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ExtraLibris

Uma seleção de referências bibliográficas para promover uma formação humanista

Fabiano Caruso

fabianocaruso.com

(Organizador)

SUMÁRIO

Prefácio

01 Os 10 mais da Literatura Criativa, Gabriel Perissé

02

02 Os 10 mais da Ficção Brasileira, Rinaldo Gama

05

03 Os 10 mais da Ficção Alemã, Modesto Carone

10

04 Os 10 mais da Ficção Francesa, Leda Tenório

14

05 Os 10 mais da Ficção Inglesa, Marisis Camargo

19

06 Os 10 mais da Ficção Italiana, Diogo Mainardi

23

07 Os 10 mais da Ficção Norte-Americana do Século 20, Paulo Henriques Britto

27

08 Os 10 mais da Ciência, Marcelo Glaiser

31

09 História do livro, da imprensa, da tipografia, das bibliotecas e da leitura, Cultvox

35

10 100 mais do século XX – Ficção, Folha de São Paulo

39

11 100 mais do século XX – Não-Ficção, Folha de São Paulo

48

Referências

PREFÁCIO

Existe uma grande variedade de temas em diversas áreas do conhecimento que podem ser explorados por mentes letradas e curiosas. Uma pessoa interessada em sua formação intelectual não deveria necessariamente concentrar suas leituras em uma especialidade do conhecimento. Além da leitura dos clássicos – que é a ênfase destas listas - buscar referências que abordem de forma lúcida grandes questões relativas às ciências, artes e humanidades do nosso tempo é fundamental. Como tinha o costume de procurar por boas indicações de leitura através da internet, acumulei uma variedade de referências sobre livros. Foi então que com o passar dos anos, algumas das fontes originais das referências não estavam mais disponíveis, e então resolvi organizar as que tinha salvo em meu computador pessoal para poder compartilhar com os amigos. A seleção de referências não tem a intenção de apresentar todas as possibilidades de leitura em um universo abrangente. Listas mais específicas sobre literatura russa, literatura policial, ficção-científica, histórias em quadrinhos, por exemplo, poderiam ser adicionadas para oferecer maiores opções na esfera ficcional. Esta listagem não tem nenhum interesse comercial. Ou seja, não pode ser vendida ou revendida em hipótese alguma. O objetivo desta compilação é o de poder contribuir de algumas forma com o estímulo a leitura e o desenvolvimento de coleções em bibliotecas. Todo o material foi compilado de recursos de acesso livre na internet e os autores das listas, fontes originais e datas de acesso foram devidamente preservados.

02

Os 10 mais sobre Leitura Criativa por Gabriel Perissé

Quem deseja escrever melhor precisa ler melhor. Não digo que deva ler muito, embora seja desejável. Não digo que deva ler tudo, o que é obviamente impossível. Prefiro sugerir que cada um leia bem o que de melhor encontrar. Nesta lista, apresento alguns títulos que me parecem importantes para a formação de um escritor.

1 - Como Ler um Livro, de Mortimer Adler

O autor abre nossos olhos para a consciência de que a leitura é uma aventura. Adler valoriza muitíssimo a leitura dos clássicos, e prega uma visão humanística baseada nas grandes conquistas dos pensadores e literatos ocidentais. Um livro que inspira seriedade e serve como trampolim para muitas reflexões.

Autor

Mortimer Adler

Título

Como Ler um Livro

Editora

Guanabara

Ano

1994

ISBN

8527701650

2 - O Escafandro e a Borboleta, de Jean-Dominique Bauby

Mais do que poderia ensinar-nos um livro teórico, esse é a aventura criativa de um jornalista que, vítima de uma síndrome paralisante, perdeu todos os movimentos e só conseguia piscar o olho esquerdo. Pois bem, nesta situação de calamidade quase absoluta, Bauby redige um livro em que a borboleta da imaginação voa além dos limites.

Autor

Jean-Dominique Bauby

Título

O Escafandro e a Borboleta

Editora

Martins Fontes

Ano

1997

ISBN

8533606516

3 - A Arte da Ficção - Orientação para Futuros Escritores, de John

Gardner

Um livro que não cai no defeito irritante de expor mandamentos artificiais para realidades complexas. Escrever é uma arte que exige muito mais do que obediência. A trans-obediência (algo mais do que a simples desobediência) é ouvir (ob + audire, no latim, resultou no obedecer) faz-nos escutar essa voz profunda que é a nossa própria voz.

Autor

John Gardner

Título Original

A Arte da Ficção - Orientação para Futuros Escritores

Editora

Civilização Brasileira

Ano

1997

ISBN

8520003303

03

Os 10 mais sobre Leitura Criativa por Gabriel Perissé

4 - Uma História da Leitura, de Alberto Manguel

Um escritor, como dizia Ezra Pound, tem de ler, assim como um pintor tem de ver muitos quadros e um músico ouvir muitas sinfonias. A história da leitura é a história de leitores insaciáveis, que, mais do que a quantidade, viam na pluralidade das leituras uma forma de atingir a qualidade da percepção do mundo e de si mesmos.

Autor

Alberto Manguel

Título

Uma História da Leitura

Editora

Companhia das Letras

Ano

1997

ISBN

8571647003

5 - A Coragem de Criar, de Rollo May

Mais do que tudo, o escritor tem de exercitar a coragem. Criar é um ato de solidão, de sofrimento e de alegria, de descoberta e de comunhão. É preciso ter a coragem de sair da rotina tranqüilizante, para abrir caminho com os próprios pés, "golpe a golpe, verso a verso", como escreveu Antonio Machado.

Autor

Rollo May

Título

A Coragem de Criar

Editora

Nova Fronteira

Ano

1982

6 - Ser Criativo - O Poder da Improvisão na Vida e na Arte, de Stephen

Nachmanovitch

Um dos melhores livros impulsionadores da criatividade que conheço. Simples, mas com

reflexões de índole filosófica que fazem realmente pensar, o livro que recomendo agora elimina uma série de preconceitos que travam a vida criativa de muitos seres humanos,

uma vez que a vida também é uma arte

também é uma biografia criativa!

Autor

Título

Editora

Ano

Stephen Nachmanovitch Ser Criativo - O Poder da Improvisão na Vida e na Arte Summus Editorial

1993

7 - Os Problemas da Estética, de Luigi Pareyson

Esse livro traz uma série de reflexões dispostas a desmanchar falsos dilemas que alimentam falsas atitudes. Por que, por exemplo, opor arte individual a arte coletiva, ou arte engajada a arte alienada? Luigi Pareyson nos ensina a pensar em termos de contraste e não de oposição, atitude esta que, sem dúvida, facilita uma compreensão generosa da arte e da vida.

04

Os 10 mais sobre Leitura Criativa por Gabriel Perissé

Autor

Luigi Pareyson

Título

Os Problemas da Estética

Editora

Martins Fontes

Ano

1995

8 - Como um Romance, de Daniel Pennac

Com aquele inconfundível estilo francês que põe a liberdade acima de tudo e valoriza ao máximo os comportamentos inovadores, esse livro é um formador de leitores que, volto a insistir, é condição básica para que uma pessoa se sinta à vontade na escrita criativa. "Como um Romance" é um livro didático que nada tem de didático e, por isso, penso eu, ensina mesmo!

Autor

Daniel Pennac

Título

Como um Romance

Editora

Rocco

Ano

1995

ISBN

8532504256

9 - Estética, de Alfonso López Quintás

Esse pensador espanhol tem realizado um trabalho importantíssimo para a compreensão da arte e em particular da literatura na compreensão do mundo em transformação, cujos paradigmas e paradogmas precisam ser abalados pela criatividade. Nesse livro, a teoria não sufoca a prática, e é uma fonte inspiradora para todo aquele que quiser escrever algo que valha a pena.

Autor

Alfonso López Quintás

Título

Estética

Editora

Vozes

Ano

1993

ISBN

8532608981

10 - Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke

Clássico da literatura "inspiradora", vamos chamar assim, que nos mostra o que é o processo interno da criação poética e da criação artística, em geral, se tivermos o bom senso de ler essas cartas como uma confidência pública de um artista em carne viva. Estas cartas foram dirigidas a todos os poetas, quer escrevam em versos, ou em prosa.

Autor

Rainer Maria Rilke

Título

Cartas a um Jovem Poeta

Editora

Globo

Ano

1995

05

Os 10 mais da Ficção Brasileira por Rinaldo Gama

1 - Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1880-81) não é apenas, como ensinam os livros escolares, o romance que marcou o início da chamada "fase madura" do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908). Ele representa o amadurecimento da própria literatura brasileira. Isso porque, ao mesmo tempo que a coloca em sintonia com o que de mais avançado havia sido produzido até então nas letras mundiais - o Tristram Shandy, por exemplo, do irlandês Laurence Sterne (1760-67) -, faz com que ela adquira personalidade própria. "Foi nesse livro surpreendente que Machado descobriu, antes de Pirandello e de Proust, que o estatuto da personagem na ficção não depende, para

sustentar-se, de sua fixidez psicológica nem da sua conversão em tipo", escreveu o crítico Alfredo Bosi. Assim, para além do inusitado de seu irônico ponto de partida - um morto escrevendo sua autobiografia - e de algumas passagens extraordinárias (caso do capítulo O Velho Diálogo de Adão e Eva, composto de pontinhos, exclamações e

põe em cena autênticos heróis trágicos, que,

interrogações), Memórias Póstumas

como ensinou o velho Aristóteles, não devem ser nem inteiramente bons nem inteiramente maus; noutras palavras, apenas homens e mulheres comuns, reais.

Autor

Joaquim Maria Machado de Assis

Título

Memórias stumas de Brás Cubas

Ano

1880-81

2 - Dom Casmurro, de Machado de Assis

Se Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Quincas Borba (1891) já revelavam um autor maduro, uma maturidade forjada no niilismo que a ironia tão bem representou, Dom Casmurro (1899) - inescapável reafirmar, com o perdão do leitor, diria Machado - atesta um momento de genialidade da literatura brasileira. A história é narrada por um certo Bento Santiago, o Bentinho, o Dom Casmurro do título, segundo a maldade dos vizinhos. Amargo, ele conta a história da traição de que teria sido vítima: o envolvimento de sua mulher, Capitolina, a Capitu, com seu melhor amigo, Escobar. Como Bentinho não dá provas concretas do adultério, a suposta traição ainda rende tribunais literários. Saber se Capitu traiu ou não o marido tem, na realidade, importância nula. O brilho do romance está precisamente nisso - apoiar-se em aparências, ou, pelo menos, na certeza, por assim dizer, traidora do ciúme. Será por acaso que Bentinho assiste a Otelo, de William Shakespeare? Se o cânone ocidental tem Shakespeare no centro, como acredita Harold Bloom, por que o romance realmente canônico da literatura brasileira o desprezaria?

Autor

Joaquim Maria Machado de Assis

Título

Dom Casmurro

Ano

1899

06

Os 10 mais da Ficção Brasileira por Rinaldo Gama

3 - Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

Publicado em folhetim na edição vespertina do Jornal do Comércio exatamente entre os dias 11 de agosto e 19 de outubro de 1911, Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922), que só sairia em livro em 1916, é um dos romances que, até hoje, melhor identificam o Brasil e os brasileiros. A começar pelo próprio autor. Mulato, de família humilde, o pai enlouquecido, o carioca Lima Barreto precisou enfrentar ao longo de seus 41 anos toda a sorte de preconceitos a que alguém de sua origem costuma ser submetido por aqui. Pessoalmente, foi derrotado - pelo álcool, pela loucura. Do livro em si, basta resumir-lhe o enredo formidável: homem honesto, patriota e sonhador esforça-se por um país que, conforme constatará no final, "era um mito; era um fantasma criado por ele no silêncio de seu gabinete. Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a política que julgava existir havia". Também ele, Policarpo Quaresma, acaba derrotado - em seus projetos culturais (queria o tupi como idioma pátrio), agrícola (sugeria a reforma agrária) e político-administrativo (o presidente, Floriano Peixoto, acabaria sendo uma de suas maiores decepções).

Autor

Afonso Henriques de Lima Barreto

Título

Triste Fim de Policarpo Quaresma

Ano

1916

4 - Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade

A prosa ficcional brasileira só chegou ao século 20 em 1924, ano em que o paulista José Oswald de Sousa Andrade (1890-1954) publicou, às próprias expensas, o romance Memórias Sentimentais de João Miramar. Foram sete anos de trabalho, o mesmo tempo do Ulisses (1922), de James Joyce, que por sua vez trouxera o Novecentos para a ficção mundial - e com o qual Miramar costuma ser associado. Consciente da originalidade de sua obra, Oswald de Andrade prepara o leitor para o romance por meio de duas epígrafes - que falam de "novas asas" (Basílio da Gama) e de uma "fala escura", a exigir que se "acenda uma candeia no entendimento" (A Arte de Furtar) - e também de um prefácio irônico, que classifica o livro de "mordaz ensaio satírico". Construído em 163 fragmentos, Memórias Sentimentais de João Miramar surpreende pelos limites que destrói: mistura prosa e poesia, literatura, cinema e artes plásticas, amor e humor, telegrama, paródia e fluxo da consciência. (Poderia ter citado o crítico Mário da Silva Brito, dispensaria tudo o que foi dito até aqui; segundo ele, Miramar simplesmente preparou o terreno para Macunaíma, de Mário de Andrade, Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector, e Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.)

Autor

José Oswald de Sousa Andrade

Título

Memórias Sentimentais de João Miramar

Ano

1924

ISBN

8525008036

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Os 10 mais da Ficção Brasileira por Rinaldo Gama

5 - Macunaíma, de Mário de Andrade

Como toda vanguarda, o modernismo brasileiro começou defendendo uma estética de exclusão do passado - e o paulista Mário de Andrade (1893-1945) foi dos que mais cultivaram essa postura, a ponto de, em Paulicéia Desvairada (1922), inaugurar e matar uma "escola literária" no espaço de tempo de um prefácio. Num segundo momento, o escritor considerou fundamental "abrasileirar" sua obra; assim, de cosmopolita, paulistano, seu trabalho passou a ser mais "brasileiro". Foi dessa maneira que a estética da exclusão transformou-se numa estética de inclusão (de valores nacionais, gêneros etc.). O ponto culminante da nova linha de atuação seria a rapsódia Macunaíma (1928). O livro percorre diferentes lendas, costumes e cenários do país - copiados, parodiados, distorcidos - para narrar as aventuras do herói que tenta recuperar e depois manter o muiraquitã, um amuleto que ganhara de Ci, a Mãe do Mato. Sua mencionada "falta de (um) caráter" já foi interpretada como uma metáfora do Brasil (diverso, múltiplo), o que faz sentido quando se observa, por exemplo, o caldeirão lingüístico do romance. Não é exagero, aliás, afirmar que a linguagem é tão protagonista do livro quanto seu personagem-título. Erroneamente, costuma-se dizer que Mário de Andrade buscou em Macunaíma criar uma língua brasileira, quando na verdade ele só se referia a uma fala brasileira (lembre-se de seu projeto de escrever uma Gramatiquinha da Fala - e não da língua - Brasileira).

Autor

Mário de Andrade

Título

Macunaíma

Ano

1928

6 - Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Quarto e último romance do alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), Vidas Secas, publicado em 1938, é um daqueles livros - como não poderia deixar de ser num autor obcecado pela excelência da linguagem - cuja leitura torna o ofício de escritor algo mais difícil. Trata-se da primeira obra em que Graciliano abandonou o narrador, digamos assim, "emotivo", em favor de outro, mais objetivo. Isso não foi exatamente uma escolha, mas sim uma imposição do próprio romance. Para abordar o estar-no-mundo de uma família nordestina brasileira, Graciliano entendeu que só o texto enxuto, econômico era cabível. Poucas vezes na literatura nacional o esforço em provocar a sadia confusão entre forma e conteúdo foi tão bem-sucedido quanto em Vidas Secas. O livro apresenta ainda outro traço que merece destaque: sua estrutura. Os capítulos têm vida própria - chegaram a ser publicados como contos -, embora, vistos em conjunto e na seqüência em que compõem o romance, revelem-se harmoniosos. O capítulo (ou conto) sobre a morte da cadela Baleia é um dos momentos mais sensíveis da prosa de ficção do país.

Autor

Graciliano Ramos

Título

Vidas Secas

Ano

1938

ISBN

8501005584

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Os 10 mais da Ficção Brasileira por Rinaldo Gama

7 - Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

Poucos romances do século 20, em qualquer um dos grandes idiomas ocidentais, podem ser comparados a esta que seria a única experiência do mineiro João Guimarães Rosa (1908-67) no gênero. Não é difícil entender o porquê. Como em qualquer obra-prima, Grande Sertão: Veredas (1956) faz com que a linguagem, a representação, alcance o status de seu objeto. É na arena da linguagem, conforme já observou Haroldo de Campos, que se dá o embate entre o homem e o demônio. Explica-se. Riobaldo é um ex- jagunço do norte de Minas, que narra sua vida num jorro lingüístico extremamente original e cercado de preocupações de ordem metafísica, sobretudo acerca da existência ou não do diabo - com quem teria feito um fáustico acordo na juventude para poder derrotar seu inimigo Hermógenes. Em meio a essas questões, imiscui-se o plano

amoroso: a paixão de Riobaldo por Diadorim, que ele supunha ser o corajoso Reinaldo, mas, após sua morte, descobre que era, na verdade, uma mulher. Painel do Brasil sertanejo, reflexão sobre o destino humano, luta entre forças espirituais e da natureza, oralidade, neologismos, arcaísmos, destruição do tempo e do espaço, libido - Grande

é um romance que cumpre à risca o que o alemão Thomas Mann acreditava ser

o único caminho de sua sobrevivência: mostrar-se como uma sinfonia de gêneros e

sertão

temas.

Autor

João Guimarães Rosa

Título

Grande Sertão: Veredas

Ano

1956

ISBN

8520903878

8 - Laços de Família, de Clarice Lispector

Nascida na Ucrânia, Clarice Lispector (1926-77) demorou oito anos e três romances para se lançar como contista. Em compensação, as seis histórias de Alguns Contos (1952),

sua estréia no gênero, seriam reaproveitadas no livro seguinte, Laços de Família (1960)

- que, reforçado com sete textos até então inéditos, seguiria sendo sua principal

coletânea de narrativas curtas. Compreende-se. Amor, por exemplo, já presente no livro de 52, está num degrau muito próximo de Missa do Galo, de Machado de Assis, e A

Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa, obras-primas do conto brasileiro. Além disso, sua protagonista, Ana - uma mulher comum, que no início da história está voltando das compras para casa -, experimenta uma epifania que, de certa maneira, seria um paradigma de toda a ficção de Clarice. Ana e o cego "que mascava chicles", visto por ela num ponto de bonde, antecipam a narradora e a célebre barata, objeto de "manducação", do romance A Paixão Segundo GH (1964), outro livro extraordinário de Clarice Lispector.

Autor

Clarice Lispector

Título

Laços de Família

Ano

1960

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Os 10 mais da Ficção Brasileira por Rinaldo Gama

9 - Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa

Livro seguinte a Grande Sertão: Veredas, de 1956, Primeiras Estórias (1962) tinha uma missão quase impossível - manter seu autor no patamar mais alto da literatura brasileira, posição que fora consolidada com o lançamento de seu primeiro, e único, romance. Como que para afirmar seu domínio pleno de todas as instâncias da narrativa de ficção, Guimarães Rosa escolheu a história curta na hora de reencontrar, em livro, o público e a crítica - o tradutor e ensaísta Paulo Rónai, por exemplo, à época do exuberante Sagarana (1946), duvidara dos dotes do autor para o conto breve. Não é preciso avançar muito na leitura de Primeiras Estórias para que o leitor se curve diante da excelência da prosa rosiana. Na sexta das 21 narrativas do livro encontra-se aquele que é o mais extraordinário conto da ficção brasileira desde Missa do Galo, de Machado de Assis - A Terceira Margem do Rio. A história do pai que um dia larga tudo e embarca

numa canoa, para não ir a parte alguma, mas apenas executar "a invenção de se permanecer naquele espaço do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais", exibe uma estranha beleza: dilacerante. Quando o filho- narrador, "uns primeiros cabelos brancos", tenta substituí-lo naquele estranho exílio, já

é possível prever o final desesperadamente humano do conto. Em tempo: Rosa teve a

idéia desta história andando na rua; ao chegar em casa, escreveu-a num jato, o que não

era comum. Depois, esfuziante, começou a ligar para os amigos, a fim de dividir com eles a felicidade de sua desconcertante criação.

Autor

João Guimarães Rosa

Título

Primeiras Estórias

Ano

1962

ISBN

8520904440

10 - O Convidado, de Murilo Rubião

No plano da prosa ficcional, o escritor mineiro Murilo Rubião (1916-91), a exemplo do argentino Jorge Luis Borges, só se dedicou ao conto. A referência ao autor de O Aleph

não é gratuita: como ele, Murilo Rubião também explorou o fantástico - foi o primeiro escritor moderno do Brasil a cultivar o gênero. Sua obra, no entanto, se aproxima mais do tcheco Franz Kafka, conforme observou Mário de Andrade ainda em 1943, quando o mineiro só havia publicado alguns contos esparsos em revistas (seu primeiro livro, O Ex- Mágico, é de 1947). Ex-católico, Murilo Rubião sempre incluiu epígrafes retiradas da Bíblia em seus livros e antes de cada história. Seu amadurecimento, já disse com razão

o crítico e professor de literatura Jorge Schwarz, pode ser deduzido a partir da escolha

delas. Na abertura de O Convidado (1974), sua melhor obra, lê-se: "Ao sobrevir-lhes de repente a angústia, eles buscarão a paz, e não haverá" (Ezequiel, VII, 25), o que explicita o fim da pouca esperança e da perplexidade diante do absurdo que saltavam das inscrições bíblicas das coletâneas anteriores. O conto O Convidado encaixa-se à perfeição na epígrafe do livro. A história de um certo José Alferes, que um dia recebe um convite anônimo para participar de uma festa, sem que sejam mencionados nem data nem local, é, a um só tempo, kafkiana e reveladora daquela inexerorável angústia de que fala Ezequiel, posto que o protagonista jamais conseguirá se safar da armadilha em que cai a partir do momento em que decide comparecer ao compromisso. Obsessivo, Murilo Rubião escreveu e reescreveu este conto por quase 30 anos - a idéia lhe ocorreu em 1945, durante uma festa na casa do pintor Lasar Segall (basta ir ao museu que hoje leva o nome do artista para reconhecer certos ambientes relatados na história). Seu perfeccionismo foi compensador: O Convidado - impossível deixar de ratificar - é uma obra-prima.

10

Os 10 mais da Ficção Alemã por Modesto Carone

A literatura alemã é uma das mais importantes da literatura universal, não só da Europa,

como da História Universal. Ela cobre todas as épocas, da Idade Média à contemporaneidade. E, embora seja pouco difundida entre nós (com algumas exceções, evidentemente), oferece acesso em português a suas obras-primas. A lista que se segue no momento está restrita a suas dez principais obras de ficção narrativa. Não há melhor indicação no Brasil para conhecimento da literatura alemã, em português, do que a História da Literatura Alemã escrita pelo crítico austro-brasileiro Otto Maria Carpeaux.

1 - Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe

É certamente a obra máxima da literatura alemã e nenhuma lista pode dispensá-la.

Drama em duas partes (Fausto I e Fausto II), das quais a primeira é a mais universalmente conhecida. A ambição de dominar tudo por meio do estudo e da experiência leva Fausto, já velho, a fazer um pacto com o diabo, aqui representado pela figura de Mefistófeles.

Autor

Johann Wolfgang von Goethe

Título

Fausto

Título Original

Faust

Ano

1773-1831

ISBN

8585831596

2 - A Metamorfose, de Franz Kafka

Considerada por Elias Canetti a maior obra de ficção mundial, narra a transformação do anti-herói Gregor Samsa num inseto monstruoso e os conflitos que passa a enfrentar com o pai, a mãe e a irmã.

Autor

Título

Título Original

Editora

Ano

Franz Kafka A Metamorfose Die Verwandlung Editora Brasiliense, 1985, tradução de Modesto Carone

1916

11

Os 10 mais da Ficção Alemã por Modesto Carone

3 - Os Irmãos Serapião, de E.T.A. Hoffmann

São quatro volumes de contos, dos quais participam obras-primas do grande romântico alemão que influenciou amplamente a literatura européia, de Gógol a Dostoiévski, de Balzac a Maupassant e de Baudelaire a Kafka. Qualquer coletânea de contos de Hoffmann (1776-1822) pode ser lida com o maior proveito artístico por quem se interessa pelo gênero e pela criação literária em geral.

Autor

E.T.A. Hoffmann

Título

Os Irmãos Serapião

Título Original

Die Serapionsbrüder

Ano

1818-21

4 - Mozart na Viagem a Praga, de Eduard Moerike

É uma das mais belas e memoráveis novelas de lingua alemã. O centro de orientação da narrativa de Moerike (1804-75), poeta de primeira, é a personagem idealizada de Mozart, cuja ópera Don Giovanni foi apresentada pela primeira vez em Praga.

Autor

Eduard Moerike

Título

Mozart na Viagem a Praga

Título Original

Mozart auf der Reise nach Prag

Ano

1856

5 - A Morte de Danton, de Georg Büchner

Este drama do período pré-romântico alemão mostra, numa linguagem teatral inovadora, os últimos momentos de Danton, herói da Revolução Francesa, devorado, como um filho de Saturno, pelo movimento político e social que ele próprio liderou.

Autor

Georg Büchner

Título

A Morte de Danton

Título Original

Dantons Tod

Ano

1835

ISBN

8500912006

12

Os 10 mais da Ficção Alemã por Modesto Carone

6 - A Marquesa de O. e Outras Histórias, de Heinrich von Kleist

Kleist (1777-1811) é um dos estilistas exemplares da prosa alemã. Nas oito novelas que deixou, introduz um narrador original (que depois influenciou o de Kafka), já descrito como alguém que conta um caso excepcional de costas viradas para o público.

Autor

Heinrich von Kleist

Título

A Marquesa de O. e Outras Histórias

Título Original

Die Marquise von O.

Ano

1808

ISBN

8531201985

7 - A Montanha Mágica, de Thomas Mann

Romance que agora volta à vaga com a energia e a sutileza de Thomas Mann (1875- 1955), um escritor que não recua diante da complexidade, a ponto de transformar idéias e argumentos em personagens da trama.

Autor

Thomas Mann

Título

A Montanha Mágica

Título Original

Der Zauberberg

Ano

1924

8 - O Homem sem Qualidades, de Roberto Musil

Romance-ensaio de grandes proporções, comparável ao de Proust e aos de Thomas Mann, onde intervêm, na história de Ulrich, o herói problemático, discussões enciclopédicas no amplo cenário de Viena e do Império Austro-Húngaro, aqui satirizado com o nome de "Kakanien".

Autor

Título

Título Original

Editora

Ano

ISBN

Roberto Musil O Homem Sem Qualidades Der Mann Ohne Eigenschaften editora Nova Fronteira, tradução de Lya Luft e Carlos Abbenseth 1930, 1933, 1943 (o livro foi lançado em volumes)

8520901778

13

Os 10 mais da Ficção Alemã por Modesto Carone

9 - O Processo, de Franz Kafka

Um dos maiores romances do século 20, ao lado de O Castelo. O protagonista, Josef K., é detido, julgado e executado sem saber por que nem por quem. O "narrador insciente" (não-onisciente) de Kafka (1883-1924) dá coerência estética ao relato romanesco e aponta para um universo em que já se perdeu a noção de totalidade.

Autor

Franz Kafka

Título

O Processo

Título Original

Der Prozess

Editora

editora Brasiliense, 1988, tradução de Modesto Carone, vencedora do Prêmio Jabuti de tradução em 1999 - depois reeditado pela Companhia das Letras

Ano

1924

10 - O Tambor, de Günter Grass

O estilo naturalista de Grass (1927), extremamente vigoroso, confere forma a este extenso romance e colide de frente com uma trama quase surreal, aqui concebida, em grande parte, com o sintoma palpável de uma realidade detectada.

Autor

Günter Grass

Título

O Tambor

Título Original

Die Blechtrommel

Ano

1959

ISBN

8520910327

14

Os 10 mais da Ficção Francesa Leda Tenório

A ordem, cronológica, respeitou as datas de primeira edição. A lista de apenas dez títulos e títulos apenas de ficção - o que deixa Charles Baudelaire e Francis Ponge, por exemplo, fora da jogada - não tinha como isentar sua autora de uma boa dose de parti pris. A única justificativa para o recorte proposto, sendo assim uma mescla de convivência e fascínio, especialização e caso amoroso com a literatura em questão. Críticos literários tão instigantes quanto Harold Bloom ou, em escala nacional, Haroldo de Campos, trabalham, sem maiores problemas, com um cânone restrito, em que só entram os pontos realmente culminantes. Ora, num grau extremo de seleção, é um cânone desse tipo que aqui se apresenta, percorrendo os quatro séculos que, desde a virada renascentista (que é shakespeariana), chamamos, sem confusão com "modernismos" e "modernidade" (que é baudelairiana), de "o moderno".

1 - A Princesa de Clèves, de Madame de La Fayette

Publicado anonimamente em 1678, o romance narra o evitamento exemplarmente moral de um amor proibido da princesa do mesmo nome por um duque da corte de seu marido. Desde sempre, especulou-se com a possibilidade de se tratar aí de uma obra clandestina de La Rochefoucauld, freqüentador do salão da autora e seu amante. Mas, seja qual for a verdadeira autoria ou o gênero de quem assina, problema que por si só já é fascinante, o livro representa ainda a fundação do romance moderno, e é também, como se aprende nos cursos de francês, o ancestral dos romances psicológicos.

Autor

Madame de La Fayette

Título

A Princesa de Clèves

Título Original

La Princesse de Clèves

Ano

1678

ISBN

8525003298

2 - A Filosofia de Alcova, do Marquês de Sade

Organizado em diálogos, como se fazia no século 18, o texto (seria um romance?) é supostamente impresso em Londres, em 1795. Ele "repertoria" as, para dizer o mínimo, perturbadoras lições dadas a uma jovem, Eugénie, por um professor de libertinagem, Dolmancé. No final do livro, entre o quinto e o sexto diálogos, insere-se o célebre panfleto "Français, encore un effort", que dá sustentação filosófica a toda a perversão (no sentido freudiano) preconizada. Em epígrafe, a inquietante frase: "A mãe prescreverá sua leitura à filha". Há várias traduções possíveis, algumas clandestinas. Recentemente, temos uma excelente nova tradução, seguida de um belo estudo crítico, por Augusto Contador Borges. Esta saiu pela editora Iluminuras, em 1999.

Autor

Título

Título Original

Editora

Ano

Marquês de Sade A Filosofia da Alcova La Philosophie dans le Boudoir ou Les Instituteurs Immoraux Ed. Iluminuras, 1999, tradução de Augusto Contador Borges

1795

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Os 10 mais da Ficção Francesa Leda Tenório

3 - Ilusões Perdidas, de Honoré de Balzac

De 1837, este é talvez o mais belo dos fragmentos em mosaico do monumento intitulado, em lembrança e desafio a Dante, A Comédia Humana. Ele entra no tomo IV das Cenas da Vida Provinciana de Balzac (1799-1850), onde se narra a ascensão e queda, no meio jornalístico e literário da época, de um alter ego de Balzac, o célebre Lucien de Rubempré. Aquele mesmo de cuja morte Oscar Wilde dizia - e ele não estava brincando - que foi a maior tristeza de sua vida. A tradução desta obra deve-se à heróica iniciativa da velha editora Globo de Porto Alegre, que encomendou a versão de toda A Comédia Humana. E deve ser encontrável por toda parte, em sebos, bibliotecas e livrarias.

Autor

Honoré de Balzac

Título

Ilusões Perdidas

Título Original

Les Illusions Perdues

Editora

Ed. Globo (Porto Alegre)

Ano

1837-43

4 - Crônicas Italianas, de Stendhal

São oito novelas, de diferentes datas, só postumamente reunidas, em 1855, quando se editaram as obras completas de Stendhal (1783-1842). Saídas do palimpsesto de preciosos manuscritos italianos antigos adquiridos pelo autor, todas transpiram sua fascinação pela energia do país em que viveu e foi diplomata. E sua fixação nas mulheres, que o faz ser um dos raros escritores franceses poupados por Simone de Beauvoir em O Segundo Sexo. A premiada tradução do poeta Sebastião Uchoa Leite, Crônicas Italianas, pela Editora da Universidade de São Paulo (Edusp), saiu em 1997.

Autor

Stendhal

Título

Crônicas Italianas

Título Original

Chroniques Italiennes

Editora

EDUSP, 1997, tradução de Sebastião Uchôa Leite

Ano

1855

ISBN

8531404134

5 - Bouvard e Pécuchet, de Gustave Flaubert

Obra tão desconhecida dos leigos quanto, para os especialistas, o topo da progressão do autor de Madame Bovary e, por isso mesmo, imperdível. Mas o leitor, no fundo, já ouviu falar deste livro, sem saber. Já que é aí que encontramos, a título de arremate, o célebre Dictionnaire des Idées Reçues. O romance (melhor seria dizer anti-romance), só publicado postumamente, em 1881, conta a história de dois hilários aposentados que se entregam no campo normando a leituras e experiências científicas de toda espécie, sempre fadadas a dar errado. Outra maneira de dizer isso seria notar que Flaubert (1821-1880) se põe aí a satirizar genialmente todos os discursos competentes, tudo se resumindo num Dicionário das Idéias Feitas ou, como o chamou Augusto de Campos, "Tolicionário". Em português do Brasil, contamos com a excelente tradução de Galeão Coutinho e Augusto Meyer publicada pela Nova Fronteira em 1981.

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Os 10 mais da Ficção Francesa Leda Tenório

Autor

Gustave Flaubert

Título

Bouvard e Pécuchet

Título Original

Bouvard et Pécuchet

Editora

Nova Fronteira, 1981, tradução de Galeão Coutinho e Augusto Meyer

Ano

1881

ISBN

8526212028

6 - Às Avessas, de Joris-Karl Huysmans

Bíblia dos decadentistas, o livro já seria obrigatório só pelo fato de sua personagem central, um certo Des Esseintes, inspirar-se na mesma figura humana que é a melhor chave para o barão de Charlus de Proust: o poeta menor e dândi enlouquecido Robert de Montesquiou. Mas, não bastasse isso - e ainda a existência de um poema de Mallarmé para o mesmo Des Esseintes, o que faz de Montesquiou a obsessão de três grandes ao mesmo tempo -, ele é ainda importantíssimo porque marca a ruptura de Huysmans (1848-1907) com o naturalismo de Zola, a cartilha estética da época. Totalmente revolucionário e surpreendente. A tradução disponível leva a assinatura de um poeta:

José Paulo Paes. Saiu pela Companhia das Letras.

Autor

Joris-Karl Huysmans

Título

Às Avessas

Título Original

À Rebours

Editora

Companhia das Letras, tradução de José Paulo Paes

Ano

1884

ISBN

8585095121

7 - Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust

O mais importante romance da história da literatura ocidental, assim mesmo, em termos absolutos, para nove entre dez listas dos dez mais. Trata-se de uma atordoante seqüência de volumes, o primeiro dos quais de 1913, em que, na falta de melhor, um sujeito revira-se na cama, pensando no tempo que passa e na urgência de captá-lo, antes que seja tarde, numa obra digna desse nome. Daí o romance ser também, além de uma prospecção do passado, em que entra tudo sobre a França crepuscular da Terceira República, uma infinita ansiedade com relação ao futuro e - principalmente - uma consciência vertiginosa do presente. Todas as vozes confundidas no tempo real da narração e tudo isso no estilo torturantemente digressivo de Proust (1871-1922), que escreve por dez anos, exilado no famoso quarto ao abrigo do mundo exterior, com paredes forradas de cortiça. Apesar das dimensões do texto de cerca de 4.000 páginas, em matéria de tradução, há escolha. Já que, desde os anos 80, o tradutor Fernando Py reenceta, sozinho, para a Ediouro, a façanha coletiva do pool de poetas (Mário Quintana, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade) convocados, no passado, pela velha Globo de Porto Alegre. Pelo efeito de démodé absolutamente proustiano do trabalho de Mário Quintana, sugerimos a edição revista da Globo, de 1988, em sete volumes, intitulada Em Busca do Tempo Perdido.

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Os 10 mais da Ficção Francesa Leda Tenório

Autor

Marcel Proust

Título

Em Busca do Tempo Perdido

Título Original

À la Recherche du Temps Perdu

Editora

Ed. Globo (revista), 1988

Ano

1913-27

8 - Monsieur Teste, de Paul Valéry

Perfeito alter ego do autor, como personagem inacabada e inacabável que é, o enigmático Monsieur Teste acompanha Valéry (1871-1945), nos bastidores de sua criação, por toda a vida, desde as primeiras edições, em 1926, 1927. Teste, como o apresenta o próprio autor, pertence à espécie raríssima dos monstros desarticuladores que, em sua incessante ginástica mental, não podem permanecer sequer um segundo sendo o que eram antes. Trata-se de personagem tão mais fabulosa quanto, além de exprimir os impasses de Valéry infinitamente tensionado entre o rigor matemático e a liberdade artística, representa a única investida ficcional do poeta, pensador e ensaísta que é, preponderantemente, o autor de Variété. Com cerca de 70 anos de atraso, até onde eu chego, só recentemente saiu uma tradução, em 1998, pela Ática.

Autor

Paul Valéry

Título

Monsieur Teste

Título Original

Monsieur Teste

Editora

Ed. Ática

Ano

1926

ISBN

8508065965

9 - Morte a Crédito, de Louis-Ferdinand Céline

Se é verdade que existe um grande poema universal que está sempre sendo recomeçado, e se é certo que esse texto infinito é o que seria a literatura, Céline (1894- 1961) continua em Mort à Crédit (Morte a Crédito) a obra-prima de Marcel Proust. Até porque, confessadamente, é com Proust que queria se medir este médico de dispensário, na vida real Louis-Ferdinand Destouches, supostamente envolvido com a Colaboração, o que é um reducionismo, e o melhor autor francês depois de seu mestre. Eis por que o herói deste romance de 1936, posterior a Voyage au Bout de la Nuit (Viagem ao Fim da Noite) e bem menos conhecido, é também um Narrador rememorante e sem idade, em primeira pessoa e preso a um fio de voz. Saído não dos salões belle époque como Proust mas direto da experiência da guerra, de que fala o título. Há apenas três romances de Céline traduzidos entre nós, o que é alguma coisa, mas ainda assim muito pouco para um autor dessa importância e, ainda por cima, torrencial. Sob o título Morte a Crédito, há uma edição da Nova Fronteira, de 1982, infelizmente com alguns problemas "tradutórios".

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Os 10 mais da Ficção Francesa Leda Tenório

Autor

Louis-Ferdinand Céline

Título

Morte a Crédito

Título Original

Mort à Crédit

Editora

Ed. Nova Fronteira

Ano

1936

ISBN

8520906575

10 - O Inominável, de Samuel Beckett

Que vem fazer em território francês este irlandês auto-exilado falante do inglês? Manifestar, como todo grande escritor, seu estranhamento em relação ao próprio idioma. No caso, de maneira espetacularmente literal, já que Beckett (1906-1989) põe-se a escrever em outra língua que não a sua, tornando-se nessa outra um dos mais importantes escritores do século. Munido de seu bizarro estilo coloquial praticamente em pane, sem afetação nenhuma de elegância ou de modernidade, bem no meio do chique literário parisiense. L’Innommable, romance de 1953 sobre a necessidade de calar-se, é um dos pontos altos disso tudo.

Autor

Samuel Beckett

Título

O Inominável

Título Original

L’Innomable

Ano

1953

ISBN

8520901409

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Os 10 mais da Ficção Inglesa por Marisis Camargo

Uma viagem através do tempo pela literatura inglesa pode ser uma aventura intelectualmente enriquecedora e divertida. O roteiro que aqui sugerimos é apenas uma dentre muitas alternativas. Ele tem por objetivo introduzir o leitor à riqueza de uma imensa produção literária que reflete os valores sociais, históricos, morais e estéticos de toda uma nação, ou melhor, de um império. Toda literatura manifesta-se primeiramente em forma poética. Também na literatura inglesa o primeiro texto literário documentado é um poema épico, Beowulf, escrito no período denominado de Old English (450-1100), quando a essa literatura estava ainda em seu nascedouro. Já o nascimento da narrativa de ficção pode ser festejado no período romântico. Vamos navegar através dos séculos pela ficção inglesa. As obras selecionadas estão apresentadas em ordem cronológica para que o leitor possa acompanhar a evolução desta literatura. Recomendaremos as obras em sua língua original, mas várias podem ser lidas em português. Lembramos ainda que várias obras têm sido adaptadas ao cinema.

1 - Contos de Cantuária, de Geoffrey Chaucer

Escrita por Geoffrey Chaucer (1340-1400), Canterbury Tales é um primor de obra que precede o período romântico e foi escrita em versos, segundo o costume da época. Os Contos de Cantuária são uma interessante coletânea inacabada de contos narrados por um grupo de peregrinos com destino à Abadia de Canterbury e liderado por um personagem que muitos críticos identificam com o próprio autor da obra. O modelo seguido é aquele do Decameron, de Boccacio. Esta obra dá-nos uma boa visão da vida doméstica medieval, apresentando estereótipos humanos das diferentes camadas sociais com suas fraquezas e virtudes em tom que varia do humorístico ao irreverente e, muitas vezes, até ao obsceno. Particularmente interessante é a descrição da esposa cortesã, casada várias vezes, experiente na arte do amor, com suas ancas amplas e dentes separados e enormes, que na simbologia medieval significavam sensualidade.

Autor

Geoffrey Chaucer

Título

Contos de Cantuária

Título Original

The Canterbury Tales

Ano

1386-1400

ISBN

8585008849

2 - Robinson Crusoé, de Daniel Defoe

Robinson Crusoé, de Daniel Defoe (1660-1731), é um misto de jornalismo e romance, que serve tanto ao leitor infantil como ao adulto por compreender dois níveis de entendimento da narrativa. A obra é baseada na história verdadeira de Alexander Selkirk que passou cinco anos na ilha deserta de Juan Fernandez. O que encanta o leitor, ainda hoje, apesar de ser uma das obras mais exploradas em versões cinematográficas e escritas, é a enorme perseverança do personagem central em superar, com engenho, as dificuldades do cotidiano e construir um oásis utópico de civilização ideal onde predominaria a paz interior. Existem várias traduções para o português.

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Os 10 mais da Ficção Inglesa por Marisis Camargo

Autor

Daniel Defoe

Título

Robinson Crusoé

Título Original

Robinson Crusoe

Ano

1719

3 - Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

Pride and Prejudice é de autoria de Jane Austen (1775-1817) que é considerada a primeira romancista inglesa. Retrata a sociedade inglesa da classe alta delineando personagens memoráveis de quem são ressaltadas tanto as virtudes como os vícios. A trama do romance é simples e trata dos relacionamentos afetivos dentro de uma família em que o casamento é tido como a salvação da mulher tanto do ponto de vista financeiro como social. A palavra "orgulho" do título refere-se ao personagem central, sr. Darcy que pertence à alta sociedade e "preconceito" refere-se a Elizabeth, de origens plebéias, por quem ele se apaixona gerando tensão entre amor, preconceito e orgulho. Há algumas versões cinematográficas deste romance, sendo a mais atual e fidedigna estrelada por Emma Thompson.

Autor

Jane Austen

Título

Orgulho e Preconceito

Título Original

Pride and Prejudice

Ano

1813

4 - Oliver Twist, de Charles Dickens

Oliver Twist, de Charles Dickens (1812-1870), trata de um tema ainda atual, o do trabalho infantil e das leis de proteção à criança e ao adolescente. Embora muitas vezes o autor apele para o sentimentalismo exagerado, Dickens ainda é um favorito do público

e, na sua época, serviu de incentivo à denúncia da infame Lei dos Pobres (Poor´s Law).

A história de Oliver Twist confronta a inocência da criança com a crueldade de uma

sociedade que não tem leis para protegê-la e a obriga a trabalhar em condições

subumanas para sobreviver.

Autor

Charles Dickens

Título

Oliver Twist

Ano

1837-8

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Os 10 mais da Ficção Inglesa por Marisis Camargo

5 - Tess of the D’Ubervilles, de Thomas Hardy

Este romance de Thomas Hardy (1840-1928) oferece uma trágica e bela história de amor, de diferença de classes sociais, do papel inferior da mulher. Seu tom é pessimista e raro são os momentos de descontração nessa trama bem feita. Hardy é um regionalista que sabe explorar em detalhe a magnífica região de Dorset como local de ação e pano de fundo para essa história. A base de sua filosofia é determinista passando uma mensagem de que o homem não é livre, mas vive sempre oprimido pelo tempo e controlado por misteriosas forças superiores.

Autor

Thomas Hardy

Título

Tess of the D’Ubervilles

Ano

1891

6 - Ulisses, de James Joyce

Ulysses, de James Joyce (1882-1941), é considerada uma das obras mais importantes do período moderno da literatura inglesa, com inovações de estilo e elaborada sob a lenda do herói grego do mesmo nome. Os incidentes da trama acontecem em um único dia da vida de Leopold Bloom na cidade de Dublin, Irlanda. Cada capítulo corresponde a um episódio da Odisséia de Homero. Infelizmente, para o público em geral, Ulisses é um romance hermético de difícil leitura. Seria conveniente ler um dos guias de leitura da obra para facilitar a sua compreensão. Há excelente versão em português do Ulisses [traduzida pelo filólogo Antônio Houaiss, que criou em português neologismos correspondentes aos do original em inglês].

Autor

James Joyce

Título

Ulisses

Título Original

Ulysses

Editora

Editora Civilização Brasileira, tradução de Antônio Houaiss

Ano

1922

ISBN

8520000088

7 - Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf

Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf (1882-1963), é obra que deve ser lida não só por seu conteúdo mas também pelas inovações de técnica narrativa que coloca em segundo plano a trama e a caracterização das personagens. O livro explora detalhes de pensamento ou estado de espírito da protagonista, usando a técnica do monólogo interior para expressar o fluxo da consciência de sua personagem reconstruindo seu passado através de lembranças.

Autor

Virginia Woolf

Título

Mrs. Dalloway

Ano

1925

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Os 10 mais da Ficção Inglesa por Marisis Camargo

8 - O Amante de Lady Chatterley, de D.H. Lawrence

Lady Chatterley´s Lover, de D.H. Lawrence (1885-1930), é um clássico da literatura inglesa também adaptado para o cinema. A obra gerou uma grande controvérsia e, em1960, foi processada por obscenidade o que, de certa forma, aumentou sua circulação. O livro trata do relacionamento amoroso entre um homem e uma mulher de maneira natural, considerando-o fonte de vitalidade, aceitando que o instinto e a leis naturais prevaleçam sobre a racionalidade.

Autor

D.H. Lawrence

Título

O Amante de Lady Chatterley

Título Original

Lady Chatterley’s Lover

Ano

1928

ISBN

8570380038

9 - Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley

Brave New World, de Aldous Huxley (1894-1963), se ainda não é pura ficção científica certamente é precursor dela. A ação se desenvolve no ano 162 AF (After Ford, ou depois de Ford*) onde predomina o poder científico totalitário que tudo governa desde as incubadoras de bebês em garrafas ("Mãe" é um palavrão") até o pre-condicionamento de cada pessoa para sua designada função social. A cultura é suprimida e o lazer é padronizado e difundido pela mídia. A higiene é o princípio fundamental. Huxley satiriza a condição do homem moderno que cada vez mais se automatiza, mostrando as conseqüências de deixar em segundo plano seus sentimentos e emoções. [N. do S.: O norte-americano Henry Ford foi um dos pioneiros da indústria automobilística mundial e criador do sistema de produção em série.]

Autor

Aldous Huxley

Título

Admirável Mundo Novo

Título Original

Brave New World

Ano

1932

10 - O Senhor das Moscas, de William Golding

Lord of The Flies, de William Golding (1911), conta a história de um grupo de meninos entre 6 e 10 anos, que, após a queda do avião que os transportava, passam a viver em uma ilha deserta onde pouco a pouco regridem a um estado de selvageria. É notável como o autor subverte o modelo comum de história de aventura infantil e constrói em torno da perversidade da criança. Esta obra tem uma primorosa versão cinematográfica que data do início dos anos 60.

Autor

William Golding

Título

O Senhor das Moscas

Título Original

Lord of the Flies

Ano

1954

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Os 10 mais da Ficção Italiana por Diogo Mainardi

Esse troço de lista é fogo. Você fica pensando em todos os autores que excluiu. Onde está Ariosto? Como é possível ignorar Machiavelli? Desde quando Aretino é melhor do que Goldoni? Não sobrou uma vaguinha para Leopardi ou Buzzati? E Gadda? Onde Gadda foi parar? Vou avisando: a minha é uma lista incompleta, parcial, com os autores italianos que mais me influenciaram, que exploraram caminhos que eu gostaria de ter explorado. Alguns deles, como Svevo, fazem parte da minha adolescência, e souberam despertar em mim o amor pela leitura. Outros, como Boccaccio, apareceram mais tarde e foram fundamentais para a minha formação como escritor. Outros, como Dante, descobri meio tarde, quando já tinha uma certa bagagem. Que me perdoem os excluídos. E aqueles que ainda não li. Por sorte, ainda há o que ler

1 - A Divina Comédia, de Dante Alighieri

Todo mundo conhece a história: um poeta visita Inferno, Purgatório e Paraíso. Claro que

o Inferno é mais divertido, com seus luxuriosos, gulosos, heréticos, suicidas, aduladores,

ladrões, falsários e traidores que sofrem as mais terríveis penas. Há aqueles que correm nus, picados por vespas. Há aqueles que jazem em covas ardentes. Há aqueles que viram plantas. Há aqueles que são postos num espetinho sobre as chamas. Tudo isso pela eternidade. Mas o livro de Dante (1265-1321) não vale apenas pela força de suas

imagens. Ele consegue combinar impulsos aparentemente inconciliáveis: fantasia popular com alta cultura, experimentação linguística com rigor matemático. Talvez seja

a obra literária mais importante da história.

Autor

Dante Alighieri

Título

A Divina Comédia

Título Original

La Divina Commedia

Ano

1321

2 - Decameron, de Giovanni Boccaccio

Durante a epidemia de peste de 1348, em Florença, sete moças e três rapazes buscam refúgio numa casa de campo. Para matar o tempo, decidem contar histórias. Cada um conta uma história por dia, por um período de dez dias. O resultado é o Decameron: cem histórias de adultérios, enganos, tramóias, patifarias, cinismos, astúcias. Enquanto a peste corre solta na cidade, dizimando a população, os dez jovens tratam de contrastá-la exaltando o sexo e a razão. É uma homenagem à inteligência humana, à capacidade de alguns de contrariar as normas e as convenções e, dessa forma, resistir a tudo. [N. do S.: Bocaccio nasceu em 1313 e morreu em 1375]

Autor

Giovanni Boccaccio

Título

Decameron

Título Original

Il Decameron

Ano

1349-51

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Os 10 mais da Ficção Italiana por Diogo Mainardi

3 - Ragionamento, Dialogo, de Pietro Aretino

Com um pouco de má vontade, Pietro Aretino (1492-1556) pode até ser considerado um escritor menor, indevidamente inserido nessa lista dos dez melhores. Mas ele representa um ideal literário: o escritor como figura perigosa e temida, cujo talento verbal pode destruir as mais sólidas reputações. Era isso que Aretino fazia: ridicularizava o próximo por um punhado de cobres. Tornou-se riquíssimo graças a essa habilidade. Aretino nos interessa porque era um escritor mercenário, que usava a literatura como mercadoria. E se a literatura pode ser vendida como mercadoria, é porque tem algum valor.

Autor

Pietro Aretino

Título

Ragionamento, Dialogo

Ano

1539

4 - Vita, de Benvenuto Cellini

Nossa vida é um aborrecimento atroz. Mas não é necessário que seja assim. É o que mostra a autobiografia do ourives florentino Benvenuto Cellini (1500-71). Ele não se conforma com o próprio destino, transformando-o continuamente, moldando seus códigos de valor de acordo com as exigências do momento, ainda que isso o leve a mentir, difamar, roubar, matar. É a desordenada afirmação do indivíduo contra a sociedade, o triunfo da subjetividade.

Autor

Benvenuto Cellini

Título

Vita

Ano

1728

5 - Zibaldone, de Giacomo Leopardi

Zibaldone é a confusa tentativa de colocar um pouco de ordem nas idéias. Aquilo que deveria constituir um sistema filosófico, porém, fragmenta-se diante das próprias dúvidas do autor. Leopardi (1798-1837) não acredita no poder da razão, da virtude, da poesia, do amor. Todas as ilusões relativas à nossa capacidade de compreender o mundo racionalmente naufragam de modo irremediável. Restam apenas as dúvidas, as contradições, o desespero. É a isso que os homens de gênio devem aspirar.

Autor

Giacomo Leopardi

Título

Zibaldone

Ano

1832

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Os 10 mais da Ficção Italiana por Diogo Mainardi

6 - La Storia della Colonna Infame, de Alessandro Manzoni

Alessandro Manzoni (1785-1873) é conhecido por seu romance Os Noivos, o maior clássico italiano do século 19, leitura obrigatória para os estudantes do país. Mais fascinante, hoje em dia, talvez seja "A História da Coluna Infame", breve tratado histórico sobre fatos ocorridos durante a peste de 1630, em Milão, quando uns infelizes foram torturados e executados depois de serem injustamente acusados de difundir de propósito a epidemia. É mais atual do que nunca: uma poderosa denúncia contra as manipulações que o poder público faz da ignorância e das superstições do povo.

Autor

Alessandro Manzoni

Título

La Storia della Colonna Infame

Ano

1842

7 - Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello

Como diz o próprio Pirandello (1867-1936) no prefácio a essa peça teatral, sua literatura não é simbólica. Em vez de tentar construir uma simples representação alegórica da realidade, ele prefere demolir todas as certezas acerca do trabalho artístico. Os personagens já não sabem o que pensar, o que dizer ou como se comportar. É a reflexão de um autor que renunciou às fórmulas consolidadas e agora se encontra perdido, sem saber qual direção tomar. Uma peça teatral que deve ser lida como um romance.

Autor

Luigi Pirandello

Título

Seis Personagens à Procura de um Autor

Título Original

Sei Personaggi in Cerca d’Autore

Ano

1921

8 - A Consciência de Zeno, de Italo Svevo

A única razão de vida do [personagem] Zeno Cosini é seu patológico imobilismo. Ele é um atento observador de sua condição: reflete a respeito de si com um distanciamento científico. Esse romance de Svevo (1861-1928) constitui uma das mais divertidas sátiras ao homem contemporâneo, consciente de sua impotência, de sua insignificância e, ao mesmo tempo, desprovido de outras fontes de interesse que não sejam ele próprio.

Autor

Italo Svevo

Título

A Consciência de Zeno

Título Original

La Coscienza di Zeno

Ano

1923

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Os 10 mais da Ficção Italiana por Diogo Mainardi

9 - É Isto um Homem?, de Primo Levi

Primo Levi (1919-87) foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial. É Isto um Homem? é o relato dessa terrível experiência. Mais do que por seu valor documental, porém, o livro importa por sua linguagem. Numa situação extrema, em que cada esforço desperdiçado tem o efeito de aproximá-lo da morte, Levi economiza as palavras, medindo-as, controlando seu peso, dizendo apenas o que pode ser dito, eliminando toda a retórica dos sentimentos.

Autor

Primo Levi

Título

É Isto um Homem?

Título Original

Se questo É un Uomo?

Ano

1946

10 - As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino

As Cidades Invisíveis talvez seja o romance que melhor sintetize a produção literária de Calvino (1923-85). Marco Polo descreve ao conquistador Kublai Khan as cidades que visitou. Ele não se limita a assumir uma posição passiva diante da realidade. Pelo contrário: transforma radicalmente tudo o que vê, buscando a essência das coisas, o seu significado simbólico. Em Calvino, a fantasia se torna um elemento fundamental para a compreensão do mundo, pois permite tentar criar parábolas a partir dos acontecimentos mais prosaicos.

Autor

Italo Calvino

Título

As Cidades Invisíveis

Título Original

Le Cittá Invisibili

Ano

1972

ISBN

8571641498

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Os 10 mais da Ficção Norte-Americana do Século 20 Paulo Henriques Britto

No século 20, a ficção norte-americana foi de grande riqueza. Os primeiros anos do período foram marcados pela fase madura de Henry James, obras cujo estilo denso e complexo prenuncia a revolução que seria efetuada pouco depois na Europa por figuras como Joyce e Proust. Outros nomes importante das décadas iniciais do século foram F. Scott Fitzgerald, John dos Passos e Ernest Hemingway. Dois escritores experimentais do período são William Faulkner, que aprofunda o romance psicológico inagurado por James, e Gertrude Stein, autora de uma prosa personalíssima que bordeja a poesia. A vivacidade vigorosa e descuidada de Henry Miller contrasta com o estecicismo cerebral de Vladimir Nabokov, russo naturalizado americano. No pós-guerra surgem também Norman Mailer, Saul Bellow e o contista John Cheever. Um pouco mais tarde temos o humor implacável de Philip Roth e a crônica dos subúrbios de John Updike. E o caldo da contracultura dos anos 60 gera ao menos um grande romancista - Thomas Pynchon, um dos principais ficcionistas de expressão inglesa da atualidade.

1 - As Asas da Pomba, de Henry James

Obra de plena maturidade, "The Wings of The Dove" (1902) é mais uma abordagem do famoso "tema continental" de James - o encontro entre ingenuidade americana e sofisticação européia - e uma sutil análise psicológica do amor e da crueldade

Autor

Henry James

Título

As Asas da Pomba

Título Original

The Wings of The Dove

Editora

Penguin Books (1986)

Ano

1902

ISBN

8500003235

2 - Três Vidas, de Gertrude Stein

Primeira obra de Stein, esta série de três narrativas sobre as vidas de três mulheres humildes é, segundo muitos, a obra-prima da autora. Foi publicada em 1909.

Autor

Gertrude Stein

Título

Três Vidas

Título Original

Three Lives

Editora

Library of America (1998)

Ano

1909

28

Os 10 mais da Ficção Norte-Americana do Século 20 Paulo Henriques Britto

3 - O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

Publicado em 1925, este romance é uma pequena jóia. A história do misterioso Gatsby - efêmero sucesso a partir do nada, seguido de fim ignominioso - assume, nas mãos de Fitzgerald, uma dimensão trágica

Autor

F. Scott Fitzgerald

Título

O Grande Gatsby

Título Original

The Great Gatsby

Editora

Charles Scribner (1995)

Ano

1925

4

- Contos Completos, de Ernest Hemingway

O

estilo seco e cru de Hemingway, marcado pelas frases curtas, despidas de adjetivos,

foi dos mais influentes do nosso século. Embora seu prestígio crítico esteja atualmente em declínio, seus melhores contos continuam a ser considerados exemplares.

Autor

Ernest Hemingway

Título

Contos Completos

Título Original

The Complete Short Stories

Editora

Scribner (1998)

5

- O Som e a Fúria, de William Faulkner

O

"Som e a Fúria" é uma história densa e sufocante, em que os mesmos episódios são

apresentados dos pontos de vista de vários personagens, sendo um deles um deficiente mental. Neste romance, lançado em 1929, Faulkner explora com virtuosismo as técnicas narrativas desenvolvidas por Joyce apenas sete anos antes em "Ulisses".

Autor

William Faulkner

Título

O Som e a Fúria

Título Original

The Sound and the Fury

Editora

Vintage (1990)

Ano

1929

29

Os 10 mais da Ficção Norte-Americana do Século 20 Paulo Henriques Britto

6 - Trópico de Câncer, de Henry Miller

O estilo descuidado, a falta de uma estrura ficcional sólida e a temática por vezes obscena não empanam a vitalidade extraordinária de Miller, um escritor que, nos defeitos e nas virtudes, guarda grandes afinidades com um dos gigantes do século 19, o poeta Walt Whitman, seu conterrâneo. Foi só em 1964 que a Justiça americana permitiu que sua obra fosse livremente publicada nos Estados Unidos. "Trópico de Câncer", seu primeiro livro, é de 1934.

Autor

Henry Miller

Título

Trópico de Câncer

Título Original

Tropic of Cancer

Editora

Grove Press (1989)

Ano

1934

7 - Lolita, de Vladimir Nabokov

Em sua obra mais conhecida, "Lolita" (1955), Nabokov traça um retrato satírico da América dos anos 50, ao mesmo tempo que exibe sua excepcional destreza ténica.

Autor

Vladimir Nabokov

Título

Lolita

Título Original

Lolita

Editora

Vintage (1989)

Ano

1955

ISBN

8571644004

8 - Adeus Columbus, de Philip Roth

Obra de estréia de Roth, esta coletânea de contos de 1959 é uma das grandes estréias literárias do pós-guerra norte-americano. Cronista da classe média judia assimilacionista, desde seu primeiro livro o autor revelou-se um dos mais criativos ficcionistas de língua inglesa de seu tempo.

Autor

Philip Roth

Título

Adeus Columbus

Título Original

Goodbye, Columbus

Editora

Vintage (1993)

Ano

1959

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Os 10 mais da Ficção Norte-Americana do Século 20 Paulo Henriques Britto

9 - Coelho Corre, de John Updike

Updike, um dos ficcionistas mais prolíficos de nosso tempo, tematiza a classe média norte-americana, a banalidade da vida dos subúrbios, com um toque lírico característico. Uma de suas principais criações ficcionais é Harry Angstrom, herói de uma tetralogia cujo primeiro volume é "Coelho Corre" (1960).

Autor

John Updike

Título

Coelho Corre

Título Original

Rabitt, Run

Editora

Ballantine Books (1996)

Ano

1960

ISBN

8571642338

10 - O Arco-Íris da Gravidade, de Thomas Pynchon

Este romance insólito, lançado em 1973, é uma das obras mais desconcertantes de nosso tempo. Utilizando os recursos da subliteratura, do cinema, do desenho animado, das revistas em quadrinhos e da música popular, Pynchon compõe um imenso labirinto de paranóia e humor corrosivo que, embora situado na Europa do final da Segunda Guerra Mundial, é, na verdade, uma crítica devastadora à sociedade norte-americana de seu tempo

Autor

Thomas Pynchon

Título

O Arco-Íris da Gravidade

Título Original

Gravity's Rainbow

Editora

Penguin (1995)

Ano

1973

ISBN

8571647992

31

Os 10 mais da Ciência por Marcelo Glaiser

Qualquer lista compilada por uma pessoa irá refletir os gostos e idéias desta pessoa. Minha lista de dez livros sobre ciências não foge a essa regra geral. Meu primeiro critério foi a acessibilidade do texto: todas as obras listadas, com exceção do livro de Richard Feynman, que é mais técnico, são obras de divulgação científica, escritas para o público interessado em ciências e suas repercussões culturais, mas não especializado no assunto. Tentei, dentro do possível, distribuir o conhecimento em áreas diferentes da ciência, incluindo biologia, matemática, computação, física e astronomia, se bem que confesso que a física e a astronomia têm uma representação mais pesada. Todos os autores (com exceção deste que lhes escreve) são muito bem conhecidos, vencedores de vários prêmios não só por seu trabalho científico, mas também por seu trabalho de divulgação. Eles sabem como conversar com o público, como trazer as idéias

da ciência sem o jargão, mas com todo o seu lirismo. O leitor corajoso que desbravar essa lista irá sem dúvida adquirir uma visão

balanceada das idéias mais importantes da ciência, passado e presente (e futuro

e

também do que significa fazer ciência. E, claro, se sua curiosidade for aguçada a tal ponto de querer mais, todos os livros vêm com indicações de leituras adicionais. Esses

dez são apenas os primeiros passos em uma aventura intelectual que, felizmente, jamais

se esgotará: a Natureza é muito mais criativa do que nossa imaginação.

),

1 - O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan

Sagan (1934-1996) apresenta a ciência como a "vela que ilumina a escuridão" causada pela ignorância e pela superstição. Usando exemplos como a crença em extraterrestres

na Terra, reencarnação, anjos, fadas etc., Sagan, em seu estilo claro e sóbrio, mostra o

quanto essas "visões" são causadas por uma combinação de fatores que vão desde simples alucinações a um desejo inconsciente de estabelecermos contato com o desconhecido, o sobrenatural. O livro é uma belíssima defesa da ciência como antídoto contra essas crenças, o mundo natural e seus mistérios, ultrapassando nossa imaginação e oferecendo conforto às ansiedades humanas.

Autor

Carl Sagan

Título

O Mundo Assombrado pelos Demônios

Título Original

The Demon-Haunted World

Editora

Companhia das Letras, 1996

ISBN

8571646066

2

- A Unidade do Conhecimento - Consiliencia, de Edward O. Wilson

O

escritor e físico inglês C. P. Snow argumentou nos anos 60 que um dos maiores

problemas da sociedade moderna é sua divisão em duas culturas, a humanista e a científica. Wilson (1929), um grande biólogo famoso por seu trabalho com formigas e um dos mais conhecidos divulgadores da ciência (duas vezes vencedor do Prêmio Pulitzer), tenta construir uma síntese do conhecimento por meio de uma "cientificação" da cultura. Para ele, a chave do mistério está no funcionamento da mente humana, que fará necessariamente com que aspectos diferentes do conhecimento sejam tratados de forma unificada. Ninguém melhor do que ele para embarcar nesta missão tão ambiciosa.

32

Os 10 mais da Ciência por Marcelo Glaiser

Autor

Edward O. Wilson

Título

A Unidade do Conhecimento - Consiliencia

Título Original

Consilience: Unity of Knowledge

Editora

Campos

Ano

1997

ISBN

8535203567

3 - Godel, Escher, Bach, de Douglas Hofstadter

O mistério do infinito, sua representação matemática, gráfica e musical, apresenta um dos grandes desafios para a criatividade humana. Neste livro fascinante, Hofstadter tece os mecanismos mentais que geram nossa relação com o mundo da matemática e dos computadores de forma acessível e brilhante. Usando diálogos inspirados por Alice no País das Maravilhas e um estilo dinâmico e provocador, o leitor encontrará aqui uma discussão da questão da "inteligência artificial", que, embora escrita há 20 anos, continua sendo um padrão do gênero.

Autor

Douglas Hofstadter

Título

Godel, Escher, Bach

Ano

1979

4 - A Dança do Universo, de Marcelo Gleiser

Usando o grande mistério da origem do Universo como ponto de partida, este livro explora a evolução de nossa concepção do mundo, desde versões religiosas até as teorias mais modernas da cosmologia. Mais do que apenas um relato da história das idéias sobre o cosmo, eu exploro também a vida dos personagens principais que participaram desse drama do conhecimento, buscando compreender as fontes de inspiração do cientista de forma humanista. O leitor encontrará uma apresentação acessível das idéias básicas da física e da astronomia, desde Galileu e Newton até Einstein e Heisenberg, que conclui argumentando que - mesmo que o produto final seja muito distinto - as fontes de inspiração da ciência e da religião são as mesmas, uma compreensão do desconhecido.

Autor

Marcelo Gleiser

Título

A Dança do Universo

Título Original

Dancing Universe

Ano

1997

ISBN

8571646775

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Os 10 mais da Ciência por Marcelo Glaiser

5 - A Evolução da Física, de Albert Einstein e Leopold Infeld

Einstein (1879-1955) acreditava seriamente na importância da divulgação científica:

todo cientista tem o dever de apresentar suas idéias à sociedade para que elas sejam integradas dentro da cultura da época. Este livro, como já explica o título, traça a evolução das idéias da física de modo acessível ao não-especialista. Eu me lembro do quanto este livro foi importante durante minha adolescência, quando me debatia com a idéia de embarcar ou não em uma carreira científica.

Autor

Albert Einstein e Leopold Infeld

Título

A Evolução da Física

Título Original

The Evolution of Physics

Ano

1938

ISBN

9723803941

6 - The Feynman Lectures on Physics, de Richard Feynman

Para aqueles leitores que querem uma apresentação mais técnica dos fundamentos da física, nenhum livro supera esta coleção em três volumes escrita por Richard Feynman (na verdade, baseada em suas aulas no California Institute of Technology), um dos grandes físicos do século 20. Feynman (1918-1988) apresenta as idéias da física - mecânica, eletricidade e magnetismo, gravitação, termodinâmica, ondas, relatividade, mecânica quântica - apelando sempre para a intuição antes da matemática. O texto requer um conhecimento do cálculo diferencial e integral.

Autor

Richard Feynman

Título

The Feynman Lectures on Physics

Ano

1963

7 - A Mente de Deus, de Paul Davies

Alguns cientistas refletem seriamente sobre as conseqüências metafísicas da ciência, em particular da física e da cosmologia. Um desses cientistas é Paul Davies, que argumenta que a racionalidade do Universo e o fato de estarmos aqui para pensar sobre ele oferecem uma "prova" da existência de um intuito universal, uma espécie de mente cósmica. Mesmo que eu não concorde com muitos de seus argumentos, a clareza e a perspicácia com que Davies apresenta suas idéias irão, sem dúvida, inspirar o leitor interessado nessas questões que unem a ciência e a religião.

Autor

Paul Davies

Título

A Mente de Deus

Título Original

Mind of God

ISBN

8500826940

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Os 10 mais da Ciência por Marcelo Glaiser

8 - O Gene Egoísta, de Richard Dawkins

Este livro marca um momento de transição em nossa interpretação da herança evolucionária de Darwin. Dawkins, um seguidor de Darwin, mostra, de forma clara e convincente, como o processo evolucionário serve aos interesses dos genes, que competem por perpetuarem seu domínio! Portanto, evolução deixa de ser um processo passivo, dependente de fatores aleatórios e de sua relação com o meio ambiente, para se tornar uma conseqüência do ímpeto evolucionário dos genes. Dawkins expande essa idéia ao domínio social, introduzindo o conceito de "memes" -basicamente idéias que tentam se perpetuar na sociedade. Como disse Dawkins, "se somos fantoches, no mínimo podemos tentar entender nossas cordas".

Autor

Richard Dawkins

Título

O Gene Egoísta

Título Original

Selfish Gene

Ano

1976

9 - Infinito em Todas as Direções, de Freeman Dyson

Na verdade, eu recomendo todos os livros de Freeman Dyson. Ele é a melhor encarnação do espírito do cientista-humanista, capaz de traduzir não só as idéias da ciência, mas a visão de mundo do cientista, de uma forma extremamente lírica e sincera. Ele não tem medo de mostrar o lado sombra da ciência, as conseqüências destrutivas do processo científico. Por outro lado, ao fazê-lo, Dyson nos mostra como cabe à sociedade escolher os caminhos futuros da ciência. Para isso, nada mais importante do que ter uma sociedade que conhece os preceitos e idéias básicas da ciência, que determinam em grande parte nossa realidade moderna, nosso futuro e nossa sobrevivência como espécie.

Autor

Freeman Dyson

Título

Infinito em Todas as Direções

Título Original

Infinite in All Directions

Ano

1988

ISBN

857123132X

10 - Os Três Primeiros Minutos, de Steven Weinberg

Este livro é um clássico da divulgação científica, em que o vencedor do prêmio Nobel Steven Weinberg conta a história dos três primeiros minutos de "existência" do Universo, segundo a teoria do Big Bang. Sua leitura não é fácil aos iniciantes, mas altamente recomendada, após, por exemplo, a leitura de A Dança do Universo ou do Big Bang de Joseph Silk. Foi este livro que me fez escolher minha especialização em cosmologia e astrofísica, quando ainda aluno de graduação. Acho que ele inspirará vários outros leitores.

Autor

Steven Weinberg

Título

Os Três Primeiros Minutos

Título Original

The First Three Minutes

Ano

1977

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BIBLIOGRAFIA SOBRE A HISTÓRIA DO LIVRO, DA IMPRENSA, DA TIPOGRAFIA, DAS BIBLIOTECAS E DA LEITURA

1. O livro, o jornal e a tipografia no Brasil, Carlos Rizzini - 1829. Ed. Imesp. Relato

histórico do surgimento do livro e do jornal nas civilizações antigas e análise de seu aparecimento no Brasil entre 1500 e 1822. É uma obra-prima, não deixe de ler. Não está disponível em livrarias da Internet.

2. O aparecimento do livro, Lucien Febvre e Henry-Jean Martin - 1992. Ed. UNESP e

Hucitec. Como surgiu e se difundiu o livro na história. Não deixe de ler.

3. O livro no Brasil, de Laurence Hallewell - 1982. Ed. EDUSP e T. A. Queiroz. Já

esgotado; pode ser encontrado em sebos e bibliotecas universitárias ou sob encomenda nas melhores livrarias. Um clássico do gênero. Acadêmico inglês que veio para o Brasil estudar a nascente cultura editorial do país. Não pode faltar na sua biblioteca.

4. História da inteligência brasileira, Wilson Martins - 1921. Ed. T. A Queiroz. Um dos

maiores estudiosos de literatura. Sete volumes de um clássico. Faz uma trajetória da história de todos os gêneros literatura brasileira e da importância da cultura eclesiástica na construção da inteligência brasileira.

5. A palavra escrita - história do livro, da imprensa e da biblioteca, Wilson Martins

- 2001. Ed. Ática. Abrange desde a história do surgimento da palavra escrita, passando pela Antiguidade, Idade Média e Moderna e a consolidação das bibliotecas no Brasil e no mundo.

6. History of the Book, Svend Dahl. Ed. J. Lamarre - 1933. Um clássico, referência

básica para conhecer com profundidade a história do livro. Não há tradução para o português.

7. Documentos para história da tipografia portuguesa nos séculos XVI e XVII,

Venâncio Deslandes - 1888. Ed. Imprensa Nacional de Lisboa.

8. Elementos de bibliologia, Antonio Houaiss - 1967. Instituto Nacional do Livro. Livro

de maior referência no assunto. Já esgotado; pode ser encontrado em sebos e bibliotecas universitárias.

9. A formação da leitura no Brasil, Marisa Lajolo e Regina Zilberman - 1996. Ed.

Ática. Leva em conta o contexto sócio-político e cultural na formação da figura do leitor na sociedade brasileira.

10. A construção do livro, Emanuel Araújo - 1996. Ed. Nova Fronteira. Livro com perfil

técnico. Centenas de páginas sobre princípios de técnica e editoração. Maior referência

sobre o assunto.

11. Momentos do livro no Brasil - 1998. Ed. Ática. História ilustrada do aparecimento

do livro, das editoras, e de figuras como Monteiro Lobato, Machado de Assis, Euclides da Cunha, no Brasil. Não deixe de ler.

12. História da Imprensa no Brasil, Nelson Werneck Sodré - 1999. Ed. Mauad. 30 anos de pesquisa formaram este livro que é a maior referência no assunto.

13. The printing revolution in early modern Europe, Elizabeth L. Eisenstein - 1983.

Ed. Canto Series. Análise original sobre a importância social e histórica do surgimento da indústria do livro e suas consequências para a Europa medieval e renascentista.

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14. Books and readers in ancient Greece and Rome, Frederic G. Kenyon - 1932.

Ares Publishers Inc. Da "Ilíada" de Homero, passando pelo pergaminho até os hábitos

romanos de leitura. Não há tradução para o português.

15. A history of reading, Alberto Manguel - 1996. Ed. Viking. Análise erudita dos vários processos de leitura: desde sinais, livros, imagens, códigos. Abrange arte, cultura, história, literatura.

16. Uma vida entre livros, José Mindlin. Ed. Cia das letras. Famoso empresário e

bibliófilo paulistano.

17. Discursos sobre a leitura, Anne-Marie Chartier. Ed. Ática.

18. A aventura do livro: do leitor ao navegador, Roger Chartier. Ed. Unesp.

Renomado autor contemporâneo que estuda a história do livro e suas implicações sócio- culturais.

19. Fim do livro, fim dos leitores?, Regina Zilberman. Ed. Senac. Análise de clássicos

da literatura - como "Dom Quixote", de Cervantes, "Fedro", de Platão - que fazem a apologia ou crítica da leitura como atividade intelectual nobre ou subversiva.

20. Fedro, de Platão. Ed. Martin Claret. Obra do mais famoso filósofo grego em que trata

das características nocivas da leitura para a manutenção dos status quo de uma comunidade. Platão atravessou a fase na qual se deu a consolidação do alfabeto, de origem fenícia, e, a partir deste, da escrita. O filósofo condena a laicização e o fim da tradição de transmissão oral da cultura.

21. O iluminismo como negócio, de Robert Darnton. Ed. Cia. das letras. História da

Enciclopédia de Diderot de um ponto de vista insólito: como um empreendimento intelectual - a difusão do iluminismo - passou a empreendimento comercial. Fala sobre a vida intelectual e editorial da época.

22. História da leitura no mundo ocidental, Roger Chartier. Ed. Ática. Estudioso

contemporâneo e muito prestigiado. Traça a história da leitura até os nossos dias.

23. Cultura escrita e poder no mundo antigo, Alan, K. Bowman. Ed. Ática. Esta

coletânea tem por objetivo avaliar em que medida a cultura escrita teria ocupado um papel ativo nas mudanças históricas da Antiguidade no mundo mediterrâneo e na Europa do norte de 600 a.C. a 800 d.C. O livro como um todo ilustra e explora a diversidade das práticas escritas e suas relações com a construção do poder na sociedade antiga, contemplando as exigências da história e da antropologia. Leitura essencial para aqueles cuja área de interesse é a palavra escrita.

24. Cultura, pensamento e escrita, Alan, K. Bowman. Ed. Ática. Considerando a

escrita como um objeto que permite reescrever a história do espírito humano, este livro reúne ensaios sobre as conseqüências intelectuais da escrita, a revolução intelectual que acompanha a passagem das escritas pictográficas para as alfabéticas, as implicações da assinatura dos textos, entre outros.

25. Cultura escrita e oralidade, David Olson. Ed. Ática. Trata dos condicionamentos da cultura escrita pelo discurso oral. Numa perspectiva histórica, aborda desde as conseqüências do surgimento da escrita até a criação de formas especializadas do discurso escrito no início da Era Moderna.

26. Os livros nossos amigos, Eduardo Frieiro. Ed. Itatiaia. Mineiro, autodiadata, um

dos mais brilhantes estudiosos do país. De maneira erudita, o livro percorre literatura, história, educação, bibliofilia, política de livros.

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27. Cartografia sentimental de sebos e livros, Marcia Cristina Delgado. Ed. Autêntica. Livro introdutório sobre a origem e a história dos sebos no Brasil. Traz descrição dos principais sebos, das pricipais cidades.

28. Leitura, história e história da leitura, Márcia Abreu (org.). Ed. Mercado de Letras,

Fapesp. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros examinam questões relativas às bibliotecas e práticas de leitura, à censura e livros proibidos, ao comércio livreiro e estratégias editoriais, a produção e circulação de livros escolares, desde o período colonial até o século XX.

29. A importância do ato de ler, Paulo Freire. Ed. Cortez. Trata da questão da leitura e

da escrita encaradas sob o ângulo da luta política com a compreensão científica do tema.

30. O que é leitura, Maria Helena Martins. Ed. Brasiliense. Delicioso livrinho introdutório

sobre o ato de ler e sua diversas manifestações: políticas, sociais, intelectuais. A Leitura vista como forma de entender o mundo e de decifrá-lo.

31. Lendo imagens, Alberto Manguel. Cia das Letras. Toda imagem tem uma história

para contar. Todas elas podem ser lidas e traduzidas em palavras, mesmo pelo público leigo. Neste livro, Manguel passa ao largo do vocabulário árduo da crítica e defende a idéia de que os não-especialistas têm o direito de ler imagens como quem lê um texto. O autor narra histórias que se ocultam em pinturas, esculturas, fotografias e projetos arquitetônicos desde a Roma antiga até as arrojadas experiências da arte do século XX.

32. O ofício de escrever, Ramon Nieto. Ed. Angra. A criação literária, os escritores, o

poder e o êxito, o estilo, a inspiração, luzes e sombras da literatura. Este livro explica os fundamentos do ofício de escrever, de sua materialidade e transcendência, de seus aspectos mais luminosos e mais obscuros, enfim, do que é ser escritor. A criação

literária, os escritores, o poder e o êxito, o estilo, a inspiração, luzes e sombras da literatura. Este livro explica os fundamentos do ofício de escrever, de sua materialidade e transcendência, de seus aspectos mais luminosos e mais obscuros, enfim, do que é ser escritor.

33. A arte de ler. José Morais. Ed Unesp. Este livro trata da arte de ler. Embora o seu

núcleo seja o problema da alfabetização, o tratamento vai muito além das questões exclusivamente técnicas. É notória, hoje, a existência de uma crise da palavra escrita, pois se observa por toda parte uma regressão dos hábitos da leitura. Por outro lado, tem-se observado um aumento relativo do analfabetismo e um alarmante crescimento, mesmo nos países mais desenvolvidos, do contigente de iletrados funcionais. Esses dados são expostos e analisados neste livro, a partir de estatísticas atualizadas da UNESCO.

34. Didascalion da arte de ler. Este livro faz um mergulho na cultura da Idade Média,

onde o leitor irá sintonizar-se com o universo dos pensamentos humanos e divinos que habitavam as escolas e as mentes estudantis do século XII.

35. O preço da leitura. Em 'O preço da leitura' - leis e números por detrás das letras.

Marisa Lajolo e Regina Zilberman abordam a literatura e os escritores de um ângulo inusitado - esmiuçam leis e contratos de direitos autorais, estatutos de agremiações

literárias (entre elas a Academia Brasileira de Letras) e a correspondência entre autores.

O objetivo é conhecer a condição do escritor, como profissional da escrita, ao longo da

história da sociedade burguesa e capitalista, sobretudo a brasileira.

36. Como ler um livro - um guia clássico para a leitura. Mortimer Jerome Adler. O

guia para leitura inteligente alia praticidade com rigor metodológico. Ajuda o leitor a se ajudar. Percorre os conceitos centrais do ato de ler, transforma o leitor em interlocutor e

o introduz, como um guia, aos mundos especializados da leitura prática, da leitura

imaginativa, da leitura de histórias, da leitura da História, das ciências exatas, das

ciências sociais e da filosofia.

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37. Revolução impressa. Roberto Darnton. Edusp. Este livro foi concebido como parte de um projeto maior promovido pela The New York Public Library com o objetivo de comemorar o bicentenário da Revolução Francesa. O projeto compreendeu, além da realização do livro e de uma série de programas públicos, a organização de uma exposição que tornou conhecido o verdadeiro 'tesouro' encontrado no acervo dessa biblioteca. Reunindo quatorze textos de estudiosos consagrados, a publicação focaliza o papel desempenhado pela impressão tipográfica na Revolução Francesa. A palavra impressa é observada não apenas enquanto registro dos fatos, mas como ingrediente decisivo dos acontecimentos, de modo a oferecer ao leitor um abrangente panorama da cultura na França nesse importante momento histórico.

38. O que é editora. Wolfgang Knapp. Ed. Brasiliense. Típico livro da coleção "Primeiros Passos": rápido de ler, poucas páginas, informativo. Dá um panorama geral do que é e como funciona uma editora. Traça também uma breve história do livro.

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100 Mais do Século XX – Ficção

"Ulisses", de James Joyce, foi escolhido como o romance mais importante do século pelos dez críticos e escritores convidados pela Folha para elaborar a lista dos cem melhores romances publicados desde 1900 e também dos 30 mais importantes romances brasileiros de todos os tempos.

1º - Ulisses (1922) - James Joyce (1882-1941). Civilização Brasileira. Retomando parodicamente a obra fundamental do gênero épico -a "Odisséia", de Homero-, "Ulisses" pretende ser uma súmula de todas as experiências possíveis do homem moderno. Ao narrar a vida de Leopold Bloom e Stephen Dedalus ao longo de um dia em Dublin (capital da Irlanda), o autor irlandês rompeu com todos as convenções formais do romance:

criação e combinação inusitada de palavras, ruptura da sintaxe, fragmentação da narração, além de praticamente esgotar as possibilidades do monólogo interior. Para T.S. Eliot, o mito de Ulisses serve para Joyce dar sentido e forma ao panorama de "imensa futilidade e anarquia da história contemporânea" (leia mais à pág. 5-10).

2º - Em Busca do Tempo Perdido (1913-27) - Marcel Proust (1871-1922). Ediouro e Globo, os sete volumes. Ciclo de sete romances do escritor francês, inter-relacionados e com um só narrador, dos quais os três últimos são póstumos: "O Caminho de Swann", "À Sombra das Raparigas em Flor", "O Caminho de Guermantes", "Sodoma e Gomorra", "A Prisioneira", "A Fugitiva" e "O Tempo Redescoberto". Ampla reflexão sobre a memória e o poder dissolvente do tempo, o ciclo se apóia em fatos mínimos que induzem o narrador a resgatar seu passado, ao mesmo tempo em que realiza um painel da sociedade francesa no fim do século 19 e início do 20.

3º - O Processo - Franz Kafka (1883-1924). Companhia das Letras. Na obra-prima do escritor tcheco de língua alemã, o bancário Josef K. é intimado a depor em um processo instaurado contra ele. Mas, enredado em uma situação cada vez mais absurda, Joseph K. ignora de que é acusado, quem o acusa e mesmo onde fica o tribunal.

4º - Doutor Fausto (1947) - Thomas Mann. Nova Fronteira. Biografia imaginária do

compositor alemão Adrian Leverkühn, escrita por seu amigo Serenus Zeitblom durante o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Nela, o autor, para recontar o pacto fáustico com

o diabo, se vale de aspectos da vida de Nietzsche, da teoria dodecafônica de Shoenberg

e do auxílio teórico do filósofo Adorno. O alemão Thomas Mann, filho de uma brasileira, recebeu o Prêmio Nobel em 1929.

5º - Grande Sertão: Veredas (1956)- Guimarães Rosa (1908-1967). Nova Fronteira. No sertão do Norte de Minas, o jagunço Riobaldo conta para um interlocutor, cujo nome não é revelado, a história de sua vida de guerreiro e de seu amor pelo jagunço Diadorim -na verdade, uma mulher disfarçada de homem para vingar o pai morto em luta. A escrita de permanente invenção de Guimarães Rosa (feita de neologismos, arcaísmos, transfigurações da sintaxe) reelabora a expressão oral e os mitos do interior do país a fim de criar um quadro épico e metafísico do sertão (leia mais nas págs. 5-9 e 5-10).

6º - O Castelo (1926) - Franz Kafka. Ediouro. Em busca de trabalho, o agrimensor K. chega a uma aldeia governada por um déspota que habita um castelo construído no alto da colina. Submetida a leis arbitrárias, a população passa a hostilizá-lo. Kafka morreu antes de concluí-lo.

7º - A Montanha Mágica (1924) - Thomas Mann (1875-1955). Nova Fronteira. Imagem simbólica da corrosão da sociedade européia antes da Primeira Guerra. Ao visitar o primo em um sanatório, Hans Castorp acaba por contrair tuberculose. Permanece internado por sete anos, vivendo em um ambiente de requinte intelectual, em permanente debate com idéias filosóficas antagônicas, até que decide partir para o front.

40

8º - O Som e a Fúria (1929) - William Faulkner (1897-1962). Edições Dom Quixote (Portugal). No condado imaginário de Yoknapatawpha, no sul dos EUA, a vida da decadente família Compson é narrada por quatro personagens distintos, todos obcecados pela jovem Caddy, neste romance em que a linguagem se amolda à consciência de cada personagem. O americano Faulkner ganhou o Prêmio Nobel em 1949.

9º - O Homem sem Qualidades (1930-1943) - Robert Musil (1880-1942). Nova Fronteira. Fio condutor do enredo, o ex-oficial Ulrich é repleto de dotes intelectuais, mas incapaz de encontrar uma finalidade em que aplicá-los. De caráter ensaístico, a obra é uma vasta reflexão sobre a crise social e espiritual do século 20.

10º - Finnegans Wake (1939) - James Joyce. Penguin (EUA). No Brasil, trechos do livro em "Panaroma do Finnegans Wake" (Ed. Perspectiva). Joyce criou nesta obra, que radicaliza seu experimentalismo linguístico, provavelmente o mais complexo texto do século. A narrativa, repleta de referências simbólicas, mitológicas e linguísticas que tornam a leitura um desafio permanente, gira em torno do personagem Humphrey Chimpden Earwicker (HCE) e sua mulher Ana Lívia Plurabelle (ALP), que vivem em Dublin.

11º - A Morte de Virgílio (1945) - Hermann Broch (1886-1951). Relógio d'Água (Portugal). Escritor austríaco. Concebida enquanto o autor estava preso pelos nazistas, a obra é um longo monólogo interior do poeta latino Virgílio.

12º - Coração das Trevas (1902) - Joseph Conrad (1857-1924). Ediouro. Escritor ucraniano de língua inglesa. Em busca de um mercador de marfim que desapareceu na selva africana, o capitão Marlowe o encontra inteiramente louco e cultuado como um deus pelos nativos.

13º - O Estrangeiro (1942) - Albert Camus (1913-1960). Record. Obra que consagrou o autor francês de origem argelina (Nobel de 1957) ao tratar do absurdo da existência. Aparentemente sem motivação -"por causa do sol"-, Mersault mata um árabe durante passeio pela praia. Julgado e condenado à morte, resigna-se a seu destino.

14º - O Inominável (1953) - Samuel Beckett (1906-1989). Nova Fronteira. Conclusão da trilogia do dramaturgo irlandês, após "Molloy" e "Malone Morre". Reduzido a uma condição precária de existência -sem nome-, o narrador busca se apropriar da identidade de dois outros personagens, Mahood e Worm. Beckett ganhou o Nobel em 1969.

15º - Cem Anos de Solidão (1967) - Gabriel García Márquez (1928). Record. Colombiano, ganhou o Nobel em 1990. A saga de duas famílias no povoado fictício de Macondo é o pretexto para o autor construir uma alegoria da situação da América Latina. Obra que projetou internacionalmente o "realismo mágico".

16º - Admirável Mundo Novo (1932) - Aldous Huxley (1894-1963). Globo. Inglês. Alegoria sobre as sociedades administradas e sem liberdade. Em um futuro indefinido, todos os nascimentos são "de proveta" e os cidadãos são vigiados. Nascido de uma mulher, John se torna uma ameaça por sua diferença.

17º - Mrs. Dalloway (1925) - Virginia Woolf (1882-1941). Penguin Books (EUA). Inglesa. A partir de um fato banal - a compra de flores para uma festa-, Mrs. Dalloway relembra sua vida - como a relação com a filha e uma antiga paixão.

18º - Ao Farol (1927) - Virginia Woolf. Ediouro. Um passeio da família Ramsay a um farol, frustrada pelo mau tempo, torna-se imagem da sensação de perda que percorre a obra: logo após irrompe a Primeira Guerra e a morte atingirá os Ramsay.

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19º - Os Embaixadores (1903) - Henry James (1891-1980). Oxford University Press ("The Embassadors", Reino Unido). Tema central do escritor americano, o confronto entre a mentalidade puritana dos EUA a cultura "fin-de-siècle" européia dá o tom nesta história sobre americano que vai a Paris para trazer de volta rapaz seduzido pela capital francesa.

20º - A Consciência de Zeno (1923) - Italo Svevo (1861-1928). Minerva (Portugal). Após várias tentativas malogradas para deixar de fumar, Zeno Cosini segue o conselho de seu psicanalista e decide escrever a história de sua vida, fazendo um retrato impiedoso da burguesia italiana.

21º - Lolita (1958) - Vladimir Nabokov (1899-1977). Cia. das Letras. Russo naturalizado americano. O professor quarentão Humber apaixona-se pela adolescente Lolita. Para tê-la próxima, casa-se com sua mãe, que morre em um acidente de carro. Os dois se tornam então amantes.

23º - O Leopardo (1958) - Tomaso di Lampedusa (1896-1957). L&PM. Único romance do autor italiano. No século 19, em uma Sicília dominada por clãs familiares, o aristocrático Fabrizio Salina recusa-se a ver a decadência de sua classe, anunciada pelas convulsões sociais que vão levar a Itália à unificação.

24º - 1984 (1949) - George Orwell (1903-1950). Companhia Editora Nacional. Inglês. Nesta sombria alegoria passada em futuro que seria o ano de 1984, cidadãos estão submetidos à autoridade onipresente do "Big Brother" e proibidos de manifestar sua individualidade.

25º - A Náusea (1938) - Jean-Paul Sartre (1905-1980). Nova Fronteira. Nesta obra que tornou o filósofo Sartre mundialmente conhecido, o herói Roquentin, sentado num banco de praça em uma cidade do interior, subitamente deixa de ver sentido no mundo e passa a ter consciência do "mal-estar de existir". Francês, Sartre recusou o Nobel em 64.

26º - O Quarteto de Alexandria (1957-1960) - Lawrence Durrell (1912-1990). Ulisseia (Portugal). Inglês de origem indiana. Tetralogia em que a mesma história de política, amor e perversão é contada de quatro óticas diferentes, em quatro diferentes romances :

"Justine", "Balthazar", "Mountolive" e "Clea".

27º - Os Moedeiros Falsos (1925) - André Gide (1869-1951). Gallimard ("Les Faux- Monnayeurs", França). Edouard mantém um "diário do romance", a partir do qual pretende escrever um romance -"Moedeiros Falsos". A obra criou o "mise-en-abîme" - técnica em que a personagem se duplica dentro do romance. Francês, recebeu o Nobel em 1947.

28º - Malone Morre (1951) - Samuel Beckett. Edições Dom Quixote (Portugal). Segundo livro da trilogia do autor. Moribundo em um leito de hospital, Malone reflete sobre sua vida.

29º - O Deserto do Tártaros (1940) - Dino Buzzati (1906-1972). Mondadori ("Il Deserto dei Tartari", Itália) Italiano. O tenente Drogo é enviado ao longínquo e decadente forte Bastiani, situado na fronteira pacificada de um país que nunca é nomeado. Lá, todos aguardam há décadas o ataque improvável dos tártaros e a desilusão se torna regra.

30º - Lord Jim (1900) - Joseph Conrad (1857-1924). Publicações Europa-América (Portugal). Conrad narra a história de um marinheiro atormentado pelo remorso de ter permitido o naufrágio de seu navio.

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31º - Orlando (1928) - Virginia Woolf. Ediouro. A autora inglesa imagina sua amiga, a também escritora Vita-Sackville West, vivendo nos três séculos anteriores.

32º - A Peste (1947) - Albert Camus. Record. Epidemia assola Orán, na Argélia. A cidade é isolada e muitos morrem. Escrita logo após o fim da Segunda Guerra, a obra reflete sobre como indivíduos reagem à morte iminente, ao isolamento e ao vácuo de sentido que se abre em suas vidas.

33º - O Grande Gatsby (1925) - Scott Fitzgerald (1896-1940). Relógio d'Água (Portugal). Americano. Vivendo de negócios ilícitos, Jay Gatsby revê antiga paixão, Daisy, agora casada com o milionário Tom Buchanan. Tornam-se amantes, mas Daisy e o marido acabarão por envolver Gatsby em intriga que o levará a um fim trágico.

34º - O Tambor (1959) - Günter Grass (1927). Vintage Books ("The Tin Drum", EUA). Obra em que o autor alemão narra a ascensão do nazismo. Internado em um manicômio, Oskar relembra sua vida desde os três anos, quando decidiu parar de crescer por ódio aos pais e ao mundo adulto.

35º - Pedro Páramo (1955) - Juan Rulfo (1918-1986). Paz e Terra. Mexicano. Nesta obra que prenuncia o "realismo mágico", Juan chega a Comala em busca do paradeiro do pai, Pedro Páramo. Mas, ao descobrir que o povoado é habitado apenas por mortos, Juan morre aterrorizado. Enterrado, outros fantasmas irão lhe contar a vida de seu pai.

36º - Viagem ao Fim da Noite (1932) - Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Cia. das Letras. Francês. Após ser ferido na Primeira Guerra, Bardamu conhece a americana Lola, com quem viaja para os EUA. Passado na França, África e nos EUA, a obra critica as guerras e o colonialismo.

37º - Berlin Alexanderplatz (1929)1929) - Alfred Döblin (1878-1957). Rocco. Rocco Alemão. Obra que abriu novas possibilidades ao gênero ao utilizar técnicas de montagem e justaposição para construir, nos anos 20, uma Berlim multifacetada, por onde transitam personagens esmagadas pela engrenagem social.

38º - Doutor Jivago (1957) - Boris Pasternak (1890-1960). Itatiaia. Um amplo painel da Rússia nas três primeiras décadas deste século, desde a crise do czarismo até a implantação do comunismo. O autor foi perseguido pelo regime comunista soviético, que o forçou a recusar o Prêmio Nobel de 1958.

39º - Molloy (1951) - Samuel Beckett (1906-1989). Nova Fronteira. Primeiro obra da trilogia. Relembrando suas viagens, os narradores Molloy e Moran revelam-se a mesma pessoa, e as viagens, a busca da identidade perdida.

40º - A Condição Humana (1933) - André Malraux (1901-1976). Record. Ambientado em Xangai (China), o romance dramatiza os primeiros levantes da Revolução Chinesa, em 1927. Francês, Malraux foi ministro da Cultura de Charles de Gaulle.

41º - O Jogo da Amarelinha (1963) - Julio Cortázar (1914-1984). Civilização Brasileira. Argentino. A vida de Oliveira em Paris é o pretexto para o autor criar um dos romances mais ousados do século 20. Ao propor possibilidades da leitura dos capítulos fora da ordem sequencial, o narrador delega ao leitor a capacidade de também "construir" o romance.

42º - Retrato do Artista quando Jovem (1917) - James Joyce. Ediouro. De caráter autobiográfico, a obra investiga o processo de formação do artista ao longo da infância e adolescência do personagem Stephen Dedalus, que será um dos personagens centrais de "Ulisses".

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43º - A Cidade e as Serras (1901) - Eça de Queirós (1845-1900). Ediouro. Principal autor do realismo português, Eça põe em cena a dicotomia entre campo e cidade, ao contar a história de dois amigos, um entusiasta da moderna Paris e outro da vida bucólica em Portugal.

44º - Aquela Confusão Louca da Via Merulana (1957) - Carlo Emilio Gadda (1893- 1973). Record. Neste romance "policial" sobre um roubo de jóias, ambientado nos primeiros anos do fascismo, o autor italiano radicaliza o uso de jargões, gírias e dialetos.

45º - As Vinhas da Ira (1939) - John Steinbeck (1902-1968). Record. Americano, ganhou o Nobel de 1962. Marcada por forte crítica social, obra narra a saga de uma família de camponeses em busca de trabalho na Califórnia.

46º - Auto de Fé (1935) - Elias Canetti (1905-1994). Nova Fronteira. Búlgaro de língua alemã, ganhou o Nobel de 1981. Obcecado desde a infância pela idéia de ler e saber tudo, o professor Kien acaba por morrer queimado em um incêndio de seus 100 mil livros.

47 º - À Sombra do Vulcão (1947) - Malcolm Lowry (1909-1957). Ed. Siciliano. Inglês. Incorporando técnicas da linguagem cinematográfica -como flashbacks e justaposição de imagens e pensamentos-, a obra narra o périplo de um velho cônsul alcoólatra por uma cidadezinha do México.

49º - Macunaíma (1928) - Mário de Andrade (1893-1945). Scipione e Villa Rica. Obra de ficção mais importante do modernismo brasileiro, "Macunaíma", "o herói sem nenhum caráter", sincretiza o que Mário de Andrade considerava as características do povo brasileiro: índio, negro e branco, desleal, ambicioso, coração mole, corajoso, mas preguiçoso.

50º - O Bosque das Ilusões Perdidas (1913) - Alain Fournier (1886-1914). Relógio d'Água (Portugal). A partir da paixão de um estudante por uma aldeã, o autor francês constrói uma fábula poética sobre a passagem da infância à adolescência.

51º - Morte a Crédito (1936) - Louis-Ferdinand Céline (1894-1961). Nova Fronteira. Fugindo da miséria, Ferdinand deixa sua casa e se envolve com um inventor fantástico que criou uma forma de plantio "rádio-telúrico", que provoca a ira dos agricultores do interior da França. A obra radicalizou o experimentalismo linguístico de "Viagem ao Fim da Noite".

52º - O Amante de Lady Chatterley (1928) - D.H. Lawrence (1885-1930). Graal. Proibido na Inglaterra por 32 anos, acusado de obscenidade, o romance narra a paixão avassaladora entre a mulher de um aristocrata inglês e um guarda-caça.

53º - O Século das Luzes (1962) - Alejo Carpentier (1904-1980). Global. Cubano. Publicada a princípio em francês, essa crônica histórica se passa na ilha antilhana de Guadalupe, onde comerciante tenta impor os ideais da Revolução Francesa (1789) em curso na Europa.

54º - Uma Tragédia Americana (1925) - Theodore Dreiser (1871-1945). New America Library ("An American Tragedy", EUA). Escritor americano. Jovem ambicioso e arrivista planeja matar a namorada que pode impedir sua ascensão social. Deixa a idéia de lado, mas a moça acaba morrendo e ele é acusado.

55º - América (1927) - Franz Kafka. Livros do Brasil (Portugal). Obra inacabada de Kafka, publicada três anos após sua morte, conta a história de jovem que é enviado aos EUA pelos pais depois de engravidar uma empregada.

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59º - A Vida - Modo de Usar (1978) - Georges Perec (1936-1982). Companhia das Letras. Partindo da idéia do quebra-cabeças, o livro relaciona as vidas e experiências dos moradores de um edifício em Paris. Perec participou do grupo de experimentação literária OuLiPo, de Raymond Queneau.

60º - José e Seus Irmãos (1933-1943) - Thomas Mann. Ed. Nova Fronteira. Tetralogia baseada na narrativa bíblica de Jacó, vendido pelos irmãos aos israelitas: "A História de Jacó", "O Jovem José", "José no Egito" e "José, o Provedor".

61º - Os Thibault (1921-1940) - Roger Martin du Gard (1881-1958). 2 vols. Ed. Globo. Neste ciclo de oito romances, os grandes temas do entre-guerras, como o declínio do espírito religioso e a desilusão com o socialismo, são encenados por meio da trajetória de dois irmãos. Francês, ganhou o Prêmio Nobel em 1937.

62º - Cidades Invisíveis (1972) - Italo Calvino (1923-1985). Companhia das Letras. O viajante veneziano Marco Polo descreve a Kublai Khan, de modo fabular e fantasioso, as incontáveis cidades do império do conquistador mongol.

63º - Paralelo 42 (1930) - John dos Passos (1896-1970). Ed. Rocco. Inaugurando a trilogia "USA", formada ainda por "1919" e "Dinheiro Graúdo", a obra do autor americano descendente de portugueses traça um painel da América nas primeiras décadas do século. 64º - Memórias de Adriano (1951) - Marguerite Yourcenar (1903-1987). Ed. Nova Fronteira. Escritora belga. No século 2º d.C., o imperador romano Adriano, próximo da morte, faz um balanço de sua existência em carta ao jovem Marco Aurélio.

65º - Passagem para a Índia (1924) - E.M. Forster (1879-1970). Publicações Europa- América (Portugal). Inglês. Na Índia sob dominação britânica, um nacionalista hindu é acusado por uma inglesa de praticar atos imorais. É preso e levado a julgamento.

66º - Trópico de Câncer (1934) - Henry Miller. Ibrasa - Instituição Brasileira de Difusão Cultural.De caráter autobiográfico, a obra recria o clima de liberdade e inconformismo de artistas e escritores americanos que viviam em Paris no entre-guerras.

67º - Enquanto Agonizo (1930) - William Faulkner. Ed. Exped. O périplo da família Bundren para enterrar a mãe em Jefferson é um pretexto para virem à tona -na consciência das personagens- as desavenças entre irmãos, pai e tios.

68º - As Asas da Pomba (1902) - Henry James (1843-1916). Ediouro. Rapaz é estimulado pela amante maquiavélica a cortejar uma milionária que está à beira da morte.

69º - O Jovem Törless (1906) - Robert Musil. Ed. Nova Fronteira. Alemão. Descreve a vida de adolescentes em um internato alemão, onde a severidade do sistema educacional conjuga-se à brutalidade do comportamento dos alunos.

70º - A Modificação (1957) - Michel Butor (1926). Minuit ("La Modification", França). Narrado inteiramente na segunda pessoa do plural, o livro conta a história de homem que, em um trem, a caminho de encontrar a amante em Roma, divide-se entre o amor dela e o de sua mulher.

71º - A Colméia (1951) - Camilo José Cela (1916). BCD União de Editoras. Espanhol, ganhou o Nobel de 1989. Diversos personagens e histórias se cruzam neste livro em que a verdadeira personagem é a cidade de Madri (Espanha), logo após a Segunda Guerra.

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72º - A Estrada de Flandres (1960) - Claude Simon (1913). Ed. Nova Fronteira. O francês Claude Simon, ligado ao movimento do "roman nouveau" (novo romance), evoca neste livro a derrota da França pelos nazistas em 1940. Ganhou o Prêmio Nobel em

1985.

73º - A Sangue Frio (1966) - Truman Capote (1924-1984). Livros do Brasil (Portugal). Enviado como jornalista para cobrir um crime real, o autor americano criou um novo gênero -o romance-documento-, que insere na ficção a investigação sistemática da reportagem.

74º - A Laranja Mecânica (1962) - Anthony Burgess (1916-1993). Ediouro. Em uma cidade imaginária, o líder de uma gangue de vândalos é preso e submetido a lavagem cerebral para "descriminalizá-lo". Escritor britânico.

75º - O Apanhador no Campo de Centeio (1951) - J.D. Salinger (1919). Editora do Autor. O americano Salinger retrata o vazio da classe média americana e os dilemas típicos da adolescência nos anos 50 a partir da história de um jovem que vaga sem rumo por Nova York.

76º - Cavalaria Vermelha (1926) - Isaac Babel (1894-1941). Ediouro. De grande força épica, o livro narra a vida repleta de massacres e violência dos soldados russos -os cossacos.

77º - Jean Christophe (1904-12) - Romain Rolland (1866-1944). Ed. Globo. Biografia imaginária de um músico alemão que vai viver na França, mas acaba se decepcionando com a frivolidade da cultura do país.

78º - Complexo de Portnoy (1969) - Philip Roth (1933). Editora L&PM. Americano. Conceito da psiquiatria, "Complexo de Portnoy" tem como eixo garoto judeu obcecado pela mãe e em busca de satisfação sexual, o que acaba por aumentar seu complexo de culpa.

79º - Nós (1924) - Evgueni Ivanovitch Zamiatin (1884-1937). Ed. Antígona (Portugal). O escritor russo satiriza o regime comunista soviético por meio de uma cidade imaginária onde não existem nem individualismo nem liberdade.

80º - O Ciúme (1957) - Allain Robbe-Grillet (1922). Ed. Minuit ("La Jalousie", França). Francês. Nesta obra-chave do "nouveau roman", um narrador paranóico investiga a suposta traição da mulher.

81º - O Imoralista (1902) - André Gide (1869-1951). Ed. Gallimard ("L'Imoraliste", França). Escritor francês. Criado na estrita moral puritana, Michel busca a auto- realização, o que resulta no sacrifício daqueles que o cercam, como a sua mulher.

82º - O Mestre e Margarida (1940) - Mikhail Afanasevitch (1891-1940). Ed. Ars Poética. Escritor russo. Voland -a encarnação do diabo- é internado em um manicômio ao desmascarar os abusos e favoritismos da sociedade russa dos anos 20.

83º - O Senhor Presidente (1946) - Miguel Ángel Asturias (1899-1974). Ed. Losada ("El Señor Presidente", Argentina). Ganhador do Nobel de 1967, o guatemalteco se tornou um dos pioneiros do "r