preto, em 2005, conquistando o segundo lugar na classificação geral e a premiação de seu arranjo. Atualmente, o artista faz parte do cenário musical independente. Durante uma temporada no Rio de Janeiro, acompanhou como violonista a cantora e compositora Kay Lyra, em shows que tiveram participações especiais de Carlos Lyra, Cláudio Lyra e Tito Madi. Duas de suas parcerias com Kay Lyra foram gravadas no CD Kandagawa, trabalho independente produzido por Maurício Maestro,
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JARDINS
Por Fábio Renato Villela

O verso caído de um amor ressequido, segue a folha de Outono na trilha do abandono. Uma lágrima caída fertiliza a dor sofrida, pois amores acabados são jardins violados. Suspira-se o fim dos delírios a chegada de velhos martírios e a falta do canteiro de lírios. Agora, após a nossa Aurora, nuvens apagam o Sol e só resta tua ausência no lençol.

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O Reencontro

Por Fátima Diógenes

Aproxima-se o encontro... Estranhamente ela se recolhe à fase de ser só sua, como versa Cecília Meireles em seu poema Lua Adversa... E não sente vontade de falar com ele antes da data marcada... Talvez para não macular este momento apenas seu em que se prepara...Para ele e para si...Escolhe roupas, calçados, peças intimas...Nada lhe parece suficientemente bonito... Diante do grande espelho que tem em seu quarto depara-se com sua insegurança...Sente-se tão comum...Palmilha as coxas, as nádegas, a barriga e os seios...Ah!, Por que não frequentei pelo menos a metade das aulas pagas na academia de ginástica?...Pensa irritada... Sempre tão sem tempo!... Toca seu rosto vasculhando as rugas de expressão dos anos bem vividos... Ainda bem que usei pelo menos o creme noturno durante os últimos tempos, diz aliviada...Olha pras velas coloridas, pro incenso, óleo de massagem, chocolates e outras coisas que comprou sem saber direito se vai ter coragem de usá-las com ele...Com uma timidez adolescente se pergunta se ele achará tudo aquilo uma grande bobagem...Há anos que não se encontram!...Percebe então que esta falta de intimidade a assusta mais que tudo... Mais que as rugas, estrias ou qualquer outra coisa... Eram tão jovens e já viveram tantas coisas entre aquele último encontro e o que se aproxima!...Senta-se na cama onde todas aquelas coisas estão à espera de serem colocadas na mala e não sabe o que fazer...Desistir?...Não, não fará isto consigo nem com ele... Ir?...Não parece querer fazer outra escolha... Seu coração se descompassa...Fecha os olhos e respira profundamente (para momentos assim as aulas de Yoga são de grande valia)...Diz para si mesma que tudo será como tiver que ser... Aos poucos começa a organizar a mala colocando dentro dela todo o seu desejo de viver o melhor nos dias que estão por vir.

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ÚLTIMA VEZ

Foi quase. Quase domei teus medos Aurora de dúvidas Mal dormidas em teus porquês. Sépia, vomitei a noite no bidê Naufraguei meus eus Entupi um único mundo de vazio. Miro o corpo: exposto e cru. A alma tingida de preto Declara a morte súbita dos sentimentos.

Por Fátima Venutti

O corpo cru e exposto. O desejo mergulhei Na salmoura da minha ira: Teus nãos à minha entrega, Querer vestido de enganos. Coxas em lâmina. Leque sobre teu vértice. Desejo em sinfonia. Salaz. Dedos profanos singrando Minhas mulheres, em procissão. Profecia do passado. Orgia de línguas secas, Em bocas serradas. Nãos-inversos em quase verdades; Nãos-poderes. Nãos em hálitos umedecidos. Teu. Meu querer. Verdades incompletas sublinhadas. Subliminares nas roupas vazias Perfiladas pelo chão.

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TEMPESTADE
O mais novo livro de Fátima Venutti

Brasileira pela UFSC

(...) " Tempestade. Tempo. Potestade. Força quimérica da poesia. Palavra alçada entre raios e trovões e ventos. Ventos-lobos uivando poemas. Espetáculo, speculum. Poeta e poiesis Sinopse: O projeto Tempestade , desenvolamalgamados. Eis aqui uma poeta que "de unhas vido há mais de dois anos, veio fortalecer a idioscravadas, / extirpou barbas e espremeu / um a sincrasia da poeta frente aos recentes acontecium, cada verme recolhido. / e fez-se um rio de mentos geográficos ocorridos no Vale do Itajaí e no mundo, desde novembro/2008. O discurso da sangue em sua face." Eis aqui uma poesia macerada pela linguagem firme, quase antiga, passiopoesia vem trazer à tona o verdadeiro sentido de responsabilidade do Homem em seu meio (medos, nal, linguagem carne-rasgada que se impõe em intempéries, revoltas e mesmo distúrbios de perso- violência e delicadeza . "(...) nalidade misturados a sentimentos de desencontros culturais, sociais e morais) e de como suas ações são refletidas no espaço em que vive ao lon- ORELHA: Rosane Magaly Martins - Advogada, Poeta, Escritora, membro da Academia Catarigo do tempo. nense de Letras e Artes - ACLA Através da poética, Fátima Venutti intenciona registrar, difundir e discutir "O céu me ameaça e antecipa a noite os parâmetros sociais, culturais e morais, além de que terei agora, em pleno dia. Meus mepropor a discussão da responsabilidade do Hodos arrepiam a pele e tento acalmá-los mem na conservação e manutenção de seu espaço com incenso de Palma abençoada no social, além de instigar outros "gritos" de almas de Domingo de Ramos. Coloco toalhas sopoetas adormecidos e esquecidos no leitor. bre os espelhos, pois é perigoso olhar para eles em dias assim. É nesse cenário que leio "TEMPESTADE", mais recente livro de poema escrito por Fátima (... ) " Para dar forma ao tema, o proVenutti. Entre páginas sou arrebatada, jeto gráfico se utilizou dos conceitos polares me encontro e me amedronto com sua yin-yang da filosofia chinesa, além de ilustrações rapidez, acidez e avidez de cada raio e simples cujo traço imaturo e espiralado remete o trovão poéticos que integram a leitor à ingenuidade da infância. Segundo a sua obra." (...) criadora, ''a escolha pela dualidade, assim como pelo estilo minimalista, tem por finalidade ressaltar os contrastes tratados no livro (nascimento/ TEMPESTADE: à venda na Livraria Catarimorte, infância/velhice, sofrimento/prazer), nense / Curitiba (toda a rede) transpostos pela visão da realidade fluída e em acesse: http://www.livrariascuritiba.com.br/ constante transformação observada pela autora''. tempestadeautcatarinen(...) se,product,LV281660,3393.aspx PREFÁCIO : Celestino Sachet - Escritor, membro da Academia Catarinense de Letras e Mestre em Literatura Brasileira (...) " O vento sopra em todas as direções e por isso o vento-verso de Fátima Venutti é verso, é estrofe, é poema com múltiplas formas estruturais que é pra mexer na tempestade-água da Natureza e torná-la brisa-sonora da Arte Poética!"(...) POSFÁCIO: Rubens da Cunha - Poeta e Cronista ( Jornal A Notícia )- Mestre em Literatura

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PROMOTORES DA DESGRAÇA
Por Gilberto Nogueira de Oliveira O torturador insano, Provoca a dor, Sorri friamente Para a vítima indefesa. Tem seu nome protegido. Então começa a cumprir Sua nefasta missão. Defender o Brasil Contra a ameaça comunista. Porque ele tem tanto medo dos comunistas? São apenas a ínfima minoria. No ambiente mofado Sente-se um cheiro de maconha. Sente-se que tudo está podre e baixo. Colocam o cientista, brutalmente Submisso num pau-de-arara, E introduz em seu ânus Algo que a vítima não vê. De repente o ar é cortado Com um grito de loucura, Seguido de uma gargalhada Cínica e estridente. Seria o torturador um ser humano, Ou o ser humano, um torturador? Onde se escondem esses trastes, Frios capachos do poder Militarista e imperialista?

Serão os futuros milionários? Talvez, se não ficarem loucos... também. Pelo fato de não terem alma, É que atingem com violência A alma do ser humano. São paus mandados do poder, Que não ouvem os apelos Dos pobres desgraçados, E lhes atingem a alma Para sempre. Sempre. Logo larga o cientista E vai atender uma mulher. Ela, profissional de saúde. O torturador, também. Ele, em sua sanha sanguinária; Ela, em sua fúria desgraçada; Ele obedece uma ordem ignóbil; Ela reclama uma ordem lógica. Ela é tudo, Ele é nada. Sem ligar para seus pensamentos Ele se pôs a trabalhar. Deu-lhe um forte bofetão, incisivo, Sem saber com ódio de que? E lhe quebrou os molares. Chamou-lhe de puta e vagabunda, Comunista e subversiva. E mordeu-lhe os lábios, E se deliciou com o sangue, E zombou do sofrimento. Ela, gritando; Ele, conduzindo. Ele mandava no mundo. Era amigo dos caras.

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De repente ela gritou: Eu não falo! Você falou! E ela disse: Não o que você quer! Ele disse: Eu quero o seu sangue! Ela disse: Acendam o lampião Que eu nada enxergo. Puta enxerga de longe! Disse ele na sua demência. É a escoria da sociedade. Logo acendeu o lampião E depois ateou fogo À pobre infeliz, Que gritava sem parar, Até que parou e morreu feliz Por conseguir não falar. Quando terminou de trabalhar a mercadoria Morta e toda queimada, O homem do governo Foi atender um velho Com seus oitenta anos. Como o velho não aceitou Denunciar o próprio filho, Foi parar no pau-de-arara, Do qual jamais sairia vivo. Logo foi atender outra mulher Que cuspiu-lhe o rosto. Por isso foi torturada Com choques elétricos, Diante do próprio filho, Apenas uma criança De apenas dez anos. Ao primeiro grito de horror,

Seu pequeno filho Avançou para o torturador. Logo recebeu um chute Na altura do ouvido E caiu tremulo, silencioso. Não satisfeito, o torturador Pegou uma barra de ferro, E com um golpe raivoso Acabou matando a criança, Que babava sangue, Enquanto ele espumava de raiva. Então a mãe em prantos, pediu: Me mate também! E o torturador respondeu: Não! Você vai falar! Vai ficar viva até falar! Depois eu lhe mato E lhe arranco o coração! Logo o torturador Aplicou-lhe um choque elétrico. Sua intensidade foi tanta Que sua alma se arremessou, E ela morreu sufocada. E parou de sofrer. Depois o torturador Disse a todos os presentes, Que iria para outro lugar Dar aulas de torturas, Por ordem direta de Médici. Lá chegando, os outros irracionais O olharam com orgulho. Logo começou a sessão: No pau-de-arara, uma adolescente Com apenas quinze anos, Completamente despida.

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Um aluno levantou-se, E queria participar de perto Da macabra sessão. O profissional de saúde Elogiou sua iniciativa. Quando o torturador Deu o primeiro choque na moça, O aluno disse: Deixe que eu a estupre antes, Essa puta comunista. É toda sua. Se acertar fazer as coisas Vai ser promovido, imediatamente. O aluno violentou a moça Que gritava sem parar. Ao terminar o estupro, Pegou um bastão elétrico E enfiou em sua vagina, Com grande violência. Ele descobriu que o torturador Era impotente sexual. Todos o aplaudiram, E o rapaz foi promovido. E o torturador disse: O Brasil está orgulhoso de você. Sempre haverá tortura Sempre haverá desgraça. Sempre haverá império.

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JACQUELINE AISENMAN
Em Livros

NA SUÍÇA: LIVRARIA CAMÕES António Medeiros 18, Bd. James Fazy 1201 Genève - Suisse (022) 738 85 88 Ou visite o site: http://www.livrariacamoes.ch/html/livros.php

No Brasil:

Livrarias Curitiba e Catarinense de Porto Alegre à São Paulo ou pelos site da Livraria Curitiba Design Editora http://www.livraria-camoes.ch/html/ livros.php http://www.designeditora.com.br/site/

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FAÇA SUA ESTA CAUSA!

ADOTAR É ANIMAL AJUDANIMAL, GRUPO DE AJUDA E AMPARO AOS ANIMAIS DO ABC www.ajudanimal.org.br

PARTICIPAÇÃO NO VARAL NO. 10 Envie seus textos para o e-mail varaldobrasil@bluewin.ch em formato Word . Envie uma biografia breve acompanhada de uma ou duas fotos e dados para contato (e-mail, blog, site, etc.). Se usar pseudônimo e não desejar que seu nome verdadeiro seja colocado no Varal ou no site, envie uma biografia do seu pseudônimo. Não serão aceitas biografias e fotos Incorporadas aos e-mails, apenas em anexo. Será escolhido apenas um texto de cada autor sendo: - poemas de no máximo duas páginas contendo 20 linhas; - contos e crônicas com um máximo de três páginas de 25 linhas; - os envios deverão ser feitos até o dia 10 de JUNHO (todo texto que chegar após esta data será observado automaticamente para o Varal no. 11). - será dada a prioridade aos que enviarem com maior antecedência.
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EU E A BIBLIOTECA
Por Maria Laudecy Ferreira de Carvalho

cedo distribuía o amor. Agora que me abriram vem pra cá, me abre lodo danado Isso sim é ser leitor.

Eita, que paixão danada quando a gente quer bem pois de manhã cedo quer conviver e se dá bem, olhar, pegar, sentir, usar e até se lambuzar nas coisas que ela tem. Ela tem perfume de bugarí tem gosto de querer mais tem olhos fechados até você abrir Seu coração pulsa feliz se as páginas você sentir. Por isso de manhã bem cedo cheguei a lhe perguntar: amiga biblioteca porque que às 7:00 h aberta você não está? Passei a noite sonhando em cedo te encontrar. E suas mãos apertar e um abraço poder te dar. – Ela me respondeu tristonha: _ É . . . pois é, essa gente não sabe me valorizar Se fosse por mim meu amor, Com tantos corações aqui dentro

Esse casamento da certo Aqui e aonde for. Leitor é ser Biblioteca e biblioteca é ser leitor. E assim foram, são e serão felizes para sempre.

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CAMINHOS E DESTINO

Por Luiz Eduardo Gunther Perder-se devagar, sozinho. Obrigar-se a reencontrar o caminho. Sinalizar-se e achar-se: destinar-se?

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Castro Alves
(E Dia Nacional da Poesia) Emanuel Medeiros Vieira “Estamos em pleno mar... Dois infinitos/Ali se estreitaram num abraço insano/Azuis dourados/ Qual dos dous é o céu? Qual o oceano?...” (Versos de “Navio Negreiro”, de Castro Alves) A praça Castro Alves, em Salvador (que tem umas das mais belas vistas que conheço), se transformou na segunda-feira, dia 14 de março – Dia Nacional da Poesia -, no palco das comemorações pelo 164ª aniversário do nascimento do chamado poeta dos escravos que, como observou alguém, se mantém firme e forte a mirar a cidade, do alto da praça que leva o seu nome.

criar minhas próprias poesias”. Repito: Iago tem apenas11 anos. Como repito à redundância, os poetas, como os cegos, enxergam na escuridão. Saber que um jovem de 11 anos está preocupado com a leitura e tem consciência da importância da poesia, nutre de esperanças o meu coração. Como diria o meu pai, nem tudo está perdido. Ou como acreditava Machado de Assis, alguma coisa escapa do naufrágio das ilusões. (Repetindo não textualmente o mestre, diria que a literatura enobrece, honra e consola.) Para Douglas de Almeida, a figura mítica de Castro Alves está no imaginário das pessoas.

Quem vive em Salvador, sabe bem disso. (O Dia da Poesia foi criado em homenagem ao poE ele viveu apenas 24 anos.* eta baiano.) *Castro Alves nasceu em 14de março de 1847, na O poeta Douglas de Almeida foi organizador do evento que homenageou Castro Alves, muito apro- Fazenda Cabaceiras, antiga Freguesia de Muritiba, perto da Vila de Curralinho, hoje cidade Castro priadamente no Dia Nacional da Poesia. Alves. As comemorações começaram às 9h, na Praça da Morreu em 6 de julho de 1871, em Salvador. Piedade, e seguiram pelas ruas do centro, terminando na Praça Castro Alves, onde poemas foram Curta vida? Sim. Muito breve. Mas tempo suficiendeclamados. te para construir uma bela obra (lírica e social), e “O objetivo é fazer com que as pessoas tomem o gosto pela leitura através da poesia”, explicou o organizador. A festa teve um bolo de 164 centímetros em referência aos anos de nascimento do poeta, e contou com a participação de cerca de 200 pessoas (em plena manhã de segunda-feira ). Não, a Bahia não é só carnaval... O evento teve também a presença de jovens estudantes do Colégio Estadual Ypiranga, que fica no sobrado em que Castro Alves viveu seus últimos dias, no Largo Dois de Julho. O estudante Iago Barbosa, de 11 anos, recitou alguns trechos do poema “Baile na Flor”. Ele revelou: “A poesia faz parte da minha vida. Nos meus estudos, ela é peça-chave. Através dela, consigo desenvolver melhor a minha leitura e até
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denunciar, com incrível força (que resiste ao tempo) a escravidão e a brutalidade do tratamento dispensado aos escravos – como as condições desumanas em que eles viajavam nos navios negreiros. Referência iluminadora, Castro Alves continuará entre nós. Para sempre. Saudando o povo baiano e brasileiro na linda praça que leva o seu nome. Viva Castro Alves! Viva a poesia!

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Ô ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR...
Por Miriam de Sales Oliveira ... contando a história das marchinhas que tanto alegraram os carnavais de outrora. Elas tem origem nas marchas populares portuguesas, inclusive as marchas militares, com suas batidas fortes - bum, bum - e compasso binário com melodias simples, fáceis de memorizar e cantar. Rimas pobres, porém enriquecidas pelas melodias, que, no Brasil, também se inspiraram na polca, no ragtime e no one-step . Mas, o forte das marchinhas são as letras picantes,buliçosas,críticas,caricaturais,maliciosas,brejeiras,canalhas,cheias de duplo sentido, ensejando a que o povão modificasse a letra a seu bel prazer, inclusive, substituindo palavras por palavrões; como não existe pecado ao sul do Equador, principalmente no Carnaval, os foliões arregaçam, como se diz, sem medo da policia. Antes de desaparecerem para dar lugar ao samba-enredo, as marchinhas eram imbatíveis nas sátiras e ninguém escapava de ser ridicularizado, pois a marchinha é democrática: não poupa ninguém, nem o reinem o bispo, nem o papa. Mas, seus alvos favoritos são os políticos (como apanham esses malandros, nossa!) e as minorias como os gays, os cornos, as mulheres feias ou boazudas, os padres, os funcionários, as menininhas más de famílias boas, não há o que não seja aproveitado. As marchinhas tinham que se desenvolver no Rio, irreverente pela própria natureza e dos anos 20 até meados dos anos 50 reinaram absolutas nos nossos carnavais, desde a primeira composição criada em 1899,Ô Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga. Depois vieram as clássicas: Cidade Maravilhosa, que virou o hino do Rio de Janeiro, Pierrô Apaixonado, a Jardineira, Touradas em Madri, Chiquita Bacana, Taí, Papai Adão... No Nordeste as marchinhas ainda são cantadas, nas ruas, nos cordões carnavalescos. Ai, isso assim tá muito bom, isso assim tá bom demais...As deliciosas marchinhas não podem morrer!

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Reencontro
Por Norália de Mello Castro

Emoção primeira da ode à cebola, Peles sobrepostas Formando A flor. A cebola cresceu. Permanece intacta assim mesmo: No ar: o cheiro ardido. No chão: o gosto adocicado. Na mão: o alimento consumido. Na força: mais um dia que nasce pleno. Diante de Neruda, As palavras somem. Mesmo assim, continuarei A buscar A beleza desse reencontro. Suores amaciados Aconchego jamais deixado, Coberta de plumas e vento, Coberta de lágrimas e risos, Coberta de felicidade intensa, Em ler e sentir palavras de um Mestre: O dia resplandece inteiro. (segue)

Não sei quando começou Meu amor à cebola. Lembro da emoção que senti Quando li a ode à cebola. Emocionada, parei. Procurei o ar a sentir Cada palavra que ele dizia, Enquanto o coração perguntava: Como pode um homem dizer Tanta coisa de uma cebola... Uma cebola? Ali estava a força a emocionar Uma jovem que não sabia o que dizer, Nem pensar, em tão grande amor. O Poeta da Ode à Cebola conquistou-a. A sensação daquele instante permaneceu para sempre E somente agora pode a jovem dizer: Da cebola se extrai a força vital; De cada pedacinho adocicado, O mais poderoso elixir, O mais encantador fio de prata, Fios de ouro e até fios de estrumes. Cantarolando assim o amor, A vida escorre, Sustentada, Sublimada, Encantada pelo toque da música, Que vem vibrante pelos ares. Extraída da Mãe Terra,

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Ah! Neruda tu vens... Tu vens pleno, assim, Total em mim. Ah! Neruda! Tuas odes elementares, Vinho, tomate, pão e, Naturalmente, a cebola, Seres poderosos e simples Que nos dá a Mãe Terra. E tu, a conclamar integração, Gentilezas Para o alimento que nos dá a Natureza. Tu lanças teu grito de alerta: Quando aprenderemos, Mestre, que tudo É parte do todo e nós, parte do tudo? Faltam ainda gentilezas outras para essa equação. A Mãe Terra estremeceu. Talvez por cansaço, Talvez por revolta, sei lá, de tanto descaso. E a natureza chorou e estremeceu. O Haiti foi dizimado e sofrimento total Se instalou no planeta. Silêncio se fez. Então, o que fazer meu Poeta? Tuas odes elementares voltaram com força. Do amor a uma cebola que se expandia. Do amor do trigo ao pão que deve ser partilhado. Do amor do tomate, capaz de abrir porta aos visitantes. Do vinho que faz aumentar os sons dos risos.

Do amor que acalanta corações feridos. Do amor que germina e cresce por entre plantas. Do amor que se embebeda das cores do arcoíris. Do amor que nasce No barro, Na água, No céu, Nas palavras levadas pelo vento. Me curvo a ti, meu poeta, e bendigo Aos céus por ter lido suas palavras. Poderosas palavras A mostrar Que nosso lar é aqui E que o amor está nele.

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MÃE POESIA

Emoções armazenadas na bacia Até que reencontrei a mãe poesia

Por Rozelene Furtado de Lima Além das fronteiras da percepção Procurei o sopro divino da inspiração Usar o tempo livre para imaginar Rascunhar no tapete de papel e voar Dar ouvido a voz interior e anotar Sensações, falas sopradas ao vento Denunciar libertando os sentimentos: Amargura, tristeza, dor, amor e alegria Alinhavados na bainha da mesma fantasia Mas, a vida me envolveu e me ocupou. Trocou meus planos e o tempo passou. Conquistei um amor, filhos e casa... ganhei Como profissional da família... dediquei Livros esquecidos ficaram me aguardando Vigilantes, papel e lápis me espreitando. Segui juntando pedras em unidade Passava o tempo e lavava a saudade Esfregando a vida enxaguava a dor Na água corrente perfumava o amor Secava as gotas de lágrimas no chão Palavras no varal letras de sabão

Mostrou-me que poeta não tem idade Tem é determinação e muita vontade Revi o sonho perdido dos braços da vida Desvencilhei-me dos emaranhados da lida Voltei a ler a sabedoria inserida nos versos Espalhadas desde sempre por todo universo Orquestradas no ritmo de idiomas e dialetos Entre acentos, vírgulas e pontos eu borboleto Palavras unidas na fonética dançam rimando, Como sementes na boa terra vão brotando. Que expressam a emoção nos diversos temas Que sejam eternizados poetas e poemas!

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Escritor Valdeck Almeida

Por Sandra L. Stabile

Vou lhe contar a história De um homem lutador, Essa eu posso confirmar Pois é homem de muito valor, Conheço sua história e tudo que ele passou. Valdeck é um poeta espetacular, Quem duvida tem que vê-lo Suas poesias declamar, Ler suas Antologias Pelas letras viajar. Leiam suas colunas em jornais, Revistas, em todo lugar Delas aprenderá que todos podem escrever e sonhar, Valdeck abre portas no FALA ESCRITOR Para você falar E junto com o seu fundador Leandro de Assis oportunidade lhe dar. Esse Projeto todo mundo expia, Grande é sua euforia Homem de fé, sonhador, Por muito tempo seu sucesso sonhou Por seus méritos Deus lhe abençoou, Hoje ele é conhecido seja onde for, Tudo isso ele conseguiu Com honestidade profissionalismo e amor! Amigo siga em frente, Seja um historiador, Não se deixe derrotar Pois você é grande escritor. Ninguém nesse mundo tem poder para mudar As páginas escritas do seu livro Que lá no Céu escrito está.

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No Amanhecer
Por Sonia Nogueira

O sol tímido por detrás da serra Mostrava no olhar ainda sonâmbulo Silêncio e sossego que a paz encerra Estática a pedra sonho relâmpago

Toda vegetação ainda confabula O vento parou pra compartilhar Do momento sereno que rotula Na tela, a natureza, o verbo amar

Na janela do quarto o vento sopra Vi na estrada sem passos, sem rumo A ave sedenta no bico molhava No verde da água bebendo o sumo

Senti a beleza na arte da criação Na singeleza o comando da mão

Tela de Sonia Nogueira

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ELIZABETH TAYLOR
Por Teresinka Pereira Todas queríamos ser Elizabeth Taylor. Uma vez pintei meu cabelo de negro e calçava sapatos com saltos tão altos que não podia equilibrar-me sobre meus anos juvenis. Era menina e fazia o papel de mulher fatal Em cada dedo ostentava um anel de cristal colorido e de minha voz os homens fingiam apaixonar-se enquanto as outras jovens morriam de inveja... Hoje a mídia nos diz que Elizabeth Taylor não era imortal Mas dentro da morte ela desvendou sua verdadeira e heroica historia de artista humanitária.

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MÁRCIA OLIVEIRA
TALENTO BRASILEIRO EM GENEBRA
Festa de aniversário tem que ter alegria, muita alegria! Toda criança merece ter sua data especial marcada por um momento inesquecível. E Márcia usa seu talento para dar vida e cor a estes momentos! Márcia, talento brasileiro em Genebra fazendo da arte mais do que profissão, um orgulho!

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CASQUINHAS DE OVOS DE GALINHA DECORADOS PARA A PÁSCOA COMO FAZER AS CASQUINHAS DE OVOS DE GALINHA: Abrir numa ponta um buraco bem pequeno no ovo (da galinha) tirando a gema e a clara, lavar e deixar secar. PINTURA: 1 par de luvas. 1 toca. 4 cores de tinta óleo (para pintura de parede) Num recipiente com meio litro de água, colocar uma colher de cada cor de tinta. 1 vaso pequeno com areia e palitos de madeira para colocar as casquinhas pintadas para secar. Com o palito de madeira pegar a casquinha pelo buraco passando a mesma no recipiente com as tintas, cuidando para não entrar tinta na parte interior da mesma, fincar o palito com a casquinha já pintada na areia. Depois de pintar seis casquinhas recolocar a tinta. Feito a pintura com todas as casquinhas, deixar secar (no sol ou na sombra) por dois dias, recolhendo a noite para não puxar umidade. Aconselhamos não fazer em dia de chuva ou nublado, as mesmas ficarão sem brilho. Deve-se usar as luvas para não sujar as mãos com a tinta e a touca para não cair cabelos no recipiente e nas casquinhas. RECHEIO Rendimento 12 unidades 4 xícaras de amendoim torrados e limpados (sem casca) 2 xícaras de açúcar 1 xícara de agua Os amendoins devem ser torrados no forno em 180 graus por 30 minutos, cuidando para não queimar, caso seja necessário deixar mais alguns minutos para torrar isso varia de forno. Colocar a agua e o açúcar para ferver ao formar as bolhas de ares maiores acrescentar os amendoins e deixar ferver por mais 10 minutos sempre mexendo, depois retirar do fogão mexendo ate que os amendoins fiquem soltos. Deixe os mesmos esfriar (se os mesmos são feitos na parte da manhã a tarde podem ser colocados nas casquinhas). FECHAMENTO DAS CASQUINHAS 1 tubo de cola 1 pacote de forminhas para negrinhos 1 suporte para ovos (papelão) Preencher as casquinhas com os amendoins frios. Passar cola ao redor bem no inicio do buraco da casquinha, colocar a forminha de negrinho, deixar secar num suporte para ovos. Sugestão: as casquinhas podem ser fechadas com outros papeis a sua escolha, bem como desenhos decorativos de Páscoa.

Bernadete Ruckhaber Schwarzer
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BOLO NINHO DE PÁSCOA
5 ovos 3 xícaras de açúcar 1 xícara de agua Meia xícara de azeite 2 xícaras e meia de farinha de trigo 1 colher de sopa de fermento Bater com a batedeira os ovos com a agua ate encher a bacia, acrescentar o açúcar ate virar num creme, acrescentar o azeite, a farinha aos poucos e por ultimo o fermento só mexer com a colher não bater mais com a batedeira. RECHEIO 1 caixa de leite condensado Meia xícara de amendoim moído (opcional), se colocar o amendoim ferver por mais ou menos 6 minutos. Corte a massa ao meio, colocar o leite condensado com os amendoins e sobre ela a outra parte. COBERTURA 1 caixa de creme de leite 3 colheres de chocolate em pós 50% cacau 300 gramas de chocolate granulado 6 ovinhos de páscoa pequeninhos 1 coelhinho de chocolate Meia xícara de açúcar Ferver em fogo médio sempre mexendo ate ficar com liga. Cobrir o bolo, no centro por o coelhinho e ao redor decorar com os ovinhos. Bernadete Ruckhaber Schwarzer (veja os dados de Bernadete em nosso site na seção Eles Fazem Artesanato.

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SOBRE A TRAGÉDIA DE 7 DE ABRIL DE 2011

Por Marcelo de Oliveira Souza

A tragédia do Rio de Janeiro serve como aviso para as diversas instituições educacionais brasileiras, quanto à violência nas escolas, bulling e outros tipos de agressões que muitas vezes chegam perto de terminar com esse desfecho trágico e ninguém sequer tem conhecimento. Uma das grandes dificuldades que o sistema educacional encontra é aglutinar diversos tipos de estudantes em um só local, ninguém sabe de onde ele vem, a sua formação familiar e o mais importante, se ele já teve entrada em delegacias ou instituições similares. Essas pessoas juntas em sala de aula, o ano inteiro, são uma verdadeira caixa de surpresas, positivas ou negativas, principalmente quando a violência está crescendo nas grandes cidades, particularmente em Salvador. A Escola ainda está desprotegida, quem tem a incumbência de fiscalizar a entrada, na maioria das vezes está despreparado, uns têm até medo de impedir a entrada de pessoas estranhas, que entram em unidades educacionais quando desejarem. Esse é mais um triste aviso de como é gritante a insegurança nas escolas públicas, de como reina a violência e agressões físicas e morais nos nossos ambientes educacionais. A nossa sociedade está cada vez mais violenta, por diversos motivos, contudo o principal motivo é a família desestruturada, pois não existirá nenhum governo que possa ensinar respeito, amor e consideração entre as pessoas e isso nunca é tarde para ensinar e procurar disseminar entre os nossos filhos, porque se cada um fizer a sua parte, todos lucrarão no futuro e a Escola não será mais um ambiente de medo, desavenças, brigas etc., será o que ela sempre foi: um ambiente de união pela aprendizagem, que hoje infelizmente não está sendo.

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ALMA GÊMEA Por Yara Darin (by Sun) Como esquecer este sedutor... Como esquecer este beijo sem pudor... Como esquecer este olhar... que não se cansou em me procurar... Como esquecer este menino... que só me chama de menina... Quem sou eu... Quem é você... Almas gêmeas buscando o amor... tão idênticas.. tão sinceras... tão profundas... Que seja para a eternidade... este grande reencontro.... do nosso inesquecível ... amor invencível....

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que existe...
Por Walnélia Corrêa Pederneiras

De fato, a vida é um presente. Dificuldades ou não, independente mesmo que pare ou desista, continua sabe-se como, mas prossegue!! Vai em frente e não, à frente, essa existência palpável até certo ponto. Realidade às vezes dura, outras bem suave mas o que a torna mais agradável é mais que material, é quase insondável... Dádiva de um tempo atual, que está no local, na hora, no momento evidente, consciente e por isso, dissertável ...o momento! Sim, porque ao reler, já passou. Uma luz, quase impessoalidade muito embora para poetá-la, imprescindível olhar, ver, fechar os olhos, abri-los agradecer, observar esse conjunto de acontecimentos que alicerça a existência do Ser Mas depois que passa, é relativo... Até para a frase agora, que encerra o pensamento sequioso de Conhecimento e sentido de vida... mérito ou demérito, intuição ou sentimento sépala que nutre de ideias este ser pensante...

Guilherme Corrigliano

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lavagem cerebral. Na segunda-feira temos o resultado no noticiário: carros que viraram ferro retorcido dirigidos por motoristas bêbados. Por EMANUEL MEDEIROS VIEIRA Não, não é moralismo: é defesa da vida. A maior parte das imagens que circulam hoje E atores famosos, que já tem muito dinheiro, fasão frutos de um impulso econômico, para criar zem as tais propagandas de bebida alcoólica. produtos e mercados de consumo, não para celeExagero? Não creio. brar o espírito humano ou para aprendermos mais Acho, no mínimo, antiético. É pura cobiça. ou sermos melhores. Quem faz propaganda de remédio, deveria ingerir É pura e simplesmente para fazer mais dinheiro. antes o produto e só depois fazer a publicidade. Então, neste sistema, se você lê profundamente A Xuxa, Luciano Hulk e tantos outros que gauma imagem publicitária, você a destrói, como diz nham muito dinheiro fazendo publicidade, usam Alberto Manguel. aqueles serviços dos quais dizem mil maravilhas? A publicidade – é claro que não digno nada de novo – é feita para “convencer”, manipular as emoA partir deste aprendizado, poderemos enfrentar ções mais primárias e, muitas vezes, para enganar. as imagens da Coca-Cola e de todas as marcas. E para tapear um povo prostrado e sem cultura Lendo “Madame Bovary”, de Flaubert, você percenão é difícil. be que a infelicidade da mulher não deriva do fato Vejam as tantas igrejas (o supermercado universal dela não usar o perfume tal. da fé), os tantos políticos, os tantos bingos camu- As razões são outras, muito mais profundas. flados, os tantos sindicalistas, os tantos banquei- O problema é que estamos vivendo um momento ros, os tantos usineiros, os tantos grileiros, os tan- de enorme velocidade e de tos marqueteiros: todos impunes. Enfim, é o reino pouca concentração. da trambicagem. (Emanuel Medeiros Vieira) Então – seguindo as pegadas do autor citado – é fundamental que possamos novamente recuperar a dignidade humana de ler imagens para buscar as verdadeiras, para voltarmos a ser criaturas da memória. Precisamos “saber ler”. Sabendo ler, aprendemos com as gerações passadas e com a nossa própria. Me perguntaram numa escola em Brasília: “Como O que quero dizer? se faz um bom livro?” Uma mulher não é solitária porque não usa o saEu sorri, sala cheia, jovens de 20 anos. bonete tal, o perfume daquela marca. Não vai ser Sabia de cor a resposta de Somerset Maugham: “amada”’ se usar aquele jeans. “Há três regras para se escrever um bom livro. InO sorriso da “felicidade plena” (que você obterá se felizmente, ninguém sabe quais são.” conseguir tal produto) é pura enganação. Todos os Porque escrever não tem receita. Tem inspiração carros são maravilhosos, cada banco é melhor do sim. Mas tem muito trabalho. “Transpiração”, disque o outro. ciplina. Há que começar a faina diária mal rompe Quando vemos as propagandas de mil cervejas, a aurora. com mulheres gostosonas, malhadas e sorridentes, Todos os dias, todos. a mensagem é essa: se bebermos tais produtos, E ler, muito. Reler. Ler mais. Sempre. Até o último viveremos naquele clima de festa eterna. E tudo suspiro. isso vai entrando no inconsciente. É subliminar, é Se pararmos de ler, vamos morrer.

SABER LER

INSPIRAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO

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O aprendizado da escrita é misterioso. “O processo de aprender a escrever é desanimador porque é inexplicável”, afirma Alberto Manguel. Ele complementa: “A leitura é uma atividade pela qual os governos sempre manifestaram um limitado entusiasmo” É claro. A leitura abre os espíritos. A literatura “revela”. A verdade liberta. Com ela no seu coração, você não votaria mais por ter recebido uma esmola, um saco de cimento ou algumas telhas. Ler sempre incomoda os ditadores, os napoleões tupiniquins, desagrada os poderosos, os idiotas e medíocres de plantão. E, no geral, eles estão nos órgãos ditos culturais, com o seu vasto número de funcionários entediados, seus burocratas mesquinhos e seus lanches vespertinos, suas panelinhas burlescas, que querem camuflar o seu enorme vazio com roupas chics ou retóricas e preciosismos. Não enganam. Não adianta. São figuras que merecem a piedade. Serão varridos por qualquer vento sul. Podem receber prebendas, se acham “sérios”, às vezes assinam colunas diárias. Mas serão sempre figuras menores: aquelas que morrerão sem a solidariedade de si mesmas. Manguel lembra que Pinochet proibiu “Dom Quixote”, de Cervantes. Lógico, o leitor lendo Quixote descobriria a alma nazista do facínora sanguinário que foi o ditador chileno, uma besta do Apocalipse sul-americano. Penso no que disse um republicano espanhol (pai de um escritor) que passou muitos anos numa prisão política: “Até na cadeia vocês serão mais felizes de gostarem de ler.”

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CARNAVAL GUERREIRO
Por Vó Fia

Entre os anos trinta a quarenta, o carnaval era comemorado de uma maneira especial na Vila de São João, porque durante aqueles três dias a comunidade parava seus afazeres e dedicava todo o seu tempo as alegrias e divertimentos próprios da época; a diferença estava no modo de brincar, começava de maneira normal. No primeiro dia os blocos e ranchos saiam as ruas cantando e dançando as marchinhas e sambas da ocasião, tudo simples e lindo e sem nenhum problema, era o carnaval tradicional e muito bem comportado, os rapazes fantasiados de piratas, palhaços e outras mais e as moças vestidas de camponesas, fadas, dançarinas etc. Ninguém saia com qualquer vestimenta que ofendesse os bons costumes e se os rapazes bebiam pouco álcool, as moças nada bebiam além de guaraná ou ponches de frutas, e com isso se garantia a paz durante os desfiles, os mais abonados levavam um Lança Perfume Rodouro para perfumar as jovens. E assim acontecia nos dois primeiros dias, porque na chamada Terça Feira Gorda, mudava tudo, porque o Boi entrava na festa e era bem assim: o Boi era uma armação de bambu trançado formando o corpo encimado por uma caveira do Boi toda enfeitada de fitas e flores e um tecido alegre cobria os bambus. Dois homens fortes entravam na armação e movimentavam o Boi; atrás vinha o cortejo com boiadeiros, toureiros, palhaços, dançarinas e a figurante principal que era a Catirina dona do Boi, fechando o a alegre desfile vinham os batuqueiros fazendo um barulho ensurdecedor com seus instrumentos. Eram berrantes, tambores, reco-recos, cuícas e pandeiros e as vozes de homens e mulheres cantando sempre esse refrão: esse boi é bunito ei boi, esse boi é brabo ei boi, esse boi é pintado ei boi, pega o boi Catirina ei boi e lá na frente o Boi investia no povão que corria, ria e se divertia fazendo coro no ei boi. Até ai tudo bem, mas a Catirina era um mulato forte vestido de mulher, com a cara pintada de branco, uma peruca loura, seios enormes formados por dois mamões verdes e os grossos lábios pintados de um vermelho berrante e que na realidade se chamava Sebastião, mas tinha um apelido que odiava. O apelido do Sebastião era Retegé e ele virava fera quando alguém o chamava assim; antes da saída do Cortejo do Boi, o chefe da brincadeira avisava a todos para não se lembrarem do apelido do Sebastião de maneira nenhuma, todos prometiam e o cortejo saia em paz e com muita animação. Depois de bons goles de cachaça um gaiato se esquecia da promessa e cantava: pega o boi Retegé ei boi e estourava a guerra, porque o mulato tirava a saia da Catirina e partia aos murros e chutes em quem aparecesse pela sua frente e o povo que tinha lá as suas rixas aproveitava a ocasião. Em pouco tempo todo mundo batia em todo mundo, era aquela correria e gritaria infernal até a pouca policia do lugar aparecer para acabar com o tumulto, mas o jeito era dar tiros para o alto, porque era pouca policia para muito cidadão, ao som dos tiros a situação era controlada, os feridos retirados e o Boi seguia em frente, com o povo cantando; Esse Boi é bunito ei boi, pega o boi Catirina ei boi...

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CONSULADO-GERAL DO BRASIL EM ZURIQUE

Stampfenbachstrasse 138 8006 Zürich-ZH Fax: 044 206 90 21 www.consuladobrasil.ch

Consulat Général du Brésil 54, rue de Lausanne 1202 Genève Horário de atendimento ao público: de segunda a sexta-feira das 09:00 às 14:00 (de 02.07.2010 a 12.07.2010, o ingresso no Consulado será até 13:00)

COMO VOCE VE A VIDA?
Todos as pessoas possuem uma maneira diferente de ver a vida e de expressar esta visão. Algumas escrevem, outras pintam, fotografam, desenham, cantam, tocam um instrumento, esculpem, fazem artesanato… Dentro de cada um de nós existe um ar sta. Algumas vezes escondemos tanto que nem mesmo os familiares sabem que temos aquele jei nho especial! Que tal mostrar pra gente? Que tal enviar para o site do VARAL DO BRASIL o que você faz e dar uma chance para que possamos conhecer melhor você? Leia as instruções nas seções « ELES » no www.varaldobrasil.com E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch E mãos à obra: a vida é agora!

Telefones
Tel. : 022 906 94 20 Fax : 022 906 94 35 Horário de atendimento telefônico: de segunda a sexta-feira das 13:00 às 16:00

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chajafreidafinkelsztain Onde existem as verdades? Na pessoa que as afirma Na pessoa que as nega No que leio todos os dias No jornal que me informa No livro que me identifico Onde moram as verdades? Num código que decifro Concordo e... Muitas vezes não sigo. Quantos de nós transgredimos? Por que mentimos? Por que nos escondemos dela? Quanto um espelho revela? Um tempo passado ou presente Ele está lá gritando estridente Mas, fingimos que não ouvimos Quanto uma introspecção levanta? Deitada dentro da gente Lá está ela Machucando, lutando para sair Mas você a segura sempre Pois de tanto mentir Acaba se convencendo Que tudo o que for mentira Virou a pura verdade...

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ENTRE QUATRO PAREDES OBRA DE JANIA SOUZA PUBLICADA PELA CORPOS EDITORA DO PORTO/PORTUGAL

A Corpos Editora de propriedade do poeta Ex-Ricardo dePinho Teixeira, empreendedor literário da cidade do Porto em Portugal, lançou em solo luso a obra "ENTRE QUATRO PAREDES", quarto livro de autoria de Jania Souza e terceiro na categoria poema. Jania Souza participou de seleção em 2009 e, como estava envolvida com o lançamento de seus livros Fórum Íntimo e Magnólia, a besourinha perfumada publicados no Brasil pela Editora Alcance no Rio Grande do Sul e em Natal/RN, na mesma ocasião, não viu o e-mail do concurso comunicando sua seleção. Em junho de 2010, ao rever sua caixa de e-mail para atualizar, encontrou a comunicação e, rapidamente, contatou a editora para saber se a mesma ainda estava interessada em produzi-la, pois o prazo para publicação do prêmio seria em janeiro de 2010. Foi atendida com muita gentileza e respeito profissional, sendo reativada as negociações além mar. E, um ano após o primeiro cronograma, a obra foi lançada neste mês de janeiro de 2011. Encontra-se a venda na Livraria e Café da Corpos na cidade do Porto e no endereço eletrônico a seguir. ENTRE QUATRO PAREDES será lançado brevemente em Natal para que a autora possa compartilhar sua nova obra com o público potiguar. Quem for à cidade do Porto, pode deliciar-se com a programação da Corpos Livraria e Café, que tem tudo a ver com nossas livrarias envolvidas com programação lítero cultural, como a Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall.

Corpos Livraria/Café Aberto de 2ª a 6ª Entre as 15H e as 20H. Rua do Almada, 253, 2º andar, sala 23 4050-032 Porto/ Portugal
No nosso espaço pode encontrar todos os título editados pela corposeditora, Worldartfriends editora e editora Egoiste. Pode também encomendar livros via telefone: 220939062 Estamos disponíveis para atividades: -Sessões de Poesia -Apresentações -Exposições de Pintura e Fotografia -Exibição de cinema de autor Visite-nos!" www.varaldobrasil.com - Maio/2011 - VARAL DO BRASIL no. 9 77

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O CLUBE DOS VIRA-LATAS é uma organização não governamental, sem fins lucra vos, que mantém em seu abrigo hoje mais de 400 animais que são cuidados e alimentados diariamente. Boa parte desses animais chegou ao Clube após atropelamentos, acidentes, maus tratos e abandono. Nosso obje vo é resgatá-los das ruas, tratá-los e conseguir um lar responsável para que eles possam ter uma vida feliz. 400 peludos em nosso abrigo, contamos hoje apenas o trabalho dos voluntários e com o dinheiVocê sabia que no Brasil milhões de cães e gatos ro de doações. Todos podem ajudar, seja divulgando o Clube, seja adotando um animal ou mesvivem nas ruas, passando fome, frio e todos os pos de necessidades? Cerca deles 70% acabam mo doando dinheiro, ração ou medicamentos. em abrigos e 90% nunca encontrarão um lar. Par- Qualquer doação, de qualquer valor por menor te será ví ma ainda de atropelamentos, espanca- que seja, é bem-vinda. As contas do Clube bem como o des no de todo o dinheiro estão abertas mentos e todos os po de maus tratos. Infelizmente, não é possível solucionar este pro- para quem quiser blema da noite para o dia. A castração dos animais de rua é uma solução para diminuir as futu- BRADESCO (banco 237 para DOC) Agência: 0557 ras populações mas não resolve o problema do agora. Sendo assim, algumas coisas que você po- CC: 73.760-7 Titular: Clube dos Vira-Latas de fazer para ajudar um animal carente hoje: CNPJ: 05.299.525/0001-93 Ou Adotar um animal de maneira responsável Por que ajudar os animais? Voluntariar-se em algum abrigo. Doar alimento (ração) e/ou remédios para abrigos. Contribuir financeiramente com ONGs. Nunca abandonar seu animal Como o Clube vive? Somente de doações. Todas (Saiba mais sobre o Clube em h p://fras nossas contas são públicas, assim como extrafr.facebook.com/ClubeDosViraLatas?ref=ts) tos bancários e notas fiscais. Como ajudar o Clube? Para manter esses mais de Banco do Brasil (banco 001 para DOC) Agência: 6857-8 CC: 1624-1 Titular: Clube dos Vira-Latas CNPJ: 05.299.525/0001-93

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RECEITAS PORTUGUESAS
http://www.gastronomias.com/

Arroz de Forno à Antiga

Ingredientes: Para 8 a 10 pessoas • 500 g de carne de vaca • 200 g de carne de porco ou um pedaço de presunto • 1 chouriço de carne ou meio salpicão • meia galinha • 2 cebolas • salsa • serpão • 1 kg de arroz • sal e pimenta 1 colher de chá de açafrão Confecção: Põe-se ao lume uma panela com 2 litros de água. Deixa-se levantar fervura e, nessa altura, introduzem-se as carnes, uma cebola às rodelas, a salsa e o serpão. Depois de tudo cozer muito bem (cerca de 1 hora), coa-se o caldo e juntasse-lhe o açafrão dissolvido num pouco de água fria. Junta-se ainda uma cebola às rodelas e um ramo de salsa. Deita-se o caldo num alguidar de barro preto e leva-se ao lume. No momento em que começar a ferver, juntasse-lhe o arroz, que deve ser de muito boa qualidade. Deixa-se levantar fervura rapidamente e com o lume forte, introduzindo-se em seguida no forno até secar.

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VII PRÊMIO LITERÁRIO VALDECK ALMEIDA DE receberão um exemplar gratuitamente. Os demais poJESUS – CRÔNICAS EDIÇÃO EM HOMENAGEM A ESCRITORES BAIANOS 1 - O Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus visa dem receber, a critério da organização do evento e da disponibilidade de recursos financeiros. MODELO DE FICHA DE INSCRIÇÃO:

estimular novas produções literárias e é dirigido a can- Paulo Pereira dos Santos didatos de qualquer nacionalidade, residentes no Brasil ou no exterior, desde que seus trabalhos sejam escritos em língua portuguesa. 35985-999 – Portão Rua Santo André, 40 – Edf. Pedra – Apt. 201

2 – As inscrições acontecem de 01 de janeiro a até 30 Belo Horizonte-MG de novembro, através do e-mail val- (31) 3366-9988, 8877-8999 Modelo de minibiografia:

deck2007@gmail.com (CRÔNICAS de até 20 linhas, minibiografia de até cinco, endereço completo, com

CEP e fone de contato, com DDD). Os textos devem vir Paulo Pereira dos Santos é natural de Santana-PB. EsDENTRO do corpo do e-mail. Inscrições incompletas critor, poeta e jornalista, tem dois livros publicados: serão desclassificadas. Vale a data de postagem no e- “Antes de tudo” e “Até amanhã”. Paticipa de cinco anmail. NÃO SERÃO ACEITAS INSCRIÇÕES PELOS COR- tologias de poesias. Graduado em comunicação social. REIOS. 3 - A crônica deve ser inédita, versando sobre qualquer tema (exceto apologia ao uso de drogas, conteú- Projeto publicado no site do PNLL do Ministério da Culdo racista, preconceituoso, propaganda política ou in- tura tolerância religiosa ou de culto). Terão preferências os Lançamentos: textos sobre escritores baianos da contemporaneidade. 1ª Antologia: Bienal do Livro da Bahia, em abril/2005 Entende-se como escritores contemporâneos aqueles E 2007. cuja obra ainda não foi lançada por grandes editoras e que não são conhecidos do grande público. Cada autor 2ª Antologia: III Corredor Literário da Paulista, em responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outubro/2007. outro crime relacionado ao direito autoral. A inscrição implica concordância com o regulamento e cessão dos direitos autorais apenas para a primeira edição do livro. 4ª Antologia: Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em 4 - Uma equipe de escritores faz a seleção de apenas um texto por autor. A premiação é a publicação do texto selecionado em livro, em até seis meses do encerramento das inscrições. Os escritores selecionados devem criar um blog gratuito, após a divulgação do 5ª Antologia: Bienal do Livro de São Paulo, em 21.08.2010. setembro de 2009 e no Espaço Castro Alves, num grande shopping da Bahia. 3ª Antologia: Na 20ª Bienal do Livro de São Paulo e na 3ª Feira do Livro de Sergipe, em 2008 e na 9ª Bienal do Livro da Bahia; Menção honrosa em diversos concursos de poesia, tem dois livros no prelo e pretende lançá-los em 2012.

resultado do concurso, para dar visibilidade ao traba- MAIS INFORMAÇÕES: VALDECK ALMEIDA DE JESUS lho de todos os participantes. Os casos omissos serão decididos soberanamente pela equipe promotora. E-MAIL: VALDECK2007@GMAIL.COM 5 - O autor que desejar adquirir exemplares do livro deverá fazê-lo diretamente com a editora ou com o Site do Organizador: WWW.GALINHAPULANDO.COM organizador do prêmio. Os primeiros dez classificados TEL: (71) 8805-4708

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VOCÊ SABIA?
A revista VARAL DO BRASIL circula no Brasil do Amazonas ao Rio Grande do Sul... Também leva seus autores até a América Latina, América do Norte e, claro, pela Europa. Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL! E-mail: varaldobrasil@bluewin.ch Site: www.varaldobrasil.com

ENTRE OS MORROS DA MINHA INFÂNCIA Um livro de Jacqueline Aisenman
Entre os Morros da Minha Infância está à venda com renda cem por cento rever da ao Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos de Laguna, Santa Catarina. Encontre aqui: Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus Passos R. Osvaldo Aranha, 280, Centro Cep: 88790-000, Laguna SC Fones: Central telefônica: (0xx)48 3646-0522 / DPVAT: (0xx) 48 3646-1237 / Fax: (0xx)48 3644-0728 h p://www.hospitallaguna.com.br/
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SUL DA BAHIA: PARAÍSO AMEAÇADO
EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

Queria falar sobre uma viagem pelo interior da Bahia, no carnaval, rodando quase 2000 quilômetros. Neste relato, vou concentrar minha meditação no belo Sul do Estado, mais especificamente, à região cacaueira (cuja geografia literária, conheci aos 20 anos, lendo os romances de Jorge Amado, como o belo “Terras do Sem Fim”). E é exatamente essa linda região que está sendo ameaçada. O Sul da Bahia é caracterizado por seu enorme patrimônio ecológico – paisagens de valor histórico e espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção. Neste lugar especial é que está sendo preparada a instalação do Complexo Porto Sul, com graves impactos, conforme denúncias de mais de 90 organizações da sociedade civil, que já assinaram um manifesto pelo desenvolvimento sustentável e contra a referida obra. A região do empreendimento é parte da Área de Proteção Ambiental da Lagoa Encantada e Rio Almada, com manguezais, dunas e restingas e espécies raras da fauna e flora, locais que seriam gravemente afetados. A área onde se prevê construir o complexo tem uma importância planetária no que tange à sua megabiodiversidade, como observa a Rede Sul da Bahia Sustentável, que tem se mobilizado contra o empreendimento . É reconhecida pela UNESCO como reserva da Biosfera da Mata Atlântica e foi objeto de narrativas de importantes naturalistas – tais como Von Martius, Von Spix e Charles Darwin – que descreveram a região, constatando sua beleza natural, sua rica biodiversidade e os recifes de coral lá presentes. Estudos mostram que há alternativas menos impactantes e mais eficientes em termos econômicos, sociais e ambientais. Além disso, atividades como o cacau, o turismo ambiental e a pesca – que são economicamente viáveis e de baixo impacto socioambiental –, valorizam a vocação da região. O porto oferecerá poucos empregos, exigindo a contratação de mão de obra fora da região, promovendo o crescimento desordenado e caótico das cidades e vilas. A cultura do cacau é responsável por mais de 50% de toda a riqueza produzida no Sul da Bahia e emprega cerca de 200 mil pessoas. Muitos empreendedores plantam cacau em meio à Mata Atlântica, com impacto mínimo na floresta. Só a região no entorno de Ilhéus, possui uma das maiores frotas pesqueiras da Bahia, empregando mais de sete mil pessoas. A região também vem se tornando um polo relevante de tecnologia e produção científica – atividades que, por suas características não trazem impactos ambientais. O turismo baseado no modelo de desenvolvimento sustentável, tem papel fundamental no combate à pobreza. O Sul da Bahia é um dos destinos mais importantes do Brasil, graças à natureza exuberante e ao patrimônio histórico. A Bahia não merece tal Porto. Itacaré é um dos lugares mais bonitos do litoral brasileiro. O local também será afetado. Deixo para outra meditação: o governador quer trazer a todo custo uma usina nuclear para a Bahia. Às vezes, penso que o Apocalipse está nos nossos calcanhares. Alguns não percebem, outros ironizam e debocham de tais reflexões. O que está em jogo é a vida. Sim, a vida. Quando a maioria dos seres humanos descobrirem a Besta, poderá ser tarde – muito tarde – para a salvação. (Salvador, março de 2011).

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A Fundação Brasilea tem o prazer de convidá-los para esta exposição no nosso Centro Cultural .

ADALARDO NUNCIATO SANTIAGO PSICOREALISMO
O artista Adalardo Nunciato Santiago estara presente. 15.04.2011 - 19.05.2011 Abertura: quarta-feira e sexta-feira 14 até 18 horas, quinta-feira 14 até 20 horas, ou com visita agendada PSICOREALSIMO. UMA VISTA PESSOAL. Alguém me perguntou porque eu classificava minhas pinturas como psicorealistas. Respondi que, afinal, uma pessoa que se inclui no mundo da arte normalmente acaba por ser classificada, procurará alguma classificação para rotular suas produções ou deverá, se perguntado por terceiros a que tipo de escola pertence, como, aliás, aconteceu comigo várias vezes, ter uma resposta. Os seres humanos, observo, são especialistas em criar rótulos, definições. Estabelecem parâmetros e outras formas de distinguir uma ideia ou um objeto de outro. Eu poderia ser considerado um pintor cubista, um surrealista, um impressionista, etc., mas resolvi deixar os nomes do passado de lado e eleger um novo nome: PSICOREALISTA. www.brasilea.com A coleção permanente de Walter Wüthrich encontra-se aberta.

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A CIDADE QUE NAO DORME NEW YORK

"Botanic Garden" ou ao "Bronx Zoo", por exemplo, nos transporta a outra realidade, quase com ressonância na frase de Nietzche: "A alma nobre se auto reverencia", na ilha há espaço para isto.

Por Val Beauchamp Um dos fatores que atrai turistas a Nova York, é sua fama de "capital do mundo". Sim, ela é. "The city", como é chamada a famosa Manhattan pelos "locals", cobre uma área de 780 quilômetros quadrados, com sua diversificada arquitetura, culturas e raças. Parte da estrutura arquitetônica belissimamente já assentada contrasta com os novos empreendimentos destes últimos dois séculos. Creio ser fácil para o turista em Nova York sentir-se perdido em meio às expectativas quanto à cidade e em suas buscas numa Nova York tão diversificada. Levando-se em consideração o sentido que cada um tem em sua A Escola do Romantismo criou e projetou vida e sua bagagem cultural particular, o a arquitetura de Nova York. Tudo o que des- mais importante é o que cada ser humano frutamos hoje foi minunciosamente projeta- consegue vislumbrar e digerir em sua primeido, todavia dentro de uma guerra competiti- ra visita à Big Apple. É justamente o primeiro impacto causado pela cidade que influirá em va. Seu espaço, sua economia e sua cultura sua capacidade de projetar o que será dali em continuam latentes. E veteranos de Guerra diante. como os arquitetos: Howard Roark (Daily News Building), Richard Morris (Carnegie Hall e o Metropolitan Museum of Art), John Um artigo de Carlos Alberto Schimidt de McComb Jr. e Joseph François Mangin (o Azevedo nos coloca dentro desta realidade de City Hall [prefeitura], obra Neoclássica), Cass Gilbert (New York Life Insurance Bldg projeção. A possibilidade de investimentos e US Court House), Carrere & Hasting (New aqui e fantástica; por conseguinte a possibilidade de intercambio de investimentos se torYork Public Library) etc., entre tantos, nos presentearam com esta paisagem urbana ma- na ainda maior, pois com a ajuda da internet, ravilhosa e que faz da cidade, por si mesma, sabemos através do "Brazilian Chamber of uma atração com suas obras e encantos. Para Commerce in NY" (Câmara do Comercio do Brasil em NY), sobre as magnificas qualquer direção que se caminhe, estamos sempre cercados por um maravilhoso cartão "swaps" (trocas) imobiliárias entre imóveis desta cidade e muitos das nossas cidades brapostal. sileiras, principalmente na Costa Atlântica. As avenidas foram traçadas paralelas entre o Consequentemente se precipitando este inLeste e o Oeste, sendo divididas pela 5a- Ave- tercâmbio turístico, poderemos aquecer o nida. E suas ruas as cortando em sentido fantástico fator socioeconômico, mesmo com contrário ligando o Norte ao Sul da Ilha. invernos rigorosos, como o de 2011. Dentro desta estrutura a cidade oferece de tudo. Um passeio ao "Central Park" ao
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Temos que dar um viva o Romantismo, que como todos sabemos desde o século XVIII estabeleceu não só no trivial do dia a dia, como transcendeu os valores da existência humana com seus conceitos.

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Nosso Momento

Por Varenka de Fátima Araújo

Procurando em parte. No caminho que percorremos Descobrimos junto nosso momento Vivenciamos com intensidade Apenas por nós dois Ébrios de amor, loucura sentida Entramos num templo sagrado Entre fragrâncias e cheiro de amor Firmamos juras de amor Trocamos os anéis, mãos acertadas Uma união abençoada Aproveitamos, pois, o momento Brotando beijos e caricias Intensificando nosso desejo ardente Sedentos para serem realizados Amor vivido, eterno no tempo Nosso momento jamais esquecido

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Imagem de Voorikvergeet 86

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Amor Meu, Amor Seu
Por Icléia Inês Ruckhaber Schwarzer

Amor não tem medo Amor é amar alguém da maneira que ela é Amor é viver um intenso amor Sem mesmo saber ou conhecer Quando se nasce para viver este destino

Hoje por muitos momentos me peguei pensando em você O que realmente sentes por mim? Por que me deixas tanto tempo sem noticias? Qual o motivo deste afastamento? Devo sentir tanta saudade de você? Como posso sentir tudo isso se nem sei como tu és? Não conheço teu cheiro Não conheço teus secretos Não conheço tuas vontades Não conheço nada seu Queria poder sentir teu abraço Queria poder sentir tuas mãos Queria ouvir sua respiração ao pé do ouvido Sentimentos que afloram sem perceber Sentimentos puros e inocentes Sentimentos que podem crescer em almas sinceras Desejo poder cuidar deste jardim Desejo colher estas flores Desejo regar com você este belo jardim Venha vamos viver a felicidade deste amor Venha vamos conhecer O verdadeiro amor Amor não tem idade Amor não tem preconceito

De um modo ou de outro Este amor desabrocha Em jardins diferentes e até distantes Assim como o nosso Amor meu, amor seu

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Publicar ou não publicar, eis a questão. Tantos escritores já fizeram essas reflexões em busca de justificativas para a retirada de um original da gaveta, a fim de entregá-lo aos possíveis leitores e à crítica. Elencar as justificativas é fácil, mas enfrentar o medo do julgamento, nem sempre. José Alberto de Souza deu esse passo pensando, talvez, no tempo inexorável e decidiu “não passar em brancas nuvens”. Agora os leitores têm em mãos seus contos cheios de vida, recheados de humanidade, de humor ou de drama. Vão seguir caminhos desconhecidos provocando reflexões, risos e identificações, completando o ciclo que é a verdadeira razão para alguém escrever: ser lido. A repercussão que o livro “Para não dizerem que passei em brancas nuvens” possa ter, já não depende de seu autor e, apesar do medo da frustração, para a qual raramente estamos preparados, ele apostou na sua necessidade de partilhar frações preciosas da vida cotidiana com aqueles que agora abrem este volume. A leitura será agradável com certeza, e mais uma vez a mágica acontecerá: navegaremos em outras águas e descobriremos outros humanos como nós.

José Alberto de Souza nasceu em
Jaguarão, RS. É casado com Gislaine Fagundes de Souza, com quem tem dois filhos: Jerônimo e Gilberto e é avô de Mariana. É formado em Engenharia Mecânica pela UFRGS. Aposentou-se em 2001 como Técnico do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul. Em 1989, participou da Oficina de Criação Literária da PUCRS, coordenada por Luiz Antônio de Assis Brasil. Integrou a antologia “Contos de Oficina 5” (Ed. Acadêmica), com três contos. Fez parte do grupo Fábula, quando publicou mais três contos na antologia “Mais ao Sul do que eu pensava” (AGE, 1993). Colaborou com trabalhos nas coletâneas “Julinho 100 anos de história” (AGE, 2000) e “Olhares sobre Jaguarão” (Evangraf, 2010). É editor do blogue: http:// poetadasaguasdoces.blogspot.com/

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MINHA GRÉCIA
Por Leônia Oliveira

Não são teus mares que me seduzem, Mares há em todas as costas. Nem tampouco é tua mitologia que me fascina, Mitos há em todos os povos. Não é tua anatomia que me excita, Já percorri a anatomia feminina. O que em ti há que me fascina É o que desconheço, O secreto da tua trajetória, A possibilidade de haveres Sem que eu perceba.

Fotografia de Christian Salaun

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Órgão emigrante entra em crise

capacidade organizacional dos membros e nem na maneira protocolar como são tratados pelo Itamaraty, mais habituado com uma direção verticalizada. A falha vem do projeto inicial. O erro foi o de começar pelo fim e não pelo começo. Como se procurou frisar na I Conferência de emigrantes, em julho de 2008, o ponto de partida deveria ter sido uma Comissão Mista de Transição para se estudar e avaliar a instituição de um órgão emigrante independente do Itamaraty. A função do MRE seria, naquela época, só a de lançadora do projeto de uma política brasileira de emigração.

Rui Martins
Publicado em abril no Direto da Redação

Apenas seis meses depois de empossado, surge uma crise dentro do conselho de emigrantes, CRBE, que deveria provocar uma sua reavaliação conceitual pelo novo governo. A crise aparente é a insatisfação de muitos suplentes por não serem informados pelos titulares eleitos e de sequer poderem ir participar, mesmo como observadores, da reunião do CRBE, do 2 ao 6 de maio, em Brasília.

Porém, o governo, mal orientado e desconhecendo sua própria emigração, optou pela fórmula paternalista de se criar um conselho de emigrantes encarregado de assegurar a interlocução, a palavra enfática utilizada, entre o Na verdade, há uma disfuncionalida- governo e os emigrantes. Só que a teoria na de provocada talvez pela distância entre os prática é outra coisa. membros do CRBE, agravada por uma dificuldade de comunicação e de avaliação das Como se iria criar um conselho representatiexpectativas e mesmo pela não integração de vo dos emigrantes? Optou-se por eleições e alguns membros dentro do grupo de traba- foram eleitos representantes de grupos e apelho. Muitos se queixam da falta de retorno e nas alguns representantes de emigrantes. de um contato próximo da Subsecretaria diri- Com receio de serem ultrapassados pelos gida por diplomatas, à qual está subordinado emigrantes, o Itamaraty lhes concedeu apeo CRBE, enquanto uma minoria de membros nas uma assessoria sem qualquer poder de cumpridora de suas tarefas constata um imo- escolha ou de decisão. As eleições intempestivas, pois o mandato de Lula ia terminar e se bilismo quase geral. queria concluir o mostruário da política da Porém, essa avaria funcional não é a causa emigração, ocorreram sob denúncias de frauprincipal. Ela decorre de um erro conceitual des e de votos de cabresto. de criação. A falha não está na diferença de

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O resultado foram 28 mil votantes num total de 3,5 milhões de emigrantes, uma proporção ridícula em termos de representatividade. E qual a função desse órgão hipoteticamente representativo dos emigrantes? Apresentar ao governo as reivindicações dos emigrantes. E, depois de terem sido detectadas umas 150 demandas principais, já se começa a cair forçosamente numa repetição anual.

econômica para o Itamaraty que aposta na vaidade de cada um) mas, segundo o decreto de criação, trata-se de função de alta relevância e, por isso, sua representatividade dos emigrantes não pode ser acumulada com o exercício de uma função, mesmo por contrato local, numa repartição pública federal. O vínculo empregatício advém do recibo de pagamento, se o salário foi versado por um órgão do governo, cria-se a presunção de assalariado do governo e, portanto, impossibilitado de exercer ao mesmo tempo um cargo privativo de emigrantes. No caso de a recente criação do CRBE não ter provocado um regulamento a respeito, decorre uma incompatibilidade deontológica ou moral.

Tudo se torna extremamente frustrante, quando se sabe que o governo pelo MRE discutiu com os outros ministérios e entidades governamentais as principais reivindicações dos emigrantes na III Conferência de emigrantes, sem a presença dos representantes dos emigrantes no CRBE. Só uma voz se levantou para manifestar sua estranheza diante disso, porém os outros, conscientes de sua incapacidade de Porém, o governo poderia utilizar esse quipropoder fazer alguma coisa, discutiam cartões de quó no CRBE para reavaliar sua política da visita. emigração. Como disse um conselheiro suplente, « o governo assinou um Decreto criando o A gota d´água foi uma consulta feita por um CRBE, mas nada impede que assine um outro dos conselheiros eleitos ao ter descoberto, Decreto ». meio por acaso, que um dos titulares não poderia participar de todo o encontro do CRBE A solução, como temos afirmado desde 2007, é em maio, em Brasília. Para evitar que essa ir- começar pelo começo e criar primeiro uma Seregularidade ocorresse, a consulta invocava a cretaria de Estado dos Emigrantes, que com necessidade da convocação do suplente substi- um quadro misto competente, com a contrituto. E aí ocorreu o inacreditável – o Itamaraty buição de todos os Ministérios, fixará as linhas interferiu junto ao empregador do titular im- estruturais da política de emigração. Ao mespossibilitado de comparecer, para obter sua mo tempo, a bancada do governo obterá do dispensa. E conseguiu. Congresso a PEC criando os parlamentares emigrantes e, em terceiro lugar, se criará um Só que – e aí o chamado escândalo – descobriu amplo Conselho de Emigrantes. -se que o empregador do titular era o Consulado de Barcelona, ou seja, o titular do CRBE ti- E, coisa fundamental, tudo deverá ser feito nha conseguido recentemente um emprego no sem a tutela do Itamaraty, inspirado num conCentro de Estudos Brasileiros daquela cidade. ceito de autodeterminação dos emigrantes. Ora, de tutor do movimento emigrante, o Itamaraty tinha conseguido ser também parte in- PS. Apesar dessa questão em debate ter provotegrante do Conselho de Emigrantes. E, se nin- cado reações pessoais, enfatizo mais uma vez guém protesta quando o chamado Conselho de que se trata de uma questão conceitual e polítiCidadania dos emigrantes terá como presiden- ca, que não envolve nem conselheiros do te o cônsul local, imaginou-se que ninguém CRBE e nem diplomatas do Itamaraty, consilevantaria a objeção de incompatibilidade fun- derados como pessoas. ção. É verdade que o membro do CRBE exerce uma função voluntária, não remunerada (bastante
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DÉ BARRENSE
Edeilton dos Santos: Nascido na cidade de Barra-Bahia
às margens do Rio São Francisco, tem o seu nome listado no primeiro dicionário de autores baianos com a sua obra “INSPIRAÇOES DE UM RIBEIRINHO”, livro “POEMAS” ano de 2006. Antologias poéticas que participa, tem sua poesia “NA CAPITAL” na antologia ano 3 de Valdeck Almeida de Jesus, na antologia o que é que a Bahia tem? Tem sua poesia “PESCADORES DE ITAPUÔ lançado pela editora Literis, também tem sua poesia “ESPERANÇA” na antologia Nordeste de poesia, lançou seu primeiro CD “BARRANCOS DO VELHO CHICO” voz e violão produção independente tem seu 2º CD “IMPOSSIVEL ESQUECER” gravado em 2009, produção independente de Dé Barrense em parceria com Venicio Assunção. O seu terceiro trabalho, com o titulo “POESIAS E CANÇÕES”, à convite do escritor e jornalista Valdeck Almeida de Jesus para musicá-los 14 poesias do livro o Feitiço contra o Feiticeiro do Escritor Valdeck, e no filme Espelho D´água tem trecho da sua musica “FUMAÇA BRANCA” fazendo parte da trilha sonora do mesmo, que é musica do CD Barrancos do Velho Chico.

___________________________________ O CD BARRANCOS DO VELHO CHICO
É um trabalho independente gravado em 2000, onde relato a vida do povo ribeirinho as margens do Rio São Francisco, suas belezas, alegrias, sofrimentos e cultura, letras de músicas dos meus antepassados que ficaram em minha memória. Relato em algumas músicas o desvio do rio São Francisco, porque tendo Deus arquitetado o mesmo só Ele poderá mexê-lo. Ainda lembro quando os “vapores” chamados de gaiolas navegavam, nas águas do velho Chico, tudo isso me fez escrever, o CD BARRANCOS DO VELHO CHICO e a herança do passado jamais posso esquecer, porque também fui filho de pescador daquelas águas barrentas, que muito naveguei e muito me banhei.

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O TEMPO DE VOLTA
Por Sérgio Gibim Ortega Tempo... quanto tempo, trouxe-me uma saudade perto de mim... Tempo... já faz muito tempo que vivo sofrendo assim. Se eu pudesse reviver o passado, queria trazer ao meu lado... você de volta pra mim. Mas o que me importa, se foi a distância ou o destino que nos separou. Se o tempo faz saudade, na minha memória a saudade trouxe você de volta pra mim. Que importa?

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GIRASSOL
Por Ju Petek

Gira Girassol Gira ao sol o girassol gira a si mesmo gira lento gira quente busca efêmera da luz um perfume inexistente clara evidente que traga a mente gira disforme a busca da luz traz no circulo a alma afundada atormentada acorrentada. Gira estonteante apalpante dilacerante. Gira girassol a procura do sol ahhhhhh ...... que venha invadir inundar iluminar retornar à essência em ser apenas um lindo girassol

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Carrossel da Irmandade da Vida
Por Jania Souza
Em borbulhas de amor, dedo da Criação descerra névoa da escuridão na revelação dos dias. Seu sopro, berço suntuoso da vida abre as páginas da poesia escrita com a raridade e a perfeição ímpar do Idealizador da beleza da diversidade da vida. Formas multiplicam-se do uni ao pluri em bandejas, verdes matas cerradas desertos de areia, de sal, de gelo e até de almas... A vida espalha-se por terras, rios e ar na enchente de viventes sobre campos, oceanos, montanhas até nas profundezas desconhecidas por todos os mortais donde se ouve o silêncio do canto das flores sepultura da paz, outrora reino do horizonte sem fim no abraço à eternidade em pleno arrebol de alegria infinda. Gotas de orvalho são lágrimas de prazer sobre a magia debulhada da diversidade da vida. A passarada entoa convite à reflexão sobre caos no planeta. O arco-íris, essência da própria felicidade, sorri e todos se encantam com a mensagem das cores e o milagre da vida repete-se simples, constante, sem fim. Tórrido vendaval esse amor aos sentidos

secreto segredo da abelha rainha imã na atração à beleza da diversidade da vida. Seu voo ébrio entre aromas sensuais e díspares polemiza luxúria no mágico distúrbio de infindos tons irresistível porta aos pecados humanos mundanos rico oceano em fulgor, variedade de infinitas espécies empréstimo ao brilho da harmonia do poder do universo. Nem mesmo os parcos jardins de espinhos e egoísmo ego (veneno aterrador a devastar a vida no ecossistema) conseguem destruir a força da restauração dos sábios dedos das crianças resistência aguerrida na preservação de todas as espécies. Ante a resposta dos vivos à necessidade da vida a Criação em sinfonia rejubila-se com a variedade diversa da vida numa beleza de encanto único, imperdível! Maravilha magnífica de todos os sentidos permeia a relação de baleias, homens, rouxinóis, andorinhas comunhão do cosmo com o carrossel da irmandade da vida.

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DICIONÁRIO DE MULHERES
Uma obra que você não pode deixar de ter!

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RÁDIO RAIZONLINE
(http://www.raizonline.com/radio) Com uma equipe de cultura de primeira qualidade como: ARLETE PIEDADE – DANIEL TEIXEIRA – JOÃO FURTADO – JOAQUIM SUSTELO – MAGDA e muitos outros valores da cultura de língua portuguesa.
Daniel Teixeira «Raizonline em Palavras Ditas» todas as 2ªs Feiras das 22 h às 24 horas, com resumo e comentários sobre os textos publicados no Jornal Raizonline da semana publicado no dia. «Amigos de Sempre» Todos os sábados das 22 às 24 horas (hora portuguesa) é um programa de poesia / literatura / cultura geral lusófona e universal analisada e comentada.

Arlete Piedade Ouçam o meu programa Falar Poesia no horário das 23h à 2h da madrugada de quarta para quinta - feira !
Musica, Divulgação de Poesia e Amizade. Podem enviar para o meu e-mail: arletepiedade@raizonline.org poemas da autoria dos próprios e histórias curtas passadas na vossa vida ou de que tenham conhecimento e queiram partilhar. Para o Brasil no horário das 19 h ás 22 h de quarta - feira. América Latina e restantes países ver horas correspondentes neste Mapa dos Fusos Horários Mundiais: http://24timezones.com/hora_certa.php e lusófonos aqui.

Ouça o Programa de Joaquim Sustelo, SABOREANDO, às terças feiras, das 22 às 24 horas, nesta rádio. Musica e muita poesia declamada.

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Genebra

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O PEDREIRO E O ESCRITOR

Por Maria de Fatima Barreto Michels

Muito atento ao seu trabalho, ele estava sempre lá. Fazendo o piso, assentando tijolos, colocando tubulações, reboco e revestimento cerâmico. Sem elevador, subíamos seis andares diariamente, acompanhando e fotografando a obra. Achei interessante a superfície daquele banco. Sobre aquele tosco banco o Manoel recortava com a serra mármore, ou maquita como ele dizia, os pisos e azulejos nos tamanhos necessários. A tábua que formava a parte do assento do banco estava a cada dia com mais sulcos, linhas retas que se cruzavam. Ali também ficavam pequenas porções de massa que respingavam quando o pedreiro subia para fazer o emboço na parte mais alta da parede da churrasqueira. Comecei a clicar semanalmente o banco e o fazia em horários diversos para obter tons que variassem. Com alternadas posições do sol no bairro Mar Grosso, eu ficava observando a história que, numa linguagem diferente, ia sendo escrita na madeira daquele banco. Em outro continente, na cidade de Genebra, uma escritora também criava, digitando no computador, as suas linhas. Antes de eu começar a observar a construção, outros homens já haviam trabalhado muito por ali, finalmente vieram o pintor, o carpinteiro, e o eletricista e todos eles continuaram a utilizar o banco. Muitas pessoas trabalhavam e cada qual ia deixando seu autógrafo, naquele prédio. Lá da Suíça a Jacqueline convidava poetas e contistas, através da internet, para que juntos erguessem uma obra em forma de palavras. Um dia a escritora contratou a publicação dos textos de 38 brasileiros, dos quais entre ela uma dezena de lagunenses. Eu e Isabella, estudante de design industrial, sugerimos fotos diversas para a capa do livro, mas para nossa surpresa, entre flores, céu e mar a editora escolheu justamente uma parte daquele assento de banco que reunia muitas marcas. Tais riscos, na imagem fotográfica, convergem para uma rachadura que há na tábua. A fresta forma uma linha que liga horizontalmente ou, pode-se dizer, na qual estão dependurados muitos dos sinais de uma especial semiótica da construção civil. O livro se chama Varal Antológico, porque ele nasceu da revista virtual Varal do Brasil e trata-se de uma coletânea onde estão reunidos muitos autores. Fundamentada “numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado” poderíamos dizer que a fotografia, na capa do livro, conseguiu estender um metafórico varal. Um fio que começa com a escritora lá na Europa e vem até o pedreiro aqui no Brasil. Impossível aqui não me lembrar do filósofo e educador Paulo Freire: “Não há saber mais ou saber menos: Há saberes diferentes.” Diferentes meios e formas de expressão: na obra civil as ferramentas, na literatura as palavras. A foto da capa é o comprovante dos inúmeros operários que naquele banco nos ajudaram a estender o VARAL ANTOLÓGICO. Quem não gosta de poesia? Quem não precisa de um varal?
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