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Introdução

Observa-se que a palavra ética passou a fazer parte do vocabulário do homem


comum e está sempre na mídia, demonstrando a vigência de uma preocupação
urgente e universal. A este respeito, Cortina (2003, p. 18) afirma que: “embora a ética
esteja na moda, e todo mundo fale dela, ninguém chega realmente a acreditar que ela
seja importante, e mesmo essencial para viver ”.

Segundo Cortella (2009, p. 102), a ética é

“o que marca a fronteira da nossa convivência. [...] é aquela perspectiva para


olharmos os nossos princípios e os nossos valores para existirmos juntos [...] é o
conjunto de seus princípios e valores que orientam a minha conduta.”

Quanto a ser um assunto tradicional dos filósofos e pensadores, Chauí (1998, p. 25),
afirma que a Filosofia existe há vinte e cinco séculos e, neste período, a ética,
enquanto um dos seus principais ramos, esteve sempre presente e continua viva.

A ética, hoje, é compreendida como parte da Filosofia, cuja teoria estuda o


comportamento moral e relaciona a moral como uma prática, entendida por Cortella
(2007, p. 103) como o “exercício das condutas”. Além disso, é entendida como um tipo
ou qualidade de conduta que é esperada das pessoas como resultado do uso de
regras morais no comportamento social.

O que se entende por moral? Existe diferença entre ética e moral?As duas estão
entrelaçadas. A moral é entendida como um conjunto de normas para o agir específico
ou concreto. Assim, constitui-se de valores e preceitos ligados aos grupos sociais e às
diferentes culturas, determinando o que é ou não aceito por este grupo como bom ou
correto. Já a ética é a reflexão sobre a moral.

A ética discute os valores que se traduzem em existências humanas mais felizes, mais
realizadas, com mais bem-estar e qualidade de vida. Além disso, busca os valores que
signifiquem dignidade, liberdade, autonomia e cidadania.

Na medida em que entendemos a importância da ética para a sobrevivência humana


com qualidade e integridade, compreendemos também a complexidade envolvida em
suas relações com outros campos do saber e da prática, fundamentais à vida humana
em sociedade.

Os valores éticos não nascem com a gente, não pertencem ao que se possa chamar
de “natureza humana”. O ser humano, segundo Saviani (2003), não nasce humano,
mas se torna ao ser acolhido no meio social, no convívio afetivo com outras pessoas.
Ele precisa de cuidados constantes para sobreviver e para adquirir a linguagem
(pensamento, simbolização, imaginação, comunicação verbal ou qualquer outra forma
de comunicação), condição essencial para que construa sua identidade.
Conceitos Importantes

ÉTICA: se refere à reflexão crítica sobre o comportamento humano e no ensino de


enfermagem a disciplina faz “parar para pensar” a responsabilidade profissional, busca
da autonomia, do agir com competência, em mobilizar conhecimentos para julgar e
eleger decisões para a prática profissional democrática.

Ao conceituar ética, enquanto disciplina, FORTES (1998) se refere à reflexão crítica


sobre o comportamento humano, reflexão que interpreta, discute e problematiza,
investiga os valores, princípios e o comportamento moral, à procura do “bom”, da “boa
vida”, do “bem-estar da vida em sociedade”. A tarefa da ética é à procura de
estabelecimento das razões que justificam o que “deve ser feito”, e não o “que pode ser
feito”. É a procura das razões de fazer ou deixar de fazer algo, de aprovar ou desaprovar
algo, do que é bom e do que é mau, do justo e do injusto. A ética pode ser considerada
como uma questão de indagações e não de normatização do que é certo e do que é
errado.

A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exigi maior grau de cultura. Ela investiga e
explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou
hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a
Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a
outra, havendo um inter
relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são
indissociáveis.

MORAL: é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em


sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano.
Durkheim explicava Moral como à “ciência dos costumes”, sendo algo anterior à própria
sociedade. A Moral tem caráter obrigatório. A Moral sempre existiu, pois todo ser
humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em
que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos,
isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos.

DEONTOLOGIA: O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon, déontos” que
significa dever e “lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a
deontologia seria o tratado do dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas
adotadas por um determinado grupo profissional. A deontologia é uma disciplina da ética
especial adaptada ao exercício da uma profissão. Existem inúmeros códigos de
deontologia, sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens
profissionais.

Regra geral, os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e
esforçam se por traduzir o sentimento ético expresso nestas, adaptando-o, no entanto, às
particularidades de cada país e de cada grupo profissional. Para, além disso, estes
códigos propõem sanções, segundo princípios e procedimentos explícitos, para os
infratores do mesmo. Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas,
oferecendo apenas uma função reguladora. A declaração dos princípios éticos dos
psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses, por exemplo, é exclusivamente
um instrumento consultivo. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral
ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos, esses podem, por vezes,
constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões,
relativas a toda a sociedade, por um conjunto de profissionais.

A Ética Profissional
Nenhuma prática profissional está isenta da reflexão ética. Em nossa sociedade,
mesmo as profissões que não têm um “código de ética” com normas de conduta
explicitas e escritas, há uma ética aplicada ao exercício da sua atividade.

Um bom exercício profissional significa não apenas uma boa formação e competência
teórico técnica, mas também uma boa formação pessoal que promova o
desenvolvimento da capacidade de respeitar e ajudar a construir o Homem, a
dignidade humana, a cidadania e o bem-estar daqueles com os quais nos
relacionamos profissionalmente e que dependem de nossa ação, ou seja, significa
compromisso ético (CONTRERAS, 2002).

A ética profissional implica em assumir responsabilidades sociais perante aqueles com


quem trabalhamos e que dependem de nosso conhecimento e prática profissional.
Começa com a reflexão e deve ser iniciada antes da prática profissional. O professor é
elemento-chave para que os princípios de igualdade de oportunidades, tolerância,
justiça, liberdade e confiança na comunidade escolar inclusiva passem da reflexão à
ação (CONTRERAS, 2002).

Temos ciência de que os dilemas existem, e serão ultrapassados quanto mais “sólidos
forem os princípios que tivermos e a preservação da integridade que desejarmos”
(CORTELLA, 2009, p. 108).

Os Conselhos de Classe

Em 1973 acontece a criação do Conselho Federal de Enfermagem, órgão disciplinador


do exercício profissional (COFEN – COREN) que, junto com o sindicato e a ABEN,
completam-se no que diz respeito à assistência, à educação e à defesa dos
enfermeiros brasileiros:

COFEN: normatiza as atividades de enfermagem;

COREN: fiscaliza o cumprimento das leis do exercício profissional (COREN de cada


estado da Federação);

Sindicatos: entidades de defesa e representação das categorias nas questões


trabalhistas.

Em 5 de julho de 1961 o Conselho Federal de Farmácia (CFF) expediu a Resolução nº


2, criando os dez primeiros Conselhos Regionais de Farmácia (CRF), conforme as
atribuições que lhe foram conferidas pela Lei Federal 3.820 de 1960.

Entre eles, o CRF-7, com jurisdição nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e
Guanabara, e sede na cidade do Rio de Janeiro. A primeira Diretoria desse Regional
tomou posse em 23 de setembro de 1961.
O Conselho Regional de Técnicos em Radiologia da 4ª Região foi criado através da
Resolução CONTER nº 10/1988, com jurisdição no Estado do Rio de Janeiro, com
sede e foro na cidade do Rio de Janeiro.

CRTR 4ª Região possui duas Delegacias Regionais que ficam localizadas em Campos
dos Goytacazes e Volta Redonda. Atualmente contamos com 22 funcionários, 02
prestadores de serviços, 04 estagiários, e possuímos 29.751 Profissionais Inscritos
em nossos quadros.

Criada no ano de 1988 pelo Conselho Nacional dos Técnicos em Radiologia, a


principal missão da Autarquia é trabalhar em prol da categoria e da sociedade, para
que profissionais habilitados possam prestar serviço de qualidade e com capacidade.

O Conselho Regional dos Técnicos em Radiologia da 4ª Região tem como objetivo


fiscalizar o profissional, no exercício do poder de polícia, zelar pela ética e a
habilitação técnica adequada para o exercício profissional. Tendo como valores a
enorme responsabilidade social que este conselho profissional possui.

FALTAS ÉTICAS PROFISSIONAIS

As faltas éticas nas profissões estão relacionadas a desvio das condutas prescritas
nos devidos códigos de ética e exercício profissional das diversas vertentes laborais.

Os conselhos profissionais, com base nas comissões de ética, em caso de infração,


instalarão os comitês nos determinados locais (hospitais, empresas, fábricas) e o
processo ético terá início.

Negligência - A palavra negligência é utilizada para designar uma falta de cuidado em


uma situação específica. No uso cotidiano e no direito, implica falta de diligência ou
preguiça, podendo também significar ausência de reflexão proposital sobre
determinado assunto. Por ser caracterizada pela falta de ação de um indivíduo, a
negligência também carrega o significado de passividade e inércia. É uma omissão
aos deveres que variadas situações demandam.

Imprudência - A imprudência também caracteriza uma falta de cuidado, mas antes


disso, uma forma de precipitação. É desrespeitar uma conduta já aprendida
anteriormente e atuar sem precauções. Isto pode trazer riscos para a situação em que
o indivíduo imprudente se encontra, bem como para terceiros envolvidos. O
comportamento de uma pessoa imprudente geralmente é positivo. A culpa surge com
a tomada de uma atitude. Isto é, a imprudência só fica evidente para o indivíduo ao
mesmo tempo em que ele pratica a conduta de omissão e falta de precaução.

Imperícia - A imperícia é uma falta de habilidade específica para o desenvolvimento


de uma atividade técnica ou científica. No caso, o indivíduo não leva em consideração
o que conhece ou deveria conhecer, assumindo a ação sem aptidão para
desenvolvê-la.

Além das faltas éticas acima, o profissional que eventualmente a cometa, poderá ou não
sera valiado quanto ao dolo da sua infração.

"Dolo, em sentido técnico penal, é a vontade de uma ação orientada à realização de


um delito, ou seja, é o elemento subjetivo que concretiza os elementos do tipo. O
crime é considerado doloso quando o agente prevê objetivamente o resultado e tem
intenção de produzir esse resultado ou assume o risco de produzi-lo, conforme
preceitua o art. 18, I, do CP.
Partindo da Teoria Finalista, o dolo inclui unicamente o conhecer e o querer a
realização da situação objetiva descrita pelo tipo, não fazendo menção à
antijuridicidade da conduta (não inclui a consciência da antijuridicidade da conduta).
Segundo WELZEL, toda a ação consciente é conduzida pela decisão de ação, é
dizer, pela consciência do que se quer – o momento intelectual – e pela decisão a
respeito de querer realizar – o momento volitivo. Ambos os momentos,
conjuntamente, como fatores configuradores de uma ação típica real formam o dolo."
(PACELLI, Eugênio. Manual de Direito Penal. 5ª. ed. São Paulo: Atlas, 2019. p.
272-273).
Ética Profissional

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