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Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - FIEMG

HIGIENE OCUPACIONAL I

Divinópolis
2011

1
Presidente da FIEMG
Olavo Machado Júnior

Diretor Regional do SENAI


Lúcio José de Figueiredo Sampaio

Gerente de Educação Profissional


Edmar Fernando de Alcântara

2
Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - FIEMG
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI
Departamento Regional de Minas Gerais
Centro de Formação Profissional Anielo

HIGIENE OCUPACIONAL I

Hula da Silva Rocha

Divinópolis
2011

3
© 2011. SENAI. Departamento Regional de Minas Gerais

SENAI/MG
Centro de Formação Profissional Anielo Greco

Ficha Catalográfica

SENAI FIEMG
Serviço Nacional de Aprendizagem Av. do Contorno, 4456
Industrial Bairro Funcionários
Departamento Regional de Minas 30110-916 – Belo Horizonte
Gerais Minas Gerais

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Sumário

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Prefácio

“Muda a forma de trabalhar, agir, sentir, pensar na chamada sociedade do


conhecimento”.
Peter Drucker

O ingresso na sociedade da informação exige mudanças profundas em todos os


perfis profissionais, especialmente naqueles diretamente envolvidos na produção,
coleta, disseminação e uso da informação.

O SENAI, maior rede privada de educação profissional do país, sabe disso, e


,consciente do seu papel formativo , educa o trabalhador sob a égide do conceito da
competência:” formar o profissional com responsabilidade no processo
produtivo, com iniciativa na resolução de problemas, com conhecimentos
técnicos aprofundados, flexibilidade e criatividade, empreendedorismo e
consciência da necessidade de educação continuada.”

Vivemos numa sociedade da informação. O conhecimento, na sua área tecnológica,


amplia-se e se multiplica a cada dia. Uma constante atualização se faz necessária.
Para o SENAI, cuidar do seu acervo bibliográfico, da sua infovia, da conexão de
suas escolas à rede mundial de informações – internet- é tão importante quanto
zelar pela produção de material didático.

Isto porque, nos embates diários, instrutores e alunos, nas diversas oficinas e
laboratórios do SENAI, fazem com que as informações, contidas nos materiais
didáticos, tomem sentido e se concretizem em múltiplos conhecimentos.

O SENAI deseja, por meio dos diversos materiais didáticos, aguçar a sua
curiosidade, responder às suas demandas de informações e construir links entre os
diversos conhecimentos, tão importantes para sua formação continuada !

Gerência de Educação Profissional

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Apresentação

Todas as ciências têm suas raízes na história do homem. A matemática, que é


considerada “a ciência que une à clareza do raciocínio a síntese da linguagem”,
originou-se do convívio social, das trocas, da contagem, com caráter prático,
utilitário, empírico. A estatística, ramo da matemática aplicada, teve origem
semelhante.
Desde a Antigüidade, vários povos já registravam o número de habitantes, de
nascimentos, de óbitos, faziam estimativas das riquezas individual e social,
distribuíam eqüitativamente terras ao povo, cobravam impostos e realizavam
inquéritos quantitativos por processos que, hoje, chamaríamos de “estatísticas”. Na
idade média colhiam-se informações, geralmente com finalidades tributárias ou
bélicas.
A partir do século XVI começaram a surgir as primeiras análises sistemáticas de
fatos sociais, como batizados, casamentos, funerais, originando as primeiras tábuas
e tabelas e os primeiros números relativos.
No século XVIII o estudo de tais fatos foi adquirindo, aos poucos, feição
verdadeiramente científica. Godofredo Achenwall batizou a nova ciência (ou
método) com o nome de Estatística, determinando o seu objetivo e suas relações
com as ciências. As tabelas tornaram-se mais completas, surgiram as
representações gráficas e o cálculo das probabilidades, e a Estatística deixou de ser
simples catalogação de dados numéricos coletivos para se tornar o estudo de como
chegar a conclusões sobre o todo (população*), partindo da observação de
partes desse todo (amostras*).
Atualmente, o público leigo (leitor de jornais e revistas) posiciona-se em dois
extremos divergentes e igualmente errôneos quanto à validade das conclusões
estatísticas: ou crê em sua infalibilidade ou afirma que elas nada provam. Os que
assim pensam ignoram os objetivos, o campo e o rigor do método estatístico;
ignoram a estatística, quer teórica quer prática, ou a conhecem muito
superficialmente.
Na atualidade, os estudos estatísticos têm avançado rapidamente e, com seus
processos e técnicas, têm contribuído para a organização dos negócios e recursos
do mundo moderno.

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1. INTRODUÇÃO

O que é Higiene do trabalho? Higiene do trabalho? Higiene ocupacional? São


terminologias utilizadas em diversos países porém tendo o mesmo significado.

A higiene do trabalho pode ser definida como sendo a ciência da antecipação,


reconhecimento avaliação e controle das condições existentes nos ambientes de
trabalho que podem causar danos a saúde dos trabalhadores. Os danos podem ser
causados por agentes FÍSICOS , QUÍMICOS, BIOLÓGICOS,ERGONÔMICOS E DE
ACIDENTES presentes no ambiente de trabalho.

Nota-se que este conceito coincide com a essência da Norma Regulamentadora NR


09 – PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS AMBIENTAIS (PORTARIA
3214/78 do Ministério do Trabalho e Emprego).

2. RISCOS AMBIENTAIS

Riscos Profissionais – Os riscos profissionais são divididos e Riscos Físicos,


Químicos, Biológicos, Ergonômicos e de Acidentes, existentes nos Ambientes
de Trabalho, capazes de causar danos a saúde do trabalhador em função de
sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição.

RISCOS FÍSICOS

Os riscos profissionais provocados por agentes físicos são representados por


fatores ambientes de trabalho, tais como:

- Vibração, Radiação Não ionizante, Radiação ionizante, Ruído, Calor, Frio,


umidade etc.

Calor – No caso de calor intenso (vazamento e fusão) pode ocorrer a


desidratação, pelo suor, queima de partes sensíveis do corpo humano e
muitas emergências podem até levar a morte.

Exemplos:

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Ruído – Certos equipamentos e máquinas em suas operações produzem um
ruído agudo e constante ou até intermitente. Estes ruídos estão em níveis
sonoros superior a intensidade permitida pela legislação. Sabe-se que todo o
ruído (som desagradável aos nossos ouvidos) provoca de acordo com a
duração, um nervosismo, irritabilidade, estresse e até mesmo a perda parcial
ou total da capacidade de audição.

RISCOS QUÍMICOS

Os agentes químicos podem ser encontrados nas formas gasosas, líquida e sólidas
e quando são absorvidos pelo nosso organismo, produzem, na grande maioria dos
casos, reações que são chamadas de venenosas ou tóxicas.

Vias básicas de penetração no corpo humano:


- Via Cutânea: graxas, óleos, gasolina, Tc...
- Via digestiva : Venenos, soda cáustica, produção químicos em geral.
- Via respiratória: Poeiras, gases, névoa, fungos, etc.

Nas operações de transformação de um produto original pelo processo industrial


dispersam na atmosfera substâncias químicas, que penetram no organismo, pelo via
respiratória, atingindo todo o organismo humano, provocando irritações nas vias
respiratórias, asma, bronquites e pneumoconioses. Ex.: Soda, cloro, amônia, etc.

Via cutânea

A pele tem várias funções entre elas a principal é a proteção contra as agressões
externas. Entretanto há vários grupos de substâncias químicas que penetram,
principalmente, pelos poros, desta forma, algumas substâncias e vapores tem o
poder de fixar-se no tecido adiposo subcutâneo. Uma vez absorvida , a substância
tóxica entra na circulação sangüínea, as quais poderão criar quadros de anemias,
alterações no glóbulos vermelhos e problemas da medula óssea. A substância uma
vez fixada no órgão de afinidade, inicia os distúrbios no organismo, levando muitos
vezes a sério e prejuízos à saúde. Ex.: Graxas, óleo, etc.

Via Digestiva

Normalmente, a ingestão de substância tóxicas pode ser considerada um caso


acidental. Desta maneira, poucos são os casos de doenças profissionais citados
dentro dessas condições. Os poucos casos, encontrados são de manifestação
dentária, da mucosa ao longo do tubo digestivo e do fígado. Certos hábitos tais
como roer as unhas, ou limpa-las com os dentes são as principais causas de
ingestão de substâncias tóxicas.

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RISCOS BIOLÓGICOS

São microorganismos presentes no ambiente de trabalho. Tais microorganismos


são invisíveis a olho nu, sendo visíveis apenas ao microscópio. Estes agentes são
capazes de produzir doenças, deterioração de alimentos, mau cheiro, etc.
Apresentam muita facilidade de reprodução, além de conterem com diversos
processos de transmissão.
Casos mais comuns de manifestação :

- Ferimento e machucados onde podem provocar Infecção por tétano;


- Diarréia causadas pela falta de asseio e higiene em ambientes de alimentações;

Alguns microorganismos : Bactérias, fungos, vírus, etc.

RISCOS DE ACIDENTES

Os agentes de acidentes são responsáveis por uma série de lesões nos


trabalhadores, como cortes, fraturas, escoriações, queimaduras, etc. As máquinas
desprotegidas, pisos defeituosos ou escorregadios, os empilhamentos precários ou
fora de prumo são exemplos desse riscos.

RISCOS ERGONÔMICOS

Os agentes ergonômicos causadores de doenças se caracterizam por atitude e


hábitos profissionais prejudiciais à saúde, os quais podem se refletir no esqueleto e
órgãos do corpo humano. A adoção desses comportamentos no posto de trabalho
pode criar deformações físicas, atitudes viciosas, modificações da estrutura óssea,
etc.

Iluminação – A má iluminação ou o excesso de iluminação, além de interferir


na qualidade final do serviço e criar situações de emergência das quais
provêm as ocorrências de ACIDENTES, causa também a redução da
capacidade visual, devido ao esforço de fixação da imagem ou a contração nos
casos excesso de iluminação.

Conclusão

É importante destacar que nem todos os agentes aqui comentados e presentes no


ambiente de trabalho irão causar, obrigatória e imediatamente, prejuízos à saúde.
Para que haja danos à saúde é necessário que tenhamos uma combinação de
vários fatores como:
- Tempo de exposição;
- A possibilidade da pessoa absorver as substâncias químicas ou biológicas;
- A concentração dos tóxicos e a forma como o contaminante se encontram.

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Três formas de Combate aos Riscos Profissionais
1 – Eliminar os agentes causadores:
2 – Reduzir a ação dos agentes causadores;
3 – Promover o uso de Equipamentos de Proteção Individual.

TABELA DE RISCOS AMBIENTAIS


GRUPO 1 GRUPO 2- GRUPO 3 - GRUPO 4 - GRUPO 5 -
VERDE VERMELHO MARRON AMARELO AZUL

RISCOS RISCO RISCO RISCO RISCO DE


FISICOS QUÍMICO BIOLÓGICO ERGÔNOMIC ACIDENTE
O
-Ruído -Poeiras -Vírus -Esforço -Arranjo físico
físico intenso deficiente
-Vibrações -Fumos -Bactérias
- -Máquinas e
-Radiação -Névoas -
Levantamento equipamentos
não Protozoário
-Gases de peso sem proteção
ionizante s
-Vapores -Exigências -Ferramentas
- Radiação -Fungos
-Produtos de posturas inadequadas
ionizante -Parasitas inadequadas ou
químicos
-Frio defeituosas
em geral -Bacilos -Ritmos
-Calor intensos -Eletricidade
-Pressões -Trabalhos -Perigo de
anormais em turno / incêndio ou
-Umidade noturno explosão
-Jornada -
trabalho Armazename
prolongada nto
inadequado
-Monotonia e
repetitividade -Outras
situações de
-Outras
risco que
situações
poderão
causadoras
contribuir
de estresse
para a
e/ou psíquico.
ocorrência de
acidentes.
-Escorpião,
aranha, etc.

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3. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA HIGIENE INDUSTRIAL

O foco da higiene ocupacional é apoiado nas fases de antecipação,


reconhecimento, avaliação e controle dos agentes ocupacionais. O conceitos
dessas fases são os seguintes:

ANTECIPAÇÃO

A antecipação envolve a análise de projetos de novas instalações métodos ou


processos de trabalho, ou de modificação dos já existentes, visando identificar os
riscos potenciais e introduzir medidas de proteção para a sua redução ou
eliminação.

RECONHECIMENTO

Engloba a identificação dos riscos ambientais, a determinação e localização das


possíveis fontes geradoras, possíveis trajetórias entre outros.

AVALIAÇÃO

A avaliação tem os seguintes objetivos principais:


 medir a concentração ou intensidade da exposição ocupacional aos riscos
ambientais, identificados na etapa de reconhecimento.
 Comparar as medições realizadas com os limites de exposição ocupacional,
previstos a NR 15 ou na ausência destes, os valores de limite de exposição
ocupacional adotados pela ACGIH – Americam Conference of Govemmental
Industrial Higienists.

CONTROLE

Esta fase é uma conseqüência das fases anteriores, pois com os dados
levantados, pode-se propor e adotar medidas que visam a eliminação,
minimização ou controle do risco presente no ambiente de trabalho.

MONITORAMENTO E ANÁLISE
Embora todas as quatro fases da Higiene Ocupacional, sejam interligadas, a
avaliação é o foco deste trabalho.

Monitoramento e análise referem-se a coleta , identificação e medida de amostras


representativas de matrizes ambientais , como ar, água e solo. A matriz mais
comumente amostrada e analisada no ambiente ocupacional é o ar.

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O ar que respiramos é composto por nitrogênio, oxigênio, dióxidos de carbono,
argônio e outros gases raros, em composição mais ou menos estável em
ambientes abertos e isentos de fontes de fontes significativas de poluentes.
O vapor d´agua também está presente em concentração variável, conforme as
condições climatológicas, e até mesmo de acordo com as atividades industriais
exercidas no local.

O quadro a seguir nos dá a idéia da composição do ar em três situações: ar


seco, com 50% de umidade, a 21°C e as condições do ar expirado.

Componente Ar seco Ar com 50% de Ar expirado


21°C umidade 100% umid.
(%) 21°C (%) 36°C (%)
Gases inertes
(N2, H2, He, Ar, e outros) 79 78 75
Oxigênio 20, 97 20,69 16,00
Dióxido de Carbono 0,03 0,06 4,00
Vapor d´agua 0 1,25 5,00

Os dados coletados e analisados são utilizados para avaliar a exposição atual a


que os trabalhadores estão submetidos. A legislação brasileira através da NR –15
Atividades e operações insalubres – define limite de tolerância como sendo a
concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o
tempo de exposição ao agente , que não causará dano a saúde do trabalhador,
durante a sua vida laboral.

O monitoramento é dividido em diversas categorias. As categorias são baseadas


em fatores que incluem tempo, localização e método de coleta e análise.

MONITORAMENTO INSTANTÂNEO

Monitoramento instantâneo refere-se a coleta de amostra num período


relativamente curto que varia de segundos até próximo de 10 minutos . A maior
vantagem desse tipo de monitoramento é que tanto a coleta quanto análise são
imediatas, via leitura direta do aparelho de monitoramento, e não há necessidade

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de envio da coleta para o laboratório. O dado amostrado representa o nível do
agente naquele instante de tempo da coleta . A aplicação desse monitoramento
varia. A estratégia é usada quando informações preliminares a respeito do nível
de um agente é necessária num tempo e localização específica. Por exemplo,
utiliza-se esse monitoramento para determinar o nível de agentes durante a
atividades de curta duração ou de processos industriais isolados. O
monitoramento instantâneo pode ser utilizado na avaliação de :
 Exposição ao calor através de árvore de termômetros (termômetro de bulbo
úmido, termômetro de globo e termômetro de mercúrio).
 Níveis de ruído através de “decibelímetro” com analisador de banda de oitava.
 Níveis de iluminamento através de luxímetro.

MONITORAMENTO CONTÍNUO

Monitoramento contínuo refere-se a coleta de amostra num período que pode variar
de 10 a 15 minutos até várias horas. A maioria das jornadas de trabalho são de oito
horas diárias e os limites de exposição ocupacional tem esse período como base.
Assim é muito comum fazer amostragem que cubra toda a jornada de trabalho.
Diversas estratégias podem ser seguidas. Por exemplo, fazer uma única
amostragem cujo o início e término coincida com o início e término da jornada de
trabalho. Esse único valor representa uma “integração” de todos os níveis existentes
no período, considerado de oito horas, tais como: A que horas ocorreu o nível mais
alto? O mais baixo? E a que horas nada ocorreu. Como conseqüência não há
indicação dos níveis para um local específico e hora especificada dentro da jornada
de trabalho.

MONITORAMENTO PESSOAL

O monitoramento Pessoal envolve a conexão do aparelho de monitoramento


contínuo diretamente ao trabalhador. O aparelho irá coletar amostras do agente em
áreas específicas e durante tarefas também específicas elaboradas pelo trabalhador.

Se inalação é o modo e o sistema respiratório a rota do agente; o dispositivo de


monitoramento deve ser posicionado na “zona de respiração” do trabalhador. A zona
de respiração refere-se a uma área dentro de uma raio de 30 cm do nariz e a boca
do trabalhador.

O s níveis dos agentes na “zona de respiração e na zona auditiva “ podem também


ser determinados pelo monitoramento instantâneo.
Então o monitoramento pessoal pode ser instantâneo ou contínuo.

MONITORAMENTO DE ÀREA

o objetivo do monitoramento de área é avaliar os níveis de agentes numa


localização específica ao invés da avaliação de um determinado trabalhador . o dado
coletado representa o nível de um agente em uma área específica. Podem ser

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utilizados dispositivos de monitoramento instantâneo ou contínuo para se fazer o
monitoramento de área . Exemplos:

 Avaliação de gases e vapores orgânicos através do monitoramento de área


utilizando bomba de fole ou pistão com tubo colorimétrico.
 Avaliação de gases e vapores orgânicos através do monitoramento de área
utilizando bomba de ar com tubo de carvão ativado.

RISCOS FÍSICOS - RUÍDO

1. ASPECTOS DE FÍSICA
Como Som compreende-se qualquer perturbação vibratória em meio elástico, que
produz uma sensação auditiva (merluzzi, 1981).

O termos som e ruído são freqüentemente utilizados indiferenciadamente mas,


geralmente, Som é utilizado para as sensações prazerosas com a musica e fala, ao
passo que o ruído é usado para descrever um som indesejável como buzina,
explosão, barulho de trânsito e máquinas.

Para um som ser percebido, é necessário que ele esteja dentro da faixa captável
pelo ouvido humano. Essa faixa para um ouvido normal varia em média de 16 a
20.000Hz. Também é necessária uma certa variação de pressão para a percepção.
Assim a percepção dos sons só ocorrerá quando as variações de pressão e
freqüência de propagação estiverem dentro de limites compatíveis com as
caraterísticas fisiológicas do ouvido humano.

CARACTERÍSTICAS DO RUÍDO

INTENSIDADE: É a quantidade de energia vibratória que se propaga nas áreas


próximas a partir da fonte emissora. Pode ser expressa em termos de energia
(watt/m²) ou em termos de pressão (N/m² ou Pascal).

FREQUENCIA: É representada pelo número de vibrações completas em um


segundo, sendo sua unidade de medida expressa em hertz(Hz).

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2. CLASSIFICAÇÃO DOS DIFERENTES TIPOS DE RUÍDO

O ruído pode ser caracterizado por seu espectro de freqüência e pela variação do
nível com o tempo.
O ruído mais comumente encontrado pode ser classificado:

a) Quanto ao espectro de freqüência:

 Espectro Contínuo: Energia sonora é distribuída por uma grande parte das
freqüências audíveis.
 Espectro com poucos sons audíveis.
 Com predomínio de altas ou baixas freqüências.

b) Quanto a variação no tempo.

 Contínuo : Ruído com pequenas variações dos níveis (até + ou – 3dB) durante o
período de observação.
 Intermitente : Ruído cujo o nível varia continuamente de um valor apreciável,
durante um período de observação; superior a 3dB.
 Ruído de impacto ou de impulso: ruído que se apresenta em picos de energia
acústica de duração inferior a uma segundo.

3. O RUÍDO

A conceituação de ruído é ampla. Alguns autores informam que ruído é qualquer


som indesejável ou que cause perturbações no homem. Deve-se lembrar entretanto
que o som resultante da passagem dos ventos pelas da copas das arvores é ruído,
embora nem sempre desagradável. O mesmo ocorre com ruído das ondas nas
praias , em dias de mar calmo.

Outros autores introduzem a palavra barulho, estabelecendo diferença entre barulho


e (ruído desagradável), e ruído simplesmente. Este tipo de discussão não será
desenvolvido neste curso. Como ruído industrial, entenderemos o ruído originado
nos processos industriais , que poderá eventualmente ser prejudicial ao organismo
humano e portanto deve ser tratado sob a ótica da higiene industrial.

Sob o ponto de vista da física, o ruido é tratado pela acústica, e possuí a


seguinte definição já citada anteriormente: Ruído é uma mistura de tons,
cujas freqüências diferem entre si por valores inferiores a capacidade
de discriminação do ouvido humano.

É necessário ressaltar, ainda, que não é somente o ruído industrial que


afeta o organismo das pessoas . Outras fontes exteriores existem e
dentro desta categoria, podemos citar o ruído resultante do tráfego, o
ruído produzido por aviões , especialmente os de propulsão a jato, e os

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ruídos originados nas obras de co0nstrução civil. O quadro da figura 10
reproduz níveis de ruído de várias fontes.

4. FONTES DE RUÍDO INDUSTRIAL

As fontes de ruído industrial, são as mais variáveis possíveis. Com efeito, este ruído
é originado nas vibrações que os equipamentos produzem em partes deles
mesmos, ou a eles ligadas. Estas vibrações mecânicas se convertem em vibrações
sonoras, quando transmitidas ao ar . Uma tentativa de classificação das causas do
ruído industrial seria :

ORIGENS MECÂNICAS

As causas mecânicas podem ser de dois tipos: Impacto e atrito. O impacto é o


surgimento de uma força, que atuando sobre um corpo, irá causar neste uma
deformação. A peça que recebeu o impacto ao recuperar-se elasticamente, vibra,
transformando parte da energia potencial armazenada pelo choque, em energia
sonora . O atrito resulta em excitação cinética das partes em contato, O resultado é
a transformação de parte da energia mecânica em energia sonora . Os ruídos de
origem mecânica são de freqüências variáveis.

ORIGENS AERODINÂMICAS

Resultantes da turbulência do ar quando percorrendo dutos e tubulações. Estas


turbulências ocorrem em curvas, ampliações e reduções de seções, irregularidades
internas (rugosidade) e se caracterizam por colunas vibrantes . O ruído irá depender
da velocidade da coluna de ar e sua freqüência será determinada por esta
velocidade e pela pressão total. São ruídos de alta freqüência em sua maioria.

ORIGENS HIDRÁULICAS

Da mesma maneira que se formam as colunas vibrantes de ar, ocorrem as colunas


vibrantes de líquido. Estes porém, por serem incompreensíveis, resultam em colunas
que trabalhando como um todo, introduzem os movimentos nos extremos, da coluna.
As colunas de líquido se constituem tão somente em elementos de condução de
som.

Entretanto, no interior das colunas hidráulicas, existem bolhas de ar, as quais, sendo
comprimidas, provocam desequilíbrios elásticos, resultando em vibrações. Por outro
lado, a explosão destas bolhas, origina o fenômeno da cavitação.

Os desequilíbrios elásticos e a cavitação, são as causas do barulho hidráulico, cuja


ocorrência maior situa-se em válvulas, principalmente nas redutoras de pressão.

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ORIGENS NAS EXPLOSÕES

As explosões ocorrem nos motores à combustão interna, e são resultantes da


alteração súbita da pressão do gás contido no interior do cilindro.

ORIGENS ELETROMAGNÉTICAS

Baseiam-se no fenômeno da magnetostrição, ou seja ação dos campos magnéticos


sobre os núcleos, resultando em ruídos de baixa freqüência , originários
principalmente em transformadores elétricos de grande porte.

5. O RUÍDO E O HOMEM

O SISTEMA AUDITIVO

Nesta seção , será estudado simplificadamente o funcionamento do ouvido, como


introdução ao conhecimento das lesões causadas pelo ruído.

Basicamente o ouvido é dividido em três partes, (ver figura 11): o ouvido externo, o
ouvido médio e o ouvido interno. O ouvido externo é constituído pelo pavilhão,
conduto auditivo e membrana timpânica. O pavilhão capta as vibrações do ar , as
quais são conduzidas a te a membrana timpânica através do conduto. A membrana
timpânica vibra sob o efeito das variações de pressão. Esta vibração da membrana
é transmitida aos ossículos que são em número de três e denominam-se martelo,
bigorna e estribo. Os ossículos, o tubo de Eustáquio, a janela oval, e os músculos
amortecedores constituem o ouvido médio.

O movimento da membrana timpânica , é transmitido à janela oval através da


movimentação mecânica dos ossículos. Os músculos amortecedores têm por função
proteger o ouvido interno, amortecendo eventualmente a movimentação dos
ossículos. O tubo de Eustáquio tem a função de equalizador de pressões entre os
dois lados da membrana timpânica . O ouvido interno compõe-se do vestíbulo,
canais semicirculares e cóclea.

A cóclea é constituída por um canal espiralado em torno do eixo ósseo. A seção do


canal possui divisões determinadas. O canal está cheio de líquido e na sua região
central encontram-se a células ciliadas que constituem o órgão de corti, e que são
os elementos sensoriais da audição. O órgão de corti é sustentado por uma lâmina
membranosa, denominada membrana basilar.

O movimento dos ossículos é transmitido ao líquido que se encontra no interior da


cóclea. Este, sendo incompreensível, formará ondas líquidas, as quais irão deformar
a membrana basilar excitando as células ciliadas do órgão de corti. Estas possuem
a capacidade de transformar a excitação em estímulo, por atuações nos terminais

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nervosos, resultando em sinais que são transferidos ao cérebro através do nervo
auditivo, onde são interpretadas como sensações sonoras .

A percepção da intensidade se faz com base na quantidade de fibras nervosas


excitadas e a percepção da freqüência é feita de acordo com o ponto de maior
amplitude da vibração da membrana basilar. Os canais semicirculares não possuem
função na audição e são responsáveis pela sensação de equilíbrio do indivíduo.

6. EFEITOS DO RUÍDO NO HOMEM

Os efeitos do ruído sobre o organismo humano afetam-no de diversas maneiras e


não apenas agindo sobre o órgão da audição.

Além disto, os efeitos estão diretamente relacionados com a intensidade, a


freqüência e o tipo (contínuo, intermitente , impacto). Deve-se ainda considerar como
de fundamental importância o tempo de exposição.

Didaticamente dividiremos os efeitos em três categorias ou seja :

Efeito sobre o sistema auditivo.

SURDEZ TEMPORÁRIA

Ocorre quando há exposição a ruído intenso, esmo que seja por pequeno intervalo
de tempo. Esta condição permanece temporariamente, sendo a audição totalmente
recuperada, transcorrida algum tempo após a interrupção da exposição.

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SURDEZ PERMANENTE

Em geral, um ruído capaz de ocasionar uma surdez temporária significativa, é tido


como potencialmente capaz de produzir uma surdez permanente, desde que as
exposições sejam prolongadas e repetidas, dia após dia durante um tempo longo.

Ao contrário da situação anterior, esta condição é caracterizada por perda


irreversível e é resultante de lesões no órgão de corti. As perdas têm início para
sons de freqüência em torno de 4000 Hz, estabelecendo-se rapidamente para as
faixas de 3000Hz a 6000Hz. Como são faixas de freqüência acima daquelas
correspondentes as vozes humanas, o indivíduo não percebe a lesão no início da
mesma . a constatação poderá ser feita através de exames audiométricos
periódicos.

A audiometria é um exame que utiliza um aparelho capaz de emitir tons puros em


diversas freqüências e intensidades sonoras de forma a testar individualmente cada
ouvido pela reação do indivíduo a cada emissão. Os gráficos resultantes são
denominados audiogramas.

FADIGA AUDITIVA

Resulta do uso constante e alternado dos músculos do ouvido médio, fazendo com
que estes apresentem fadiga, ocasionando recuperação cada vez mais lenta quando
ocorre surdez temporária. Constatou-se que este fenômeno varia bastante de
indivíduo para indivíduo caracterizando-se pelo início de surdez para sons de
baixa intensidade.

TRAUMA ACÚSTICO

O trauma acústico corresponde à perda auditiva repentina como resultado da


exposição de um ruído de impacto de grande intensidade . Poderá ocorrer perda
temporária ou definitiva.

Os efeitos do ruído, como foi dito anteriormente, têm ação sobre vários outros
órgãos do homem, resultado em mau funcionamento dos mesmos . Os principais
órgãos afetados são:

- Intestinos (funcionamento irregular)


- Glândulas endócrinas
- Respiração (alteração no ritmo)
- Sistema circulatório

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EFEITOS COMPORTAMENTAIS

Por efeito de exposição a ruídos intensos e variados, o indivíduo apresenta-se


irritável, com dificuldade de raciocínio, neurastênico, provocando maioria das vezes
conflitos sociais.

EFEITOS SOBRE O TRABALHO

Resultam em redução do rendimento, do nível de qualidade, e em elevações dos


riscos de acidentes. Tais situações são ocasionadas principalmente quando
ocorram exposições e ruídos intermitentes.

FEITO SOBRE A COMUNICAÇÃO

A interferência do ruído com a comunicação oral decorre de mascaramento da voz,


resultando na dificuldade de entendimento, O mascaramento sonoro ocorre
principalmente nas faixas de freqüência de 500 Hz, 1000 Hz e 2000 Hz.

7. A MEDIÇÃO DO SOM – DEFINIÇÃO E UNIDADES DE MEDIDA

Todo o processo de medição consiste em calcular quantas vezes uma determinada


unidade de medida esta contida na grandeza a ser medida.

PRESSÃO SONORA

A pressão sonora no ar representa a variação de pressão atmosférica, em relação a


um valor de referência, percebido pelo o ouvido.
A unidade de medida é expressa em Newton/m², ou Pascal (Pa).

NÍVEL DE PRESSÃO SONORA (NPS)

Como a faixa de audibilidade percebida pelo ouvido humano varia de 0,00002 N/m²
(mínima pressão perceptível à freqüência de 1000 Hz) até valores muito elevados ,
atingindo 200 N/m² (considerado como valor limiar da dor), utiliza-se uma relação
logarítmica para expressar os resultados.

Para a medida de pressão sonora se utiliza uma escala relativa, adotando o decibel
(dB) como unidade de relação logarítmica.

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TABELA I

NPS (dB)
P(N/m²) EXEMPLOS
re0,00002 N/m²

140 200
130 Sirene de alarme pública (a 2m dist.)
120 20 Dinamômetro motores diesel (a 1m de dist.)
110 Serra de fita (para madeira ou metais a 1m de dist.)
100 2 Prensas excêntricas
90 Caminhão diesel 80km/h (a 15m de dist..)
80 0,2 Escritório barulhento
70 Carro passageiros 80Km/h (a 15m de dist.)
60 0,02 Conversação normal (a 1m de dist.)
50 Sala fechada
40 0,002 Local residencial tranqüilo
30 Tic-tac de relógio
20 0,0002 Sussurro
10
0 0,00002 Limiar de audibilidade
Níveis de pressão sonora em dB x pressão sonora N/m².

NÍVEL DE INTENSIDADE SONORA (NIS)

A intensidade sonora (I) representa a quantidade média de energia transmitida por


onda sonora na unidade de tempo, através da unidade de superfície.

Em que Io é a intensidade de referência, que para a propagação no ar apresenta o


valor de 10 -¹² Watt/m².

22
TABELA II

Intensidade de Nível de Exemplos de Fontes Emissoras


Watt/m² Intensidade
Sonora
106 180 -----
105 170 Avião a jato com turbina
104 160 Avião a jato
103 150 Navio acionado por hélice
102 140 Navio a turbo propulsão
10 130 Orquestra
1 120 Mecânicas
10-¹ 110 Piano
10-2 100 Rádio alto volume, grito
10-3 90 Automóvel
10-4 80
10-5 70 Nível habitual de conversação
10-6 60
10-7 50
10-8 40
10-9 30 Murmúrio ou cochicho
10-10 20
10-11 10
10-12 0 Nível de referência do limiar

NÍVEL EQUIVALENTE – LEQ E FATOR DE CORREÇÃO Q

Como os níveis de ruído variam de maneira aleatória no tempo, utiliza-se medir o nível
equivalente, expresso em dB, que representa a média da energia sonora durante um
intervalo de tempo T.
O nível equivalente (Leq) em energia, coincide com a definição de nível de pressão
sonora , dado que o tempo médio dos valores eficazes da pressão é assumido como
sendo tempo de amostragem.

Considerando que o risco de alteração permanente do limiar auditivo aumenta com


a intensidade do estímulo, com o Leq, e que este guarda relação com tempo de
exposição, estabeleceu-se uma relação entre Leq e o tempo de exposição,
conhecido como fator de correção ou mudança Q esse fator expressa o aumento em
dB(A) que leva a duplicação do risco de lesão auditiva para um determinado tempo
de exposição.

23
Na maioria do países europeus o q é igual a 3, no Brasil o valor de referência para q
é iguala 5.

O valor q=3 é matematicamente mais correto e guarda de maneira mais adequada a


relação entre intensidade e risco de dano auditivo, pois ao dobrarmos a pressão
sonora acrescenta-se 3 dB no nível de pressão sonora.

DOSE DE RUÍDO

A dose de ruído é uma variante do nível equivalente, com o tempo de medição


fixado em 8 horas , que é (ou deveria ser) a jornada diária máxima de trabalho de
referência e tempo máximo de trabalho considerado para definição dos limites de
tolerância.

A diferença entre dose de ruído e nível equivalente é que a dose é expressa em


porcentagem de exposição diária máxima permitida e o leq é expresso e dB.

Desta maneira, a dose de ruído de 100% corresponde a:

TABELA III
Leq (I) Leq(2) Tempo de exposição diária
máxima
85 dB(A) 85 dB(A) 8h
90 dB(A) 88 dB(A) 4h
95 dB(A) 91 dB(A) 2h
100 dB(A) 94 dB(A) 1h
105 dB(A) 97 dB(A) 30min.
110 dB(A) 100 dB(A) 15min.
Obs: (1) Legislação Brasileira (Portaria 3214/78) q=5
(2) legislação européia q =3.

DIMINUIÇÃO DO SOM COM DISTÂNCIA

Um aspecto muito importante a considerar em um ambiente é que a cada duplicação


da distância o ruído diminui em 6 dB(A) em campo livre.

Como a pressão sonora é inversamente proporcional ao quadrado da distância, a


diminuição da intensidade pode ser resumida na equação:

Redução = NPS(RI) ----NPS(R2) = 10 log R2²


RI²

24
Para a duplicação da distância de 4m para 8m, por exemplo, temos:

NPS(4m) -----(8m) = 10 log 8² = 10 log 4 = 6dB


Exemplo: Em uma máquina ruidosa, o valor medido foi 95 dB(A) a 1,5m de


distância. A diminuição do ruído se apresenta da seguinte forma:

Distância em metros 1,5 3,0 6,0 12 24


Nível sonoro dB(A) 95 89 83 77 71

Devemos ressaltar que no interior de uma fábrica esta atenuação


naturalmente será menor, pois a parede, o teto, as máquinas, produzem
reverberação de uma parte do som e este som refletido junta-se ao som da fonte
principal.

ADIÇÃO DE NÍVEL DE PRESSÃO SONORA

Existem situações práticas em que há o interesse de adicionar ou subtrair decibéis;


por exemplo pode-se estar interessado em saber qual será o ruído num ponto
depois de introduzir ou retirar uma fonte sonora, ou saber qual interferência de uma
máquina ruidosa em um ambiente ruidoso.

Sendo o nível de pressão sonora uma grandeza logarítmica não podemos somar
aritmeticamente duas fontes sonoras.

Uma maneira prática de somar decibéis consiste em se encontrar a razão quadrática


das pressões e com elas se obter o novo NPS.

Ou seja , para a adição de valores em decibéis procede-se a transformação


antilogarítmica dos valores encontrados.

NPS = 10log P² P² = antilog NP


Po² Po² 10
Para duas fases A e B, cada uma com 100 dB tem-se:

A = Antilog 100 = 10¹000/10


10

B = Antilog 100 = 10¹000/10


10

NPS (A+B) = 10 log(10¹000/10 + 10¹000/10) = 10log2x1010 = 103 dB.

A adição ou subtração de decibéis pode ser realizada de forma simplificada


utilizando o gráfico a seguir, para evitar os cálculos logarítmicos a todo momento.

25
Como mostra o gráfico a diferença entre níveis de ruído podem ser combinadas em
até um limite de 15 dB. Quando estas diferenças são menores, procura-se no gráfico
quanto se deve acrescentar para uma dada diferença.

Exemplo: Se houver duas máquinas com níveis iguais de ruído a soma destes ruídos
será sempre 3 dB, em condições normais.

Se houver duas máquinas, sendo que a primeira emite níveis de ruído de 92 dB e a


segunda 89 dB, procede-se da seguinte maneira:
Procura-se no gráfico o que deve ser acrescentado para a diferença de 3 dB, que é
de 1,8 dB. Este valor é adicionado ao maior valor medido, isto é 92 + 1,8 = 93,8 dB.

Evidentemente que a utilização deste procedimento de adição ou subtração


apresenta muitas imprecisões devido a diversos fatores ( materiais de revestimento
de paredes e tetos, concentrações de máquinas e equipamentos e materiais
diversos); entretanto é muito útil para planejamento de instalações e para programar
medidas de controle ambiental.

DIFERENÇA DE NÍVEL DE PRESSÃO SONORA

Para se verificar a contribuição de uma máquina para o ruído de um determinado


ambiente é necessário considerar o ruído de fundo. Para tanto deve-se medir o nível
de pressão Sonora do ambiente com a máquina ligada (LT) e desligada.

Se a diferença for menor do que 3 dB significa que o ruído de fundo é muito elevado
para permitir uma medida com precisão. Se for superior a 10 dB significa um ruído
muito pouco intenso, não necessitando correções. Caso a diferença esteja entre 3 e
10 é necessário proceder-se a correção. Para fins práticos pode se utilizar o gráfico
II.

Exemplo: NPS total = 65dB.


NPS fundo = 58 dB
NPS T - NPS F = 7 dB.

No gráfico, 7 dB (eixo Horizontal) corresponde a 1 dB (eixo vertical).

NPS da máquina = 65 – 1 = 64 dB

FREQUÊNCIA DE ONDA SONORA

Para que a onda sonora possa causar sensação auditiva, é necessário que oscile
entre 16 e 20.000Hz. a avaliação do espectro de freqüência de ruído é um efeito
através de equipamentos conhecidos como analisadores de freqüência de um ruído
é feito através de equipamentos conhecidos como analisadores de freqüência.

26
A sensibilidade auditiva não é igual para todas as freqüências e nem para todas as
pessoas, variando também com a idade. A avaliação da freqüência é muito
importante na determinação do risco. Ruídos que contém muitas freqüências e
interessam muitas bandas e, consequentemente, se dispersam por muitas células
ciliadas, são menos nocivos. Ruídos com pouca freqüência, no limite com tom puro,
concentram a energia em um grupo pequeno de células e consequentemente são
mais lesivos. Freqüências altas também são mais lesivas que as graves, são, em
geral, de mais difícil controle.

8. MEDIÇÕES DE RUÍDO
As medições de ruído são realizadas utilizando-se aparelhos denominados
decibelímetros ou dosímetros. Estes aparelhos são constituídos basicamente dos
seguintes componentes:

Microfone receptor, que transforma a pressão sonora em sinal elétrico.

Amplificador, destinado a ampliar o sinal elétrico.

Filtros de ponderação, destinados a compensar os níveis sonoros para freqüências


definidas, e medidor, onde se fazem as leituras dos valores medidos. Conforme
exposto anteriormente, a resposta do ouvido humano é diferente para sons da
mesma intensidade emitidos em freqüências diferentes. Os filtros compensadores
incluídos nos aparelhos de medição, têm função corretora, de forma a se obter
valores únicos de medida, para sons complexos, ao invés de uma série de valores
dependentes das respectivas freqüências. A compensação é feita automaticamente
pelo próprio aparelho, usando critérios nele inseridos.

Estes critérios correspondem às curvas A,B,C e D, das quais considera-se que a


curva A é a que mais se aproxima da resposta do ouvido humano. Desligando-se os
filtros obtém-se a resposta plana , isto é obtém-se o NPS sem compensação de
freqüências. Uma vez que existem os diferentes critérios correspondentes às curvas
A,B,C e d, todas as leituras devem individualizar o critério adotado.

EXEMPLOS: 60 dB(A), ou dB (B).


CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS DURANTE AS MEDIÇÕES

* Utilizar aparelhos de boa qualidade e que estejam de acordo com os padrões


estabelecidos pela ISO.
* Verificar se instrumento encontra-se devidamente calibrado (normalmente os
aparelhos vêm acompanhados de calibradores).
* Verificar o estado das pilhas ou baterias .
* Respeitar as condições de utilização do aparelho .
* Observar a existência ou não do ruído refletido verificando se este é
apreciável. Uma maneira de proceder a esta verificação, consiste em efetuar

27
medições longe ou perto da fonte. Quando a grandes distâncias da fonte , a
medida corresponder a um valor acima de 8 dB, a influencia do ruído refletido
será importante e deve-se proceder a uma análise criteriosa da situação.

Considerar a existência do ruído de fundo. Para tanto, realizar medidas com a fonte
em funcionamento e desligada. Se a diferença entre as duas leituras acima for
superior a 10 dB predomina o ruído da fonte. Se a diferença for inferior a 2dB,
haverá preponderância do ruído de fundo.
Caso a diferença esteja entre 2 dB e 10dB deve-se proceder à composição dos
níveis de ruído utilizando-se a tabela a seguir:

LIMITES DE TOLERÂNCIA

Limites de tolerância contínuo ou intermitentes definidos como os limites de Níveis


de Pressão Sonora , em dB (A), e as respectivas durações de exposições diárias ,
que não poderão ser ultrapassados durante a vida útil do trabalhador .

São limites aceitáveis por trazerem efeitos adversos na habilidade de entender uma
conversação normal.

9. CONTROLE DO RUÍDO
O controle do ruído consiste em se estabelecer condições que impeçam a exposição
de indivíduos a níveis acima daqueles definidos anteriormente. Este controle pode
ser estabelecido :

Na fonte;
No meio de transmissão;
No indivíduo.

CONTROLE NA FONTE

Este é o método que melhores resultados oferece. Consiste em introduzir nas


especificações de compras de equipamentos e sistemas , exigências quanto a níveis
de ruído máximos aceitáveis . Deve-se atentar porém para o fato de que
determinados equipamentos, são ruidosos pela própria natureza, existindo limitações
no que se refere a estas exigências .

O que se pretende é sugerir alterações no projeto, que possam resultar em redução


dos níveis de ruído. Tais alterações, entre outras podem ser:

* Redução de velocidade de escoamento;


* Redução de velocidade de rotação;
* Manutenção de equilíbrio dinâmico;
* Aumento de rigidez;

28
* Aumento da massa do elementos vibrantes;
* Introdução de acoplamentos flexíveis;
* Adoção de materiais resilientes onde possível;
* Introdução de amortecedores;
* Introdução e silenciadores (muflers) nas descargas e admissão de
compressores ;
* Alteração das freqüências ressonantes pela utilização de osciladores;
* Introdução de absorvedores de ruído, no caso de dutos de ar;
* Redução das áreas das superfícies vibrantes

Ainda na fase de planejamento global da área industrial, deve-se sempre tomar


como premissa, o confinamento em locais afastados, dos equipamentos que se
constituem em fontes sonoras de grande potência e que não dependem da presença
de operadores mesmo que isto signifique aumento no investimento de implantação
da unidade industrial. Tais equipamentos entre outros são os seguintes:
compressores de ar e de refrigeração, bombas hidráulicas, transformadores,
ventiladores, torres de resfriamento, turbinas, válvulas redutoras de pressão,
retificadores de potência , etc.

Por outro lado, deve-se analisar até mesmo a substituição de equipamentos


obsoletos por outros, de projeto mais moderno e por tanto mais silenciosos.

CONTROLE NO MEIO

O controle no meio consiste na introdução de materiais ditos acústicos, entre a fonte


e o indivíduo. Tais materiais são denominados barreiras de som, e podem ser de
três tipos: isolantes, absorventes e mistas, constituindo esta ultima conjuntos ao
mesmo tempo isolantes e absorventes.

CONTROLE NO RECEPTOR

O controle no receptor é preconizado, quando as soluções de controle na fonte e no


meio não poderão ser adotadas. Consiste em:

Utilização de equipamentos de proteção individual, constituídos por protetores


auriculares (tampões ou plugs), descartáveis ou não, e do tipo “Head Fone” , este
ultimo mais eficiente permitindo, quando corretamente usados , uma atenuação de
até 30 dB.

Os protetores auditivos tipo inserção exigem uma correta bem como assistência de
setor de saúde ocupacional, para determinar tamanhos adequados e evitar outros
problemas de ordem médica.

Estes equipamentos porém são de eficiência duvidosa, uma vez que a utilização
correta não é observada . Por outro lado, o uso contínuo se constitui em constante
incômodo induzindo as pessoas a retirarem as proteções com muita freqüência.

29
CONCHA INSERÇÃO
Eliminam ajustes complexos de Devem ser adequados a cada diâmetro
colocação. Podem ser colocados e longitude do canal auditivo externo.
perfeitamente por qualquer pessoa.
São grandes e não podem ser levados São fáceis de carregar. Mas são fáceis
facilmente nos bolsos das roupas. Não de esquecer ou perder.
podem ser guardados junto com as
ferramentas e sim em lugares
apropriados.

Podem ser observados a longa Não são vistos ou notados facilmente e


distância, permitindo tomar criam dificuldades na comunicação oral
providências para realizar a normal.
comunicação oral.

Interferem no uso dos óculos pessoais Não dificultam o uso dos óculos
ou EPI´s. pessoais ou EPI´s.

Podem ajustar-se, mesmo quando se Deve-se tirar as luvas para poder


usam luvas. colocá-los.

Podem acarretar problemas de espaço Não produzem problemas por limitação


em locais pequenos e confinados. de espaço.

Podem produzir contágio somente Podem infectar ou lesar ouvidos sãos.


quando usados coletivamente.

Podem ser confortáveis em ambientes Não são afetados pela temperatura


frios, mas muito desconfortáveis em ambiente.
ambientes quentes

Sua limpeza deve ser feita em locais Devem ser esterelizados


apropriados. freqüentemente.

Podem ser usados por qualquer Devem ser inseridos somente em


pessoa, de ouvidos sãos ou enfermos. ouvidos sãos.

O custo inicial é grande mas a sua vida O custo inicial é baixo, mas sua vida útil
útil é longa. é curta.

COMPARAÇÃO ENTRE PROTETORES AUDITIVOS

30
CONTROLES ADMINISTRATIVOS

Consistem em adotar rodízios de pessoal entre setores com maior ou menor nível de
ruído, de forma a reduzir os tempos de exposições a níveis elevados . Este tipo de
controle porém encontra restrições do ponto de vista prático e somente poderá ser
empregado em casos muito especiais.

RISCOS FÍSICOS - CALOR

1. O TRABALHO EM AMBIENTES QUENTES


Os ambientes quentes representam um dos pontos mais importantes no estudo da
Patologia Ocupacional devido a dois fatores:

A alta freqüência de fadiga física ocasionada por ambientes quentes. Nesse aspecto
cabe chamar atenção para a alta ocorrência de indivíduos que começaram a
trabalhar jovens e saudáveis em ambientes quentes e que, depois de poucos anos,
encontram-se anormalmente envelhecidos e fracos.

A perda de produtividade, motivação, velocidade, precisão, continuidade e o


aumento da incidência de acidentes causados pelo desconforto térmico em
ambiente quente.

2 . O SISTEMA FISIOLÓGICO DE CONTROLE DA


TEMPERATURA CORPÓREA
O organismo possui uma série de recursos para manter sua temperatura constante, já que não
tem condições de tolerar variações superiores a 4ºC na temperatura interna. Tais recursos
mostram-se bastantes eficientes, o que não poderia ser de outra forma, já que a temperatura
interna maior que 41ºC, por pouco tempo, leva à desnaturação irreversível das proteínas
orgânicas e morte.

3. OS MECANISMOS DE PERDA DE CALOR

A CIRCULAÇÃO CUTÂNEA

31
O fluxo sangüíneo para a pele é de 250 ml por minuto. Em ambientes quentes, esse
fluxo pode atingir a 1500 ml por minuto. Isso faz com que a temperatura da pele
aumente. Se o ambiente estiver mais frio, a perda de calor aumenta, tanto por
irradiação como por condução - convecção.

Também de importância é o papel do tecido gorduroso subcutâneo, que diminui a


possibilidade de dissipação do calor, funcionando como isolante térmico. Assim, o
obeso tem mais dificuldade de manter a temperatura normal no ambiente quente.

PERDA DE CALOR POR IRRADIAÇÃO

Dá-se o nome de irradiação ou radiação a transmissão de calor por um corpo, sob


forma de ondas eletromagnéticas da faixa do infravermelho.No homem, em
condições ambientais normais, a irradiação é responsável por 60% da perda calórica
do indivíduo.

A irradiação deve ser entendida como uma resultante. Assim, se existe no ambiente
uma fonte de temperatura maior que a do corpo humano, o corpo humano irradia
calor para esta fonte, mas o calor que esta fonte irradia para o corpo é maior; logo,
ao invés de ser uma forma de perda de calor, a irradiação torna-se uma forma de
ganho de calor.Nesse caso vale a pena dizer que o corpo humano absorve muito
bem o calor irradiado por outras fontes (cerca de 97%), não havendo diferença de
absorção, seja o indivíduo branco ou negro.

PERDA DE CALOR POR CONDUÇÃO – CONVECÇÃO

Condução é a propriedade de um corpo transmitir calor a outro com o qual esteja em


contato. No caso do organismo humano, se a temperatura da superfície do corpo for
mais elevada do que a temperatura do meio ambiente, o organismo cederá calor às
moléculas do ar pelo fenômeno da condução. A movimentação do ar, renovando
mais rapidamente a camada de ar em contato com a superfície do corpo, também
aumentará o gradiente de troca de calor por convecção. Porém se a temperatura do
ar for mais elevada do que a superfície do corpo, este ganhará calor, invertendo-se o
mecanismo.

32
A EVAPORAÇÃO

Nesta forma de perda de calor, a água é aquecida pelo calor do organismo, até
passar para a fase de vapor e deixar a superfície do corpo. Para cada 1 litro de água
que se evapora são necessárias 580 Calorias, que são retiradas do organismo. A
sudorese em si não indica perda calórica; esta só ocorre quando o suor evapora. A
umidade do ar indica, em porcentagem, qual a porção de ar que está saturada com
vapor d'água. Assim, em ambientes muito úmidos quase todo o ar está saturado
com vapor e a evaporação do suor se torna muito difícil. O suor produzido adere-se
à pele e escorre pelo corpo, com pequena perda de calor e com grande desconforto
térmico. Ao contrário, em ambientes secos todo suor produzido é evaporado, não se
prendendo ao corpo, com grande diminuição da temperatura corpórea e
conseqüente bom conforto térmico.

O ambiente bem ventilado também favorece a evaporação, levando o ar saturado


para longe do organismo e possibilitando que mais suor evapore. É importante dizer
que a corrente de ar que favorece a evaporação do suor é aquela em que o ar está à
temperatura mais baixa que a do corpo humano. A evaporação do suor é
particularmente importante no trabalho em ambientes quentes porque ela é a única
forma que o indivíduo tem de perder calor corpóreo.

DESCONFORTO E DOENÇAS CAUSADAS POR


AMBIENTES QUENTES

DESCONFORTO:

Em um ambiente quente o indivíduo pode se sentir desconfortavelmente quente,


perdendo a motivação para o trabalho, mesmo que este não seja qualificado.

No trabalho mais qualificado, a velocidade de realização da tarefa diminui,


comprometendo a produtividade. Ocorre perda de precisão, perda de continuidade e
também diminuição da vigilância, tornado-se um ambiente impróprio para trabalho
mental. Aumenta a incidência de acidentes.

Naturalmente, num mesmo ambiente, a freqüência e intensidade desses sintomas


variam de indivíduo para indivíduo, porém variam principalmente com o tempo em
que o indivíduo fica exposto à agressão térmica.

33
5. DOENÇAS ASSOCIADAS A AMBIENTES QUENTES

HIPERTERMIA OU INTERMAÇÃO

É o quadro mais grave e que muitas vezes leva à morte. Ocorre pelo
desencadeamento do mecanismo de retroalimentação positiva.

Diante do ganho calórico devido ao metabolismo próprio do trabalho e à sobrecarga


do ambiente, o indivíduo ganha calor. Se ele não perde o calor, tem então sua
temperatura interna aumentada. Esse aumento de temperatura interna é um
mecanismo importante para aumentar CAainda mais o metabolismo, aumentando
assim a temperatura corpórea, sem perder calor. O mecanismo de retroalimentação
positiva segue de modo tão intenso que, depois de pouco tempo, a temperatura
corpórea estará a 40-43ºC, temperatura esta que pode levar à desnaturação das
proteínas e morte.

TONTURAS E DESFALECIMENTO DEVIDO À DEFICIÊNCIA DE


SÓDIO

Ocorre em indivíduos não aclimatizados, que perdem grande quantidade de sódio no


suor, ou naqueles que não tiveram reposição salina adequada.

TONTURAS E DESFALECIMENTO DEVIDO À HIPOVOLEMIA


RELATIVA

Também chamada de síncope de calor, a superposição de trabalho muscular mais o


alto débito de sangue para a pele, diminui a pressão sistêmica média, que tende a
fazer com que o sangue retorne ao coração, havendo acúmulo de sangue na
periferia e diminuindo o retorno venoso. Em conseqüência, o débito cardíaco diminui,
à semelhança do que ocorre na síncope vaso-vagal. Observa-se pelo mecanismo
fisiopatológico que esta síncope pode ocorrer antes do organismo atingir
temperaturas extremas.

TONTURAS E DESFALECIMENTO DEVIDO À EVAPORAÇÃO


INADEQUADA DO SUOR

Pode ocorrer em indivíduos que estejam trabalhando em ambientes muito úmidos ou


sem ventilação. O indivíduo sente-se cansado e quente, piorando substancialmente
quando realiza um esforço físico, quando então a respiração se torna mais rápida;
há aceleração da freqüência cardíaca, podendo ocorrer desfalecimento.

34
DISTÚRBIOS PSICONEURÓTICOS

O desconforto e a diminuição da eficiência que acompanham o trabalho em área


quentes, favorece a descompensação de indivíduos que estejam em estado limítrofe
de saúde mental.

CATARATA

A catarata pode ocorrer após alguns anos de exposições à radiação infravermelha.


O mecanismo não é bem conhecido e pode-se dizer que a catarata é praticamente o
único efeito próprio do calor sobre o organismo, e não devido a respostas
fisiológicas.

6. SAÚDE E CALOR

A combinação de altas temperaturas (significativamente acima do normal) e umidade


relativa alta podem reduzir drasticamente a capacidade do corpo humano de manter
a sua temperatura interna correta. Exposições prolongadas em ambientes com
temperatura excessiva e umidade alta podem causar cãimbras, esgotamento, fadiga
térmica, e até danos ao cérebro – AVC (Acidente Vascular Cerebral ). Para alguns,
especialmente para os idosos e infermos o calor em excesso pode causar a morte.

O Índice de Calor (IC), também chamado de "Temperatura Aparente", é uma medida


de como a umidade associada à altas temperaturas reduz a capacidade do corpo
em manter-se frio. O IC é a sensação térmica que o corpo humano interpreta quando
a umidade e/ou temperatura fogem dos níveis normais. Por exemplo, se a
temperatura do ar é de 34°C, e a umidade é de 50% o efeito destas condições no
corpo eqüivale a uma temperatura de 39,5°C. A premissa para o cálculo do Índice de
Calor é que, a pessoa a ser avaliada, esteja á sombra, ao nível do mar, e com vento
de 10 km/h. Exposições ao sol podem aumentar o IC entre 3° e 8°C. Variações na
velocidade do vento normalmente tem pequeno efeito sobre o IC.

A tabela abaixo mostra a Temperatura Aparente (IC) com base na Temperatura do


Ar e a Umidade Relativa do Ambiente.

35
U.R. ( %) Temperatura do Ar (°C)
26 28 30 32 34 36 38 40
30 24,8 27,2 29,7 32,0 34,4 37,2 40,5 44,2
40 25,9 28,1 30,9 33,6 36,7 40,0 44,1 49,3
50 26,4 29,0 32,0 35,2 39,5 44,3 49,7 55,9
60 27,5 30,1 33,3 37,4 42,6 49,3 56,5 63,3
70 28,4 31,3 35,2 40,6 47,5 55,0 63,1 -
Temperatura Aparente (°C) - Índice de Calor

O grau de stress causado pelo calor pode variar com a idade, saúde, e
características do corpo. Abaixo estão listados alguns possíveis sintomas de stress
térmico associado a intervalos de Temperatura Aparente (IC).

Temp. Nível de
Síndrome de Calor ( sintomas)
Aparente Perigo
Possível fadiga em casos de exposição
27° – 32°C Atenção
prolongada e atividade física
Possibilidade de cãimbras ,esgotamento, e
Muito
32° – 41°C insolação para exposições prolongadas e
cuidado
atividade física
Cãimbras, insolação, e esgotamento
prováveis. Possibilidade de dano cerebral
41° – 54°C Perigo
(AVC) para exposições prolongadas com
atividade física.
Mais que Extremo Insolação e Acidente Vascular Cerebral
54°C Perigo (AVC) iminente

7. PRODUTIVIDADE E CALOR
As perdas na produtividade por excesso de calor foram analisadas pela NASA
(report CR-1205-1) veja tabela abaixo. O relatório conclui por ex. que quando a
temperatura da área de trabalho atinge 30°C a produtividade cai cerca de 20% e há
um aumento de 75% na freqüência de erros.

Temperatura (°C) 26 28 30 32 34 36 38 40
Produtividade (%) -6,5 -12,5 -20,0 -28,5 -39,0 -51,0 -64,5 -76,5
Freqüência de erros +3,5 +12 +75 +270 +550 > - -
(%) * +700

36
* Ex. se o nível de erros é 1/200 (0,5%) a 24°C o nível de erros passará para 3,7/200
( 1,85%) a 32°C

Este artigo foi compilado a partir das seguintes publicações:

Excessive Heat and Worker Safety – Universidade da Pensilvania

NASA Report CR- 1205-VOL-1 "Compendium of Human Responses to the


Aerospace Environment

8. EFEITOS DO CALOR AO ORGANISMO


O trabalho efetuado com exposição a altas temperaturas provoca fadiga intensa e,
consequentemente, a diminuição do rendimento normal do trabalhador, em razão do
maior desgaste físico e de perda de água e sais.

A medida em que há um aumento de calor no ambiente, ocorre uma reação no


organismo humano, no sentido de promover um aumento de perda de calor.
Inicialmente, ocorrem reações fisiológicas para promover a perda de calor, mas
estas reações, por sua vez, provocam outras alterações que, somadas, resultam
num distúrbio fisiológico.

Os principais mecanismos de defesa do organismo, quando submetido a calor


intenso, são a vasodilatação e a sudorese.

Se o aumento do fluxo de sangue na pele e a produção de suor forem insuficientes


para promover a perda adequada de calor, uma fadiga fisiológica pode ocorrer.

Os principais quadros clínicos causados por calor são: a exaustão do calor, a


desidratação, as câimbras de calor, o choque térmico e os problemas de pele.
Somente após 3 semanas de trabalho sob o calor, é que o trabalhador consegue a
aclimatação, tornando-se mais fácil e menos perigoso o trabalho em ambientes sob
altas temperaturas.

O controle médico do trabalhador deve ser rigoroso, principalmente, na fase de


aclimatação ( ou adaptação ) inicial, e também, após o retorno de férias ou após
qualquer afastamento por mais de 2 semanas, depois do que o indivíduo perde
totalmente a adaptação ao calor.

9. MEDIDAS DE CONTROLE
Além das medidas de controle ambiental, recomenda-se sempre a aplicação de
medidas relativas ao homem, de modo a se atenuar a sobrecarga térmica a curto
prazo. As medidas podem ser:

37
LIMITAÇÃO DO TEMPO DE EXPOSIÇÃO

Esta medida consiste em adotar um período de descanso, visando reduzir a


sobrecarga térmica a níveis compatíveis com o organismo.

Como se pode observar no índice analisado (IBUTG), a limitação do tempo de


exposição é medida de controle sempre presente. Quando os tempos de exposição
não forem compatíveis com as condições de trabalho observadas, deve-se promover
um reestudo dos procedimentos de trabalho, no sentido de determinar um regime de
trabalho-descanso que atenda os limites recomendados.

EXAMES MÉDICOS

Recomenda-se a realização de exames médicos admissionais com a finalidade de


se detectar possíveis problemas de saúde que possam ser agravados com a
exposição ao calor, tais como: problemas cardio-circulatórios, deficiências
glandulares (principalmente glândulas sudoríparas), etc.

Tais exames permitem selecionar um grupo adequado de profissionais que reúnem


condições adequadas ao trabalho. Exames médicos periódicos também devem ser
realizados com a finalidade de promover um contínuo acompanhamento dos
trabalhadores.

SORO HIDRATANTE:

É importante mencionar que em períodos de calor, o funcionário vai perder cloreto


de sódio pela transpiração, sendo necessário a sua re-hidratação, o que pode ser
feito ingerindo muita água e soro hidratante em doses adequadas, recomendadas
por médico.

10. ESTUDO DO ANEXO 03 DA NR-15 DA PORTARIA 3214/78 DO


MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO

38
RISCOS FÍSICOS – FRIO

1. INTRODUÇÃO

Em baixas temperaturas o corpo humano perde calor para o ambiente, baixando


a temperatura da pele e das extremidades; entretanto o mecanismo termo-regulador
atua de maneira a manter o equilíbrio homeotérmico do corpo. Se as perdas de
calor forem superiores ao calor produzido pelo metabolismo, haverá vasoconstrição
periférica na tentativa de evitar as perdas em excesso, o fluxo sanguíneo é reduzido
em razão direta de queda da temperatura, buscando o equilíbrio. Se, no enteneto a
temperatura do interior do corpo baixar de 35°C, ocorrerá uma redução de todas as
atividades fisiológicas: Haverá diminuição da taxa metabólica, queda na pressão
arterial, e consequentemente na frequência do pulso, entrando na fase do “tiritar”:
tremor incontrolável que busca através da atividade muscular, (contrações
musculares), a produção de calor para encontrar novamente o equilíbrio. Se a
produção de calor for insuficiente, a temperatura do núcleo do corpo continuará a
baixar, podendo o mecanismo termo-regulador perder sua capacidade, o que
ocorrerá abaixo de 29°C; as células cerebrais entrarão em depressão decrescendo
as atividades do sistema nervoso central. Este fenômeno é denominado hipotermia e
tem consequências graves podendo chegar ao estado de sonolência, coma e
posteriormente, a morte.

2. OCORRÊNCIAS

A exposição ocupacional ao frio é comum nas indústrias alimentícias, produtos


farmacológicos, bioquímicas, frigoríficos com atividades frequentes em câmaras
frias. As atividades que expõe o trabalhador às intempéries comoas minerações a
céu aberto, os trabalhos de manutenção de serviços de transmissão de energia
elétrica e telecomunicações executados em elevadas altitudes, e mesmo as

atividades na cidade ou no campo onde o trabalhador se expõe ao frio no inverno


em regiões de clima temperado, como por exemplo, no sudeste e sul do Brasil.

3. DOENÇAS CAUSADAS PELO FRIO

a) Ulceração do frio – Características: feridas, bolhas, rachaduras e necrose do


tecidos superficiais é uma das mais comuns reações do organismo a exposição
ao frio excessivo.

b) Enregelamento dos membros – Poderá chegar ao extremo de gangrena e


amputação dos membros.

39
c) Pés de imersão – Ocorre quando trabalhadores permanecemem longos
períodos com os pés imersos em água fria.

d) Outras enfermidades – A exposição ao frio pode propiciar o desenvolvimento de


outras doenças tais como as reumáticas, respiratórias e ataques cardíacos.

4. ACIDENTES

Consta que temperaturas inferiores a 18°C, segundo estudos desenvolvidos em


outros países, aumentam a estatística de acidentes, pois a tremedeira , o tiritar,
diminuem a destreza em operar equipamentos e manejar as ferramentas. Por outro
lado, o uso de luvas grossas e vestimentas pesadas contribuem para diminuir a
eficiência no trabalho, e a própria sensibilidade aos comandos do equipamentos
podendo também aumentar a ocorrência de acidentes.

5. AVALIAÇÃO DA EXPOSIÇÃO AO FRIO

Não existe na literatura brasileira informações precisas e objetivas em relação ao


frio, entretanto, segundo giampoli, o organismo humano chega a perder 8
kilocalorias por hora a 20°C e que a –10°C este valor é duplicado. Segundo o
mesmo pesquisador, os efeitos da exposição ao frio não obedecem à função linear,
mas a função quadrática em relação à esta. Podemos afirmar que a temperatura de
0°C com 6m/s de velocidade do ar, equivale a 10°C a uma velocidade do ar igual a
zero. Assim sendo, torna-se fundamental que se meça a velocidade do ar em
ambientes frios. O quadro abaixo nos fornece os efeitos da exposição ao frio,
mesmo que as pessoas estejam protegidas por vestimentas apropriadas.
Evidentemente para quem não esteja adequadamente protegido à exposição,
mesmo a temperaturas consideravelmente mais elevadas, seria inadmissível.

Temperaturas Movimentação de ar Efeitos físicos


Até –30 °C Fraca Não apresenta riscos significativos
De – 30 °C a – 50 °C Fraca Riscos de danos físicos ao homem
Menor que – 50 °C Fraca Risco de vida

6. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

Deverão ser empregados termômetro de bulbo seco (tbs), que tenham escalas
que atendam a faixa de temperatura do local a ser medido. Exemplo de –50°C a +
50°C, com subdivisão de 1,1 °C. O termômetro deverá dser afixado no tripé a altura
da parte do corpo mais afetada pelo frio.

40
7. MEDIDAS DE PROTEÇÃO CONTRA O FRIO

A produtividade humana depende da integridade funcional do cérebro e das


mãos do homem. Em ambientes frios, deve-se considerar o calor do corpo para
manter a temperatura cérebro ao redor dos 37 °C, assegurando a adequada
irrigação do sangue às extremidades.

Aclimatação

A adaptação gradativa do indivíduo ao frio fará com que seu organismo,


através da reação termo-reguladora se torne mais tolerante à sensação de frio,
conseguindo trabalhar com eficácia nos ambientes cujas atividades sem o devido
“treino” seria impraticável. A aclimatação ao trabalho fará com que as extremidades
do corpo do indivíduo exposto sejam irrigadas normalmente de sangue. Mantendo-
as aquecidas, sem o desconforto, que de outra maneira poderia ocorrer.

Vestimentas apropriadas

A vestimenta protetora visa evitar ou controlara perda de calor do indivíduo


para o meio, isto é, quanto maior for a diferença de temperatura entre a pele e o
ambiente, maior deverá ser o coeficiente de isolamento térmico da roupa.

As vestimentas de frio devidamente confeccionadas, permitem a saída do


excesso de calor , a retenção excessiva de calor , constitui um sério problema em
ambientes frios, pois o suor produzido se acumula nas roupas evaporando durante o
descanso e produzindo esfriamento.

Conclui-se que a quantidade de roupa a ser vestida em um ambiente frio,


deve ser determinada de forma a não criar problemas acima citados .

Exames Médicos pré – admissionais

Quando é realizada a seleção de profissionais para a execução de trabalhos


em câmaras frias, Devem-se excluir os portadores de diabetes, epilépticos,
fumantes, alcoólatras, aqueles que já tenham sofrido lesões devidas ao frio, os que
possuem “alergia” ao frio, os portadores de problemas articulares e os que tenham
doenças vasculares periféricas. Com esse controle, reduzem-se os índices de
doenças devidas ao frio.

Exames Médicos Periódicos

Objetiva-se esses exames detectar possíveis doenças que acometam os


trabalhadores em câmaras frias, tais como vasculopatias periféricas, rinites
faringites, sinusites e também a ocorrência de pneumonias.

41
Educação e Treinamento

Informar o trabalhador quanto a necessidade de do uso de vestimentas


adequadas e da troca das roupas e calçados quando estiverem úmidos, molhados
ou apertados. Quando na sala de repouso, manter-se quente, seco e em movimento,
realizando exercícios frequêntes com os braços, as pernas e os dedos dos pés, para
manter ativa a circulação periférica .
Nos intervalos de almoço, evitar exercício violentos, como jogos coletivos,
para não haver dispersão de calor excessivo, e para evitar choques térmicos
quando retornar ao trabalho.

8. REGIME DE TRABALHO
O trabalhador não deve permanecer por longos períodos em ambientes com
frio intenso. Recomenda-se períodos de trabalho intercalados por período de
descanso para regime de trabalho. O quadro a seguir apresenta o regime de
trabalho e descanso recomendado em função da temperatura de bulbo seco
(temperatura do ar) existente no ambiente frio.

Faixa de temperatura Máxima exposição diária permissível


de bulbo seco para pessoas adequadamente vestidas
para exposição ao frio
15,0 a –17,9 * Tempo total de trabalho no ambiente frio de 6(seis)
12,0 a –17,9 ** horas e quarenta minutos, sendo quatro períodos
10,0 a –17,9 *** de uma hora e 40 (quarenta), alternados com 20
minutos de repouso e recuperação térmica, fora do
ambiente frio.
-18,0 a –33,9 Tempo total de trabalho no ambiente frio de 4
(quatro) horas, alternando–se uma hora de
trabalho com uma hora para recuperação térmica
fora do ambiente frio.
-34,0 a –56,9 Tempo total de trabalho no ambiente frio de uma
hora, sendo dois períodos de trinta minutos com
separação mínima de 4 (quatro) horas para a
recuperação térmica fora do ambiente frio.
-57,0 a –73,0 Tempo total de trabalho no ambiente de 5 (cinco)
minutos, sendo o restante da jornada cumprida
obrigatoriamente fora do ambiente frio.
Abaixo de -73,0 Não é permitido exposição ao ambiente frio, seja
qual for a vestimenta usada.

42
* Faixa de temperatura válida para trabalhos em zona climática quente, de acordo com o mapa oficial do IBGE.
** Faixa de temperatura válida para trabalhos em zona climática sub-quente, de acordo com o mapa oficial do IBGE.
*** Faixa de temperatura válida para trabalhos em zona climática mesotérmica, de acordo com o mapa oficial do IBGE.

RISCOS FÍSICOS - VIBRAÇÕES

1. INTRODUÇÃO
Embora não seja tão comentada ou estudada, a exposição ocupacional à
vibração também é uma grande matéria para pesquisa e atuação dos Higienistas,
uma vez que a sua ocorrência na indústria é tão frequente quanto qualquer outro
agente ambiental. Os efeitos no organismo provenientes da exposição ocupacional a
este agente são consideráveis, o que reforça a necessidade de avaliação e controle.
Na prática, a exposição à vibração é estudada de duas formas, isto é, vibarções de
corpo inteiro e vibrações localizadas (mão/braço).

Ao contrário de muitos agentes ambientais, a vibração só será problema quando


houver efetivo contato físico entre um indivíduo e a fonte, o que auxilia no
reconhecimento da exposição. Em termos industriais, esse tipo de ex´posição é
muito frequente, sempre que um indivíduo estiver situado sobre uma com excesso
de vibração ou operando equipamentos ou veículos pesados. A seguir serão
apresentados os critérios de avaliação, instrumentos de medição, principais
ocorrências , bem como comentários de casos práticos.

2. OCORRÊNCIAS
Por ser um assunto com pouca divulgação e procura, é fundamental que se
apresente, antes de mais nada, alguns exemplos de ocorrências dessa exposição,
para melhor situar o aluno sobre como se manifesta na prática este risco ambiental,
bem como eliminar quaisquer deduções com relação a casos nos quais se imagina
que há excesso de vibração e na verdade a mesma nem chega ao limites de
detecção dos aparelhos de medição. Nas tabelas 1 e 2 são dados exemplos de
ocorrências comuns de exposição a vibração de corpo inteiro, retiradas de duas
referências internacionais.

Antes de se preocupar em como medir, como interpretar, deve ser


compreendido o que esta se lidando. A vibração é um movimento oscilatório de um
corpo, devido a forças desequilibradas de componentes rotativos e movimentos
alternados de uma máquina ou equipamento. Como todo corpo com movimento
oscilatório um corpo que vibra descreve um movimento periódico, que envolve um
deslocamento num certo tempo. Dai resulta a velocidade, bem como a aceleração
do movimento em questão. Outro fator importante é a frequência desse movimento,
isto é, o número d ciclos (movimentos completos) realizado num período de tempo.
No caso de ciclo por segundo. Utiliza-se a unidade Hertz (Hz).

43
Todo o corpo pode ser interpretado como um sistema mecânico (massa e
mola por exemplo), lembrado-se que na prática, existe também o amortecimento.
Assim todo o corpo possui uma frequência natural de oscilação, podendo ser
quantificada com um pequeno estímulo no sistema, no entanto este corpo poderá
esta sujeito a forças externas, vibrações de outras fontes, que podem entrar em
contato com o mesmo. As vibrações externas possuem também frequências. Se
chamarmos a frequência da vibração externa a um corpo de frequência de
excitação, haverá um fenômeno de ressonância quando a frequência de excitação
se igualar a frequência natural, resultando num crescente aumento de
transmissividade de movimento, que em condições severas chega a ser destrutivo
para o corpo em questão.

No caso de exposição humana à vibrações, dentre outros fenômenos


envolvidos, como a simples transmissão de movimentos ao corpo ou parte dele, um
caso particular a ser salientado é a possibilidade de ressonância entre frequência de
excitação da fonte de vibração (Veículos, equipamentos, etc) e algumas partes do
corpo humano.

3. RESPOSTA A VIBRAÇÃO
A vibração de uma máquina é causada pelo movimento de sues
componentes. Cada componente em movimento possui uma determinada
frequência, o que faz com que a vibração global transmitida ao corpo humano em
contato com uma máquina, constituída de diferentes frequências ocorrendo
simultaneamente. Isto é um fator importante a ser considerado para a avaliação da
vibração, pois, por outro lado o corpo humano não é homogeneamente sensível as
frequencias da vibração.

Para uma melhor compreensão de como o corpo humano é mais sensível a


determinadas faixas de frequências de acordo com segmentos corporais, utiliza-se
um modelo mecânico simplificado, que mostra as faixas de frequências naturais de
partes importantes do corpo, Conforme ilustrado no quadro a seguir (quadro I).
Deve ser ressaltado que, dada um frequência de excitação, a ressonância irá ocorrer
quando esse valor se igualar à frequência natural do corpo a qual ela se transmite.
TABELA I

Industrias européias com evidencias clínicas de sobreposição


ocupacional a vibração de corpo inteiro
Industria/atividade Principais fontes de vibração
Agrigultura Operação de tratores
Construção civil Operação de veículos pesados
Florestagem Operação trator/off-road
Mineração Veículos pesados off-road
Transportes Veículos – motorista e passageiros

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TABELA II

Exposições potencias à vibração nas industrias americanas

Tipo de indústria ou atividade Principais fontes de vibração


Dirigir caminhão/ônibus Movimento do veículo
Operação de equipamentos pesados Scrapers, carregadeiras, etc
Operação de trator e máquina agrícola Tratores, colheiradeiras
Fundição Empilhadeiras, ponte rolante
Operação de empilhadeira Movimento do veículo
Operação de ponte rolante Movimento da ponte
Refino de metal Empilhadeiras, pontes rolantes,
caminhões
Pedreira Máquinas e veículos pesados
Mineração subterrânea/ ar livre Máquinas e veículos pesados
Indústria Gráfica Máquinas gráficas
Florestagem Máquinas e veículos pesados

4. EFEITOS NO ORGANISMO

De acordo com estudo NIOSH de 1979 sobre vibrações de corpo inteiro, a


população potencialmente exposta de motoristas de caminhão foi estimada em
quatro milhões. O estudo epidemiológico durou dois anos e considerou um total
de 3205 motoristas de caminhão interestduais. O grupo de controle foi formado
por 1137 contolradores de tráfego aéreo (grupo sedentário). As vibrações podem
estar parcialmente vinculadas a certas deseordens musculoesqueletais,
digestivas e circulatórias entre os expostos com mais de 15 anos de serviço.

Os motoristas estão mais pré dispostos ou propensos ao desenvolvimento de


síndromes dolorosas de origem vertebral, deformações da espinha,
estiramentos e mau- jeitos, apendicites, problemas estomacais e hemoroidas.
Todavia, posturas forçadas, manuseio de carga e maus hábitos alimentares não
podem ser descartados como causas das desordens. Outros estudos em
laboratório mostraram grande relação causal com desordens gratrointestinais
(testes com animais) e uma cadeira vibratória usada como simulador em testes
com motoristas revelou que a vibração causa desconforto e pod interferir com a
destreza de comando manual e a acuidade visual.

Os prováveis efeitos fisiológicos causados são:

a) Atividade muscular/postura – Na faixa de 1 a 30Hz, os avaliados encontram


dificuldade para manter a postura, bem como um aumento de balanço postural.

45
Há também uma tendência á lentidão de reflexos na extensa faixa de frequências
entre10 e 200 Hz.

b) Efeitos no sistema cardiovascular – em frequências inferiores a 20 Hz, ocorre


um aumento da frequência cardíaca, durante à exposição a vibração. Parece
resultar uma resposta vaso constritora periférica em testes com humanos e
animais, para níveis moderados de vibração.

c) Efeitos cardiopulmonares – Aparentemente existem alterações nas condições


de ventilação pulmonar e taxa respiratória com vibrações da ordem de 4,9 m/s²
(134dB) na faixa de 01 a 10 Hz.

d) Efeitos metabólicos e endocrinológicos – Foram observadas alterações na


bioquímica urinária e sanguínea, como uma reação genérica em humanos e
animais.

e) Efeitos no sistema nervoso central - um estudo polonês sobre trabalhadores


agrícolas e florestais descreveu os efeitos do que se chamou “vibration sickness”
: 1) O primeiro estágio caracteriza-se por náuseas, perda de peso, redução da
acuidade visual, insônia, desordens no labirinto, etc. 2) num segundo estágio as
dores se intensificam, mais concentradas no sistema muscular e osteoarticular.
Exames em trabalhadores revelam atrofia muscular e lesões tróficas na pele.
Considera-se difícil determinar o exato momentoem que as alterações
patológicas ocorrem, devido especialmente à variabilidade de sensibilidade
(suceptibilidade) individual à vibração.

f) Efeitos no sistema gastrointetinal – Foi realizada uma série de estudos


laboratoriais utilizando macacos , com o esforço conjunto entre o NIOSH e USAF,
nesses estudos, os macacos foram submetidos a uma vibração vertical de corpo
inteiro com 1,5 g de pico de frequência de 12 Hz, por cinco horas dia/semana,
num total de 130 horas. Os resultados das necrópsias indicaram uma fadiga
generalizada, lesões e sangramentos grastrointestinais em dez animais expostos
e nenhum efeito notado nos 13 animais do grupo de controle. Foram obtidos
resultados similares em outras pesquisas. São citados ainda efeitos com enjôo,
bem como várias situações que causam desconforto (efeitos no desempenho do
trabalho).

5. ASPECTOS DE CONTROLE
Uma vez que detectada uma sobre exposição a vibrações, deve-se buscar
soluções para o controle da exposição. As alternativas principais são duas:

a) Redução do nível de vibração gerado ou transmitido;


b) Redução do tempo de exposição à vibração.

Desde já salienta-se que não é tão simples e fácil obter grandes reduções nos
níveis de vibração gerados. Porém em alguns equipamentos pose ser conseguido
relativo sucesso através de manutenção, ajustes e até mesmo reprojeto.

46
Pode-se buscar a redução da vibração transmitida, no caso de corpo inteiro,
através de melhorias nos assentos de veículos (amortecedor, revestimento com
atenuação), por exemplo. Outra alternativa consiste na redução do tempo de
exposição, por funcionário ou seja, otimizar o trabalho, providenciar pausas,
promover o rodízio de funcionário em cada atividade etc.

RISCOS FÍSICOS - PRESSÕES ANORMAIS

1. ALTA PRESSÃO
A Terra na qual vivemos se encontra rodeada por uma massa de ar que se
estende desde sua superfície até uma altura de 80 quilômetros.
Comprovado que o ar tem peso, exerce portanto uma pressão sobre a
superfície da terra e sobre todos os objetos que nela se encontram.
A pressão exercida por essa massa de ar ou pela atmosfera é denominada de
pressão atmosférica, que pode ser definida como:
 A pressão exercida pela atmosfera terrestre em qualquer ponto da mesma, e
que é igual ao produto da massa da coluna de ar que tem por base a unidade
de área, no ponto dado, pela a aceleração da gravidade, no mesmo ponto,
cujo valor ao nível do mar é de 760 mm Hg.
0 ar, como visto no capítulo Poluição Ambiental, está composto por vários
gases, entre os quais encontramos o oxigênio, nitrogênio e outros em menor
proporção.
Existem mudanças na pressão atmosférica quando se escala uma montanha
ou se mergulha.
Os trabalhadores, seja em operações em baixa ou alta pressão,
experimentam mudanças sensíveis no seu organismo, podendo o ser humano
tolerar variações dentro de uma determinada faixa.

A Lei de Dalton ou lei das pressões parciais determina que a pressão parcial
de qualquer gás que se encontre em uma mistura é igual ao produto da pressão total
pela percentagem do gás nessa mistura.
A pressão parcial pode ainda ser definida como:
 Numa mistura de gases ideais, pressão que cada gás teria se ocupasse,
isoladamente e na mesma temperatura, todo o volume da mistura.
Em alturas acima do nível do mar a pressão do ar é menor que na sua
superfície, sendo portanto menor a pressão parcial do oxigênio neste contido.
Na Tabela 1, podem ser observados os valores de pressão, acima e abaixo
do nível do mar, ponto este já mencionado e adotado como referência.

47
Tabela 1
Altura ou Pressão parcial do
profundidade Pressão total Pressão total oxigênio para
2
abaixo do nível do (mm Hg) (lib/pol ) mistura normal
mar (pés) (mm Hg)
45.000 111 2,15 23,3
40.000 144 2,79 30,2
30.000 223 4,3 46,7
20.000 349 6,8 73,1
15.000 424 8,2 88,8
10.000 523 10,1 110
5.000 632 12,2 132
Nível do mar 760 14,7 159
100 abaixo 3040 58,8 637
200 abaixo 5320 103 1115
300 abaixo 8360 162 1751
Os dados apresentados na tabela assumem água pura, cuja pressão, na
profundidade de 33 é de 1 atm.

1 pé = 0.3048 m
1 lib/pol2 = 0.07031 kg/cm2

Fonte: Principles of Pressure Condifions. H. Prestley.

2. AMBIENTES SOB ALTAS PRESSÕES


As pressões superiores às registradas ao nível do mar podem ser
encontradas em processos de mergulho e em certos tipos de construção submarina.
Quando da construção de túneis ou em operações sob o nível do mar, para
evitar a penetração de água, mantendo conseqüentemente estanque o local de
trabalho, deve-se proceder à pressurização do ambiente. Outro exemplo é o
representado pelas câmaras hiperbáricas, nas quais se efetuam atividades médicas,
sob elevadas pressões atmosféricas.

A lei de Dalton ou das pressões parciais, já mencionada, aplica-se também


aos locais submetidos a altas pressões.
As pressões que se registram sob o nível do mar, dependendo da densidade
da água, aumentam em aproximadamente 1 atm a cada 33 pés (0,90 m).
A água salgada tem uma densidade ligeiramente maior que a água pura.

Se imaginar um operário trabalhando em um túnel pressurizado, localizado a


33 pés abaixo da superfície, este se encontrará submetido a uma pressão total de 2
atm.
Neste caso verifica-se que se a pressão na superfície, ou ao nível do mar, é
de 1 atm, deverá ser acrescentada a pressão devida à profundidade.

48
Uma outra lei que deve ser aplicada no caso das operações supra
mencionadas é a Lei de Henry, que estabelece que os gases podem dissolver-se em
fluidos que se encontram sob altas pressões.
Quando a pressão na qual o fluido se encontra exposto é diminuída, o gás
que eventualmente se encontra com ele misturado escapa formando pequenas
borbulhas.
A taxa de oxigênio permitida, conforme a lei de Dalton, aplica-se também aos
locais submetidos a elevadas pressões.

Se ar submetido a pressão atmosférica é bombeado sob pressão para um


mergulhador, deverá proceder-se à redução do oxigênio existente no citado ar, se o
mergulhador estiver a uma profundidade de 65 pés (19,6 m).
Em profundidades maiores, o controle do conteúdo de oxigênio apresenta
sérias dificuldades devido aos limites serem muito pequenos, e ao enriquecimento
das misturas em níveis superiores aos existentes ao nível do mar, além dos perigos
de incêndio.
Um outro problema é o correspondente aos gases inertes ou nobres utilizados
nas misturas de ar insuflado para os trabalhadores que desempenham tarefas sob a
superfície do mar.
0 nitrogênio é amplamente utilizado para evitar a formação de misturas
explosivas. Em unidades que manuseiam produtos inflamáveis, o nitrogênio é
utilizado para remover o ar dos equipamentos antes que os gases ou vapores
inflamáveis sejam introduzidos, ou removidos antes que se permita a entrada de ar.
Não existe dúvida que, sem o emprego do nitrogênio ou outros gases inertes,
muitos acidentes graves teriam ocorrido, como incêndios ou explosões. Entretanto
tem-se pago um preço elevado pelos benefícios deste gás, já que muitas pessoas
tem sido asfixiadas ao trabalhar com esta substância.
0 termo "gás inerte", acima utilizado, no que respeita ao uso do nitrogênio, é
enganador. Ele sugere um gás inofensivo. 0 nitrogênio não é inofensivo. Se uma
pessoa entra numa atmosfera com quantidade excessiva deste gás, pode perder a
consciência, sem qualquer sintoma de advertência ou aflição, num tempo inferior a
20 segundos, e a morte pode seguir em 3 ou 4 minutos.
Para evitar problemas com este gás, devem ser utilizadas conexões
diferentes para o ar e o gás. Coloquemos o exemplo de uma caixa de água na qual
será efetuado um serviço de manutenção. Como a atmosfera do local durante a
realização dos trabalhos não é adequada, a pessoa que vai fazer o trabalho deveria
utilizar uma máscara com ar de insuflamento. Após algum tempo o operador
desmaiou. Verificações posteriores demonstraram que manobras erradas, neste
caso particular, contaminaram o sistema com uma elevada quantidade de nitrogênio.
0 nitrogênio possui efeito narcótico, produzindo euforia, sonolência e
fraqueza, denominando-se este efeito de narcose devida ao nitrogênio.
Em mergulhos profundos, este gás às vezes é substituído pelo hélio, outros
gás inerte, cujos efeitos podem manifestar-se em profundidades bem maiores,
podendo ainda apresentar outros problemas, como nas comunicações e transmissão
do calor.
A eventual utilização de outros gases deverá ser convenientemente estudada,
para evitar quaisquer efeitos adversos.

49
Quando o operador voltar para a atmosfera normal, daquela na qual foi
efetuado o trabalho, podem-se apresentar algumas perturbações denominadas
doenças ou perturbações devida à descompressão.
Borbulhas ou embolia (de êmbolo), efeito devido à massa sólida, líquida ou
gasosa veiculada pelo sangue, e com dimensões suficientemente grandes, poderá
ser detida, causando obliterações no sistema vascular. Estas borbulhas poderão
formar-se nos tecidos ou no sangue. Conforme a massa destas borbulhas, elas
podem interromper o fluxo sanguíneo direcionado para o coração ou pulmões.
Na Norma NR-15, podem ser verificados não somente a forma de se evitar os
perigos acima mencionados, como algumas definições relativas a ambientes de
trabalho, como câmaras de trabalho, de recompressão, campânulas, esclusa de
pessoal, tubulão de ar comprimido e túnel pressurizado, além dos relativos aos
profissionais e respectivos conhecimentos, para cumprir estritamente não somente
com suas funções, como para salvaguardar sua própria saúde.
Esta norma é bem explícita quanto à forma de como deve ser efetuado um
trabalho sob pressão de ar comprimido. A norma especifica que o trabalhador não
poderá ou não deverá:

1. Sofrer mais de uma compressão dentro de um período de 24 horas;


2. Ser exposto a uma pressão superior a 3,4 kg/cm2 exceto em caso de
emergência;
3. Trabalhar por um período superior a 8 horas em pressões de trabalho de 0
a 1,0 kg/cm2
4. Exceder de 6 horas em pressões entre 1,1 a 2,5 kg/cm2 e de 4 horas
quando trabalhando sob pressões entre 2,6 e 3,4 kg/cm2

Após a efetivação do correspondente e obrigatório período de


descompressão, o trabalhador deverá permanecer como mínimo durante 2 horas
submetido a observação médica.
A faixa etária é outro fator a ser considerado nos trabalhadores que executam
funções em ambientes com alta pressão, devendo as idades encontrarem-se entre
18 e 45 anos.
Como em qualquer outra profissão que possa apresentar problemas futuros
de saúde, deverá ser exercido um rigoroso controle médico. Nos trabalhadores que
realizam atividades com ar comprimido, deverá ser realizado um rigoroso controle
médico antes e depois da execução do trabalho. 0 exame inicial deverá verificar
possíveis problemas que afetem as vias respiratórias ou eventuais sinais de
intoxicação etílica.

50
Cuidados

Um correto treinamento é imprescindível para que o operário se conscientize


e conheça perfeitamente os riscos da sua atividade, como as exigências e limitações
proprias e também do equipamento que utiliza:

Encontram-se entre as exigências, limitações, conhecimentos, os seguintes fatores:

1. Ventilação;
2. Qualidade do ar;
3. Compressão;
4. Velocidade de redução da pressão;
5. Deveres do mergulhador;
6. Deveres e obrigações das equipes de mergulho;
7. Procedimentos de emergência;
8. Condições hiperbáricas e perigosas;
9. Tratamento de casos de doença descompressiva.

Quanto aos médicos do trabalho, engenheiros, supervisores ou encarregados


das equipes ou de somente um mergulhador, deverão realizar, conhecer e exigir:

1. Análise das misturas respiratórias artificiais e percentagens de gases a


serem enviados ao mergulhador;
2. Conhecimento dos padrões de descompressão e conseguintes tabelas;
3. Diagnóstico prematuro de casos de asfixia e embolia gasosa,
4. Corretas anotações nos respectivos livros de registro;
5. Realização de exames médicos que devem incluir exames de
biometria,aparelho circulatório, digestivo, genito-urinário e sistema endócrino, bem
como outros tendentes a verificar os padrões psicofisicos necessários na admissão
dos candidatos para realização de atividades de mergulho.

3. BAIXA PRESSÃO

Consideram-se ambientes submetidos a baixa pressão aqueles que possuem


uma pressão menor que a existente ao nível do mar.
Da mesma forma explicada anteriormente, também para as pessoas que se
encontrarem em ambientes submetidos a baixa pressão, deverá ser aplicada a Lei
de Dalton ou das pressões parciais. Sabe-se que a pressão parcial do oxigênio afeta
a capacidade das células vermelhas do sangue de efetuar o transporte deste gás
através do corpo.
As células contém hemoglobina, que é um pigmento proteínico ferruginoso, e
que tem como função fixar o oxigênio levado aos tecidos. Também absorve dióxido

51
de carbono, que é liberado quando chega aos pulmões, sendo posteriormente
exalado.
A percentagem de células vermelhas que realizam esta função é de 97%.
A percentagem de 97% de células vermelhas, quando submetidas a baixas
pressões diminui, afetando portanto o transporte de oxigênio, existindo neste caso
uma reação contrária do corpo, que se manifesta através de um aumento da
respiração e do ritmo cardíaco.
Esta diminuição no transporte de oxigênio afeta o metabolismo das células,
levando à anoxia ou hipoxia.
Um dos sintomas é o constituído pela perda da visão noturna, começando sua
manifestação a partir de uma altura de 1800 m. Acima desta, começa a perda parcial
de memória, julgamento e coordenação, euforia, sincope e morte.
A forma mais comum de realizar o controle deste efeito é manter a pressão
parcial de oxigênio o mais perto possível do valor normal ao nível do mar, o que
pode ser feito ou aumentando a pressão total ou o oxigênio no ar de respiração.

52
RISCOS FÍSICOS - RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES
1- INTRODUÇÃO
O espectro eletromagnético é um conjunto de todas as formas de energia
radiante. Em sua forma mais simples, a radiação eletromagnética consiste em ondas
elétricas vibratórias que se transladam no espaço acompanhadas por um campo
magnético vibratório, com as características de um movimento ondulatório. As
características das radiações eletromagnéticas são possuir freqüência, comprimento
de onda e energia. A radiação eletromagnética pode atuar como partículas discretas
de energia.

O espectro eletromagnético engloba desde radiação ionizante de grande


energia, com freqüências elevadas e comprimento de ondas menores, a radiações
não –ionizantes, com baixas frequências e comprimentos de onda maiores. A região
não-ionizante do espectro eletromagnético é aquela onde a energia das partículas
incidentes é insuficiente para desalojar elétrons dos tecidos do corpo humano. À
medida que diminui o nível de energia das partículas incidentes, cessa a ionização.

As radiações não-ionizantes englobam: Radiação ultravioleta, radiação visível


e infravermelha, laser, microondas e radiofrequências. Podem incluir os ultra-sons, já
que os riscos produzidos por eles são similares aos da radiação não–ionizamte,
devido a sua natureza ondulatória e alta freqüência.

2 – EFEITOS NO ORGANISMO
Radiação ultravioleta: Quando incidentes sobre o organismo, podem ser remetidas,
transmitidas ou absorvidas e produzir reações fotoquímicas e efeito biológico do tipo
térmico. O grau de penetração da R- UV depende do comprimento de onda e do
grau de pigmentação da pele; com relação aos olhos são absorvidas pela córnea e
cristalino. As radiações UV-B e C penetram unicamente na epiderme e as UV-A
podem atingir a derme, podendo chegar a produzir lesões em terminações nervosas.
Os efeitos das R-UV podem ser escurecimento da pele, eritemas, pigmentação
retardada, interferência no crescimento celular, perda da elasticidade da pele,
queratose actínica e até mesmo câncer de pele. A ação mais frequênte das R-UV
sobre os olhos é a fotoqueratose.

Radiação visível; Engloba a região do espectro entre 400 e 750 nm, podendo ser
remetida, transmitida ou absorvida pelo organismo, produzindo efeitos fotoquímicos
térmicos. A exposição aos altos níveis de brilho pode produzir perda da acuidade
visual, fadiga ocular e ofuscamento.

Radiação infravermelha: engloba parte do espectro, desde a luz visível até as


microondas e devido a seu baixo poder energético e produz unicamente efeitos
térmicos. As lesões pela exposição a esta radiação podem aparecer na pele e nos

53
olhos, causando queimaduras e aumento da pigmentação da pele, lesões e
opacidade na córnea.

Microondas e radiofrequências: Possuem poder energético muito baixo, mas uma


capacidade de penetração grande, produzindo no interior no da matéria campos
magnéticos com efeitos térmicos. As microondas se encontram na região do
espectro eletromagnético entre 1 e 1000 nm e as radiofrequências entre 1 e 3m, e
seus efeitos no organismo dependerão da capacidade de absorção da matéria e da
intensidade dos campos elétricos e magnéticos que se produzem no seu interior;
em geral existirá um aumento da temperatura corporal que dependerá de qual parte
do corpo foi exposta. De maneira geral, quanto maior a freqüência, menor será o
perigo. As microondas superiores a 3000 mHz são facilmente absorvidas pela a pele
e as de menor freqüência podem penetrar na superfície externa da pele.

Laser: A palavra laser é um acrônimo de Light Amplification by Stimulated Emission


of Radiation. As emissões estimuladas produzem uma superposição de ondas,
resultando outra onda perfeita, muita estrita e de larga duração. Existe quatro tipos
de classes de lasers, segundo o possíveis perigos, sendo os de classe I menos
perigosos que os de classe IV. Os riscos em operações com lasers dependem do
tipo de laser e das características do entorno de trabalho. Os riscos da radiação
laser estão limitados aos olhos, variando os efeitos adversos produzidos em
diferentes regiões espectrais. Mesmo assim podem atingir de maneira pequena a
pele.

3 - OCORRÊNCIAS
1- Radiações ultravioletas: A principal fonte natural é o sol e as artificiais são as
lâmpadas de vapor de mercúrio, de hidrogênio e deutério, arcos de soldagem,
lâmpadas incandescentes, fluorescentes e mistas.
2- Radiação visível: Podem ser de origem natural (sol) e artificial (lâmpadas e
corpos incandescentes, e arcos de soldagem, tubos de néon, fluorescentes,
entre outros).
3- Radiação infravermelha: A principal fonte natural é o sol e dentre as artificiais
podemos citar os corpos incandescentes e superfícies muito quentes, as
chamas as lâmpadas incandescentes, fluorescentes ou descarga de alta
intensidade.
4- Microondas e radiofreqüência : A radiação de microondas e radiofreqüência
de produz de forma natural, principalmente pela eletricidade atmosférica , que
é estática , embora de intensidade muito baixa. As fontes de MO e RF
artificiais podem estar presentes nas estações de rádio e televisão, radares e
sistemas de telecomunicação, além de fornos microondas e equipamentos
utilizados em processo de soldagem, fusão e esterilização.
5- Laser; Os equipamentos a laser são utilizados no tratamento de doenças e
em cirurgias

54
RISCOS FÍSICOS – RADIAÇÃO IONIZANTE

1. GENERALIDADES
0 vocábulo radiação evoca a bomba atômica, os acidentes ocorridos em
usinas nucleares, somando-se o espectro do câncer.
Se pensarmos mais a respeito da radiação estaríamos mais propensos a
tratar de compreendê-la objetiva e construtivamente.
Quando as pessoas são inquiridas acerca das fontes de informação,
usualmente são citados jornais, revistas, televisão e outras, que raramente tratam de
educar, enfatizando unicamente os perigos relativos a essa forma de energia.
Muitas vezes não conseguem distinguir o significado de uma exposição
médica a um agente radioativo de uma industrial ou daquelas que se encontram no
ambiente natural.
No presente capítulo tratar-se-á de levar ao conhecimento do leitor os
conceitos relativos à radiação, seus efeitos, sua medição e os controles necessários
para efetuar a devida proteção preventiva.
Deve-se partir da premissa que nem tudo possui segurança absoluta em
qualquer tipo de atividade humana.
A utilização correta da radiação devida à ionização implica nos mesmos riscos
que os concernentes à atividade diária desenvolvida por qualquer pessoa,
independentemente de sua ocupação.
Devido ao fato de que ninguém se encontra livre da exposição à radiação
ionizante, considera-se óbvio adquirir alguns conhecimentos relativos à radiação e
seus efeitos, depositando a mais absoluta confiança naqueles que, através de um
profundo conhecimento sobre esta energia, nos conduzem a realizar uma melhor
compreensão da sua utilidade e limitações.
Tratando-se de radioatividade, obviamente deve-se admitir que ela existe e
que forma parte de nossa vida. Conforme definição encontrada nos dicionários,
define-se radiação como: qualquer dos processos físicos de emissão e propagação
de energia, seja por intermédio de fenômenos ondulatórios, ou mediante partículas
dotadas de energia cinétíca.
A citada definição não estabelece o tipo de fonte de radiação, determinando
unicamente que se trata de um processo físico, concluindo que provém de alguma
fonte emissora de ondas.
Para melhor ilustrar, vejamos, que acontece quando um pedaço de madeira é
lançado num lago.
Imediatamente ao lançamento formam-se ondas que se deslocam conforme
anéis concêntricos.
Estes anéis formam ondas que constituem uma forma de radiação.
A agitação produzida representa alguma forma de energia transmitida à peça
de madeira, que se manifesta na forma de radiação, que constitui qualquer um dos
processos físicos de emissão e propagação de energia, seja por intermédio de
fenômenos ondulatórios, seja por meio de partículas dotadas de energia cinética.

55
A agitação mencionada tem como centro inicial o ponto de impacto, dirigindo-
se em todas as direções. Quando a onda alcança a peça de madeira, a eleva até
sua parte superior.
As ondas de água constituem uma forma de radiação.
A idéia é similar para outros tipos de onda, e desta partiremos para o estudo
do tema deste capítulo.
Existe uma característica particular em todo tipo de radiação que ajuda na sua
identificação e permite descreve-la.
É o que se denomina comprimento ou longitude de onda, isto é, a distância
entre a crista de uma onda e a nova que irá formar-se.
Os comprimentos de onda variam desde centímetros até milhares de metros.
O termo radiação é de caráter geral, sendo que alguns dos diferentes tipos
específicos serão posteriormente citados.
Embora não é mister um profundo conhecimento sobre átomos, moléculas,
elétrons e outros fenômenos científicos, o presente tema será desenvolvido para
compreensão daqueles que necessitem de uma informação superficial, embora
correta, ou para aqueles que por necessidade de suas funções se encontrem
diariamente em contato com este tipo de energia radiante.
Existe outro tipo, denominado de radiação eletromagnética, que é a energia
eletromagnética que se propaga sob a forma de ondas e que possui algumas
características similares, encontrando-se a principal diferença nos comprimentos de
onda.
Começaremos pelo ponto mais alto da escala, com as ondas de
radiotransmissão, que possuem o maior comprimento de onda e abrangem
comprimentos situados entre poucos centímetros até milhares de metros.
Posteriormente encontram-se as microondas e infravermelhas ou de calor
devido à radiação.
Depois está a luz visível, com diversas cores e que possui diferentes
comprimentos de onda, usualmente na faixa de milhares de metros, estendendo-se
desde a luz ultravioleta visível até a invisível, esta última associada às queimaduras
do sol e conseqüentes efeitos sobre a pele.
Depois encontram-se os Raios X, que possuem comprimentos de onda
curtos, e logo após os raios Gama, ainda com menor extensão.
Finalmente encontram-se os raios cósmicos, gerados por partículas
procedentes do exterior da atmosfera terrestre.
Entre os diversos tipos de radiação encontram-se:

Radiação eletromagnética - Não ionizante

- Rádio
- Microondas
- lnfravermelhas (calor)
- Luz visível (cor)
- Vermelha
- Alaranjada
- Amarela
- Verde
- Azul

56
- Violeta
- Ultravioleta

Radiação electromagnética ionizante

- Raios X
- Raios Gama
- Raios Cósmicos

Partículas Atômicas de Radiação Ionizante

- Raios Beta
- Raios Alfa
- Nêutrons

Radioatividade: Propriedade que têm alguns nuclídeos de emitir


espontaneamente partículas ou radiação eletromagnética, e que é característica de
uma instabilidade dos seus núcleos.

2- UNIDADES DE MEDIDA
Várias são as formas de efetuar a medição da radiação ionizante, seja
conforme suas caraterísticas físicas, seus efeitos biológicos ou por conversão das
medições físicas em unidades de efeito de caráter biológico.
Pode-se dizer que "dose" é a medida da quantidade de energia procedente da
radiação ionizante depositada na massa de um determinado material.
A "dose" é afetada pelo tipo de radiação, por sua quantidade e pelas próprias
caraterísticas físicas do material.
As doses absorvidas são geralmente medidas em unidades Rads (Grays) e
as equivalentes em Rems (Sieverts).

Roentgen

É uma unidade usada para medir a quantidade denominada de exposição.


Pode ser usada para descrever uma quantidade de Raios Gama e Raios X,
existentes somente no ar.
Um Roentgen é igual à precipitação de 2,58 x 10 -4 Coulombs por quilograma
de ar seco.
É a medida da ionização das moléculas de uma massa de ar.
A vantagem principal desta unidade é a possibilidade de ser medida
diretamente, com o agravante de serem medidos unicamente Raios X e Gama.

Rad (Dose de radiação absorvida)

É a unidade usada para medir a dose absorvida.

57
Determina a quantidade de energia realmente absorvida por um determinado
material, sendo usada para qualquer tipo de radiação ou material.
Define-se como a absorção de 100 Ergs por grama de material.
Erg: Unidade de medida de energia do sistema c.g.s., energia igual ao
trabalho de urna força, de intensidade constante igual a um dina, que desloca de um
centímetro, na sua própria direção, o seu ponto de aplicação. Um Erg é igual a 10 -7
Joules.
Dina: Unidade de medida de força no sistema c.g.s., igual a 105 Newtons.
Newton: Unidade de medida de força do Sistema Internacional de Unidades:
a força que, agindo sobre um corpo de massa igual a um quilograma, lhe atribui a
aceleração constante de um metro por segundo quadrado na direção da força.
0 Rad pode ser usado para qualquer tipo de radiação, não descrevendo,
porém, os efeitos biológicos das diferentes radiações.

Rem (Equivalente Roentgen no homem)

Esta unidade é usada para deduzir um parâmetro denominado de dose


equivalente.
Deduz a dose absorvida pelo tecido humano devido à danificação biológica
efetiva produzida pela radiação.
As radiações não tem o mesmo efeito biológico, mesmo sendo idêntica a
dose absorvida.
A dose equivalente é determinada algumas vezes em milhares de Rems ou
mRem.
Para efetuar a determinação da dose equivalente (Rem) deve-se multiplicar a
dose absorvida (Rad) por um fator Q de qualidade que corresponde unicamente ao
tipo incidente de radiação.

Curie (Ci)

É a unidade usada para medir a radioatividade.


Um Curie é a quantidade de material radioativo que sofre 37 milhões de
transformações por segundo.
Algumas vezes a radioatividade expressa-se em unidades menores como o
milésimo de Curie (mCurie), um milhonéssimo de Curje (µCi) ou de um bilhonéssimo
de Curie (nCi).
A relação entre o Bequerel e o Curie é de 3.7 x 10 10 o Bq por Curie.

Controles

Vários são os tipos de controle da radiação, constituídos usualmente pela


limitacão das emissões radioativas na sua origem, pela limitação do tempo de
exposição ou aumento da distância à fonte emissora.

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3. LIMITAÇÃO DAS FONTES DE RADIAÇÃO
Uma das forma mais eficientes de eliminar os eventuais perigos consiste na
limitação da quantidade de material ionizante.

Tempo

Uma outra forma é a de limitar os tempos de exposição. Pode-se evitar o


acesso aos locais que apresentarem elevadas radiações, prevenindo as pessoas
sobre as eventuais radiações existentes no ambiente.
Devido às exposições serem consideradas de efeito cumulativo e pelo fato de
que a radiação pode ser sensoriada, sempre se deverá executar a sua medição e
dosímetria, determinando esta última a duração à exposição.

Distância

Geralmente as partículas transportadas pelo ar e outros gases contaminados


sofrerão uma diluição proporcional à distância.
As partículas mais pesadas separar-se-ão do ar ou gases, sendo que desta
forma a probabilidade de exposição aos materiais radioativos reduzir-se-á também
proporcionalmente com o aumento da distância.
Os níveis de radiação diminuem com o quadrado da distância. A uma
distância dupla de outra anteriormente considerada, a quantidade de radiação será
de 1/4 da existentes na primeira posição.
Pelo exposto, a manutenção de uma distância adequada é uma solução
apropriada para determinados tipos de exposição.

Blindagem

Uma outra forma de proteção é a constituída pela interposição de blindagens


ou proteções concordantes com o tipo de emissão.
0 ar apresenta uma atenuação efetiva aos Raios Beta, não o sendo
igualmente para outros tipos de radiação. 0 hidrogênio, por sua vez, é um elemento
efetivo na atenuação da radiação devido a nêutrons com baixos níveis de energia.
As propriedades de atenuação medem-se conforme a espessura média dos
elementos de proteção.

Barreiras divisórias

Estas constituem uma outra forma de proteção contra as fontes de radiação.


As paredes, piso e teto construídos com materiais apropriados (Vide Raios X),
colocados em volta de fontes de radiação, constituem elementos protetores.
Forros apropriados, colocados na parte inferior de depósitos com material
contaminante, podem evitar infiltrações nas camadas superficiais da Terra e lençol
freático.

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Outras proteções

Outras formas estão constituídas por avisos, procedimentos, sistemas de


segurança, treinamento e análise sistemática dos procedimentos utilizados.
As Norma ANSI fornecem subsídios para efetuar algumas das proteções
mencionadas.

Avisos

Advertências claras devem indicar os locais e equipamentos que podem ser


fonte de emanações radioativas ionizantes.
0 símbolo mostrado na Fig. 1 é universalmente empregado para indicar locais
ou contenedores de materiais radioativos.
Indicações sonoras ou visuais ajudam na visualização de locais associados
às operações de processo ou depósito de material radioativo.

Evacuação de áreas contaminadas

Quando nas proximidades de regiões habitadas se encontrarem usinas


atômicas ou de processamento de materiais radioativos, deverão ser instaurados
procedimentos de evacuação destas áreas.
É necessário que as autoridades competentes realizem simulações de
evacuação, programadas ou não, sempre evitando, no caso de serem simuladas,
situações de pânico.

Segurança

Algumas pessoas podem não perceber a existência de avisos, ou ainda ser


ignorantes do perigo de uma exposição ou contato direto com materiais radioativos,
contaminando-se ou contaminando a outras que ignoram a exposição ou
simplesmente desconhecem seus efeitos. Infelizmente tem acontecido com materiais
de uso médico.
Estes materiais devem ser constantemente vistoriados e sua eventual
movimentação, depósito ou retirada dos equipamentos nos quais se encontrem
instalados, comunicada às autoridades idôneas.

Treinamento

As pessoas que trabalharem com ou se encontrarem, por imposição das suas


tarefas, nas proximidades de materiais radioativos, devem estar cientes dos perigos
derivados da radiação ionizante.

60
Além de conhecer os procedimentos de proteção, devem respeitá-los,
utilizando roupas adequadas à função que desenvolvem, como desempenhar
corretamente seu trabalho.
0 treinamento é essencial, devendo incluir todos os procedimentos tendentes
ao uso controlado de todos os equipamentos, métodos de evacuação das áreas
eventualmente afetadas e de como agir em caso de perigo.

Controle médico

Todos os trabalhadores que desempenham funções relativas ao uso da


energia nuclear, deverão ser submetidos a rigoroso controle médico, devendo ser
realizados os seguintes procedimentos:

Exame pré-admisional, que deve incluir um exame psicotécnico, a


verificação do histórico médico, exame radiológico, hemograma, contagem de
plaquetas e determinação de eventuais doses ocupacionais anteriores.

Exame periódico, de caráter semestral, incluindo: exame clínico completo e


outros a critério médico, hemograma completo e contagem de plaquetas que
poderão ser efetuados bi-anualmente para manter o registro do perfil hematológico
do trabalhador.

Para os que estiverem expostos ocupacionalmente ao Iodo radioativo, deverá


ser exigido o resultado de captação na tiróide, sem administração adicional de lodo.

Exame demissional

Deve ser efetuado imediatamente à cessação do vínculo de trabalho,


incluindo: exame clínico completo, hemograma, contagem de plaquetas, histórico
das doses ocupacionais e resultado da captação de lodo pela tiróide.
Os resultados devem ser entregues ao trabalhador.
Em vários países, a complementação do plano de radioproteção originou
diversas rotinas, entre as quais citam-se:

-Controle radiométrico diário;


-Monitoração individual dos funcionários;
-Controle de eventuais contaminações;
-Notificação aos funcionários sobre as eventuais contaminações diárias;.
-Controle e verificação sobre o armazenamento, de material radioativo.
-Controle da qualidade dos equipamentos;
-Uso de "butterfly" na administração de radiofármacos injetáveis (utilizado
devido à dificuldade no manuseio de uma seringa com protetor de Chumbo);
-Desenvolvimento de um "software" para o controle dos exames;
-Cursos de proteção radiológica de capacitação pessoal e atualização de
médicos, técnicos, bioquímicos, enfermeiros, etc.

61
RISCOS QUÍMICOS

1. CONTAMINANTES AÉREOS
Duas são as formas físicas que integram os contaminantes aéreos: os
elementos denominados particulados e os gases e vapores,

Poeiras

As partículas sólidas são normalmente provenientes do manuseio, moagem,


raspagem, esmerilhado, impacto rápido, detonação e outros processos, com
materiais orgânicos e inorgânicos como: pedras, carvão, madeira, grãos, minérios e
metais. As poeiras não tendem a flocular, a não ser sob a ação de forças
eletrostáticas, depositando devido à ação da gravidade.
São encontradas em dimensões que oscilam de 0,5 a 10 mm. Expressam-se
em unidades de milhões de partículas por pé cúbico de ar (mg/m3 ou ppm).

Fumos

Os fumos estão constituídos por partículas sólidas de origem orgânica,


procedentes da condensação de vapores, normalmente após volatilízação de metais
fundidos ou outros produtos, geralmente acompanhadas por uma reação química
como a oxidação. Suas dimensões variam de 0,01 a 0,3 mm, geralmente floculando
no ar. São expressos em mg/m3 de ar.

Fumaça

É proveniente do pó de carvão ou fuligem, com dimensões menores que


0.1mm, sendo resultante da combustão incompleta de material carbonífero.

Aerosóis

São constituídos por partículas líquidas ou sólidas dispersas no ar.

Neblinas

Estão formadas por finas gotículas de líquido em suspensão ou separando-se


do ar.
São originárias da condensação de vapores que passam para o estado
líquido ou devido à dispersão deste,desintegrando-se em pequenas partículas
devido aos processos de atomização ou formação de espuma. Expressam-se em
unidades de mg/m3 de ar.

62
Gases

Constitui um estado da matéria, diferente do vapor ou líquido. São moléculas


gasosas livres, que ocupam a totalidade do recipiente que as contém. Só podem ser
liquefeitas ou solidificadas mediante a combinação de uma elevada pressão e de
uma temperatura reduzida.
As unidades em que são expressos são: (p.p.m.) panes por milhão de partes
de ar ou em mg/m3 .

Vapor

É a fase gasosa de um líquido nas temperaturas e pressões normais.


Também se expressa em unidades (p.p.m) ou mg/m3 .

2. TEMPO DE EXPOSIÇÃO
É importante a consideração do tempo de exposição de um trabalhador a
determinados produtos químicos.O contato que no lar se possa ter com um produto
químico que contém amônia poderá ser absolutamente seguro, porém
excessivamente perigoso para uma pessoa cuja pele se encontrar constantemente
em contato com o citado produto.
As norma emitidas pela Occupacional Safety and Health Administration
(OSHA - USA), no ano de 1970, adotaram o valor TVL (Threshold Limit value), que
após controvérsias de índole diversa, levaram à adoção do PEL (Permissível
Exposure Levels).
No Brasil, a Norma Regulamentar NR-15 trata dos agentes químicos cuja
insalubridade é caracterizada pelo limite de tolerância e inspeção no local de
trabalho. Na citada norma se encontram incluídas as atividades nas quais, conforme
sua função, os trabalhadores se encontram expostos a determinados agentes
químicos.
A caracterização de insalubridade ocorre, conforme esta norma, quando são
ultrapassados os valores de tolerância constantes no quadro da Página 184 a 289
da 36a. Edição do Manual de Segurança e Medicina do Trabalho.

Limites de exposição ocupacional (LEO)

Uma primeira dificuldade a ser enfrentada na fase de comparação dos


resultados com um padrão é a escolha da fonte destes padrões, pois segundo suas
origens, têm-se diferentes valores, como pode ser observado na Tabela 2.

63
Tabela 1
Substância ACGIH OSHA NR 15 Unidade
Cromo 500 1000 - µg/m3
Cobre 200 100 - µg/m3
Manganês 200 5000 - µg/m3
Ferro 5000 10000 - µg/m3
Chumbo 50 50 100 µg/m3
Níquel 50 1000 - µg/m3
Tolueno 50 200 78 µg/m3
Cloreto de vinila 20 mg/m3
Acetato de celosolve 24 mg/m3
ACGI - American Conference of Goverminental Industrial Hygienists (USA).
OSHA - Ocupational Safety and Health Administration (USA).
NR 15 - (Brasil).

Estes valores são diferentes em virtude de serem originários de entidades que


utilizam diferentes critérios para suas determinações. A American Conference of
Governmental Industrial Hygienisis (ACGIH-USA) considera apenas os dados
técnicos e científicos disponíveis. A Occupational Safety and Health Administration
(OSHAUSA), por outra parte, além de dados técnicos e científicos, está envolvida
com os aspectos legais, políticos e sociais, uma vez que seus limites têm força de
lei.
A Norma Regulamentadora. NR-15 de 1978, do Ministério do Trabalho do
Brasil, adapta os valores da ACGIH de 1977, reduzidos a 78% em virtude da jornada
semanal ser de 48 horas nesta época, com relação às 40 horas estabelecidas pela
ACGIH.
Os limites devem ser bem estudados e suas origens conhecidas, para uma
correta interpretação e escolha do valor a ser utilizado.
0 higienista deverá obedecer os valores exigidos pela legislação vigente no
país, mas deve-se notar que, embora exigente demais em alguns aspetos, pode ser
omissa ou permissiva em outros, se comparada com dados da literatura mundial.
Como orientação é aconselhável utilizar os padrões recomendados pela
ACGIH, não sendo sensíveis às influências político-sociais algumas vezes
encontradas na legislação.
Os Limites de Exposição Ocupacional propostos pela ACGIH são os TLV's
(Threshold Limits Values), que se referem às concentrações de substâncias
dispersas na atmosfera que representam condições sob as quais supõem-se que
quase a totalidade dos trabalhadores se encontram expostos diariamente sem
apresentar efeitos adversos à saúde.
Os principais tipos de TLV' s são:

a) TLV-TWA (Time Weight Average) - É a concentração média ponderada pelo


tempo de exposição para jornada de 8h/dia, 40 h/semana, à qual praticamente todos
os trabalhadores podem repetidamente, encontrar-se expostos, sem apresentar
efeitos nocivos.

64
b) TLV-STEL (Short Time Exposure Limit) - É a concentração à qual os
trabalhadores podem encontrar-se por um curto período, sem apresentar irritação;
alterações no tecidos corpóreos, sejam crônicas ou irreversíveis; narcose suficiente
para aumentar o risco de acidentes, alterar a capacidade de autodefesa ou diminuir
sua eficiência no trabalho.

O tempo máximo de exposição aos valores do STEL é de 15 minutos,


podendo ocorrer, no máximo, 4 vezes durante a jornada de trabalho, sendo o
intervalo de tempo entre cada ocorrência de no mínimo de 60 minutos. 0 TLV-TWA
nunca poderá ser ultrapassado ao final da jornada.
Os TLV-STEL devem ser vistos como complementos dos TLV-TWA, e não
como valores separados. Na realidade servem para controlar as flutuações das
concentrações das substâncias acima dos valores de TWA estabelecidos.
Os TLV-STEL são estabelecidos para as substâncias que apresentam efeitos
nocivos agudos, prioritariamente aos efeitos crônicos.

c) TLV-C (celing-teto) - É a concentração máxima permitida que não pode ser


ultrapassada em momento algum durante a ' jornada de trabalho. É geralmente
indicado para substâncias de alta toxicidade e reduzido limite de exposição.

Para controlar as flutuações acima dos valores estabelecidos, como TLV-TWA


para os xenobióticos que não apresentam STEL, a ACGIH estabelece que "0 TLV-
TWA pode ser excedido por não mais de 30 minutos durante a jornada de trabalho,
em três vezes seu valor. Em nenhuma circunstância poderá ultrapassar cinco vezes
seu valor".
Os limites de exposição ocupacional da Norma Regulamentadora Nº 15,
denominados limites de tolerância (LT), extraídos das tabelas do TLV-TWA, referem-
se às concentrações médias máximas que não devem ser ultrapassadas numa
jornada de 48 h/semana. Como não especifica como estabelecer a média, esta é
realizada mediante utilização da média aritmética das concentrações medidas no
dia.

Tabela 2
TLV ppm ou mg/m3 Fator de desvio
0a1 3
1 a 10 2
10 a 100 1,5
100 a 1000 1,25
ACGIH - American Conference of Goveniment Industrial Hygienists.
TLV - (Threshold Limit Values)

No Brasil também existem os limites de tolerância valor teto, compilados dos


valores dos TLV-C, com a mesma significação.
Os valores do TLV-STEL não constam da NR-15, propondo-se para o controle
de flutuações de concentrações acima do valor médio do LT os fatores de desvio,
pelos quais se deve multiplicar os LT para se conhecer qual a variação permitida.
Estes fatores são estabelecidos de acordo com a concentração, em p.p.m. ou em

65
mg/m3, do LT do xeriobiótico. A incoerência destes fatores reside principalmente no
fato de que para as substâncias mais tóxicas, de menor LT, os fatores de desvio são
mais elevados, não havendo, ao que se conhece, nenhuma razão técnica para isso.
No ano de 1990 a ACGIH abandonou esta tabela adotando o TLV-STEL.
A exposição ocupacional. existe a partir do nível de ação, ou seja,
concentrações superiores ao nível de ação indicam que há exposição, devendo os
trabalhadores ser submetidos à monitorização ambiental e biológica.

3. CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS QUE PODEM


PENETRAR NO FLUXO SANGUÍNEO

Gases e Vapores

Os gases e vapores que não são captados pelo revestimento mucoso, como o
são as partículas, penetram com o ar inalado passando para os alvéolos.
Tais elementos podem desta forma atravessar a barreira formada por estes
sacos e se integrar rapidamente ao fluxo sangüíneo. A natureza química do gás
determina a rapidez de penetração. Os vapores, além de penetrar nos alvéolos,
podem também fazê-lo no pulmão, provocando danos.
Se o tóxico for altamente irritante, a pessoa deixa de inalar, seja
voluntariamente devido à dor ou involuntariamente devido às contrações brônquicas
e aos espasmos. Os produtos irritantes estimulam a produção de mucosidade,
aumentando a espessura da camada e melhorando a barreira de proteção. A
subseqüente tosse, expelindo o excesso de mucosidade e sua expulsão dos
pulmões, provoca a saída dos elementos irritantes.
A prevenção do trabalhador contra a inalação desses produtos minimiza o
perigo desses compostos.

Partículas

No local de trabalho podem ser inaladas partículas de natureza tóxica.


Pneumoconiose é o termo empregado para descrever a doença devido à
inalação de sólidos, provenientes de exposição ocupacional. Os sintomas mais
comuns incluem a dispnéia, diminuição da capacidade respiratória, dores no peito,
fadiga ou esforço e a cianose, diminuição da taxa de oxigênio. Além de danificar o
sistema respiratório e fundamentalmente os pulmões, pode também afetar a parte
direita do coração, que é responsável pelo bombeamento do sangue para os
pulmões. As partículas aéreas ou aerotransportadas, são divididas em grupos
baseados na sua fonte e tipo,
As partículas sólidas podem ser poeiras se produzidas por processos
relacionados com a agricultura ou operações de esmerilhamento, fumos se
provenientes de processos com metais a alta temperatura (geralmente óxidos
metálicos), emanações ou névoas se sua fonte for a combustão de substâncias
orgânicas.

66
As partículas podem produzir efeitos locais como irritação. Esta irritação pode
causar acúmulo de fluido nos pulmões e conseqüentemente uma pneumonia.
Alguma das partículas que permanecem nos pulmões podem produzir fibrose,
degeneração fibroide, que é uma espécie de cicatrização acompanhada de perda
permanente da capacidade funcional.

4. PARTÍCULAS PERIGOSAS
Sílica

Silicose é uma fibrose dos pulmões devida à inalação de partículas


respiráveis (5 µm) de sílica ou dióxido de silício de fórmula química Si0 2, durante
longos períodos de tempo. As células fagócitas existentes nos alvéolos devoram
estas partículas e morrem, sendo a sílica de caráter altamente tóxico. As enzimas
digestivas liberadas por essas células após sua morte, danificam os tecidos dos
pulmões, produzindo a denominada fibrose.
As pessoas manifestam inicialmente poucos sintomas da doença. Quando
submetidos aos raios X, apresentam nódulos no tórax, que constitui a silicose
nodular primária. Nos casos mais avançados, produzir-se-á uma diminuição
funcional dos pulmões, registrando-se na vítima uma evidente perda da sua
capacidade respiratória e tosse com esputo. Nesta fase da doença, os raios X
mostrarão uma grande área de tecido cicatrizado, ou seja, a silicose conglomerada.
A TLV para poeiras contendo sílica depende do conhecimento da
percentagem da poeira a que o trabalhador encontra-se exposto,

TLV = 10 mg/m3
% silica

A silicose foi a primeira doença pulmonar a ser reportada.

Amianto

A doença causada pela inalação de fibras de amianto é possivelmente a mais


conhecida, causadora da fibrose pulmonar. 0 termo amianto associa-se a uma ampla
faixa de materiais minerais que possuem a propriedade de se converter em
determinados produtos fibrosos.
São minerais compostos dos mesmos elementos químicos presentes nas
rochas comuns, às vezes possuindo aditívos como o ferro, o níquel e o cromo.
Mineralogícamente o amianto reúne várias espécies de minérios, encontrando-se
entre estes a crísotila, os anfibólios, chamados crocidolita e anosíta, sendo a maior
parte destes elementos comercializados com o nome de crisotila.
0 amianto é de textura fibrosa, podendo dar origem a lesões graves nos seres
humanos.
Sabe-se que o amianto inalado em alta dosagem pode ser um fator essencial
para o desenvolvimento de câncer de pulmão e da pleura.

67
Os trabalhadores que se encontraram expostos a altas concentrações de
amianto, durante um período prolongado de tempo, tem uma elevada probabilidade
de contrair câncer. Esta probabilidade é maior se o operário é fumante. Conforme
estudos efetuados, constatou-se que trabalhadores que foram expostos a baixas
concentrações não apresentaram significativas lesões cancerígenas.
Outras fontes determinam que o amianto adiciona-se ao ar em circulação,
através de partículas de 1 µm de comprimento. Estas fibras penetram nas vias
respiratórias causando irritação ou ederna. A contínua exposição poderá causar
cicatrização nos pulmões, diminuição desta forma a capacidade pulmonar e
flexibilidade do seu tecido. Alguns tipos de amianto são carcinógenos. 0 carcinoma
brônquico, também denominado de mesotelioma maligno, aparece nos anais
médicos associado à exposição ao amianto.
A crocidolita é considerada a principal causadora do câncer de pulmão.
0 amianto teve grande aplicação, devido a suas caraterísticas fibrosas e
resistência às altas temperaturas. Estas incluíam isolamento térmico de geradores
de vapor, tubulações, tetos, cimento, uso em sistemas de freio, roupas protetoras ao
fogo, luvas, etc.
Cuidados particulares são observados nos Estados Unidos da América e
outros países evoluídos para efetuar a retirada de materiais de amianto em
instalações que estão sendo desativadas. Estes cuidados incluem o uso de roupas
de proteção e embalagens especiais, assim como os correspondentes ao seu
manuseio e transporte.
Nas embalagens onde é depositado, após sua retirada, deverá constar o tipo
do amianto, conteúdo, bem como os problemas que podem-se apresentar, devendo
obedecer as normas emitidas pela OSHA 1910.1001 para operações de remoção.

Carvão

A mineração do carvão é causadora de grande número de problemas de


saúde aos mineiros, afetando seus pulmões, produzindo a denominada pneumocose
de mineiro devida ao carvão, também chamada de doença negra do pulmão. 0
depósito de partículas nos pulmões leva à rápida perda da capacidade respiratória.
Não é causadora de fibrose, porém outras substâncias existentes no ar da mina de
carvão, particularmente a sílica, contribuem para esta ocorrência, 0 atual uso da
perfuração úmida tem diminuído a magnitude deste problema.

Algodão

A doença chamada bisinose ou doença marrom do pulmão encontra-se


associada aos processos com este material. Ataca principalmente a parte superior
do sistema respiratório, sendo de caráter irreversível. Para eliminá-la ou minimizá-la
devem ser efetuadas ventilações apropriadas. As misturas de óleo proveniente da
lubrificação das máquinas, formando minúsculas partículas, podem ser causa de
problemas respiratórios, além dos causados pelo ruído.
Outros elementos como lã e fibras sintéticas podem causar idênticos
problemas.

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Gases perigosos

Os gases geralmente são causadores de dois tipos de problemas.


Alguns são asfixiantes, ou seja, resultantes da falta de oxigênio que deve ser
suprida aos tecidos.
Outros são irritantes, que danificam ou matam as células que revestem as
fossas nasais, a garganta e pulmões, como a evidente incomodidade respiratória e
dor, contrações ou espasmos das passagens do ar, ou depositando apreciáveis
quantidades de fluído nas passagens do pulmão.

Gases asfixiantes

0 perigo imediato da asfixia tem uma relação imediata com o envio de


oxigênio para o cérebro. As células do cérebro, sendo mais susceptíveis que outras
do corpo, são as mais afetadas quando não recebem oxigênio. Se morrerem, não
são substituídas.
Num período que oscila entre 5 e 8 minutos a falta de oxigênio pode causar
problemas de caráter irreversível. Na asfixia gradual, os primeiros sintomas se
manifestam por uma sensação de euforia, seguida de um aumento da taxa
respiratória, sendo posteriormente registrado um aumento de fadiga e dor de cabeça
e finalmente colapso.
Estes gases são classificados em grupos denominados: simples e sub-grupos
químicos.
Os gases asfixiantes simples realizam uma diluição do oxigênio que não
permite manter a vida por um período prolongado de tempo. Para isto acontecer são
necessárias' elevadas concentrações, sendo as baixas inofensivas, pelo fato dos
asfixiantes serem gases inertes. Incluem-se nesta classificação o nitrogênio, hélio,
argônio e hidrocarbonetos como o metano. Não são facilmente detectáveis pelo
odor, incluso o metano, sendo em alguns casos adicionadas substâncias como o
mercaptan para perceber sua presença através de um odor caraterístico.
0 anídrido carbônico é um gás denso, que quando encontrado em elevadas
concentrações acumula-se ao nível do solo de tanques ou compartimentos, devido
ao qual devem ser adotadas medidas tendentes à sua detecção antes de operários
entrar em lugares onde estes eventualmente se encontrem presentes.
Em determinados processos de solda, são deliberadamente: produzidas
atmosferas de oxigênio livre.

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Asfixiantes Químicos

Alguns tipos de asfixiantes químicos são mostrados na Tabela 4.

Tabela 4
Composto PEL (ppm) IDHL (ppm)
HCN 10 50
CO 50 1500
H2S 20 (valor teto) 300
CO2 5000 50000

PEL (Permissible Exposure Level - Tempo meio 8 horas/dia)


IDLH (Immediately Dangerous to Life or Health)
Valor teto = 50 ppm; valor pico de 10 min.

Monóxido de carbono

0 monóxido de carbono é um gás inodoro, usualmente existente nas,minas de


carvão, nas quais se produzam combustões, como nos motores de combustão
interna ou nos fornos das caldeiras. Uma combustão incompleta produzirá monóxido
de carbono.

5. OS PERIGOS DOS METAIS

Alumínio

É grande a possibilidade dos operários que trabalham. com alumínio contrair


fibrose, fundamentalmente proveniente do óxido de alumínio originário da bauxita,
como em poeiras e pós encontrados nos processos de fabricação de substâncias
abrasivas. A exposição a hidrocarbonetos policíclicos aromáticos provenientes dos
processos de solda deste material pode causar câncer do pulmão.

Berílio

Problemas respiratórios podem estar associados à exposição a este metal,


utiliza. do em lâmpadas fluorescentes. Estes problemas podem variar desde a
simples irritação até a formação de fluidos no pulmão, danificando seus tecidos,
sintomas que podem. aparecer tempo depois de não trabalhar mais com ele.
Exposições prolongadas podem conduzir a câncer do pulmão.

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Cádmio

É utilizado como pigmento de tintas, na forma de óxidos. Os trabalhadores


expostos a este material podem apresentar problemas no sistema urinário, rins e
especialmente nas proteínas da urina. Os pós procedentes do óxido de cádmio
podem ser causadores de danos no pulmão, fibrose e eventual enfisema. Tem-se
registrado casos de câncer de próstata em trabalhadores expostos ao cádmio e
óxidos deste metal.

Cobre

Podem aparecer problemas de dermatite alérgica, devido aos processos de


corte, solda e outros realizados sob elevadas temperaturas.
Devem ser observados cuidados especiais quando à liberação de compostos
de cobre em ambientes de trabalho. Uma ventilação adequada constitui uma
solução correta para minimizar o problema.
Os compostos de cobre, como o oxicloreto, sulfato e outros sais, são
empregados nas indústrias e como funguícidas nas lavouras. Sua ingestão acarreta
gastrenterite hemorrágica, lesão capilar, lesão renal e excitação do sistema nervoso
central

Chumbo

A consideração dos níveis de exposição ao chumbo é altamente importante


devido à elevada produção de elementos tóxicos.
0 sistema nervoso é o mais afetado quando exposto a este produto. Os
sintomas devido a envenenamento incluem: convulsões, alucinações, coma,
cansaço e tremores. A danificação das células vermelhas do sangue podem
determinar anemia.
Os rins podem ser seriamente danificados, nos operários que se encontrem
expostos à totalidade de suas formas físicas. Experiências realizadas com animais
contataram a existência de câncer.

Estanho

Prolongadas exposições a pós e fumaça provenientes do seu óxido podem


causar a doença denominada estanose, devido à deposição nos alvéolos
pulmonares, assim como lesões leves no sistema respiratório.

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Manganês

0 manganismo é uma doença que afeta o sistema nervoso central, resultante


da absorção de manganês através do sistema digestivo. Os sintomas variam desde
apatia, cansaço, dor de cabeça, insônia e alucinações.

Urânio

Como já determinado é um elemento radioativo, aumentando a inalação dos


seus gases o risco de câncer de pulmão.

Fundição

Os metais podem ser fundidos, caso do bronze, ferro, cobre, etc. Outros
formam ligas que incluem o aluminio, magnésio, titânio, cromo, níquel e zinco, etc.

7. O CONTROLE DOS PERIGOS


Embora este tema foi tratado suscintamente, insiste-se manifestando que há
três tipos de controle que podem ser efetuados para proteger o trabalhador da
exposição a produtos químicos existentes na sua área de trabalho:

1. Controles de engenharia,
2. Práticas de trabalho e controles administrativos;
3. Equipamentos de proteção pessoal.

Os controles de engenharia incluem mudanças nos processos e substituição


de substâncias perigosas por outras que apresentem menores riscos;* isolamento da
fonte de perigo, isolação do trabalhador e uso de ventilação.
0 isolamento do trabalhador pode ser efetuado mediante a colocação de
barreiras entre a fonte de contaminação e este. 0 uso de ventilação apropriada
constitui outro fator para eliminar ou minimizar a eventual fonte de contaminação.
Outros processos de preservação do trabalhador podem ser efetuados mediante a
utilização de uma caixa de luvas, na qual pode ter acesso ao material, sem entrar
em contato direto.
Uma outra forma de preservação é a de colocar o trabalhador numa área
separada.
As prática, de trabalho e controle administrativo incluem: a manutenção e
limpeza, manuseio de produtos, programas de detecção, treinamento, modificação
dos métodos de trabalho e higiene pessoal.
As atividades de manutenção incluem a remoção da poeira eventualmente
acumulada e limpeza de resíduos, devendo ser efetuadas periodicamente na
totalidade do local.

72
A remoção evita a dispersão do material no ar, podendo, para tal efeito,
serem utilizados aspiradores de pó. Ar comprimido nunca deverá ser utílizado, pois
irá aumentar sensivelmente a difusão dos materiais no ar.
Todos os serviços de transferência, seja de sólidos, pó ou líquidos devem ser
feitos em locais apropriados e com boa ventilação.
Os programas bem elaborados de detecção envolvem verificação visual e
dispositivos automáticos de sensoriamento e estado físico dos equipamentos que se
encontram, em um determinado local, como bombas e tubulações, na procura de
eventuais vazamentos.
Manutenção preventiva e rápido conserto eliminam a possibilidade de
exposição potencial do trabalhador a ambientes contaminados.
Sistemas automáticos de detecção, executados mediante alarmes ou
sistemas visuais de sinalização, podem determinar a presença de substâncias
perigosas.
Os selos de vedação de bombas centrífugas, se não existir uma manutenção
apropriada e dispositivos que alertem sobre eventuais vazamentos através destes,
podem causar, além da poluição ambiental, explosões ou incêndios.
Atualmente fala-se em tecnologia de selagem para emissão ZERO, o que
significa que a preocupação com o meio ambiente e com os trabalhadores tem
levado à execução de selos de vedação que permitem, se bem instalados e
mantidos, a obtenção de vazamentos nulos.
Os vazamentos de compostos orgânicos voláteis (VOCs) de equipamentos
utilizados em instalações industriais, tem constituído a maior causa de poluição.
Devido à sua natureza particular, estes fluídos possuem uma elevada pressão de
vapor, e quando vazam para a atmosfera, tornam-se poluentes aerodispersados,
Nos EUA, em 1980, não existia um controle preciso das emissões
provenientes de bombas centrífugas, existindo não obstante levantamentos que
estabeleciam um vazamento aproximado de 9 kg/dia. No ano de 1983, foi
promulgada a Rule 466, que 'limitava as emissões a valores de 10.000 p.p.m. Já em
1993, uma mais exigente, a da Rule 1173, estabelecia que as emissões máximas
permitidas eram de 1.000 p.p.m., para as bombas existentes, e para o ano 1997 não
deveriam exceder de 500 p.p.m.
Em aplicações onde o perigo de vazamento de elementos químicos com os
quais a bomba trabalhava, incluiram-se dispositivos externos que permitiam a
recuperação do gás que escapasse do selo, assim como de alarmes para alertar
sobre a existência de um nível excessivo de contaminantes.
Os selos múltiplos podem proporcionar emissões ZERO, dependendo da
tecnologia empregada e do fluido de vedação aplicado, como do tipo de barreira
adotada.
Estes problemas conduziram à adoção, das normas API 610 e 682. 0 principal
objetivo é o de criar um padrão único para fabricantes e usuários de selos
mecânicos. Este padrão derivado e fundamentado na API 610 refere-se
basicamente a equipamentos novos, podendo ser usado como referência para
adaptações e atualizações de bombas em operação.

73
NOÇÕES DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

1. INTRODUÇÃO
A importância do ar para o homem é por demais conhecida, sob o aspecto da
necessidade de oxigênio para o metabolismo.

Por outro lado, a movimentação de ar natural, isto é, através dos ventos, é


responsável pela troca de temperatura e umidade que sentimos diariamente,
dependendo do clima da região. A movimentação do ar por meios não naturais
constitui-se no principal objetivo dos equipamentos de ventilação, ar condicionado e
aquecimento, transmitindo ou absorvendo energia do ambiente, ou mesmo
transportando material, atuando num padrão de grande eficiência sempre que
utilizado em equipamentos adequadamente projetados. A forma pela qual se
processa a transferência de energia e que da ao ar capacidade de desempenhar
determinada função. A velocidade, a pressão, a temperatura e a umidade envolvem
mudanças nas condições ambientais, tornando-as propícias ao bem-estar do
trabalhador.

A ventilação industrial tem sido e continua sendo a principal medida de controle


efetiva para ambientes de trabalho prejudiciais ao ser humano. No campo da higiene
do trabalho, a ventilação tem a finalidade de evitar a dispersão de contaminantes no
ambiente industrial, bem como diluir concentrações de gases, vapores e promover
conforto térmico ao homem. Assim sendo, a ventilação é um método para se
evitarem doenças profissionais oriundas da concentração de pó em suspensão no
ar, gases tóxicos ou venenosos, vapores, etc. O controle adequado da poluição do
ar tem início com uma adequada ventilação das operações e processos industriais
(máquinas, tornos, equipamentos, etc.), seguindo-se uma escolha conveniente de
um coletor dos poluentes (filtros, ciclones, etc.). Todavia, ao se aplicar a ventilação
numa industria, é preciso verificar antes, as condições das máquinas, equipamentos,
bem como o processo existente, a fim de se obter a melhor eficiência na ventilação.
A modernização das industrias, Isto é, mecanização e/ou automação, além de
aumentar a produção melhora sensivelmente a higiene do trabalho com relação a
poeiras, gases, etc.

2. PRÉ-REQUISITOS NECESSÁRIOS
Projeto, construção, manutenção de maquinaria e equipamentos industriais.

Ao se projetar um edifício industrial, é preciso levar em consideração a disposição


geral das máquinas, circulação do pessoal e altura (pé direito) visando possibilitar
uma ventilação natural pelas aberturas de janelas. Quanto as maquinas e aos
equipamentos que poluem o ambiente de trabalho, devem ser cuidadosamente

74
projetados, prevendo-se enclausuramentos, anteparos, mecanização e não
permitindo que poeiras, gases, vapores, etc. sejam dispersos no ambiente.

b) Substituição de materiais nocivos por outros menos nocivos.

A princípio, qualquer material pode ser manipulado com segurança; no entanto, as


substancias toxicas ou prejudiciais ao ser humano podem ser substituídas por outras
menos nocivas.

Como exemplo temos:

1. Nos trabalhos de pintura, o carbonato básico de chumbo é prejudicial ao


organismo humano e pode ser substituído por compostos de titânio e zinco.

2. Como solvente orgânico o tolueno pode substituir o benzeno, por ser este
altamente toxico.

3. Utilização de abrasivos artificiais em vez de pedras naturais, que desprendem pó


de sílica, provocando a silicose no homem.

c) Modificação de processos e métodos de trabalho

Os processos mecânicos geralmente poluem menos que os manuais; exemplos:

Fábricas de bateria: ajuste mecânico da pasta de óxido de chumbo para manufatura


de placas. Quando manual, o excesso caía no chão, e, depois de seco, liberava
poeira para o ambiente. Redução da evaporação de solventes nos tanques de
desengraxamento, mediante regulagem automática de temperatura do banho.

d) Umectação

É um antigo método usado na industria cerâmica inglesa, permanecendo até os dias


de hoje, em que as peças de cerâmica são molhadas, evitando-se a emanação de
poeira quando da sua manipulação.

Exemplo: perfuração de minas, britadores , moinhos , etc.

Em ambientes industriais em que são manipulados produtos considerados perigosos


em relação a combustão ou explosão, tais como processos industriais, depósitos ,
transporte, etc, é necessário controlar a temperatura e a umidade relativa do ar. O ar
condicionado atua nesses ambientes, mantendo as condições exigidas para cada
tipo de produto utilizado, agindo, inclusive, como renovador de ar ambiental.

75
3. CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEM AS DE VENTILAÇÃO
Para a classificação dos sistemas de ventilação, é preciso levar em conta a
finalidade a que se destinam. Dessa forma, os objetivos da ventilação são:

a) Ventilação para manutenção do conforto térmico

Restabelecer as condições atmosféricas num ambiente alterado pela presença do


homem. Refrigerar o ambiente no verão. Aquecer o ambiente no inverno.

b) Ventilação para manutenção da saúde e segurança do homem

Reduzir concentrações no ar de gases vapores, Aerodispersoides em geral, nocivos


ao homem, até que baixe a níveis compatíveis com a saúde. Manter concentrações
de gases, vapores e poeiras inflamáveis ou explosivos fora das faixas de
inflamabilidade ou de explosividade.

c) Ventilação para conservação de materiais e equipamentos (por imposição


tecnológica)

Reduzir aquecimento de motores elétricos, máquinas, etc. Isolar cabines elétricas,


não permitindo entrada de vapores, gases ou poeiras inflamáveis, com a finalidade
de se evitar explosão, por meio de faíscas elétricas. Manter produtos industriais em
armazéns ventilados, com o fim de se evitar deterioração.

4. TIPOS DE VENTILAÇÃO
Os tipos de ventilação, empregados para qualquer finalidade, são assim
classificados:

a) Ventilação natural.
b) Ventilação geral
c) Ventilação geral para conforto térmico.
d)Ventilação geral diluídora
e) Ventilação local exaustora (Sistema)

Ar condicionado

Evidentemente, o ar pode ser condicionado artificialmente. Segundo definição da


American Society of Heating, Refrigeratind and Air Conditioning Engineers
(ASHRAE), "ar condicionado e o processo de tratamento do ar de modo a controlar
simultaneamente a temperatura, a umidade, a pureza e a distribui, para atender as
necessidades do recinto condicionado", ocupado ou não pelo homem.

76
As aplicações do ar condicionado são inúmeras, podendo ser citadas, entre outras,
as seguintes:

a) Processos de fabricação de certos produtos que devem ser feitos em recintos


com umidade, temperatura e pureza controladas; por exemplo, fabricação de
produtos farmacêuticos, alimentícios, impressão de cores, industrias testeis, de
solventes, etc.

b) Conforto do indivíduo e produtividade.

c) Hospitais: salas de operação, salas de recuperação e quartos para tratamento de


doentes alérgicos, etc.

VENTILAÇÃO NATURAL

A ventilação natural é o movi mento de ar num ambiente de trabalho, provocado por


ventos externos e que pode ser controlado por meio de aberturas, como portas,
janelas , etc.

Infiltração é o movimento do ar não controlado, de fora para dentro e de dentro para


fora de um ambiente, através de frestas de janelas e portas, de paredes, pisos e
forros, e por outras aberturas existentes.

Regras gerais

Em resumo, os efeitos da corrente de ar num ambiente dependem: dos seguintes


fa to r e s

- movi mento devido aos ventos externos;


- movi mento devido á diferença de temperatura;
- efeito de aberturas desiguais.

As regras gerais para construção de edifícios são: A - Edifícios e equipamentos em


geral devem ser projetados para ventilação efetiva,
independente das direções de vento.

B - Aberturas como portas, janelas, etc. não devem ser obstruídas.

C - Uma quantidade maior de ar por área total abertura é obtida usando-se áreas
iguais de aberturas de entrada saída.

VENTILAÇÃO GERAL

77
A ventilação geral é um dos métodos disponíveis para controle de um ambiente
ocupacional. Consiste em movi mentar o ar num ambiente através de ventiladores;
também chamada ventilação mecânica.

Um ventilador pode insuflar ar num ambiente, tomando ar externo, ou exaurir ar


desse mesmo ambiente para o exterior. Quando um ventilador funciona no sentido
de exaurir ar de um ambiente e comumente chamado de exaustor.

Num ambiente, a pressão atmosférica comum, a insuflação e a exaustão provocam


uma pequena variação da pressão (considerada desprezível).Dessa forma, a
insuflação é chamada de pressão positiva e a exaustão de pressão negativa. A
ventilação geral pode ser fornecida pelos seguintes métodos:

- insuflação mecânica e exaustão natural;


- insuflação natural e exaustão mecânica;
- insuflação e exaustão mecânica.

A insuflação mecânica, ventilando ar externo num ambiente, nem sempre é


recomendável, uma vez que o ar externo pode estar contaminado de impurezas, ou
ainda, com temperatura e umidade relativa inadequadas.

VENTILAÇÃO GERAL PARA CONFORTO TÉRMICO

No campo da ventilação industrial e da não industrial, a ventilação destinada à de


conforto térmico é das mais i mportantes e possui tal extensão que constitui um
capitulo especial. Neste tópico serão abordados apenas conceitos básicos sobre o
assunto e serão fornecidos alguns dados preliminares para uma iniciação e
elaboração de projetos, não se entrando, no entanto, nos aspectos de
condicionamento de ar. Em outras palavras, serão fornecidos alguns dados de
conforto ambiental, dados para cálculos de trocas (renovação), reposição e
recirculação de ar em ambientes, isto é, necessidades de ventilação conforme
ambientes ocupados pelo homem, bem como di minuição de fumos e odores por
insuflamento de ar.

Temperaturas extremamente baixas não ocorrem com freqüência no Brasil, com


exceção de alguns casos esporádicos, em algumas localidades no sul do país.
Dessa forma, não nos referiremos, em parte alguma do texto, a aquecimento de ar
para promoção de conforto térmico, uma vez que a simples utilização da vestimenta
adequada soluciona os problemas usualmente encontrados.

Renovação do ar ambiente

Requisitos de ventilação: varias medidas podem ser tomadas para se evitar a


exposição de pessoas a condições de alta temperatura. Por exemplo,
enclausuramento e isolamento de fontes quentes, vestimentas, barreiras protetoras,
diminuição do tempo de exposição, etc.

78
VENTILAÇÃO GERAL DILUIDORA

A ventilação geral diluídora é o método de insuflar ar em um ambiente ocupacional,


de exaurir ar desse ambiente, ou ambos, a fim de promover uma redução na
concentração de poluentes nocivos. Essa redução ocorre pelo fato de que, ao
introduzirmos ar limpo ou não poluído em um ambiente contendo certa massa de
determinado poluente, faremos com que essa massa seja dispersada ou diluída em
um volume maior de ar, reduzindo, portanto, a concentração desses poluentes. A
primeira observação a ser feita é a de que esse método de ventilação não impede a
emissão dos poluentes para o ambiente de trabalho, mas simplesmente os dilui.

Os objetivos de um sistema de ventilação geral diluídora podem ser:

a) Proteção da saúde do trabalhador: reduzindo a concentração de poluentes


nocivos abaixo de um certo limite de tolerância.
b) Segurança do trabalhador: reduzindo a concentração de poluentes explosivos
ou inflamáveis abaixo dos limites de explosividade e inflamabilidade.
c) Conforto e eficiência do trabalhador: pela manutenção da temperatura e
umidade do ar do ambiente.
d) Proteção de materiais ou equipamentos: mantendo condições atmosféricas
adequadas (impostas por motivos tecnológicos).
e) Em casos que não é possível ou não é viável a utilização de ventilação local
exaustora, a ventilação geral diluídora pode ser usada.

Utilização da ventilação geral diluídora

A aplicação, com sucesso, da ventilação geral diluídora depende das seguintes


condições:

a) poluente gerado não deve estar presente em quantidade que excede à que
pode ser diluída com um adequado volume de ar.
b) A distancia entre os trabalhadores e o ponto de geração do poluente deve ser
suficiente para assegurar que os trabalhadores não estarão expostos a
concentrações médias superiores ao VLT (Valor do Limite de Tolerância);
c) A toxicidade do poluente deve ser baixa (deve ter alto VLT, Isto é, VLT > 500
ppm);
d) poluente deve ser gerado em quantidade razoavelmente uniforme.

A ventilação geral diluídora, além de não interferir com as operações e processos


industriais, é mais vantajosa que a ventilação local exaustora, nos locais de trabalho
sujeitos a modificações constantes e quando as fontes geradoras de poluentes se
encontrarem distribuídas no local de trabalho, mas, pode não ser vantajosa, pelo
elevado custo de operação, sobretudo quando há necessidade de aquecimento do
ar, nos meses de inverno; contudo, seu custo de instalação é relativamente baixo

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quando comparado com o da ventilação local exaustora. É conveniente a instalação
de sistemas de ventilação geral diluídora quando há interesse na movimentação de
grandes volumes de ar na estação quente.

Diversas razoes levam a não utilização freqüente da ventilação geral diluídora para
poeiras e fumos . A quantidade de material gerado é usualmente muito grande, e
sua dissipação pelo ambiente é desaconselhavel. Além disso, o material pode ser
muito toxico, requerendo, portanto, uma excessiva quantidade de ar de diluição.

O principio usado para ventilação de diluição de contaminantes, com relação a


aberturas e colocação de exaustores, é sugerido pela (American Conference of
Governmental Hygienists), comparando todas as formas possíveis (Figura). NORMA
ACGIH - PRINCIPIOS DE VENTILAÇÃO DILUIDORA

VENTILAÇÃO LOCAL EXAUSTORA

A ventilação local exaustora tem como objetivo principal captar os poluentes de uma
fonte (gases, vapores ou poeiras toxicas) antes que os mesmos se dispersem no ar
do ambiente de trabalho, ou seja, antes que atinjam a zona de respiração do
trabalhador. A ventilação de operações, processos e equipamentos, dos quais
emanam poluentes para o ambiente, é uma importante medida de controle de riscos.

De forma indireta, a ventilação local exaustora também influi no bem-estar, na


eficiência e na segurança do trabalhador, por exemplo, retirando do ambiente uma
parcela do calor liberado por fontes quentes que eventualmente existam. Também
no que se refere ao controle da poluição do ar da comunidade, a ventilação local
exaustora tem papel importante. A fim de que os poluentes emitidos por uma fonte
possam ser tratados em um equipamento de controle de poluentes (filtros,
lavadoras, etc.), eles tem de ser captados e conduzidos a esses equipamentos, e
isso, em grande numero de casos, é realizado por esse sistema de ventilação.

PRINCÍPIOS DE EXAUSTÃO

Um sistema de ventilação local exaustora deve ser projetada dentro das princípios
de engenharia, ou seja, de maneira a se obter maior eficiência com o menor custo
possível. Por outro lado devemos lembrar sempre que, na maioria das casos, o
objetivo desse sistema é a proteção da saúde do homem; assi m, este fator deve ser
considerado em primeiro lugar, e todos os demais devem estar condicionados a ele.

Muitas vezes, a instalação de um sistema de ventilação local exaustara, embora


bem di mensionada, pode apresentar falhas que a tornem inoperante, pela não
observância de regras básicas na captação de poluentes na fonte.

O enclausuramento de operações ou processos, a direção do fluxo de ar, entre


outros fatores, são condições básicas para uma boa captação e exausto dos
poluentes

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CAPTORES (COIFAS)

São pontos de captura de poluentes, que, dimensionados convenientemente para


uma fonte poluidora , irão enclausurar parte da fonte e, com um míni mo de energia
,consegue-se a entrada destes poluentes para o sistema de exaustão.

Esses captures devem induzir, na zona de emissão de poluentes, correntes de ar em


velocidades tais que assegurem que os poluentes sejam carregados pelas mesmas
para dentro do captor.

Em casos especiais, formas de captores devem ser desenhadas. Usualmente as


dimensões do processo ou operação determinam as dimensões do captor e sua
forma.

SENAI. Departamento Regional de Minas Gerais.


Organização e Normas : Ferramentas da Qualidade;
elaborado pela equipe técnica do SENAI- MG Belo
Horizonte: O Departamento, 1998.

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1. Referências Bibliográficas

Nepomuceno, Lauro X – Acústico Técnica - Etesil Editora Ltda – São Paulo

Nepomuceno, Lauro X – Acústica – Editora Edgard Blucher Ltda – São Paulo

Beraneck, Leo L. – Noise Reduction – McGraw-Hill Book Co. New York

Crocker, M. J. – Reduction of Machinery Noise – Proceedings Course on Machinery


Noise Reduction- Purdue University

C. M. Harriset. a . , - Handbook of Noise Control McGraw-hill Book Co. - New York

Alexandry, Frederico G – O Problema do ruído Industrial e Seu Controle Edição


Fundacentro – São Paulo

Astete, Martin G. W. et Kitamura Satoshi – Manual Prático de Avaliação do Barulho


Industrial - Edição Fundacentro – São Paulo.

Ubiratan de Paula Santos, Marcos Paiva Matos, Thais Catalani Morata e Vilma
Akemi Okamoto – Ruído Riscos e Prevenção

Manual de Eletricidade Básica – SENAI

Noções Básicas Sobre Ventilação Industrial - ASBRAV

Ergonomia no Brasil - ABERGO

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