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Índice

1. Introdução...........................................................................................................................3

2. A origem do agente comercial e respectiva evolução histórica..........................................4

3. Delimitação objectiva do contrato de agência....................................................................5

3.1. Nocção.........................................................................................................................5

3.2. Conteúdo......................................................................................................................5

3.2.1. Elementos Essenciais...........................................................................................5

3.2.2. Elementos não Essenciais.....................................................................................7

3.2.3. Forma e prova do contrato.....................................................................................10

4. Direitos e obrigações das partes...........................................................................................11

4.1. Obrigações do agente.....................................................................................................11

4.1.1. Princípio geral.........................................................................................................11

4.1.2. Obrigação de segredo.............................................................................................11

4.1.3. Obrigação de não concorrência...............................................................................12

4.1.4. Obrigação de garantia - Convenção del credere.....................................................12

4.1.5. Impossibilidade temporária.....................................................................................12

4.1.6. Obrigações de restituição........................................................................................12

4.1.7. Dever de informação...............................................................................................12

4.2. Direitos do agente..........................................................................................................13

4.2.1Principio geral...........................................................................................................13

4.2.2. Direito a aviso.........................................................................................................13

4.2.3.Direito à retribuição.................................................................................................14

4.2.4.Direito à comissão....................................................................................................14

4.2.5. Despesas..................................................................................................................15

4.2.6. Direito de retenção..................................................................................................15

6. Cessão do contrato...............................................................................................................15
6.1. Forma do mútuo acordo.................................................................................................15

6.2. Caducidade....................................................................................................................15

6.3. Prazos de denúncia........................................................................................................16

6.4. Resolução......................................................................................................................16

6.5. Responsabilidade civil na agencia.................................................................................17

6.5.1. Falta de pré-aviso...................................................................................................17

6.5.2. Incumprimento contratual......................................................................................17

7.1. Compensação da clientela.............................................................................................17

7.1.1. Cálculo da compensação de clientela.....................................................................18

8. Conclusão.............................................................................................................................19

9. Referências Bibliográficas...................................................................................................20

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1. Introdução

No presente trabalho iremos falar sobre o contrato de agencia, para os efeitos, procedeu-se
inicialmente a uma análise histórica desta figura de representação comercial, seguidamente,
foram abordados os sujeitos contratuais e os elementos caracterizadores da relação de
agência, os direitos e dos deveres das partes contraentes, na pendência do vínculo contratual,
assim como após a sua cessão, constituiu igualmente parte substancial do presente trabalho,
tendo ainda sido focados os prazos de vigência do contrato e as suas várias formas de cessão,
por último, mas não menos importante, foi abordada a responsabilidade civil no seio da
agência, com especial destaque para a indemnização de clientela.

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2. A origem do agente comercial e respectiva evolução histórica

A agência, enquanto relação comercial, tem-se desenvolvido desde os primórdios da


existência humana, encontrando-se implícita nas relações negociais preconizadas no seio das
sociedades mais modernizadas. A celeridade da sua evolução e respectiva segurança teve, no
entanto, o primeiro impulso digno de registo no final da Idade Média, operada pela projecção
mais significativa dos meios de comunicação desenvolvidos. A curiosidade e do ser humano
em querer ir cada vez mais longe, descobrindo e explorando novos horizontes e
desconhecidas realidades além das fronteiras, misturado com o espírito de iniciativa e a
vontade de angariar maiores fortunas, fez com que surgisse a figura da “commenda”. Esta
figura jurídica, nascida no século XII, concretizava a relação comercial existente entre o
“commendator” (comerciante) e o “tractator” (normalmente um capitão ou figura
semelhante), na qual o primeiro incumbia o segundo, através da participação nos lucros (que
em certos casos poderia atingir a metade) e também nos prejuízos, a vender os seus produtos
em lugares remotos. Esta figura viria a ser substituída, no século XVI, pela figura da
comissão. Nesta forma de “representação económica”, o comissário concluía os negócios em
seu nome e em nome do comitente, obtendo como remuneração uma provisão. Isto permitia
ao comitente poupar nas despesas de deslocação e, ao mesmo tempo, manter-se incógnito
perante os consumidores, o que naquela época era visto como mais vantajoso, [ CITATION
Bar91 \l 1033 ].

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3. Delimitação objectiva do contrato de agência

3.1. Nocção

De acordo com o art.522 do C.com a agência é um contrato pelo qual uma das partes (o
agente) se obriga a promover por conta de outra (o principal) a celebração de contratos, de
modo autónomo e estável e mediante retribuição, podendo ser-lhe atribuída certa zona ou
determinado círculo de clientes.

3.2. Conteúdo

Para Monteiro (2010), os elementos caracterizadores do contrato de agência poderão ser


divididos em duas grandes subcategorias. A saber, os elementos essenciais e os elementos
não essenciais.

3.2.1. Elementos Essenciais

São elementos essenciais e necessários do contrato de agência:

 A obrigação de promoção de contratos (por parte do agente);


 Por conta de outrem (do principal);
 A autonomia (do agente);
 A estabilidade (do vínculo entre o agente e o principal);
 A remuneração (a cargo do principal).

3.2.1.1. Obrigação de promoção de celebração de contratos


Este é, sem margem para dúvidas, o elemento decisivo para a qualificação do contrato de
agência. É obrigação fundamental do agente levar a cabo actividades que possibilitem a
conclusão de contratos entre o principal e terceiros. Estas actividades compreendem os mais
diversificados actos de promoção comercial, prospecção e conquista de mercados locais,
nacionais ou estrangeiros - fruto da globalização - angariando o agente clientes através da
difusão dos produtos e serviços comercializados pelo principal. Há uma relação triangular
entre o agente – o principal – o cliente.

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O vínculo existente entre as partes da relação de agência tende a funcionar de forma a que o
principal se encontre economicamente posicionado do lado da oferta, cabendo ao agente o
papel de prospector do mercado. Mas nem sempre assim é, acabando a realidade económica
por exceder a imaginação do legislador, admitindo-se precisamente o contrário, ou seja, que
na celebração de contratos de agência promovidos pelo agente, o principal se venha a colocar
no lado da procura, mormente, como adquirente de bens e serviços.

3.2.1.2. Por conta de outrem


O agente mantém-se, nesta relação triangular entre principal-agente-cliente, completamente
alheio às obrigações recíprocas criadas, fruto da sua intervenção, não resultando para o
mesmo qualquer direito próprio paralelo ao do principal. O contrato de agencia é uma
subespécie de contrato de prestação de serviços, designadamente um contrato de gestão de
interesses alheios e de cooperação ou colaboração.

3.2.1.3. A autonomia
Outra característica fundamental da relação de agência é sem dúvida a autonomia do agente
perante o principal, ao agente é facultada uma organização livre e independente da sua
actividade, encontrando-se está apenas balizada por eventuais directrizes elementares ou
programáticas esporadicamente emanadas pelo principal, traduzidas em meras orientações
referentes à política económica do seu negócio. Outro elemento simbólico da patente
autonomia existente na relação de agência é a possibilidade de pessoas colectivas assumirem
o papel tanto de principal, como de agente. Este carácter eminentemente empresarial da
relação jurídica de agência claramente conflui com a ideia de total independência entre as
partes do respectivo contrato.

3.2.1.4. Estabilidade
A estabilidade do vínculo negocial existente entre o principal e o agente, como elemento
necessário da relação de agência, de forma alguma esbarra com a possibilidade de estipulação
de prazos de duração para este tipo contratual.

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3.2.1.5. Retribuição
Por último, afloremos o cariz oneroso do vínculo contratual. Como elemento basilar da
relação de agência, traduz-se na obrigatoriedade remuneratória da actividade desenvolvida
pelo agente, descartando-se, logicamente, a gratuidade da relação contratual. Caso o agente
não seja remunerado pelo seu trabalho ou tal compensação não se encontre contratualmente
prevista, inexiste o contrato agência. A compensação do agente assume, no entanto, um
carácter eminentemente variável, dado que é atribuída (pelo principal) sob forma de comissão
ou de percentagem calculada sobre o volume de negócios angariado pelo agente.

Assim, a compensação auferida pelo agente totalmente depende do seu êxito, da sua
capacidade de trabalho e da sua capacidade de negociação. Esta característica variável da
remuneração não descarta a possibilidade deste auferir, a título estável, uma quantia fixa
previamente acordada com a contraparte

3.2.2. Elementos não Essenciais

3.2.2.1. Delimitação geográfica e subjectiva


O primeiro critério, ou seja, o da territorialidade, pretende circunscrever a actividade do
representante comercial a uma determinada zona geográfica. Esta zona poderá corresponder a
um país, distrito, concelho, freguesia, ou ainda a uma cidade, um bairro ou mesmo um
quarteirão. Tudo dependerá daquilo que as partes contratuais acordarem entre si. O segundo
critério de delimitação é o chamado critério subjectivo. Este circunscreve a actuação do
agente a um círculo específico ou a um género característico de cliente. Assim, o contrato de
agência poderá estipular que o agente apenas desempenhará as suas funções, colocando em
prática uma panóplia de iniciativas próprias da sua actividade sob um determinado tipo de
cliente, a saber, grossistas, retalhistas ou consumidor final.

3.2.2.2. Agência e representação

3.2.2.2.1. Agente com poderes de representação

De acordo com o art. 524 do C.com nº1, sem prejuízo do disposto nos números seguintes, o
agente só pode celebrar contratos em nome da outra parte se está lhe tiver conferido, por
escrito, os necessários poderes, nº2 podem ser apresentadas ao agente, porém, as reclamações

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ou outras declarações respeitantes aos negócios celebrados por seu intermédio, nº3 o agente
tem legitimidade para requerer as providências urgentes que se mostrem indispensáveis em
ordem a acautelar os direitos da outra parte.

Esta confere de poderes de representação ao agente deverá, no entanto, ser obrigatoriamente


reduzida a escrito, quer no seio do próprio contrato de agência, quer através de documento
escrito posterior, mormente, sob forma de procuração. Através desta concessão de poderes
suficientes de representação, o principal confere ao agente a capacidade e a legitimidade para,
em nome daquele, praticar actos legalmente vinculativos, cujos efeitos repercutir-se-ão
directamente na sua esfera jurídica. Neste sentido, o agente não só actuará “por conta” do
principal (elemento essencial da relação de agência), como passará a actuar também “em
nome” deste[ CITATION Mar98 \l 1033 ].

3.2.2.2.2. Agente em representação aparente

De acordo com o art. 545 do C.com nº1, o negócio celebrado por um agente sem poderes de
representação é eficaz perante o principal se tiverem existido razões ponderosas,
objectivamente apreciadas, tendo em conta as circunstâncias do caso, que justifiquem a
confiança do terceiro de boa fé na legitimidade do agente, desde que o principal tenha
igualmente contribuído para fundar a confiança do terceiro, nº2 a cobrança de créditos por
agente não autorizado aplica-se, com as necessárias adaptações, o disposto no número
anterior.

A representatividade aparente é, pela própria génese da relação de agência, prende-se


directamente com a defesa dos princípios gerais da boa-fé e da tutela de terceiros, visando
proteger, no seio do contrato de agência, tanto o cliente de boa-fé, como o principal, em cuja
esfera jurídica os efeitos do negócio se irão reflectir.

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3.2.2.2.3. Agente sem poderes de representação

De acordo com o art. 544 do C.com nº1, o negócio celebrado por um agente sem poderes de
representação é eficaz perante o principal se tiverem existido razões ponderosas,
objectivamente apreciadas, tendo em conta as circunstâncias do caso, que justifiquem a
confiança do terceiro de boa fé na legitimidade do agente, desde que o principal tenha
igualmente contribuído para fundar a confiança do terceiro, nº2 a cobrança de créditos por
agente não autorizado aplica-se, com as necessárias adaptações, o disposto no número
anterior.

3.2.2.2.4. Agente e a cobrança de créditos

De acordo com o art. 525 do C.com nº1, o agente só pode efectuar a cobrança de créditos se a
outra parte a tanto o autorizar por escrito, nº2 presume-se autorizado a cobrar os créditos
resultantes dos contratos por si celebrados o agente a quem tenham sido conferidos poderes
de representação, nº3 se o agente cobrar créditos sem a necessária autorização, aplica-se o
disposto no artigo 770 do Código Civil, sem prejuízo do regime consagrado no artigo 546 do
código comercial.

O agente deverá, também, obrigatoriamente proceder através da forma escrita, quer seja no
próprio contrato de agência, quer seja através de documento escrito posterior, sob forma de
procuração ou de autorização específica. Constam nesta obrigação formal os princípios da
transparência e da segurança nas relações jurídicas intra-partes (principal-agente-cliente).

Este poder atribuído ao agente não poderá, no entanto, ser interpretado de forma extensiva.
Assim, apesar de formalmente autorizado para cobrar os créditos oriundos dos contratos por
si angariados, não dispõe o agente de poderes para alterar o direito de crédito do principal,
designadamente concedendo condições especiais de pagamento ou prolongações de prazos
para cumprimento das respectivas obrigações contratuais, sejam elas financeiras ou de
qualquer outra índole.

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3.2.2.2.5. Cláusula de exclusividade a favor do agente

De acordo com o art. 526 do C.com, nº1 existindo no contrato cláusula de exclusividade a
favor do agente, fica o principal impedido de contratar outro agente para promover negócios
no mesmo ramo de actividade e na mesma zona de actuação, salvo com o consentimento do
primeiro agente, nº2 o inadimplemento da obrigação de respeitar a exclusividade a favor do
agente constitui justa causa de rescisão do contrato de agência.

As partes podem estipular no contrato a exclusividade de actuação empresarial do agente a


favor do principal, ficando aquele impedido de agenciar propostas e pedidos para outro
principal, mesmo que seja de diferente ramo de negócio. No silêncio do contrato ou não
existindo exclusividade a favor do principal, entende-se que a proibição de actuar a favor de
outros principais se limita aos bens e serviços objecto do contrato de agência.

3.2.3. Forma e prova do contrato

De acordo com o art. 523 do C.com, 1. O contrato de agência está sujeito à forma escrita
devendo conter, entre outros, os seguintes elementos:

a) identificação completa e endereço das partes;

b) indicação genérica ou específica dos produtos e serviços objecto de agência;

c) duração;

d) indicação precisa da zona de actuação e/ou círculo de clientes onde será exercida a
actividade do agente.

2. O contrato pode ainda conter os seguintes elementos:


a) obrigações e responsabilidades das partes contratantes;

b) existência ou não de garantia de exclusividade, a favor do agente, na zona de actuação;

c) causas que justificam a quebra da exclusividade da zona de actuação do agente e critérios


para compensar a eventual perda desse direito;

d) existência ou não de garantia de actuação exclusiva do agente a favor do principal;

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e) forma de retribuição ao agente pelo exercício da agência.

3. A omissão de qualquer dos elementos referidos no nº. 2 do presente artigo, não


descaracteriza nem determina a nulidade do contrato, devendo a sua falta ser suprida pelas
normas de integração dos contratos e dos princípios gerais do sistema regulador da actividade
empresarial previstos neste Código, aplicando-se, ainda, os usos e costumes da praça.

4. Direitos e obrigações das partes

4.1. Obrigações do agente

4.1.1. Princípio geral

De acordo com o art. 530 do C.com, 1. No cumprimento das suas obrigações, deve, o agente,
como princípio geral regulador das suas actividades, proceder de boa-fé, competindo-lhe
zelar pelos interesses da outra parte e desenvolver as actividades adequadas à realização
plena do fim do contrato.

2. O agente é obrigado, entre outras:

a) a observar as instruções da outra parte que não ponham em causa a sua autonomia;

b) a fornecer as informações que lhe forem solicitadas ou que sejam necessárias para uma boa
gestão, sobretudo as relativas à solvabilidade dos clientes;

c) a prestar esclarecimentos à outra parte sobre a situação do mercado e as suas perspectivas


de evolução;

d) a prestar contas nos termos acordados, ou sempre que isso se justificar.

4.1.2. Obrigação de segredo

De acordo com art. 531 do C.com, O agente não pode, mesmo após a cessação do contrato,
utilizar ou revelar a terceiros segredos do principal que lhe tenham sido confiados ou de que
tenha tomado conhecimento no exercício da sua actividade, salvo na medida em que as regras
da deontologia profissional o permitam.

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4.1.3. Obrigação de não concorrência

De acordo com art. 532 do C.com, 1. Deve constar de documento escrito o acordo pelo qual
se estabelece a obrigação de o agente não exercer, após a cessação do contrato, actividades
que estejam em concorrência com as do principal.

2. A obrigação de não concorrência só pode ser convencionada por um período máximo de


dois anos e circunscreve-se à zona ou círculo de clientes confiado ao agente.

4.1.4. Obrigação de garantia - Convenção del credere

De acordo com o art. 533 do C.com, 1. O agente pode garantir, através de convenção
reduzida a escrito, o cumprimento das obrigações respeitantes a contrato por si negociado ou
celebrado. 2. A convenção del credere só é válida quando se especifique o contrato ou se
individualizem as pessoas garantidas.

4.1.5. Impossibilidade temporária

De acordo com o art. 534 do C.com, O agente que esteja temporariamente impossibilitado de
cumprir o contrato, no todo ou em parte, deve avisar, de imediato, o principal.

4.1.6. Obrigações de restituição

De acordo com o art. 556 do C.com, Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, cada
contraente tem a obrigação de restituir, no termo do contrato, os objectos, valores e demais
elementos pertencentes ao outro.

4.1.7. Dever de informação

De acordo com o art. 543 do C.com, 1. O agente deve informar os interessados sobre os
poderes que possui, designadamente através de letreiros afixados nos seus locais de trabalho e
em todos os documentos em que se identifica como agente de outrem, deles devendo sempre
constar se tem ou não poderes representativos e se pode ou não efectuar a cobrança de
créditos.

2. As informações respeitantes ao número anterior devem constar obrigatoriamente da língua


oficial.

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4.2. Direitos do agente

4.2.1Principio geral

De acordo com o art. 535 do C.com, 1. O agente tem direito de exigir do principal um
comportamento segundo a boa-fé, visando a realização plena do fim do contrato.

2. O agente tem direito, entre outros:

a) a obter da outra parte os elementos que, tendo em conta as circunstâncias, se mostrem


necessários ao exercício da sua actividade;

b) a ser informado, sem demora, da aceitação ou recusa dos contratos negociados e dos que
haja celebrado sem os necessários poderes;

c) a receber, periodicamente, uma relação dos contratos celebrados e das comissões devidas,
o mais tardar até ao último dia do mês seguinte ao trimestre em que o direito à comissão tiver
sido adquirido;

d) a exigir que lhe sejam fornecidas todas as informações, nomeadamente, um extracto dos
livros de escrituração mercantil da outra parte, que sejam necessárias para verificar o
montante das comissões que lhe sejam devidas;

e) ao pagamento da retribuição, nos termos acordados;

f) a receber comissões especiais, que podem cumular-se, relativas ao encargo de cobrança de


crédito e à convenção del credere;

g) a uma compensação, pela obrigação de não concorrência após a cessação do contrato.

4.2.2. Direito a aviso

De acordo com o art. 536 do C.com, o agente tem o direito de ser avisado, de imediato, de
que o principal só está em condições de concluir um número de contratos consideravelmente
inferior ao que fora convencionado ou àquele que era de esperar, segundo as circunstâncias.

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4.2.3.Direito à retribuição

De acordo com art. 537 do C.com, na ausência de convenção das partes, a retribuição do
agente é calculada segundo os usos ou, na falta destes, de acordo com a equidade.

4.2.4.Direito à comissão

De acordo com art. 538 do C.com, 1. O agente tem direito a uma comissão pelos contratos
que promoveu e, bem assim, pelos contratos celebrados com clientes por si angariados, desde
que celebrados antes do termo da relação de agência.

2. O agente que beneficie do direito de exclusividade não perde, salvo convenção escrita em
contrário, o direito à comissão respeitante aos contratos celebrados directamente pela outra
parte com pessoas pertencentes à zona ou ao círculo de clientes que lhe foi reservado.

3. O agente só tem direito à comissão pelos contratos celebrados após o termo da relação de
agência provando ter sido ela a negociá-los, ou, tendo-os preparado, fica a sua celebração a
dever-se, principalmente, à actividade por si desenvolvida, contanto que em ambos os casos
sejam celebrados num prazo razoável subsequente ao termo da agência.

4.2.4.1. Aquisição do direito à comissão


De acordo com art. 540 do C.com, 1. O agente adquire o direito à comissão logo e na medida
em que se verifique alguma das seguintes circunstâncias:

a) o principal haja cumprido o contrato ou deva tê-lo cumprido por força do acordo celebrado
com o terceiro;

b) o terceiro haja cumprido o contrato.

2. Qualquer acordo das partes sobre o direito à comissão não pode obstar que este se adquira
pelo menos quando o terceiro cumpra o contrato ou deva tê-lo cumprido, caso o principal
tenha já cumprido a sua obrigação.

3. A comissão referida nos números anteriores deve ser paga até ao último dia do mês
seguinte ao trimestre em que o direito tiver sido adquirido.

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4. Existindo convenção del credere pode, porém, o agente exigir as comissões devidas uma
vez celebrado o contrato.

4.2.4.2. Sucessão de agentes


De acordo com o art. 539 do C.com, o agente não tem direito à comissão na vigência do
contrato se a mesma for devida, por força do nº. 3 do artigo anterior, ao agente que o
anteceder, sem prejuízo de a comissão poder ser repartida equitativamente entre ambos,
quando se verifiquem circunstâncias que o justifiquem.

4.2.5. Despesas

De acordo com o art. 542 do C.com, Na falta de convenção em contrário, o agente não tem
direito de reembolso das despesas pelo exercício normal da sua actividade

4.2.6. Direito de retenção

De acordo com o art. 555 do C.com, pelos créditos resultantes da sua actividade, o agente
goza do direito de retenção sobre os objectos e valores que detém em virtude do contrato.

5. Duração do contrato

De acordo com o art. 548 do C.com, Se as partes não tiverem convencionado prazo, o
contrato presume-se celebrado por tempo indeterminado. Considera-se renovado por tempo
indeterminado o contrato que continue a ser cumprido pelas partes após o decurso do prazo.

6. Cessão do contrato

6.1. Forma do mútuo acordo

De acordo com art. 546 do C.com, O acordo pelo qual as partes decidem pôr termo à relação
contratual deve constar de documento escrito.

6.2. Caducidade

De acordo com art. 547 do C.com, o contrato de agência caduca, especialmente:

a) findo o prazo estipulado;

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b) verificando-se a condição a que as partes o subordinaram ou tornando-se certo que não
pode verificar-se, conforme a condição seja resolutiva ou suspensiva;

c) por morte do agente ou, tratando-se de pessoa colectiva, pela extinção desta;

d) por falência do agente ou do principal.

6.3. Prazos de denúncia

De acordo com o art. 549 do C.com, 1. A denúncia só é permitida nos contratos celebrados
por tempo indeterminado e desde que comunicada ao outro contraente, por escrito, com a
antecedência mínima seguinte:

a) um mês, se o contrato não durar há mais de um ano;

b) dois meses, se o contrato durar há mais de um ano;

c) três meses, se o contrato durar há mais de dois anos;

d) quatro meses, se o contrato durar há mais de três anos;

e) cinco meses, se o contrato durar há mais de quatro anos;

f) seis meses, se o contrato durar há mais de cinco anos.

2. Salvo disposição em contrário, o prazo a que se refere o número anterior termina no último
dia do mês.

3. Se as partes estipularem prazos mais longos do que os consagrados no nº. 1, o prazo a


observar pelo principal não pode ser inferior ao do agente.

4. No caso previsto no nº. 2 do artigo anterior, ter-se-á igualmente em conta, para determinar
a antecedência com que a denúncia deve ser comunicada, o tempo anterior ao decurso do
prazo.

6.4. Resolução

1. O contrato de agência pode ser resolvido por qualquer das partes:

a) se a outra parte faltar ao cumprimento das suas obrigações, quando, pela sua gravidade ou
reiteração, não seja exigível a subsistência do vínculo contratual;
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b) se ocorrerem circunstâncias que tornem impossível ou prejudiquem gravemente a
realização do fim contratual, em termos de não ser exigível que o contrato se mantenha até
expirar o prazo convencionado ou imposto em caso de denúncia.

2. A resolução é feita através de declaração escrita, no prazo de um mês após o conhecimento


dos factos que a justificam, devendo indicar as razões em que se fundamenta.

6.5. Responsabilidade civil na agencia

6.5.1. Falta de pré-aviso

De acordo com o art. 550 do C.com, 1. Quem denunciar o contrato sem respeitar os prazos
referidos no artigo anterior é obrigado a indemnizar o outro contraente pelos danos causados
pela falta de pré-aviso.

2. O agente pode exigir, em vez desta indemnização, uma quantia calculada com base na
retribuição média mensal auferida no decurso do ano precedente, multiplicada pelo tempo em
falta; se o contrato durar há menos de um ano, atender-se-á à retribuição média mensal
auferida na vigência do contrato.

6.5.2. Incumprimento contratual

De acordo com o art. 541 do C.com, Se o não cumprimento do contrato ficar a dever-se à
causa imputável ao principal, o agente não perde o direito de exigir a comissão.

7. Indemnização

De acordo com o art. 552 do C.com, 1. Independentemente do direito de resolver o contrato,


qualquer das partes tem o direito de ser indemnizada, nos termos gerais, pelos danos
resultantes do não cumprimento das obrigações da outra. 1. A resolução com base na alínea
b) do nº. 1 do artigo anterior, confere o direito a uma indemnização segundo a equidade.

7.1. Compensação da clientela

De acordo com o art. 553 do C.com, nº1. Sem prejuízo de qualquer indemnização a que haja
lugar, nos termos das disposições anteriores, o agente tem direito, após a cessação do
contrato, a uma compensação de clientela, desde que sejam preenchidos, cumulativamente, os
requisitos seguintes:
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a) o agente tenha angariado novos clientes para a outra parte ou aumentado substancialmente
o volume de negócios com a clientela já existente;

b) a outra parte venha a beneficiar consideravelmente, após a cessação do contrato, da


actividade desenvolvida pelo agente;

c) o agente deixe de receber qualquer retribuição por contratos negociados ou celebrados,


após a cessação do contrato, com os clientes referidos na alínea a).

2. Em caso de morte do agente, a compensação de clientela pode ser exigida pelos herdeiros.

3. Extingue-se o direito à compensação de clientela se o agente ou os seus herdeiros não


comunicarem ao principal, no prazo de um ano a contar da cessação do contrato, que
pretendem recebê-la, devendo a acção judicial ser proposta dentro do ano subsequente a esta
comunicação.

7.1.1. Cálculo da compensação de clientela

De acordo com o art. 553 do C.com, 1. A compensação de clientela é calculada em termos


equitativos, mas não pode exceder um valor equivalente a uma indemnização anual, calculada
a partir da média anual das remunerações recebidas pelo agente durante os últimos cinco
anos.

2. Tendo o contrato durado menos tempo, atender-se-á à média do período em que esteve em
vigor.

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8. Conclusão

Chegado ao final deste trabalho conclui – se que o significativo aumento da produção e a


consequente exigência de difusão de novos meios de penetração no mercado, aquisição e
conservação de clientela, fez com que se começassem a desenvolver novas formas de
representação comercial em localizações geográficas mais longínquas e distantes das do
respectivo centro de produção. Chegou-se, já naquela época, à conclusão que se teria que
abandonar o tradicional método de colocação de bens no mercado, isto é, fazendo deslocar
trabalhadores do centro produtivo para locais de venda distantes e desconhecidos ou aí criar
filiais ou sucursais, provocando um inevitável aumento dos custos de produção, preferindo-
se, consequentemente, contratualizar com pessoas ou entidades já existentes e a operar
naqueles mercados, aproveitando a sua organização interna, o seu know how e a sua
credibilidade junto do público local.

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9. Referências Bibliográficas

Decreto - lei nº 2/2005 de 27 de Dezembro. Codigo Comercial Mocambique.

Barata, C. L. (1991). Sobre o contrato de agencia. Coimbra: Almedina.

Brito, M. H. (1998). O contrato de agencia. Coimbra: Almedina.

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