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Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


Centro de Ciências Humanas e Sociais – CCHS
LICENCIATURA EM HISTÓRIA
UNIRIO/CEDERJ

SEGUNDA AVALIAÇÃO A DISTÂNCIA - 2020.2


DISCIPLINA: HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA
Coordenação: Ricardo Salles

Nome: Leonardo Dangelo


Matrícula: 16216090149
Polo: Duque de Caxias

FICHA- 1

Capitania do Espírito Santo uma feitoria


portuguesa no Atlântico sul: a pauta de
Título da dissertação/tese:
comércio e a atividade mercantil (1600-
1642) - Dissertação
Nome do/a autor/a: Sueni da Vitória Sobrinho
Luiz Cláudio Moisés Ribeiro (UFES –
Nome do/a orientador/a:
CCHN)
Em qual programa de pós-graduação a tese Programa de Pós-Graduação em História
foi defendida? da Universidade Federal do Espírito Santo
Área (Colônia ou Império): Brasil Colônia
Ano de defesa: 2013

Sobrinho analisa a Capitania do Espírito Santo em seus aspectos econômicos comparando-a


com outras como a do Rio de Janeiro e a de Pernambuco. Uma análise historiográfica da
administração fazendária portuguesa no que tange à dinâmica econômica daquela Capitania foi
elaborada nesta dissertação. As fontes primárias utilizadas por Sobrinho foram manuscritos entre
1615 e 1681 de cartas encontradas que tratam da Capitania do Espírito Santo.
O argumento principal gira em torno do enfraquecido caráter da economia da Capitania do
Espírito Santo, estando conectada à contrabandos e da ausência dos donatários ocorrido após o ano
de 1627. O autor coloca três hipóteses para resolver o seu argumento: a ideia de Antigo Regime está
relacionado estruturalmente com a Plantation e, consequentemente, em uma prestação e uma
contraprestação de serviços à Coroa, o segundo é posição geográfica desta Capitania, o que garantiria
seus interesses. O terceiro argumento é que esta Capitania ajudaria a proteger a costa do Brasil contra
invasões estrangeiras.
O tema da dissertação a localiza em diferentes subáreas da História, como História Econômica,
História do Brasil e Historiografia brasileira. Sobrinho elabora um trabalho acadêmico importante
por promover um estudo de uma Capitania que tinha, até então, somente estudos feitos de maneira
fragmentada e ligados ao positivismo.
Suas influências historiográficas são variadas. O primeiro apresentado com relação ao
material didático foi Os métodos da História de Ciro Flamarion e Héctor Brignoli que deu suporte na
construção da metodologia. Ciro é um historiador que pensava as características da economia colonial
em um modelo de produção próprio, ou seja, está na linha do que Sobrinho trilha em sua dissertação
quando discute o funcionamento do Antigo Regime. Outro historiador trazido pelo autor foi Fernando
Novais – Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial – em sua discussão sobre o Antigo
Sistema Colonial. Nesta obra, Novais tratou as relações entre as metrópoles e suas colônias que seriam
um desdobramento da expansão comercial da Europa, ou seja, era um estudo dos sentidos da
colonização, visão que Sobrinho compartilha quando afirma que a crise feudal acabou por permitir
uma acumulação de recursos no intuito de desenvolver a expansão comercial.
Embora Ciro Flamarion não compartilhem totalmente da mesma concepção de colonização –
enquanto Novais defende o “sentido da colonização”, Ciro critica esta visão de que as estruturas das
colônias no Novo Mundo seriam reles anexos das sociedades europeias. Mas o trabalho com estes
dois autores não estabelece uma contradição na dissertação de Sobrinho, pois ele se vale de recortes
das obras destes historiadores, não confrontando-os.
O historiador Caio Prado Júnior também é utilizado como suporte historiográfico já no
primeiro capítulo do trabalho de Sobrinho que trata do Antigo Regime e suas dinâmicas. Caio Prado
auxilia na compreensão do sentido econômico, social e político do Brasil, ou seja, é mais um
partidário do “sentido da colonização” que Sobrinho resgata para discutir que através deste sentido
nos é possível entender a evolução de um povo.
Já a obra de Novais citada anteriormente serviu, na dissertação, para ampliar e, assim, superar
a noção de “ciclo econômico” proposto por Caio Prado, mesmo também partindo do materialismo
histórico. Sobrinho se coloca como sugestionado por Novais em virtude deste último colocar o
entendimento de que o caráter extrovertido da economia colonial brasileira se encaixaria no Antigo
Sistema Colonial.
Ainda como influência em seu trabalho, Sobrinho traz outros historiadores, dentre eles João
Luís Fragoso e Manolo Florentino que analisam a economia do Rio de Janeiro em fins do século
XVIII até meados do século XIX no livro O arcaísmo como projeto. Importante assinalar que estes
dois autores rompem com o modelo marxista de Caio Prado e a ideia de “sentido da colonização”.
Sobrinho utiliza Fragoso e Florentino pois eles deram continuidade às perspectivas de Caio Prado na
compreensão das relações econômicas entre Brasil e Portugal.
Por fim, a historiadora Laura de Mello e Souza é trazida à discussão por Sobrinho para
evidenciar que, apesar das considerações da historiografia de Fragoso, e outros, serem atuais, ainda
se produz novas visões. Mello e Souza expõe, por exemplo, que os autores minimizam o alcance do
Estado e relegam ao esquecimento o problema da escravidão na construção da sociedade luso-
americana. Esta autora não desconsidera os estudos anteriores, mas aponta diversos limites e
problemas criados por Fragoso e Florentino, em sua obra O sol e a sombra.

FICHA- 2

Ampliando o Estado Imperial – Os


Título da dissertação/tese: engenheiros e a organização da cultura no
Brasil oitocentista, 1874 – 1888 - Tese
Pedro Eduardo Mesquita de Monteiro
Nome do/a autor/a:
Marinho
Nome do/a orientador/a: Sonia Regina de Mendonça (UFF – ICHF)
Em qual programa de pós-graduação a tese Programa de Pós-Graduação em História
foi defendida? da Universidade Federal Fluminense
Área (Colônia ou Império): Brasil Império
Ano de defesa: 2008

O autor deste trabalho trata da articulação de interesses do complexo agroexportador pelos


técnicos provindos do Clube de Engenharia – vinculados ao bloco imperial-escravista – que foram
qualificados para atuar em grandes obras públicas e atender tais interesses. Os técnicos, notadamente
engenheiros, tinham sua atuação baseada na elaboração de grandes malhas de transporte ferroviário
em várias partes do Brasil.
Nesta pesquisa, Marinho examinou a organicidade dos engenheiros, sempre ligados às
perspectivas empresariais das companhias exportadoras. Tais técnicos trabalhavam em diversas
frentes, como planejamento e realização dos projetos técnicos, assim como nas concepções
ideológicas das construções. A partir das produções dos projetos ligados às ferrovias, Marinho
analisou como estes se desdobravam em um processo que evidenciava uma ampliação do Estado
brasileiro, passando da sociedade civil à política. Para tanto, o autor se valeu de influências
historiográficas que tratam do período imperial mais clássicas como Raymundo Faoro e Oliveira
Lima e outras em uma matriz interpretativa mais atual como Fernando Uricoechea e José Murilo de
Carvalho.
Analisando a formação do Estado brasileiro, Marinho cita Raymundo Faoro como um autor
central na formulação do conceito de patrimonialismo, entendido como o uso do Estado para fins
particulares, que é visto na tese como um elemento central. Faoro, aliás, pode ser inserido no viés de
interpretação de revalorização do império brasileiro. Como contraposição, traz o historiador Fernando
Uricoechea, com sua obra O minotauro imperial, para fazer algumas ressalvas em relação à aplicação
da noção patrimonialista no contexto brasileiro. Este último tem a preocupação em apurar as relações
entre Estado, sociedade e nação, proposições exatamente ligadas ao tema da tese de Marinho.
Na sequência, Marinho relata a contribuição de José Murilo de Carvalho com sua análise da
elite política do Brasil no livro A construção da Ordem. Nele, Carvalho elenca as raízes de gestação
ideológica comum a esse grupo destacando que, ao contrário do visto no resto da América espanhola,
não houve a possibilidade de formação de profissionais locais com a criação de universidades no
Brasil. Logo, todo o círculo de funcionários do Estado tinha formação em Coimbra, embora na sua
atuação constasse um arranjo de consenso com proprietários em direção ao patrimonialismo.
Dentro deste contexto, Marinho afirma o Clube de Engenharia como fruto da ampliação do
Estado Imperial brasileiro devido às articulações de alguns grupos na condução de um novo projeto
hegemônico, notadamente, agroexportador. Este grupo se comprometeu a organizar e direcionar uma
significativa parcela de políticas públicas viárias, tais como concessão de ramais e direção do traçado
das vias, interferindo, desta maneira nos serviços prestados. A pretexto de servirem como
coordenadores de obras, os engenheiros aparelhavam o Ministério de Agricultura e Obras Públicas e
agiam de acordo com seus interesses.
Valendo-se de uma linhagem diferente de interpretação para análise da sociedade política
brasileira, como Carvalho e Uricoechea, Marinho aponta a contribuição do historiador Ilmar Rohloff
de Mattos. Enquanto os dois primeiros trabalham, mesmo com suas divergências, Estado e sociedade
como elementos isolados e em oposição, Mattos admite o Estado como um produto das relações e
lutas entre classes. Esta visão marxista é compartilhada por Marinho, em sua tese, quando este invoca
o italiano Antonio Gramsci na discussão da concepção de Estado.
Por fim, dispondo de todas as influências aqui discutidas, Marinho as aponta como essenciais
para o entendimento ampliado de Estado, pois é a análise do Estado brasileiro que funda a história
sobre os engenheiros civis brasileiros.

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