Você está na página 1de 8

A TEORIA INSTITUCIONAL

E HISTÓRICA DA ARTE

EB2,3/S Penacova

Ana Silva Nº4, Bruna Ferreira Nº6 Gabriela Rodrigues Nº14, Maria Antunes Nº19

11ºA 2019/2020
índice

O Problema da Definição de Arte ________________________________________ 2

A Teoria Institucional da Arte ___________________________________________ 2

A Teoria Histórica da Arte ______________________________________________ 4

Conclusão __________________________________________________________ 6

Bibliografia __________________________________________________________ 7

1
O Problema da Definição de Arte

O conceito de arte é ambíguo e subjetivo. Quando ouvimos a palavra “arte”, cada


indivíduo formula uma imagem diferente consoante a sociedade onde está inserido,
formação académica, época em que vive, entre outros…

Contudo, ao longo da história vários filósofos, desde Platão até hoje, tentaram, em
vão, definir arte, uma vez que nenhum deles foi bem-sucedido ao tentar capturar a sua
essência. Baseavam-se em argumentos como:

1) A arte é exclusivamente produzida pelo ser humano - por mais prazer estético
que algum objeto nos proporcione (como por exemplo um belo diamante) não
pode ser considerado arte uma vez que não é uma obra humana.
2) A arte tem de provocar uma emoção estética – algo só é considerado arte se
despertar no criador e/ou no contemplador, sentimentos.
3) A arte tem de ser original e única – uma criação é artística se tiver carácter
inédito e insólito, isto é que se distinga quer pela sua índole quer pela sua
forma.
4) A arte possibilita a comunicação de forma aberta – uma só obra tem de permitir
diferentes interpretações, alimentando-lhe a alma. Dependendo do fruidor,
podem ser aceites duas interpretações desta imagem: duas faces voltadas
uma para a outra, de perfil (a preto) ou um simples cálice (a branco).

Figura 1 - Ilusão de ótica

5) A arte tem de ser reconhecida – o fruto do trabalho artístico não pode ser só
aceite como arte pelo seu criador, tem também obrigatoriamente de o ser por
um certo número de pessoas.
6) A arte tem de ter um carácter de inutilidade – serve somente o propósito de ser
contemplada e fruída.

Cada um dos tópicos supracitados constitui condições necessárias à definição de arte,


no ponto de vista de alguns filósofos. No entanto, individualmente não são condições
suficientes. Apenas o conjunto de todas elas “consegue” definir arte.

Apesar de todos estes critérios, a definição de arte revela-se difícil ou até impossível
de consumar, sendo por isso considerada indefinível por muitos.

A Teoria Institucional da Arte

2
Mas afinal o que é arte e o que não o é? Quem toma esta decisão? Apesar da
subjetividade que conferimos à arte, todos nós temos uma noção algo clara da
mesma. Isto acontece porque permitimos que os magnatas do mundo da arte tomem
estas decisões por nós. Vejamos o caso da pintura: no mundo atual são os galeristas
que definem o seu valor e nós, público, aceitamos sem grande relutância, sem refletir
e sem formular a nossa própria opinião. No fundo, consentimos dogmaticamente as
decisões tomadas por outrem. Será o dogmatismo a melhor solução para este
problema? Na sociedade contemporânea, o dogmatismo não é de todo aconselhável,
uma vez que é um raciocínio retrógrado que visa a alienação dos indivíduos.

Muitas vezes, os compradores de arte apenas adquirem certas peças, não pelo prazer
que estas lhes proporcionam, mas sim pelo estatuto social que estas lhes conferem.
Desta maneira não gozam a arte no seu estado mais cru, singelo. Tomam proveito
dela a fim dos seus interesses pessoais, tratando-a como descartável e vendável
(“prostituição” da arte). No entanto, a arte apresenta-se como veículo de emoções do
criador para o fruidor, e não para servir propósitos materialistas.

Figura 2 - Sem título (1961) de Mark


Rothko vendido por US $ 28 milhões

George Dickie (1926), fundou a teoria institucional da arte. Nesta teoria ele defendia
que não se devia encontrar uma definição essencialista para a arte, mas sim explícita.
Isto é, uma obra de arte não tem de cumprir todos os requisitos pré-estipulados para
ser considerada arte. Dickie procurava condições necessárias e conjuntamente
suficientes para a sua definição. O seu objetivo era responder à pergunta “O que
distingue arte de não arte?”.

Figura 3 - George Dickie (1926 - presente)

Segundo George,

“Algo é uma obra de arte no sentido classificativo se, e só se,

1) É um artefacto;
2) Alguém age sobre ele em nome de uma instituição (o mundo da arte),
propondo-o como candidato a apreciação.”

3
Com a primeira condição, Dickie abre portas a um maior leque de objetos propostos a
apreciação, uma vez que basta que alguém os proponha como tal para poderem ser
considerados arte. A noção de artefacto é, assim alargada de modo a incluir objetos
que não são físicos, como os poemas.

Por sua vez, na segunda condição, as pessoas aptas a propor um artefacto como arte
cingem-se aos curadores de arte, artistas, galeristas, críticos e outros agentes ligados
a museus, revistas, faculdades, casas de espetáculos, entre outros…

Encontramo-nos perante condições tanto necessárias como suficientes, permitindo


deste modo, a inovação artística.

Ao analisarmos esta teoria demos conta que se a decisão cabe aos entendidos da
arte, eles ou tomam por base em critérios pré-definidos (constituindo assim uma teoria
da arte), ou o fazem arbitrariamente. Caso exista uma teoria da arte, por mais
abrangente que esta seja, irá impor à arte limitações que não concedem a esta o
carácter livre que ela exige. Contudo, se eventualmente os entendidos tomarem esta
decisão arbitrariamente retirarão o valor à arte para as outras pessoas, uma vez que, a
noção de arte é subjetiva.

Podemos ainda objetivar que a teoria institucional da arte é impreterivelmente circular.


Ou seja, as obras de arte são definidas pelas pessoas que entendem de arte e as
pessoas são intituladas como entendedoras de arte pela arte que definem.

Teoria histórica da arte

Em 1979, Levinson formulou aquilo que mais tarde viria a ser conhecido por Teoria
Histórica da Arte. Segundo o filósofo, o que determina a arte é a relação estabelecida
entre o pensamento humano e a obra de arte em si que se exprime na história efetiva
da arte. Por esta razão podemos dizer que a arte é necessariamente retrospetiva.

Figura 4 - Jerrold Levinson (1948-presente)

De acordo com Jerrold Levinson,

“(I) X é uma obra de arte = df X é um objeto acerca do qual uma pessoa ou pessoas,
possuindo a propriedade apropriada sobre X, têm a intenção não-passageira de que
este seja perspetivado-como-uma-obra-de-arte, i.e., perspetivado de qualquer modo
(ou modos) como foram ou são perspetivadas corretamente obras de arte anteriores.”

4
De modo a distinguir o que é arte do que não o é, Jerrold teceu duas condições:

A primeira é a do direito de propriedade. Isto significa que, um objeto só pode ser


considerado arte se quem o detiver possuir intenções definitivas de que este seja
reconhecido como uma obra de arte.

A segunda condição consiste na existência de uma intenção que é o ponto comum


entre a arte do presente e a arte do passado. Ser detentor de uma intenção é dispor
de um propósito ou de uma finalidade e agir de encontro a estes. Ou seja, a relação
entre o passado e o presente não reside na própria obra de arte, mas sim na intenção
do seu autor.

Apesar desta teoria ser aceite por muitos, não é de todo perfeita. Existem nela
algumas incorreções. Tomemos por exemplo o artista Banksy, um artista de rua que
se tem destacado no mundo da arte com os seus trabalhos em grafiti dispersos
maioritariamente pela cidade de Bristol (Reino Unido). O autor é conhecido por
espalhar as suas obras nos muros e portas de edifícios dos quais ele não é detentor.
Não poderemos, então, chamar de arte ao trabalho de Banksy?

Figura 5 - Girl with Balloon, by Banksy

O simples facto de o artista não ser o possessor legal da sua criação, não lhe deve
retirar o estatuto de obra de arte. Na verdade, tudo isto pode até servir um propósito
maior na entrega da mensagem que Banksy, neste caso, quer transmitir.

Outra falha nesta teoria diz respeito à intenção do criador. De certo, todos
conhecemos um autor cujas obras foram publicadas após a sua morte e muitas das
vezes o artista, quando em vida, não havia expresso este intuito. A sua obra deixa, por
isso, de ser considerada arte por não haver uma intenção expressa por parte do
autor? Suponhamos que Anne Frank havia expresso ao seu pai o desejo de manter o
diário anónimo. Contudo, após a morte da filha, o pai decide publicar o manuscrito.
Claramente que não iriamos questionar a artisticidade de uma obra tão icónica como
esta, apenas baseados no facto de Anne não ter revelado intenções de a publicar.

Por último, Levinson defende que uma obra de arte está intrinsecamente relacionada
com obras anteriores. Contudo, se isto é verdade, não podemos considerar as obras
primordiais como obras de arte uma vez que não tinham precedentes. Assim, se estas
não podem ser tidas como arte, nenhuma outra que lhe é posterior também não o
será. Segundo este pensamento, existirá arte? O filósofo, em resposta a esta crítica,
afirmou que as primeiras obras de arte haviam sido concebidas por processos
diferentes daqueles que vigoram atualmente. Logo, a definição de Levinson perde
credibilidade, uma vez que, não é capaz de definir a arte no seu todo.

5
Conclusão

Como anteriormente visto, qualquer que seja a teoria, e por mais englobante que esta
seja, irá sempre ter incoerências que originam objeções. Isto acontece porque o
conceito de arte é abstrato e subjetivo. Deste modo, é legítimo concluir que a sua
definição depende de cada indivíduo e por isso nunca iremos chegar a um consenso
que as compreenda no seu todo.

É, então, viável esta busca inalcançável? A noção de arte é muito díspar de tudo o que
conhecemos. Esta carece preponderantemente de liberdade e soberania, ao defini-la
impomos-lhe limites que restringem o seu propósito e a privam destas qualidades.
Contudo, a relevância da arte não se resume a este problema, mas sim ao que esta
significa para cada um de nós, ao prazer que nos proporciona. Apesar de muitas
vezes esta ser minorada pela sociedade, a verdade é que a arte é essencial à nossa
vida. O ser humano, sendo racional, sente a necessidade de se exprimir por outros
métodos quando as palavras não são capazes, e por isso recorre à arte para a
satisfazer.

Concluímos assim que a verdadeira essência da arte é muito maior do que uma mera
definição.

“A arte fala onde as palavras falham”

Mathiole

6
Bibliografia

Imagens

https://cdn.shopify.com/s/files/1/0175/4536/products/Girl-With-A-Red-Balloon-by-Bricks-
Banksy-Art-Print-P_4bd4b4e4-d7db-4858-8941-88a4e25e104e.jpg?v=1546400654

https://imagens.mdig.com.br/arte/top10_pinturas_absurdas_milhoes_04.jpg

https://tec-net1.wixsite.com/tec-net/blank-vau0c

https://www.wook.pt/autor/george-dickie/48843

https://www.unilu.ch/fileadmin/fakultaeten/ksf/institute/philsem/Bilder/levinson.JPG

Conteúdo

http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/revistahumus/article/viewFile/1675/
1374
https://revistas.ufrj.br/index.php/analytica/article/view/556/510
http://ventofresco.over-blog.com/2020/02/11-ano-a-teoria-institucionalista/institucional-
da-arte.html

https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/23667/1/Arte%20em%20Teoria.pdf

https://criticanarede.com/est_tarte.html

https://forum.ibgp.net.br/teoria-institucional/

https://www.infoescola.com/sociologia/institucionalismo/

Você também pode gostar