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GEOGRAFIA POLÍTICA

GEOGRAFIA POLÍTICA

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Geografia SOMESB
Política
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Sumário
GEOGRAFIA POLÍTICA E GEOPOLÍTICA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 06

GEOGRAFIA POLÍTICA E GEOPOLÍTICA: SUAS ORIGENS, SEUS


LIMITES, SUAS INFLUÊNCIAS, TEMAS, CONCEITOS PRINCIPAIS,
SEUS AUTORES E OBRAS. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 06

O que é Geografia Política? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 06


E Geopolítica? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 07
1. A GEOGRAFIA POLÍTICA TRADICIONAL E A GEOPOLÍTICA: AS
PROPOSTAS TEÓRICAS CLÁSSICAS DE SEUS AUTORES ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 08

 Quais as propostas de RATZEL? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 08


Quais as leis do crescimento do Estado para Ratzel? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 08

 Quais as propostas de MACKINDER? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 09


 Quais as propostas de HAUSHOFER? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 09
 Quais as propostas de HUNTINGTON? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 10

 Quais as propostas de MAHAN? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 11


2. NAÇÃO E NACIONALISMO, ESTADOS-NAÇÕES ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 12


3. GUERRAS E CONFLITOS ÉTNICOS-NACIONAIS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 14


 Províncias Bascas ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 14

 Irlanda do Norte ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 14

 Antiga Iugoslávia ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15

 Região dos curdos ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15


 Caxemira ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16

 Chechênia ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16

 Colômbia ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16

 Israel e a Palestina ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16

4. ESPAÇO, PODER, TERRITÓRIO E CIDADANIA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 17


A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO NO PÓS-GUERRA ○ ○ ○ ○ 20

1. O EXPANSIONISMO COLONIAL EUROPEU, JAPONÊS E NORTE-


AMERICANO E A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO ○ ○ ○ ○ ○ ○ 20
2. A DERROTA DO “EIXO” DE PODER E OS NOVOS CENTROS DE
PODER ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 21
 E por aí vem uma nova Guerra... ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23
 O Nazismo: ... a solução alemã! ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23
 A Alemanha está pronta para assumir o Nazismo ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23
 A Alemanha se prepara para a Guerra ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 23
 Inicia-se o segundo grande conflito do Século XX ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 24
 Será que se pode considerar a França, a Inglaterra e a China como
potências mundiais no pós-guerra? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 25
3. O PAPEL DAS INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 26
4. O COLAPSO DO SOCIALISMO ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28
 O lado Ocidental sob a liderança americana ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 29
 O lado Oriental sob a liderança da União Soviética ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 29

3
Geografia
Política

A GEOGRAFIA POLÍTICA NA CONTEMPORANEIDADE ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 31

A CONFIGURAÇÃO DE UMA NOVA ORDEM INTERNACIONAL ○ ○ ○ ○ ○ ○ 31

1. OS NOVOS PÓLOS DE PODER ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 32


2. GLOBALIZAÇÃO E GEOPOLITICA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 33
3. AS DESIGUALDADES SOCIAIS E O CONFLITO NORTE X SUL ○ ○ ○ ○ ○ ○ 35
 Por que as pessoas migram? ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 36
4. A INTEGRAÇÃO ECONÔMICA E A FORMAÇÃO DE BLOCOS
ECONÔMICOS REGIONAIS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 38

O ESTUDO DA GEOGRAFIA POLITICA NAS SÉRIES FINAIS DO


ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 42

1. O PAPEL DO ESTADO NO COTIDIANO DOS CIDADÃOS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 42


2. A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO POPULAR NAS DECISÕES
POLÍTICAS DO PAÍS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 44

ATIVIDADE ORIENTADA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 47
GLOSSÁRIO ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 51
REFERÊNCIAS ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 53

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Apresentação da Disciplina

Caro(a) aluno(a),

A disciplina Geografia Política, nesse material, pretende fazer uma análise


da dinâmica dos processos políticos que se desenvolvem no espaço geográfico.
Apesar dela não ser muito antiga, pois ela data do final do século XVIII e metade
do século XIX, os governos e as instituições políticas e administrativas que se
organizaram em grupos humanos e comunidades, desde a antiguidade, se
desenvolveram sem conhecimento e aplicação da Geografia Política, mas a
humanidade evoluiu e em razão disso, o objetivo principal da disciplina neste
curso é analisar e, compreender as mudanças ocorridas no espaço geográfico,
interpretando as relações de poder que ocorrem em razão da organização social
e política das sociedades e da divisão política territorial.
Devido à exigüidade do tempo para maiores discussões sobre os temas
que iremos tratar na disciplina, que, por muitas vezes, serão atuais, tratamos de
esquematizar o programa em dois blocos temáticos, divididos cada um em dois
temas, que, por sua vez, abarcam quatro conteúdos. O primeiro bloco temático
trata da Geografia Política desde a sua origem até o fim da Guerra Fria, passando,
inicialmente, pela diferenciação entre a Geografia Política e Geopolítica; depois
faz uma abordagem evolutiva da Geografia Política através dos seus teóricos
clássicos; uma conceituação básica dos elementos que são essenciais para a
compreensão da organização territorial; os conflitos e guerras gerados pela disputa
de poder no mundo; a criação de organismos internacionais para gerenciar as
relações de poder e, por fim, analisar as causas da queda da potência socialista.
O segundo bloco temático trata da análise da Geografia Política na
contemporaneidade e seu papel no Ensino Fundamental e Médio. Analisaremos a
configuração de uma nova ordem mundial; os novos pólos de poder; a globalização
e a Geopolítica; as conseqüências desse nova forma de organização mundial; a
nova forma de integração comercial do mundo. E, por fim, sintetizaremos com o
papel da Geografia Política na vida cotidiana dos cidadãos no exercício da sua
cidadania.
Lembre-se! A educação neste início de século, para qualquer um de nós,
tem como tarefa, o assumir o seu tempo, que significa integrar-se, inserir-se no
processo com lucidez : Isto significa entender a Geografia Política com todas as
possibilidades de mudanças que esse novo século nos reserva. Sendo assim, o
aluno, estimulado pela curiosidade pelos novos acontecimentos mundiais, e
embasado pela disciplina, deve consultar outras fontes de informações para saciá-
la e ampliar seus conhecimentos, buscando as respostas para os fatos.

O futuro é algo que se vai dando, e esse ´se vai dando´ significa que o
futuro existe na medida em que nós mudamos o presente. E é mudando o presente
que a gente fabrica o futuro.
PauloFreire

Bons estudos.
Profª Fátima Ventura.

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GEOGRAFIA POLÍTICA E
Geografia
Política GEOPOLÍTICA

GEOGRAFIA POLÍTICA E GEOPOLÍTICA: SUAS ORIGENS,


SEUS LIMITES, SUAS INFLUÊNCIAS, TEMAS, CONCEITOS
PRINCIPAIS, SEUS AUTORES E OBRAS.

1. O Que é Geografia Política...?

É um dos ramos da Geografia Social ou Humana que busca compreender as relações


de poder no espaço geográfico.
A Geografia Política visualiza o Estado através da organização do espaço.
Os processos principais ligados ao poder são objetos de estudo da Geografia
Política caracterizando-a como:
- não só social, mas também geográfica;
- faz uma análise geográfica do espaço;
- estuda as relações de poder e a sua correlação com o espaço.
A Geografia Política moderna estuda uma região
Friedrich Ratzel (1844-1904)
humanizada como uma unidade política, observando
suas bases geográficas e territoriais, as modificações
na distribuição demográfica, o seu potencial econômico
comparando com as que estão em seu entorno e os
outros fenômenos sociais.
Ela nasceu com a obra Politische
Geographie do alemão FRIEDRICH RATZEL,
(ilustração) publicado em 1897. Com ele, inicia-se um
estudo sistemático da dimensão geográfica da política,
onde a espacialidade e a territorialidade do Estado era
o principal objeto de preocupação. A partir de RATZEL,
a Geografia Política ganha um novo significado, passa
a ser entendida como o estudo geográfico ou espacial
da política, e não mais como um estudo genérico dos
Estados.
As leis de RATZEL influenciavam bastante o pensamento geopolítico alemão, a ponto
de atingir, com muita força, as ações de Hitler.
A Geografia Política possui algumas fontes de ajuda a investigar o espaço geográfico
e, por excelência, são:
- A observação permanente, procurando cotidianamente observar as relações
políticas que acontecem no espaço;
- Os trabalho produzidos nas academias como livros, periódicos, etc;
- As publicações de origem militar;
- Os relatórios diplomáticos que podem ser publicados, dentre outros.

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E a Geopolítica?

A Geopolítica surgiu no século XX. Visualiza e estuda o espaço do ponto de vista do


Estado. Ela não se caracteriza como ciência, e sim como uma estratégia política a serviço
do Estado.
Então, o que tem a ver Estratégia, Geoestratégia com a Geopolítica?

Estratégia – como definição antiga, significa a arte de administrar a guerra; atualmente,


significa qualquer tipo de plano, técnica ou estratagema e não tem nada a ver com espaço
geográfico.

Geoestratégia – tem a ver com a dinâmica espacial, estuda como se dará as ações
militares no espaço numa situação de guerra.

Geopolítica – tem uma preocupação fundamental com a correlação de forças, antes


militar, hoje econômico-tecnológica, cultural e social a nível territorial e com ênfase no espaço
mundial.
Na prática e conceitualmente, fica difícil separar e distinguir a geoestratégia da
Geopolítica, mesmo porque o termo “estratégia” se popularizou tanto, que não tem mais
nada com o conceito original.

Segundo Magnoli:

“A Geopolítica é um saber estratégico a serviço dos Estados,


mas também é ferramenta para a compreensão mais profunda e
refinada das relações entre a política e a Geografia. A investigação
geopolítica do espaço geográfico descortina formas inusitadas de
enxergar o mundo.”
(Demétrio Magnoli, O Mundo Contemporâneo. SP. Atual 2004.)

A palavra Geopolítica tornou-se moda! Hoje ela é


usada para se referir a qualquer discussão política e
econômica a nível internacional.E algumas escolas
chegaram a incluí-la nos seus currículos para discutir os
temas da “atualidade.”

Através da Geopolítica se é capaz de entender as relações políticas, assim como


econômicas, que imperam no mundo, como guerras, conflitos, integração de blocos
econômicos, por fim, toda forma de re-arrumação do espaço geográfico.
As Geopolíticas foram criadas primeiramente por militares (HAUSHOFER, MAHAN
e outros) e posteriormente por juristas como (KJELLÉN) ou mesmo por geógrafos como
(MACKINDER, LACOSTE). Atualmente, quase não existem mais militares discutindo ou
escrevendo sobre Geopolítica; hoje, os seus teóricos são historiadores, sociólogos,
geógrafos economistas, cientistas políticos, dentre outros.

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A Geopolítica surgiu num escrito do jurista sueco Rudolf KJELLÉN,
não que ele tenha sido o criador da palavra Geopolítica, por que alguns
geopolíticos clássicos já faziam uso dessa temática bem antes dele. Ele estava
Geografia preocupado com a noção de povo (volk). Outro autor alemão que popularizou
Política a Geopolítica foi Karl HAUSHOFER, ele era o Terceiro Membro do partido
nazista e foi influenciado pelas idéias de KJELLÉN, que criou a Geopolítica.
O objetivo da Geopolítica alemã era fornecer dados e informações para a
ação externa do partido nazista. No período pré-guerra, a Geopolítica conheceu
um período de expansão e aceitação; na primeira metade do século XX, com a derrota do
nazismo, caiu no descrédito, ficando afastada e esquecida no período pós-guerra.
A preocupação da Geopolítica com a escala macro é a disputa de poder
espacialmente, para alcançar o status político. A partir da década de 70, ela sai do
esquecimento e volta aos pequenos círculos de interesses políticos geográficos, não com o
cunho de “ciência”, para apreensão do conhecimento da realidade geográfica, e sim, como
instrumento de ação e de estratégia a serviço dos Estados.

A Geografia Política Tradicional e a Geoplítica:


As Teóricas Clássicas de Seus Autores

Espaço é poder;
Essa era a célebre bandeira do alemão Friedrich RATZEL, com a justificativa de
que é do Estado que se origina uma sociedade destinada a defender a expansão do território.

 Quais as propostas de RATZEL?


Achava que a Geografia Política deveria estar voltada para as relações entre os
Estados, e cada Estado deve ser considerado um organismo vivo e, por isso, se comportam
como organismo. Para ele um organismo nasce, cresce, adoece e morre.
As suas leis de expansão espacial dos Estados, justificavam teoricamente a
movimentação da unificação da Alemanha em termos de crescimento territorial,
empreendidas através das sucessivas guerras.

• Quais as leis do crescimento do Estado para Ratzel?

- o crescimento do Estado decorre da energia (poder, riqueza)


que ele consegue acumular;
- um Estado compete com os outros Estados visando o seu
crescimento;
- as relações entre os Estados são feitas em função de alianças,
dentro das quais os interesses do Estado mais forte prevalece;
- a relação e a competição se dá em busca de ampliação do
espaço vital;

Como já fora dito anteriormente, as leis de RAZTEL influenciaram bastante o


pensamento geopolítico alemão, o que possibilitou a idéia do “Espaço Vital” um território
ideal de uma sociedade, em função da sua população e dos seus recursos naturais.

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 Quais as propostas de MACKINDER?

Ele foi precursor do determinismo inglês. A Grã-Bretanha, dona de um império de


extensão planetária, foi a grande potência naval dos séculos XVIII e XIX. O geógrafo e
diplomata inglês Halford Jonh MACKINDER foi o pioneiro da teoria do poder continental
em contraposição à teoria do poder marítimo. Na teoria do poder continental, MACKINDER
introduziu vários conceitos geopolíticos, dentre eles o pivot área (a base de sustentação –
os continentes); o world island (ilha mundial – o Velho Mundo); e o conceito de heartland
(a região-core ou terra-coração) (ver ilustração). Para ele, no coração do pivot área, existiria
a região geoestratégica do planeta, a heartland, seria o centro dinâmico da geopolítica
mundial. Essa teoria, inclusive, é uma das precursoras da teoria centro-periferia.
Os dois tipos de poderes:
- Continental, colocando a Alemanha como o grande centro poderoso da Europa.
- Marítimo, colocando em primeiro lugar o Reino Unido.
O poder continental, para ele, é considerado forte, por que é protegido pelo relevo,
pelo clima e pela distância. Propõe que o Reino Unido formasse uma aliança com os outros
poderes militares, chamado de “cordão sanitário” que impediria o avanço do poder marítimo.
O centro do poder continental, a heartland, está entre a Alemanha, Polônia, ex-URSS, ex-
Tchecoslováquia e Áustria (ver ilustração). Segundo MACKINDER, quem controlar a
heartland, controlará o centro do mundo; e quem controla o centro do mundo, controlará o
mundo.
Segundo ele, o poder marítimo do Reino Unido, com sua poderosa esquadra e
com o processo de industrialização, juntamente com vários países europeus, principalmente
a Inglaterra, precisava ampliar a sua capacidade de produção e conquistar novos mercados
e novas matérias-primas e se lançaram com sua esquadra a conquistar novas colônias. O
mais vasto império colonial foi constituído pela Inglaterra. Por isso, Londres foi até o final do
século XIX considerada a “capital do mundo”.

Fonte: Novas Geopolíticas, 2004, p.19.

 Quais as propostas de HAUSHOFER?

Karl HOUSHOFER era alemão e criou a Revista de Geopolítica, publicada na


Alemanha de 1924 a 1944. Ela tinha a colaboração de vários teóricos de diversas áreas do
conhecimento. Com a mudança de linha da revista, vários intelectuais deixaram de colaborar,
preocupados com a reputação da academia. A revista passou a abordar temas com

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ideologia nacional-socialista, como as idéias do ressentimento alemão depois
dos tratados pós Primeira Guerra Mundial, dando ênfase ao radicalismo
nacionalista e à supremacia da raça e na busca de um “espaço justo” . O
Geografia chamado “espaço vital”, para a Alemanha, era, na realidade, a necessidade
Política
de novos territórios, que considerava naturalmente germânico, perdidos na
Primeira Guerra e outros onde havia a presença dos povos de origem alemã,
inclusive no Brasil. Baseado nesse ideário, a cartografia geopolítica alemã,
utilizava projeções cartográficas de Peters, que ampliavam o território dos
países vizinhos, símbolos, tropas e aviões em torno da Alemanha para dar a idéia de
presença de inimigos prontos para invadir o seu Estado. Esses mapas eram trabalhados
em escolas como material didático nas aulas.
HAUSHOFER utilizou as idéias de MACKINDER de fortalecimento do império
britânico e adaptou ao contexto alemão. Cabe lembrar que HAUSHOFER fez a leitura
contrária do que dizia MACKINDER e teorizou as condições de fortalecimento do Estado
germânico.
HAUSHOFER idealizou uma “ordem mundial ideal” formada pela Alemanha, Rússia,
Japão e Estados Unidos. Seriam quatro blocos formados pelas áreas de influências da
Alemanha; a área de influência da Rússia; a área de influência do Japão e a área de influência
dos Estados Unidos (ver ilustração), pois achava injusta a pouca presença da Alemanha
na ordem mundial.

Fonte: Novas Geopolíticas, 2004, p.22

 Quais as propostas de HUNTINGTON?

Ele era americano e achava que países diferentes fisicamente são diferentes
economicamente. Acreditava na teoria do determinismo físico em Geografia Política. Em
todas as partes do mundo, o ambiente geográfico tem uma forte influência sobre as condições
políticas. Cada um dos grandes elementos do meio ambiente geográfico desempenha seu
papel, provocando diferenças da natureza política, e esses aspectos influenciam as relações
de um país com o outro.
Para ele, dois casos podem ser citados como fatores da Geografia Política:
- o tamanho do território
- o relevo
O tamanho do território - para os países de grande extensão e países de pequena
extensão, tem cada um suas vantagens e desvantagens, que são naturalmente diferentes.

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Para os países grandes, é mais fácil manter a sua independência e uma auto-
suficiência de alimentos e de outros recursos. Eles dispõem de populações numerosas
e, por isso, podem estar presentes nos organismos internacionais, ou se fazerem
representar junto às demais nações, mas por outro lado, estão mais sujeitos a conflitos
internos que os países pequenos. Isto se deve à constituição de povos diferentes, na
raça, língua, religião e hábitos. Todavia, se as populações são mais ou menos homogêneas
em um grande país, elas assumirão posturas diferentes e desenvolverão interesses
diferenciados com o passar do tempo.
Nos países pequenos existem uma unidade maior de atividades, de modo de vida
e de aspirações, e isto pode ser uma vantagem para os países pequenos, nas relações
internas e internacionais.
O relevo, por sua vez, em um mapa da região dos Bálcãs, por exemplo, nota-se as
numerosas cadeias de montanhas, com as mais variadas direções assim como há
numerosas planícies entre as montanhas, algumas de tamanho considerável. Para esta
região tem vindo diferentes povos no curso da história e, se caso houve uma grande
planície, esses povos poderiam ter-se unificados mais facilmente como ocorreu com os
povos da França, da Inglaterra ou da Polônia. Mas cada pequena planície no vale da
Península Balcânica é mais ou menos isolado dos outros por um “muro montanhoso”, de
modo que cada povo, acaba por preservar suas características sociais, lingüísticas, políticas
e religiosas e, conseqüentemente, seu relacionamento é marcado por conflitos. Alem disso,
todas as pequenas comunidades sobrevivem na pobreza gerada pelo ambiente e por
sua fragmentação. Tudo isso provoca descontentamento e cada grupo acaba por atribuir
as causas dessas situações aos seus vizinhos ou aos governantes.
Por essas e outras razões, a região balcânica tem sido um permanente foco de
tensão na Europa.

 Quais as proposta de MAHAN ?

O norte-americano almirante Alfred Thayer


Alfred Thayer Mahan MAHAN focalizou nos oceanos, o horizonte de
expansão do poder do Estado. Ele considerou os
Estados Unidos uma “ilha geopolítica”, ou seja, um
Estado com saídas para os principais oceanos e sem
ameaças territoriais nas suas faixas de fronteiras
terrestres, possibilitando ampliar a expansão do
poder marítimo. Essa concepção orientou o
nascimento das impressionantes esquadras de
guerra norte-americanas, despertando o interesse
pelo mar do Caribe, América Latina e Oceano
Pacífico.
Para ele, as rotas marítimas eram a chave da
hegemonia mundial, pois nelas passavam os grandes
fluxos do comércio internacional. Portanto, ele via no poder marítimo, o centro das mudanças
políticas externas e a consolidação de uma das grandes potências mundiais da ordem
mundial que estava nascendo a partir da enfraquecimento da Inglaterra, considerada, até
então , a maior potencial naval do planeta. Dentre as idéias de MAHAN, uma se tornou
realidade: a construção do canal do Panamá ligando os oceanos Atlântico e Pacífico.

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A Geopolítica não serve apenas para instrumentalizar os
Estados como identificou o geógrafo Yves de LACOSTE. Serve para
orientar todas as pessoas interessadas em entender melhor os vários
Geografia
Política
momentos políticos do mundo marcados pela disputa do poder,
mudanças de fronteiras, tensões étnicas, desequilíbrios econômicos
e ambientais.

Momento de Reflexão

1. Com base na análise dos conceitos de Geografia Política e Geopolítica,


explique a importância deles nas questões estratégicas e militares.

2. Ela contribui para a conscientização das pessoas?

2. Nação e Nacionalismo, Estado-Nações

A palavra nação possui duas concepções: uma antropológica, que significa povo ou
etnia e a outra a concepção política, como sinônimo de “Estado”. Para que uma nação exista
realmente, porém, não basta que seja formalmente um país. É preciso que esteja unida pelos
laços do patriotismo ou do nacionalismo. É preciso que, apesar dos conflitos internos, haja
uma solidariedade básica entre seus povos. E é preciso que a nação, seja capaz de, ela
própria, definir suas instituições e suas políticas públicas, portanto, definir seu destino.
A palavra “Estado” significa “estar firme” para dominar uma sociedade política e
territorialmente organizada; no sentido político, é uma instituição social e politicamente
organizada que exerce soberania sobre um território, delimitado por fronteiras com limites
precisos e protegido pelas Forças Armadas, tem uma administração burocrática e é
organizado em três esferas de poder (federal, estadual e municipal). Muitas vezes é usado
como sinônimo de “país” , o que não significa a mesma coisa.
O Estado moderno classifica-se em dois períodos distintos:
- o absolutista (fins do séc. XV até o séc. XVIII) – o poder se concentrava nas
mãos do rei, que era tido como Deus. Seu poder era absoluto, mas tinha que governar com
justiça embora o povo não participasse nas decisões do Estado. A França é o país símbolo

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do absolutismo, assim como a célebre frase do rei Luís XIV: - “O Estado sou eu”. O brasão
real simbolizava a coesão do país em torno da monarquia.
Estado-nação - surgiu no final do século XVIII, após o processo de independência
dos Estados Unidos e da Revolução Francesa. Esses fatos abriram possibilidades para a
implantação da democracia, do governo, do povo e da república com regime político. É uma
construção cultural, com o objetivo de unificar povos, em torno de um conjunto de valores,
crenças, costumes e símbolos instituídos pelas elites políticas nacionalistas. Essa unificação
passou a conferir uma identidade comum a população, que, antes, cultivava diferentes
tradições, línguas, dialetos e culturas. Essa unificação apagou da memória dos povos as
lembranças tradicionais, produzindo novas memórias, nascendo a consciência nacionalista.
A bandeira, o hino,a moeda e a língua são alguns dos símbolos de coesão nacional e de
identidade do povo de um Estado-nação.
O país, por sua vez, é a porção física que, no decorrer da história passou a ser controlado
por um Estado que se transformou em território. Esse território é composto de paisagens
naturais e culturais que chamamos de país.
O território é um espaço submetido a um poder político. O poder político é exercido
pelos Estados nacionais que, por sua vez, está limitado geograficamente pelas fronteiras
políticas que delimita o território.
O Nacionalismo é a ideologia segundo a qual o indivíduo deve lealdade e devoção
ao Estado nacional – compreendido como um conjunto de pessoas unidas num mesmo território
por tradições, língua, cultura, religião ou interesses comuns, que constitui uma individualidade
política com direito de se autodeterminar. Com o Estado-nação, o nacionalismo passou a ter
um significado contemporâneo, substituindo o de nação – sociedade de cidadãos, organizados
em Estado. O antigo Estado iugoslavo, é um exemplo do nacionalismo sérvio e da
decomposição dos impérios que dominavam a região balcânica. O nacionalismo assume
inúmeras formas e pode se originar com base em diversas necessidades, de uma comunidade
étnica, religiosa ou cultural, sob dominação, tornar-se independente; de um grupo ou
comunidade, impor sua nacionalidade e se transformar em soberano no Estado; ou de o
próprio Estado-Nação, impor seus ideais aos cidadãos, como forma de sobreviver como
unidade. O sentimento nacionalista tem suas raízes na Revolução Francesa. A burguesia
volta-se contra a nobreza e o clero e proclama que o poder não emana de Deus nem do rei,
mas do povo e da nação. A lealdade ao rei é substituída pela lealdade à pátria.
A palavra povo, no sentido jurídico-político, significa o conjunto de cidadãos e
refere-se à população que habita um território sob a jurisdição de um Estado, com diversos
direitos e deveres, que chamamos de cidadania , excluindo aí, nesse caso, os estrangeiros
não-naturalizados.

Momento de Reflexão

Explique qual a real situação dos Estados –nações diante da globalização.

13
3. Guerras e Conflitos Ético-Nacionais

Com o fim da Guerra Fria, com a marginalização econômica e a intensa


Geografia
migração, o mundo ficou imprevisível. O rompimento com o lugar de origem, os
Política
laços familiares e de amizade, enfim, com a cultura, tendem a acentuar o
nacionalismo. A integração ao novo lugar, é sempre mais difícil devido às
diferenças culturais, costumes, hábitos, despertando muitas vezes, sentimentos
hostis em relação aos imigrantes. O processo de descolonização da África e
da Ásia, a desintegração da URSS, o fim do comunismo no Leste Europeu, por exemplo,
deram lugar a uma série de conflitos étnicos, tribais e religiosos que sacudiu o mundo. Essa
atitude leva muitas vezes a guerras e conflitos entre Estados-nações, guerras civis, territorial
e até movimentos separatistas, que, geralmente, estão associados a questões nacionalistas,
com autodeterminação de uma nação, controle de um território e até a constituição de um
novo Estado.
Como os conflitos são fenômenos que têm causas diversas e muitas vezes
sobrepostas, citaremos alguns de maior expressão no mundo atualmente.

 Províncias Bascas
O país Basco se localiza no norte da
Espanha e sudoeste da França, mas a maior parte
de seu território continua fazendo parte do território
espanhol. Os bascos constituem-se um povo
com língua de origem desconhecida e cultura
tradicional, que vem desafiando o governo
espanhol para obter a sua independência. Ganhou
status de região autônoma em 1975, mas só a
independência satisfaria os bascos. Na região
basca atua o ETA (Pátria Basca e Liberdade), um
dos movimentos separatistas mais violentos do
mundo, os próprios bascos hoje apóiam cada vez
menos o ETA, ou pelo menos, os seus métodos
terroristas.

 Irlanda do Norte

No Reino Unido, a Escócia e o País de


Gales, embora não obtendo a separação,
conseguiram maior autonomia em relação ao
governo central inglês.
Ocupando ilhas separadas, ingleses e
irlandeses formaram um só país – o Reino Unido.
A parte norte da ilha (Ulster ou Irlanda do Norte),
continuou pertencendo ao Reino Unido e o Eire
ou Estado Livre da Irlanda ao sul, transformou-se
em república em 1949 através do Sinn Fein,
partido católico e o seu braço direito foi o IRA.
(Exército Republicano Irlandês).
Na Irlanda, o IRA luta até hoje pela
formação de uma única Irlanda, dividida entre
católicos (irlandeses) na Irlanda do Norte e
protestantes (ingleses) no Eire.

14
 Antiga Iugoslávia

A Península Balcânica localiza-se no Sul


da Europa. È uma região marcada pela
presença de uma imensa cadeia de montanha
do período terciário, onde vivem povos com
imensa diversidade étnica, o que gera inúmeros
conflitos. Durante a Segunda Guerra os
nazistas ocuparam esse país e instaurou o
regime socialista, criando a Federação da
Iugoslávia, composta por seis repúblicas
(Sérvia, Croácia, Eslovênia, Montenegro,
Bósnia-Herzegovina e Macedônia) e duas
regiões (Voivodina e Kosovo). Os conflitos
étnicos levaram à sua desintegração, surgindo
cinco novos Estados: Eslovênia, Croácia,
Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Iugoslávia, reduzida à Sérvia e Montenegro.

 Região dos Curdos


Com o fim da Guerra Fria, a União Soviética
se fragmentou em 15 novos países; Uma delas, o
Curdistão, que é uma região que abrange parte dos
territórios da Turquia, Iraque, Irã, Síria e da Armênia, é
habitada por curdos, a maior nação sem Estado do
mundo. Os curdos tem maioria mulçumana sunita e
não são turcos, nem árabe nem persas, todos eles
se consideram curdos. Na Turquia, onde está
praticamente a metade dos curdos, a repressão foi,
uma das mais violetas da região pelo movimento de
independência. As perspectivas de solução pacífica,
veio quando a União Européia impôs condições para
a integração da Turquia a esse bloco – resolver o
problema com os curdos e revogar a pena de morte.
No Iraque, os curdos também sofrem repressão onde
há resistência organizada. Na Guerra Irã-Iraque eles
colaboraram com o Irã e em represália, em 1988, Saddan Hussein ordenou um ataque com
armas químicas, matando 5 mil curdos. Na Guerra do Golfo, Saddan promoveu outro massacre
e a ONU foi obrigada a criar uma área para proteger os curdos das ofensivas iraquianas. A
criação da pátria curda é dificultada pela desunião entre os vários povos que a compõe. Uns
costumam discriminar outros que habitam outras áreas; as diferenças político-ideológicas também
são fonte de desentendimento.

15
 Caxemira
A Caxemira é um Estado
localizado ao norte da Índia e do Paquistão,
Geografia
Política com maioria da população muçulmana
que se identifica com o Paquistão. A
descolonização britânica deixou uma
ferida aberta e no meio do caminho - a
Caxemira. Na década de 80, os embates
ganharam novo impulso quando guerrilheiros
separatistas islâmicos da Caxemira indiana entraram
em cena. O Paquistão acusa a Índia de fornecer armas
e base de treinamento a esses guerrilheiros. Uma
solução negociada permanece difícil. A Índia se recusa
a abrir mão da região por motivos políticos e
estratégicos, o Paquistão, por sua vez, defende um
plebiscito na Caxemira indiana. A situação de rivalidade
é preocupante por se tratar de duas potências
nucleares.

 Chechênia

O Cáucaso é uma região montanhosa,


situada entre o mar Cáspio e o Negro e lá ficam
oito repúblicas e regiões autônomas da
Federação Russa, com mais de 30 povos , cada
um com suas tradições e seu idioma, marcada
por rivalidades étnicas e sendo considerada uma
das regiões mais conturbadas do planeta. O
principal foco de tensão separatista é a república
da Chechênia, que pretende instalar um Estado
Islâmico extremista. Por ser uma região rica em
petróleo e por estar na rota de importantes
oleodutos em operação na região, ter a sua
posse é fundamental para a Rússia.

 Colômbia
Na América Latina, a guerrilha na Colômbia é ligada ao
narcotráfico. As organizações FARC (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia) e ELN (Exército de Libertação
Nacional) todas de esquerda, controlam 40% do território
colombiano. Em contrapartida, uma série de esquadrões
paramilitares, de extrema direita, combate a guerrilha em
diversas regiões do país. Os traficantes financiam tanto os grupos
paramilitares quanto os rebeldes, além de promover uma rede
de corrupção de funcionários do governo. A Colômbia tornou-
se um importante produtor mundial de cocaína graças à ação
dos cartéis de Medellín e de Cali, por possuir vantagens sobre
outras culturas legais. Pressionado pelos Estados Unidos, o
maior consumidor de cocaína, a Colômbia vem sendo
pressionada pelos Estados Unidos para um combate mais
ofensivo contra os grupos armados de esquerda, que são os
produtores da coca.

16
 Israel e a Palestina

A Palestina fica numa estreita faixa


de terra desértica, ao longo do Mediterrâneo
entre o Líbano e o Egito. Há cinqüenta anos,
israelenses e palestinos disputam a posse
da região que ambos reivindicam como sua.
As negociações previam a criação do
Estado Palestino, independente e em partes
do território ocupado por Israel (Faixa de
Gaza e Cisjordânia). Nesse cenário, a
influência crescente do radicalismo de
ambos foi o suficiente para a eclosão de
um levante popular palestino contra a
ocupação israelense em 2000, depois de
um pequeno tempo de trégua e paz. Vários
acordos foram assinados e várias concessões foram feitas, mas esses avanços não
ocorreram sem sobressaltos. Jerusalém é o centro da discórdia. Ela é considerada
sagrada pelas principais religiões monoteístas do planeta: judaísmo, cristianismo e
islamismo. Numa pequena área da Cidade Velha concentram-se alguns monumentos
considerados sagrados pelas três tradições: o Muro das Lamentações, a Igreja do
Santo Sepulcro e o Domo da Rocha. Em 1947, a ONU, considerando a importância
religiosa, determinou que a cidade ficasse sob a administração internacional. Israel,
em desrespeito à decisão, ocupou a parte ocidental e, posteriormente, a parte oriental
numa sucessão de guerras e declarou a “capital única e indivisível” de Israel. Os
palestinos reivindicam até hoje a área como capital do seu futuro Estado. As incursões
de Israel nos territórios palestinos continuam até os dias de hoje com menor intensidade
e os palestinos, perderam até mesmo o direito de ir e vir, pois vivem sob o toque de
recolher.

A busca pela paz, que o mundo tanto proclama, perpassa pelo desenvolvimento
econômico, pela justiça social, pela proteção ao meio ambiental, pela democracia, pelo
desarmamento e pelo respeito ao direitos humanos , pela tolerância, o que exige esforços
mútuos de todos os cidadãos, das nações e continentes.

Momento de Reflexão
A partir do que você leu e vem tomando conhecimento através da mídia, sobre os
focos de tensão mundial, como você explica a grande quantidade de conflitos no continente
asiático?

4. Espaço, Poder, Território e Cidadania

Como a Geografia objetiva estudar o espaço, constituído pelas suas formas naturais
e as criadas pelo homem, assim como as relações na vida da sociedade, o espaço
geográfico, portanto, deve ser analisado em toda a sua dinâmica e interação e o seu
constante processo de transformação. A objetivação de estudar a sociedade através da
Geografia faz-se através da forma como essa sociedade se organiza espacialmente.

17
Raymond Aron, dizia que “para uma pessoa chegar à noção de poder,
deveria agir por aproximações sucessivas”. No passado remoto, poder era
igual a força física e, mais tarde, foi relacionada como poder espiritual, depois
Geografia o poder ficou ligado ao saber; hoje, está ligado ao econômico, à noção de
Política capital. Tem poder, qualquer pessoa ou entidade que consiga levar terceiros
a realizar, a agir, a pensar em função de seu interesse e vontade.
Tipos de relação de poder:
- Coercitiva e Gratificante – são relações parciais que não conseguem
manter o poder por muito tempo;
- Informações e Símbolos - utilizam as informações e os símbolos para levar a
própria conscientização e exercer o poder.
É possível visualizar o poder no espaço através do mapeamento militar, alcance e
quantidade de misseis, livros publicados, números de universidades, etc.
Os Atlas de Geografia Política são Atlas de poder.

A profª Bertha Becker afirma que para a Geopolítica

“O valor estratégico de espaço não se resume mais aos recursos


naturais e posições geográficas. Eles se tornam condições da reprodução
generalizada e, como tal, o espaço do poder. A partir de então, o Estado se
torna necessário para assegurar as condições de reprodução das relações
de dominação e, para tanto, instrumentalizar o espaço e produzir seu próprio
espaço, o espaço estatal”.

Com isso vale ressaltar que o Estado-nação é uma porção do espaço geográfico
com características políticas, administrativas e econômicas particulares que, do ponto
de vista da Geografia Política, e nesse sentido, o Estado está caracterizado pelo seu
território.
O território é outro elemento utilizado para analisar e interpretar a sociedade e
suas relações com a natureza. O território é importante condição de poder, de posse ou
de domínio, nele vigoram determinadas regras ou leis que podem ser institucionais ou
reconhecidas pela sociedade. Nesse sentido, o território pode ser constituído nas mais
diversas escalas: um território nacional, uma tribo indígena, uma área controlada por um
grupo de traficantes de drogas, por um conjunto de países, como a União Européia, a
ONU, o FMI, a OMC, etc.
O território pode ter caráter permanente ou ter duração de décadas, anos,
dias, e até horas. Os limites do território não foram e não são imutáveis, por que podem
ser alterados em decorrência da expansão de suas áreas, pela conquista de outros
territórios – são as fronteiras (delimitação espacial do Estado e a sua evidência territorial).
Esses limites podem ter repercussões marítimas (o mar territorial), e aéreo (espaço
aéreo) e podem ser naturais como rios, serras, ou criados como os marcos de divisão.
Em qualquer caso, parecem cumprir uma função clara: separar territórios.
Dessa maneira, o território é fundamentalmente um espaço definido e delimitado
pelas relações de poder.
A territorialidade é entendida como uma correlação de forças espacialmente
delimitadas que operam sobre uma determinada área geográfica. A apropriação dos
espaços públicos, como praias, por exemplo, a luta pela ocupação de terras abandonadas
por trabalhadores que não têm onde morar também é entendida como territorialidade.
As diversas formas de apropriação de territórios por grupos sociais que vão se
apropriando gradativamente dessas áreas, de forma ilegal, é um atentado à cidadania.

18
Atividade Complementar

1. Consulte a Constituição Federal e verifique se podemos afirmar que o Brasil é um


Estado-nação.

2. Verifique também qual o trecho que explica que o Brasil é um “Estado Democrático
de Direito”.

3. No final da década de 1980, o historiador Eric Habsbawm argumentava que, se na


Europa, cada movimento nacionalista constituísse seu Estado, haveria uma balcanização
do continente. O que ele quis dizer com o termo grifado?

19
A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
GEOGRÁFICO NO PÓS-GUERA
Geografia
Política

1. O Expansionismo Colonial Europeu, Japonês e


Norte-americano e a Organização do Espaço Geográfico.

O desenvolvimento capitalista comercial,


apoiado nas Grandes Navegações dos Séculos XV e
XVI e, mais tarde, pelo Mercantilismo, determinou a
busca por importantes entrepostos comerciais nos
litorais da América, da Ásia e da África, devido a uma
crescente necessidade de importação de matérias-
primas e a manutenção de novos mercados. A
ocupação mais antiga foi a da Ásia, alcançada pelas
rotas terrestres e marítimas que passavam para o
Oriente Médio. Com o desenvolvimento das
plantations, nas Américas, essa ocupação se
solidificou e se ampliou pelo interesse no tráfico de
escravos negros.
Na segunda metade do século XIX quase todo o litoral africano e asiático já estava
ocupado pelas potências coloniais européias. A maior potência imperialista do período foi
o Reino Unido, que chegou a ter em seu domínio o maior império colonial da história, que se
estendia por todos os continentes.
Os Estados Unidos jamais desenvolveram uma
política externa colonialista nos moldes das potências
européias e, recriminaram a Europa por essas práticas;
no entanto, nas últimas décadas do século XIX,
empreenderam um movimento expansionista
direcionado pelo mar do Caribe, o istmo da América
Central e o Oceano Pacífico.
A anexação do Havaí e, a operação de guerra
contra a Espanha possibilitaram a hegemonia norte-
americana no mar do Caribe e do Oceano Pacífico; a
construção do canal do Panamá, precedida pela
secessão da Colombia e do Panamá, serviu de corredor
entre as duas áreas de expansionismo naval norte-
americano.
Esse movimento histórico transformou os Estados
Unidos em uma potência marítima no Pacífico, onde
também se desenvolvia o expansionismo japonês.
Impulsionada pela industrialização, pela
centralização político-administrativa e pelo militarismo nacionalista, teve início o processo
expansionista japonês. No final do século XIX, enfrentando a expansão norte-americana no
Pacífico, o Japão ocupou inúmeras ilhas e arquipélagos mais distantes de seu território.
Iniciando seu processo de expansão continental, o Japão entrou em conflito com a
Rússia, venceu a guerra e anexou a península da Coréia; mais de um milhão de quilômetros
quadrados do norte da China; ocupou a Indochina, a Península Malaia e as Filipinas. O que
retraiu o expansionismo japonês foi a ofensiva dos aliados, abrindo caminho para a
descolonização do continente asiático.

20
O enfraquecimento da Rússia na política européia agrada bastante à Áustria que
disputava a Península Balcânica. A expansão austríaca nos Bálcãs, vai chocar-se com os
interesses dos outros Estados europeus e vai ser uma das causas da Primeira Guerra Mundial
em 1914.

Momento de Reflexão
1. A atual situação enfrentada pela África, hoje, tem origens na ocupação colonial pelos
europeus. Explique a afirmação anterior relacionando o imperialismo e as guerras tribais,
o sistema agrícola implantado e a atual situação econômica do continente.

2. A Derrota do “Eixo” e os Novos Centros de Poder

A Alemanha, a Itália e o Japão, após a Primeira Guerra Mundial, continuaram carentes


de insumos e matérias-primas para suas indústrias. Segundo a lógica imperialista da época,
esses três países se associam em uma aliança expansionista, denominada “Eixo”.
A expansão dos países do “Eixo”, torna-se uma ameaça aos interesses das
grandes potências da época: a Grã Bretanha, França, União Soviética e Estados Unidos,
mas os países europeus assumem uma política de apaziguamento. Diante da situação, os
Estados Unidos assumem uma postura de indiferença em relação aos problemas exteriores
ao continente americano.
O avanço dos países do “Eixo”, movidos pela ganância por mais territórios, foi
implacável: o Japão tomou a Mandchúria que pertencia à China, depois atacou a China; a
Itália conquista a Etiópia e a Albânia; mas a expansão da Alemanha foi muito mais além:
anexou a Áustria e regiões pertencentes à Tchecoslováquia, invade a própria
Tchecoslováquia, ocupa regiões desmilitarizadas da Europa e ataca a Polônia. A França e
a Grã-Bretanha encontraram motivos suficientes para declarar guerra à Alemanha.

Fonte: Atlas Geopolítico, 1996,p12.

21
No início do século XX existiam dois blocos rivais:
- A Tríplice Aliança, formada pela Alemanha, o Império Austro-Húngaro
e a Itália;
Geografia - A Tríplice Entente, formada pela Inglaterra, França e Rússia.
Política
Declarada a rivalidade, os dois blocos procuram armar-se. Exalta-se,
também, o sentimento nacionalista; a política na região balcânica volta a ser
agitada; a Rússia, derrotada pelo Japão, volta a disputar prestígio e influência
na região balcânica; os eslavos contam com o apoio russo; a Áustria incorpora
a Bósnia-Herzegovina, região eslava e isso desagrada à Sérvia que pretendia: obter a
liderança sobre os povos eslavos nos Bálcãs e estender as suas fronteiras até o mar.
A Sérvia foi impedida pela Áustria de assumir a liderança nos Bálcãs; ela chegaria
ao mar pela Albânia, mas a Áustria transformou a Albânia num Estado independente; a
rivalidade entre eslavos e austríacos vai se acirrando; no dia 28 de junho de 1914 foi
assassinado, em Sarajevo, capital da Bósnia, o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco
Ferdinando; a Áustria declara guerra à Sérvia, que recebe o apoio da Rússia; a Áustria
recebe apoio da Alemanha, que declara guerra a França; o incêndio se alastra!...,
desencadeando o choque entre a Tríplice Aliança e a Tríplice Entente.
O que seria uma guerra rápida, durou quatro anos. Em 1917, os alemães iniciam
a guerra submarina, atacando navios americanos. Os Estados Unidos entra na guerra aliados
à Tríplice Entente, alterando, assim, o equilíbrio europeu . A Rússia sai da guerra por não
ter condições de prosseguir contra a Alemanha; em 1918 a guerra termina; os alemães
assinam a rendição e vários tratados de paz são assinados; o mais importante foi o de
Versalhes que obriga a Alemanha a pagar pesadas indenizações, determina o
desmembramento de seu império colonial e a perda de territórios no continente europeu.
A guerra trouxe novas transformações no mapa político da Europa como pode ser
visualizado na ilustração abaixo. Surgem novos países; outros conseguem independência
como a Hungria e a Polônia; no Oriente Médio o Império Turco passou a ser protegido pela
Inglaterra e França.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br/primeiraguerramundial.htm. Acesso em 12/03/2006.

Terminada a guerra, a Europa não conseguiu a paz duradoura para ela e para o
mundo.

22
 E por aí vem uma nova guerra.

A Segunda Guerra Mundial veio como um desdobramento da


Primeira. Como a Alemanha tinha dificuldades de reencontrar o caminho
do desenvolvimento econômico e a paz social, levou a população a uma
insatisfação, devido à instabilidade e esta é envolvida por líderes
exaltados e com soluções extremistas.

- as regiões mais ricas estão ocupadas;


- a economia desorganizada;
- é obrigada a pagar pesadas indenizações;
- com a crise de 29 os capitais americanos não chegam mais;
- a produção diminui;
- os compradores externos não existem;
- a moeda desvaloriza-se.
- Caminho aberto para as soluções extremistas.
 O nazismo: ...a solução alemã !

A corrida armamentista, como em 1914, torna a guerra inevitável. Hitler assume o


governo alemão e rompe com as decisões do Tratado de Versalhes e rearma a Alemanha.
O desenvolvimento industrial alemão, principalmente a produção de armas, foi uma
das formas de :
- demonstrar a capacidade alemã;
- afirmar a superioridade do povo alemão;
- resolver o problema do desemprego.

 A Alemanha está pronta para assumir o nazismo.


O nacionalismo exagerado leva o povo alemão ao fanatismo e começa
a se preparar para a guerra. Seus aliados, a Itália e Japão, seguem o
mesmo caminho e se tornam responsáveis por
numerosos atos que ameaçam a paz. Hitler sente-
se estimulado para novas agressões, como a invasão
da Tchecoslováquia e da Polônia, alegando que a população
dos dois Estados era alemã; numa tentativa de evitar a guerra realiza-
se a Conferência de Munique; os representantes da França, Inglaterra
curvam-se às exigências de Hitler, diante da promessa de que não
haveria outro ato contra a paz.

 A Alemanha se prepara para a guerra...


- armas mais modernas;
- indústria em plena produção;
- os alemães certos da sua superioridade.
- a Alemanha faz acordo com a Rússia para dividir a Polônia;
- a Inglaterra e a França, após dar um ultimato, declaram guerra à Alemanha.

23
 Inicia-se o segundo grande conflito do século XX

Quase toda a Europa se curva à autoridade de Hitler. O norte da África


Geografia
cai em poder da Alemanha com o apoio da Itália; o Egito fica ameaçado; os
Política
ingleses perdem todo o norte da África. A Alemanha conseguem manter os
territórios ocupados até 1942, mas já começa a enfrentar resistências.
Os aliados tomam o norte da África e iniciam a invasão da Europa.
Hitler joga com a sua sorte, rompe o tratado e investe contra a Rússia; a
derrota começa a ser desenhada no inverno contra a ofensiva soviética; a retirada alemã
tornou-se irreversível; nos últimos meses de guerra as forças soviéticas expulsaram os
alemães de todo o Leste Europeu enquanto os norte-americanos e britânicos tinham
dificuldades para transpor o rio Reno.

Fonte: Atlas Geopolítico, 1996, p.16.

A derrocada da Alemanha nazista....

os Estados Unidos entraram na guerra;


os alemães atacam a Rússia e são contidos;
surgem os movimentos de resistência nas regiões dominadas;
os italianos se rendem.
Além do eixo Roma-Berlim, havia se formado outro eixo na Ásia, o Tóquio-Berlim. O
Japão era o grande aliado da Alemanha na Ásia.

A ação japonesa caracterizava-se por:


indústria voltada para a guerra;
necessidade de aumentar o território;
uma guerra-relâmpago.

Os japoneses atacam e destroem grande parte da esquadra americana no Pacífico.


Inicia-se uma guerra-relâmpago. Grande extensão da Ásia foi dominada, de 1941-1942; os
Estados Unidos e seus aliados, com o apoio das resistências nacionais, vão recuperando
as regiões dominadas pelos japoneses;

24
Os aliados entram em Berlim; Hitler suicida-se; os alemães se rendem
incondicionalmente em 1945; o governo dos Estados Unidos deu um ultimato ao Japão
exigindo a sua rendição; o Japão resiste e rejeita o ultimato; os Estados Unidos tomam
uma das decisões mas discutidas no século XX, através do presidente Truman e que
apressam seu término, lançando duas bombas atômicas, uma sobre Hiroshima, de urânio;
e a outra de plutônio, em Nagasaki. Diante da destruição, os japoneses assinaram a
rendição. De 1945 a 1952, o território japonês permaneceu sob a ocupação americana.
Terminada a guerra, os países europeus estavam falidos, suas cidades destruídas e
a produção industrial e agrícola totalmente desorganizada.
Após a Segunda Guerra Mundial, a lista das grandes potências não era a mesma.
Oficialmente, as grandes potências mundiais eram cinco: Estados Unidos, União Soviética,
Inglaterra, França e China.

Fonte: Geografia. Elian Alabi Lucci. 1997. p.31.

 Será que se pode considerar a França, a Inglaterra e a


China como potências mundiais no pós-guerra?

A França tinha parte do seu território destruído e seu governo favorável à ocupação
nazista;
A Inglaterra com consideráveis perdas humanas, materiais e financeiras. A maior
parte do seu ouro foi enviada aos Estados Unidos como pagamento de suas dívi-
das de guerra;
E a China? ainda assim, conservava a mesma estrutura feudal e permanecia
em guerra civil.
Na realidade, no período pós Segunda Guerra Mundial, tornam-se as potências
poderosas do mundo os Estados Unidos e a União Soviética, apesar de apresentar quadros
diferentes. Os Estados Unidos não sofreram a ação destruidora da guerra em seu território.
A União Soviética, ao contrário, tinha sido duramente atingida, cidades e povoações
destruídas, ferrovias e fábricas arrasadas. As perdas humanas foram as maiores de toda a
guerra.
Várias são as razões pelas quais os Estados Unidos e a União Soviética
transformaram-se nas maiores potências mundiais e podem ser analisadas no quadro
comparativo a seguir:

25
Geografia
Política

Depois de analisados e comparados os dados do quadro anterior, percebe-se por


que os Estados Unidos realmente se tornaram a principal potência mundial no pós-guerra.

Momento de Reflexão

1. Será que a resistência do Japão valeu a pena? Justifique.

3. O Papel Das Instituições Internacionais


Os Estados Unidos e a União Soviética preparam-se para organizar o mundo sob
suas hegemonias, mas formando dois mundos antagônicos. Ao lado da solidariedade,
começam a surgir as primeiras divergências e hostilidades entre os países que se aliaram
para derrotar as forças do “Eixo” ( Alemanha, Japão e Itália).
As divergências se exprimem por dois fatos de iniciativas das nações aliadas:
- a criação da Organização das Nações Unidas - ONU;
- o julgamento em tribunal de chefes nazistas, considerados criminosos de guerra.
A Organização das Nações Unidas (ONU) surgiu com a Conferência de São
Francisco, em 1945, em substituição à Liga das Nações, criada após a Primeira Guerra,
quando 51 nações assinaram a Carta das Nações Unidas com as principais missões:

conservar a paz e manter a segurança internacional;


estabelecer cooperação entre os povos;
estabelecer o respeito às liberdades fundamentais do homem;
favorecer e estimular o progresso social;
lutar contra a fome e a miséria.

26
A ONU compreende três órgãos principais:

Assembléia Geral - composto por todos os Estados membros , com a finalidade de


fazer recomendações sobre assuntos que interessam a comunidade internacional, não
decide sobre segurança e cooperação internacional;
Conselho de Segurança - é o órgão executivo de maior poder, é responsável pela
manutenção da paz. É composto por 15 países, sendo 5 permanentes, com poder de veto:
Estados Unidos, França Reino Unido, China e Rússia. Qualquer decisão só é colocada em
prática se houver consenso entre as cinco potências e os dez são provisórios, com mandato
de 2 anos. Ele investiga disputas e conflitos internos ou entre países, recomendando soluções
que visem o acordo de paz; propõe também sanções, corte de relações diplomáticas e até
bloqueio econômico.
Secretaria Geral – é um organismo administrativo, sob a direção de um secretário
geral escolhido entre os membros constituintes.

Alem desses órgãos, a ONU possui outros órgãos com variadas funções e atuações.
a saber:
Organização para Alimento e Agricultura (FAO) - procura aumentar a produção
de alimentos, combate as pragas e formula planos para mecanização das áreas agrícolas;
Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO)-
visa o intercâmbio entre as nações do mundo com a finalidade de melhorar os padrões
educacionais, da ciência e da cultura;
Organização Mundial de Saúde (OMS) - seu objetivo é acabar com as doenças
epidêmicas, melhorando os padrões de saúde e higiene dos povos dos países
subdesenvolvidos;
Organização Internacional do Trabalho (OIT) - tem o propósito de melhorar as
condições de trabalho em todos os países do mundo;
Fundo Monetário Internacional (FMI) - promove a cooperação monetária
internacional;
Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) - ou Banco
Mundial, promove a assistência, a reabilitação e o desenvolvimento econômico dos países
subdesenvolvidos com os capitais fornecidos pelos países desenvolvidos.

A URSS preocupava-se
em expandir o sistema socialista O Plano Marshall
para outros países com o objetivo Em 1947, o secretário de Estado do
de garantir novas conquistas Governo de Truman, o general George
internas; por outro lado, os EUA Marshall, anunciou a execução de um
preocupavam-se em manter programa de reconstrução européia.
Os fundos do programa chegaram à
seus mercados compradores e Europa entre 1948 e 1952, cerca de
o sistema capitalista mundial que 13, 182 milhões de dólares 3.421 para
lideravam. a Grã Bretanha, 2.753 para a França,
Outro meio que os EUA 1.511 para a Itália, 1.389 para a
Alemanha e o restante para outros
encontraram para deter na
países como o Japão, Iugoslávia,
Europa a expansão do Tchecoslováquia, etc.
socialismo, foi aprovar um plano Fonte: PERNAU, José. Historia Mundial desde 1939. RJ. 1979. p.44.
de recuperação da economia
européia - o Plano Marshall. Para administrar e distribuir a ajuda, foi criada a Organização
Européia de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECE) e que mais tarde passou a se
chamar Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Como os
soviéticos não aceitaram o Plano Marshall, tiveram que elaborar para o bloco oriental, um

27
sistema de cooperação econômica que integrasse todo os países comunistas
sob sua liderança – o COMECON (Conselho de Assistência Econômica
Mútua).
Geografia Ao mesmo tempo em que se organizam em tornos dos planos
Política econômicos, também se fortalecem as cooperações militares. Do lado
Ocidental criam um sistema geral de alianças defensivas no oeste europeu –
a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). No lado leste, a União
Soviética e seus aliados procuram fazer um tratado que fosse equivalente à
OTAN, conhecido como o Pacto de Varsóvia (Assistência Mútua da Europa Oriental).
A ONU, na realidade, vem ficando desprestigiada desde o período da Guerra Fria.
Nesse período, todas as decisões que tomava contrariava os interesses das duas
superpotências. Quem se sentia prejudicada, vetava a resolução tomada pelo órgão. E,
nos últimos tempos, esse desprestigio vem fazendo com que ela deixe de cumprir as suas
principais missões. Em razão disso, os Estados Unidos vêm tomando as decisões sozinho,
contrariando qualquer posição tomada pela entidade e isso vem reduzindo ainda mais o
prestigio e a legitimidade da ONU.
Em 1995, nas comemorações dos 50 anos da ONU, houve uma campanha para
a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança. A distribuição
do poder ainda reflete a correlação de força da Guerra Fria. Perdedores da Segunda Guerra
reivindicam a entrada no Conselho, assim como alguns países subdesenvolvidos, como é o
caso do Brasil. Mas os Estados Unidos são favoráveis somente ao ingresso do Japão e da
Alemanha, que hoje são potências.

Momento de Reflexão

1. Será que uma maior representatividade no Conselho de Segurança da ONU dará


maior legitimidade às decisões, considerando a instauração de uma nova ordem mundial
do ponto de vista geopolítico?

4. O Colapso do Socialismo

Os anos que se seguem após a Segunda Guerra Mundial são marcados pela divisão
do mundo em dois blocos contrários e hostis. De um lado os Estados Unidos, liderando o
bloco de países, com o modo de produção capitalista e, do outro lado, a União Soviética,
liderando os paises com o modo de produção socialista – dando origem à bipolarização do
mundo. A Europa, era a referência para essa divisão e a linha que limitava os sistemas foi
chamada de cortina de ferro, que dividia a Alemanha em Ocidental (capitalista) e Alemanha
Oriental (socialista) pelo Muro de Berlim. Era o conflito Leste X Oeste (ver ilustração seguinte).

28
 O lado ocidental sob a liderança americana é favorável:
à propriedade privada;
a livre empresa;
ao capitalismo;
ao livre consumo;
à democracia, identificada como liberdades individuais de opinião, de
imprensa, de reunião e de formação de associações.

 O lado oriental sob a liderança da União Soviética, é favorável:

à construção de uma sociedade socialista;


à propriedade coletiva dos meios de produção;
à definição dos padrões de consumo;
a uma economia planificada sob a direção do Estado;
às liberdades individuais limitadas pelo interesse comum;
a um único partido que dirija todo o processo político – o partido comunista.

Fonte: Geografia. Série Parâmetros de Eustáquio de Sene 2002, p.219

Com isso, os dois blocos tentavam manter suas áreas de influências. Esse período ficou
conhecido como Guerra Fria, pois se constituía como uma guerra não-declarada.
Os países que adotaram o regime socialista obtiveram grandes conquistas na área social,
mas, em termos de produção econômica, permaneceram muito atrás dos países capitalistas.
Os investimentos em infra-estrutura e em indústria de base permitiram grande crescimento
econômico, mas as estruturas burocráticas, o excessivo controle do Estado, o regime de partido
único, os privilégios da classe dirigente, a corrupção, a falta de motivação, a anulação da liberdade
individual dos cidadãos comuns e a falta de perspectiva coletiva limitaram o desenvolvimento.
A partir da década de 80, diversos protestos e contestações fizeram mudar as
estruturas organizacionais. Teve início uma onda de reformas políticas, sociais e econômicas,
na tentativa de superar o atraso econômico e tecnológico socialista.
No período de transição, o processo de desestatização e de liberação econômica,
dá origem a sérios problemas como: inflação, recessão, desemprego e crescimento da
marginalidade e criminalidade.Tudo isso contribuiu para o colapso do socialismo.

29
Nesse sentido, pode-se refletir que a Guerra Fria
não deflagrou em conflito mundial porque impôs uma
nova forma de paz: a paz do medo. Por outro lado,
Geografia assinalou a decadência geopolítica da Europa dentro
Política e fora do continente com a repartição em zonas de
influências, e fora com a descolonização de áreas
colôniais da Ásia e da África.
A Guerra Fria estendeu-se até a queda do Muro
de Berlim em 1989; a reunificação da Alemanha em 1990; a
dissolução do Pacto de Varsóvia em 1991; e a dissolução do Império
soviético em 1991.
Com a desintegração geopolítica e territorial da URSS e a queda do Muro de Berlim,
teve fim a Guerra Fria e o sistema bipolar que imperou no mundo por quase cinqüenta anos.

Fonte: Geografia. Elian Alabi Lucci, 1997. p.49

Atividade Complementar

1. Enumere as características geopolíticas do mundo pós-Guerra Fria


do ponto de vista econômico e geopolítico.

“ Na ex-União Soviética e no leste europeu o desmoronamento da planificação


centralizada e, em muitos casos, a ausência de instituições públicas eficazes para amortecer
o choque da economia de mercado geraram um empobrecimento e um retrocesso social
sem equivalente no mundo. O número de pobres aumentou mais de 150 milhões em sete
anos. Esses países foram os únicos do mundo onde a renda nacional diminuiu em

30
proporções enormes , em relação a 1990 - cerca de 60%. O ‘bloco do leste’ que tinha uma
inflação quase nula, se viu ante uma catastrófica alta de preços: mais de 500% por ano, de
1990 a 1995. [...] O sistema escolar, que outrora era motivo de orgulho de ter alfabetizado
quase toda a população, encontra-se seriamente ameaçado. [...] A pobreza das famílias
tornou-se um grande obstáculo à escolarização e o analfabetismo ameaçam reaparecer. O
Estado intervinha em tudo. Após a queda, o pêndulo inclinou demais no sentido inverso. [...]
Acontece, que o Estado tem um papel fundamental a desempenhar na transição como nos
países da Europa Central. Liberação excessiva significa monopólios privados, fugas maciças
de capitais, desigualdades sociais em dimensão intolerável e perda de confiança no
mercado.”
[Adaptado] Correio da Unesco. Rio de Janeiro , FGV,
1999. p. 30 e 31.

2. Segundo o texto, qual é o papel do Estado no controle de problemas sociais?

A GEOGRAFIA POLÍTICA NA
CONTEMPORANEIDADE

A CONFIGURAÇÃO DE UMA NOVA ORDEM


INTERNACIONAL

O que é uma ordem geopolítica mundial?


Existe, atualmente, uma nova ordem ou, como sugerem alguns teóricos ,
uma desordem?
Quais são os traços marcantes nesta nova (des)ordem internacional?

No decorrer da exposição , perceberemos as respostas para esses questionamentos,


onde há verdadeiras controvérsias sobre o tema que é clássico na Geografia Política, na
Geopolítica, na Ciência Política e nos estudos de relações internacionais. Um dos mais
importantes teóricos a abordar esse tema foi o geógrafo e geopolítico inglês HALFORD J.
MACKINDER, que produziu várias obras sobre o assunto no final do século XIX e no início
do século XX. A idéia de uma ordem mundial pressupõe, logicamente, um espaço mundial
unificado, algo que só ocorreu a partir da expansão marítimo-comercial européia (e

31
capitalista) dos séculos XV e XVI. Daí os autores clássicos, em especial
aqueles do século XIX, terem cunhado a expressão “grande potência” ou
“potência mundial”, indissociavelmente ligada à idéia de ordem mundial.
Geografia Esta normalmente é vista como uma situação de equilíbrio de forças entre os
Política Estados.
Por esse motivo, define-se uma ordem mundial pela presença de uma
ou mais grandes potências mundiais: ordem monopolar, bipolar, tripolar,
pentapolar, multipolar, etc. Como podemos perceber, não se avança muito
quando se nega a idéia de uma (nova) ordem e se enfatiza o termo desordem, pois toda
ordem mundial é instável e plena de conflitos e de guerras.
A atual ordem internacional, nascida com a ruína da bipolaridade, que foi o mundo da
Guerra Fria e das duas superpotências, que existiu de 1945 até 1989, ainda existem inúmeras
controvérsias e costuma ser definida ora como multipolar (por alguns, provavelmente a
maioria dos especialistas), ora como monopolar (por outros) ou ainda como uni-multipolar
(por HUNTINGTON). Aqueles que advogam a mono ou unipolaridade argumentam que existe
uma única superpotência militar - os Estados Unidos, e que a sua hegemonia planetária é
incontestável após o final da União Soviética. E aqueles que defendem a idéia de uma
multipolaridade não enfatizam tanto o poderio militar e, sim, o econômico, que consideram
como o mais importante nos dias atuais. Eles sustentam que a União Européia já é uma
potência econômica tão ou até mais importante que os EUA, que continua se expandir e
que tanto o Japão quanto a China, considerada a economia que mais cresce no mundo
desde os anos 1990, também são economias importantíssimas a nível planetário. Além
disso, a Rússia ainda é uma superpotência militar, apesar de sua economia fragilizada; a
China vem modernizando rapidamente o seu poderio militar; e as forças armadas da Europa,
em especial as da Alemanha, França, Itália e Reino Unido, tendem a se unificar com o
desenrolar da integração continental.

Momento de Reflexão

1. Apresente as principais diferenças das noções de “poder” dentro da ordem bipolar


e da ordem multipolar.

1. Os Novos Pólos do Poder


A nova ordem mundial foi deflagrada pelas disparidades tecnológica e econômica
entre o mundo capitalista e socialista durante a Guerra Fria.
A queda do Muro de Berlim, para alguns autores, é o marco inicial da nova ordem,
por que não só pôs abaixo um marco de divisão material, como também rompeu com o
maior símbolo da Guerra Fria: a bipolaridade ideológica.

32
As transformações ocorreram não só na natureza do poder, baseado na quantidade
das armas, mas também no controle de capital e de tecnologia. Com os crescentes fluxos
econômicos tanto nacionais como internacionais, e o crescente comércio, os novos pólos
de poder tornaram-se supranacionais: os Estados Unidos, a Europa e o Japão. A revolução
tecnológica interfere diretamente nas novas formas de organização da sociedade. O mundo
passa a ser multipolar.
Como conseqüência, os pólos de poder da nova ordem mundial apresentam contornos
supranacionais. Delineiam-se megablocos econômicos organizados em torno das grandes
potências do fim do século.
- Na América do Norte, constitui-se a Nafta, polarizada pelos Estados Unidos;
- Na Europa, a Alemanha unificada funciona com eixo de ligação entre o leste e o
oeste do continente;
- No Pacífico, o Japão centraliza uma vasta área de influência.
Os Estados Unidos, para alguns analistas, nunca ostentaram tanto poder no
mundo, quanto no final da Guerra Fria. O seu poder era apoiado na hegemonia econômica
e militar que era exercida em todo o planeta. A Europa vinha sendo reconstruída, em grande
parte pelo Plano Marshall financiado pelos Estados Unidos.
O Japão já vinha despontando como potência desde as décadas finais do século
XIX com o expansionismo marítimo e investimentos na industrialização. Na Segunda Guerra
Mundial foi destroçado pelo confronto com os Estados Unidos, mas depois, o Japão renasce
da ocupação norte-americana, com uma reforma ocidentalizada e reafirma o seu poderio
econômico na Ásia.
A China pode hoje ser considerada um novo pólo de poder, depois de abrir os
seus portos para o mundo capitalista e a sua aproximação com a capital norte-americana.
A China está conseguindo conciliar as bases do Partido Comunista Chinês e a abertura
econômica e se denomina um país de “economia socialista de mercado”.
As reformas econômicas chinesas apoiadas sobre o alicerce do poder monolítico
comunista representam uma reorganização radical do espaço do leste asiático. Os
crescentes investimentos dos chineses de Formosa, dos coreanos do sul e dos japoneses
no território continental da China, assinalam a integração de Pequim à esfera econômica
polarizada por Tóquio. Os indícios de retomada das relações políticas e diplomáticas entre
Japão e China, abrem a possibilidade da emergência de um poderoso bloco supranacional
asiático.

2. Globalização e Geopolítica
Para alguns analistas, a globalização é um conjunto de mudanças que estão ocorrendo
na esfera econômica, financeira, comercial, social e cultural, implicando na uniformização
de padrões econômicos e culturais. Também é um processo que está em curso e é
considerada uma nova fase do capitalismo e do imperialismo econômico, comandado pelas
grandes empresas transnacionais.
A Globalização é um processo de integração que se intensificou nas últimas décadas
do século XX e baseia-se na liberalização econômica.

33
O que quer dizer isso?
Os Estados deixam de lado as barreiras tarifárias que protegem sua
Geografia produção da concorrência e se abrem ao fluxo internacional de bens, serviços
Política e capitais. O instrumento que facilitou essa abertura foi o avançar da revolução
nas tecnologias de informação, através da Terceira Revolução Técnico-
científica. Ela ajudou a homogeneizar a cultura, os costumes, hábitos,
popularizando as tecnologias de informação como o computador, televisão
telefone, etc. Essas tecnologias agilizaram o comércio, o fluxo de investimentos e a atuação
das transnacionais no que se refere a integração de pontos distantes do globo.
A Revolução Técnico-científica redefiniu o mercado de trabalho, esvaziando os
setores da economia: primário e secundário e, ao mesmo tempo, vem exigindo mais mão-
de-obra qualificada e flexível; vem reorganizando o espaço geográfico com novos fatores
de localização industrial que são determinantes como telecomunicações, força de trabalho
qualificada, possibilidades de pesquisa, mercado consumidor, incentivos fiscais,etc, e, não
mais, matérias-primas, energia, etc.
Ela é condição indispensável para a globalização, por que sem ela não existe
novas tecnologias de informação e telecomunicações. A influência da Terceira Revolução
Tecnológica interfere até mesmo nas guerras, por permitir armas “inteligentes”, que destroem
alvos específicos sem provocar efeitos indiscriminados, tornando as informações algo
estratégico para a supremacia militar, deixando até mesmo de existir grande quantidade
de militares, mantendo somente os que possuem maior e melhor qualificação e passando a
depender da economia moderna e da tecnologia avançada.
Para o prof. Demétrio Magnoli (1993), a nova ordem mundial, ergueu-se sobre
uma revolução tecno-cientifica, que reorganiza o alocamento dos capitais no espaço
geográfico. A crise das velhas regiões urbanas e industriais desenvolveu-se paralelamente
à emergência de eixos de crescimento econômico apoiado em novas tecnologias industriais,
nas finanças e nos serviços terceirizados. Nesse movimento, a pobreza dissemina-se por
toda superfície do globo, avançando sobre as fronteiras dos países desenvolvidos e
instalando-se no “core” dos Estados Unidos e da Europa Ocidental. No mundo inteiro, os
micro-espaços de prosperidade convivem com cinturões de pobreza e desemprego.
Na nova ordem mundial, o deslocamento do poder dos arsenais nucleares para a
eficácia produtividade e influência das economias capitalistas, constitui um dos mais notáveis
fenômenos que servirá para explicar a reprodução ou organização geopolítica e
geoeconômica do espaço mundial.
O sistema capitalista sempre foi um tipo de sistema que promoveu relações entre
diversas regiões do planeta, integrando-as, muitas vezes à força, por meio do colonialismo
por isso a globalização é a expressão máxima do processo de mundialização das relações
entre as nações, ao mesmo tempo em que representa a mudança na concepção do papel
dos Estados nacionais que tinha como pressuposto, uma unidade territorial, comandada
por uma autoridade política e integrada por uma economia de base nacional.
Após a Segunda Guerra Mundial, a idéia de integração econômica passou a ser
assentada numa base supranacional e não mais em base nacional como vinha ocorrendo.
Diante da fragilidade dos países europeus no pós-guerra, e sem condições de concorrerem
isoladamente com os Estados Unidos – o gigante que emergiu no final da Segunda Guerra,
os países europeus começaram a formar alianças com o objetivo de reestruturar, fortalecer
e garantir a competitividade de suas economias. Várias alianças econômicas foram criadas
e deram origem a inúmeros blocos econômicos atuais, como veremos posteriormente.
Logo, o desenvolvimento das forças produtivas capitalistas deveria trazer a felicidade
das nações e a superação das desigualdades sociais entre elas, mas, o que a globalização
trouxe foi a exclusão da maioria das nações e a generalização da pobreza e a concentração da
riqueza.

34
Momento de Reflexão
No final do século XX, os poderes que atuam sobre o mundo e as inovações
transformam localizam-se prioritariamente nas megas cidades da América do Norte, do
Japão e da Europa Ocidental. Nessas regiões, 5% da população mundial vive em 0,4% da
superfície terrestre. É nesse espaço que se localiza a grande maioria das 500 maiores
corporações mundiais, os governos e as instituições que pesam sobre o mundo. Também é
nessas áreas que se elaboram cerca de 90% dos novos conhecimentos e tecnologias.”

1. DOLLFUS, O. Geopolítica do Sistema-Mundo. 1997. p. 34

Com base na análise do texto, estabeleça um paralelo entre os fatos que


conduzem à idéia principal do texto.

3. As Desigualdade Sociais e o Conflito Norte x Sul


O quadro político e econômico que existe hoje no mundo, é resultado da expansão
do processo de globalização.
Quais as conseqüências desse processo?
Uma maior concentração de riquezas, ou seja: os países ricos ficando cada vez mais
ricos e os países pobres ficando da vez mais pobres. Esta relação se dá pelo fato
dentre outros, dos países ricos reduzirem as tarifas de importação beneficiando os
seus produtos exportados e os países pobres não conseguem exportar seus produtos
porque os países ricos subsidiam a própria produção interna;

O comércio mundial cresceu rapidamente após 1980 e os países pobres só


participam com 25% desse comércio;

Os países pobres estão altamente endividados com os organismos internacionais.


Somente 33 países no mundo possui um crescimento do PNB per capita acima
de 3% ao ano, na maioria dos países o PNB per capita decresceu;

As maiores empresas transnacionais do mundo, controlam a maior parte do


comércio mundial, mais da metade desse comércio é realizado entre as matrizes e
filiais dessas empresas transnacionais espalhadas pela mundo;

Os maiores investimentos circulam nos países ricos enquanto uma pequena parte
vai para os países pobres;

O ritmo de crescimento do comércio no mundo se apresenta de forma diferenciada


tanto nos países ricos como nos países pobres;

Com o advento das novas tecnologias, o preço da matéria-prima nos países pobres
deixou de ser o maior produto de exportação, caindo mais de 20%.

Nos países subdesenvolvidos vivem 4/5 da humanidade, cerca de 4.8 bilhões de


pessoas e todos eles são capitalistas, com exceção de Cuba, Vietnã e Coréia do
Norte.

A esperança de vida está em declínio em muitos países e esta associada ao agra-


vamento das epidemias.

35
A crise econômica do mundo capitalista e o decréscimo das taxas de
crescimento econômico mundial fazem com que os resultados da globalização
sejam muito perversos para os países pobres. Os custos sociais se tornam
Geografia muito alto, pelo despreparo da população, ocasionando o aumento do
Política desemprego, resultando na exclusão social.
O desenvolvimento tecnológico é outro fator que distancia os países
ricos dos países pobres. Aumentam a produção e dispensam empregados -
é o chamado desemprego estrutural. As nacionais para concorrer com as
empresas transnacionais tendem a diminuir seus custos, começando por demitir seus
empregados. A terceirização é a solução encontrada para eliminar os direitos trabalhistas
dessas empresas, descartando, assim, a mão-de-obra menos qualificada. Os países ricos
para resolver este problema, reduzem seus custos e salários, aumentam a jornada de trabalho
e eliminam algumas conquistas sindicais.

Portanto, a globalização não beneficiou a todos os cidadãos

Milhares de pessoas foram e estão sendo lançados na pobreza e outras milhares


continuam na miséria. Com isso, a globalização tem aumentando as migrações de pessoas
dos países pobres em direção aos países ricos. Elas estão se tornando um dos fenômenos
mais preocupantes, dadas às dimensões sociais econômicas, culturais e geopolíticas
mundiais.

 Por que as pessoas migram?


Vários são os motivos que fazem com que as pessoas deixem suas origens,
rompendo com suas raízes, sua cultura, seus laços familiares e se lancem para outros países
em busca de melhoria de qualidade de vida, como:
desemprego;
baixos salários;
fome;
miséria;
guerras internas;
perseguições políticas;
violação dos direitos humanos;
crescimento populacional nos países
subdesenvolvidos.

Desde a década de 90, o fluxo de


imigrantes vindos dos países pobres vem
se somando ao fluxo de imigrantes, vindo
dos antigos países socialistas e isso está
se tornando um problema sério para os
países ricos.
Na tentativa de solucionar o
problema, os países ricos estão fazendo
Fonte:Almanaque Abril – Atualidade vestibular
2003. p. 153.

36
cada vez mais exigências para permitir a entrada de imigrantes e, até mesmo, de
turistas nos seus países.
O conflito Norte X Sul, é um fenômeno fundamentalmente socioeconômico, diferente
do extinto conflito Leste X Oeste, que era geopolítico e ideológico.
Os aspectos socioeconômicos são uma das formas utilizadas atualmente para
regionalizar ou dividir o mundo, como a formação de blocos econômicos ou, até mesmo,
para excluir países desse processo. Também são eles quem dividiu o mundo em países
desenvolvidos os do norte e países subdesenvolvidos os países do sul.
Embora muitos países considerados como pobres estão ao norte do equador e muitos
do hemisfério norte, como os ex-socialistas sejam tão pobres quanto alguns do hemisfério
sul e não estão no sul. Outros são até excluídos desse processo.

Legenda:
- linha divisória entre o norte e o sul
¹ - pólos ou centros de poder econômico
- área de influência dos pólos econômicos
Fonte: Geopolítica – Apocalipse do Século XX. 2000, p.76.

No século XIX, muitos países que precisavam da mão-de-obra do imigrante não


adotavam diferenças entre os direitos dos empregados nacionais e dos estrangeiros, mas
com as constantes guerras e conflitos houve um retrocesso nesses direitos.
Os argumentos alegados não são novos:

o medo de uma “invasão migratória”,


os riscos de desemprego para os trabalhadores locais,
a perda da identidade nacional e,
até mesmo o terrorismo.

Depois do 11 de setembro (EUA) as migrações, que no passado eram vistas como


um potencial para trazer elementos enriquecedores, agora são tidas como uma fonte de
terrorismo, ameaça ao emprego dos autóctones e à segurança dos Estados. Após os
atentados, alastrou-se um clima de desconfiança e suspeita em relação a todos os
estrangeiros, não só nos Estados Unidos, como em toda União Européia.

37
Como a migração é um problema
estrutural, resultante das diferenças
socioeconômicas entre os países do norte e
Geografia os países do sul, a solução seria muito
Política complexa e demorada porque perpassa por
mudanças sociais e econômicas.
Portanto, não se trata de um novo arranjo
geopolítico a nível internacional. Trata-se de
investimentos financeiros maciços em educação, saúde,
capacitação tecnológica nos países pobres, para que
juntamente com o crescimento econômico, seja capaz de
gerar emprego e o bem-estar para todos os cidadãos.

Momento de Reflexão

1. O que serve como marco de fronteira entre os países pobres e os países ricos?
A linha do Equador separa o hemisfério Norte do Hemisfério Sul, essa linha tem alguma
influência nessa divisão? Justifique.

4. A Integração Econômica e a Formação de Blocos


Econômicos Regionais
Dentro do processo de globalização uma das questões fundamentais é com relação ao
comércio internacional.
Os acordos comerciais multilaterais foram criados pelo GATT (Acordo Geral de Tarifas e
Comércio) em 1947, com o objetivo de estimular as trocas comerciais entre os países. Em
1994, o GATT foi substituído pela OMC (Organização Mundial do Comércio) que possui hoje
140 países signatários que concentram cerca de 85% do comércio mundial. A OMC tem sede
em Genebra na Suíça e tem status do BIRD e do FMI, tendo portanto muita força para fiscalizar
o comércio mundial e fortalecer os acordos multilaterais.
O comércio internacional vem crescendo em ritmo acelerado desde a Segunda Guerra
Mundial. De acordo com o órgão em 2000, o comércio mundial chegou a crescer mais de 10%,
em 1997, e a partir daí, vem decrescendo com o passar dos anos em decorrência das crises
financeiras que atingem vários países. Parte da expansão do comércio se deve aos avanços
tecnológicos nos sistemas de transportes e nas comunicações .
Não podemos esquecer que o comércio, o capital e a tecnologia estão fortemente
vinculados aos países desenvolvidos. As trocas feitas entre eles representam 85% do comércio
internacional, como já foi visto anteriormente.
A tendência atual portanto, parece estar relacionada ao crescimento do comércio dentro
dos blocos econômicos regionais, resultando numa troca interblocos.
O capitalismo desde a sua origem, caracterizou-se por ser um sistema de
interdependência econômica e política entre as nações, o aprofundamento dessas relações

38
internacionais, perpassa pela necessidade de ampliação do mercado externo entre os países
que atingiram um determinado grau de desenvolvimento econômico.
A formação dos Estados nacionais tinha como pressuposto uma unidade territorial
comandada por uma autoridade e integrada por uma economia de base nacional. A globalização
da economia mudou a concepção do papel dos Estados nacionais.
Com o crescimento do mercado pós-Segunda Guerra Mundial, vários países começaram
a se unir formando grandes organizações geopolíticas e econômicas constituindo blocos
econômicos regionais de diversos tipos de integração: as zonas de livre comércio (redução
ou eliminação das tarifas alfandegárias); as uniões aduaneiras ( abertura de mercados internos
entre os países membros com o mercado externo); e o mercado comum ( livre circulação de
pessoas, mercadorias, serviços e capitais).
Diante da fragilidade de concorrer com os Estados Unidos, após a Segunda Guerra
Mundial os países europeus começaram a formar uma série de alianças, com o objetivo de
reestruturar, fortalecer e garantir a competitividade de suas economias. Várias associações
econômicas foram sendo criadas na Europa:

O BENELUX (1944) - formado pela Bélgica,


Holanda e Luxemburgo, formaram um único mercado
integrando a economia;
A CECA (1952) – formada por seis países europeus,
Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha e Itália.
A Comunidade Européia do Carvão e do Aço, tinha como
objetivo estabelecer um mercado siderúrgico comum,
reestrurando e acelerando o desenvolvimento da indústria
de base.
A CEE (1957) – os países membros da CECA
ampliaram seus objetivos e criaram uma aliança econômica
mais eficiente, a Comunidade Econômica Européia;
A UE (1993) – a CEE traçou metas para ser
colocadas em práticas em médio prazo baseado em
quatro princípios: a livre circulação de mercadorias, de
serviços, de capitais e de pessoas entre todos os países membros da organização, mas essas
metas só foram sendo colocadas em práticas de forma gradativa. Quando as fronteiras entre os
antigos membros foram sendo abolidas, a CEE foi substituída pela União Européia, a maior
comunidade econômica do mundo. A última etapa da integração foi colocado em prática em
2002 com a implantação da moeda única – o euro. A Dinamarca, a Suécia e o Reino Unido não
aderiram à união monetária.

O Acordo Norte-americano de Livre


Comércio (NAFTA) – criado em 1992 pelos
Estados Unidos, Canadá e México entrou em
vigor em 1994 com o objetivo de eliminar as
barreiras alfandegárias entre os países. Em 1994
foi proposto pelo Estados Unidos, a criação da
Área de Livre Comércio das Américas – ALCA ,
com o objetivo de reunir os 34 países
americanos, exceto Cuba, integrando os
mercados americanos e eliminando as barreiras
alfandegárias, uma forma dos Estados Unidos de reafirmar a sua hegemonia sobre o
continente americano e pretende colocar em prática até 2006.

39
O Mercado Comum do Sul
(MERCOSUL) foi criado em 1991, através do
Tratado de Assunção, assinado pelos países
Geografia signatários: Brasil, Argentina, Paraguai e
Política Uruguai. Inicialmente o acordo visava uma zona
de livre comércio entre os países membros
eliminando as tarifas alfandegárias; cumprida
essa meta, foi criada uma política comercial
conjunta, em relação a negociação com terceiros, o que
implicou na criação de uma Tarifa Externa Comum (TEC);
hoje o Mercosul se encontra no estágio de união aduaneira
e pretende passar para uma integração mais profunda e
chegar ao estagio de mercado comum. Outros países como
a Bolívia, a Venezuela e o Chile já integram o Mercosul como
observadores.
Outros blocos menores completam a integração do mundo:
Os Tigres Asiáticos, que não chegam a caracterizar um bloco econômico, mas tem
acordos comerciais entre si;
A ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) que entrará em vigor em
2008 como uma zona de livre comércio;
A APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), composto por 20 países banhados
pelo Pacífico e Hong Kong com o objetivo de implantação de uma zona de livre comércio
até o ano 2020.
A CEI (Comunidade dos Estados Independentes) composta por 12 das 15 das antigas
repúblicas soviéticas, com exceção da Lituânia, Estônia e Letônia. A integração foi mais no
plano político que econômico e tinha como objetivo descentralizar o poder e gradativamente
consolidar a democracia nas repúblicas independentes.
A proliferação de blocos econômicos em todos os continentes, mostra uma tendência
à regionalização da economia, que por sua vez, não impede a integração mundial dos
mercados e o avanço da globalização que dá a impressão de um mundo homogêneo, com
superação das fronteiras nacionais. A universalização e a homogeneização do mundo pode
ser constatado nos processos produtivos, na comercialização, uniformizando os interesses
em espaços diferenciados.

Momento de Reflexão

1. Na atualidade, qual a tendência mundial, a formação e consolidação de blocos econô-


micos regionais ou a afirmação dos acordos multilaterais de comércio?

40
2. Como seria o “mundo perfeito” a que se refere a música de Renato Russo? Ele é
possível de existir num mundo globalizado? Justifique.

[...]
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
...
Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
[...]
( “Índios” de Renato Russo)

3. Podemos considerar o MERCOSUL um bloco de integração na América Latina?

41
Geografia
Política O ESTUDO DA GEOGRAFIA POLÍTICA NAS SÉRIES
FINAIS DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

1. O Papel do Estado no Cotidiano dos Cidadãos


O professor de Geografia Política Oswaldo Bueno, em tradução do texto de
Geografia e Estado de JOHNSTON (1982), analisou o papel do Estado no cotidiano do
indivíduo da seguinte forma: Virtualmente todo indivíduo da Terra faz parte de um estado
soberano, e ele tem pouca ou nenhuma influência sobre a natureza desse estado. Até
pouco tempo, os geógrafos davam pouca ou nenhuma atenção ao Estado, e essa omissão
desvalorizava grande parte da análise geográfica em todos os ramos da Geografia
Humana.
As bases para a defesa da inclusão do estudo do Estado e a importância das
decisões dos cidadãos, são duas: a extensão e a importância da soberania; e a importância
e o alcance das funções do aparato estatal.
Os Estados são organismos soberanos, sua existência é reconhecida por outros
estados e sua autonomia dentro de limites territoriais, uma vez definidos, é geralmente
respeitada. Ocasionalmente, a soberania de um ou mais Estados pode ser violada.
Algumas violações simples como a penetração em águas territoriais ou no espaço aéreo
de um estado, ocorrem de maneira relativamente freqüente.
No interior de cada Estado, a soberania é exercida por um organismo cuja aptidão
deve ser de algum modo reconhecida. Em muitos Estados contemporâneos este
organismo se apresenta sob a forma de poder executivo ligado ao poder legislativo, cujas
funções são definidas pela constituição. Em outros Estados trata-se de organismo formado
de indivíduos que se atribuem o direito de exercer o poder soberano e cuja existência é
aceita, embora, às vezes, a contragosto, pelas populações desses estados.
Por muito tempo, a soberania em alguns Estados era investida em indivíduos ou
grupos que eram considerados os donos do território estatal. Hoje, o direito absoluto
desses indivíduos ou grupos tem sido, pelo menos na teoria, investida em todos os
habitantes do Estado que por sua vez, precisam de um aparelho administrativo para operar
o estado e para exercer a soberania em seu nome. Assim, para que isso possa ser feito,
para o bem estar de todos os cidadãos dentro do Estado, os indivíduos aceitam certos
deveres e abrem mão de certas liberdades.
A partir do nascimento, o indivíduo é um cidadão de um estado soberano e está
sujeito ao exercício daquela soberania pelo organismo legalmente constituído. Isto coloca
certas limitações na liberdade individual. O movimento dentro de muitos estados é livre e
isso ocorre quase sempre enquanto se puder exercer a posse privada da terra e de outras
propriedades; entretanto, o movimento entre Estados sofre, freqüentemente algum tipo
de restrição e para certos grupos, às vezes, é proibido.
Dentre os componentes geográficos, o mais significativo é a demarcação territorial.
O desenvolvimento das comunidades de cada estado, e sua expressão na alocação de
deveres e benefícios, mais as operações de governo criam diferenciações na superfície
da Terra, cuja descrição e análise é uma tarefa do geógrafo
O prof° Oswaldo Bueno, analisando as considerações de TEITZ (1968) a respeito
da prestação dos serviços públicos ao cidadão, diz que,

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“ O homem urbano atual nasce em um hospital mantido com fundos
públicos, recebe sua educação em uma escola e/ou universidade públicas; gasta
boa parte de sua vida viajando em uma infra-estrutura de transporte construída pelo
Estado; comunica-se através do correio ou de um sistema telefônico públicos ou
de economia mista; bebe água fornecida por órgãos público; entrega seu lixo a um
serviço público de coleta; utiliza bibliotecas públicas; passeia em parques públicos;
é protegido pelos serviços de polícia, de saúde e de bombeiros mantidos pelo
Estado; e, eventualmente, morre e , novamente, está em um hospital público,
sendo dali removido para ser enterrado em um cemitério público. Sua vida diária
está indissoluvelmente amarrada a decisões governamentais, relacionadas a esse
e outros tipos de serviços públicos.”

Para ele, essas considerações de TEITZ não fornecem um quadro completo da


extensão da penetração do Estado em nossa vida cotidiana. Ele não considerou ainda que,
em muitos casos, o homem atual, pode ser um empregado do Estado. Mesmo se o indivíduo
atual não seja diretamente empregado pelo Estado, ele pode, em grande parte, depender
das finanças governamentais para formarem seu salário ou renda.
Além dessas influências estatais diretas e indiretas, quase todos os cidadãos de
um estado são afetados por um grande leque de ações governamentais, muitas das quais
objetivando manter a estabilidade econômica e social.
O interesse da Geografia em estudar e analisar as influências que as atividades do
Estado, tem várias facetas na nossa vida cotidiana, pois, muitas das funções reguladoras e
de investimentos já citadas variam de espaço para espaço, as variações espaciais ocorrem
também em razão da fragmentação territorial, esta fragmentação dos territórios, em países
gera diferenças internacionais em várias atividades governamentais.
A Geografia Econômica Mundial é freqüentemente interpretada como Geografia
Econômica de Estados. A existência dela levando em consideração as diferenças culturais,
de tradições, de leis e regras, com seus ambiente e histórias , reflete-se na paisagem e as
fronteiras internacionais são, por isso, muitas vezes claramente demarcadas. Desse modo,
é surpreendente que a Geografia venha usando os estados como unidades significativas
na apresentação de suas análises regionais.
A Geografia Política está indissoluvelmente ligada à Geografia Econômica e Social,
em razão da crescente influência dos governos nos padrões da atividade econômica dentro
dos estados. Todavia não podemos esquecer que em muitas partes do mundo, o estado é
subserviente a interesses econômicos dominantes.
As ações globalizadas cortam transversalmente os territórios dos Estados nacionais
desconstruíndo e desregulando certas estruturas que impedem o funcionamento do sistema,
suas redes e seus mercados. Ideologicamente, o indivíduo é valorizado como consumidor,
usuário ou cliente que tem “o mundo ao seu dispor” - o “cidadão do mercado-mundo”. Neste
sentido, para estas grandes instituições financeiras mundiais, que comandam grandes
corporações econômicas e de mercados, os contratos e acordos firmados entre partes
(empresas, associações, governos) devem estar acima de qualquer contrato social que
rege as relações entre os indivíduos de um Estado-nação, e devem ser cumpridos a qualquer
preço para não desestabilizar a economia mundial. Assim sendo, o “sistema dinheiro” tornou-
se um fim em si mesmo. Não é mais subsidiário do Estado e da sociedade, mas ao contrário,
é o ponto de partida e o objetivo último das relações entre os homens. Desse modo, estamos
diante da ausência de um princípio ético regulador das relações humanas da qual somos
prisioneiros. E é nesta trama que se inscreve, hoje, de forma profunda, a questão da
cidadania.

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Se, por um lado, reforça-se a idéia do cidadão como indivíduo
autônomo, produtor, consumidor e usuário de além fronteiras, o cidadão do
“mercado-mundo” e suas redes. Por outro, perde força a idéia do cidadão
Geografia como sujeito, como força de ação política individual ou coletiva na sociedade
Política e vínculos territoriais mais duradouros, definidos por uma comunidade e/ou
Estado-Nação.

Momento de Reflexão

1. Qual a relação entre a Geografia, o Estado e o cidadão?

2. A Importância da Participação Popular nas Decisões


Políticas do País
Na última década é notável o crescimento da participação da sociedade civil na
administração das cidades e das organizações. Alguns gestores públicos têm procurado
incentivar a participação dos cidadãos, visto que, atender aos anseios da coletividade é
garantia de qualidade na gestão pública.
Em relação à sociedade, com a convocação da sua participação nas decisões,
colocou às claras as virtudes e fragilidades existentes na sua organização. Os movimentos
sociais não conseguiram, de início, na sua maioria, avançar muito além da apresentação
de demandas e reivindicações e têm dificuldades para ocupar e disputar hegemonia nos
vários espaços criados.
A participação popular é um processo que se constrói e que a importância de criação
de uma nova cultura política democrática em oposição à cultura de “exclusão” criada pelas
elites dominantes.
O conceito de cidadania envolve o direito de maior participação possível do cidadão
no processo decisório do governo e muito particularmente nos serviços sociais. Como os
serviços básicos são prestados à comunidade pelo município, faz-se necessário a
participação popular até mesmo para a sobrevivência da comunidade em alguns casos, ou
para que se logre um mínimo de bem-estar, é fundamental muitas vezes, a participação
cidadã nas decisões que resultem na prestação daqueles serviços ou que se refiram a
ações que venham prejudicar o bem-estar da coletividade.
São múltiplas as formas de representação e participação popular no processo
decisório governamental. A mais comum é, sem dúvida, a eleição dos governantes. Outra
forma importante da participação popular, é a audiência pública, onde os cidadãos
interessados são convidados a discutir decisões a serem tomadas pelos órgãos
governamentais e que pode afetar o seu dia-a-dia. Os conselhos deliberativos e consultivos,
formados por cidadãos para participar do processo decisório de órgãos públicos constituem

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também outra prática muito generalizada em muitos países.
A presença de associações comunitárias representando interesses de bairros,
unidades de vizinhança, usuários de determinados serviços, associações de pais e alunos,
quando bem organizados e livre de manipulação política, representam um dos mais eficientes
instrumentos de exercício da cidadania e da participação comunitária.
O desenvolvimento humano pode ser assim definido como um processo abrangente
de expansão do exercício dos direitos de escolhas individuais em diversas áreas. Algumas
dessas escolhas são básicas para a vida humana. As opções por uma vida longa e saudável,
ou por adquirir conhecimento, ou por padrão de vida decente, são fundamentais para os
seres humanos. Isso não significa que outras opções, como participação política nas
decisões do país, a diversidade cultural dos povos, os direitos humanos respeitados e a
liberdade individual e coletiva não sejam igualmente importantes. Entretanto, algumas
escolhas básicas são consideradas básicas porque, à medida que elas são alcançadas,
abrem caminho para as demais.
É a compreensão da análise do espaço geográfico que será capaz de fazer caminhar
o cidadão em direção a uma postura crítica e de permitir ao homem sentir-se como agente
de transformação da sociedade e da liquidação total da situação de opressão em que vive.
Compreender não somente a análisa das desigualdades sociais, mas também as
contradições que levam a estas desigualdades e que estão expressas espacialmente.
A Geografia tem uma perspectiva crítica; pode e deve permitir que o homem se torne
o centro de busca e organização do conhecimento. De donatário deste, torna-se ativo
construtor, o que significa uma alteração toda da relação epistemológica. Esta alteração
oportuniza a superação da condição de alienação que os sistemas sociopolíticos trazem
em seu bojo de buscar a transformação da sociedade. O aluno, por exemplo, que está
construindo seu conhecimento, verá que cada vez mais surgirão novos fatos, não previstos
em seu planejamento inicial do estudo. Isto poderá implicar em um conflito, ou seja, o que
sabia até então não foi suficiente para entender a problemática que lhe foi colocado em
seus diferentes níveis de profundidade e desdobramentos, levando-o a solicitar do educador
referências ou explicitações teóricas que ajudem a superar o conflito cognitivo num nível de
abstração mais complexo. Reforça-se, assim, o papel do educador na construção da
cidadania, uma vez que, não há conhecimento geográfico que não tenha a cidadania como
seu objetivo final .
O estudo da Geografia Política nas séries finais do Ensino Fundamental e Médio,
fará com que o alunado fortaleça essa sua capacidade de criar uma visão crítica, de
construir condições para exercer uma cidadania plena e de realizar ações significativas
para transformá-las em realidade.

As bases da Geografia Política dará suporte para o aluno aprender


como agir coletivamente dentro de um processo democrático.

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Atividade Complementar
Geografia
Política

A CONQUISTA DA CIDADANIA

O que é ser cidadão? Para muitos, isso se confunde com o direito de votar. Mas
quem já teve alguma experiência política – no bairro, na igreja, na escola, no sindicato, etc.
– sabe que o ato de votar não garante nenhuma cidadania se não estiver acompanhado de
determinadas condições, como o direto à educação, à saúde, à habitação, ao lazer, à
igualdade perante a lei, sobre o seu próprio corpo e à vida, etc.
Costuma-se dividir os direitos de cidadania em três categorias – os políticos, os
civis e os sociais -, mas temos de lembrar que eles existem em conjunto, devendo estar
interligados. A ausência de um sempre enfraquece os outros.
Os direitos civis dizem respeito basicamente ao direito de dispor do próprio
corpo, o que implica em locomoção, segurança, etc. Esses direitos são muito poucos
respeitados para a maior parte da população mundial e, mesmo para a do Brasil. Basta
lembrarmos das prisões arbitrárias, da tortura, dos esquadrões da morte, de lugares onde
as autoridades não permitem que certos migrantes se fixem, do trabalho escravo ilegal que
ainda persiste em certas áreas.
Os direitos políticos dizem respeito ao relacionamento das pessoas entre si
através de organizações de representações direta (partidos, sindicatos, conselhos,
associações de bairros, etc) ou indireta ( eleições de governadores ou de representantes).
Os direitos sociais são aqueles voltados para o atendimento das necessidades
humanas básicas: direito ao trabalho e a um rendimento digno, à educação, saúde, moradia,
etc.
As pessoas tendem a pensar na cidadania apenas em termos de direito de
receber, negligenciando o fato de que elas próprias podem ser o agente da existência desses
direitos. Em vez de simples receptores, elas também podem ser sujeitos dessas conquistas.
Se existe um problema na sua rua ou no seu bairro, por exemplo, não se deve esperar que
a solução apareça espontaneamente. É preciso que os moradores se organizem e busquem
uma solução, é preciso que o cidadão seja também, de alguma forma, parte do governo.
Esta é um pressuposto básico para a existência da cidadania: que os sujeitos
ajam e lutem pelos seus direitos. É preciso que essa prática ocorra sempre na família, no
trabalho, na escola, no partido, na favela, no bairro, na rua, etc. É o exercício da ação social
no sentido mais amplo – de uso da persuasão, do argumento, da construção e aprimoramento
da justiça, da liberdade e da igualdade.

Adaptado de : COVRE, Mara de Lourdes M. O que é cidadania? 2. ed. SP. Editora


Brasiliense, 1993.

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1. De acordo com o que você leu no texto e com os conhecimentos adquiridos
durante o processo de exposição das aulas e a vivência no dia-a-dia, você acha que a
cidadania no Brasil é completa?
(Texto anexo “ A conquista da cidadania” )

2. Você se considera um “cidadão do mundo” ou um “cidadão do lugar”? Justifique.

Atividade Orientada

Chegamos à reta final de estudos da disciplina Geografia Política. A modalidade de


ensino a distância faz com que lancemos mãos das novas tecnologias de comunicação, de
informação e de novas métodos de aprendizagem em favor da educação, que, por um
lado, viu-se pressionada pela demanda de novos espaços de aprendizagem a interagir na
denominada “Sociedade do Conhecimento”. Nessa modalidade, tanto o aluno como o
professor têm oportunidade de ampliar seus conhecimentos em mão dupla, navegando por
inúmeras páginas de sites da web na internet, consultando novos materiais e mantendo
contato permanente com o tutor da disciplina para melhor elaboração das respostas. Esse
novo espaço de aprendizagem requer de você novos conhecimentos sobre a forma de
ensino e aprendizagem que a educação a distância necessita. Não deixe de esclarecer as
duvidas que aparecerem por que essa atividade vai compor uma nota da disciplina.
Bom trabalho e boa sorte!

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Geografia
Política Etapa 1
Técnica: Painel Integrado
Com base nos conhecimentos adquiridos no Bloco Temático 1, utilize os conceitos
básicos de Geografia Política e Geopolítica, forme um grupo de trabalho com 5 pessoas.
Inicialmente pesquise em outras fontes e discuta na sua equipe as características principais
do Brasil de acordo com o roteiro seguinte:

a) Extensão territorial – vantagens e desvantagens;


b) Fronteiras e limites – tratados, acordos, conquistas e os problemas;
c) População – quantidade, etnia, IDH, qualificação profissional e a interferência
no desenvolvimento do país;
d) Recursos naturais – vantagens e desvantagens;
e) Organização político-administrativa – vantagens de desvantagens;
f) Forma de governo – vantagens e desvantagens;
g) Estrutura partidária interna – vantagens e desvantagens;
h) Papel do Estado na vida do cidadão.

Vamos agora montar o painel integrado. Segue anexo as etapas para montagem do
painel. Siga corretamente as etapas que teremos bons resultados. No final, o professor
deverá solicitar todas as conclusões dos grupos, analisá-las juntamente com os alunos e
montar um texto dissertativo sobre a Estrutura Política e Organizacional do Brasil.

ORIENTAÇÕES PARA O PAINEL INTEGRADO

Objetivos:
- despertar o senso de responsabilidade e revelar ao aluno o seu papel como
centro de estudos de uma classe;
- socializar o conhecimento adquirido durante as pesquisas e as discussões.

Atividades do docente:
- distribuir o tema com mais ou menos uma semana de antecedência;
- orientar os grupos sobre a pesquisa e a leitura sobre o tema ou os caminhos
para a solução dos problemas que venham a surgir;
- estabelecer prazo para recolher o resultado da pesquisa ou a sua síntese;
- devolvê-lo corrigido e orientar os grupos para a realização da atividade;
- estabelecer o limite da exposição em no máximo 10 minutos.

Atividades do discente:
- estudar individualmente o tema e procurar chegar a uma conclusão;
- fazer uma reunião em grupo para estabelecer as bases e diretrizes do relatório a
apresentar e entregar como o trabalho de conclusão do grupo;
- expor com clareza as conclusões do grupo e tirar as dúvidas.

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Desenvolvimento do trabalho:
- reunir a turma em grupos para recordar suas conclusões (tempo máximo, 5
minutos);
- depois, o professor deve identificar com uma letra diferente, cada um do grupo;

A B A B

E E
C C
D D

- formar quantos grupos for necessário.


- após o tempo das conclusões, os alunos mudarão de lugar conforme as letras
designadas:
- na nova distribuição, se formarão cinco grupos heterogêneos com as mesmas
letras

A A A
A A A
A A A

A A A A A A

- inicia a etapa da apresentação – cada aluno expõe suas conclusões para o


grupão, obedecendo a seqüência estabelecida;
- quando o último aluno terminar suas exposição, os grupos serão desfeitos e os
alunos voltarão as suas equipes de origem;
- cada aluno em seus grupos discute e esquematiza os assuntos ouvido, para os
outros colegas, que farão as anotações e checarão os conteúdos expostos;
- concluída está etapa, o professor fará a síntese geral do assunto.

Avaliação dos resultados:


- De posse das conclusões dos grupos, o professor analisará juntamente com os
alunos que montarão um texto dissertativo com no máximo 20 linhas sobre a
“Estrutura Política e Organizacional do Brasil”.

Etapa 2
Sobre a imagem do Brasil no exterior, análise as informações seguintes, discuta em
sala e depois elabore um texto com 15 linhas no máximo, sobre o assunto.

Os Estados preocuparam-se, em especial no século XIX e nas primeiras décadas


do século XX, em construir as nações com a imposição de uma língua única e oficial (os
outros idiomas foram reprimidos e tachados como “dialetos”, embora em alguns lugares
isso não tenha sido bem sucedido e acabaram permanecendo dois ou mais idiomas oficiais),
com a criação de uma bandeira e um hino e com o enaltecimento de alguns costumes ou
hábitos, que passaram a ser vistos como nacionais e imemoriais. Na Escócia, inventaram

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Geografia
Política
a gaita de foles e o saiote xadrez apregoando que eles sempre existiram no
seio do povo das highlands (terras altas). No Brasil, principalmente nos anos
de 1930, os órgãos governamentais também estabeleceram uma serie de
tradições ou costumes aparentemente nacionais ou característicos do país: a
feijoada, o carnaval, a mulata e o futebol.

Discuta sobre o assunto em sala de aula e verifique se essa imagem ou estereótipo


do Brasil e do brasileiro, constantemente propalado no exterior, é de fato verdadeiro.
Argumente citando fatos ou situações verídicas.
Finalizada as discussões, agora redija seu texto. Esta seria verdadeiramente a nação
do povo cordial, alegre e festeiro; da mulata - a mestiça e com ausência de preconceitos
raciais; da feijoada e da caipirinha - a comida e bebida típicas; e do futebol - o país dos
craques?

Etapa 3
Nessa etapa tome como base todas as informações trabalhadas até o momento em
nossa disciplina e desenvolva as atividades que se seguem:

01. Os conflitos entre grupos étnicos e religiosos têm ocorrido em diferentes lugares
do planeta Terra e apresentam causas diversas. Cite pelo menos 04 desses conflitos que
ocorreram nos últimos 15 anos, indicando, para cada um, os países ou regiões envolvidas,
bem como o porquê dos mesmos.

02. A guerra traz diversas conseqüências para os países envolvidos no confronto.


Aqueles que não participam diretamente estão entre as nações que têm menos prejuízo. No
entanto, aqueles que diretamente estão envolvidos sentem com maior evidência os efeitos
dela. E quanto àqueles que participam e são vencidos na batalha? Pois bem, nesse contexto
esteve o Japão após a fim da Segunda Guerra Mundial. No entanto, essa condição não se
tornou um empecilho para que esse país tornasse, depois de poucas décadas, uma das
maiores potências econômicas do globo. Enumere pelo menos 4 fatores que determinam a
recuperação material e econômica, do Japão, após o conflito e discorra sobre a atual situação
geopolítica dessa nação.

03. Alguns países, em décadas passadas, optaram por adotar o socialismo como
sistema sócio-econômico. No final da década de 80 e início da década de 90 esses países
passaram por transformações que os levaram a adotar a economia de mercado. Desde
então, Cuba tornou-se um raro pais que mantêm o socialismo como sistema que regula a
vida em sociedade até os dias atuais. Sendo assim, responda:
Obs.: Cada uma dessa respostas deve ser organizada sob a forma de
pequenos textos com no mínimo 5 linhas.

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A) Qual a posição dos Estados Unidos em relação a Cuba no contexto da ALCA
(Área de Livre Comércio das Américas)? Justifique.

B) Descreva as principais características do socialismo.

04. O Brasil pode ser considerado uma potência no contexto latino americano?
Justifique sua resposta.

Glossário
Aliados - designação dada, durante a I e a II Guerras Mundiais, ao bloco formado
por países que combateram contra os Impérios Centrais. Em 1991, o nome “Aliados” foi
utilizado, mais uma vez, para se referir aos países que lutaram contra o Iraque na Guerra do
Golfo.

Barreiras Alfandegárias – taxas que tornam mais caros os produtos importados,


como forma de proteger os produtos nacionais.

Capitalismo – sistema econômico no qual a sociedade está dividida em classes


(burguesia, que detém os meios de produção e proletariado, que vende a sua força de
trabalho); apresenta economia de mercado baseada na relação entre oferta e procura;
predomínio de propriedade privada; tem o lucro como objetivo da produção.

Colônias – possessões, que em geral são ultramarinas, que foram conquistadas


por outros países ou Impérios.

Constituição – Conjunto de leis básicas que regimentam um país.

Cortina de Ferro – termo utilizado por Winston Churchill, primeiro ministro inglês,
ao se referir ao conjunto de países da Europa Oriental que, naquela ocasião, caíram sob a
influência da URSS. O termo faz referencia ao fechamento político a que esses países
foram submetidos.

Economia de mercado – sistema econômico que obedece aos fluxos de oferta


e procura, para se estabelecer os preços dos produtos.

Estado – conjunto de poderes políticos de uma nação; Organismo político-


administrativo que, como nação soberana ou divisão territorial, ocupa um determinado
território e é dirigido por um governo próprio.

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Étnicos – referente à etnia; grupos raciais.

Geoestratégico – no contexto da Guerra Fria, refere-se a ótica das


Geografia
Política
superpotências em relação ao espaço global e suas respectivas áreas de
influências.

Guerra civil – conflito armado interno de uma nação que pode ser
conseqüência de influencia externa; confronto entre grupos rivais de um mesmo
país.

Hegemonia – supremacia, superioridade, poder.

Homogeneidade étnica – particularidade observada na estrutura populacional


de alguns países onde a população, do ponto de vista étnico, são iguais.

Infra-estrutura básica – complexo estrutural no qual estão incluídas as


características da malha viária, rede hospitalar e de ensino, sistema de esgotos e de
distribuição de energia.

Liga das Nações – a precursora da ONU que, no princípio foi, criada para resolver
as pendências internacionais.

Mazelas – problemas.

Mercantilismo – subordinação da economia ao comércio característica da fase


comercial do capitalismo ou pré-capitalismo.

Ordem Geopolítica Internacional – situação caracterizada pelo equilíbrio de


forças entre as potências vigentes, no caso, ligadas aos EUA e a ex-URSS, na condição de
conflito indireto ou na tentativa de manter suas respectivas áreas de influências.

Países centrais – o mesmo que Primeiro Mundo ou mundo desenvolvidos.

Países periféricos – o mesmo que Terceiro Mundo ou mundo subdesenvolvidos.

Países Subdesenvolvidos – são aqueles que se caracterizam sobretudo pelas


grandes desigualdades sociais e pela dependência financeira.

Período colonial – corresponde à vigência do colonialismo e neocolonialismo,


do século XV ao XIX.

Plantation – sistema agrário implantado em nações subdesenvolvidas, cuja


produção de culturas tropicais é feita em latifúndios monocultores de forma extensiva visando
à exportação.

Questões nacionais – problemas inerentes a uma ou mais nações que envolvem


a soberania do povo de um Estado, cuja população partilha da mesma nacionalidade (etnia,
cultura, religião, etc.)

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Questões tribais – conflitos entre as diversas tribos em que se divide a população
negra da África.

Superpotência – durante a Guerra Fria era uma deferência aos Estados Unidos
e à União Soviética, os países mais poderosos do período.

Transnacionais – grandes grupos econômicos, com sede geralmente em países


desenvolvidos, que não pertence a uma nação e, sim, a várias nações e que atuam além
das fronteiras dos países onde está a sua sede. Geralmente, operam no Terceiro Mundo
visando explorar subsídios e insumos da produção a preços reduzidos.

Referências
Bibliográficas
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Aspectos Fundamentales. Quito. Centro Panamericano de Estudios e Investigaciones
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desenvolvimento sustentável. In: CASTRO, I. E. Et at. (Orgs) Geografia. Conceitos e
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12ª ed. Brasília: Universidade de Brasília, 2004.

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London, The MacMillan Press, 1982, p 1, to p.10. (tradução do prof° de Geografia Política
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LACOSTE, Yves. A geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a


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54
Anotações

55
Geografia
Política

FTC - EaD
Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância
Democratizando a Educação.
www.ftc.br/ead

56