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Curso de Licenciatura em Letras - UFF / CEDERJ

Disciplina: Teoria da Literatura I


Coordenador: Professor José Luís Jobim
AD 1 – 2020/2

Aluno: ​Diego Barbosa Dantas


Polo: ​Nova Friburgo Matrícula: ​ ​20113120167
Nota: _______________

1. Apresente diferenças entre senso comum e conceito. Explique.

O senso comum é atribuído àquilo que se pensa no coletivo, com ideias preconcebidas sobre
determinados assuntos e que acabam se instalando de maneira cristalizada numa sociedade
como uma maneira de pensar e viver a realidade, como uma forma de tradição, cultura e
folclore, por exemplo, dificilmente modificado. Nesse sentido, o senso comum pode se
apresentar como algo limitante para as experiências dos integrantes de um meio, impedindo
que aquele indivíduo pense ou aja diferentemente do senso comum.
Por outro lado, há também a possibilidade de pensar em divergência do senso comum,
inclusive, a partir dele, elaborar ou reformular alguma ideia, então, chegar a um conceito. Este
é o meio de conceber e gerar novidades, partindo de um filtro mais crítico é particular,
destoando daquele modelo mais abrangente e genérico do senso comum. No entanto, esse
fato não exclui a importância daquela reflexão coletiva, mas garante a renovação das possíveis
experiências diante do real, como resultado natural de se estar inserido no mesmo. Além disso,
uma das principais contribuições de se gerar um conceito sobre algum aspecto da realidade é
que esse, possivelmente, torna-se “objeto” de observação para o senso comum.
Por exemplo, no geral, pode-se ter a ideia de que literatura é um assunto somente para
indivíduos cultos, no sentido de letrados. Vale lembrar que a palavra “literatura” é oriunda do
latim, “litterae”, que, na língua portuguesa, torna-se “letras”, traçando uma associação direta
entre o exercício da literatura e a escrita, consequentemente, elencando para o ramo da arte
literária apenas pessoas que saibam ler e escrever. Por sua vez, o iletrismo está ligado
diretamente à condição sócio-econômica de uma pessoa ou grupo, ou seja, mais um fator de
afastamento da literatura.
Então, convém pensar num conceito de literatura que abarque esse setor que, devido aos dois
fatores supramencionados, não teria acesso à Literatura. Talvez, uma resposta satisfatória para
tal questão seja a literatura de cordel porque ela apresenta assuntos bastante pertinentes à
comunidade, de maneira resumida, objetiva, com materiais gráficos de baixo custo, impressão
de gravuras que facilitam a compreensão de um iletrado, além da musicalidade, que é um fator
relevante para assimilação e memória.
2. Desenvolva argumentos sobre a conceituação de Literatura.

Assumir um conceito de literatura não é uma tarefa desenvolvida a partir de uma reflexão
isolada, mas que demanda considerar alguns fatores importantes, tais como: o tratamento
sobre o tema para o senso comum, o panorama de pressupostos da tradição histórica e o
reflexo que eles trazem para a contemporaneidade.
Devido ao fato de o senso comum já ter uma noção prévia do que seja literatura,
independentemente de como essa noção ficou enraizada, se ela é equivocada, mal formulada
ou não, o ponto é que qualquer exercício feito em nome de um conceito deve se deparar com
essas referências pré estabelecidas, mas que, possivelmente, apresentam algumas lacunas
que vão sendo preenchidas de acordo com o tempo e a experiências dos participantes. De
qualquer modo, inevitavelmente, se acaba propondo um conceito, partindo da contribuição
apresentada pela tradição. É conveniente citar que a palavra “tradição” encontra sua raíz
etimológica no verbo latino ​tradere​, traduzido como “trazer”. Dessa forma, a ideia que é trazida
apresenta um elemento relevante para o senso comum em um espaço-tempo e se estabelece
como algo capaz de influenciar a posterioridade.
Toma-se como exemplo uma opinião do senso comum que diz que “Literatura é coisa de
artista”. De fato, se for levada em consideração a etimologia da palavra “arte”, do grego ​téchne,
traduzida também como técnica, habilidade manual, astúcia e ciência, pode-se chegar à
conclusão que o fazer literário requer o empenho de um artista, mas que este também é um
cientista, alguém envolvido com o exame da realidade e a divulgação da sua constatação.
Nesse sentido, a opinião em questão pode estar carregada com um teor de preconceito, se
considerar que a literatura é uma arte exclusiva de um grupo, de um número reduzido de
pessoas, unicamente dotadas de aptidões específicas, uma vez que público também esteja
envolvido, dele também é exigido a apreciação da arte e, consequentemente, de sua
experiência, capacidade de observação do mundo.
Além disso, o artista também ocupa a posição de um comunicador e sua mensagem convida
seus interlocutores para que passem a participar daquela dinâmica artística, constatativa e
científica. Por fim, seria possível a reformulação daquela opinião exposta no exemplo anterior
para “Literatura é coisa de participantes dispostos”.

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