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Módulo 4: Metodologias de Formação de Professores em Integração Educativa das Tecnologias Recursos...


Recursos...

1. TEMA 1 | O professor como profissional na escola de hoje

O professor como profissional – agora e no futuro 

É atualmente reconhecido de forma universal o valor cívico e social da educação e a contribuição determinante que a
profissão docente tem dado ao desenvolvimento social, cultural e económico. É igualmente reconhecido o papel
fundamental dos formadores de professores na garantia da qualidade do ensino. A educação, a profissão docente e o
processo de formação de professores têm merecido atenção crescente, em todo o mundo, por parte das autoridades
educativas e das comunidades. Considera-se mesmo que a educação é a ação estratégica mais importante para o
desenvolvimento económico e social de qualquer país.

No processo educativo, o professor ocupa um lugar central. Nas estruturas educativas, o professor é o elemento que se
situa na zona de interface mais sensível – entre as autoridades educativas e os alunos e os pais, entre as políticas e
orientações de organização curriculares e as expectativas dos jovens e das suas famílias. Reconhece-se a variedade
de fatores que, no processo educativo, estão para além do controlo dos professores e que com frequência influenciam
de forma determinante o seu trabalho. Mas a função e o papel do professor são mesmo assim cruciais no sistema
escolar. É fundamental não esquecer que a qualidade de um sistema educativo ou de uma escola nunca consegue
exceder a qualidade dos seus professores.

A profissionalidade docente
O debate em torno da questão ‘o professor é um profissional?’ mantém-se há muitos anos e tem recentemente sido
trazido à discussão no quadro de temas como o futuro da escola. Tal como Esteves (2014) coloca, a ideia de
profissionalidade docente reflete a especificidade do trabalho docente face a outras ocupações socialmente úteis e
remuneradas, sendo que essa especificidade implica p domínio de um saber profissional especializado e posto em
ação de acordo com princípios e valores éticos e deontológicos, isto é, um saber que se manifesta em competências
(Esteves, 2014).

A questão da profissionalidade e da identidade docente é atualmente enquadrada por diversos fatores,


nomeadamente o envolvimento dos pais e da comunidade em geral na educação, o compromisso e envolvimento
dos alunos, a disponibilidade de recursos que estruturam a ação docente, as oportunidades para o desenvolvimento
profissional do professor e, inevitavelmente, o ritmo de mudança legislativa muitas vezes decorrentes de fatores
económicos e sociais conjunturais. Entende-se, neste contexto, como desenvolvimento profissional docente, o
conjunto de processos de transformação que, decorrendo de uma pluralidade de fatores, surgem ao longo da carreira
do professor não se estruturando assim apenas no domínio dos conhecimentos teóricos e científicos, mas igualmente
nos aspetos emocionais, atitudinais e relacionais dos docentes. Distingue-se, por isso, da ideia de formação contínua
que, embora relacionada, tem uma natureza e um caráter diferentes.

Reconhece-se que os valores fundamentais e os padrões profissionais, que devem ser elementos constitutivos das
práticas dos professores, são cada vez mais expressos em termos de ‘deveres’ e de ‘perfis’ de natureza normativa que
frequentemente consideram (e colocam) o professor fora do seu contexto de prática. É importante que o professor, ao
tomar progressivamente consciência das características únicas da sua profissão, reconheça e consolide a sua
identidade profissional.

Os caminhos que é preciso percorrer para que o reconhecimento social da profissão de professor se consolide, e
tenha um adequado enquadramento social, legal e material – que vemos atualmente noutras profissões, como por
exemplo, na classe médica – devem ser traçados também, e fundamentalmente, pelos próprios professores e pela
sua ação no quotidiano da sua profissão.

A necessidade de um professor profissional


O que significa entender que os professores são reconhecidos como profissionais? A maioria das pessoas passou uma
parte significativa das suas vidas dentro de uma escola e muito provavelmente sente-se capaz de identificar o que é
um ‘bom’ professor. De facto, ser profissional envolve muito mais do que ser ‘bom’ no trabalho de professor.

Um profissional é alguém capaz de tomar decisões e realizar ações com autonomia baseado em conhecimento sólido
sobre seu trabalho. A atuação de um profissional é assente num conjunto especializado de conhecimentos e
competências decorrentes tanto de uma formação de qualidade como da constante colaboração e diálogo com seus
pares e com os stakeholders da sua atividade.

Os professores profissionais colocam a questão da confiança dos seus alunos e dos pais no topo das suas
preocupações. E é nesse quadro de confiança que constroem a sua autoridade como professores. Trata-se de uma
autoridade que é conferida pelos alunos e pelos pais – mais do que referida ao estatuto que social e culturalmente lhe
é dado pela sociedade e pelo próprio sistema educativo. Essa autoridade do professor como profissional advém da
sua maturidade científica, da solidez da sua formação pedagógica e das suas qualidades humanas. É por isso
muitíssimo complexo realizar uma formação de professores que contemple os elementos necessários para que
aquelas três dimensões se desenvolvam ao longo da carreira do professor.

No mundo social atual – e nos contextos que podemos antever para os próximos anos – a responsabilidade e o papel
do professor como profissional adquirem uma relevância ainda maior atendendo à natureza das vivências da
geração de crianças e jovens nascidos na primeira década deste milénio. A fortíssima imersão tecnológica em que
todos vivem – alunos, pais, professores – coloca ao professor, como profissional, a tarefa de contribuir para que os
jovens construam uma visão responsável do mundo em que querem viver. Essa visão prospetiva do mundo que
querem construir – e não ficar à espera do mundo que aí vem – passa por uma educação para a sustentabilidade, no
seu sentido mais amplo, e para a complexidade e transformação fundamental trazida pela progressiva digitalização
das atividades humanas.

Mas a questão da profissionalidade do professor apresenta uma dimensão muito importante no que se refere ao
trabalho pedagógico com os alunos. A densidade e rapidez de comunicação, nomeadamente entre os alunos, e as
redes informais em que vivem em permanência – seja no âmbito de lazer seja no âmbito escolar – constituem uma
forma inédita de viver a juventude que escapa inevitavelmente aos professores. É preciso que o professor tenha
consciência da existência desses mundos, dessas práticas de comunicação ubíqua e permanente entre os alunos,
que enformam atitudes e comportamentos escolares e que, em última análise, constituem a vida dos jovens. Isto
significa que o professor como profissional precisa de conhecer os seus alunos suficientemente bem para interpretar
os seus comportamentos e atitudes sabendo que tem apenas acesso a uma pequena parte da informação que flui
entre eles. E é também por isso que o professor profissional garante que os alunos sabem que ele também aprende
com os seus alunos.

A cultura profissional
Atualmente o professor vive a sua profissão num enquadramento legal e social que contribuem para dar forma à sua
identidade, mas é na prática docente realizada na escola, no seu espaço de intervenção profissional com os seus
alunos, que se constrói como professor. É importante que o professor, a nível escolar, valorize e atue na dimensão
horizontal de cooperação com os pares. Esse será um dos elementos mais importantes para integrar uma cultura
profissional e uma cultura de colaboração que gere não apenas um sentido de pertença, mas também contribua de
forma relevante para a sua identidade profissional.

O professor tem atualmente a responsabilidade de, para além da sua maturidade científica na área de lecionação,
acompanhar os desenvolvimentos culturais, científicos e tecnológicos que darão sentido aos temas curriculares que
ensina. É nessa via que o professor contribui para valorizar as ideias dos seus alunos e a fazer com que eles se sintam
valorizados. E é também neste quadro que o professor profissional valoriza abertamente a diversidade e incorpora na
sua prática docente essa mesma diversidade.

No âmbito da educação, entender que o professor é reconhecido como um profissional significa que ele deve não
apenas realizar seu trabalho de maneira eficaz, mas também atuar para melhorar suas competências, colaborar com
os colegas e os pais e fazer face de forma criativa aos desafios que enfrenta. Estes são elementos constitutivos de
uma cultura profissional em que o professor é atuante e é percebido como um ator central do desenvolvimento e das
aprendizagens dos alunos.

O professor profissional no mundo digital


Naturalmente que se esperamos que o professor atue e se comporte como profissional – isto é, se queremos contribuir
para a construção da profissionalidade docente – é fundamental considerar, em todos os âmbitos, os professores
como profissionais.

É por isso que a formação no quadro da transição digital ganha importância. Trata-se de colocar nas mãos do
professor a possibilidade – e a responsabilidade – de ser agente de transição digital no seu quadro profissional. Esta
situação tem vindo a ocorrer numa variedade de áreas profissionais (e.g. saúde) em que os profissionais são
chamados a processos de refreshment, muitas vezes acelerados, obrigando-os a repensar as suas práticas em
função da digitalização de muitos aspetos da sua prática. O próprio domínio de prática (neste exemplo, a prática
médica) tem vindo rapidamente a sofrer processos rápidos de transformação face aos resultados da investigação e
dos desenvolvimentos tecnológicos na área arrastando a necessidade imperiosa de estabelecer novas formas de
lidar com o conhecimento que é aplicado nessas práticas.

O professor – e a escola, em geral – tem permanecido relativamente afastada deste tipo de fenómeno mercê da
perceção que o professor tradicionalmente tem da organização centralizada do sistema educativo, das suas próprias
funções como professor e, muitas vezes, da sua responsabilidade social e política. De facto, é imperioso atualmente
que a profissionalidade do professor inclua um nível elevado de competência digital que lhe permita atuar de uma
forma ágil, confiante e eficaz nas suas múltiplas funções: na colaboração com os pares no quadro das atividades de
gestão curricular, na sua prática letiva com os seus alunos, na gestão dos processos avaliativos inerentes, na relação
com os pais e nas relações com a administração da escola – em resumo, em todas as esferas de atuação
profissional.

Atualmente todas as atividades sociais se desenvolvem, em maior ou menor grau, no quadro de processos digitais
que assumem como largamente garantido o acesso universal a tecnologias móveis e à internet. Esta situação tenderá
a consolidar-se no futuro próximo expandindo-se cada vez mais os setores de atividade social em que aquelas
tecnologias são elementos constitutivos. É por isso fundamental que os alunos sejam culturalmente preparados para
participar criticamente nos habitats digitais em que irão viver a sua vida. É responsabilidade do professor como
profissional adquirir as competências necessárias a um exercício informado da sua profissão que não apenas
beneficie, mas que também valorize uma utilização crítica das tecnologias digitais em todas as esferas da sua
atividade.

O professor profissional e as suas esferas de atuação


O referencial DigiCompEdu estabelece no domínio das competências profissionais os elementos fundamentais na
atuação do professor: i) a comunicação no quadro da sua organização – a escola entendida como constituída pelos
alunos, pais e pelos outros professores; ii) a colaboração profissional com os pares através da partilha de experiência,
de ideias, de resultados emergentes da sua prática docente; e iii) a prática reflexiva que proporciona uma visão crítica
sobre a sua atuação e uma avaliação do seu próprio desenvolvimento profissional, nomeadamente no âmbito da
digitalização da educação. Mas as esferas de atuação do professor como profissional expandem-se aos domínios das
suas competências digitais e pedagógicas. É neste sentido que o referencial DigiCompEdu constitui uma carta de
navegação que o professor deve considerar, no âmbito da sua trajetória profissional, em articulação com as
dimensões descritas no Perfil Geral de Desempenho do Professor, nomeadamente no âmbito profissional, social e
ético, na participação na escola e na relação com a comunidade, no desenvolvimento profissional ao longo da vida de
professor e no desenvolvimento do ensino e aprendizagem.

REFERÊNCIAS

Esteves, M. (2014). Professores: profissionalidade(s) a desenvolver. Conferência plenária. Atas do XI Colóquio sobre
Questões Curriculares (VII Luso-Brasileiro e I Luso-Afro-Brasileiro): Currículo na Contemporaneidade:
internacionalização e contextos locais. Braga: Universidade do Minho

Palavras-chave: profissionalidade docente cultura profissional docente

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Índice

1. TEMA 1 | O professor como profissional na escola de hoje


2. Tema 2 | As XXI century skills no quadro do referencial DigiCompEdu
3. Tema 3 | Princípios para a formação contínua de professores

Contactos
Direção-Geral da Educação
 https://www.dge.mec.pt/
 dge@dge.mec.pt

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