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Traduzido do original em Inglês

The Doctrine of Election


By A. W. Pink

A presente tradução consiste somente no Capítulo 5, Its Justice, da obra supracitada

Via: PBMinistries.org
(Providence Baptist Ministries)

Tradução e Capa por William Teixeira


Revisão por Camila Almeida

1ª Edição: Dezembro de 2014

Salvo indicação em contrário, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da versão Almeida
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A Justiça da Doutrina da Eleição
Por Arthur Walkington Pink

[Capítulo 5 do livro The Doctrine of Election • Editado]

Contrariando um pouco as nossas inclinações decidimos sair novamente do método


lógico de exposição, e em vez de prosseguirmos com um desdobramento ordenado dessa
doutri-na, fazemos uma pausa para lidar com a principal objeção que é feita contra a
mesma. Tão logo seja anunciada a verdade que Deus escolheu algumas das Suas
criaturas para serem os sujeitos de Seus favores especiais, um grito geral de protesto é
ouvido. Não importa o quanto a Escritura seja citada, nem quantas passagens claras são
apresentadas para ilustrá-la e demonstrá-la, a maioria dos que professam ser Cristãos
objetam contra ela em alta voz, alegando que tal ensino calunia o caráter Divino, tornando
Deus culpado de injus-tiça grosseira. Parece, então, que essa dificuldade deve ser
encontrada, a saber, que esta resposta deve ser feita a tal criticismo desta doutrina, antes
de seguirmos em frente com a nossa tentativa de dar uma definição sistemática para ela.

Em uma época como a nossa, em que os princípios da democracia, do socialismo e do


co-munismo são tão ampla e calorosamente defendidos, em dias em que a autoridade e o
domínio humanos estão sendo cada vez mais desprezados, quando é costume comum
“vituperar as dignidades” (Judas 8), é pouco surpreendente que muitas pessoas que não
fazem nenhuma pretensão de se curvar à autoridade da Sagrada Escritura devem se
rebe-lar contra o conceito de Deus ser parcial. Mas é indescritivelmente terrível ver que a
grande maioria dos que professam receber as Escrituras como Divinamente inspiradas,
ranjam os dentes contra o Seu autor quando informados de que Ele soberanamente
elegeu um povo para ser o Seu tesouro peculiar, e os ouçamos acusando-O de ser um
tirano odioso, um monstro de crueldade. No entanto, tais blasfêmias somente mostram
que “a inclinação da carne é inimizade contra Deus” [Romanos 8:7].

Não é porque temos alguma esperança de converter tais rebeldes do erro de seus caminhos
que nos sentimos constrangidos a abordar o presente aspecto de nosso tema, embora possa
agradar a Deus em Sua infinita graça usar estas fracas linhas para a iluminação e
convencimento de alguns deles. Não, pelo contrário, mas porque algumas das pessoas
queridas de Deus são perturbadas por esses delírios de seus inimigos, e não sabem como
responder em suas próprias mentes a essa objeção, a saber, que se Deus faz uma escolha
soberana entre as Suas criaturas e as predestina para as bênçãos que Ele retém de

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incontáveis milhões de seus companheiros, então tal parcialidade O torna culpado de
tratar estes últimos com injustiça. E ainda os espanta o fato que à face tanto da criação e
provi - dência, Deus distribui as Suas misericórdias mui desigualmente. Não há igualdade
em Suas concessões tanto de saúde física quanto de força, capacidades mentais, status
social ou dos confortos da vida. Por que, então, devemos nos surpreender quando
aprendemos que as Suas bênçãos espirituais são distribuídas de forma desigual?

Antes de prosseguirmos, deve ser salientado que o propósito de cada falso esquema e
sistema de religião é descrever o caráter de Deus de tal maneira que seja agradável ao gosto
do coração carnal, aceitável para a natureza humana depravada. E isso só pode ser feito por
uma espécie de distorção: a ignorância das pessoas sobre as Suas prerrogativas e perfeições
que são objetáveis, e a ênfase desproporcional de Seus atributos que apelam ao egoísmo
deles, como o Seu amor, misericórdia e longanimidade. Mas, que o caráter de Deus seja
fielmente apresentado como Ele realmente é retratado nas Escrituras — no Antigo
Testamento, bem como no Novo e nove em cada dez dos frequentadores da igreja
francamente afirmarão que eles acham que é impossível amá-lO. O fato é, caro leitor, que
para a geração atual o Altíssimo da Escritura Sagrada é o “Deus desconhecido”.

É justamente porque as pessoas de hoje são tão ignorantes sobre o caráter Divino e tão
carentes de temor a Deus, que elas estão em grande escuridão quanto à natureza e à glória
da justiça Divina, e ponto de terem a presunção de acusá-lO. Esta é uma época de irreve-
rência flagrante, na qual pedaços de barro animado atrevem-se a prescrever o que o Todo-
Poderoso deve e o que não deve fazer. Nossos antepassados semearam o vento, e hoje seus
filhos estão colhendo tempestades. Os “direitos Divinos dos reis”, foram zombados e
transformados em tabu pelos senhores, e agora sua prole repudia os “direitos Divinos do Rei
dos reis”. A menos que os supostos “direitos” da criatura sejam “respeitados”, então os nossos
contemporâneos não terão nenhum respeito pelo Criador, e se Sua alta soberania e domínio
absoluto sobre tudo forem enfatizados, eles não hesitarão em vomitar sua conde-nação sobre
Ele. E, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios
15:33)! O próprio povo de Deus está em perigo de ser infectado pelo gás venenoso que
agora infecta o ar do mundo religioso.

Não é só a atmosfera miasmática que se constitui, na maioria das “igrejas”, como uma séria
ameaça para o Cristão, mas há em cada um de nós uma tendência grave para humanizar
Deus, vendo Suas perfeições através de nossas próprias lentes intelectuais em vez de atra-
vés das lentes da Escritura, interpretando Seus atributos através de qualidades humanas. Foi
isto mesmo que Deus se queixou no passado, quando Ele disse: “Pensavas que era tal como
tu” (Salmos 50:21), esta é uma advertência solene para levarmos a sério. O que queremos
dizer é o seguinte: quando lemos sobre a misericórdia ou a justiça de Deus nós

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somos muito propensos a considerá-los de acordo com as qualidades da misericórdia e
da justiça do homem. Mas este é um erro grave. O Todo-Poderoso não deve ser medido
por qualquer padrão humano: Ele está tão infinitamente acima de nós que qualquer
compara-ção é totalmente impossível e, portanto, é o cúmulo da loucura qualquer criatura
finita julgar os caminhos do Senhor.

Mais uma vez; precisamos estar muito atentos contra a loucura de fazer distinções injustas
entre as perfeições Divinas. Por exemplo, é muito errado que suponhamos que Deus é mais
glorificado em Sua graça e misericórdia do que Ele é em Seu poder e majestade. Mas este
erro é muitas vezes cometido. Quantos são mais gratos a Deus por lhes abençoar com a
saúde do que por Ele ter concedido Seu evangelho a eles, mas será que, portanto, conclui-se
que a bondade de Deus em dar coisas materiais é maior do que a Sua bondade ao conceder
bênçãos espirituais? Certamente não. A Escritura muitas vezes fala da sabedoria e do poder
de Deus sendo manifestados na Criação, mas onde nos é dito da Sua graça e misericórdia
em fazer o mundo? Na medida em que os homens geralmente não glorificam a Deus pela
Sua sabedoria e poder não se segue que Ele não é tão adorado por eles? Cuidado para não
exaltar uma das perfeições Divinas em detrimento das outras.

O que é a justiça? É tratar cada pessoa de forma equitativa e justa, dando o que lhe é devi-
do. A justiça Divina é simplesmente fazer o que é certo. Mas isso levanta a questão: O que
é devido à criatura? O que Deus deve conceder a ela? Ah, meu amigo, cada pessoa sóbria
vai ao mesmo tempo opor-se à introdução da palavra “dever” em tal conexão, e com razão.
O Criador não tem obrigação, seja qual for, para com as obras de Suas próprias mãos.
Somente Ele tem o direito de decidir se tal e tal criatura deve existir. Somente Ele tem a
prerrogativa de determinar a natureza, status e o destino daquela criatura; se deverá ou
não ser um animal, um homem ou um anjo; se deverá ou não ser dotado de uma alma
que existirá para sempre, ou seja, não uma alma que subsistirá apenas por um breve
tempo; se ele será vaso para honra e desfrutará de comunhão com Ele, ou se será um
vaso para desonra, e será rejeitado por Ele.

Como o grande Criador possuía perfeita liberdade para criar ou não criar, para trazer à exis-
tência qualquer criatura que Ele quisesse (e uma visita ao zoológico mostrará que Ele criou
algumas que impressionam o expectador por serem extremamente estranhas); e, portanto,
Ele tem o direito inquestionável de decretar, concernente a eles, o que Lhe agrada. A justiça
de Deus na eleição e na preterição, então, é fundamentada em Sua elevada Soberania. A
dependência de todas as criaturas em relação a Ele é completa. Sua propriedade de todas as
criaturas é indiscutível. Seu domínio sobre todas as criaturas é absoluto. Deixe esses fatos
serem confirmados a partir da Escritura — e sua demonstração completa daí é uma questão
muito simples: onde está a criatura que pode com a menor propriedade dizer ao

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Senhor Altíssimo: “O que fazes?”. Em vez do Criador estar sob qualquer obrigação à Sua
criatura, é a criatura que está sob vínculos de obrigações para como Aquele que deu exis-
tência e agora sustenta a sua vida.

Deus tem o direito absoluto de fazer o que quiser com as criaturas da Sua própria mão: “Ou
não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e
outro para desonra?” (Romanos 9:21), esta é a Sua própria afirmação. Portanto, Ele pode dar
a um e reter de outro, dar cinco talentos a um e somente um único talento para outro, sem
qualquer imputação de injustiça. Se Ele pode dar graça e glória a quem Ele quer sem tal
inocorrência em injustiça, então Ele pode também decretar fazê-lo sem qualquer ônus
adicional. Os homens são sujeitos à cobrança de injustiça quando escolhem os seus pró-prios
favoritos, amigos, companheiros e confidentes? Então, obviamente, não há injustiça em Deus
de escolher quem Ele quer para conceder Seus favores especiais, para entrar em comunhão
com Ele agora e viver com Ele por toda a eternidade. Um homem é livre para escolher a
mulher que ele deseja para sua esposa? E faz ele faz algo de errado para com as outras
mulheres a quem ele rejeita? Assim é o grande Deus menos livre para escolher aqueles que
serão a Noiva de Seu Filho? Envergonhem-se! Envergonhados sejam aqueles que atribuem
menos liberdade ao Criador do que à criatura.

[...]

A menos que a perversidade de seus corações cegue os seus julgamentos, os homens


facilmente perceberiam que a justiça Divina deve necessariamente ser imensamente de
outra ordem e caráter em relação à justiça do ser humano; sim, quão diferente e superior
a ela, como o amor Divino é do amor humano. Todos concordam que um homem age
injusta-mente, que ele peca, se ele tolera as transgressões de seu irmão quando está em
seu poder impedi-lo de cometê-las. Então, se a justiça Divina fosse do mesmo tipo,
embora superior em grau, se seguiria necessariamente que Deus peca cada vez que Ele
permite que uma de Suas criaturas transgrida, pois muito certamente, Ele tem poder para
impedi-las; sim, e pode exercer esse poder sem destruir a liberdade da criatura: “Eu te
tenho impedi-do de pecar contra mim; por isso não te permiti tocá-la” (Gênesis 20:6).
Cessai, então, ó rebeldes de acusar o Altíssimo, tentando medir Sua justiça por suas fitas
métricas mesqui-nhas, assim procuram entender Sua sabedoria ou definir Seu poder,
bem como compreen-der a Sua justiça inescrutável. “Nuvens e escuridão estão ao redor
dele” e isto é observado, e expressamente dito em relação a isto, “justiça e juízo são a
base do seu trono” (Salmo 97:2).

Para que alguns de nossos leitores não objetem a nossa citação de um alto Calvinista como o
Sr. Twisse, nós adicionamos a seguinte de um Calvinista mais brando, James Usher. “O

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que é a justiça Divina? É uma propriedade essencial de Deus, na qual Ele é infinitamente
justo em Si mesmo, de Si mesmo, para, de, e por Si mesmo, e nenhum para outro: ‘Porque o
Senhor é justo, e ama a justiça’ (Salmo 11:7). Qual é a regra de Sua justiça? Resposta: Sua
própria vontade, e nada mais, pois aquilo que Lhe aprouver é justo, o que Ele deseja
é o que é justo, e não porque isto é justo que Ele o deseja (Efésios 1:11; Salmo 115:3). ‘E
aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós
somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora
dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece’ (João 9:40-41)”.

Então, mais uma vez justamente o renomado professor William Perkins: “Não devemos
pensar que Deus faz uma coisa porque esta coisa seja boa e certa, mas a coisa é boa e
certa, porque Deus quer e pratica. Temos exemplos disto na Palavra. Deus mandou
Abime-leque entregar Sara a Abraão, ou então Ele iria destruí-lo e toda a sua casa
(Gênesis 20:7). Para a razão do homem isto pode parecer injusto, pois, por que os servos
de Abimeleque seriam punidos por culpa de seu senhor? Então, novamente Acã pecou, e
toda a casa de Israel foi penalizada por ele (Josué 7). Davi contou o povo, e toda a nação
foi ferida por uma praga (2 Samuel 24). Para a razão humana tudo isso pode parecer falta
de equidade; contudo sendo estas as obras de Deus, devemos com toda a reverência
julgá-las como muitíssimo justas e santas”. Ai, quão pouco dessa humildade e reverência
se manifesta nas igrejas de hoje! Quão imediatamente a geração atual crítica e condena
qualquer dos caminhos de Deus e as obras que não entendem adequadamente!

Tão longe da verdade estão a maioria dos que agora são vistos mesmo como “os
campeões da ortodoxia”, de modo que até eles mesmos são muitas vezes culpados de
virar as coisas de cabeça para baixo, ou colocar a carroça na frente dos bois. Geralmente
é suposto por eles que o próprio Deus está sob a lei, que Ele está sob uma restrição
moral para fazer o que Ele faz, de modo que Ele não pode fazer o contrário. Outros o
envolvem em termos mais sofisticados, insistindo que é a Sua própria natureza que regula
todas as Suas ações. Mas isso é apenas um subterfúgio ardiloso. É por uma necessidade
de Sua natureza ou pelo livre exercício da Sua soberania, que Ele concede favor às Suas
criaturas? Deixe a Escritura responder: “Logo, pois, compadece-se de quem quer, e
endurece a quem quer” (Romanos 9:18). Por que, meu leitor, se a natureza de Deus o
obrigasse a mostrar miseri-córdia para a salvação de qualquer um, então, por paridade de
razão, isto iria obriga-lO a mostrar misericórdia para com todos, e assim, levar toda a
criatura caída ao arrependi-mento, fé e obediência. Mas chega dessa insensatez.

Vamos agora abordar este aspecto de nosso assunto por um ângulo totalmente diferente.
Como poderia haver alguma injustiça em Deus eleger aqueles a quem Ele elegeu, quando se
Ele não tivesse feito isso todos teriam inevitavelmente perecido, anjos e homens? Isto

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não é nem uma invenção nem uma inferência particular nossa, pois a própria Escritura ex-
pressamente declara: “Se o Senhor dos Exércitos nos não deixara descendência,
teríamos nos tornado como Sodoma, e teríamos sido feitos como Gomorra” (Romanos
9:29). Nenhu-ma das criaturas racionais de Deus, seja celestial ou terrena, teria sido salva
eterna e efetivamente à parte da solene eleição Divina. Embora ambos os anjos e os
homens foram criados em estado de santidade perfeita, contudo eles eram criaturas
mutáveis, susceptí-veis de mudança e queda. Sim, na medida em que a sua permanência
neste estado de santidade dependia do exercício de suas próprias vontades, a menos que
Deus se agra-dasse de preservá-los de maneira sobrenatural, sua queda era certa.

“Eis que ele não confia nos seus servos e aos seus anjos atribui loucura” (Jó 4:18). Os anjos
eram perfeitamente santos, mas se Deus não lhes desse outra assistência a mais do que
aquela com que Ele os havia capacitado na sua criação, então não há “confiança” ou
segurança posta sobre eles, ou em sua posição. Se eles eram santos hoje, eles estavam
sujeitos ao pecado amanhã. Se Deus, os enviasse em uma missão para este mundo, eles
podem cair antes de voltarem para o céu. A “loucura” que Deus imputa a eles na passagem
acima é a sua mutabilidade de criatura, pois, eles manterem a sua santidade imutavelmente
até a eternidade, sem o perigo de perdê-la, era totalmente além da capacidade deles como
criaturas. Portanto, para que eles sejam preservados imutavelmente deve haver uma graça
sendo emitida a partir de outra e maior fonte do que o pacto das obras ou o dom da criação,
ou seja, a graça da eleição, a superior criação da graça.

Isto foi conhecido desde o princípio, a saber, que Deus tornaria manifesto o abismo
infinito que divide a criatura do Criador. Só Deus é imutável, sem mudança ou sombra de
variação. Foi, então, adequado que Deus retirasse Sua mão de preservação daqueles a
quem Ele havia criado retos, de modo que pudesse parecer que a maior criatura de todos
(Satanás, “o querubim ungido”, Ezequiel 28:14) era mutável e inevitavelmente cairia em
pecado, quando saiu para o fazer sua vontade própria. Somente sobre Deus pode ser dito
que Ele “não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13). A criatura, embora seja santa, pode
ser tentada a pecar, cair, e ser irremediavelmente perdida. A queda de Satanás, então,
abriu caminho para evidenciar mais claramente a necessidade absoluta da graça eletiva,
a comunicação à criatura, da imagem da própria santidade imutável de Deus.

Por causa da mutabilidade do estado da criatura, Deus previu que se todas as Suas cria-turas
fossem deixadas para serem conduzidas pelas suas próprias vontades, elas estariam em
risco contínuo de cair. Ele, então, fez uma eleição da graça para remover todo o perigo de
queda final e total no caso de Seus escolhidos. Isso nós sabemos ser o que é revelado de sua
história. Judas nos fala de “anjos que não guardaram o seu principado, mas deixa-ram a sua
própria habitação” (v. 6), e o restante deles, mais cedo ou mais tarde, fariam isto

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também, se fossem deixados à mutabilidade das suas próprias vontades. Assim também
se mostrou com Adão e Eva, ambos evidenciaram a mutabilidade de suas vontades por
sua apostasia. Assim, Deus prevendo tudo isso desde o início, fez uma “reserva”
(Romanos 11:4 – explicado no verso 5 como “eleição”), determinando que Ele teria um
remanescente que devia ser abençoado por Ele e que iria eternamente bendizê-lO em
retorno. A eleição e preservação da graça nunca devem ser separadas.

Temos mostrado, até agora, em primeiro lugar que a justiça Divina é de uma ordem e de
um caráter inteiramente diferentes dos da justiça humana; segundo, que a justiça Divina
está fundamentada sobre o domínio soberano de Deus sobre todas as obras de Suas
mãos, sendo assim o exercício da Sua vontade imperial. Terceiro, que o Criador não deve
abso-lutamente nada à criatura, nem mesmo aquilo que Ele se agradar em conceder, e
que, lon-ge de Deus estar sob qualquer obrigação para ela, a criatura está sob obrigações
eternas para com Ele. Em quarto lugar, que tudo o que Deus quer e faz é certo e
devemos nos submeter a isto com reverência, sim, e devemos adorá-lO por isto. Em
quinto lugar, que é impossível acusar Deus de injustiça pelo fato dEle ter elegido algumas
pessoas para serem os objetos de Sua maravilhosa graça, desde que, à parte disso,
todos teriam perecido eter-namente. Vamos agora descer a um nível mais baixo e mais
simples, e contemplar a eleição de Deus em conexão com a raça humana caída em Adão.

Se não houve injustiça em Deus por fazer uma escolha de alguns para receberem Seu
favor especial e bênção eternas à medida que Ele via as Suas criaturas pelas lentes do
Seu propósito de criar, então, certamente, não poderia haver injustiça no fato dEle ter
determina-do mostrar-lhes Sua misericórdia à medida que Ele os viu de antemão entre a
massa dos arruinados descendentes de Adão; pois, se uma criatura sem pecado não tem
direito algum sobre o seu Criador, estando totalmente dependente de Sua caridade,
então, com toda a certeza, uma criatura caída não tem direito a nada de bom vindo das
mãos de Seu juiz ofendido. E este é o ângulo a partir do qual devemos agora ver o nosso
assunto. O homem caído é um criminoso, um fora-da-lei e se a pura justiça deve ser dada
a ele, então ele deve ser deixado para receber a devida recompensa por suas
iniquidades, o que não pode signi-ficar nada menos do que a punição eterna, por ter, por
meio de suas transgressões, incor-rido em culpa infinita.

Antes de ampliarmos o que acaba de ser dito, também precisa ser salientado que se a única
esperança para uma criatura santa está na graça eletiva de Deus, então isso é duplamente
verdade em relação a uma criatura profana, totalmente depravada. Se um santo anjo estava
em perigo constante, incapaz de manter a sua pureza, por causa da mutabilidade de sua
natureza e da inconstância de sua vontade, o que deve ser dito de uma criatura diabólica?
Por que o homem caído possui uma natureza que é arraigada no mal, nada mais nada

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menos do que isso, e, portanto, sua vontade já não tem qualquer poder de se voltar para
o que é espiritual, sim, ele é inveteradamente endurecido contra Deus; portanto, seu caso
é absoluta e eternamente impossível, a menos que Deus, em Sua graça soberana, tenha
o prazer de salvá-lo de si mesmo.

Os pregadores podem tagarelar tudo o que quiserem sobre os poderes inerentes do ho-
mem, sobre a liberdade de sua vontade, e sobre sua capacidade para o bem, mas é inútil
e loucura ignorar o fato solene da Queda. A diferença e desvantagem entre o nosso
estado e o estado de Adão antes de ter caído dificilmente podem ser concebidas. Em vez
da posse de uma santidade perfeita das inclinações de nossas mentes e vontades, como
ele possuía, não existe tal princípio vital deixado em nossos corações. Em vez disso, há
uma deficiência completa para o que é espiritual e santo, sim, há inimizade, contrariedade
e oposição em relação a estes. “Os homens erram, não conhecendo o poder do pecado
original, nem a profundidade da corrupção que está em seus próprios corações. A
vontade do homem ago-ra é o principal e apropriado assento do pecado, o trono dele está
estabelecido ali” (Thomas Goodwin). Auxílios exteriores e subsídios são de nenhuma
consideração, pois nada menos que uma nova criação é de algum proveito.

Não importa a instrução que homens caídos recebem, ou quais incentivos sejam
oferecidos a eles, o etíope não pode mudar a sua pele. Nem luz, nem convicção, nem as
operações gerais do Espírito Santo, são de qualquer proveito, a menos que Deus sobre e
acima deles dê um novo princípio de santidade para o coração. Isto foi clara e plenamente
demonstrado sob a Lei e o Evangelho. Leia Êxodo 20 e Deuteronômio 5 e veja a
manifestação maravi-lhosa e inspiradora de Si mesmo que Deus concedeu a Israel no
Sinai: isso mudou seus corações e inclinou a vontade deles a obedecê-lO? Em seguida,
leia os quatro evangelhos e eis o Filho encarnado de Deus habitando no meio dos
homens, não como juiz, mas como um benfeitor, que andou fazendo o bem, alimentando
os famintos, curando os enfermos, proclamando o Evangelho, isto fez derreter seus
corações ou os ganhou para Deus? Não, eles O odiaram e O crucificaram.

Eis, então, o caso da humanidade caída: alienados da vida de Deus, mortos em delitos e
pecados, sem coração, sem vontade para as coisas espirituais. Em si o seu caso é deses-
perado, irremediável, sem esperança. À parte da eleição Divina ninguém iria e nem poderia
jamais ser salvo. Eleição significa que Deus se agradou em reservar o remanescente, de
modo que toda a raça de Adão não perecerá eternamente. E que ações de graças Ele recebe
para isso? Nenhuma, exceto daqueles que têm seus olhos cegos pelo pecado abertos para
perceber a bem-aventurança inefável de tal fato. “Obrigado”? não; em vez disso, a grande
maioria, mesmo daqueles que fazem parte da professa Cristandade quando ouvem desta
verdade, ignorantes de seus próprios interesses e dos caminhos de Deus,

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contendem contra Sua eleição, e O insultam por causa da mesma, O acusam de injustiça
e de ser um tirano impiedoso.

Ora, o grande Deus não está em nenhuma necessidade de defender-se de nós: em devi-
do tempo, Ele efetivamente fechará a boca de todos os rebeldes. Mas devemos fazer
mais algumas observações para aqueles crentes que estão perturbados por tais que
insistem fortemente que Deus é culpado de injustiça quando Ele soberanamente elege
alguns. Pri-meiro, então, pedimos a esses caluniadores de Jeová para que façam boa a
sua acusação. O ônus da prova recai sobre aqueles que a fazem. Eles afirmam que um
Deus que elege é injusto, então que eles demonstrem isto que afirmam. Eles não podem.
Para isso, eles devem mostrar que os infratores merecem algo de bom vindo das mãos do
legislador. Eles devem mostrar que o Rei dos reis está moralmente obrigado a sorrir para
aqueles que têm blasfemado o Seu nome, profanado Seus sabaths, menosprezado Sua
Palavra, injuriado Seus servos, e acima de tudo, desprezado e rejeitado Seu Filho.

“Há um homem em todo o mundo que teria a impertinência de dizer que ele merece
alguma coisa de seu Criador? Se assim for, seja conhecido de vós que ele deverá ter
todos os méritos! E sua recompensa será as chamas do inferno, para sempre, pois esse
é o máximo que qualquer homem já mereceu de Deus; Deus não está em dívida para
com nenhum homem e, no último grande dia todo homem deve ter tanto amor, tanta
piedade e tanta bondade como ele merece! Até mesmo os perdidos no inferno terão o
que todos eles merecem, sim, e ai do dia quando eles terão a ira de Deus, que será o
ápice do que eles merecem! Se Deus dá a cada um tanto quanto ele merece, Ele é, por
isso, acusado de injustiça, porque Ele dá a alguns infinitamente mais do que eles
merecem?” (C. H. Spurgeon [Sermão 303, Eleição e Santidade]).

Muitos agora falam dele elogiosamente, e se referem a ele como “amado Spurgeon”, mas
rangeriam os dentes e o execrariam se o ouvissem em sua maneira fiel e simples de pregar.

Em segundo lugar, gostaríamos de informar esses detratores de Deus que Sua salvação não
é uma questão de justiça, mas de pura graça, e graça é algo que não pode ser reivindi-cado
por ninguém. Onde está a injustiça se qualquer um faz o que quiser com o que é seu próprio?
Se eu sou livre para fazer caridade como eu achar melhor, a Deus será concedida menos
liberdade para conceder Seus dons a quem Ele quer!? Deus não está em dívida com
ninguém, e, portanto, se Ele concede Seus favores de uma maneira soberana ninguém pode
reclamar. Se Deus passa por ti, Ele não te fez agravo; mas se Ele te enriquece, então és um
devedor à Sua graça, e então, tu irás cessar de tagarelar sobre Sua justiça e injustiça, e de
bom grado te juntarás com aqueles que surpreendentemente exclamam: “Não nos

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tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades”
(Salmo 103:10). A salvação é dom gratuito de Deus, e, portanto, Ele a dá a quem Ele quer.

Em terceiro lugar, gostaríamos de perguntar a essas criaturas arrogantes, a quem Deus


alguma vez recusou a Sua misericórdia quando esta foi sincera e penitentemente buscada?
Será que Ele não proclama livremente o Evangelho a toda criatura? Sua Palavra não ordena
que todos os homens derrubem as armas da sua guerra contra Ele e venham a Cristo para
que recebam o perdão? Será que Ele não promete apagar as suas iniquidades, se você se
converter a Ele da forma por Ele apontada? Se você se recusa a fazê-lo, se você tão
profundamente ama o pecado, se você está tão apegado às suas concupiscências de forma
que você está determinado a destruir sua própria alma, então de quem é a culpa? Certamente
de Deus não é. Suas promessas do Evangelho são confiáveis, e qualquer um tem a liberdade
de prová-las por si mesmo. Se ele faz isso, ou seja, se ele renuncia ao pecado e coloca sua
confiança em Cristo, então ele descobrirá por si mesmo que ele é um dos eleitos de Deus.
Por outro lado, se ele deliberadamente rejeita o Evangelho e rejeita o Salvador, então, o seu
sangue é sobre a sua própria cabeça.

Isso nos leva a perguntar, em quarto lugar: Você diz que é injusto que alguns devam ser
perdidos enquanto outros serão salvos, mas quem causa a perdição dos estão perdidos?
Alguma vez Deus fez alguém pecar? Em vez disso Ele adverte, avisa e exorta contra ele.
A quem o Espírito Santo alguma vez impeliu a uma ação errada? Em vez disso Ele unifor-
memente o inclina contra o mal. Onde as Escrituras apoiam qualquer maldade Sua? Em
vez disso, elas constantemente condenam sua maldade em todas as suas formas. Então
Deus é injusto se Ele condena aqueles que voluntariamente Lhe desobedecem? Ele é
injus-to se Ele pune aqueles que desafiadoramente desconsideram os Seus sinais de
perigo e expostulações? Certamente que não. Para cada um destes Deus ainda dirá: “Tu
destruíste a ti mesmo” (Oséias 13:9 – KJV). É a criatura que comete suicídio moral. É a
criatura que rompe todas as restrições e atira-se para o precipício da desgraça eterna. No
último grande dia será demonstrado que Deus é justo quando Ele fala, e puro quando Ele
julga (Salmo 51:4).

A eleição é o tomar de um e o deixar de outro, e implica a liberdade por parte do eleitor de


escolher ou recusar a escolher. Daí a escolha de um não faz nenhum dano para o outro que
não é escolhido. Se eu escolher um só dentre cem homens para uma posição de honra e
proveito, eu faço isso sem prejudicar os outros noventa e nove que não foram escolhidos. Se
eu tomar duas dentre vinte crianças maltrapilhas e famintas, e adotá-las como meu filho
e filha, alimentá-las e vesti-las, dar-lhes uma casa e educação, e eu faço-lhes um imenso
bem; mas enquanto eu distribuo meus bens e escolho fazer aquelas duas crianças felizes, eu
o faço sem prejudicar as outras dezoito crianças que foram deixadas. É verdade, elas

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permanecem em trapos, mal alimentadas e sem instrução, mas elas não estão em
condição pior depois que o meu favor foi mostrado às suas duas companheiras, elas
somente conti-nuam exatamente na situação em que elas estavam.

Mais uma vez; se entre dez homens justamente condenados à morte, o rei da Inglaterra
se agrada de escolher cinco para receberem sua soberana misericórdia, e serem
perdoados e libertados, eles devem a sua própria vida ao seu favor real; no entanto, ao
conceder bon-dade para com eles, nenhum dano é feito para os outros cinco, eles são
deixados a sofrer a pena de justiça da Lei, que lhes é decida por suas transgressões. Eles
somente sofrem o que teria sofrido se a misericórdia do rei não tinha sido concedida para
com os seus compa-nheiros. Quem, então, pode deixar de ver que seria um mau uso dos
termos, uma calúnia grave do rei, acusá-lo de injustiça, porque ele se agradou de exercer
sua prerrogativa real e mostrar seu favor a um e não a outro.

Nosso Salvador definitivamente expressa essa ideia de eleição, quando Ele disse: “Então,
estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro” (Mateus 24:40). Se ambos fos-
sem “deixados”, então, ambos teriam perecido, daí o ser “levado” de apenas um não causou
nenhum dano ao seu companheiro. “Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e
deixada outra” (Mateus 24:41). O fato de uma ter sido levada foi um grande favor a ela, mas
isto não causou nada de errado para com sua companheira. A eleição Divina, então, é uma
escolha a favor dentre aqueles que não têm direitos sobre Deus. É, portanto, Ele não come-te
injustiça para os que são deixados, pois eles somente continuam como e onde eles esta-vam,
e como e onde estariam se os eleitos não houvessem sido levados do meio deles. No
exercício de Sua graça eletiva Deus tem misericórdia de quem Ele quiser ter misericórdia, e
na concessão de Seu favor Ele faz o que quer com o que é Seu próprio.

Não é difícil perceber a base sobre a qual o falso raciocínio de detratores de Deus
descan-sa: por trás de todas as murmurações dos opositores contra a justiça Divina está
o conceito de que Deus tem a obrigação de prover a salvação para todas as Suas
criaturas caídas. Mas tal raciocínio (?) não consegue ver que se tal alegação fosse válida,
então nenhuma ação de graças poderia ser dada a Deus. Como poderíamos louvá-lO por
redimir aqueles que Ele tinha a obrigação de resgatar? Se a salvação é uma dívida que
Deus tem para com o homem por ter permitido que ele caísse, então a salvação não pode
ser uma questão de misericórdia. Mas não devemos esperar que aqueles cujos olhos
estão cegos pelo orgulho venham a entender algo sobre os deméritos infinitos do pecado,
ou de sua própria indigni-dade absoluta e vileza; e, portanto, é impossível que eles
formem um verdadeiro conceito da graça Divina, e percebam que quando a graça é
exercida, ela necessariamente é exer-cida de forma soberana.

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Mas, depois de tudo o que foi pontuado acima alguns estarão prontos a perguntar
sarcasti-camente: “A Bíblia não declara que Deus ‘não faz acepção de pessoas’, então,
como Ele pode fazer uma seleção entre os homens?”. Os caluniadores da predestinação
Divina su-põem que, ou as Escrituras são inconsistentes entre si, ou que, em Sua eleição
Deus leva em consideração os méritos. Vamos primeiro citar Calvino:

“A Escritura nega que Deus faz acepção de pessoas, em um sentido diferente


daquele em que eles entendem; pois a palavra pessoa não significa um homem,
mas essas coisas em um homem que, sendo visíveis aos olhos, geralmente
conciliam favor, hon-ra e dignidade, ou atraem o ódio, desprezo e vergonha. Tais
são as riquezas, poder, nobreza, magistratura, país, elegância da forma, por um
lado; e, por outro lado, a po-breza, a necessidade, nascimento ignóbil, desleixo,
desprezo, e assim por diante. Assim, Pedro e Paulo declaram que Deus não faz
acepção de pessoas, pois Ele não faz distinção entre Judeu e Grego, para rejeitar
um e receber o outro, apenas por conta de sua nacionalidade (Atos 10:34, Romanos
2:11). Então, Tiago usa a mesma língua-gem quando afirma que Deus, em Seu
julgamento, não considera riquezas (2:5). Não haverá, portanto, nenhuma
contradição em nossa afirmação, a saber, que de acordo com o que agrada à Sua
vontade, Deus escolhe quem Ele quer para ser Seus filhos, independentemente de
todo o mérito, enquanto Ele rejeita e reprova os outros. No entanto, por uma questão
de satisfação adicional, o processo pode ser explicado da seguinte maneira: Eles
perguntam como isso acontece, isto é, que duas pessoas que não se distinguem
umas das outras por nenhum mérito, Deus, em Sua eleição, deixe uma e tome outra.
Eu, por outro lado, pergunto a eles, se eles supõem o que aquele que é levado
possui qualquer coisa que possa atrair o favor de Deus? Se eles confessarem que
ele não tem, como de fato deverão fazer, se seguirá, que Deus não se baseia no
homem, mas deriva Seu motivo para favorecê-lo a partir de Sua própria bondade. A
eleição de um homem por Deus, portanto, enquanto Ele rejeita o outro, não procede
de qualquer aspecto do homem, mas somente procede de Sua própria misericórdia;
que pode ser demonstrada e livremente exercida onde e quando Ele quiser”.

Fazer “acepção de pessoas” é considerar e tratá-las de forma diferente por causa de uma
suposta ou real diferença em si ou suas circunstâncias, que não possua base ou razão
que seja justificável para tal tratamento preferencial. As características de uma acepção
de pessoas pertencem, sim, àquele que avalia e reputa as outras pessoas de acordo com
as suas características e obras. Acepção de pessoas acontece quando um juiz justifica e
recompensa um ao invés de outro, porque este é rico e o outro pobre, ou porque ele lhe
deu um suborno, ou é um parente próximo ou um amigo íntimo, enquanto o caráter e a
conduta do outro é mais reta e sua causa mais justa. Mas tal denominação é inaplicável a

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uma concessão de caridade, quem concedeu os Seus favores e deu gratuitamente dons
imerecidos para um e não para outro o faz sem qualquer consideração de mérito pessoal.
O benfeitor tem todo o direito de fazer o que quiser com o que lhe pertence, e aqueles
que são negligenciados por ele não têm nenhum motivo válido para se queixarem.

Mesmo que esta expressão seja considerada em sua acepção mais popular, nada tão im-
pressionante evidencia que Deus “não faz acepção de pessoas” do que as características
daqueles que Ele escolheu. Quando os anjos pecaram e caíram Deus não providenciou
nenhum Salvador para eles, no entanto, quando a raça humana pecou e caiu um
Salvador foi providenciado para muitos deles. Deixe o crítico hostil pesar cuidadosamente
este fato: se Deus houvesse feito acepção de “acepção de pessoas” Ele não iria escolher
os anjos e deixar os homens? O fato de que Ele fez o inverso O livra desta calúnia.
Considere nova-mente a nação que Deus escolheu para serem os destinatários de seus
favores terrenos e temporais muito mais do que todos os outros povos durante os últimos
dois mil anos de história do Antigo Testamento. Que tipo de pessoas eles eram? Por que,
Deus escolheu um povo ingrato e murmurador, duro de cerviz e coração, rebelde e
impenitente, desde o início de sua história até o fim? Se Deus tivesse sido uma acepção
de pessoas Ele certa-mente nunca havia escolhido os judeus para tal favor e bênção!

O verdadeiro caráter, então, daqueles a quem Deus escolhe refuta essa objeção tola. O
mesmo é igualmente evidente no Novo Testamento. “Porventura não escolheu Deus aos
pobres deste mundo?” (Tiago 2:5). Bendito seja o Seu nome, por isso ser assim, pois,
tives-se Ele escolhido os ricos, isso passaria a prejudicar a muitos de nós, não iria? Deus
não escolhe magnatas e milionários, financistas e banqueiros, para serem objetos de Sua
graça. Nem os de sangue real ou nobres do reino ou o sábio, o talentoso, o influente
deste mundo, pois poucos deles têm seus nomes escritos no Livro da Vida do Cordeiro.
Não, é o despre-zado, o fraco, a vil, os sem-nome deste mundo, a quem Deus escolheu
(1 Coríntios 1:26-29), e isto, a fim de que “nenhuma carne se glorie perante ele”. Os
fariseus foram deixados e os publicanos e as meretrizes foram escolhidas! “Amei a Jacó”:
e o que havia nele para Deus amá-lo!? — E ainda ecoa pergunta: “por que?”. Se Deus
fizesse “acepção de pessoas” Ele certamente nunca teria escolhido um inútil como eu!

Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!
Solus Christus!
Soli Deo Gloria!

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— Sola Fide • Sola Scriptura • Sola Gratia • Solus Christus • Soli Deo Gloria —
2 Coríntios 4
1 Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não
desfalecemos;
2 Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem
falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem,
na presença de Deus, pela manifestação da verdade. 3 Mas, se ainda o nosso evangelho está
encoberto, para os que se perdem está encoberto. 4 Nos quais o deus deste século cegou os
entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de
Cristo, que é a imagem de Deus. 5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo
Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. 6 Porque Deus,
que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações,
para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. 7 Temos, porém,
este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
8
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
9 Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; 10 Trazendo
sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de
Jesus
se manifeste também nos nossos corpos; 11 E assim nós, que vivemos, estamos sempre
entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na
nossa carne mortal. 12 De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 13 E temos
portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também,
por isso também falamos. 14 Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará
também por Jesus, e nos apresentará convosco. 15 Porque tudo isto é por amor de vós, para
que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de
Deus. 16 Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o
interior, contudo, se renova de dia em dia. 17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação
produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 18 Não atentando nós nas coisas que
se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se
não veem são eternas. Issuu.com/oEstandarteDeCristo

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