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MEDICINA INTERNA
ESQUIZOFRENIA: VOCÊ SABE COMO FECHAR ESSE
DIAGNÓSTICO?

Medicina Interna

Esquizofrenia: você
sabe como fechar
esse diagnóstico?

Essa semana no Portal da


PEBMED falamos sobre esquizofrenia na
gravidez. Por isso, em nossa publicação
semanal de conteúdos compartilhados
do Whitebook Clinical Decision,
separamos a apresentação clínica e os
critérios diagnósticos da esquizofrenia
paranoide.

Veja as melhores condutas médicas


no Whitebook Clinical Decision!

Este conteúdo deve ser utilizado com


cautela, e serve como base de consulta.
Este conteúdo é destinado a profissionais
de saúde. Pessoas que não estejam
neste grupo não devem utilizar este
conteúdo.
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Apresentação clínica da
esquizofrenia
Anamnese

Classicamente o paciente começa a


manifestar os sintomas no final da
adolescência e no início da vida adulta. É
muito raro iniciar após os 50 anos.
Homens tendem a manifestar os
sintomas mais precocemente (18-25
anos). As mulheres apresentam sintomas
por volta dos 20-25 anos, porém
apresentam um pequeno pico de
aumento de incidência aos 40 anos.

A esquizofrenia paranoide tende a se


manifestar mais tardiamente que a
esquizofrenia hebefrênica, não sendo
uma regra geral. É comum, antes do
início dos sintomas mais característicos,
paciente apresentar leves sintomas
cognitivos, sem grande expressividade.

O quadro pode se iniciar ou não com


o trema, apresentação de um quadro
ansioso intenso, com perplexidade e
sensação de um grande mal iminente. É
também chamado de humor delirante.
Esses sintomas vão culminar na criação
do delírio, juízo patologicamente falso,
cujas características principais são a
convicção plena, a impossibilidade de
remoção, mesmo com provas concretas,
a quebra com o lógico e o cultural da
pessoa.

Os delírios são junto às alucinações, os


principais sintomas positivos na
esquizofrenia paranoide. São falsas
crenças fixas (isto é, resistentes à
mudanças por mais que haja evidências
do contrário). Este sintoma pode se
desenvolver como forma de explicar uma
alucinação. Os principais conteúdos
desses delírios são persecutórios,
místicos, de infestação, de influência,
além dos fantásticos. Tendem a ser
menos sistematizados que os
apresentados em geral pelos
esquizofrênicos paranoides.

As alucinações são produções


sensitivas na ausência de estímulo
externo. O tipo de alucinação mais
comum é a auditiva (vozes que
conversam entre si, comentado atitudes
do paciente e dando comandos),
podendo também apresentar ilusões e
alucinações visuais (vultos, sombras),
táteis (animais caminhando ou sensação
de calor ou choques) e gustatórias e
olfativas, além de movimento
(cinestésicas) e corporais (cenestésicas).

Outro sintoma que se mostra junto com


os delírios e as alucinações no paciente
com esquizofrenia paranoide é
a autorreferência, quando crê que
pessoas conversam e riem dele, além de
crer que livros e jornais comentam sobre
sua vida.

Outra característica marcante é


a desorganização do pensamento ou
do comportamento. Além disso, o
pensamento sofre a cisão do
encadeamento natural de ideias e juízos,
ao que se dá o nome de forma do
pensamento. Vai desde
um afrouxamento dos nexos
associativos, passando pela
desagregação do pensamento, podendo
a chegar a um discurso de conceitos
soltos, chamado de jargonofasia ou
salada de palavras. Na esquizofrenia
paranoide, tendem a se manter apenas
os afrouxamentos de nexos, podendo em
momento de crises a apresentar
sintomas mais graves.

Outro complexo psíquico que se altera é


a consciência do eu. Pode apresentar
uma perda do seu limite com o mundo,
de sua unidade, de sua autonomia. O
paciente pode apresentar também
transmissão e roubo de pensamento
(acha que outras pessoas sabem o que
está pensando), as estereotipias motoras
e neologismos (palavras inexistentes ou
existentes, porém ganhando todo um
novo significado para o paciente).

Os sintomas negativos tendem a ser


menos pronunciados nos esquizofrênicos
paranoides. Porém são presentes na
quase totalidade destes, e de muito difícil
controle medicamentoso. Estão
presentes o retraimento social, o
embotamento afetivo, a hipobulia e a
alogia.

O comprometimento cognitivo se
refere a áreas da cognição que são
afetadas: linguagem, atenção, memória
de trabalho, memória visual e de
aprendizado, função executiva,
compreensão verbal e socialização.

Outros: alterações neurológicas (como


agrafoestesia ou estereognosia ou
secundários ao tratamento
farmacológico); catatonia; alterações
metabólicas (primárias ou secundárias à
medicação).

O curso é crônico, com padrão clássico


de surto-remissão, com piora dos
sintomas residuais a cada nova piora
(padrão análogo ao da esclerose
múltipla). A maioria dos pacientes
apresenta piora do funcionamento
gradualmente, no entanto outros
conseguem se manter em uma linha de
base de funcionamento perto do normal.

Marcadores de gravidade:

São fatores para pior prognóstico na


esquizofrenia:

Início na juventude;
Ausência de “gatilho”;
Início insidioso;
História social, sexual e profissional
pré-mórbida pobre;
Comportamento retraído;
Solteiro/divorciado/viúvo;
História familiar positiva;
Sistema de apoio fraco;
Sintomas negativos;
Sintomas neurológicos;
História de trauma perinatal;
3 anos sem remissão de sintomas;
Muitas recaídas;
História de agressividade
Risco de suicídio.

Fatores de risco:

História familiar positiva;


Nascimento entre o inverno e o início
da primavera;
Imigração;
Pais mais velhos à idade da
concepção;
Complicações obstétricas;
Habitante de áreas urbanas;
Moradores de rua.

Comorbidades frequentes:

Transtorno depressivo;
Transtornos ansiosos;
Transtorno por uso de álcool ou outras
substâncias.

Abordagem Diagnóstica
Anamnese e exame físico – colher
informações de familiares e cuidadores
ajudam a entender o que se passa com o
paciente fora do ambiente médico.Exame
psíquico – não há sinais ou sintomas
patognomônicos.

Afastar principais diagnósticos


diferenciais – trata-se de um diagnóstico
de exclusão.

Avaliar se secundário ao uso de


substâncias.

Exames de rotina:

1ª Consulta:

Hemograma (avaliar anemia ferropriva


ou macrocítica);
PCR: avaliar inflamação;
Colesterol total e frações;
Glicemia de jejum;
Eletrólitos;
Função renal;
Hepatograma;
Função tireoidiana;
Prolactina;
Sorologia para HIV, hepatite C e sífilis;
Imagem: apenas em caso de suspeita
de síndrome neurológica associada;
ECG: avaliar prolongamento de
espaço QTc.

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Este conteúdo foi desenvolvido por


médicos, com objetivo de orientar
médicos, estudantes de medicina e
profissionais de saúde em seu dia-a-dia
profissional. Ele não deve ser utilizado
por pessoas que não estejam nestes
grupos citados, bem como suas condutas
servem como orientações para tomadas
de decisão por escolha médica. Para
saber mais, recomendamos a leitura dos
termos de uso dos nossos produtos.

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PUBLICADO POR

Vanessa Thees

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Esquizofrenia / esquizofrenia paranoide

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