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Teoria da Comunicação -

Estudos Culturais
Professora Raquel Lobão
Estudos Culturais - Contextualização
Estudos Culturais - Contextualização
As origens dos Estudos Culturais ou Cultural Studies provêm das
investigações de intelectuais britânicos, reunidos no chamado Centro de
Birmingham, na Inglaterra. Decorrem de uma percepção crítica em relação
às correntes do pensamento moderno ocidental que contemplavam uma
educação para as classes detentoras, sejam do poder econômico, sejam do
poder cultural, com a exclusão das classes menos favorecidas.
Estudos Culturais - Contextualização
Estudos Culturais - Influências Epistemológicas
Estudos Culturais - Tendências Metodológicas
Estudos Culturais - Tendências Metodológicas
Estudos Culturais - objetos de estudo

Anos 70: o trabalho em torno das diferenças de gênero; subculturas


(pequenos grupos de cultura) e feminismo (gênero e identidade).
Emergência das subculturas que buscam resistir à estrutura dominante de
poder.
Segunda metade dos anos 70: foco na cobertura jornalística – meios de
comunicação de massa (MCM) que são vistos não apenas como
entretenimento, mas como aparelhos ideológicos de Estado.
Anos 80: interesse na audiência (recepção).
Anos 90: Papel dos MCM na construção de identidades.
Estudos Culturais - Cultura
Estudos Culturais - Identidade e Diferença
Estudos Culturais - Identidade e Diferença
Estudos Culturais - Principais Teóricos

Richard Hoggart (1918-2014) – “The uses of literacy” (1957). É em parte


autobiográfico e em parte história cultural do meio do século XX. Suas
principais contribuições foram:

1) A consideração de artefatos culturais, antes desprezados, da cultura popular


e dos meios de comunicação de massa, através de metodologia qualitativa;

2) inaugura o olhar de que no contexto do popular não existe apenas submissão,


mas também resistência, o que, mais tarde, será recuperado pelos estudos de
audiência dos meios massivos.
Estudos Culturais - Principais Teóricos

Raymond Williams (1921-1988) – “Culture and Society” (1958). Constrói


um histórico do conceito de cultura, culminando com a ideia de que a
"cultura comum ou ordinária" pode ser vista como um modo de vida em
condições de igualdade de existência com o mundo das artes, literatura e
música.
1) Através de um olhar diferenciado sobre a história literária, mostra que
cultura é uma categoria-chave que conecta a análise literária com a
investigação social.
Estudos Culturais - Principais Teóricos
Edward Thompson (1924-1993) – “The Making of the English Working-class”

Reconstrói uma parte da história da sociedade inglesa de um ponto de vista


particular - a história "dos de baixo". Suas principais contribuições foram:

1) o ressurgimento do conceito de Ideologia nos 60, levando em consideração


as relações de poder em todas as esferas sociais. Influencia o desenvolvimento
da história social britânica na perspectiva marxista.

2) a cultura era uma rede vivida de práticas e relações que constituíam a vida
cotidiana, na qual o papel do indivíduo estava em primeiro plano. Thompson
resistia ao entendimento de cultura enquanto uma forma de vida global.
Preferia vê-la enquanto um enfrentamento entre modos de vida diferentes.
Estudos Culturais - Principais Teóricos

Stuart Hall (1932-2014) – pesquisador jamaicano que também deu importante


contribuição na formação dos Estudos Culturais britânicos ao substituir Hoggart
na direção do Centro, de 1968 a 1979. Incentivou o desenvolvimento da
investigação de práticas de resistência de subculturas e de análises dos meios
massivos, identificando seu papel central na direção da sociedade; exerceu uma
função de "aglutinador" em momentos de intensas distensões teóricas;
destravou debates teóricos-políticos, tornando-se um "catalizador" de inúmeros
projetos coletivos.
Estudos Culturais - Principais Teóricos

Estudou o conceito de identidade a partir de um viés culturalista. Com o


objetivo de analisar os efeitos sociais do pós-guerra na Inglaterra, Hall
tentava compreender a relação entre a cultura contemporânea e a
sociedade de transformação.

Embora não tenham uma intervenção coordenada entre si, os autores


citados revelam um leque em comum de preocupações que abrangem as
relações entre cultura, história e sociedade.
Resumo do pensamento desta escola
1. Cultura não é homogênea. Manifesta-se de maneiras diferentes em qualquer formação social ou
época histórica.
2. Redefinição do conceito de cultura: perpassa todas as práticas sociais. Conceito expandido: artes +
vida cotidiana (práticas que antes eram vistas fora da esfera cultural). Privilegiam as atitudes dos
indivíduos, o papel dos sujeitos, das estruturas sociais.
3. Cultura popular ganha legitimidade, transformando-se em lugar de crítica e reflexão. Crítica às
análises mercadológicas de cultura de massa e às teorias conspirativas.
4. Meios de comunicação não podem ser dissociados do contexto – outro “modelo de transmissão de
cultura”.
Contribuição das pesquisas dos Estudos Culturais:

O destaque para a Escola de Birminghan – década de 60 – Inglaterra

- Cultura no âmbito de uma teoria da produção e reprodução social.

- Sociedade é concebida como um conjunto hierárquico e antagonista de relações


sociais caracterizadas pela opressão de classes, sexos, raças e estratos sociais.

- Modelo gramsciniano de hegemonia e contra-hegemonia.

- Combinação de força e hegemonia.

- A emergência dos Estudos Culturais e sua análise dos meios de comunicação de


massa vieram, no mínimo, romper esta polarização e procurar oferecer uma visão
mais ampla e mediada para o entendimento do papel dos meios de comunicação.

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