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V SEMINÁRIO INTERNACIONAL – POLÍTICAS CULTURAIS – 7 a 9 de maio/2014.

Setor de Políticas Culturais – Fundação Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro – Brasil

DIAGNÓSTICO SOBRE GESTÃO E USOS DE UM EQUIPAMENTO CULTURAL


NO INTERIOR DA BAHIA

Adriana Alves Santana1


José Roberto Severino2

RESUMO: O trabalho apresenta um diagnóstico sobre o Centro Cultural Ceciliano de


Carvalho, principal equipamento cultural da cidade de Senhor do Bonfim, localizada na
região norte da Bahia. Foram investigados a gestão e usos do espaço de cultura, a partir de
informações obtidas através da pesquisa de campo, em entrevistas com gestores, artistas e
produtores do município. A análise da cena cultural bonfinense, feita através de pesquisa
documental e bibliográfica, antecede esta etapa. Ao concluir que a má administração do
centro de cultura é sintoma da inexistência de políticas culturais municipais na localidade, o
trabalho traça uma reflexão sobre a organização da cultura no interior da Bahia.

PALAVRAS-CHAVE: diagnóstico cultural; equipamento cultural; políticas culturais


municipais.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo da pesquisa é contribuir para a implementação de políticas culturais


municipais que se pautem pelo reconhecimento das expressões locais e contribuir para a
reflexão sobre a organização da cultura no interior da Bahia, especialmente no sertão baiano,
região historicamente negligenciada pela atuação do poder público na área da cultura. A
bibliografia utilizada envolve conceitos de política cultural, política pública de cultura, cultura
e municipalização, política de governo X política de Estado, equipamento cultural, gestão
cultural e planejamento estratégico, reforçados por Coelho (1986, 1997), Botelho (2001,
2007), Barbalho (2005), Leitão (2003, 2009) e Rubim (2007).
O Centro Cultural Ceciliano de Carvalho é um equipamento gerenciado pelo poder
público municipal de Senhor do Bonfim. A cidade, localizada no centro-norte do estado da
Bahia, a 374 km de Salvador, tem uma população de 74.419 habitantes (IBGE, 2010) e, em
relação ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), ocupa a 30ª posição no
estado (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2013). É representante do território de
identidade Piemonte Norte do Itapicuru e sua economia, que teve o predomínio da agricultura
e pecuária, hoje tem os setores do comércio e serviços como principais vetores de geração de
renda.

1
Graduada em Comunicação – Produção em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia
(UFBA). Aluna especial do Mestrado do Programa Multidisciplinar de Pós-graduação em Cultura e Sociedade
da UFBA. E-mail: asantana.cultura@gmail.com.
2
Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Professor do Programa Multidisciplinar de
Pós-graduação em Cultura e Sociedade da UFBA. E-mail: jseverino@ufba.br.
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O estudo utilizou fontes documentais, bibliográficas e, principalmente, orais. Para


realizar o diagnóstico, foram realizadas 16 entrevistas com os gestores públicos responsáveis
pelo espaço, artistas e produtores locais, a fim de entender qual relação possuem com o
equipamento e quais perspectivas vislumbram para o mesmo. Dentre as entrevistas, 12 foram
feitas com artistas3, das áreas do teatro, dança, circo, artes visuais e música, e quatro
entrevistas foram realizadas com gestores culturais: dois representantes da atual secretaria
municipal de cultura de Senhor do Bonfim4; a ex-secretária de cultura5, atuante na época de
inauguração do centro cultural; e a representante da Diretoria de Espaços Culturais (DEC)6 da
Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-Ba). É válido ressaltar que a Secult-Ba
gerencia 17 equipamentos culturais no estado, 12 deles no interior, mas o de Senhor do
Bonfim não está nessa lista. A entrevista com a diretora da DEC foi realizada com o objetivo
de compreender a gestão daqueles equipamentos, a título de comparação, e conhecer as
perspectivas que a secretaria tem para espaços que não estão sob sua administração.
As potencialidades e deficiências identificadas no diagnóstico, bem como as
atividades desenvolvidas pelos grupos culturais entrevistados, serviram de base para a
construção de um plano de ação para o centro de cultura, proposta que tomou como base o
edital de Dinamização de Espaços Culturais, da Secult-Ba. O plano, assim como o blog
Produção no Sertão7 – página na qual foram disponibilizadas 14 entrevistas realizadas –, são
considerados os dois produtos da pesquisa.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O diagnóstico cultural realizado em Senhor do Bonfim tem como objeto o Centro


Cultural Ceciliano de Carvalho, compreendido como o principal equipamento cultural público
da localidade. Por equipamento cultural,
[...] entende-se tanto edificações destinadas a práticas culturais (teatros,
cinemas, bibliotecas, centros de cultura, filmotecas, museus) quanto grupos
de produtores culturais abrigados ou não, fisicamente, numa edificação ou

3
Os artistas entrevistados foram Guegueu Schade, Alexandre Magalhães, Zumar Sérgio, Benedito Oliveira,
Nando Lemos, Reginaldo Carvalho, Cynthia Ramos, Tenison Santana, Caco Muricy, Marcos Cesário, Jotacê
Freitas e Seu Meló.
4
O Secretário Municipal de Cultura, Ary Urbano, e a Diretora de Atividades, Eventos e Políticas Culturais,
Carla Lidiane Pereira.
5
Angélica Santana.
6
Giuliana Kauark.
7
Disponível no endereço <www.producaonosertao.wordpress.com>.
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instituição (orquestras sinfônicas, corais, corpos de baile, companhias


estáveis, etc.) (COELHO, 1997).

As definições de equipamento cultural, espaço cultural, centro cultural e casa de


cultura geralmente se confundem. Coelho (1997) faz a distinção e diz que o centro cultural
geralmente se refere a espaços públicos, maiores, com equipamentos permanentes e atividades
desenvolvidas sincronicamente. Para Milanese (1997), o que caracteriza os centros é a reunião
de produtos culturais, sejam de que natureza forem, a possibilidade de discuti-los e a prática
de criar novos produtos. Segundo Cenni (1991), deveria ser natural nos centros culturais o
estímulo à formação de grupos interessados em explorar certos temas, bem como as
oportunidades para as pessoas desenvolverem suas habilidades. Outro ponto abordado por
Coelho (1986) é a relação entre o centro cultural e a cidade, indicando que não se pode fazer
uma cultura distanciada da realidade na qual vivem os indivíduos e os grupos.
A etapa preliminar da pesquisa junto a atores culturais de Senhor do Bonfim partiu do
entendimento de que conhecer a cultura local é o primeiro passo para a implementação de
políticas efetivas de cultura (LIBÂNIO, 2010). Políticas culturais são entendidas aqui
conforme o conceito proposto por Canclini (1987):
Entenderemos por políticas culturales el conjunto de intervenciones
realizadas por el Estado, las instituciones civiles y los grupos comunitarios
organizados a fin de orientar el desarrollo simbólico, satisfacer las
necesidades culturales de la población y obtener consenso para un tipo de
orden o de transformación social8 (CANCLINI, 1987, p. 26).

Definição esta que é complementada por Coelho (1997):

[…] a política cultural apresenta-se assim como o conjunto de iniciativas,


tomadas por esses agentes, visando promover a produção, distribuição e o
uso da cultura, a preservação e a divulgação do patrimônio histórico e o
ordenamento do aparelho burocrático por elas responsável (COELHO, 1997,
p.293).
O planejamento e execução de políticas culturais vão depender do conceito de cultura
adotado pelos atores envolvidos. Como indica Botelho (2001), eles podem se pautar pela
dimensão sociológica, que define a cultura de modo restritivo, ou pela dimensão
antropológica, que apresenta um conceito mais amplo. A dimensão sociológica é o foco de
atenção preponderante das políticas culturais, pois trata da cultura enquanto âmbito
especializado, portanto, daquela que faz parte de um circuito organizado. Abrange as
expressões artísticas de modo estrito e inscreve tanto a produção de caráter profissional

8
“Entenderemos por políticas culturais o conjunto de intervenções realizadas pelo Estado, instituições civis e
grupos comunitários organizados a fim de orientar o desenvolvimento simbólico, satisfazer as necessidades
culturais da população, e obter consenso para um tipo de ordem e de transformação social” (tradução nossa).
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quanto a produção amadora. A dimensão antropológica define a cultura como modo inteiro de
vida, tudo aquilo que o ser humano elabora e produz, conforme já proposto por Willians
(1979). A cultura é entendida como o conjunto de relações que o indivíduo trava com seu
universo mais próximo, portanto, nesse sentido, solicita ações culturais locais, elaboradas em
âmbito municipal. No entanto, pela sua abrangência, a dimensão antropológica necessita de
ações globais de governo, que tome como ponto de partida a transversalidade (BOTELHO,
2001).
Quando nos atentamos para a realidade da Bahia em relação à execução de políticas
culturais, vemos um aspecto de desigualdade que impediu durante muitos anos que as ações
se voltassem para o interior do estado e especificamente para a região do semiárido, onde a
pesquisa em questão foi desenvolvida. A região do semiárido baiano possui 388.274 km² e é
formada por 264 municípios, com uma população de 6.316.846 habitantes. Isso corresponde a
uma área de 70% do estado e 48% de sua população (VASCONCELOS, 2011). Apesar deste
território, compreendido como “sertão baiano”, apresentar uma grande extensão e diversidade,
as políticas culturais nem sempre se direcionaram para seu entorno.
A associação entre turismo e cultura configurada numa política e fortalecida a partir de
1991, quando ACM assume pela terceira vez o cargo de governador, contemplou ações a fim
de promover a Bahia enquanto um estado com características particulares, que, na ação dos
governantes, se conformavam como um todo indissociável, a dita “baianidade”. A
problemática é que tal discurso hegemônico centrou-se na cidade de Salvador e no Recôncavo
Baiano, negando a existência de uma tradição sertaneja na Bahia. (VASCONCELOS, 2011).
A política se consolida em 1995, com a criação da Secretaria de Cultura e Turismo (SCT),
inédita no Brasil, e segue até 2006. Neste período, poucas foram as ações no campo cultural
voltadas para o interior do estado. (UCHÔA, 2006).
A gestão do governador Jacques Wagner, iniciada em 2007, dissociou a Secretaria de
Cultura da Secretaria de Turismo e atribuiu àquela o princípio de “descentralizar as ações
culturais e democratizar o processo de planejamento, execução e avaliação dos programas e
projetos culturais” (CARVALHO, 2007, p. 4). O governo, do Partido dos Trabalhadores (PT),
criou o Programa de Desenvolvimento Territorial da Cultura, que consistiu no agrupamento
dos 417 municípios baianos em 26 territórios de identidade9, a fim de promover seu
desenvolvimento sociocultural (BAHIA, 2010). “Território é aqui entendido como a base
geográfica da existência social, espaço simbólico em que a população constrói a sua

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Hoje o estado da Bahia é composto por 27 Territórios de Identidade.
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identidade, exprime sentimentos de pertença e cria seu patrimônio cultural.” (DUARTE,


2009, p. 1). A partir de então foi adotada uma política de “interiorização”, ou de
“territorialização”, como a atual gestão da Secretaria de Cultura, liderada por Albino Rubim,
prefere denominar. Entre as ações executadas, podemos citar a adoção de uma política de
editais e de cotas de patrocínio para projetos do interior do estado e a realização de
conferências de cultura, mecanismos de consulta das demandas culturais do público.

3. O CENTRO CULTURAL

O Centro Cultural Ceciliano de Carvalho põe fim, num primeiro momento, às


ansiedades dos artistas bonfinenses em ter um edifício teatral. O século XX inteiro esteve
permeado pelo desejo de se ter uma casa de espetáculos, que acaba sendo este espaço cultural
apenas no final da década de 1980, depois de 15 anos de espera entre o projeto e a
inauguração. Os antigos cinemas da cidade serviam a apresentações teatrais, mas havia uma
hegemonia do “cine” em detrimento do “teatro”, o que era bastante criticado na época,
quando os artistas já esperavam um lugar com especificidades próprias para a realização de
espetáculos.
As fontes de pesquisa indicam que o espaço utilizado para Centro Cultural Ceciliano
de Carvalho era um terreno baldio, não havia nenhuma funcionalidade anterior. Caco Muricy
indica que o local permaneceu como um “elefante branco” por muito tempo e Jotacê Freitas10
recorda ter colaborado para uma matéria do jornal Correio dos Sertões em que denunciava o
abandono do espaço e o fato da verba da cultura ter sido investida em outra instituição. O
Centro foi inaugurado no dia 23 de novembro de 1989, com um evento “lítero-musical”. O
momento antecedeu a realização da 1ª Feira de Negócios de Senhor do Bonfim, que ocorreu
entre os dias 24 e 26 daquele mês. Um panfleto de divulgação da feira menciona a
inauguração do espaço, como se aquele evento desse continuidade à cerimônia de abertura. O
encontro foi destinado à exposição de “micro, pequenas e médias empresas industriais dos
diversos setores da economia” (FEIRA, 1989, p. 2) e, além da assessoria prestada às
empresas, foi divulgado que haveria “no local distribuição de brindes, shows, serviços de
som, lanchonete, bar e segurança” (FEIRA, 1989, p. 2). De imediato, verifica-se que mesmo
no nascimento do equipamento cultural, a cultura era vista como “acessório”. A alocação de

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Caco Muricy e Jotacê Freitas são artistas de Teatro, linguagem predominante em Senhor do Bonfim.
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um evento de economia como primeira produção recebida no espaço indica que a


preocupação com o setor cultural era inexistente, já nesse primeiro momento.
A exclusão dos artistas na abertura do Centro é outro fato que corrobora a afirmação
anterior. Caco Muricy participou da inauguração e conta que neste dia os artistas populares
foram barrados, foram impedidos de entrar por policiais. Na época, a cena cultural da cidade
contava com muitos grupos e estes fizeram uma manifestação na porta e só assim
conseguiram acesso. Caco acredita que o episódio se deu porque os artistas populares eram
desvalorizados na época e porque na realidade aquele espaço não tinha surgido para atendê-
los, mas sim para servir aos interesses da própria prefeitura. Em outro momento, já em 1997,
uma reforma na prefeitura fez com que o órgão passasse a funcionar no Centro Cultural por
aproximadamente um ano, o que gerou revolta dos artistas, que viram o único espaço de
cultura ser desativado.
A gestão do prefeito Jonas Costa, no início dos anos 90, é tida como o período em que
o Centro Cultural teve o seu momento de maior dinamismo cultural, inclusive sediando um
festival regional de teatro, pela Federação Baiana de Teatro Amador (FBTA), com
participação de vários grupos do estado. O grupo Mutarte, um dos protagonistas da
mobilização na inauguração do espaço, teve um papel de destaque, chegando a atuar como
grupo residente. Caco aponta que, entre 1993 e 1995, as apresentações no Centro Cultural
eram constantes, quase todo final de semana. Esse apoio à cultura não foi sem propósito,
funcionou como uma espécie de moeda de troca, visto que o Mutarte apoiou Jonas Costa nas
eleições. Esse fato demonstra o caráter governamental da política desenvolvida.
A estrutura original do Centro Cultural não contava com equipamentos de som e
iluminação cênica, o que indica mais uma vez que o espaço não foi pensado para as artes. É
notável que o Centro Cultural não foi projetado para ser um equipamento cultural e, seu
palco, para servir a apresentações cênicas. Serroni (2002 apud SILVA, 2008) indica que essa
realidade é comum aos edifícios teatrais brasileiros, que sofreram com equívocos técnicos em
sua construção, devido à confusão existente entre as noções de teatro e auditório – este que
necessita de menos equipamentos, dimensões e infraestrutura. Em 2006, foi realizada a
primeira e única grande reforma do espaço, quando o palco foi ampliado, mudaram o forro do
teto, ampliaram o número de cadeiras e foi instalado ar-condicionado. Mesmo com a reforma,
permaneceram equívocos. Alguns equipamentos de som e luz foram comprados, mas não
havia mesa de luz ou cabos para instalar esses aparelhos, então eles permaneceram sem
utilização e caíram em desuso.

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A sala principal tem capacidade para 303 pessoas e outros espaços como o foyer, a
área externa e a sala de ensaios estão inutilizados. Em salas anexas ao Centro Cultural
funciona a Secretaria Municipal de Cultura (Secult Bonfim), onde originalmente ficavam os
camarins. Hoje, portanto, os artistas, não contam com um espaço adequado para a preparação
antes de subir ao palco. O Centro Cultural Ceciliano de Carvalho funciona conforme o horário
da Secult Bonfim, de 8h às 14h, de segunda a sexta-feira. Por serem órgãos interligados, os
funcionários da Secult participam do dia-a-dia do Centro, mas de forma desorganizada.
Quando está sendo realizado algum evento no auditório, os produtores se dirigem aos
servidores para solicitar algo, ou mesmo os participantes adentram o espaço do órgão para
utilizar sanitários, por exemplo. Em atividades realizadas a partir de 14h e nos finais de
semana, os funcionários se revezam para abrir e fechar o espaço.
O regimento do equipamento cultural não limita a realização de eventos de interesse
privado, seja cobrando preços de pauta mais altos ou impedindo que sejam executados no
final de semana. Analisando a tabela de marcação de pautas do Centro, do período de janeiro
a agosto de 2013, verifica-se que o espaço é utilizado predominantemente para eventos não
culturais. Nesses oito meses, 77 dias tiveram reservas agendadas. 26 dias (34%) foram
agendados para atividades culturais, como espetáculos teatrais, de dança ou fóruns para
discutir o setor. Sete dias foram reservados para atividades educativas (9%), como a Jornada
Pedagógica da Secretaria de Educação e a Semana do Meio Ambiente. Nos outros 44 dias
(57%), foram realizadas atividades institucionais da prefeitura ou particulares, como
formaturas, encontros religiosos, eventos da Polícia Militar, de sindicatos e empresas estatais,
entre outras.

4. AS POLÍTICAS MUNICIPAIS DE CULTURA

A constatação de que o Centro Cultural não funciona como um espaço de cultura é


observada pelos gestores do local, que desejam ver a situação modificada, mas ainda não
estão atuando para esse fim, como se a mudança fosse algo que não dependesse deles. De
fato, realizar mudanças não está sob alcance da secretaria, visto que ela não tem orçamento
próprio. A festa de São João, realizada tradicionalmente no município, ocupa o centro de
interesses. Observa-se que até então não foi desenvolvida uma política voltada para o espaço
cultural, decorrente, naturalmente, da inexistência de uma política cultural implementada pela
Secult Bonfim. A análise da gestão do equipamento cultural, portanto, constantemente requer
o diagnóstico sobre o órgão municipal de cultura.
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Em 2010, a secretaria foi criada na estrutura administrativa da prefeitura de Senhor do


Bonfim. Tal iniciativa pode ser vista como um despertar para a necessidade da organização da
cultura em nível local, visto que criação de um órgão autônomo de cultura é a primeira etapa
para a consolidação do Plano Municipal de Cultura (PNC). Apesar de este esforço merecer
aprovação, a atuação da secretaria se mostrou inexpressiva ao longo dos anos. Ela já nasce
com três problemas estruturais: falta de orçamento, de equipe e descontinuidade no comando
da pasta. O órgão, supostamente autônomo, não disponibilizou mais dinheiro ou realizou mais
atividades que a antiga Diretoria de Cultura, vinculada à Secretaria de Educação. Formada
atualmente por uma equipe de oito pessoas – dois diretores, dois assistentes, três auxiliares de
serviços gerais e um office boy, além do secretário – a secretaria encontra dificuldade para
atender as demandas e de planejar ações. Sua atuação se resume à realização de ações
pontuais e que não contam com a participação pública na elaboração. A pesquisa parte do
pressuposto de que a continuidade de uma ação cultural é um dos fatores que garantem a sua
efetividade, além de entender que a participação social é um valor indispensável para uma
política pública ser, de fato, considerada pública (RUBIM, 2007).
Artistas e gestores mostram-se insatisfeitos com o investimento prioritário concedido à
festa de São João no município, em detrimento de outras manifestações culturais. A festa
realizada há mais de 100 anos é considerada uma das melhores da Bahia, ao lado daquelas
organizadas nas cidades de Cruz das Almas e Amargosa. Senhor do Bonfim recebe inclusive
o título de Capital Baiana do Forró, por conta da representatividade e manutenção das
características tradicionais dos festejos. O orçamento do São João nos últimos anos variou
entre R$ 850 mil a R$ 1 milhão. A prefeitura divide os custos com o governo estadual, federal
e patrocinadores diversos. Em 2010, por exemplo, o Ministério do Turismo destinou R$ 239
mil para a festa do município e, em 2012, R$ 300 mil. Nesse último ano, recebeu ainda R$
100 mil da Empresa de Turismo da Bahia (Bahiatursa) e destinou R$ 869 mil para a
contratação das atrações. Na ocasião, o prefeito Paulo Machado foi questionado pelo
Ministério Público por conta do gasto excessivo, visto que Senhor do Bonfim enfrentava
graves consequências da seca que atingiu o Nordeste e a prefeitura liberou mais recursos para
a festa junina (R$ 965 mil) que para o combate aos prejuízos decorrentes da falta de água (R$
114 mil). No entanto, identificamos que, mesmo no São João, a prefeitura não realiza um
trabalho de valorização dos artistas bonfinenses, priorizando o pagamento das bandas que se
apresentam na festa, em detrimento das manifestações populares do município, que já
chegaram a ficar cinco meses sem receber o cachê combinado.

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Notamos que a institucionalização de um órgão de cultura na cidade não foi


acompanhada da criação de uma política municipal de cultura ou mesmo do apoio aos atores
culturais de Senhor do Bonfim. O artista de teatro Reginaldo Carvalho afirma que nos últimos
anos, inclusive, a quantidade de produções culturais diminuiu. Se a cidade já viveu numa
efervescência cultural, a última década teria sido a pior para a área, quando o “teatro em
Bonfim teve seus anos de maior amargura” (SILVA, 2013). Como primeiro motivo para a
queda, Reginaldo Carvalho aponta a falta de incentivo público para a manutenção de grupos.
Ele concorda que nunca foram criadas políticas de cultura no município, que a prefeitura
nunca investiu no setor, mas que a efervescência anterior poderia ser justificada pelo apoio
concedido por outras instituições, como os clubes recreativos.
Sabe-se que o contexto verificado em Senhor do Bonfim não é exclusivo, pois

[...] na agenda de desenvolvimento nacional, a cultura foi historicamente


concebida de forma unilateral enquanto uma “política de governo”, não
tendo sido formulada e pactuada pela sociedade civil, como deve ser uma
“política de Estado”. Esse fenômeno tem produzido inúmeros impactos para
o campo cultural, valendo destacar, entre eles, a descontinuidades dos
programas e ações culturais, assim como o descrédito na eficiência,
efetividade e eficácia das pastas de cultura no país. (LEITÃO, 2009, p. 43).

No entanto, verificamos inclusive a dificuldade em se conquistar uma “política de


governo” para a cultura em Senhor do Bonfim. Até o fim desta pesquisa, em julho de 2013,
não havia sido criado um plano para o setor no atual governo, por exemplo. Para além do São
João, as ações pontuais executadas voltam-se apenas para a comemoração de datas
simbólicas, como o aniversário da cidade, Dia da Mulher, Dia das Crianças etc. Como esta
pesquisa foi concluída pouco depois da realização da festa junina, é possível que a pasta da
cultura passe por mudanças. Ainda que tenhamos dados que indiquem a permanência da falta
de investimento no setor cultural ao longo deste governo, entendemos que não é razoável
avaliar a atuação da secretaria a partir dos sete primeiros meses de atividade.

5. PERSPECTIVAS DE MUDANÇA

Notamos que os principais problemas de gestão enfrentados pelo Centro Cultural


Ceciliano de Carvalho são decorrentes de, ao menos, cinco fatores: a divisão do espaço com a
Secretaria Municipal de Cultura; a falta de funcionários; a inexistência de instrução normativa
capaz de regular a conduta, ao mesmo tempo, de servidores, produtores e público; a falta de
orçamento próprio para o espaço cultural e a precariedade da infraestrutura.
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Entre maio e julho de 2013, foram feitas três viagens a Senhor do Bonfim para
realização da pesquisa de campo, cada uma com duração média de cinco dias. Além da busca
por documentos e livros sobre a história do município, foram realizadas as entrevistas com
artistas e gestores culturais. A questão “Como avalia o Centro Cultural Ceciliano de
Carvalho? Quais os principais pontos positivos e negativos do espaço?” foi feita a todos os
entrevistados. A partir dos dados apresentados nas falas, traçamos uma análise global do
espaço.
Na pesquisa original que dá origem a esse artigo apresenta-se após o diagnóstico o
modelo de gestão dos espaços culturais gerenciados pela Secult-Ba, concluindo que a
aplicação de instrumentos eficientes de gestão tem contribuído para a melhoria desses
equipamentos. Entendemos que, num primeiro momento, o modelo de gestão desses espaços
culturais pode ser incorporado pelo Centro Cultural Ceciliano de Carvalho e, num segundo
momento, a atual política setorial do estado – para ampliar a atuação a fim de atender também
espaços não vinculados à Secult-Ba – pode ser útil ao equipamento de Senhor do Bonfim.
Umas das ações estaduais para atender os espaços que não estão sob sua administração é o
Edital de Dinamização de Espaços Culturais, criado em 2012 pelo Fundo de Cultura da Bahia
(FCBA), visando contemplar a criação de uma programação regular para qualquer
equipamento de cultura do estado, seja público ou privado.
Como um dos problemas verificados no equipamento de Senhor do Bonfim foi a falta
de programação regular, a pesquisa apresenta por fim um plano de ação para o espaço, tendo
como foco este edital. Além de movimentar o Centro e o próprio setor cultural do município,
um projeto como esse deve auxiliar na manutenção dos grupos culturais beneficiados e se
tornar uma alternativa de formação e lazer para o público bonfinense. São pensadas seis
frentes de atuação, a partir das contribuições dos entrevistados e da observação da
pesquisadora. São eles: formação em linguagens e técnicas da cultura; atenção à filarmônica
municipal; shows na área externa; exposições no foyer do espaço; prioridade às linguagens de
circo, teatro e dança; capacitação em Marketing Cultural para produtores e empresários locais.
Para além dos benefícios que a construção de um projeto de dinamização do Centro
Cultural Ceciliano de Carvalho pode trazer para o poder público, no caso de ajudar na
manutenção de um espaço gerido pelo município, e para a população, tendo em vista a
complementaridade entre ações que visam sua formação e lazer, que não podem ser vistas de
forma dissociada, é importante destacar sua relevância para outro setor da sociedade, o dos
artistas e produtores culturais. A meta 22 do Plano Nacional de Cultura (PNC) prevê o
aumento em 30% no número de municípios brasileiros com grupos em atividade nas áreas de
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teatro, dança, circo, música, artes visuais, literatura e artesanato, indicando que os municípios
“podem colaborar por meio de cessão de espaços desocupados, isenção de tributos e taxas e
outras ações de fomento a esses grupos.” (BRASIL, 2012, p. 71). Entendemos que a
realização de projetos contínuos, que contem com a participação dos grupos na elaboração e
execução é uma dessas ações que podem contribuir para a estabilidade desses artistas. O
estímulo da Secretaria Municipal de Cultura na inscrição de projetos para editais da Secult-
Ba, em especial naquela relacionado à DEC, pode tornar o Centro Cultural Ceciliano de
Carvalho um espaço de permanente atividade.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho em questão traçou um diagnóstico sobre o Centro Cultural Ceciliano de


Carvalho, a partir das perspectivas de gestão e usos do espaço. Entre outros significados,
compreende-se que diagnosticar é apresentar juízo sobre algo com base em dados e
informações obtidas por meio de “exame”. A compreensão de que o “exame” ou análise do
espaço não poderia estar distanciada da investigação do seu contexto cultural, a pesquisa
conseguiu realizar o diagnóstico do equipamento a partir da relação com a cultura bonfinense.
A escolha dos artistas locais como principais fontes de dados e informações apontou o
diagnóstico para uma direção contrária à análise restrita dos métodos e instrumentos
utilizados na gestão do centro de cultura, caminho este que legitimaria como sujeitos da ação
apenas os gerenciadores oficiais da pasta, ou seja, diretores, coordenadores e secretários de
cultura.
Além de estar alinhado com os estudos atuais sobre organização da cultura, que toma a
participação como aspecto central para a criação de políticas, um diagnóstico pautado na
centralidade dos atores culturais do município tem a funcionalidade de apresentar perspectivas
de requalificação, visto que são estes atores quem conhecem empiricamente o funcionamento
da casa de espetáculos. Assim, visualizamos através das entrevistas não apenas “o que foi” ou
“o que é” o Centro Cultural Ceciliano de Carvalho, mas também o que este equipamento pode
de fato se tornar. Ao se identificarem como criadores e recriadores cotidianos do principal
equipamento de cultura de Senhor do Bonfim, os artistas lutam para a sua permanência e se
disponibilizam para ajudar a construir um modelo para tal.
Em linhas gerais, observamos que o equipamento já nasceu deficitário, do ponto de
vista de infraestrutura e objetivos de ação. Conclui-se que a existência de um espaço de
cultura no município não é condição suficiente para o estímulo à produção cultural.
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Acreditamos que um modelo de gerenciamento adequado, em conjunto com uma


programação regular, criada por artistas locais, que diante do foi apresentado nesta pesquisa
têm condições de manter o espaço ativo durante todo o ano, devem retirar o Centro da posição
de inoperância. Cabe ao poder público incentivar essas atividades, recuperando um erro
histórico, de desestímulo à cultura local.
Espera-se que o diagnóstico traçado sirva a estudos futuros sobre a Produção Cultural
de Senhor do Bonfim. A escolha em disponibilizar as entrevistas em um blog, acessível a
todos os públicos, foi tomada com esse objetivo. Acredito que a análise do Centro Cultural
Ceciliano de Carvalho e do contexto de Senhor do Bonfim se aplica a outras cidades baianas,
portanto, o lançamento das informações em um portal online pode contribuir também para
investigações sobre organização da cultura no interior do estado, de uma forma macro.

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