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Introdução

Segundo uma excelente publicação de Fonseca (2004) o Montado é um sistema agro-silvo-pastoril que surgiu como
forma de responder às necessidades da comunidade humana no seio do sistema natural Ibérico em que se insere. A
intervenção humana no seu entorno, marcou a paisagem de maneira irreversível, num processo cumulativo onde
diversos factores socio-económicos e ecológicos se conjugaram para criar um sistema de grande riqueza biológica e
cultural.
Como agro-sistema que é, ocorre de uma substituição dos equilíbrios naturais por outros mediados pelo homem e mais
ou menos estáveis. A estabilidade que este sistema revela resulta do equilíbrio da intervenção da comunidade humana
no bosque original que, apesar de profunda e continuada, tem sabido respeitar os limites deste.
Como sistema semi-natural, o Montado tem mantido uma resiliência significativa, albergando uma riqueza biológica
notável. O equilíbrio deste sistema resulta de uma evolução gradual da intervenção do Homem, sabiamente adaptada às
potencialidades e limitações do meio.
Enquanto, por um lado, se tem observado uma intensificação na exploração do sistema, diversos factores socio-
económicos têm conduzido, noutras situações, a um abandono do Montado, com o regresso do sistema a formações
próximas do bosque mediterrânico. Estes novos factores condicionantes implicam, por isso, a busca e o estabelecimento
de novos equilíbrios que permitam a manutenção do Montado. Adquire neste quadro, especial importância, a
compreensão em profundidade do funcionamento do sistema, da forma como surgiu e evoluiu, dos problemas que foram
surgindo e como foram sendo resolvidos, para melhor se saber como o gerir e manter no futuro.
Por outro lado, e baseando-nos na definição apresentada, torna-se uma mais valia da agricultura nacional a divulgação
deste ecossistema numa fase em que a política agrícola mundial exige a implementação de sistemas agrícolas
sustentáveis e preservadores do ambiente.

Enquadramento Técnico/Científico

A exploração do Montado é efectuada a vários níveis de acordo com os extractos ou comunidades de plantas nele
envolvidas:
1. Arbóreo – constituído por Quercíneas, em que se destacam o sobreiro (Quercus suber L.) e a azinheira (Q.
ilex L. ou rotundifolia Lam.);
2. Arbustivo – dominado pelos géneros Cistus, Ulex e Genista ssp., com particular relevância para a esteva
(Cistus ladanifer L.) e sargaço (C. monspeliensis L. ou salviifolius L.) ou o tojo (Ulex europaeus L.);
3. Herbáceo – composto por espécies pratenses anuais de ressementeira natural em que predominam as
famílias das Gramíneas e Leguminosas.
Trata-se de um sistema dinâmico em que a gestão humana consiste na preservação do primeiro extracto, produtor de
cortiça, fruto e rama para os animais e lenha; no controle do segundo, de menor interesse para alimentação animal e
maior para a multifuncionalidade (caça, mel, plantas aromáticas); e promoção ou melhoramento do terceiro, que
representa a base da alimentação animal praticada em regime extensivo.
Diversos factores actuam de forma distinta no ecossistema para criar uma grande diversidade de variantes o que
originou a sua compartimentação em três subsistemas para melhor enquadramento da abordagem técnico-científica:
• Solo – que engloba o meio físico envolvente do ecossistema;
• Planta – reunindo a comunidade vegetal interveniente no sistema de produção;
• Animal – envolvendo os diversos sistemas de produção animal praticados.
Em virtude da flexibilidade em termos de usos e complementaridade de recursos o Montado apresenta uma resiliência e
biodiversidade florística e faunística muito elevadas.
O Homem como parte integrante e fundamental deste ecossistema foi o seu criador através da acção arroteadora, cuja
intervenção mais ou menos intensiva influenciou definitivamente a transformação do primitivo bosque mediterrânico,
tendo provocado em casos extremos o seu desequilíbrio por excesso de extracção de recursos ou inversamente a
involução ao estado natural primitivo decorrente do abandono e dificuldade em obter recursos. De qualquer forma, e de
uma maneira generalizada, o Montado teve repercussões ao nível da comunidade humana estabelecida à sua volta,
criando uma estrutura em torno do ecossistema, um conjunto de profissões, normas e práticas dele indissociáveis.
Assim, ele é o responsável por todo um modo de vida e cultura, que são patentes na diversidade dos produtos que dele
emanam, que associados à forma adquirida pela paisagem de montado, são condicionadores de uma identidade típica
que se torna evidente na pintura, na literatura, mas também nos cantares, na arquitectura, na forma de explorar a terra,
nos ciclos que se sucedem com o seu encadear de actividades.
Algumas práticas antigas ainda permanecem, já descontextualizadas, dificultando a adaptação do sistema às actuais
formas de exploração agrária. Outras novas foram surgindo, algumas delas bem adaptadas a este ecossistema, outras
ainda, causando perturbações mais ou menos graves.
O estudo do Montado já conta com muitos autores que sobre ele se debruçaram tendo Fonseca (2004) apresentado
uma revisão que contempla trabalhos sobre os processos sofridos, problemática geral, paisagem e seu enquadramento
na paisagem agrária em geral ou nos sistemas agrícolas, conceitos do ecossistema, suas transformações, aspectos
relacionados com ecologia e fisiologia e outros. Também Potes (2000), em trabalho apresentado sobre a panorâmica da
investigação agro-silvo-pastoril em Portugal, concluiu que o país e o Alentejo, em particular, têm trabalho realizado,
capacidade e potencial para aprofundar a investigação no domínio dos sistemas agro-silvo-pastoris, tendo-se investido
entre 1995 e 2000 cerca de 8.122.000 em projectos de investigação que envolveram 6 Universidades, 2 Institutos
Politécnicos, 4 Institutos Públicos ligados à investigação, 4 Associações de Produtores e 2 Empresas privadas.
Constata-se portanto que existe saber, conhecimento empírico, técnico e científico e também histórico sobre o
ecossistema. Todavia ele encontra-se disperso, desagregado e muito embora com investimento efectuado na sua
valorização, directa ou indirectamente, falta sobretudo coordenação e abordagens holísticas ao estudo dos problemas
que ainda persistem no ecossistema.
Em projectos anteriores ou trabalhos desenvolvidos foi iniciado o estudo e adquirido algum conhecimento em áreas como
o melhoramento de pastagens, sistemas de pastoreio, diversos sistemas de produção animal em pecuária extensiva,
englobando portanto dois dos subsistemas (planta e animal) e sobretudo um dos extractos anteriormente referidos
(herbáceo).
Três razões fundamentais justificaram a apresentação do projecto Agro 49 que agora termina:
1. Garantir a continuidade de estudos com dois anos de trabalho, cujo projecto terminou e a consequente
interrupção, para fundamentar resultados, é incompatível com a irregularidade climática do clima
mediterrânico;
2. Alargar os trabalhos a outros sectores do ecossistema, numa perspectiva de visão mais integrada do mesmo,
embora não fosse ainda possível a necessária abordagem mais aprofundada ao extracto arbóreo;
3. Investir na avaliação da rotatividade das operações de intervenção no ecossistema e da sua sustentabilidade,
tendo presente que a duração do projecto não é conciliável com resultados conclusivos relativamente a
processos em que o factor tempo é decisivo.
Neste contexto o enquadramento do trabalho desenvolvido na valorização do Montado deverá ser entendido como um
contributo para quantificação de factores produtivos que desempenham papéis importantes no seu funcionamento, no
pressuposto de que são subsistemas integrados num sistema produtivo bastante mais vasto e complexo, cuja avaliação
global exige um investimento correspondente com a dimensão apresentada.

Objectivos

Conforme referido no nº 7 do formulário de candidatura foram objectivos deste projecto:


• Avaliar e caracterizar um esquema alimentar adaptado às disponibilidades dos recursos naturais através da
caracterização do valor nutritivo dos alimentos (indicadores biológicos);
• Acompanhar o maneio dos sistemas de produção animal e sua interacção com o meio físico (indicador físico);
• Avaliação de aspectos económicos relacionados com a produtividade animal e viabilidade do ecossistema;
• Divulgação do ecossistema Montado.

Equipa do Projecto

Apresentando como entidades participantes a Estação Nacional de Melhoramento de Plantas (ENMP) - Líder, a Direcção
Regional de Agricultura do Alentejo (DRAAL), a Associação Portuguesa de Caprinicultores da Raça Serpentina (APCRS),
a Associação de Criadores dos Bovinos Mertolengos (ACBM) e a Estação Zootécnica Nacional (EZN) constituíram
efectivamente equipa do projecto os seguintes elementos:
José Mira de Villas-Boas Potes – chefe de projecto e coordenador (ENMP);
Dolores del Rocio Navas Ramírez-Cruzado – tratamento dos resultados e trabalhos (ENMP);
Helena Cristina de Ornelas Babo – execução das tarefas de campo e trabalhos (APCRS);
Carla Alexandra dos Reis Morais e Joana Patrícia Ribeiro Lopes – execução de tarefas de campo (ACBM);
Teresa Vacas de Carvalho P. Dentinho – análises de valor nutritivo dos alimentos (EZN).
Síntese dos Trabalhos

Os trabalhos de campo em ensaios realizados foram executados sob a forma de tarefas cometidas às Associações
participantes (APCRS e ACBM) e consistiram:
• Recolha anual de amostras de solo, realizada no princípio do Outono, antes do inicio do ciclo anual da
pastagem;
• Registo da composição florística da pastagem e recolha de amostras para análise de valor nutritivo antes da
entrada dos animais nos ensaios;
• Selecção e distribuição dos diversos núcleos de bovinos, ovinos e caprinos pelos respectivos locais de ensaio,
efectuado quatro vezes anualmente segundo as estações do ano;
• Registo do comportamento animal em pastoreio efectuado durante a permanência semanal dos animais nos
locais de ensaio;
• Registo da composição florística da pastagem e recolha de amostras para determinação da matéria seca após
a saída dos animais do ensaio;
• Registo dos movimentos de animais na exploração e por folha do parcelário.

A DRAAL enquanto participante e responsável pela exploração da herdade da Contenda onde se desenrolou o projecto,
para além de ceder a exploração para efeitos de estudos, contribuiu com os recursos humanos e animais para a
realização dos ensaios, executou anualmente o plano de desmatação e sementeira de culturas forrageiras anuais e
colaborou nas acções de divulgação organizadas na exploração durante a execução do projecto.
As amostras de terra recolhidas foram analisadas pelo Laboratório de Química da Escola Superior Agrária de Elvas. As
amostras de pastagem, rama de azinheira, bolota e esteva foram analisadas pelo Laboratório de Nutrição da EZN. Todos
os resultados obtidos foram trabalhados sob coordenação da ENMP, instituição líder do projecto, que também coordenou
as acções de divulgação efectuadas e a execução dos trabalhos em DVD para promoção/divulgação do Montado e do
projecto. Foram também organizadas diversas visitas a explorações de Montado em Espanha para acompanhamento e
estudo das operações de intervenção no ecossistema desta região.

Resultados Divulgados

Neste capítulo incluem-se os trabalhos elaborados no âmbito do projecto apresentados e a apresentar em reuniões,
congressos e seminários ou publicados.

1. “Evolução das características do solo submetido a diferentes tratamentos de melhoramento de pastagens e


sistemas de pastoreio”
Autores: Pereira, E., Babo, H., Potes, J., Navas, D. e Campos, A.
Encontro: XI Congresso de Zootecnia “A Zootecnia nas regiões ultraperiféricas da UE” realizado no Funchal, ilha da
Madeira de 15 a 17 de Novembro de 2001.
Apresentação: comunicação oral por Helena Babo na sessão 10 – Pastagens.
Publicação: Livro de resumos do congresso pp. 171.

2. “Demonstração da sustentabilidade da pecuária extensiva praticada no ecossistema Montado –


Autores: José Mira Potes e Helena Babo.
Apresentação: artigo de divulgação.
Publicação: Revista Investigação Agrária, Junho de 2002, Ano 4 nº6 pp. 56-57.

3. “The effect of polyethylene glycol addition on the in vitro ruminal fermentation characteristics of holm oak
leaf (Quercus ilex L.)”
Autores: Moreira, O. C., Dentinho, M.T.P., Pereira, E., Ribeiro, J.R. & Potes, J.M..
Encontro: International Symposium on Animal Production and Natural Resources Utilisation in the Mediterranean
Moutain Áreas, realizado em Ioannina, Epirus, Grécia em Maio de 2003.
Apresentação: poster com participação do primeiro autor.
4. “Montado’ an old system in the new millennium”
Autores: José Mira Potes & Helena Babo.
Encontro: VII International Rangeland Congress (IRC) “Rangelands in the New Millennium” realizado em Durban,
África do Sul de 26 de Julho a 1 de Agosto de 2003.
Apresentação: poster nº42 da sessão B2
Publicação: African Journal of Range & Forage Science, 2003, vol.20 (2) pp.131-146.

5. “Soil evolution under distinct grazing and pasture improvement systems”


Autores: Potes, J., Babo, H. & Navas, D..
Encontro: International Symposium on Sustainability of Dehesas, Montados and other agrosilvopastoral systems
realizado em Cáceres, Espanha de 21 a 24 de Setembro 2003.
Apresentação: comunicação oral por J. M. Potes na sessão VII.
Publicação: Livro de resumos pp. 100.

6. “Pecuária extensiva alentejana: melhoramento através de boas práticas”


Autor: José Mira Potes.
Encontro: “Boas práticas agrícolas, silvícolas e pecuárias no contexto da margem esquerda do Guadiana”
conferências e sessão de demonstração realizada na herdade de Vale Formoso, em Vale do Poço a 31 de Outubro
de 2003.
Apresentação: comunicação oral pelo autor.
7. “Demonstração da sustentabilidade da pecuária extensiva praticada no ecossistema ‘Montado’ – projecto
Agro 49”
Autor: José Mira Potes.
Encontro: I Jornadas da cabra Serpentina integradas na IV Feira do Montado realizadas em Portel a 28 de Novembro
de 2003.
Apresentação: comunicação oral pelo autor.
8. “Apresentação e integração da pecuária extensiva”
Autor: José Mira Potes
Encontro: Ciclo de palestras “Bases para a Pecuária Extensiva” realizada na ENMP a 27 de Janeiro de 2004.
Apresentação: comunicação oral pelo autor.
Publicação: Boletim da SPPF nº 9 pp. 6-15.
9. “Apresentação do Montado e da Pecuária Extensiva”
Autor: José Mira Potes
Encontro: “Montado, um sistema antigo no novo milénio” organizado pela APEZ em Évora nos dias 16 e 17 de Abril
de 2004.
Apresentação: comunicação oral pelo autor.

10. “Influência do melhoramento de pastagens no comportamento do animal em pastoreio”


Autores: Babo, H., Lopes, J., Navas, D. e Potes, J..
Encontro: XIV Congresso de Zootecnia “A Zootecnia – O Futuro” realizado em Angra do Heroísmo na ilha Terceira
nos Açores de 7 a 9 de Outubro de 2004.
Apresentação: comunicação oral pela primeira autora.
Publicação: aguarda publicação na revista portuguesa de Zootecnia.

11. “Apresentação do projecto Agro – 49 ‘Demonstração da sustentabilidade da pecuária extensiva praticada no


ecossistema Montado’”
Autor: José Mira Potes
Encontro: XXVI Reunião de Primavera da SPPF “Pastagens e Forragens no Montado” a realizar em Portalegre de 20
a 22 de Abril de 2005.
Apresentação: conferência pelo autor na primeira sessão.
12. “Evolução do solo sujeito a diferentes sistemas de pastoreio e melhoramento de pastagens”
Autores: Navas, D., Babo, H. e Potes, J.
Encontro: XXVI Reunião de Primavera da SPPF “Pastagens e Forragens no Montado” a realizar em Portalegre de 20
a 22 de Abril de 2005.
13. “Influência do valor nutritivo da pastagem no comportamento do animal em pastoreio”
Autores: Lopes, J., Babo, H., Brites, C., Navas, D. e Potes, J.
Encontro: XXVI Reunião de Primavera da SPPF “Pastagens e Forragens no Montado” a realizar em Portalegre de 20
a 22 de Abril de 2005.

14. “Influência da composição florística da pastagem no comportamento do animal em pastoreio”


Autores: Babo, H., Lopes, J., Navas, D. e Potes, J.
Encontro: XXVI Reunião de Primavera da SPPF “Pastagens e Forragens no Montado” a realizar em Portalegre de 20
a 22 de Abril de 2005.

15. “Evolução do ensaio de melhoramento de pastagens”


Autores: Pereira, E., Campos, A., Babo, H., Navas, D. e Potes, J.
Encontro: XXVI Reunião de Primavera da SPPF “Pastagens e Forragens no Montado” a realizar em Portalegre de 20
a 22 de Abril de 2005.

16. “Avaliação de complementos alimentares em pecuária extensiva”


Autores: Dentinho, T., Navas, D. e Potes, J.
Encontro: XXVI Reunião de Primavera da SPPF “Pastagens e Forragens no Montado” a realizar em Portalegre de 20
a 22 de Abril de 2005.

17. “Improvement of the Mediterranean agrosilvopastoral system ‘Montado’”


Autores: Potes, J., Babo, H. & Navas, D.
Encontro: XX International Grassland Congress (IGC) “Grasslands – a Global Resource” a realizar em Dublin, Irlanda
de 26 de Junho a 1 de Julho de 2005.
Apresentação: poster na sessão Grassland Management.

Acções de Divulgação

Neste capítulo referiremos todas as acções de divulgação e demonstração promovidas e realizadas no âmbito do
projecto para além dos trabalhos mencionados no capítulo anterior.

a) Conferência: “Actuaciones para la restauracion de una Dehesa abandonada” proferida por Teodoro Montes Perez no
dia 27 de Junho de 2002 na ENMP. Embora promovida no âmbito de outro projecto relacionado com o Montado vem
na sequência das visitas efectuadas a explorações em Espanha para acompanhamento das operações de maneio e
implementação da rotação no ecossistema Montado.

b) Edição do Boletim da SPPF nº 8 que incluiu dois trabalhos sobre Montado:


1. “Forragens e Pastagens” da autoria de Alfredo Cunhal Sendim;
2. “Actuaciones para la restauración de una Dehesa abandonada: Dehesa de Santa Maria” da autoría de Teodoro
Montes Pérez.

c) Seminário subordinado ao tema “Bases para a Pecuária Extensiva” integrado num ciclo de palestras sobre
investigação em sistemas de agricultura mediterrânica promovido pela ENMP, que se realizou nesta Estação no dia
27 de Janeiro de 2004. Foram apresentadas três conferências e comentada a discussão por um relator.
d) Edição do Boletim da SPPF nº 9 que incluiu os trabalhos apresentados no seminário “Bases para a Pecuária
Extensiva” acima referido:
1. “Apresentação e integração da Pecuária Extensiva” por José Mira Potes;
2. “O papel dos Cereais Forrageiros” por Benvindo Maçãs;
3. “A importância das Pastagens” por João Paulo Carneiro;
4. Comentário do relator por Carlos Carmona Belo;
5. Relatório da discussão por Carlos Carmona Belo.

e) Apresentação do ecossistema Montado a uma delegação do CIHEAM constituída pelo secretário geral e
administrador principal, respectivamente Bertrand Hervieu e Plácido Plaza, acompanhados pela chefe de divisão de
relações internacionais do INIAP e que envolveu a equipa do projecto, o responsável pelo projecto de investigação
sobre Montado do INIAP e o responsável pelo Mestrado em Sistemas de Agricultura Mediterrânica da Universidade
de Évora.

f) Comparticipação para a organização das jornadas sobre o Montado promovidas pela APEZ-Sul e realizadas em Abril
de 2004, a 16 na herdade da Contenda e 17 em Évora. O programa constava da apresentação de diversas
comunicações nos dois dias a que se seguiram visitas aos ensaios do projecto Agro-49 no dia 16 e a uma exploração
de Montado no dia 17. Ainda no primeiro dia foi feita a apresentação do DVD sobre o Montado a seguir referido.

g) Produção de um DVD região 2 com a duração de 9’ 14” e o título “Ecossistema Montado – um sistema antigo no
novo milénio”. Trata-se de um trabalho de caracterização e divulgação do ecossistema, com guião de José Mira
Potes e produção de António Menezes Foto Vídeo em versão português e inglês.

h) Participação na Semana Tecnológica da Agricultura e Florestas – “Inovar a tradição, sustentar o desenvolvimento” da


acção 1, medida 8 do programa Agro, em que o projecto Agro-49 foi apresentado pelo seu responsável no painel
temático “Factores de produção e ambiente” que decorreu na EZN a 17 de Maio de 2004. Nesta oportunidade foi
apresentado o vídeo sobre o Montado a seguir referido.

i) Produção de um vídeo em VHS pal secam intitulado “O Ecossistema ‘Montado’” com a duração de 12’ 35” . Este
trabalho refere-se à abordagem ao ecossistema Montado por três técnicos: silvicultor, agrónomo e zootécnico, cuja
complementaridade e visão integrada do sistema é evidenciada. Foi produzido pelo CFPAV-Secretaria Geral do
MADRP em português, sendo a versão em inglês transposta para DVD pela Agri-Ciência.

j) Comparticipação na organização da XXVI Reunião de Primavera da SPPF cujo tema é “Pastagens e Forragens no
Montado” e se realizará em Portalegre de 20 a 22 de Abril de 2005. No programa da reunião consta a apresentação
do projecto Agro-49 na primeira sessão, onde se fará a sua apreciação geral e final. Em sessões distintas serão
apresentados 5 trabalhos do projecto.

Apreciação Global

Numa retrospectiva sobre o trabalho desenvolvido no âmbito do projecto Agro-49 que decorreu entre Novembro de 2001
e Fevereiro de 2005, e na qualidade de responsável pelo mesmo, poderemos congratular-nos pelos resultados
alcançados pela equipa que se constituiu, o relacionamento eficiente entre as entidades participantes e o regozijo pelos
contributos prestados à promoção do ecossistema Montado.
Em relação ao primeiro objectivo proposto foram apresentados valores para quantificar a produção de uma pastagem
permanente de sequeiro mediterrânico e a sua qualidade em termos de valor nutritivo (13 e 14), sendo conclusivo quanto
ao método de melhoramento mais eficaz (15). Contudo, confirmou-se a irregularidade da sua curva de produção anual
ficando claro a necessidade de recorrer a complementos alimentares (4, 6, 8 e 9). Destes, apresentaram-se valores para
a composição e valor nutritivo dos recursos naturais disponíveis nas épocas de carência da pastagem, nomeadamente
durante o período outonal (rama (3), esteva e bolota (16)). Comprovou-se a sua reduzida qualidade alimentar e a
necessidade de lhes associar outros alimentos para cobrir as deficiências nutricionais. Surge aqui a oportunidade de
outro tipo de complemento, que faz parte integrante do sistema, que é a cultura forrageira anual que se sucede à
desmatação. Esta contribui como alimento verde na época outonal e como alimento conservado através da produção de
primavera (4, 6, 8, b, d).
Quanto ao segundo objectivo e numa apreciação global dos trabalhos efectuados e apresentados, podemos deduzir da
vantagem na utilização das três espécies de ruminantes para um mais eficiente aproveitamento da pastagem (10, 13 e
14). Sendo indiscutível que existem diferenças no comportamento do animal em pastoreio de espécie para espécie, elas
no entanto complementam-se de forma a que no pastoreio misto das três espécies em simultâneo a evolução da
pastagem seja mais equilibrada (15). Este aspecto da interacção animal/pastagem está também directamente
relacionado com as preferências do animal em pastoreio, que igualmente se inclui no âmbito do comportamento do
animal em pastoreio, e que revelaram de uma forma geral uma valorização pelo animal do melhoramento de pastagens
(10, 13, 14, 15 e 17). Da interacção com o meio físico, no caso vertente avaliado pela evolução das características do
solo, o que se pode genericamente deduzir será o efeito positivo do melhoramento de pastagens e a atenção à extracção
de alguns micronutrientes por parte do animal em pastoreio (1, 5, 12).
O objectivo relacionado com os aspectos de avaliação económica do sistema está inteiramente em aberto o seu estudo.
Efectivamente durante a execução do projecto foram recolhidos uma série de dados inerentes aos diversos sistemas de
produção animal, a que se deverão associar resultados da eficiência dos tratamentos aplicados no melhoramento de
pastagens (15) e ao processo de desmatação e cultura forrageira que se lhe segue na rotação (a, b, c, d). Não foi
possível durante o projecto trabalhar toda esta informação não só pela falta de tempo como pela respectiva
complexidade. Fica contudo a percepção da maior eficiência evidenciada pelo tratamento 2 do melhoramento de
pastagens (correcção e fertilização do solo) (15) e pelo sistema de produção caprina (único que apresenta produção
mista de carne e leite).
No que diz respeito às acções de divulgação sobre o ecossistema Montado consideramos cumpridos e mesmo
ultrapassados os objectivos a que nos propusemos. A produção dos dois DVD sobre o ecossistema, sendo um mais
didáctico (g)e outro mais técnico (i) são um excelente auxiliar para o efeito. As acções de divulgação realizadas,
tratando-se umas de cariz mais técnico e prático (a, b)outras de carácter mais científico (c, e, h, j), foram em número que
suplantaram as expectativas iniciais. Finalmente os trabalhos apresentados e as publicações produzidas 17 no total são
em número que ultrapassa o que seria expectável num projecto de três anos e tratando de temas cujo factor tempo é
normalmente uma limitação à realização de trabalhos. De realçar que 2 foram aceites para os Congressos Internacionais
mais importantes nesta área do conhecimento (IRC e IGC) e outros 2 foram apresentados em Simpósios Internacionais
de âmbito mais específico.
Uma das razões que motivaram a apresentação da candidatura do projecto Agro-49 foi a avaliação da rotatividade de
operações de intervenção no ecossistema e sua sustentabilidade, o que significa que se pretendia acompanhar o
desenvolvimento da Rotação do Montado tal como foi definida nos trabalhos apresentados. A execução destas
operações na herdade da Contenda no âmbito do projecto produziu informação sobre desmatação, culturas forrageiras e
outros aspectos do maneio do ecossistema cujos dados são insuficientes para trabalhar. Para avaliar resultados práticos
de uma Rotação que por natureza própria terá que ser alargada no espaço e no tempo, servimo-nos de visitas de
acompanhamento a duas explorações em Espanha, onde se implementaram processos de recuperação de “Dehesas”
abandonadas, através das tecnologias apresentadas no âmbito deste projecto e que tiveram o seu início em 1997 (a, b)
num caso e 2003 no outro. Foi assim possível analisar resultados de operações de desmatação, efeitos da cultura
forrageira no meio físico e biológico, melhoramento da pastagem, ciclo do mato ou conclusão da rotação (i).
Ao terminar o projecto importa referir que nos trabalhos de campo recebemos a melhor colaboração do pessoal
encarregado dos efectivos pecuários e trabalhos de campo da herdade da Contenda, da parte das associações, e
nomeadamente da APCRS, houve o maior espírito de colaboração na recolha de dados para os trabalhos e organização
de acções de divulgação. Finalmente da Unidade de Acompanhamento da Acção Desenvolvimento Experimental e
Demonstração do Programa Agro (POADR) recebemos um apoio permanente e empenhado, que embora não
conhecendo o resultado do relatório da visita de acompanhamento efectuada no dia 16 de Fevereiro de 2004 na herdade
da Contenda, ficou expresso nas impressões então registadas e no tratamento dispensado quando da realização da
Semana Tecnológica da Agricultura e Florestas (h).
Como reconhecimento para o trabalho desenvolvido registe-se a aceitação pela Universidade de Évora de uma tese a
realizar no âmbito do Mestrado em Sistemas de Produção na Agricultura Mediterrânica relacionada com o Plano de
Exploração para a herdade da Contenda da autoria de Helena Cristina de Ornelas Babo.

Linhas em Aberto

Sendo o Montado um sistema vivo e dinâmico todos os estudos ou trabalhos com ele relacionados estarão também
sempre em aberto. No entanto existem algumas linhas de trabalho realizadas durante a execução do projecto Agro 49
que não ficaram concluídas ou que requerem desenvolvimento.
A primeira tem a ver com o esquema alimentar da pecuária extensiva onde já possuímos a caracterização nutritiva de
quase todos os elementos que nele intervêm, faltando contudo associar os valores respeitantes a alimentos conservados
para o completar e apresentar de uma forma integrada e ajustada às necessidades do animal.
Uma segunda linha tem a ver com o acompanhamento da rotação do Montado para que se possa fundamentar o seu
papel no equilíbrio do ecossistema, nomeadamente no que diz respeito à regeneração natural da componente arbórea e
manutenção das características do solo.
A terceira linha tem a ver com todos os aspectos económicos em que somos detentores de informação para a qual não
foi possível encontrar espaço para trabalhar resultados como já anteriormente referido.
Finalmente estará sempre em aberto a divulgação do Montado como um sistema antropológico, sustentável ambiental,
técnica e economicamente, modelo para as actuais políticas agrícolas e “patente” do Sudoeste Ibérico.

Bibliografia

FONSECA, Ana, 2004. “O Montado no Alentejo – Século XV a XVIII”. Ed. Colibri, Lisboa – Outubro 2004.
POTES, José Mira, 2000. “Panorâmica da Investigação Agrosilvopastoril em Portugal”. Seminário Internacional sobre la
Investigación en La Dehesa “Conservar Produciendo” em Badajoz 16, 17 Novembro 2000, policopiado de 11 páginas.