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Aula 01 – Exame Complementares - Diagnóstico Bucal

Exames Complementares

São exames subsidiários, que complementam os achados clínicos;


O exame clínico é a parte mais importante de todo o processo de diagnostico, sendo ele
o responsável por indicar qual exame complementar será preciso, caso haja necessidade
de um;
A anamnese e o exame físico são as principais partes do diagnóstico, depois de feitas
essas etapas é que se procura o auxílio dos exames complementares;
Apesar de subsidiários, em determinados casos, os exames complementares vão se
caracterizar como fontes de análise muito decisivos para o diagnóstico final do paciente.

Classificação:

Inespecífico:
Indícios diagnósticos que, somados aos elementos clínicos, poderão
compor um quadro representativo da doença presente;
São exames que vão trazer indícios diagnósticos, ou seja, seu resultado é
muito comum para diversas patologias diferentes, não sendo capaz de
chegar a um diagnóstico final sozinho. Porém, a presença desse exame,
aliado a elementos químicos, podem compor um quadro representativo
da doença presente.
Ex: hemograma

Semiespecífico:
Indicam a presença de um processo patológico, mas deixa de elucidar
outras características, como por exemplo a natureza ou a localização
dessa lesão;
Trazem um pouco mais de informação.
Ex: exame radiográfico
(entretanto é necessário observar os casos pois o mesmo exame pode ser
semiespecífico em uma patologia e específico em outra)

Específicos:
Permite o diagnóstico definitivo da patologia.
Ex: exame sorológico (você está desconfiado que seu paciente
tem sífilis, ao fazer o sorológico e receber o resultado do exame,
você sai com a certeza de que ele tem ou não tem aquela doença)
Exames Complementares:
Exames através da imagem (ressonância magnética, radiografia,
tomografia computadorizada...);
Cultura e antibiograma;
Hematológicos;
Biópsia;
Citologia esfoliativa.

Histórico:
BEALE (1880)
Câncer faríngeo;
PAPANICOLAOU, TRAUT (19430)
Começou a ser usada no câncer genital feminino;
Estabelecimento das alterações histológicas compatíveis com
malignidade.
MONTGOMERY (1951)
Estudo citológico em mucosa bucal normal.
MONTGOMERY, VON HAAN (1951)
Leucoplasia e carcinomas de boca.

Citologia Esfoliativa:

Exame complementar de diagnóstico que se utiliza de células esfoliadas para


estudo em microscópio;
Se iguala a biópsia no quesito pegar material da lesão e observa-lo em
microscópio, no entanto, na citologia remove-se apenas células esfoliadas, ou
seja, retira-se células mais superficiais (raspagem).

Etapas:
Raspagem de células superficiais, podendo ser feita em um tecido
normal, uma área para avaliar alterações ou em partes lesionadas;
Confecção de esfregaço sobre lâminas de vidro (coloca essa raspagem na
lâmina de vidro);
Coloração (para distinguir com mais facilidade as várias estruturas da
célula);
Exame microscópico;

Principal Objetivo:
Detecção precoce de células malignas em determinada região (citologia
oncótica);
Fidelidade de diagnóstico – 95%
Falsos negativos;
Falsos positivos.
Não substitui a biópsia (o uso da citologia esfoliativa é mais para quando
não existe uma forte suspeita de câncer/de malignidade).

Desvantagens:
Não define o tipo da lesão maligna porque você só está analisando células
desgarradas;
Não mostra a relação da lesão com os tecidos subjacentes (já a biópsia pode
revelar esse tipo de informação).

Indicações:
Lesões aparentemente inócuas (sem razão suficiente para biópsia);
Lesões extensas ou múltiplas (seleção da área para biopsia);
Controle de áreas submetidas a radioterapia (a radioterapia apesar de destruir
lesões malignas, ela pode também provocar a lesão de células normais);
Controle de lesões cancerizáveis;
Pacientes em más condições físicas ou que recusam a biópsia;
Auxiliar no diagnóstico de algumas lesões benignas, pré-malignas e infecciosas
(para confirmação do diagnostico).

Pode Auxiliar no Diagnóstico de:


Pênfigo vulgar;
Herpes;
Paracoccidioidomicose.
Sífilis;
Candidíase.

Citologia Oncótica:

Classificação Clássica:
Classe I – aspecto de normalidade;
Classe II – com atipias (algumas células já estão alteradas), mas sem
evidência de malignidade;
Classe III – suspeita de malignidade;
Classe IV – fortemente sugestiva de malignidade;
Classe V – maligno.

Classificação Alternativa:
Sem evidencia de malignidade;
Suspeita de malignidade;
Sugestiva de malignidade/maligna.
Técnica:
Instrumental e Material Necessário:
Lâmina de vidro onde o material é colocado;
Espátula metálica;
Marcador;
Suporte para lâminas;
Clipes para papel;
Gaze;
Álcool absoluto;
Éter.

Primeiro você faz a raspagem da área desejada para examinar – Confecção do


Esfregaço; depois coloca esse material na lâmina de vidro já identificada – Fixação –
Encaminhamento para o Patologista

Coleta com citobrush – escovinha pequena também utilizada para coleta de material.

Biópsia:
É um procedimento de elucidação diagnóstica através da remoção de tecido para estudo
macro e microscópico;
Parte de coleta do material, normalmente cirúrgica; removendo parte da lesão ou a lesão
toda para encaminhar ao patologista;
Pode ser realizado em tecidos vivos ou fixados através de formol a 10%

Manobra Cirúrgica:

Excisional:
Remoção inteira da lesão;
Geralmente consiste no procedimento do diagnóstico e ao mesmo
tempo no tratamento da lesão.

Incisional:
Remoção de parte da lesão para chegar no diagnostico;
Lesões muito grandes;
Para realizar essa biópsia é importante que seja pego parte da
lesão e parte do tecido saudável.

Lesão muito extensa e com aspecto heterogêneo sempre é escolhido fazer a


biopsia de mais de uma área, buscando pegar sempre partes que aparentam ser
mais agressivas.
A Escolha da Técnica:
Vai depender de vários fatores.
Ex: hipótese clínica, tamanho e localização da lesão, tipo de inserção.

Indicações:
Lesões que não puderam ser diagnosticadas por outros métodos;
Evolução diagnóstica de doenças infecciosas, fúngicas e bacterianas;
Determinar o tipo de tumor;
Lesões suspeitas de câncer (biópsia incisional).

Ulceras que não cicatrizam;


Nódulos de crescimento rápido;
Lesões brancas (lesão pré-maligna mais frequente);

Deve-se evitar (ou realizar com cautela) biópsias em pacientes com:

Causas Gerais:
Condições sistêmicas incompatíveis com manobras cirúrgicas.

Deve-se evitar biópsia incisional em caso de:


Hemangioma (ideal é que já seja encaminhada para o tratamento);
Melanoma.

Pinça saca – bocado – útil apenas para biópsias incisionais;


Punch – realiza uma incisão circular e não dilacera tecido;
Bisturi.

Biópsia por punção:


Realizada com seringa e agulha de grosso calibre;
Remoção do conteúdo líquido da lesão;
Líquido esperado:
Escuro, que pode ser transparente ou turvo, e pode vir com ou sem
sangue – lesões císticas;
Somente sangue – lesões muito vascularizadas, hemangioma;
Saliva – mucocele, rânula – lesões formadas por acumulo de saliva nos
tecidos;
Pus – abcesso.

Fragmento tecidual removido:


Quando essa remoção é realizada você deve fazer a fixação, realizada com
formol a 10%, em um volume 10 vezes maior do que a peça cirúrgica que foi
retirada;
Rotular o vidro com as informações essenciais (nome do paciente e do
profissional, data da biópsia, local em que foi realizado);
Encaminhamento ao patologista com a ficha de solicitação completa.

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