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Como deve ser o professor do presente?

Que formação contínua precisa esse professor?

O professor é “aquele que ensina, que transmite conhecimentos ou ensinamentos a


outrem”.
Somos profissionais de ensino com base na especialização e
conhecimentos/competências adquiridas na formação de base e ao longo da vida.
Contudo temos assistido nos últimos anos a uma mudança/atualização constante das
funções, estratégias e métodos da prática docente.
Cada vez mais é uma profissão em que para ensinarmos temos de aprender
permanentemente.
É um dado adquirido que as mudanças/evoluções das escolas sobretudo no âmbito das
tecnologias/digitalização vão impor alterações estruturais na forma de “ensinar”.
Devemos preservar a transmissão de conhecimento, de aprendizagem e de interação
entre pares: grupos de trabalho, partilha de materiais, de experiências, de abordagens
digitais, por exemplo.
Devemos fomentar a diversificação de acesso à informação/conhecimento com
recurso aos meios tecnológicos à disposição (dentro e fora da sala de aula).
Cada vez mais a articulação curricular deve ser promovida no processo de
ensino/aprendizagem.
As competências profissionais e os elementos fundamentais na atuação do professor,
definidos no referencial de formação DigiComp, reforçam “a colaboração profissional
com os pares através da partilha de experiências, de ideias, de resultados emergentes
da sua prática docente e a prática reflexiva que proporciona uma visão crítica sobre a
atuação e avaliação do próprio desenvolvimento profissional, nomeadamente no
âmbito da digitalização da educação”.
O conceito de aula não deve ficar confinado à sala de aula.
Devemos estar mais focados em promover novas formas de acompanhar as
aprendizagens dos alunos em detrimento de “aulas convencionais”.
Para a mesma disciplina, lecionada a 2 turmas diferentes, por exemplo, já nos
adaptamos aos ritmos de trabalho dos alunos e promovemos estratégias
diferenciadoras, acarretando, por vezes, um acréscimo do volume de trabalho
considerável.
Corroborando o que diz António Nóvoa na entrevista: “Nós estamos a pedir imenso
aos professores e não lhes estamos a dar os instrumentos, instrumentos de autonomia,
instrumentos de formação, instrumentos de bem-estar até do ponto de vista
profissional…”.
Apesar de todo o esforço que fazemos, dia após dia, continuamos a exercer uma
profissão que está cada vez mais descredibilizada pela opinião pública.
“É urgente restaurar e devolver a carga de importância social da profissão que
assegura o conhecimento e cultura das sociedades” (Amador, Margarida Marrucho
Mota, “Ser professor: profissão, emprego ou trabalho?”. Público 2 de abril de 2020)
Enquanto profissionais necessitamos de competências digitais específicas para sermos
capazes de utilizar as tecnologias para o ensino e preparar os alunos para uma
utilização ativa de ferramentas digitais dentro e fora da escola.
Para que possamos acompanhar as mudanças/atualizações vigentes é fulcral a
formação contínua ao longo de toda a carreira docente, seja por questões de
desenvolvimento profissional ou de mudanças legislativas.
Por imperativos legais, ao longo da carreira somos “obrigados” a frequentar formação
contínua para progressão na carreira. Contudo, por diversos fatores, nem sempre a
formação frequentada tem impacto/relevância no processo de ensino /aprendizagem.
Independentemente das áreas, o processo de formação contínua deverá ser sempre
precedido de um diagnóstico de necessidades e consequência de um processo
reflexivo individual.
No caso concreto da transição digital nas escolas a relevância do diagnóstico é fulcral.
Não será a formação, por si só, que nos permitirá mudar a prática pedagógica.
É fundamental o domínio de alguma literacia digital como complemento no processo
de ensino/aprendizagem, apesar do ritmo de mudança das escolas ser mais lento do
que o ritmo tecnológico ou digital.
A formação deverá ser sempre contínua porque a evolução da digitalização e das
competências digitais é um processo dinâmico.
Deverá apostar-se, também, na formação transversal para que seja possível melhorar a
articulação curricular.