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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP – CUS


INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – ICS
CURSO DE FARMÁCIA

FARMACOGNOSIA II – 2020/2
NOME: IZOLDA ECHEVERRIA DOS SANTOS DE CAMARGO DATA: 11/08/2021

TESTES BIOLÓGICOS E FARMACOLÓGICOS


É necessário dispor de testes biológicos ou farmacológicos relativamente simples para
localizar a atividade procurada no extrato da planta e nas várias frações obtidas nas
diferentes etapas de purificação e separação. Devem ser altamente sensíveis, pela pequena
concentração de alguns compostos e específicos para um alvo biológico. Esses alvos são
classificados em 6 grupos:
1-Organismos inferiores: microrganismos (bactérias, fungos etc.)
2-Invertebrados: insetos, crustáceos, moluscos
3-Culturas de células de origem animal ou vegetal
4-Órgão isolados: vertebrados
5-Animais vivos
BIOAUTOGRAFIA DIRETA
A bioautografia direta combina a cromatografia em camada delgada e o teste
biológico in situ e pode conduzir à fácil localização dos compostos ativos em uma matriz
complexa. É realizada com placas de cromatografia em camadas delgada que são
aspergidas com uma suspensão de esporos e incubadas por 2 ou 3 dias em atmosfera
úmida. É possível visualizar as zonas de inibição pelo pigmento colorido produzido pelo
fungo. Isola-se assim compostos antifúngicos.
Bactérias Candida albicans não produzem nenhum tipo de pigmento, contornou-se o
problema usando atividade de desidrogenase enzimática e o azul de tiazolila, a placa fica
de cor púrpura e áreas de inibição será incolor.
TESTE LARVICIDA
Algumas plantas agem como inseticidas e larvicidas e tem um papel na prevenção de
doenças tropicais como malária, dengue e febre amarela. O teste larvicida consiste em
expor a larva recém saída do ovo ao extrato/composto em diferentes concentrações. As
lavas mortas são contadas após 30 min e depois de 24 horas do contato.
TESTE MOLUSCICIDA
Plantas com ação moluscicida podem ajudar na eliminação da esquistossomose, uma
vez que a utilização de fármacos sintéticos é economicamente inviável. Essa planta
combatem o vetor intermediário do parasita. O teste é simples, envolve o
extrato/substância da planta dissolvidos na água em que os caramujos estão presentes. A
morte do caramujo será constatada com a ajuda de um microscópio
TESTES ENZIMÁTICOS
Quando as causas de uma doença são conhecidas é possível agir diretamente sobre os
receptores ou em mecanismos enzimáticos implicados na questão. Assim os alvos se
tornam importantes para os testes biológicos. Um exemplo é a fisostigma, um alcaloide
isolado de Physostigma venenosum Balf e a galantamina, isolada de plantas da família
Amarullidaceae são excelentes inibidores de acetilcolinesterase, utilizados na terapia da
doença de Alzheimer. São usados testes bioautográficos para descobrir novos inibidores,
no teste há a clivagem do acetato de 1-naftila pela acetilcolinesterase formando o 1-naftol,
que reagem com o sal "fast blue B" resultando em uma coloração púrpura do diazoaduto.
Como a placa de CCD estará coberta com a coloração púrpura a inibição será percebida
pela formação de manchas incolores. Testes enzimáticos tem alta especificidade e são
muito sensíveis, são experiências relativamente simples e requerem pouca amostra.
Atenção é necessária para testes com extratos brutos de plantas, já que os taninos se fixam
de maneira inespecífica com as enzimas, gerando resultados falso positivos.
TESTE ANTIOXIDANTE
Espécies reativas do oxigênio são responsáveis pelo processo de envelhecimento e
outras doenças. Fármacos que atuam nos radicais livres são interessantes. As plantas
sintetizam grande número de metabólitos que captam radicais livres. Seus mecanismos
são vários: como a captura do oxigênio singlete, desativação de radicais por reação de
adição covalente, redução de radicais peróxidos e complexação de metais de transição.
A atividade antioxidante é determinada a partir da redução do radical DPPH (2,2-
difenil-1-picrilidrazila). O teste consiste em depositar em placas cromatográficas de
camada delgada extratos/frações dos produtos a serem testados, realizando separação
adequada com solventes apropriados. Após secarem, a CCD é vaporizada com solução
metanólica de 2 mg/mL de DPPH. Manchas amareladas sobre o fundo violeta indica
atividade antirradicalares
TESTE EM CULTURA DE CÉLULAS
A utilização de cultura de células in vitro é de grande valia para a pesquisa de
compostos com atividades antitumorais. São utilizadas para teste de citotoxicidade
células KB (carcinoma de epiderme humana) e Vero (células de rim de macaco-verde
africano, C. aethiops).
TESTE COM ARTEMIA SALINA
Testes biológicos usado para prever atividade in vitro e in vivo usando microcustáceo
Artemia salina é o substituto mais barato e simples para ensaios citotóxicos com células.
Suas larvas desenvolvem rapidamente e o teste consiste na correlação ente a toxicidade
sobre o crustáceo e a toxicidade em células de câncer do tipo P-388.
TESTES COM LARVAS DE GALLERIA MELLONELLA
É uma mariposa cuja larva é o hospedeiro de patógenos humanos. Sua utilização para
infecção por Candida albicans mostrou boa correlação com o observado em ratos
TESTE COM ZEBRAFISH
Usa o peixe-zebra como modelo animal para a descoberta de fármacos. Ajudou na
identificação de genes terapêuticos em áreas cardiovasculares, neurológicas e
gastrointestinais. Pois possui semelhança genética, fisiológica e farmacológica com o ser
humano.
TESTES FARMACOLÓGICOS
Ensaios farmacológicos sobre órgãos de origem animal. Como o coração da rã, fígado
e coração de porco-da-índia. São ensaios complexos, caros de se manter e necessitam de
grande quantidade de composto puro para testar. Além da autorização de um comitê de
ética para trabalhar com esse tipo de ensaio. Por isso deverá ser a última etapa no processo
de detecção da atividade biológica, sendo, entretanto, indispensável para teste de
toxicidade por exemplo.

ESTUDOS FARMACOLÓGICOS PRÉ-CLÍNICOS


Muitas empresas para acelerar o processo de desenvolvimento de novos
medicamentos e pela necessidade de inovação e carência de novos drogas tem feito
parcerias com universidades e centros de pesquisas. De modo geral, o processo de
descoberta de uma nova droga obedece a etapas bem estabelecidas:
➢ Escolha do alvo molecular
➢ Seleção de uma (ou mais) molécula líder
➢ Otimização da molécula
➢ Escolha da molécula candidata ao desenvolvimento
➢ Medicamento
Pelo custo e necessidade do uso de alta tecnologia o desenvolvimento de novos
medicamentos fica restrito a grandes indústrias farmacêuticas. A molécula líder do novo
medicamento deverá apresentar algumas características como:
• Composto deve apresentar as características da nova droga desejada;
• Deve apresentar seletividade e mecanismo de ação muito bem definido;
• Estar disponível em quantidades suficientes para permitir os estágios iniciais de
desenvolvimento do medicamento, incluindo os estudos farmacológicos,
bioquímicos/moleculares e toxicológicos
• Possibilitar a síntese e a produção de análogo a custos razoáveis
O uso de biodiversidade é de grande interesse para indústrias farmacêuticas como
fonte de novos medicamentos. Várias drogas derivadas de produtos naturais estão em fase
de estudos clínicos. O uso de produtos naturais para desenvolver novos medicamentos
oferece as seguintes vantagens:
✓ Existência de uma grande quantidade de estruturas químicas
✓ Muitas classes de estruturas homólogas
✓ Existência de estruturas químicas di e tridimensionais
✓ Possibilidade de utilização como banco de moléculas para screenings de alta
capacidade
✓ Economia
✓ Fonte de novas moléculas para alvos moleculares complexos

FATORES RELEVANTES A SEREM CONSIDERADOS NA ANÁLISE


FARMACOLÓGICA PRÉ-CLÍNICAS DE PLANTAS MEDICINAIS.
1-Seleção
De extrema importância para o estudo farmacológico das plantas medicinais. Resultados
mais satisfatórios são obtidos quando a seleção é baseada em estudos etnofarmacológicos,
relacionados aos usos populares das plantas. A seleção ao acaso tem chances reduzidas
de sucesso e é mais oneroso.
2-Preparo dos extratos
Diferentes metodologias podem ser usadas no preparo dos extratos. Cuidar com solventes
de natureza tóxica que inviabiliza os estudos in vivo. A extração a frio com etanol-água
por maceração prolongada tem se mostrado bem eficiente na extração inclusive de
substâncias de diferentes graus de polaridade.
3-Critérios de cuidados para escolha dos testes biológicos
Além dos já citados tem-se:
▪ Custos e o tempo que deverá ser utilizado para a realização do experimento
▪ A quantidade de matéria vegetal disponível para a realização do estudo, pode ser
um fator limitante para compostos puros
▪ Seletividade e a reprodutibilidade do teste
Alguns testes farmacológicos simples podem produzir resultados falso-positivos com
frequência. Alguns parâmetros que interferem nos resultados dos testes são a qualidade
dos animais de experimentação como o grau de estresse, temperatura do ambiente,
período do dia em que os experimentos são realizados, habilidade do experimentador para
interpretar os resultados
4-Estudos in vitro versus estudo in vivo
A escolha entre os dois depende de vários fatores, sendo ambos necessários para
comprovar a ação farmacológica de um extrato/princípio ativo e para elucidar o
mecanismo de ação dos extratos ou princípios isolados. Entretanto muitos efeitos
observados in vitro não são observados in vivo.
Algumas vantagens do estudo in vitro são: rapidez, custo, uso de pequenas
quantidades de amostra do material vegetal, facilidade de controlar as variáveis
experimentais, fornecem resultados quantitativos, facilidade de analisar efeitos agonistas
e antagonistas seletivos.
A utilização de testes in vivo ocorre paralelamente a realização de estudos in vitro.
Entre as vantagens do in vivo são: possibilidade de confirmar o uso popular da planta,
permitem análise de outros fatores que interferem na ação como via de administração,
fatores farmacocinéticos como absorção, metabolização e excreção. Fornecem ainda
informações preliminares dos efeitos tóxicos presentes no extrato/princípio ativo. Porém
apresenta desvantagens como custos elevados, pelo uso de grande número de animais,
mais quantidade material para teste, dificuldade na reprodutibilidade, possibilidade de
ocorrência de resultados falso-positivos
5- A interação entre a farmacologia e a química para o isolamento do princípio ativo
As pesquisas com plantas medicinais frequentemente se limitam em analisar e
confirmar os efeitos preconizados para algumas espécies vegetais. Raramente consegue-
se isolar e caracterizar quimicamente o princípio ativo responsável pelo efeito detectado.
Entre as razões para isso estão: a ausência de interação entre farmacólogos e químicos,
necessidade de equipamentos modernos e sofisticados para análises químicas, o custo do
teste das frações contendo princípio ativo. Importante ressaltar que via de regra, o
fracionamento químico do extrato deve ser acompanhado por aumento da atividade
específica
6- Estudos do mecanismo de ação de princípios ativos de plantas
Uma das tarefas mais difíceis é o esclarecimento do mecanismo de ação. Exige técnicas
avançadas de biologia molecular, bioquímica, eletrofisiologia, por esse motivo são
poucos compostos naturais ativos que tiveram seus mecanismos de ação esclarecidos.
FATORES IMPORTANTES PARA O SUCESSO NOS ESTUDOS
FARMACOLÓGICOS DE PLANTAS MEDICINAIS
❖ O uso de conhecimentos etnofarmacológicos aumenta as chances de sucesso no
processo de seleção de uma planta
❖ Classificação botânica correta da espécie selecionada.
❖ Levantamento bibliográfico abrangente da literatura em relação a estudos prévios
❖ Realização de experimentos pilotos para confirmação da atividade mencionada
pela população
❖ Escolha da parte da planta a ser estudada
❖ Escolha dos solventes de acordo com critérios adequados
❖ Escolha dos testes biológicos in vitro ou in vivo adequados
❖ Dispor de um bom biotério com animais de boa qualidade
❖ Fracionamento e isolamento das substâncias ativas com químicos e farmacólogos
trabalhando juntos.

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