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Especialização em Engenharia de Gás Natural

Metrologia e
Instrumentação

Eng. Luiz Soares Jr.


Prof. Antonio Salvador da Rocha

Fortaleza – Maio de 2008 Luiz Soares Júnior


Metrologia e Instrumentação

Informações da disciplina Incerteza de Medição

1. Objetivos: Título do Slide

9 Capacitar o aluno com noções básicas de metrologia industrial,


permitindo o entendimento dos conceitos e terminologia usados na
área;
9 Entender as razões para implantar um sistema de controle metrológico
rastreável visando o atendimento à norma ISO 9001;
9 Interpretar as informações contidas em certificados e relatórios de
medição;
9 Compreender os fundamentos para o cálculo de incerteza de medição
com base no Guia para Cálculo de Incerteza – ISO GUM.

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Metrologia e Instrumentação

Informações da disciplina

1. Horário: Segundas e Quartas das 18 as 22 horas


2. Carga horária: 32 horas
3. Forma de avaliação dos alunos:
- Trabalho em grupo;
- Exercícios individuais.
4. Professores:
ƒ Eng. Luiz Soares Jr.
Engenheiro mecânico pela UFC, Mestre em Metrologia e Instrumentação pela UFSC, Diretor adjunto da SBM e
Gerente do laboratório de metrologia do DEMP/UFC.

ƒ Prof. Antonio Salvador da Rocha


Engenheiro eletricista pela Unifor, Doutor em mecânica de precisão pela UFSC, Presidente do CREA-Ce e
Coordenador do laboratório de metrologia do DEMP/UFC.

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Metrologia e Instrumentação

Programa da disciplina Incerteza de Medição


(capítulos)
Título do Slide
1. Metrologia, unidades e padrões

2. Sistema metrológico brasileiro

3. Confiabilidade metrológica na indústria

4. Estatística básica para metrologia

5. Terminologia e conceitos metrológicos

6. Fundamentos da metrologia

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Metrologia e Instrumentação

A frase preferida dos metrologistas ...

“Quando você pode medir um fenômeno


e descrevê-lo com números, então pode
afirmar que sabe algo sobre ele. Quando
não pode medí-lo e não pode expressá-
lo com números, seu conhecimento é de
uma classe inferior e insatisfatória. Pode
ser um início de conhecimento, mas você
avançou pouco na direção da ciência,
seja qual seja a disciplina”.

Lord Kelvin, 1886

Certi/Prof. Donatelli

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Metrologia e Instrumentação

Metrologia, Unidades e
Padrões

– Conceito de metrologia, abrangência e importância.


– Sistema internacional de unidades, histórico , unidades de base, definição
dos padrões de unidades de base.
– múltiplos e submúltiplos e grafia correta.

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Conceito de Metrologia

É a “Ciência da Medição” (conforme o VIM)


Ela abrange todos os aspectos teóricos e práticos do
do grego:
grego:
relativos às medições, qualquer que seja a metron
metron -- medida
medida
incerteza, em quaisquer campos da ciência ou logos
logos -- ciência
ciência
tecnologia.

Abrangência da Metrologia

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Metrologia e Instrumentação

Importância da Metrologia
ƒ Comércio.

ƒInovação e transferência de
tecnologia.

ƒIntercambialidade de produtos e
serviços.

ƒProteção ao consumidor.

ƒSaúde e segurança.

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Metrologia e Instrumentação

Metrologia no nosso cotidiano

Potência da Horário do Comprimento da


lâmpada despertador calça

Tempo de Volume de Volume de Temperatura


cozimento leite combustível da geladeira

Velocidade do Pressão dos Consumo de


automóvel pneus energia

Dimensões Rotação do Tamanho do Quantidade


das peças motor peixe de arroz

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Sistema Internacional de Unidades - SI

NCSL INTERNATIONAL

A medição envolve um procedimento experimental, através do


qual o valor momentâneo de uma grandeza física (mensurando) é
determinado como um múltiplo e/ou uma fração de uma unidade de
medida, estabelecida por um padrão reconhecido
internacionalmente.
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Metrologia e Instrumentação

Breve histórico do SI
9 O desenvolvimento da linguagem ...
9 A necessidade de contar ...
9 Só os números não bastam ...
9 Unidades baseadas na anatomia ...
9 A busca por referências estáveis ...

9 Finalmente, em 1960, a unificação ... BIPM

ƒ Brasil participa da Conferência Geral de Pesos e


Medidas (CGPM) que cria o Sistema
Internacional de Unidades.

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As sete unidades de base do SI

Grandeza unidade símbolo


• Comprimento metro m
• Massa quilograma kg
• Tempo segundo s
• Corrente elétrica ampère A
• Temperatura kelvin K
• Intensidade luminosa candela cd
• Quantidade de matéria mol mol

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Unidades derivadas: exemplo


Unidades de base Unidades
do SI derivadas do SI
1 N = 1 kg . 1 m . 1 s-2
Massa kg N newton

Área

Comprimento m m2 Força

Tempo s m.s-2
Pa pascal
Aceleração
Pressão

Fonte: NPL/Inglaterra
1 Pa = 1 N / 1 m2

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O metro (m)
• 1793: décima milionésima parte do quadrante
do meridiano terrestre.
• 1889: padrão de traços em barra de platina
iridiada depositada no BIPM.
• 1960: comprimento de onda da raia alaranjada
do criptônio.
• 1983: definição atual
– é o comprimento do trajeto percorrido pela luz
no vácuo, durante um intervalo de tempo de
1/299 792 458 de segundo.
• Observações:
– assume valor exato para a velocidade da luz no
vácuo.
– depende da definição do segundo.
– incerteza atual de reprodução: 10-11 m.
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Curiosidades ...

• Se o mundo fosse ampliado de forma que 10-11 m se


tornasse 1 mm:
– o comprimento de onda de um laser vermelho teria
cerca de 60 m.
– o diâmetro de um fio de cabelo seria da ordem de 5
km.
– a espessura de uma folha de papel seria algo entre
10 e 14 km.
– um fio de barba cresceria 200 mm/s.

Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC

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O segundo (s)
• É a duração de 9 192 631 770
períodos da radiação correspondente
à transição entre os dois níveis
hiperfinos do estado fundamental do
átomo de Césio 133.

• Observações:
– Incerteza atual de reprodução: 3.10-14 s Relógio atômico
Relógio atômico do
do NIST
NIST /EUA
/EUA
Exatidão de
Exatidão de 11 ss em
em 20
20 milhões
milhões
de anos
de anos
Fonte:NCSL
Fonte: NCSL INTERNATIONAL
INTERNATIONAL

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Curiosidades ...

• Se a velocidade com que o tempo passa


pudesse ser desacelerada para que 3.10-14 s
se tornasse 1 s:
– o tempo em que uma lâmpada de flash fica acesa
seria da ordem de 10 anos.
– uma turbina de dentista levaria cerca de 20 anos
para completar apenas uma rotação.
– um ser humano levaria cerca de 200 séculos para
piscar um olho.

Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC

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O quilograma (kg)

• É igual à massa do
protótipo internacional do
quilograma.
– Incerteza atual de
reprodução: 10-9 g
– Busca-se uma melhor
definição através de
outras propriedades
físicas mais estáveis.

http://www.bipm.fr

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Curiosidades ...

• Se as massas das coisas que nos cercam pudessem ser


intensificadas de forma que 10-9 g se tornasse 1 g:
– uma molécula d’água teria 3.10-16 g.
– um vírus 10-11 g.
– uma célula humana 1 mg.
– um mosquito 1,5 kg.
– uma moeda de R$ 0,01 teria 8 t.
– a quantidade de álcool em um drinque seria de 24 t.

Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC

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O ampère (A)

• É a intensidade de uma corrente elétrica constante


que, mantida em dois condutores paralelos, retilíneos,
de comprimento infinito, de seção circular desprezível,
e situados à distância de 1 metro entre si, no vácuo,
produz entre estes condutores uma força igual a 2.10-7
newton por metro de comprimento.

– Incerteza atual de reprodução: 3.10-7 A.

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O kelvin (K)
• O kelvin, unidade de
temperatura termodinâmica, é a
fração 1/273,16 da temperatura
termodinâmica do ponto tríplice
da água.

Célula ponto tríplice da água

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Múltiplos e submúltiplos

FATOR PREFIXO SÍMBOLO FATOR PREFIXO SÍMBOLO

24 -1
10 yotta Y 10 deci d
21 -2
10 zetta Z 10 centi c
18 -3
10 exa E 10 mili m
10
15
peta P 10
-6
micro µ
1012 tera T 10 -9 nano n
109 giga G 10 -12 pico p
106 mega M 10 -15 fento f
3 -18
10 quilo “k” 10 atto a
2 -21
10 hecto “h” 10 zepto z
1 -24
10 deca “da” 10 yocto y

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Unidades em uso com o SI

NOME SÍMBOLO VALOR EM UNIDADES SI

minuto min 1 min = 60 s


hora h 1 h = 60 min = 3.600 s
dia d 1 d = 24 h = 86.400 s
grau ° 1° = (π /180 ) rad
minuto ’ 1’ = (1/ 60 )° = (π / 10.800 ) rad
segundo ” 1’’ = (1/ 60 )’ = (π / 648.000 ) rad
litro l,L 1 l = 1 dm3 = 10-3 m3
tonelada t 1 t = 103 kg

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Unidades temporariamente em uso com o SI

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A grafia correta: nomes das unidades


• Quando escritos por extenso, os nomes de unidades
começam por letra minúscula, mesmo quando têm o
nome de um cientista (por exemplo, ampere, kelvin,
newton, etc.), exceto o grau Celsius.

• A respectiva unidade pode ser escrita por extenso ou


representada pelo seu símbolo, não sendo admitidas
combinações de partes escritas por extenso com partes
expressas por símbolo.

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A grafia correta: o plural

• Quando pronunciado e escrito por extenso, o nome da


unidade vai para o plural (5 newtons, 150 metros, 10
segundos).

• O símbolo da unidade nunca vai para o plural


(5 N, 150 m, 10 s).

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Metrologia e Instrumentação

A grafia correta: os símbolos das unidades

ƒ Os símbolos são invariáveis, não sendo admitido


colocar, após o símbolo, seja ponto de abreviatura, seja
"s" de plural, sejam sinais, letras ou índices.
ƒ Multiplicação: pode ser formado pela justaposição dos
símbolos se não causar ambigüidade (VA, kWh etc.),
ou mediante a colocação de um ponto entre os
símbolos (N.m ou N×m, m.s-1 ou m×s-1 etc);
ƒ Divisão: são aceitas qualquer das três maneiras
exemplificadas a seguir:
W
W/(sr.m2) W.sr-1.m-2
sr.m2
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A grafia correta: dos números e símbolos

• Em português o separador decimal deve ser a vírgula.

• Os algarismos que compõem as partes inteira ou


decimal podem opcionalmente ser separados em
grupos de três por espaços, mas nunca por pontos.

• O espaço entre o número e o símbolo é opcional.


Deve ser omitido quando há possibilidade de fraude.

Exemplo: 5N ou 5 N

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Alguns enganos
O símbolo é um sinal convencional e invariável utilizado para facilitar e universalizar a escrita e a
leitura das unidades SI. Por isso mesmo não é seguido de ponto.

correto errado
segundo s s. ; seg.
metro m m. ; mt. ; mtr.
quilograma kg kg. ; kgr.
hora h h. ; hr.

O símbolo das unidades SI é invariável; portanto não pode ser seguido de "s" para indicar o plural.

correto errado
cinco metros 5m 5 ms
dois quilogramas 2 kg 2 kgs
oito horas 8h 8 hs

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Alguns enganos
Os símbolos das unidades SI não podem ser escritos na forma de expoente.

correto errado
250m 250m
10g 10g
2mg 2mg

Ao escrever uma unidade composta, não misture nome com símbolo

correto errado
quilômetro por hora quilômetro/h
km/h km/hora
metro por segundo metro/s
m/s m/segundo

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Metrologia e Instrumentação

Alguns enganos
Como escrever o grama
Grama pertence ao gênero masculino. Por isso, ao escrever (e pronunciar) essa unidade, seus
múltiplos e submúltiplos, faça a concordância corretamente.
Exemplo: dois quilogramas; duzentos e cinqüenta gramas; quinhentos miligramas; oitocentos e um
gramas.

correto errado
quilograma quilo
quilômetro quilo

correto errado
quilograma kilograma
quilômetro kilômetro
quilolitro kilolitro

Os símbolos ' e " representam minuto e segundo enquanto unidades de ângulo plano e não de
tempo.

correto errado
9h 25min 6s 9:25h ou 9h 25' 6"
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Alguns enganos

• Errado • Correto
– Km, Kg – km, kg
–µ – µm
– a grama – o grama
– 2 hs, 15 seg – 2 h, 15 s
– 80 KM – 80 km/h
– 250°K – 250 K
– um Newton – um newton

Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC

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Metrologia e Instrumentação

Exemplos

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Sistema Metrológico

– Sistema metrológico mundial e brasileiro.


– Matriz de laboratórios RBC e RBLE
– Rastreabilidade metrológica

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Metrologia e Instrumentação

SISTEMA METROLÓGICO MUNDIAL


TRATADO DO METRO
(20 de maio de 1875) Estabeleceu a CGPM , o CIPM e o BIPM
Promove o SI.
Elege o CIPM
Campo CGPM Aprova decisões do CIPM
Diplomático Aloca fundos para o BIPM

Coordena os Comitês Consultivos


Campo Técnico CIPM Apresenta propostas ao CGPM
Dirige operações do BIPM
Eletricidade e magnetismo
Comitês Consultivos Fotometria e radiometria
Termometria
Comprimento
Tempo e freqüência
Radiação ionizante
Unidades
Massa e grandezas relacionadas
Quantidade de matéria
Acústica, ultra-som e vibração

BIPM Assegura a uniformidade mundial das medidas físicas

Institutos Nacionais de Metrologia


Mantêm e disseminam normas nacionais
Cooperam com o BIPM e promovem membros para os Comitês Consultivos Inmetro/08

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Metrologia e Instrumentação

SISTEMA METROLÓGICO BRASILEIRO

SINMETRO Criado pela Lei 5966,


de 11/12/1973

Formula, coordena e supervisiona a política


CONMETRO nacional de metrologia, normalização e
avaliação da conformidade
Campo Político
Assessora o CONMETRO nos
CBM assuntos de metrologia

Campo Técnico INMETRO Executa a política metrológica do País

DIMCI
IRD COMITÊ GESTOR ON

RBC – RBLE - RBMLQ

Laboratórios em Geral Outros Canais

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Metrologia e Instrumentação

Atuação do Inmetro

INMETRO

Metrologia Científica Metrologia Industrial Metrologia Legal

Trata dos padrões de medição internacionais e


nacionais, dos instrumentos laboratoriais e das
pesquisas e metodologias científicas
relacionadas ao mais alto nível de qualidade
metrológica.
Trata da aplicação da metrologia no controle dos
processos produtivos na garantia da qualidade
dos produtos finais.
Trata da proteção ao consumidor em relação às
unidades de medida, métodos e instrumentos de
medição, de acordo com as exigências técnicas e
legais obrigatórias.

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Metrologia e Instrumentação

Matriz de laboratórios de Calibração


LABORATÓRIOS ACREDITADOS NA RBC
SUL
50
13,4%

NORDESTE
20 8
0
0
5,4% SUDESTE 2
/
C
R
291 A
M
NORTE 78,0% -
O
R
5 T
E
M
1,3% N
I
:
E
T
N
O
F
CENTRO OESTE
7
1,9%

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Metrologia e Instrumentação

Matriz de laboratórios de Ensaios

LABORATÓRIOS ACREDITADOS NA RBLE


SUL
38
13,7%

NORDESTE
18
6,5% 8
0
0
SUDESTE 2
/
C
NORTE 213 R
A
M
4 76,9% -
O
R
1,4% T
E
M
IN
:
E
T
N
O
F
CENTRO OESTE
4
1,4%

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Metrologia e Instrumentação

O impacto financeiro da NÃO METROLOGIA

Aproximadamente 10% do PIB de


países em desenvolvimento são
gastos em retrabalho e desperdício
devido à inexistência de controle
metrológico adequado.
No caso do Brasil seria da ordem de
R$ 260 bilhões.
Fonte: Programa RH-Metrologia - Documento Básico. Rio de Janeiro: Stamppa,
1999. 90 p – Atualizado PIB 2007.

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Metrologia e Instrumentação

Rastreabilidade metrológica - Conceito

É a propriedade do resultado de
uma medição, ou do valor de
um padrão, estar relacionado a
referências estabelecidas,
geralmente padrões nacionais
ou internacionais, através de
uma cadeia contínua de
comparações, todas tendo
incertezas estabelecidas
(VIM).

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Metrologia e Instrumentação

Pirâmide da rastreabilidade
B unidades do SI
IP
M
padrões internacionais

LN padrões nacionais
M
padrões de referência de laboratórios
C
de calibração
al
ib
ra
padrões de referência de
ção

laboratórios de ensaios
En
s ai
os
In

st
ria

padrões de trabalho de
e

laboratórios de chão de
ou

fábrica
tr
os

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Metrologia e Instrumentação

Pirâmide da rastreabilidade: exemplo

Cadeia de rastreabilidade na Medição por Coordenadas no


LAMETRO/UFC
NÃO DEVE SER QUEBRADA!
1E-11
SI m
SI
1E-8 m

5E-7 m
Physikalisch-Technische
Bundesanstalt

6E-7 m

7E-7 m

20 a 30E-7 m

INDÚSTRIA - UNIVERSIDADES - LABORATÓRIOS


>80E-7 m Produto

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Metrologia e Instrumentação

Campus do Inmetro em Xerém – Rio de Janeiro

Mecânica Centro Operacional

Acústica e Vibração Térmica


Química
Óptica
Elétrica

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Metrologia e Instrumentação

Confiabilidade
metrológica na
indústria
– A metrologia na atividade industrial
– Bases para confiabilidade metrológica.
– Por que implantar um sistema de confiabilidade metrológica na indústria?
– Normalização e Guias para metrologia
– Garantia da qualidade das medições na indústria

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Metrologia e Instrumentação

A metrologia na atividade industrial

Cliente /
Distribuição
Distribuição Mercado Planejamento
Planejamento
eeserviço
serviço deproduto
de produto

Desenvolvimento
Desenvolvimento
Vendas
Vendas doproduto
do produto

Desenvolvimento
Desenvolvimento
Fabricação
Fabricação doprocesso
do processo
Compras//
Compras
fornecedores
fornecedores Certi/Prof. Donatelli

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Metrologia e Instrumentação

Para reflexão...
ƒ É muito comum medirmos:
9demais,
9de menos,
9sem saber por que,
9sem sabermos para que,
9sem analisarmos como...;

ƒ Nós tiramos proveito dos resultados de certificados e relatórios de medição


(correções, incertezas, etc.)?

ƒ Nós mantemos todos os registros das medições realizadas?

ƒ Eu tenho meios para garantir a integridade dos equipamentos compartilhados


com outros laboratórios/setores da empresa?

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Metrologia e Instrumentação

Para reflexão...

ƒ Nós temos um plano de calibração (rastreabilidade) dos nossos padrões,


instrumentos de trabalho e instrumentos auxiliares (termômetros,
barômetros etc.) utilizados na medição em laboratório ou processo?

ƒ Nós dispomos de pessoal capacitado para realizar medição ou


supervisionar as equipes de medição (metrologistas, instrumentistas, etc.)?

ƒ Os instrumentos de medição adquiridos satisfazem as relações de


tolerância e incerteza de medição da grandeza sob medição?

ƒ Minhas planilhas de cálculo e softwares desenvolvidos para medição


estão validados?

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Metrologia e Instrumentação

Bases para confiabilidade metrológica

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Metrologia e Instrumentação

Por que é impossível alcançar confiabilidade


metrológica 100%?

Ambiente Mensurando Equipamento

Vibrações Classe de
Umidade
exatidão Qualidade
Prop. físicas de fabricação
Temperatura Estabilidade
Estabilidade Prop. químicas Desgaste
Erro de
medição
Padrões Cansaço
Supervisão
periódica Tédio
Calibração
Motivação
Medição Ajustes Treinamento

Procedimento Operador

Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC

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Metrologia e Instrumentação

Por que implantar um sistema de confiabilidade


metrológica?
Mercado
Agências Reguladoras
- Sobrevivência
- ANEL, ANATEL
- Diferencial
- ANVISA, ANP
- Globalização, cadeia de
- ARCE , INMETRO, etc.
clientes e fornecedores, etc.

Tecnologia Normalização e metrologia


- Redução de tolerâncias. - ISO 9001, ISO 14000, ISO 16494
- Novas tecnologias (eletrônica, - Normas de calibração e ensaios
automação) - Guias e normas internas da
- Comunicação, softwares ,etc. empresas (ex.: Petrobras, Vale,
etc.)

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Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia

ISO 9000:2000
ISO 10012:2003
ISO GUM
ISO/IEC 17025
ISO 14253
VIM
SI
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Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


ISO 9000:2000 (item 7.6)

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Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


ISO 10012:2003

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Metrologia e Instrumentação

Modelo do sistema de gestão da medição da ISO 10012

8.4 Melhoria

5 Responsabilidades
da gerência
dos clientes
Requisitos

Satisfação
do cliente
6 Gestão 8 Análise e melhoria
dos do sistema de gestão
recursos da medição

7 Confirmação e realização
Input do processo de medição Output
7.1
7.2 Processo Resultados
Confirmação
de medição de medição
metrológica

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Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


• Estabelece regras gerais para avaliar e ISO GUM - 2003
expressar a incerteza de medição que
podem ser seguidas em vários níveis de
exatidão e em muitos campos, desde o chão
de fábrica até a pesquisa fundamental.
• Os princípios podem ser aplicados para:
– manter o controle da qualidade e a
garantia da qualidade na produção;
– conduzir pesquisa básica, pesquisa
aplicada e desenvolvimento na ciência e
na engenharia;
– calibrar padrões e instrumentos;
– desenvolver, manter e comparar padrões
físicos de referência nacional e
internacional.
– Entre outros.
Especialização em Engenharia de Gás Natural 56
Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


ISO/IEC 17025:2005

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Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


VIM - 2007

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Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


SI - 2007

Especialização em Engenharia de Gás Natural 59


Metrologia e Instrumentação

Normalização e Guias para metrologia


ISO 14253

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Metrologia e Instrumentação

Medição de gás natural

Portaria Conjunta Nº 1
ƒ Elaborada pela ANP/ INMETRO.
ƒ Emitida em 19 de Junho de 2000.
ƒ Regulamenta a medição de petróleo e gás natural na área de E&P e de
transporte.

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Metrologia e Instrumentação

Medição de gás natural

Medidores de vazão aceitos pela ANP:


• Placa de orifício

• Turbina

• Ultra-sônico

Flow D

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Metrologia e Instrumentação

Normas para medição de gás natural

• ISO

• AGA (API)

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Metrologia e Instrumentação

Garantia da qualidade das medições na indústria

Confirmação metrológica
Conjunto de operações necessárias para garantir que o equipamento de
medição atende os requisitos definidos pelo uso.
– Nota 1: geralmente inclui a calibração e verificação, qualquer ajuste ou
reparo necessário e a recalibração subseqüente, a comparação com
requisitos metrológicos determinados pelo uso e também qualquer
identificação necessária.
– Nota 2: a confirmação metrológica não é atingida até que a
adequabilidade do equipamento de medição para o uso seja
demonstrada e documentada.
– Nota 3: os requisitos determinados pelo uso incluem a faixa de medição,
a resolução e o erro máximo permissível.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 64


Metrologia e Instrumentação

Garantia da qualidade das medições na indústria


Limitações da confirmação metrológica

• A confirmação metrológica permite assegurar que a capacidade de um


equipamento de medição é, e continua sendo, potencialmente apropriada
para uma dada tarefa de medição.

• Entretanto, ela não necessariamente garante que o resultado da medição


também satisfaça os requisitos de uso, pois a confirmação metrológica foca
no controle do equipamento de medição através da calibração, ou seja, em
condição de referência.

• Outros aspectos, tais como a influência do operador, o procedimento de


medição, as condições ambientais, que também afetam a qualidade do
resultado da medição não são controlados pelo processo de confirmação
metrológica.

Fonte: Prof. Donatelli/UFSC

Especialização em Engenharia de Gás Natural 65


Metrologia e Instrumentação

Recomendações para a
garantia da qualidade
das medições na sua
empresa.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 66


Metrologia e Instrumentação

Recomendação No 1
Cultura metrológica
Desenvolver atividades que facilitem o entendimento de que atividade
metrológica pode e deve agregar valor aos produtos e processos da empresa.
Tentar demonstrar:

– Que a metrologia não é apenas para laboratório de calibração;

– Que a metrologia tem custos e benefícios financeiros com sua aplicação


adequada;

– Que a metrologia permeia quase todas as atividades da empresa;

– Aplicada de forma correta, a metrologia permite tomar decisões com menor


risco;

– Pode e dever ser disseminada para todos setores onde ela atua;

– Existem documentos e normas disponíveis para sua aplicação.


Especialização em Engenharia de Gás Natural 67
Metrologia e Instrumentação

Recomendação No 2
Formação da Base de Conhecimento

– Manter todos os documentos e registros importantes relacionados com


aquisição de instrumentos, cursos, treinamentos, contratos,
especificações, regulamentos e normas;

– Quando necessário, solicitar do fornecedor do instrumento de medição


evidências das especificações declaradas nos catálogos;

– Prover um sistema eficiente de acesso e disseminação do


conhecimento gerado pela empresa;

– Manter um banco de dados de normas, regulamentos e especificações


técnicas de produtos e processos atualizado e acessível ao pessoal
chave.

– Integração com o sistema da qualidade da empresa.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 68


Metrologia e Instrumentação

Recomendação No 3

Gestão da Metrologia

– Classificar as atividades metrológicas da empresa com referência a seu


valor estratégico (impacto no lucro imediato e futuro, geração de
conhecimento, redução de não-conformidades):
• Metrologia de apoio ao desenvolvimento de produto e processo
(estratégica).
• Metrologia de apoio à produção (rotina).
• Calibração.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 69


Metrologia e Instrumentação

Recomendação No 3

Gestão da Metrologia

– Integrar o pessoal de produção nas atividades rotineiras de controle.

– A metrologia na produção deve ser objetiva e de aplicação.

– A metrologia no desenvolvimento de produto deve ser investigativa.

– Decidir com base em custos, infra-estrutura disponível, RH e outros fatores


se a empresa vai terceirizar as calibrações;

Especialização em Engenharia de Gás Natural 70


Metrologia e Instrumentação

Recomendação No 3

Gestão da Metrologia

Separar fisicamente os locais de realização das atividades metrológicas


estratégicas e as atividades metrológicas de rotina:

– Medições estratégicas e de referência são realizadas nos laboratórios da


empresa.
– Medições rotineiras são realizadas diretamente na linha de produção ou em
unidades de inspeção localizadas perto da linha.
– Calibrações são realizadas nos laboratórios de calibração.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 71


Metrologia e Instrumentação

Recomendação No 3

Gestão da Metrologia

Implantar um sólido sistema de garantia da qualidade das medições

GQ preventiva das medições:


– Projeto, seleção, aquisição e recebimento dos sistemas de medição.
GQ das medições na execução (“na linha”) opera:
– Confirmação dos processos de medição;
– Supervisão periódica dos processos de medição.
Sistema de garantia da qualidade laboratorial (calibração e referência):
– Pode-se usar o modelo da NBR ISO/IEC 17025.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 72


Metrologia e Instrumentação

Estatística básica para


metrologia

– Conceitos
– Medidas de posição e de dispersão
– Coeficiente de variação
– Principais distribuições de probabilidades
– Intervalo de confiança

Especialização em Engenharia de Gás Natural 73


Metrologia e Instrumentação

Conceitos

A estatística é a arte de torturar os números até fazer com que eles


confessem.
(Autor desconhecido)

74
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Conceitos

9POPULAÇÃO: é o conjunto total de elementos portadores de, pelo


menos, uma característica comum. Pode ser finita ou infinita.

9AMOSTRA: é uma parcela representativa da população que é


examinada com o propósito de tirarmos conclusões sobre a essa
população.

9PARÂMETROS: São valores singulares que existem na população e


que servem para caracterizá-la. Para definirmos um parâmetro
devemos examinar toda a população. Ex: Os eixos medidos têm em
média 25 milímetros de diâmetro.

9ESTIMATIVA: é um valor aproximado do parâmetro e é calculado


com o uso da amostra.

75
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medidas de posição: média aritmética


As mais usuais são as medidas de tendência central, especificamente a
média, mediana e moda.

Para metrologia a média aritmética é a mais adequada.

Se x1, x2, ..., xn são os valores dos dados, então podemos escrever a
média aritmética como

76
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medidas de posição com o Excel®


MÉDIA ARITMÉTICA
Amostra
31
38
11

∑X
19
27 i
24 i =1 31 + 38 + L + 39
42 X= = = 29 ,82
32
11 11
18
43
15 Média 29,82 =SOMA(B4:B14)/CONT.NÚM(B4:B14)
39 Média 29,82 =MÉDIA(B4:B14)

MODA
MEDIANA
Amostra
Amostra
31 Mediana 31,00 =MED(B4:B14)
14 14 14 13
38
12 14 15 15
19
13 15 13 16
27
11 17 12 12
24
12 14 14 12
42
13 11 13
32
16 13 14
18
43
Moda 14,00 =MODO(B4:B10;C4:C10;D4:D10;E4:E8)
15
39

77
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Propriedades da média aritmética


1ª propriedade:
A soma algébrica dos desvios em relação à média é nula.

2ª propriedade:
Somando-se (ou subtraindo-se) uma constante (c) a todos os valores de
uma variável, a média do conjunto fica aumentada (ou diminuída) dessa
constante.

3ª propriedade:
Multiplicando-se (ou dividindo-se) todos os valores de uma variável por uma
constante (c), a média do conjunto fica multiplicada (ou dividida) por essa
constante.
78
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medidas de dispersão: desvio padrão

É a medida de dispersão mais


empregada, pois leva em
consideração a totalidade dos
valores da variável em estudo.

O desvio padrão baseia-se nos desvios em torno da média aritmética e


a sua fórmula básica pode ser traduzida como: a raiz quadrada da
média aritmética dos quadrados dos desvios e é representada por S.

A fórmula acima é empregada quando


tratamos de uma população de dados.
79
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medidas de dispersão: desvio padrão

Quando nosso interesse não se restringe à descrição dos dados mas, partindo da
amostra, visamos tirar inferências válidas para a respectiva população, convém
efetuar uma modificação, que consiste em usar o divisor n - 1 em lugar de n.
A fórmula ficará então:

Xi – valor da i-ésima medida


Xbarra – a média aritmética das medidas
n – número de medidas

80
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Propriedades do desvio padrão

1ª propriedade:
Somando-se (ou subtraindo-se) uma constante a todos os valores de uma
variável, o desvio padrão não se altera.

2ª propriedade:
Multiplicando-se (ou dividindo-se) todos os valores de uma variável por uma
constante (diferente de zero), o desvio padrão fica multiplicado ( ou dividido)
por essa constante.

81
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medidas de dispersão com o Excel®

82
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Coeficiente de Variação de Pearson (C.V.)

É definido como o quociente entre o desvio-padrão e a média. É


freqüentemente expresso em porcentagem. Sua fórmula é dada abaixo para
uma amostra.

Sua vantagem é caracterizar a dispersão dos dados em termos relativos ao


seu valor médio, caracterizando uma espécie de “precisão” das medidas.

Assim, uma pequena dispersão absoluta pode ser, na verdade, considerável


quando comparada com a ordem de grandeza dos valores da variável e
vice-versa.

83
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Principais distribuições de probabilidade

De uma distribuição normal simétrica podemos dizer o seguinte:

968% dos valores encontram-se a uma distância da média inferior a um desvio


padrão.
995% dos valores encontram-se a uma distância da média inferior a duas
vezes o desvio padrão.
999,7% dos valores encontram-se a uma distância da média inferior a três
vezes o desvio padrão.

84
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Principais distribuições de probabilidade

A distribuição normal de probabilidade é importante na inferência


estatística por três razões distintas:
1 – As medidas produzidas em diversos processos aleatórios seguem esta
distribuição;
2 – Probabilidades normais podem ser usadas freqüentemente como
aproximações de outras distribuições de probabilidade, tais como as
distribuições binomial e de Poisson.
3 – As distribuições de estatísticas da amostra tais como a média e a
proporção, freqüentemente seguem a distribuição normal independentemente
da distribuição da população.

http://www.inf.ufsc.br/~marcelo/intro.html
85
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Principais distribuições de probabilidade

Distribuição uniforme ou retangular

Numa distribuição de probabilidade retangular a probabilidade de que um


valor de X esteja dentro do intervalo [-a, +a] é igual a 1 (100%), para todos
os pontos, e a probabilidade de que X esteja fora deste intervalo é
essencialmente zero.

86
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Principais distribuições de probabilidade


Distribuição t de student para a média

Se uma população é normalmente distribuída, a distribuição de amostragem da média,


para qualquer tamanho de amostra, será também normalmente distribuída; isto é
verdadeiro quer σ seja conhecido, quer não.

Uma distribuição t é apropriada para inferências sobre a média sempre quando


σ for desconhecido e a população normalmente distribuída, qualquer que seja
o tamanho da amostra.

À medida que aumenta o tamanho da amostra, a distribuição t aproxima-se da


forma da distribuição normal, isto é, a distribuição t pode ser aproximada pela
distribuição normal quando n ≥ 30 para uma única amostra.

87
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Principais distribuições de probabilidade


Distribuição t de student para a média

CURIOSIDADES (Fonte: http://pt.wikipedia.org)


Student é um pseudônimo de William Sealy Gosset, que não podia publicar artigos usando seu próprio
nome.
88
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Intervalo de confiança
Toda afirmação deve vir acompanhada de um grau de confiança, ou grau de certeza, ou
seja quanto se está certo ao comunicar aquela informação.

O nível ou grau de confiança é denotado por 100(1-α), onde α (alfa) é o nível de


significância.

Se o intervalo de confiança de uma medição é de 95%, significa que, a cada


100 medidas feitas pela mesma metodologia, 95 estimam a média da
população.
89
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Intervalo de confiança para média


Com variância desconhecida
Para estimar a média µ da população com variância(σ2)
desconhecida , seleciona-se uma amostra aleatória de tamanho
n e calcula-se a média e a variância amostral. Nesse caso,
deve-se utilizar a distribuição t de Student, com (n-1) graus de
liberdade.

O intervalo de confiança bilateral de 100 (1-α)% para a média µ


é:
s s
X − tα / 2,n −1 ≤ µ ≤ X + tα / 2,n −1 ,
n n

onde X é a média amostral, tα/2,n-1 é a abscissa da distribuição t que


limita a área das extremidades direita e esquerda no valor α/2, e o
número de graus de liberdade é (n-1).

90
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Intervalo de confiança para média com Excel®

Lapponi

91
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e
conceitos metrológicos
– Calibração, Aferição, Verificação e Ajuste
– Exatidão e Precisão
– Valor Verdadeiro Convencional
– Erro sistemático, Tendência, Correção e Incerteza da medição
– Valor de uma Divisão e Resolução
– Erro fiducial, Classe de Exatidão, Histerese e Linearidade
– Repetitividade e Reprodutibilidade

92
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Calibração ou Aferição (calibration, étalonnage)
Conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação
entre os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema de
medição ou valores representados por uma medida materializada ou um
material de referência, e os valores correspondentes das grandezas
estabelecidos por padrões.

gerador da grandeza

Sistema de medição Sistema de medição


a calibrar - SMC padrão - SMP

ISMC
I Comparação ISMP
I I - Indicação
SMC SMP

93
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos

Verificação (Vocabulário de metrologia legal)

Procedimento que compreende o exame, a marcação e/ou a emissão de um


certificado de verificação e que constata e confirma que o instrumento de
medição satisfaz às exigências regulamentares.

Verificação do volume indicado pela bomba de combustível

94
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Ajuste (de um instrumento de medição) [adjustment (of a measuring


instrument) / ajustage (d’un instrument de mesure , m]

Operação destinada a fazer com que um instrumento de medição tenha


desempenho compatível com o seu uso. Observação: O ajuste pode ser
automático, semi-automático ou manual.

Regulagem (de um instrumento de medição) [user adjustment (of a measuring


instrument) / réglage (d’un instrument de mesure) , m]

Ajuste, empregando somente os recursos disponíveis no instrumento para o


usuário.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 95


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Ajuste Regulagem

Mecanismo de
Mecanismo regulagem do “zero”.
de ajuste

www.bringer.com.br

Especialização em Engenharia de Gás Natural 96


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Valor verdadeiro convencional (de uma grandeza) [conventional true value
(of a quantity) / valeur conventionnellement vraie (d’une grandeur)]
Valor atribuído a uma grandeza específica e aceito, às vezes por convenção,
como tendo uma incerteza apropriada para uma dada finalidade.

Observações:
1) “Valor verdadeiro convencional” é as vezes denominado valor designado,
melhor estimativa do valor, valor convencional ou valor de referência. “Valor de
referência”.
2) Freqüentemente um grande número de resultados de medições de uma
grandeza é utilizado para estabelecer uma valor verdadeiro convencional.

97
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Erro (de indicação) de um instrumento de medição [error (of indication) of a
measuring instrument / erreur (d’indication) d’un instrument de mesure]

Indicação de um instrumento de medição menos um valor verdadeiro de grandeza de


entrada correspondente.
Observações:
1) Uma vez que um valor verdadeiro não pode ser determinado, na prática é utilizado um
valor verdadeiro convencional.
2) Este conceito aplica-se principalmente quando o instrumento é comparado a um
padrão de referência.

Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC

98
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos

Exatidão de um instrumento de medição [accuracy of measuring instrument /


exactitude d’un instrument de mesure, f]

Aptidão de um instrumento de medição para dar respostas próximas a um valor


verdadeiro.

Observação:

1.Exatidão é um conceito qualitativo.

2.O termo precisão não deve ser utilizado como exatidão.

São parâmetros qualitativos associados ao desempenho de um sistema.


Um sistema com ótima precisão repete bem, com pequena dispersão.
Um sistema com excelente exatidão apresenta pequenos erros.
Prof. Armando Albertazzi/UFSC

99
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos: Exatidão

Ea Ea

Es Es

A B
D C

Ea Ea

Es Es

100
Especialização
Prof. Armando Albertazzi/UFSCem Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Erro Sistemático (systematic error ,erreur systématique)

Média que resultaria de um infinito número de medições do mesmo mensurando,


efetuadas sob condições de repetitividade, menos o valor
verdadeiro do mensurando.
Observações:
1) Erro sistemático é igual ao erro menos o erro aleatório.

101
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Correção (correction, correction)

Valor adicionado algebricamente ao resultado não corrigido de uma medição


para compensar um erro sistemático.
Observações:
1) A correção é igual ao erro sistemático estimado com sinal trocado.
2) Uma vez que o erro sistemático não pode ser perfeitamente conhecido, a
compensação não pode ser completa.

102
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Tendência (de um instrumento de medição) [bias (of a measuring instrument) /
erreur de justesse (d’un instrument de mesure)]

Erro sistemático da indicação de um instrumento de medição.

Observação:
1) Tendência de um instrumento de medição é normalmente estimada pela
média dos erros de indicação de um número apropriado de medições repetidas

103
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos metrológicos


Tendência (Td): É uma estimativa do Erro Sistemático.

Correção (C): É o valor que, ao ser adicionada à indicação, compensa os erros


sistemáticos. É igual à tendência com sinal trocado.

Td C = -Td
Fonte: Prof. Armando Albertazzi/UFSC
Prof. Armando Albertazzi/UFSC
104
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Incerteza de medição [uncertainty of measurement / incertitude de mesure, f]

Parâmetro, associado ao resultado de uma medição, que caracteriza a dispersão


dos valores que podem ser fundamentalmente atribuídos a um mensurando.

A incerteza de medição compreende, em geral, muitos componentes. Alguns


destes componentes podem ser estimados com base na distribuição estatística
dos resultados das séries de medições e podem ser caracterizados por desvios
padrão experimentais. Os outros componentes, que também podem ser
caracterizados por desvios padrão, são avaliados por meio de distribuição de
probabilidade assumidas baseadas na experiência ou em outras informações.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 105


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Incerteza de medição [uncertainty of measurement / incertitude de
mesure, f]

Especialização em Engenharia de Gás Natural 106


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Valor de uma divisão [scale interval / échelon, m - valeur d’une division


(d’échelle), f]
Diferença entre os valores da escala correspondentes a duas marcas
sucessivas.
Observação:
O valor de uma divisão é expresso na unidade marcada sobre a escala, qualquer
que seja a unidade do mensurando.

0 1 2 3 4

Especialização em Engenharia de Gás Natural 107


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Resolução (de um dispositivo mostrador) [resolution (of a displaying


device) / résolution (d’un dispositif afficheur), f]

Menor diferença entre indicações de um dispositivo mostrador que pode ser


significativamente percebida.

Observações:
1) Para dispositivo mostrador digital, é a variação na indicação quando o
dígito menos significativo varia de uma unidade.

2) Este conceito também se aplica a um dispositivo registrador.

108
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Resolução (de um dispositivo mostrador)
Mostrador analógico Mostrador digital

VD = valor de uma divisão Fonte: Prof. Armando/UFSC

Quando o mensurando apresenta flutuações superiores ao próprio VD, ou no


R = VD
caso de tratar-se de uma escala grosseira, de má qualidade;
Quando o mensurando apresentar flutuações significativas e/ou quando o A resolução é o
R = VD/2
erro de indicação direta não for crítico;
incremento digital
Quando tratar-se de SM de boa qualidade (traços e ponteiros finos, etc.) e a
R = VD/5
medição em questão tiver de ser feita criteriosamente;
Quando o SM for de qualidade, o mensurando estável, a medição for
R = VD/10 altamente crítica quanto a erros de indicação direta e a incerteza do SM foi
inferior ao VD.

109
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Classe de exatidão [accuracy class / classe d’exactitude, f]


Classe de instrumentos de medição que satisfazem a certas exigências
metrológicas destinadas a conservar os erros dentro de limites especificados

Observação: Uma classe de exatidão é usualmente indicada por um número ou


símbolo adotado por convenção e denominado índice de classe.

Por exemplo, manômetro classe de exatidão A3 (0,25% VFE, ABNT NBR 14105).

110
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Erro fiducial (de um instrumento de medição) [fiducial error (of a
measuring instrument) / erreur réduite conventionnelle (d’un instrument
de mesure), f]

Erro de um instrumento de medição dividido por um valor especificado


para o instrumento.

Observação:
O valor especificado é geralmente denominado de valor fiducial, e
pode ser, por exemplo, a amplitude da faixa nominal ou o limite superior
da faixa nominal do instrumento de medição.

Exemplo:
Erro fiducial em relação ao valor final de escala (VFE):
Aplicado normalmente a manômetros, voltímetros, etc.
Exemplos:
Emáx = ± 1% do VFE
Re (95%) = ± 0,1%

111
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Histerese
Desvio entre os valores do sinal de saída para o mesmo valor do sinal de
entrada, quando medidos em sentido oposto do ciclo de medição. Usualmente
determinada pela diferença entre o desvio máximo das curvas ascendente e
descendente do ciclo de medição, expresso em porcentagem da amplitude da
faixa expandida).

Especialização em Engenharia de Gás Natural 112


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Linearidade
Diferença em valores de tendência ao longo de uma faixa de operação de um
instrumento. O maior (EL’; EL”) estabelece o erro de linearidade.

A grande maioria dos sistemas de medição apresenta uma CRn (característica de


resposta nominal) linear. Entretanto, a CRr (característica de resposta real) pode
afastar-se deste comportamento ideal.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 113


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Deriva [drift, dérive]


Variação lenta de uma característica metrológica de um instrumento de
medição.
Na vida real, ocorre variação das condições ambientais no momento
de uso do instrumento onde certas características estáticas dos
instrumentos podem se alterar lentamente. Essa alteração lenta é
comumente denominada de deriva (drift).
A deriva pode ser de zero e deriva de sensibilidade.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 114


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Sensor [sensor / capteur, m]
Elemento de um instrumento de medição ou de sensor uma cadeia de medição
que é diretamente afetado pelo mensurando.
Exemplos:
a) Junta de medição de um termômetro termoelétrico;
b) Rotor de uma turbina para medir vazão;
c) Tubo de Bourdon de um manômetro;

Um sensor nem sempre tem as características elétricas necessárias para ser


utilizado de imediato em um sistema de controle. Normalmente o sinal de saída
deve ser trabalhado antes do seu emprego.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 115


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Transdutor de medição [measuring transducer / transducteur de


mesure, m]
Dispositivo que fornece uma grandeza de saída que tem uma correlação
determinada com a grandeza de entrada.
Exemplos:
a) termopar;
b) transformador de corrente;
c) extensômetro elétrico de resistência [strain gauge];
d) eletrodo de pH.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 116


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Transmissor

Dispositivo que prepara o sinal de saída de um transdutor para utilização à


distância, fazendo certas adequações ao sinal. Estas adequações são os
chamados padrões de transmissões de sinais.

Um exemplo bastante conhecido é o “loop” (4 a 20) mA, um padrão de


transmissão de sinais em corrente. O termo transmissor é utilizado também para
dispositivos que integram um sensor, transdutor e transmissor no mesmo
dispositivo.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 117


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Repetitividade (de um instrumento de medição) [repeatability (of a
measuring instrument) / fidélité (d’un instrument de mesure), f]

Aptidão de um instrumento de medição fornecer indicações muito próximas,


em repetidas aplicações do mesmo mensurando, sob as mesmas condições
de medição.
Observações:
1) Estas condições incluem:
- redução ao mínimo das variações devido ao observador;
- mesmo procedimento de medição;
- mesmo observador;
- mesmo equipamento de medição, utilizado nas mesmas condições;
- mesmo local;
- repetições em um curto período de tempo.
2) Repetitividade pode ser expressa quantitativamente em termos das
características da dispersão das indicações.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 118


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Zona Morta [dead band, zone morte]

Intervalo máximo no qual um estímulo pode variar em ambos os sentidos,


sem produzir variação na resposta de um instrumento de medição.

Observações:
1) A zona morta pode depender da taxa de variação.
2) A zona morta, algumas vezes, pode ser deliberadamente ampliada, de
modo a prevenir variações na resposta para pequenas variações no
estímulo.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 119


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Estabilidade [stability, constance]

Aptidão de um instrumento de medição em conservar constantes suas


características metrológicas ao longo do tempo.
Observações:
1) Quando a estabilidade for estabelecida em relação a uma outra grandeza que
não o tempo, isto deve ser explicitamente mencionado.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 120


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Sensibilidade

Variação da resposta de um instrumento de medição dividida pela


correspondente variação do estímulo.

Observação: A sensibilidade pode depender do valor do estímulo.


Sensibilidade (ou ganho) é a razão entre saída e entrada para um dado sensor
ou transdutor: Sb = (sinal de saída / sinal de entrada)

No caso de sensores analógicos, a sensibilidade está ligada à relação entre uma


variação na grandeza em questão e a variação na medida fornecida pelo
instrumento, ou seja, um sensor muito sensível é aquele que fornece uma
variação na saída para uma pequena variação da grandeza medida.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 121


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Sensibilidade

Especialização em Engenharia de Gás Natural 122


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais

Faixa de medição [measuring range / étendue de mesure, f]


Conjunto de valores de um mensurando para o qual se admite que o erro de
um instrumento de medição mantém-se dentro dos limites especificados.
Observações:
1) “Erro” é determinado em relação a um valor verdadeiro convencional.

Amplitude da faixa nominal [span / intervalle de mesure, m]


Diferença, em módulo, entre os dois limites de uma faixa nominal.
Exemplo:
Para uma faixa nominal de -10 V a +10 V a amplitude da faixa nominal é 20 V.
Observação: Em algumas áreas, a diferença entre o maior e o menor valor é
denominada faixa.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 123


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Faixa de indicação [range of indication / étendue des indications, f ]

Conjunto de valores limitados pelas indicações extremas.


Observações:
1) Para um mostrador analógico, pode ser chamado de faixa de escala;
2) A faixa de indicação é expressa nas unidades marcadas no mostrador,
independentemente da unidade do mensurando e é normalmente estabelecida
em termos dos seus limites inferior e superior, por exemplo: 100 ºC a 200 ºC.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 124


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Reprodutibilidade ( dos resultados de medição ) [reproducibility ( of results of
measurements) / reproductibilité ( des résultats de mesurage), f]

Grau de concordância entre os resultados das medições de um mesmo


mensurando, efetuadas sob condições variadas de medição.
Observações:
1) As condições alteradas podem incluir:
- princípio de medição;
- método de medição;
- observador;
- instrumento de medição;
- padrão de referência;
- local;
- condições de utilização;
- tempo.
2) Reprodutibilidade pode ser expressa quantitativamente em função das
características da dispersão dos resultados.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 125


Metrologia e Instrumentação

Terminologia e conceitos fundamentais


Faixa nominal [nominal range / calibre, m]
Faixa de indicação que se pode obter em uma posição específica dos controles de
um instrumento de medição.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 126


Metrologia e Instrumentação

Fundamentos
da Metrologia
– Medição e seus Métodos
– Erros na Medição: tipos e fontes
– Calibração
– Avaliação da Incerteza da Medição
– Avaliação da Conformidade com a Especificação
– Exemplos de Calibração e Medição

127
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medição
Medição é um procedimento experimental em que o valor momentâneo de uma
grandeza física (grandeza a medir ou mensurando) é determinado como um
múltiplo ou fração de uma unidade, estabelecida por um padrão reconhecido.

128
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Medição
A medição é realizada com o auxílio de um instrumento de medição ou sistema de
medição (SM). Desta operação de medição resulta a indicação, caracterizada por um
número, acompanhado da unidade da leitura.

RM – Resultado da medição
RB – Resultado base

Na vida real o processo de medição é afeado por inúmeras fontes de


incertezas que provém de erros do instrumento de medição, operador,
mensurando, condições ambientais e do próprio método de medição.
Desse modo, o resultado da medição deve ser expresso da seguinte
maneira:

RC – Resultado corrigido
IM – Incerteza de medição

129
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Métodos de Medição

Método da indicação ou deflexão

A indicação direta é obtida no dispositivo mostrador, seja este um mostrador de


ponteiro, indicador digital ou registrador gráfico, à medida que o mensurando é
aplicado sobre o sistema de medição (SM).

Exemplos: termômetros de bulbo ou digital, manômetros e balanças com


indicação analógica ou digital, balança de mola, etc.

130
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Métodos de Medição
O método da zeragem ou compensação
Esse método consiste na geração de uma grandeza padrão com valor
conhecido, equivalente e oposto ao mensurando, de forma que as duas,
atuando sobre um dispositivo comparador, indiquem diferença zero.

Uma variante deste método é a medição por substituição. Neste caso, substitui-
se o mensurando por um elemento que tenha seu valor conhecido e que cause
no SM o mesmo efeito que o mensurando. Quando estes efeitos se igualam,
assume-se que os valores destas grandezas também são iguais.
131
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Métodos de Medição
O método diferencial
É a combinação dos dois métodos anteriores. O mensurando é comparado a uma
grandeza padrão e sua diferença medida por um instrumento que opera segundo
o método da indicação.
Normalmente o valor da grandeza padrão é muito próximo do mensurando de
forma que a faixa de medição do instrumento que opera por indicação pode ser
muito pequena. Como conseqüência, seu erro máximo pode vir a ser muito
reduzido sem que seu custo se eleve.
Exemplo: calibração de blocos padrão, medição com relógio comprador, etc.

0
40 10

30 20

dA

P a d r ã o d e C o m p r im e n to :
B lo c o P a d r ã o = 5 0 m m
132
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Sistema Generalizado de Medição


Em termos genéricos, um SM pode ser dividido em três módulos funcionais: o
sensor/transdutor, a unidade de tratamento do sinal e o dispositivo mostrador.
SISTEMA DE
MEDIÇÃO

Mensurand
o

Em contato com o Amplifica potência do sinal Torna o sinal perceptível


mensurando do transdutor ao usuário

Pode processar o sinal Pode indicar ou registrar


o sinal
Transformação de efeitos
físicos

Sinal fraco
133
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
O erro de medição é caracterizado como a diferença entre o valor da indicação do
instrumento de medição e o valor verdadeiro convencional, isto é:

Onde
E = erro de medição
I = indicação E = I - VVC
VVC = valor verdadeiro
convencional

134
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Tipos de Erros
E = erro de medição
Es = erro sistemático E = Es + Ea +
Ea = erro aleatório
Eg = erro grosseiro Eg

O erro sistemático

É a parcela de erro sempre presente nas medições realizadas em idênticas


condições de operação. O erro sistemático, embora se repita se a medição for
realizada em idênticas condições, geralmente não é constante ao longo de toda
a faixa em que o SM pode medir.

135
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Tipos de Erros

O erro aleatório

É a parcela de erro imprevisível na medição.


Fatores podem contribuir para o erro aleatório: folgas, atrito, vibrações, flutuações
de tensão elétrica, instabilidades internas, das condições ambientais ou outras
grandezas de influência.

O erro grosseiro

O erro grosseiro é, geralmente, decorrente de mau uso ou mau funcionamento do


SM. Pode, por exemplo, ocorrer em função de leitura errônea, operação indevida
ou dano do SM. Seu valor é totalmente imprevisível, porém geralmente sua
existência é facilmente detectável.

136
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Estimativas dos Erros

O erro sistemático Es = MI∞ - VVC


Es = erro sistemático
MI = média de infinitas indicações do SM
VVC = valor verdadeiro convencional

Na prática não se dispõe de infinitas medições e portanto a estimativa do Erros


Sistemático é a Tendência:

Td = MI - VVC

137
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Metrologia e Instrumentação

Tipos de Erros

O erro aleatório

Eai = erro aleatório da i-ésima indicação


Ii = valor da i-ésima indicação individual Eai = Ii - MI∞
MI = média de infinitas indicações

O valor instantâneo do erro aleatório tem pouco ou nenhum sentido


prático, uma vez que é sempre variável e imprevisível.

138
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Tipos de Erros
O erro aleatório

É comum exprimir de forma quantitativa o erro aleatório através da


repetitividade (Re). A repetitividade de um instrumento de medição expressa
uma faixa simétrica de valores dentro da qual, com uma probabilidade
estatisticamente definida, se situa o erro aleatório da indicação.

Re = ± t . s
Re = faixa de dispersão dentro da qual se situa o erro aleatório
(normalmente para probabilidade de 95%)
t = é o coeficiente “t” de Student
s = desvio padrão experimental da amostra de n medidas

139
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição

Vamos acompanhar um exemplo?

Na figura seguinte consta um exemplo onde são estimados os erros de uma


balança eletrônica digital. Para tal, uma massa padrão de 1,00000 ± 0,00001 kg
é medida várias vezes por esta balança. Sabe-se de antemão que o valor do
erro da massa padrão é desprezível em relação aos erros tipicamente esperados
para esta balança.

Neste caso, o valor desta massa pode ser assumido como o valor verdadeiro
convencional (VVC) do mensurando.

140
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
Exemplo

141
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
Exemplo

A primeira indicação obtida é 1014 g, que difere do valor verdadeiro


convencional que é de 1000 g. Temos portanto um erro de medição de E = 1014 -
1000 = + 14 g.

Entretanto, ao medir-se uma única vez não é possível identificar as


componentes dos erros sistemáticos e aleatórios. Os valores das indicações
obtidas nas onze medições adicionais apresentaram variações.

A distribuição dos valores das indicações obtidas agrupa-se em torno do valor


central médio de 1015 g e tem uma forma que se assemelha a uma distribuição
normal.

Por observação direta nota-se que os valores das doze indicações estão
enquadradas na faixa de 1015 ± 3 g.

142
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
Exemplo

A tendência e o desvio padrão experimental foram estimados pelos dados da


tabela “b”. O valor médio das indicações foi determinado (MI = 1015 g) e com
este a tendência foi estimada, sendo obtida:

Td = 1015 - 1000 g ou seja, Td = 15 g

O erro aleatório é obtido subtraindo-se o valor da tendência do erro total (E),


para cada ponto. Nota-se que, neste caso, este erro distribui-se aleatoriamente
em torno do zero dentro do limite ± 3 g.
O desvio padrão amostral leva ao seguinte valor:
s = 1,65 g
n

∑ (I i − I )2
s= i =1
n −1
143
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
Exemplo

O coeficiente t de Student para 12 medidas, portanto 11 graus de liberdade


(n-1), e confiabilidade 95% é de 2,201.

Logo, a repetitividade (Re), dentro da qual situa-se o erro aleatório, resulta


em:

Re = ± (2,201 * 1,65) g que resulta em Re = ± 3,63 g

Isto quer dizer que existe 95% de probabilidade do erro aleatório se


enquadrar dentro de uma faixa simétrica de ± 3,6 g centrada em torno do valor
médio 1015 g.

144
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
Exemplo

Dicas no Excel®
Sintaxe
=INVT(probabilidade;graus_liberdade)
Probabilidade é a probabilidade associada à distribuição t de Student
bicaudal (1-probabilidade)
Graus_liberdade é o número de graus de liberdade que caracteriza a
distribuição (n-1)

Aplicando no exemplo: =INVT(0,05;11)

Resulta em 2,201

145
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Erros na Medição
Exemplo

A forma correta da determinação do resultado da medição (RM) será exposta


em mais detalhes após o item que trata da incerteza de medição.

Porém, pode-se adiantar que, desconsiderando as demais parcelas de


incerteza, o RM poderia ser expresso por:

onde:
MI = valor médio das indicações
Td = tendência
Re = repetitividade
n = número de medidas efetuadas (12)

RM = (1000 ± 1) g
146
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Fontes de Erros
Os erros são provocados pela ação isolada ou combinada de vários fatores que
influenciam sobre o processo de medição, envolvendo o equipamento de medição, o
procedimento de medição, a ação de grandezas de influência, o mensurando, o
ambiente e o operador.

147
Especialização em Engenharia de Gás Natural
Metrologia e Instrumentação

Calibração

Calibração é um procedimento experimental através do qual


são estabelecidas, sob condições específicas, as relações entre
os valores indicados por um instrumento de medição ou sistema
de medição ou valores representados por uma medida
materializada ou um material de referência, e os valores
correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões.

Para que uma calibração tenha validade oficial, é necessário que


seja executada por entidade legalmente Acreditada. No Brasil,
existe a Rede Brasileira de Calibração (RBC), coordenada pelo
INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 148


Metrologia e Instrumentação

Objetivos de uma Calibração


9Curva de erros visando determinar se, nas condições em que foi calibrado, o
sistema de medição está em conformidade com uma norma, especificação legal
ou tolerância definida para o produto a ser medido.

9Levantamento detalhado da curva de erros e tabelas com valores da correção e


sua incerteza, com o objetivo de corrigir os efeitos sistemáticos e reduzir a
incerteza do resultado da medição.

9Análise do comportamento metrológico e operacional dos sistemas de medição


nas fases de desenvolvimento e aperfeiçoamento, incluindo a análise das
grandezas externas que influem no seu comportamento;

9Análise do comportamento metrológico e operacional dos sistemas de medição


em condições especiais de operação (por exemplo: elevadas temperaturas, na
ausência de gravidade, em elevadas pressões, etc.);

9Evidenciar o cumprimento dos requisitos constantes nas normas de garantia da


qualidade.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 149


Metrologia e Instrumentação

Métodos de Calibração

Calibração Direta

O mensurado é aplicado sobre o sistema de medição por meio de medidas


materializadas, cada qual com seu valor verdadeiro convencional suficientemente
conhecido. São exemplos de medidas materializadas: blocos padrão
(comprimento), massas padrão, pontos de fusão de substâncias puras, entre
outras.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 150


Metrologia e Instrumentação

Métodos de Calibração
Calibração Indireta

O mensurado é gerado por meio de um dispositivo auxiliar, que atua simultaneamente


no sistema de medição a calibrar (SMC) e também no sistema de medição padrão
(SMP). O valor da grandeza não precisa ser bem conhecido, mas deve ser estável.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 151


Metrologia e Instrumentação

Rastreabilidade com a Calibração

A rastreabilidade metrológica é na prática conseguida na operação de calibração por


meio de uma cadeia contínua de comparações, todas tendo incertezas estabelecidas.

De uma maneira geral, essa relação de incertezas entre o padrão e o que foi
calibrado é idealmente:

Uc
Up =
Onde: 10
Up é a incerteza expandida associada ao padrão de referência
Uc é a incerteza expandida associada ao sistema de medição a calibrar

Lembre-se de que a incerteza do seu padrão será sempre


transferida para a incerteza do instrumento calibrado

Especialização em Engenharia de Gás Natural 152


Metrologia e Instrumentação

Roteiro de uma Calibração


A calibração deve ser executada com base em um
procedimento documento, em conformidade com as
normas nacionais ou internacionais.

Caso não existam normas para esse fim, deve-se


fundamentar tecnicamente o procedimento com base
em literatura técnica ou informações de outros
laboratórios.

ROTEIRO GENÉRICO
a) Definição dos objetivos da calibração
b) Caracterização do instrumento a calibrar
c) Seleção do Sistema de Medição Padrão
d) Planejamento e preparação do experimento
e) Execução da calibração
f) Processamento e documentação
g) Análise dos resultados
h) Apresentação dos resultados

Especialização em Engenharia de Gás Natural 153


Metrologia e Instrumentação

Intervalo de uma Calibração

Alguns fatores podem influenciar na definição do intervalo de calibração. São eles:

9O tipo de instrumento;

9As recomendações do fabricante e severidade de uso;

9Os dados de tendência obtidos de registros de calibrações anteriores;

9Os registros históricos de utilização e manutenção;

9A freqüência de verificações contra outros equipamentos padrão;

9As condições ambientais como temperatura, umidade e vibração;

9A exatidão requerida do equipamento.

9O custo da calibração.

9O risco do instrumento sair do intervalo de erro máximo, quando em uso.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 154


Metrologia e Instrumentação

Intervalo inicial calibração

Especialização em Engenharia de Gás Natural 155


Metrologia e Instrumentação

Intervalo inicial calibração

Especialização em Engenharia de Gás Natural 156


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração

A análise crítica de um certificado de calibração ou ensaio pode


ser divida em duas etapas:

1 – Análise do conteúdo conforme a Norma ISO/IEC 17025;

2 – Análise dos resultados apresentados quanto ao atendimento


dos critérios de aceitação (erro máximo admissível e
tolerância de processo ou produto).

A empresa ou laboratório deve estabelecer


os critérios de aceitação para as etapas 1 e 2.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 157


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração

1 – Análise do conteúdo conforme a Norma ISO/IEC 17025.

O certificado ou relatório de medição deve incluir todas as informações solicitadas


pelo cliente e necessárias para a interpretação dos resultados, assim como os
requisitos estabelecidos pelas normas ISO/IEC 17025 e ISO 10012.

a) título “Certificado de Calibração”;


b) nome e endereço do laboratório e, caso não tenha sido realizada no
laboratório, o endereço de onde foi realizada a calibração;
c) uma única identificação do certificado de calibração, repetida em todas as
páginas, do certificado o número da página, o número total de páginas e a data
de emissão;
d) nome e endereço do cliente;
e) descrição e identificação do item calibrado;
f) data do recebimento do item e data de calibração, quando apropriado;
g) resultados da calibração;

Especialização em Engenharia de Gás Natural 158


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


1 – Análise do conteúdo conforme a Norma ISO/IEC 17025.

h) nome(s), título(s) e assinatura(s) ou identificação equivalente do(s) técnico(s)


autorizando o certificado;
i) declaração de que os resultados são relativos somente aos itens calibrados.
Recomenda-se incluir uma declaração que o certificado não deve ser
reproduzido a não ser que seja em sua totalidade e com a aprovação por
escrito do laboratório emitente;
j) identificação do método utilizado ou descrição clara de qualquer método não
padronizado utilizado;
k) desvios, adições ou exclusões da metodologia normalizada e informações
específicas das condições de teste, como condições ambientais;
l) se relevante, uma declaração da concordância ou discordância com
especificação de projeto ou de desempenho;
m) incerteza de medição;
n) uma declaração que assegure a rastreabilidade da medição a padrões
nacionais ou internacionais.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 159


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração

2 – Análise dos resultados apresentados quanto ao atendimento dos critérios de aceitação


(erro máximo admissível e tolerância de processo ou produto).

Critérios comuns no meio industrial:

Resultado conforme:
Máximo [tendência + Incerteza (95%)] <= Erro máximo admissível

Resultado conforme:
Máximo [tendência2 + Incerteza (95%)2]1/2 <= Erro máximo admissível

Atenção:
1. O erro máximo admissível deve muito menor que a tolerância do processo ou do
produto;
2.Rigorosamente falando, o erro máximo admissível é apenas uma fonte de
incerteza no balanço global de incerteza do processo de medição.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 160


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração

2 – Análise dos resultados apresentados quanto ao atendimento dos critérios de aceitação


(erro máximo admissível e tolerância de processo ou produto).

Sugestões:
1 – Fazer ajuste ou reparo;

2 – Aplicar Correção (C= -Td)

3 – Ampliar a tolerância do processo ou Erro máximo admissível


do instrumento (Observar normas ou especificações!)

4 – Identificar como inadequado para uso e segregá-lo.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 161


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


Análise dos resultados

Exemplo 1 - Curva de erros para a situação em que todos os pontos encontram-


se dentro dos limites de especificação do equipamento (erro sistemático mais
incerteza).
Especificação do equipamento: ± (0,6% da leitura + 0,03) V
Resultado do certificado de calibração:
VI VVC Incerteza Erro Especificação
(V) (V) (V) (V) (V)

2,00 1,99 ±0,02 0,01 ±0,042

4,00 4,02 ±0,02 -0,02 ±0,054

6,00 6,02 ±0,02 -0,02 ±0,066

8,00 7,98 ±0,02 0,02 ±0,078

10,00 9,96 ±0,02 0,04 ±0,090

Especialização em Engenharia de Gás Natural 162


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


Análise dos resultados
Exemplo 1

Ações adotadas: Recolocar o equipamento em serviço, pois todos os pontos


calibrados encontram-se dentro dos limites especificados pelo fabricante. Percebe-se
que existe uma certa folga entre os erros obtidos e os limites de especificação.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 163


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


Análise dos resultados
Exemplo 2 – Na figura abaixo alguns pontos encontram-se fora dos limites de
especificação do equipamento (erro sistemático adicionado da incerteza de
medição).
Especificação do equipamento: ± (0,3% da leitura + 0,02) V
Resultado do certificado de calibração:

VI VVC Incerteza Erro Especificação


(V) (V) (V) (V) (V)

2,00 1,99 ±0,02 0,01 ±0,026

4,00 4,03 ±0,02 -0,03 ±0,032

6,00 6,06 ±0,02 -0,06 ±0,038

8,00 8,06 ±0,02 -0,06 ±0,044

10,00 10,07 ±0,02 -0,07 ±0,050

Especialização em Engenharia de Gás Natural 164


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


Análise dos resultados
Exemplo 2

Ações adotadas: Esse equipamento não deve retornar ao serviço e ações corretivas tais
como ajustes, reclassificação, análise crítica do intervalo de calibração ou retirada de uso,
devem ser tomadas.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 165


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


Análise dos resultados

Exemplo 3 - A figura abaixo, a situação em que o erro sistemático se encontra


dentro dos limites de especificação. Porém, o erro associado à incerteza
ultrapassa esse limite em alguns pontos.
Especificação do equipamento: ± (0,3% da leitura + 0,02) V
Resultado do certificado de calibração:
VI VVC Incerteza Erro Especificação (V)
(V) (V) (V) (V)

2,00 1,99 ±0,02 0,01 ±0,042

4,00 4,03 ±0,02 -0,03 ±0,054

6,00 6,06 ±0,02 -0,06 ±0,066

8,00 8,07 ±0,02 -0,07 ±0,078

10,00 10,08 ±0,02 -0,08 ±0,090

Especialização em Engenharia de Gás Natural 166


Metrologia e Instrumentação

Conteúdo do Certificado de Calibração


Análise dos resultados
Exemplo 3

Ações adotadas: Esse equipamento não deve retornar ao serviço e uma ação corretiva deve
ser tomada. Essas ações devem ser tomadas mesmo com a média estando dentro dos limites
de especificação porque, em função da incerteza da calibração, existe uma probabilidade
estatística da existência de valores que estejam fora da especificação.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 167


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Desdobramentos do “ISO GUM”

ISO GUM (1993)

Calibração (EA- 4/02 Inmetro) - 1999

Química analítica (EURACHEM) - 1995

Ensaios mecânicos (UNCERT/NIST) - 2000

Ambiente fabril (ISO14 253) - 1998

Quando não está em nosso poder seguir o que é verdadeiro, deveríamos seguir
o que é mais provável.
René Descartes Matemático e filósofo francês 1596-1650.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 168


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Aplicação do “ISO GUM”

Na atividade laboratorial, a avaliação da incerteza de medição é usual e


constitui requisito básico à demonstração formal da competência técnica de
qualquer laboratório de ensaio ou de calibração.

Constitui-se também na base para o estabelecimento do reconhecimento


mútuo de atividades de acreditação de laboratórios entre os países.

No meio industrial é ainda muito modesta a aplicação do ISO GUM.

Diversos são os fatores que contribuem para esse quadro, dentre eles
podemos destacar: a falta de cultura metrológica, a forma lacônica como as
normas de garantia da qualidade abordam essa questão e carência de guias
simplificados para auxiliar os setores de metrologia nas empresas[1].

[1]Opinião do autor.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 169


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Aplicação do “ISO GUM”

Na atividade laboratorial, a avaliação da incerteza de medição é usual e


constitui requisito básico à demonstração formal da competência técnica de
qualquer laboratório de ensaio ou de calibração.

Constitui-se também na base para o estabelecimento do reconhecimento


mútuo de atividades de acreditação de laboratórios entre os países.

No meio industrial é ainda muito modesta a aplicação do ISO GUM.

Diversos são os fatores que contribuem para esse quadro, dentre eles
podemos destacar: a falta de cultura metrológica, a forma lacônica como as
normas de garantia da qualidade abordam essa questão e carência de guias
simplificados para auxiliar os setores de metrologia nas empresas[1].

[1]Opinião do autor.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 170


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Fontes de incertezas

Basicamente, dois parâmetros numéricos devem ser estimados para cada fonte de
incertezas: a incerteza padrão (u), e a correção (C).

A incerteza padrão é uma medida relacionada aos erros aleatórios trazidos pelas
fontes de incerteza.

A correção é o parâmetro que deve ser adicionado à indicação para corrigir os


efeitos sistemáticos das fontes de incerteza.

Devemos portanto conviver com os erros aleatórios


(que não podemos corrigir) e as influências dos
erros sistemáticos não corrigidos completamente.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 171


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Fontes de incertezas

Fontes de incerteza da área dimensional

ƒ Incerteza do SM ou Padrão de Referência (Certificado de Calibração);


ƒ Estabilidade do SM/Padrão em função do tempo, (grau de
utilização/agressividade do meio);
ƒ Resolução;
ƒ Influência das condições ambientais sobre o SM;
ƒ Efeitos de Temperatura sobre o mensurando;
ƒ Deformação elástica;
ƒ Erros de cosseno;
ƒ Erros geométricos.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 172


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Fontes de incertezas
Fontes de incerteza da área massa
ƒ Incerteza dos padrões de massa (Certificado de Calibração);
ƒ Estabilidade dos valores de massa em função do tempo;
ƒ Processo de medição/comparador/balança:
ƒ Repetitividade das medições;
ƒ Resolução; Linearidade;
ƒ Excentricidade e efeitos de temperatura;
ƒ Erros nos comprimentos dos braços.
ƒ Empuxo do ar e Condições Ambientais:
ƒ Gradientes de temperatura e Umidade relativa do ar;
ƒ Mudanças de temperatura na sala;
ƒ Eletricidade elástica e Contaminação de partículas.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 173


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Fontes de incertezas

Fontes de incerteza da área temperatura

ƒ Incerteza do padrão (Certificado de Calibração);


ƒ Estabilidade em função do tempo;
ƒ Equipamentos (Padrões de Tensão ou Resistência) e instrumentos de
medição envolvidos;
ƒ Auto-aquecimento (Termoresistores);
ƒ Fios de compensação e juntas de referência;
ƒ Estabilidade térmica do mensurando;
ƒ Imersão parcial/efeitos de colunas emergentes;
ƒ Interpretação matemática (tabelas de referência e ajustes de curvas).

Especialização em Engenharia de Gás Natural 174


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Fontes de incertezas

Fontes de incerteza para área elétrica

ƒ Incerteza do SM e/ou Padrão (Certificado de Calibração);


ƒ Estabilidade do SM em função do tempo;
ƒ Estabilidade do SM em função das condições de uso;
ƒ Resolução;
ƒ Interpolação de dados de calibração;
ƒ Interligação dos vários módulos do SM;
ƒ Tensões termoelétricas;
ƒ Efeitos de impedância;
ƒ Repetitividade devido à conexão de condutores elétricos.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 175


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Fontes de incertezas

Fontes de incerteza comuns a todas as áreas

• Incerteza do SM ou Padrão de Referência;


• Condições Ambientais;
• Repetitividade (Tipo A);
• Erros Matemáticos:
• Aproximação;
• Ajuste de curvas e interpolações em tabelas;
• Erros de arredondamento/truncamento;

Especialização em Engenharia de Gás Natural 176


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Determinar o modelo matemático que relaciona a grandeza de entrada com a saída;

y = f ( x1, x2 , ... , xn )

Identificar as fontes de incerteza


Todas as fontes de incerteza que têm maior ou menor influência sobre o processo de
medição devem ser relacionadas. Uma boa dica é construir um gráfico tipo “espinha de
peixe” atribuindo um nome e símbolo para cada fonte.

Caracterizar as incertezas padronizadas de cada fonte com base em conhecimentos


experimentais práticos ou teóricos;

A contribuição aleatória de cada fonte de incerteza dever ser individualmente quantificada


através da sua incerteza padronizada. Dois caminhos são usualmente seguidos:
procedimentos estatísticos (tipo A) e procedimentos não estatísticos (tipo B).

Especialização em Engenharia de Gás Natural 177


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Procedimento Tipo A:

O procedimento tipo “A” para estimar a incerteza padronizada baseia-se em


parâmetros estatísticos, estimados a partir de valores de observações
repetitivas do mensurando.

Seja q uma variável aleatória. Sejam qk (para k = 1, 2, ..., n) n valores


independentemente obtidos para a variável q.

Sua média pode ser estimada por:

− 1 n
q = ∑ qk
n k =1

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

O desvio padrão experimental da variável q, representado por “s”, é estimado por:

n 2
⎛⎜ q − q− ⎞⎟

k =1
⎝ k ⎠
s( q ) =
n −1

Quando é utilizado o valor médio das indicações, obtido a partir da média de um conjunto
de “m” indicações de q, o desvio padrão experimental da média de q é estimado por:

⎛ −
⎞ s( q )
s⎜⎝ q⎟⎠ =
m
Neste caso, a incerteza padronizada associada à variável q, representada por u(q), é
estimada pelo desvio padrão da média das “m” observações efetuadas. Assim:

u(q) = s⎜⎝q⎞⎟⎠
⎛ −

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Quando não são envolvidas médias de indicações, mas apenas um único valor da
indicação, a incerteza padronizada coincide com o desvio padrão experimental s(q), que já
deve ter sido determinado a priori.

O número de graus de liberdade envolvidos na determinação u(q) é dado pelo número de


medições independentes efetuadas menos um. Ou seja:

υ = n −1
ν é o número de graus de liberdade com que a incerteza é determinada
n é o número de medições usadas para estimar a incerteza padrão

O tipo de distribuição de probabilidade assumida para a fonte de incerteza tipo “A” é a normal.

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Procedimento Tipo B:

Nem sempre é prático ou economicamente viável quantificar a influência de certas fontes


de incertezas em uma medição a partir da análise de observações repetitivas, ou seja,
usando métodos estatísticos.

Nesses casos, utiliza-se procedimentos não estatísticos ou procedimentos “tipo B”.

Em geral outras informações conhecidas a priori são consideradas: medições anteriores,


certificados de calibração, especificações do instrumento, de manuais técnicos e outros
certificados e mesmo estimativas baseadas em conhecimentos e experiências anteriores do
experimentalista.

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Distribuições usuais para modelar fontes de incerteza.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 182


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Calcular a Incerteza Combinada (uc)

Além de estimar a influência individual de cada fonte de incerteza sobre o desempenho do


processo de medição analisado, é necessário chegar a um único número que estime a
incerteza combinada destas várias fontes de erro.

Para incertezas não correlacionadas, a incerteza combinada (uc) pode ser estimada a
partir das incertezas padronizadas de cada fonte de erro por:

uc = u12 + u22 + ...+ un2

uc é normalmente calculada para um nível da confiança de aproximadamente 68%.

As incertezas padronizadas de cada fonte são expressas na mesma unidade do mensurando.

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo
Calcular a Incerteza Expandida (U).

1 -Graus de liberdade efetivos


Cada uma das incertezas padronizadas, separadamente estimadas para cada fonte de
incertezas, tem um certo número de graus de liberdade associado. Para a incerteza
combinada calculamos o número de graus de liberdade equivalente da combinação (νef).

O número de graus de liberdade efetivo (νef) é calculado pela equação de Welch-


Satterthwaite:

uc4 u14 u24 un4


= + + ... +
νef ν1 ν 2 νn
Onde:
uc é a incerteza combinada;
u-i (i = 1, 2, ... n) é a incerteza padronizada associada à i-ésima fonte de incerteza;
υi (i =1, 2,... n) é o nº de graus de liberdade associado à i-ésima fonte de incerteza;
n é o número total de fontes de incertezas analisadas.

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

Na engenharia é comum trabalhar com níveis da confiança de 95%. Para atingir


aproximadamente 95%, (uc) deve ser multiplicado por um coeficiente numérico denominado de
fator de abrangência (k) (coeficiente de student (t)), calculando-se a denominada incerteza
expandida (U).
Assim, a incerteza expandida é calculada pela seguinte equação:

U = k . uc

Onde:
Uc é a incerteza combinada;
k é o fator de abrangência ou t de student para o número de graus de liberdade efetivo (νef).
U é a incerteza expandida (aproximadamente 95%) para o processo de medição.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 185


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Metodologia de Cálculo

EEspecificação
specificação

Identificação
Identificação
das
das fontesde
fontes deincertezas
incertezas
RReavaliar
eavaliaras
asfontes
fontes
QQuantificação
significativas
significativasde
de 1
uantificação incertezas
incertezas
das
das fontesde
fontes deincertezas
incertezas

TTipo
ipoAA
Avaliação
A valiação AAvaliação
valiação
Tip
ou
ou
TipooAA TTipo
Tip
TipooBB
ipoBB??

CCálculo
álculoda
daincerteza
1 padrão
incerteza
padrão combinada
com binada
N ão

AAinincerteza
certeza
calcu
calculad
ladaa S im
CCálculo
álculoda
da
satisfaz
satisfazaa FFim
im
incerteza expandida inincerteza
certezareqrequuerid
eridaa
incerteza expandida ppara o S M ?
ara o S M ?

Especialização em Engenharia de Gás Natural 186


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido

Peso-padrão Nº Indicações (g)


Valor nominal de 20,000 g
Correção no ponto: -0,005 g
1 20,16
Incerteza da correção: ± 0,002 g
(95%) 2 20,10

3 20,14

4 20,12
Balança digital
5 20,18
Resolução: 0,02 g
Temperatura ambiente: (20,0 ±
1,0)ºC Média 20,140
Incerteza da correção: ± 0,002 g
(95%) Sx 0,0316

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido

Passo 1 – Compreendendo o processo de medição ou calibração

9O mensurando neste caso é o peso-padrão, que está bem defino com um valor nominal,
uma correção e uma incerteza associada.

9Analisar a validade do certificado do peso-padrão.

9O procedimento de medição é direto.

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Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido

Condições gerais:

9A calibração está sendo realizada em ambiente de laboratório com condições


estáveis.

9A balança está nivelada e não há fluxos de ar indesejáveis sobre o prato da balança.

9A temperatura ambiente está sendo mantida dentro de (20,0 ± 1,0)ºC

9O operador é treinado e tem pouca influência sobre a medição.

9A indicação da balança é digital e, portanto, não há erro de paralaxe.

9O sistema de medição é a balança digital que neste caso é o objeto da calibração.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 189


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido
Passo 2 – Identificação das fontes de incerteza

As principais fontes de incerteza são:


1 – A repetitividade (Re) da balança, ou seja, o fato das indicações de medições repetidas
não mostrarem sempre o mesmo valor. Essa fonte possui, essencialmente, uma
contribuição aleatória.

2 – As limitações do peso-padrão (PP). Após corrigir o seu valor, a incerteza da correção


deixará um resíduo que trará incertezas ao processo de calibração. Sua contribuição tem
natureza aleatória.

3 – A resolução (R) limitada da balança é outra fonte de incerteza. As indicações poderiam


conter milésimos de grama, mas são arredondadas para o centésimo mais próximo. Sua
contribuição tem natureza aleatória.

Outras fontes como reprodutibilidade de operadores, drift com a temperatura etc. podem
ser considerados desde que estimados suas variações e efeitos sistemáticos.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 190


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido

Passo 3 – Quantificação dos efeitos sistemáticos

A repetitividade e a resolução são fontes de incerteza apenas com componentes aleatórias.


O peso-padrão (PP) possui uma componente sistemática. A correção (C) de - 0,005 g a ser
aplicada ao peso-padrão.

Passo 4 – Quantificação dos efeitos aleatórios

Repetitividade
A incerteza padronizada da repetitividade da balança pôde ser estimada a partir das cinco
indicações. O desvio padrão (s(x)) calculado para a amostra das cinco indicações é de
0,0316 g. O número de graus de liberdade é igual ao número de medições menos um, logo ν
Re = 4.

Como a média das cinco medições está sendo considerada, a incerteza padronizada a ser
adotada é a incerteza da média de cinco medições, calculada como segue:

s (x ) 0,0316
u rep = = = 0,0141
5 5
Especialização em Engenharia de Gás Natural 191
Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido
Passo 4 – Quantificação dos efeitos aleatórios
Incerteza do peso-padrão
A incerteza declarada no certificado é de ± 0,002 g (95%). Como não há informação sobre
os graus de liberdade para o valor da incerteza declarada, não sabemos qual o valor de t de
student para dividir essa incerteza. A favor da segurança assume-se um valor de t = 2,00, o
que produz o maior valor possível para a incerteza padrão. Neste caso, o número de graus
de liberdade é infinito. Temos:

(ν PP = ∞) Upp 0,002
u PP = = = 0,001 g
t 2
Resolução da balança
A incerteza padronizada proveniente da resolução limitada da balança pode ser
determinada assumindo uma distribuição retangular (ou uniforme) com a = R/2. Como a
distribuição retangular está sendo assumida, o número de graus de liberdade é infinito.
Assim:

a R /2 0,01
(ν PP = ∞) u res = = = = 0,00577 g
3 3 3

Especialização em Engenharia de Gás Natural 192


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido
Passo 5 – Cálculo da correção combinada

A correção combinada calculada pela soma algébrica das correções individuais coincide, neste
caso, com a única fonte de incerteza com contribuição sistemática. Logo:
Cc = Cpp = -0,005 g

Passo 6 – Cálculo da incerteza combinada e do número de graus de liberdade

uc = u rep uc = 2 2 2 uc = ±0,0153 g
1 + u pp + u res
2 2 2
( 0,0141) + ( 0,0010 ) + ( 0,00577 )

4 4 4 4
O número de graus de liberdade efetivo é calculado: (0,0153 ) (0,0141
) (0,0010) (0,00577)
= + +
νef 4 ∞ ∞
νef = 5,49.

O valor inteiro imediatamente inferior é 5. Esse é o valor que vamos utilizar na tabela t de
student.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 193


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Incerteza de Medição


Exercício resolvido

Passo 7 – Cálculo da incerteza expandida

U95% = 2,649 . 0,0153 = ± 0,0405 g

Passo 8 – Expressão do resultado completo da medição

Com esses parâmetros, é possível calcular o valor do resultado corrigido, a correção da


balança (Cbalança) e sua respectiva incerteza para o ponto calibrado.

Cbalança = (20,000+(-0,005) -20,140) = - 0,15 g

Incerteza da correção: ± 0,04 g


O peso-padrão considerando o valor médio indicado pela balança e realizando a devida
correção no ponto está no seguinte intervalo:

RM = (19,99 ± 0,04) g

Especialização em Engenharia de Gás Natural 194


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Conformidade com a Especificação

O papel do controle de qualidade é medir o produto, comparar o resultado com a


respectiva tolerância e classificar o produto como aprovado, quando obedece a
tolerância, ou rejeitado, caso contrário.

Já sabemos que toda medição é imperfeita, produzindo resultados com incertezas.

?
Então como tomar decisões
seguras sobre a aceitação ou
não de produtos na presença
da incerteza da medição?

Especialização em Engenharia de Gás Natural 195


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Conformidade com a Especificação


A Norma ISO 14253 - 1

Especialização em Engenharia de Gás Natural 196


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Conformidade com a Especificação

Do ponto de vista metrológico, quanto menor a incerteza do sistema de medição


usado para verificar uma dada tolerância, melhor.
Na prática, o preço deste sistema de medição pode se tornar proibitivo. Procura-
se então atingir um ponto de equilíbrio técnico-econômico.

A experiência prática mostra que um ponto de equilíbrio razoável é atingido


quando a incerteza de medição é da ordem de um décimo do intervalo de
tolerância, ou seja:
IT
IM =
10

Especialização em Engenharia de Gás Natural 197


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Conformidade com a Especificação


Definição dos limites de
Definição dos limites de
especificação admissíveis
especificação admissíveis
para as grandezas críticas medidas
para as grandezas críticas medidas

Especificação dos equipamentos de medição


Especificação dos equipamentos de medição
utilizados para medir as grandezas críticas
utilizados para medir as grandezas críticas

Estimativa da incerteza da medição


Estimativa da incerteza da medição

Incerteza de medição
Incerteza de medição
nas calibrações
11 Incerteza de medição no processo de
Incerteza de medição no processo de
22
nas calibrações medição “em chão de fábrica”
internas medição “em chão de fábrica”
internas

Revisão final dos procedimentos


Revisão final dos procedimentos
do SGQM
do SGQM

Especialização em Engenharia de Gás Natural 198


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Conformidade com a Especificação


11

Estimativa das incertezas de medição


Estimativa das incertezas de medição
(baseada no ISO GUM)
(baseada no ISO GUM)
para as calibrações
para as calibrações
internas
internas

Critério de aceitação

Não
Emav≤≤Emad
Emav Emad

Sim
Decidir sobre ações
Decidir sobre ações
a serem tomadas
a serem tomadas

O equipamento de medição
O equipamento de medição
pode ser utilizado
pode ser utilizado
para a medição
para a medição
das grandezas críticas
das grandezas críticas

Especialização em Engenharia de Gás Natural 199


Metrologia e Instrumentação

Avaliação da Conformidade com a Especificação


22 Estimativa das incertezas de medição
Estimativa das incertezas de medição
(baseada no ISO GUM)
(baseada no ISO GUM)
para medições em “chão de fábrica”
para medições em “chão de fábrica”

Calcular a relação entre


Calcular a relação entre
a faixa de limites especificados
a faixa de limites especificados
e a faixa de incerteza admissível
e a faixa de incerteza admissível
para o processo de medição
para o processo de medição

Não
Revisão do procedimento
Revisão do procedimento
A relação está de medição
A relação está de medição
satisfeita? e suas fontes de incertezas
satisfeita? e suas fontes de incertezas

Sim

A incerteza do processo de medição


A incerteza do processo de medição
é adequada para comprovar a conformidade do
é adequada para comprovar a conformidade do
produto com a especificação
produto com a especificação

Especialização em Engenharia de Gás Natural 200


Metrologia e Instrumentação

Bibliografia pesquisada
ABNT NBR ISO 10012-1, Sistemas de gestão de medição – Requisitos para os processos de medição e
equipamento de medição. 2004.

ABNT, NBR ISO/IEC 17025 - Requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração.
2005.

INMETRO - Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais em Metrologia. 2007

LAPPONI, J. C. Estatística usando Excel Quarta Edição, Editora Campus, 2005.

ABNT/INMETRO - Guia para a Expressão da Incerteza de Medição. Terceira Edição Brasileira (Guide to
the Expression of Uncertainty in Measurement). Edição Revisada. Rio de Janeiro, Agosto, 2003.

ISO 14253- 1, Geometrical Product Specifications (GPS) – Inspection by measurement of workpieces and
measuring equipment – Part 1: Decision rules for proving conformance or non-conformance with
specifications, 1998.

DONATELLI, G. D. Material para Curso de Graduação UFSC.

SOARES, JR. L - Confiabilidade Metrológica – Apostila Curso Técnico em Instrumentação – Controle de


Processo - SENAI –CE, Agosto de 2007.

Gonçalves, A, A, Metrologia - Parte 1, UFSC, Florianópolis, 2004 – Apostila utilizada nos cursos de
graduação e pós-graduação.

Especialização em Engenharia de Gás Natural 201

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