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ados Inteacionais  Catal�o  Publio (CIP)

(Oara Brasileira do Lv S Brasil)

2•.

Bachelard, Gaston 1 12


A tução d state I Gast Baelard ; traduçã
Atono de Padua Da - 2•-- Campna SP : Verus
Edtora 2010

Ttulo rgnal L'tuton de nstat


Bblrafa
ISBN 97·85·76860105

 Instante (Flofa) 2 Tem ceão I. Titulo


070720 DD115

dces para catlo sstemátco


1. Istante  Itução  Flfa 115
115
GASTON BACHELARD

A intuição do instante

2• edição

Trau

Antonio d Padua Dnesi

VERUS

SAPIENTI
Título original
'intition dr l'intant
Editora
Raa
Raa Cat
Coordenado Edoria
An aula Gom
Copiesque
Ana Paula Gom
Re viso
Re viso
Carls Eduard
Eduard Sigrist
Diagramaço
Daine Aveno
p  Pojto gráfco
Anré S. Tavares a Silva

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 Co pyri
righ STOCK, 1931, 1992 193
ghtt O Eitions STOCK, 193

Toos os ireitos rer v d


dos, n Brasil pr
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rprduzid u transmtda o qualquer foma
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eruvrusitorco.br
w. rdtor; combr
Sumário

Precio                                                                         7
 

Introdção    .                                                                 1
CAPUL 1
O nstante                                                                 5

APÍT 2
O oblma o hábo   e soníno           57

AÍT 3
A deia do pogresso e a
nuição o temo escontnuo                                 73

Conclusão                                                                     89

NEX
nstante poético e instante mtafsico                         93
Prefácio

O título o iginal dsta oba d Bachlad é L'intuition de l'instnt


- Etude sur l Slo de Gston Roupnel. O histo iado francês Gs
ton Roupnl ( 1 872- 1946) notabizous po su studo da his
tóia social da Fança, pincipalmnt po sua Histoire de l cm
pagnefrançaise, na qual já stá psnt uma abodagm gion
 stutua qu o apoxima da col ds Annals A poposta
d u ma históia total, como pconizada po Roupnl, tm po
contpatida a mno stutua d tmpo possívl m histó
i a, o instant A contaposiço nt a históia como totalida
e o insnte como fagmnto mínimo solv-s, aa Roupnel
nma etasic . O dlinamento dss etasica s o obje
tivo de Slo no conjunto d su oba.
Entetanto, o poblma do instnte  d como e é cone
cio, ou seja, o poblm da intuição, no dv s qualicado
na losoa fancsa, apnas como co ent, mas também co
mo fnante.

7
  I NT UIÇAO DO I NSN TE

É cto   pssgm mis concid d intiço n -


loso ncs é o cogio d Dscts (15961650),  po-
põ  intiço como o ndmnto do concimnto  pos
no posso dvid d  so  Enttnto, ind n cistndde
H go d So Víto ( 1 096 1 1 4 1 ) j á havi colocdo  intiço
como c ontposiço nt m totlidd  o instnt, m vz
  conmplaio   intiço do ol contmpltivo  co-
ncimnto último sob  totlidd   i nnitd  divin
A conj nço  nt o instnt   tdd A conmplaio 
o último psso do concimnto, pcdido pl cogitio - 
s i à obsvço snsívl  à imginço   pl mdita
io -  s i  m xo cionl cjo ápic  o -
concimnto do divino S sássmos os olos d Hgo 
So Víto  le Dscts jlgímos  o cogio, mbo
dto coo ntião é in medtato.A cotmplao xe e-
p m mtsic mis pond  dicl poém smp n -
tv, isto é  concb o mndo no como  pt, s co-
o continidd , msmo, scnso d obsvço snsív à
contpão de D
Ropnl   poost d um tl mtsic contdo s
nlidde no é o concimnto d Ds, ms d stó coo
totlidd. Qndo desvimos d contplço dvn p 
istó o nfo d intço spndmonos com o to
d    tdiço, os vlos  s pátics cltis co nsisti
smp m instn ts  ptçõs, q s constituím m b-
tos, os qis, po m, cbm o signicdo d vlos Tl co-
mo n viso n itiv d Hgo d So Víto,  sinld do
instnt   totlidd d istói ncontms  pincipi 
conjnção n intiço do instnt, o sj,  intiço não é 
to único o dstnto, como  sntnç ctsn m  to
 de cocê e  rópo de  etc 

8
PREFACIO

ta como Ropnl qr propor m q o mndo é o smr-


prsnt  d m modo radical o instant.
Otro camin ho d nidad ntr co nsciência  totaidad
oi pposto por Hnri Bron (1 859 1 94 1 )  notadamnt m
sa obra mais conhcida A evolução criadora. Porém já m s
trabalho nicial Ensaio sobre os dados imditos d consciência, n-
contraá como dado mdato o tpo pscológco, or le no-
mado de dração psicológica, sndo o nsan a conjunção
ntr a duração coacada  ou sja , anda não xrssa  
a duação distndda  xrssa m alavas, n eros  sbo-
los. Dss odo o i nstant brgsonano é ua scolha  qu
da htogndad do aranhado d sgncados ossves
a conscênca lgss a xprssão hoogênea, coen
sívl contávl compatívl co o tmpo xtrno  mcânco
compartlhado plas pssoas prmtindo popor um signicado
único o principal ao i nstant O instant assim é a sínts da
contraposição ntr a totalidad htroêna da conscência 
a xprssão homogêna d u sinicado.
A tasica d Slo chaa achlard a ess dba soe
a ntição  o instane, nfntando as dfnç� e ccas e
rlação a gson  RounlA cainho da caactrzação da
ntução etasca e da inuição oéca achlad se arox-
ará do atmátco  taé lósoo nr Ponca, ara
qu a intução era, ais qu u onto de atda xplicavo
a cntelha da cração  da nvnção ncssára tano à ciênca
q anto à o€sa

PAULO DETARSO GOM

9
lntrodução

Quando ua alma snsívl  culta s lbra d sus sforços


para dsnhar, d acordo co su próprio dstino intlctu 
as grands linhas da Razão, quando studa, pla ória, a h-
tória d sua própria cultura, la s dá conta d qu, na bas das
crtzas íntias, ca spr a lbrança d um ignorância s-
snci. No rino do próprio conhcimnto há, assi , u rr
original : o d tr uma orig; o d faltar à glória d sr in t-
poral; o d não dsprtar a si smo para prancr como
si mso, as sprar do mundo obscuro a lição d luz
E q u água lustra ncontrarmos não sont  rnova-
ção do frescor acional, as tabé o dirto ao trno rtorno
do o da Ra  ão ? Qu S iloé, arcandonos co o igno da
Rzão pura, porá ord o bastant  nosso espíito pa o
prmitir coprndr a orde supra das cosas? Que g-
ç a dvi no dará o pode d outorgar o princpio o er  o
p rncpio do pnsto e, coçandonos vedadnte

1 1
A INTUIÇO DO INSTNTE

nu enseno novo, de eo e nós, a nós, e n osso


óo esío, a ef do Cado? É ess fone de Juvênc
nelecul que Roupnel ocu, coo bo feceo, e o-
dos os donos do esío e do coação. Aás dele, ncazes
nós sos de nej  a vnha de avelea, se dúvda não
eenconaeos odas s ágs vvas, não sentros tods as
coenes suerânes de u oba fund . Pelo enos, gos-
ríos de dze e que onos de Siloe recebemos os impul-
sos ais ecazes e qu e es neante novos Rounel tz
para o lósofo que quer eda os probleas da dação e do
nsnte, do hábo e da vd.
Peo, ess o e u foco seceo. Não sbeos o
que  que f o clo e  cldde. Não odeos x  ho
e ue o so se onou clo o bsne  se enunc
coo  ole  Ms que ferenç fz? Que el venh do
sofno, que venh d legr, odo hoe e n vd es-
s o  de lu, a ho e que ele comprende subitamnte sua
ó ensge,  ho e que o conheceno, lumnando
 xão, desvend o eso eo s egs e a onoon
do Desno, o oento veddeaene sn éco e que o
loo decsvo, ocando  conscênc do aconl, se
orn nd ss o sucesso do enseno É í q ue se su o
dfeencl do conheciento, o uxo newtonin que nos pe-
e eceber coo o esíto suge d gnorânca, a inexão
do gêno huno n curv desc elo ogesso d vd. A
coe nelecul consse e ne vvo e vo esse ns-
ne o conheceno nscene, e fe dele  fone nexuí-
vel e noss nução e e desenh, co  hsó sujev
de nossos eos e equívocos, o odelo objevo de u vd
lho e s cl. Ao longo de odo o lvo de Rounel , sen-
o o vlo dess ço essene de u nução losc

12
INTRODUÇAO

oclta . S o ator não nos mostra sa font iia, nm o
isso nos podmos nana a rsito da nidad  da ofundi
dad d sa intição. O liismo q condu ss da losó-
co q é oe co nstiti o sino d sa intimidad oq co-
mo scrv Rnan  o q s diz d si é smr osi" . 1 ss
lirismo porq intiramnt spontâno, ncra ma força d
rsasão q crtamnt jamais consuiíamos tansota
aa nosso stdo. Sia ncssáio vi todo o livo, sgui-
lo linha  linh a con quanto o caáte esttico he
acscnta d claa  Aliás,  l  Slo, s te e-
snte que s stá diant d o de u ot, d u sicólo-
o d m historiado q ainda s n a s u lósofo o
momnto msmo m q sa ditação solitária lh nta
a mais bla das rcompnsas losócas  a d voltar a alma  o
sírito ara ma i ntição oriinal .
Nossa tarfa rincial nos stdos q s sm sá s-
clarcr ssa intição nova  mostra s intrss mtasico

nts d iniciar nossa osição almas osrvaçõs s-


rão útis ara j sticar o método q scolhos
Nosso ojtivo não é rsr o liv d Ronl Silo 
u liro ico m pnsanto  m fatos Mlho sia des
olêlo qu suo. Enquanto os oances de Rounel são
animados o ma vrdadia alia do o, o u xis-
tência nuosa d alavras  ritos, é notál qu l tnh
 ncontado m s oe a fras condnsada, colhida no âago
da intuição Desd loo nos rc q, qui, xlica si x-
licitar. Rtomamos ois, as intiçõs d Silo tão to quan-
to ossíl d sa font  mnhaonos m sui  nós
sos  aniação qu sss intuiçõs odeia da à ei

1 Souvris d'f{lc t de jrmss, Prefcio 111.

13
A INTUIÇO DO IN STANE

tação losóca. Fzeos dela, drante város eses, a oldra


e o rcaboço de nossas constrções. Alás, a ntção não
se rova, se vvenc a. E se vvenca ltlcandose o eso
odcandose as condções e se so. Sael Btler dz co
razão : Se a verdade não  sóla o bastante para sortar
e a desatremos e a mates  é de m espcie be
robsta" .2 Pelas deormaões e impsemos às teses de Ro-
el podeseá talvez medir sa verdadera ora. Seionos,
os co toda a lberdade das ntç�es de Siloe e, nalente,
as qe ua exosço obje tva, o e aresentaos aq 
nossa exerênca do lvro.
Todava, se nossos arabescos defora e deasa o tra-
çado de Ronel, sere se oerá resttir a ndade retor-
nandoe à fonte sterosa do lvro. Aí se encontrará, coo
aeos osta sere a esa ntção Aás, Ronel
nos z3 que o títlo estranho de sa obra só te vedaea
ntelgêna ara ele eso. Não será sso convdar o leto a
oloa tabé, no la e sa lta, sa róa Sloé, o
steroso reúgo de sa ersonaldade? Recebese ento, da
obra a lção estranhaente eocoante e pessoal qe lhe
co nra a ndae n novo lano. Dgaos na alava
Siloe  a lção de solão. Es or qe sa ntade  tão
fna, es o qe ela conserva, aca da dsersão de ses
aítlos  aesar do jogo não ra deasado grande e nossos
coentáros , a nae de sa força ínta.
Toeos ortanto, esde já, as ntções dretvas se no
laos a segr a orde o lvro São essas ntções qe
nos aão as chaves as convenentes ara abrr as útlas
esectvas e qe a oba se esenvove.

2 L 'ie 1' labitudr p 17 trad. Lrbaud .

. Si/o, p. 8.

14
CAPÍTULO

O instante

 iíneo, o vivaz e o belo hoj


ALARM

Termos perdido aé a memória de nosso econro


Mas nos reenconreos
ara tiOS separarmos e nos encontrarmos de novo
Ali onde os moros se reencontram: nos lábios dos ios
SAMUE BUTLER

A ideia etafsica decisiva do livro de Roupnl é esta :  tmp


só tem uma realidade , a do Instante. Noutras palavras, o tempo é
uma raldad ncerrada no instant  suspnsa ntre ois na-
das. O tmpo podrá sm dúvda r  nasr mas prro tr

15
A I NTUIÇO DO INSTANTE

 o No o ota     at 


ouo    12  a ação O a    o
o .   É a oldão   valo taco a deoado. 
ua olo e od a tental conra o tgco o-
lato do ntante: por a espéce de volênca craoa, o
teo litado ao ntante no ola não apenas dos otros, a
tab  ó so,j q pe noso paado a dlto.
Já o lar d a dtação  e a meditação do tempo 
a taf a a qalq ta� , e, ortato, o ló-
ofo dat a aração d q o tepo e apresenta coo o
tat olto coo a cocêca de a oldãoVo
a aa oo  foraão o fataa do aado o a
lão o ftro; a, a d tdo, paa be cod
a ob q vao xlca,  co ptra da toal
gul o t rte  do eal. Coo odea o q
 al a à arca do tat rte? Ma, rcocat,
coo o tat t dxa e  o ral? S
  ó oa ocêc   o o tate pt,
coo ão ver qe o tate peente  o úco oío o
qal s vvenca a ralidad? S tvo d la oo 
 gda, era cssáio patr d ó mo ara ovar
o er. Toos, os, de nício, oo pensaento  o -
o ga a cota o tat q a 
baça o q acaba  o dxa  ra taoo,
ou  o, o q o tat bq o
tga "É o   ó do  q to co
" , zo Ro "O at q acaba d o ca 
a a ot a  q tc o o abolo
 o ao xto E o o cohco vl
o a a va o fuuo, ao o   

16
O INSTANTE

aproxima d ns como os Mundos  os Céus u ainda s ig-


n oram."1
 Roupn acrscnta u m argumnto u amos contsar
com o único intuito d acntuar ainda mais su pnsmeno:
No h grau nssa mort u é tano o fuuro uano o ps
sado". Para rforçar o isolmnto do insa use diíos
qu há graus na mo  u o u st ais morto ue  mort
é o u acaba d dsaparcr. .  D fato a mdiaço do insan
nos connc d u o sucimnto é ainda mais nítido por-
u dstri um passado mais próxio, da msma sorte u a
incrtza é ainda mais mocionant poru colocada no ixo
do pnsamnto u ai ir, no sonho u soicitaos ms u
sntimos já sr nganador Do passado mais disan po fi-
to d ua pranência totamnt foral u rmos  s-
udar, u fantasa algo cornt  sóido podrá talz retor-
n  ir as o instante u acaba d soar não o podrmos
consrvar com sua indiiduaidad como u ser copleo É
ncesi  e e o e  fe  e
banç compla Como o uo ms ce   concic do
futuo traído  · uano sobrém o insane lnnt e e
 ene urido fecha os olhos imediamene se sen co
ue oidad hostil o insant seguine ssa" nosso corço
Ee carter dramáco o insnt é le sceíel e f
 prssenir sua ralidd. O u gosaí mos e subln 
u nssa ruptura do sr a ideia do dsconínuo s ipõ 
forma incontst. Objtarsá alz u esss insans damá-
ticos sparam duas duraçõs ais monótonas. Mas chamamos
d monótona  rar toda olução u não xaminaos com
atnção apaixonada Se nosso corço oss po o basne
    e  poeoe eo e oo o

I Sih>', p. I 08

17
A INTUIÇ O DO INSTANTE

instants so a u po doadors  spoiadors  qu uma


novidad cnt o tágica, smpr rpntina, no cssa d us
ta a dscontinuidad ssncia do Tmpo

11

Poém ssa consagaço do instant coo lmnto tmpoal


piodial só pod, vidntnt, s dnitiva s fo pimi
o confontada co  as noçõs d ins� a nt  d duaço. Dsd
logo, psa d Siloe no aprsntar nnhum taço poêico, o
lito no pod dixa d voca as tss brgsonianas . V isto qu
neste tabalho nos popoos a tafa d cona todos os pnsa
mentos de um lito atnto, cumpnos nuncia todas as obj
ções  nascm d nossas lbanças dos tas bgsonianos.
iás, é tavz opondo a ts d Roupn à d Bron qu co
pndos hor a in uiço qu aprsntaos aqui .
Ei s, nto, o plano q u vaos cupir nas páginas qu  s
seem.
Lbaos a ssência da toia da duaço  dsnvolv
eos o mais claant possívl os dois tmos da oposiço:

1 A losoa d gson é uma losoa da dço.


2) A losoa de opnl é ma losoa do instant.

Em seguida, bscamos indica os foços d conciliaço


e tntamos opa pessoalente, mas no daos nossa ad-
são à doutina intmdiáia  nos tv po um momnto.
S a delinamos, é pou la acod uito natualnt, sgun-
do paec, ao spíito d  lito clético  pou pod 
tada sua dciso.
Enm após uma xposiço d nossos pópios dbats, v-
emos e a nosso ve a posço mais claa, mais pdnt a e

18
O INSTANTE

a que corresponde à consciência mais direta do tempo é ainda


a teoria roupneiana.

Examinemos, pois, para comear, a posião bergsoniana .


De acordo om Bergson , temos uma experiência íntima e
direta da duraão. Essa duraão é mesmo um dado imediato da
consciência . Decerto ea pode ser subsequentemente eaborada
objetivada, defor mada. Os sicos, por exempo, com todas as
suas abstraões, fazem dea um tempo uniforme e sem vida, sem
termo nem descontinuidade. Entregam, então o tempo i nteira-
mente desumanizado aos matemáticos. Penetrando no pensa
mento desses pfetas do abstrato, o tempo reduzse a uma sim-
pes variáve geométrica, a variáve por exceência, doravante
mais apropriada para a análise do possíve que para o exame do
rea. De fato, a continuidade é, para o matemático, mais o es-
quema da possibiidade pura que o caráter de uma reaidde.
Ento, para Bergson, o que é o instante? Nad mais que um
corte arcia qu e ajuda o pensamento esquemático do geôme-
tra. A inteigênia, em sua inaptidão para seguir o vita imobi
iza o tempo num presente sempre fatíio. Esse presente é um
mero nada que não onsegue sequer separar reamente o pas
sado e o futuro. Parece com efeito, que o passado eva suas for-
as para o futuro, e parece também que o futuro é neessário
para dar passagem à foras do passado e que um único e mesmo
impuso vita soidariza a duraço O pensamento fragento da
ida, no deve ditar suas regras à vida . Totamente imersa em
sua contempaão do ser estático do ser espacia  a inteigência
dee empenharse em não desconhecer a reaidade do futuro
Finamente a losoa bergsonian reúne de forma ndissolúel
o passado e o futuro Assim é preciso tomar o tempo em seu
boco pr tomo em sua realidde.  tempo está n própri

19
  I NT UIÇAO DO I N STNTE

ont do implso ital. A ida pod rcbr ilstraçõs insta-


tnas, mas é a draço q xplica rdadiramnt a ida.
Eocada a intiço brgsoniana, jamos d q lado, co-
tra la, as dicldads o s acmlar.
Eis, em primiro lgar, ma rprcsso da crítica brgso-
niana à ralidad do instan.
Com io, s o instant é ma alsa csra, o passado  o
tro ho d sr bm dicis d distingir, porq so sm-
pr aricialmnt sparados. C mp, nto, tomar a draço
como  ma nidad indstrtíl. Daí todas as consqêncas da
losoa brgsoniana: m cada m d nossos atos, no mnor d
nossos gstos, podrsia aprndr o carátr acabado do q
s sboça, o m no comço, o sr  tod o o s di r no impl-
so do grme.
Mas admamos q s possa misrar ditiamn pas-
ado  fuo. Nssa hipótes, m dicldad os prc apr-
sease pa qe qr lr a o m o mpego  iião
bergsoia.Tndo triado ao proar a irrealidad do isa-
, como alarmos do começo d m ato? Q potência so-
brnatral, sitada fora da draço, ará nto o aor d mar-
car com m sigo dcisio ma hora cda q, para drar,
d, apsar d do, coçar? Como ssa dorina dos com-
ços, cja iportâcia ros a losoa opla, há de
prmancr obscra nma losoa oposta q nga o alor do
instanno? Sm dúida, para tomar a ida por s mio, m
s crscimnto, m sa ascnso, tms toda a possibiidad,
com Bron, d mostrar q as palavras antes  depois ncrram
apnas m sntido d po nto d rrência,já q ntr o ps-
sado e o tro s sgu m olço q m s scsso ge-
l s agra conína . Mas, s passarmos ao domíio das m-
açõs brcas, m q o ao criador s inscr abrpmee,

20
O INSTANTE

como não comprndr qu uma nova ra s abr smpr por
um absouto? Ora, toda vouão, na mdida m qu é dcisiva
é pontuada por instants criadors.
Ess conhcimnto do instant criador, ond o ncontrar
mos mais sguramnt q no uxo d nossa consciência? No
é aí u o impulso vita s mostra mais ativo? Por u tntar
rmontar a aguma potênci surda  scondida  flho is
ou nos m su próprio impulso u no o concluiu 
nm sur o connuou, nquanto s dsnlam sob nossos ohos
no prsnt ativo os m acidnts d nossa própria cultra as
mil tntativas d nos rnovar  d nos criar? Votmos, pois ao
ponto d partida idasta, concordmos m tomar como campo
d xpriência nosso próprio spírito m su sforo d conh-
cimnto. O conhcimnto é, por xcência, uma obra tmpo-
ra . Tntmos, ntão, apartar nosso spí rito dos aos da carn
das prisõs matriais. Tão ogo o ibramos  na proporção m
u o libramos, prcbmos qu  rcb m incidnts e
a linha d su sonho s qubra m mi sgmntos suspnsos a
núl picos. O spírito  sua obra d conhcimnto aprsn-
tas como uma a d i nstants tidamnt sparados. É scr
vndo a história u o psicóogo articiamnt como todo
historiador, coloca nla o vínculo da duraço. No f ndo d nós
msmos ali ond a gratidade tm  sntido o clro no
prcbmos a causaidad qu daria fora à duraço  é um p-
bma complicado  indirto pcurar as causas m u m spírito
no qua só nascm idias.
Em suma, não importa o qu s pns da duraço m si
aprndida na intuião brgsonian, a qua no tmos a prtn-
so de havr xamindo por intiro numas poucas páginas é -

necssrio plo mnos ao do da draço conceder  re-


idade dcisiv ao i1stae.

21
A INTUIÇÃO DO INSTANTE

Trmos, alás, a oportnidad d rtomar o dbat con tra


a toria d ma draço tomada como dado imediato da cons-
ciência Para isso mostrarmos, tiizando as intiçõs d Rop-
nl, como s pod constrir a draço com instants sm d-
raço, o q dará a prova  d um modo intiramnt positivo
qrmos crr  do crátr mtasico primordial do instant
, por consgint, do carátr indirto  mdiato da draço

Mas retomemos desde logo m xposiço posi tva Aás,


o método bergsonano nos torz doravant  lnçar mão do
exam psicológico Dvmos nto conclr com opne: A
Ideia q temos do presnt é d ma plntd  d m v-
dênca postiva singlars. Instamonos nl com nossa pr-
sonaidad complta Somnt ali, por l  nl, é  tmos
2 sensação d xistênci  E há ma idntidad absota entr o

sentimento do prsnt  o sntimnto da vida" 2


Será ncssário, por consgint, do ponto d vista d a pró-
pra vida , bscar comprndr o passado plo prsnt, onge
d m mpnho incssant d xpicar o prsnt plo passado
Por crto, dpois disso a snsaço da drço dvrá sr scla-
rcida . Vmos tomáa , por ora, como m fato:  daço é m
sensação como s ors, to complexa nto s otras E não
façmos nenhm ceimôni o sblnhar se crátr prente-
mnt contraditório: a dração é fta d instantes sm drção
como  rta é fita d pontos m dimnso No fndo, pra
se contrdierem, é preciso  s entidades atm na msm
on do sr S estabcros e a drção é m ddo re-
tivo e secndário, sempre mis o mnos factício, como pode-
ria a ilso q tmos sobr la contradizr noss xpriênc

2 Ibidem.

22
O INSTANTE

ida do iane? Tods sss rssls so fis qui pr qu
no nos cus d círculo icioso forl qundo oos as
p lrs no snido go s nos ros o snido técnico
Todas sss prcuõs, podos dizr com Roupnl 

Nossos atos de atenão são epsódos sensorais xtraíos aqla


contndade denomna draão Mas a trama contína ali on-
de nosso espíto ord desenhos descontínos de atos não pas
sa da constrão laorosa e artifcal  nosso spírito. Naa ns
atoza a afrar a draão Tdo m nós lhe contradz o sn
tdo e he arrína a ógca E, alis, nosso nstinto é mais bm es-
clarecdo sobre sso o qe nossa razão O sntimnto q mos
o passo é o  ma ngaão   ma sui ção O créit
q nosso spírto concd a a pretensa draão q já ão
sr  n qual l já não sia é um créito sm provã3

Co ném sublinh ar d passagm, o lugar do ato d atenço


n xpriênci do instante É u d fo no xist rdadi
rn idênci sno n ond n consciênci qu s m
pnh  dcidir u a to
A o qu s dsnol por rás do o ntra já no dom
nio ds consquêncis ógic ou sicn pssivs E há í
u iz iporn qu disingu  loso d Roupnl da
d Brgson: aflosa bergsoniana é umaflosa da ação; a flosof
roupneliana é umaflosa do ato. Pr Brgson ua ão é s
pr u dsnrolr conínuo qu s siu nr a dciso  o o-
 jtio  ambos mais ou mnos sumáticos  uma dao
smpr originl  ral. Para um partidário d Roupnl, um ato
é ans d tudo uma dciso instantâna  é ssa dcisão e

·' Op. cit, p I 09.

23
 A I NTU I ÇO DO I N STA NTE

ncrr a toda a cara d ornidad. Fndo s scant,


o ato d a impusão  cânica aprsntars spr coo
a comosiço d duas ordns innitiais dirnts vnos a
comrr até o l mt puntorm o instant qu dcid  aba
la. Uma prcusso por xmpo, xpicas por uma orça n
nitant rand qu s dsnvov nu tpo innitan-
t cu rto Sria possív aiás analisar o dsnroar conscutio
a ma dciso m trmos d dcisõs sbaltrnas. Vrsa q
m oimnto variado  o único q� com toda razão Brgson
consdra ra  continua sguindo os sos princípios qu
o zm comçar. Mas a obsrvação das dscontinuidads do
dsnroar tornas cada vz ais dici, à mdida qu  a aço
qu sgu o to é conada a autoatisos orânicos nos
conscints. Eis por qu nos cab rontar, para sntir o ns
tante os atos claros da consciência.
Qndo chgarmos às úlimas págnas dst nsaio trmos
ecede r ntndr as rlaçõs do tmpo  do progrsso
e ol  ssa concpção atl  atva da xpriência do ns
ante Vrmos ntão qu a da no pod sr comprndid nu
m conemlço ssa; comrndêl é mais q êl é
efemee mloál  El no corr ao longo d ma n
cos  no exo de m emo ojeo q  cbria como m
cal. É m form mos à la dos nstants do tmpo ms
é smr num instant q la ncontra sa ralidad primeira 
Assm s  nos voltarmos para o núclo da vidência pscológica
em   snsço já no é so o rxo o  rspost sm
comlex do to ountário spr simps, quando a anço
rduz a vida a  único mnto a um lmnto isolado pr
cbrmos qu o instant é o carátr vrdadiramnt spcí
co do emo Qo ms rofdmn ntr noss me
do o e ms el se e Só  eç é ddo

24
O INSTANTE

o ato é instantâneo. Coo no dizer ento qe, reciprocaen


te, o instantâneo é o ato? Toeos ma ideia pobre, redzao
 a a  instante  ea ina o espírito. Ao contrário, o re
p oso do ser é já o nada.
Coo, pois, no ver qe a natreza do ato, por m sing
ar encontro verba, é ser ata? E coo n o ver, e seida
qe a ida é o descontno dos atos? É essa intiço e Rop
nel nos apesenta em termos particlarmente claros:

Podese dizer que  duração é a vid  Sem dúvid  Mas é reciso


ao menos situar a vida no âbito do descontínuo que a conté
 n fora agrssiva que a nifest. Ela já não é aquela coti-
uidade uida de fômeos orgnicos que s escova u os
outros confundindose  unidd funcionl  O ser estrno lu-
gr de lembranças atriais, no ass de um ábito e si mesmo
O que ode haver de eranente no ser é a expresso não e
u causa imóvel e constante, mas de uma justaosiço de resul-
tados fugidios e incessantes, cada um dos quais co sua base so-
litári e cuj ligadua, que nada mis é que um ábi to, coõe
u idivíduo.�

Se ú  ao escree a epopea a eolção e gson e-


a negigencr os acidentes. Ropne, como hstoiador 
ncoso não poia ignorr qe cada ação, por simples qe sea
oe ecessaente  contnidde o ei ital Se obse-
armos  hstó a da em ses pormenores, eremos qe el
  m hstóra como as outras, cheia de repetções desnecessáras
anacronismos, esboços, fracassos e recomeçs. Entre os aciden
tes, Bergson retee apenas os atos reocionários nos qais o

• Ibidem .

25
 A INTU IÇO DO INSTANE

pulso vta s cnda nos quas a árvor gnlógca s prt


 raos dvrgnts Para traçar tal arsco não hava ncs-
sdad d dsnhar os dtalhs  val dzr não hava ncss-
dad d dsnhar os objtos El dva rsultar portanto nss
tla prssnant qu é o lvro L'évolution créatríce [d brs.
A evolução criadora, Martins Fonts 2005] Essa ntução lustra-
da é mas a ag d ua ala qu o rtrato das cosas.
Po o lósoo qu prtnd dscrvr a h� stóra das co-
sas os ss vvos  do spírto átoo por átoo célula po
célul, pnsanto por pnsanto dv consgur spr os
fatos s os ou tros porqu tos so atos, poru tos so
tos, oe os tos s o tern, s tn l eve
coo eessrente começar o absoto o nsceto
É eso os esee  stó e co os oos 
peso sndo oe s u o o aciden-
te omo pinípio.
N evoluo verdnt crador, st pns u
e e suno  qual u cdent stá n z  quer
tenttv e voluço.

Ass nssas consquêncas rlativas à volução d vda co-


o  sua prra ora intutva, vos qu a intução t-
pol d Roupnl  xtant o nvrso da ntuição brgso-
na.Ats d r a long rsuaos co u duplo squ
 oposo das s outrnas:

• ar Brson  vrddr ld do tpo  su du-


o; o nstnt  pns u abstração dsprovd  r-
ldade. El é posto do xtror pla ntlgênca, qu só
coprnd o dvr drcno stados óvs. R-
setíos ento bstnt b o tpo brgsonano po
ua et pret sobr a qul tvssos colocdo, para s

26
O INSTANTE

blizar o nstant coo u nad, coo u vzo ctco,


u ponto brnco.
• Para Roupnl, a vrdadr rlidad do tpo é o nstant;
a duração é pas ua construção, dsprovda d raldad
bsoluta. Ela é fta do xtror, pla óra , potênca d
agnação por xclênca, qu qur sonhar  rvvr, mas
não coprndr. Rprsntaaos, ntão, bastant b o
tpo roupnlano por ua rt branca, ntrant 
potênca, m possbldad, n qual d rpnt, coo u
acdnt imprvisívl, vss nscrvrs um ponto prto,
síbolo d ua rldad opaca.

Nots, lás, qu ss dsposção lnar dos nstnts con-


tnu sndo, tanto para Roupnl coo para Brgson , u rt-
co da agnação. Brgson vê, nssa duração qu s dsnrola
no saço, u o ndrto pra dr o tpo. Mas o co-
prno d u tpo não rprsnta o valor  ua dur
o, e sr ncssro rontar do tpo tnsvl à uro
ntv . Ana qu ,  ts scontnua adpts s cul
d: nlss a ntns lo núro e Ín<tnts  ue
a vonta s clara  s rts, to faclnt quanto o nrqu-
cmnto gradul  unt do u.5
Abramos agor u  parênts  nts d sclrcr u ouco
as o ponto d vst  Siloe.

111

Dzos s c qu, ntr s dus ntuçõs prcdnts,


havos hsto longant, buscndo so, ns vs da

' Cfler gon, ssai sur f• doés mmiats de / C<ISÍc p. 82 [ed. port.: E�-
saio obr  d.l Í'diatos da (lÍÍa, Edições 70, 198[.

7
 A I NTU IÇO DO I NSTA NTE

conciliação, runir sob um msmo squma as vantagns d am-


bas as doutrinas. Ess idal clético acabou por rvlars insa-
tisatório. Enttanto como nos ppusmos sd m nós ms-
mos as raçõs inivas manadas das iniçõs mstras dvmo
ao litor a condência pormnorizada d nosso racasso
Queríamos inicialmente conferir uma dimensão ao instan-
t, fzer le um pécie de átomo tmporal q coner vse
m i mo crta drão Diímo q u m acontecimeno
iolado devia ter uma brev hitória lica com rrência  i
mmo, no abolto d u volção intrn . Comprenímo
qe  começo podia er rltio  m ident de oriem x-
trn, m pr brilhr, e poi para clinar  morrer, peí-
mo q e atribuí o r, por ioldo qe oe, a pare
d tepo Amitímo qu o ideal d vida o a vid rente
do emero mas riindicáamo para o mero da auror o
voo nupcial, eu to d vid íntma. Qríamo empre, por-
tnto, e  ração foe  riea profn e ie o
se. Ea foi oa pr i meia poição no que concee ao imtante,
que seria não um pequeno fr a gmnto do cotínuo be-
no
Ei o e prenío, e gid, do epo rop-
no Iginvo e o too tempoai ão poi  o-
e, o, nte, e não podi fne  o oo O 
ipeiri epre ea fuo er  imprecíe oe o
int,  l  o o cen olhi  Siloc 
convencer Numa outrn a ubtânci que l no et
long d sr tautológica tranfrirsão m dicuad d  
instnt para outro, as qualidads  a  lmbrança; o pernen-
te n nca há  explicr o evir. Se, poi, a novie  eenc
ao vir tme tudo  ganhar tribindoe ea novie o
ppro Tep o: não  o r e  noo m empo nifoe,

28
O I NSTANTE

é o instante que  renovandose reete o ser à liberde ou 


oportuidade iicial do devi iás por seu ataque o instante
impõese protamete inteiramete; ele é o ator da síntese do
ser Nessa teoria o i state salvaarda necessariamente por
tato sua in dividualidade O problea de saber se os átoos
temporais se tocavam ou se eram separados por u  nada pare-
cianos secundário. Ou elhor dado que aceitávaos a consti-
tuição dos átoos temporais éramos levados a pensálos iso-
ladaente e para a clareza etasica da intuição nos dávaos
conta de que u  vazio era necessário  quer ele exist de fto,
quer não  para iaginar corretaente o átoo teporal -
recianos então vantajoso condensar o tepo ao redor e mí-
cleos de ação nos quais o ser se reencontrava e parte colheno
do stério de Siloé o que se requer de invenção e de energia
para tornarse e progredir
En aproxiando as duas doutrinas chegávaos a u
bergsoniso ragentado a u ipulso vital que se rcon
em ipulsões a um pluraliso temporal que aceitando dur-
ções diversas tepos individuais nos parecia apresentar meios
de análise tão exíveis quanto ricos
Porém é muito raro que as intuições etasicas construí
das nu ideal eclético tena oç durdoura Ua intuiço
fecuna deve dar pri a pva de sua unide o tos
a nos apeceer de que, po nossa concilição havíos reuno
as diculdaes das us doutrins. Era preciso escoh er no o
cabo de nossos desenvolvientos, as na base esa das in-
tuições
Agora, portanto vaos dizer coo pssaos da atomização
do tepo, e que nos detivéros  arimtização tmpol b-
soluta, ta qual Roupnel  aa peeptoiaente

29
A I NTUIÇ ÃO DO INSTANTE

Priiro, o que nos havia sduzido o qu nos lvara ao i-


pass  qu acabaos d ntrar fora a falsa concpção da
ord das ntidads tasicas: sm prdr o contato co a
ts brgsoniana, gostaríaos d colocar a duração no próprio
spaço do tpo Toávaos ssa dução, s discussão, coo
a única qualidad do tpo, coo um sinônio do tpo. R-
conhçaos: isso não passa d um postlado. Não prcisaos
ajuizar su valor são m função da clarza  do alcanc da
constrção qu ss postulado favor. Mas smpr tmos o
dirito, a priori, d partir d u postulado difrnt  tntar ua
construção nova na qual a duração sja dduzida,  não postu-
lada
oré essa considração a priri não bastaria, naturant,
para nos rconduzir à intuição d Roupnl. A favor da concp-
ção da duração brgsoniana, co fito havia ainda todas as p-
vas ue Brgson runiu sobre a objtividad da duração Se
dúvida, Bergson instavanos a sntir a duração  nós, nua
riência íntia e pessoal. as não arava aí. El nos ostra-
va objtivant qu éraos solidários d u único ipulso,
arrastados todos or ua sa vaga. S nosso tédio ou nossa
impaciência alongava a hora se a algria abrviava o dia, a vida
ipssoal  a vida dos ou tros nos rconduzia à justa aprciação
da Duração. Bastava colocaronos diant d uma xpriência
sipls  u torrão d açúcar qu s dissolv nu copo d
água  ara coprndros qu, a nosso sntinto da dura-
ção, corrspondia ua duração objtiva  absoluta. O brgso-
niso prtnia aqu i, portanto, alcançar o donnio da dida ,
spr consrvando a vidêcia da intuição íntia . Tínhaos
 nossa ala ua counicação idata co a qualidad t-
oral do sr, co a ssência de su dvir, as o rino da quan
tia do tpo por indirtos qu sja nossos ios d estu

30
O INSTANTE

d lo, ra a savaguarda da objtividad do dvir.Tudo, portanto,


parcia salvaardar a pritividad da Duração: a vidência in-
itiva  as pvas disrsivas.
is, agora, omo ossa própria oança na ts brgsonia
a s abalo.

Dsprtaos d  nossos sonhos doátcos pla crtica  ns-


tiniana da uração objtva.
B dprssa nos parcu vint qu ssa crtca dstuiu
o absoluto daquilo qu dura, ao so tpo  qu conse
vava, coo vros, o absoluto daqulo qu é  val diz, o
absoluto do instant.
O qu o pnsanto  Enstn cha de elatve 
o lapso  tepo, é o coprnto" do tpo Ess co-
nto s rvla rlativo a su étodo  dição D zse ue,
fazndo ua viag d ida  volta no spao a ua vlocide
alta o bastant, rncontraraos a Trra nvlhcida alguns s-
culos, ao passo qu taos arcado apnas alguas horas no
rlógo que lvaos na vige B nos longa seria  va-
ge necssária para ajusta à nossa ipaciência o to que
Begson postula coo o e necsso pa ssolve o too
e úca no copo de gu
Als, cae sulnha ee logo que n o se trat aqu  eo-
go vo e cálculo A elatvae o lapso e teo pa sste-
s e ovento , oavnte, u o cetíco Se ens
sos te o ieito e ecus a ss spto a lço da cênc,
teros d rtnos uvida da intvno das conões
sicas na epr ência da dissolução do açúcar  da intrfrência
ftiva do tpo nas variávis xprintais. Por xplo, to-
dos concorda qu ssa xpriência d dssolução põ  jogo
a tpratura? Pois b para a ciênca odrna, la põ igual

31
 A I NTU IÇO DO I NSTA NTE

nt  jogo  reatvdad do tpo. ão s eva a cênc


parcalnt  conta, é prciso toála por ntiro.
Assi pos, subtant, co a rlativdad, tudo qu d-
zia rspito às provas xtrnas d ma Duração única, princ-
pio claro d ordação dos acontcimntos, s via arruinado
O Mtasico dvia dbruçars sobr s u tmpo local, char-
s  m sua própria dração íntima O mudo ão orca 
ao mnos imdiatamt  garanta d convrgênca para nossas
draçõs indviduais, vividas na ntiidad da consciênca.
Eis, porém, o qu mrc agora sr obsrvado: o nstante es-
tabelco com bastante pecsão pemanece na outna e Ensten
um bsl. Paa conferr ess valo d absoluto, bsta con-

sdra o  nstnt  su estado sintético, coo u pon to do


spotpo. outrs paavras, é precso tor o sr coo
 stese apoda sltaneante no espao  no tepo.
E  o poto de econtro do lugar e do presente hc e Ic,
o u  n e al e oje . Nssas das tas fóru
s o poto se dtaa u eo ds durões ou u eo do
espo; sss fóulas sutandose por u do  u snte
se pecs ensejr u estudo nteraente retvo da dua-
ão  do espao. Mas, dsd qu s concord e sodar  und
os dos advbos, es ue o vo s rcb en sua potênca
de asoto.
est eato ugr e nste to oeto, es ond  s-
tanedd  cr evdent cs; es onde  sucesso s odea
se esoeento e se osude. A ptso de to
coo a e s  stee de os acotecetos o
calzados e pontos dfrents do spao é rfutada pea dou-
trn de Enstn. Sera ncessára, para stabeecer ss sut-
ndade ua prênc na ua pudéssos fundnos sobe
o étr o O fracasso de chson proeos  espera de
ralzar ssa prênca . Cpe pos ir idremte  s

32
O INSTANTE

 lta idad m dois lars divrsos , por cosquência, ajus-


ta r  dida da dração q spara istants difrts a ssa
d   ição spr rlativa da siltaidad Não há conco-
ncia assgrada q ão s acompah d ua coicidêcia 
Voltamos assim à ossa icrsão o donio do fnôno
co ssa covicção d u a duração só s alora d o
do articial, nua atosfra d convçõs  dniçõs é
vias  d qu sa idad v somnt da nralidad  da
p riça d osso xa. Ao cotrário, o istant rvlas sus
ctívl d prcisão  objtividad; stios l a arca da 
xidz  do absolto
Vaos tão fazr do instante o ctro d condsação ao
rdor do qua colocaríaos ua dução vasct xatan
t o qu falta d cotíuo para pôr u átomo d to iso
lado  rlvo sobr o nada  para dar à cavidad do Nada suas
duas ras falazs, cofor s olh  dirção ao passado o
s volt na dirção do futuro?
Ess fo  ants e adotar e, s oroso l
o oto d vista larat distito d Rol  nosa ú
a tv .
Daos, ois, a raão qu onso oa onvrsão

Qando ainda tínhaos fé n duração brsoniana , pra


studl, nos pvaos  dpul , por ont
 dsojla do dado, nossos sforços dpaav pr o
o so obstáculo : nunca consuíaos vncr o caráter de
p ródia htronidad da duração. Naturalnt, acusvao
apnas nossa iaptidão para ditar para nos dsprndr do aci-
dtal  da ovidad qu nos assaltava. Nunca cosuaos
prdrnos o sucint para tornar a nos har, nuca loráva
 os lcança  sir ss uo unifor no qual  duraão
dsnroava a históri s istória, ua icidência s in

33
 A INTUIÇO DO INSTANTE

i dts Tríamos prrido um dvir qu oss um vo um


éu límpido, vo qu ão dsloass ada ao qual ada s opu-
sss o imp ulso o vazio  m suma o dvir m sua purza 
simpliidad o d r m sua solidão Quatas vzs puramos
o dvir lmtos tão laros  tão orts qua to aquls
qu Spinoza colhia na mditaço do sr!
Mas, ant nossa impotêia para contrar m nós msos
ssas grands linhas unifors, sss grands traços simpls p-
los quais o impulso vital dv dsar o dvir éramos lvados
natualt a busar a hoognidad da duração l imtado-
nos a fragmntos cada vz os xtsos. Mas ra spr o
so fracasso: a duraço no s liitava a durar la vivia ! Por
pquno u oss o fragento considrado, u xam mcs
cópico bastava para lr nel ua ultiplicidad d aconteci-
mntos: spr os bordados jamais o pao; smpr as sobras
 rxos no splho movdiço do rioj amais o uxo límpido
A durao, como a substância, só os via antasas . Duraço
e substância dspenha smo, uma m relaço à outra nu-
a recproca dsspradora, a bula do nganador nganado 
o dvir  o fenôeo d substcia  subsi  o feôeo
do devir.
Po e ento no aceiar coo etasicaent is pru
e e iula o epo o iee o ue eu ive  iu o
epo  e eôeo? O epo s se obev pelos i e
 uro  veeos oo  s  sentida pelos istaes El
é u oei e ies o eho  po de po os ue
uw de perspeiv solidariza de ora ais ou enos
sreita 1'

" Guyau já dizia, de um poto de vista, é verdade mais psicológico que o nos-
o: A idea do tempo [ . . . J se eduz a um efeito de perspectiva (L JCuesc d
l'idée du tmps, Peco).

34
O INSTANTE

Por q ue se percebe bem que agor a é preciso descer até os


p o n t os temporais sem nenhua diensão individual. A  linha
q u e reú ne os pontos e esquematiza a duração não passa de uma
f n ção panorâmca e retspectiva, cujo caráter subjetivo indi-
r  to  scundário mostraros a sgui r
Sm qrr dsnvolvr longamnt provas psicológicas in-
dqumos siplsmnt o catr psicológico do pblaApr-
cbaonos pois d qu a xpriência mediata do tmpo não
é a xpriênia tão ugaz tão dicil tão coplxa da duração
as a xpriência displicnt do instant, aprndido spr
coo ióvl  Tudo quanto é sipls tudo quanto é fort e
nós, tudo quanto é duradouro so é o do d u  instnt
Para cobater dsd já no trrno ais dicil, slineos
por xmplo qu a lrança da duração stá ntr as lmran-
ças nos duradouras Lbraonos d tr sido  não poré
d tr durado. A distância no tpo dfora  prspctiva o
coprinto porqu a duraço dpnd spr d m ponto
d vista iás o qu é a lbrança pura da losoa brgsoniana
snão uma i mag toada  su isolanto? S tivéssos
tmpo, numa obra ais longa para studar o prola a loca
lização tporal das lbranças no tríaos diculdad 
ostrar coo las s situa al coo ncontra articial-
nt a ord  nossa istória íntia  Todo o xclent
livro d Halwachs sobr os quadros sociis a eória" nos
p rovaria qu nossa ditaço no dispõ d  traa psico
lógica sólida squlto d duraço orta  q pudéssos,
nturale nt, psicol ogicante n solido d nossa própria
consci ência, xar o lugar da lrnça evocada  No fndo, te-
os ncssidad de aprndr e reaprnder nossa própria cro
nologia ,  para st studo rcorreos aos uadros sinóticos,
vrdadiros rsuos das coincidências ais acidntais É assi

35
 A I NTU IÇO DO I NSTA NE

qu, no as huld dos coraçõs, vm nscrvrs a hstóra


dos ris Conhcraos  nossa própra hstóra, ou plo 
nos nossa própra hstóra stara chia d anacronisos, s ôs-
sos nos atntos à Hstóra contmporâna . É pla lção
tão nsncante quanto a d u prsidnt da Rpúblca qu
localzaos co rapdz  prcsão uma dada lbrança ínt-
a  não srá sso a prova d qu não consrvaos o nor
vstígo das duraçõs duntas? A óra, guardã do tmpo,
guarda apnas o i stant; la não csrva nada, absolu tant
nada, d nossa snsação complicada  actíca qu é a duração
A pscoloa da vontad  da atnção  ssa vontad da n-
tlênca  prparanos ualnt para admitr coo h pó-
ts d trabalho a cocpção roupnlan do nstant s du-
ração Nssa pscoloa , é já b crto qu a duração só pod
n tervr nretant; vês co toda acldad qu la não
é ua conão prordal: co a urção, poes talvz e-
r a espra, as no a própra atnção, qu rcb todo seu
valor e ntensade nu únco nstante
Esse prolea da atnção aprsntous naturalnt no
eso nvel das dtaçõs qu dsnvolvos a propósto da
uao De fato, vsto qu pssoalnte não podíaos xar
or uto tepo nossa ateno ness na dea l que reprsenta
o eu despojado, devíaos ser tentados  frantar a uraço
ao rto e nossos atos  atenço. Anda aqu, dant o ín-
o de prvsto, tntano rncontrar o rno a  ntdad
nua e crua, percberaos de rpnt qu ssa atnção  nós
esos traz, por su própro funconamnto, aquelas lco-
sa e fráes novdads de u pnsanto s hstóra de u
pensaento se pensaentos Ess pnsaento nt raent
ne rrao no cogito cartesano no dura Ele só t a vdênca
e seu caráte nstantneo; só to ua conscênca claa e s

36
O INSTANTE

s  o porqu é vazio  solitário. Então l aguarda numa du-


ração qu é apnas um nada d psamnto  por consgunt
u  nada tivo o ataqu do mundo. O mundo lh traz u
conhecmnto   ainda num instant cundo qu a conscin-
ca atnta será nrqucda por um conhcmnto objtvo
Alás coo a atnço tm a ncssdade  o pod er de se -
toar, la stá m ssnca, nteramnt m suas rtoadas. 
atnção  tambm ua sri d comços é ita dos rnasc-
 entos do spírto qu rgrssa à conscnca quando o tpo
arca nstants. Al dsso s lvássmos nosso xam àquee
strto domínio m qu a atnção s torna dciso vríaos
o qu há d ulgurant nua vontad  qu vm convrgr
a vidência dos motivos  a algria do ato Sria n tão qu po-
damos alar d condiçõs propriamnt instantânas . Essas
condiçõs são rigorosamnt prliinars ou mlhor pré-
ciais por srm antriors ao qu os gômts chamam d con-
diçõs inciais do movimnto. E é nsso qu las são mtasc
mnt  no abstratamnt nstantâas. Contmplando o to
d tocaa vris o instante do mal nscrvrs no ra, ao passo
qu um brgsonano spr vm a consdra a trajtóra do
al, por estrto qe sj o xae que ee faz da duraço e
dúvda, o sato ao s dsencadear, dsnroa ua duraço e
acordo co as les scas  soógcas, es q regua co-
juntos copxos. Houv porém ants do pcsso coplcao
do pulso o instant sps  crnoso da dcsão.
D rsto s voltaros ssa atção pra o sptáculo qu
nos crca s m vz d atnço ao pnsamnto íntmo nós a
tomaros como atnção à vda, prcbrmos mdatamente
q u la nasc smpr d ua concdnci a. A coincdnca é o
ínmo d novdad ncssáro para xar nosso spírito. No
p odíaos dar atenço a u processo de dsnvolvmnto o

37
A INTUIÇO DO INSTANTE

qual a duração fosse o úco pricípio de oreação e dferecia


ção dos acotecimetos. Requerse o ovo par que o pesa
meto iterveha requerse o ovo para que  cosciêca se
arme e a vida progrida Ora em pricípio a ovidade é evi
etemete sempre istatâea
Por m o que permitiria alisr melhor a psicologia da
votade da evidêcia da ateção é o poto do espaçotempo.
Ifelzmete par que ess aálse se torsse clar e compro-
batória sera precso que a lnguge losóc ou eso 
ligugem comum tivesse assilado as doutras da Reltv
de. Sentese desde logo que essa assimilação coeçou s
está loge de ter acabado. Acreditmos cotudo que é esse
cmho que se poderá realizr a fusão do atomso espcl
co o atomismo temporl. Quato mas íntm for ess fuso
tanto s se compreederá o mérito da tese de Roupel. É
assm que se preederá melor seu cráter concto. O comple-
xo espçotempocosciêcia é o atosmo de tripla essêcia
é a môada armada em sua tripla solidão sem comuicação
com as coisas sem comuicção co o passado sem comui
cação co as las lheis

Ms toos esses pressupostos vão precer tnto s frges


qunto tê contr s mutos os átos de pensmento e ex-
pressão. Percebemos muto be aliás que a covicção ão será
suplntada repetiete e que o terreo pscológico pode
agurarse par utos letores pouco propco  esss nves-
tigações metascas.
Que é que esperávos o acuular todas esss razões? S-
plesente ostrar que se necessáro cetríos o cote
nos terrenos as desfavoráves Mas a posção metasc o p-
blema , no  as cotas ais forte. É para lá que vmos gora

38
O INSTANE

dirigir nossos sforços. Toos, pois, a ts  toda sua ni-


tidz A intuição tporal d oupnl ara :

1 ) o carátr absolutant dscontínuo do tpo;


2) o carátr absoltant puntifor do instant

A ts d Roupnl raliza, portanto, a arittização ais


coplta  ais franca do tpo A duração não passa d u
númro cuja unidad é o instant
Para mais clarza, nuncios d novo, coo corolário, a
ngação do carátr ralnt tporal  idato da duração.
oupnl diz qu o Espaço  o Tmpo só nos parc inni-
tos quando não xist"7 Bacon já obsrvara qu nada é ai
vasto qu as coisas vazias" . Inspirandonos nssas fórulas, po-
dos dizr  s dforar, qurmos crr, o pnsanto d
oupnl  qu somne o nada é ralmt coníuo.

IV

Ao scrvr ssa fórula,  sabos qu réplca vaos sus-


citar Dirnosão qu o nada do tpo é prcisant o intr
vao qu spara os instants vrdadirant arcados por acon
tcintos S ncssário aditirão, para lhor nos drrotar
qu os acontcintos tê nascinto instantâno, qu são
so, s ncssrio, instantânos, as rivindicarão  intr
valo dotado d xistência ral para distinguir os instants Q-
rrão fazrnos dizr qu esse intrvalo é vrdadirant o
tpo, o tpo vzio, o tpo  acontcintos, o tpo
ue dua, a duração que s plona, qu s d. Nós, poré

7 Silor, p . 1 2 6 .

39
 A I NTU IÇÃO DO I N STANTE

o obo   q o o     o


c q  r   iço ão  o; q
o   o  , q  o o    
Se dúid  o ução o eo o  -
do oõee  ua tse co ,  por iso po ho
co  iis co, s coé que oa uição j j
g    .  od parce pob, s co o-
hr q  q,   doto, l  o
cogo 
iás, se iroduzimos  princípio u belç  -
cedâeo da medição do tempo, teremos, uero crer, iado 
cu   úlim, sem dúid, oe a ctic os sper.
Foulmos ess críc tão brulmete uo poí.
E s ee, drosão ocê ão ode eit  i
o mo ouco u diião do eo m r líqo;
o eto ocê i, como oo do   ho  -
t io, q o ito    go A
oi,  uço. No o f s g oo o 
bo, to   q o o  , o q   o
qu e e. E  cão, oê  foço eo  :
u o tmo  o. A ção   g 
 oologi  o qo  x.
Si,  vas eão í, es o eo, e  o-
so esorço p renov   o. To  o 
delas coo são. M  fução do lósofo ão    fo-
r o io d lvrs o iet  exi o bo
do coco p pti o seo eai  o?
Não dee el, coo o poe, " u eno i uro às -
  bo {M) ?   q   o fo 
q o   q  o  o 
o   fo  q o    

40
O INSTANE

rdical em spectos espaciais perceberão que o terreo pol


ico ão estmos esrmaos e os isetarão se úi,
dessa acusação de círculo icioso verbl
as o problem d medid permnece e é eidetemet
í que  crítica ee parecer ecisia; ua ez que se mede  
ração,  porque e te ua graeza Traz, portato, o sigo
claro e sua reaae.
Vejos etão, se se go é rea ato T
os ostrar coo,  oso e, eeri coocrse,   tuçã
roupeliaa a apreciação a uração

Que é pois, que cofere ao tempo sua aparêcia e co


nuie? É o fto e poermos segudo prece impoo u
orte o qsmos, designr um femeo q ue ilustra o is
tnte rbitrrimete desido Terímos ssim  certez e qu
nosso to de conhecimento est entree  uma plen liber-
dde de exame Noutrs plars, preteemos colocar oso
tos e iberae ua ia cotíua pis a q ualq moment
podems experimeta a cácia de nossos ats De tuo isso eo
certeza, as e a is que isso.
Vao exprimir o eso pesaeto ua guage 
go frt, qu à pr , l,  precer siôa
a pra exprão. ros : td s vzs ue isr
poerems exrimntr a ác de nsss ts.
Eis, aor, ua objeção. Seá que o preiro oo e os
exprr ão supõe tacitaete a cotiuie e  osso er
e ão ser essa cotiuiae suposta coo evidete que tr
p ortmos para  cota da uração? Ma que garatia temos, e
tão, da cotiuiae assi atribuía a ós esos? Bastaria que
o rito  osso er escoexo corespoesse a um rito o
Cosos pra qu oo exa tise êxto a ca passo; o

41
 INTU IÇ AO DO INSTNTE

ais sipesente, para pvar a arbitrariedade e nosso corte,


bastaria ue ossa ocasão d aço íntima corrspondess a u a
ocasio do u vrso e sua, ue ua coincidência se aras-
se num ponto do espaçotepoconsciência Asi  tal é nos-
so argunto aior todas as vezes nos parec pois na tese do
tmpo descontínuo o sinnimo xato da paavra sempre toada
na tese do tepo contínuo Se nos peritire essa traduço,
toda a i ngage do contínuo nos será ntrege peo uso des
sa chave. �

A via, aiás, ooa à nossa disposiço ua ueza tão o-


digiosa e istates qu e fae da peepção ue os es,
ea pae be indeida. Apcebeonos e ue podeaos
gasta uito ais, donde a cença de ue podeíaos gastar se
ontar. É aí ue reside nossa iprso d connuidad íntia.
Quando coprendeos a iportncia de ua c oncoi-
tâia ue se exprie po r u acordo de instantes a i ntrpreta-
ção do sincroniso tornase evidente na hipótese do descon-
tínuo oupneiano e tabé aui se ve traçar u paraeo
entre as intuições d Bergson e as de Roupn :
Dois fenôenos serão sincrnicos, dirá o lósofo bergso-
niano, se estivere sepe de acodo. Tatase de aj ustar os de-
vies e as açõs.
Dois feôeos seão siôios, dá o ósofo oupe-
o, s toas as vezes e que o prieiro estiver pesente, o
seguno estive iguaete. Tatase e aj usta as etoaas e
os atos.
Qua é a fóua ais pruente?
Dizer, o Begson, ue o siconiso orespode a dois
desvovientos paaeos é utapassa u pouo as povas
objetvas, é estender o doínio de nossa veiação. Reusa-
os ess extapoação etasia ue ar u  ontínuo em si,

42
O INSTANTE

 b oa stjaos, s, soent diat do dsco tío 


 o ss a xincia . O sinconiso aaec, tão sm a
 ação concodant dos instantes cas,jaais coo -
dida, d algu tio goético, d a dção cotín 

Nest onto, é ovávl  e no s intoa co ot


objeção: eso adtindo ue o nôeno d conjnto s-
ja susctívl d exa sob o exato esuea toal da to-
ada cinatográca, você no ode ignoa, dinosão, 
na alidad a divisão do to anc se ossívl,
ou so deseável, s uiseos segui o dsnvolvinto do
enôeo  todas as sas sinuosidads;  citnosão m -
tacimatógao e dscv o dvi o d ilésios d
segu ndo. Po , ntão, síaos intoidos na divisão o
to?
A aão la l nossos dvsáios ostla   ma iisão
s tmo é  s s coloca s xa no nívl 
a vida d conj nto, sda na c va do ilso vital Co-
o vivos a dração u pac contína a  xae -
cscóico, soos lvados, lo xa dos dtalhs, a consida
 dação  façõs se nos das nidads  sco-
lheos
Mas o obla daia d stido s cosidássos 
contção al do to a ati dos instats,  vz da di-
visão do to, s ctícia, a ati da dação Víaos
ntão q o to log d ividis o s do aciona-
to    cotío s ltilic o sq das cos-
 odci néics
iás a lav_ j é aíg   osso v, seia ciso
voc i a toi  fção t coo Cot  s U
fação  o agato d ois úos itios o al o d

43
 A INTU IÇO DO INSTANTE

noinador não divide verdadeiramente o numerador Entre os


prtidários do contínuo tempol e nós, sob esse aspco aritmé-
ico do problem , a diferença é a seguinte: nossos dversários
partem do numerador, qu tomam como uma quanidad o-
ogênea  contínua  e sobretudo como um quanidade dad
imediatamente  pra as necessidades da nálise; dividem ss
dado" plo denomnador, qu desse modo é entregue à arbira-
riedade do xae, arbitraridade anto mior quano mais o
é o xam; es podria mesmo r er dissoler" a durço
s levssm longe demis a anáise innitesimal.
Nós, ao contrário, partimos do denonador, que é a mar-
ca da riqueza de instantes do fenmeno base da comparação;
el é con hecido naturalmente com mais nura  utentamos,
co fio, que seria absurdo ter menos nura no apareo d
diço qu o fôno  mdir. Com bs nisso, pergua-
os enão quanas ezes, a sse fnôo n ene escnddo,
orspod u azaço d u fôo s do;
os êxios do sincoiso nos do, em, o umrado d frço
As dus frçõs ssi onsiuídas podem r o so -
o Ms o so osrías d mesm i.

 os o  objo ái     o os


êios, o sá nssáio qu u srioso so q
o compsso fora e acima dos do is rimos comprados? No rs
palaras, não é de temer, dinosão, que sua análise uilize a-
iamnt a paavra enquanto, qu oê não pronuniou? Tod
a dicudade da tese roupneliana está com efeito, em eviar as
pars rds da psoog usul d durção Ms, aid u
z, s quisros exerciaros m diço do do fô-
no ro  snts pra o fômno pob  sans  o
oador pa o do   o o rso, rbos

4
O INSTANTE

qe e pode precindir no ó da palavas e sscita a idei


de draço o qe eria apena  cesso veal as en
da ideia da própia draço o qe prova qe nee donio no
qal rein ava coo enhora ea ó pode se epregada coo
 er v a
Ma para aior clareza traceos  esqea da cores-
p ondência; depois oe ee esea façaos as das leitas,
ael  e li ngage e dação e ela e  lingage e
intates, smpr prmnc1do, pr ss dupl lir, n s ro
nln.
Sponhao e o fenôeno acroscópico eja epeen-
tado pela pieia inha de pontos:

1)

Coocamo ee ponto em no preocparo co o in-


teao porqe paa nó no é aí qe a draço asme e en-
tido o eu eqea vito qe paa nó o inteao contíno
é o nada e o nada naturalente no te ai coprien-
to" qe draço.
Sponhao e o fenôeno ais naente escandido
seja eesetado sepe co as esas essalvas pela seg-
da linh e ontos:

2)

Copaeos o dois eqea


Se leos à aneia o patiáios do contíno de cia
p aa baixo  leitra ropneiana poré  diremo qe eqa-
to o fenôeno 1 e produz a vez o fenôeno 2 e prodz
trê vezes. Apelareos paa  dço e doina as séies

45
A INTUIÇO DO INSTANTE

duração a ual ossa palavra enquato assue seio, o al


se esclarecrá  doúios cada vez ais gsseis, coo au-
les o o, da ho ra, do dia . . .
Se a o conrário leros o incroniso à aeira dos par-
tidários absoluos do desconínuo de baixo para cia direos
e, uma vez em cada três, ao eôenos de apariçõe nuro-
sas (eôeos ue so os ais próxios do epo real) cor-
respode u eôeo de epo acroscópico.
As uas leiuras so o udo e q uivalees as a prieira
é u pouco guraa eais, e a segua esá ais próxi o
xo priiivo.
Esclareçaos oo pesameo por ua eáora. Na o r-
 sr o uo, há isruos u s cala o fr-
cia, s é falso izr ue sempre há u isruo ocao.
O uo é rgulao por u copaso usical iposo pel
cadêcia dos isaes. Se pudésseos ouvir todos os isaes
a realide, copreeeríaos ue ão é a colcheia ue é i-
a co ragenos da íia, as é a úia ue repee  col-
cheia. É dessa repeiço ue ace a ipressão de cotiiad.
Copreds, pois, ue a riueza rliva e isaes os
prepara a espéci  eida relaiv o po. Para por
fazer a coa exaa e ossa orua eporal, edir,  sua
o  s rpee e ós esos seria preciso viver eeiva-
 oos os iss o Tepo. É ssa oalia u s
ori o veriro soro o po soí o, 
é a oooia  rpição  s rcorri  iprssão
a ração vzia , por cosgie, pr. Fo ua o
parção uéric com a oalia dos isas, o coio 
riueza eporal d ua vida ou e  eôeo pariculars
assuiria, ão, seido absolo, segu o a aeira pel ql
ssa riuza é ilizaa, ou, es, sguo a aira pla  

46
O I NSTANTE

n ã o al canç sua alização. Mas, coo s bs bsout nos 


r  c usa da, dvos contntanos co blnços ltivos.
E i, potnto, qu s pp u concpção d dução-
ri qu za qu dv pst o sos sviços qu  dução
 xt nsão. Pods v qu  lva  cont não apnas os ftos,
as tb,  sobtudo, as ilusõs  o qu, psicoogicnt
flando,  d u a ipotânci dcisiv, poqu  vid do s
ito  ilusão ants d sr pnsnto. Copndos t-
bm qu nossas ilusõs constants, incssantnt rnco nt-
das,á no são ilusão pua e qu, ao dita  nosso o, nos
apxaos da vdade La Fontain t azão quando nos fa-
la ds ilusõs qu nunc nos ngn o nos n sp".
O uo igo ds tics cintc od ntão  -
cont,  oo ton  gns  Silo, on s -
concii, copltnos, o spíito  o coção O qu f1Z
o cát ftivo d ução,  lg o  o d s,   o
oção o  sooço s ho   utilizds coo
ho  nsnto o coo ho  iti. A t 
cu d ,  vid dsc d viv, o coção sc   .
É dono u pdo o íso. Sigos o  c
tiva d nossa indolênci: o átoo iadi  xist co fquên-
cia, utiliz u  gand núro d instants, po não u tiiza
todos os instants.Já a clula viva é ais va  us sfoços,
utiliz sont u  fação das possibiidds tpoais qu lh
são ntgus plos átoos que  constitu. Quan to ao pn-
santo,  po lpos igus qu l utiliz a vid . Tês
ltagns tvs das quis uito poucos instnts vê à cons-
ciênci! Sntio ntão u udo sofiento qundo saos
em busc dos insta1es perdidos. boo qls hos -
cs qu s c o coo o i o o inos  P-
c o, s sinos d ição cuj bt não  cont o

47
A INTUIÇO DO INSTANTE

que todas elas conta, porue cada qual te u eco e nossa
ala desperta E essa lebnça de legra é já u orso quan-
do coparaos, a essas horas de vda total, as horas ntelectua-
mente lentas porque reatvaente pobres, as horas orts po-
qu e vazias  vazas de desígno, coo diza Carlyle do fundo
de sua tristeza , as horas hosts nteráveis poque nada do
E sohamos co ua hora divina que daia tudo. No a
hora plena as a hora competa.A hora  que todo os isa
do tempo sera utlizados pela :éra, a hora e que todos
os i tanes realizados na atéra seriam utlizados pela vida, a
oa m u odos os itates vvidos siam sios, ama-
dos, pensados A hora, po consguinte, e que a relatividad
da consciênca sera apagada, porque a conscênca seria a xat
medida do tepo copleto
Falmente, o tempo objetivo é o tempo máximo; é aquele que
contém todos os nstantes Ele é feito do conjunto denso dos
ao do Cido.

Ri go exia o caá veoia da duraço, nica o


 faz a iço o mo, em uê uma perspectiva de i-
a apacidos pode camase passado, e quê uma pes-
civ e sa ode chamarse futuro.
Se udmos compeender a signicação priordial da i-
uiço posta por Roupnel, deveos estar protos para ad-
mitir qu o passado e o futuro  coo a duração  correspon-
dem a impessões esscalmete segundas e idietas. Passado
 ftuo o tocam a ência do s, e muito mo a essência
imeia do Temo. aa Roel, covm eeti, o Tempo é
o ,  é o ia  u m oa a caga teo

48
O INSTANTE

al . O passdo é ão vazio uano o fuuro. O fuuro sá o


r al
 o ro uano
ua no o pssado O insan não oé u u  duço
  su sio, não ipl ipl  u
u  forç
forçaa u sio
s io ou oo oo E
n ã o  duasdua s f
fs,s, é ii
i ioo  únio.
úni o. Por is
is u
u   i-
mos a ssência, não nconraros l  riz  u u-
lidad sucin  ncssária para pnsar ua dirção
Aliás
liás  uand
ua ndoo se qur
q ur,, sob a i nspiração
nspiração d Roupnl,
Roupn l, xi
xi
ars
ars na mdação do I nsan, percbs percbs u  u o prsn
prsn ão
passa, porue só se sai d um insne para rnc rncononr rar
ar our
ou ro;
o;
a consciência
consci ência é consciência
con sciência do insan, e a consciência
consciên cia do is-
ante é consci ência  duas fórula fórulass ão vizinas
vizinas u nos n os olo-
cam na ais próxia ds rcípr rcíprocs
ocs  ara
a ra ua u a assiilação
da cosiênci pura  d ridade pora. Ua vz c-
rad nu
nu  diação soiái,
soiái , a osiêi
os iêi  a iobi
i obii
i
do insn isolado.
É 
 rrado
ado no isolno do isan isan u o po po
rcb
cb  uu  oog
o og ida
ida pobr,  ss pur.
p ur. Essa
Essa o o o- -
eidad do insan, d rso, nad prova onr a anisoropi
qu
qu  rrsul
sul  dos agrupamnos ue pr pr  rnco
n conrnr  a i-
dividulidad ds duraçõs, ão b assinald po Bgso
Nouras
Nouras palavr
palavrs, s, coo  o próprio
próprio i nsan
nsan nada  á u u  os
pera
pera posular
po sular uma urção,
urção, pois j á nnão ão á
 á n
nda
da u possposs
xplicr idiaan a rzão rzão d ossa
ossa xpriênci  u, u, nono
ano,
a no, é ralral  dauilo u chaaos chaaos d passdo  fuu fuuo
cupr
cu prnonoss nar
 nar consruir
co nsruir a prspciva
prspciva dos dos insans
insa ns u
 u -
signa ns o pssdo  o fuuro.
Oa, undo s scu sc u  sinfoni
sinfoni os is
i ss,
s, sns
s ns s
frss u or, as fss u ob  são rrsas 
di
di ço
ç o o
 o ssado
 ssado.. Ms ss fu fu g pa
pa  o pssdo,
pssdo , lo fo  o s-
o  s u ri s é o iv. U io
xius liv
livn
n   o
o  i
i   sif
si foi
o i 
  o
o 

49
A INTUIÇO DO INSTANTE

tinua
tin ua Poderíamos
Poderíamos representar
epresentar bastnte
bastnte bem esse decréscimo re-
latio pelo seguinte esuema:

Três por ci no n o torna-se dois por cico,cico , depois u por i -
co, depois
depo is é o silê ncio de um ente  ' e nos deixa deixa , enuanto
enu anto em em
derredor o mundo continua a ressoar
Co m esse esu esuema,
ema, compreendese
compreendese o u e existe de pote n-
cil e ao
a o mesmo tempo reltiv eltivoo no ue chamamos, sem lhe lh e es-
es -
pecicr
pe cicr os lites  de hor h or presente
presente Um ritm r itmoo ue
 ue c ontinua
ontin ua
i nalterado
nalterado é um presentepresente ue  ue tem uma duração
duração;; esse pr p resete
ue
u e dur
du ra compõese
co mpõese de múltiplos instantes ue de de u m ponto
pon to
de ita atiua
ati ua, p
p esnta per pe rfeita ono
 onoton ia É de tais mo-
tonia
notonias ue são feitos os sentientos duadouros ue deter-
minam a indiidualidad de ua aa partiar A uiaço
pode
pod e estabelecer
estabelec erse se e eio a circunstâcia
circunstâcia be diersas
diersas Pa-
ra ue o  o ti
ti  a ar,  o dfu dfuto to  o so to t o
prese
presete
te e pasdo ;    te r
 ra o o
o ação ,  pado a a 
o oaç ofido É , oi
 oaçoo ofido o i,, of
ofi
i
to
to  eo foto
foto a a o o-
o -
ção que aeia ao o teo o ofrieo e a recordaço
Ceg
C egase
ase meso a dizer ue u aor peranente, sig sig o de
u aa dur du radadou
ourra , é algo dirso
dirso de sofri
sofrie
eto to  felicid
eli cidad
adee
e ue
 ue,, transen
transendenodeno a cotr
c otradição
adição afeti
afetia , u ei
e io o qu
qu 
dura
dura aue
a ue u eido ta tas sio
io Ua ala ate ex expi-
pi-
menta
me nta ef e fetiame
etiamet t  soidariedde
so idariedde dos instantes
i nstantes ree
reetidos
tidos o
o 
reg
regularida
ular idadd Ri
R iae ae,, u rito uif u ifo
oee d in
in tes
tes
 uforma a priori de siatia.
U esuea
esue a ieo ao iei i eioo equea
equ ea nos reprsea
reprsea--
i  io qu q u ae  os dia o tos da eid e  e

50
O INSTANE

! a ti va de e progreo. O ovido ic ect o eio 


elo dia, di a, ae como
com o term te rma
arrá a fr
frae coeç
co eç .. Nó péovi-
péo vi-
 o o ftro do om como prveo o ft e  rjó-
ria
ri a  oltam
olt amo o toda
t oda a
a  oa
 oa força
força para
p ara o ff tr
t ro i  ei
e io,
o, e é
esa
es a tenão
te não qeq e az noa dr d ração aa al.
a l. Coo i i G ya  , é o-
a iteção qe ordea veraeiramete o ftro coo 
p erpec
erp ectiv tivaa da qal
q al omo
om o o centr
cen tr de pro eçã o " É precio
proj eção precio e- e -
ej
ej a r, é pr
p reci
ec ioo qe
q errer, é preci
precioo ee
e ede
derr a ão e camc ama a 
criar o ftro. O ftro ão é aquilo qe vem em noss dr,
ma aq aq  lo em dire
direçã
çãoo ao qa
q all nos dirgim os."K O eto
dirgimos."K et o  o c:c: 
ce o  o f
f  etão
e tão icio
ic io o póio eee eee
Ai, coío o o o coo o o H á
aqi
aq i ma ma persisênci
persisê nciaa etafórica
etafórica qe q e teremo
teremo de ecar
e carec ecr
r R-
R -
conheceremo etão qe a embraça do pasado e a prevo
do ftr
ftroo e  e fnd
fndam am em e m áito
á ito E, coo
co o o paado ão p
de ma erança e o ftro nada mai é qe a pevo,
armaremo
armaremo qe q e paado
pa ado e ftro
tro ão apea,
apea , o ffo,
o, áo
á o
Ese háito
hái to estão lon l ongge de er er imediato e precoprecoce ce.. E,
E , o
aratere qe azem com qe o Tempo no pç ar, co
mo aqe a qelesles qe azem
azem com c om qe o Tempo e deie dei eieie egu
egu o
as perp
pe rpectiva
ectiva do paado
pa ado e do ftft,, ão ão, a ooo o ver, oo
priedae de primeio aspeco. O óofo dve ecotío
apoiandoe
apoian doe  icaente a reaidae reaidae tepor
tepor  a iedi
i edi
mee ao Peameto, a reaiae do Instate.
Vereo
ereo qe q e é e
 eee poto qe e coa
co a o    
cldae e Silo. M eas eas dicae poe po e pro
provi
vi  d
d i
i 
prec
preco oce
ceiidas
das do leitor.
lei tor. Se egurarmo
egurarmo forte fortemete
mete a da d a po
po 
ta da correte
c orrete q e vao xar, xar, compreede
compreed eemo emo el
e lo, o, e
egi
egid d,, o c
 cadeame
adeameto to do arg argmeto
me to.. Ei,
Ei, portato,
porta to, o

• G u yau, op cit., p. 33.

51
 A INTU IÇO DO INSTANTE

ds conclsões, prentemente contrárias, qe teremos de con-


ciliar:

1) A duaço ão  foç i; o to a só xi v-


ia o i ioo,  ii o u
o o, o .
2) Eno, o  é u ug  onâi  o io
os intas e, coo , oers� ia dizer qe l  u
asao oo s diz u u co tm u voz. Ma s -
sdo no assa d m hábito presente, e esse estao presen-
 do assado é ainda ma metáora Com eeito, ra nós
o  bio no eá i nscrio numa matéia, nm espaço. Só
po raas   hábito todo sonoo qe permanece,
 ermos crer, essencialmente elativo. O hábito qe, para
nó, é ensamno é deiao aéreo para sr egitao,
sio ieri a ormr n aéria É u jogo u
coiua, ua fas ui que v rcomeça oqu faz
a  ua sifonia a ua desempnha m pap. P-
o os é asi q namos soiariza, pelo hbito, o
aao  o fuuo. Nau, o ao o futuro, o i-
o é no sóo. E o oi aa o  ã
o  ii. O fuuo o aa  um rúio,  u
f uica qu avança  é saia. Ua úia f. O
Muno ó se proonga or ma curtísima pração. Na
sinfoni qe se cria, o t só é ssegrado por ns pouco
comassos Hmnamene, a disimetia do pasao  do u-
uo é aica  E ós, o passao é uma voz u  nconrou
 o. Dao si uma força ao q já no assa   a
foma, o melhor, daos ua fo úia à puia 
foa. Po  í, o ao u ão o o 
ia. Poé o fuu o o u sja noo jo,

52
O I N STANTE

é uma perpectiva em profundidade Não e eddei-


mente nenhum víncuo ódo com o eal Daí dizeos que
ee está no eio de Deu

udo iso se eclarecerá, talvez, se p udeos esui o s-


gu ndo te da losoa upneliana Falos do áo o
nel o esuda em prieio lug Se sueeos  o d
noso exae, foi porque  negção solu d el o s-
sdo é o posuldo teúel qe cupe di  cio 
e vli a diculdde qe á e ssil s ids coes
sore o áito. E sua, no cpítulo seguine nos pg
reos coo se pode concli  psicologi usl o áo co
uma tee que não reconece no passado ua ção die e ie-
diata ore o intante presente

VI

Todavia, ante de iniciar ee capíulo, podeíos, se al foss


noo objeto procurar no doúnio da ciência conteorâne
razõe para fortaecer a inuição do tepo desconínuo Rop-
nel não deixou de taça  palelo e e s ese   descço
oden dos fenônos de ço  óes dos qum1ta.�
No fundo, a conaildde da enegi tôc  fi peg
ose ais  itéic que  geoei . Ess col s
expre is co fequêncis qe co uçõs e  lg
ge e q uantas vezes uplanta pouco a poco  linguge e
quanto tmpo.
Aliás, o oeno e que escei, Rouel o o
p reve toda a extensão que assuia s teses d desconini

• Cf Si/"e, p. 1 2 1 

53
A INTUIÇO DO INSTANTE

e eol, i coo fo aee  o Co geo o


I io Soly, e 1 927 . Se leo té o talo o-
eo oe a eíic ôica, eeo qe á eição
e a o eleeo fea dea etatític. Qe é qe
e ee ecee: eét, quanta, go e eegi? Oe co-
loc a i  iiilie? Não é o eot  
ealiae eol e i e  ecoa o eleeo o
iliao elo  co. Ai,  c �ceio etatíico o ia-
es feco todo cada qa e e ioento e em 
ideeêcia, é coceíel.
Haeia igalente iteeante lelo  taça ete o
olea a eitêcia oitia o átoo e sa aifetção
ee intâea . E ceo aecos, iteetío -
e e o feôeo e adiação ieo q e o áoo ó
xie o oeo e qe . Se ceceao qe e-
 ça e  e ei c, eeeo  i qe
oo o el e coe o ie eeío e  ee
g  ilio ão elocide, a ilõe.
Po o  lao, otoe a ioâci o i tte o
coecieto, feia e o qao á e fági a oje -
ção, ee eoca, o cáe ito eal o "itelo qe e-
a oi itante. P  coceçõe etístic o teo, o
itelo ente oi itte é ea  iealo e o-
ilie; qato ai e a e og, aio é a ca ce e
qe   itate ea teiálo. É ea acetção  ca-
ce qe lhe mede a grandeza. A duçã vaia a duração p 
tem oete, então  gadea de baiidade. O átoo,
qado ei de iai, aa   eitêci eegéic e
odo e  oo i l ão eee i a a eloci e
e e eléo ão  e eegi ão ecoo -
oco, ee eo l,  oeci qe ele oeia 

54
O INSTANE

r  r p ós m longo reposo N verdde, l é apas u b-


q e d o bndondo; menos ainda, é peas ua ega de jogo
  tei rm ente orml qe orgniz mers possibl dades  A xs-
tê n cia retornrá o átomo com a chnce; notras palavras, o áto-
o rec eberá o dom de m instante ecundo, as o cbá po
cso, como  m novidde essenci, de codo co as ls do
cálclo ds prbbilddes, porqe é preciso q cdo ou tad
o Univrso teh, em tods s ss prtes,  ptlha da rada-
d empor porqe o possível é m tentção qe o real s-
pre cb por ceitr
Aás, o cso obrig sem vinclr  ua cessdad absou
t Compreendese, então, qe o tempo que não t ta
mnt ua ação al posa cusa a uão  ua aço fta. S
mits vezes  átomo perance ato uato o átoo
vizinhos irradiam, a vez d ag tors a  as 
pra esse átomo á tepos adorcido  soldo O poo
at a probabdd da aço,  ão p  a
ção A duração ão ag à aa d u au"  1  à 
nei de um acaso. Au ad  o princípio de cauli xp
-se melhor na linguagem da nueação dos atos qu tw lg 
eomeria das ações que dum.

Mas todas essas pras ctícs stão fora da ps 


estigação Se sseos desenolvêls dsaíos o to o
obj eto visado O u queros p au  o fo
é pnas ua tarea e lbetação pel itução Coo  tço
do otíno nos o o rquêc é dubtlt
útil nteetar as coisas co  ntução s No po
o qu s se da foç d o osçõ é  o

1" Uergn , p. cit., p  17

55
 A INTU IÇO DO INSTANTE

n trss qu xst  ultplicr s ntuçõs dfrnts na


bs d loso  d ciênc. Nós sos cos surprsos
lndo o lvro d Roupnl, co  lção d ndpndêc ntu-
tva qu s rcb o s dsvolvr ua ntução dcl. É p
la dalétca das ntuçõs qu s pod lnçar ão ds ntuçõs
s rsco d sr por las ofuscado. A ntução do tpo dscon-
tínuo toada no aspecto  l osóco, ajuda o ltor qu qur s
gur, nos s vrdos doos �s cêncas sics,  ntrodu-
ção ds tss d dscontnudd É o tpo qu é as dcl
d pnsar sob forma dscontínua É, pos, a dtação dssa ds-
contnudad tporal ralzada plo Instante isolado qu nos
abrrá os cnhos as drtos par ua pdagog do dscon-
tíuo.

56
CAPITULO 2

O p roblema do hábito
e o tem p o descontnuo

Tda alma é ma lodia que covém renoa


AlRMÉ

À primer vst, como dcávos, o problem do hábto p-


rece nsolúvel com bse n tese tempor qe cbos de des
volver. De fto, egos  persstêc rl do pssdo; ostr-
os qe o pssdo stv termete morto qdo o stt
novo rmv o rel. E s qe, em cofordde com  d
qe se costma fzer do hábto, sremos obrgdos  rttr
o hábit o  ess e legdo de m pssdo efto   forç qe
confere o ser m gr estável sob o er ovente. Pode-
se, pos, recer qe estjos eredd  pss. Vos
ver como, segudo Ropl co coç esse terro d

57
A IN TUI ÇÃO DO IN STANTE

!, oos ncont s gns is s ntuçõs o-


sócs fcns.
O óo Ronl  nic o cát  su tf : "C-
nos go nst o átoo ds s u subtíos
o sço  o To  ti prtio dos dspojos ncos
 sss os spolios o Tplo  . 1 É ue, co fito, o t-
u go à  tbuí o sço contínuo no é
nos o  o tu ue dsfchmos contr  rl
tbí à ução, to coo u c ntínuo to. 
Rounl, o átoo te popieddes espciis d s sot 
to n tnt qunto t is uícs Nouts
, o too no s sbstntc tono u ço 
 q s   o gnto o   o q  fz é
ns s xo no sço O lno o átoo só fz ognz
ons sos, coo s  ognz nstnts solos
O sço já no é snão o to u tz nt s
forçs e soliri o s. O lhues não g is sob o
qui o u o ouo g sobre o gor.
O ser u é visto d for está duplmnte blouedo n so-
ldão o instnt  o onto. A ss solião sic rdob s
crscnt , coo ssos,  soidão d consci ênci uno
s tnt n o sr o n Coo no r í um fotl-
cinto s ntuições lbnizins? Lbniz nega  solid-
 it  ti os ss istibuíos no spço Po outo
lo,  on stblci suun, no seio  c ô-
n,   contnud, rliz l ção  u
to nsl  bsoto o ongo do ul s ilust  -
ft concorânci e tods s ônds. Encontrs  Sílo
u ngção sulentr,   solidridd reta do s 

1 Silor, p. 1 2 7 .

58
O PROBLEMA DO HBIO E O TEMPO DESCONNUO

s  t o o sr passo. Ms, aina u  vz, s ss soii-


    os instants o tpo o é n i  , s,
 o utr o s trmos, no é a uraço u iga iiat nt os ins-
ta  ts rui os m grupos sguo rtos princípios, tonas
a is n ssrio e nuna ostrar oo ua soiaria
ã o ireta, o tmpora, se maneta o der o s. E su,
tos   nontar u prinípio para substuir  h ós 
hroni pstbi. É  isso u tn,  nosso v, s
tss roupianas a spito o hbito.
Nosso poba sá nto ostr,  io g, q
o hábto aina é c onbív, so uno o sos 
su poio nu psso posulo,  fo gui  ô,
coo itant  caz. E sguia tos  ot qu
ss hbi to, nio agora n intuiço os instants isoos,
xpia ao mso tempo a prmaênia o sr  su pogsso
Ma ants abramos um parêts.

S osa posição é ii, a  nossos avrsios é, ao con-


trrio,  spatosa aiia.Vjaos, por xpo, coo tuo
é simps paa o pnsamo raista, para o panto u
"raiz uo. Piiro, o s é a substâna, a substânci qu é
o so o,  gç s niçõs, o suo  s u-
is  o suot o vi. O passo ix u ço n a-
téia; coo, pois, u xo no psnt; stá, potanto, s-
p vivo arint. S s fl o g, o fuuo c
coo po int o  s fc co
 u  éula rba onsv a baç  Qu nto o hábo,
é suso xpliáo, vsto qu é  q xc uo Bs
izr u o érb é a rv os sus otos  co-
p n u o háto   cso cooco à sosço
o s pos sfoços  gos O ho fc á, os,  

59
 A INTU IÇO DO NSTANTE

éia do se, a poo de ogaiza a solidaiedade do assado e


do fto. No fdo, qual é a palavra-orça que eslaee oda es
sa psiologia ealisa? É a paavra que traduz ua inscrição. Qua
do se diz qe o passado o o hábito estão iscios a atéi a
tdo está explicado  a qestão deixo de existir
Deveos ser ais exigentes para conosco Ua isição,
a nosso ve, ão expica nda. Formleos iici alene ossas
objeções conta a ação terial do instate pesete sobe os
isates fos, coo aqeles qe Ô gere seia ssceível de
exercer na transssão das foras vitais. Coo obsea Rop-
nel, é se dúvida

uma conveniência de linguagem rticularmente cil investir o


germn de todas as romesss qe o indivío relizará e deo-

sitar nele o atrimônio reunido dos hábitos qe realizaão no ser


suas formas e funções. Mas, quando dizemos que o totl desses
hábitos está contido no germen, temos de nos entender qunto ao
sentido d expessão, o, antes, qunto ao valor da imgem  Nda
seria mais erigoso qe igina o germen como m continente
cjo conteúdo sei  conjunto de riedades. Es ssociação
do bstrato e do conceto é imossível e, de esto, não exlica
nd2

É crioso aproxiar dessa crítica ua objeção easica


apesetada por Koyré e sa aálise do pesaeto ístio:

Gostarímos de insistir, contuo, n concepção do germe que se


reencontra oculta ou expressa em toda doutrina organicista. A
i ideia do germe é, com efeito u m ysterium. Ela concentra por

z Op c it, p. 34.

60
O PROBL EMA DO H BIO E O TEMPO DESCONTNUO

ass i dizer todas as articularidades do ameto orcis-


ta É uma verdadeira uião dos cotrários ou smo do co-
traditórios. O ger é oderíamos diz o que ão é El já é
o que ainda não é o que aeas será. E o é orque do co tário
não oderia vir a sêlo. Não o é porque do cotrário como vi-
ria a sêlo? O gee é  ao eso teo a matéria que evolui e
a potência que a faz evoluir O germe age sobre si mesmo É uma
caus sui se não a de seu ser elo eos a de seu desenvovi
-

mento Paece que o etendiento não é caaz de areender es


se conceito: o cículo onico  vida, ara a lógica linear tras
forase ne cessaiaente nu círculo vicioso3

A razão dea confuão cheia de conadiçõe ové e


dúvida, de e havee unido dua deniçõe difeene da -
ânci ue deve cone o eo eo o e e o dvi o n-
tante eal e a duraçãopenameno, o conceo e o conruí
o , aa dizêlo melho co Rounel, o conceo e o abao.

Se na geação do ee vivo  ainda ue e oa conce


be u plano noativo  não se conegue coeende cla-
aene a ação do inane esent oe o inane fuuo,
qão ais prudene e deveia ser uando e otula a inci-
ço de mil acntecieno conuo e aralhado do aado
n matéria encrreda de atlizar o tepo desaparecido!
E rimeio luga, o que a célula nevoa egiaia ce-
o aconecieno e não o uo? De aneia ai ecia  e
não há ua ação noaiva ou eéica oo od o háio
conva u ega e ua foa? No fno, é   e-
mo dee O aio  duaç n ix d l

·' A . Koy ré, Boclrm, p 1 3 1 .

61
A I NTUIÇAO DO INSTNTE

  olong s çõs tois. Qu bneise,  u


to,  ontinui gdu d ção  d dscontinu i
   ço u nci tnt  gudi, o longo
d duço, o instnte  oício p ensce Segndo es, é
tnto ddo to se repetindo qe m hito se efoç.
Os prtidrios do tempo descontíno são tes impessiondos
el novidd dos instntes fcndos u confe o hábito
su ebiidde  su cci; é sobtudo elo tu do -
bito u ls gosti d exli sü funço  s sistên-
ci, ssi como é o tu do co do violino u dtein
o so u se sege  O bito só ode utiiz  enegi se st
s su sgundo u itmo tiul. É tlvez ness sntio
u s od intet  fóul ounlin: " A ngia não
ss  u  gnd eói ".4 Co fito, l só é utiliz-
l l eói, l é  ói  u ito
P nós, o ábito é, otnto, see u to stituído 
su novidd; s onsuênis  o desenvolvimento dss to
são  ntegs  hbitos subltnos, s dúvid enos ios,
s  dspende, é eles enegi ói obdcndo
 tos pieis e os donm. Smuel B uer j obsvv
u  eói é ftd i ncilnt o dus foçs de c-
te oosts,  d novide   d tin, los inidnts ou
objtos  nos so ou os is filis, ou os enos f-
is"5 A nosso v, dint desss dus foçs, o se ge is
sintéti u ditimnt,  d bo gdo deniíos o á-
bito oo  ssiilção otini d u novidde. Ms, o
ss noção  tin, não stos intduzino u niz-
ção infio, o u nos xoi  u sção  cíulo vi

• Si/o, p. 10.

5 tler, L vie cl l'1bitudr trad Lrbaud, p 1 4 9 

62
O PROBL EMA DO HB ITO E O TEM PO DESCONT[NUO

c i o s o. Não, pois intervém  aqui uma queão d relaividade de


p o nt os de vista, e, quando se leva seu exame ao domínio da
o ti n , percebee ue el se beneci,  mem sorte qe o
háb ito s intelectuis mais vos, do impulo forneci o pel novi-
 de dcal dos instantes. Exminese o j ogo o hábito hierr-
 ui za o vese ue u aptião só continu seno ptido
se se esfoça p se ultapss, se é u  pogso. S o pinit
nã o que toca hoje eho ue onte, ele se bnon  ábi-
tos mnos ca Se et usente da ob, seu edos ogo pee-
o o hbito de orrr sob o tedo. É efevente a a ue
comanda a mão Cupe, pois, apeende o hbito e seu ces-
iento para capto e su essêni; ele é si, po eu in-
reento de ceso, a síntese da novide e d otin, e ess
síntese é ealizada pelos instntes fecundo.�
Copreendee assi ue a rndes cições   cição
de u se vivo, po exeplo  reeem de início u a té-
i e lg odo fesc, pópi p cole  novide o
fé É  plv ue ve ob  pen e Butle: Qunto  en
expic coo  eno pcel de téi pôe ipe
de tant fé  ponto e se eve consi ela o  eço d Vida
ou eteina e que conite ea f, eis u coi iposí-
ve, e tudo ue se pode izer é ue e fé fz pte a essên-
cia esa de todas s coiss e não epou sobe nd" 7
Ea é tudo, dio, porue tua no pópio nível da sínte-
e do instante mas, ubstancialente, el é ada, porue pe-
tende tnscender a eidade do instnte Ain aui, a Fé é ex-
p ectativa e novidde Nda eno tradicion ue  f na vi.
O se ue e ofeece à vi, e su ebigez e novie,

' Cf. idem op. c i t .  pp 1 50 1 5  


7 Ide m  op c i t  , p 128.

63
A INUIÇO DO INSTANE

etá memo dipoto a tor o preente como u proe


de futu A maior da forças é a ingenuidade Roupnel ubnou
precisente o estado de recoliento em que se encontr o
germe de onde vai air a vida Ele cprendeu tudo quanto
hava de libe rdade arada num oço absolu to O germe
é, se dúvida, um ser qu m rts asptos ita, que reco-
eça, ma ó pode recoeçar vrdadeiraente na exuberân-
cia de u m início. Iniciar é su verdadeir unço  O germen no
tra conigo outra coia eno u iníêo de pcrição celu.H
Noutra palavra, o geren é o início do hábito d viver. Se leo
u continuidde n ppgço de u epécie, é porque no-
'
a leitu é geira; tomao o indivíduos coo testemunha
da evoluço, quando el o eus ators Com tod o, Roup-
nel decarta todo o princípio ais ou en materialita
ppoto para asegurar ua continuidde oral do ere i-
o " Pode ter parecido , diz ele,

qe cocnos coo se os me não consísse eleentos


desconínos. I nvestos o ge d hen dos epos coo
se le hovesse sssdo  ees Ms deceos de  vez po
odas qe a eora das parículas representavas nada em a ver
com a teoria presente Não é necessro inroduzir no gaeta ele-
entos que teriam ido constantes legatários do ssdo e eteros
atores do f tro Par desepenha o papel que lhe atribuos
o gameta não precsa das icelas de Ngeli, das gê1las de Din
dos pgens de De Vries, do plasma ermiativo de Weissmnn . Ele
se bsta  si mesmo só depende de sa subsânc atual , de sua
virtude tal e de sa ora, e vive e morre nteiramente como
cotemorâneo A eranç que le é articuar, e que ele reco

• :ifoe, p. 33.

64
O PROBLEMA DO HB ITO E O TEMPO D ESCONTNU

h, e não a rcb do sr atal. Foi ele que a construiu o
zo apaixonado,  como se as camas de amor em que nseu
o ovessm despojado d todas a suas servidões funcionis es-
ablcido em s potência orignal  restituído às suas i-
cias iniciais')

No fundo, mais ue a continuidade da i,   c


nuidade do nascimento ue coné exca. É í ue  o
de medi a edadeia otênc o se. Ess o,  
emos,  o etono à bede o osse, qs e
múltias nascidas da odão do se.
Mas esse onto aaeceá, taez, co s ceza 
ue tiemos desenolido, alendonos dos tes do t
dscontnuo, nossa teora metasica do hábto.

11

Pra ns de careza, formuemos nossa tese oondoa ie


tamente s t realistas.
Costumas dize ue o hábito está insrio no sr. A no
e, seria melhor ize, eegando a nguagem os geô
tras, ue o hábito está exscrito ao ser

Primeio o i ndiíduo, na medida em ue  comexo, co-


responde a uma simultaneidade de ações in stantneas; só ee-
onta a si memo na orção em ue essas ções smutâ 
ecomeçam . Eximiamos isso bastante b, t 
 ue um indiíduo, tomado na soma de suas uaidades e e 
dvir, coresponde a uma hamonia de to tempo D

• Op. cit, p. 38.

65
A INTUIÇO DO INSTANTE

fto, é peo itmo que se compreendeá meor ess continui-


dde do descotíuo que nos cbe go estbeece p ei-
g os piácuos do se e deiner su u nidde. O ritmo tnspõe
o siêncio, d mesm sorte que o se transpõe o vzio tempo
qe sep os instn tes O ser conna plo hábito, assim como
o tempo dura pea densidade regar dos instantes sm drção.
É peo menos nesse sendo que interprtamos a tese roupne-
in:

O indivído é a exressão não de ua causa constante as de


ua justaosição de lebranças incessantes fxadas ela atéria
e cuja li gadura não assa, e própri, de u hábito que se sobre-
õe a todos os deais. O ser já não é senão u estranho l ugar
de ebranças; e quase se oderia dizer que a eranência de
que ele se acredita dotado nada ais é que a exressão do hábi-
to a si mesmo. 1

No fudo,  coeênci do se não é eit d ineênci ds


qiddes e do devir à matéi e é toda hrmônic  ére
É frági e ive como um sinoni Um hábito prticur é u m
itmo sustentdo, no qu todos os tos se epetem igudo
com bse extidão seu v o de novidde, ms sem  mis
pede ese cáte omite de se um ovidde. A diuição
do novo pode se tm que às vezes o ábito pode p
p o inconsciente Pece que  consciêci, tão intens no
pimeio esio, se pedeu o se epti nte tos  epeti-
ções desnecessái. M, o se economiz,  novidde se og-
i; e invent no tempo m ve  ive o espço A vi
já cot  eg fom u egução tepo o ógo

1
Op. cit., p 36.

66
O PROBLEMA DO HÁBITO E O TEMPO DESCONTNUO

se constó pea fução; e, para que os ós sea  pes


basta qu e as funções sea  ativas e frequetes To eqvae
sepre a utiizar u úe crescete os states que  Te-
po oferece Segundo parece, o átoo que ees se seve e ao
núero encontra aí hábitos tão sólidos, tão uaouos, tão re-
gulares q ue acabaos po toar justaente seus hábitos po
propieaes. Ass, caactees que são feitos co tepo be
utilizao, co nstanes be oeaos, passam por atbos
de ua substância . Não aia, pois, ecoa e Silo fó-
las que parece obscuras paa que hesita e faze esce à
atéia as instruçes que ecebeos o exae de nossa via
consciente : A oba os Tepos ios esá ieiaete e vii-
âcia a potêcia e a iobiiae s eees e e a
pate é aaa peas povas qe peeche  siê e -
pe a aeço as oisas" 1 1 Poque paa ós, oo paa Rp-
e, são as coisas qe  ais ateço ao Sr, e é a ateçã e-
as co a ae e apreeer toos os istates que fa sa
peaência A matia é, assi, o hábito de sr ais unifoe-
ete eaiao, porqe se foa o es íve a sequêia
os istanes
Mas vtemos ao poo e paa  hábo psoóo
porquato aí se ecoa a fote e ossa stção. Dao que
os hábitosritos, que copõe a via o espíito como a via
da atria , se representa por registros últipos e dferentes
temse a ipressão de que se pode encotrar sempe, sob u
hábito emero, u hábito ais estáve Este, pois, para caac-
teriza u indivíuo, ua hiearquia e hábtos Seíaos fac-
 ete tetaos a postua  hábito fuaea. Ee coes-
p eia a esse spes háb e se, o mas fore, o as

1 1 O p. c i t . , p t I .

67
 A I NTU IÇO DO I NSTA NTE

oótoo  cosg     ti o  divío


do l coscêc, l s, o xmplo, o stm
o  ço Ms ctmos s ncssáo cosv, p
 itço tz po Ro, os as possibilias  int-
ptço O, o nos pc qu o indivíduo sej  tão nitia-
mnt nio qanto o nsina a losoa scola: no se v
fl  m d ie m  ntid o  foa  sínts
iz lo instane. Os probs  sc contmpo
os icm msmo  c q é tão Pigoso fl d ni
o  it  m átomo ptic. O invo, 
ql vl q o pos, n mtéi,  vi o  no
psmo, é  somtóo bstt vávl  hábtos o
csos. Coo toos os hábtos  cctz o s
 cso foss cohos  ão s vt s
 oos os ss  os o ,   
u m s  s o  ogê  No fo, o -

o   o  s   so  s  s  


sso s so é,  ó c D s  
  o s c s  t, l é f -
o fo     os háos o  so g co t-
ção sc. A  gob  f, o,  çõs
sssás ms o os s,  os s o os
hos. S úv o vío  hs  cop o
ho  o ot; ss có é    âc os tos
s  m oos sss tos so o mso poo  s vo-
ço,  é ss   ms só s êcs ss,
 t s,     cát,  g  s-
mhç  A v to, coz oss g  shos 
slhos soos, ss os  os  oss og 
ft  bç  oss csão. Ms, o s  sos
s os osvos s o  foos os
s  oo o osso s

68
O PROB LEMA DO HBITO E O TEMP O DESCONTNUO

Pods sia acca do sido  q s v l a


irrqia . A vdaia oêcia sá na o o a obdiê-
ci Eis or q rsisios aln à nação  rocrar
os hábios donntes tr os as inconscientso conrrio,
 concepção do indivíduo coo somaório igrl dos ios
é, alvez, susctível de a ierração cad vz eos sbs-
tncialisa, cd vz ais loge da aéia  ais o o -
sao. Folos o obla a ligag sica l. Q
é q od a a oia, q é q  l  dá vdadia
o ovio A loia o o acoaato Não s o
da a foça d volção à aia ais ca? Dixo as
áfoas  falos clao:  o sao q co o s.
É lo sao obsco o clao, lo q foi co-
dido , sobo, lo q foi djado, a dad   o-
cêcia do ao, q os ss as s aos oo sa a-
ça. Assi, odo s iividual  colicado ra a ida 
que s consii a cosciêcia, a dida  q  sa voa-
de s a oiza co as foças sbalas  e ncona ss s-
qu do dispêndio ecoôco qe é u hbio. Nossas a-
éias ê a idad d ossos ábios.
É o ess viés q  asco alisa v aqui iqu-
c a oção  ábio. Rol só cocd  lga à ali-
a c cos as is sas caçõs. Sia -
 aoal cofi ao f a foça d solicção l,
a s  q s cusa ao assado a foça l  c-
aldad
Mas, s qisros siaos  fac a iição iira
d Ro l  sablc, co l, as codiçõs oais o
so lao q as coçõ sacais  boa a ai o -
 as losoas iba ao aço  vlgo  xlicação
ij usicado , vos ios oblas s asa sob

69
A INTUIÇO DO INSANE

u u s fvoáve. É o cso do so. Co feo, 


oáve ue no udo d é toda direção privilegiada seja,
e últia aálise, u privilégio de propagação. Detre, e noss
h póese podeeos dze ue, se um conteceo se po-
pg s depess u ceo exo de u cs, é poue s
ses são u dos esse eixo do ue ou dção. e
gu odo, se  v ce  mção dos ses seguo
u cdêc pcul, e cesce co ms pde u  -
eção pcu ; e se pese coo ui séie lne de c-
lus, poue  o esuo d ppgação de u foç de geção
be oogêe. A b é u ábo edo ; é f  
ss b scoos, foe sodos    
o A,  os coocos de  eo e  esco
s qu o ss descoíuos ligos po hábos ofc,
veos que poíos f d cronorpismos ue coespo-
 o vsos os ue cosue o se vvo.
É ss ue peo,  hpóese oupe,  u-
pc e uções ecoecd po Begso . Ele f, e su
poo e vs, u eáfo udo evoc u o e qudo
scv:No es   o úco d dução; podese -
gi os deees ue, s leos ou s ápdos, -
 o gu de esão ou e exeo ds coscêc e,
ss oo, x sus spcvo uges  s dos -
es". 12 eos xee  es cos, poé u -
ge e, duo, ueeo ce, deee  e.
ofo, e fo,   o s, e  o gupo os
s q fo , p ós, o  o po 
P Bgso, oo o  ão pss   bção, 

12
Berg o n . 1t h\n· ct mémoir, p. 23 1 [ ed b r s . : !atra c mmár Marti Fn-
es, 26].

70
O PROB LEM A DO HB ITO E O TEMP O DESCONTNUO

com os itervos de "easticidde desigu que u iri f


zer ritmos metfóricos. A mutiicidde ds durções é mui
to ju stmete evocd, mas e no se exic or essa tese d
eastiidade temora Aida uma vez, é à ossa cosciêi qu
ce a tarefa de esteder sobre a tea dos isttes um t
sucietemete reguar ara dar ao mesmo temo  imresso
da co tiuidde do ser e da raidez do devr Como i di
mos mis dinte, é dirigindo noss consciêci pra um ro
jeto mis o u meos racio que encontraremos efetivmete
a coerêcia temor fudamet que corresode, r ós,
o simpes háito de ser
Ess reentin possiiidade de escoa dos istates ia
dores, ess ierdade em su liço em ri tmos distitos, fore
cem dus rzões muito rriadas r nos fzer eteder a
imricço dos devires ds diverss espécies vivs Há muito 
aos iressiodos o fto e as dift eséis i
ais sr oods tto istói quto fio
A ode d sussão ds eséis oii  o os óo
coexistetes u idivíuo tiu A i tu é,  o
so ver, um istói ou ua esrição: o to  o squ
qu   oiiz,  oordção ist, o squ q  
cev o is rz Nouts v, u úio s 
tiuar,  oodeção  o iso s fuções são s us 
círos de um esmo fto A ord do evi   dsd oo o
devir de um ordem O que se coode  eséie suord
nou-se ao temo e vice-versa Um áito é um certa orde
de i nstates escohida com se o c ojto dos istates do
temo; ee ressoa om u tura dtemiad e o u ti
e artiua É um fix  áitos que os ert otiu
 ser  utiiidd  ossos tritos, eixoos  i
resso d que já foos so que o déssemos eo-

71
 A INTU IÇO DO INSTANTE

trar em n ós coo raiz substancial senão a realidade qu e o


entrega o i nstane presente Do mesmo modo é porque o há-
bito constitui ua perspeciva de atos que propoos objeto
e ns ao nosso uro
sse c onvie o hábito a p erseguir o rimo de aos bem or-
denados é o udo uma obrigação de naureza quase rao-
na e estétca São, eno menos orças que razõe que nos ori-
gam a perseerar no ser É essa coerênca raconal e eséia o
rmos speriore o peaeo que orma a hae e a ó-
ba do ser.
Ea udade deal ofere à ooa ão rao arg de
Roupne um poo daqele otimimo raciona  meddo e o-
raj oso  que incna o livro em direção aos probemas moais.
Somos assim levdos a estudar num novo capítlo a idea de
progresso em su relações co a ese do empo desconío.

72
CAPfTULO 

A i d ei a d o progresso
e a intuição do tempo
descontnuo

S "o ser qu mais amo tw mudo (viess) m


uar qe scolha ele dev faz  qal é o
rúgio ai prdo, mais inatacávl  ais dc
 l dira para abrar  dino no rIÍgio da
alma u  aiçoa .
MAETERLINCK

es, na ese de Roupnel sobre o hábio u dicudde ap-


rene que gosaríamos de elucidar. É por esse esforço de esc-
recieno que seremos uio nauralmene levados  esabe-
lecer um disinção enre easic e rogresso em relação às
intuições de Si/o
Essa diculdade é  seguine: pra penerar odos os seni-
dos da idia d áio é preciso associar dois conc eios que p

73
 A I NTU IÇO DO I NSTA NTE

ecem à pimeia vista se contadize: a repeição e o começo. O


essa obj eção s e desvaneceá se obseamos ue todo hábio pa-
ticula pemanece na dependência desse hábito geal  clao e
consciente  ue é a vontae. Assim sendo, de muito bom gao
deniíamos o hábito tomado no sentido pleno po esta fó-
mula ue concilia os dois contáios ue a ctica se apessou
em opo: o hábito é a vontade de omeçar a repetr a si meso.
Se compeendemos bm  teori de Roupnel, não seá ne-
cessáio toma o hábito como u m me anismo despovio de
ação inovadoa. Haveria contição no termos se disséssemos
ue o hábito é uma potência passiva. A repe tição que o cac-
teiza é uma epetição ue, instuindose constrói .
ás, o ue comanda o se são menos as cicunstâncias e -
cessáis a subsis o e as conções sucie ntes a o-
ge P ssc o se, é ecessia  j usa e e o-
e. Bl  o  opee 

A itrodução de elemetos ligeiramete ovos em nossa maeira


de agir os é vatajosa: o ovo fudese etão com o atigo e
isso os ajuda a suportar a mootoia de ossa aão. Mas, se o
elemeto ovo os é demasiado estraho a fusão do atigo com
o ovo ão se faz ois a Natureza parece ter em igual horr qual-
quer desvio demasido grade de oss prática ordinária e a au-
sêcia de qualquer desvio. 1

É assm u e o hábio se ona um pogesso. Daí a necess-


ade e eseja o pogesso pa conseva a ecácia o hbito.
Em oos os ecomeçs, é esse esejo de pogesso e confee
veeo vo o se  e esencaea m hábto

1 Btler L vir et l'abitud, rd . Larbaud , p. 1 5 9 .

74
 A IDEIA DO PROGRESSO E A INTUIÇO DO TEMPO DESCONTNUO

Sem dúida a ideia do eterno rtorno acdi a Ropnel mas


logo em seguida ele compreendeu que essa ideia  fecnda e er-
da d eira não podia ser um absoluto. Renascendo acentaos
a vida 

Porque não ressuscitmos e m vão! . . . O recomeço não é feito d


um eterno sempre, perenemente idêntico  si mesmo . . . Nossos
tos cerebris, nossos pensmentos, são retomdos segundo o rito
de hábitos cd vez mis dquiridos e são investidos de deiddes
sic sempe ume! Se nos t rm seus contornos
uesos, esecicm e piom sus oms e efeitos [ .  ) , nossos
os úeis e benzejos preenchem, mbém ees, com mc mis
rmes  pist dos pssos eteros. A cd recomeço, uma rm
z ov pss  revesir o to e, os esutdos, taz consio, pou
co  pouco,  bundânci desconhecid. Não dizemos que o to
é permnene: ee é sempre crescentdo d precisão de sus ori
ns e de seus efitos. Vivemos cda vid nov como  obr que
pass, ms  vida e à vid tods as mrcas recentes Cda 
mis apixonado por seu rior, o to recpi tula suas i ntenções e
sus consequências e completa aí o que jamais s consma  E as
enersiddes cscem em noss obrs e mutiplicmse em nós   .
Nos dis dos mun dos ntios, quee que nos viu, sensual ari
e am dolente, rrsr n terr um ma primitiv nos reconh
ceri sob os randes sopros? . . .Viemos de one com nosso san-
ue tépido. . . e eis que somos  ma com as asas e o Pensmnto
n Tempestde . . .2

Um destino tão longo prova qe ao retorar eternaen-


te às fontes do ser, encontraos a corage do oo renoada.

75
A INTUIÇÃO DO INSTATE

Mais ue ma doutrina do eterno retorno, a tese roupneli


é, pois, uma doutrina do eterno recomeço. Ela representa a onti-
uidade da oragem a desontinidade das tetativas, a o-
tinuidade do ideal apesar da ruptura dos atos Todas as vezes
ue Beron ala3 de uma ontnuidade ue se prolonga (onti-
nuidade de nossa vida interior, ontinuidade de um movimeto
oluntáio) , podemo traduzir dizendo ue se trata d u m fo-
m desontínua ue se eonstituiTodo poongamento efi-
vo é uma adjunção; toda identidad uma semelhanç . Ro-
nheemonos em noso áte poe imtamos a nós eso
 poqu oss pesonalidade é, assi, o hábito d nosso pó-
pio noe. É poue nos uniamos em torno de nosso o
 d  oss dignidade  es nobeza o pobe  ue podo
tnspoa p o ftuo  unidde de um la. A ópi 
ezemos sem essa deve melhor, senão o modelo inú til -
panase e  ma, ue não passa de uma persistênia estéti, dis-
solvese.
Paa  mônad, naser e renser, omeçr ou reomeç, é
spe a msm ação ue é tentad. Porém as oasiões nm s-
pe são s mess, nm todos os reomeçs são sirônio 
 oo os instats o uti � idos e ligdos pelos esos
io. Coo  ocie so eas sobs de condiçõs, to
 foç pc o sio dos instat qu f ec o 
 o  f c. U oi c q -
 o b if ss coç, e   
o hbo,  oço  o co o, po o-
s  pogo  tod  cção do teo.
Ai  teoi do hábio se onili , em Roupnel, o 
ngço d ção si  il o psso. O Pdo po,

·' Cf . Bergon, Duré et simultaéité, p. 0 [ed. bras.: Duçã e siultaneidad, M r-


tins Fone, 200].

76
A ID EI A DO PROGRESSO E A INTUIÇO DO TEMPO DESCONTNUO

s dúvida, pessir, as, a nosso v, soene coo 


son coo valor raional, sont oo  conjno e
haroniosas soliitaõs m diro ao progrsso le , se se
qsr,  omínio il d aalizar, as só s aaliza n po
poro  q obém  m êxio O progresso , enão, asseg
rado pla pranêna das ondiõs lógicas  sicas.
ssa losoa da vida d m hsoriador  esclareca pe
conssão da  nildad a hisóra e s, a hsória coo so
aório de faos . Há dcro foras hsórcas e poe e
ie, as paa sso las ee ecebe a sese o insane s-
s o vgor os aalos"  nós sos aos: a nâi
dos os Natalen, Ropnl não sepaa  osoa  s
óa e a osoa a a. E ab au o pesee o
o A popóso a gênese s espcies, ee escee :

Os tpos qe se consevam o fazem na oç no d se -


pel hstóco mas de seu papel atual s fomas embon já
n o pode m lembr seno be m de l onge a s formas especí 
adaptadas às antigs condições de v da hstórca A adaptço 
as reaou já não tem qualidades presentes. So se qusedes d-
tções desafetas. São os despojos dos qus um apto s p-
dera, porque são formas de tipos passads a erç de out
Sua ntedependênc ta substtu sua ndepndênc bld
El têm lo n medd em que se ntul [    ] . 4

Reenconrase, assi, sep a supeac  o 


sene sobre ma aronia pesabelecia e seo  
iço leibnizana, sobecaega o passo o o so  
ino

• Si/o, p. 55.

77
 A I NTU IÇO DO I NSTA NTE

Por m, so as condiçõs d progrsso qu constitum as


razõs mais sóidas  mais cornts para nriqucr o sr, e
Roupn rsum su argumnto nsta órmua qu tm tanto
mais sntido quanto st inscrita na part do livro consagrada
ao xam d tss totalmnt bioógicas: "A assimiaço pro-
grdiu à mdida msma qu pgrdia a rproduço .5 O que
prsist é smpr o qu s rgnra.

11

Naturalmnt, Roupnl sntiu tudo quanto o hbito, tomado


no aspcto psicológico, traz d acilidad ao pgrsso. " A idia
d pogrsso , diz l,

está logicame nte associda à ideia do recomeço e da repetição


O hábito já tem por si só, a signicação de um p rogresso; o ato
que ecomeça, peo efito do hábito adquirido, recomeça cm
mais rapidez e precisão; os gestos que o executam perdem su
ampitude excessiva, sua complicação inútil; ees se simplicam
e se encurtam . Os movimentos parasitas desaparecem. O ato re-
duz o gasto ao estrito necessário à energia suciente ao tempo
mínimo. Enquanto o dinamismo melhora e se especica ape
feiçoamse a obra e o resultado.1'

Tos sss obsvaçõs são clásscas o bastant p aa que


Roupnl dix d i nsistir nlas, mas l acrscnta qu su a ap-
cação à toia a instantanidad do sr compota dicudes.
No funo,  iculd d ssgu o pogsso acia de u

" Op i t. , p 74


' Op cit  p 1 57

78
 A I DE IA DO PROGRESSO E  I NUIÇO DO TEMPO DESCONTNUO

passado que se demonstrou ineaz é a mesma que aquela om


a qua deparamos quando quisemos xar nesse mesmo passado
as aízes do hábito. É preiso, porano, voar inessanemene
ao esmo ponto e utar ontra a fasa lareza da eáia de um
passado aboido, visto que essa eáia é o postulado de nosso
aderários. A posição de Roupne é pararmene ana. Pos-
tuando essa ecácia, iz ee,

somos smpr os crédulos da constant ilusão que nos az ce-


ditar na ralidad d um tempo objtivo e acitr sus pretensos
itos. Na vida do ser, dois instants que s sucdm têm etr
si a indpndência qu corrspond à indpndência dos dois
ritos moculr qu l intrpt. Essa indepndência, que
ignoramos qundo s trt d dus situaõs conscutivs, se nos
rm quando considrmos fnômnos qu não são imdit
mnt consecutivos. Ms então queremos çar à conta d du
ão qu os aparta, a indirnç que os spr Na ralidad ud
comçamos a reconhcr na duraão ess nrgia dissolvente 
ssa virtud sprativ, é somnt ntão qu comamos a ze
justi à su nturza negativ e às suas capcidads e na  Qu
seja tomad em dose aca, quer em dose te  d uç é sem
pe pes um iluso E  potênci  seu d sep tnt os
enômenos de prênci menos csecutios uto s e
nos de parênci menos contmporânos
Entr enômenos conscu tivos há, pois, passividd e indieen
ç. A verdadeir dependência, como mstmos é eita ds sm
tria  erência nt situaõs homólog. É sobre ss simetris
é sobr ssa rrências qu  nrgia scup sus atos  molda
sus gstos. Os vrdadiros parntescos d instan ts sriam  pois
daptados aos vdadeiros parntscos de situaõs do sr S qui
séssemos a todo custo construir um duço contínua, sria sem

79
A INTUIÇO DO INSTANTE

pre ua uração subjetva e os nstantesva referseam aí


às séries hoóogas.

Mais um passo parndos dssa homoogia ou dssa sim-


tria dos i nstants agrupados  s vai hgar àqua idia d que
a durao  smpr aprndda indirtamnt  só tem oa
po seu pogesso É

o aperfeçoamento, be fraco sem úv, as ogcaente ie-


gável e que basta paa i toduzir uma dfeencaço do s istte
e po conseguinte, para ntrouzr o eeento e ua uaço
Mas percebeos ass que essa uração naa as é que a ex-
presso de u pogresso nâico. E então ós, que reuzimos
tudo ao diam ismo demos siplesmente que a uraço co
tínua se existe, é a expresso do pogesso. 7

Compendese não ue uma esala de peeão possa


aplase detant sobe o grupo dos instants runidos po
con oopsos avos Por uma stranha ríproa é poue
exse u progresso no sendo eséo, oal ou elgoso ue
oe se aa coo ea a aa o Tepo Os nsanes são
nos poue so unos E não são eunos e vue
as lebnç e poe auaza, as peo fao e  ee e
ecen u ovae epoa onveneneene aap
o o e u pogeso.

M  no pbemas as sples ou as splos ue


eo se econeeá, alvez, essa euação ene a uaço p-
 e o pogesso;  í ue se copeeneá eo a nece

7 Op. c i t . , p. 15.

80
A IDEI A DO PROGR ESSO E A INTUIÇO DO TEMPO DESCONTNUO

ae e ce a coa o epo u alo eecl e e-


noaço O epo só ura inenando
Co o  e sipicar o ao eporal, Bergo a-
bém pare  ua meoia; mas, e ez e sbha ue uma
meodia só e sento pea diversade e seus sons, e vz
e reconhecer ue o própro so possu a a vera, el
ea, eano essa ersae enr o son e o  eo
meso  u o, morar ue no  e chega à uno-
ae Noutras paavras, remoenose a maér sensí o o,
enconrarsea a unorae o tempo namea A oso
e, por ese caho ó se chega à uoae o aa Se
exaao u o que eja o uo ojemee ao
poe, eo u ee o uo o é foe jea-
me É poel ae u coo ee o o a
excaço e o o  seaço. À eo expeiêca ecoe-
cereo u a pecepço o o o é u  pes oaóo
as brações não poem r u pape ênco porue não ê
o eo uga  a a poo qu u o pologao e a-
raço e ora ua eraera orua, coo obeou ae-
e Ocae Mirbea Deparaaos co a ma ca o u-
oe  oo o oos, poue a peço pura e ple
e eeo iares o uo orgâco e o uno orgâi-
co Ea repetço emaao unioe é u prcpo e rp-
ura para a aéra ma ura, ue acaba por se ubrar sob
ceos eoço co ooos Logo, coo e poera, se-
guo a pcologa a eço acúca, a co eo e
ua "couaço aquo que precee aqulo u e egue
a "raço upa, ulplcaa e eae , e e
ua "uceo se eaço , qo baa poogar o o
a puo pa que el u e cáe? , eo e o-
a o o que, por eu pologameo, e oa ua o, e

81
A INTUIÇO DO INSTANTE

conhecendo no so se valo sical, deveos aditir qe


n plongaento edido ele se renova e canta! Qanto ais
se atenta na sensaão aparenteente nifore, ais ela se
iversica. É vedadeiraente ser vítia de a abstaão ia-
gina a editaão qe sipliqe  dado sensível. A sen-
saço é vaiedae, é a única eóia qe nifoiza. Ente
Beon e nós há sepe, ptanto, a esa ifeença de é-
todo; ele toa o tepo chei o de contecientos no eso
nvel da consciência dos acontecientos� epois spie ga-
ativaente os acontecientos, o a consciência eles; e che -
gaia ento, ee aceita, ao tepo se acontecientos, o à
conscênci a daço pa. Nós, ao contáio, só sabeos sen-
t o tepo utiplicando os instantes conscientes. Se nossa in-
dolência distende nossa editação, se dúvida pode resta ainda
u núeo sciente de instantes eniqecidos pela vida dos
sentidos e da cane, paa qe conserveos o sentiento ais
o enos vago e qe daos; as, se qiseros esclarece
t sentiento, de nossa parte só encontareos esse esclareci-
ento na ltiplicaão de pensaentos A consciência do
tepo é sepre, para nós, a consciência da tilizaão dos
instantes, é sepe ativa, nnca passiva  e sa, a consciên-
cia de nossa duao  a consciência de  progresso de nosso
se ntio, seja esse pgesso efetivo, itado o, ainda, siples-
ente sonhado O co plexo assi oganizado n pogesso
é, ento, ais clao e ais sipes; o ito be enovado, is
coeente qe a epetio pra e sipes. Adeais, se c hegaos
e segida  por a constrão lógica à niformidade e
-

nossa editaão, parecenos qe isso seá ais a conquista,


pois encontaeos essa nifoidade nua odeação dos ins-
tantes ciadoes, n daqeles pensaentos geais e fecndos,
po exeplo, qe tê sob sua ependência il pensaentos

82
A I EI A DO PROGRES SO E A INTUIÇO DO TEMPO DESCONTNUO

oenaos A uação , pois, ua iqueza  não a enconao


po absação. Sua aa  consua colocanose u aás o
ou  sepe se que se oque  os insanes conceos, i-
cos de noviae consciene e be eia. A coerência a ua-
ão é a cooenaão e u oo e eniquecieno Só se
pode falar de uma uiformiade pura e siples nu uno
de absaões, numa escião do nada  Não é do lado a si-
pliciade que se eve passa ao liie,  o lao a iqueza
A única uração unifoe eal  , a nosso ve, ua uação
unifoeene vaiaa, ua uação pogessiva.

111

Nese pono e nossa eposição, se nos peisse paa assina-


la co ua eiquea losóca aicional a ouina epo-
al e Roupnel, iíaos que essa ouina coespone a u
o fenoenisos ais nios que se conhece. Seia, co
efeio, caaceizála uio al ize que, coo subsncia, s
o epo cona para Roupnel, poque o epo  sepe oa-
o siulaneaene, e Sil coo subsância e coo aribu o.
Explicase, eão, essa curiosa riae sem subsância que faz
co que duração, hábito e progresso eseja e peptua roca e
efeios Quano se copreene essa perfeia equação os ês
fenôenos funaenais o evi, pecebese que seia injus-
o levana aqui ua acusação e cculo vicioso Se úvia
se passeos as inuições couns, objeaíaos facilene
que a uação não poe eplica o pogresso, poue ese, pa
se esenvolve, eue a uação; e objeaaos aina ue o
hbio não poe ualiza o passao, poque o se não e coo
conservar u passao inaivo Po a oe scusiva naa
pova cona a uniae inuia que se  esclaece quano
se eia Sl. Não se aa, co efeo, e classica ealia

83
A N UÇ O DO IN SANTE

s, mas  azr nnr os ômnos rconsrinoos e


múliplas maniras. Como ralia, só is ma o insane
Dração, hbio  progrsso são apnas agrpamn os   ns-
ans, são os mais simpls dos nômnos o mpo. Nnhm
sss nômnos mporais po  r m priviégio onológico
Estamos livrs portanto para lr sa ração nas as irçõs
para prcorrr o círclo q os liga nos ois snidos .

A síns masica o progrsso  d ração lva Roup-


nl no m o lvro a garanir a Prição inscrvnoa no pró-
prio âmago a D vina q nos ispsa o Tmpo. Por lon-
go tmpo, Ropnl prmanc com ma ama xpcan. Mas
ssa própria pcaiva parc q Ropnl az m conhci-
mno. Nma órmla srprnn  hmla inlcal,
ele nos nca qe a ranscnênca  Dus se mola sob a
anênca e nosso sj o O incognoscível já não sá foa
 nossas epcavas ano prcebmo, s não a caua ue
o epca, ao eno a orma e q el se esva". Noo
sj os, nossas speranças  nosso amor snharam, poran-
o d ora o Sr sprmo. . .
 z passa, não, a razão ao coração: O Amor! Qe o-
tra palavra poria propicar um invólcro vrbal aapao 
nossas spirialas no ínmo acoro q compõ a nae-
za as coisas  ao rimo grav e granioso q realiza oo o
Univrso?9 Sim no no msmo o Tmpo para q os ins-
tans açam a ração, para q a dração aça o progrsso,
cmpr inscrvr o Amor. . . Qano lmos ssas pginas amo-
rosas sntmos o pota novamn m marcha rmo à one
ínma  misrosa  sa própria Sloé . . .

• Op. ci ., p. 172 


 Op. ci t. , p. 1 6 2 .

84
 A I DE lA DO PROG RESSO E A INTUIÇO DO TEMP O DESCONTNUO

Qe c u sig, ois, se anhoVisto nos se e


do tia o o o e e  nosso esíito  aju s  
az, indiueos então e, e nossa ate, é ants m dieço
a m esfoço no a enontamos o aáte aiona do Ao
qe prossegui os nosso sonho
A nosso ve, os ainhos do rogsso íntimo são os ami-
nhos d ógi e das leis geis As gnes einiscênis e
u m, ues e dão a ua l sentio e oni-
e, ecebese  i ue estão e vis e tonse cinais
Só se ode cho o ito teo  se e é cion ho
a. É então a azão estoia e onsola o  oção se h e e-
di o olvio. No rópio amo, o singula é see eeno,
pmane anormal  isolado não ode toa lg no ito
rgla  onstitui m hábito sentimental. Podese olo,
m tono de sas lembanças e amo, too atiul e se
quise, a sbe  iiteios ou o ot oido, a noite outon
ou  ao e io. O oção sineo é see o eso. 
en oe md, s o to é see o eso.  legi e
, e s noie essenci, oe s eene e i.
Ms, ieno e su ounie, nós  ieos  s
siicie. Os cinhos  isez o s o eos eges
Qun u  eu seu iso eno su fu
uno o esino, fechno o io uente, ôs teo
à eita, econheceos n ecodção, sob s ições d s-
de, o e  tão co, t ies to ge  o sofien
to hano. À bei o úuo, Gyu dizi ind u  eso e
ósofo:

A felicidade mas doce é aquela qe se esper ".

ós esos e esneos, eoco

85
 A I NTUIÇO DO I NSTA NTE

A felicidade mais pura, aqela qe se perde.

Sm dúvida nssa piniã é uma piniã d ós, trá


nta si tda a inia ds manistas. as nã pdmos
subtrairns à imprssã d qu a iquza ds aats singu
ars, muitas vzs h tóits situa  rman numa atos
ra d raism ingênu  i qu nã é, m útima anis
senão uma orma primtiva d sigia.A ntrri, de nsso
onto de vista, a aixão será tanto mais iada m sus eeits
quanto mais simpes  mais ógia r em seus rincíis Uma
antasia nunca tem duraçã suiente para ttaizar as pssibi-
idades d ser sentimental. Ea nã é prisamnt snã uma
ossibiidade, uando muito uma tntativa, um ritmo suocado
o contrário, um amr rofundo é uma crdenaçã d todas
as ossibiidades do ser, ois é essenciamente uma reerência
ao ser, um idea de harmonia temora m que  presente es
tá incssantemnte ouado em rarar  uturo. É ao mes
mo temo uma duração, um hábito e um ogresso.
Para rtacer u cração, é preciso dupiar a aixão e-
a mor, encontar a razões gerais de amar. É então ue se com
reende o acance metasico das teses que vão buscar na sima
ta, no zelo, a força mesma da coordenação temora. É orue
se ama e se sore ue o temo se ong em nós e dura. Meio
sécuo antes das teses hoje céebres, Guyau já reconhecera ue
a memória e a simatia tm [ . . .] no fundo a mesma origem ". 1
Ele mostrara ue o Temo é essenciamente afetivo: A ideia de
assado e futuo", dizia ele com ofundidade, não é somente
a conçã necessária de todo soimento mor; é, de certo on-
to de vista, o rincíio" . 1 1 Fazeos nosso temo como nosso

1"
Gu yau, L genrse de l'idée du temps, p. 80.
1 1
Idem, op. c i t . , p 82

6
A ID EI A DO PROGRE SSO E A INUIÇÃO DO TEMPO DESCONTNUO

esaço ea sies eouação ue eos co osso 


o e pelo esej o e nossa ópia expansão. É assi ue osso
se, em nosso oação e em nossa rzão oesponde ao Uni
veso e eivinia a Eternidade Como z Roupnel, numa fase
que estabeeeos em sua edação primiva: Está í o gênio
mesmo de nossa am ávida de um espço sem m  fmnta e
uma duação sem limite, sedena de I dea, peseida pelo In -
nito, ua via é a inuietue e u m pepétuo ahues e uja
natueza é apenas o ongo tomento de ua expansão e i-
reção  todo o Universo.
Assim , peo pópio fato d e vivemos, eo óio fao e
mamos e de sofemos, esaos insitos nos aminhos o
univesal e do permanente Se nosso ao se evea po vezes
sem foça, é uase sempe poque soos vítias o ealiso
de nossa paixão. Ligamos nosso amo a nosso nome, uano ee
é  verdade gea de um alma não ueemos lig, num on-
unto oeente e aiona, a ivesidade de nossos esej os, po-
unto ees só são eazes uano se ompeam e se eveza.
Se tivéssemos a sabedoia e esuta em nós mesmos a hamonia
do p ossível, reoneeamos que os l ritmos dos intantes
trzem  nós eidades tão exatmente ompementaes ue
devemos ompreende o áte nlmente aionl das does
e ds legias oloadas na fonte o Se U sofimento esá
sempe igado a uma edenção; uma aegia, a u esfoço in-
teleua . Tuo se eoba e nós esos uano ueeos
toa posse e oas as ossibiiaes a uação  Se aais" 
di z Maeteink,

não é esse amor que az prte e vosso destio ; é a cosciênci


de vós mesmo que tereis ecotrado o udo desse amor que
modifcará vossa vida . Se lguém vos trai, ão é a traiço que im-

87
  INTUIÇAO DO INSTNTE

porta; o ue importa é o perdão ue ela fez nascer em oss al-
ma, e a natureza mais ou menos geral, mais ou menos eleada,
mais ou menos reetid desse perdão é que volrá vossa existên
cia para o lado aprazíve e mais claro do destino em ue ereis
melhor do ue se esse alguém os tivesse permanecido el. Mas
e a traição não aumentou a simplicidade, a conança mais alta
a extensão do amor, tereis sdo traído in utilmente e podereis di-
er a vós mesmo que na aconteceu 1 2

Como dizer melhor que o ser só pode consevar do pssdo


aquilo que serve  seu progresso, aquilo que pode entrar num
sistema racional de simpatia  ato? Só dura o que tem razões
para durar A duração é , assim, o primeiro enômeno do prin-
cpio da razão sufciente para a ligação dos i nstantes Em ou tras
palavras, nas orças do mundo há apenas um princípio de conti-
nuidde: é  permnênci ds condições rcionis, das condições
de sucesso orl e esético. Esss condições comand tno
o corção como o esprito São elas que determinam a soida-
riedade dos instns e progressão A durção ntim é sem-
pre  sbedori  O que coorden o undo não são as orçs do
pssdo, é a harmoni toda em ensão que o mundo vi relizr.
Podese flr de u  hroni preesbeecid, s no se po-
de rr de um hroni preesbeecid ns coiss  só ex
te ção por uma harmonia preesbelecida na razão Toda  or-
ç do tempo se condens no instne inoador em que  vista
se descerr, junto à fonte de Siloé, ao toque de um divino re-
dentor qu e nos dá , nu eso gesto,  legria e a razão, e o
eio de ser eerno por i d ere e  bonde

12
M trlinck S�grss  destié, p. 27 [ed bras : A bdMl I' " dcti<• Pensa-
mnto, d .] 

88
Conclu são

O sr ntrg à razã nn tra rças n a sidã. Traz m si


mesm s mis d ss rmçs Tm pr si a trnidade o
vrdadir, sm tr  narg  a garda da xpri nia pass-
da. É j stamnt  q Jan Géhnn dizia ( Caliban par/e) : "A
azo, ssa strangia sm mmória e sm hranç, q stri
smpr qe tdo çasse", prqe é eeivmene pe -
zão e uo poe ecmeçr O csso não pss e um p-
 negiv, o fcss é sempe expeimen. No dono 
azã, bast cparar dis temas bss pa qe sbenh
a lreza da eviência. Então, om  antigo mal cmpeendi-
d, fazse ma nvidde ecnda. S há m eerno trn qe
sstent  mnd, é o eno etorn  zã
Não é nessa inni aiona qe Ropne pra os c-
nhos da rdnçã d se Ee encontr n Arte m meio is
ieamene po os pincípos esos d crição . E
pgins qe se dirigem o pópio núcleo  in ição estétic,

89
A NTUIÇO DO NSTANTE

ele nos econdz a esse fesco da alma e dos sentidos qe e
nova a foça oética. É

a rt qu nos ibrta a rotina itrria  artística [ .  . ) . a nos


cura a faiga socia a aa  roça a prcpção gasta. Rsttu
à xprssão avitaa o sntio ativo  a prsntação rista. R
conu a vra à sensação  a pbia à oção. nsina-nos
a ançr o e nossos sntos   nossa aa coo s nad
n lhes houvesse depravado o vigor o arrunao a carivê
c. Ensna-os a vr  a escutr o Un ivrso como se só agr t
véssemos ele  s e súbta rvação Reconuz a ossos olh
res  grç  um Natura qu sprta Dvov-os as horas
ecan toras a anh priitiva banha  criaçõs novas 
vov-nos, por assi ir, o ho aviao qu ouviu nas
cr as vozes n Ntura qu assistiu à aparição o raento
 iant  qu o Cu s u coo u  Dsconhcio 1

Ainda ma vez, poém, se a Ate, como a Razão, é solidão,


eis qe a Solidão é a ória At. Após o sfrimto, somos
etges à altiva solidão de nosso coração [  . ] então, nossa al-
ma, qe ome sas coentes infames, tona a enta em se
temo seutado". E Ronel contina:

A Art é a scuta ssa vo ntrior. Ea nos tra o uúrio n
trrao. É a vo a consciência sobrnatura qu habita  ós
no funo nnável e perpétuo.  nos rconu ao sto pr
morda de osso Ser e ao Lugar enso no qua stamos no U
verso tr Noss prc servel ssu aí su grau un ver
sl e nos ntrg a autorie qu a té. Trunfano sobre

1 Siloe, p. 1  6 .

90
CONCLUSÃO

todos s tmas dscontínuos qu spar  S  cmp 


Inií   é o sns  Harmonia qu ns si i  
rit  undo  nos ol o Infnito qu nos chm.
Entã u  nós s az prtícip do ritmo absolut m qu s
desnl o nômno colto do Mun Assi, m nss
âmao, tuo s odena nas supeas deões, tdo se clara sob
as cliiêncas ínias As luzes ssue sncado mnsi-
o As lins esvolvem a ra d uma associão mistios
com os acrs infnitos Os sons dsnolm sa mloi na
via i ntri ond cant too o Univers Um mor mnt
uma simpti univrsal nos busca o corção  qur lirns à
alm qu m  toas as cisas
O n irs qu assum su lza é o irso qu assu su
sni;  as imgens susas qu lh mpstarmos 
d c bsolt qu rg o istéri. 2

Este,  nosso ve, n aiz dess edenção contepltv, u


foç que nos pemte ceitar nm único to, a vida com todas
s sus contrdições íntis Colocando o nada absoluto nas
ds gens do instnte, Roupnel devi se le  do  u in-
tensidde e consciênci tnh que tod  ige e um
destin o e, po m clrão súbito, legível no pópio  to d o es
pírito A cus p ofund d melanoia oupnelina igse tl-
vez  est necessidde metsia: devemse manter nm mes-
o pensento o pes e  espenç . Síntese sentientl dos
contáios, eis o instnte vivido Soos cpzes, liás, de gi
o eixo sentientl do tepo e de deposit a espernça n
ecodção cujo fesco, e so evi ós estituíos . Po
ou to ldo, podeos se esecjos o contep o futu

Op. c i t . , p. 198.

91
 A INTU IÇO DO INSTANTE

o, oe em cetos momentos, no áice da idade, o exemo,


e cebemos e já não odemos deixa aa aanhã  ga
de nossas esenças. A mga d id é o desgosto de não
ode esera, de já não ovi os itmos qe nos exotam a to-
c nossa ate na sinonia do dei. É então e  "lamentação
isonha nos aconseh  conida a Morte e a aceita como
 cnção e acenta os itmos monótonos da Maté .
É nessa atmosea metasica e nos aaz sita Sloe; é com
ess inteetação esso e gostamos•üe e ess oba est-
nha. Ela nos aa, então na oça e na tristeza oqe ea é e-
dade e coragem Nssa obra amarga e terna com eeito, a ale
gia é seme ma conista; a bondade ltrapassa po sistema
 consciência do mal ore a consciência do a é já o de-
sej o da edenção. O otimismo é vontde mesmo ndo o es
siismo é conhecimento cao. Esntoso iiégio da intii -
de ! O coção hmano  edadeiamente a maio otênc
de coeência   s ides contáis. Lendo Siloe, ecebemos
bem e tazíamos, o nosso comentáio, m inhão de esa-
das contdições; ms  simatia não tada, co a ob,  nos
eot a te connç nas ições ue tios e nossos óios
eos.
Eis o e Sloe é m beo li hmno Ee não ensn,
ee eoca . Oba da soidão, é m eit  soitáios. Reen-
contamos o io como nos eencontramos o eenta e nós
mesmos. Se o contadizeos, ele nos esonde. Se o segimos,
ee nos dá   imlso. Ma o fechamos e já enasce o desejo
de eabio. Ma  se cao e m ec o já acoda na ama  e o
comeende.

92
NEXO

lnstante p oético
e instante metafsico*

A poesia é um a metafsica instanânea. Nu curto poem a, la


deve dar uma visão do u niverso e o segrdo de ua alma, um
ser e objeos, udo ao meso epo Se segue simplesene o
empo da vida, ela é nos que esta; só pode ser ais que 
vida imobilizando-a, viendo no próprio lugar a dialéica das
alegrias  das dores Ela é , então, o princípio de ua simul
neidde essncial em que o ser ais disprso, is desunido
conquis su unidade
Enquno ods as deais xperiêncis afsicas são pr
parads  inerinávis prólogos,  posi recusa os prâ-

* Este texto d Bachelard, aprenado na dição frncea como complmen-


to  A iutiço do insaure o orgnalmnt pu blcado na rv Mcags: M-
taph ysiq c H•ésic, nY 2, 1, e plon a medtao do autor obre a ques-
to do tmpo.

93
 A I NTUÇO DO  NSTA NTE

bls, os p inípios, os métoos, as poas Resa a úia 


Qano muito, ela tem neessiae e um pelúio e silênio
Pimei, valenose e paavs oas, ea az alar a psa u os
tinaos qe eixariam na ama do eito uma o ntinui ae e
pensamento ou e mumúrio Depois, após as sonoiaes va-
zias, ela proz seu instante É pa onstruir um i nstante om-
plexo, para atar, nesse instante, simtaneiaes nmesas, e
o poeta estói a ontinidae simples o tempo enaeao

Em too poema veraeiro, po ems, então, enonta os
elementos e m tempo inteompio, e m tempo e não
sege a ei e m tempo e amaemos e vertal paa
istingilo e  tempo omm e foge oizontalmente
co  ága o io com o ento e pssa. D o paoo e
cpe ennia laamente: enanto o tempo a posóia é
oizontal o tempo a poesia é etial A posóia oganiza
penas sonoiaes scessias, egla canias, mnista m
petos e emoções po ezes, infelizmente, e moo inopotno
ceitno as onseênias o instante poétio, a posóia pe
mie hega à posa, o pensamento expliao, aos amoes i-
ios, à via social, à via omm, à ia esoegaia, inea,
contín Ms toas as egs posóis não pssam e meios,
e elhos meios A et é  verticaldd, a pofniae o a
t é o insne estbiio e e s sineies o
ennose po e o insnte poético e  pespec
i esic
O i nsnt poéico pono é necesiente copeo 
ee comoe ele po  coni, consol , é espntoso e fi-
li Essenialente, o insante poético é  elço mônic
e ois contáios No i nstnte piono o poet, á sempe
 poco e o; na ec cion  es sepe  poo
e pio s ntese cessis g o pot Ms p

94
INSTANTE POTICO E INSTANTE METAFSICO

o encan meno, par o êxase, é preciso qu  s tí t   -


traiam e abivalência Srge então o insan p oéic o. . . Qu -
do menos, o insane poético é a conscincia de a abil-
cia. Mas el é ais, porue é uma ambivalência excitada, i,
dinâmica. O insane poético obriga o ser a valorizar ou a des-
vaoiza No i nsante poétio o se sobe o dese, sem aei
o tempo do mundo, que reduziria a ambivalênci à antíese, o
simtâneo ao sessivo
Veriarems amente essa reação da antítese om a am
bivania se qisermos omnianos om o poeta , qe, evi
dentemente, vive em m instante os dois temos de sas aní-
eses O segndo temo não é evoado peo pimeio. Os dois
eos nasce junos Enoneos, não, os veios
insanes poéios de m poema em todos os pontos nos uais
o oação hmano pode invee as antíeses Mais intiivaen
te, a abivaêni be aad evelase po seu aáe epo
: e vez do epo suino e inépio ue ee  u
b, e vez do epo uo e subisso ue si  ho,
eis o insane andógino O séio poéio é ma andogin

11

Mas será qe também é empo esse paismo de aonteien


tos onaditóios eneados nm só insane? Seá e é e
po oda ess pespetiva veia qe se poj ea sobe o instane
poétio? Sim, poqe as simaneidades amadas são sim-
taneidades ordenadas. Eas onfeem a diensão ao insane,
poqe lhe dão ma ode inen  O, o epo é   o
de, e nad ais e ua ode E od ode é u epo.
A od s bivêns no insne é, poo, u 
po. E é ess epo veica ue o poea desob ndo ec

95
 A I NTU IÇO DO I N STA NE

sa o tmpo horizonta, o sa, o dvir dos otros, o vir da


vida, o dvir do mndo Eis, portanto, as trs ordns d p
rinias sssivas q dsaorrntam o sr nadao n o tm-
o horizontal :

1 ) habitars a não rfrir o tmpo óprio ao tmpo dos o-


tos  rompr os ontxtos soiais da dração;
2) habitars a não rfrir o tmpo próprio ao tmpo das oi-
sas  romp os ontxtos fnomnios da dação;
3) habitars  dro xríio  a não rfrir o tmpo ró-
prio ao tmpo da vida; não mais sabr s o oação bat, se
a agria avança  romp os ontxtos vitais da dação.

Somnt ntão s aança a rfrnia atossinrônia no


ntro d si msmo, sm a via priféria. D rpnte toda a
hoizontaia ana se dsfaz. O tmo á não oe. l joa.

111

Para onserva, o, ants, aa enconta esse nstante oético


estabilizo, oetas há, omo Malaé, que bta ieta-
ente o teo hoizonal, qe invete a sine, que nte-
omem o sviam as onsqênias do instante oétco A
sódias omiadas õm sixos no riaho paa q as onas
pvizm as imagns teis, para q os demoinhos dsfaça
os rxos Lndo Maarmé, tms om qnia a snsação
d m tmo rorrnt q vm ôr trmo a intantes ios.
Vivmos, ntão, rtaataiamnt os instants qe evaos
tr vivido  sensação tanto mais estanha qano não atii
 nenh es, e nenh andimnto, e nenhua nos-
talgia. la é feita simesnte  m tempo rbalhado qe sabe

96
NSTANTE POTCO E NSTANTE METAFISCO

por vzs colocar o o ants da voz  a rsa ans do con


sntimnto.
Otr
O tros os poetas
po etas mais lizs
lizs prd
prdm m natr
n atram
amt t o i ns
tate stabilzado. Bdelair
Bdelair vê como os hinss h inss a ho horra no
no
olho dos atos a hora insnsívl m q a paixão é tão co
pleta
pl eta q
q  dsdnha
ds dnha d ra raizizar
ars
s : " No ndo
ndo d ss s s ohos
oh os ado
ráei
ráeis,s, vej
vej o semr
sem r a hora distintam
disti ntamntnt spr
sp r a msma
ms ma ma
 oa st
st,, solen, grande
grande coo o spaço, em dvisões de   
ntos n de segos  hoa ióel que não é arc
peos reló
relógos
gos [ . . . ) . Pr os oet que el si o n-
1

te co fc fcd,


d, o oe não se denola, ele se rr  rr
se tece de n e nó. n ó. Seu
Se u da
daaa nãonã o se efetu
efetu.. Seu al a l é u
u 
or seren
seren..
Eilibr
E ilibrnos
nos sobr sobr a mianot sem nda n da ese
ese ar o
sopr
sop ro das
da s hohorras
as  o pota
p ota aas d toda vida in ú til; vivenc vivencia ia 
ambiv
amb ivê êncnciaia abstrata
ab strata do sr sr  do não se. se . Na trv
trvas
as  ele
el e ê e
e 
hor a própria z. A soidão lhe traz o pnsamnto sotáo
pnsamnto
p nsamnto sm divr divrsã são
o pensamnto
pe nsamnto qu qu  s ev
eva,a, q s acal
a exatandos pr p raent.
O epo erticalertical eleva
elevase.
se. Às vezs
vezs ee abé
a bé oço
o ço.. A
enoe,
enoe , aa aa que be le O corvo, unc s so o
oent. E soa n , ecen eceno, o, escedo
esce do.. . . R
R 
 o
 ote
te e ue  ue te e
e       o fuo
uo    -
 egu
egu  b
b    c
c  segun
segun  ,
 ,  t a éc
egu
egu  nç .. .V .Vol
ol eo o eo o;  o; mcadeio, o-
no  e ecde olto  eo o o,   . 
e
e   ecso sere  o fn n  . . .
É n o tepo
tepo vert verticica
a  ece
ecenono  ue e esc escon
on s o-
es
es dor
d ores
es,, s do
do es sem causd
caus dee teol,
te ol, s ores gudas que

1 Baudelaire, Crlvcs, tomo I Plêiade, p. 429.

7
A INTUIÇO DO INSTANTE

ata
atassa um u m coco ação aa aa,
aa , s jamais la scr É
ja mais lascr
o to rtrticaicall  subio  qu s s stabili
stabiliza cosola çãoo
za a cosolaçã
s
s s
 srraça
a ça ssa
ssa strah
strahaa cosolação
coso lação autó
a utócto
cto
 sm
sm 
 otto
ot to
E sua, tudo quato os aata a causa e a cosa
tuo quato ga a história íntia  o próprio dsjo tudo
qat
q at devao
devaori riza
za ao eso
es o tep
te p  o passado  o f turo
turo e-
cotras
cotras o istat
is tat oético.

Dsjas u stuo  u quo fagto o t-


o oétic
o éticoo rtical? Tos o istat o ético a lmnção
risonh, o oeto
o eto so m qu a oit ao rc  co -
solia as tas,  qu q u as
a s ho
ho as mal si
siam,
am,  qu qu  a solião
o
o  s só j á  u
u  oso
oso!! Os olos abialts
abialts a lmnção
rison quas s tocam A mo oscilação os substitui um ao
o u o
o A lmnção risonh é, otato, u a as ais ssíeis
ambia
ambialê lêcias
cias  u coação ssílssíl Oa, lala s so
sol l,,
it
it t, t, u to tica
ticall , o
o qu
qu  h
 hu u os ois
momtos, soriso ou latação,
latação,  atct.
atct. O stito
s tito
 aqui 
rsíl,
rsíl, ou, lho
lho  izo, a r rsibilia
sibil ia o s 
aqui seimetalizad: o sorriso ata  a latação sorri a
latação cosola
co sola.. N
Nhu hu os
os tos xsso
xssoss sucssi
su cssia-
a-
t
t  a causacausa o o ou t  tal é, otanto,
otan to, a ooa d qu s
xi a o to sucssio sucssio,, o to hoizoho izotaltal Mas
xist aia assi,  u ao ou to, o, um i,
i, um ii  qu
qu  só
s 
  ca
ca  calt,
calt, sbo,
sb o, com a im i mssssão
ão 
qu o sa
sa  s alia ,  qu a alma
al ma s la
la ,  u
 u o a tasma
oa
oa  Etão,  ai
aiat, a stu
stua orsc U -
tasico ssí
ssí l co
 co ta
taáá assim, a lmnção risonh, a blza
formal a sita É m fução a causalia foal qu l
com
come eáá o alo
alo   satialização
satialização  q u s coh- coh -
c o ista
i stat
t oti
o tico
co Ot
O ta oa
oa  ququ  a causal
caus ala
aee foa
foall

98
INST
INSTAN
ANT
T POT
PO TICO
ICO E INSTANTE METAF
MET AFSIC
SICOO

e desenr
dese nrla
la non o boj
boj o do intante,
inta nte, no sentido
senti do de u teo teo et-
et-
cal,
cal , enqanto
enq anto a casaidade
ca saidade eciente
ecien te se desenrola
desenrola na ida ida e na
cosas, horizontalente, agrando agrando instantes de ntensdade
n tensdade a-
radas.
Natraen
Natraente, te, na perspectiv
perspectivaa do  nstante, odese
od ese ienien
ciar abi
abialêncalênciaia de mai
mai  ongo
ongo alcane
alcan e :  Criança,
Criança , enti no n o co
ração doi
do i sententos ontdtório: o hor h or da ida e o êxtase êxtase
vida " . 2 O nstantes
da vid  nstantes e que que esse
essess sentien
sent iento to ão
ão iencia
ienci a
dos jutos iobiliza o teo, te o, orue
orue são ien ieniado
iado j unto
gados peo
pe o nte
n terresse ascina
ascinante
nte ea
e a vida . Ees removem
removem o ser
da dração om o m. .T T abvalên
abvalência cia não
n ão ode
o de desrever
desreverse se e
teos ucess
u cessivivos,
os, coo  vgar vgar balanç
bal ançoo da aegra e dore dore
assageiras
assageiras.. Con trários trários tão vio,
vio, tão fundaentais
unda entais,, ertence
erten ce
ao doínio
doín io de a etasia etasia iediata
iediata V Veolhe a ocla
ocl a
ção nu ú nico intante, or êxt êxtase
ase e qu eda
eda que ode
ode  e-
o etar e ooição
oo ição ao aconteciaco ntecient
entos os o degoto
degoto de ie ie
nos acoet
aco etee no gozo tão fatal fatalenente
te uanto
uan to a altial tivez
vez no infi nf-
-
túnio
túni o O
O teeraento cíccos que se eenrola eenrola na duaçã
ual,
ua l, eguin
eguindo do a lua,lu a, ddo
o etados
etados contr
co ntradtóro
adtóro ó aresenta
aresenta
aróda da abivalên
abivalênia ia fu
fu ndaent
ndaen ta a So
Soeenn�� ua psico
psi coogi
ogi
arof
arofundada
undada do i ntante oder ode rá darno os eue e uea a neceá-
ne ceá-
rio ara a coreensão do draa oético esencal.

IV

É notá
no táe
ell u
 u e u
u  d o s poetas ue
u e ai foteente
foteente areen
areendera
dera
o ntantes deciios do ser eja o oeta da correspdências. A
corr
co rreondê
eondênci nciaa baudelairi
baudel airiana
ana não é, coo tantas
ta ntas vezes se ar
a r

2 Idem, Mo1 m·u mis à 1 p. 88 ed bras. : Mu


Mu cmçào dsrwdt�do, Nova Fron-
Fron -
teir, 1 9  1 ] .

99
A INTUIÇÃO DO ISNTE

, u iple tnpoição que i u cóigo e anlo-


gi enui. É u otóio o e ensível nu  nico in-
tante as a iultaneiade senívei que eúne o pee,
 coe e o on ó aze eboç iutnei e i i-
tantes e ai pun a. Nessas u uniades d noite e d luz,
eencon tae a dpl eternide o be e o a . O que há
de vato" n noite e n cliae não eve sgeino u vi-
ão epcil . A noite e  luz não ão evoc po u extenão,
po eu i nnito, s po u u nie. noite não é u epço.
É u eç e etenie. Noite e luz ão intnte ióvei,
intnte ecuo ou clos, lege ou tite, ecuo e clo,
tite e lege. Nunc o intnte poético foi i copleto
que nee veo e que e poe oci o eo tepo 
ienide o di e  noite. Nunc e ez enti tão icen-
te  bivlênci o entiento, o niqueío o pin -
cpio.
Meitno nee cnho, chege epentinente  et
concluão: toda m oraliade é ins tan t�nea. O ipetivo ctegói-
co  olide não te o que ze co  ução. Não e-
té nenhuma ua senível não epe nenhu conequênci.
Vi dieto veticente ao tepo s o e  p esoa. O
poet é, então, o gui ntul o etico ue que copeen-
e to  potênci e lõe tntâne, o eto o 
io,  e   e li oó goe
o ujeito e o objto, e e ex ete po lo o
egoo e o eve. O poet ni u létic i util.
Revel o eo tepo, no eo intnte,  oliiee
 o e  peo . Pov ue  fo é u peo e ue 
peo  u fo. A poe toe, i, u tnte 
u fol, u itte  otêci peol. E e int-
e, então, uo que efz  uio ue ove, e u

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