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III Simposio ambiental da UEMG: Agrobiodiversidade: desafios do


antropoceno

Book · November 2020

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Vanessa De Castro Rosa


Universidade do Estado de Minas Gerais
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Anais do III AMBIUEMG - Simpósio Ambiental da Universidade do
Estado de Minas Gerais - unidade Frutal
Agrobiodiversidade: desafios no antropoceno

30 e 31 de maio de 2019

Organizadora dos anais do evento: Vanessa de Castro Rosa.

Foto da Capa: "Poema em forma de céu" de Augusto Martins de Jesus.

Artes gráficas: Vitor Hugo Girotto (Imagens por rawpixel.com e Freepik).

Comissão organizadora do Avaliadores dos resumos


evento expandidos
Amanda Fialho
Jhansley Ferreira da Mata Rodrigo Bárbara Daniella Lago Modernell
Ney Millan Vanesca Korasaki Vanessa Kátia Carolino
de Castro Rosa Rodrigo Ney Millan
Gustavo Henrique Gravatim Costa

Os trabalhos são de autoria e responsabilidade exclusiva de seus autores.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira doLivro,SP,Brasil)

Gerais, Simpósio Ambiental da Universidade do


Estado
de Minas (5. : 2019 : Minas Gerais)
Anais do III AMBIUEMG : Simpósio Ambiental da
Universidade do Estado de Minas Gerais [livro
eletrônico] : agrobiodiversidade : desafios no
antropoceno / Simpósio Ambiental da
Universidade do Estado de Minas Gerais ;
organização Vanessa de Castro Rosa. -- 1. ed.
-- Rio de Janeiro : Ponto&Virgula, 2020.
PDF

Bibliografia
ISBN 978-65-992279-2-9

1. Agrobiodiversidade 2. Agrobiodiversidade -
Brasil - Congressos 3. Antropoceno 4. Ciências
sociais I. Rosa, Vanessa de Castro. II.
Título.

20-46480 CDD-300.06

Índices para catálogo sistemático:

1. Agrobiodiversidade : Ciências sociais : Congresso 300.06

Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964


Sumário

Grupo de trabalho I - AGROBIODIVERSIDADE SOB O OLHAR DAS CIÊNCIAS


SOCIAIS................................................................................................................................................................... 5

As interfaces entre a Agroecologia e o Ecofeminismo............................................................................ 8

A logística reversa no gerenciamento integrado dos resíduos da construção civil no


município de Frutal-MG....................................................................................................................................... 14

Os efeitos do Termo de Ajustamento de Conduta como instrumento de proteção


ambiental sob a ótica do rompimento da barragem de Mariana.................................................... 20

Análise jurídica da obsolescência programada sob a ótica do Direito Ambiental............... 25

Narrativa da mobilização social para impedir uma avenida “particular” dentro do parque
municipal do cinturão verde de Cianorte-PR....................................................................................... 30

Sustentabilidade e o manejo florestal como elemento da economia em conjunto à reserva


legal........................................................................................................................................................................... 36

Grupo de trabalho II - AGROBIODIVERSIDADE E CIÊNCIAS NATURAIS: DESAFIOS


PARA O ANTROPOCENO.................................................................................................................................. 43

Sistemas Agroecológicos: utilização do método de controle biológico como estratégia


para o manejo de pragas e doenças.......................................................................................................... 46

Água virtual como elemento fundamental para preservação da biodiversidade.................. 52

Emissários submarinos e seu impacto no meio ambiente marinho............................................. 57

Controle biológico da Diatraea saccharalis (FABRICIUS, 1794): uso de microrganismos


entomopatogênicos na cultura da cana-de-açúcar................................................................................ 63

Avaliação do desenvlvimento Bidens pilosa, Taraxacum officinale submetido a palha de


cana-de-açúcar como potencial alelopático.............................................................................................. 69

Qualidade microbiológica e parâmetros físico-químicos da água em uma propriedade


rural de Frutal-MG.................................................................................................................................................. 76

Potencial alelopático do pó da palha de cana-de-açúcar nas espécies de Bidens pilosa,


Taraxacum officinale, tomate e alface.......................................................................................................... 81

A importância da fauna de solo para a produção agroecológica.................................................... 88

Quantificação de bactérias em solos com cultivo convencional e agroecológico.................. 92


AGROBIODIVERSIDADE SOB O OLHAR DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
André Serotini 1

RESUMO: o presente texto tem como objetivo apresentar, de forma sintética, os


principais resultados do III AMBIUEMG – Simpósio Ambiental da Universidade do
Estado de Minas Gerais – Unidade Frutal – Agrobiodiversidade: Desafios no
Antropoceno, em especial aos trabalhos inscritos, selecionados e apresentados no GT I –
Agrobiodiversidade sob o olhar das ciências sociais. Na sua terceira edição, o simpósio
se consolida como importante arena democrática e eclética para o debate das questões
ambientais através de palestras e contribuições com apresentação de resultados de
pesquisas concluídas e em andamento da comunidade acadêmica do Triângulo Mineiro e
região.

INTRODUÇÃO

Por si só meio ambiente é considerada uma expressão carregada de sentidos e


significados, que permeia, invade e ultrapassa as mais diversas áreas do conhecimento,
se caracterizando, portanto, como multidisciplinar. Todavia, muitas vezes ignora-se a
importância e até mesmo a existência de todos os recursos e interações com o meio.
Talvez, este seja o principal desafio na “era dos humanos” – como compatibilizar o uso
de recursos naturais ao mesmo tempo com o desenvolvimento da sociedade e com a
proteção do meio ambiente.
Da mesma forma que o conceito de meio ambiente é amplo, também assim se
considera a agrobiodiversidade, abrigando todos os componente da biodiversidade
relevantes para a agricultura e alimentação e seus processos correlatos e, mais uma vez,
talvez esteja neste campo os mecanismos e princípios necessários para realizar a
integração homem-natureza de forma a permitir a sustentabilidade das presentes e futuras
gerações.
Desta forma, percebe-se que a teia de interrelações é extremamente ampla,
merecendo a análise pormenorizada das ciências sociais – temática do GT II, cujos
resultados apresentaremos na sequência.

1
Professor Doutor do Curso de Direito e do Mestrado em Ciências Ambientais da Universidade do
Estado de Minas Gerais – UEMG – Unidade Frutal. Coordenador do GT I - Agrobiodiversidade sob o
olhar das ciências sociais. E-mail: andre.serotini@uemg.br.

5
GT I – Grupo de Trabalho sobre Agrobiodiversidade sob o Olhar das
Ciências Sociais

Como disposto no próprio edital do III AMBIUEMG, o GT sobre


Agrobiodiversidade sob o Olhar das Ciências Sociais visa pensar a relação dos seres
humanos, enquanto indivíduos e sociedade com a agrobiodiversidade, no antropoceno,
destacando seu papel na construção de agroecossistemas e de modelos de agricultura
sustentável, visando a sua preservação.
Ainda que a temática estivesse orientada para as questões mais relacionadas à
modelos ou modos de produção e agricultura sustentável, as problemáticas sociais e
ambientais ganharam especial atenção. O ecletismo ambiental se fez característica deste
GT. E, embora, as temáticas que serão apresentadas abaixo pareçam não guarda relação
umas com as outras, durante os debates percebeu-se a articulação entre os pesquisadores
gerando uma troca qualitativa de conhecimento e experiências.
Entre os temas abordados, o trabalho “As interfaces entre a agroecologia e o
ecofeminismo” e “A rotulagem vegetariana como garantia ao acesso a informação”,
embora pareçam totalmente distintos, acabam convergindo pela ideia de mobilização,
pela defesa de interesse de uma coletividade e, quando dos debates as pesquisadoras
demonstraram uma interessante sinergia, trazendo contribuição para além da formação
profissional de cada uma delas. Pode-se, ainda, dentro do contexto da mobilização social,
anexar a este grupo o trabalho “Narrativa da mobilização social para impedir uma avenida
“particular” dentro do parque municipal do cinturão verde de Cianorte – PR”.
Já os trabalhos “A logística reversa no gerenciamento integrado dos resíduos da
construção civil no município de Frutal – MG” e “Análise jurídica da obsolescência
programada sob a ótica do direito ambiental”, se aproximam pela questão do resultado da
produção, ou seja, pelos resíduos gerados no antropoceno e, mais uma vez nos debates
ficou caracterizada a contribuição dos pesquisadores envolvidos para o amadurecimento
das respectivas pesquisas.
Quanto “A contextualização da operação shoyomatopiba frente à conservação dos
recursos naturais em busca do desenvolvimento sustentável” e “Sustentabilidade e o
manejo florestal como elemento da economia em conjunto à reserva legal”, o ponto em
comum é a utilização de espaços territoriais especialmente protegidos para o
desenvolvimento de atividades agropecuárias, sendo o primeiro abordando a utilização
irregular e ilícita e o segundo, através de técnicas lícitas de manejo.

6
Por fim, “Os efeitos do termo de ajustamento de conduta como instrumento de
proteção ambiental sob a ótica do rompimento da barragem de Mariana”, trata de
importante problemática da atualidade, caracterizada por tragédias recorrentes
relacionadas à mineração no Brasil e a relação com as instituições jurídicas vigentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A abordagem das pesquisas apresentadas no GT I - Agrobiodiversidade sob o


Olhar das Ciências Sociais, representam de forma clara a diversidade e, como os debates
inerentes a cada uma delas, atinge os objetivos propostos pela comissão organizadora do
evento, de forma que este se consolida e entra para a agenda da Universidade do Estado
de Minas Gerais – UEMG – Unidade Frutal, marcando a participação nas atividades
relacionadas ao Dia Mundial do Meio Ambiente.

7
AS INTERFACES ENTRE A AGROECOLOGIA E O ECOFEMINISMO
The Interfaces between Agroecology and Ecofeminism

Mônica de Sousa Alves 2

INTRODUÇÃO

Com a constituição do Estado, da propriedade privada e da família consanguínea


consolida-se o patriarcado, que neste trabalho, segue a concepção defendida por
Siliprandi (2015), da lógica patriarcal do capitalismo, onde tanto a mulher quanto a
natureza são objetos de exploração.
Se esta relação hierarquizada entre homens e mulheres é uma realidade latente
em toda sociedade, no meio rural ela é ainda mais perversa e silenciosa. Segundo Pacheco
(2002), no Brasil, quase 15 milhões de mulheres do campo estão privadas do acesso à
cidadania por não terem reconhecidas a sua condição de agricultoras familiares,
camponesas ou trabalhadoras rurais. Isso não significa, que elas não participem de todo
processo do cultivo agrícola e extrativista, pelo contrário, além das tarefas domésticas,
são as mulheres que estão engajadas em praticamente todas as atividades produtivas. Mas
tudo isso é invisível, pois ao homem é dado o mérito do trabalho produtivo. Á mulher,
cabe a condição de ajudante.
As lutas contra este sistema de desigualdade de gênero têm pautado movimentos
de diferentes esferas sociais e identitárias. A agroecologia é um desses movimentos
emergentes, que no decorrer das duas últimas décadas, além de uma nova concepção de
agricultura, propõe uma nova construção social, que passa pela valorização dos saberes e
do trabalho das mulheres.
No entanto, fazer agroecologia na amplitude de um novo paradigma social não é
tarefa simples, considerando que a lógica do patriarcado é ainda mais arraigada no campo.
Por isso, a agroecologia precisa dos movimentos feministas, no sentido de somar forças
para que as mulheres se empoderem em uma posição questionadora sobre as relações de
submissão e exploração em que elas vivem.

2
Aluna do curso de Mestrado em Ciências Ambientais. Universidade do Estado de Minas Gerais
– Unidade Frutal. Monicaalves.jornalista@gmail.com.

8
Entre estes movimentos feministas, busca-se neste resumo, estudar o
Ecofeminismo – uma corrente de pensamento que incorpora a luta do empoderamento
das mulheres às discussões acerca da problemática ambiental.

OBJETIVO

Este artigo tem como objetivo conhecer as diretrizes da agroecologia e do


ecofeminismo - e ao correlacionar as suas interfaces - analisar como os dois movimentos
se convergem em seus propósitos de resistência à lógica patriarcal e como eles se agregam
na construção de um paradigma social fundamentado nas relações de harmonia entre
homens e mulheres e seres humanos e natureza.

METODOLOGIA

A pesquisa pautou-se em um levantamento bibliográfico constituído por estudos


elaborados pelas pesquisadoras Emma Siliprandi, Maria Emília Pacheco, Lorely Garcia,
Luciana Buainain Jacob, Naia Oliveira, Jaqueline Soares Barbosa e Regina Helena Rosa
Sambuichi, dentro da temática da agroecologia, do ecofeminismo e da equidade de
gêneros. Dos textos selecionados, foi realizada uma leitura crítica, e, em seguida, uma
releitura interpretativa, momento em que se correlacionou as interfaces do ecofeminismo
com a agroecologia.

DISCUSSÃO

O uso do termo agroecologia data dos anos de 1930, pelos primeiros diálogos entre
a agronomia, zoologia, botânica e a fisiologia das plantas (JACOB, 2016). Mas a
agroecologia se popularizou na América Latina na década de 1980, como uma resposta à
modernização conservadora, propondo enfrentar a crise ecológica e os problemas
ambientais e sociais, com manejo sustentável da natureza.
A partir dos anos 2.000, por influência da escola europeia, a agroecologia passa a
ser observada “para além do técnico-agronômico, incluindo os olhares socioeconômico,
cultural e sociopolítico” (CASADO, MOLINA, GUZMÀN, 2000, apud SANDUICHI et
al, 2017, p.13). Para Sanduichi (2017), ao englobar estes conceitos, a agroecologia
começou a ser pensada de forma “sistêmica, subjetiva e pluralista”.

9
Segundo Pacheco (2014), neste novo contexto, a agroecologia agregou em seus
princípios a luta pela igualdade dos direitos e deveres entre homens e mulheres. E este
princípio, conforme afirmou Almeida (2002), já fundamentava a concepção produtiva da
agroecologia, no entendimento de que toda espécie de vida tem seu espaço e seu papel no
agroecossistema de forma equilibrada. Essa visão se estende à valorização de forma
igualitária do trabalho de todos os membros da família no cultivo e na reprodução da
fertilidade dos sistemas agroecológicos.
Para Siliprandi (2009), sem enfrentamento das questões da subordinação das
mulheres camponesas não se faz agroecologia. Afirmação que é sustentada por Pacheco
(2002) em sua concepção de que a agroecologia é uma questão de gênero e as mulheres
carregam as sabedorias ancestrais dos sistemas agroecológicos:
Mais do que valorizar e valorar o trabalho da mulher no campo, a agroecologia
busca reconhecer e agregar o conhecimento das mulheres sobre cultivos agrícolas,
repassados de geração para geração, desde os primórdios da agricultura, quando elas eram
responsáveis pela seleção das sementes, cultivo e colheita dos alimentos.

As mulheres desempenham importante papel como administradoras dos


fluxos de biomassa, conservação da biodiversidade e domesticação das
plantas, demonstrando em muitas regiões do mundo um significativo
conhecimento sobre os recursos genéticos e assegurando por meio de sua
atividade produtiva as bases para a segurança alimentar. [...]. Esse papel
é tão mais importante quando consideramos que a conservação e o uso da
biodiversidade constituem-se como posto-chave para a defesa da
agricultura e do agroextrativismo familiar, bem como, simultaneamente,
que a biodiversidade é protegida pela diversidade cultural (SILIPRANDI,
2009, p. 20).

Iluminar o papel da mulher como relevante para o fazer agroecologia, permite


discutir o ecofeminismo, que “sugere a existência de uma estreita relação entre a
emancipação das mulheres e a luta pela preservação da natureza” (GARCIA, 2012, p. 74).
Com as suas primeiras manifestações na década de 1970, o ecofeminismo levantou a
teoria de que a opressão que a humanidade exerce sobre a natureza parte da mesma força
da forma desigual com que os homens tratam as mulheres (SILIPRANDI, 2009). Para
Garcia (2012), o ecofeminismo vem com a proposta de extinguir as formas de dominação
da natureza e da mulher.

Para isso exige-se a criação da utopia de um mundo construído sobre um


sistema socioeconômico, uma cultura com base em relações mutualistas

10
e sem competitividade insana. As relações inter-humanas e com o mundo
natural precisam encarar um novo sistema de vida, uma nova forma de
estar no mundo (Idem, ibidem, p. 110).

Desta forma, ao relacionar cultura e natureza, o ecofeminismo busca incutir nas


mulheres a valorização de sua identidade, da sua força de trabalho e da sua
representatividade social, por meio de uma construção fundamentada no respeito e
preservação de todas as manifestações de vida (OLIVEIRA, 2005).
Para Garcia (2012), o ecofeminismo veio para se contrapor a todos os símbolos
patriarcais por conceitos de harmonia e igualdade, onde nada é para ser explorado ou
controlado, mas sim para se construir uma energia conjunta. Trouxe a proposta “de
congregar o que estava separado, fragmentado e promover uma conexão radical,
combinando perspectivas ecológicas e feministas por meio de uma ótica complexa e
transgressiva” (Idem, ibidem, p. 80). Neste sentido, escreve Siliprandi (2015):

O ecofeminismo tenta recuperar tanto a análise das condições concretas


de vida das mulheres como os condicionantes ideológicos integrantes do
sistema sexo-gênero que marcam a construção das subjetividades
masculina e feminina e que devem ser desmontados para poder se avançar
em direção a propostas de transformação social ecologista e com
igualdade de gênero (Idem, ibidem, p. 39).

Para a autora, o ecofeminismo contesta o efeito destrutivo das construções


ideológicas de gênero na vida em sociedade e na relação com o meio ambiente. No lugar,
propõe uma nova recolocação da vida pelas formas criativas de ser e perceber a natureza
e se posicionar diante da vida, sem exploração e opressão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ecofeminismo, com base nas suas principais referências teóricas, traz propostas
de mudanças que estão articuladas aos princípios agroecológicos de um modelo produtivo
mais ecológico, construído em espaços de equilíbrio e equidade entre homens e mulheres
e entre ser humano e natureza. Da mesma forma, que o ecofeminismo defende que as
relações de poder levam a desumanização e destruição do planeta, a agroecologia parte
da compreensão sistêmica de um paradigma agrícola que não exclui, respeita os saberes
tradicionais e é edificado de uma forma socialmente justa e harmônica.

11
Dentro dos seus conceitos teóricos, a agroecologia e o ecofeminismo se
convergem no enfrentamento ao modelo patriarcal e se encontram em seus princípios
contra o sistema que sustenta o machismo, a invisibilidade e opressão da mulher e que
reproduz o sistema de destruição da natureza e da vida.
Os movimentos agroecológicos e ecofeministas têm raízes interligadas, que
permitem a luta conjunta para promover mudanças profundas na sociedade. O primeiro
passo talvez seja a conscientização das próprias mulheres para que elas internalizem as
mudanças de posturas necessárias para afirmarem a sua autonomia e se libertarem de
preconceitos de gênero. Com o empoderamento das mulheres, abre-se caminhos para
visibilidade do trabalho desenvolvido por elas ao mesmo tempo que possibilita a
incorporação das suas preocupações e dos seus conhecimentos no processo de transição
da agricultura convencional para a agroecologia.
Neste sentido, o ecofeminismo tem condições de alavancar a perspectiva de
gênero nas sistematizações de experiências agroecológicas e, ao mesmo tempo, contribuir
para que estes espaços sejam construídos dentro dos propósitos emancipatórios e de
equidade social, que sustentam os princípios da agroecologia
Por fim, é importante pontuar que as interfaces da agroecologia e do ecofeminismo
partem do entendimento comum de que as desigualdades de gêneros agravam ainda mais
a crise social e ambiental contemporânea. Neste viés, o diálogo entre agroecologia e
ecofeminismo torna-se fundamental para construção de uma sociedade sem
hierarquização dos sexos e de interconexão com a natureza.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Jaqueline Soares. Agroecologia e gênero: a construção de um Novo


Horizonte para Arapongas (MG). Tese de doutorado, 2004. Disponível em
http://orgprints.org/17362/1/Barbosa_UFV_2004.pdf. Acessado em 7 de abril de 2018.

GARCIA, Loreley. Meio Ambiente e Gênero. São Paulo: Senac, 2012. 219p.

JACOB, Luciana Buainain. Agroecologia na Universidade. Entre vozes e


silenciamentos. Curitiba: Ed. Appris, 2016, 209p.

OLIVEIRA, Naia. Grupos mulheres da terra: abordagem fundamentada no


Ecofeminismo e na alfabetização ecológica. Revista Mulher e Trabalho, FEE: Porto
Alegre, v. 5, p 101-112, 2005.

PACHECO, Maria Emília. Agroecologia e o fornecimento de alimentos. São Paulo,


Canal Futura, 29 jul. 2014. Entrevista a Amelia Gonzalez.

12
PACHECO, Maria Emília. Em defesa da agricultura familiar sustentável com igualdade
de gênero. In: GT Gênero – Plataforma de Contrapartes Novib/SOS Corpo. Perspectivas
de gênero: debates e questões para as ONGs. Recife: Gênero e Cidadania, 2002 (obra
coletiva)

SAMBUICHI, Regina Helena Rosa; SPÍNOLA, Paulo Asafe Campos


MATTOS, Luciano Mansur; ÁVILA, Mário Lúcio; MOURA, Iracema Ferreira; SILVA,
Ana Paula Moreira. Análise da construção da Política Nacional de Agroecologia e
Produção Orgânica no Brasil. Brasília: Ipea, 2017. p. 1-56. (Texto para Discussão, n.
2305).

SEVILLA GUZMÁN, Eduardo; GONZÁLEZ DE MOLINA, Manuel. (ed.). Ecología,


campesinado e historia. Madrid: La Piqueta, 1993.

SILIPRANDI, Emma. Mulheres e agroecologia: a construção de novos sujeitos


políticos na agricultura familiar. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável) -
Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, Brasília, 2009.

SILIPRANDI, Emma. Mulheres e Agroecologia: transformando o campo, as


florestas e as pessoas. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2015.

13
A LOGÍSTICA REVERSA NO GERENCIAMENTO INTEGRADO DOS
RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL NO MUNICÍPIO DE FRUTAL –MG
Reverse logistics in the integrate management of construction waste in
the municipalaty of Frutal - MG
Guilherme Henrique Cardoso 3
Eduardo Rodrigues Ferreira 4

INTRODUÇÃO

O gerenciamento dos resíduos sólidos no território brasileiro ainda é um grande


desafio a ser superado, o qual se depara com dificuldades econômicas e carência de mão
de obra especializada, sobretudo nas esferas públicas municipais, para a sua consecução.
Tal afirmação se faz diante dos últimos dados apresentados pela Associação Brasileira de
Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE). De acordo com a
referida associação, ABRELPE (2017, p. 19, grifo nosso), “As unidades inadequadas
como lixões e aterros controlados ainda estão presentes em todas as regiões do país e
receberam mais de 80 mil toneladas de resíduos [urbanos] por dia, com um índice
superior a 40%, com elevado potencial de poluição ambiental e impactos negativos à
saúde”.
Objeto deste resumo, os resíduos da construção civil (RCC) são considerados
sobras de materiais geradas em construções, reformas, reparos, demolições e preparação
escavação de terrenos, como por exemplo: argamassa, concretos, telhas, tijolos, areia,
pedras, entre outros materiais, agrupados em Classes, de A a D, como determina a
Resolução CONAMA nº 307/2002.
No Brasil, foram coletados 45 milhões de toneladas de RCC, sendo a região
Sudeste a maior geradora, com 64.097 t/dia (ABRELPE, 2017). De acordo com o IBGE,
desde a implantação da Resolução Conama nº 307/2002, houve um crescimento de 16
para 310 usinas de reciclagem de RCC no país, sendo que dos 5.564 municípios
brasileiros, 4.031 (72,44%) apresentam serviços de manejo desses resíduos (IBGE, 2010).

3
Bacharel em administração de empresas pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG),
guilherme_henrique_cardoso@hotmail.com.
4
Doutor, Docente da Universidade do Estado de Minas Gerais na unidade acadêmica de Frutal,
Grupo de Estudos e Pesquisas (GEPERS), eduardo.ferreira@uemg.br.

14
De acordo com Marques Neto (2005) estes resíduos, representa de 51% a 70%
dos resíduos urbanos coletados.
O gerenciamento integrado de resíduos sólidos da construção civil (RCC), por
representar 15% do PIB nacional (NAGALLI, 2014), requer a adoção de estratégias que
possam favorecer a gestão desses resíduos, seja no âmbito ambiental, econômico e social.
O objetivo precípuo deste artigo foi de verificar como é realizado o gerenciamento dos
RCC no município de Frutal. Analisando se houve o emprego da logística reversa neste
processo, preconizada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Para tanto,
foram verificadas as ações de gerenciamento destes resíduos no
município para se obter um diagnóstico de como estes estavam sendo gerenciados.

DESENVOLVIMENTO

O setor da construção civil apresenta-se como grande gerador de RCC, causando


não apenas impactos ambientais negativos, assim como problemas logísticos e prejuízos
financeiros (NAGALLI, 2014). Por isso, a necessidade duma fiscalização cada vez mais
intensiva.
Em relação ao aspecto logístico, Ballou (2015) conceitua a logística empresarial
como um estudo onde os resultados tentarão, nas atividades de distribuição, melhorar o
nível de rentabilidade a partir de planejamento, organização e controle nas atividades de
armazenagem e fluxo de produtos até os clientes e consumidores. Tais atividades têm
início no ponto e aquisição da matéria-prima e se encerra no ponto de consumo final.

Logística é o processo de gerenciamento estratégico da compra, do


transporte e da armazenagem de matérias primas, partes e produtos
acabados (além dos fluxos de informação relacionados) por parte da
organização e de seus canais de marketing, de tal modo que a
lucratividade atual e futura seja maximizada mediante a entrega de
encomendas com o menor custo associado. (CHRISTOPHER, 2007, p.
3)

Nas décadas de 1970 e 80, com o foco na perspectiva de que os produtos


deveriam ser reprocessados, reciclados ou destinados a áreas próprias para descarte, os
gestores notaram que essas atividades além de trazerem vantagens para o meio ambiente,
abrangiam benefícios econômicos e sociais. Assim, prezando pelo gerenciamento do
material pós-consumo aparecem os primeiros estudos sobre a logística reversa, mostrando

15
que a cadeia de distribuição não é linear, mas sim cíclica. A partir dos anos 90, houve um
aumento significativo na utilização dessa ferramenta e junto disso a evolução de sua
definição.
De forma mais abrangente, Leite (2013) conceitua logística reversa da seguinte
forma:

[...] área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo


e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de
pós-vendas e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo
produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes
valor de diversas naturezas: econômica, ecológica, legal, logístico, de
imagem corporativa, entre outros. (LEITE, 2013, p. 16-17)

Portanto, pode-se concluir que a logística reversa tem como objetivo gerar valor
econômico, legal, ecológico e de localização quando, junto de todas as informações, os
materiais são coletados, processados e reintegrados à cadeia. Assim, essa ferramenta no
ciclo de pós-consumo serve para planejar, operar e controlar o fluxo de retorno.
Favorecendo desta maneira o aproveitamento dos RCC.
Na esfera jurídica, a promulgação da Lei nº 12.305/2010 assim como a
CONAMA 307/2002, são dois importantes instrumentos para regulamentar e orientar na
gestão integrada e gerenciamento de resíduos, sobretudo os RCC.
Ademais, cabe destacar que o Estado de Minas Gerais possui também uma
Política de Resíduos Sólidos, através da Lei nº. 18.031/2009. Que tem como objetivo
precípuo promover o desenvolvimento social, ambiental e econômico por meio da
participação da sociedade junto dos órgãos regulamentadores na formulação e
implementação de políticas públicas.
No município de Frutal, recorte territorial deste estudo e, de acordo com
informações da secretaria municipal de meio ambiente, o maior problema no manejo dos
RCC é o descarte clandestino, principalmente de pequenos geradores, que dispõem estes
resíduos em áreas no perímetro urbano, às margens de rodovias. Atualmente o município
conta com uma área regulamentada de descarte, mas ainda não havendo o processamento
desses resíduos.
Anteriormente, todo RCC coletado, tanto por parte da prefeitura quanto por parte
dos caçambeiros, carroceiros e catadores individuais, era enviado a um lixão que ficava
situado na estrada que liga o município de Frutal a Pirajuba - MG. Este lixão foi
interditado em agosto de 2017, por motivo de não estar dentro dos padrões necessários

16
para receber esse tipo de resíduo. Segundo Panorama da Destinação dos Resíduos Sólidos
Urbanos no Estado de Minas Gerais (2017), Frutal está incluso na parcela de 8% da dos
municípios, de população igual ou superior a 50 mil habitantes, que realizam disposição
final dos seus resíduos em aterros “Não Regularizados”.
No sentido de reverter tal panorama de gerenciamento o poder público municipal
vem tomando algumas medidas para que haja um gerenciamento correto destes tipos de
resíduos no município, dentre estas se destacam: criação uma área de “bota fora” para que
seja feita a disposição desses resíduos. Este local está servindo, por validade de um ano,
como um espaço para suprir as necessidades (dentro dos padrões) municipais, sob
controle da prefeitura, até que a área que está sendo construída por uma parceria
municipal com o poder judiciário e a Associação de Proteção e Assistência aos
Condenados (APAC)-Frutal para ser um aterro de RCC, que tem previsão de inauguração
em Novembro de 2018; criação do Plano de Gestão de Resíduos (PGR), que informará o
órgão regulamentador onde está sendo construído, qual material será usado e qual
quantidade de resíduos será gerada; instituição do Plano Municipal de Gerenciamento de
Resíduos da Construção Civil através da Lei n° 5.537/09, com “finalidade a facilitação
da correta disposição, juntamente do disciplinamento dos fluxos e dos agentes
envolvidos”.

CONCLUSÃO

Quando abordado o tema de resíduos nota-se que há uma relação antropogênica


e isso não se difere no município de Frutal que, nos últimos anos, houve um aumento na
quantidade de obras feitas (novos loteamentos, conjuntos habitacionais),
consequentemente na geração de RCC, que hoje se estima a coleta de, aproximadamente,
600 caçambas mensais. No município observa-se o não cumprimento de alguns
instrumentos regulamentários, o que permite identificar a disposição de RCC em áreas
clandestinas, tais como: calçadas, meio-fios e margens de rodovias. A correta gestão
desses resíduos permite que não haja degradação do solo, da estética do ambiente, danos
ao logradouro e, até, diminuição do ciclo de vida das áreas de disposição de RCC. Ainda
nas áreas irregulares foi possível perceber a atração de animais (insetos e roedores) que
provem do descarte de resíduos sólidos, impulsionados pela disposição incorreta de RCC,
interferindo no bem estar social dos cidadãos.

17
Porém, por mais que a responsabilidade seja do gerador, ações devem ser
tomadas pelo poder municipal, como preconiza a PNRS. Outra responsabilidade
estabelecida pelo Art. 36 da referida política é a de que, juntamente com os agentes
econômicos e sociais, o Poder Público municipal deve viabilizar o retorno desses resíduos
ao ciclo produtivo.
Mesmo diante de alguns problemas identificados, o município apresenta um
contexto de adaptação às normas exigentes. Há, no município, uma área (regularizada)
para que possa ser feito o descarte desses resíduos, embora ainda não seja feito o
processamento dos mesmos, pois a área de transbordo e triagem está em processo de
construção. Nesta área as atividades que serão exercidas têm semelhança às da PROHAB
em São Carlos, onde a mão de obra empregada é composta de apenados do regime
semiaberto, que terão redução de pena perante o trabalho executado. Além disso, há
previsão de que no começo do ano seguinte ecopontos serão implantados para que
pequenos geradores, hoje um dos principais responsáveis pelo descarte clandestino no
município, possam descartar seus resíduos, para que então estes sejam manipulados de
forma adequada.

REFERÊNCIAS

ABRELPE, 2017, PANORAMA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL, Associação


Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Disponível em: .
Acesso em 08 jun. 2018.

BALLOU, R. H. Logística empresarial. São Paulo: Atlas, 2015.

BRASIL, Resolução CONAMA n. 307 de 5 de julho de 2002. Estabelece diretrizes,


critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. Publicada no
DOU nº 136, de 17 de julho de 2002.

CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: Criando


redes que agregam valor. 2. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2007. Disponível em: .
Acesso em: 15 ago. 2018.

FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE. Panorama da destinação dos


resíduos sólidos urbanos no Estado de Minas Gerais em 2017, Fundação Estadual do
Meio Ambiente. Belo Horizonte: Fundação Estadual do Meio Ambiente, 2018.

IBGE, 2018. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: Acesso em:
18 out. 2018.

LEITE, P. R. Logística reversa. São Paulo: Pearson Education, 2013.

18
MARQUES NETO, J. C. Diagnóstico para estudo de gestão dos resíduos de
construção e demolição do município de São Carlos-SP. 2005. 181 f. Tese (Mestrado)
- Curso de Engenharia Hidráulica e Saneamento, Universidade de São Paulo, São Carlos,
2005.

NAGALLI, A. Gerenciamento de resíduos sólidos na construção civil. São Paulo:


Oficina de Textos, 2014. 176 p.

19
OS EFEITOS DO TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA COMO
INSTRUMENTO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL SOB A ÓTICA DO
ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE MARIANA

The effects of the term of conduct adjustment as an instrument of


environmental protection from the point of view of the rupture of
mariana's dam

João Pedro Costa Miguel¹


Jhenifer Taciana Alves²

INTRODUÇÃO

A República Federativa do Brasil na sua Constituição Federal estabelece, em seu


Capítulo VI - DO MEIO AMBIENTE, no art. 225, que todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de
vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defende-lo e preservá-lo
para as presentes e futuras gerações.
Quando falamos em meio ambiente no direito, existe a necessidade de relacioná-
lo aos direitos transindividuais, coletivos e difusos. Estes direitos não pertencem a um
único indivíduo, mas à coletividade que é afetada por determinada situação, onde a
satisfação do direito deve atingir a uma coletividade indeterminada, ligada por
consequência de um fato.
Destarte, o Código de Defesa do Consumidor, na Lei nº 8.078/90 em seu art. 81,
dispõe que a defesa coletiva será exercida quando se tratar de interesses ou de direitos
difusos ou coletivos, entrando neste rol, o direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado.
O art. 129, da Constituição Federal, em seu inciso III, expõe que são funções
institucionais do Ministério Público, promover o inquérito civil e a ação civil pública,
para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses
difusos e coletivos. Já a Lei da Ação Civil Pública, de nº 7.347/85, em seu § 6º do artigo
5º, dispõe que os órgãos legitimados, entrando neste rol o Ministério Público, podem
tomar dos interessados Compromisso de Ajustamento de sua conduta às exigências legais,
mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial.
O Ministério Público é uma instituição responsável pela defesa de direitos dos
cidadãos e dos interesses da sociedade. Possui como finalidade a defesa da ordem
jurídica, o regime democrático e a proteção dos interesses sociais e individuais

20
indisponíveis. O meio ambiente entra neste rol dos direitos sociais indisponíveis, além de
ser um bem apropriável, indivisível, incorpóreo, imaterial e de titularidade difusa.
No direito ambiental existem instrumentos jurídicos que viabilizam a diminuição
dos efeitos da sanção recebida pelo degradador quando este colabora para sua
recuperação. Deste modo, surge a possibilidade de acordo, um direito garantido ao agente,
pois as autoridades ambientais jamais deverão recusar a possibilidade de recuperação do
ambiente, tendo em vista os princípios ambientais da prevenção, do poluidor pagador, do
desenvolvimento sustentável e da responsabilidade.
A legislação prevê o acordo ambiental, em três hipóteses: A primeira está prevista
no art. 5º da Lei n. 7347/85 e, já as outras duas se encontram na Lei n. 9605/1998, a
segunda, no art. 79-A e a terceira no art. 72, §4º, regulamentado pelo art. 139 e seguintes
do Decreto nº 6.514/2008. Essas hipóteses fazem surgir o Compromisso de Ajustamento
de Conduta, tema objeto deste trabalho e o Termo de Compromisso Ambiental.
O Termo de ajustamento de conduta é um mecanismo que deveria possuir maior
eficiência, sendo mais comum, ao celebrar um acordo entre o Órgão Legitimado, neste
caso, o Ministério Público e o agente que viola determinado direito coletivo, impedindo
que determinada situação de ilegalidade tenha continuidade, reparando o dano e
esquivando-se de uma ação judicial.
Este acordo celebrado entre o Ministério Público e o agente degradador do meio
ambiente, leva em consideração os mecanismos de uma política preventiva que depende
de uma avaliação da extensão da atividade que degradou o meio ambiente, e se a
formulação deste acordo deve ser precedida de um estudo de impacto ambiental.
A ocorrência de Ações Civis Públicas ambientais, bem como de Procedimentos
Administrativos e de Termos de Ajustamento de Conduta refletem uma maior
preocupação da sociedade com a proteção e recuperação dos recursos naturais, expressa
por uma efetiva atuação do Ministério Público.
O Termo de Ajustamento de Conduta celebrado entre o Ministério Público e o
agente degradador na cidade de Mariana, estabelece como cada parte envolvida no
desastre, sejam as empresas, os órgãos públicos ou os atingidos, poderá atuar em decisões
e mapeamento de danos causados.

21
OBJETIVOS

Objetivo geral

Existe um debate quanto a eficácia das normas ambientais no direito brasileiro. O Termo de
Ajustamento de Conduta na área ambiental, surge com o propósito de melhor atender a demanda
da responsabilização civil, devido a irresponsabilidade dos agentes poluidores. Desta forma, este
trabalho consiste em analisar este instrumento, demonstrando a importância da Ação Civil
Pública ambiental e a eficácia do compromisso de ajusta de conduta, na solução do rompimento
da barragem na cidade de Mariana/MG.

Objetivos específicos
1. Analisar a Ação Civil Pública Ambiental de forma equiparada com o Ajustamento
de Conduta, demonstrando suas principais características, efeitos e efetividade;
2. Demonstrar como estão sendo efetivados os termos firmados entre o Ministério
Público e os agentes degradadores, no rompimento da barragem de Mariana.

METODOLOGIA

Este presente trabalho, tem como método lógico-dedutivo, onde através do


levantamento bibliográfico, bem como análise jurisprudencial, é possível apresentar uma
contribuição para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do instrumento do Termo de
Ajustamento de Conduta em Matéria Ambiental analisando juridicamente o acordo
celebrado entre o Ministério Público e a Samarco Mineração S.A.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Brasil, até o ano de 2015, ocupava a 7ª posição das nações mais poluentes do
mundo, segundo pesquisa realizada pelo The City Fix Brasil. Apesar disso, nossa
Constituição expressa que todos possuem direito ao meio ambiente sadio. O princípio
mínimo existencial ecológico postula que, por trás da garantia constitucional do mínimo
existencial, subjaz a ideia de que a dignidade da pessoa humana está diretamente
relacionada a qualidade ambiental, no art. 225 da Constituição, ao conferir dimensão
ecológica ao núcleo normativo, assenta premissa de que não existe patamar mínimo de
bem-estar sem respeito ao direito fundamental do meio ambiente sadio. A

22
responsabilidade civil pelo dano ambiental, Fiorillo (2011, p. 129) nos ensina que existem
as penais, administrativas e as cíveis (tratadas nesta presente pesquisa):
O art. 225, § 3º, da Constituição Federal previu a tríplice
responsabilidade do poluidor (tanto pessoa física como jurídica) do
meio ambiente: a sanção penal, por conta da chamada responsabilidade
penal (ou responsabilidade criminal), a sanção administrativa, em
decorrência da denominada responsabilidade administrativa, e a sanção
que, didaticamente poderíamos denominar civil, em razão da
responsabilidade vinculada à obrigação de reparar danos causados ao
meio ambiente. (FIORILLO, 2011, p. 129).

O presente trabalho busca analisar a legislação ambiental infraconstitucional


quanto à tutela do meio ambiente, a responsabilidade civil neste âmbito, além da
utilização do Termo de Ajustamento de Conduta, intermediado pelo Ministério Público,
dispensando as ações civis públicas ambientais, que é um dos instrumentos efetivos na
reparação do dano ambiental.
A análise de todo o processo que levou ao acordo realizado pelo órgão público no
desastre que ocorreu na cidade de Mariana, no ano de 2015, com o rompimento da
barragem, é de suma importância e essencial para a realização deste trabalho, uma vez
que busca elencar a efetividade das ações civis públicas e dos TAC.
O Termo de Ajustamento se tornou um instrumento jurídico bastante utilizado no
país. A adequação de condutas consideradas irregulares pela legislação ambiental ou
contrárias ao interesse público. Para que o instrumento seja eficaz, é importante que no
documento seja estipulada uma obrigação certa, líquida e determinada, que permita a
exequibilidade do seu objeto e que se configurará em obrigações de fazer ou não fazer.
Neste sentido, Mazzilli (2006, p. 17) defende que:
[...] o compromisso de ajustamento é apenas um instrumento legal
destinado a colher, do causador do dano, um título executivo
extrajudicial de obrigação de fazer, mediante o qual o compromitente
assume o dever de adequar sua conduta às exigências da lei, sob pena
de sanções fixadas no próprio termo. (MAZILLI, 2006, p. 17).

Ao tratar de condutas com danos irreversíveis, o doutrinador afirma:


No caso de danos irreversíveis, dado o caráter consensual do
compromisso, admite-se que o causador do dano assuma a obrigação de
tomar medidas compensatórias, ou recolha importâncias para o fundo
de que cuida o art. 13 da LACP, ou outras obrigações, desde que, em
contrapartida, o órgão público não renuncie a direitos do grupo lesado.
(MAZILLI, 2006, p. 18).

23
No estudo realizado, que possui caráter bibliográfico, será possível observar que
a Ação Civil Pública, diante da proteção ao meio ambiente pode ser mais benéfico que o
Termo de Ajustamento de Conduta, pois, ao mesmo tempo que reprime a prática dos atos
lesivos praticados pelos degradadores ao meio ambiente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Ação Civil Pública é o instrumento processual adequado para impedir que


aconteça os danos ao meio ambiente, pois protege os direitos difusos da sociedade,
garantindo aos cidadãos um meio ambiente sadio, e uma melhor qualidade de vida. Os
Termos de Ajustamento de Conduta, quanto a responsabilização civil ambiental pode não
ser um instrumento tão efetivo quanto parece, em razão da morosidade e da falta de
acompanhamento dos termos pactuados.

REFERÊNCIAS

AKAOUI, Fernando Reverendo Vidal. Compromisso de Ajustamento de Conduta


Ambiental. 5 ed. Revista dos Tribunais, 2015.

BRASIL. Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública.


Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7347orig.htm. Acesso em:
28 mar. 2019.

FIORILLO, Celso Antônio Pacheco. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. 6 ed. São
Paulo: Saraiva, 2006.

MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos Interesses Difusos em juízo: meio ambiente,
consumidor, patrimônio cultural, patrimônio público e outros interesses. 19 ed. São Paulo:
Saraiva, 2006.

MAZZILLI, Hugo Nigro. COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA:


evolução e fragilidades e atuação do Ministério Público. Disponível em:
http://www.mazzilli.com.br/pages/artigos/evolcac.pdf. Acesso em: 04 abr. 2019

MAZZILLI, Hugo Nigro. Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos. 8 de. São Paulo:
Saraiva, 2017.

24
ANÁLISE JURÍDICA DA OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA SOB A ÓTICA
DO DIREITO AMBIENTAL

Legal analysis of programmed obsolescence about optics of environmental


law

Ana Maria Monteiro Martins 5


Flávia Maria Poloni 6
Isadora de Freitas Luvizoto 7
André Serotini 8

INTRODUÇÃO

A pesquisa realizada busca mostrar o consumo exacerbado, o qual fez com que
surgisse a obsolescência programada, se caracterizando pela fabricação de mercadorias
previamente elaboradas para serem rapidamente descartadas, fazendo com que o
consumidor compre um novo produto. Segundo Kremer (2007): "Os atos de consumir e
descartar ocorrem rápida e sucessivamente, pois sempre há algo mais novo, cuja posse,
espera-se, finalmente trará a derradeira felicidade e bem-estar prometidos pela
propaganda”.
Outrossim, o conceito de obsolescência programada estende-se inclusive nas
relações interpessoais, ou seja, é inserida, de forma inconsciente, a ideia de um prazo
determinado para que as pessoas se relacionem com um determinado objeto e ao primeiro
sinal de “defeito” se desvinculem, buscando novas experiências, intensificando o
consumo, mas também ampliando a demanda por recursos naturais e potencializando a
produção de lixo, aumentando ainda mais a problemática decorrente desse processo.
Desse modo, além da adesão de políticas sociais de gerência ao consumismo
exacerbado, é preciso encontrar recursos econômicos alternativos ao desenvolvimento
marcado pelo consumo. Contudo, faz-se necessária a promoção de políticas de
reciclagem, além da restauração ou reaproveitamento dos produtos não mais utilizados,

5
Graduanda em Direito na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade de Frutal, Frutal, MG
anna.monteiiro@gmail.com
6
Graduanda em Direito na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade de Frutal, Frutal, MG,
flavia_poloni@hotmail.com
7
Graduanda em Direito na Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade de Frutal, Frutal, MG
isadoraluvizoto@yahoo.com.br
8
Professor Adjunto de Direito Ambiental e Pesquisador do Núcleo de Estudo e Gestão e Impactos
Ambientais - NEGIA, da Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG, Unidade Frutal. CEP. 38-200-
000 Frutal. Minas Gerais. Brasil, e do curso de Direito do Centro Universitário Paulista - UNICEP. São
Carlos. São Paulo. Brasil. E-mail: andre.serotini@uemg.br
25
controlando, deste modo, a formação de lixo e a demanda descontrolada por matérias- primas.
Entretanto, um dos impasses que têm sido observados, os quais serão apontados
na pesquisa, no decorrer do trabalho, são as barreiras impeditivas para adoção de práticas
sustentáveis, demonstrando a necessidade de esforço e mudanças de hábitos para se
concretizar tal mudança. Como já definiu Silva: “A sociedade atual tem definido uma
relação de distanciamento com o ambiente (SILVA, et al, 2015), principalmente na época
do surgimento da obsolescência programada.
Em outras palavras ser sustentável requer muitas mudanças de hábitos, custa mais
caro, exige que se tenha mais informações sobre as questões, os impactos sociais e
ambientais que provocam, se tornando um ato trabalhoso para seguir. Todavia, o consumo
não é por si só um mal à humanidade, muito pelo contrário, ele é uma necessidade,
dicotomia esta que discutiremos também no decorrer deste estudo.
O ponto central desta pesquisa é gerar um senso crítico indutivo ao leitor
consumidor, vez que a obsolescência programada é uma prática que não fere apenas a
legislação ambiental, mas também direitos fundamentais impostos pela Constituição da
República Federativa do Brasil.
Assim, a pesquisa tem como objetivo investigar as proporções de consequência
que o elevado consumo provoca, utilizando como parâmetros as análises sobre a tese
abordada e defendida. Neste cenário, o trabalho confeccionado conduzirá um atual
pensamento às pessoas, promovendo uma ponderação acerca de seus atos e indagá-las
sobre o que adquirem e a procedência de seus artigos.

METODOLOGIA

Para o desenvolvimento do presente projeto, será realizada uma pesquisa


bibliográfica, a qual está fundamentada no uso de materiais já publicados, como livros,
artigos, reportagens, dissertações. Além disso, o método de abordagem teórica será
dedutivo, o qual parte de um conceito mais abrangente para um mais individual,
específico. Assim sendo, partir-se-á de uma análise da obsolescência programada sobre a
visão do direito ambiental para se chegar a uma análise dos malefícios que este causa do
meio ambiente, pois os produtos duráveis acabaram se tornando descartáveis, o que
aumentou muito a necessidade de utilização de recursos naturais, a produção de lixo e as
emissões de gás carbônico (CO2), resultando na degradação intensa do meio ambiente.

26
Constata-se que a obsolescência programada é uma realidade pujante que afeta
diariamente a vida de consumidores e é responsável pelo crescimento exponencial do lixo
eletrônico produzido no planeta. Será adotado também o método histórico, o qual,
segundo Prodanov e Freitas (2013, p. 36), é um método onde se dá uma atenção maior
aos acontecimentos passados para examinar e compreender a sua influência social, visto
que será, ainda, realizado um estudo sobre a origem da ideia de redução deliberada da
vida útil dos produtos e de que maneira essa prática afeta a vida dos consumidores e o
meio ambiente.
Ademais, serão trabalhadas as pesquisas qualitativa e quantitativa, bem como os
demais instrumentos investigativos que se revelarem necessários. No âmbito da técnica
será desenvolvida a análise documental indireta por meio da pesquisa bibliográfica e
documental

OBJETIVOS

Objetivo Geral

O objetivo geral do presente trabalho será identificar de que forma a obsolescência


programada é tratada no ordenamento jurídico brasileiro, bem como analisar se a
legislação e ambiental favorece ou dificulta essa técnica.

Objetivos Específicos

 Estudar o conceito e a definição sobre o que é obsolescência programada;


 Realizar um estudo acerca da responsabilidade ambiental, e o que fazer com o lixo
eletrônico gerado com o consumismo exacerbado;
 Ressaltar a importância dos princípios do Direito Ambiental relacionados à
Obsolescência Programada;
 Analisar as decisões dos principais tribunais brasileiros sobre os impactos da
obsolescência programada

27
RESULTADOS E DISCUSSÕES

Com o início da industrialização, o consumo se expandiu e se diversificou,


ocorrendo também a valorização do bem material, pois se tornou uma forma de asserção
social, em determinados grupos da sociedade. Por causa da obsolescência programada
criada, o sistema de produções indústrias aumentou também, e com isso a economia
mundial, e o seu consumo. Contudo, essa grande demanda de produção gerou danos ao
meio ambiente, devido ao fato de ser produzido um enorme número de lixo, e não ser
descartado corretamente, e com isso a população começa a sentir os efeitos causados
por essa poluição. Além disso, a Constituição Federal no seu artigo 225 traz como
direito fundamental a questão ambiental, por ser um direito de todos, ou seja, é um
direito fundamental subjetivo, e por isso deve ser preservado.
Destarte, a obsolescência programada traz consigo diversas consequências ao
meio ambiente, tais como os lixos eletrônicos, que piora a cada ano, pois não há uma
destinação segura por possuir materiais tóxicos para o meio ambiente. Muitas vezes os
aparelhos que não são mais utilizados são destinados aos aterros, isso ocorre em países
desenvolvidos. Pode-se notar que apesar da ONU tentar combater a obsolescência
programada criando conferências sobre debates ambientais, em decorrência de definir os
rumos ao desenvolvimento sustentável, à humanidade não se importa com isso, apenas
com seu consumo exacerbado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por meio do estudo realizado, foi possível notar que a sociedade vive em um risco
ecológico, e que a obsolescência programada é ilegítima, frente aos princípios do direito
ambiental e ao dever e direito fundamental de proteção ambiental.
Seu desenvolvimento ocorreu, sobretudo, devido a globalização e a sociedade
consumista, em consonância com os meios de informações, comunicação e marketing,
que começaram a explanar o modo que seria as relações de consumo.
Conquanto, a legislação ambiental dispõe de mecanismos, como políticas e
princípios que tem por objetivo minimizar os danos que a prática em questão pode
ocasionar ao meio ambiente.
Para o desenvolvimento sustentável ser colocado em prática, será preciso que o
pensamento econômico atual seja mudado. É evidente o conflito da obsolescência
programada com o meio ambiente o qual se demonstra insustentável.

28
Por isso é necessário debater sobre as disposições da Política Nacional do Meio
Ambiente e da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, no que se diz respeito ao
gerenciamento e a gestão desses resíduos e compreender de que maneira os dejetos podem
ser tratados, a fim de lhes conferir uma destinação mais proveitosa, ambientalmente
falando.

REFERÊNCIAS

BELLANDI, Daniel; AUGUSTIN, Sérgio. Obsolescência Programada, Consumismo


e Sociedade de Consumo: Uma Crítica ao Pensamento Econômico ou Direito,
Globalização e Responsabilidade nas Relações de Consumo, CONPEDI – Revista
Jurídica, Santa Catarina: Florianópolis, 2015. Disponível em:
<https://www.conpedi.org.br/publicacoes/c178h0tg/i9jl1a02/WQM34KU694IWz9h9.
pdf:>. Acesso em 07 de maio de 2019.

BERALDO, Daniela. A OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA PA LUZ DO DIREITO


AMBIENTAL BRASILIERO. Publicado em 01/2018. Elaborado em 11/2017.
Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/63462/a-obsolescencia-programada-a-luz-do-
direito-ambiental-brasileiro/1>. Acesso em 07 de maio de 2019.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,


DF: Senado Federal, 1988.

KREMER, J. Caminhando rumo ao consumo sustentável: uma investigação sobre a


teoria declarada e as práticas das empresas no Brasil e no Reino Unido. PPG em
Ciências Sociais. PUCSP, São Paulo, 2007. 323 p.

PRODANOV, Cleber Cristiano; DE FREITAS, Ernani Cesar. Metodologia do trabalho


científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico-2ª Edição. Editora
Feevale, 2013.

da Silva, E., de Oliveira, H. M., & da Silva, P. M. (2015). Consumismo, obsolescência


programada e a qualidade de vida da sociedade moderna.

ZANATA, Mariana. A OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA SOB A ÓTICA DO


DIREITO AMBIENTAL BRASILEIRO. 2018. (Curso de Bacharel em Ciências
Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio
grande do Sul) Disponível em:
<http://conteudo.pucrs.br/wpcontent/uploads/sites/11/2018/09/marina_zanatta.pdf>.
Acesso em 07 de maio de 2019.

29
NARRATIVA DA MOBILIZAÇÃO SOCIAL PARA IMPEDIR UMA
AVENIDA ‘PARTICULAR’ DENTRO DO PARQUE MUNICIPAL DO
CINTURÃO VERDE DE CIANORTE – PR

Narrative of social mobilization to stop/prevent a ‘private’ avenue inside


the local park of the green big belt from Cianorte – PR

Aida Franco de Lima 9


Adriana Cristina Silva10
Tiago Cesar de Lacerda Florêncio 1 1

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por finalidade compreender de que forma a comunidade


local de Cianorte, no interior do Paraná, mobilizou-se contra a abertura de uma avenida
dentro do Parque Municipal do Cinturão Verde, no ano de 2018. Desse modo, buscou-se
identificar as estratégias utilizadas, pelos defensores da construção da avenida, para
convencer a população sobre sua viabilidade e, de outra perspectiva, narrar as estratégias
adotadas pela comunidade em defesa do Parque. A metodologia utilizada, além da
Pesquisa Bibliográfica, é a Pesquisa Participante que “consiste na inserção do pesquisador
no ambiente natural da ocorrência do fenômeno e de sua interação com a situação
investigada” (Peruzzo, 2005, p.125).
Cianorte, no Paraná, tem características ambientais únicas, pois é ladeada por
resquícios de Mata Atlântica, que formam o Parque Municipal do Cinturão Verde.
Dividido em módulos, de acordo com informações do site da Prefeitura de Cianorte
(2018), conta com 423 hectares e após o Parque Nacional da Tijuca, com 3.972 hectares,
essa é tida como a segunda maior floresta urbana do Brasil12.

9
Jornalista, doutora e mestre em Comunicação e Semiótica – PUC/SP. UEM. emaildaaida@gmail.co m
10
Economista e Especialista em Administração de Marketing e Mestre em Sustentabilidade
Socioeconômica Ambiental – UFOP adrianacriss@gmail.com
11
Graduando em Jornalismo e Teologia. UEMG/Claret iano. tiago_bod@hotmail.com
12
O histórico de lutas que deu origem à sua formação foi narrado por uma das autoras em dissertação de
mestrado 12 , por meio da conotação jornalística; também foi tema de dissertação de mestrado e doutorado,
na área de Geografia e ainda, tema de monografia de especialização, na área de Biologia, entre outros.
Ver nas referências Lima, Souza e Zoz, respectivamente.

30
DESENVOLVIMENTO

Um dos módulos do Parque Municipal do Cinturão Verde, na região sentido


distrito de Vidigal, denominado Módulo das Perobas, é cortado por uma estrada que no
Google Maps encontra-se com o nome Estrada do Aterro ou oficialmente como
Jambers13, mas que em 09 de dezembro de 2015, através de Lei Municipal foi batizada
de Estrada Lucas Jambers. Ocorre que essa área, que no passado dava acesso à pequenas
propriedades, hoje conduz à áreas pertencentes a grandes loteadoras, que projetam para
o local condomínios luxuosos. Em 201314 o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) negou
a Licença Prévia a um empresário interessado em construir um condomínio na citada
região, pelo fato de não ter sido apresentado o Estudo de Impacto Ambiental (EIA). À
época, quando se cogitava pavimentar a estrada de terra, o Conselho Municipal do Meio
Ambiente de Cianorte (COMMA) posicionou-se contrário, assim como o Ministério
Público (MP), que através do promotor Joelson Luís Pereira, oficiou a Prefeitura
orientando-a a projetar uma estrada na região do loteamento de casas populares, o Aquiles
Cômar. Possibilidade essa não acolhida pelo empreendedor que não desejava uma via de
acesso a um condomínio de alto padrão através de um bairro do programa Minha Casa
Minha Vida.
Mas, em janeiro de 2018 a Prefeitura de Cianorte divulgou em seu site um convite
para uma audiência pública, conforme segue:

Figura 1 – Print de convite divulgando a citada audiência pública


Fonte: Sindicost

Os jornais e sites que noticiaram a audiência embasaram-se principalmente no


convite divulgado pela Prefeitura que, claramente, induz o público a compreender a
abertura de uma avenida dentro de uma área de preservação como uma medida favorável

13
O nome oficial foi concedido através da Lei Municipal nº 4689/2015 de 08 de dezembro de
2015.
14
Conforme matéria jornalística elaborada por uma das autoras, veiculada no Jornal Tribuna de
Cianorte, no ano de 2013. Disponível em: https://www.tribunadecianorte.com.br/noticia/loteamento -para-
condominio-fechado-tem-licenca-negada

31
à conservação do Parque. Uma situação completamente avessa à conservação e à
legislação que protege o Cinturão Verde de Cianorte. Tal comportamento midiático é
ponderado por Novaes (p. 40, 2002). “As chamadas questões ambientais são
extremamente ameaçadoras pra todo mundo. Para governos, empresas, comunicação,
jornalistas, para qualquer pessoa. É angustiante!”
Imediatamente à divulgação do convite da audiência pública foi dado início a uma
ampla mobilização por meio das redes sociais. Uma das autoras desse trabalho15 , recebeu
o convite e passou a contatar demais pessoas de seu contato, marcando-as em um post em
sua rede social, alertando sobre o grave problema que impactaria o Cinturão Verde, caso
viesse a realizar-se. A mobilização ganhou adeptos que realizaram reuniões presenciais
para aprofundar na discussão do tema e convidou uma especialista da UEM –
Universidade Estadual de Maringá, para que viesse visitar a área e elaborar um parecer
técnico. Enquanto aproximava-se a data da Audiência, notou-se que os veículos de
comunicação da Cidade noticiavam a proposta como uma grande conquista, elencando a
contrapartida que seria dada pela loteadora, a Mega Negócios Imobiliários. Foi possível
observar, ainda, que após a publicação da única matéria crítica sobre o assunto 16 , que
alertou a comunidade sobre os riscos que corria a preservação do Cinturão Verde, na
sequência outras três, da mesma fonte, defendiam a execução do empreendimento.
A audiência foi marcada por um clima tenso, visto que foi anunciada como uma
reunião, em que a parte interessada na execução da avenida faria sua explanação e ao final
das atividades, as dúvidas seriam esclarecidas pela equipe multidisciplinar do Centro de
Pesquisa e Planejamento Ambiental (CEPPA), contratado pela loteadora para elaborar o
projeto de execução da avenida em área protegida. Porém, a sociedade mobilizada,
representada pelos mais variados profissionais e estudantes, questionou o modus operandi
e, do mesmo modo que ouviu as explanações, também expôs os inúmeros motivos que
inviabilizariam a construção de uma avenida em área do Cinturão Verde. Mas, no release
divulgado pela Prefeitura de Cianorte, a mobilização da sociedade foi completamente
omitida.
Com o título: “Audiência pública apresenta proposta para fechamento da Estrada
Jambers - Via está localizada em área de preservação ambiental, porém, até então, não
existe outro meio de acesso às propriedades rurais da localidade” (Cianorte, 2018). O

15
A jornalista Aida Franco de Lima participou ativamente de todo o processo.
16
As matérias do Jornal de Cianorte estão disponíveis apenas no cachê do Google.

32
trecho que segue da matéria distribuída pela Prefeitura não cita os graves apontamentos
realizados pela comunidade:
Foi realizada, na manhã dessa terça-feira (06), na sede do Conselho Municipal de
Meio Ambiente (COMMA), uma audiência pública que apresentou uma proposta de
iniciativa privada que pretende implementar um condomínio residencial com abertura de
via de acesso através do Parque Cinturão Verde, como uma alternativa ao uso da Estrada
Jambers que, localizada em área de preservação ambiental, tem, há anos, seu fechamento
para recuperação previsto no Plano de Manejo do Parque e no Plano Diretor do
Município, bem como recomendado pela 1ª Promotoria da Comarca de Cianorte. (...) De
acordo com a proposição, a Estrada Jambers ainda não foi fechada para recuperação
ambiental pelo fato de ser, até então, o único meio de acesso às propriedades rurais
localizadas além da antiga ferrovia. Diante disso, a ideia é abrir um novo
caminho. (Cianorte, 2018)

CONCLUSÃO

Após a audiência pública, o grupo que questionou a legalidade da proposta da


avenida dentro do Parque17 , através do advogado especializado em meio ambiente Valter
Marelli, enviou farta documentação ao IAP, Secretaria de Meio Ambiente, MP e Câmara
dos Vereadores de Cianorte, com laudo técnico assinado pelas professoras doutoras
Kazue Kawakita e Susicley da UEM e doutor Robertson Azevedo Fonseca, Promotor de
Justiça do Paraná, a respeito da importante biodiversidade do local, onde foram
encontrados exemplares de cedro (Cedrela fissilis) e peroba (Aspidosperma polyneuron).
Os documentos alertam sobre a ilegalidade da proposta e as conseqüências aos que
autorizassem a abertura de avenida em área protegida. No dia 21 de março, através de
ata registrada pelo COMMA, foi aprovado que a avenida fosse construída na Estrada
jambers, o local em que a própria loteadora e todos os demais órgãos envolvidos
reconhecerem que deve ser fechado para fins de recuperação ambiental. Em 27 de abril,
um grupo de estudantes e profissionais vinculados à UEM, por meio do curso de extensão
“A importância do registro fotográfico na preservação da biodiversidade” percorreu a

17
Um texto no Facebook do Sindicato das Costureiras de Cianorte citou a participação da comunidade,
relata a visita até o local, horas antes da Audiência, divulga fotos das estacas que demarcavam o local de
mata nativa onde pretendiam construir a avenida, bem como lixo e espécies invasoras no entorno do
Parque. Até a data desse texto o post contava com 414 compartilhamentos e 86 comentários.

33
estrada Jambers e o entorno da área. O material será utilizado para uma exposição
itinerante, em Cianorte e Maringá, para alertar a comunidade sobre a importância do
Parque. Um novo Laudo Técnico deverá ser remetido ao Ministério Público.

REFERÊNCIAS

CIANORTE, Prefeitura Municipal de. Audiência pública apresenta proposta para


fechamento da estrada Jambers. Disponível em https://bit.ly/2JuTU9Z . Acesso em 25
abril de 2019.

CIANORTE, Prefeitura Municipal de. Ambiente. 2018. Disponível em:


http://www.cianorte.pr.gov.br/pagina/meio-ambiente Acesso em 25 de abril de 2019.

EM REUNIÃO na Câmara comissão discute investimento no setor imobiliário. Jornal


de Cianorte, Cianorte, 20 jan. 2018. Disponível em: https://bit.ly/2wjdayV . Acesso em:
01 abr. 2019.

LIMA, Aida Franco. Duelo de Imagens e Palavras – O “acordo” do Cinturão Verde de


Cianorte e a cobertura dos jornais impressos locais e estaduais. Dissertação (Mestrado
em Comunicação e Semiótica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São
Paulo, 2010

LOTEAMENTO Imobiliário quer mexer no Cinturão Verde. Ministério Público tem que
ficar de olho. Jornal de Cianorte. Cianorte, 11 jan. 2018. Disponível em
encurtador.com.br/pwJX9. Acesso em: 01 abr. 2019.

NOVO condomínio residencial fechado em Cianorte vai investir R$ 3 milhões na


recuperação do Parque Cinturão Verde. Jornal de Cianorte, Cianorte, 18 jan. 2018
Disponível em https://bit.ly/2JQVnXD. Acesso em: 25 abr. 2019.

NOVAES, Whashington. Sinal Vermelho. Revista Caros Amigos, v. 6, n. 66, set, 2002.

KAWAKITA, Kasue; JATI, Susicley; FONSECA, Robertson Azevedo. Vegetação do


Parque Municipal Cinturão Verde município de Cianorte (PR): relato de observação
in loco da área. Laudo encaminhado do Ministério Público do Paraná. Maringá, 22 março
de 2018.

SOUZA, Nadir Leandro de. Parque Municipal Cinturão Verde de Cianorte – Módulo
Mandhuy e sua relação com a cidade de Cianorte, Paraná. Dissertação (Mestrado em
Geografia) Universidade Estadual de Maringá - UEM, Maringá, 2010.

SOUZA Nadir Leandro de. Parque Cinturão Verde de Cianorte: de fragmentação


florestal à área protegida no espaço urbano. Tese (Doutorado em Geografia) -
Universidade Estadual de Maringá - UEM, Maringá, 2015.

PERUZZO, Cicília Maria Krohling. Observação participante e pesquisa-ação. In:


DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (Orgs.). Métodos e Técnicas de pesquisa em
comunicação. São Paulo: Atlas, v. 1, 2005, p. 125-145.

34
TRECHO de avenida será duplicada e Cinturão Verde ganhará alojamento para biólogos.
Jornal de Cianorte. Cianorte, 19 jan. 2018. Disponível https://bit.ly/2HrPJcR. Acesso
em: 01 abr. 2019.

ZOZ, Noemi Ferreira. Consciência ambiental e práticas sociais de mobilização em


defesa do Parque Cinturão Verde de Cianorte. Monografia (Especialização) FAVENI
– Faculdade Venda Nova - ES, 2018.

35
SUSTENTABILIDADE E O MANEJO FLORESTAL COMO ELEMENTO DA
ECONOMIA EM CONJUNTO À RESERVA LEGAL

Sustainability and forestry management as an element of the economy in


conjunction with the legal reserve

Yanny Ferreira da Silveira18


Nayara Núbia dos SantosAfonso19
Rubens Junio da Silva Amaral20

INTRODUÇÃO

A concepção de Reserva Legal é oferecida pelo Código Florestal no art. 1°, §2°,
III, sucedendo como uma área no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada
a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à
conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e
ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Portanto, é uma área integrada na
propriedade rural que deve ser preservada pelo proprietário por conter grande parte do
ambiente natural da região a qual se insere, tornando-se essencial para estabilidade da
biodiversidade circunscrita. A reserva legal é uma forma de limitação administrativa, pois
instituiu-se mediante lei; imposta pelo Poder Público de forma unilateral.
Já possuía previsão no Código Florestal de 1934 e é respaldada também pelo
atual Código Florestal – Lei 12.651 de 2012. Já o Manejo Florestal Sustentável é um meio
de condução e controle sobre a floresta com intenção de lograr favorecimentos sociais,
econômicos e também ambientais, seguindo procedimentos de estrutura do biossistema
tal que é propósito do manejo e, levando em consideração o uso e exploração de matéria
prima como a madeira, que nesse local pode ser encontrada em grande quantidade, entre
outros produtos, bem como o uso de diversos bens e serviços florestais como a criação de
animais, consumo dos alimentos, sendo estes de subsistência ou de pretendido o lucro,
mas sempre de acordo com a sustentabilidade e o respeito ambiental.

18 Discente do 9º período do Curso de Direito da Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG


unidade Frutal. E-mail: yannyferreira@gmail.com.
19 Discente do 9º período do Curso de Direito da Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
unidade Frutal. E-mail: rubensjsa@hotmail.com.
20 Discente do 9º período do Curso de Direito da Universidade do Estado de Minas Gerais - UEMG
unidade Frutal. E-mail: nayara.nubia@hotmail.com.

36
OBJETIVO

Tem-se como objetivo específico do presente a análise do manejo florestal como


elemento percursor da economia em conjunto à reserva legal, demonstrando sua
relevância e conceitos importantes para o estudo da temática, como o da a
sustentabilidade.

METODOLOGIA

Perante os métodos para norteamento de pesquisa, escolheu-se o dedutivo, que de


acordo com Lakatos & Marconi (2017) é aquele, onde parte-se de um modelo, sendo este o
silogismo, onde, partindo de duas asserções intituladas de premissas, é possível chegar a
uma terceira premissa denominada de conclusão.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Muitos doutrinadores encaram o desenvolvimento sustentável como um


princípio e objetivo principal do direito ambiental. Assim, deve-se ter em mente que os
princípios são necessários na observação da ciência jurídica concernente ao meio
ambiente, uma vez que auxiliam e fazem com que o operador do direito logre sucesso na
análise de casos concretos no ordenamento jurídico-ambiental, e além disso, supre as
limitações e ausências que podem ocorrer na aplicabilidade.
O senso crítico relacionado ao desenvolvimento da sustentabilidade global é
indispensável, pois objetiva uma construção recíproca e onde todos se pactuem e
cumpram em conjunto para o bem comum, assegurando qualidade de vida íntegra das
futuras gerações, afinal, países agudamente desenvolvidos se mostram contrários à
sustentabilidade global, sendo imprescindível delinear a conscientização da
sustentabilidade em completude, que tem base constitucional segundo o art. 225, caput
da CF/88 que dispõe que todos possuem direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a boa qualidade de vida, impondo-
se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes
e futuras gerações, bem como o seu art. 170 que afirma que a ordem econômica com
fundamento na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, possui fim de
garantir a todos uma existência digna, de acordo com os ditames da justiça social,
seguindo do princípio do inciso VI onde a: “defesa do meio ambiente, inclusive mediante
tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus
processos de elaboração e prestação”. (BRASIL, 1988).
37
O conceito de sustentabilidade localiza-se, todavia, vinculado ao resguardo do
ambiente, já que preservar e recuperar em algumas circunstâncias esse equilíbrio
ambiental acarreta o uso racional e equilibrado dos recursos naturais, por meio de sua
degradação com intento de não os levar a sua lassidão. A Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente Humano, acontecida em 1972, na cidade de Estocolmo (Suécia),
caracterizou a pioneira reunião governamental internacional para discutir sobre o meio
ambiente e seus vínculos e ligações com o desenvolvimento econômico. Subsecutivo a
tal período, no ano de 1987, foi publicado o relatório Nosso Futuro Comum, resultado do
trabalho da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Comissão
Brundtland), onde aparece, pioneiramente, o termo desenvolvimento sustentável,
intentando a certificação da crise ecológica que já se estabelecia em escala mundial.

Este tipo de desenvolvimento é baseado nos pilares social, econômico e


ambiental. O conceito de desenvolvimento sustentável é amplo, mas pode
ser sumarizado em cinco princípios: equidade intergeracional (futurity),
justiça social (equidade intrageracional), responsabilidade transfronteiriça
(equidade geográfica); com sistemas participativos (equidade
procedimental); preservação da biodiversidade (equidade entre espécies).
(HAUGHTON, 1999, p. 233-243).

O extrativismo florestal, por exemplo, quando feito por intermédio de manejo


sustentável, é uma forma que pode abranger o progresso local, uma vez que envolve a
habilidade das comunidades ao introduzir tecnologias de produção e extração, na
extensão de ingresso no mercado, produzindo empregos e renda para as comunidades
rurais, da mesma maneira que a preservação da floresta. Para muitos pesquisadores, as
formas de exploração extrativista da floresta são menos agressivas, de algum modo,
quando comparado a ocupação que ocorre por meio da ampliação da fronteira
agropecuária, e, assim, produziram danos ambientais menores, fazendo com que uma
relevante parte da cobertura vegetal do estado esteja conservada.
Diante desse cenário, uma das ferramentas que pode propiciar o
desenvolvimento local integrado ao território é o manejo florestal. Este
pode ser considerado um ramo da ciência florestal que busca
desenvolver técnicas, metodologias e ferramentas que permitam
explorações anuais ou periódicas de recursos florestais, em consonância
com o ordenamento de povoamentos e com a permanência do
patrimônio natural. (BORELI, 2009, p. 21).

Ademais:
As vantagens para adoção da política de concessão de áreas para o
manejo florestal destacam-se através da estabilidade econômica e
geográfica das empresas, permitindo contratos de longo prazo. Isso
evitaria a pressão crescente sobre as comunidades que tradicionalmente
habitam as florestas e facilitaria a execução de políticas de

38
desenvolvimento local. O maior controle de resultados na redução do
desmatamento também é contabilizado como conseqüência positiva da
implantação de um modelo de exploração sustentável dos recursos
disponíveis. Outro ganho importante é a contribuição para a redução da
oferta de madeira ilegal que compete com a madeira legal, facilitando
o projeto de certificação florestal. (BORELI, 2009, p. 31).

Deve-se compreender que as políticas de estímulo ao manejo sustentável de uso


múltiplo têm sido pertinentes nas propostas de desenvolvimento local no Brasil e se tal
processo determina uma lógica transformadora de progresso socioterritorial. A relevância
do território acontece, segundo Oliveira (2001) porque é nele que acontecessem conflitos
de interesses possíveis de mudar a conjuntura real por meio de uma repercussão que vai
gerar transformações sociais e econômicas. A responsabilidade do Estado em auxiliar e
regulamentar uma interação econômico-sustentável não obstaculiza, Édis Milaré afirma
que:
Sob o aspecto institucional, relativo aos agentes que tomam as
iniciativas de gestão, vale repisar não constituir privilégio ou
exclusividade dos governos conduzir a administração do meio
ambiente: os segmentos organizados da sociedade têm igualmente essa
vocação. A recíproca também é verdadeira: a gestão ambiental não é
apanágio da empresa, porque inerente também ao Poder Público.
Entende-se, assim, que os vários agentes se complementam cada qual
no seu âmbito de ação e com seus métodos próprios. (MILARÉ, 2011,
p. 394).

Em suma se faz necessário um aprimoramento de políticas públicas não somente


em relação ao manejo florestal sustentável em reserva legal, mas também ao
aprimoramento da noção de sustentabilidade para pessoas físicas e jurídicas visando a não
degradação do ambiente por meio de uma conscientização desta, e, se tratando de proveito
econômico norteando a melhor forma para tal sem que haja prejuízos extensos, uma vez
que não há melhor reparação do que a ação preventiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A consciência sustentável está se formando e ganhando relevância, pois, os danos


causados ao meio ambiente estão sendo mais perceptíveis. O destaque das ações que
constatam responsabilidade e determinam o julgamento dispõe, além do propósito básico
de atingir reparação e recuperação do dano ambiental é a de servir como matriz e
declaração de punibilidade, pois inexiste reparação ou recuperação comparadas ao não
acontecimento do dano pela ação preventiva. Não é tolerável a degradação do meio

39
ambiente por vantagens econômicas exacerbadas, pois, se mais prejudicado este for, a
consequência depreciativa disto na economia será maior e, até mesmo na sobrevivência
humana, sendo necessária a guarda penal deste bem de uso comum da sociedade. Urge
vislumbrar a reserva legal em área de floresta como oportunidade de aumento de renda,
alternativa econômica que ajudará sem degenerar o meio ambiente, frisando que a
certificação florestal (FSC) garante que as práticas de manejo e exploração realizadas em
uma extensão florestal se guarde por normas coletivas, ambientais e econômicas
legitimadas universalmente. Assim, neste cenário em progresso, a carência de privilegiar
a busca pela sustentabilidade, compreendendo funções e responsabilidades para a
sociedade, empresas, meio ambiente e Estado como círculo normativo ao
desenvolvimento sustentável tornou-se indispensável.

REFERÊNCIAS

BORELI, Tassiane. Manejo Florestal de Uso Múltiplo como opção de exploração


equilibrada dos Recursos Florestais na Reserva Maracatiara - Município de
Machadinho do Oeste – RO. Dissertação apresentada à UFAC. Rio Branco/Acre, 2009.

BRITO, Álvaro de Azevedo Alves. BRITO, Fernando de Azevedo Alves. Breves


considerações sobre os princípios do direito ambiental brasileiro. Disponível em
http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10685. Acesso
em: 22 abr. 2019.

CAVALCANTI, Romero Duarte Suassuna. Reserva florestal legal: o papel do poder


público e do particular. Disponível em http://www.ambito-
juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11125. Acesso
em: 22 abr. 2019.

HADDAD, Paulo Roberto. Meio ambiente, planejamento e desenvolvimento


sustentável. São Paulo: Saraiva, 2015.

HAUGHTON, G. Environmental justice and the sustainable city. In: D. Satterthwaite


(Ed.), Sustainable cities. London: Earthscan, 1999.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da Metodologia


Científica. São Paulo: Atlas, 2017.

MILARÉ, Édis; MACHADO, Paulo Afonso Leme. Novo Código Florestal -


Comentários à Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, e à Medida Provisória 571, de 25 de
maio de 2012. São Paulo: RT, 2012.

MILARÉ, Édis. Direito do ambiente. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.

40
PNGF. Manejo Florestal. Disponível em: http://www.florestal.gov.br/pngf/manejo-
florestal/apresentacao. Acesso em: 29 abr. 2019.

RAA. Manejo de uso múltiplo como alternativa para o desenvolvimento local


sustentável: o caso do Acre. Disponível em: https://raa.fgv.br/artigo-manejo-de-uso-
multiplo-como-alternativa-para-o-desenvolvimento- local-sustentavel-o-caso-do-a-0.
Acesso em: 29 abr. 2019.

41
42
AGROBIODIVERSIDADE E CIÊNCIAS NATURAIS: DESAFIOS PARA O
ANTROPOCENO

Vanessa de Castro Rosa 2 1

Apresentação

A crise ambiental alcançou tamanho estágio de degradação e impacto sobre a


natureza, que chegou a caracterizar uma nova era geológica, denominada de
Antropoceno, termo atribuído a Paul Crutzen, ganhador do Nobel de Química.
Entende-se por Antropoceno uma nova era da Terra em consequência do sistema
urbano-agroindustrial em escala global e do aumento da população mundial, que coloca
fim ao Holoceno, período histórico correspondente ao início da agricultura e
desenvolvimento das sociedades nos últimos 12.000 anos.
O Antropoceno é mais um fenômeno cultural que coloca importantes questões
como: o impacto dos seres humanos sobre o planeta, como os seres humanos lidam com
a natureza e vice-versa e como esta relação forma a história da humanidade.
É preciso compreender os impactos negativos sobre o meio ambiente de forma
holística e integrada, ou seja, de forma trans e multidisciplinar, para que as formas sociais
de organização, produção e reprodução sejam compreendidas a par das técnicas e
tecnologias agrícolas em busca de desenvolvimento sustentável, pois não há como
construir uma sociedade sustentável apenas com técnicas agrícolas sustentáveis, se o
modo de produção social não o for.
Neste sentido, a agroecologia é um campo científico, que busca práticas
agrícolas sustentáveis, partindo do estudo da relação metabólica entre seres humanos e
natureza em modelos não capitalistas, ou seja, seus estudos partem das experiências dos
povos tradicionais, campesinos e povos indígenas, trazendo novos ares e novas visões
para a ciência contemporânea, ultrapassando a barreira do positivismo capitalista.
Não se trata de apenas copiar as técnicas de cultivo dos povos tradicionais, mas
sim estudá-las cientificamente para implementá- las em macroescala, operando

21
Doutora em Direito Político e Econômico (Mackenzie), com ênfase em Agroecologia. Mestra em
Direitos Humanos (FIEO), com ênfase em Direito Internacional Ambiental. Especialista em Direito
Ambiental (UGF). Especialista em Agroecologia no Cerrado (UEMG). Pro fessora da UEMG-Frutal.

43
transformações sociais como o resgate cultural de hábitos alimentares saudáveis e novos
valores sobre a relação entre seres humanos e natureza.
No trabalho “Sistemas agroecológicos: utilização do método de controle
biológico como estratégia para o manejo de pragas e doenças” a autora Jaqueline Silva
Caetano propõe o controle biológico para manejo de pragas e doenças em sistemas
agroecológicos, apontando que a grande dificuldade em usar estes novos métodos ainda
é a falta de informação, mas concluir que seu uso tende a se expandir, pois é um método
satisfatório com resultados positivos em vários pontos do mundo.
No trabalho “Água virtual como elemento fundamental para preservação da
biodiversidade”, os autores Caio Tomazette e Eduarda Enne Mendes Ribeiro apresentam
o conceito de água virtual, criado, nos anos 90, pelo cientista inglês John Anthony Allan,
como forma de revelar a quantidade de água embutida no processo produtivo dos
produtos, apontando para a necessidade de o valor da água seja identificado no preço dos
produtos, a fim de que a sociedade possa se conscientizar do real consumo de água
existente no planeta.
No terceiro trabalho, “Emissários submarinos e seu impacto no meio ambiente
marinho”, as autoras Gabriela Crepaldi Cordeiro e Gabriela de Carvalho Tazitu, também
preocupadas com a qualidade da água, destacam os problemas ambientais que os
emissários submarinos podem representar e a necessidade de que o esgoto seja
previamente tratado e peneirado como forma de evitar danos às águas e fauna marinha.
No quarto trabalho, “Controle biológico da diatraea saccharalis (Fabricius,
1794): uso de microrganismos entomopatogênicos na cultura de cana-de-açúcar”, os
autores Adriana Barboza Alves e Eduardo da Silva Martins estudam a popular broca-da-
cana, responsável por grandes prejuízos às lavouras canavieiras, apontando como possível
solução a adoção de práticas agroecológicas de controle biológico.
O quinto trabalho “Avaliação do desenvolvimento bidens pilosa, taraxacum
officinale submetido a palha de cana-de-açúcar como potencial alelopático”, dos autores
Núbia Paula Ferreira, Jhansley Ferreira da Mata, Allynson Takehiro Fujita, Vanesca
Korasaki e Frederico Alves da Silva, buscou avaliar o potencial alelopático do pó de palha
da cana-de-açúcar no desenvolvimento de plantas daninhas e plantas bioindicadoras.
No sexto trabalho, intitulado “Qualidade microbiológica e parâmetros físico-
químicos da água em uma propriedade rural de Frutal/MG”, os autores Heytor Lemos
Martins, Eduardo da Silva Martins, Rodrigo Ney Millan e Otávio Martins Ribeiro
analisaram a presença de coliformes termotolerantes em amostras de água em uma

44
propriedade rural de Frutal/MG com atividade pecuária, e concluíram que o contato do gado
com a água na propriedade não provocou variações importantes nas características físico-
químicas da água, mas provocou um expressivo aumento na quantidade de coliformes
termotolerantes, inclusive deixando a água fora dos padrões da legislação.
No trabalho “Potencial alelopático do pó da palha de cana-de-açúcar nas espécies
de bidens pilosa, taraxacum officinale, tomate e alface”, os autores Núbia Paula Ferreira,
Jhansley Ferreira da Mata, Allynson Takehiro Fujita, Eduardo da Silva Martins e Heytor
Lemos Martins avaliam o potencial alelopático do pó de palha da cana-de-açúcar no
desenvolvimento de plantas daninhas e plantas bioindicadoras.
No trabalho apresentado “A importância da fauna de solo para a produção
agroecológica” as autoras Nathalia Eugênia Silva e Cristiane Freitas de Azevedo Barros
levantam informações sobre as funções e serviços ambientais desempenhadas pela fauna
de solo, destacando sua importância para a produção agrícola, com foco no viés
agroecológico.
E, por fim, o trabalho “Quantificação de bactérias em solos com cultivo
convencional e agroecológico” dos autores Andreza de Souza Pinheiro, Eduardo da Silva
Martins e Heytor Lemos Martins buscaram quantificar a população bacteriana em
amostras de solo de duas propriedades rurais vizinhas no município de Fronteira/MG, em
áreas com cultivo convencional e agroecológico, comparando-as.
Os trabalhos propiciaram importantes debates e trocas de saberes e experiências
dentro do “GT - Agrobiodiversidade e ciências naturais: desafios para o antropoceno”,
além de abrir as portas da iniciação científica aos discentes, criando o compromisso ético
e social de fazer da universidade pública um espaço democrático de construção de saberes
e de tecnologias agroecológicas para a concretização do desenvolvimento sustentável,
preservando o meio ambiente para as presente e futuras gerações.
Neste sentido, a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), unidade
Frutal, cumpre seu papel ético e social, mesmo diante de todas as adversidades que
assolam o ensino no país, a UEMG resiste bravamente e com parcos recursos financeiros
busca formar pesquisadores e profissionais comprometidos com a construção de uma
sociedade socialmente justa e ecologicamente sustentável.

45
SISTEMAS AGROECOLÓGICOS: UTILIZAÇÃO DO MÉTODO DE
CONTROLE BIOLÓGICO COMO ESTRATÉGIA PARA O MANEJO DE
PRAGAS E DOENÇAS

Agroecological systems: using biological control methods as a strategy for


the management of diseases and pests

Jaqueline Silva Caetano 2 2

INTRODUÇÃO

Ao debater sobre temáticas que envolvem a agricultura, está cada vez mais
evidente que essa atividade de produção alimentícia necessita se direcionar para a
sustentabilidade. Esse fato pode estar relacionado ao grande desgaste ambiental que a
agricultura convencional vem causando na natureza. Isso ocorre, devido a prática de
manejo deixar em segundo plano a responsabilidade ambiental, engendrando efeitos
nocivos aos recursos naturais em consequência do uso intensivo de fertilizantes químicos
e de agrotóxicos, diminuindo a qualidade nutricional dos alimentos e da vida dos
indivíduos como um todo.
Em resposta a essas problemáticas, uma agricultura de viés orgânico tem se
destacado. O processo de desenvolvimento de uma agricultura sustentável, embora resulte
na diminuição e/ou na não utilização de agroquímicos, vai muito além disso, e deve
necessariamente fortalecer a produção de base familiar, promover mudanças na estrutura
fundiária do país e conceber políticas públicas coesas e consistentes com a realidade da
grande parcela brasileira de pequenos agricultores (MOREIRA; CARMO, 2004).
Dessa forma, a Agroecologia emerge da compilação de variados ramos da
ciência, sendo amparada sobre os princípios e conceitos da Ecologia, da Sociologia, da
Antropologia, da Geografia e de outras áreas do conhecimento científico, que auxiliam
não somente na restruturação do repensar sobre a agricultura, mas que corroboram a
aplicação de práticas mais sustentáveis para a produção de alimentos, apoiando a
transição do paradigma convencional de cultivo para estilos voltados a sustentabilidade e
ecologia (CAPORAL; COSTABEBER, 2002). Dessa forma, dedica-se ao estudo das

22
Jaqueline Silva Caetano, mestranda em Ciências Ambientais pela Universidade do Estado de Minas
Gerais – Unidade Frutal, jaquelinecaetanotrab@gmail.com.

46
relações produtivas entre sociedade-natureza, visando sempre a sustentabilidade
ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.
Destarte, segundo Menezes e Lima (2004) umas das preocupações dos sistemas
agroecológicos é de uma agricultura equilibrada, onde apoia-se em técnicas
conservacionistas de preparo do solo, rotações de culturas, adubação verde e controle
biológico de pragas, assim como o uso inteligente dos recursos naturais. Ainda segundo
os autores, há uma conexão entre o sistema solo/planta com os processos biológicos, e o
reconhecimento dessa dinâmica auxilia em táticas de manipulação para os controles
alternativos de pragas e doenças. Essas táticas estão sendo cada vez mais pesquisadas e
desenvolvidas ao longo dos anos, pois, remetem a não utilização dos agrotóxicos.

OBJETIVO

O presente trabalho objetiva-se em analisar a técnica alternativa de controle de


pragas e doenças em sistemas agroecológicos, levando em consideração o histórico de
utilização do método de controle biológico e as estratégias para o manejo de pragas e
doenças.

METODOLOGIA

O arcabouço teórico da pesquisa em questão fundamentou-se na leitura de textos


e artigos. Dessa forma, para composição da análise utilizou-se do método exploratório de
pesquisa, em virtude da objetividade em buscar maior conhecimento com o tema proposto
a partir do levantamento de referências publicadas em meios escritos e eletrônicos de
pesquisa (FONSECA, 2002); (Gil, 2007).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Controle Biológico, segundo Berti Filho (2010) é um amplo campo de estudos


apoiado no fenômeno natural, onde constitui a sistêmica relação entre as espécies que
convivem e se alimentam de outros organismos, fomentando o controle de populações e
podendo até mesmo exterminá-las de um ecossistema. Ainda de acordo com o autor, essas
espécies são denominadas inimigos naturais e desde 1760 o sueco Linnaeus já alegava

47
que todo organismo possui seu inimigo natural. Em vista disso, o controle biológico pode
ser conceituado como “um fenômeno natural que consiste na regulação do número de
plantas e animais por inimigos naturais, os quais se constituem nos agentes de mortalidade
biótica” (BERTI FILHO, 2010, p.7).
Permeando no pretérito, Gallo et al. (1988) relatam que no século III os chineses
já utilizavam da técnica de controle biológico de pragas para manipular formigas
predadoras contra insetos de citros. Outro fato histórico, diz respeito a Harry S. Smith ser
considerado o primeiro entomologista a utilizar a expressão „controle biológico‟, para
caracterizar o uso de inimigos naturais no controle de insetos/pragas no ano de 1919
(Wilson; Huffaker, 1976 citado por BERTI FILHO, 2010).
Já no século XVIII, foi empregado em território europeu o uso do controle
natural, utilizando de pássaros predadores e joaninhas, mediante transferências de insetos
predadores para combate dos surtos e extermínio de pragas. Contudo, foi apenas em 1870
que ocorreu a primeira experiência em controlar insetos por meio de patógenos. Já em
1873 houve a primeira transferência internacional do predador (ácaro), deslocando-o dos
Estados Unidos para a França. Entretanto, o primeiro triunfo notável relacionado a
transferência de insetos sucedeu na Califórnia em 1888, no qual, a joaninha Rodolia
cardinalis foi levada da Austrália para auxiliar no controle biológico do pulgão dos citros
Icerya purchasi (GALLO et al. 1988).
Diante disso, expandiu-se a prática de controle biológico, obtendo atualmente
êxito em inúmeros casos registrados entorno do globo terrestre. Segundo Prates Júnior et
al. (2011) a diferença entre a agricultura convencional da Agroecologia, é que, a segunda
visa tratar não apenas o solo, mas a planta, buscando manter o equilíbrio ambiental. Um
bom manejo abarca a manutenção da vegetação natural do entorno das áreas cultivadas,
objetivando não somente a diversidade, mas o aumento da eficácia dos agentes de
controle biológico e do ambiente como um todo. Muito além disso, os autores ratificam
que a diversidade do manejo é indispensável para a supressão dos parasitas e para atender
as necessidades dos cultivadores, engendrando colheitas mais regulares, com qualidade e
sem agrotóxicos.
Assim, quando tratamos da disseminação dos métodos alternativos, não se pode
deixar de mencionar a ascensão das tecnologias de controle biológico nas últimas três
décadas (CCA, 2005 citado por OLIVEIRA et al. 2006). Para as produções orgânicas, há
todo um aparato que legaliza e viabiliza o uso das técnicas de controle biológico, assim

48
como a Associação de Agricultura Orgânica – (AAO) que menciona em suas normas de
produção orgânica resultados satisfatórios desse procedimento alternativo.
No que diz respeito aos princípios da Agroecologia, as problemáticas
relacionadas as pragas e doenças só podem ser superadas com a utilização dos sistemas
integrados de produção. Isso significa, segundo (Oliveira et al. 2006, s.p.) “intervir sobre
as causas do surgimento de tais pragas e aplicar o princípio da prevenção, buscando a
relação do problema com a estrutura e fertilidade do solo, e com o desequilíbrio
nutricional e metabólico das plantas”. Deve ser ressaltado também, que o controle
biológico é uma das variadas estratégias que podem ser aplicadas dentro de um sistema
agroecológico e diante disso, não pode ser entendida ou vista como solução exclusiva de
táticas de controle de pragas e doenças. Logo, para cada área cultivada se há soluções
singulares para o tratamento desses distúrbios.
Os autores Burg; Mayer (1999 citado por Oliveira et al. 2006), elaboraram um
roteiro de quatro passos para a aplicação do manejo de práticas agroecológicas, que muito
auxiliam na prática de controle biológico ou de outros métodos alternativos de controle.
Nesse roteiro, os passos se caracterizam no reconhecimento das pragas-chave da cultura,
dos inimigos naturais, da amostragem da população dos organismos prejudiciais
(quantificação de ovos, larvas e organismos adultos) e na escolha na utilização das táticas
de controle. Quando a presença desses organismos persiste, podendo ultrapassar os
limites do equilíbrio, segundo os autores citados acima, medidas preventivas ou apenas
uma única solução alternativa pode não ser o bastante, sendo necessário o uso outras
táticas alternativas em conjunto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O controle biológico é uma alternativa muito eficiente para a contenção de


pragas e doenças em sistemas agroecológicos. O uso de práticas alternativas em culturas
alimentícias visa uma produção mais saudável e sustentável, buscando reduzir não
somente a utilização do uso intensivo de agrotóxicos, mas os impactos ambientais, assim
como melhorar a qualidade dos alimentos quanto a saúde das pessoas e dos animais.
Mesmo com muito desvelo e boas práticas de manejo, os cultivos estão
propensos a sofrer com ataques de pragas e doenças. Quando esse problema surge, em
grande parte das situações esses cenários são revertidos com o uso de produtos

49
agroquímicos e por sua vez, o uso corriqueiro faz com que ocorra o uso mais intenso de
produtos químicos, se tornando nefasto ao agricultor quanto ao consumidor e natureza.
A falta de conhecimento, informação ou instrução faz com que métodos da
agricultura convencional ainda continuem sendo muito usados. O desenvolvimento de
práticas alternativas de controle de pragas e doenças já é reconhecido pelas Associações
de Agricultura a muito tempo, mas ainda é reduzido o número de políticas públicas que
trabalhem para a disseminação de práticas de controle alternativo e sustentável para os
pequenos agricultores, classe essa muito representativa na produção e abastecimento do
mercado interno alimentício.
Conclui-se que o uso alternativo de controle de pragas e doenças tende a se
expandir, devido aos investimentos tecnológicos em pesquisa em prol da qualidade de
vida e dos ecossistemas. O roteiro de quatro passos para a aplicação do manejo de práticas
agroecológicas, é um passo-a-passo simples, porém, muito informativo sobre as
observâncias a serem aplicadas em manejos orgânicos. Ainda no que se diz respeito às
incertezas e descrenças do método de controle biológico, ele é considerado muito
satisfatório e obtém inúmeros casos positivos em sua aplicação em torno de vários pontos
geográficos do mundo.

REFERÊNCIAS

BERTI FILHO, E. Fundamentos de controle biológico de insetos-praga. – Natal:


Editora, 2010.

CAPORAL, F. R.; COSTABEBER, J. A. Agroecologia: aproximando conceitos coma


noção de sustentabilidade. In: RUSCHEINSKY, A. Sustentabilidade: uma paixão em
movimento. Porto Alegre: Sulina, 2004.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002. Apostila.

GALLO, D.; NAKANO, O.; SILVEIRA NETO, S.; CARVALHO, R. P. L.; BATISTA,
G. C. de; BERTI FILHO, E.; PARRA, J. R. P; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B. Manual
de entomologia agrícola. São Paulo: Ed. Agronômica Ceres, 1988.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

MENEZES, A; LIMA, E.; Diversidade vegetal: uma estratégia para o manejo de pragas
em sistemas sustentáveis de produção agrícola. Seropédica: Embrapa Agrobiologia,
2004.

MOREIRA, R. M.; CARMO, M. S.; Agroecologia na construção do Desenvolvimento


Rural Sustentável. Agricultura em São Paulo, v. 51, p. 1-27, 2004.

50
OLIVEIRA, A. M. de; MARACAJÁ, P. B.; DINIZ FILHO, E. T.; LINHARES, P. C. F.
Controle biológico de pragas em cultivos comerciais como alternativa ao uso de
agrotóxicos. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v. 01, p.
01-09, 2006.

PRATES JÚNIOR, P.; OLIVEIRA, M. Z. A. de.; BARBOSA, C. J.; Agroecologia:


manejo de pragas e doenças de plantas. Bahia Agrícola, v. 9, p. 32-33, 2011.

51
ÁGUA VIRTUAL COMO ELEMENTO FUNDAMENTAL PARA
PRESERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

Virtual water as a fundamental element for biodiversity preservation


Caio Tomazette 2 3
Eduarda Enne Mendes Ribeiro 2 4

INTRODUÇÃO

O elemento natural água é imprescindível para a vida de todo ser biológico, é


combustível do planeta terra, é um bem necessário para a manutenção e existência de
vida. O Brasil possui abundância desse recurso hídrico, entretanto o uso inadequado
durante os anos levou o país a enfrentar em algumas áreas escassez. Considerando que,
uma importante fonte econômica do país baseia-se na produção de produtos agrícolas, a
água ou a falta dela afeta profundamente a vida cotidiana dos indivíduos assim como a
economia do país como um todo.
O conceito de água virtual foi criado nos anos 90 pelo cientista inglês John
Anthony Allan, trata-se da água embutida no processo produtivo de determinado produto
ou bem. Segundo o ambientalista Henrique Cortez “a água virtual está presente em tudo
que usamos e consumimos, porque é parte de todos os processos de produção, direta ou
indiretamente”25 (2010, p.100).
A água virtual, portanto, é o total de líquido utilizado desde o início da produção
até a venda, pode-se citar como exemplo a produção de produtos primários, como frutas
e cereais, produtos os quais utilizam água desde a sua plantação até a venda, a
agropecuária em geral que, como se sabe, consome elevadíssimos níveis de água durante
todo seu processo produtivo, bem como outros setores dos quais a população não possui
conhecimento e noção do gasto exorbitante de água que envolvem sua produção, como
por exemplo a indústria têxtil.

23
Bacharelando em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais - Unidade Frutal. E-mail:
caiotomazettea@gmail.com
24
Bacharelanda em Direito pela Universidade Estadual de Minas Gerais - Unidade Frutal. E-mail:
duda.enne@gmail.com
25
CORTEZ, Henrique. Cidadania Ambiental – Água. São Paulo: Editora Baraúna, 2010., 125 p.

52
Um problema envolvendo o grande consumo de água relacionado ao processo de
produção é o fato de as pessoas não se aterem a essa questão, pois há uma preocupação
maior com o que está evidente no cotidiano dos indivíduos, ou seja, o consumo direto da
água, que é aquele direcionado às necessidades diárias das pessoas, como o uso para matar
a sede, os relacionados à higiene, limpeza doméstica, dessedentação de animais
domésticos, dentre outros que vemos de maneira mais concreta.
Uma matéria de 2015 na plataforma digital do jornal Fantástico expôs um dado
que causa estarrecimento mesmo naqueles que não se mobilizam ou não se importam com
a redução do consumo de água, ainda que diretamente: para se produzir uma calça jeans,
estima-se que haja um consumo de 11 mil litros de água em todo seu processo de
produção. Isso evidencia a urgência que existe em dar conhecimento à população sobre a
injustiça que a negligência sobre o assunto causa, pois enquanto usamos toda essa parcela
de água para produzir uma peça de roupa, existem mais de um bilhão de pessoas vivendo
sem o acesso à água.
A tabela a seguir mostra o quanto de água é utilizado no processo produtivo dos
seguintes produtos.

Ocorre que, se analisarmos toda a mentalidade mais sustentável e ambientalista


que, felizmente, algumas pessoas vêm adquirindo em tempos atuais (como o simples
hábito de não demorar no banho ou fechar a torneira enquanto se escova os dentes), pode-
se perceber que, se houvesse uma maior conscientização e informação para as pessoas
sobre o quão alto é o nível gasto de água vinculado ao processo de produção, talvez

53
víssemos as pessoas reduzindo seus hábitos consumistas desenfreados a fim de evitar o
desgaste necessário desse bem indispensável para nossa sobrevivência.
É importante ressaltar que a agricultura provoca a poluição das águas, solo e ar,
pois são adicionados produtos químicos na plantação como fertilizantes e pesticidas. A
agricultura necessita de um alto de nível de água e se não houver bom planejamento dos
recursos hídricos, a natureza é contaminada e consequentemente a água utilizada por toda
população.
Destarte, no custo das mercadorias deveria estar, portanto, embutido a quantidade
de água gasta para a produção, assim como os impactos ambientais por ela gerados, de
forma a conscientizar a população da importância desse bem natural. John Anthony Allan
afirma em uma entrevista por email feita à IHU On-Line (2010):

A forma como usamos a terra e os recursos hídricos no passado


negligenciava os impactos ambientais impostos pela agricultura
intensiva. Esses custos não se refletem nos preços das commodities
alimentícias vendidas e compradas internacionalmente, e nem mesmo
nos preços dos alimentos no mercado interno. O Brasil não deveria
correr para satisfazer a demanda global por sua água, colocando
commodities no mercado mundial a preços que impossibilitem que o
ambiente das terras e dos recursos hídricos do Brasil seja usado de modo
sustentável. (IHU On-Line, 2010)

É fundamental ressaltar que os maiores responsáveis pelo uso de água doce são
os agricultores: no Brasil a agricultura representa 70% do uso da água enquanto o uso
doméstico é de apenas 10%. A agricultura é atividade fundamental tanto para economia
quanto para alimentação e produção de matérias primas, países como o Brasil dependem
dessa atividade, entretanto é preciso que haja conscientização sobre a finitude dos
recursos hídricos de modo que seja preservado.
O uso inadequado desse recurso indispensável para a manutenção da vida mostra
a necessidade de conscientização da população de que a água é um bem finito e
necessidade da racionalização de seu uso para a sociedade e para o meio ambiente.

OBJETIVOS

A presente pesquisa possui como objetivo demonstrar que o elemento água está
inserido em todos os aspectos da vida humana, bem como fomentar o conhecimento sobre
toda essa quantidade de água embutida nos processos de produção para que, dessa
maneira, haja uma conscientização que poderá levar a uma redução do consumo geral por

54
parte da população e, assim, procurar sanar o frequente desperdício de água que acarreta
diversos problemas para o meio ambiente e para qualidade de vida humana.

METODOLOGIA

Procura-se informar e retratar as particularidades da denominada água virtual,


para assim capacitar o leitor a ter uma compreensão crítica em relação ao uso desregrado
desse bem natural.
Esse resumo consiste em pesquisa exploratória e quantitativa, pois busca
demonstrar através de pesquisas a inserção do elemento água em todas as partes da vida
humana. As principais fontes são os artigos do autor do conceito água virtual, John
Anthony Allan. Por meio de revisão bibliográfica, este resumo apresenta o conceito de
água virtual assim como a indispensabilidade dessa água para a manutenção da
biodiversidade.

RESULTADOS

Considerando a extrema importância de um dos bens mais valiosos da terra, a


água, viu-se a necessidade de explanar sobre os impactos do uso inadequado dessa água,
como a poluição da água devido produtos químicos utilizados na agricultura. O resultado
visado pelo trabalho é demonstrar a falta de conhecimento acerca do gasto de água
vinculado aos processos produtivos e instigar a preocupação da população em relação a
esse bem, provocando uma série de questionamentos que, se não suscitados,
impossibilitam a compreensão e preservação desse elemento fundamental para a
sobrevivência de todos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante que a água virtual seja contabilizada de forma correta, de maneira


que seu valor seja identificado no preço dos produtos. Para que os indivíduos da sociedade
tomem conhecimento do volume de água necessário para produzir determinado bem,
tendo assim a capacidade de discernir quais bens impactam mais o sistema hídrico e o
meio ambiente, podendo, assim, poupar água de maneira mais eficaz.

55
Apesar de no Brasil possuir uma certa situação de conforto hídrico, há uma
desigualdade na distribuição natural, cabe às instituições de ensino e aos governantes
incentivar e fomentar o conhecimento da água virtual assim como promover medidas de
conservação hídrica tanto na agricultura como na sociedade.

REFERÊNCIAS

ALLAN, J. „Virtual water‟: A Long Term Solution For Water Short Middle Eastern
Economies? UK: British Association Festival of Science, 1997. 20p

ALLAN, J. “O Brasil é o maior”. Revista Do Instituto Humanitas Unisinos (IHU On-


Line). Rio Grande do Sul: Unisinos, mar. 2010, ed. 321. Disponível em:
<http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3
063&secao=321> . Acesso em: 22 abr. 2019.

CORTEZ, Henrique. Cidadania Ambiental – Água. São Paulo: Editora Baraúna, 2010.
125 p.

Fabricação de uma calça jeans consome 11 mil litros de água. Fantástico, 2015.
Disponível em:<http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/02/fabricacao-de-uma-
calca-jeans-consome-11-mil- litros-de-agua.html>. Acesso em: 07 maio 2019.

PAIVA, Daniele Moraes Electo. Água virtual. Disponível em:


<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUOS-
9ATGPW/_gua_virtual.pdf?sequence=1> Acesso em: 20 maio 2019.

REBOUÇAS, Aldo. Uso Inteligente da Água. 2. ed. São Paulo: Escrituras, 2004. 208p.

SILVA, B.G. et al. A água virtual na agricultura. Disponível em:


<http://www.portal.cps.sp.gov.br/pos-graduacao/workshop-de-pos-graduacao-e-
pesquisa/012-workshop-
2017/workshop/artigos/Sistemas_Produtivos/Meio_Ambiente/A-agua- virtual- na-
agricultura.pdf>. Acesso em: 22 abr. 2019.

56
EMISSÁRIOS SUBMARINOS E SEU IMPACTO NO MEIO AMBIENTE
MARINHO

Submarine emissaries and their impact on marine environment

Gabriela Crepaldi Cordeiro 2 6 1


Gabriela de Carvalho Tazitu 2 7 2

INTRODUÇÃO

Ao longo da história os ecossistemas litorâneos sofreram significativas


mudanças relacionadas ao fator do homem ter se instalado ao redor do mar, devido à
facilidade em se obter alimentos e conseguir refúgio, além de facilitar o lançamento de
seus resíduos.
Com a Revolução Industrial no século XX, o aumento de rejeitos nos portos e
em todo o litoral evoluiu, propiciando a criação de redes de esgotos sem instalações
adequadas para levar os rejeitos ao mar. Os resíduos geralmente eram tóxicos e não eram
tratados.
Um recurso alternativo para diminuir o impacto ambiental causado pela
quantidade de rejeitos dispostos em alto mar são os emissários submarinos que tem como
objetivo transportar os resíduos produzidos nas cidades para o alto mar. Este método se
torna mais eficiente devido ao fato de que se os rejeitos forem eliminados em alto mar
aumenta-se a capacidade de dispersão e depuração das matérias orgânicas, devido à ação
das correntes, por se tratar de ambiente adverso à existência do microrganismo e à pouca
disponibilidade de oxigênio.
No entanto, se não houver o tratamento correto do esgoto antes de ser despejado
no mar, pode ocorrer um desequilíbrio no ambiente marinho local.

OBJETIVO

O presente estudo busca conceituar os emissários submarinos, bem como


explicar seu funcionamento. Além disso, tem o intuito de pesquisar a potencialidade
lesiva dos emissários à biodiversidade marinha, assim como encontrar uma solução para

26
Aluna de graduação em Direito, Universidade do Estado de Minas Gerais, Unid ade Frutal, Frutal, MG
gabrielacrepaldicordeiro@hotmail.co m.
27
Aluna de graduação em Direito, Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade Frutal, Frutal, MG
gabitazitu@hotmail.com
57
casos concretos.

METODOLOGIA

Esta pesquisa possui como propósito central estudar o funcionamento dos


emissários submarinos e seus impactos no meio ambiente, através de uma pesquisa
bibliográfica, qualitativa e explicativa; refletindo fontes de pesquisa primárias, por ser um
trabalho fundamentado em doutrinas que abordam a biodiversidade, e secundárias, por
utilizar sites e artigos científicos disponíveis na rede de internet, que abordam os
problemas que os emissários submarinos vem apresentando.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Definição de Emissários Submarinos

O autor FEITOSA (2017), define os emissários como: “Os emissários submarinos


são basicamente constituídos por uma tubulação que transporta os efluentes domésticos
gerados nas cidades litorâneas para o descarte final em alto mar. No Rio de janeiro, os
principais emissários são os da Barra da Tijuca, Ipanema e Icaraí”.
Tem-se então, que o emissário submarino consiste em um sistema que recolhe e
lança o esgoto em alto mar através de tubulações. O esgoto lançado no mar passa por
tratamento, porém, se não observados certas precauções a área em que o esgoto é lançado
pode sofrer impactos ambientais, como dispõe o engenheiro Edward Brambilla, da
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) “Essa região sempre
acaba tendo um impacto ambiental, principalmente no fundo do mar, onde é feita a
descarga. Se não ocorrer uma diluição correta, o nível de oxigênio da água pode baixar e
afetar pequenos vegetais e animais que vivem em suspensão na água do mar”. Atenta-se
também as licenças de órgãos governamentais como salienta a bióloga Claudia
Lamparelli, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb): “Os
projetos devem atender às resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente
(Conama).”283

Funcionamento

O sistema de disposição de rejeitos no oceano é compreendido em três etapas, a

28
Em: PAQUETE, Suzana. Como funciona um emissário submarino? Superinteressante. 4 de julho de 2018.
Disponível em: <https://super.abril.com.br>. Acesso em: 08 maio 2019
58
primeira se observa a unidade de condicionamento prévio dos efluentes, a segunda se
observa o emissário e por último, a tubulação difusora.
A primeira etapa observa o tratamento dos esgotos para ser lançado em alto mar,
feito em uma Estação de Tratamento de Esgotos (ETE), onde se remove os sólidos e os
materiais flutuantes.
A segunda etapa trata do transporte dos rejeitos da Estação de Tratamento de Esgotos
até o mar, feito através de uma canalização em parte terrestre e em parte oceânica.
E, por último, a tubulação difusora consiste em orifícios destinados a lançar através
de jatos os efluentes no mar, com quantidade maior de movimento e densidade menor
que faz com que a corrente marinha.
Segundo o autor SUBTIL 2012, “No Brasil, a concepção adotada para a maioria
dos sistemas de disposição oceânica de esgotos sanitários é a utilização do tratamento
preliminar como etapa anterior ao lançamento.” O autor ainda complementa que é uma
opção economicamente viável, pois a área utilizada para a instalação é menor do que a
maioria das estalações de maior nível de tratamento e pela menor geração dos resíduos.

Requisitos para Construção dos Emissários

Os emissários submarinos são considerados empreendimentos potencialmente


poluidores pela legislação ambiental e por isso devem passar pelas três etapas do
licenciamento ambiental, bem como a licença prévia, a licença de instalação e a licença
de operação. Os emissários devem ser construídos em ambientes de áreas abertas, pois
favorece a circulação oceânica, devendo ser lançado no maior grau de profundidade e o
mais distante da costa possível.
Para CORSINI, 2014, vários fatores intervêm no tamanho de um emissário, como a
profundidade do lançamento, as condições em que se encontra o esgoto e as correntes
marinhas no local. A construção do trecho terrestre do emissário utiliza a técnica de pipe
jacking, considerada um método não destrutivo (MND) para a escavação dos túneis e, o
trecho submarino é construído através de assentamentos de tubos no fundo do oceano. O
autor ensina: “Um emissário submarino tem, de forma simplificada, dois projetos:
hidráulico e estrutural. O primeiro se refere a tudo que é relativo ao transporte do esgoto
sanitário. O projeto estrutural trata da estabilidade da tubulação assentada no leito do
mar.”

59
Conceito de Biodiversidade

A Biodiversidade pode ser conceituada pelo autor SIRVINSKAS (2019, p.684)


como:

É constituída por toda forma de vida existente na biosfera. Ela não


existe isoladamente, mas depende da interação contínua e ininterrupta
para dar sustentabilidade aos ecossistemas. A biodiversidade é a base
das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais. Seu conceito
é importante para podermos entender sua abrangência e complexidade.
Variabilidade de organismos vivos de todas as origens,
compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e
outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem
parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre
espécies e de ecossistemas (art.2º,III, da Lei n. 9.985/2000).

Paulo Affonso Leme Machado aponta que “não basta permitir a perpetuidade
das espécies e dos ecossistemas, mas a Constituição ordena que o Poder Público zele pela
integridade desse patrimônio” (MACHADO, Paulo Affonso Leme. 2018, p. 172)

Impactos causados pelos Emissários Submarinos

Dentre os possíveis impactos no ambiente marinho causados pelos emissários


submarinos estão: o acúmulo de matéria orgânica; excesso de nutrientes (eutrofização);
diminuição da transparência da água, e; possibilidade de contaminação por
microorganismos.
O emissário submarino de Ipanema, datado de 1975, não possui uma forma de
tratamento de esgoto adequada, sendo utilizado somente o gradeamento, ou seja, o esgoto
é gradeado e o material grosseiro é retirado. No entanto, nos últimos tempos, produtos
nocivos e de difícil decomposição passaram a ser despejados no mar por meio dos
emissários. Isso ocorre, pois o sistema de gradeamento do emissário de Ipanema consiste
em uma única grade instalada na tubulação, sendo que objetos iguais ou inferiores ao
diâmetro de uma bola de tênis conseguem passar por ela. Assim, produtos como
absorventes íntimos, preservativos, isqueiros e cotonetes são diariamente descartados no
oceano.
Mergulhadores da região já notaram a diferença no ambiente, cuja água ficou
mais turva e não há mais a presença de cardumes no local. Biólogos detectaram a presença
de metais pesados em aves e mexilhões, bem como índices de oxigênio inferiores ao valor
previsto pela Resolução 357/05 do CONAMA (artigo 18) para águas salinas de classe 1,
qual seja: 6 mg/L O2.
Enquanto, de um lado, ambientalistas se preocupam com a falta de tratamento
do esgoto do emissário de Ipanema, de outro, empresários e engenheiros afirmam que a
60
realização de tratamento é uma insanidade, devido à falta de espaço para a instalação de
uma estação na região costeira do Rio de Janeiro. No entanto, a realização de um
peneiramento progressivo do material jogado na rede de esgoto é o mínimo para impedir
que objetos de difícil decomposição sejam despejados no ambiente marinho. É o que
defende Paulo Cesar Rosman, coordenador do Programa de Engenharia Oceânica da
Coppe/UFRJ.
Não é somente a região carioca que vem apresentando mudanças na qualidade
de água e vida marinha. O litoral paulista, nas águas da praia de Santos, vem apresentando
um aumento de nutrientes como fósforo e nitrogênio. Isso acarreta na ocorrência da
chamada eutrofização, ou seja, proliferação de algas tóxicas que afetam o equilíbrio
ecológico marinho.
O escritor FEITOSA (2017), orienta que por mais eficientes que as redes
coletoras possam ser, a “elevada carga orgânica existente devido à elevada concentração
populacional é capaz de comprometer e impactar os ecossistemas fluviais, lacunares,
estuarinos e praias adjacentes, expondo a população ao risco através do contato com águas
contaminadas”. O autor ainda explana acerca da publicação do “Protocolo de Annapolis”
feita pela Organização Mundial da Saúde, no ano de 1999, da qual versa sobre a utilização
dos emissários como alternativa de muito baixo risco à saúde humana, pela dificuldade
dos banhistas entrarem em contato com a água contaminada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os emissários submarinos são uma alternativa de disposição final da rede de


esgoto de cidades litorâneas. Atualmente, no Brasil, existem cerca de vinte emissários
submarinos em funcionamento, sendo o emissário de Ipanema o mais antigo, datado do
ano de 1975.
Percebe-se, no entanto, que para o emissário ter um funcionamento positivo, é
necessário que o esgoto seja previamente tratado e passe por uma técnica de
peneiramento, visto que é grande a quantidade de lixo que é, infelizmente, descartada
pelos vasos sanitários, ocorrendo assim, um desequilíbrio na biodiversidade local,
prejudicando a vida marinha, bem como o aproveitamento humano das águas marinhas,
que ficam turvas e com o risco de contaminação por bactérias e microorganismos. Pode
ocorrer também a concentração elevada de nitrogênio e fósforo, que tem como resultado
a eutrofização da água.

61
REFERÊNCIAS

ALENCAR, Emanuel. Biólogos alertam que emissário de Ipanema pode gerar


danos à biodiversidade. O Globo. 14 de julho de 2014. Disponível em:
<https://oglobo.globo.com>. Acesso em: 07 maio 2019.

BRASIL. Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000. Regulamenta o art. 225, § 1o , incisos I,


II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza e dá outras providências. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 08 maio 2019.

BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA. Resolução nº 357, de 17


de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes
ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de
lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União nº 053, de
18/03/2005, págs. 58-63

CORSINI, Rodnei. Saneamento. Soluções Técnicas: Implantação de Emissários


Submarinos. Infraestrutura Urbana. Projetos, Custos e Construção. 2014. Disponível em:
<http://infraestruturaurbana17.pini.com.br>. Acessado em: 23 maio 2019.

FEITOSA, Renato Castiglia. Emissários submarinos de esgotos como alternativa à


minimização de riscos à saúde humana e ambiental. Disponível em:
<http://www.scielo.br> Acesso em: 07 maio 2019.

MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito ambiental brasileiro. 26.ed., rev., ampl. e
atual. São Paulo: Malheiros, 2018, p. 172.

PAQUETE, Suzana. Como funciona um emissário submarino? Superinteressante. 4 de


julho de 2018. Disponível em: <https://super.abril.com.br>. Acesso em: 08 maio 2019.

SIRVINSKAS, Luís Paulo. Manual de Direito Ambiental. 17. ed. São Paulo: Saraiva
Educação, 2019.

SUBTIL, Eduardo Lucas. Tratamento de Águas Residuárias Utilizando Emissários


Submarinos: Avaliação do Nível de Tratamento Para Uma Disposição Oceânica
Ambientalmente Segura. p.57. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo,
como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Engenharia Civil. São
Paulo, SP, 2012.

62
CONTROLE BIOLÓGICO DA Diatraea saccharalis (FABRICIUS, 1794):
USO DE MICRORGANISMOS ENTOMOPATOGÊNICOS NA CULTURA DE
CANA-DE-AÇÚCAR

Biological control of Diatraea saccharalis (FABRICIUS, 1794): use of


entomopathogenic microrganisms in the sugar cane culture

Adriana Barboza Alves 2 9


Eduardo da Silva Martins 3 0

INTRODUÇÃO

A agroecologia é um enfoque científico que integra agronomia com ecologia


(ALTIERI, 2008) e, dentre as práticas agroecológicas utilizadas destaca-se o controle
biológico, que vem como alternativa para o controle de pragas e doenças de plantas,
contribuindo com o meio ambiente e com a saúde direta e indireta da população humana
(GALLO et al. 2002). Segundo Morandi e Bettiol (2009) é um meio alternativo muito
relevante, principalmente em sistemas de monocultura, que puderam substituir os efeitos
extremos causados pelo uso de agroquímicos, pelo efeito favorável originado do controle
biológico para algumas pragas.
Entre as pragas da cultura de cana-de-açúcar, a mais importante delas é a
Diatraea saccharalis (FABRICIUS, 1794) (Lepdoptera: Crambidae), a popular broca-da-
cana, responsável por grandes prejuízos diretos à cultura (GALLO et al. 2002).
Neste trabalho serão apresentados subsídios teóricos que possibilitem a
compreensão da utilização de práticas agroecológicas no controle biológico da praga
Diatraea saccharalis, utilizando-o como ferramenta viável de desenvolvimento
econômico, social e sustentável.

OBJETIVO

Elaborar uma revisão bibliográfica inerente ao tema “controle biológico com o


uso de microrganismos entomopatogênicos”, valorizando esse tipo de sistema de manejo
agroecológico como redutor de impactos ambientais pela minimização da utilização de
agrotóxicos em lavouras de cana-de-açcar, infestadas por Diatraea saccharalis.

1
Aluno disciplinas isoladas Mestrado em Ciências ambientais, Universidad e do Estado de |Minas Gerais,
unidade de Frutal, MG. abaadriana@hotmail.com.
2
Prof. Doutor Universidade do Estado de Minas Gerais, unidade de Frutal, MG. eduardo.martins@uemg.br.
63
REFERENCIAL TEÓRICO

A Diatraea sacharalis

A D. saccharalis é um inseto que completa todas as fases do seu ciclo de


desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto (FRACASSO, 2013). O adulto é uma
mariposa, com asas anteriores e posteriores e após acasalamento, as fêmeas ovopositam
na parte dorsal das folhas, com uma postura imbricada (Figura 1). Com a eclosão dos
ovos, as lagartas recém-nascidas alimentam-se primeiramente do parênquima das folhas,
indo em seguida para a bainha e após a primeira ecdise, penetram no colmo abrindo
galerias (SOUZA, 2005).

Figura 1 - Adulto de Diatraea saccharalis na folha (A) e Ovos de Diatraea saccharalis


(B) Fonte: (GARCIA, 2013).

Aproximadamente após 40 dias, as lagartas atingem seu desenvolvimento, fazem


um orifício para o exterior e empupam (Figura 2). O tempo desse estágio é de 9 a 14 dias,
quando emerge o adulto pelo orifício criado enquanto ainda lagarta (GALLO et al. 2002).

Figura 2 - Lagarta Diatraea saccharalis (A) Fonte: (GARCIA, 2013) e Fase de pupa da
Diatraea saccharalis (B) Fonte: (DIVULGAÇÃO ENTOMOL CONSULTORIA, 2016).

O período ideal para o controle é quando a intensidade de infestação for igual ou


superior a 3%, quantidade considerada como nível de dano econômico.

64
O Controle Biológico

O controle biológico assume grande importância no Manejo Integrado de Pragas


(MIP), principalmente levando em consideração o rumo de uma agricultura sustentável
(PARRA, 2002). O mesmo pode ser definido como sendo a ação de inimigos naturais que
resultam em uma posição geral de equilíbrio (PGE) inferior da espécie alvo (praga),
quando comparado ao que predominaria na ausência do inimigo atuante (GRAVENA,
1992).
Os organismos atuantes no controle biológico são formados por agentes
entomófagos e por agentes entomopatogênicos. Esses últimos vivem e se alimentam sobre
ou dentro de um hospedeiro. Como exemplos desses tipos de organismos, estão os
nematoides e os microrganismos (vírus, bactérias, fungos e protozoários) (PARRA,
2002).

Microrganismos entomopatogênicos para o controle biológico da D. sacharalis

A Bacillus thuringiensis é o microrganismo entomopatogênico mais utilizado


comercialmente e seu mecanismo de ação envolve toxinas ou proteínas que, ao serem
ingeridas, se solubilizam e depois de ativadas no intestino, desestabilizam os gradientes
osmótico e iônico, matando o inseto (CÍCERO, 2007). A (Figura 3) exibe um inseto em
estágio larval (Grapholita molesta) depois de infectada por B. thuringiensis.

Figura 3 - Lagarta de Grapholita molesta Busck (Lepdoptera: Tortricidae) morta pelo


efeito de Bacillus thuringiensis em ponteiro de ameixa. Fonte: Galzer e
Filho (2016).

Com relação aos vírus entomopatogênicos, estes penetram no sistema digestivo


dos insetos, pela ingestão do alimento contaminado e atinge o intestino médio da larva, o
qual dissolve o alimento liberando partículas virais iniciando sua infeção nas células
epiteliais do intestino e disseminando-se por todo o corpo do inseto. Dentre os sintomas
da virose podem-se citar a imobilidade, a perda de apetite e da coloração da epiderme,
liquefazendo as vísceras do corpo do hospedeiro (SILVA, 2000). Possuem grande
especificidade, tornando-se assim excelentes alternativas para programas de controle
65
biológico de pragas (JUNIOR, 2011). Outro grupo de microrganismos que pode ter ação
no controle biológico de insetos é o dos fungos, com destaque nas espécies Beauveria
bassiana (Bals.) Vuil. e Metharhizium anisopliae (Metsch.) Sorok e são mundialmente
conhecidos e utilizados como agentes controladores de várias pragas agrícolas (SIMI,
2010). O hospedeiro é infectado pelo tegumento e a morte do inseto é ocorrida devido à
produção de micotoxinas e o esgotamento de nutrientes (SILVA, 2000). Esses
organismos possuem uma característica muito desejável que é infectar diferentes fases
de desenvolvimento dos hospedeiros, como ovos, larvas, pupas e adultos (Figura 4).

Figura 4 - Ovos (A) e lagarta (B) de Diatraea saccharalis apresentando extrusão do


fungo Metharhizium anisopliae. Fonte: Simi (2010).

Para as mariposas adultas (Figura 5), a taxa de mortalidade foi de 40%.

Figura 5 - Pupas (A) e adultos (B) de D. saccharalis apresentando extrusão do fungo


Metarhizium anisopliae. Fonte: Simi (2010).

Em relação à segurança no uso de fungos entomopatógenos, deve-se levar em


consideração a probabilidade de o produto vir a afetar vertebrados e outros organismos,
além de um crescimento demográfico descontrolado (POLANCZYK e ALVES, 2006).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A busca por alimentos mais saudáveis, a conscientização quanto à substituição


dos agrotóxicos por medidas de controle de insetos-praga ambientalmente corretos, a
legislação que restringe cada vez mais o emprego de produtos químicos na agricultura, a
expansão econômica da agricultura orgânica e a contribuição teórica de práticas

66
agroecológicas, traduzir-se-ão ao aumento da demanda por meios alternativos
biologicamente favoráveis.
Vários microrganismos apresentaram resultados eficientes nos trabalhos
referenciados, demonstrando seu alto poder atuante no controle de diversas pragas-alvo,
em vários tipos de cultura existentes em todo o território brasileiro.

REFERÊNCIAS

ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável/ Miguel


Altieri. – 5. ed. Porto Alegre, RS.: Editora da UFRGS, 2008.

CÍCERO, E. A. S. Caracterização molecular e seleção de isolados de Bacillus


thuringiensis com potencial inseticida para Sphenophorus levis. Tese (doutorado) -
Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2007.

DIVULGAÇÃO ENTOMOL CONSULTORIA. Pragas da Cana de Açúcar. 2016.


Disponível em: <https://www.entomolconsultoria.com/pragas>. Acesso em: 29 de
Setembro de 2016.

FRACASSO, J. V. Avaliação da infestação de Diatraea saccharalis (Fabricius, 1794)


(Lepidoptera: Crambidae) em genótipos de cana-de-açúcar e efeitos sobre os parâmetros
tecnológicos e a produtividade. Dissertação (Mestrado) - Universidade Estadual
Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2013.

GALLO, D.; NAKANO, O.; NETO, S. S.; CARVALHO, R. P. L.; BATISTA, G. C.


FILHO, E. B.; PARRA, J. R. P.; ZUCCHI, R. A.; ALVES, S. B.; VENDRAMIM, J. D.;
MARCHINI, L. C.; LOPES, J. R. S. e OMOTO, C. Entomologia agrícola. Piracicaba,
FEALQ, 2002.

GALZER, E. C. W.; FILHO, W. S. A. Utilização do Bacillus thuringiensis no controle


biológico de pragas. Revista Interdisciplinar de Ciências Aplicadas – RICA, v. 1, n. 1,
2016.

GARCIA, J. F. Manual de identificação de pragas da cana. Campinas 2013.

GRAVENA, S. Controle Biológico no manejo integrado de pragas. Pesquisa


Agropecuária Brasileira. Brasilia, 1992.

JUNIOR, M. E. Controle biológico de insetos praga. In: I Seminário Mosaico Ambiental:


Olhares sobre o Ambiente, 2011, Campos dos Goytacazes, RJ. Anais do I Seminário
Mosaico Ambiental. Campos dos Goytacazes: Editora Escrita, v. 1, p. 1-15, 2011.

MORANDI, M. A. B.; BETTIOL, W. Controle biológico de doenças de plantas no Brasil.


In: Biocontrole de doenças de plantas: Uso e Perspectivas . BETTIOL, W.;
MORANDI, M. A. B. (eds.) Embrapa Meio Ambiete – Jaguariuna, 2009.

PARRA, J. R. P.. Criação massal de inimigos naturais. In: José Roberto Postali Parra;
Paulo Sérgio Machado Botelho; Beatriz Spalding Corrêa Ferreira; José Maurício Simões

67
Bento. (Org.). Controle Biológico no Brasil: parasitóides e predadores. São Paulo:
Manole, v. 1, p. 143-164, 2002.

POLANCZYK, R. A.; ALVES, S. B. A Importância do controle microbiano de pragas na


agricultura sustentável. Resumos do I Congresso Brasileiro de Agroecologia. Revista
Brasileira de Agroecologia, v. 1, n.1, 2006.

SILVA, C. A. D. Microorganismos entomopatogênicos associados a insetos e ácaros do


algodoeiro. Embrapa Algodão. Documentos 77, Campina Grande, 2000.

SIMI, L. D. Susceptibilidade das fases do ciclo de vida de Diatraea saccharalis


(Lepidoptera: Crambidae) à ação de fungos entomopatogênicos. Dissertação (mestrado)
– Programa de Mestrado em Microbiologia Agricola. Universidade Estadual Paulista,
Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2010.

SOUZA, J. C. Ocorrência da broca da cana-de-açúcar em lavouras de milho sob pivô


central no sul de minas. Circular Técnica 183. Centro Tecnológico do Sul de Minas –
CTSM. 2005.

68
AVALIAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO Bidens pilosa, Taraxacum
officinale SUBMETIDO A PALHA DE CANA-DE-AÇÚCAR COMO
POTENCIAL ALELOPÁTICO

Evaluation of Development bidens pilosa, taraxacum officinale Strawberry


of Sugar Cane as Alelopathic Potential
Núbia Paula Ferreira 3 1
Jhansley Ferreira da Mata 3 2
Allynson Takehiro Fujita 3 3
Vanesca Korasaki 4
Frederico Alves da Silva 5

INTRODUÇÃO

A cultura da cana-de-açúcar (Saccharum spp.) exerce importante papel na


economia brasileira, principalmente pela grande produção alcançada nos últimos anos,
colocando, assim, o Brasil como o maior produtor mundial de cana-de-açúcar.
A palha depositada sobre o solo interfere diretamente na comunidade infestante
através da liberação de compostos alelopáticos, da mudança na quantidade e no balanço
de comprimentos de onda de luz que atingem o solo, altera o regime térmico, constitui
uma barreira física a emergência e altera a intensidade do controle biológico de sementes
e plântulas (ROSSI, 2007).
Assim, as plantas daninhas também podem interferir diretamente depreciando a
qualidade do produto colhido. Podendo assim, afetar a pureza da cana. Segundo Soares
et al. (2011), a presença de palhada na superfície do solo pode modificar as condições
para a germinação de sementes e emergência das plântulas, devido ao efeito físico da
cobertura e liberação de substâncias alelopáticas.
Algumas substâncias fitotóxicas são suspeitadas de causar inibição na germinação
de sementes e no crescimento de plantas, identificados em tecidos da planta e no solo. A
maioria destes são fenólicos, que possuem efeito alelopático, processo que inclui o efeito

31
Tec. em Produção Sucroalcooleira, Universidade do Estado de Minas Gerais,
nubiadepaula17@gmail.com
32
Dr., Universidade do Estado de Minas Gerais, jhansley.mata@uemg.br
33
Dr., Universidade do Estado de Minas Gerais, allynson.fujita@uemg.br
4
Dr., Universidade do Estado de Minas Gerais, vanesca.korasaki@uemg.br
5
Esp. Agroecologia no Cerrado, Universidade do Estado de Minas Gerais, Frederico.alves@uemg.br

69
prejudicial direto ou indireto da planta na germinação, crescimento e desenvolvimento de
outra planta (ZAPROMETOV, 1992).
A importância de cada espécie de planta daninha pode variar com a região e, às
vezes, dentro de uma mesma propriedade. Algumas, no entanto, são comuns e se
destacam pelas dificuldades e pelos problemas que causam ao agricultor (GAZZIERO e
SOUZA, 1993).
Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial alelopático do
pó de palha da cana-de-acúcar no desenvolvimento de plantas daninhas e plantas
bioindicadoras.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi conduzido em casa de vegetação na Universidade do Estado de


Minas Gerais (UEMG), Campus Frutal – MG, em altitude de 460 m. O solo utilizado nos
vasos foi classificado como Latossolo Vermelho Distrófico Típico (EMBRAPA, 2013).
Os resíduos foram coletados após a colheita da cana-de-açúcar crescidas na
Fazenda Cerradão, no Município de Frutal, Estado de Minas Gerais, no ano de 2016.
Onde foram secos a 40°C, até atingir massa seca constante, logo após foram moídos em
um moinho industrial “tipo Willey” até a obtenção de um pó com peneira de malha 20
mesh.
As sementes de Bidens Pilosa e Taraxacum Officinale passaram por limpeza e
esterilização com hipoclorito de sódio a 1% por três minutos. Logo após foram lavadas
com água destilada.
Na casa de vegetação, foi utilizado vasos de 5 L com solo calcariado e adubado,
conforme análise de solo e ficaram em repouso por 40 dias. Após os 40 dias de repouso,
foram semeadas 10 sementes de cada planta daninha e 5 sementes de plantas teste
indicadoras por vaso, sendo que, após 15 dias da semeadura foram conduzidas apenas
uma planta por vaso.
Utilizou-se delineamento experimental inteiramente casualizado, com 4
repetições, em que foram utilizadas espécies de plantas daninhas e plantas teste
indicadoras, com 7 doses do pó da matéria seca do resíduo da cana-de-açúcar, 0; 0,5; 1;
1,5; 2; 2,5 e 3% (p p-1 ), que foram adicionadas ao vaso em superfície, incorporados e
pulverizados.

70
Aos 40 dias de desenvolvimento após a semeadura, os vasos foram desinstalados
e avaliados os parâmetros: altura de planta: medição da altura das plantas a partir do solo
até a curvatura da última folha em cm e comprimento da raiz: medição do comprimento
com uma régua graduada.
Os resultados obtidos dos parâmetros avaliados foram submetidos à análise de
variância, os dados qualitativos foram avaliados através do teste de Skott-knott (1974) ao
nível de 5% de probabilidade, utilizando o programa estatístico SISVAR (FERREIRA,
2003).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Analisando a altura entre as doses de bioextrato para cada TDA² de palha da


cana-de-açúcar e espécie, de acordo com a Tabela 1, foi observado que as doses não
diferiram estatisticamente quando a palha foi pulverizada nas espécies de alface e tomate.
No entanto, para as espécies de dente-de-leão e picão-preto verifica-se diferença
estatística, com maiores valores nas doses de 0 e 0,5%, e nas demais doses observa-se
inibição na altura da planta. Quando a palha foi incorpora, observa-se que na espécie de
alface as doses não deferiram estatisticamente. Já para espécie de tomate houve diferença
estatística observando maiores valores nas doses de 0 e 1,5% e nas espécies de dente-de-
leão e picão-preto observa-se maiores valores nas dosagens de 0; 2,5 e 3% e nas demais
verifica-se a inibição na aluta da planta.
Comparando os tipos de aplicação para as doses de bioextrato entre a mesma
espécie (Tabela 1), verifica-se que não difere estatisticamente entre a aplicação
pulverizada e incorporada para as espécies de alface e tomate. No entanto, para as espécies
de dente-de-leão e picão-preto, observa-se diferença significativa, sendo que, quando a
palha foi pulverizada observam-se maiores valores nas doses 0,5% para as espécies de
dente-de-leão e picão-preto.
Bianchi et al. (2011) corroboram com este estudo, pois, observaram que quando
o Raphanus spp. até os 60 dias após a emergência, o desenvolvimento da cultura foi
afetado, acarretando em alterações morfológicas (estatura, número e comprimento de
ramos).
Em relação às plantas daninhas, alguns autores reportam que espécies
predominantes na cultura de cana-de-açúcar apresentam comportamento diferenciado em

71
função da quantidade de palha depositada no solo (MEDINA MELENDEZ, 1990;
VELINI et al., 2000).

Tabela 1. Altura das espécies submetidas a diferentes aplicações e doses de pó da palha


de cana-de-açúcar.

TDA – Tipo de aplicação.


Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha entre
cada espécies, não diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste
de Skott-knott.
* e ** significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente. ns: não
significativo.

Considerando o comprimento da raiz das espécies submetidas a diferentes tipos


de aplicação de palha da cana-de-açúcar e doses, conforme Tabela 2, foi observado que
entre as doses não diferiram estatisticamente quando pulverizado a palha para as espécies
de alface e dente-de-leão. No entanto, para a espécie de tomate observa-se diferença
estatística e maiores valores nas doses de 0,5; 1 e 1,5% quando pulverizado e na espécie
de picão-preto maiores valores nas doses de 0; 0,5; 1%, e nas demais doses observa-se
inibição na altura da planta comparada com a testemunha. Em estudo utilizando extrato
aquoso de folhas de Emilia sonchifolia (flor pincel), Oliveira et al. (2011) verificaram
efeito inibitório no desenvolvimento das plântulas de picão-preto.

72
Já na aplicação incorporada da palha, observa-se que nas espécies de alface,
tomate e dente-de-leão as doses não deferiram estatisticamente. Já para espécie de picão-
preto houve diferença estatística observando maiores valores na testemunha (0%), já nas
demais doses verificam-se a inibição no comprimento da raiz quando foi incorporado
palha da cana-de-açúcar.
Comparando os tipos de aplicação entre as dosagens de bioextrato na mesma
espécie, verifica-se que não difere estatisticamente entre a aplicação pulverizada e
incorporada para a espécie de alface e tomate. No entanto, para a espécie de dente-de-
leão e picão-preto, observa-se diferença significativa, quando a palha foi pulverizada
considerando maiores valores na dose 0,5% para a espécie de dente-de-leão e para picão-
preto nas doses de 0,5 e 1%.

Tabela 2. Comprimento das raízes submetidas a diferentes aplicações e doses de


pó da palha de cana-de-açúcar.

TDA – Tipo de aplicação.


Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha entre
cada espécies, não diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste
de Skott-knott.

73
* e ** significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente. ns: não
significativo.

CONCLUSÃO

As doses do pó de palha da cana-de-açúcar quando incorporado, inibiram o


desenvolvimento das plantas daninhas, nas menores doses aplicadas, quando comparada
com a testemunha, para os parâmetros altura de planta e comprimento de raiz.
A altura da espécie dente-de-leão foi inibida quando o pó da palha foi
pulverizado, quando foi incorporado afetou a altura do tomate, dente-de-leão e picão-
preto. A inibição ocorreu para a espécie de picão-preto, nas maiores doses quando o pó
da palha foi pulverizado e incorporado.

REFERÊNCIAS

Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB. Acompanhamento de safra


brasileira: cana-de-açúcar, safra 2014/2015, terceiro levantamento. 2014. Brasília:
Conab, 2014. 27 p.

Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB. Acompanhamento de safra


brasileira: cana-de-açúcar, safra 2016/2017, terceiro levantamento. Brasília: CONAB,
2016. 78 p.

FERREIRA, D. F. Sistema para análise de variância para dados balanceados


(SISVAR versão 4.3). Lavras, Universidade Federal de Lavras, 2003. Software
Registrado ™.

GAZZIERO, D. L. P.; SOUZA, I. F. Manejo integrado de plantas daninhas. In:


ARANTES, N. E.; SOUZA, P. I. M. Cultura da soja nos cerrados. Potafós. Piracicaba,
SP. 1993. 535 p.

MEDINA-MELENDEZ, J. A. Efeito da cobertura do solo no controle de plantas


daninhas na cultura do pepino (Cucumis sativus L.). Piracicaba, 1990. 104 p.
(Mestrado) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, na Universidade de São
Paulo.

MONQUERO, P. A. et al. Efeito de adubos verdes na supressão de espécies de plantas


daninhas. Planta Daninha, v. 27, p. 85-95, 2009.

OLIVEIRA JR., R. S.; CONSTANTIN, J.; INOUE, M. H. Biologia e manejo de plantas


daninhas. Curitiba, PR: Omnipax, 2011. 48 p.

74
SEVERINO, F. J.; CHRISTOFFOLETI, P. J. Efeitos de quantidades de fitomassa de
adubos verdes na supressão de plantas daninhas. Planta Daninha, v. 19, p. 223-228,
2001.

SOARES, M. B. B. et al. Fitossociologia de plantas daninhas sob diferentes sistemas de


manejo de solo em áreas de reforma de cana-crua. Revista Agro@mbiente, v. 5, n. 3, p.
173-181, 2011.

75
QUALIDADE MICROBIOLÓGICA E PARÂMETROS FÍSICO- QUÍMICOS
DA ÁGUA EM UMA PROPRIEDADE RURAL DE FRUTAL/MG

Microbiological quality and physical-chemical parameters of water in rural


properties of Frutal/MG
Heytor Lemos Martins 1
Eduardo da Silva Martins 2
Rodrigo Ney Millan 3
Otávio Martins Ribeiro 4

INTRODUÇÃO

A água é um recurso natural indispensável à vida. É essencial à produção de


alimentos, desenvolvimento econômico e promoção social. Porém, a água com má
qualidade pode trazer riscos à saúde, atuando veículo para vários agentes biológicos e
químicos. No meio rural, dentre as possíveis fontes de poluição que tornam a água
imprópria ao consumo destacam-se as atividades agropecuárias, que podem provocar
contaminação dos aquíferos com a presença de fezes de animais, substâncias inorgânicas
(inseticidas, fungicidas, herbicidas e fertilizantes), o lançamento inadequado de esgoto
doméstico e a manutenção inapropriada de cisternas, dentre outros fatores (KASELANI,
2017; BORTOLLI et al., 2018).
Existem diversas maneiras de se avaliar a qualidade da água nos corpos hídricos.
Dentre elas, as análises físico-químicas (como pH, temperatura e Oxigênio dissolvido) e
microbiológicas (como a determinação de coliformes termotolerantes) se destacam e são
largamente utilizadas como parâmetros indicadores da qualidade, sendo a resolução
CONAMA 357/2005 (BRASIL, 2005). Com relação à indicadores biológicos, um dos
principais indicadores de qualidade microbiológica da água é o grupo dos coliformes
termotolerantes, que indicam a presença de microrganismos de origem intestinal existe
risco a saúde do consumidor (SCHURACCHIO, 2010).
Diante deste contexto, é fundamental que se conheça a qualidade da água utilizada
nas propriedades, em seus diferentes usos, especialmente naqueles relacionados à
irrigação, e consumo direto para o homem e outros animais nas propriedades.

76
OBJETIVOS

Analisar a presença de coliformes termotolerantes e determinar parâmetros físico-


químicos em amostras de água em uma propriedade rural de Frutal/MG com atividade
pecuária, visando estabelecer se o contato com o gado está afetando a qualidade da água.

METODOLOGIA

Coleta e preparação das amostras

Foram coletadas 12 amostras (2 amostras mensais, em 6 meses) em uma


propriedade rurais do município de Frutal/MG que tem como atividade principal a
pecuária leiteira. Foram avaliados dois pontos de coleta em um córrego do qual a água é
utilizada para irrigação de uma horta. O ponto 1 refere-se ao ponto do córrego localizado
próximo à sede da propriedade, antes do gado ter contado com a água para dessedentação,
e o ponto 2 refere-se ao ponto junto à sede, após contato do gado com a água.
As amostras foram transportadas em caixa de isopor, contendo cubos de gelo, até
o laboratório de Microbiologia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG,
campus de Frutal), para as análises microbiológicas.

Determinação de coliformes termotolerantes e variáveis físico-químicas

A determinação de coliformes termotolerantes foi feita com meio de cultura A1,


a 45º C, em séries múltiplas de 5 tubos de ensaio contendo tubos de Durham, conforme
CETESB (L5.406, de junho de 2007). Os resultados foram expressos em Número Mais
Provável (NMP) de coliformes termotolerantes/100 mL de água e comparados com os
limites da legislação (BRASIL, 2005).
Variáveis físico-químicas (Temperatura, pH, e oxigênio dissolvido) foram
determinados diretamente no local, por meio de sonda multiparamétrica HANNA HI
9828.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A temperatura da água nos pontos de coleta variou de 19,2 a 25,7, sendo menores
nos meses de inverno e mais elevadas nos meses da primavera, conforme esperado para
as estações, na região de estudo (Figura 1). Jian et al. (2003) destacam que a temperatura

77
da água é uma variável importante, pois está associada ao consumo de oxigênio,
crescimento e sobrevivência dos organismos.

30

Temperatura (°C)
25
20
15
10 P1
5 P2
0
J J A S O N
Meses

Figura 1: Temperatura da água nos pontos de coleta em uma propriedade rural do


município de Frutal/MG. P1: antes do contato com gado; P2: após contato com gado.

O pH da água na maioria das coletas apresentou-se ligeiramente ácido, com


valores entre 5,1 a 6,7, com exceção do ponto 4 no mês de Setembro, que apresentou pH
7,0 (Figura 2). O pH da água é uma das principais variáveis aferidas pois influencia vários
processos físicos, químicos e biológicos, estando relacionado à biodisponibilidade de
alguns nutrientes, metais e pesticidas, além do tipo de solo. A respiração, fotossíntese,
adubação, calagem e poluição são os cinco principais fatores que afetam os valores de pH
na água (SILVA et al., 2003).
8
7
6
5
4 P1
pH

3 P2
2
1
0
J J A S O N
Meses
Figura 2: pH da água nos pontos de coleta em duas propriedades rurais do
município de Frutal/MG. P1: antes do contato com gado; P2: após contato com gado.

Com relação ao Oxigênio Dissolvido (OD), de acordo com a resolução CONAMA


357/2005 (BRASIL, 2005), o valor de OD na água deve ser de no mínimo 5,0 mg L-1 , o
que foi observado na maioria das coletas realizadas, com exceção do ponto 1 na primeira
coleta e do ponto 3 na última coleta (Figura 3). Dessa forma, observou-se que, mesmo no

78
ponto 3 onde havia descarte do rejeito de suinocultura, o OD em 5 das 6 coletas não ficou
em níveis impróprios. Uma das causas para que o OD não ficasse em níveis muito baixos
é o fluxo de água contínuo nos pontos de coleta, que pode ter feito com que na maioria
das coletas essa variável ficasse dentro dos padrões da legislação.

Oxigênio Dissolvido (mg/L) 10

4 P1
P2
2

0
J J A S O N
Meses

Figura 3: Oxigênio dissolvido na água nos pontos de coleta em duas propriedades


rurais do município de Frutal/MG. P1: antes do contato com gado; P2: após contato com
gado.

Um parâmetro muito afetado em relação às atividades feitas nas propriedades rurais


foi a quantidade de coliformes termotolerantes na água. Observou-se que em todas as coletas
o ponto P2 apresentou aumento de coliformes termotolerantes em relação ao ponto P1,
inclusive fazendo com que a água ficasse fora do limite máximo da legislação, que é de 1.000
NMP/100ml, nas coletas de Junho a Novembro. Este fato é atribuído ao contato com o gado
na água entre os pontos P4 e P5, contaminando ou aumentando a contaminação da água,
como detectado no ponto P2 (Figura 4).

20
18
(NMP/100mL).103
Termotolerantes

16
14
Coliformes

12
10
8 P1
6 P2
4
2
0
J J A S O N
Meses

79
Figura 4: Coliformes termotolerantes na água nos pontos de coleta em duas
propriedades rurais do município de Frutal/MG. P1: antes do contato com gado; P2: após
contato com gado.

CONCLUSÃO

O contato do gado com a água na propriedade não provocou variações importantes


nas características físico-químicas da água. Por outro lado, provocou um expressivo aumento
na quantidade de coliformes termotolerantes, inclusive deixando a água fora dos padrões da
legislação.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, Conselho Nacional do Meio Ambiente –


CONAMA. Resolução 357/2005. BRASÍLIA: 2005.

BORTOLI, J. de et al. Avaliação microbiológica da água em propriedades rurais


produtoras de leite localizadas no Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de
Higiene e Sanidade Animal, Fortaleza, v.12, n.1, p. 39-53, 2018.

CETESB (São Paulo). L5. 406: Coliformes termotolerantes: Determinação em amostras


ambientais pela técnica de tubos múltiplos com meio A1 - método de ensaio. São Paulo,
2007.

KASELANI, K. Qualidade da água no meio rural. Veterinária Notícias, v. 23, p. 80-112,


2017.

SCURACCHIO, P. A. Qualidade da água utilizada para consumo em escolas no


município de São Carlos-SP. 2010. 57 p. Dissertação (Mestrado). Universidade Estadual
Paulista. Araraquara. 2013.

SILVA, R. C. A.; ARAUJO, T. M. Qualidade da água do manancial subterrâneo em áreas


urbanas de Feira de Santana (BA). Ciênc. Saúde Coletiva, v.8, n.4, p. 1019-1028, 2003.

80
POTENCIAL ALELOPÁTICO DO PÓ DA PALHA DE CANA-DE-AÇÚCAR
NAS ESPÉCIES DE Bidens pilosa, Taraxacum officinale, TOMATE E
ALFACE

Alelopatic potential of sugar cane straw powder in the species OF Bidens


pilosa, Taraxacum officinale, tomato and lettuce
Núbia Paula Ferreira 3 4
Jhansley Ferreira da Mata 3 5
Allynson Takehiro Fujita 3 6
Eduardo da Silva Martins 3 7
Heytor Lemos Martins 3 8

INTRODUÇÃO

Os Estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais são os maiores produtores


brasileiros de cana-de-açúcar, onde Minas Gerais, com o terceiro lugar, participa com
9,3% do volume estimado de cana-de-açúcar para a produção de açúcar e etanol na safra
2016/17 que representa 64,64 milhões de toneladas (CONAB, 2016), do volume
produzido em Minas Gerais, cerca de 70% são registradas na região do Triângulo Mineiro
(CONAB, 2014).
A colheita mecanizada da cana-de-açúcar está presente nos sistemas de produção
no Brasil, onde não ocorre a queima de folhas, bainhas, ponteiro, além de quantidade
variável de pedaços de colmo (TRIVELIN et al., 1996).
A cobertura morta pode atuar como um valioso elemento no controle de plantas
daninhas, uma vez que o terreno coberto por resíduos vegetais apresenta infestação
bastante inferior àquele que se desenvolve com o solo descoberto (SEVERINO;
CHRISTOFFOLETI, 2001). Estes efeitos podem ser físico e químico. Segundo Soares et
al. (2011), a presença de palhada na superfície do solo pode modificar as condições para
a germinação de sementes e emergência das plântulas, devido ao efeito físico da cobertura
e liberação de substâncias alelopáticas.

34
Téc.Produção Sucroalcooleira, Universidade do Estado de Minas Gerais–Frutal,
nubiadepaula17@gmail.com
35
Prof. Dr., Universidade do Estado de Minas Gerais -Frutal, jhansley.mata@uemg.br
36
Prof. Dr., Universidade do Estado de Minas Gerais-Frutal, allynson.fujita@uemg.br
37
Prof. Dr., Universidade do Estado de Minas Gerais -Frutal, eduardo.martins@uemg.br
38
Mestrando em Ciências Ambientais, Universidade do Estado de Minas Gerais -Frutal,
heytor.martins@uemg.br

81
A alelopatia ocorre com a liberação de metabólitos secundários, denominados
aleloquímicos, no ambiente em função da decomposição dos resíduos vegetais, podendo
interferir na germinação, pela inativação dos mecanismos de dormência, e também no
crescimento inicial de plantas daninhas ocorrentes (MONQUERO et al., 2009).
A importância de cada espécie de planta daninha pode variar com a região e, às
vezes, dentro de uma mesma propriedade. Algumas, no entanto, são comuns e se
destacam pelas dificuldades e pelos problemas que causam ao agricultor (GAZZIERO e
SOUZA, 1993).
Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o potencial alelopático do
pó de palha da cana-de-acúcar no desenvolvimento de plantas daninhas e plantas
bioindicadoras.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi conduzido em casa de vegetação na Universidade do Estado de Minas


Gerais (UEMG), Campus Frutal – MG, em altitude de 460 m. O solo utilizado nos vasos
foi classificado como Latossolo Vermelho Distrófico Típico.
Os resíduos foram coletados após a colheita da cana-de-açúcar crescidas na
Fazenda Cerradão, no Município de Frutal, Estado de Minas Gerais, no ano de 2016.
Onde foram secos a 40°C, até atingir massa seca constante, logo após foram moídos em
um moinho industrial “tipo Willey” até a obtenção de um pó com peneira de malha 20
mesh.
As sementes de Bidens Pilosa e Taraxacum Officinale passaram por limpeza e
esterilização com hipoclorito de sódio a 1% por três minutos. Logo após foram lavadas
com água destilada.
Na casa de vegetação, foi utilizado vasos de 5 L com solo calcariado e adubado,
conforme análise de solo e ficaram em repouso por 40 dias. Após os 40 dias de repouso,
foram semeadas 10 sementes de cada planta daninha e 5 sementes de plantas teste
indicadoras por vaso, sendo que, após 15 dias da semeadura foram conduzidas apenas
uma planta por vaso.
Utilizou-se delineamento experimental inteiramente casualizado, com 4
repetições, em que foram utilizadas espécies de plantas daninhas e plantas teste
indicadoras, com 7 doses do pó da matéria seca do resíduo da cana-de-açúcar, 0; 0,5; 1;

82
1,5; 2; 2,5 e 3% (p p-1 ), que foram adicionadas ao vaso em superfície, incorporados e
pulverizados.
Aos 40 dias de desenvolvimento após a semeadura, os vasos foram desinstalados
e avaliados os parâmetros: massa seca da parte aérea e da raiz: foram colocadas em estufa
de circulação de ar, a 60ºC, até atingir massa seca constante; volume de raiz: a raiz foi
colocada em uma proveta graduada com 200 mL de água, onde a diferença das leituras,
dará o volume.
Os resultados obtidos dos parâmetros avaliados foram submetidos à análise de
variância, os dados qualitativos foram avaliados através do teste de Skott-knott (1974) ao
nível de 5% de probabilidade, utilizando o programa estatístico SISVAR (FERREIRA,
2003).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Quando a palha foi incorpora (Tabela 1), observa-se que na espécie de alface e
dente-de-leão as doses não deferiram estatisticamente. Já para espécie de tomate houve
diferença estatística com maior valor na dose de 0% e na espécie de picão-preto observa-
se maiores valores nas dosagens de 0 e 3% e nas demais nota-se a redução na massa seca
da parte aérea da planta.
Comparando os tipos de aplicação entre as dosagens de bioextrato na mesma
espécie, verifica-se que não difere estatisticamente entre a aplicação pulverizada e
incorporadada para a espécie de alface. No entanto, para as espécies de tomate, dente-de-
leão e picão-preto, observa-se diferença significativa, sendo que, quando a palha foi
pulverizada observam-se maiores valores nas doses 0,5% e para a espécie de tomate em
2,5%.

83
Tabela 1. Massa seca da parte aérea a diferentes tipos de aplicações e doses de pó
da palha de cana-de-açúcar.

TDA – Tipo de aplicação.


Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha entre
cada espécies, não diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste
de Skott-knott.
* e ** significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente. ns: não
significativo.

Para a massa seca da raiz das espécies submetidas a diferentes tipos de aplicação
de palha da cana-de-açúcar, Tabela 2, observa-se que as doses não diferiram
estatisticamente quando a palha foi pulverizada para a espécie de tomate. No entanto,
verifica-se diferença estatística, com maiores valores nas doses de 0,5; 1; 1,5; 2; 2,5 e 3%
para alface, 0 e 0,5% para dente-de-leão e picão-preto, as demais doses reduziu a massa
seca da raiz das plantas.
Verificando quando a palha foi incorporada, nota-se que na espécie de alface que
as doses não deferiram estatisticamente. Já para espécie de tomate houve diferença com
maior valor na dose 0% e nas espécies de dente-de-leão e picão-preto observa-se maiores
valores na dosagem de 2,5 e 3%, e 3%, respectivamente, e nas demais doses verifica-se
menores valores de massa seca radicular.
Analisando os tipos de aplicação nas doses de bioextrato entre a mesma espécie
(Tabela 2), verifica-se que todas as espécies diferem estatisticamente entre a aplicação
pulverizada e incorporada. Para a espécie de alface nota-se maiores valores na testemunha
(0%), no tomate na dose de 1%, dente-de-leão e picão-preto maiores valores nas doses de

84
0; 0,5 e 3%, sendo que, os maiores valores observados foram quando utilizou a aplicação
pulverizada para todas as espécies.
Guidotti et al. (2013) corrobora com este estudo, onde observa que a exposição de
plântulas de soja a dopamina, reduziu a massa, tanto da raiz fresca quanto da raiz seca.

Tabela 2. Massa seca da raiz a diferentes tipos de aplicações e doses de pó da


palha de cana-de-açúcar.

TDA – Tipo de aplicação.


Médias seguidas pela mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha entre
cada espécies, não diferem estatisticamente, ao nível de 5% de probabilidade, pelo teste
de Skott-knott.
* e ** significativo a 5 e 1% de probabilidade, respectivamente. ns: não
significativo.

Alguns poucos estudos trataram dos efeitos alelopáticos em plantas, como a


dopamina em plantas e os resultados demonstram características de um aleloquímico
típico (WICHERS et al., 1993; GUIDOTTI et al., 2013). Segundo Guidotti et al. (2013),
a exposição de plântulas de soja a dopamina, reduziu o comprimento das raízes.
Com os resultados deste estudo, verifica-se a necessidade da continuação deste
trabalho, onde poderá ser isolado e identificado o composto fitoquímico inibitório da
palha e do bioextrato da palha de cana-de-açúcar para utilização de controle natural de
plantas daninhas (dente-de-leão e picão-preto), também no bioextrato da palha da cana-

85
de-açúcar poderá ser isolado e identificado um composto químico e utilizado como
estimulador no desenvolvimento de plantas cultivadas (alface e tomate).

CONCLUSÃO

A massa seca da parte aérea do picão-preto diminuiu com o aumento da dose


pulverizada e na incorporação entre as doses de 0,5 a 2,5%, acima de 3% verificou um
estímulo. A massa-seca da parte aérea foi inibida quando o pó da palha foi incorporado
na dose de 0,5%.
As espécies espontâneas tiveram a massa seca do sistema radicular inibido com o
aumento da dosagem e quando incorporado estimulada na maior dose testada (3%).

REFERÊNCIAS

Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB. Acompanhamento de safra


brasileira: cana-de-açúcar, safra 2014/2015, terceiro levantamento. 2014. Brasília:
Conab, 2014. 27 p.

Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB. Acompanhamento de safra


brasileira: cana-de-açúcar, safra 2016/2017, terceiro levantamento. Dez. 2016. Brasília:
CONAB, 2016. 78 p.

FERREIRA, D. F. Sistema para análise de variância para dados balanceados


(SISVAR versão 4.3). Lavras, Universidade Federal de Lavras, 2003. Software
Registrado ™.

GAZZIERO, D. L. P.; SOUZA, I. F. Manejo integrado de plantas daninhas. In:


ARANTES, N. E.; SOUZA, P. I. M. Cultura da soja nos cerrados. Potafós. Piracicaba,
SP. 1993. 535 p.

GUIDOTTI, B.B.; GOMES, B.R.; SOARES, R.C.S.; SOARES, A.R.; FERRARESE


FILHO, O. The effects of dopamine on root growth and enzyme activity in soybean
seedlings. Plant Signal Behav. 1:8(9): e25477, 2013.

MONQUERO, P. A. et al. Efeito de adubos verdes na supressão de espécies de plantas


daninhas. Planta Daninha, v. 27, p. 85-95, 2009.

SEVERINO, F. J.; CHRISTOFFOLETI, P. J. Efeitos de quantidades de fitomassa de


adubos verdes na supressão de plantas daninhas. Planta Daninha, v. 19, p. 223-228,
2001.

86
SOARES, M. B. B. et al. Fitossociologia de plantas daninhas sob diferentes sistemas de
manejo de solo em áreas de reforma de cana-crua. Revista Agro@mbiente, v. 5, n. 3, p.
173-181, 2011.

TRIVELIN, P. C. O.; RODRIGUÊS, J. C. S.; VICTORIA, R. L.; REICHARDT, K.


Utilização por soqueira de cana-de-açúcar de início de safra do nitrogênio da aquamônia-
15
N e ureia-15 N aplicado ao solo em complemento à vinhaça. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, v.31, p.89-99, 1996.

WICHERS, H.J; VISSER, J.F.; HUIZING, H.J.; PRAS, N. Occurrence of l-dopa and
dopamine in plants and cell-cultures of Mucuna pruriens and effects of 2,4-d and NaCl
on these compounds. Plant Cell, Tissue and Organ Culture 33: 259-264, 1993.

87
A IMPORTÂNCIA DA FAUNA DE SOLO PARA A PRODUÇÃO
AGROECOLÓGICA

The Importance of Soil Fauna for Agroecological Production

Nathalia Eugênia Silva 3 9


Cristiane Freitas de Azevedo Barros 4 0

INTRODUÇÃO

A busca por modelos convencionais de desenvolvimento e agricultura abriu


caminhos para a compreensão de que os graves problemas socioambientais enfrentados
pelo meio rural não resumem apenas com o desenvolvimento tecnológico (MOREIRA;
CARMO, 2007). Está evidente que a transformação da agricultura rumo à
sustentabilidade está relacionada aos processos de transformação da sociedade como um
todo. A construção de uma agricultura sustentável implica na substituição de insumos, e
no fortalecimento da agricultura de base familiar, com modificações na estrutura das
políticas públicas consistentes que guiam ações de pesquisa e desenvolvimento.
A ciclagem de matéria nos ecossistemas “é constituída por uma série de
elementos indispensáveis à vida, conhecidos como nutrientes e com os quais são
construídas macromoléculas orgânicas complexas, células e tecidos que constituem os
organismos” (FEIDEN, 2005, p. 58). O autor acrescenta ainda que:

Embora o movimento dos nutrientes no ecossistema esteja associado ao


fluxo de energia, enquanto este flui apenas numa direção, os nutrientes
se movem em ciclos, mudando continuamente de forma, passando dos
componentes bióticos aos abióticos e novamente aos bióticos e, nesse
processo, necessitam dos organismos para desenvolver seus ciclos
(FEIDEN, 2005, p. 58).

Durante a decomposição da serapilheira ocorre liberação de nutrientes, o


processo passa por três fases: lixiviação, imobilização e liberação dos nutrientes. Essas
fases são enfatizadas por Viera, Schumacher e Araújo (2013), com o seguinte
esclarecimento: a primeira fase denominada como lixiviação é a que ocorre a liberação

39
Especialista em Agroecologia do Cerrado, Universidade do Estado de Minas Gerais,
nathieugeniasilva@gmail.com
40
Doutora, Universidade do Estado de Minas Gerais. cristiane.barros@uemg.br

88
rápida de nutrientes, a segunda fase é quando ocorre a imobilização de nutriente, que pode
ter início logo após a lixiviação ou quando começa ocorrer à perda de massa da
serapilheira, a terceira e última fase é a que ocorre a liberação total de nutrientes e a
decomposição final da serapilheira.

OBJETIVOS

O objetivo desse estudo é levantar as informações disponíveis acerca das funções


e serviços ambientais desempenhadas pela fauna de solo, destacando sua importância para
a produção agrícola, com foco no viés agroecológico.

METODOLOGIA

O contexto teórico é composto de pesquisa bibliográfica a qual é realizada a


partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios
escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites, com o
objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito
do qual se procura a resposta (FONSECA, 2002).
Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados Google Acadêmico,
Scielo e Periódicos Capes, utilizando as palavras chave: fauna edáfica, fauna de solo,
manejo de solo, serviços ambientais, sustentabilidade, sustentabilidade ambiental e
agroecologia em diferentes combinações.

DESENVOLVIMENTO

A fauna de solo

A fauna invertebrada do solo é composta por diversos organismos que vivem


pelo menos uma parte do seu ciclo biológico na serapilheira ou abaixo da superfície
(KORASAKI et al. 2013). A macrofauna, a mesofauna e a microfauna invertebrada,
fazem parte da fauna do solo.

O papel da biota na ciclagem de nutrientes

“Os elementos e compostos químicos são fundamentais para os processos vitais


da vida” (BEGON et al., 2007, p. 525). Nesse sentido, a ciclagem dos nutrientes constitui

89
em uma função mais importante para a regulação do funcionamento dos ecossistemas
(DELITTI, 1995).

Funções e serviços ambientais da fauna de solo

Segundo a ONU as funções e serviços ambientais realizados pela fauna como um


todo, abrangem as esferas da provisão, suporte, regulação e cultural (PARRON et al.,
2015).

Efeito do tipo de manejo sobre a fauna de solo,

A biota do solo não só interfere na qualidade do solo como também é afetada


pelo tipo de uso do solo, sendo um reflexo do manejo (CORREIA; OLIVEIRA, 2000;
FERREIRA; STONE; DIDONET, 2017). Candido et al. (2012) afirmam que a fauna do
solo é indicadora de qualidade ambiental, em função da sua sensibilidade as modificações
sofridas no meio, uma vez que respondem rapidamente ao conteúdo de matéria orgânica
e as propriedades físicas do solo.

Consequências da redução da diversidade do solo para a produção de alimentos

O questionamento em torno de novas políticas agrícolas se intensificaram a partir


de alguns movimentos mundiais, a exemplo das crises sociais, políticas, ambientais,
econômicas, além da crise alimentar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A discussão aqui apresentada evidencia que a agroecologia não se limita ao


enfoque técnico que dá base para o desenho de sistemas sustentáveis de produção
orgânica de alimentos. Procurou-se explorar a função da fauna de solo no processo de
decomposição e biodisponibilização dos nutrientes, além de outros processos essenciais
para a formação e manutenção de um solo sustentável.
Os diferentes estudos realizados no Brasil evidenciaram a respostada fauna
edáfica aos distintos tipos de manejo, deixando claro que sua composição, ao mesmo
tempo em que reflete as consequências do sistema escolhido, dando-lhe um caráter
bioindicador, tem consequências para a produtividade, uma vez que afeta os processos de
decomposição e ciclagem de nutrientes.

90
REFERÊNCIAS

BEGON, Michael; TOWNSEND, Colin; HARPER, John. Ecologia: de indivíduos a


ecossistemas. Porto Alegre: Artmed. 4ed. 2007. 752 p.

CÂNDIDO A. K. A. A.; et al. Fauna edáfica como bioindicadores de qualidade


ambiental na nascente do Rio São Lourenço, Campo Verde -MT, Brasil. Engenharia
Ambiental - Espírito Santo do Pinhal, v. 9, n. 1, p. 067-082, jan./mar. 2012.

CORREIA, M. E. F.; OLIVEIRA, L. C. M. de. Fauna de Solo: Aspectos Gerais e


Metodológicos. Embrapa Agrobiologia. 2000. 46p. (Embrapa Agrobiologia.
Documentos, 112).

CORREIA, M. E. F.; OLIVEIRA, L. C. M. de. Fauna de Solo: aspectos gerais e


metodológicos. Embrapa Agrobiologia: fev. 2000. 46p. Embrapa Agrobiologia.
Documentos, 112.

DELITTI, W. B. C.. Estudos de ciclagem de nutrientes: instrumentos para a análise


funcional de ecossistemas terrestres. Oecologia Brasiliensis. Estrutura, funcionamento
e manejo de Ecossistemas Brasileiros. v. 1. Instituto de Biologia-UFRJ, p. 469-486, 1995.

FEIDEN, A.. Agroecologia: Introdução e Conceitos. In: Agroecologia: princípios e


técnicas para uma agricultura orgânica sustentável. Aquino, Adriana Maria de Aquino;
Assis,Renato Linhares (Org). Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2005. p
49-69.

FERREIRA, E. P. de B.; STONE, L. F.; DIDONET, C. C. G. M. População e atividade


microbiana do solo em sistema agroecológico de produção. Revista Ciência
Agronômica, v. 48, n. 1, p. 22-31, 2017.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002.

KORASAKI, V.; MORAIS, J. W.; BRAGA, R. F.; Macrofauna. In: MOREIRA, F. M.


S.; CARES, J. E.; ZANETTI, R.; STURMER, S. O ecossistema solo. Lavras: Editora
UFLA, p.183-200, 2013.

MOREIRA, R. M.; CARMO, M. S. do. A agroecologia na construção do


desenvolvimento rural sustentável. Revista Brasileira de Agroecologia. v. 2, n.1, p. 511,
2007.

PARRON, L. M.; et al. Serviços Ambientais em Sistemas Agrícolas e Florestais do


Bioma Mata Atlântica. Embrapa. 2015.

VIERA, M.; SCHUMACHER, M. V.; ARAÚJO, E. F. Disponibilização de Nutrientes


via Decomposição da Serapilheira Foliar em um Plantio de
EucalyptusurophyllaxEucalyptusglobulus. Floran-Floresta e Ambiente. 2013.

91
QUANTIFICAÇÃO DE BACTÉRIAS EM SOLOS COM CULTIVO
CONVENCIONAL E AGROECOLÓGICO

Quantification of bacteria in soils with conventional and agroecological


cultivation
Andreza de Souza Pinheiro
Eduardo da Silva Martins
Heytor Lemos Martins

INTRODUÇÃO

Atualmente, o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. As


intoxicações provocadas por estas substâncias tem se elevado tanto entre os
colaboradores rurais, por ficarem expostos diretamente a estes produtos, quanto entre
consumidores que se contaminam por meio do consumo de alimentos contaminados
(PIGNATI, 2011).
A agroecologia se constitui em formas de diversificação, tais como policulturas,
circuitos, culturas de cobertura e inserção animal, para desenvolver a produção e
assegurar a energia do agroecossistema (PENTEADO, 2012). É possível observar
quanto a heterogeneidade biológica que a agroecologia auxilia a manutenção da cadeia
alimentar, de modo a promover o controle das espécies, por conseguinte quanto mais
estabilizado estiver o ecossistema local, menores serão os problemas fitossanitários.
Quanto maior a população de inimigos naturais, menor será o ataque de pragas nas
culturas existentes ao redor. Portanto, se ocorrerem mudanças no sistema agrícola
corrente, (transição do manejo convencional para o agroecológico) o uso dos insumos
químicos será cada vez menos essencial (GLIESSMAN, 2009).
Os agroquímicos são contaminantes que podem afetar não só o ser humano, mas também
a fauna, flora e microbiota. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA, 2011), o uso intenso de agrotóxicos pode promover a degradação dos recursos
naturais como, solo, água, flora e fauna, em algumas condições de forma irreversível,
assim insustentavelmente, trazendo desequilíbrios ecológicos.
O manejo intensivo e mal feito do solo pode ocasionar um processo de degradação que,
no caso de ser reversível, precisa de um tempo maior e também de recurso para sua
recuperação (CHERUBIN et al., 2015). Portanto, necessita-se de um monitoramento dos

92
solos manejados para a preservação da qualidade e para que possibilite uma produção
continuada.

De acordo com Parron (2015), o solo não é utilizado somente como substrato
para desenvolvimento de plantas (produção de alimentos), ele também é considerado um
“ente” vivo, porque nele estão presentes milhares de microrganismos e animais. Por ser
um recurso natural, possui qualidade definida dentro dos limites do ecossistema e, quando
preservado, garante a produtividade biológica e promove a saúde tanto animal como
vegetal (MELONNI et al., 2008).

OBJETIVOS

O objetivo deste trabalho foi quantificar a população bacteriana em amostras de


solo de duas propriedades rurais vizinhas no município de Fronteira/MG, em áreas com
cultivo convencional e agroecológico.

METODOLOGIA

Área experimental

As coletas foram realizadas na Fazenda Horta Rio Grande e em uma propriedade


vizinha. A Horta está localizada no município de Fronteira na região Sudeste do país, na
mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e Microrregião de Frutal. Possui
latitude 20°16'04" sul, longitude 49°11'58" oeste e altitude de 458 metros.
As amostras de solo foram coletadas entre 11h e 12h em cinco pontos distintos
da fazenda, sendo: pontos 1 e 2 com cultivo de hortaliças nos princípios da agroecologia;
ponto 3 com canteiro que estava sem cultivo e assim permaneceu até sua última coleta; e
pontos 4 e 5 com cultivos convencionais de abacaxi e cana-de-açúcar, respectivamente,
sendo o cultivo convencional de abacaxi feito dentro da propriedade, já o plantio de cana
faz parte de outra propriedade.

Coleta de solos, preparo dos meios e inoculação

As coletas das amostras ocorreram quinzenalmente (Setembro a Dezembro),


sendo retiradas 100g de solo de cada área selecionada, a profundidade foi de 0,20 m. Cada
ponto teve uma amostra por coleta, sendo uma distância variada entre os pontos no

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canteiro, foram coletadas 5 amostras por quinzena, sendo estes 5 pontos totalmente
distintos na área experimental, totalizando assim 6 coletas ao final desta pesquisa.
Estes solos foram armazenados em sacos plásticos, identificados e transportados para o
Laboratório de Microbiologia da Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG,
Unidade Frutal.
Para contagem bacteriana foi utilizado o meios de cultura PCA (Acumedia), no
qual foram inoculadas diluições 10-³, 10-4 e 10-5 . Os resultados estão expressos em
Unidades Formadoras de Colônias por grama de solo (UFC/g).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Analisando os resultados obtidos em cada coleta, na coleta 1 os pontos que


apresentaram maiores valores de bactérias foram os pontos 1 e 2 (agroecológico) e o
ponto 5 convencional, com cana-de-açúcar. Na coleta 2, estes também foram os pontos
com maior quantidade. Nas coletas 3 e 4 o destaque ficou para o ponto 2, apresentando
mais que o dobro de bactérias que nos pontos 3 e 4. Na coleta 5, novamente os maiores
valores foram encontrados nos pontos 1, 2 e 5. Já a última coleta foi a que apresentou os
menores valores de bactérias, de modo geral.
O resultado obtido em relação aos pontos 4 e 5 (cultivos convencionais) pode
refletir a forma de manejo do solo nesses pontos. No ponto 5, quando a cana é colhida, a
palha é deixada no solo, deixando assim uma cobertura vegetal importante para
manutenção da umidade do solo, e que é usada como material para decomposição por
microrganismos, com consequente retorno de nutrientes ao solo. Além disso, outro fato
que pode contribuir para a expressiva quantidade de bactérias nesse ponto é a inserção de
torta de filtro no solo, o que contribui na sua fertilização e na presença de
microrganismos decompositores de matéria orgânica. Já no ponto 4 (cultura do abacaxi)
isso não acontece, deixando o solo muito compactado e mais pobre em nutrientes. Além
disso, nessa cultura são usados agrotóxicos que, somados a um solo sem proteção, pode ter
contribuído para a menor presença de bactérias nesse estudo.
A torta de filtro é um resíduo proveniente da indústria açucareira oriundo da
filtração a vácuo do lodo retido nos clarificadores. É composto de resíduos solúveis e
insolúveis da fase de calagem, e rico em P, Ca, Cu, Zn e Fe. Pelo seu alto teor nutricional,
a torta de filtro é capaz de liberar grande quantidade dos seus nutrientes no solo. Outra
boa característica é sua capacidade de reter água e de manter a umidade do solo

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(SANTOS et al., 2010).

Coleta 5 Coleta 6
9
9
8
8
Bactérias (UFC/g.106)
Bactérias (UFC/g.106)

7
7
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1
0 0
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5

Pontos de coleta Pontos de coleta

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Figura 1 Contagem de bactérias em amostras de solo com cultivo convencional e
agroecológico. 1 e 2: áreas com cultivos agroecológicos; 3: área sem cultivo; 4 e 5:
cultivos convencionais de abacaxi e cana-de-açúcar, respectivamente.

Os solos com cultivo agroecológico apresentaram contagens de bactérias


superiores ao solo sem cultivo e com cultivo de abacaxi. Já o solo com cultivo
convencional com cultura de cana-de-açúcar apresentou contagens expressivas de
bactérias, mostrando que o seu manejo com manutenção da palhada e inserção de torta de
filtro pode ter contribuído para a presença destes microrganismos, devido à liberação de
nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

REFERÊNCIAS

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em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/d480f50041ebb7a09db8bd3e2b7e7e4d/
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em: 07 maio 2019.

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Disponível em:
http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/a6ec1e8041a2bd0c9b969fde61db78cc/
PARA+2011-2012.pdf?MOD=AJPERES. Acesso em: 07 maio 2019.

CHERUBIN, M.R.; SANTI, A.L.; Eitelwein, M.T.; Amado, T.J.C.; Simon, D.H. &
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Brasileira, v. 50, p. 168- 177, 2015.

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4. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2009.

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Bioma Mata Atlântica. Embrapa. Brasília-DF, 2015.

PENTEADO, S.R. Implantação do cultivo orgânico: planejamento e plantio. 2. ed.


Campinas: Via Orgânica, 2012.

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http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/44972-nao-existe-uso-seguro-de-agrotoxicos-
entrevista-especialcom-wanderlei-pignati. Acesso em: 17 janeiro 2019.

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SANTOS, D. H.; TIRITAN, C. S.; FOLONI, J. S. S; FABRIS, L. B. Produtividade de
cana-de-açúcar sob adubação com torta de filtro enriquecida com fosfato solúvel.
Pesquisa Agropecuária Tropical, v.40, p.454-461, 2010.

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