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Gestão da cadeia de Suprimentos e Distribuição

Gestão da Cadeia de
Suprimentos e
Distribuição
E sua importância em tempos de 4ª Revolução industrial.

Domingo Martin

Prof. Domingo Martin 1


Gestão da cadeia de Suprimentos e Distribuição

UNIDADE I - LOGÍSTICA, E GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS......................................... 6

DEFINIÇÕES E INTERFACES ENTRE PROCESSOS...................................................................................................... 6


O conceito de Cadeia de Abastecimento: Suprimentos e Distribuição................................................. 7
Interface entre processos ................................................................................................................................. 9
CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO – DEFINIÇÃO, FORMATOS E APLICAÇÕES PRÁTICAS ........................................................... 11
Passos para Decisão e Escolha ......................................................................................................................... 12
BOAS PRÁTICAS DE GERENCIAMENTO DA CADEIA DE ABASTECIMENTO E DISTRIBUIÇÃO............................................... 13
Os tipos de Programas de Resposta Rápida - PRR´s ........................................................................................ 14
EVOLUÇÃO E IMPORTÂNCIA DO USO DE TI NAS EMPRESAS ................................................................................... 16
Automação e a Pirâmide de automação ........................................................................................... 17
Os níveis da pirâmide de automação .............................................................................................................. 18
A Evolução da pirâmide de automação em tempos de 4ª. Revolução industrial ............................................ 19
Sistemas Especialistas – A evolução dos Sistemas Legados até os dias atuais (MRP | MÊS | SCADA |
PIM’s | ERP | CRM | E-PROCUREMENT...). ........................................................................................ 20
Aplicabilidade da tecnologia nos dias atuais – a evolução do produto para serviços (Cloud e *AAS)24
A 4ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL – FATORES E PILARES ESSENCIAIS PARA SUA CONSOLIDAÇÃO NA EMPRESA ..................... 25
OS 9 PILARES DA INDUSTRIA 4.0 .................................................................................................................... 26

UNIDADE II – ESTRATÉGIAS LOGÍSTICAS APLICADAS CADEIA DE SUPRIMENTOS E DISTRIBUIÇÃO. ....... 28

MODAIS DE TRANSPORTE – CONCEITOS E PRÁTICAS DE MERCADO ......................................................................... 29


Transporte Rodoviário ..................................................................................................................................... 29
Transporte Ferroviário..................................................................................................................................... 30
Transporte Aeroviário...................................................................................................................................... 30
Transporte Aquaviário ..................................................................................................................................... 31
Transporte Dutoviário ..................................................................................................................................... 32
A Cabotagem. .................................................................................................................................................. 32
MULTIMODALIDADE – CONCEITO E APLICABILIDADE ........................................................................................... 33
Integração entre os Modais ............................................................................................................................. 29
OPERADOR LOGÍSTICO - CONCEITOS E PRÁTICAS DE MERCADO. ............................................................................. 30
Atividades logísticas de um operador logístico .................................................................................. 32
ESTRATÉGIAS DE GERENCIAMENTO DE ESTOQUES............................................................................................... 33
Conceito de Estoque ........................................................................................................................................ 33
Tipos de Estoque ............................................................................................................................................. 34
Formas de Estocagem...................................................................................................................................... 34
Políticas e Filosofias de Estoque ...................................................................................................................... 35
Gerenciamento de Estoques .............................................................................................................. 37

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UNIDADE III - MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E EQUIPAMENTOS ................................................. 40

CONCEITO E PRINCÍPIOS ............................................................................................................................... 40


Fluxos de movimentação de materiais .............................................................................................. 40
Layout como facilitador da movimentação e armazenagem ............................................................ 41
O conceito de Endereçamento ........................................................................................................... 42
Critérios de Localização dos materiais ............................................................................................... 44
Inventário – garantia da gestão quantitativa e qualitativa dos estoques ......................................... 45
Formas de inventário ......................................................................................................................... 45
EQUIPAMENTOS DE MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM .................................................................................... 46
Equipamentos de Movimentação ...................................................................................................... 51
Tipos de Empilhadeiras .................................................................................................................................... 51
TECNOLOGIAS E SISTEMAS APLICADOS A MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM ........................................................... 53
Sistema de Gerenciamento de estoques – o WMS (Wharehouse Management System) .................. 54
Sistema de Gestão de transporte ....................................................................................................... 55
AUTOMAÇÃO DE PROCESSOS LOGÍSTICOS: DO CÓDIGO DE BARRAS AO RFID ........................................................... 56
Equipamentos de Automação (RF e Batch) ........................................................................................ 56
RFID - Radio Frequency Identification e o Futuro da Gestão de Estoques ...................................................... 56
Vantagens do RFID........................................................................................................................................... 58
A GERENCIAMENTO DO CICLO DO PEDIDO ........................................................................................................ 59
O ciclo do pedido................................................................................................................................ 59
GERENCIAMENTO POR INDICADORES DE PERFORMANCE OU KPI’S ........................................................................ 62

UNIDADE IV - LOGÍSTICA APLICADA A SCM - LOGÍSTICA INTERNACIONAL E LOGÍSTICA REVERSA ........ 65

CONCEITO DE LOGÍSTICA INTERNACIONAL – DEFINIÇÕES E FLUXO DA INFORMAÇÃO ................................................... 65


DEFINIÇÕES ............................................................................................................................................... 65
COMPONENTES DO FLUXO DE LOGÍSTICA INTERNACIONAL.................................................................................... 65
REGRAS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO - OS CANAIS DE CONTROLES ................................................................... 66
INCOTERMS- CONCEITO E BOAS PRÁTICAS ........................................................................................................ 67
Equipamentos de Movimentação e Armazenagem na logística internacional .................................. 68

LOGÍSTICA REVERSA – CONCEITOS, APLICABILIDADE E O CENÁRIO ATUAL MATERIAL ......................... 70

CONCEITO ................................................................................................................................................. 70
Reversa de Pós Consumo ................................................................................................................... 71
Reversa de Pós Venda ........................................................................................................................ 72
Reversa de Reuso. .............................................................................................................................. 72
Boas Práticas de Logística reversa. .................................................................................................... 73
LOGÍSTICA REVERSA HP .................................................................................................................................. 73
LOGÍSTICA REVERSA NATURA......................................................................................................................... 73
LOGÍSTICA REVERSA BRIDGESTONE ............................................................................................................... 73

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BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................... 74

Figura 1 : Integração do fluxo de informação e produtos ........................................................................... 7


Figura 2: Cadeia de abastecimento: Suprimentos e Distribuição. Fonte: Pesquisa internet google
imagens........................................................................................................................................................ 8
Figura 3: Atores da cadeia de abastecimento. fonte:https://blog.collabo.com.br/como-o-social-
beneficia-a-cadeia-de-suprimentos/ ........................................................................................................... 9
Figura 4 : Canais de distribuição. fonte:https://neilpatel.com/br/blog/canais-de-distribuicao/ .............. 11
Figura 5 : Intermediários possíveis no Canal de distribuição. fonte: adaptado pelo autor ....................... 12
Figura 6 : Níveis Canal de distribuição. fonte adaptado pelo autor........................................................... 13
Figura 7: Automaçãoindustrial. fonte: http://blog.murrelektronik.com.br/automacao-industrial/ ......... 17
Figura 8 : Pirâmide de automação ............................................................................................................. 18
Figura 9 : Transformação digital: pirâmide para pilar de informação. fonte: pesquisa
https://www.linkedin.com/pulse/transformação-digital-márcio-venturelli ............................................. 20
Figura 10: Aplicabilidade do conceito *AAS............................................................................................... 24
Figura 11: Fluxo EDI com uso de VAN's .................................................................................................... 25
Figura 12: Revolução industrial. Fonte: salesforce.com ............................................................................ 25
Figura 13: Pilares da industria 4.0.............................................................................................................. 26
Figura 14: Impacto esperado da transformação digital na situação de custos nas empresas. Fonte:
http://www3.weforum.org/ .................................................................................................................... 27
Figura 15 : Distribuição do uso de modais no Brasil. Fonte: ANP .............................................................. 29
Figura 16: Principais portos de cabotagem no Brasil. Fonte: portogente.com.br ..................................... 32
Figura 17: Comparativos características serviços entre modais. ............................................................... 28
Figura 18:Comparação entre os modais rodoviário e ferroviário e a opção intermodal . Fonte: ATA -
American Trucking Association .................................................................................................................. 28
Figura 19: Mapa interativo do escoamento de soja e milho. Fonte:
Embrapa.br/macrologistica/caminhos-da-safra ........................................................................................ 29
Figura 20 : Filosofias de estoques. ............................................................................................................. 35
Figura 21: Fatores essenciais para um bom endereçamento de materiais ............................................... 43
Figura 22 : Palete pbr ................................................................................................................................. 46
Figura 23: Estanterias ................................................................................................................................ 47
Figura 24: Porta Palete .............................................................................................................................. 47
Figura 25: Porta Palete Dupla Profundidade ............................................................................................. 48
Figura 26: Drive in Drive Tru ...................................................................................................................... 48
Figura 27: Catilever .................................................................................................................................... 49
Figura 28: Rack........................................................................................................................................... 49
Figura 29: Estrutura Dinâmica ................................................................................................................... 50
Figura 30: Porta Palete Deslizante ............................................................................................................. 50

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Figura 31: Estrutura Auto Portante ........................................................................................................... 50


Figura 32 : Desenho esquemático de uma solução RFid ........................................................................... 57
Figura 33: O ciclo do pedido. fonte: truckpad.com.br ............................................................................... 59
Figura 34: Comparativo da eficiência na gestão do ciclo do pedido.......................................................... 60
Figura 35 : Indicadores de desempenho no atendimento do pedido do cliente. fonte:Grupo de Estudos
Logísticos GELOG-UFSC. Ppt ...................................................................................................................... 63
Figura 36: Indicadores de desempenha na gestao de estoques. fonte: Grupo de Estudos Logísticos
GELOG-UFSC. Ppt ....................................................................................................................................... 63
Figura 37: Indicadores de produtividade de armazém . fonte: Grupo de Estudos Logísticos GELOG-UFSC.
Ppt.............................................................................................................................................................. 64
Figura 38: Indicadores de desempenho em transporte. fonte: Grupo de Estudos Logísticos GELOG-UFSC.
ppt ............................................................................................................................................................. 64
Figura 39: Fluxo Exportação maritima . Fonte:
http://www.techimpex.com.br/tech_servicos/conteudo/fluxogramas/exportacao_maritima.htm ........ 66
Figura 40 : Novo incoterms 2020. fonte: Konfere.com.br ......................................................................... 68
Figura 41: Tipos de contêiner utilizados na logística internacional. .......................................................... 69
Figura 42: Unidades de Carga aéra. ........................................................................................................... 70
Figura 43: Fluxo reverso: Visão simplificada .............................................................................................. 70
Figura 44: Representação esquemática - Fluxo direto e reverso. Pesquisa: Plataforma imagens Bing em
2020 – créditos ao autor ............................................................................................................................ 71

Tabela 1 – Resumo dos Principais PRRs ..................................................................................................... 16


Tabela 2: Níveis da Pirâmide de automação. fonte:https://www.logiquesistemas.com.br/blog/piramide-
de-automacao-industria - adaptado pelo autor. ....................................................................................... 19
Tabela 3 : Tipos e foco de sistemas de informação. .................................................................................. 22
Tabela 4: Características : Multimodalidade versus Intermodalidade ...................................................... 30
Tabela 5: Tipos de estrutura de códigos para uso no endereçamento..................................................... 43

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Unidade I - Logística, e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos

As primeiras referências da palavra “Logística” datam da Grécia Antiga, mas o termo renasceu no
mundo ocidental durante a Idade Média, com sua citação no livro Da Guerra, de Carl Von Clausewitts, no
século XVII. Clausewitts foi o comandante chefe do poderoso exército de Frederico da Prússia.

A primeira tentativa de definir Logística foi feita pelo Barão Antoine Henri de Jomini (1779/1869), general
do exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte, que em seu livro Compêndio da Arte da
Guerra, a ela se referiu como a “arte prática de movimentar exércitos”. Em sua opinião, o vocábulo
logistique é derivado de um posto existente no exército francês durante o século XVII – Marechal dês
Logis, responsável pelas atividades administrativas relacionadas com os deslocamentos, o alojamento e o
acompanhamento das tropas em campanha. Ainda naquele livro, o Barão, Jomini chegou a afirmar que
“a Logística é tudo ou quase tudo no campo das atividades militares, exceto o combate”.

A Logística teve um grande destaque a partir da II Grande Guerra Mundial, quando o deslocamento
intercontinental de tropas e armamentos se tornou algo fundamental para o sucesso de uma batalha.

Definições e interfaces entre processos.


Durante a II Guerra Mundial – a maior operação logística jamais realizada pelo Homem – o
significado da Logística adquiriu uma amplitude muito maior, em decorrência do vulto das operações
militares realizadas, determinando a utilização de quantidades e variedades de suprimentos jamais
atingidos anteriormente. Consequentemente, as Forças Armadas aliadas compreenderam que a Logística
abrangia todas as atividades relativas à provisão e administração de materiais, pessoal e instalações, além
da obtenção e prestação de serviços de apoio. Uniformizou-se, então, a definição de Logística como “o
conjunto de atividades relativas à previsão e à provisão de todos os meios necessários à realização de
uma guerra”.
O seu conceito evoluiu e atualmente existem várias definições informais relacionadas aos conceitos de
logística. No entanto, todas elas são muito próximas entre si.

Vejamos alguns exemplos:

“Logística é a ciência de se fazer chegar o material certo, na quantidade correta, no lugar certo, nas
condições estabelecidas pelo cliente, ao mínimo custo possível.”

“Logística é o fluxo de materiais e informações desde os fornecedores até os clientes.”

Segundo a ASLOG (Associação Brasileira de Logística), “Logística é a função sistêmica de otimização de


fluxo de materiais e informações de uma organização. Integra áreas operacionais, planejando,

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controlando, implementando o fluxo eficiente de produtos e materiais do ponto de origem a ponto de


destino, com o propósito de adequá-las as necessidades dos fornecedores e clientes.”

Com foco no mercado empresarial, Ronald Ballou, define a logística como “o estudo da administração de
bens e serviços, de forma a promover maior nível de rentabilidade através de planejamento, organização
e controle das atividades produtivas”.

Martin Christopher define logística como: “o processo de gerenciar estrategicamente a obtenção,


movimentação e armazenagem de estoques de matéria-prima, produtos semi-acabados, e produtos finais
(e o fluxo de informações relativas) da organização e seus canais de distribuição de forma que as
rentabilidades atual e futura sejam maximizadas através do cumprimento de encomendas rentáveis”.

Já Douglas M. Lambert utiliza a definição mais geral que pode ser


utilizada em diversas óticas além da empresarial, identificando as
atividades logísticas como: “o processo de planejamento,
implantação e controle da eficiência, custo efetivo, armazenamento
e estocagem de matérias-primas, em processo de inventário,
produtos acabados e informações relativas desde o ponto de origem
até o ponto de consumo com o propósito de conformação com as necessidades do cliente”.
De acordo com o CLM - Council of Logistics Management norte-americano, conceituamos Logística como:

“Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo de armazenagem


de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o
ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.”

Figura 1 : Integração do fluxo de Os fluxos associados à Logística, envolvendo também a


informação e produtos
armazenagem de matéria-prima, dos materiais em processamento
e dos produtos acabados, percorrem todo o processo, indo desde
os fornecedores, passando pela fabricação, seguindo desta ao varejista, para atingir finalmente o
consumidor final, alvo principal de toda a cadeia de suprimento. Além do fluxo de materiais e
informações, existe ainda o fluxo de dinheiro.

O conceito de Cadeia de Abastecimento: Suprimentos e Distribuição

Quando falamos em Cadeia Logística, estamos nos referindo tanto aos conceitos de Cadeia de
Abastecimento temos os conceitos de Cadeia de Suprimentos ou Cadeia de Distribuição, onde o que os
diferenciam são apenas o enfoque no momento em que se tem ao analisá-los.

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Vejamos o exemplo:
• A Cadeia de Suprimentos é a Cadeia de Abastecimento observada do ponto de vista de quem
adquire produtos ou serviços.
• A Cadeia de Distribuição é a Cadeia de Abastecimento observada do ponto de vista de quem
fornece produtos ou serviços.

Figura 2: Cadeia de abastecimento: Suprimentos e Distribuição. Fonte: Pesquisa internet google imagens

Na essência os processos logísticos que ocorrem em ambas as situações são os mesmos, diferenciando-
se apenas os objetivos a serem atingidos por cada uma das partes durante a análise.

A cadeia de suprimentos típica é aquela onde fornecedores de matéria-prima entregam insumos de


natureza variada para a indústria principal e também para os fabricantes dos componentes que
participam da fabricação de um certo produto.
o A indústria fabrica o produto, que é distribuído aos varejistas, e, em parte, aos atacadistas e
distribuidores;
o Esses últimos fazem o papel de intermediários, pois muitos varejistas não comercializam um
volume suficiente do produto que lhes possibilite a compra direta, a partir do fabricante.
o As lojas de varejo, abastecidas diretamente pelo fabricante ou indiretamente por atacadistas ou
distribuidores, vendem o produto ao consumidor final.

Para se chegar ao estágio de integração plena da cadeia de suprimentos, com benefícios globais
expressivos, o caminho é árduo, requerendo a eliminação de inúmeras barreiras na cadeia.
Uma delas é o esquema organizacional da empresa, que precisa ser revisto, modernizado.
Outro requisito é a necessidade de um sistema de informações bem montado e interligando todos os
parceiros da cadeia.
Também é preciso implantar, nas empresas participantes, sistemas de custos adequados aos objetivos
pretendidos, permitindo a transparência de informações entre os parceiros da cadeia. Esse tipo de

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operação logística integrada moderna é denominado de Supply Chain Management (SCM), ou em


português, Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos.

De acordo com o Fórum de SCM realizado na Ohio State University:

“SCM é a integração dos processos industriais e comerciais, partindo do consumidor final e indo até os
fornecedores iniciais, gerando produtos, serviços e informações que agreguem valor para o cliente.”

É importante notar que o conceito de SCM focaliza o consumidor como objetivo central, pois todo o
processo deve partir dele, buscando equacionar a cadeia de suprimentos e distribuição de forma a atendê-
lo agregando qualidade, eficiência e eficácia em cada momento logístico executado ao longo de toda a
cadeia.

Diante desse contexto, as empresas modernas são obrigadas a formar diferenciais em relação à
concorrência, a fim de alavancar seus negócios. Por isso, produzem em larga escala e reduzem os custos,
mas buscam a customização para dar destaque a seus produtos.

Interface entre processos

A gestão da cadeia de suprimentos e distribuição,


compreende um conjunto de ações que visam
proporcionar a integração de todos os componentes
de um negócio, resultando em diferencial competitivo
da empresa frente ao mercado que atua, agregando
desta forma valor ao seu cliente, possibilitando desta
forma que todas as ações realizadas ao longo do
processo produtivo contribuam com a lucratividade da
empresa.
Essa gestão é complexa na medida em que é composta
Figura 3: Atores da cadeia de abastecimento.
por atores externos à empresa – fornecedores e clientes –
fonte:https://blog.collabo.com.br/como-o-social-beneficia-a-
e diferentes setores da própria organização, que, muitas cadeia-de-suprimentos/

vezes, restringem as operações, colocando seus interesses


acima da proposta de sucesso da cadeia.
Para garantir assim o sucesso na gestão da cadeia de suprimentos e distribuição, mostra-se cada dia mais
essencial garantir que os fluxos de informação gerados ao longo do processo produtivo estejam claros e
resultem e sinergia para atingir os objetivos determinados pela empresa. Estes fluxos tornam-se as
chamadas interfaces entre processos que podemos agrupar da seguinte forma:

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o Fluxo de informações: Este fluxo tem importância estratégica para a cadeia de suprimentos.
Através do esquema, observamos que ele parte dos clientes, trazendo relevantes informações
que realimentarão a cadeia.
o Fluxo de materiais: Este fluxo parte dos fornecedores, que suprem a cadeia com os materiais
necessários para a confecção ou fabricação dos produtos finais desejados pelos clientes –
representantes da demanda.
o Fluxo financeiro: Este fluxo pode partir dos clientes – através do recebimento de compras – ou
de algum fornecedor financeiro – quando há obtenção de capital por meio de algum agente.

Como resultado da adequada gestão da cadeia de suprimentos e distribuição as interfaces entre processos
contribuem de forma essencial por vir a atender as duas funções estratégicas da Logística no atual cenário
mundial que seriam:
o O Aumento do nível de serviço ao cliente: O cliente ser atendido dentro das expectativas
geradas no momento da aquisição do produto ou serviço contratado, ou mesmo superar
positivamente estas expectativas.
o A Redução e otimização dos custos ao longo de toda a cadeia logística: utilizar os recursos
necessários de forma que não comprometam a lucratividade da cadeia como um todo. Desta
forma a busca é equalizar os custos gerados criando desta forma um modelo custo versus
benefício ideal para garantir a competividade da empresa.

Além das interfaces já citadas não podemos deixar passar despercebido outras interfaces que devem
também ser trabalhadas em igual importância que são a:
o Racionalização de processos e controles ao longo da cadeia;
o Integração e parcerias sistêmicas entre fornecedores de materiais e serviços,
o Integração e parcerias junto a clientes de forma sistêmica permitindo a racionalização do
processo produtivo sem comprometer a qualidade e o nível de serviço exigido ao longo do canal
logístico,
o Utilização de modelos de negócios e gestão de informação com apoio cada dia mais presente de
recursos tecnológicos que possibilitam agilidade na tomada de decisão (tecnologia da
informação)
Dentre as estratégias adotadas pelas empresas para manter-se competitiva no mercado em que
atuam, está a forma com os produtos ou serviços chegam ate o mercado consumidor, através dos
canais de distribuição que são trabalhados ao longo da cadeia de distribuição

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Canais de distribuição – definição, formatos e aplicações práticas


Define-se Canal de Distribuição como sendo a estratégico
ou meio que as empresas adotam para atender ao
fornecimento de produtos ou serviços junto a seus
clientes e consumidores finais.

Quanto ao tipo os canais de distribuição podem ser


Figura 4 : Canais de distribuição. fonte:https://neilpatel.com/br/blog/canais-de-
distribuicao/ caracterizados como:

•A empresa se responsabiliza pelo atendimento e entrega do


Canal de distribuição direto
produto ou serviço junto ao cliente e consumidor.

•A empresa busca por parceiros (intermediários) de negócio


Canal de distribuição indireto que irão realizar a distribuição do produto e entrega do
produto ou serviço

•Quando a empresa adota mais de um modelo de


Canal de distribuição hibrido distribuição podendo tanto vir a atender diretamente
quanto utilizando de intermediários (parceiros de negócios)

Quanto a forma de distribuição podemos caracterizar os canais de distribuição como sendo:

o Distribuição exclusiva: a empresa opta por dar exclusividade a um intermediário, geralmente


representante ou distribuidor exclusivo da empresa em uma região geograficamente delimitada
e acordada entre as partes.
o Distribuição Seletiva: Quando a empresa opta por delegar as ações de distribuição a grupos
específicos de intermediários, em geral o fator de escolha deste modelo está relacionado
diretamente a reputação dos intermediários e sua excelência em atender ao consumidor
o Distribuição Intensiva: Quando a empresa busca atingir o maior número de mercados
consumidores e pontos de atendimentos, lançando mão desta forma de mais de um tipo de canal
de distribuição, no caso quando se opta por um modelo híbrido a empresa esta buscando uma
forma intensiva de disseminar seus produtos junto ao mercado.

Quanto aos níveis existentes no canal de distribuição podemos definir a partir do número de
intermediários existentes ao longo do canal de distribuição. Portanto quanto maior o volume de
intermediários, maior será o nível de complexidade de gerenciamento do canal.

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São considerados intermediários dentro o canal logístico:

Figura 5 : Intermediários possíveis no Canal de distribuição. fonte: adaptado pelo autor

Passos para Decisão e Escolha

A escolha de um ou múltiplos canais de distribuição, exigem da empresa uma séria de decisões que
devem contemplar fatores como:

o Organização do canal – níveis de intermediários envolvidos no processo de distribuição;


o Perfil do cliente atendido;
o Nível de serviço esperado do canal de distribuição;
o Rentabilidade e custos esperados para cada modelo proposto para ser implantado;
o Rastreabilidade esperada (nos dias atuais cada vez mais exigido pelos clientes);
o Potencial do mercado.

Além destes fatores, em tempos de alta competitividade e baixa fidelidade de clientes, mostra-se
importante cada vez mais alcançar com qualidade o nível de serviços desejados pelos clientes que em
geral são determinados por:

o Tempo de espera: o tempo médio aceito pelo cliente para receber o produto;
o Tamanho do lote/pedido: número de unidades dos produtos que são permitidos comprar pelo
cliente (cada dia mais exige-se volumes menores e mais repetitividade de atendimento);
o Conveniência: relacionado as facilidades e comodidades oferecidas no ato da compra;
o Variedade: Além de cada vez mais exigir-se lotes menores os clientes estão atentos a variedade
do mix oferecido;

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Níveis do canal de distribuição

Figura 6 : Níveis Canal de distribuição. fonte adaptado pelo autor

Com a evolução do e-commerce e os benefícios por ele gerado, como otimização de tempo e
oportunidades de melhor rentabilidade dos produtos, o consumidor vem encontrando novas tendências
dentro do canal de distribuição com aplicação de conceitos como o Ominichanel (múltiplos canais
integrados) ou mesmo o uso de armários como o Locker ( estruturas de coleta e entrega de encomendas
posicionadas em áreas de fácil acesso ) são as novas fronteiras a serem trabalhadas dentro dos canais de
distribuição e um desafio ainda maior para os gestores da cadeia de suprimentos e distribuição!

Boas práticas de gerenciamento da cadeia de abastecimento e distribuição


Cada dia mais as empresas buscam, no mercado em que está inserido, manter-se competitivas
sem comprometer sua lucratividade. Além disso, é fator crítico de sucesso para a sobrevivência das
empresas que seus processos logísticos se mantenham altamente eficientes e eficazes.
Entende-se por CLASSE MUNDIAL (WORLD CLASS) como a prática ou conjunto de práticas que diferencia
uma empresa das demais, tornando-a mais competitiva no mercado em que atua.
Para que uma empresa possua uma Logística de Classe Mundial é necessário que ela consiga entender e
realizar de forma mensurada práticas logísticas que sejam capazes de apoiar no atendimento junto a seu
cliente de modo a superar em qualidade e agilidade seus competidores dentro da cadeia logística que
esta inserida.
Buscando assim cada dia mais garantira a eficiência da cadeia logística, as empresas possuem o desafio
de encontrar modelos eficientes e eficazes para manter abastecida sua cadeia logística sem geral gargalos
de produção ou mesmo rupturas (falta de produtos) junto ao consumidor final. Desta forma, alguns
modelos de abastecimento e posição rápida se mostram importantes de serem aqui apresentados por

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serem aplicáveis em vários momentos do canal logístico, seja ao longo do processo de suprimentos ou
mesmo em momentos de distribuição. Em modo geral os programas de reposição rápida (PRRs) visam
atender a dois momentos da cadeia logística:
1. O abastecimento entre fornecedores: Visando manter os estoques de matérias primas, insumos
e embalagens e o fluxo de produção equilibrado, buscando assim evitar desperdícios ou mesmo
interrupções do processo produtivo,
2. O abastecimento entre fornecedores e varejistas: Visa manter abastecido o canal logístico de
distribuição corroborando para a continuidade do equilíbrio gerado a partir das práticas de
reposição rápida que forem adotadas entre a empresa e seus fornecedores. Em geral as praticas
voltadas para o momento de distribuição (Fornecedor -> Varejo) são praticas mais adotadas.

Os tipos de Programas de Resposta Rápida - PRR´s

o CRP Continuos Replenishment Program - Programa de reposição continua: Neste modelo, os


fornecedores recebem as informações a partir dos pontos de vendas para preparar os pedidos e
garantir de certa forma a flutuação do estoque entre um intervalo de mínimo e máximo estoque
dimensionado junto com o perfil do cliente. Em Geral é importante um sincronismo entre os
parceiros envolvidos especialmente no compartilhamento de informações e clareza nas
operações logísticas para manter eficiente e eficaz o nível de serviço estabelecido entre as partes.
A Procter&Gamble e o WallMart foram pioneiros na adoção deste programa de resposta rápida;
o ECR: Efficiente Consumer Response – Resposta Eviciente ao consumidor: Originado no setor de
alimentos dos EUA. A proposta deste modelo está no comprometimento entre fornecedores e
varejistas de 5 pontos essenciais:
1-Compartilhar informação em tempo real,
2- Gerenciamento por categorias de produtos,
3- Reposição continua,
4-O custeio baseado por atividade e
5- Padronização;
o CPFR – Collaborative Planning, Forecasting and Replenishment – Planejamento, Previsão e
Reposição Cooperativos: constitui de uma extensão dos dois modelos anteriormente
apresentados – o CRP e o ECR. Inicialmente desenvolvida pela NABISCO (fábrica de alimentos)
que partiu do pressuposto que não somente os dados coletados do ponto de vendas eram
suficientes para atender as demandas entre varejo e fornecedor: Seria necessário também
confrontar estes dados com as previsões de vendas e identificar os itens com maior precisão
entre o previsto versus o realizado e desta forma a indústria possa ajustar seus modelos
produtivos e se beneficiar integralmente do modelo de reposição rápida e continua (CRP) em
todas as operações ao longo da cadeia logística;
o VM – Vendor Managed Inventory – Estoques Gerenciados pelo Fornecedor: a proposta do WMI
é gerenciar os estoques na cadeia, permitindo aos fornecedores programar melhor as operações

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de produção e de certo modo, reduzir impactos de custos gerados por variações de consumo e
vendas advindos do mercado varejista. Quando o modelo apresenta um maior poder de
negociação por parte do varejista, torna-se comum a adoção de práticas de consignação de
estoque na ponta. O VMI envolve, portanto:
o Revisão contínua dos estoques em cada loja do varejista;
o Equalizar o tempo de resposta entre produção e disponibilidade do produto no ponto de
venda;
o Equacionar as necessidades liquidas de estoques contemplando todos os possíveis status
(disponível, a receber, reservado, não recebido dentre outros possíveis);
o Manter eficaz uma programação de recebimento por ponto de venda. Neste modelo a
revisão de programações e volumes deve ser constante a cada ciclo e não somente baseada
nas previsões de vendas.
o QR – Quick Response – Resposta Rápida: surgiu no setor têxtil e de confecções nos EUA, visa
sincronizar a produção com o processo de distribuição. Apresenta impactos nas operações de
distribuição, pois adota-se neste modelo as operações de Crossdocking, eliminando desta forma
estoques parados em centro de distribuição. Neste modelo os produtos já são separados e
preparados para serem alocados diretamente no ponto de venda, permitindo desta forma a
redução do nível de estoques ao longo da cadeia
o JIT II – Just in Time: Neste modelo, desenvolvido pela BOSE Corporation o fornecedor
disponibiliza um recurso para atuar no seu cliente, onde este é responsável pela tomada de
decisão relacionadas a aquisição e programação de produção. Dentro da proposta do JIT II o
recurso do fornecedor atua como ligação entre fornecedor e cliente, tendo um papel de
facilitador entre comprador e vendedor para evitar desperdícios e retrabalhos melhorando a
comunicação e a capacidade de resposta por parte do fornecedor.

O quadro abaixo sintetiza as responsabilidades de cada um dos envolvidos nos programas de reposição
rápida:

Programa de
Quem Decide a Como Decide Propriedade dos Como o Fornecedor Utiliza os
reposição
Reposição a Reposição Estoques Dados da Demanda
rápida

Previsão de vendas e Aprimorar previsão de vendas


QR Cliente Cliente
independente do fornecedor e sincronização das operações

Com base na posição de Atualizar posição de estoque e


CRP Fornecedor estoque. O nível de reposição é Fornecedor/cliente modificar nível de reposição
decidido em conjunto em conjunto com varejo

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Com base na posição de Atualizar posição de estoque e


ECR Fornecedor estoque. O nível de reposição é Fornecedor/cliente modificar nível de reposição
decidido em conjunto em conjunto com varejo

Com base na posição de Aprimorar previsão de vendas


CPFR Fornecedor estoque. O nível de reposição é Fornecedor/cliente e sincronização das operações
decido em conjunto com participação do cliente

Com base na necessidade Fornecedor/cliente ou Gerar previsão de vendas e


VMI Fornecedor
líquida projetada consignado projetar necessidade líquida

De acordo com o sistema de Aprimorar previsão de vendas


JIT II In-plant Fornecedor/cliente
suporte à decisão do cliente e sincronização das operações

Tabela 1 – Resumo dos Principais PRRs

Em todo o momento da cadeia de suprimentos e distribuição, é observada a importância em ter um fluxo


de informações claro e preciso, algo que atualmente é fácil de ser implantado graças ao grande volume
de soluções de tecnologia da informação seja em recursos de Hardware, Software, Recursos de
gerenciamento de dados e infra estrutura de telecomunicação ( esta ultima ainda necessitando de uma
melhor evolução dentro do território nacional).

Evolução e Importância do uso de Ti nas empresas


Considerando o grau de importância que o correto tratamento dos dados coletados, cabe aqui registrar a
evolução no uso dos recursos ao longo do tempo. Como um ponto referencial podemos citar o fato que
sempre que ocorrem grandes conflitos militares, resulta após o término destes conflitos, o uso das
tecnologias desenvolvidas, ao longo destes conflitos, em prol mercado corporativos seja nas indústrias ou
mesmo nos demais elos existentes na cadeia de suprimentos e distribuição.
Cronologicamente podemos identificar uma grande evolução no uso de equipamentos para o tratamento
de dados (computadores) desde os primórdios da era da informação (a partir do final da década de 1940)
até os dias atuais podendo ser assim representado:
o 1950-1960: O uso como recurso de processamento de dados
o 1960-1970: O surgimento dos sistemas de informação gerencial como facilitador na geração de
relatórios administrativos,
o 1970-1980: O uso dos sistemas de apoio a tomada de decisão (SAD) permitindo gerar subsídios
para melhor gerenciamento por parte das organizações especificamente aos gestores.
o 1980-1990: Período onde os sistemas especialistas já estruturados estão mais bustos e
integrados a partir do suporte de sistemas de gerenciamento de banco de dados. Nesta década
ocorre a aceleração quanto a busca pela integração da informação através do uso dos sistemas
de gerenciamento integrado conhecido pela sigla ERP – sejam estes fornecidos por Software

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houses ou mesmo desenvolvidos internamente pelas empresas (sistemas definidos como


legados);
o 1990 -2000: Período onde os sistemas de gestão integrados já se mostram consolidados no
mundo corporativo além da disponibilização de recursos que permitem a integração mais fácil e
ágil dos sistemas através de plataformas provedoras de acesso a uma grande rede de
computadores: a internet. Neste período ocorre principalmente uma exponencial busca por
recursos que permitam inclusive realizar transações comerciais entre empresas e consumidores
– o surgimento do comercio eletrônico baseado na internet,
o 2000 até os dias atuais: A internet já se mostra consolidada, surgem os primeiros conceitos de
integração de diferentes equipamentos para atender a objetivos dos mais variados – o conceito
da Internet das Coisas, a disponibilidade de sistemas como serviços pagos por demanda, são
recursos presentes no cotidianos principalmente com a consolidação dos smartphones e a
exponencial evolução dos sistemas e aplicativos desenvolvidos para atendimento das mais
diversas demandas geradas pelos consumidores, empresas e autarquias.

Automação e a Pirâmide de automação

Contemplando as necessidades de ganho de produtividade e manutenção dos níveis de qualidade, as


empresas buscam constantemente aprimorar tanto seus
processos quanto o uso dos recursos tecnológicos
disponíveis no mercado.
Portanto mostra-se essencial que o investimento em
tecnologia em todo o momento produtivo das empresas e
Figura 7: Automaçãoindustrial. fonte:
http://blog.murrelektronik.com.br/automacao-industrial/ em toda a cadeia de suprimentos e distribuição esta
necessidade é cada dia mais essencial para manter a competitividade das empresas.

Define-se como automação quaisquer recursos que podem executar procedimentos e ações pré-
estabelecidas sem que haja a intervenção direta de recursos humanos. O uso de recursos automatus ( do
latim – mover-se por si) é amplamente empregado no âmbito industrial.

Neste contexto, de automatizar o que possa ser realizado sem intervenção direta do ser humano, permitiu
as indústrias estruturar grandes áreas fabris praticamente operadas por equipamentos – graças ao
desenvolvimento da eletrônica!

Dentre os benefícios gerados para as empresas – quando da adoção de recursos automatizados – podem
ser citados o aumento e produtividade, melhoria na qualidade do produto final, melhora na segurança de
trabalho e melhoria na competitividade da empresa.

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Ao longo da evolução no uso de recursos automatizados,


permitiu a estruturação de um modelo hierárquico claro e
prático definido como Pirâmide de automação.
Este modelo possibilita um melhor entendimento da
importância da automação em todo o processo produtivo e
por consequência resultar em melhorias ao longo do fluxo de
produtos e informações dentro da cadeia de suprimentos e
distribuição.

Figura 8 : Pirâmide de automação

Os níveis da pirâmide de automação


Para compreender o grau de automação ou nível de automação que se encontra uma empresa é
necessário esclarecer que quanto mais no “topo da pirâmide” mais próximo da gestão estratégia da
empresa se encontram as soluções de automação.

Sendo assim para cada grupo de possibilidades do uso de recursos de automação, estaremos
contemplando divisores ou níveis de absorção de uso de recursos de automação ao longo do processo
produtivo da empresa.
Observa-se ainda que, uma vez estruturada a pirâmide de automação, ela pode assim ser seccionada:
• Níveis de automação: Está relacionado a forma ou foco de uso dos recursos de automação,
onde quanto o menor nível dentro da pirâmide mais básico são os recursos utilizados para
automação dentro do processo produtivo;
• Gestão da operação: Relacionado aos benefícios colhidos a partir das informações geradas nos
diversos níveis da pirâmide de automação, possibilitando assim tomadas de decisões táticas,
estratégicas ou operacionais.

É notável e de suma importância, que uma empresa que pretende acompanhar o advento da revolução
industrial (Industria 4.0) necessita cada vez mais buscar usar em plenitude os recursos tecnológicos
necessários para manter o fluxo de informação “fluído” em todos os níveis da organização, ou seja que os
dados coletados ao longo do processo de produção, por exemplo, sejam dados que contribuam inclusive
para a gestão de toda a cadeia produtiva seja nos momentos de suprimento ou distribuição.

A tabela 2 apresenta a descrição de cada nível da pirâmide de automação e sua relação nos níveis de
gestão das empresas

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Nível Característica Nível de Gestão


Relacionado
Nível 1 Representa o nível de aquisição de dados e controle manual. É
composto então por máquinas e dispositivos de campo, atuadores,
sensores, transmissores dentre outros componentes presentes na Operacional
planta. É também chamado de “chão de fábrica”, por possuir um
nível mais baixo de inteligência envolvida.
Nível 2 Refere-se aos equipamentos responsáveis por realizar o controle
automatizado das atividades da planta. Para isso, é necessário o uso
de dispositivos com um considerável nível de inteligência, onde
possam ser indicadas as diretrizes de automação do sistema de Operacional
controle. Estes podem ser CLP’s (Controlador Lógico Programável),
SDCD’s (Sistema Digital de Controle Distribuído) e relés (chaves
eletromecânicas)
Nível 3 Dedica-se à supervisão do processo produtivo da planta, bem como
sua otimização. Obtém suporte de banco de dados com
informações relativas ao processo, como por exemplo, índices de
produtividade e algoritmos de otimização. Faz-se uso também de Tático / Operacional
ferramentas de controle e supervisão remota. Neste nível, é comum
encontrar conversores de protocolo que utilizam a tecnologia OPC,
para que se garanta a operabilidade dos sistemas.
Nível 4 Está ligado ao controle fabril total. É então o nível responsável pela
programação e planejamento da produção. Auxilia tanto no
controle de processos industriais quanto na logística de
Tático
suprimentos. Tudo isso é realizado por meio da consolidação dos
dados coletados e armazenados no nível 3, por meio de ferramentas
como MES e PIMS
Nível 5 Refere-se ao planejamento estratégico e gerenciamento
corporativo. É o nível responsável pela administração dos recursos
da empresa contando com softwares para auxiliar na tomada de Estratégico
decisões. Este nível se desprende das ferramentas fabris e foca na
administração dos recursos da empresa.
Tabela 2: Níveis da Pirâmide de automação. fonte:https://www.logiquesistemas.com.br/blog/piramide-de-automacao-industria - adaptado pelo autor.

A Evolução da pirâmide de automação em tempos de 4ª. Revolução industrial

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Conforme a pirâmide de automação se apresenta consolidada nas indústrias, ocorre em paralelo uma
evolução onde os recursos sistêmicos (softwares, gerenciadores de banco de dados dentre outros
recursos tecnológicos) veem cada dia mais sendo disponibilizados para uso remoto, sendo assim a
pirâmide de automação está se transformando em um “pilar de automação”.

Um dos fatores determinantes para esta “evolução” está no fato das tecnologias de acesso, controle e
gestão de dados de forma remota, estão cada dia mais consolidadas e seguras com rotinas que permitam
a gestão segura das operações e armazenagem de dados.

Em tempos de 4ª. Revolução industrial, a gestão baseada nas informações mostra-se cada vez mais
essenciais para a sobrevida das empresas, exigindo assim uma maior complexidade de cruzamento de
dados entre os níveis de automação denotando, portanto, uma transformação digital que cada dia mais
exige que a conectividade entres estes níveis seja ágil, segura e precisa! Conforme podemos verificar na
figura 9:

Figura 9 : Transformação digital: pirâmide para pilar de informação. fonte: pesquisa https://www.linkedin.com/pulse/transformação-digital-
márcio-venturelli

A cadeia de suprimentos e distribuição, sem sombra de duvidas, também veem se beneficiando desta
transformação digital haja vista que cada vez mais os recursos disponíveis para a gestão dos processos
logísticos, em todo os momentos da cadeia, buscam atender a constante busca de recursos para uma
gestão da informação prática e assertiva dentro de um contexto de integração dos diversos níveis da
empresa, seja entre os níveis e até mesmo entre os parceiros participantes da cadeia logística da empresa.

Sistemas Especialistas – A evolução dos Sistemas Legados até os dias atuais (MRP | MÊS | SCADA |
PIM’s | ERP | CRM | E-PROCUREMENT...).

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“Vivemos a era da informação”, uma frase comum de se escutar ou ler nos dias atuais, mostra-se cada dia
mais uma verdade consolidada em nosso dia a dia. A disponibilidade de recursos e aplicação sistêmicas
hoje nos permite garantir agilidade na busca por dados e informações em frações de segundo na rede
mundial de computadores – a internet.

Mas nem sempre foi simples assim!

As empresas em muitos momentos em um passado não muito distante, precisaram “criar” o ambiente
necessário para permitir assim criar e garantir um fluxo de informações, mas ágil. Conforme foi
apresentado a cronologia de uso da tecnologia da informação no tópico “Evolução e importância do uso
de Ti nas empresas”, podemos perceber isso a medida que o foco da cadeia produtiva cada vez mais se
volta para a gestão da informação dos relacionamentos gerados tanto a partir dos momentos de
suprimentos (com enfoque empresa -fornecedor) quanto nos momentos de distribuição (com o enfoque
empresa-cliente).
Partindo da premissa que existe uma evolução cronológica no uso de recursos de tecnologia da
informação, observa-se que no momento em que as empresas buscaram tais recursos para uso na tomada
de decisão – através do uso dos sistemas SAD1 - Observa-se a busca pelo desenvolvimento de soluções
que permitam a integração das informações geradas ao longo de todos os níveis produtivos de uma
empresa para assim compor um modelo de gestão que venha perpetuar o legado e existência da empresa!
Portanto neste momento que o investimento em estruturar um modelo sistêmico, até então indisponível
no mercado, era um grande desafio para as empresas, surge a oportunidade para um perfil de profissional
até então escasso no mercado: o desenvolvedor de software ou programador de sistemas. Apesar de
escassez de plataformas e profissionais, muitas empresas viram na criação de um departamento de
processamento de dados, popularmente conhecido como CPD, o melhor modelo para estruturar um
sistema de informação consistente para apoio na gestão da empresa.
Esta contextualização mostra de forma histórica a definição do surgimento dos sistemas legados,
sistemas estes desenvolvidos para atender as necessidades especificas de uma empresa, com
características próprias e particularidades da cultura da empresa sendo plenamente atendidas!
Com a pulverização do uso de sistemas de informação, tendo com alicerce a consolidação da estratégia
de se montar um centro de desenvolvimento de sistemas dentro das empresa, surgem a oportunidade da
criação de empresas que foquem exclusivamente em soluções especificas para cada momento do
processo produtivo ( sistemas categorizados com especialistas) bem como empresas que desenvolvam
sistemas que possibilitem integrar todos os níveis de uma organização através de uma plataforma
baseada na integração entre o relacionamento de dados gerados, a partir dos sistemas de gerenciamento
de dados relacionais – os sistemas de banco de dados. Tendo como base de gestão de dados da empresa

1
Sistema de Apoio a tomada de decisão, um modelo baseado na análise de um grande número de
variáveis para apoio no posicionamento quanto a um determinado assunto ou questão.

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os gerenciadores de banco de dados, resulta no surgimento dos sistemas de gerenciamento de


informações de forma integrada, popularmente denominados de ERP.
A tabela 2 apresenta de forma sucinta a estruturação dos tipos de sistemas possíveis de serem
encontrados nos dias atuais e cada dia mais essenciais para atender a integração de todo o processo
produtivo e por consequência contribuir com evolução na gestão da cadeia de suprimentos e distribuição:

Tabela 3 : Tipos e foco de sistemas de informação.

Sistema Definição Objetivo primário Pontos críticos.


Sistemas desenvolvidos Garantir a gestão da • Dependência de uma
internamente pelas empresa através da única equipe (cpd)
empresas em geral em integração da • Baixo nível de
Sistemas
plataformas já consideradas informação dentro da evolução tecnológica
Legados
ultrapassadas pelo mercado empresa.
de desenvolvimento de
sistemas.
Sistema que possibilita a Garantir a integração • Custos de implantação
integração dos dados a das informações costumam ser elevados
partir de uma plataforma geradas dentro do • É essencial que seja
única que integra os mais fluxo produtivo da escolhida a solução
diversos tipos de sistemas empresa. Nos dias ERP a partir de um
Sistemas ERP
pertinentes e necessários atuais contribui ainda processo de avaliação
para uso nas empresas, nos para que ocorra uma envolvendo todos os
níveis operacional, tático e integração em um nível departamentos da
estratégico. colaborativo dentro e empresa
fora das empresas.
Sistema com foco no Garantir o • Estrutura de cadastro
planejamento das atendimento do necessita estar
necessidades de produção mercado consumidor perfeitamente criada
garantido a eficácia do da empresa, gerindo o dentro do sistema para
processo produtivo. Evoluiu processo produtivo contribuir com o
de um simples controle de dentro das processo de gestão
Sistemas MRP
lista de materiais para um expectativas desejadas
sistema que gerencia todo o
processo produtivo e
recursos envolvidos.

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Sistema Definição Objetivo primário Pontos críticos.


Sistema de planejamento de Sequenciamento do • Integração com demais
capacidade finita – processo produtivo a sistemas de
possibilita a organização das partir das ordens informação da
ordens de produção dentro geradas pelo MRP e empresa
de uma logica que contemplando as • Gestão das demandas
Sistemas APS
contemple o máximo de adversidades previstas e procedimentos de
situações adversas que como falta de paradas necessitam ser
forem identificadas dentro materiais, paradas para corretamente
do processo produtivo manutenção, dentre parametrizados no
outras sistema
Sistema que possibilita a Garantir que o • Integração com demais
gestão da eficiência e processo de produção sistemas de
eficácia das áreas de seja realizado dentro informação da
produção a partir dos dados dos níveis exigidos pela empresa
Sistemas MES
coletados no chão de fábrica empresa e possíveis de • Obsolescência do
e o cruzamento destes com serem alcançados parque de máquinas da
as metas e expectativas da pelos equipamentos empresa
empresa utilizados (máquinas)
Sistema de supervisão Garantir a gestão de • Estruturação do
controle e gerenciamento todo um processo de modelo de supervisão
de dados que possibilita o produção de forma exige que os recursos
gerenciamento de processos visual e interativa, que envolvidos sejam
Sistemas
produtivos de forma remota permita ao operador altamente capacitados
SCADA
sem comprometimento nos intervir de forma a operar as
controles e segurança dos objetiva em cada funcionalidades
recursos envolvidos momento do processo estruturadas no painel
produtivo de supervisão
Sistema que tem como foco Auxiliar o • A inserção de dados
o relacionamento com os departamento relacionados ao
clientes da empresa e os comercial da empresa processo de vendas é
mercados consumidores nas ações relacionadas essencial para que
Sistemas CRM desenvolvidos e trabalhados 2
ao “Funil de vendas ” sejam gerados os
pela empresa, possibilitando garantindo maior relatórios e indicadores
resultar em agilidade na efetividade e de performance mais
captação, manutenção e produtividade da assertivos e confiáveis.
fidelização dos clientes. equipe

2 Funil de vendas: Estrutura do processo de vendas à clientes do momento da prospecção de mercados até a fidelização do cliente, onde a medida que se
avança nos processos de vendas o volume de clientes vai “afunilando”até o efetivo fechamento do pedido e posterior manutenção de cliente.

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Sistema Definição Objetivo primário Pontos críticos.


Sistema com foco no Garantir que fluxo de • Resistencia cultural da
relacionamento da empresa trabalho no empresa;
• Estruturação sistêmica
com seus fornecedores. Visa departamento de
dos processos de
inicialmente atender compra seja fácil de ser compras com
demandas de compras que acompanhado bem hierarquias definidas
de aprovação para
Sistemas E- se mostram repetitivas e como dispor as
aprovação de compras
procurement dispendem grande volume ferramentas é sem duvida um ponto
de tempo por parte do necessárias para que a essencial a ser
comprador, evoluindo para gestão de compras contemplado na
implantação do
ações de gestão de compras contribua com a sistema.
mais eficaz dentro da lucratividade da
empresa empresa.

Além dos sistemas apresentados na tabela 2 ainda existem sistemas específicos para o apoio de toda a
gestão da cadeia de suprimentos e distribuição, desde a gestão do relacionamento entre os elos de
suprimentos e distribuição, bem como o gerenciamento e integração de informações na gestão do
transporte, estoques e rastreabilidade das mercadorias ao longo de toda a cadeia. Estes sistemas
específicos para atender a gestão logísticas serão abordados ao longo deste material principalmente os
sistemas de gerenciamento de armazém e gerenciamento de transporte.

Aplicabilidade da tecnologia nos dias atuais – a evolução do produto para serviços (Cloud e *AAS)
A necessidade de se manter integrado o fluxo de informações exige
que as empresas busquem cada dia mais recursos que possibilitem
que esta necessidade seja atendida de forma dinâmica e sem muita
“complexidade” de uso por parte dos profissionais envolvidos nos
processos produtivos da empresa.
Figura 10: Aplicabilidade do conceito *AAS

Sem sombra de dúvidas, a consolidação da internet a partir dos anos 2000, contribuiu em muito para o
surgimento de recursos tecnológicos que viessem ao encontro desta necessidade de integração de forma
ágil e dinâmica.

Muitas empresas de sistemas, hoje se identificando como provedores de soluções sistêmicas, observaram
os benefícios possíveis de serem alcançados com os recursos que surgiram com o advento da internet,
principalmente na gestão de dados e informação.

Dentre os benefícios oriundos da consolidação do uso da internet podemos destacar:


• A computação na “nuvem” ou cloud computing: Uso de recursos computacionais sem a
exigência de estruturação de plataformas tecnológicas complexas e dispendiosas por parte das

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empresas ou pessoas que buscam agilidade na gestão de dados e informação, permitindo assim
o acesso a partir de qualquer dispositivo conectado a internet e com acesso a plataforma que
esteja sendo utilizada no momento;
• Provedores de soluções *AAS: São empresas que oferecem às empresas, recursos tecnológicos
como serviço ao invés de um produto propriamente dito. Estes serviços podem ser sistemas
como serviço (SaaS - System as a Service), plataformas de desenvolvimento ( PaaS – Plataform
as a Service) ou até mesmo infra estrutura virtualizada como serviços ( IaaS – Infrastructure as
a Service) .

Bem importante registrar também que antes do advento e


consolidação da internet as empresa já buscavam a integração
de informações dentro de sua cadeia produtiva, com o uso da
troca eletrônica de dados através do EDI – Eletronic Data
Interchange, se utilizando de padrões pré estabelecidos de
layouts de arquivos, principalmente no fluxo de informações
definido como B2B ou business to business, através de
Figura 11: Fluxo EDI com uso de VAN's
integradores conhecidos como VAN – Value Added Network ou
rede de valor agregado que disponibilizavam serviços de “caixas postais” para troca destes arquivos
padronizados e previamente homologados entre as partes, permitindo assim a eficácia na troca de
informações nas áreas financeira, comercial e logística entre parceiros de negócios.

A 4ª Revolução Industrial – Fatores e Pilares essenciais para sua consolidação na empresa


Afinal o que vem a ser a 4ª. Revolução indústria?
Resposta: A 4ª. Revolução industrial s e caracteriza pelo compartilhamento de informações ao longo do
processo produtivo, graças ao uso de tecnologias de automação e troca de dados com apoio de sistemas
ciber físicos, o advento da internet das coisas e a computação em nuvem (Cloud Computing), facilitando
assim o surgimento das “Fabricas inteligentes” com baixa intervenção do homem ao longo de alguns
processos produtivos.A figura 12 apresenta a evolução da indústria ao longo das “Revoluções
industriais” que surgiram com os avanços tecnológicos realizados pelo homem:

Figura 12: Revolução industrial. Fonte: salesforce.com

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Cada período de evolução industrial apresenta características distintas a saber:


1ª. Revolução industrial: Período que o homem utiliza da energia gerada pelas máquinas movidas a vapor,
por volta de 1760 para acelerar o processo produtivo das indústrias, fomentou ainda a mecanização dos
mais diversos processos produtivos realizados pelos homens;
2ª. Revolução industrial: Com a descoberta da eletricidade e como gerá-la de forma segura e confiável, o
homem da um salto na qualidade e velocidade de produção, durante este período a partir de meados de
1800, o aprimoramento cientifico torna-se mas latente proporcionando assim a estruturação de métodos
científicos que passaram a ser adotados para contribuir com a evolução das indústrias;
3ª. Revolução Industrial: O marco inicial desta revolução pode ser assim definido com o desenvolvimento
da microeletrônica a partir dos anos de 1950, impulsionando o homem na busca de métodos produtivos
mais ágeis com aprimoramento dos equipamentos e recursos para coleta tratamento de dados gerando
informações de modo mais rápido para a tomada de decisão das empresas. Durante este período as
primeiras discussões sobre Inteligência artificial começam a ventilar no meio científico, impulsionando
assim o fenômeno que mais tarde veio a se consolidar como transformação digital.
4ª. Revolução Industrial: A melhor definição para a 4ª. Revolução industrial pode ser determinada por
um período onde o mundo esta mais conectado, portanto a busca pelo uso de recursos de forma mais
produtiva e inteligente impera no mundo, influenciando diversos setores além da indústria como a
economia, sociedade de modo geral e os relacionamentos comerciais entre empresas – em função dos
recursos tecnológicos disponíveis e possíveis de serem utilizados com maior velocidade, alcance e
impacto em todo o mundo com uma conectividade onipresente.

Os 9 pilares da Industria 4.0


A 4.a Revolução Industrial traz uma série de
tecnologias que permitem integram com mas
eficiência e eficácia os meios físicos e digitais,
gerando impactos em praticamente todos os tipos
de indústrias. Manter-se dentro deste espectro
denota ser essencial para a sobrevida de uma
indústria.
Porém é importante que as empresas
compreendam que está inserido em um contexto
de “Industria 4.0” requer a aderência de um
modelo baseado em alguns pilares que vem cada
vez mais alterando o perfil da produção industrial.
Figura 13: Pilares da industria 4.0

Estes pilares são:

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1. Big Data e Data Analytics: sistemas inteligentes que coletam e analisa uma gigantesca
quantidade de dados de diversas fontes permitindo assim o suporte necessário para o
aprimoramento do processo indústrial;
2. Robôs autônomos: Equipamentos com capacidade de trabalhar de forma inteligente com
interação entre máquinas sem a necessidade de uma supervisão humana direta;
3. Computação em Nuvem (Cloud computing): Integração total das plantas fabris através do
acesso em nuvem, permitindo o aumento da capacidade e velocidade de processamento;
4. Internet das Coisas (IdC ou IoT): Integração dos mais diversos tipos de tecnologias que possam
estar conectadas através da internet, basicamente tudo que acontece em uma indústria
classificada com indústria 4.0 possa ser trabalhada a distância com maior capacidade de tomada
de decisão em tempo real em todo o processo produtivo;
5. Simulação: Toda a cadeia produtiva pode ser simulada virtualmente seja no desenvolvimento de
produtos, testes simulados contribuindo assim para redução de custos com palhas e o tempo do
projeto;
6. Integração de Sistemas: Facilidade de integrar as diversas plataformas de sistemas utilizadas
pela indústria de forma a facilitar a análise de dados e a tomada de decisão;
7. Segurança Cibernética: Com uma gestão altamente conectada e integrada à internet, proteger
dados e sistemas é essencial e desafiador;
8. Impressão 3D: Utilizada para produção de peças customizada ou a prototipação de produtos
antes mesmo de serem colocados em produção, otimizando tempos de análise e custos de
desenvolvimento. Conhecida também como manufatura aditiva;
9. Realidade Aumentada: Possibilidade de visualizar um objeto e seu uso mesmo antes de ser
fabricado ou ainda realizar a assistência visual de forma virtualiza compete aos recursos oriundos
do conceito de realidade aumentada.
Segundo o Fórum Mundial Econômico em 2017 em artigo denominado ”Impact of the Fouth Industrial
Revolucion on Supply Chains” ressalta que: “O avanço da indústria 4.0 proporciona a criação de
novas cadeias de suprimentos, pois a conectividade gerada pela revolução abre novas formas de
integração entre as organizações”.

Figura 14: Impacto esperado da transformação digital na situação de custos nas empresas. Fonte: http://www3.weforum.org/

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Unidade II – Estratégias logísticas aplicadas cadeia de suprimentos e distribuição.

A Cada dia uma mercadoria precisa ser entregue ou mesmo coletada em algum ponto do país.
Seja com interesse comercial, político, filantrópico ou mesmo sem qualquer interesse aparente a
necessidade de deslocamento de pessoas e produtos de um ponto origem para um ponto destino
remonta ao início das civilizações. Dentro deste contexto emerge a necessidade cada dia mais latente, de
gerir estes “momentos” de deslocamentos bem como administrar os recursos que estejam assim
envolvidos.
Vive-se um período de incertezas e de constantes mudanças, onde a velocidade para adequação a um
novo cenário competitivo pressiona as empresas e entidades (públicas e privadas) a praticamente se
reinventarem dia a dia.
Dentro da cadeia de abastecimento transporte é a área-chave da cadeia de abastecimento. Independente
do modo ou a forma de transportar, o produto necessita sair de onde foi produzido e estar disponível
para o consumidor, gerando a necessidade de deslocamento e ser transportado dentro de um
determinado tempo e em condições de acondicionamento que não alterem a características do produto
para o consumidor final.
A seleção do melhor sistema ou serviço de transporte oferecido, depende de uma variedade de
características do serviço, variando da velocidade à assistência na solução de problemas.
Consequentemente, o custo do serviço, o tempo médio de trânsito (velocidade) e a variabilidade do
tempo em trânsito (confiabilidade) podem servir como base para a escolha do modal que mais atende a
necessidades de deslocamento de mercadorias da empresa.

A operação de transporte deve apresentar qualidade, buscando sempre atingir os seguintes objetivos:

• Entregar a carga intacta sem apresentar deformações nas embalagens;


• Entregar as mercadorias nos locais de destino dentro do prazo contratado e ou previsto;
• Entregar as mercadorias no local de destino e de maneira a facilitar o desembarque para o
cliente;
• Buscar sempre estar realizando o transporte de maneira organizada e produtiva, aprimorando
continuamente os processos de gestão visando cada vez mais a melhoria de tempos e prazos;
• Buscar sempre estar controlando os custos logísticos, para assim possibilitar apresentar serviços
de qualidade com preços competitivos.
A figura 9 apresenta da distribuição do uso dos modais de transporte no Brasil a partir de uma pesquisa
realizada pela ANP – Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis:

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Figura 15 : Distribuição do uso de modais no Brasil. Fonte: ANP

Modais de transporte – conceitos e práticas de mercado


Neste tópico estaremos apresentando os tipos de sistemas (modais) de transporte existentes e suas
características básicas.
A decisão na utilização de um modal ou outro, bem como a combinação de modais, deverá sempre ser o
resultado de estudos e análises de viabilidade no modelo estudado buscando sempre uma excelência de
transporte a custos mínimos aceitáveis:

Transporte Rodoviário
Sem dúvida alguma o modal mais utilizado no mercado brasileiro, este modal caracteriza-se pela utilização
de caminhões e utilitários para o deslocamento e transporte de mercadorias.

Neste tipo de modal encontramos muitas empresas especializadas desde o transporte de mercadorias,
empresas que transportam bens de consumo (alimentos, roupas, etc.), ou transporte de commodities
(combustíveis), passando por materiais químicos até mesmo o transporte de grandes equipamentos
(turbinas, geradores, etc.) não esquecendo inclusive do transporte de valores e cargas vivas.

O modal rodoviário oferece uma entrega razoavelmente rápida, tendo a vantagem de possibilitar o
transporte de pequenos lotes de mercadorias de maneira mais eficiente, possibilitando ainda estar

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consolidando pequenos lotes de mercadorias que possuam características comuns em apenas um tipo de
veículo - é o que fazem atualmente as empresas especializadas em transporte – Transportadoras e
Operadoras Terceirizadas de Transporte.

As vantagens inerentes de estar utilizando o meio rodoviário, principalmente caminhões e utilitários são:

• O serviço porta a porta;


• A frequência e disponibilidade destes tipos de veículos;
• A conveniência e velocidade para o transporte porta a porta;
• A grande quantidade de estradas existentes, ligando as cidades, estados e países.

Transporte Ferroviário
Basicamente o transporte ferroviário é um modal lento para transporte, utilizado principalmente no
transporte de matérias primas e materiais manufaturados de baixo valor agregado para longas distancias.

No modal ferroviário exige-se instalações específicas de carga e descarga tanto na origem quanto no
destino, sendo impossível por exemplo realizar a atividade de transporte com entrega porta a porta.
Existem duas formas de serviço ferroviário:

• O transportador regular: transportador que vende seus serviços para qualquer usuário, sendo
regulamentado em termos econômicos e de segurança pelo governo;

• O transportador privado: transportador que pertence a apenas um usuário, que utiliza deste
modal para uso exclusivo. Devido ao seu escopo específico e restrito, este último não necessita
de regulamentação econômica.

O modal ferroviário oferece diversos serviços e modalidades de transporte, porém no Brasil é mais comum
verificar a utilização deste tipo de modal para o transporte de grãos e cereais, minérios e combustíveis.

Uma das grandes vantagens do modal ferroviário consiste em estar transportando grandes quantidades
de um tipo de mercadoria (por exemplo: açúcar) a um custo menor pois, verifica-se que o frete ferroviário
é bem mais barato que o frete rodoviário, por exemplo.

Transporte Aeroviário
Transporte que vem crescendo em sua utilização nos últimos anos, principalmente por sua velocidade de
deslocamento do ponto origem para o ponto destino quando existem grandes distancias a serem
percorridas e o fator tempo é extremamente importante.
O Modal aeroviário também apresenta as formas de serviços contratados ou privados, podendo ser:

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• Transporte de passageiros e cargas - Linhas aéreas regulares: oferecem serviços de transporte


de passageiros e cargas regularmente programados;
• Transporte de cargas: Empresas aéreas especializadas apenas no transporte de cargas, maior
atividade concentrada no período noturno;
• Transporte de passageiros e serviços locais: Linhas aéreas regionais, fornecem serviços de
conexão de cidades menores para os centros maiores onde encontra-se o maior número de
linhas aéreas regulares operando;
• Transporte suplementar: Empresas especializadas em transporte específico – como transporte
de malotes e valores bem como empresas que trabalham com voos fretados;
• Táxis – Aéreo: Serviço realizado por empresas que possuem equipamentos de pequeno porte
como monomotores, oferecendo um tráfego secundário para passageiros e cargas entre áreas
do centro da cidade e aeroportos (por exemplo: o transporte de executivos por meio de
helicópteros), possuindo frequentemente serviços não regulares;
• Transporte internacional: São as linhas aéreas de vôos internacionais - empresas que
ultrapassam os limites continentais para transportar cargas e passageiros.
A confiança bem como a disposição dos serviços aéreos podem ser consideradas como boas, sob o prisma
de uma operação em condições normais.
Com a utilização de grandes aeronaves, o espaço físico destinado a carga tem crescido, mostrando uma
capacidade de transporte de carga superior a 100 t quando estamos falando de aeronaves tipo JUMBO,
destinadas somente a cargas. Considerando a capacidade de carga atualmente apresentadas pelas
aeronaves e a constante evolução tecnológica e programas de melhorias na produtividade, espera-se que
os custos da tonelada/distância portam a porta caiam até a metade dos níveis de custos atuais.

Transporte Aquaviário
Este modal caracteriza-se pela utilização de vias aquáticas (rios, mares), onde sua disponibilidade e
confiabilidade, principalmente quando falamos das vias fluviais, são fortemente influenciados pelo clima.
As mercadorias em sua grande maioria são transportadas em grandes barcaças, onde geralmente no Brasil
se transporta mercadorias a granel e líquidas.
Não podemos deixar de mencionar também o transporte de mercadorias entre os continentes através de
grandes navios como os petroleiros ou então os navios específicos para transporte de contêineres, onde
a característica deste ultimo e transportar as mercadorias já unitizadas em contêineres, onde resulta em
um mínimo de movimentações de mercadorias, viabilizando inclusive a transferência para outros tipos de
modais (caminhões, trens, barcaças fluviais) .
As aquovias fluviais (rios viáveis para a navegação com mercadorias e passageiros), são amplamente
utilizadas na região amazônica onde podemos encontrar barcaças transportando óleos e minérios,
pequenas embarcações de passageiros bem como balsas com contêineres ou caminhões carregados de
mercadorias (este último é exemplo uma combinação típica de 2 modais – rodoviários e aquaviário).

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Transporte Dutoviário

O transporte Dutoviário pode ser dividido em:


1 - Oleodutos, cujos produtos transportados são, em sua grande maioria: petróleo, óleo combustível,
gasolina, diesel, álcool, GLP, querosene e nafta, e outros.
2 - Minerodutos, cujos produtos transportados são: Sal-gema, Minério de ferro e Concentrado Fosfático.
3 - Gasodutos, cujo produto transportado é o gás natural.
Esta modalidade de transporte vem se revelando como uma das formas mais econômicas de transporte
para grandes volumes principalmente de óleo, gás natural e derivados, especialmente quando
comparados com os modais rodoviário e ferroviário.
O Transporte Dutoviário é normalmente constituído e operado pelas grandes empresas petrolíferas e
petroquímicas de cada país, principalmente pelo fato destas deterem os processos industriais e
comerciais das duas pontas do modal, que podem ser: exploração, exportação, importação, refino e
pontos de distribuição. Assim, muitas vezes há um único usuário desta infraestrutura. A recente abertura
deste mercado, em diversos países, faz com que a malha dutoviária passe a ser gerida como um modal de
transporte “comercial”, com tarifas específicas e exigências cada vez maiores. A malha dutoviária
brasileira é detida em sua quase totalidade pela Petrobras, sendo a maior parte dos seus dutos de
transporte e alguns dutos de transferência geridos pela subsidiária Transpetro.

A Cabotagem.
Quando o transporte de mercadorias é realizado entre portos marítimos de um mesmo país, sem que se
perca a costa marítima de vista, estamos realizando o transporte através do uso da cabotagem.
Este formato de transporte é muito interessante para o deslocamento de grandes volumes de
mercadorias com baixo impacto de custos e ambiental, uma vez que na realização do transporte estão
envolvidos um menor volume de equipamentos
quando se comparado ao transporte
exclusivamente rodoviário, por exemplo. O Brasil é
um dos poucos países no mundo que possibilitam a
navegação de cabotagem com a integração da
Navegação fluvial e marítima, visto que possui
bacias hidrográficas com desaguam no oceano com
características ideais de navegação (como a Bacia
Figura 16: Principais portos de cabotagem no Brasil. Fonte:
portogente.com.br
amazônica, por exemplo).

Desta maneira é possível abastecer com alimentos a região norte do país com produtos produzidos e
industrializados no sul e sudeste, enviando grandes volumes de carga através de um navio saindo de um
porto marítimo localizado no sul ou sudeste e chegar no porto fluvial de Belém (PA), Santana (AP) ou
Manaus (AM) por exemplo.

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Multimodalidade – conceito e aplicabilidade


Nos últimos anos, tem aumentado o uso do transporte por
mais de um modal. O crescente transporte internacional tem
sido a força direcionadora dos serviços intermodal, além é
claro dos benefícios econômicos evidentes.

A característica principal do serviço intermodal é a livre troca


de equipamentos entre os modais.
Por exemplo, uma carreta pode transportar um contêiner que posteriormente será içado para transporte
em um navio, ou ainda uma carreta ser transportada por uma balsa, ou ainda o mesmo contêiner utilizado
para o transporte aéreo ser posteriormente acondicionado em um caminhão para a finalização do trajeto
de entrega da mercadoria transportada.

O serviço intermodal apresenta também a necessidade de coordenação entre os modais envolvidos no


transporte das mercadorias, gerando um comprometimento entre os serviços oferecidos individualmente
pelos transportadores em cooperação.

Podemos citar algumas das possibilidades de combinações de serviços intermodais:


o Ferroviário e Rodoviário o Ferroviário e aquaviário; o Aéreo e ferroviário;
o Rodoviário e aquaviário; o Rodoviário e aéreo; o Aquaviário e Aéreo;

Afinal, qual o motivo para se utilizar mais de um modal?


A resposta para esta pergunta é bastante simples. Basta pensarmos que a utilização de mais de um modal
representa agregarmos vantagens de cada modal, que podem ser caracterizadas tanto pelo serviço,
quanto pelo custo.

Associado a estas possibilidades, deve-se considerar o valor agregado dos produtos a serem
transportados, bem como questões de segurança. Na figura 17 podemos verificar a comparação das
características de serviço entre os modais.

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Figura 17: Comparativos características serviços entre modais.

Por exemplo, o transporte rodo-ferroviário tem como vantagens em relação ao transporte rodoviário, o
custo baixo do transporte ferroviário para longas distâncias e da acessibilidade do transporte rodoviário.

Combinados eles permitem uma entrega na porta do cliente a um custo total menor e a um tempo
relativamente maior, buscando, portanto, um melhor equilíbrio na relação preço/serviço.

Se compararmos a competição entre a rodovia e ferrovia, podemos verificar que para uma determinada
distância e volume transportado, a utilização de mais de um modal é a forma mais eficiente de executar
a movimentação, como pode ser visto na figura 18, que foi desenvolvida pela ATA (American Trucking
Association) para demonstrar as características de distância e volume de maior competitividade do modal
rodoviário.

Figura 18:Comparação entre os modais rodoviário e ferroviário e a opção intermodal . Fonte: ATA - American Trucking
Association

No Brasil, esta tabela possui distorções consideráveis quanto a capacidade de competição da alternativa intermodal,
principalmente devido à infraestrutura existente e a própria regulamentação.

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Integração entre os Modais


Tecnicamente, a integração entre modais pode ocorrer
Você sabia:
entre vários modais (aéreo-rodoviário, ferroviário-
A EMBRAPA realizou um estudo de
rodoviário, aquaviário-ferroviário, aquaviário-rodoviário) escoamento da produção de milho e soja
ou ainda entre mais de dois modais. em todo o território nacional
(https://www.embrapa.br/macrologistic

Nestas operações, os terminais possuem papel a/caminhos-da-safra), onde é possível. l

fundamental na viabilidade econômica da alternativa. identificar os pontos de escoamento para


o mercado externo, com as
oportunidades de escoamento com
O mais preocupante é que são justamente os terminais, uma das principais barreiras ao desenvolvimento
combinação de modais.
do intermodalismo no Brasil.

Figura 19: Mapa interativo do escoamento de soja e milho. Fonte: Embrapa.br/macrologistica/caminhos-da-safra

Uma das principais técnicas utilizadas no intermodalismo, principalmente nos Estados Unidos, está
relacionada ao acoplamento entre modais. Focando a integração entre o modal rodoviário e o ferroviário,
este tipo de abordagem pode ser classificado da seguinte forma:
• Container on flatcar (COFC):Caracteriza-se pela colocação de um contêiner sobre um vagão
ferroviário. Também existe a possibilidade de posicionar dois contêineres sobre um vagão
(doublestack) para aumentar a produtividade da ferrovia. Nos Estados Unidos e Europa este tipo
de operação é comum. Entretanto no Brasil, para muitos trechos seria inviável, principalmente
devido às restrições de altura em túneis.
• Trailer on flatcar (TOFC):Também conhecido como piggyback, teve origem nos primórdios da
ferrovia americana. Consiste em colocar uma carreta (semirreboques) sobre um vagão
plataforma. Esta operação tem como principal benefício reduzir custos e tempo com transbordo
da carga entre os modais, evitando com isso, investimentos em equipamentos de movimentação
em terminais rodoferroviários.

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• Car less: Como o próprio nome sugere é uma tecnologia que não utiliza o vagão ferroviário
convencional. Consiste na adaptação de uma carreta que é acoplada a um vagão ferroviário
igualmente adaptado, conhecido como truck ferroviário.
Com este sistema pode ser criado um trem específico ou misto, ou seja, com outros tipos de vagões.
No Brasil, a legislação quanto ao uso da multimodalidade é amparado pela lei no 9.611 que define o
Operador de Transporte Multimodal de cargas – OTM, como sendo “a pessoal jurídica contratada pelo
principal embarcador para realizar o transporte multimodal de cargas, desde sua origem até o destino,
por meio próprios ou por intermédio de terceiros”. Desta forma empresas que operam com serviços de
multimodalidade realizam total intermediação quanto ao uso de recursos para escoamento de
mercadorias, emitindo um menor volume de documentos e gerenciando integralmente todo o processo
de transporte.
Mas eu posso realizar a combinação de uso de modais sem a intermediação de um OTM?
A resposta é SIM! Neste caso a diferença é que você estará operando de forma intermodal (contratando
individualmente cada tipo de modal) e não operando como multimodal (uma única contratação com uso
de múltiplos modais). Veja a tabela 04 abaixo:
Tabela 4: Características : Multimodalidade versus Intermodalidade

Tipo Característica
Multimodalidade Caracteriza se por multimodalidade a realização da entrega de uma mercadoria
até o destino final utilizando-se de mais de um modal de transporte, tendo
como responsável pelo mesmo um único transportador ou operador de
transporte (OTM) responsável também pela emissão de documento de
transporte.
Intermodalidade Caracteriza-se por intermodalidade a realização da entrega de uma mercadoria
até o destino final onde cada transportador emite seu documento de transporte
de forma independente, assumindo assim a responsabilidade pelo transporte.

Operador logístico - conceitos e práticas de mercado.


Muitas empresas não têm as operações logísticas como foco principal de atividades ou “core business”,
desta forma o operador logístico contribui como um recurso fundamental para garantir a qualidade na
execução dos processos logísticos para estas empresas.

De acordo com a ABOL - Associação Brasileira de Operadores Logísticos, define-se operador logístico como
“Operador Logístico é a pessoa jurídica capacitada a prestar, através de um ou mais contratos, por
meios próprios ou por intermédio de terceiros, os serviços de transporte (em qualquer modal),
armazenagem (em qualquer condição física ou regime fiscal) e gestão de estoque (utilizando sistemas
e tecnologia adequada)”.

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Em tempos de competitividade cada dia mais acirrada, onde a produtividade é fundamental para as
empresas, muitos questionamentos são colocados em reuniões como:
• Preciso executar totalmente minhas operações logísticas ou posso dispor de parceiros para e
executar e apenas gerenciar todo o processo?
• É possível reduzir custos sem comprometimento da qualidade dos serviços logísticos?
• É possível ter ganhos de produtividade com uso do operador logístico?
Estes e outros questionamentos surgem quando o assunto é buscar o apoio de terceiros para suprir as
deficiências das empresas na gestão e evolução de desempenho de seus respectivos processos logísticos
seja no momento de suprimentos ou no momento de distribuição.
De modo geral as empresas ainda buscam os operadores logísticos para atender a lacunas geradas em
dois momentos: no transporte e na armazenagem, porém o operador logístico pode atender mais do que
estas demandas!
Um operador logístico é capaz de atender a diversos tipos de demandas de serviços relacionados as
operações logísticas seja nas atividades de armazenagem, transporte ou mesmo e processos comerciais
como a intermediação de vendas, marketing e gestão de compras e estoques. Quanto maior o
envolvimento do operador logística junto a empresa este pode ser classificado como um perfil de
prestador logístico a saber:
• 1PL – First Party logistics: Quando a empresa assume a gestão e execução de todas as atividades
logísticas sem o apoio de terceiros;
• 2PL- Second party logistics: A Empresa contrasta um operador logístico para realizar as funções
logísticas tradicionais como transporte e distribuição;
• 3PL – Third party logistics: Neste formato o operador logístico assume todo o controle de
operações logísticas de armazenagem e distribuição com uma ampla atuação. Neste modelo
todas as atividades de logística interna são realizadas pelo operador logístico (movimentação,
conferência, separação, embalagem, gestão de estoque dentre outros)
• 4PL – Fourth party logistics: Neste modelo o prestador de serviços logísticos atua ainda mais
próximo com as demandas da empresa, se envolvendo inclusive nos processos de compra
incluído o contato com fornecedores realizando uma gestão mais completa de toda a cadeia
logística do cliente;
• 5PL – Fifth party logistics: O modelo mais avançado de atuação de um prestador de serviços
logisticos onde o foco é busca da otimização das operações logísticas com o apoio da tecnologia
da informação. Este modelo vem sendo largamente utilizado pelas empresas de e-commerce,
pois neste nível de relacionamento o prestador logístico pode avaliar o desempenho das
atividades logísticas realizadas e prover mudanças para ganhos de produtividade de lucratividade
da empresa

Juridicamente o Operador logísticos se enquadra no Brasil ainda se enquadra na figura de armazém


geral (DF 1.102/1903), onde através de um regime especial prevista na portaria CAT 31/2019 poderá

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operar como prestador de serviços logísticos. Porém este modelo exigido poderá ser substituído por
uma lei mais atualizada através do projeto de lei 3757/2020 que propõe regulamentar de forma correta
a atividade dos operadores logísticos no Brasil.
Nota do professor: O referido projeto de lei e tramita em regime ordinário nas comissões e tem caráter
conclusivo, ou seja, não há a necessidade de votação em plenário (pesquisa realizada em nov/2020).

Atividades logísticas de um operador logístico


A tabela xx apresenta de forma sucinta algumas das atividades possíveis de serem trabalhados por um
operador logístico:
Cadeia de suprimento Logística Interna Cadeia de Distribuição
• Gestão de fornecedores • Captação de pedidos • Gestão de redes de
• Gestão de compras • Roteirização de cargas distribuição
• Terceirização de produção • Separação de mercadorias • Fulfillment e Postponement
• Gestão de estoques (MP, PI, • Conferência de recebimento e • Gestão de operações
PA) expedição logísticas de e-commerce
• Gestão de inventários • Embalagem e formação de kits • Rastreabilidade de pedidos
• Gerenciamento de • Movimentação e • Logística Reversa de pos
indicadores de performance Armazenagem venda
• Transporte • Gestão de inventários • Trade Marketing
• Controle de qualidade • Gerenciamento de indicadores • Broker (vendas)
• Fulfillment e Postponement de performance • Gestão de transporte
• Operações de abastecimento • Rastreabilidade e controles de • Gestão de custos de
de linha de produção (JIT, vencimentos distribuição
Milk Run dentre outras) • Etiquetagem • Gerenciamento de indicadores
• Nacionalização de produtos de performance
• Operações de Crossdocking,
transit point

Logicamente que no ato da contratação de um operador logístico, a empresa necessita elencar as


atividades no qual deseja que operador logístico realize e assim, ocorra a formalização do contrato de
parceria contemplando do diretos e deveres de ambas as partes bem como o formato de remuneração e
periodicidade de pagamento sobre os serviços prestados.

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Estratégias de gerenciamento de estoques


O assunto gestão de estoques vem a cada dia mais tornando um assunto de suma importância para as
empresas independentemente do mercado em que atua. Neste contexto onde os mercados
consumidores mostram-se cada vez mais exigentes, não se permite mais que as empresas negligenciem
a forma como administrar o capital imobilizado nos estoques mantidos seja no ponto de produção ou
mesmo nos pontos mais próximos de distribuir a seus clientes.
Segundo Severino (2000) a importância de gestão de estoques e assim definido:
“O estoque é um dos elementos mais importantes num sistema logístico, correspondendo a uma
parcela significativa nos custos globais da organização e que representa na maioria das vezes,
um aporte de capital equivalente a todo o faturamento mensal da empresa. É um grande volume
de capital a ser administrado e nem sempre lhe é dada a devida atenção.”
Nos dias atuais cada vez mais se deve voltar à atenção para a qualidade dos serviços prestados aos
clientes, onde a eficácia na administração dos estoques afeta grandemente o nível de assistência a estes
clientes.
Na administração dos estoques são muitas as variáveis que devem ser levadas em conta, entre elas:
• Quais produtos devem ser estocados? • Como garantir a sua segurança?
• Qual volume estocar? • Como garantir o seu giro?
• Qual a localização ideal destes estoques?
Em resumo, os estoques servem para manter o nível adequado de assistência aos clientes e resguardar-
se quanto a sazonalidade das vendas.

Conceito de Estoque
Conceitualmente estoques correspondem aos volumes de matérias primas, insumos, componentes,
produtos em processo e produtos acabados que aparecem em numerosos pontos por todos os canais
logísticos.
Encontramos estoques frequentemente em armazéns, pátios, fábricas, veículos e prateleiras em lojas de
varejos.
Do ponto de vista logístico e financeiro, o gerenciamento cuidadoso dos níveis de estoques é necessário
para garantir tanto um fluxo adequado de mercadorias quanto um nível de rentabilidade apropriado.

Existem numerosos motivos pelos quais os estoques estão presentes em um canal de suprimentos, porém
nos últimos anos vem se criticando a manutenção de determinados níveis de estoques, considerados, aos
olhos dos novos paradigmas de produção, como sendo desnecessários e um tipo de desperdício.
Os principais motivos para a manutenção de estoques estão relacionados à:
• Necessidade de coordenação entre elos de uma cadeia de distribuição e de fases de um mesmo
processo de produção e distribuição,
• Ao fato de que essa coordenação não é perfeita, o que exige um “colchão de segurança” para
evitar rupturas, desabastecimentos ou interrupções nos fluxos normais de produção e
distribuição.

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Fica evidente que a completa eliminação de estoques é impossível.


Por outro lado, a manutenção de quantidades elevadas de estoque além de mascarar ineficiências na
coordenação entre elos e processos, esconde a necessidade de melhorias nos processos que reduziriam
a quantidade de estoques necessários.

Tipos de Estoque
Podem-se categorizar estoques em cinco formas distintas:
• Estoques dentro do canal: São os estoques que estão em trânsito entre os pontos de estocagem ou
de produção. O movimento não é instantâneo e, de acordo com a velocidade do deslocamento, as
distâncias a serem percorridas e diferentes estágios ao longo do processo, com desembaraço
aduaneiro de produto importado, há a necessidade de manutenção de uma quantidade de estoques
nos pontos de produção, distribuição ou vendas.
• Estoques mantidos para especulação: Matérias primas como cobre, ouro, prata são compradas
tanto para a especulação de preço quanto para satisfazer exigências de operação. Quando a
especulação do preço ocorre por períodos além das necessidades de operação previsíveis, os
estoques resultantes provavelmente são mais de interesse da gerência financeira do que da gerência
logística.
• Estoques de natureza regular ou cíclica: São necessários para satisfazer a demanda média durante
o tempo entre reabastecimentos sucessivos. A quantidade de estoques do ciclo é altamente
dependente dos tamanhos do lote da produção, das quantidades econômicas do embarque, das
limitações do espaço de estocagem, dos tempos de reabastecimento, das programações de
desconto da relação preço-quantidade e dos custos de manter estoques.
• Estoques de proteção ou segurança: Quando são gerados estoques para proteção da variabilidade
na demanda para o estoque e no tempo de reabastecimento. Esta medida preventiva ou estoque de
segurança são adicionais ao estoque regular que é necessário para satisfazer a demanda média e as
condições de prazo de entrega. De fato, se os tempos de entrega e de demanda pudessem ser
previstos com 100% de acuracidade, nenhum estoque de segurança seria necessário.
• Estoques obsoletos, morto, reduzidos ou avariados: Quando da impossibilidade de comercialização
da mercadoria estocada por motivo de deterioração, vencimento de prazo de validade, roubos ou
perdida quando mantida por um período muito longo de tempo resulta assim no estoque morto,
obsoleto reduzido ou ainda avariado. Quando os produtos são de valor elevado, perecíveis ou de
fácil roubo, precauções adicionais devem ser tomadas para minimizar a sua quantidade.

Formas de Estocagem
Dentro ainda de um contexto conceitual, é importante salientar que cada tipo de material a ser estocado,
apresenta características particulares quanto a controle, forma de armazenagem e correta
movimentação.
Neste contexto é importante apontar as formas como os materiais podem ser armazenados e assim
possibilitem gerar um melhor controle de sua qualidade e quantidade disponível. A seguir é apresentado
um quadro contendo algum dos tipos de estocagem:

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Forma de Característica de estocagem Tipos de materiais


Estocagem
Blocagem Alocação dos materiais em blocos de modo a Qualquer material que possua
formar um “bloco” para assim, condensar a área embalagem de contenção que seja
designada a manutenção do estoque, onde os possível de empilhamento até a
produtos mantidos na base do bloco sofrem resistência máxima da embalagem
maior pressão de carga, podendo gerar avaria
Estocagem Produtos alocados em locais construídos Cereais, Minérios e qualquer
em silos especialmente para contenção de produtos com produto que possa ser estocado
características de armazenagem a granel onde o em grandes quantidades
custo do produto não justifica o uso de
embalagens menores.
Estocagem Produtos são acondicionados em embalagens Produtos Estocados em “Big Bags”;
Unitizada unitizadoras que permitem a movimentação Paletizados; Contenerizados, onde
mais rápida do material dentro das áreas de a unitização contribuía para o
produção e armazenagem. Em geral este tipo de ganho de produtividade no
estocagem é resultado de estudos de resistência controle e movimentação do
e melhor ocupação do produto final em relação produto
ao tipo de embalagem.
Estocagem Estocagem de Produtos líquidos ou gasosos que Combustíveis, Água, Produtos
em tanques necessitam ser armazenados em grandes químicos ou qualquer tipo de
quantidades dispensando o uso de embalagens material que possua característica
intermediárias para seu uso e consumo física do tipo líquido ou gasoso
Estocagem Caracteriza pelo uso de estruturas para auxiliar o Qualquer material que possa ser
Verticalizada processo de estocagem, em geral o tipo de estocado com o apoio de
estrutura utilizada deve atender as necessidades unitizadores ou mesmo suas
de controle e movimentação de materiais além características físicas permitam a
de contribuir com a melhor produtividade dos verticalização como, por exemplo,
locais de estocagem tubos e chapas

Políticas e Filosofias de Estoque

Filosofias de estoque
Há duas filosofias básicas em torno das quais se desenvolve o gerenciamento de estoques:

A abordagem
de puxar A abordagem de
estoques; empurrar
estoques

Figura 20 : Filosofias de estoques.

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PUXAR ESTOQUE: Reabastece o estoque com os tamanhos de pedido baseado na necessidade específica
de cada canal.
A abordagem de puxar estoques prega a interdependência de todos os canais, a previsão da demanda e
a determinação das quantidades de reabastecimento são feitas considerando somente circunstâncias
locais, onde esta abordagem dá controle preciso sobre os níveis do estoque em cada localização.
EMPURRAR ESTOQUE: Aloca fornecimento a cada canal baseado na previsão de cada um deles.
Já a abordagem de empurrar estoques ocorre quando as decisões sobre cada estoque são feitas
independentemente, o sincronismo e os tamanhos de pedido do reabastecimento não estão
necessariamente bem coordenados com os tamanhos de lote de produção, as quantidades econômicas
de compra ou tamanho de pedidos mínimos.

Política de Estoques: Manter ou Não estoques?


É importante entendermos ainda as razões de se manter ou não estoques, onde diversas literaturas e
especialistas apontam prós e contras a necessidade de estoques.
Neste ponto é importante apresentar o panorama das duas visões existentes no mercado, onde o
eterno dilema é responder qual seria o melhor modelo.

Razões para manter estoques


Razões para manter estoques:
• Melhorar o serviço ao cliente: para que o • Redução dos custos de Transportes: Os custos
cliente não seja penalizado quando não de transporte podem ser frequentemente
encontra o produto que deseja, em virtude de reduzidos, quando as mercadorias são
uma falha de abastecimento de mercadorias, enviadas em maiores quantidades requerendo
os estoques fornecem um nível de assim um menor manuseio por unidade;
disponibilidade de produtos e serviços, os • Busca de ganhos por oportunidade: A compra
quais, quando localizados nas proximidades antecipada envolve a compra de quantidades
dos clientes, satisfazem suas exigências, adicionais dos produtos por um preço atual
possibilitando além de manter as vendas gerar mais baixo do que preços futuros mais
um aumento nas mesmas; elevados, principalmente se existe uma
• Melhoria no poder de negociação de expectativa de aumento dos preços no futuro,
compras: quando a empresa busca descontos algum estoque resultante de uma compra
e bonificações, recorrem à compra de grandes antecipada se justifica;
lotes de mercadorias, buscando a redução do • Sazonalidade do mercado em relação à
custo unitário da mercadoria ou mesmo obter produção: As variações nos tempos de
um ganho de competitividade em caso de um produção e transporte, ao longo do canal
aumento futuro, por exemplo. O custo de operacional, podem gerar incertezas que
manter estes tipos de negociação deve ser impactam em custo operacionais elevados
compensado pelo preço baixo pelo qual a bem como comprometimento dos níveis de
mercadoria foi obtida; serviços para os clientes.

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• Distúrbios que podem prejudicar o canal contra as quais o estoque pode ser um recurso
logístico: Greves de trabalhadores, de proteção. Possuir um estoque possibilita
transportadores, desastres naturais, atrasos continuar a operação normalmente por um
de suprimentos são tipos de contingências período de tempo até que o distúrbio diminua.

Razões para não manter estoques


Seguindo uma linha contrária, muitas abordagens gerenciais pregam que a manutenção de estoques
elevados é prejudicial, já que estoques elevados facilitam ou mascaram o trabalho de gerência, isto
porque é mais fácil de se trabalhar quando se tem a segurança de possuir estoques. Os críticos desafiam
a manutenção de estoques ao longo de diversas linhas, porque:
• Estoques são desperdícios: Pois absorvem um decisões integradas, evitando assim o
capital que poderia ser destinado a usos planejamento e a coordenação pelos diversos
melhores, como para melhorar a produtividade elos do canal ao mesmo tempo.
ou a competitividade, não contribuindo com • Manter estoques promove perdas: Na maioria
valores diretos aos produtos da empresa, das empresas que utilizam a pratica de manter
embora estoque valor. estoques elevados, os níveis de avarias causadas
• Mascaram problemas de qualidade: Quando por falta de gerenciamento, armazenagem
problemas de qualidade aparecem, a tendência é incorreta, infestação de pragas e pestes,
desovar estoques existentes para proteger o descaracterização da qualidade do produto
investimento do capital. A correção do problema (alteração de sabor, roubos, vencimento entre
de qualidade pode ser lenta; outros), geram perdas consideráveis de capital
• Estoques promovem o distanciamento entre os que muitas vezes não são passíveis de
elos do canal logístico: a manutenção de estoque negociação ou indenização junto aos
possibilita muitas vezes isolar um estágio do fornecedores.
canal de outro, impossibilitando as tomadas de

Gerenciamento de Estoques
O desempenho no gerenciamento de estoques pode e deve ser mensurado para que a empresa detenha
total domínio sobre este o logístico.

Portanto, os indicadores de gestão de estoque são necessários para acompanhamento como, por
exemplo:

• Índice de Faltas • Índice de Cobertura do • Índice de Prováveis Faltas


• Índice de Aderência Estoque
• Índice de Cortes • Índice de Excessos

A Seguir são apresentadas as fórmulas de cálculos de alguns tipos de indicadores possíveis de serem
implementados para acompanhar o desempenho dos estoques:

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O índice de faltas é obtido através da análise de atendimento do pedido através da seguinte formula:

O Índice de Aderência é obtido através da análise da aderência do estoque às solicitações de pedidos


colocados pela equipe de vendas podendo ser expressa assim

Índice de Aderência = 1- índice de faltas

O índice de cortes: obtido com base no valor perdido resultante do corte de itens em relação ao pedido
de vendas colocados expresso assim:

Esse índice considera também, não só o item, mas a quantidade envolvida na venda e no corte. Ambos
têm sua utilidade, e devem ser avaliados isoladamente bem como em conjunto.

O índice de cobertura n é obtido com base no relatório proposto anteriormente dado pela seguinte
formula:

O índice de cobertura reflete a realidade do item estocado em relação ao giro o que poderá identificar,
por exemplo, um volume elevado de capital parado em estoque, a menos que seja uma estratégia para
ocorrências ocasionais como sazonalidades e tendências à falta do produto no mercado.

Esse índice é conflitante com o índice de faltas, porque podemos torná-lo pequeno aumentando o período
de cobertura, o que não é uma boa iniciativa.

Por outro lado, reduzindo-se o período de cobertura corre-se o risco de aumentar muito o índice de faltas,
que também não é uma boa situação. O ideal, portanto, é exatamente o equilíbrio, obtido da correta
administração desse processo. Essa administração pode ser auxiliada por dois outros índices:

O índice de excessos: Índice que possibilita identificar o percentual em excesso de estoque com base na
premissa de volume médio de estoques por grupo de produtos (família) e

O índice de prováveis faltas: Índice que possibilita identificar o percentual em falta de estoque com
base na premissa de volume médio de estoques por grupo de produtos (família)

Por exemplo:

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Determinando-se que para certa família de produtos o período de cobertura de estoque seja de 7 dias.

Portanto:

Indicadores de custos em estoques


Outro aspecto importante na gestão de estoques refere-se ao impacto nos custos da empresa que o
estoque pode vir a causar. Neste contexto podemos dividir basicamente em três categorias:

• Custos de aquisição: São relacionados à forma como é obtida e mercadoria para garantir o
processo produtivo da empresa, seja este produção ou mesmo somente comercialização, sendo
envolvidos na formação deste custo os custos gerados para preparação, processamento,
transmissão do pedido de compra propriamente dito, podendo incluir ainda custos com manuseio
no ponto de processamento, custos de transporte
• Custos de Falta de estoques: Pior do que se ter estoques em excesso é não possuir o material no
momento que se precisa, ou seja, sobra o que não precisa e falta o que precisa! Neste caso o fator
primordial não é o que se falta, mas sim o que se deixou de ganhar! Quanto custa para a imagem
de a empresa prometer e não cumprir com o combinado com cliente? Custa muito caro! Portando
uma forma de mensurar ou mesmo quantificar o nível deste tipo de impacto é acompanhar o
indicador, por exemplo, de vendas perdidas ou então o tempo de atraso no atendimento de
pedidos de clientes.
• Custos de manutenção: Os custos de manutenção são aqueles decorrentes da necessidade de
manter o estoque disponível. Engloba a formação deste custo os custos com espaço (ocupação
do local de armazenagem); custo de capital (valor financeiro imobilizado em estoque); Custos de
serviços (impostos e seguros); Custo de risco de estocagem (roubos, obsolescência, danos,
deterioração).

Uma boa gestão de estoques ao longo de todo o canal logístico mostra-se como um dos fatores críticos
de sucesso para o gestor da cadeia de suprimentos e distribuição.
A busca pelo equilíbrio entre volumes de matérias primas, insumos, embalagens, produtos semiacabados
e produtos acabados necessita ser uma constante para os gestores visto o impacto financeiro e de
qualidade que uma gestão negligenciada pode causar.

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Unidade III - Movimentação, Armazenagem e equipamentos


Ao longo de toda a cadeia de suprimentos e distribuição ocorrem eventos de movimentação e
armazenagem de mercadorias, isto é um fato! Para manter-se competitiva a empresa precisa estas ações
de movimentação e armazenagem sejam sincronizadas de tal modo que todo o processo resulte em
ganhos de produtividade e otimização de recursos sem que haja comprometimento na qualidade do
serviço e dos materiais que estejam sendo trabalhados na movimentação ou na armazenagem.

Conceito e Princípios
Conceituamos movimentação como o processo referente aos deslocamentos de materiais e
equipamentos realizados para atender a uma necessidade específica, portanto conceituar movimentação
e armazenagem é afirmar que o produto posicionado em um ponto definido como inicial (recebimento
por exemplo) necessita ser alocado em uma posição destino seja para uso ou somente armazenagem,
onde o deslocamento realizado será realizado com fluxos de movimentação pré-determinados pelas
características físicas do prédio e o arranjo de layout definido pela organização.

A Armazenagem conceitualmente será resultado de uma movimentação realizado pois se o produto e


recebido conferido e liberado para ser armazenado ou utilizado, portanto este necessita ser
movimentado. Desta forma a movimentação e armazenagem deverá sempre ser realizada de forma
planejada visando manipular o menor número de vezes possível o produto buscando realizar um fluxo
contínuo e progressivo da maneira mais produtiva.

Fluxos de movimentação de materiais


É importante compreendermos a necessidade de serem delimitas as áreas destinadas a entrada, saída,
movimentação e armazenagem dos materiais, pois uma vez identificados seus posicionamentos, torna-
se possível implementar um melhor fluxo logístico que contemple as características dos materiais
movimentados e os espaços físicos destinados a cada momento do fluxo logístico.

Identificam-se assim três formas de realizar um fluxo produtivo de movimentação e armazenagem:


Fluxo em “U”: Ocorre quando as áreas de
recebimento e expedição estão posicionadas
lado a lado, facilitando assim as rotinas de
redespacho (cross docking) contribuindo ainda
para reduzir o fluxo tanto no recebimento
quanto na expedição.

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Fluxo em “I”: Ocorre principalmente em


plantas fabris e em organizações que o
produto sofre algum tipo de
transformação, onde o recebimento ocorre
em uma extremidade do prédio, passa por
uma etapa de produção e estocagem para
depois ser direcionada para as áreas de
expedição.

Fluxo em “L”: normalmente este tipo de


fluxo e implantado quando ocorrem
imposições físicas de prédio ou terreno
principalmente na alocação das áreas de
recebimento e expedição.

Layout como facilitador da movimentação e armazenagem


Considerando a Movimentação e Armazenagem, o layout representa a disposição dos corredores, áreas
de produção, docas e estruturas. A combinação entre instalações, mercadorias, mão-de-obra,
equipamentos e serviços visam proporcionar o mínimo de trabalho de transporte e qualidade das
operações ao mínimo custo.

Há maior sucesso quando o projeto e definição do layout são realizados antes da construção, pois assim,
a configuração do prédio é ideal em relação ao projeto escolhido.

O layout determina a eficiência da movimentação de materiais, afetando o desempenho das atividades


logísticas.

O layout deve reunir as seguintes características:

• Proporcionar um fluxo contínuo e linear de • Áreas específicas para alocação de produtos


pessoas e equipamentos que estão chegando ou saindo da organização
• Padronizar os espaços físicos de acordo com o • Área de conferência e embalagem isolada,
tipo de armazenagem e não com o tipo de evitando que esta interfira o fluxo de separação
produto ou fornecedor e movimentação dos produtos.

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• Ter um espaço de circulação bem projetado, • Aproveitar o espaço verticalmente,


com corredores dimensionados para a contribuindo para descongestionamento das
operação de paleteiras e empilhadeiras. áreas de passagem e reduzindo o custo de
• Combinar e eliminar os movimentos ao armazenagem.
máximo, seguindo o fluxo logístico.

O conceito de Endereçamento
O endereçamento contribui para a melhoria na administração do fluxo de materiais e o melhor
aproveitamento dos locais de armazenagem possibilitando manter um local limpo, seguro e bem
identificado e muito bem aproveitado.

Portanto poucas decisões possuem maior importância para melhoria do fluxo logístico dentro da
organização do que a definição da melhor estratégia de endereçamento que devera servir de suporte para
o fluxo de pessoas e materiais dentro das áreas de armazenagem.

A título de curiosidade é comum identificar um custo de movimentação e armazenagem entre 10% a 30%
superiores aos que deveriam ser em função da falta de comprometimento em relação ao endereçamento
dos estoques.

Conceitualmente endereçamento é a ação ou prática de inserir uma coordenada para agilizar o processo
de localização; manter uma referência de fácil identificação.

Além disso, a aplicação do conceito de endereçamento contribui para o aumento da produtividade em


atividades como separação movimentação e armazenagem.

Sendo o endereçamento implementado de forma planejada possibilita definir e acompanhar:


• O tipo de área para estocagem mais adequada para cada tipo de produto;
• A distribuição de espaços em função do volume de armazenagem para cada tipo de produto;

O modelo ideal de endereçamento é resultado de um procedimento de análise considerando fatores


como:

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Dados de característica dos Popularidade do produto em


produtos e materiais; relação à entrada de materiais;

Endereçamento

Popularidade do produto em Particularidades de manuseio e


relação à saída de materiais; armazenagem;

Figura 21: Fatores essenciais para um bom endereçamento de materiais

O processo de endereçamento para ser eficiente deve ser definido de forma a atender as necessidades
de controle dos fluxos logísticos amparado por uma base de informações contendo dados abrangentes e
precisos que reflitam a realidade do material a ser movimentado e armazenado.

Tendo em consideração sua importante relevância nos fluxos e processos logísticos o endereçamento
deve ser encarado pela organização como parte da uma estratégia de otimização logística possuindo
como objetivo:

• Otimizar espaços; • Minimizar perdas por avaria ou roubo;


• Racionalizar equipamentos e recursos • Melhorar a administração dos materiais;
humanos; • Contribuir para melhora os níveis de serviços
• Minimizar custos de movimentação e realizados na Central de Distribuição
separação de mercadorias;

Estrutura básica de endereçamento - a codificação


A base de apoio para implementação eficaz de um processo de endereçamento está diretamente
relacionada às definições tomadas pela organização em relação ao fluxo logístico existente na
organização.
O formato de codificação utilizado endereçamento é de extrema importância neste processo, pois o
modelo a ser implementado deve ser de fácil compreensão e leitura para todos os envolvidos nos fluxos
logísticos focando sempre em um formato padrão no modelo de endereçamento definido.

De acordo com as definições da organização o formato de endereçamento poderá ser:


Tabela 5: Tipos de estrutura de códigos para uso no endereçamento
Formato Característica
Alfabético Quando a organização opta por utilizar na formatação do endereçamento as
coordenadas contém somente letras para identificar os locais de

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movimentação, armazenagem das mercadorias e áreas de acessos restritos ou


ambientes que necessite de controle de temperatura.
Numérico Quando a organização opta por utilizar na formatação do endereçamento as
coordenadas contém somente números para identificar os locais de
movimentação, armazenagem das mercadorias e áreas de acessos restritos ou
ambientes que necessitem de controle de temperatura.
Alfa numérico Quando a organização opta por utilizar na formatação do
endereçamento as coordenadas contém múmeros e letras para
identificar os locais de movimentação, armazenagem das mercadorias e
áreas de acessos restritos ou ambientes que necessitem de controle de
temperatura.

Critérios de Localização dos materiais

É importante para organização após a definição da sistemática de endereçamento buscar otimizar a


utilização dos recursos envolvidos visando melhorar a produtividade do fluxo logístico, objetivo este de
fácil alcance quando estão sendo considerados fatores como:
• Critérios de Localização: Minimizar movimentações de produtos que comprometem por muito
tempo equipamentos e/ou recursos humanos sem que agreguem qualquer tipo de valor para a
organização principalmente nos momentos de carga e descarga das mercadorias;
• Critérios de Verticalização: Sempre que possível realizar o aproveitamento do espaço vertical
com a instalação de estruturas de armazenagem, mezaninos sobre áreas de carga e descarga,
maximizando assim o aproveitamento do espaço cúbico do armazém;
• Critério de Identificação: Utilizar recursos visuais para facilitar a compreensão e identificação
das áreas de movimentação e armazenagem das mercadorias;
• Critérios de ambiente: Produtos com características de armazenagem como grau de
contaminação, contamináveis ou com necessidade de ambientes controlados devem ser
armazenados em locais que mantenha intacta suas características necessárias para uso e/ou
comercialização.

Uma vez que os locais de movimentação e armazenagem estão devidamente identificados e existe na
organização um controle que possibilite associar a cada etapa do fluxo do material um endereço ou
localização é possível realizar um acompanhamento histórico de cada fase desta movimentação
viabilizando assim identificar o “rastro” que o produto deixa dentro da organização.

Este “rastro” permite a organização identificar de forma precisa e eficiente os caminhos que o
produto percorreu, a esta possibilidade de acompanhamento é dado o nome de rastreabilidade.

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O controle baseado na tecnologia da informação que possibilita este rastreamento, desde que o sistema
de informação utilizado contemple a armazenagem das referencias de localização do produto em cada
etapa de sua movimentação, gerando assim uma matriz de controle que viabilize a localização
procedência e destino do produto.

As possibilidades de rastreabilidade do produto são das mais variadas e de acordo com a necessidade de
controle que a organização busca possuir, o produto pode ser rastreado não somente pelo seu fluxo de
movimentação e armazenagem, mas a partir o lote de produção ou número de série do produto
possibilitando o acompanhamento por toda a cadeia logística.

Inventário – garantia da gestão quantitativa e qualitativa dos estoques


O processo de inventário consiste basicamente em realizar rotinas de auditoria e
verificação para identificar possíveis rupturas ou problemas que os estoques existentes possam
estar apresentados.
Porém o processo de inventario deve ser encarado pela organização como um processo
indispensável pois pode disponibilizar informações que possibilitem serem tomadas ações tanto
corretivas quanto preventivas para que os produtos estocados não venham a gerar prejuízos
para a organização.

Formas de inventário

Na maioria das vezes procedimentos de inventário possibilitam amparar o gestor das


informações necessárias para que isso ocorra. Sendo assim identificamos as seguintes metodologias e
práticas de inventário:

• Inventário periódico: ocorrem em intervalos distintos e regulares tendo como principal


finalidade realizar a checagem e auditoria dos produtos fisicamente armazenados com os dados
constantes nas ferramentas de controle e gestão de estoques. Geralmente este tipo de rotina de
inventário é realizado sem que a organização possa efetuar qualquer tipo de atividade comercial
ou produtiva;
• Inventário corretivo: ocorre quando é identificado algum tipo de problema em um determinado
produto específico e para que sejam solucionados os problemas a organização necessita realizar
a contagem e auditagem somente do produto com problema.
• Inventário cíclico: Ocorre quando a organização determina um modelo de contagem baseado
em parâmetros que possibilitem serem realizadas rotinas de inventários constantes, sem que
estas possam vir a comprometer os demais processos logísticos realizados diariamente pela
organização. Neste modelo ocorre a contagem de um certo numero de itens dentro de uma
frequência pré-estabelecida.

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Com a utilização cada dia mais constante de sistemas de gestão integrado a tecnologia de informação,
torna-se cada vez mais indispensável o uso destes recursos para apoiar nos processos de inventários.

Recursos como coletores de dados por rádio frequência, sistemas de gerenciamento de armazém,
módulos de gerenciamento de inventário dentre outros possibilitam reduzir o tempo de resposta dos
processos de inventario onde já em alguns casos pode-se acompanhar em tempo real os processos de
contagem e identificar o momento exato que um problema surgiu identificado não somente as
consequências mas principalmente as causas e assim agir de forma eficiente e eficaz para corrigir e
também coibir incidências futuras.

Equipamentos de Movimentação e Armazenagem


É importante ressaltar que o tipo de estrutura e equipamento a serem utilizados em uma área de
armazenagem deve estar sendo escolhidos de acordo com as análises das necessidades presentes e
futuras de movimentação e armazenagem da empresa.

Para a melhor seleção de equipamentos de armazenagem, por exemplo, se faz necessário realizar análise
com relação à movimentação das mercadorias em unidades de movimentação (geralmente em paletes).
As estruturas de armazenagem atende aos mais diversos tipos de mercadorias onde cada modelo
apresentado pelos fornecedores atende com maior eficácia a uma característica específica de
armazenagem ou produto.

Abaixo apresentamos alguns tipos de estruturas que mais são utilizadas na área de logística:
Palete: Unidade básica de unitização de cargas
amplamente difundido no mercado
Permite a movimentação mecanizada de

produtos com uma alta produtividade e a um

baixo custo por unidade movimentada

Figura 22 : Palete pbr

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Estantes

São as tradicionais cantoneiras metálicas,


constituídas por colunas e Perfis de chapa de aço
dobradas perfuradas continuamente e por
prateleiras, estas também em chapa de aço
dobrada com posição regulável na altura. Este
sistema de armazenagem é uma alternativa de
estocagem mais antiga e ainda mais popular para
a separação de pedidos de pequenas peças,
possui a vantagem de serem fáceis de
reconfigurar e instalar, requerendo pouca Figura 23: Estanterias
manutenção. Como uma das desvantagens é o
baixo aproveitamento das dimensões internas da
estanteria, sendo comumente subtilizadas neste
tipo de estrutura de armazenagem.

Porta Palete Convencional


Trata-se de uma estrutura pesada, onde as prateleiras são
substituídas por um plano de carga, constituído por um par
de vigas, que se encaixam nas colunas com possibilidade de
regulagem na altura. A maior desvantagem de uma estrutura
porta palete é a quantidade de espaço reservada para os
corredores – geralmente de 50% a 60% do espaço de piso
disponível. Como vantagem na utilização deste tipo de
estrutura de armazenagem o acesso é fácil e total às
mercadorias armazenadas, podendo esta estrutura ser
utilizadas para todos os tipos de mercadorias, apresentando

Figura 24: Porta Palete


um custo reduzido por posição palete, aproveita ainda do
espaço vertical disponível nas áreas de armazenagem. O porta
palete convencional pode ser considerado como um
benchmark como padrão para os outros sistemas em termos
de desvantagens e vantagens sendo sempre encontrada na
maioria dos depósitos, armazéns ou centros de distribuição
que se utilizam da verticalização de estoques.

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Porta Palete dupla profundidade


A estrutura porta-paletes com dupla profundidade é idêntica
à estrutura porta-paletes no que se refere à forma
construtiva, diferindo unicamente quanto à sua disposição:
Conjuntos monos-frontais duplos entremeados por
conjuntos bi frontal quádruplos. A vantagem para este tipo
de estrutura é que menos corredores são necessários, uma
vez que a estrutura suporta duas posições paletes de
profundidade, chegando a uma economia de 50 % de espaço

Figura 25: Porta Palete Dupla de corredor, quando comparamos com o porta palete de
Profundidade profundidade simples. Uma vez que os paletes são estocados
de dois em dois, exige-se a utilização de uma empilhadeira de
maior alcance (empilhadeiras pantográficas de garfo)

Drive-In e Drive-Thru
“Drive-In” é um sistema constituído de estruturas não
separadas por corredores intermediários. As
empilhadeiras movimentam-se dentro da própria, ao
longo de “Ruas” não há vigas bloqueando o acesso da
máquina para depositar ou retirar as cargas. Os paletes
são apoiados sobre braços em balanço, fixados nos
montantes. Este tipo de estrutura de armazenagem
mostra-se vantajoso de ser utiliza para itens de giro baixo
a médio que necessitam de um estoque disponível de 12
ou mais paletes. Uma desvantagem apresentada neste
tipo de estrutura é a redução da velocidade de transito e
movimentação das empilhadeiras para garantir maior
segurança dentro das colunas das estruturas A principal
Figura 26: Drive in Drive Tru
diferença entre as estruturas Drive in e Drive thru está
no modo de acesso a estes equipamentos de
armazenagem, enquanto no drive in o acesso se faz
somente por um extremo da estrutura, no drive thru a
movimentação é realizada pelos dois extremos.

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Cantilever
O sistema de cantilever é ideal para armazenar produtos
de dimensões, formas, volumes e pesos variados, tais
como (tubos metálicos ou PVC, madeira, móveis, entre
outros...). Constituído de cavaletes formados por colunas
perfuradas onde se encaixam braços em balanço,
possibilitando ainda alturas reguláveis. Como vantagem
podemos citar a facilidade de entrada e saída de
mercadorias compridas e de dimensões irregulares não
apresentando limitação lateral de carga. As estruturas
tipo cantilever apresentam limitações, exigindo, por
exemplo, reforço no piso e a utilização de empilhadeiras

Figura 27: Catilever laterais, para aproveitamento da área de corredores.

Racks
O emprego de racks na indústria de distribuição tem sido um fator
de grande desenvolvimento, devido às suas grandes vantagens do
ponto de vista de volume de armazenagem disponível com estas
instalações. Esta estrutura é formada geralmente por um palete de
madeira provido de estruturas montantes em chapas de aço ligadas
a ele. Estes montantes são portáteis e permitem que se utilize do
empilhamento – palete sobre palete – dispensando a utilização de Figura 28: Rack
estruturas fixas de armazenagem o que se mostra vantajoso quando
não se justifica a necessidade de tais estruturas além de serem
facilmente desmontados.

Mezaninos
É um sistema em plataforma livre ou montado sobre
suportes ou estanteria, altos o suficiente para permitir a
estocagem ou outra atividade sob a mesma. A principal
vantagem da utilização de mezaninos e grande concentração
de diversos tipos de mercadorias em uma área de
armazenagem, possibilitando assim a melhor utilização das
áreas de armazenagem. A principal característica de um
projeto para um mezanino é a adequação correta do tipo de
estrutura a ser utilizada em relação à carga de mercadorias.

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Estruturas Dinâmicas “Push Back”

Sistema de armazenagem que permite a


armazenagem do tipo “ultimo a entrar - primeiro a
sair” mais conhecido como LIFO (Last In First Out),
geralmente utilizados onde se deseja alta densidade
de armazenagem, onde a estrutura possui uma
bandeja de roletes que possibilita o deslocamento do
palete dentro da área de armazenagem. Uma
vantagem deste sistema de armazenagem em
relação ao Drive in é que não se faz necessária a

Figura 29: Estrutura Dinâmica movimentação dentro da estrutura e não existe


perda de espaço vertical.

Estruturas porta paletes Deslizantes.

Essencialmente este tipo de estrutura é caracterizado por


apoiar sobre rodas ou trilhos permitindo que uma fileira
completa da estrutura se desloque longitudinalmente, por
meio de motores instalados nas estruturas. Basicamente o
acesso a uma especifica fileira de estocagem é alcançado
movendo a fileira adjacente e criando um corredor na frente
da fileira desejada. Esta estrutura em locais onde o espaço é
restrito para a estocagem de mercadorias e que possuam
alto valor agregado e baixo giro. Possuem pouca flexibilidade Figura 30: Porta Palete Deslizante

de layout, e são contra indicadas em caso de alto giro.

Estrutura Auto-portantes.
Estrutura com a característica de permitir uma
estocagem de produtos a grandes alturas, onde
a própria estrutura de armazenagem é utilizada
para fechamento do prédio. Sua
operacionalidade se dá por meio de
transelevadores, podendo ainda ser
operacionalizados por empilhadeiras trilaterais.

Os Auto-portantes possuem a vantagem de


melhor aproveitamento do espaço vertical com
baixo investimento em obras, porém com o
Figura 31: Estrutura Auto Portante
inconveniente do custo inicial por posição palete ser maior
que nas estruturas convencionais.

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Equipamentos de Movimentação
Abaixo apresentamos alguns equipamentos de movimentação que são utilizados na maioria das empresas
que operam utilizando os conceitos logísticos de movimentação e armazenagem aplicados atualmente na
cadeia de abastecimento.

Paleteira manuais: Equipamento utilizado para transportar o


palete contendo mercadorias, dentro do Centro de Distribuição.
Possui um baixo custo de aquisição e manutenção, porém exigem
considerável esforço físico para sua operação (deslocamento por
tração humana). As paleteiras são utilizadas em larga escala tanto
nos processos de separação de pedidos nos locais de
armazenagem como também nos processos de recebimento e
deslocamento de mercadorias nas áreas de armazenagem.

Empilhadeira: Equipamento utilizado para


acondicionar e ou retirar os Paletes de
mercadorias acondicionados nas estruturas de
armazenagem (Porta Palete, Drive in, etc.).

De acordo com o tipo de estrutura utilizado bem


como as características físicas dos locais utilizados
para armazenagem (Depósitos, Central de
distribuição, etc.), são utilizadas diversos modelo,
cada qual com uma característica e funcionalidade
pertinentes a estrutura de armazenagem utilizada.

Tipos de Empilhadeiras
Abaixo apresentamos os tipos de empilhadeiras amplamente utilizadas no mercado brasileiro com suas
respectivas características e funcionalidades:
Empilhadeira elétrica com operador “A pé”
Equipamento que permite que um palete seja movimentado e
empilhado por distâncias curtas. O operador anda atrás do
equipamento e manobra o equipamento nesta posição. A empilhadeira
elétrica com operador “A pé” pode ser apropriada em situações onde a
produção é baixa, a distância de deslocamento é curta, a altura de
estocagem vertical é baixa e quando uma solução debaixo custo é

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desejada. Esta empilhadeira é tipicamente utilizada onde o empilhamento máximo vertical é de 3


posições paletes.

Empilhadeiras Frontais a Contra - Peso.


Equipamentos que empregam um contra balanço na parte de
trás da máquina, estabilizando o centro de gravidade do
equipamento, podendo ser alimentadas por bateria ou
combustível. Sua limitação de uso esta na altura máxima de
empilhamento, por volta de 7.62m. Devido sua
operacionalidade (O operador conduz o equipamento sobre,
de pé ou sentado) pode ser utiliza para viagens mais longas do
que as empilhadeiras com operador “A pé”. Sua maior
desvantagem está no grande diâmetro necessário para seu
giro, resultando em um corredor operacional largo, entre 3.4 a
3.7m.

Empilhadeiras elétricas com patolas.


Caracterizadas por possuírem braços com rodas semelhantes a ‘patas’,
utilizadas para equilibrar a carga de palete ao invés de peso
contrabalançado. Este equipamento opera em um corredor menor, entorno
de 2.5 a 3m ao contrário dos 3.4 a 3.7m das empilhadeiras de contrapeso.

Empilhadeiras de patolas pantográficas.


Desenvolvidas a partir das empilhadeiras de patolas convencionais,
utilizam um mecanismo tipo tesoura no garfo, que permite alcançar uma
maior profundidade sem a necessidade de se utilizar garfos maiores.
Existem dois projetos básicos: de mastro e de garfo.
A empilhadeira pantográfica de mastro caracteriza-se por possuir um
conjunto de barras ao logo do garfo que suportam o mastro, enquanto
os de garfo consistem em uma pantográfica ou tesouras montadas no
mastro. Este equipamento opera em um corredor de 2,5 a 3 m.

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Empilhadeiras Tri-Lateral
A principal característica deste tipo de equipamento está em não
necessitar que o mesmo realize um giro dentro do corredor para
acondicionar ou retirar a mercadoria na estrutura, ao invés disso a
carga; e elevada por garfos que giram, ou então um mastro que
gira no veículo.
Geralmente estes equipamentos permitem uma elevação de até 15
metros e podem operar em corredores estreitos variando de 1,5
até 1,8 m de largura.

Selecionadoras de Pedidos.
Este tipo de equipamento permite que seja realizado o processo de
separação independente do nível de armazenagem.
Geralmente este tipo de equipamento é comumente usado para retirar
itens de baixo giro e onde a alta densidade de estoques é necessária.

Tecnologias e sistemas aplicados a movimentação e armazenagem


Sabemos que estamos em um cenário de extrema competição, onde a Logística passa a ser fator
fundamental de diferenciação competitiva quando trabalhada de forma a obter excelência em suas
operações visando redução de custos operacionais, entendemos que além do fluxo de produtos e
materiais o fluxo de informações é tão importante quanto.

Estamos passando por um momento onde a otimização de determinados recursos é primordial e


necessário para a viabilização de uma empresa que tenha a logística como fim.

A Tecnologia da Informação pode ser aplicada à Logística de duas formas: como administradora das
necessidades de negócio peculiares ao ramo logístico, tais como armazenamento de materiais, controle
de estoques, movimentação de material dentro do armazém, otimização de rotas de entrega, montagem
de carga a partir de roteiros otimizados etc. Ou como o elemento que vai administrar a Logística num
nível acima deste já mencionado, onde a preocupação é o balanceamento da cadeia produtiva de um bem
ou serviço por parte de todas as empresas do processo.

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Sistema de Gerenciamento de estoques – o WMS (Wharehouse Management System)


Quando falamos de Gerenciamento de Armazém estamos falando em gerenciar todas as atividades
pertinentes aos processos de gestão logística que compõem desde o recebimento de mercadorias, a
movimentação e armazenagem das mesmas, bem como a separação e conferência destas.

Basicamente, um WMS possui a função de gestão das seguintes operações:

• Controle de Portaria • Captação de Pedidos


• Recebimento de Mercadorias • Formação de Cargas
• Conferência de Mercadorias • Separação de Mercadorias
• Movimentação e Armazenagem • Conferência de Mercadorias
• Endereçamento Automático • Expedição / Carregamento
• Ressuprimento • Controle e Gestão de Custos
• Gestão do Paletizado • Produtividade

Com a implantação de um WMS podemos alguns ganhos como por exemplo:


• Agilidade no processo de recebimento;
• Produtividade na movimentação e armazenagem;
• Gerenciamento mais eficiente e eficaz dos recursos físicos e humanos;
• Rastreabilidade de todo o ciclo de vida do produto dentro do armazém;
• Agilidade no picking (processo de separação).

O Sistema de Gerenciamento de Armazéns (WMS) é um sistema responsável pela distribuição e controle


das operações, tarefas, atividades e recursos (Movimentação e Armazenagem) dentro do armazém /
depósito.
Em outras palavras é um sistema para gerenciar estoque, espaço, equipamentos e mão-de-obra em
Armazéns, Depósitos ou Centro de Distribuição.
O WMS melhora a operacionalidade da armazenagem, através do eficiente gerenciamento de
informações e dos recursos do mesmo, através de conceitos de endereçamentos e movimentações
inteligentes.
O sistema WMS em geral apresenta suas funcionalidades agrupadas em módulos, que podem ser
preparados e parametrizados de acordo com as demandas dos clientes. Em geral encontramos no
mercado sistemas WMS que atendem uma infinidade de cadeias produtivas bem como sistemas WMS
específicos para um único modelo de cadeia produtiva. Além disso os WMs atuais já apresentam
consolidada funcionalidades de gestão de serviços logísticos - assim atendendo ao segmento de
operadores logísticos:
A seguir detalhamos as funcionalidades comumente encontradas em um sistema WMS

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Sistema de Gestão de transporte


O Sistema de Gestão de Transporte conhecido no ambiente logístico como TMS (Transportation
Management System) é um software destinado a gestão dos processos relacionados ao transporte seja
na gestão de operação própria ou terceiras bem como o gerenciamento de contratos entre empresa e
prestador de serviços, quando esta foca em dispor suas demandas de transporte para serem realizadas
junto a terceiros.
Um Sistema de Gestão de Transporte pode vir a ser:
• Um sistema especialista: Quando atende somente a vertical relacionada a atividades de
transporte;
• Um modulo de um sistema ERP: Quando o sistema ERP dispõe das funcionalidades pertinentes
ao TMS em um modulo específico do sistema que pode ser contratado ou não pelo cliente de
acordo com a necessidade.
Além disso, os sistemas de gerenciamento de transporte podem atender a basicamente 03 demandas
de gestão:
• O gerenciamento dos embarques (contratação de fretes): Sistemas que permitem o
gerenciamento dos contratos firmados entre o embarcador e o transportador, possibilitando ao
embarcador controlar de forma mais precisa e dinâmica as operações de embarque,
administração de fretes, negociação de contratos além de permitir a integração com outras
tecnologias embarcadas ou de gerenciamento de risco que permitem um acompanhamento em
tempo real das operações de entrega por parte do transportador.
• A gestão da frota própria da empresa: Sistemas que possibilitam a empresa realizar a gestão de
todos os processos envolvidos nas atividades de transporte da frota própria da empresa bem
como transportadores agregados a frota própria da empresa, contemplando o gerenciamento
dos equipamentos e equipes, gestão de custos de transporte, contratação de terceiros,
indicadores de desempenho, controle de manutenção de veículos, gestão de documentos,
gestão de rotas de coletas e entregas, gestão de jornada de motoristas,
• A gestão das atividades pertinentes a uma transportadora: sistemas que permitem a gestão
completa de um transportadora englobando além das funcionalidades citadas no formato de
gestão de frota própria contempla também as funcionalidades pertinentes a um sistema de
gestão integrada envolvendo: contas a pagar e receber, contabilidade, vendas e
comissionamentos, relacionamento com clientes e fornecedores, controles de estoques além de
módulos específicos como gerenciamento de coletas, gestão de contratos, vendas pontuais,
gestão de insumos de transporte, roteirização e gerenciamento de riscos.

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Automação de processos logísticos: do Código de Barras ao RFId


Equipamentos de Automação (RF e Batch)
Os sistemas de rádio frequência foram criados como uma forma de se eliminar a interconexão de
leitores, coletores e impressoras, via cabo, possibilitando assim máxima flexibilidade para a aplicação do
código de barras.

Existem vários sistemas em várias frequências. Cada frequência tem seu “range” de distancia próprio e
limitações em função do ambiente a ser utilizado (presença de água, interferências eletromagnéticas, e
outras).

Um exemplo de radio frequência e o TIRIS que não utiliza meios ópticos, como o código de barras, seu
desempenho surpreende em aplicações onde haja muita sujeira e pó.

Além disso, os dispositivos de identificação e leitura são produzidos em materiais especiais, muito
resistentes a choques mecânicos.
O sistema é composto de duas partes:
• o transponder, que é o dispositivo de identificação, como se fosse um código de barras,
• e o leitor/gravador que lê o transponder, podendo gravar informações adicionais.
O transponder é uma pequena bobina, que faz papel de uma antena, e um chip. Ao passar por um campo
eletromagnético específico, gerado pelo leitor, esta bobina é energizada e passa a funcionar como se fosse
um pequeno rádio, enviando as informações gravadas no chip para o leitor. Alem de possuir algumas
vantagens que são de extrema importância como: índice de leitura na primeira tentativa ( first read )
maior do que com códigos de barras, custo do leitor/gravador menor do que leitores de código de barras
de alto desempenho e pode funcionar em ambientes hostis, com muito calor, sujeira e até embaixo
d’água.

RFID - Radio Frequency Identification e o Futuro da Gestão de Estoques

É, relativamente, uma das mais novas tecnologias de coleta automática de dados. Inicialmente surgiu
como solução para sistemas de rastreamento e controle de acesso na década de 80. Uma das maiores
vantagens dos sistemas baseados em RFID é o fato de permitir a codificação em ambientes hostis e em
produtos onde o uso de código de barras, por exemplo, não é eficiente.

Sistemas RFID basicamente consistem em três componentes : Antena, Transceiver (com decodificador) e
um Transponder (normalmente chamado de RF Tag), este último é composto por uma antena e um chip
onde, eletronicamente, é programado com uma determinada informação.

A antena emite um sinal de rádio ativando o RF Tag, realizando a leitura ou lhe escrevendo algo. A antena
servirá como o meio capaz de fazer o RF Tag trocar/enviar as informações ao leitor.

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As antenas são oferecidas em diversos formatos e tamanhos, cada configuração possui características
distintas, indicada cada uma para um tipo de aplicação.

Existem soluções onde temos a antena em um mesmo invólucro onde se encontra o transceiver e o
decodificador. Este tipo de configuração é utilizado, por exemplo em aplicações portáteis, neste caso o
conjunto antena e transceiver passa a chamar-se leitor.

O leitor, através do transceiver, emite ondas de rádio que são dispersadas em diversos sentidos no
espaço desde a uma polegada até alguns metros , dependendo da potência de saída e da frequência de
rádio usada. Quando o RF Tag passa entre a zona eletromagnética gerada pela antena, este é detectado
pelo leitor. O leitor decodifica os dados que estão codificados no RF Tag, passando-os para o
computador realizar o processamento.

Figura 32 : Desenho esquemático de uma solução RFid

RF Tag estão disponíveis em diversos formatos e tamanhos. Podem ser no formato de pastilhas, argolas,
cartão, retangulares e outros e os materiais utilizados para o seu encapsulamento pode ser do tipo
plástico, vidro e etc. O tipo de RF tag é definido conforme a aplicação, ambiente de uso e performance.

Existem duas categorias de RF Tags: Ativos e Passivos.

• Ativos: São alimentados por uma bateria interna e tipicamente são de escrita e leitura, ou seja,
podem ser atribuída (reescrita ou modificada) uma nova informação ao RF Tag. O custo dos RF
Tags ativos são maiores que o RF Tag passivos, além de possuírem uma vida útil limitada de no
máximo 10 anos.
• Passivos: Operam sem bateria, sua alimentação é fornecida pelo próprio leitor através das ondas
eletromagnéticas. Os Tags passivos são mais baratos que os ativos e possuem teoricamente uma
vida útil ilimitada.

Os tags passivos geralmente são do tipo só leitura (read-only), usados para curtas distâncias e requerem
um leitor mais completo (com maior potência).

Os sistemas de RFID também são definidos pela faixa de frequência que operam:

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• Sistemas de Baixa Frequência (30 a 500 KHz) : Para curta distância de leitura e baixos custos.
Normalmente utilizado para controle de acesso, rastreabilidade e identificação de animais.
• Sistemas de Alta Frequência (850 a 950 MHz e 2.4 a 2.5GHz) : Para leitura a médias e longas
distâncias e leituras a alta velocidade. Normalmente utilizados para leitura de Tags em veículos,
coleta automática de dados.

Vantagens do RFID

A principal vantagem do uso de sistemas RFID é realizar a leitura sem o contato e não necessitando de
uma visualização direta do leitor com o Tag.
Você poderia, por exemplo, colocar o RF Tag dentro de um produto e realizar a leitura sem ter que
desempacota-lo, ou por exemplo aplicar o Tag em uma superfície que será posteriormente coberta de
tinta ou graxa.

O tempo de resposta é baixíssimo, menor que 100 ms, tornando-se uma boa solução para processos
produtivos onde se deseja capturar as informações com o Tag em movimento.
O custo do RFTag apresentou uma queda significativa nos últimos anos, tornando viável em alguns
projetos onde o custo do produto a ser identificado não é muito alto.

Aplicações :
• Controle de Acesso • Controle de bagagens em aeroportos
• Controle de tráfego de veículos • Controle de containers
• Lavanderias Industriais • Pallets
• Aplicações em ambientes hostis

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A Gerenciamento do ciclo do pedido


A gestão do pedido tem como principal finalidade estar
realizando o controle e acompanhamento da empresa com
relação ao seu fluxo de captação do pedido além de
possibilitar estar identificando a qualidade do nível de
serviço prestado pela empresa. A gestão eficiente do ciclo
do pedido da empresa contribui ainda para empresa estar
Figura 33: O ciclo do pedido. fonte: gerenciando de forma correta e ampla sua carteira de
truckpad.com.br
clientes resultando assim em ações e tomada de decisões realizadas de forma rápida e precisa.

É fato que as características do pedido são diferenciadas em razão do produto ou serviço oferecido,
portanto a gestão do pedido deve atender a plena satisfação de fornecedor e cliente.
Este processo de gestão deve ser realizado de forma estruturada para que a empresa mantenha um
correto controle sobre o fluxo de informações que esta sendo gerado, buscando portanto realizar uma
completa integração entre os departamentos envolvidos realizando inclusive a exclusão de áreas que não
deveriam estar envolvidas no processo e que poderão estar tornando o fluxo mais lento e improdutivo.

Atualmente todo o fluxo que o pedido realiza desde sua coleta junto ao cliente até a efetiva entrega é
possível de ser acompanhado, onde muitas empresas enxergaram esta possibilidade como sendo um fator
de diferencial competitivo para agregar valor a seus processos.

É o caso de algumas empresas de prestação de serviço expresso onde estar disponibilizam um código (no
ato da solicitação do serviço por parte do cliente) e este é utilizado para acompanhar o caminho que o
produto esta realizando até o momento a ser entregue, onde este acompanhamento pode ser realizado
até mesmo sem sair de casa, com o apoio de ferramentas como a Internet (track number).

As empresas buscam basicamente atender ao cliente seguindo os princípios que norteiam a logística: O
produto certo, na quantidade correta, mantendo suas características, dentro do prazo e condições
financeiras acordadas, onde desta forma a empresa deve estar constantemente buscando atender o
pedido de forma perfeita.

O ciclo do pedido
Por definição, o ciclo do pedido compreende a mensuração de tempo - iniciando no momento da captação
do pedido junto ao cliente até o momento em que o mesmo é entregue em sua porta.

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Figura 34: Comparativo da eficiência na gestão do ciclo do pedido

Parece simples! Mas não é tão simples como aparenta, pois entre os extremos apresentados existem
componentes do ciclo do pedido que em caso de não estarem sendo corretamente gerenciados e
administrados impactam diretamente na qualidade de serviços prestados junto ao cliente.
São componentes do ciclo do pedido:
o Captação de pedidos: Nesta fase do ciclo estão compreendidos as atividades realizadas pelas
equipes de vendas, os atendimentos pré-vendas e todas as atividades diretas e indiretas
contribuintes para este processo de captação de pedidos (zoneamento de visitas; roteiros de
visitas; promoções; política de créditos; pedidos mínimos; pesquisas de satisfação dos clientes;
transmissão de pedidos).
o Análise de atendimento do pedidos: Nesta fase estão compreendidas, principalmente, as
atividades que se realizam após a transmissão de pedidos, compreendendo as análises
financeiras (limites e restrições de créditos), as políticas de atendimento de pedidos
(restrição/disponibilização de mercadorias considerando os níveis de estoques das mercadorias
da empresa, janelas de atendimento das regiões de entrega) e os retornos do processamento
dos pedidos para a equipe de vendas (percentual de atendimento do pedido; pedidos não
atendidos; carteira de cobrança; itens que não serão atendidos). Na fase de análise de
atendimento dos pedidos realizam-se também as trocas de informações entre a empresa e a
equipe de vendas, como, por exemplo, a inclusão de novos clientes, posição da carteira de
cobrança, desempenho da equipe, etc.

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o Formação de Carga, Separação e Carregamento: Os pedidos após passarem pelos processos de


análise estão disponíveis para serem separados, porém cada vez mais as empresas estão atentas
em estar minimizando seus custos de transportes, utilizando para isto os conceitos de formação
de carga, consolidando os pedidos dentro de um roteiro de entrega e montando o roteiro de
entrega, utilizando assim de premissas definidas pela empresa como janela de atendimento,
veículos disponíveis, sequência de entrega, além dos conceitos modernos de movimentação e
armazenagem de mercadorias. Após esta consolidação realizam-se as atividades logísticas
pertinentes as áreas de armazenagem das mercadorias (Centros de distribuição; Armazéns
Gerais; depósitos, etc.), estas atividades, quando amparadas por práticas modernas de
movimentação e armazenagem (equipamentos de movimentação, layout otimizado, softwares,
entre outros) contribuem para um atendimento mais rápido e preciso dos pedidos em separação.
o Distribuição e entrega: Fase iniciada após a finalização do carregamento dos veículos para a
entrega. O entregador de posse de um roteiro pré-definido de entrega, inicia as atividades de
entregar os pedidos junto aos clientes. Os conceitos logísticos de roteirização, zoneamento e
consolidação de entregas, implantados nos últimos anos pelas empresas de transporte e
distribuição, bem como pelas empresas atacadistas e distribuidoras apresenta uma considerada
melhora nos processos de entrega, aliada às práticas de treinamento das equipes envolvidas no
atendimento de entrega dos pedidos junto aos clientes;
o Gestão pós-ciclo do pedido: Fase realizada pela empresa onde de posse dos dados de captação
de pedidos, frequência de atendimentos, bloqueios de atendimento, dados financeiros dos
clientes (fidelidade nos pagamentos; inadimplências), a empresa consegue “enxergar” o perfil de
clientes atendidos possibilitando ainda à empresa, realizar políticas de privilégios para clientes
que realizam seus pedidos com maior frequência e com baixo índice de inadimplência, por
exemplo.
As quatro primeiras etapas envolvem diretamente a qualidade de serviços junto ao cliente. e cada vez
mais vertente a necessidade de que estas fases que envolvem o ciclo do pedido sejam mensuradas,
gerenciadas e administradas pela empresa, pois a sinergia criada, possibilita que a empresa esteja
aprimorando cada vez mais a administração de seus custos, mantendo-os a níveis aceitáveis sem que
ocorra um comprometimento no atendimento junto aos clientes.

Sendo assim a empresa deve preocupar-se com seus processos e procedimentos de captação de
pedidos principalmente quando buscam a tecnologia da informação como ferramenta para auxiliar estar
agilidade que poderá ser refletida na:
• Agilidade da recepção de pedidos;
• Resposta eficiente a colaboradores e clientes (feedback de atendimento);
• Automação das rotinas administrativas com as de checagem como crédito, cobrança e análise
de estoques;
• Integração na cadeia logística

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Gerenciamento por indicadores de performance ou KPI’s


Indicadores de Desempenho ou indicadores chaves de performance são amplamente utilizados no
mundo corporativo. Mas afinal o que são estes indicadores
Definição: Indicadores de Desempenho são métricas que apresentar a performance de processos e
atividades dentro de um contexto pré estabelecido pelas empresas, que possibilitam assim aferir se os
objetivos alcançados estão dentro do esperado e em caso de não serem a empresa possa adotar ações
para corrigir eventuais problemas e falhas que venham a impedir o cumprimento das metas propostas.

Os indicadores de desempenho podem ser agrupados em 04 tipos a saber:

• Estratégicos: Indicadores que tem como característica informar a organização o quanto ela se
encontra dentro dos padrões e metas estabelecidos para cada área da empresa
• Produtividade (eficiência): Indicadores que tem como característica aferir a proporção de
recursos consumidos em função dos processos realizados, andando lado a lado com os
indicadores de qualidade;
• Qualidade (eficácia):Indicadores que tem a característica de focar os resultados obtidos em
relação a produtos ou serviços ofertados ou mesmo a aderência de processos a requisitos
determinados pela empresa ou setor de trabalho;
• Capacidade: Indicadores que tem a característica de medir a capacidade de resposta de um
processo contemplando a relação entre saídas produzidas por unidade de tempo.

Além disso, os indicadores possuem a missão de respaldar a empresa nos seguintes objetivos:
• Atender as expectativas tanto de clientes com os Stakeholders;
• Medir de forma ágil para tomadas de decisões precisas que contribuam com a lucratividade da
empresa;
• Transformar dados coletados em informações que balizem a geração de conhecimento e assim
contribuir para tomadas de decisões mais assertivas.
Quanto aos requisitos os indicadores precisam atender:
• Grau de importância: o quanto o indicador se faz necessário;
• Simplicidade (Baixo custo de obtenção): forma simples e clara de geração da informação;
• Abrangência: enfoque desejado do indicador;
• Estabilidade: o quanto pode ser consistente a informação coletada através do indicador
• Rastreabilidade (Confiabilidade): o quando o indicador pode ser auditado ou mesmo utilizado
para acompanhamento histórico dos registros gerados a partir de seu uso
• Comparabilidade: o quanto o indicador permite análises comparativas permitindo assim obter
uma análise de evolução ou não dos registros gerados a partir de seu uso.

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Dentro do contexto de cadeia de suprimentos e distribuição, os indicadores de desempenho tem um


campo vasto de uso em praticamente todos os momentos da cadeia.
Cabe portanto ao gestor da cadeia de suprimentos e distribuição aplicar os indicadores com visão critica
para não incorrem em erros comuns como implantação de indicadores que são pontualmente utilizados;
indicadores criados para gerir indicadores (erro comum) ou mesmo possuir uma grande quantidade de
indicadores implantados mas que não estão consonantes aos objetivos e metas da empresa
O GELOG- Grupo de Estudos Logístico da Universidade Federal de Santa Cataria desenvolveu um estudo
sobre indicadores de desempenho logístico, no qual são apresentados neste material quatro grupos de
indicadores relacionados diretamente as atividades chaves de uma cadeia de suprimento registrados
nas figuras 35, 36,37 e 38 :

Figura 35 : Indicadores de desempenho no atendimento do pedido do cliente. fonte:Grupo de Estudos Logísticos


GELOG-UFSC. Ppt

Figura 36: Indicadores de desempenha na gestao de estoques. fonte: Grupo de Estudos Logísticos GELOG-UFSC. Ppt

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Figura 37: Indicadores de produtividade de armazém . fonte: Grupo de Estudos Logísticos GELOG-UFSC. Ppt

Figura 38: Indicadores de desempenho em transporte. fonte: Grupo de Estudos Logísticos GELOG-UFSC. ppt

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Unidade IV - Logística aplicada a SCM - Logística Internacional e Logística reversa


Uma excelência em gestão de cadeias de suprimentos e distribuição passa pena necessidade de entender
ainda mais dois pontos de importante relevância ao contexto de gestão integrada: A visão da cadeia
logística internacional e da cadeia logística reversa. Independente do foco destes dois momentos da
cadeia logística um ponto é comum: a necessidade de integração de processos para manter os controles
com eficiência e eficácia e assim garantir a qualidade nas operações necessárias.
Neste Unidade iremos abordar os aspectos e características essenciais de cada um destes momentos
logísticos: Por um lado a necessidade de atender as regras e restrições pertinentes e comuns a cada tipo
de mercado econômico, seja entre países fronteiriços ou mesmo o comercio entre países de continentes
distintos e de outro lado a necessidade de atender a uma demanda cada dia mais emergente e urgente
quanto ao tratamento das ações logística no sentido oposto ao comum, geradas a partir do cliente ou
consumidor final!

Conceito de logística internacional – definições e fluxo da informação


Definições
Define se como logística internacional as movimentações de produtos e ou serviços envolvendo empresas
de países diferentes onde o fluxo logístico tanto do fornecedor quanto do cliente precisa estar em sintonia
e conformidade, tanto aos prazos acordados quanto as prerrogativas e exigências de movimentação,
armazenagem e controle de produtos exigidos pelos países onde estejam posicionados cliente e
fornecedor.
Para tanto se faz necessário que cada componente da cadeia de suprimentos e distribuição estejam
devidamente preparados para atender as demandas exigidas pelas partes envolvidas. Em resumo todos
os envolvidos no Comercio Exterior fazem parte da logística internacional.

Componentes do fluxo de logística internacional

Podemos dividir os componentes do fluxo logístico internacional em dois aspectos:


• Aduaneiro: que consiste em todos os processos relacionados para atender as normativas e
conformidades exigidos pelos países envolvidos na compra e venda de mercadorias
contemplando assim as exigências do mercado interno e externo. Algumas entidades se fazem
presentes neste momento como: Despachantes Aduaneiros, Terminais alfandegários, Orgãos
governamentais, Blocos econômicos envolvidos (Tratados comerciais existentes e aceito entre
as partes - Incoterms), situações de regimes especiais, despachos e desembaraços aduaneiros,
regras de liberação (canais).
• Logístico: que consiste em realizar todas as atividades logísticas de movimentação, recebimento,
embalagem, conferência, segurança, controles e transporte já pertinentes para atendimento ao
mercado interno, porém com ênfase em atender a possíveis exigências e limitações impostas
para a entrega da mercadoria ou produto ao cliente que se encontra em outro pais.
Para realização de uma operação de logística internacional a empresa precisa ter claro que a tomada de
decisão quanto ao modal ou modais de transporte que escolher irá impactar diretamente no custo total

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da operação logística. Além disso soma-se a necessidade de atendimento dentro do prazo estabelecido
entre as partes mostra-se um agravante na tomada de decisão: Quanto mais rápida for a necessidade de
entrega da mercadoria maior será o custo de transporte em razão do modal a ser utilizado.

Regras de importação e exportação - Os canais de controles


A partir do momento que um mercadoria chega com origem do exterior, a mesma precisa ser verificada
quanto aos documentos apresentados para atender a legislação especifica disciplinado pelas IN SRF nº
680/2006 e IN SRF n° 611/2006.
De acordo com a receita federal, entende-se por despacho aduaneiro: “é o procedimento mediante o
qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada,
aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro (art.
542 do Regulamento Aduaneiro).” Fonte: https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despacho-de-
importacao/topicos-1/conceitos-e-definicoes/despacho-de-importacao

Figura 39: Fluxo Exportação maritima .


Fonte: http://www.techimpex.com.br/tech_servicos/conteudo/fluxogramas/exportacao_maritima.htm

O Despacho aduaneiro de importação é então processado com base em declaração de importação,


processado no SISCOMEX por meio de :
• Declaração de Importação (DI);
• Declaração Única Importação (Duimp);
• Declaração Simplificada de Importação (DSI Eletronica);

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Em alguns casos de exceção pode ser realizada a Declaração Simplificada de Importação (DSI formulário)
em razão da natureza da mercadoria e da qualidade da importação sem que o despacho de importação
seja realizado pelo SISCOMEX3.
No momento do registro das Declarações de Importação (DI) o Siscomex seleciona para um dos canais
possíveis de verificação aduaneira, conforme art.21 da IN SRF n0 680/2006 a saber:
Canal Característica
Canal pelo qual o sistema registra o desembaraço automático da mercadoria,
dispensados o exame documental e a verificação física da mercadoria. A DI
Verde selecionada para canal verde, no Siscomex, poderá ser objeto de conferência
física ou documental, quando forem identificados elementos indiciários de
irregularidade na importação, pelo AFRFB responsável por essa atividade
Canal pelo qual deve ser realizado o exame documental e, não sendo constatada
irregularidade, efetuado o desembaraço aduaneiro, dispensada a verificação
física da mercadoria. Na hipótese de descrição incompleta da mercadoria na DI,
Amarelo
que exija verificação física para sua perfeita identificação com vistas a confirmar
a correção da classificação fiscal ou da origem declarada, o AFRFB pode
condicionar a conclusão do exame documental à verificação física da mercadoria
Canal pelo qual a mercadoria somente é desembaraçada após a realização do
Vermelho
exame documental e da verificação física da mercadoria
Canal pelo qual deve ser realizado o exame documental, a verificação física da
mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para
Cinza
verificar indícios de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da
mercadoria.

O SISCOMEX disponibiliza através da função acompanhamento do despacho a consulta do andamento


das DI por parte do importador.

Incoterms- conceito e boas práticas


Do mesmo modo que os países possuem suas regras de importação ou mesmo de exportação, as
entidades envolvidas no processo buscam sempre um amparo jurídico para assim garantir que os
acordos comerciais sejam cumpridos tanto pelo comprador quanto pelo vendedor. A estes “amparos”
define-se como Termos Internacionais de Comércio conhecidos como INCOTERMS.
Os chamados INCOTERMS servem definem dentro de um contrato de compra e venda internacional os
direitos e obrigações recíprocos entre exportador e importador, estabelecendo assim regras
padronizada e determinando também praticas neutras, tendo assim caráter imparcial e uniformizador.

3
O Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, instituído pelo Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992,
é um sistema informatizado responsável por integrar as atividades de registro, acompanhamento e controle das
operações de comércio exterior, através de um fluxo único e automatizado de informações.

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Os Incoterms 2020 sã representados por meio de siglas compostas por 3 letras sendo onze termos
dividido em 4 grupos de categorias ( A,F,C e D) a saber:
EXW – Ex Works CIP – Carriage And Insurance DAP – Delivered At Place
FCA – Free Carrier Paid To DPU – Delivered At Place
FAS – Free Alongside Ship CFR – Cost And Freight Unloaded –
FOB – Free On Board CIF – Cost Insurance And DDP – Delivered Duty Paid
CPT – Carriage Paid To Freight

A figura 29 apresenta a distribuição das responsabilidades entre importado (comprador) e exportador


(vendedor) Incluindo os modais de transporte aceitos em cada grupo:

Figura 40 : Novo incoterms 2020. fonte: Konfere.com.br

Equipamentos de Movimentação e Armazenagem na logística internacional

Para que o fluxo logístico se mantenha produtivo também no canal logístico internacional, mostra-se
importante que tanto o exportador quanto o importador estejam comprometidos com boas práticas de
movimentação e armazenagem.
De acordo com o tipo e características a mercadoria pode vir a ser exigido formas especificas de
movimentação e controle.

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Figura 41: Tipos de contêiner utilizados na logística internacional.

Em termos práticos podemos separar o modo de exportar mercadoria das seguintes formas:
• Exportação com apoio de Conteiners 4: Uso de equipamentos para conter a mercadoria no
padrão de 20 ou 40 pés5ou Higt Cub de 40 pés podendo ser de uso geral ou específico de acordo
com o tipo de mercadoria a ser transportada;
• Exportação a granel: Neste caso exclui-se o uso de equipamentos de contenção sendo usado o
espaço disponível no meio transporte escolhido, em geral mais utilizado nos modais Hidroviário,
Rodoviário e Ferroviário que dispõe de equipamentos desenvolvidos para o transporte de carga
a granel.
Uma das vantagens de se utilizar cargas com suporte de contêiner é que a mercadoria pode ser
movimentada sem excessos de manipulação mesmo com o intercambio entre modais (multimodalidade
/ Intermodalidade).
Também para o Modal aéreo é possível movimentar cargas unitizadas, seja através de paletes
aeronáuticos ou contêiner ambos chamados dentro do modal como unidade de carga conforme descrito
na Figura 31:

4
O Contêiner de 40 pés normal, tem a capacidade de 67.6 m³ e também aguenta cargas de até 26 toneladas, assim
como o Hig cube que tem capacidade de 76,2 m³. Já o de 20 pés, tem sua capacidade cúbica de 33.2 m³ e aguenta
cargas de até quase 22 toneladas

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Figura 42: Unidades de Carga aéra.

Logística Reversa – Conceitos, aplicabilidade e o cenário atual Material

Conceito
Dentro do fluxo regular realizado ao longo da cadeia de
suprimento e distribuição, eventualmente podem surgir
situações adversas onde se exige por parte das partes
envolvidas a movimentação dos materiais e informações
geradas no sentido reverso do que seria comum.

Para atender a este fluxo reverso de movimentação de


mercadorias exige-se que a operação seja precisa,
independente do fator gerador. Sendo assim cabe também
Figura 43: Fluxo reverso: Visão simplificada
ao longo da gestão da cadeia de suprimento e distribuição
uma atenção redobrada por parte dos gestores no atendimento deste fluxo reverso, como exemplo
podemos citar a distribuição de bebidas: Muitos produtos apresentam embalagens retornáveis que
precisam ser coletadas durante o processo de distribuição para assim serem novamente utilizadas no
fluxo produtivo., onde neste caso o a eficiência e eficácia da colete necessita ser semelhante ou até
mesmo melhor que a entrega do produto propriamente dita ( necessidade de pré triagem, por exemplo).

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Nos dias atuais com apelo de sustentabilidade e busca por um posicionamento de responsabilidade social
mais efetivo, as empresas se atentaram para as necessidades de cuidar do fluxo reverso de seus produtos
e resíduos gerados pelos mesmo após o consumo.

Figura 44: Representação esquemática - Fluxo direto e reverso. Pesquisa: Plataforma imagens Bing em 2020 – créditos
ao autor

A PNRS6 define a logística reversa como um "Instrumento de desenvolvimento econômico e social


caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a
restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros
ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.” (fonte: mma.gov.br)

Segundo (Dale S. Rogers, 1999) a logística reversa é “O processo de planejar, implementar e controlar de
forma eficiente e rentável: o fluxo de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e
informações relacionadas desde o ponto de consumo até o ponto de origem com o propósito de
recaptura, geração de valor ou descarte adequado.”

O fluxo reverso dentro de um contexto geral pode ser agrupado a partir de dois momentos: Após o
consumo ou após a venda propriamente dita.

Reversa de Pós Consumo


A Logística reversa de pós consumo caracteriza se pelo fluxo reverso de materiais que mesmo após o uso
e consumo podem vir a retornar ao fornecedor por obrigatoriedade de leis ou mesmo por oportunidades

6
Política Nacional de Resíduos Sólidos

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de aproveitamento dos resíduos através de processos de reciclagem, neste ultimo caso o apelo da
sustentabilidade mostra-se mais presente por ser um forma de geração de renda para classes
trabalhadoras menos favorecidas que tem sua subsistência baseada na coleta de materiais para
reaproveitamento ou reprocessamento por parte das industrias.
Exemplos de Ações logística reversa de pós consumo:
• Embalagens de agrotóxicos;

• Pilhas e baterias;

• Pneus;

• Lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;

• Óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;

• Produtos eletroeletrônicos e seus componentes;

• Embalagens Descartáveis (Plásticos e Alumínio).

Reversa de Pós Venda

A logística reversa de pós venda está diretamente relacionada a devolução de produtos que não
atenderam as expectativas do consumidor, a recolha de produtos que precisam ser retirados de mercado
por algum tipo de intercorrência ocorrida ao longo do processo produtivo, a necessidade de reparo ou
substituição do produto por questões de segurança (recall) ou então por ocasião do ciclo de vida do
produto ter chegado ao fim e precisa assim ser retirado do mercado (como produtos sazonais).
Exemplos de Ações logística reversa de pós venda:
• Devolução de pedidos de compras por desacordo entre as partes envolvidas
• Devolução de mercadorias por não atender as necessidades ou expectativas do comprador
• Retirada de lotes de mercadorias por identificação de problemas de qualidade;
• Retirada de mercadorias sazonais (ovos de pascoa, panetones, produtos temáticos dentre
outros.);
• Recall de peças de veículos gerados por não conformidades identificadas na gestão da qualidade
das indústrias automobilísticas.

Reversa de Reuso.
Neste formato de reversa a empresa estrutura um modelo que gere receita ao vender os resíduos de
produção evitando de certa forma o descarte incorreto de tais resíduos.
Exemplo de ações reversa de reuso:
• Venda de resíduos de metais resultantes de processo de usinagem de peças
• Venda de livros que saíram de circulação;
• Venda de moveis de empresas por ocasião de mudança, redução ou fechamento de empresas
• Políticas de reaproveitamento de embalagens onde o consumidor pode optar por adquirir refil
do produto e reaproveitar a embalagem inicial do produto

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Boas Práticas de Logística reversa.

Além das práticas exigidas pela PNRS como o correto descarte de embalagens, óleos, pneus e baterias,
existe ainda fluxos reversos de grande sucesso além do fluxo logístico do reaproveitamento do alumínio
A seguir se apresenta ciclos reverso de empresas que estão disponíveis para consulta no site:
https://viaexpressa.com/conheca-5-exemplos-de-logistica-reversa:

LOGÍSTICA REVERSA HP

A logística reversa HP é constituída através de um programa


americano HP Planet Partners Brasil, permitindo que as pessoas
enviassem cartuchos e toners utilizados em impressoras e para que
houvesse, de fato, tal devolução, foi desenvolvido mais de cinquenta
pontos de descarte no Brasil para que a devolução fosse facilitada aos
usuários.
Além de a empresa se favorecer com a devolução, os consumidores
desses produtos se conscientizaram e evitaram o descarte de tais
materiais em lixos comuns.

LOGÍSTICA REVERSA NATURA


A logística reversa desenvolvida pela Natura funciona de modo
que, além de seus produtos serem feitos através do ecodesign, há
também o recolhimento dos materiais e embalagens utilizados na
produção da mercadoria.
Os programas “Elos” e “Dê a mão para o futuro” da marca se
responsabiliza em trabalhar de maneira ecológica compartilhada
entre o fornecedor e seus consumidores.
Dessa forma, sem prejudicar o meio ambiente, os diferentes materiais utilizados na produção dos
produtos, incluindo o vidro, são reciclados de forma adequada.

LOGÍSTICA REVERSA BRIDGESTONE

A logística reversa da marca Bridgestone trabalha de modo que o


objetivo é reduzir o impacto da decomposição de pneus para o meio
ambiente. Dessa forma, a marca se responsabiliza em recolher o
material já sem uso e envia para uma especializada empresa de
trituração e picotagem.
Após serem aplicados aos processos de trituração e picotagem, os
fragmentos de pneus utilizados podem ser usados novamente para

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diferentes fins, sendo alguns deles, a confecção de calçados, combustível alternativos, produção de peças
que são produzidas na indústria automobilística.

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