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Neuropsiquiatria

SAÚDE MENTAL – NEUROPSIQUIATRIA


INTRODUÇÃO/ HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA

A história da Psiquiatria começou quando um homem tentou aliviar o sofrimento de outro


homem, ou mantiver seu prazer pela vida; então, surgiu a medicina e, quando alguém prestou
cuidados necessários para aliviar o sofrimento, surgiu a enfermagem. A religião nesse
período já era encarregada de ajudar as pessoas a encontrarem um sentido para dor e o
sofrimento.

Os médicos na Antigüidade eram os sacerdotes que tratavam os doentes mentais por métodos
mágico-religiosos. Esses sacerdotes indicavam aos pacientes sonos profundos, atividades,
diversões, boas ações ou meditação para as pessoas afetadas, porém com explicações
sobrenaturais.

Já na Grécia Antiga a sociedade encontrava segurança interior no conhecimento e na razão,


fazendo retroceder a crença na magia, no misticismo e na demonologia. E na Era Clássica,
também foi influenciada pelas crenças mágico-religiosa, mas passou-se a tentar buscar
justificativas racionais e materialísticas para explicar as doenças, dando ênfase às
observações. Surgem termos como depressões, a histeria, a epilepsia a psicose pós-parto.

Segundo Galeno o cérebro é o órgão mais importante o homem e sede da alma.


Alguns estudiosos viam o homem na interioridade despertou a idéia do ser humano uno.
Entre os séculos XI e XII dividia o ser humano em alma e corpo, e por isso, os doentes
mentais eram exorcizados até queimados em fogueiras. Com passar dos anos o homem
começou a procurar a verdade a seu próprio respeito, e desta forma ver o homem orgânico,
psicológica e magicamente.

Já no século XVII, conhecido como a Era da Razão e da Observação. A doença Mental


começa a ser estuda como doenças psicológicas, as emoções a histeria começa ser analisada
pelos estudiosos. No século XVIII, a crença na razão substitui a tradição da fé em todos os
aspectos da sociedade. As doenças passaram a ser diagnosticadas com mais exatidão e
localizadas com maior precisão. Apesar de todo o avanço desse período, os doentes mentais
eram confinados em hospitais para proteger a sociedade e eram tratados com sangrias e
purgativos. Ainda neste tempo os pacientes sofriam maus-tratos e morria por falta de
cuidados de higiene e inanição. Eram visto como animais pela sociedade, ou como um
objeto.

Embora os manicômios tivessem surgido com o objeto de ajudar, eles passaram a ser locais
desumanos, onde os doentes eram isolados, enjaulados, acorrentados, golpeados com chicotes
e exibidos como animais. Os prestadores de cuidados eram selecionados entre ex-
presidiários, que utilizavam o chicote como ferramenta e os cães como ajudantes.

No século XVIII, surge a Revolução na Psiquiatria, na França o psiquiatra francês Philippes


Pinel foi o pioneiro na luta pelos direitos dos doentes mentais, pedindo um tratamento mais
humano, na mesma época que foi inventada a guilhotina. Ele é quem libertou os pacientes das
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correntes, as quais que substituiu por camisa de força. Ele também começa a classificar as
doenças mentais. Mais tarde, essa classificação veio a ser efetivada por Emil Kraepelim, em
1896. E no século XIX teve a participação do trabalho de Florence Nightingale, que
preconizava a importância de um cuidado mais humano à pessoa doente e a necessidade de
educação e preparo de quem cuidava desses doentes. Em 1773, foi aberto o primeiro asilo
psiquiátrico nos EUA.

Segundo a Enfermeira americana Linda Richards, o doente mental deveria ser tratado com
tanto cuidado quanto o doente físico. No final do século XIX e no início do XX, Sigmund
Freud transformou a assistência psiquiátrica com a psicanálise. A partir do neuropsiquiatra
Sigmund Freud o homem era visto como um todo (mentefísico) e sua história de vida
passaram a ser considerada o fator preponderante nos transtornos mentais.

PSIQUIATRIA

É um ramo da medicina que estuda a patologia da vida de relação ao nível de integração que
assegura a Autonomia e a Adaptação do homem nas condições de sua existência.
Observação: Faz-se importante mencionar que o diagnóstico psiquiátrico não envolve
somente um diagnóstico diferencial, pois também tem por objetivo levantar o diagnóstico
etiológico para estabelecer o prognóstico funcional da doença e o tratamento mais
apropriado. Formas de doença Mental
Segundo Ferreira (1993), as doenças ou transtornos mentais podem ser classificados
considerando-se origem, natureza e comportamento do cliente/paciente.

EVOLUÇÃO, AVANÇOS DA PSIQUIATRIA E INSERÇÃO DA


ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA.

Até este século a Enfermagem passou por importantes transformações. A assistência de


enfermagem na década de 1930 teve um caráter de custódia, com o objetivo centrado nas
necessidades físicas gerais e na vigilância do cliente. Essa assistência de enfermagem
qualificada para um melhor tratamento ao cliente envolvia sono profundo (1930), choque
insulínico (1935), psicocirurgico (1936) e eletrochoque (1937) que eram os tratamentos
somáticos nestes períodos.

A grande revolução psiquiátrica ocorreu em 1952, neste ano a clorpromazina foi sintetizada
em laboratório, dando grande impulso ao tratamento medicamentoso surgindo assim, uma
nova esperança para os doentes mentais. Neste mesmo ano, surge também o trabalho de
Hildegard Peplau, que preconizava o relacionamento terapêutico enfermeiro-cliente como
instrumento básico da assistência de Enfermagem Psiquiátrica.

O enfoque da assistência de enfermagem psiquiátrica sofre grandes transformações, que até


então era voltada aos cuidados físicos (higiene, limpeza), à vigilância à contenção passou a
centrar-se nas relações interpessoais. A enfermagem passa ter efetiva participação na
assistência global ao cliente, passa a ser conhecida e cobrada, tanto em nível hospitalar como
extra-hospitalar. E neste mesmo tempo, tem-se a necessidade de uma formação específica das
pessoas que trabalhavam em colaboração com os médicos, na prestação de cuidados
terapêuticos.
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Com a estruturação da formação dos auxiliares de enfermagem, sendo responsabilidade do


Ministério da Educação e Ciência esboçar, organizar e planificar sua formação profissional.
Em 1989, o Congresso nacional, por meio do Projeto de Lei nº. 3.657/1989, previu a
reestruturação da assistência psiquiátrica brasileira, com a substituição progressiva dos
manicômios por “novos dispositivos de tratamento e acolhimento”. A Lei da Reforma
Psiquiátrica Brasileira foi sancionada pelo presidente da República Fernando Henrique
Cardoso em abril de 2001, após 12 anos de tramitação, indicando a substituição progressiva
do modelo assistencial hospitalocêntrico.

Traços de Percursos Reabilitativos:

 Respeitar o direito de interação, mesmo que fora ou além de nossa lógica, garantindo
suas escolhas;
 Garantir qualquer que seja a forma de comunicação;
 Garantir a qualquer cliente mesmo sem identidade ou histórico, recoloca-lo no evento
histórico da sociedade, garantir as habilidades residuais nunca indagadas, valorizadas e
inúteis em estruturas totais de aniquilamento humano.
 Os manicômios têm suas regras mudadas, baseadas na homologação da ausência de
direitos, da não identidade e que levam à modificação da dinâmica dos hospitais
psiquiátricos. Uma instituição psiquiátrica para ser Desinstitucionalizar é preciso ser
feito por etapas, partindo do interno, desse modo, deve-se:
 Acabar com as medidas de
contenção física;
Reconhecer os direitos
humanos dos clientes;
 Eliminar as tutelas jurídicas, considerando que o cliente pode voluntariamente
colaborar com seu cuidado;
 Dar o direito de o cliente ter um trabalho;
 Respeitar o direito ao acesso a lugares reais e simbólicos de autonomia e reprodução
de hábitos pessoais;
 Integrá-los a sociedade;

PSICOPATOLOGIA
Psicopatologia é um termo que se refere tanto ao estudo dos estados mentais patológicos,
quanto à manifestação de comportamentos e experiências que podem indicar um estado
mental ou psicológico anormal. O termo é de origem grega; psykhé significa alma e
patologia, estudo das doenças, seus sintomas. Literalmente, seria uma patologia da alma.

SAÚDE MENTAL NO SUS (CAPS)


De acordo com a Organização Mundial da Saúde, saúde mental é um estado de bem-estar no
qual o indivíduo é capaz de usar suas próprias habilidades, recuperar-se do estresse rotineiro,
ser produtivo e contribuir com a sua comunidade.

A atenção em saúde mental é oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS), através de


financiamento tripartite e de ações municipalizadas e organizadas por níveis de
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complexidade. A Rede de Cuidados em Saúde Mental, Crack, Álcool e outras Drogas foi
pactuada em julho de 2011, e prevê, a partir da Política Nacional de Saúde Mental, os
Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), os Serviços Residenciais Terapêuticos, os Centros
de Convivência e Cultura, as Unidades de Acolhimento e os leitos de atenção integral em
Hospitais Gerais.

Além de atender pessoas com transtornos mentais, estes espaços acolhem usuários de álcool,
crack e outras drogas e estão espalhados pelo país, modificando a estrutura da assistência à
saúde mental. E vêm substituindo progressivamente o modelo hospitalocêntrico e
manicomial, de características excludentes, opressivas e reducionistas.

Esta forma de atendimento é fruto de um longo processo de luta social que culminou com a
Reforma psiquiátrica, em 2001. Sua principal bandeira está na mudança do modelo de
tratamento: no lugar do isolamento, o convívio com a família e a comunidade.

O maior desafio para as políticas de saúde mental no Brasil hoje é o enfrentamento do uso do
crack. Com a desospitalização promovida a partir dos princípios da Reforma psiquiátrica e o
consumo crescente da droga em todas as esferas sociais, o SUS tem atuado de forma
interdisciplinar, objetivando construir uma estratégia eficaz de enfrentamento do problema, já
considerado uma epidemia por diversas instituições.

CAPs
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nas suas diferentes modalidades são pontos de
atenção estratégicos da RAPS: serviços de saúde de caráter aberto e comunitário constituído
por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente
atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com
necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em
situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial e são substitutivos ao modelo
asilar.
O perfil populacional e socioeconômico são fatores fundamentais para a elaboração de uma
estratégia de saúde mental e atenção básica nos CAPS, a integração dos setores é outro fator
que deve ser seguido rigorosamente em especial pelos ainda escassos recursos para esse setor
nos municípios.
Funções:
 Monitorar casos de distúrbios mentais leves e moderados diariamente, evitando assim
a superlotação dos hospitais psiquiátricos.
 Adotar métodos terapêuticos que envolvam a inserção do portador de distúrbio
mental na sociedade, através de ações conjuntas com outros órgãos.
 Regular os profissionais que atuam na área de saúde mental na esfera pública.
 Oferecer suporte e orientações para as famílias carentes sobre eventuais benefícios
em caso de vulnerabilidade socioeconômica.
 Efetuar uma estratégia de mapeamento sobre os indivíduos com transtornos mentais
no município.
 Elaborar planejamentos adaptados para determinada área
em virtude de particularidades na localização,
condições sociais, culturais e econômicas.
 Criar mecanismos de reinserção social através de atividades de lazer, trabalhos
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comunitários, projetos culturais e fortalecimento dos laços familiares.

Vale ressaltar que todas as atividades desenvolvidas pelos CAPS, possuem a autonomia
necessária para evitar a internação em hospitais psiquiátricos. Essa nova abordagem permite
que o indivíduo e sua família participem de maneira ativa no processo de recuperação.

TRANSTORNOS RELACIONADOS COM O USO DE SUBSTÂNCIAS


PSICOATIVAS

Compreende numerosos transtornos que diferem entre si pela gravidade variável e por
sintomatologia diversa, mas que têm em comum o fato de serem todos atribuídos ao uso de
uma ou de várias substâncias psicoativas, prescritas ou não por um médico.

Drogas psicoativas são substâncias químicas que afetam o funcionamento do cérebro,


causando mudanças no comportamento, humor e consciência. Embora essas drogas possam
ser usadas terapeuticamente para tratar distúrbios tanto físicos quanto psicológicos, também
são usadas para fins recreativos para alterar o humor, as percepções e o estado de
consciência.
 Depressores: álcool; morfina, barbitúricos; anestésicos,
benzodiazepínicos; ansiolíticos; ópio.
 Estimulantes: cafeína; nicotina; cocaína; crack; anfetaminas; estabilizadores do
humor, ecstasy, antidepressivos.
 Psicodélicos: maconha; Skank, LSD; psilocibina (derivado de um tipo de
cogumelo); mescalina (encontrada no peyote cactus).

A identificação da substância psicoativa deve ser feita a partir de todas as fontes de


informação possíveis. Estas compreendem: informações fornecidas pelo próprio sujeito, as
análises de sangue e de outros líquidos corporais, os sintomas físicos e psicológicos
característicos, os sinais e os comportamentos clínicos, e outras evidências tais como as
drogas achadas com o paciente e os relatos de terceiros bem informados. O diagnóstico
principal deverá ser classificado, se possível, em função da substância tóxica ou da categoria
de substâncias tóxicas que é a maior responsável pelo quadro clínico ou que lhe determina as
características essenciais.

O diagnóstico de transtornos ligados à utilização de múltiplas substâncias deve ser reservado


somente aos casos onde a escolha das drogas é feita de modo caótico e indiscriminado, ou
naqueles casos onde as contribuições de diferentes drogas estão misturadas.

TRANSTORNOS MENTAIS ORGÂNICOS

Demência Senil: Pode ser definida como deterioração crônica, tipicamente irreversível, das
capacidades intelectuais, devido a uma doença orgânica do cérebro que tenha produzido
alterações estruturais (morte real dos neurônios). Os sintomas mais frequentes são distúrbios
da memória, de orientação e de funções intelectuais. O paciente pode ter alucinações e
ilusões.
Inicia-se geralmente da sétima década, muita das vezes sob a forma de alterações do caráter,
irritabilidade. Ocorre à redução de todas as funções psíquicas, predominam distúrbios da
atenção com desorientação, labilidade afetiva e fraqueza do juízo. Desenvolve-se
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progressivamente até o estado final de demência completa. Há uma atrofia cerebral difusa
com destruição dos neurônios, degeneração fibrilar de Alzheimer e placas senis.

Doenças de Alzheimer: Evolução progressiva, apresentando alteração da memória. O quadro


caracteriza-se por inquietação ocupacional absurda, logoclonia (repetição convulsiva das
primeiras sílabas das palavras) e desorientação. A inquietação e irritabilidade são típicas das
fases de deterioração completa. Achados histológicos semelhantes aos da demência senil.

Delirium: Perturbação súbita, flutuante, e geralmente reversível da função mental. É


caracterizado por uma incapacidade de prestar atenção, desorientação, incapacidade de pensar
com clareza e flutuações do nível de alerta (consciência). O delirium é um estado mental
anômalo, não uma doença.
Embora o delirium e a demência afetem o pensamento, eles são diferentes. O delirium afeta
principalmente a atenção e a demência afeta principalmente a memória. O delirium inicia-se
repentinamente e frequentemente apresenta um início definitivo. A demência normalmente
apresenta início gradual e não um início definitivo. Muitas doenças, medicamentos e
intoxicações podem causar delirium. O diagnóstico baseia-se nos sintomas e resultados do
exame físico, e eles utilizam exames de sangue, urina e de imagem para identificar a causa.

TRANSTORNOS PSICÓTICOS (ESQUIZOFRENIA)

A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou início da


idade adulta. Ela atinge em igual proporção homens e mulheres, em geral inicia-se mais cedo
no homem, por volta dos 20-25 anos de idade, e na mulher, por volta dos 25-30 anos.

Não se sabe quais são as causas da esquizofrenia. A hereditariedade tem uma importância
relativa, sabe-se que parentes de primeiro grau de um esquizofrênico tem chance maior de
desenvolver a doença do que as pessoas em geral. Por outro lado, não se sabe o modo de
transmissão genética da esquizofrenia. Fatores ambientais (p. ex., complicações da gravidez e
do parto, infecções, entre outros) que possam alterar o desenvolvimento do sistema nervoso
no período de gestação parecem ter importância na doença. Estudos feitos com métodos
modernos de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética mostram
que alguns pacientes têm pequenas alterações cerebrais, com diminuição discreta do tamanho
de algumas áreas do cérebro..

O diagnóstico da esquizofrenia é feito pelo especialista a partir das manifestações da doença.


Não há nenhum tipo de exame de laboratório (exame de sangue, raio X, tomografia,
eletroencefalograma etc.) que permita confirmar o diagnóstico da doença. Muitas vezes o
clínico solicita exames, mas estes servem apenas para excluir outras doenças que podem
apresentar manifestações semelhantes à esquizofrenia.

A esquizofrenia evolui geralmente em episódios agudos onde aparecem os vários sintomas


acima descritos, principalmente delírios e alucinações, intercalados por períodos de remissão,
com poucos sintomas manifestos.
O tratamento da esquizofrenia visa ao controle dos sintomas e a reintegração do paciente. O
tratamento da esquizofrenia requer duas abordagens: medicamentosa e psicossocial.
TRANSTORNO DE HUMOR
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Transtorno Bipolar

Caracteriza-se por episódios de mania e depressão que podem se alternar, embora a maioria
dos pacientes tenha predominância de um ou do outro. A causa exata é desconhecida, mas
hereditariedade, mudanças nos níveis cerebrais de neurotransmissores e fatores psicossociais
podem estar envolvidos. O diagnóstico baseia-se na história. O tratamento consiste em
medicamentos estabilizadores do humor, algumas vezes, com psicoterapia.

Os transtornos bipolares geralmente começam na primeira, segunda ou terceira década de


vida. A prevalência ao longo da vida é de cerca de 4%. As taxas de transtorno bipolar I são
aproximadamente iguais para homens e mulheres.
A causa exata do transtorno bipolar é desconhecida. A hereditariedade tem papel significativo.
Também há evidências de desregulação de serotonina e noradrenalina. Fatores psicossociais
também podem estar envolvidos. Eventos de vida estressantes estão muitas vezes associados
ao desenvolvimento inicial dos sintomas e exacerbações posteriores, ainda que causa e efeito
não tenham sido estabelecidos. Algumas drogas podem desencadear exacerbações em alguns
pacientes com transtorno bipolar; essas drogas incluem cocaína, álcool, certos antidepressivos

Sinais e sintomas
Os transtornos bipolares se iniciam com uma fase aguda de sintomas a que se segue um curso
de recaídas e remissões repetidas. Remissões são frequentemente completas, mas muitos
pacientes têm sintomas residuais e, para alguns, a capacidade de funcionar no trabalho é
gravemente prejudicada. As recaídas são episódios marcantes de sintomas mais intensos que
são maníacos, depressivos, hipomaníacos ou uma mistura de características depressivas e
maníacas. Os episódios duram qualquer coisa entre algumas semanas e até três a seis meses.
Os ciclos — o tempo a partir do início de um episódio até o início do próximo — variam em
duração entre os pacientes. Alguns pacientes apresentam episódios infrequentes, talvez,
apenas alguns ao longo de toda a vida, enquanto outros manifestam formas de ciclagem
rápida (geralmente definida como ≥ 4 episódios/ano). Apenas uma minoria alterna entre
mania e depressão em cada ciclo; na maioria, um ou outro predomina em alguma extensão.
Pacientes podem tentar ou cometer suicídio. Estima-se que a incidência ao longo da vida do
suicídio em pacientes com transtorno bipolar seja pelo menos 15 vezes maior do que na
população em geral.

Depressão

A tristeza é um dos sentimentos humanos mais doloroso. A tristeza passageira, "baixo-astral",


o "estar down" fazem parte da vida, e são superados após algum tempo. O luto, após a perda
de um ente querido, manifesta-se por um sentimento de tristeza e vazio e também é superado
com o tempo. Devem-se distinguir a tristeza e o luto normais da depressão.

A depressão caracteriza por uma tristeza profunda e duradoura, além de outros sintomas. É
bastante comum. A cada ano, uma em cada vinte pessoas apresenta depressão. A chance de
alguém ter uma depressão ao longo da vida é de cerca de 15%. Ela se manifesta mais
frequentemente no adulto, embora possa ocorrer em qualquer faixa de idade, da criança ao
idoso. É mais frequente nas mulheres do que nos homens.
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É muito importante que as pessoas saibam perceber a depressão para poder procurar ajuda
especializada e tratamento. A pessoa sente uma tristeza intensa, que não consegue vencer. Ela
pode achar que isso é uma "fraqueza de caráter" e tem vergonha de pedir ajuda, ou então não
sabe que se trata de uma doença como outra qualquer, passível de tratamento com grandes
chances de sucesso. Nessa situação é muito importante que os familiares ou amigos próximos
tomem a decisão de levá-la ao médico, seja o clínico ou médico da família, seja o psiquiatra.
Este fará uma avaliação minuciosa do quadro, orientando na realização de eventuais exames
laboratoriais, bem como no tratamento.

Os principais sintomas da depressão são: tristeza profunda e duradoura (em geral mais que
duas semanas), perda do interesse ou prazer em atividades que antes eram apreciadas,
sensação de vazio, falta de energia, apatia, desânimo, falta de vontade para realizar tarefas,
perda da esperança, pensamentos negativos, pessimistas, de culpa ou autodesvalorização.
Além desses, a pessoa pode ter dificuldade para concentrar-se, não dorme bem, tem perda do
apetite, ansiedade e queixas físicas vagas (desconforto gástrico, dor de cabeça, entre outras).
Em casos mais graves podem ocorrer ideias de morte e suicídio, havendo até pessoas que
tentam o suicídio. A depressão é frequentemente uma doença recorrente, a pessoa tem
episódios de depressão que se repetem de tempos em tempos.

A causa da depressão não é conhecida. Sabe-se que vários fatores biológicos e psicológicos
podem contribuir para seu aparecimento. Em algumas pessoas a hereditariedade tem um peso
importante, outros parentes também apresentam depressão. Com muita frequência a
depressão começa após alguma situação de estresse ou conflito e depois persiste, mesmo após
a superação da dificuldade. Há um desequilíbrio químico no cérebro, com alterações de
neurotransmissores (substâncias que fazem a comunicação entre as células nervosas)
principalmente da noradrenalina e da serotonina.

O tratamento da depressão se faz atualmente com a combinação dos medicamento


antidepressivo com a psicoterapia. Como os medicamentos demoram algum tempo para agir,
é importante não desanimar; nesse período o apoio e a compreensão dos familiares é
fundamental.

TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

A síndrome do pânico ou transtorno do pânico é uma enfermidade que se caracteriza por


episódios abruptos absolutamente inesperados de medo e desespero. A pessoa tem a
impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco, porque o coração
dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.
Manifesta-se especialmente em jovens e acomete mais as mulheres do que os homens. A
maioria dos pacientes tem a primeira crise entre 15 e 20 anos desencadeada sem motivo
aparente.
Com o passar do tempo, as crises vão se repetindo de maneira aleatória. Não prever quando
podem surgir novamente gera uma ansiedade chamada de antecipatória. Geralmente os
pacientes com pânico

Transtorno Obsessivo Compulsivo

É um distúrbio psiquiátrico de ansiedade, sua principal característica é a presença de crises


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recorrentes de obsessões e compulsões.


Entende-se por obsessão pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa
insistentemente, sem que ela queira. o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é
realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas,
que ajudam a aliviar a ansiedade. Alguns portadores dessa desordem acham que, se não
agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos
obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se
num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa como para a vida da família inteira.
Na infância, o distúrbio é mais frequente nos meninos. No final da adolescência, porém,
pode- se dizer que o número de casos é igual nos dois sexos.
Em geral, os rituais se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência,
contagem, organização, simetria, colecionismo, e podem variar ao longo da evolução da
doença.
Causas: Não estão bem esclarecidas. Certamente, trata-se de um problema multifatorial.
Estudos sugerem a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas
cerebrais que utilizam a serotonina. Fatores psicológicos e histórico familiar também estão
entre as possíveis causas desse distúrbio de ansiedade.

Sintomas: O principal sintoma da doença é a presença de pensamentos obsessivos que levam


à realização de um ritual compulsivo para aplacar a ansiedade que toma conta da pessoa.

Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG

A ansiedade é uma emoção normal e necessária à vida, todos nós a experimentamos em


vários momentos. O TAG é um distúrbio de ansiedade crônico e flutuante, em que as pessoas
não conseguem evitar suas preocupações, mesmo percebendo que grande parte delas é
injustificada. Existe uma excessiva preocupação com saúde, bem estar dos familiares,
dinheiro ou trabalho. Há também uma incapacidade de relaxar, mesmo quando há
possibilidades de fazê-lo e, muitas vezes, há problemas para iniciar ou manter o sono,
gerando sensações de cansaço e problemas para se concentrar.
É duas vezes mais comum em mulheres que em homens. O distúrbio desenvolve-se
lentamente, geralmente começando na vida adulta jovem. A maior parte dos diagnósticos
ocorrem na meia-idade e diminui nos últimos anos de vida.
Os distúrbios de ansiedade são complexos e resultam de uma combinação de fatores
genéticos, comportamentais, de desenvolvimento e outros. Adversidades na infância e a
superproteção dos pais estão associadas ao desenvolvimento posterior de TAG, mas nenhum
fator ambiental foi identificado como específico para o desenvolvimento de ansiedade.

Pessoas com esse distúrbio geralmente: Não conseguem controlar a sua preocupação
excessiva. Tem dificuldade em iniciar ou manter o sono. Experimentam tensão muscular.
Esperam sempre pelo pior (sensação de algo ruim acontecerá, como um acidente ou doença
em um familiar). Preocupam-se excessivamente sobre dinheiro, saúde, família ou trabalho,
mesmo quando não há sinais de problemas. São incapazes de relaxar. São irritáveis. Sentem-
se facilmente cansados. Tenha dificuldade em se concentrar ou a mente “fica em branco”

Os sintomas físicos comuns são:


 Sentir-se cansado sem motivo
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 Dores de cabeça
 Tensão e dores musculares
 Dificuldade em engolir
 Tremores
 Sudorese
 Náusea
 Tonteira
 Falta de ar ou sentir-se sem fôlego
 Necessidade de ir ao banheiro com freqüência
 Ondas de calor
PS: Em crianças e adolescentes com transtorno de ansiedade generalizada, as ansiedades e
preocupações são frequentemente associadas à qualidade do desempenho ou competência na
escola ou esportes. As preocupações podem incluir pontualidade e perfeccionismo.
Medicamentos e tipos específicos de psicoterapia são os tratamentos recomendados para este
transtorno.

TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

Os transtornos de personalidade são um grupo de doenças psiquiátricas em que a pessoa tem


um padrão de pensamento e comportamento bastante rígido e mal ajustado. Sem tratamento,
que envolve psicoterapia e medicamentos, o problema costuma ter longa duração e causa
sofrimento e dificuldade nos relacionamentos pessoais e em outras áreas.
Os transtornos de personalidade são classificados em categorias que têm características
comuns. Embora seja comum reconhecer traços de si mesmo em diferentes transtornos de
personalidade, quem tem o problema possui a maior parte das características de um
transtorno específico.

TRANSTORNOS ALIMENTARES
Os transtornos alimentares envolvem uma perturbação da alimentação ou do comporta mento
relacionado à alimentação, que costumam incluir:
 Alterações dos alimentos ou da quantidade consumida pelas pessoas
 Medidas que as pessoas adotam para evitar que os alimentos sejam absorvidos
(por exemplo, forçando o próprio vômito ou tomando laxantes)

Para que um comportamento alimentar incomum seja considerado um transtorno, o


comportamento precisa continuar por um certo período e causar prejuízo significativo à saúde
física da pessoa e/ou à capacidade de desempenhar funções na escola ou no trabalho ou afetar
negativamente as interações da pessoa com outros.

CUIDADOS GERAIS NA ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA

De acordo com Dally (1992), os cuidados gerais nas assistências de Enfermagem Psiquiátrica
são:
 aproximar-se de maneira clama e amigável;
 quando o paciente estiver deprimido, permanecer ao seu lado o tempo todo;
 administrar fármacos antidepressivos prescritos;
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 observar efeitos e reações dos fármacos;


 fazer comentários positivos sobre suas conquistas;
 demonstrar interesse pelo paciente;
 estimular a alimentação;
 registrar aceitação hídrica e alimentar;
 observar e registrar eliminações.

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