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INSTITUTO INTERCLASSE

CARLOS ALEXANDRE ROLOFF COSTA

CABOS ELÉTRICOS SUBTERRÂNEOS DE MÉDIA TENSÃO:


DESENVOLVIMENTO DE UMA PLANILHA PARA OTIMIZAÇÃO

BELO HORIZONTE
2019
INSTITUTO INTERCLASSE
CARLOS ALEXANDRE ROLOFF COSTA

CABOS ELÉTRICOS SUBTERRÂNEOS DE MÉDIA TENSÃO:


DESENVOLVIMENTO DE UMA PLANILHA PARA OTIMIZAÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso – Artigo


Científico, apresentado ao Núcleo de
Trabalhos de Conclusão de Curso do
Curso de Pós Graduação Lato Sensu do
curso de Especialização em Energias
Renováveis, como requisito obrigatório
para a obtenção do grau de especialista.

BELO HORIZONTE
2019
CABOS ELÉTRICOS SUBTERRÂNEOS DE MÉDIA TENSÃO
Desenvolvimento de uma Planilha para Otimização

Carlos Alexandre Roloff Costa1


RESUMO

Quando do início do projeto de parques eólicos, o projetista depara-se com o problema de qual
diâmetro de cabo elétrico terá as menores perdas elétricas e que suportará a corrente elétrica
calculada para esse cabo. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi o de desenvolvimento de uma
planilha eletrônica em “Microsoft Excel” que efetue os cálculos automaticamente, através da entrada
de alguns dados técnicos, para o melhor desempenho dos cabos elétricos utilizando de parâmetros
determinados cientificamente e critérios especificados em normas técnicas nacionais e internacionais.
Como resultado chegou-se a uma planilha que realiza os cálculos, efetuando a otimização dos cabos
elétricos e facilitando o trabalho do projetista.

Palavras-chave: Otimização. Cabos. Eólicas. Energia. Perdas.

1Engenheiro Eletricista, graduado na Universidade Federal de Santa Catarina em 1998. Funcionário


da Eletrosul Centrais Elétricas.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................5
2 MÉTODOS E CRITÉRIOS PARA CÁLCULOS ....................................................7
2.1 Capacidade de Corrente ...................................................................................7
2.1.1 Tipo de Instalação...........................................................................................7
2.1.2 Temperatura ...................................................................................................8
2.1.3 Resistividade Térmica do Solo........................................................................8
2.1.4 Capacidade de Condução de Corrente ...........................................................8
2.2 Queda de Tensão .............................................................................................9
2.3 Perdas por Efeito Joule .....................................................................................10
2.4 Fatores de Agrupamento ..................................................................................10
3 CÁLCULOS ..........................................................................................................11
3.1 Capacidade de Corrente ...................................................................................11
3.2 Queda de Tensão .............................................................................................11
3.3 Perdas por Efeito Joule .....................................................................................12
4 IMPLEMENTAÇÃO DA PLANILHA .....................................................................13
5 CONCLUSÃO .......................................................................................................15
REFERÊNCIAS .......................................................................................................16
APÊNDICE A - Aba de Dimensionamento da Planilha de Otimização ..............18
APÊNDICE B - Aba de Leitura de Dados da Planilha de Otimização ................20
5

1 INTRODUÇÃO

Um problema que se coloca quando do início do projeto básico de um parque


eólico é a falta de softwares específicos destinados ao projeto de redes elétricas em
média tensão. Propõe-se com este trabalho o desenvolvimento de uma planilha, em
“Microsoft Excell”, que realize os cálculos para “otimização” dos cabos elétricos que
fazem parte da estrutura da rede elétrica de um parque eólico. Desta maneira,
simplificando o trabalho de cálculos por parte do projetista, para um melhor
desempenho dos cabos elétricos.
Uma rede coletora de média tensão (RMT) contempla a interligação elétrica
entre os aerogeradores de todas as usinas e a subestação coletora (SE), geralmente
na tensão fase-fase de 34,5 kV, de forma a escoar a energia produzida pelo parque
eólico. A concepção dos projetos, normalmente, é de linhas trifásicas de cabos
unipolares isolados dispostos em trifólio, diretamente enterradas, em valas ao longo
do parque. Cada usina é composta por agrupamentos de aerogeradores e possui de
1 a 4 circuitos, os quais interligam agrupamentos de máquinas fisicamente próximas,
e estes a SE.
Também, devem ser definidos os agrupamentos de circuitos e as rotas de
cabos para a interligação a SE, para dimensionamento e levantamento da
quantidade de cabos.
O presente estudo inicia com os cálculos para o dimensionamento técnico dos
condutores (em alumínio) subterrâneos de energia em média tensão do sistema 34,5
kV de uma usina eólica hipotética de 5 aerogeradores (2 MW/aerogerador),
conforme a figura 1, atentando para os requisitos de capacidade de condução de
corrente, queda máxima de tensão e fatores de agrupamento, com as respectivas
perdas elétricas acarretadas com as bitolas definidas.
Depois de definidos os critérios que são utilizados para os cálculos dos cabos
elétricos, se implementará as equações na planilha e como resultado final pretende-
se obter uma planilha que realize os cálculos automaticamente, fornecendo o cabo
elétrico “ótimo” para determinado arranjo de aerogeradores, facilitando o projeto dos
parques eólicos para o responsável pelo projeto.
6

Figura 1 – Configuração do Parque Eólico


Fonte: Autoria Própria
7

2 MÉTODOS E CRITÉRIOS PARA CÁLCULOS

Os critérios técnicos de dimensionamento aplicados seguiram a norma ABNT


NBR 14039 – “Instalações elétricas de média tensão de 1,0 a 36,2 kV”. E, as
capacidades de corrente foram calculadas conforme a norma ABNT NBR 11301 –
“Cálculo de capacidade de condução de corrente de cabos isolados em regime
permanente (fator de carga 100%)”.

2.1 Capacidade de Corrente

A determinação da seção dos cabos foi realizada através da consideração da


corrente máxima admissível em regime permanente de modo a que não se verifique
o sobreaquecimento destes devido à passagem de corrente, podendo a corrente
elétrica danificar as características dos materiais constituintes do condutor.
Para os cálculos das seções dos cabos de energia e, por conseguinte a
capacidade de corrente (também chamada de “ampacidade”) considera-se os
critérios definidos a seguir.

2.1.1 Tipo de Instalação

Cabos diretamente enterrados a uma profundidade de 1,2 m e instalados em


trifólio, conforme a figura abaixo:

Figura 2 – Detalhe Típico de Instalação


Fonte: Autoria Própria
8

Conforme a tabela 25 da NBR14039 o método de instalação dos cabos a ser


utilizado é o de referência “H”.

2.1.2 Temperatura

Quanto à temperatura, admitiu-se uma máxima de 105°C no cabo condutor e


mínima de 25°C no solo, que é uma abordagem mais conservadora.
Assim, conforme a tabela 32 da NBR 14039, para cabos tipo EPR (Etileno
Propileno de Alta Pureza), nessas temperaturas fez-se necessário a utilização de um
fator de correção na capacidade de corrente de 0,96.

2.1.3 Resistividade Térmica do Solo

Para os cálculos de dimensionamento, o valor de 2,5 K.m/W será utilizado


como base. Posteriormente, este valor deve ser confirmado quando da
apresentação do relatório de medição de resistividade do solo.
Desta forma, o fator de correção para Resistividade Térmica do Solo a ser
utilizado será de 1,0 conforme tabela 33 da NBR 14039.

2.1.4 Capacidade de Condução de Corrente

Para os cálculos elaborados neste trabalho, são considerados os valores de


capacidade de condução de corrente dos cabos presentes na tabela 31 da NBR
14039, a fim de certificar que a instalação futura esteja operando devidamente,
independente do cabo efetivamente utilizado.

Tabela 1 – Capacidade de condução de corrente


(continua)

Bitola (mm²) I (A) I' (A)


50 126 121
70 154 148
95 183 176
120 208 200
150 232 223
9

Tabela 2 – Capacidade de condução de corrente


(conclusão)

Bitola (mm²) I (A) I' (A)


185 262 252
240 304 292
300 342 328
400 391 375
500 444 426
Fonte: NBR 14039

Onde:

 I é a capacidade de condução de corrente conforme item (2.1.1).

 I’ é a Capacidade de condução de corrente corrigida conforme itens (2.1.2)


e (2.1.3).

2.2 Queda de Tensão

A condição de queda de tensão garante que os circuitos funcionem à tensão


nominal. Assim, admitiu-se uma queda de tensão máxima por circuitos de 5%.

Fórmula utilizada:

V  k  d  I  ( Rca  cos  Xl  sen )

Onde:

∆V Queda de tensão (V)


K √3 (circuitos trifásicos)
D Comprimento do circuito (km)
I Corrente nominal (A)
Rca Resistência elétrica em corrente alternada
Xl Reatância
(ohm/km) indutiva (ohm/km)
cos Φ Fator de Potência
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Tabela 2 - Resistência e reatância dos cabos


Bitola (mm²) Rca (ohm/km) Xl (ohm/km)
50 0,8607 0,1719
70 0,5950 0,1576
95 0,4299 0,149
120 0,3400 0,144
150 0,2770 0,139
185 0,2207 0,130
240 0,1685 0,125
300 0,1352 0,122
400 0,1056 0,117
500 0,0828 0,113
Fonte: Catálogo da General Cable (EEN2-E-ATMA-RMT-E00-0001)

Para simplificar os cálculos, já que a multiplicação da reatância pelo seno


resulta em um valor insignificante, desconsidera-se este fator na equação.

2.3 Perdas por Efeito Joule

Considera-se como um valor aceitável uma perda elétrica máxima por circuito
na condição de geração nominal dos aerogeradores de 2%.

2.4 Fatores de Agrupamento

Os agrupamentos de circuitos são definidos conforme as rotas de cabos


elétricos ao longo do parque.
Para o método de instalação referenciado, foi utilizada a aplicação dos fatores
de agrupamento conforme tabela 38 da NBR 14039:2005, a saber:

Figura 3 – Fatores de Agrupamento


Fonte: NBR 14039:2005
11

3 CÁLCULOS

Para simplificar e facilitar o entendimento do processo de cálculo optou-se


pela utilização de apenas o primeiro circuito da usina eólica (trecho 1) utilizada como
exemplo na figura 1.

3.1 Capacidade de Corrente

Corrente fornecida por cada aerogerador (In):

P=2MW

V=34,5 kV

In=P/(fp.V.√3) → In=35,23 A

Então, para o trecho 1, com uma distância até o próximo aerogerador de 800
metros, utilizando um cabo de 50mm2:

Itrecho 1=126*0,96*1*1=120,96A

Como a corrente nominal é de 35,27 A, então o cabo de 50 mm 2 está


adequado para o critério utilizado!

3.2 Queda de Tensão

∆V = k ∗ d ∗ I ∗ Rca ∗ cos ∅
∆V = √3 ∗ 0,800 ∗ 35,23 ∗ 0,8607 ∗ 0,95
∆V = 39,91V→ ∆V = 0,116%

A queda de tensão máxima calculada foi de 0,116% no circuito do primeiro


trecho, valor inferior a 5%, que fora definido como limite.
Ou seja, pelo critério de queda de tensão, a mínima seção do condutor que
conectará o aerogerador 1 ao aerogerador 2 seria de 50 mm².
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3.3 Perdas por Efeito Joule

P = 3 ∗ Rca ∗ d ∗ In2
P = 3 ∗ 0,8607 ∗ 0,800 ∗ 35,232 → P = 2,56 kW

Considerando a potência do primeiro aerogerador de 2 MW → 𝑃 = 0,128%


Logo, a perda está abaixo de 2% para o cabo de 50 mm 2.
Desta maneira, como todos os critérios foram satisfeitos, considera-se o cabo
de 50 mm2 para o trecho 1.

Se um dos critérios não for atingido com o cabo selecionado, escolhe-se outro
cabo até que todos os critérios sejam satisfeitos. Deve-se adotar sempre o cabo
escolhido para o critério mais restritivo!
Os cálculos para os outros trechos do parque seguem o mesmo raciocínio.
Assim temos:

Tabela 3 – Diâmetros dos cabos por circuito


Circuito Nº Aeros Cabo (mm2)
AE01-AE02 1 50
AE02-AE03 2 95
AE03-AE04 3 120
AE04-AE05 4 150
AE05-SE 5 240
Fonte: Autoria própria
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4 IMPLEMENTAÇÃO DA PLANILHA

A planilha deverá ler os dados iniciais, tais como, potência ativa, tensão, fator
de potência, temperatura do solo, resistividade térmica, perda máxima e queda de
tensão máxima admitida.

Figura 4 – Dados para a planilha eletrônica


Fonte: Autoria Própria

Após a leitura dos dados de entrada, acrescentam-se os circuitos que


conectam os aerogeradores conforme a figura 3.
As equações consideradas nos cálculos anteriores serão inseridas nas
células da planilha conforme a diagramação que consta nas figuras abaixo e o
apêndice A.

Figura 5 – Equações da planilha eletrônica


Fonte: Autoria Própria

Figura 6 – Equações da planilha eletrônica


Fonte: Autoria Própria

Para facilitar a visualização, quando da utilização da planilha, optou-se por


inserir uma formatação condicional na célula correspondente aos critérios
estabelecidos nas seções anteriores, a qual se tornará vermelha quando
determinado critério for extrapolado, assim o projetista poderá facilmente alterar o
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diâmetro do cabo elétrico na célula correspondente determinando assim o melhor


cabo para aquela determinada condição.
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5 CONCLUSÃO

O objetivo a que este trabalho se propôs foi atingido, a planilha eletrônica


resultante atende perfeitamente aos requisitos impostos anteriormente.
Deve-se considerar que existem diversas configurações de parques eólicos e
com uma grande variedade de usinas eólicas assim, quando da inserção dos
circuitos das usinas na planilha o projetista obriga-se a levar em conta estes
diferentes aspectos e atualizar a planilha conforme o projeto considerado. Mas, pelo
demonstrado nas seções anteriores, ficou esclarecido que é de simples
entendimento os passos para a montagem da planilha eletrônica.
Acrescenta-se que este trabalho não esgota a possibilidade de melhorias à
planilha, sugerindo-se o acréscimo de nível de curto-circuito dos cabos, custo total
dos cabos, fator de carga ou fator de capacidade, etc. Inclusive, pode-se
implementar a planilha em um software utilizando-se de uma linguagem de
programação direcionada a engenharia, tal como “python” ou equivalente.
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REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11301: Cálculo de


capacidade de condução de corrente de cabos isolados em regime permanente
(fator de carga 100%). 1. Ed. Rio de Janeiro, 1990.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14039: Instalações


elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV. 2. Ed. Rio de Janeiro, 2005.

ELECTRA N128 – Guide to protection of specially bonded cable systems


against sheath overvoltage.

ELETROSUL. EEN2-E-ATMA-RMT-E00-0001-0: Cerro Chato – Entorno 2 - Rede


de Média Tensão 34,5 kV – Catálogos de Materiais. Florianópolis, 2014.

ELETROSUL. EEN2-E-ATMC-RMT-E02-0001-1: Cerro Chato – Entorno 2 - Rede


de Média Tensão 34,5 kV – Memorial de Cálculo de Cabos. Florianópolis, 2014.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U15-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U16-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U17-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U18-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U19-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U20-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.
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ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U40-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

ELSEWEDY CABLES. AX5-TX01-U50-00-00-TO (Option 3): Technical Sheet.


Cairo, 2013.

IEC 60287-1-1 – Eletric Cables – Calculation of the current rating – Part 1-1:
Current rating equations (100% load factor) and calculation of losses –
General.

IEC 60949 – Calculation of thermally permissible short-circuit currents taking


into account non-adiabatic heating effects.

NEXANS. Manual Técnico. Aplicações recomendadas para os fios e cabos de


BT e MT. Rio de Janeiro, maio 2013.

OLIVEIRA, Fabio Gabriel de – Estudo de instalações de linhas subterrâneas em


alta tensão em relação a campos magnéticos. Ed. rev.São Paulo, 2010.

OLIVEIRA, C. M. P; NEVES, R. N. F; DOS SANTOS, T. F. F. Memória Descritiva e


Justificativa: Urbanização Energia NR08 – Média Tensão. Cidade do Porto, 2007.
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APÊNDICE A - Aba de Dimensionamento da Planilha de Otimização


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APÊNDICE B - Aba de Leitura de Dados da Planilha de Otimização


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