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A CRUCIFICAÇÃO

JOÃO CALVINO
Traduzido do Inglês
Sixth Sermon on the Passion of Our Lord Jesus Christ
By John Calvin

Via: Monergism.com

Tradução e Capa por William Teixeira


Revisão por Camila Almeida

1ª Edição: Março de 2015

Salvo indicação em contrário, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da versão Almeida

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A Crucificação
Por João Calvino

“E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto


dele toda a coorte. E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate; e,
tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita uma
cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos judeus. E,
cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça. E, depois de o
haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram
para ser cru-cificado. E, quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado
Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz. E, chegando ao lugar chamado
Gólgota, que se diz: Lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinagre misturado com fel;
mas ele, pro-vando-o, não quis beber. E, havendo-o crucificado, repartiram as suas
vestes, lan-çando sortes, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta:
Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes. E,
assentados, o guarda-vam ali. E por cima da sua cabeça puseram escrita a sua
acusação: ESTE E JESUS, O REI DOS JUDEUS. E foram crucificados com ele dois
salteadores, um à direita, e outro à esquerda. E os que passavam blasfemavam
dele, meneando as cabeças, E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o
reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz. E da mesma
maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e
fariseus, escarnecendo, diziam: Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se.
Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; livre-o
agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus. E o mesmo lhe lançaram também
em rosto os salteadores que com ele estavam crucificados” (Mateus 27:27-44).

Seguindo o que já dissemos sobre isso antes, é preciso considerar ainda mais que o Reino de
nosso Senhor Jesus Cristo não é deste mundo. Pois nós vemos como Ele estava em
desgraça, zombavam dEle, e em vez de um diadema real Ele usou uma coroa de espinhos.
Em vez de um cetro Ele possuía uma cana. Então, tudo o que poderia ser imaginado como
vergonhoso para um homem, foi lançado sobre Ele. Se limitarmos a nossa atenção para o
que está aqui narrado, será como se fosse um objeto de escândalo para nos afastar de nosso
Senhor Jesus Cristo, e, consequentemente, de toda a esperança de salvação. Mas temos que
contemplar pela fé o Reino espiritual que foi mencionado acima. Então podemos concluir, que
embora os homens zombem do Reino de nosso Senhor Jesus Cristo, que Ele nunca deixou
de ser apreciado de acordo com Sua excelência, tanto diante de Deus quanto dos Seus anjos.
Na verdade, temos que lembrar que o Filho de Deus foi assim tratado em Sua Pessoa, a fim
de receber sobre Si toda a vergonha que nós merecemos. Pois como é

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que podemos estar diante de Deus, enquanto estamos corrompidos em nossas iniquida-
des? Mas desde que o nosso Senhor Jesus foi cuspido na face, e se dispôs a ser
fustigado na cabeça; Ele recebeu todos os insultos, e é por isso que hoje somos
reconhecidos e de-clarados como filhos de Deus e é aí que está a nossa confiança. Na
verdade, também te-mos sempre que considerar que Deus quer nos induzir a sermos
mais profundamente toca-dos por nossas faltas, para que as vejamos com horror e
repulsa, ao vermos que foi neces-sário que o Filho de Deus suportasse as nossas falhas
para fazer reparação por elas para adquirir graça e absolvição para nós, e nisto o Pai
celeste não O poupou de modo algum. Havendo, pois, os nossos pecados causados tal
confusão na Pessoa do Filho de Deus, nós certamente temos que nos humilhar e ser
totalmente confundidos em nós mesmos. No en-tanto, quando viermos diante de Deus
nós também devemos ter coragem e nos fundamen-tarmos em tal confiança a ponto de
nos livrarmos de toda dúvida, que o nosso Senhor Jesus Cristo adquiriu graça para nós
quando Ele sofreu em Si mesmo e foi tão difamado por nossa causa. Pois por este meio
Ele adquiriu para nós glória e dignidade diante de Deus e Seus anjos.

Agora é dito aqui que o nosso Senhor Jesus foi levado ao lugar que é chamado de “Gól-gota”,
isto é “o lugar da Caveira”. A palavra hebraica da qual esta é derivada significa “rolar”, esta
palavra foi usada porque quando um corpo decai, eles encontravam o crânio seco que
é como uma bola. Chamaram, então, este lugar “Gólgota”, porque muitos malfeitores foram
punidos lá, e suas cabeças foram vistas ali. Aqui nós temos que lembrar o que diz o apóstolo
na Epístola aos Hebreus, que o nosso Senhor Jesus Cristo foi levado para fora da cidade,
como era costume com os sacrifícios, isto é, aqueles que tinham sido queimados, e do qual o
sangue foi levado ao santuário para limpar as manchas do povo (Hebreus 13:11-12). Dizia-se
que tal sacrifício era como se fosse uma maldição. Deviam, portanto, ser expelidos longe da
cidade. Eis que o Filho de Deus estava disposto a receber esta condição sobre Si, para que
soubéssemos que de fato estamos agora libertos e absolvidos diante de Deus. Pois
merecemos a rejeição de Deus, sim, que Ele derrame Sua vingança terrível sobre nós, en-
quanto Ele olha para nós como nós somos em nós mesmos. Não existe então nenhum ou-tro
meio para adquirir graça, exceto que nos acheguemos ao nosso Senhor Jesus Cristo, em
Quem nós temos todo o nosso refúgio, uma vez que ficamos aliviados da carga quando Ele se
dispôs a ser amaldiçoado e abominável por nossa causa, a fim de que possamos encontrar
graça diante de Deus e que possamos ser aceitáveis para Ele. Pois, embora Pi-latos Seu juiz
O tenha justificado várias vezes, Ele teve que receber em Sua Pessoa tudo o que era
necessário para nos redimir. Pois Ele era o nosso penhor, e em tudo e por tudo Ele tinha que
responder por nós. Então, depois de conhecer que o nosso Senhor Jesus foi, assim, rejeitado,
como não sendo digno de estar entre os homens, até mesmo, por assim dizer, como tendo
uma infecção de tal forma que Ele não poderia ser suportado; vendo, eu digo, que nós
devemos aprender a segui-lO e a renunciar ao mundo, como somos exorta-

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dos nesta passagem. E se temos que ser ridicularizados, cortados como membros podres,
e nos odiarem, que nós suportarmos tudo pacientemente, rendendo-nos submissamente,
até chegar o dia em que os nossos sofrimentos serão convertidos em alegria, quando
Deus enxugará dos nossos olhos toda a lágrima e, de fato, o que hoje julgamos ser nossa
ver-gonha será convertido em nossa glória. Pois, é certo que tudo o que sofrermos por
nosso Senhor Jesus Cristo é mais honroso diante de Deus do que toda a pompa deste
mundo. Isso, então, é o que temos que lembrar neste ponto.

Agora, o escritor do Evangelho acrescenta que o nosso Senhor Jesus foi ridicularizado por
todos aqueles que por ali passava, e acima de tudo por sacerdotes, escribas e pelos de seu
tipo. E qual foi a ocasião disto? “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se”. Disse-
ram-Lhe eles, “desça agora da cruz, e creremos nele. Confiou em Deus; livre-o agora, se o
ama; porque disse: Sou Filho de Deus”. Aqui vemos uma terrível cegueira nessas pessoas
miseráveis, que estavam possuídas por Satanás, pelo fato de não possuírem mais nenhu-ma
sensibilidade ou percepção. Eis que os sacerdotes que deveriam ser os mensageiros de
Deus, pelo fato de que Ele lhes havia ordenado a esta função, a fim de que a Sua Palavra e
Sua vontade pudessem ser conhecidas através de sua boca. Eis que os escribas que são
versados na Lei, e, no entanto, supõem que podem esmagar nosso Senhor Jesus, mostram
que eles pisam sob os pés toda as Sagradas Escrituras e toda a religião da qual se gaba-
vam. Quando o Messias foi anteriormente anunciado a eles, eles certamente responderam
que Ele havia de nascer em Belém. Eles também deveriam ter sido avisados e informados de
que o Redentor que foi prometido a eles deveria provar a morte, isto não era algo obs-curo. A
passagem de Isaías (Isaías 53) foi tão clara ao recitar o que nosso Senhor Jesus Cristo
suportou. Eles deviam, então, saber que era impossível ter uma visão mais clara das coisas
do que a do profeta, embora ele tivesse falado dEle há tanto tempo antes. Depois, há tanto
em Zacarias assim como em Daniel as declarações que Deus deve reunir o Seu povo, e
exaltar a Sua Igreja (Daniel 12:1-3; Zacarias 2:11), ou seja, que o Redentor do mun-do deve
sofrer cada reprovação e maldição perante o mundo. Como é, então, que eles de-safiaram o
Filho de Deus quando Ele exercia o Seu ofício, uma vez que isto havia sido sufi-cientemente
declarado pelos profetas? Assim, vemos que Satanás os enredou, quando e-les esqueceram
tudo o que haviam conhecido anteriormente.

Por isso, sejamos advertidos e andemos no temor de Deus, para que depois de termos pro-
vado a Sua Palavra, possamos recebê-la com reverência e obedeçamos ao nosso Senhor
Jesus Cristo, o qual nos é apresentado ali. Pois, é também nEle verdadeiramente que en-
contraremos toda a perfeição das virtudes, se nos achegarmos a Ele em humildade. Por-que,
se nós presumimos e brincamos com Deus, nossa audácia deve receber tal recompen-sa,
como lemos aqui desses homens miseráveis que foram tão conduzidos por sua fúria. No
entanto, devemos tirar algum proveito destas blasfêmias ao aprender com elas a fazer

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o oposto. Pois o nosso Senhor Jesus quis ser o nosso Rei e nosso Cabeça, por isso Ele não
salvou a Si mesmo. Os inimigos da verdade disseram: “Salvou os outros, e a si mesmo não
pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz”. Mas Ele teve de suportar isto em
Sua Pessoa para adquirir a salvação para nós. Por que, então, nosso Senhor Jesus não
poupou a Si mesmo? Por que Ele suportaria uma morte tão amarga e tão vergonhosa, a
menos que fosse necessário a fim de que pudéssemos ser libertos através de um tal resgate?
Temos, então, desafiado todos os agentes de Satanás, e todos os seus vilões que vomitaram
tais blasfêmias como as que o escritor do Evangelho descreve, e estamos ainda mais seguros
de que realmente temos um Rei que preferiu a nossa salvação do que a Sua própria vida, e
sofreu tudo o que era necessário para a nossa redenção, e não considerava outra coisa,
exceto resgatar o que se havia perdido. Nós teríamos sido destituídos de toda a esperança,
se o Filho de Deus nos houvesse deixado em nosso estado e condição. Mas quando Ele
estava tão absorvido pela morte, que é onde reside a nossa libertação; quando Ele suportou
tudo com tanta paciência, que é a causa pela qual Deus agora estende a Sua mão e Seu
poder para nos ajudar em tempo de necessidade, nosso Senhor Jesus, então, tinha que estar
ali, por assim dizer, abandonado por Deus, a fim de que hoje pudéssemos sentir que Ele
cuida da nossa salvação, e Ele estará sempre pronto para nos ajudar quando as nossas
necessidades o exigem. No entanto, vamos também aprender a nos precaver contra todas as
tentações, quando o Diabo vem para nos assaltar, querendo nos fazer acre-ditar que Deus
nos abandonou, que Ele virou as costas para nós, e que é uma coisa decep-cionante esperar
nEle. Saibamos, então, quando Jesus Cristo é o verdadeiro padrão de to-dos os crentes e que
Ele nos mostrou o caminho que devemos percorrer, e isso é razão suficiente para que
possamos ser conformados a Ele. Ele sofreu tais blasfêmias que foram proferidas contra Ele,
e ainda assim constantemente resistiu a elas de tal forma que por meio delas a vitória foi
adquirida para nós. Lutemos, pois, hoje, quando o Diabo vem nos sitiar, por assim dizer, para
derrubar a nossa fé e para fechar a porta contra nós, para que não sejamos capazes de
termos acesso a Deus, como se Ele tivesse completamente es-quecido de nós. Sigamos o
nosso Senhor Jesus Cristo e esperemos pela hora em que Deus estende Seu braço para
mostrar que Ele é misericordioso e um Pai para nós, embora por um tempo Ele suporte nos
ver assim abatidos.

Muitos eram, então, estes insultos e escárnios que foram amontoadas sobre nosso Senhor
Jesus. Há ainda outros: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama”. Isso já havia sido tipifi-
cado na pessoa de Davi, pois estas mesmas palavras (Salmo 22:8) são recitadas quando ele
se queixa que seus inimigos têm tido a oportunidade de usar suas línguas contra ele, (Salmo
22:7) e eles quase colocaram os pés em seu pescoço, ao repreendê-lo pela confi-ança que
ele tinha em Deus. Agora é certo que esta é a praga mais fatal que Satanás pode conceber
contra nós. Pois, a vida dos homens consiste na fé e no refúgio que temos em Deus,
firmando-nos sobre Suas promessas. Se somos roubados destes estaremos comple-

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tamente perdidos e arruinados. É também por isso que Satanás tentou destruir a
confiança que o Senhor Jesus tinha em Deus, Seu Pai. É verdade que Jesus Cristo lutou
com um po-der maior do que nós somos capazes de fazer, pois Ele não estava sujeito a
qualquer incre-dulidade. Embora seja assim, ainda sentia tal fúria que havia nessas
tentações. Por-que, assim como o Diabo já havia traçado essas coisas, agora ele também
dobra seus es-forços. Dizendo-lhe: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se
tornem em pães, e co-ma-as, pois você é um pobre homem faminto (Mateus 4:3), [...]
agora, quando isso aconte-ceu Jesus Cristo não era insensível, não mais do que quando
O reprovaram pela confiança que Ele teve aqui em Deus. Logo, agora, embora nós não
tenhamos o mesmo poder para resistir, de modo a evitar sermos afligidos, ainda assim
devemos nos fortalecer nEle, saben-do que é para nós e para o nosso proveito que Ele
venceu esses assaltos e prevaleceu sobre eles.

Há também aqueles que dizem: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se”. Nós
vemos mais uma vez como eles estavam confundidos. Pois não foi o fato de que Ele salvou
os outros um certo e infalível sinal de Seu poder Divino? Jesus Cristo havia ressuscitado os
mortos e isso não era desconhecido para eles. Ele havia dado vista aos cegos; Ele curou
paralíticos, coxos, endemoninhados. Eis, então, que Jesus Cristo demonstrou os grandes
tesouros de Sua bondade e poder em todos os milagres que foram operados por Ele. No
entanto, isso ainda é uma objeção contra Ele. Vemos, então, como esses pobres loucos, a
menos que alguém os restrinja, são os seus próprios juízes privando-se de todas as descul-
pas; de modo que, quando eles estiverem perante o grande tribunal de nosso Senhor Jesus
Cristo, eles não poderão alegar qualquer escusa; pois ali eles serão, condenados por suas
próprias bocas. Se nosso Senhor salvou os outros, é certo que ele poderia ter salvado a Si
mesmo, a menos que Ele preferisse os outros a Si mesmo. O que pode ser percebido nisto,
exceto uma bondade admirável, visto que Ele desejou se lançar no abismo que os homens
estavam, a fim de nos tirar da profundidade deste abismo, que Ele estava disposto a sofrer
tudo o que era devido, a fim de nos livrar dele, resumidamente, pelo que Ele renunciou a toda
salvação física, ou seja, Ele em nada considerou a Sua própria vida, Ele não quis em nada
poupar a Sua pessoa, a fim de que possamos ter essa promessa e um tal resgate.

No demais, então, devemos ser confirmados em nossa fé. Vendo que em cada coisa o Dia-bo
trama para nos incomodar e nos impedir de nos achegar ao nosso Senhor Jesus, isso deveria
servir para nos fazer ainda mais seguros, devemos saber como tirar proveito de tudo isso.
Agora é certo que o Diabo emprega todos os seus esforços para impedir-nos neste ponto:
saber em que repousa a nossa salvação, e então ele aplica todos os meios, a fim de ser
capaz de nos privar disso. Pois ele sabe que se puder nos induzir a nos escanda-lizarmos na
Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, ele terá nos vencido. E nós experimen-tamos muito da
parte dele. Além disso, todos os escândalos que o Diabo cria e põe diante

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de nossos olhos para nos fazer desviar do Filho de Deus, deve nos servir como confirma-
ção, pois, quando se diz que Jesus Cristo salvou a outros e não salvou a Si mesmo, esta
é uma proposição que de acordo com o nosso julgamento humano, deve nos fazer
conceber algum desdém contra a Pessoa do Filho de Deus, para que O rejeitemos e não
coloquemos a nossa esperança nEle, mas muito pelo contrário, saibamos que o Filho de
Deus não tinha nenhuma consideração por Si mesmo e que Ele não tinha nenhuma
preocupação para com a Sua própria vida, isso para assegurar a salvação das almas tão
queridas e tão preciosas, de forma que Ele desejou empregar tudo para esse fim. Já que
é assim devemos corajosa-mente nos firmar nEle e estejamos completamente certos de
que não foi em vão que Ele sofreu isso por nossa causa.

Quanto eles disseram: “Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas”, havia tam-
bém uma vil malícia em distorcer o que Jesus havia dito em relação a destruir o templo, o
que Ele disse foi: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei” [João 2:19]. Não era,
portanto, referindo-se à destruição do templo, exceto por seus inimigos. E quando o
crucifi-caram, não deveriam ter sabido que isso já começado a ter cumprimento? Pois
eles não ignoravam o fato de que Jesus Cristo havia declarado que Ele mesmo era o
verdadeiro templo de Deus, referindo ao Seu corpo humano. Pois uma vez que Ele é
Deus manifestado em carne e Sua essência Divina está unida à Sua natureza humana
que Ele tomou, assim, eu digo, toda a plenitude da Divindade habita nEle, é bem certo de
que seu corpo merece ser chamado “Templo”, mais do que o de Jerusalém e mais do que
todos os céus. Agora eles O derrubaram, enquanto Ele estava entre eles, e Ele o
reedificou ao fim de três dias. Eles também não se esqueceram disto; pois, mais tarde,
sabiam bem o que dizer a Pilatos (Mateus 27:63). Mas pelo que vemos o Diabo possui
homens e os torna tão estúpidos a ponto deles não poderem mais discernir entre o bem e
o mal. Eles estão cheios de tanta fúria a ponto de oporem-se a Deus, como se quisessem
plenamente desafiá-lO e com pro-pósito deliberado. Observemos isto, para que possamos
ser admoestados a andar ainda mais no temor de Deus, quando nós entendemos como
Ele trabalhou pelo Seu poder admi-rável para declarar que não foi em vão que Jesus
Cristo havia pronunciado: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei”. Nós vemos
confusão em Sua morte somente quando olhamos para as aparências e de acordo com o
senso comum dos homens. Mas Jesus Cristo reparou cada coisa por Sua ressurreição. Já
que é assim, então, em tudo convém nos firmarmos na fé, e resistir a Satanás em tudo
que ele possa fazer para nos abalar e nos levar a duvidar.

Quanto disseram: “deram-lhe a beber vinagre misturado com fel”, é apropriado supor que isso
foi feito de acordo com o costume da época para apressar a morte dos malfeitores. Jesus
Cristo, depois de ter provado, não quis beber, porque Ele sabia que Sua hora ainda não havia
chegado. Eles estavam acostumados a dar-lhes esta bebida antes que os malfei-

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tores fossem pregados na cruz, a fim de que o sangue fosse agitado para cima e eles entre-
gassem os seus espíritos mais cedo. Pois este tipo de morte era bastante cruel, e eles pre-
cisavam ser ajudados por isso. Na verdade, veremos mais tarde como os ladrões tiveram
seus ossos quebrados a fim de que eles não definhassem ainda mais. Embora seja assim, o
nosso Senhor Jesus não queria beber essa bebida, para declarar que Ele estava pronto para
receber, em obediência, a condição a qual seu Pai, Deus, O comprometeu. É verdade que
essa morte foi muito difícil para Ele, pois além do fato de ser terrível, Ele tinha em si
tormentos espirituais, dos quais trataremos amanhã, se Deus quiser. Tudo isso, então, po-
deria muito bem ter induzido nosso Senhor Jesus Cristo a se aproximar da morte, logo que
fosse possível para Ele, mas Ele quis colocar-se com toda a obediência e suportar até que
Ele pudesse ser entregue sem quaisquer meios humanos. Isso, então, em resumo, é o que
temos que lembrar. Mas nestes versos, quando Sua veste foi dividida entre eles e lançaram
sortes sobre ela, para que se cumprisse a Escritura: Davi, um tipo de nosso Senhor Jesus
Cristo, faz tais reclamações. É verdade que isso é uma figura de linguagem, quando ele diz
que eles colocaram em sua bebida fel e vinagre, e eles dividiram as suas vestes, e que, em
sua aflição eles ainda lhe acrescentaram mais agonia, (Salmo 69:20-21; Salmo 22:18) Quão
cruéis e desumanas eram estas pessoas que ainda gostariam de molestar sua pobre vítima
que não podia oferecer nenhuma resistência. Davi, então, usa uma tal figura de linguagem
quando ele diz que sua veste foi dividida entre eles. (Salmo 22:18). Sob essa palavra, ele fala
de sua esposa, de sua casa, de todos os seus bens, e de toda a sua propriedade. Mas na
pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo isso tinha que ser literal. Deram-Lhe, então, vina-gre e
fel, a fim de que fosse conhecido que Davi era realmente o antítipo dele, e que ele era o
verdadeiro Redentor quem fora prometido desde sempre. Pois, por que foi o Reino suscitado
na casa de Davi, a não ser com a promessa de que Ele permaneceria mais do que o sol ou a
lua? Houve, então, este reino eterno que hoje foi estabelecido na pessoa do Redentor. Por
essas coisas que eram, por assim dizer, uma sombra e tipo na pessoa de Davi, foram
aperfeiçoadas em Jesus Cristo, como podemos ver aqui.

Além disso, o escritor do Evangelho acrescentou que até mesmo os ladrões que estavam com
o nosso Senhor Jesus zombavam dEle, isto foi dito somente por um, como mostra São Lucas,
que declara essas coisas mais pormenorizadamente. E uma forma bastante comum de falar,
como quando alguém diz: “Fulano fala até mesmo com crianças pequenas”, embo-ra possa
haver apenas um, aquele que fala usa o número plural. “Deve haver mulheres en-tre eles”. No
entanto, não necessariamente haverá somente uma. Desta forma, então, diz-se que o nosso
Senhor Jesus foi cuspido, escarnecido e blasfemado por todos, mesmo pe-los malfeitores. Ele
foi identificado com os dois ladrões a fim de agravar ainda mais a vergonha de Sua morte. É
verdade que este era o lugar onde eles estavam acostumados com a execução de
malfeitores. Ao mesmo tempo, eles não estão satisfeitos com esta ver-gonha, antes Ele teve
que ser considerado pior e mais detestável do que todos os ladrões

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do mundo, quando eles colocam um em cada um dos seus dois lados, para dizer que Ele
é o chefe de todos eles. E nisso, como diz São Marcos, foi confirmado o que foi dito pelo
profeta: “foi contado com os transgressores” (Marcos 15:28, Isaías 53:12). Agora, se isso não
acontecesse, hoje, em que lugar e condição estaríamos diante de Deus? Visto que não
podemos obter a graça sem justiça, Deus deve nos odiar e nos rejeitar até que sejamos justos
e purgados de todas as nossas machas e ofensas à Sua frente. E se assim, Deus poderia
renunciar a Si mesmo? Ele pode privar-se da Sua santidade, justiça e integridade? Desde que
isso não pode ser à medida que trouxermos as nossas manchas diante dEle, devemos ser
abomináveis a Deus. Agora, como seremos justificados diante de Deus, a não ser na medida
em que nosso Senhor Jesus Cristo teve fama entre os transgressores? Es-tando, pois, isentos
deste pecado Deus nos recebe, e nós somos tão aceitáveis a Ele como se estivéssemos
totalmente puros e inocentes, na medida em que o nosso Senhor Jesus suportou passar por
tal vergonha e desgraça diante dos homens. Isso, em suma, é o que temos que lembrar a
respeito dos salteadores.

Mas devemos insistir no objetivo do relato de São Lucas, isto é, que um dos ladrões repre-
ende seu companheiro quando o vê tão obstinado. “Como é agora?”, diz ele: “Nunca haverá
um momento em que você se humilhará? Pois a condenação e o castigo que você suporta
são devidos aos seus malefícios e crimes. Você é um homem mergulhado em toda maldi-ção,
e embora durante toda a sua vida você tenha sido tão brutal tendo prazer em suas fal-tas,
agora você deve começar a gemer”. Pois um homem não importando quão arruinado ele
possa estar, embora ele se alegre durante toda a sua vida, e pense que ele nunca virá a dar
conta de tudo, ele zomba da justiça, e até mesmo o desafia, na medida em que ele confia que
ele ficará impune, mas quando ele é capturado, ele deve largar o seu cantarolar. “Agora você
está aqui”, diz ele, “em grande tormento. Você vê que Deus e os homens agora estão
trazendo-lhe a conta. Também a sua consciência lhe reprova e isso pelos seus pró-prios
crimes que você deve agora suportar. E você ainda desafiará a Deus?”, aqui está uma frase
que mostra bem que este ladrão tinha sido ensinado pelo Espírito de Deus. Embora logo
veremos isso incomparavelmente mais e já nesta palavra podemos julgar que tipo de
professor o Espírito de Deus é, quando Ele dá instrução para aqueles que foram totalmente
desviados, de fato, embrutecidos; de forma que eles não somente reconhecem as suas
culpas e se preparam assim, com a obter graça, mas podem falar apenas como os doutores
eruditos, e como pessoas que por muito tempo foram treinadas na Sagrada Escri-tura. Pois o
principal protesto que podemos fazer contra um homem tão endurecido e que ainda assim
não cessa de atacar a Deus, é que ele deve prostrar-se e arrepender-se, e não foi isto que
este pobre ladrão fez? Porém, apesar desta advertência ter sido feita, de nada aproveitou,
exceto para tornar imperdoável aquele que estava tão possuído por Satanás. Mesmo que esta
advertência não tenha servido para nada em relação àquele a quem foi dirigida originalmente,
certamente deve ser útil para nós hoje.

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Portanto, aprendamos a temer a Deus, embora Ele nos poupe. Mas acima de tudo, se so-mos
fustigados por Sua vara, e Ele nos faz sentir que Ele está ofendido por nós, então po-demos
ser ainda mais incitados a gemer, e que também tenhamos constância e suportemos
pacientemente as nossas aflições, assim como podemos ver que este pobre ladrão fez, e de
modo algum sejamos orgulhosos e furiosos como o outro. Além disso, nestes dois ve-mos,
por assim dizer, espelhos de toda a humanidade, pois vemos as misérias que nos cer-cam.
Esta vida é, por assim dizer, uma profundidade de todas as privações, e estas são os frutos
de nossos pecados. Porque temos sido privados da bênção de Deus na Queda de Adão. É
verdade que, apesar de Deus por Sua bondade inestimável ultrapassar esta maldi-ção,
quando Ele declara nosso próprio Pai de muitas maneiras e nos faz sentir Sua bondade e
amor que Ele tem por nós e pelo cuidado com que Ele nos trata, mas temos muitas marcas de
nossos pecados de cima a baixo, devemos perceber que estamos debaixo da maldição de
Deus. A morte finalmente será o fim comum de todos. Quando teremos definhado neste
mundo, quando seremos todos foram sujeitos a muitas doenças, ao calor e ao frio, quando
devemos ter sido atormentados de uma forma e de outra, brevemente, quando tivermos
sofrido misérias infinitas, qual será o decreto disso? Devemos voltar à corrupção e cinzas. No
entanto, vemos aqueles que são tocados por Deus de tal maneira que as aflições pelas quais
eles passam contribuem para a sua salvação e tornam-se seu auxílio, como São Paulo fala no
capítulo 8 de Romanos. Outros tornam-se cada vez piores, e em vez de se humilharem e
serem levados a qualquer arrependimento, apenas se corrompem ainda mais, e cada vez
mais provocam a ira de Deus e inflamam ainda mais o fogo em que serão consumidos.
Sejamos advertidos por isto. Então, lancemos os nossos olhos sobre estes dois ladrões como
sobre os espelhos de todo o mundo, embora desde o maior ao menor todos nós somos
dignos de culpa diante de Deus. E se todos juntos devemos sofrer, quem se orgulhará de sua
inocência? Quem será capaz de absolver-se? Estando nós mergulha-dos na condenação nós
suportaremos justamente a punição por nossos pecados. Entre-tanto nem todos confessam
seus pecados igualmente, pois há aqueles que vão de mal a pior, e sua rebelião, contra Deus
se manifesta. Eles rangem os dentes, espumam pela boca, em sua fúria e crueldade. E eles
não querem de forma alguma ser condenados; ou talvez eles se riem e mostram um desprezo
intencional ao dizer que Deus não obterá nada deles e que não terão nenhum dominador
sobre eles.

E para concluirmos, quando os pobres pecadores reconhecem quem de fato são, quando se
humilham, quando eles confessam sua dívida, quando eles dão glória a Deus, declaran-do
que Ele os trata com toda a equidade e retidão, e que há uma boa razão para que eles sofram
e sejam castigados, quando, eu digo, pobres pecadores são atraídos para tal razoa-bilidade,
estejamos certos de que Deus colocou a mão sobre eles, que Ele os tocou pelo Seu Espírito
Santo e que, nisto se pode observar uma bondade infinita, quando Ele então livra da perdição
e do inferno, aqueles que estavam, por assim dizer, desprovidos de toda

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a esperança. Agora, em resumo, vemos na pessoa deste pobre ladrão um exemplo de fé
que é tão bom quanto qualquer outro que já existiu. Portanto, muito mais devemos ser
leva-dos a admirar o tal milagre que Deus realizou, pois, em que circunstância ele estava?
Ele estava perto da morte, ele sentia tormentos horríveis, ele estava esperando alguém vir
e quebrar suas pernas, perder seus membros, ele estava em um tormento tão amargo e
terrí-vel que seria suficiente para fazê-lo perder o sentido e a memória, ele vê o nosso
Senhor Jesus, que também está na mesma situação de desespero, de fato, com
vergonha maior ainda, e como é que ele fala? Ele não somente reconhece seus defeitos e
se humilha diante de Deus, ele não somente exerce o ofício de um mestre buscando
converter seu compa-nheiro e levá-lo de volta ao bom caminho, mas ele faz uma
confissão melhor do que todas as outras, se considerarmos bem tais circunstâncias.
“Lembra-te de mim”, diz ele, “quando entrares no Teu Reino”. Como é que ele é capaz de
perceber o Reino de Jesus Cristo? Ele estava perecendo na cruz, Ele era maldiçoado
tanto por Deus quanto pelos homens, pois esta sentença da lei havia sido pronunciada
pela boca de Deus: “porquanto o pendurado é maldito de Deus” (Deuteronômio 21:23).

E isso não foi feito por acaso, mas Deus colocou o Seu único Filho ali. Quando, então, ele vê
Jesus Cristo estar sob a maldição, diante de Deus e diante dos homens, de fato nas pro-
fundezas do desespero, do ponto de vista humano, ele não pode reunir seus pensamentos
para dizer que Jesus Cristo é o Rei, a não ser na fé e no espírito. Então, ele vê ali as coisas
que poderiam leva-lo para longe do Filho de Deus e que poderiam fazê-lo concluir que seria
apenas um abuso e um escárnio confiar nEle, no entanto, ele o chama de Rei, vendo-O em
Sua morte. “Salva-me”, diz ele, “Dá-me vida. Porque, toda a minha felicidade consiste em que
Te lembres de mim”. Agora, quando consideramos bem todas essas circunstâncias, é certo
que a fé deste ladrão era tão excelente quanto a de qualquer homem que já viveu, portanto,
não nos envergonhemos de sermos Seus discípulos, pois, de fato, a morte de nosso Senhor
Jesus Cristo de nada nos aproveitará, se não estamos, por assim dizer, con-denados em nós
mesmos, a fim de obter a salvação nEle. E nós não podemos ser absolvid-os diante de Deus,
a menos que tenhamos confessado que em nós há somente a iniquidade e imundície. Posto
que de fato somos condenáveis diante de Deus, e que os juízos de nos-sas próprias
consciências nos condenam, não nos envergonhemos de seguir este ladrão, vendo que ele
pode ser um bom professor para nós.

E mesmo agora que o nosso Senhor Jesus subiu ao céu, que Ele tomou posse da glória que
foi dada a Ele por Deus Pai, a fim de que todo o joelho se dobre diante dEle, não duvi-demos
de que estamos totalmente restaurados e sustentados por Ele, concluamos pois que aqui está
toda a toda a nossa felicidade, a saber, que Jesus Cristo nos mantêm em Sua lembrança e
nos governa. Na medida em que Ele tem sido ordenado o nosso Pastor, Ele cuida de nossa
salvação, a fim de que possamos estar seguros sob Sua mão e sob Sua

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proteção. Além disso, podemos aprender a suportar com paciência as misérias da vida
pre-sente, e a não nos privarmos de nos achegarmos ao nosso Senhor Jesus Cristo.
Como pu-demos ver, o ladrão foi ouvido, no entanto, ele não escapou da morte que foi
muito cruel e terrível. Então, que possamos estimar a graça espiritual que nos é dada em
nosso Senhor Jesus Cristo, e que nos é oferecida todos os dias pela pregação do
Evangelho, para que estejamos acima de todas as angústias, contendas, cuidados,
problemas e ataques que ve-nhamos a experimentar. Que todas as nossas aflições sejam
adoçadas, na medida em que sabemos que tudo contribuirá para o nosso bem e
salvação, pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo.

Isso, então, é o que temos que observar. Além disso, vamos adicionar-lhe a resposta de
nosso Senhor Jesus Cristo, quando Ele promete ao ladrão que no mesmo que ele estará com
Ele no Paraíso. Embora, então, nosso Senhor Jesus ainda não estivesse ressuscitado dentre
os mortos, e Ele ainda não tivesse cumprido tudo o que foi necessário para a nossa redenção
e salvação, Ele já demonstrou o poder e o fruto da Sua morte e paixão. É verdade que o
cumprimento desta promessa aconteceu na ressurreição, mas já que é conjugada à Sua
morte e paixão, e posto que sabemos, como Ele sofreu na fraqueza da Sua carne, por isso,
Ele é ressuscitado no poder do Seu Espírito; assim como Ele sofreu por nossos peca-dos a
fim de nos fazer aceitáveis diante de Deus, também Ele ressuscitou para nossa justifi-cação.
Quando, eu digo, nós sabemos de tudo isso, com quanto maior coragem podemos vir
livremente a Ele. Não podemos duvidar de nada, quando a Ele agrada lembrar-Se de nós e
nos esconder debaixo da sombra Suas asas, assim podemos resistir a Satanás, à morte e
todas as misérias, e nos gloriamos em nossa fraqueza. Embora de acordo com o mundo nós
sejamos pobres criaturas malfadadas, nunca deixemos de nos regozijar em Deus, a partir da
antecipação da glória celestial que Ele nos dá pela fé, e desta herança que Ele adquiriu por tal
preço e da esperança de que nunca seremos enganados.

Agora, nos curvemos em humilde reverência diante da majestade do nosso Deus.

ORE PARA QUE O ESPÍRITO SANTO use este sermão para trazer muitos
Ao conhecimento salvador de JESUS CRISTO.

Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!
Solus Christus!
Soli Deo Gloria!

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— Sola Scriptura • Sola Fide • Sola Gratia • Solus Christus • Soli Deo Gloria —
2 Coríntios 4
1 Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não
desfalecemos;
2 Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem
falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem,
na presença de Deus, pela manifestação da verdade. 3 Mas, se ainda o nosso evangelho está
encoberto, para os que se perdem está encoberto. 4 Nos quais o deus deste século cegou os
entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de
Cristo, que é a imagem de Deus. 5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo
Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. 6 Porque Deus,
que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações,
para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. 7 Temos, porém,
este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
8
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
9 Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; 10 Trazendo
sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de
Jesus
se manifeste também nos nossos corpos; 11 E assim nós, que vivemos, estamos sempre
entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na
nossa carne mortal. 12 De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 13 E temos
portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também,
por isso também falamos. 14 Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará
também por Jesus, e nos apresentará convosco. 15 Porque tudo isto é por amor de vós, para
que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de
Deus. 16 Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o
interior, contudo, se renova de dia em dia. 17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação
produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 18 Não atentando nós nas coisas que
se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se
não veem são eternas. Issuu.com/oEstandarteDeCristo

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