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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA.

SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTE


DEPARTAMENTO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM – DEEL.
LICENCIATURA EM LETRAS PORTUGUÊS/ ESPANHOL

MARTA FERREIRA PINTO – 3VB

FICHAMENTO DE TEXTO ACADÊMICO

PROFESSOR DR. RICARDO LUIZ PEDROSA ALVES

PONTA GROSSA – PARANÁ.

2021
RESUMO: Debate rotina, ritmos e grafias da pesquisa de Cássio Eduardo
Viana Hissa Renata Moreira Marquez

“A ciência moderna fragmenta a realidade em um movimento que culmina na


compartimentação do conhecimento. O processo de criação de territórios
disciplinares implica no estabelecimento e na delimitação do objeto e do método de
estudo” (HISSA, 2002). O discurso científico cria ideologias que objetivam legitimar
o exercício dele.
O conhecimento produzido pela ciência moderna está inserido na emergência de
uma nova sociedade fundamentada no Iluminismo e no Renascimento. Definições
sobre a ciência moderna ganham maior consistência e compreensão em um
momento de transição social, que vigorou em meados do século XVII. A sociedade
europeia passava por “[...] uma transformação técnica e social sem precedentes na
história da humanidade” (SANTOS, B., 2004, p. 17).
A expectativa ideologizada pela ciência moderna é a de que a excessiva
fragmentação do conhecimento possa viabilizar interpretações mais precisas e
profundas da realidade. “Conhecer significa dividir e classificar para depois poder
determinar relações sistemáticas entre o que se separou” (SANTOS, 2004, p. 28).
Entretanto, os desdobramentos dessa pulverização do conhecimento não
corresponderam aos sonhos e às promessas construídas pela ciência moderna.
Diversos autores refletem sobre essa questão e não são poucas as interpretações
desse processo, o que torna a literatura acerca dessa temática — a modernização e
a disciplinarização do conhecimento — densa. Na leitura de Edgar Morin (2003, p.
119), “[...] a hiperespecialização dos saberes disciplinares reduziu a migalhas o
saber científico.” Para Milton Santos (2002b, p. 19), “[...] não há ciências realmente
independentes. A realidade social é uma só”. Cássio E. Viana Hissa (2002, p. 261)
também sublinha os insucessos do processo de disciplinarização do conhecimento:
“A disciplina é frágil em seu isolamento”. O autor ainda acrescenta que “[...] a
fragilidade de interpretações exclusivamente fundamentadas no trabalho científico
especializado [...], a despeito do discurso mitificador da especialização, do
pragmatismo e da técnica, pode conduzir a uma explicação, no sentido da
simplificação e da banalização da crítica” (HISSA, 2002, p. 295). O processo de
fragmentação do conhecimento produz a desvalorização da ciência enquanto saber
(HISSA, 2008). Boaventura de Sousa Santos (2004, p. 74) também desconstrói o
mito segundo o qual o aprofundamento do conhecimento é desenvolvido através
dos campos disciplinares: “Sendo um saber disciplinar, tende a ser um
conhecimento disciplinado, isto é, segrega uma organização do saber orientada
para policiar as fronteiras entre as disciplinas e reprimir os que as quiserem
transpor”.
A inquietação diante do desperdício histórico e material dos saberes não
hegemônicos pela ciência moderna culmina na reflexão acerca da reinvenção dos
saberes e da universidade, em busca de outras referências para uma nova vida. As
teorias, os conceitos, as práticas, as ideias e os pensamentos ganhariam um caráter
de coletividade, em contraposição à individualidade cultuada na modernidade
irrigada pelo capitalismo. Essa é uma reflexão teórica complexa, pois pensar sobre
o futuro da ciência é pensar sobre o futuro dos homens. As críticas à ciência
moderna, empreendidas por diversos autores e algumas incorporadas por este
estudo, assim como as transformações experimentadas pelo mundo na
contemporaneidade sublinham a importância dessa discussão do destino dos
saberes e da humanidade.
Os procedimentos metodológicos de uma pesquisa estão sempre associados aos
objetivos que essa pesquisa pretende alcançar. Metodologia significa caminho,
trajetória, percurso de pesquisa. É o como fazer a pesquisa. O caminho é pensado a
partir dos objetivos, mas as escolhas e definições metodológicas integram o próprio
processo de pensar a pesquisa. Assim, toda pesquisa, mesmo imaginada desde o
início, sofre mudanças de percurso, ganha 17 novos fôlegos, incorpora novas
questões e pode até tomar outras direções. A reflexão envolvida na pesquisa indica
novos caminhos, abre horizontes para pensamentos e ideias antes não imaginados.
Caso contrário, não seria preciso elaborar a pesquisa, pois já se conheceriam seu
ponto final, seus resultados e, assim, suas possíveis contribuições. O enfoque é a
pesquisa teórica e toda a crítica produzida teoricamente. A intenção não é negar a
relevância das pesquisas empíricas e de toda a metodologia que eles envolvem,
mas, sim, valorizar os estudos teóricos e, mais do que isso, questionar essa
separação entre teoria e prática e, assim, entre pesquisa teórica e empiria. Toda
empiria é irrigada por reflexões teóricas desenvolvidas antes, durante e após a sua
realização; caso contrário, o esvaziamento teórico produziria uma descrição
simplória, frágil em seus argumentos, empobrecida.
Em suma: qual o problema/a razão do texto? qual a tese apresentada? com que
argumentos ela é apresentada? como a tese se orienta quanto ao debate? que
recursos são mobilizados na argumentação, e de que modo são mobilizados?
O problema/a razão do texto é pesquisa teórica e toda a crítica produzida
teoricamente. Uma discussão teórica que se refere à reinvenção dos saberes e à
reafirmação do lugar na teoria socioespacial conduz ao encadeamento de ideias e
conceitos que integram essa reflexão. A discussão teórica emerge da experiência
vivida por quem desenvolve a reflexão, a universidade moderna, que produz,
reproduz e encaminha para o consumo os conhecimentos científicos. A ideia é
promover críticas acerca da maneira como tem acontecido historicamente a
produção de conhecimento dentro desse ambiente.
As reflexões conceituais não nascem de um vazio. Os sujeitos que produzem o
conhecimento também são sujeitos que vivem um cotidiano, experimentam os
lugares, observam e significam o mundo, fazem escolhas, agem, julgam, dialogam,
criticam, ou seja, possuem uma vivência empírica que fundamenta seus
pensamentos teóricos. Essa discussão engloba a reflexão sobre o conhecimento
científico e sobre a sua hegemonia em escala mundial, assim como a produção de
invisibilidades sociais promovida pelos pressupostos, dicotomias modernas que
habitam a ciência.
Portanto novas fronteiras de conhecimento, alunos ativos, a metodologia
educacional as melhores experiências são as experiências de alunos que estudam
por projeto de pesquisa. É uma educação feito não por conteúdos, mas por
questões problematizadoras, isso implica no aluno o desenvolvimento da sua
autonomia, responsabilidade. O currículo por competência diz onde o aluno deve
chegar, ou seja, uma educação por competência que diz onde o aluno deve chegar
além disso desenvolver o debate intelectual saber ouvir as ideias e opiniões dos
outros porque é através do debate intelectual ocorre também lugar da troca,
incentivo.

Relação do texto com a disciplina de prática III.


O texto trada dos saberes produzidos e que colocamos na prática, no momento em
que iremos praticar no projeto de extensão o desenvolvimento da pesquisa
cientifica, a reflexão sobre os saberes produzidos no cotidiano, as transformações
sociais que irão tornar uma importante referência para a pesquisa de cada aluno
pesquisador. A utilização de texto como fontes de diálogo, reflexão e discussão,
autores que são referências importantes para o debate das questões trabalhadas
em sala de aula.

REFERÊNCIAS

HISSA, Cássio Eduardo Viana. A mobilidade das fronteiras: inserções da


geografia na crise da modernidade. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.

MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento.


Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002b.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício


da experiência. São Paulo: Cortez, 2000.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A universidade no século XXI: para uma reforma


democrática e emancipatória da Universidade. São Paulo: Cortez, 2004.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A universidade no século XXI: para a construção


de uma universidade com futuro. Belo Horizonte: UFMG / IEAT – Instituto de
Estudos Avançados Transdisciplinares, 2005 (palestra proferida em 11 de abril de
2005).

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências. São Paulo:


Cortez, 2003.

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