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A CULTURA COMO DIREITO FUNDAMENTAL E A

IMPLEMENTAÇÃO DO VALE-CULTURA PARA O TRABALHADOR

CULTURE AS A FUNDAMENTAL RIGHT AND THE


IMPLEMENTATION OF ´VALE-CULTURA´ TO WORKERS
Lívia Morel Dias1
Raquel Procópio de Sousa2
Cláudio Alcântara Meireles Júnior3
Resumo: O presente artigo visa expor o conceito de cultura e de direitos culturais, além de
analisar o projeto de lei que trata sobre o Vale-Cultura encontra-se estreitamente vinculado ao
que dispõe os arts. 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, quando tem como objetivos
fornecer os meios para o exercício dos Direitos Culturais e o acesso às fontes da Cultura
Nacional. Tal instituto tem como finalidade promover o acesso e fruição de produtos e
serviços, garantindo acesso dos cidadãos aos bens culturais, a eventos e a espetáculos, ou seja,
pretende incentivar visitas a eventos de caráter artístico-culturais, além de proporcionar
trabalho e renda acompanhados do desenvolvimento cultural no País. O Programa
proporciona aos trabalhadores o valor mensal de R$ 50,00 (cinquenta reais) para serem
usufruídos em qualquer serviço cultural oferecido e poderá haver desconto de até 10% (dez
por cento) do valor do vale no salário para aqueles que ganham até cinco salários mínimos,
não havendo a possibilidade de sua conversão em pecúnia. Os principais sujeitos são a
empresa operadora, a empresa beneficiária, a empresa recebedora e o usuário. Cada um tem
uma função específica quanto à concretização deste benefício, pode-se citar, a título
exemplificativo, o papel da empresa beneficiária, que receberá incentivos fiscais do Governo
e cuja responsabilidade reside na distribuição do Vale-Cultura aos seus trabalhadores com
vínculo empregatício.
Palavras-chave: Cultura. Vale-Cultura. Direitos Culturais. Políticas Públicas.
Abstract: The present work aims at providing the concept of culture and cultural rights,
besides analyzing the project of ‘Vale-Cultura’, which is connected to the articles 215 and 216
of the Federal Constitution that objectifies ways to achieve cultural rights and access to the
national culture. This institution´s goal is to provide access to products and services, ensuring
access to events, encouraging visits to such kind of events, providing jobs and gain, besides
the cultural development in Brazil. This project consists in giving R$50,00 to workers, so they
can invest on any offered cultural service and also gain a discount of until 10% of the value of
their salaries to those who that gain until five minimum wages, without the possibility of
exchanging the discount over cash. The people involved in the program are the beneficiary
company, the receiver company and the user. Each one has their own specific function when
it comes to concretize this benefit, as a matter of example, the function of the beneficiary
company, that will receive from the government tax incentive, which responsibility is to
distribute the ‘Vale-Cultura’ to its workers that have labor bond.
Keywords: Culture. Vale-Cultura. Cultural Rights. Public Policies.

1
Estudante de Direito pela Universidade de Fortaleza, pesquisadora no âmbito de Direitos Culturais e Direito do
Trabalho, pós-graduando em Direito do Trabalho e Direito Internacional;
2
Estudante de Direito pela Universidade de Fortaleza, pesquisadora no âmbito de Direitos Culturais e Direito do
Trabalho;
3
Concludente do Curso de Direito pela Universidade de Fortaleza, pesquisador no âmbito de Direitos Culturais
e Direito do Trabalho; pós-graduando em Direito do Trabalho.
Introdução

Os Direitos fundamentais passaram por três gerações de direitos,4 dentre as quais


compreenderam direitos individuais e políticos no período do Estado Liberal de Direito no
final do século XIX, depois abrangeram direitos sociais, econômicos e culturais, produto de
lutas e reivindicações sociais da segunda década do século XX e por último, ainda em fase
desenvolvimento, protegem todos os direitos difusos frutos da ampliação do atual Estado
Democrático de Direito (LOPES; COSTA JUCÁ, 2008). Na ambientação dos Direitos
Culturais diante dessas gerações, de acordo com Humberto Cunha (2000, p. 66-67), pode-se
concluir que eles estão presentes em todas elas.
O reconhecimento de Direitos Fundamentais no novo Texto Constitucional passa a ser o
tema central quando se vê que possuem aplicabilidade imediata e não são suprimidos do
ordenamento. Neste aspecto, Humberto Cunha (2000, p. 41) afirma que receberão tratamento
de direitos fundamentais do que decorre “1) Proteção especial quanto à supressão do
ordenamento; 2) Aplicabilidade imediata do ponto de vista de eficácia jurídica, bem como
proteção contra a doutrina que advoga a existência de normas fundamentais programáticas”.
Os Direitos Culturais são abordados especificamente na Constituição da República de
1988 nos artigos 215 e 216, em que ficam enfatizados a garantia de seu exercício, o acesso às
fontes da Cultura Nacional e o apoio dado pelo Estado à valorização e difusão das diversas
manifestações culturais. A partir desta difusão ocorre a inserção dos direitos culturais no
plano fundamental, visto que elas devem ser primordialmente protegidas e preservadas como
tal, sem necessidade de prévias qualificações nem preenchimento de requisitos pré-
estabelecidos. (LOPES; COSTA JUCÁ, 2008).
Estas normas trazem em seu bojo não só um percurso a ser concretizado por meio de
um programa de ações realizadas pelo Poder Público que viabilizem a produção e o consumo
cultural, mas também trazem uma grande força normativa na medida em que o Estado, no
papel integrado do Executivo, Legislativo e Judiciário, deve pautar no que está expresso no
Texto Constitucional, não tendo o livre arbítrio de suprimi-las ou modificá-las, visto o seu
caráter fundamental de imediata aplicabilidade no plano fático. Como complementa o
pensamento de Humberto Cunha (2000, p. 42):
No corpo de toda a Constituição espalham-se direitos culturais que, pelo conteúdo,
nenhum intérprete, com o mínimo de sensibilidade, pode negar-lhes o status de
fundamental. Isto porque referem-se a aspectos subjetivos de importância capital,
por vezes de individualidades, por vezes de grupo e também de toda a Nação, no que
concerne à questão da chamada identidade cultural.
Jorge Miranda (1996) afirma que os Direitos Culturais no contexto constitucional são de
pleno instituído pelo Estado Social como exigências de acesso à educação e à cultura e, em
último turno, de transformação da condição operária. Reforça, ainda, diferenciações entre as
expressões “Constituição Cultural” e “Estado de Cultura”. A primeira revela-se útil na medida
em que propicia uma nítida consciência do escopo da Constituição não devendo acarretar,
contudo, na perda da sua unidade sistemática. O segundo deve atentar para o risco de pôr a
cultura a seu serviço, sacrificando a liberdade de criação e de agentes culturais; ou de se por o
Estado a serviço dos agentes culturais, secando iniciativas vindas da sociedade civil.
Convém salientar a definição de Direitos Culturais proposta por Humberto Cunha
(2000) que seriam aqueles afetos às artes, à memória coletiva e ao repasse de saberes, que

4
Alguns autores, como Paulo Bonavides e Ingo Wolfgang Sarlet entendem existirem, ainda, as quartas e as
quintas dimensões ou gerações de Direitos Fundamentais.
asseguram aos seus titulares o conhecimento e uso do passado, interferência ativa no presente
e possibilidade de previsão e decisão de opções referentes ao futuro, visando sempre à
dignidade da pessoa humana. O autor (2008, p. 232) ressalta, ainda, que para entender a
abrangência dos direitos culturais, “é necessário entender que eles formam um ‘bloco’
diferente de outros ‘blocos’ de direitos, como os sociais, os econômicos, os civis, os políticos,
etc.”.
Há ainda, no plano dos direitos, o direito à cultura constituindo a proteção contra
mudanças abruptas e ilegítimas e o direito da cultura permitindo vislumbrar o direito que rege
as relações específicas e tangíveis, com base em elementos palpáveis do universo cultural
observado. (CUNHA FILHO, 2011)
Acesso cultural e sua viabilização por meio de políticas públicas
Quando se fala no acesso cultural visto sob o olhar da Administração Pública, num
Estado Democrático de Direito, pode-se ter o planejamento de uma forma unificada através de
fortes Políticas Públicas, apontando diretrizes que possa fornecê-lo diretamente ou através de
instituições a ela vinculadas, valorizando e protegendo o valor de toda e qualquer
manifestação, sem, no entanto, modificá-las, visto seu status fundamental. Neste sentido, o
constitucionalista Luís Roberto Barroso (2000, p.155) fala acerca do que poderia ser
acarretado a um Agente Público se não houvesse o devido apoio à livre manifestação cultural:
A teor do art. 215 do Texto fundamental em vigor, o Estado apoiará e incentivará a
valorização e a difusão das manifestações culturais. Se um agente público, sem
nenhuma razão objetiva – aliás. Antes por estultice-, impede a apresentação ao vivo
ou a transmissão televisionada de um espetáculo de ballet protagonizado por
companhia artística de reconhecido mérito, o ato proibitivo é visceralmente
inconstitucional, nulo de pleno direito, e pode ser impugnado pelo Judiciário.
Sob o olhar social devem ser livres as manifestações culturais de toda e qualquer
natureza e, levando em consideração a junção dos dois olhares, pode-se falar da preservação e
do reconhecimento dos valores e patrimônios culturais, além da premissa de que os direitos
culturais constituirão um direito, como também um dever, não só por parte do Poder Público,
como também por parte do povo. Neste último aspecto, Humberto Cunha (2011, p.121)
expõe:
Apesar de, no Brasil, serem quase sinônimas as expressões direito da cultura e
direitos culturais, a última carrega a desvantagem de induzir ao pensamento de que
as relações jurídicas do setor contemplam apenas “direitos”, levando à falsa
impressão da inexistência de “deveres” culturais; quando muito, cogita-se que
eventuais deveres são de responsabilidade apenas do Estado. Contudo, há algo que,
de tão básico na teoria jurídica, é de domínio de quase todas as pessoas, mesmo as
leigas: aos direitos correspondem deveres.
Vislumbra-se, no entanto, que os maiores entraves não se encontram na proteção
constitucional ou na definição dos direitos culturais, mas na sua viabilização, ou seja, há
necessidade de concretizar o plano de sua aplicabilidade, delimitar instrumentos estatais que
possibilitem aos membros da comunidade à participação efetiva no dever da vida cultural do
meio ao qual pertencem, contemplando o fluxo e a diversidade de saberes e expressões. Para
tanto, recorre-se novamente a Humberto Cunha (2011, p. 124), para tratarmos das garantias
culturais, que “são os elementos dos quais os titulares dos direitos podem e devem se valer
para ver os mesmos migrando da simples previsão em textos legais para o mundo dos fatos”.
Acrescenta ainda o ilustre professor (2011, p. 124), ao parafrasear Luis Roberto Barroso, que
“as garantias de direitos circundam o mundo jurídico, mas o extrapolam por serem também de
natureza política e social”, alocando-as na esfera das políticas públicas implementadas pelo
Estado.
Nesta seara do acesso igualitário a bens e serviços culturais, da livre manifestação
cultural por parte de todos, bem como da realização de políticas públicas voltadas à cultura
por parte do Estado, é proposto o Projeto de Lei n. 5798/2009 que aborda o Programa de
Cultura ao Trabalhador e a consequente criação do Vale-Cultura. Verifica-se aqui, no plano
infraconstitucional, uma tentativa do Poder Público de ampliação do dever de efetivar direitos
primordialmente reconhecidos como culturais na Constituição Brasileira, através de parcerias
com instituições privadas a partir da dedução fiscal, pretendendo resultar na participação mais
ativa de trabalhadores que estiverem inseridos em tal programa.
Experiências no Governo Brasileiro incluíram políticas públicas paternalistas que
procuraram amenizar desigualdades econômicas e sociais, enfatizando o caráter essencial da
alimentação através do “Bolsa-Família” e “Fome-Zero’’, da educação através de programas
como “Pro Uni”, da profissão do artista iniciante, recentemente aprovado no Senado, através
do Bolsa-artista. O Programa de Cultura ao Trabalhador, no qual o Vale-Cultura está inserido,
traz uma forte relação com as políticas assistencialistas citadas anteriormente, a partir do fato
de que, para atenuar desigualdades culturais, resgata a essência da cultura como expressão de
identidade do País e como fonte de crescimento intelectual do ser humano, facilitando seu
consumo especificamente para os trabalhadores que ganham até 5 (cinco) salários mínimos e
que tenham a relação de emprego inserida nas empresas que forem adeptas a este programa.
Além disso, propõe estimular a geração de trabalho e renda por meio do maior
desenvolvimento da economia da cultura.
Entretanto, antes de adentrar ao estudo do Projeto de Lei em questão, faz-se necessária a
discussão a respeito de alguns conceitos e acepções de cultura, não com a pretensão de
esgotá-los, mas apenas pontual explanação para melhor compreensão do papel estatal como
garantidor de diversas formas de expressões culturais, e, principalmente, na
instrumentalização do seu acesso.
Breve apreciação de conceitos de cultura e categorização das manifestações culturais
Definir cultura, de acordo com Jorge Miranda (1996), constitui tarefa difícil, mas
envolve tudo que tem significado espiritual e, simultaneamente, adquire relevância coletiva,
além de ser tudo que se reporta a bens não econômicos e tem a ver com obras de criação ou de
valoração humana, contrapostas às puras expressões da natureza. Para José Luiz dos Santos
(1994) pode-se inferir duas esferas da cultura, a primeira atenta à sua totalidade, a vida social
e aspectos materiais de determinado povo, nação ou grupo social em suas peculiaridades que
os tornam distintos dos demais; a segunda entende-se enquanto um domínio da vida social, no
campo do conhecimento, ideias, crenças, produção e expressão artística, os processos de
simbolização, ou seja, os aspectos imateriais.
Nesta linha de raciocínio, para a elaboração das políticas públicas, pode-se inferir o
estudo de Isaura Botelho (2001, p. 76-77) em que ela separa duas dimensões da cultura. A
primeira seria a dimensão antropológica que se perfaz no plano do cotidiano, ou seja, “os
fatores que presidem a construção desse universo protegido podem ser determinados pelas
origens regionais de cada um, em função de interesses profissionais ou econômicos,
esportivos ou culturais, de sexo, de origens étnicas, de geração, etc.” e para que a cultura vista
nesse aspecto seja atingida por uma política “é preciso que, fundamentalmente, haja uma
reorganização das estruturas sociais e uma distribuição de recursos econômicos”. Na segunda,
a cultura teria uma dimensão sociológica baseada num circuito organizacional no qual
“deixam-se de lado, aqui, as construções que ocorrem no universo privado de cada um,
abordando-se aquelas que, para se efetivarem, dependem de instituições, de sistemas
organizados socialmente”. De acordo com a autora, este último seria o campo privilegiado
para a atuação das políticas públicas por possuírem visibilidade concreta.
Humberto Cunha (2000, p.37), que define cultura como uma produção humana
vinculada ao ideal de aprimoramento, visando à dignidade da espécie como um todo, e de
cada um dos indivíduos, traz o entendimento de cultura como sinônimo de patrimônio cultural
trazido pela interpretação gramatical do art. 216 da Constituição da República de 1988 a partir
da seguinte análise:
Diante de um texto tão claro, como duvidar que a norma transcrita [o art. 216] não
define somente o patrimônio cultural, mas, além deste, também outra coisa: a
própria cultura? [...] Pondere-se que a cultura é identificada precisamente por suas
manifestações; se a norma menciona que todas as manifestações humanas
relacionadas à identidade dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira
compõem o patrimônio cultural do país, e se, para além disso, nada mais pode ser
vislumbrado como cultura, de fato o que o legislador fez foi simultaneamente definir
patrimônio cultural e cultura para a seara jurídica do Brasil.
Quanto às manifestações culturais são intentadas diversas categorizações, que atendem
à necessidade científica de delimitação do objeto estudado, com especial dedicação no campo
da sociologia e antropologia. Vislumbra-se, por exemplo, a oposição entre cultura erudita e
popular: enquanto aquela seria as formas de conhecimento dominantes e consideradas mais
elaboradas, atendendo a padrões de estética, com acesso restrito aos setores e classes
dominantes; essa pode ser entendida em duas instâncias, conforme Antônio Augusto Arantes
(1990, p. 8):
(...) a ‘cultura popular’ concebida por contraste ao termo genérico ‘cultura’ em seu
uso corrente e, por outro, como suporte de uma idealização romântica da tradição,
que é uma perspectiva frequentemente encontrada nas teorias de muitos folcloristas,
além de ser amplamente difundida entre diversos setores da sociedade.
Há também de se falar em cultura de massa, ou ainda, a indústria cultural, tema
constante nas produções de Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, que tecem forte crítica à
lógica mercadológica aplicada à produção cultural, de forma específica, na obra desse último
intitulada Indústria Cultural e Sociedade (ADORNO, 2002, p. 14):
Subordinando do mesmo modo todos os ramos da produção espiritual com o único
fito de ocupar — desde a saída da fábrica à noite até sua chegada, na manhã
seguinte, diante do relógio de ponto — os sentidos dos homens com os sinetes dos
processos de trabalho, que eles próprios devem alimentar durante o dia, a indústria
cultural, sarcasticamente, realiza o conceito de cultura orgânica, que os filósofos da
personalidade opunham à massificação. [...] Assim a indústria cultural, o estilo mais
inflexível de todos, revela‐se justamente como a mera daquele liberalismo ao qual se
censurava a falta de estilo. Não só as suas categorias e os seus conteúdos irrompem
da esfera liberal, tanto do naturalismo domesticado como da opereta e do teatro de
revista; os modernos trustes culturais são o lugar econômico onde continua,
provisoriamente, a sobreviver, com os tipos correspondentes de empresários, uma
parte da esfera tradicional da circulação, em vias de aniquilamento no restante da
sociedade.
Interessante observar essa relação dialética daquilo que é produzido pela Indústria
Cultural direcionado às grandes massas, muitas vezes compreendido com cunho alienante e
padronizador, com o que podemos chamar de cultura popular comercial, produzida pela
própria massa. Existe movimento no sentido de ajustar aquilo definido como cultura
dominante ou preferencial, por meio da repetição e eleição de paradigmas do interesse dos
setores economicamente dominantes, mas ressalte-se posição de Stuart Hall (2008, p. 238),
para quem “as pessoas comuns não são uns tolos culturais, elas são perfeitamente capazes de
reconhecer como as realidades da vida da classe trabalhadora são reorganizadas, reconstruídas
e remodeladas pela maneira como são representadas” e o entendimento da cultura como elo
social, que segundo Teixeira Coelho (2008, p. 42) é o “conjunto de representações e práticas
que contribui para a formação, o fortalecimento e a manutenção do tecido da vida social de
um determinado grupo humano”; que deve ser garantida a multiplicidade de expressões, pois
são concebidas em meio à grande diversidade de percepções, significados e manifestações.
Por conseguinte, propostas como o Vale-Cultura estão inseridas nas políticas públicas
meramente formalistas, que nas palavras de Teixeira Coelho (2008, p. 81) são "as que não se
ocupam do conteúdo, as que não apoiam um programa específico de valores, abrindo-se
apenas para a implementação dos recursos que permitem aos conjuntos de singularidades
inventarem seus fins”.
Políticas públicas culturais e Vale-Cultura: questões de democratização e seu
funcionamento
As políticas públicas são sínteses de teorias construídas no campo da sociologia, da
ciência política e da economia, baseadas em resultados provenientes da obtenção de dados
reais. Para Celina Souza (2006, p. 26 e 37) “a formulação de políticas públicas constitui-se no
estágio em que os governos democráticos traduzem seus propósitos e plataformas eleitorais
em programas e ações que produzirão resultados ou mudanças no mundo real.” Para a autora,
a política pública é um instrumento de controle das ações governamentais, na sua aplicação e
desenvolvimento, que “envolve processos subseqüentes após sua decisão e proposição, ou
seja, implica também implementação, execução e avaliação”.
Ao questionar qual a forma de gestão que deve ser exercida quando se trata de orientar
políticas públicas culturais, Durval Muniz de Albuquerque Junior (2007, p. 73-74), ressalta
que “uma política de gestão cultural expressará, portanto, a compreensão do que seja cultura,
o que deve ser valorizado e incentivado pelos grupos sociais que estejam diretamente
envolvidos no controle do Estado”. Ainda quanto à gestão democrática enfatiza que cabe ao
Estado “adotar uma política voltada para a gestão participativa e democrática dos recursos
destinados ao patrocínio cultural, estabelecendo uma relação republicana com os agentes da
produção cultural, baseada no reconhecimento do mérito, na oferta de oportunidades
equânimes para todos”.
A democratização cultural é sedimentada no governo, portanto, na visão de cultura
como expressão do interesse coletivo de determinados grupos sociais, assim como
complementa Lia Calabre (2007, p. 102):
Numa democracia participativas cultura deve ser encarada como expressão de
cidadania, um dos objetivos de governo deve ser, então, o da promoção das formas
culturais de todos os grupos sociais, segundo as necessidades e desejos de cada um,
procurando incentivar a participação popular no processo de criação cultural,
promovendo modos de autogestão das iniciativas culturais. A cidadania democrática
e cultural contribui para a superação de desigualdades, para o reconhecimento das
diferenças reais existentes entre os sujeitos em suas dimensões social e cultural. Ao
valorizar as múltiplas práticas e demandas culturais, o Estado está permitindo a
expressão da diversidade cultural.
Reconhecendo essa capacidade de elaboração dos diversos setores da comunidade, tanto
na produção cultural quanto na sua ressignificação, não cabe ao Estado privilegiar
determinado seguimento ou expressão, posto que, de acordo com José Luiz dos Santos (1994,
p.8) “cada cultura tem seus próprios critérios de avaliação e que para uma tal hierarquização
ser construída é necessário subjugar uma cultura aos critérios de outra” . Há ainda o
tratamento da democratização quando ambientada no acesso cultural, subdividindo-se no
acesso de ordem material e formal (BOTELHO; OLIVEIRA, 2010, p. 11):
Na maioria das vezes, o termo “democratização” ora se refere aos objetivos relativos
à oferta cultural (de equipamentos, espetáculos, produtos...), ora aos objetivos
ligados à questão dos públicos. Isso se deve, em parte, à ambigüidade do termo
“acesso”, que comporta a idéia de acesso de ordem material, mas também de ordem
social. No primeiro caso, considera-se a distribuição de equipamentos e produtos
culturais de maneira mais equilibrada em dado território e, no segundo, consideram-
se os esforços no sentido de atacar as diferenças sociais que impedem uma difusão
mais equânime do “desejo” de cultura em meio à população. Em outras ocasiões,
vemos “democratização” referindo-se ao aumento da freqüência a instituições ou
atividades, por exemplo, confundindo objetivos puramente quantitativos com os de
natureza qualitativa.
A política pública cultural proposta pelo Estado pode deflagrar momentos de
instabilidade quando envolve a relação com o público no acesso à cultura. A oferta de bens e
serviços pode contrastar com a procura a partir do momento em que o projeto não compõe
outro cenário de frequentadores, muitas vezes porque o público não vivenciou, de forma
habitual, as experiências culturais oferecidas e por vezes, resulta no favorecimento do
consumo a quem já detinha determinado tipo de bagagem cultural. A redução de preços nos
eventos culturais apenas com o intuito de “formação de públicos” é um exemplo disso e é
exposto por Isaura Botelho e Maria Carolina Vasconcelos Oliveira (2010, p. 13):
Desse modo, as instituições, de maneira geral, continuam apostando na oferta de
atividades e bens, quando se sabe que o contato eventual com determinada
manifestação artística não diversifica necessariamente os hábitos culturais dessas
populações (colocadas como alvo principal), fornecendo apenas a oportunidade de
uma atividade de entretenimento fora da rotina de cada um. Como ilustração,
podemos citar projetos, bastante freqüentes, voltados para oferecer shows, concertos
(geralmente em horários de rush nas grandes cidades, por exemplo) ou peças teatrais
a preços módicos, todos em nome da “formação de público”. Na verdade, o que se
vê como resultado é que esses projetos atraem prioritariamente aqueles que já são
praticantes (ou consumidores) desses gêneros e pouco fazem para ampliar a
composição social do conjunto de freqüentadores. Outra razão para o não
cumprimento dos objetivos das políticas de democratização cultural como descritas
acima é o fato de elas levarem em conta o indivíduo apenas como público (con-
sumidor) e não como participante ativo da vida cultural (ator). [...] Incorporar esse
tipo de experiência na formação dos indivíduos é, provavelmente, o passo mais
efetivo para disseminar essas linguagens e seus códigos, de maneira que provoque
uma real alteração na relação das pessoas com a cultura e a arte.
Um Estado Democrático de Direito na elaboração das políticas públicas inclui nos seus
projetos uma produção de resultados no mundo fático que respeite, acima de tudo, a dignidade
da pessoa humana e mantenha uma relação equilibrada com a efetivação de dispositivos
primordialmente reconhecidos na constituição, expressa ou implicitamente. Efetiva-se, dessa
forma, uma autofiscalização à medida que inclui os cidadãos como beneficiários e atores
ativos na implementação das políticas. Dentro da dinâmica jurídica há instrumentos capazes
de viabilizar questões referentes a direitos culturais tendo como titulares “tanto os indivíduos,
como coletividades específicas e também toda a sociedade”. Os cidadãos podem recorrer ao
processo como instrumentalização da democratização cultural utilizando-se da ação popular
ou ação civil pública a partir da criteriosa análise do caso concreto (CUNHA FILHO, 2000, p.
130-132).
O Vale-Cultura, de acordo com a Justificativa do projeto de lei, tem como objetivo o
consumo cultural através do acesso e fruição de produtos, serviços e visitação de
estabelecimentos que proporcionem a integração entre os temas Ciência, Educação e Cultura.
Evidencia-se aqui um instrumento que, advindo do Poder Legislativo e que recentemente foi
aprovado em caráter definitivo pelo Senado Federal, busca democratizar meios de acesso
cultural, configurar um ambiente propício para a geração de empregos na área e promover o
desenvolvimento econômico da cultura. A sua abrangência percorre o caminho de política
pública cultural que procura a eficácia na democratização do acesso à cultura por parte de
trabalhadores que ganham, preferencialmente, até 5 (cinco) salários mínimos e que tenham
vínculo empregatício com empresas beneficiárias.
Um estudo feito por Frederico Barbosa (2010) aponta que, se o requisito para incluir os
trabalhadores no programa fosse apenas o da formalidade, cerca de 44 milhões seriam
beneficiados. Porém, constatando o requisito de ganharem até 5 (cinco) salários mínimos para
utilizarem o Vale, o número cai para 38 milhões e, segundo o autor, é um número importante,
sem considerar que os familiares do trabalhador poderão, da mesma forma usufruir do valor
mensal. Quanto à adesão cultural por parte dos trabalhadores inseridos no programa e a
democratização do acesso enfatiza-se o entendimento final de que os equipamentos culturais
ofertados pela instituição receptora de culturas e o público que os usufrui, não só se satisfaz
em números, mas na qualidade com que é incorporada ao desenvolvimento pessoal do
indivíduo e na alteração que provoca na relação deste com a cultura, contribuindo para sua
própria formação de mundo.
A finalidade do projeto de lei nº 5798/ 2009, proposto pelo deputado Múcio Monteiro,
consiste na garantia de acesso dos cidadãos aos bens e serviços culturais no intuito de
incentivar visitas a eventos de caráter artístico-culturais, além de proporcionar trabalho e
renda acompanhados do desenvolvimento cultural no País, permitindo o exercício dos direitos
sociais à cultura. Sendo quatro os sujeitos envolvidos para concretização do acesso a cultura
por meio do Vale-Cultura: a empresa operadora, a empresa beneficiária, a empresa recebedora
e o usuário. A empresa operadora produzirá e comercializará o Vale-Cultura, sendo, para
tanto, pessoa jurídica cadastrada ao Ministério da Cultura, possuidora do Certificado de
Inscrição no Programa de Cultura do Trabalhador. A empresa beneficiária, que opte pelo
Programa de Cultura do Trabalhador, ficará responsável pela distribuição do Vale-Cultura aos
seus trabalhadores com vínculo empregatício, que poderá deduzir o valor atribuído para tanto
do imposto sobre a renda com base no lucro real. A empresa recebedora acordará com a
empresa operadora de receber o Vale-Cultura como forma de pagamento de serviço ou
produto cultural. O usuário será o trabalhador que possua vínculo empregatício com a
empresa beneficiária. O valor mensal do Vale-Cultura será de R$ 50,00 e para aqueles que
ganham até cinco salários mínimos, poderá haver desconto de até 10% do valor do vale no
salário; já para aqueles que recebem acima deste valor, o percentual varia entre 20% e 90% do
valor do vale; não havendo a possibilidade de sua conversão em pecúnia.
Algumas considerações são necessárias para melhor esclarecer sobre tal benefício, tais
como a de que a parcela do valor do Vale-Cultura não tem natureza salarial, não constitui
base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço - FGTS e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. É válido
ressaltar ainda que a inadequação quanto à execução do Programa de Cultura do Trabalhador
e o desvio de suas finalidades, seja pela empresa operadora ou pela empresa beneficiária,
acarretarão cumulativamente algumas consequências. Elas se resumem no cancelamento do
Certificado de Inscrição no Programa de Cultura do Trabalhador; pagamento do valor que
deixou de ser recolhido relativo ao imposto sobre a renda, à contribuição previdenciária e ao
depósito para o FGTS; aplicação de multa correspondente a duas vezes o valor da vantagem
recebida indevidamente no caso de dolo, fraude ou simulação; perda ou suspensão de
participação em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crédito pelo período
de dois anos; proibição de contratar com a administração pública pelo período de até dois
anos e suspensão ou proibição de usufruir de benefícios fiscais pelo período de até dois anos.
Conclusão
Os Direitos Fundamentais, reconhecidos no novo Texto Constitucional, tem
aplicabilidade imediata e não são suprimidos do ordenamento; desta maneira, os artigos 215 e
216 da Constituição Federal de 1988 enfatizam a garantia do exercício, acesso às fontes da
Cultura Nacional e apoio do Estado quanto à valorização diversas manifestações culturais,
havendo, portanto, inserção dos direitos culturais no plano fundamental, já que
primordialmente devem ser protegidas e preservadas como tal, sem que haja necessidade de
preenchimento de requisitos pré-estabelecidos. Em seu bojo essas normas trazem grande força
normativa, em face de que o Estado não é possuidor de livre arbítrio para suprimi-las ou
modificá-las devido a seu caráter fundamental de imediata aplicabilidade no plano fático; bem
como o percurso a ser concretizado por programas de ações realizadas pelo Poder Público que
viabilizem a produção e o consumo cultural.
O Programa do Vale-Cultura, como política pública, deve retratar a viabilização do
acesso à cultura por meio da Administração Pública, de forma a valorizar e proteger bens e
serviços culturais, além que toda e qualquer manifestação de cunho cultural, de forma a
fornecer tal acesso de maneira igualitária, promovendo a ampliação do dever do Estado de
efetivar direitos primordiais reconhecidos como culturais pela Constituição Federal, por meio
de parcerias com instituições privadas a partir de deduções fiscais. Esta política pública tem
como objetivo o fornecimento de acesso e fruição a produtos, serviços e visitação de
estabelecimento e possível viabilizador de empregos na área e de desenvolvimento econômico
da cultura. Desta maneira, tem o intuito de ser meio de concretização do Estado quanto à
garantia de exercício pleno dos direitos culturais e de seu acesso; bem como de incentivar a
produção de bens culturais, facilitar o acesso à cultura e garantir maior valorização do
patrimônio cultural brasileiro por parte da população. Ao proporcionar aos trabalhadores o
consumo de bens diretamente ligados à cultura, por meio de parceria empresarial e do
financiamento por mecanismos previstos no projeto de lei; há a possibilidade de fortalecer as
cadeias produtivas da economia e proporcionar emprego.
Apesar disto, a universalização do acesso e fruição dos bens e serviços culturais, por
meio de visitação a estabelecimentos e serviços artístico-culturais, pode ser um efeito que,
apesar de desejável, não se concretizar por meio desta medida, diante da possibilidade do uso
do Vale-Cultura em benefício próprio através da venda destes, caso não se interessem pelo
produto cultural ofertado ou da facilitação do consumo de quem já consumia caso a
empresa adote uma política de barateamento pras outras pessoas, além dos trabalhadores. Não
havendo, portanto, garantia de que esta política alcançará, por meio de inclusão social, acesso
efetivo à cultura.
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