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J.J.

Gremmelmaier

Definitivo

Edição do Autor
Primeira Edição
Curitiba
2017

1
Autor; J. J. Gremmelmaier Ele cria historias que começam
Edição do Autor aparentemente normais, tentando narrativas
Primeira Edição diferentes, cria seus mundos imaginários, e
2017 muitas vezes vai interligando historias
Definitivo aparentemente sem ligação nenhuma, então
existem historias únicas, com começo meio e
------------------------------------------
fim, e existe um universo de historias que se
CIP – Brasil – Catalogado na Fonte
encaixam, formando o universo de
------------------------------------------ personagens de J.J.Gremmelmaier.
Gremmelmaier, João Jose Um autor a ser lido com calma, a
Definitivo, Romance de Ficção, mesma que ele escreve, rapidamente, bem
060 pg./ João Jose Gremmelmaier / vindos as aventuras de J.J.Gremmelmaier.
Curitiba, PR. / Edição do Autor / 2017
1 - Literatura Brasileira –
Romance – I – Titulo
-----------------------------------------
85 – 62418 CDD – 978.426

As opiniões contidas neste livro são


dos personagens e não obrigatoriamente
assemelham-se as opiniões do autor, esta é
uma obra de ficção, sendo quase todos ou
quase todos os nomes e fatos fictícios.
©Todos os direitos reservados a
J.J.Gremmelmaier
É vedada a reprodução total ou parcial
desta obra sem autorização do autor. Definitivo
Sobre o Autor;
João Jose Gremmelmaier, nasceu em Esta historia surgiu quando reli o
Curitiba, estado do Paraná, no Brasil, formação Brincando com Imagens em 2017, pensando
em Economia, empresário por mais de 15 em reestruturar o escrito, e me deparo com
anos, teve de confecção de roupas, empresa a capa pronta de Definitivo.
de estamparia, empresa de venda de Sim, leio minha frase “Para mim,
equipamentos de informática, trabalhou em definitivo é a morte”, e começo a escrever.
um banco estatal.
J.J Gremmelmaier escreve em suas Agradeço aos amigos e colegas que
horas de folga, alguns jogam, outros viajam, sempre me deram força a continuar a
ele faz tudo isto, a frente de seu computador, escrever, mesmo sem ser aquele escritor,
viajando em historias, e nos levando a viajar mas como sempre me repito, escrevo para
juntos. Ele sempre destaca que escreve para se me divertir, e se conseguir lhes levar juntos
divertir, não para ser um acadêmico. nesta aventura, já é uma vitória.
Autor de Obras como a série Fanes,
Guerra e Paz, Mundo de Peter, Trissomia, Ao terminar de ler este livro,
Crônicas de Gerson Travesso, Earth 630, Fim empreste a um amigo se gostou, a um
de Expediente, Marés de Sal, e livros como inimigo se não gostou, mas não o deixe
Anacrônicos, Ciguapa, Magog, João Ninguém, parado, pois livros foram feitos para
Dlats e Olhos de Melissa, entre tantas correrem de mão em mão.
aventuras por ele criadas. J.J.Gremmelmaier

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©Todos os direitos reservados a J.J.Gremmelmaier

J.J.Gremmelmaier

Definitivo

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Definitivo, o texto começa em uma frase, que eu
mesmo escrevi em outro texto rápido, e começo a
escrever um dentro do que considero definitivo, a
Morte, então o nome é para estabelecer quando o
conto começa, e vou durante ele, deste conto rápido,
correr atrás do Definitivo, se ele existir.

Introdução, Carlos, não é o nome do personagem


principal, sua função, conduzir almas, seu problema,
como tudo que tende a um fim, o caminhar nele,
estabelece o não ter descanso, os eventos surgiram
como um sopro, não sou detalhista, então apenas
narrei uma ideia, boa leitura.

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Quando Carlos entrou naquela casa,
ele não sabia o que faria, ele apenas foi
atraído para aquele lugar.
As vezes ele tentava lembrar o
porque fazia isto, mas nunca conseguiu
respostas, ele se deixa atrair, ele sabe o que
vai fazer, mas não tem nada que lhe
impeça, seus sentimentos parecem ser serenos, olha aquela criança
em febre a cama, olha a senhora a segurar sua mão, olha o senhor
alcoolizado na peça ao lado, a cara de descrença de todos.
Carlos olha o rapaz que chega e lhe atravessa, sente sua
nevoa e foi inevitável olhar o rapaz, sabia que ele estava em seu
caminho, e ninguém desviava o caminho.
— Que sintomas ele apresentou. – Fala o rapaz, olha para a
senhora que fala.
— Ele vomitou parte da noite, pareceu acalmar depois da
meia noite, dormiu, mas hoje cedo a febre não sede.
— Não levou ele ao hospital?
Carlos olha para fora, era a ambulância de emergência, olha
para aquela moça entrando, Carlos tenta a achar em suas
lembranças, parecia conhecida, mas poderia ser alguém parecida.
Ela trazia os equipamentos de medico, que o rapaz a frente
parece usar para olhar o calor do menino, mas Carlos não estava
querendo conversa ou lamentações naquele dia, atravessa o rapaz,
olha para a cama do menino, em sua mão surge uma pequena foice,
que passou ao ar na altura da cabeça do menino, olha o mesmo
parar de respirar, olha para o medico olhando para a moça, pedindo
ajuda, enquanto ele olha a alma da criança se desprender, a estica a
mão, sabia que ela não via mais os humanos, regras básicas que
somente os “Coletores” quebravam, foi o que falaram para ele,
Carlos a muito tempo, mas nem ele sabia se era isto, as vezes
duvidava, mas o menino olha em volta e como estava de mãos
dadas com o menino, viu a luz a toda volta, olha o menino brilhar,
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olha ele sorrir, Carlos queria saber porque alguns sorriam e outros
lamentavam, mas desconfiava que dependia da forma que
encaravam a vida, ainda em vida, já que viu até gente não querer
lhe esticar a mão, pois dizia que ele não existia, estranhava isto, mas
nunca era igual, apenas alguns estavam alegres de morrer, outros,
queriam ainda viver muito.
O ser de luz encara Carlos, ele sabia que teria de ir, era hora
de largar a mão do rapaz, o faz e olha a sala ainda no agito do rapaz
tentando trazer o rapaz de volta, lembra de um caso no passado,
sorri saindo, sem olhar, lembrando da vez que se atrasou para levar
a alma marcada, ela voltou da morte e como ele não a conduziu, o
ser teve de ser conduzido forçadamente.
Nem sempre as pessoas entendem o caminho de Carlos, e
muitas vezes lhe perguntam se o seu nome é este.
Carlos sai e tenta lembrar de seu nome inicial, mas não
lembra mais, não lembra e parece que faz uma vida que o faz, isto
que tirou os olhos da moça, não tem como a ter conhecido.
Lembra quando um ser como ele o tocou, faz tempo, ele
trabalhava numa obra na cidade de New York, fazendo buraco na
base de um rio, onde se instalaria as bases de uma ponte, lembra de
sentir a força indo, a respiração pesada, o sangue no cuspe, lembra
de abrir os olhos, não saber onde estava, mas aquele ser lhe esticou
a mão, o esticar da mão para alguém que parecia lhe ajudar, mas
demorou para entender que estava morto, lembra do ser deixando
ele no campo de luz e o mesmo ser que o olhara a pouco, lhe olhar
como se não fosse o seu lugar, e o ser ressurgir, estranho que o ser
pareceu feliz em ser chamado de novo, e me olhou e falou, de hoje
em diante seu nome é Carlos que vem de Agricultor, então será um
“Coletor”, todos os coletores se chamaram Carlos, até o dia que
será sua vez de caminhar pelos campos de luz.
Carlos olha seu caminhar e não havia passado outros 15
minutos e estava chegando a um acidente ao centro, olha o casal,
estranho, pois eles estavam mal, mas o que lhe chamava era a
criança ao fundo, olha para a criança, o mesmo movimento rápido
como a mão direita, e vê a criança se desprendendo do corpo,
enquanto o bombeiro rasgava o carro para tirar as pessoas lá de
dentro, surge no campo e nem olhou o ser de luz, a criança parecia
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perdida, e a deixou ali, uma pergunta que sempre se fizera, era
quantos Carlos Coletores existia, já que no começo, achava que era
apenas ele, mas lembra quando de um incêndio numa cidade ainda
nos Estados Unidos, que devorou um prédio, que outros como ele
se apresentaram, até aquele dia achava que se parasse teriam
problema, mas soube que continuariam as mortes.
Então nem o nome Carlos era apenas dele, e isto não lhe
incomodava, era como se o chamassem de agricultor de almas,
quando elas chegavam ao ponto, colhiam e entregavam aos
senhores do campo.
Carlos sai olhando em volta e olha aquelas pessoas chegando
atirando, estava no centro do Rio de Janeiro, estavam em meio a
um atendimento de transito, com mortes, e assaltantes tomam a
rua, atirando primeiro para cima, vejo um atirar em um soldado,
mas ele não estava em sua lista, Carlos vê outro ser surgir do outro
lado do mesmo lugar, sente a moça atrás dele falar algo, dá um
passo e sente ela cair, esta estava em sua lista, olha a alma, ida e
volta e novamente olha os rapazes a atirar, Carlos evitava olhar para
quem estava do outro lado, colhendo almas, sente o rapaz a frente,
o atirador, na sua lista, sente que não deveria antecipar, mas
apenas passa a pequena adaga em seu pescoço, e ele cai sem os
demais saberem o que havia o atingido e começam a recuar, Carlos
olha o rapaz, lhe estica a mão, e este olha assustado, Carlos não
sabia o que ele vira nele, mas quando ele dá a mão para ele, tudo a
volta fica negro, ele estranha, pois não havia ido a um lugar escuro,
olha o ser a sua frente, bem vestido, que fala.
— Pensei que não mandariam mais ninguém para cá.
O rapaz olha desconfiado, largo sua mão, e tudo some, sujo
na beira da rua, olhando e um ser daqueles olha para mim, não sei
oque ele pretendia até ouvir.
— Deve ser principiante, estragou tudo.
Carlos não falava, nunca discutira nem com quem lhe dera a
determinação, mas olha outros chegando e um era uma moça,
estranhou, e ouviu.
— Deve ser um desocupado, já que não deveria estar aqui. –
Outro rapaz, Carlos dá as costas e começa a sair, ele nunca discutira

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o seu caminho, ele nunca nem trabalhara em equipe, aquele
pareciam uma equipe, ele sempre trabalhara sozinho.
Ele olha em volta e olha aquela moça da ambulância parada
ali, olhando a bagunça, olha para uma mão lhe segurar o ombro, e
vira-se e olha o que primeiro lhe falara.
— Não vai se desculpar.
Carlos olha sem saber o que eram aqueles seres, talvez ele
fosse como eles se apresentavam ali, mas ele nunca olhara um
espelho que lhe desse além da sua imagem normal, sem nada além
de um rosto em uma roupa estranha.
— Desculpar?
— Sentíamos que teríamos uma imensa coleta aqui hoje,
você atrapalhou tudo.
Olhei em volta, todas as adagas com sangue e perguntei.
— Alguém não coletou o primeiro indicado?
Os seres me olharam, se olharam, todos tinham o feito.
— Acho que sim, eu só coleto o que me indicam, e meu
caminho ainda está em aberto.
— Mas...
— Está me atrasando rapaz, posso ser o principiante, mas não
tenho tempo para conversar.
Os demais se olham e Carlos olha para o rapaz na ambulância,
ele olha para ele pela janela, olha a moça olhando para a confusão e
para a janela, sente o coração do rapaz acelerando, sente ele por a
mão no peito, sente ele olhar sem ar, passa a adaga e espera o
rapaz cair ao volante, a moça olhava ele assustada, enquanto a alma
se solta, ele estica a mão para a alma, e vê tudo mudar.
O senhor de luz sorriu para o rapaz, Carlos não entendeu,
pareceu sorrir pela primeira vez para Carlos, que solta a mão do
rapaz indicando o caminho.
Carlos surge na rua e olha para traz, os rapazes ainda olhavam
para ele, que pega o sentido que iria, chega a duas quadras dali,
vendo o corpo a calçada, para quem acompanha parecia um dia
agitado, para Carlos estava apenas numa tarde normal.
Quando ele ressurge novamente olha para os rapazes
olhando para ele, nunca trabalhou em equipe, nem soubera que a
cidade do Rio de Janeiro tinha tanta gente.
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— Vai nos explicar?
— Explicar? – Carlos.
— Todos nós estamos fazendo isto, gostamos de organização,
eu coordeno as ações, não é um trabalho fácil, não é um caminho
sem controle.
— Não entendi.
— Estou dizendo que não pode coletar na cidade sem minha
permissão.
— E quem é você para dizer que não posso?
— Carlos 532.
— Alguém mais velho, pois isto é gente que nasceu a menos
de 30 anos.
— Eu morri a este tempo, não nasci.
— 532, se não sabe que nasceu no dia de sua morte, e
quando tiver o direito a morte, nascera em luz, quem o conduziu a
este caminho?
— Apenas fomos indicados no caminho.
— Quem lhe indicou lhe colocou como líder?
— Não.
— Vocês parecem ser mais de 10, quantas mortes estão
deixando de acompanhar nestes minutos?
— Já tivemos nosso dia encerado, você o encerrou.
— Não o fiz, os 3 seres que estavam naquele lugar que
morreriam, morreram.
— E tem mais?
— Até a meia noite devo ter um a cada 12 minutos, 5 por
hora, raramente mais de 120 por dia, mas ainda faltam 3 horas e
meia, ainda falta 17 seres, e desculpa, se não tem mais ocupação,
preciso continuar meu serviço, posso ser um principiante, vai ver
que é por isto que me dão toda desta quantidade e para você
poucos por dia.
Carlos passou por ele, teria de avançar mais duas quadras, e
olha para os rapazes o cercarem.
— Acabamos para você, mas não vai sair antes de nos explicar
quem é?
— Alguém me disse há alguns anos, agora você é um
“Agricultor”, e terá de caminhar, a cada caminhada saberá quem
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estará no seu caminho e que tem de encaminhar, mas ele nunca se
apresentou, imagino que deva ter sido um Carlos, que é sinônimo
de Agricultor, e que no nosso trabalho é sinônimo de Coletor, mas
desculpa a falta de educação, mas nunca me foi permitido passar
meu trabalho a outros, dizem que é minha missão, ela me levará
aos campos de luz, se quer chegar antes 532, faça o seu caminho,
nenhuma alma que era de outro, lhe pertence, então somente as
suas lhe darão o caminho.
Carlos passa por eles e 532 olha Carlos se afastar e fala.
— Ele deve estar em inicio, alguém o deu um caminho
corrido, ele sozinho corre mais que todos nós juntos.
— Mas nunca o vimos.
— Ele tem razão, todos nós entregamos a alma do dia, mas é
que quando todos surgiram ali, tudo indicava uma grande colheita,
aquela que o antigo 254 dizia ser a que nos levaria a uma posição
melhor, ele foi mudado para o sul, nem sabemos onde.
— Acha que ele vai nos atrapalhar?
— Vimos que ele é rápido, mas espera acontecer, vi ele saber
que o rapaz no carro era dele, ele esperou, o rapaz teve um ataque
cardíaco, e ele estava ali para nem dar chance de que ele não fosse
aos campos de luz.
Todos se olham, todos viram ele surgir no campo, todos viram
que a missão dele era a criança, não pareceu ter pena, muitos
falhavam nas crianças, então a Carolina 127 olha para 532 e fala.
— Vi a frieza dele diante da criança, sempre disse que quando
se fala em vales de luz, a rapidez tem de ser aquela, para garantir
menos traumas possíveis.
— Ele parece apurar o passo, mas será que ele falou a
verdade, 120 por dia, ele pelo jeito não descansa. – 532.

10
Carlos senta-se a beira da praia,
acabara de ver um banhista estrangeiro ser
deixado nos campos de luz, ele olha em
volta, olha para as estrelas, quantos deles
deveriam existir próximo a cada estrela
daquela, não sabia o que aconteceria, mas
tudo indicava um novo caminho no dia
seguinte, ele o recebera independente de onde estivesse.
Pensa no rapaz que deixara naquele mundo escuro, mas
luxuoso, nunca deixara alguém fora dos campos, sentia que as
coisas eram para atrair naquele lugar, lembra do cheiro e resmunga.
— Poderiam nos preparar melhor para isto.
Ele olha para o céu, parecia uma luz, fecha os olhos, reflexo,
abre e olha um ser a sua frente.
— Carlos, temos reclamações de você.
Carlos olha o ser que o deixara ali, olha em volta, tinham
seres de luz, ele nunca fora a aquele lugar, ele sentia a revolta de
todos, olha para o ser a sua frente.
— O que tem a dizer.
— Não ouvi as acusações e reclamações ainda.
Carlos olha para os seres, ninguém falou, ou ele não ouviu
nada, estranha, pois o rapaz que lhe colocara nisto, lhe olha e fala.
— Ninguém entende como não os ouve.
— Nunca ouvi, qual a urgência disto?
— Falam que você cometeu um erro hoje, este erro, levou a
pessoa ao Inferno, pois se tivesse o trazido 48 segundos depois, ele
viria ao céu.
— Aquilo era o inferno?
— Sim, mas eles não gostam dos “Coletores” tendo contato
com o inferno, vocês são mensageiros do Céu, não do Inferno.
Carlos não entendeu, pois não fazia sentido, ele olha como se
na duvida e ouve algo as suas costas.
— Tem de entender Carlos, nem eles sabem tudo.
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Carlos se vira, olha aquele ser olhando-o e pergunta.
— E você posso ouvir?
— Eles não me veem.
— Como existe algo que os seres dos campos de luz não
veem?
— Tem de entender Carlos, eles não me veem, apenas isto, e
eles não estão ouvindo isto, pois assim como tempo é determinado
por cada ser, quando você não está em carne, você consegue
computar até 100 mil palavras num segundo, então o que falamos,
eles não verão, é como se tivéssemos muito mais rápido neste
momento.
— E o que farão?
— Estão estudando ainda o que fazer.
Carlos olha para os seres, sente o ser ao lado, se mexer e nem
olhou para trás.
— Eles querem uma solução, dizem que não vão admitir que
conduzamos almas ao inferno.
— Não me perguntaram a 137 anos, se o queria, assumi uma
função, me dediquei 137 anos nisto, mas se agora tudo que fiz, não
conta, paro, se acham que fazem melhor, façam, ninguém nunca me
passou assim como Carlos ao meu lado, um única vez, as regras,
vocês não nos passaram isto, mas como um Carlos, estou a
disposição, sempre, 24 horas deles, mas quem determina isto são
vocês.
Carlos não ouviu eles bradarem, mas o fizeram alto, a ponto
de outras almas chegarem a volta para ouvir, mas Carlos não as
ouvia também, talvez ele nunca tenha ouvido uma alma antes, e
estranhava estar naquela função.
O senhor que o colocou nisto, via que Carlos não ouvia a
discussão, mas todos ouviram seu desabafo, eles nunca se
perguntaram se Carlos ouvia o que eles falavam antes, então por
anos, décadas, mais de um século, eles acharam que sim, pois
Carlos o fez sem perguntar, agora se viam com um problema, e
Carlos, não ouvia eles, o agora aposentado e caminhante dos vales
de luz, não tinha como estar ao lado de Carlos muito tempo, pois
agora como ser de luz, acabaria por matar a alma ou a transformar,
então não teria como o fazer.
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Carlos ficou ali estático, os seres, não pareceram se importar
com o que ele falara, pois poderiam ter indagado Carlos através do
ser ao lado e não o fizeram, mas lembra do rapaz olhando para ele e
lhe estivando a mão.
Carlos surge em um caminho, não era mais a Terra, e
novamente, ninguém o dissera o que tinha de fazer ali.
Carlos olha em volta e pensa algo, que falara com um amigo
irlandês enquanto cavava a ponte do Brooklyn, “A única coisa
Definitiva é a morte”, sorri da frase, pois não, tinha muita coisa
depois deste definitivo, e a cada dia, parecia mais longe do
descanso, lembra que quando deitou com o peito queimando e a
cabeça explodindo, na noite de sua morte, desejou o fim das dores,
mas não pensava nunca virar um “Coletor”, Carlos estranha, pois
desde que fora tocado, suas lembranças pareciam não terminar de
se formar, e começa a lembrar quem foi, mas ainda não tinha um
nome.
Ele caminha pela trilha, ele olha suas mãos, sem sua veste
padrão e sem nada para se defender, sorri, deixara de ser Carlos,
agora teria de recobrar suas lembranças, para talvez voltar a ser ele
mesmo, e ter uma chance, mas novamente, não haviam lhe contado
o todo.
Ele tenta lembrar do exato momento de sua morte, e não
lembra, poderia estar ai o problema, poderia estar neste momento,
descobrir o que fizera que descontentara o caminho de Luz, os seres
de Luz, Carlos olha em volta e tenta lembrar do ser que falara com
ele, estranho, algo que estava ao lado e eles não viam.
Carlos como alguém que não descansara nos últimos 137
anos, estava a caminhar, não sentia o cansaço, talvez sua alma não
se cansasse mais.
Sorri da ideia de não se cansar, de não ir a lugar nenhum, e
olha um ser parar a sua frente, ele rosna, pareceu falar algo, mas
Carlos não ouvia o ser, olha que ele parecia querer que ele recuasse,
era a estrada, estava em um mundo acima dos vivos, olha para o ser
lhe atacar, ele se defende com os braços, segura as patas dianteiras
do ser, que parecia um grande cão com seus dentes a mostra, ele
tenta evitar ser mordido, mas via que outros chegavam a volta.

13
Ele sente o corpo desiquilibrar e vai ao chão, segurando o ser,
sente a cabeça tocar o chão, e depois de anos, sente dor, ele
pareceu meio desconcertado pelo sentir da dor, ela lhe trouxe
lembranças de quando fora uma criança, ainda na Irlanda, ele olha o
ser o segurando e fala.
— Porque me ataca?
— Via o ser falar, mas não ouvia.
Olha para os lados e fala.
— Alguém que eu ouça, sacanagem não ouvir além de minha
voz.
O ser pareceu olhar para ele, parar de rosnar e Carlos ouve
outro ao longe.
— Ele não lhe ouve Cão, por isto ele não lhe respondeu.
Carlos olha para o que falara e pergunta.
— Porque lhe ouço e não a ele?
— Não sei, todos me ouvem, todos lhe ouvem, não sei,
deveria ouvir, não tem como ouvir um e não outro.
— Onde estou?
— Purgatório.
Carlos segurou as palavras, parou e pensou, fizera o trabalho
para os seres por mais de um século, e o que conseguira de
reconhecimento, o Purgatório, porque era a pergunta.
— Posso fazer uma pergunta? – Carlos ainda olhando o ser
que tentava segurar longe sua boca.
— Sim, mas Cão não acreditou em você.
— Imagino, mas assim como não ouvi ele, não ouço os seres
de Luz, mas ouço quem me levou a eles, devem pensar o mesmo
que o Cão, mas não quero levar ninguém a meu problema, peço
apenas passagem, pois não quero complicar ninguém com meus
problemas, apenas passar.
— Mas está no caminho dos cães, que leva ao Inferno,
porque quer caminhar para lá, ninguém quer caminhar para lá.
— Me colocaram nesta estrada, eu sempre caminhei pelas
trilhas que os seres de Luz me indicaram, eles novamente não me
falaram, ou não ouvi, e como colocado neste caminho, caminho por
ele. Mesmo odiando a ideia.

14
Nas ruas do Rio de Janeiro, Carlos
532 olha para os nomes e locais surgirem
em sua mente e olha para outro.
— Hoje o dia vai ser apurado, algo
anormal aconteceu, o dia vai ser de muitas
mortes.
— A minha lista tem mais de 11 a
mais que ontem, e a sua? – 573.
— Também outros 11 a mais que ontem, pelo jeito vamos
somar muito em trabalho nestes dias a frente.
O grupo começa a fazer seus caminhos, no fim daquele dia,
Carolina 127 cansada.
— Um dia apurado, como seria ter 120 mortes para fazer em
um dia, se 18 me deixaram correndo o dia todo.
573 olha ela e fala.
— Duas repreensões por ter demorado demais, sem 120, com
120, teriam me chamado de principiante.
Carlos 532 olha em volta e fala.
— Pelo jeito transferiram para nós as mortes daquele rapaz,
não o vi por perto, nem o senti, alguém o viu?
Todos se olham, não havia o visto, mas viram surgir um rapaz
novo a frente e com a numeração nas vestes, de Carlos 700, roupas
novas, e fala.
— Este sim tem jeito de novato.
Os demais sorriram, mas o rapaz saiu para coletar as suas
almas, ele não olhou para eles, mas estava a fazer seu primeiro dia,
quando uma moça surge a sua frente, ela fora apaixonada pelo seu
companheiro de serviço, não falara, ele morrera do coração no dia
anterior e ela não aguenta a pressão e corta os pulsos, o rapaz novo
passa a lamina em sua garganta, lhe estica a mão e surge no campo
de luz, ele ouve o agradecimento e volta a seu caminho, a moça de
nome Camila olha o ser de luz que lhe toca a cabeça e ouve.

15
— O caminho dos que se suicidam, é o Purgatório, o caminho
que somente entendendo que sua alma é mais importante que tudo
a volta, poderá caminhar por este campo de luz.
Camila olha o caminho de pedra a frente, e um Cão surge a
sua frente, ele a olha e pergunta.
— O que a trouxe ao caminho dos cães alma penada.
— Me suicidei.
O cão olha os demais e fala.
— Preferia quando eles mandavam estes ao inferno.
— Deixa ela caminhar para lá Cão. – Fala uma moça ao fundo.
A moça olha com medo os seres e acelera por aquele
caminho, corre com medo e a frente tropeça em um rapaz, ela fala
e ele não responde, Carlos a olha e fala.
— Desculpa moça, não ouço muitos, acho que este é meu
desafio, até encontrar um lugar que todos me ouçam.
Ela olha para Carlos, ele a olha aos olhos e sorri.
— Não sorria moça, eu nunca fui bom, eu trabalhei, eu fiz o
que achava ser certo, mas me responderia com um sim ou um não
uma pergunta? – A moça estranha, mas Carlos lembra dela da
ambulância, lembra dela salvando gente, e ela estava no purgatório,
como alguém assim foi parar lá.
Ela sacode afirmativamente a cabeça.
— Um ser com vestes de morte, com uma pequena espátula
lhe conduziu ao ser de luz?
Ela sacode afirmativamente.
— Ele lhe mandou para cá?
Ela sacudiu afirmativamente.
— O que alguém que salvava vidas, fez para acabar aqui?
A moça mostra os braços cortados e Carlos olha para ela com
uma lagrima nos olhos.
— Amava o rapaz que estava sempre na ambulância com
você?
A moça olha ele e fala.
— Como sabe tudo isto?
Carlos não ouviu e sacode a cabeça afirmativamente e fala.
— Deve ser terrível não conseguir ouvir nada.
A moça fala e olha em volta e pergunta.
16
— Para onde vai isto?
Ela se assusta a ouvir alguém responder as costas.
— Ao inferno, mas pelo jeito ele sabia algo a mais, moça.
A moça olha para trás e olha o grande Cão.
— Por quê?
— Ele lhe fez perguntas como se lhe conhecesse, mas as
vestes são as da época que você viveu, diria que ele morreu a mais
de 130 anos.
— E como ele saberia?
— Ele também não me ouve, não sei, tem uma única moça na
matilha que ele ouve.
Carlos via os dois conversando, parecia excluído e começa a
caminhar, a moça olha para ele e fala.
— Ele parece triste.
— Ele parece não acreditar que fora lançado aqui.
— Para onde vai este caminho?
— Para o inferno, alguns param no caminho por saber isto,
ele pareceu não acreditar que lhe colocaram neste caminho, mas se
o colocaram, ele vai caminhar por ele.
— E o que acontece aos que param?
— As dores, os desafios, independente de caminhar, o
purgatório não é um lugar para fracos, a maioria definha, se perde,
esquece quem é, mas observo ele, algo está errado, as pessoas
evoluíram nas vestes, nas palavras, ele não, mas parece mesmo no
silencio, caminhar.
— Mas disse que uma das moças ele ouve?
— Uma das Cadelas, do caminho dos Cães, não uma moça.
— E porque aconteceria isto?
— Não sei, o observo, ele perguntou para mais de 30 seres,
coisas como perguntou para você, ele parece saber como estas
pessoas morreram, mas ele não as indagou sobre o começo, ele
indagou antes de você, sobre se o ser havia lhes conduzido para cá,
e geralmente ele sabia a forma que morrera, você ele não viu, mas
sabia que fizeram, é como se ele – o cão olha o senhor – eles não
fariam isto com um deles.
— Fazer oque?

17
O cão rosna para longe chamando uma cadela que chega ao
lado e pergunta.
— O que lhe intriga agora Cão.
— Nina, preciso que pergunte algo para o senhor.
A cadela olha o senhor indo longe e pergunta.
— Ainda ele?
— Poderia me perguntar uma coisa para ele?
— Faço, o que precisa perguntar?
— O nome dele, o que ele fazia antes de vir para cá, não
antes de morrer.
Os três aceleram o passo e Carlos olhando eles o seguindo
param e Nina olha ele e pergunta.
— Me seguindo?
Nina olha para ele e perguntou.
— Cão gostaria de saber uma coisa.
— Oque?
— Qual seu nome?
— Carlos.
— O que fazia antes de vir para cá?
— Antes de morrer?
— Não, antes de vir.
— Era um “Coletor”, não sei se sabe o que é um coletor.
Nina olha para Cão e fala.
— Ele se chamava Carlos, era um “Coletor”, não entendi, o
que isto tem de importante.
Cão se levanta, olha Carlos e fala.
— As vezes queria entender os seres de Luz Nina, os cães
nunca vão a Luz, não sei porque, mas pergunta para ele, a quantos
anos ele morreu?
— Morreu em que ano? – Nina.
— 1880, em New York, era um Irlandês, mas meu nome desta
época, ainda não lembro.
Nina fala o que ele falou e Cão fala.
— Ele era um “Coletor” Nina, eles são o braço dos Seres de
Luz, eles que indicam o caminho para o céu, mas começo a
entender o que ele queria saber.
— Por quê?
18
— Todos dizem que os “Coletores”, são seres que coletam
para o reino de luz, todas as leis estabelecem isto, mas ele pelo jeito
olhou alguns que ele coletou, e no lugar de estar no Céu, estão no
caminho do inferno.
— Esta dizendo que ele é a “Morte”? – Camila.
— Não, a “Morte” nunca existiu, aquele ser nunca se chamou
morte, e sim “Coletor”, nunca entendi a existência de almas com
sexo, mas as masculinas, Carlos, as femininas Carolina, mas o que
alguém que pelo jeito prestou serviço mais de século, fez a ponto de
ser lançado aqui.
Cão olha para Carlos como se perguntando o que estava
acontecendo, via ao longe alguns, olha para o rapaz ao fundo e fala.
— Não sei o que está acontecendo, mas com certeza, algo
está acontecendo, e o senhor ai, não deveria poder passar a frente
o que viveu, o que fez, mas não entendo ainda por que.
O grupo olha Carlos voltar a caminhar e Nina pergunta.
— Não para nunca?
— Eu sempre trabalhei 24 horas por dia, 365 dias por ano,
nem sei o que é ficar parado muito tempo.
— Pelo jeito mandou muitos para cá.
— Eu fiz algo errado, pois dizem que matei alguém 45
segundos antes e pela primeira vez entreguei alguém no inferno,
mas a pergunta, se eles querem eles longe do inferno, e colocar
aqui, nada muda, ou o que muda, mas como 45 segundos, a menos,
pode dar direito a alguém vir ao purgatório, e não ir ao inferno.
Nina olha para Cão, ela estava de interprete ali, e Cão fala
para ela.
— Pelo jeito ele foi culpado por algo que todos dizem que não
é função de um coletor, ele não abre o caminho, quem abre deveria
ser os seres de Luz, mas pelo jeito nem são eles.
Carlos nem olhava para eles conversando pois ele não ouvia,
as vezes era quebrado o silencio por algo, mas a maioria das
pessoas ele não ouvia.

19
A ordem de mortes no Rio de Janeiro
fez terem de colocar 10 pessoas extras para
junto com o aumentar das cargas para as
pessoas, para cobrir a ausência de Carlos, o
sistema estava sobrecarregado naquele
ponto, mas o estabelecer de novos seres,
sem experiências, gera atrasos, gera
problemas, e no fim do segundo dia Carlos 532 diante do ser de luz
ouve.
— Vocês não está dando conta, afastei apenas um senhor, e
vocês parecem não conseguir cobrir a ausência dele.
— Pedimos compreensão, estamos nos adaptando.
— Não me forcem a fazer com um de vocês o que tive de
fazer com o ser.
— Não entendi senhor. – Carlos 532
— Carlos NY foi mandado ao purgatório, pois ele falhou,
espero que não me decepcionem.
Carlos 532 olha o senhor, estranhou, pois em duas afirmações
sua cabeça se perde, não era um principiante, era o famoso Carlos
NY, e que mandaram alguém que fez mais de século de serviços ao
purgatório.
— O que não podemos fazer de forma alguma senhor, para
não sermos condenados, já que uma lenda o foi? – 532.
O ser de luz não respondeu, olhou outro ao fundo, apenas fez
sinal para ele sair e manda chamar quem foi o Carlos anterior ao
rapaz, hoje de nome John, pois voltou a ser o que era antes.
— Pode me responder uma coisa Luz John?
— Sim Grande Luz?
— O que Carlos 532 quis dizer com “o que não podemos fazer
de forma alguma, para não sermos condenados, já que uma lenda o
foi?”
— Nunca considerei Carlos NY descartável senhor, ele é o
“Coletor”, com maior tempo de serviço, de todos, eu coletei por 12
20
anos, os demais, coletam entre 10 e 35 anos, ele coletou por 137
anos, sei que quando ele falou, vocês se irritaram, mas sim, ele o
fez, todos vocês ignoraram todos os acertos por um erro, mas ele
não deveria estar mais coletando, mas obvio que alguém com
experiência faz com muito mais pratica, e se ele não havia visto uma
alma ir ao inferno, ninguém o viu senhor, pois ninguém coleta como
ele, ninguém se esforça para terminar as linhas inteiras, sei que ele
o faz, e sempre passam a ele as cargas que sabem que os demais
não vão cumprir.
— Mas ele falou em lenda.
— Ele está a muito tempo nisto, mas ninguém o identificaria a
rua, ele nunca se apresentou por Carlos NY.
— Pelo jeito falei demais, o rapaz não sabia que o
condenamos, mas tem de manter a ordem.
— Sabe que não é minha função o fazer Grande Luz, a séculos
não estou nisto, eu quando me chamaram referente a ele, pensei
que ele descansaria finalmente, mas nunca contestei assim como
ele as ordens, a executei, mas obvio, não posso dizer que gostei.
— Ele faz que não nos ouve.
— Ele não os ouve, sabe disto, mas mesmo que ele ouvisse, o
que tinham decidido não mudariam, pela primeira vez mandaram
um “Coletor” caminhar no caminho do Inferno, só vejo um
problema nisto senhor.
— Problema?
— Ele não vai parar no caminho, talvez tenhamos um
“Coletor” no inferno, mas não sei se vocês não pensaram nisto, pois
parece bem o que queriam.
O ser olha Luz John, não haviam pensado nisto, talvez o não
ter gente que conseguisse, não os fez pensar, mas o ser olha e sorri
para John.
— Está se deixando a levar pela lenda Luz John.
John não falou nada, eles continuavam a achar que o ser não
chegaria lá, as vezes ficava pensando se Carlos sabia o quanto os
demais falavam dele, as vezes achava que as pessoas começaram a
achar que era apenas lenda e esqueceram de o trazer para a Luz, ou
tinha algo que ninguém falava.

21
Carlos 532 olha para o fundo,
passando o pequeno objeto no pescoço, ele
não falaria mais nada, na parte superior,
estava segurando suas palavras, eles
alardearam no problema do tempo do
rapaz, ele tenta lembrar da precisão do
senhor, ele sentia o ar, ele não parecia
correr, e ao mesmo tempo, executar o que precisava.
532 estava quieto, ele não sabia se poderia passar o que
ouvira a frente, poderia ser um teste, não ao ser, e sim a ele, mas a
afirmação de que o senhor foi ao purgatório não saia de sua mente,
ele pensava em fazer aquilo para descansar no reino de luz, ele
estava distraído, o senhor olha ele entregando mais um, agradeceu
e 532 nem ouviu, parecia distante, some dali, surgindo a frente do
mar, olha seus afazeres, teria um dentro de mais de uma hora.
Ele olha alguns surgirem a sua volta e olha para eles,
pareciam se perguntar o que ele pensava, mas o silencio dele era
mais preocupante.
A moça olha para ele e fala.
— Pelo jeito lhe puxaram as orelhas, pois está quieto demais
532. – Carolina.
— Acho que estou cansado. – O rapaz olhando o mar ao
fundo.
— Você cansado fala mais do que nós 532. – Outro Carlos.
Ele olha outros chegando e pergunta.
— Todos já na folga? – 532 querendo os por a trabalhar.
Carlos 573 chegava a eles e pergunta para 532.
— O que falou 532?
— Porque?
— Mandaram relatar o que havia reclamado ou falado, está
quieto, mas alguém lá espera que fale e quer saber oque.
Carolina olha para 532 e fala;

22
— Vai dizer que aquele rapaz de dois dias atrás reclamou de
você e não vai dividir com a gente?
Carlos 573 olha para 532 e fala.
— Se é isto saiba que não vou falar nada.
— Não é, mas sei que estou em um teste 573, as vezes acho
que eles falam coisas para nos testar, mas não sei ainda o que falar.
— Vai negar que aquele principiante fofocou de você.
532 olha para Carolina e fala.
— Sei que analisamos o rapaz apenas por não o conhecer,
mas estava estes momentos lembrando a forma dele agir, limpa,
sem estardalhaço, vi ele mandar dois para o outro lado, e mesmo
assim, de forma rápida, silenciosa e precisa, ou alguém viu uma
falha naquilo.
— Reclamamos por ele estar ali, todos já tinham agido, mas
parecia que teria mais mortes. – 573.
— Mas era um principiante, pois quem seria obrigado a fazer
tantas coletas em um dia. – Carolina.
532 olha para os demais e fala.
— Acho que vocês não entenderam quem é aquele rapaz,
mas ele não é um principiante, ele não se dá ao trabalho de formar
uma equipe, ele trabalha sozinho, ele produz sozinho o que nos foi
passado a mais.
— Não entendi, o que quer dizer 532.
— Aquele Rapaz estava de passagem, mas aquele é Carlos NY.
Todos olham para 532, o rapaz não os desafiou, não os
enfrentou, não discutiu, ninguém sabia quem era, poucos o haviam
visto pessoalmente, os demais sorriram e 573 pergunta.
— E ele está por ai, ninguém fala, quer dizer, ele estava
caminhando numa missão, nós que atravessamos o caminho dele,
não ele o nosso, mas onde ele está, que passaram para nós o que
ele estava fazendo.
Carlos 532 olha para eles, não responde, ai estava a
pegadinha, mas começa a caminhar para a região norte da cidade,
onde teria trabalho em pouco mais de uma hora.
Os demais ficam olhando Carlos 532 sair e 573 pergunta.
— O que o mordeu?

23
— Ele quase destratou uma lenda, mas acham mesmo que o
senhor se foi, onde ele pode ter ido?
— Para os campos de luz, até ele merece descanso.
Os demais sorriram, sabiam que este era um momento que
todos esperavam, ficavam pensando no dia que iriam aos campos
de luz, acharam entender o que 532 estava pensando.

24
Carlos olha o primeiro portal de
saída, se via a imensa inscrição, o que dizia,
não sabia, ele nunca se dedicou a algo fora
de sua função, morrera trabalhando para
ter comida, depois se dedicou a um serviço
que o fazia a tanto tempo, que as vezes
tinha de ver o ano que estava para lembrar
quanto tempo estava nisto.
Ele lembra de gente que começou depois dele, e achava já
estar nos campos de luz, ele olha o portal, existiam dois cães nas
pontas, um escrito com símbolos que não entendia, sai e olha
aquela trilha no sentido da montanha ao fundo, olha para cima, não
se via a altura, quando chega a primeira ponte, logo a frente olha
para baixo e vê que estava alto, olha para a montanha, olha o
caminho, ele descia, não subia.
Carlos olha para trás e vê que 3 pessoas o seguiam, a Cadela
ele ouvia, os demais não, mas não entendia o que eles pretendiam,
olha para o fundo e vê alguns vindo também, gente que parara a
beira da estrada e agora estava ali.
O caminho em descida, sem ninguém, naquele ponto
ninguém parava, pois era uma ribanceira a esquerda, uma
montanha de rochas a direita, um estreito caminho que mal passava
um, mas mesmo assim, não foi difícil descer, ele olha quando
termina a descida e olha a abertura na rocha, o caminho se dividia,
um ia para fora, onde se via os que ali chegaram, e um que ia para
dentro, ele caminha para dentro e olha para a dificuldade de ver,
entendeu que ali seria no tropeção quando segurasse e quase
desequilibra, sente o calor vindo da esquerda, olha aquele magma
começar a jorrar e correr ao lado, dando uma cor ao caminho, uma
cor laranja avermelhado.
Ele olha em volta, não tinha tecido, mas o cheiro do local era
forte, ele olha para o caminho e pensa em passar rápido, sente a
pressão subir, do local, suas memorias lhe levaram a um trabalho
25
simples do passado, empurrar lama para um corredor, um emprego
que parecia fácil, mas lhe tomou a vida.
Ele para a entrada e olha para trás, estranhou aqueles seres
estarem ali.
— Vão me seguir?
A cadela olha para ele e fala.
— Não parece saber onde vai, ninguém entra, todos ficam
esperando a chegada dos barcos para levar ao caminho a frente.
— Quem dera existisse caminho certo, errado, duvidoso,
todos os caminhos levam ao futuro, e o futuro é que importa,
independente do caminho.
A moça olha para Carlos continuar, e Cão pergunta.
— Ele sabe onde vai?
— Com outras palavras ele falou que o que importa é o
futuro, não o caminho.
Cão olha a moça e pergunta.
— Você se suicidou, mas o que fazia antes?
— Era enfermeira, perdi um amor, mas salvava vidas.
O cão olha para Nina e fala.
— O que ele está dizendo que tudo no passado não foi
considerado, pois o que importa é o futuro, não importa o caminho
cego, mas o futuro, e parado não chegamos ao futuro, ficamos nas
conquistas do passado. – Cão.
Carlos olha para trás e fala.
— Não sei o que falou, mas consegui quase ouvir algo, bem
baixo, mas estranho ouvir resmungos onde não existia resmungos.
Carlos olha para o caminho, sorri de entrar em uma antessala,
ela era imensa, olha para cima, se via como se a montanha fosse
quase oca, como se um dia aquilo fosse um caminho do magma
para cima, agora ele corria ao lado, olha as paredes lisas afinando
para cima, não existia saída, mas se via longe para cima, diria que
mais de 300 metros, sente-se pequeno, todos olham aquilo, o
magma iluminava as paredes, pareciam úmidas e emitiam uma
pequena luz, parecia verde, Carlos sorri, pois provavelmente seria
um fungo que já vira no mundo, ele ao lado de fora, seria brilhoso e
azulado, mas com a cor do local, puxando ao laranja, dava aquela
cor verde clara, subindo pelas paredes, chega a uma e olha que era
26
úmida, uma visão incrível, que poderia lhe mostrar um caminho,
mas principalmente um local diferente.
Nina olha para Cão e fala.
— Como pode existir um lugar lindo destes no purgatório?
Cão não respondeu, olha para Carlos que começa a sair, por
um corredor lateral, e olha fala.
— Vamos, não sei onde estamos indo, mas este rapaz parece
ser guiado, nunca ouvi alguém falar sobre isto, certo que ninguém
sobe no sentido dos cães, mas sempre alguém fala.
Carlos pega a direita e olha para a parede, ela não era escura,
olhando por dentro, ela era translucida, a falta de luz vindo da
parede que dava a sensação de escura, olha para fora, olha o
corredor que entrou, através daquela luz esverdeada que tomava o
lugar, olha através da parede translucida olhando aquele caminho
bem mais largo que a descida interna, mas o caminho começava a
descer, passa pela altura do magma, sentiu as paredes quentes, e a
luz local foi passando do verde para o azulado, agora apenas os
fungos luminescentes davam a luz daquele caminho.
Os demais olham que o rapaz estava indo mais para baixo, se
tinha algo ali ninguém sabia, mas ele estava entrando na terra.
O grupo via aquela cor azulada e esqueceu para onde
estavam indo.
Carlos caminha por horas, e para diante daquele senhor na
entrada de uma porta.
— Tem de pagar para entrar.
Carlos sorri, pois ele ouvira o ser falar, pelo menos não teria
de fazer o discurso de que não ouvia, embora os demais ou
ouvissem. Olha em volta e fala.
— Então vou ter de voltar.
— Não vai insistir?
— Eu não tenho além das posses de uma alma, como posso
lhe pagar para entrar.
— Sabe onde esta?
Carlos olha a luz amena, clima gostoso, olha para os
acabamentos, e fala.
— Garanto que as pessoas pensam em um lugar bem menos
aconchegante que isto, para a palavra inferno.
27
O ser olha para Carlos e pergunta.
— Sabe que agora me impressionou, sabe e mesmo assim
vem no sentido.
— Já entrou alguma vez?
— Não, a Luz me livre.
Carlos olhava para o ser e um senhor sai pela porta e fala.
— Este rapaz e os seus acompanhantes são esperados.
O senhor olha o ser, ele raramente saia pela porta, diziam ser
um mensageiro do Anjo Maldito.
Carlos vê o rapaz abrir caminho, os demais viram que o
senhor entrava em um local, o senhor não os barrou, o que lhes deu
a sensação de que eram esperados, mas ignoravam onde estavam.
Carlos entra e olha aquele rapaz ao lado de um senhor, o
rapaz tomava algo e o ser olha para ele.
— Bem vindo Carlos NY.
Carlos estica a mão e fala olhando o rapaz que fala.
— Nandinho do Pavão.
— As vezes queria entender as regras, que me regem senhor,
pois dizem que ele não estaria aqui se tivesse coletado 42 segundos
depois.
— E não entendeu? – O senhor com uma roupa bem
alinhada.
— Não.
— Quando eles estabeleceram o caminho ditado pela luz, me
tirando a mesma, pensei que seria o fim, mas a séculos ninguém se
prende a entrar pela porta, eles querem ser salvos, mesmo os que
não acreditam.
— E como está então por aqui? – Carlos – E o que 42
segundos muda isto.
— Sente a adaga ainda? – O ser.
Carlos olha para as mãos e sabia que sim, mas porque não
sabia, era como se a parte física estivesse ficado.
— E como sabe?
— Sou anterior as regras atuais, sou anterior a sua existência,
a existência dos Carlos, era mais natural as coisas.
— Mais natural? – Cão que olha aquele ser.

28
— Um dia no passado, os Cães entravam ao lado de seus
donos e com eles viviam, mas os seres de Luz, com ciúmes, não os
vai ver falar isto, da dedicação dos cães aos seus donos, amor sem
pedidos, sem pedir nada de troca, proíbem os cães no mudo de Luz.
Carlos olha o ser olhar para ele e fala.
— E como alguém sabe disto, quando falo disto, todos a volta
duvidam. – Cão encarando o ser.
— Um dia Cão, sei que foi tirado do lado do seu dono, sei que
estava lá, sei que foi triste, mas enquanto você ainda lembra de seu
dono, este, agora adora a Luz.
— E quem é você.
— Um dia me chamaram de Beliel, apelidado por muitos,
ainda quando no lado superior, de Lúcifer, o mestre da luz, mas isto,
era antes, nomes como Lúcifer, não me caem mais, pois não estou
mais lá ao lado da luz.
— Estamos no inferno? – Camila.
— Ninguém passa por aqui moça, para achar que está em um
lugar terrível, mas por um erro de Carlos NY, Fernando Oliveira,
conhecido como Nandinho do Pavão, veio ao meu caminho, e me
veio uma pergunta, a muito as almas aqui descansam, interagem,
vivem sua eternidade, mas este marasmo do passado, me fez
pensar porque estamos tão parados.
— Vai dizer que não faz as maldades que falam? – Camila.
Carlos olha para a moça, a voz forte dela lhe fez sorrir e
responde.
— Moça, o transferir para outros seus erros, é um dos pontos
que mais pesa, eu sei que quando me colocaram no caminho, de
coletor, era porque não me queriam no mundo da luz, poucos
foram aceitos rápido, mas vi alguns parados no Purgatório, eles não
me reconhecem mais, parados diante de lembranças e pecados de
um passado, mas todos os erros em Terra, são das almas, elas
deveriam saber, do básico mas sei que não sabemos.
— Agora me ouve?
— Isto aqui dentro, lá fora não.
Carlos olha para o ser e pergunta.
— Porque aqui me sinto integrante, lá apenas uma alma sem
interação.
29
— Carlos, você quando estava com a dor na cabeça, perdendo
as forças para aquela pressão constante em seu cérebro, pegou
uma arma de atirou em sua cabeça, você como suicida, tende a ir
para o Purgatório, mas a escolha dos seres que serão coletores, são
seres como você, que sentem a adaga a mão, embora sei que alguns
que estão colocando lá, não a sentem, tem de ser treinados.
— Como assim?
— O Carlos que lhe sucedeu, lhe encontrou, mas quem sente
a adaga, é o ser de luz, quando ele lhe apontou, o outro poderia
descansar, mas ele não tinha o suicídio em seu caminho.
— Então estou no caminho do purgatório pois me suicidei.
— Regras de quem nunca sentiu uma dor Carlos, se você
olhasse ao lado, conversasse com alguém, no lugar de se dedicar a
sua função, 137 anos sem perguntar, veria que Carlos NY é uma
lenda, você coletava almas em um dia, que um grupo de 12
coletores o faz com trabalho, você sente as almas que vão cruzar
em seu caminho, mesmo antes das listas diárias, porque ainda tento
entender.
— E porque uma diferença de segundos muda as coisas?
— Acha mesmo que são os seres de Luz que determinam o
caminho Carlos.
— Nunca perguntei sobre isto, as duvidas me vieram quando
soube que estava no purgatório, mas por algum motivo, nem ali
consigo interagir.
— Você interage com os lugares que lhe são parte Carlos, se
você não interage com os seres de luz, não é seu lugar, se você não
interage com os seres do purgatório, apenas com alguns, é porque
alguns não deveriam estar lá, mas não quer dizer que aqui seja seu
lugar, apenas um lugar que você seria aceito como é, assim como no
mundo real.
— Mas quem comanda o caminho?
— As mortes são marcadas para segundos que o caminho da
Luz está aberto, na verdade você usa as curvas de entrada deles,
não o contrario, qualquer outra hora, eles não estariam lá, mas
quem determina o caminho, a anos não me permitem usar, a
verdadeira Luz.
— O que é a verdadeira luz?
30
— Um caminho sem volta, sem intermédio, quando você vê
um ser de luz, você passa a ser parte dos planos deles, uma vez fiz
parte, eles parecem ter me excluído, seres que se olha-los, parecem
com seres de Luz, mas o brilho deles não lhes agride os olhos, o
toque deles, acalma, lhe dá o rumo.
Carlos olha em volta, olha para o Beliel e fala.
— Está dizendo que seria aceito no mundo da Luz real, mas
não no mundo da Luz?
Beliel sorriu, olha em volta, sente a energia voltar no lugar, e
fala.
— Você os viu?
— Um ser de Luz, voz calma, ele me disse que os seres de Luz
não sabiam de tudo, senti a calma para ser condenado, não gostei
da condenação, mas nunca contestei, mas pareceu me abrir a
mente a perguntas e lembranças do passado.
— Carlos, talvez você seja o ser que foi previsto, o agricultor,
que nos indicaria o novo caminho. – Beliel.
— Como novo caminho?
— Parte do que vou dizer, é apenas acho, pois vejo parte, não
o todo, mas estou excluído do poder da Luz, de caminhar as cegas,
de enxergar o caminho, mas quando da grande briga, entre eu e os
seres de Luz, foi quando me foquei em entender as almas, e a
grande Luz não queria os estudando, queria a adoração.
— Nunca entendi a guerra. – Cão.
— Escrever sobre ela é fácil, todos mentem, ninguém estava
lá, então todos os relatos são falsos, o ser que recebe os seres
quando coletados, e chamado de Grande Luz, é um anjo, como um
dia eu fui, mas em nada ele tem de Luz, pois os seres de Luz nos
abandonaram, quando a própria Luz se denominou Deus.
— Está dizendo que os seres que comandavam
verdadeiramente o local, apoiaram a sua saída?
— Não, eles deixaram de interagir, quando eles vendo nos
guerreando, nos matando, consideraram uma grande falha, quando
se isolaram, foi dito com todas as palavras, que as almas para
chegar a Luz, agora teriam de ser coletadas por agricultores, estes
sentiriam a morte as mãos, não a luz, e somente através do

31
aprender com o tempo, chegaria o dia que eles voltariam a
interagir.
— Acha que sou isto, eu nunca interagi nem com o meu
trabalho.
— Carlos, eles não apareciam para ninguém a mais de 4 mil
anos, você em si, é o maior coletor que eles implementaram,
embora saiba que existem milhares de coletores como você.
— Imagino, pois não coleto aproximadamente quarenta e
três mil e oitocentos espíritos por ano.
Cão sorriu, nunca ouvira algo assim, agora entendera quando
o ser apontara o tal Carlos NY como lenda.
Beliel olha para a entrada, algumas almas seguiram o grupo e
ele fala.
— Sintam-se em casa, são todos bem vindos.
Camila olha Paulo entrar olhando em volta, sorri e chega ao
lado dele e Carlos sorri.
— O que lhe fez sorrir Carlos? – Beliel.
— Existem amores que não se separa.
— Carlos me passou uma coisa em mente, não sei quando
você completa 137 anos de trabalho exato.
— Teria de lembrar da minha morte com detalhes, isto foi me
tirado, mas porque?
— Carlos, você deve estar próximo ou chegou ao numero que
algo superior estabeleceu.
— Como assim?
— Se colocar a media anual sua, multiplicada pelos anos que
o fez, sem parar, Fernando pode ser o ser de numero 6 milhões das
suas colheitas.
— Acha que pode ter sido algo programado para acontecer.
— Eles esqueceram de você nos campos de coleta, somente
seres superiores para desfocar os seres de Luz a ponto deles lhe
deixarem lá.
— E o que aconteceria após isto?
— Não sei, eles estão tentando por mais seres para coleta,
mas parece que algo esta os atrapalhando, mas não sei ainda o que,
distração.
— Posso descansar aqui pelo menos esta noite? – Carlos.
32
— Pode, como disse, você era esperado, você me trouxe uma
alma após anos, mas algo aconteceu depois disto.
— Não entendi.
— Quando entrar pelo corredor amanha, depois de
descansar, observa como está o lado de fora, com calma, pela
manha.
Carlos não entendeu, mas o caminhar por aquelas terras
foram cansativas, e um rapaz do local lhe indica um quarto, ele olha
para a simplicidade, mas aconchegante, um inferno diferente do
que acostumara acreditar.

33
Carlos depois de mais de século, teve
uma noite de sono, ele sente os músculos,
senta-se a cama, parecia um quarto padrão,
uma jarra de agua na ponta, aquela luz
azulada do local dava uma sensação
estranha.
Ele sai pela porta, olha que o
corredor dava para um local que as pessoas que chegaram estavam
olhando encantadas, sai para a parte externa, olha para cima, uma
imensa lua, fixa os olhos, não era uma lua, era maior, um planeta,
azulado, olha em volta, as pessoas pareciam felizes, lembra quando
começou a caminhar naquele caminho, os rostos eram de perdidos,
de cansados, de querendo o fim da dor, ele olha os sorrisos, e ouve
uma voz.
— Veio à companhia dos normais? – Camila.
Ele olha o rapaz ao lado e fala.
— Como estão?
— Algo está estranho, dizem que estamos no inferno.
— Não, dizem que estão na casa de Beliel, ou Lúcifer, o dono
da Luz, do conhecimento, Inferno é a visão de quem está lá fora.
— Acha que ninguém vai relatar isto? – Camila.
Carlos olhava a praça e vê pessoas surgirem ali, almas em um
caminho natural, eles não pareciam pessoas ruins, mas tinham cara
de cientistas, olha aquele rapaz caminhar a eles, gente que não
deveria acreditar em Deus, pela regra que sempre mantivera, estes
seriam levados ao purgatório, até entenderem seus erros, mas eles
não consideravam e não viam naquilo a existência de algo superior,
e sim igual.
A mente de Carlos foi a sua missão, pois seres como os
Coletores estavam com data contada, ele teria de ter uma função,
quando o mandaram para lá, mesmo sem ele ter feito nada, o
menino deveria ser a alma de numero 6 milhões e um de sua coleta,

34
o ser que abriu seu caminho por si, olha Beliel olhar para ele e
sorrir.
Carlos chega perto e ouve.
— Há anos não via o céu, não estava no mundo, estava em
uma curva do espaço, desde que o menino surgiu, a posição original
do salão de luz ressurge novamente.
Carlos não sabia se aquele lugar lhe era parte, não sentia-se
bem em atrapalhar, e pergunta.
— Posso voltar a minha caminhada?
— Ninguém nunca foi preso aqui.
Carlos olha para sua mão, sente a foice e fala.
— Como ficam os seres que nascem com uma função, se esta
deixa de existir.
— Este é o problema, eles continuam com função Carlos, mas
não quer dizer que os demais estejam feliz.
Carlos não entendeu, olha para a entrada, se despede e
começa a sair.
Cão olha para ele e ladra para Nina, e ela chega ao lado de
Carlos já na entrada.
— Vai onde?
— Voltar.
— Não entendi.
— Cão, não esquece, ali fora você não me ouve, então algo
ainda está fora do lugar, eu vou voltar.
Cão olha o local e fala.
— Voltamos junto, as coisas aqui começam a agitar, mas o
lugar é bem aconchegante.
— As vezes acho que não entendi nada, então ainda preciso
voltar.
Carlos começa a sair, passa pelo porteiro, ele estranhou,
nunca alguém sairá, ele nunca olhara além do corredor de entrada,
olha para dentro como se esperando que alguém viesse e proibisse,
mas não veio ninguém, o senhor e dois cães saem, enquanto alguns
ainda vinham pelo caminho.
Ele começa a subir a montanha, alguns vinham no sentido, e
estranham gente voltando, a caminhada era pesada, foram horas
subindo, Cão olhava Nina e fala.
35
— Ele tem uma resistência e tanto.
— Dizem as fofocas Cão, que pela primeira vez em 137 anos
ele descansou, ele deve estar com todas as forças, sei que fico mal
humorada com uma noite sem descansar.
Cão sorri, ele olhava primeiro algo como impossível de subir,
mas olhando o portal a poucos metros ele pensa que fizeram uma
super subida.
Carlos para a entrada e olha para cima, olha para Nina que
fala.
— Quer ir onde?
— Deve ter um lugar que as pessoas entram neste caminho.
— Sim, poucos metros de onde o barramos. – Cão.
Carlos olha Cão e pergunta;
— O que mudou que o ouço?
Cão o olha e olha em volta.
— Não sei, vamos entrar e descobrimos.
Eles chegam aos demais e um para a frente de Cão.
— Pensei que era verídica a historia que contam? – Toby.
— O que seria verídico?
— Que os cães acharam uma saída do Purgatório, todos estão
indo para lá, mas se está aqui, sinal que falaram demais.
Cão olha em volta e pergunta.
— Quem falou isto?
— Não sei, eu sonhei com isto, muitos sonharam com isto, a
muito não dormíamos assim, sonhar com coisas boas, raramente,
então quando todos foram chamados a um mundo agradável, em
sonho, muitos saíram no sentido de onde foram.
— Achamos um local agradável, mas não uma saída, apenas
um canto agradável, aos olhos e sentidos, mas estanho isto ser
passado a frente antes de voltarmos. – Cão.
— Veio anunciar isto? – Toby sorrindo, ele ficara
decepcionado em os ver ali antes.
— Vim entender a historia toda, mas existe um local para
onde podemos mudar, mas desconfio que tudo a volta está
mudando.
— Porque? – Nina.

36
— Menos pensamentos ruins, lembro das sensações
desagradáveis que sempre senti.
Nina olha em volta e olha para Carlos indo a frente e fala.
— Vamos lá, este rapaz não para.
Cão olha para Toby e fala.
— A descida é longa, mas no lugar de sair pela ponte, o
caminho é para dentro da montanha.
— Para dentro?
— Não esquece, estamos em um mundo etéreo, tudo é
possível, mas algo está mudando e estamos verificando.
Cão e Nina aceleram o passo e veem o rapaz barrado em uma
porta onde havia uma inscrição, ele não sabia o que estava escrito,
mas batia a porta.
— Acha que eles vão atender?
— Cão, se eles não atenderem, teremos de fazer pelo
caminho inverso, mas odeio a ideia de ter de inverter as estruturas,
acho que não me é parte isto.
Carlos queria caminhar, mas o sentido que queria ir era
aquela porta, e não voltar, então ficou a bater a porta.

37
Carlos 532 chega a um senhor, ele
tivera um ataque cardíaco, mas antes dele
passar a pequena foice, vê a alma se
desprender, ele olha para Carlos e some no
ar.
Carlos olha em volta, nunca vira algo
assim, algo acontecera de forma irregular.
Carolina 127 surge a rua como se estivesse assustada, Carlos
para a sua frente e pergunta.
— O que ouve?
— Minha missão era a beira de um cemitério, mas algo
estranho está acontecendo lá 532.
— Por quê?
— As almas que foram enterradas, aquelas que mesmo com
este exercito de gente para coleta, não foram coletadas, estão se
erguendo no cemitério, e sumindo no ar.
— Sumindo?
— Brilhando, sorrindo e sumindo.
— Não sei o que aconteceu 127, mas algo esta errado.
— Por quê?
— Quando fui colher minha segunda alma do dia, ela se
desprendeu antes do horário que fui designado, e antes disto ela
pareceu escolher o caminho e sumir.
Outros começam a surgir, sem conseguir estabelecer seus
caminhos, algo estava errado, e não pareciam prontos a enfrentar
aquilo.

38
Nos campos de luz, o Grande Luz,
olha em volta, há horas não recebia uma
alma, olha em volta, tenta sentir os campos,
nada, apenas aquela batida na porta ao
fundo, eles nunca abriam para pessoas
virem naquele sentido, então olha para os
demais, sentia a redução de energia
naquele campo.
O ser olha para os campos que se alimentavam diariamente
com a entrada das almas, com suas luzes começar a murchar, o
olhar de alguns deixarem de olhar o grande cristal de luz e olhar os
campos a volta dele começarem a murchar, fez o Grande Luz olhar
em volta e caminhar a porta que batiam, ele não sabia o que estava
acontecendo, mas obvio, algo estava acontecendo, e o único
movimento diferenciado que lhe cabia a mexer era aquela porta de
entrada para o Purgatório, lacrada, eles soltavam as almas para
dentro, eles nunca deslacravam a porta.
Alguns chegam perto vendo que o Grande Luz abriria a porta,
e perguntam.
— Porque deslacrar a porta Grande Luz?
— Não sei, algo errado está acontecendo, não consigo sentir
as almas nos mundos, bilhões de mundos não se desconecta assim,
o que está acontecendo?
— Não sabemos, muitos sonharam com um caminho de paz
surgindo nos campos do Purgatório, mas ninguém tem coragem
nem de falar com o senhor sobre isto.
— Deslacrem a porta, sei que vai demorar um pouco.
O Grande Luz olha em volta e sente alguém pedindo para lhe
falar direto dos “Carlos”, ele olha para o campo e fala a outro.
— Me chama John, ele tem experiência nisto, não ouvimos
ele, e logo depois disto, algo está acontecendo.

39
John que estava a olhar e sentir a energia da Grande Pedra,
algo que fazia toda manha, com suas orações e adorações, estranha
algo interromper sua obrigação matutina.
John quando sai para os campos, olha eles todos murchos,
olha em volta, deveriam estar entrando milhares de almas naquele
caminho, nenhuma, olha para todas as pontas, normalmente
andaria para qualquer delas, e ali estaria uma das formas do Grande
Luz, que tinha sua existência dividida em milhares, para receber as
almas, mas reparou nele parado em apenas um caminho, algo
totalmente estranho a ele.
O Grande Luz olha John chegando e pergunta.
— Algo de diferente na parte interna John?
— Não, mas pelo jeito algo aconteceu, onde estão as novas
almas senhor?
— Não estão vindo, então estava pensando, a única coisa que
aconteceu diferente estes dias, foi a retirada de Carlos NY dos
campos de coleta, algo que tenha a me narrar John.
John olha em volta e olha que estavam deslacrando o
caminho para o purgatório.
— Não conseguimos nos materializar lá dentro, antes
deixávamos as almas lá, agora parece que eles se isolaram, mas
alguém dos campos de coleta, pediu para nos falar, e preciso de
alguém que me explique o que está acontecendo, pois algo está.
John olha o Grande Luz caminhar a uma das pontas e caminha
ao seu lado e vê Carlos 532 surgir a sua frente.
Carlos 532 olha para o chão e fala.
— Pedindo esclarecimentos Grande Luz.
Os coletores raramente tinham tempo para isto, o Grande Luz
raramente os ouviria, se não tivesse com tudo parado, não o faria.
— Qual o esclarecimento Carlos.
— Coisas estranhas estão acontecendo senhor.
— Coisas estranhas?
— As almas estão se desprendendo antes do horário falado e
sumindo antes de conseguirmos fazer nosso serviço, nossa ordem é
não o fazer antes, mas no horário estabelecido, elas já não estão lá.
O Grande Luz olha pra John.
— Algo que poderia gerar isto John?
40
— Não estava aqui quando se fixaram as regras, mas em
teoria, este era o caminho natural, que todos deixamos quando
escolhemos a Luz há quatro mil e poucos anos.
Carlos 532 olha para o ser de luz, nunca o vira aquel, mas
estavam trocando uma ideia, e pelo jeito o que ele relatava, era
algo que eles estavam estudando ainda.
— Qual a ordem senhor, pois todos sabemos que nos é
permitido por regra, atrasar, mas nunca antecipar a vinda de uma
alma. – 532.
— Nunca estabelecemos isto Carlos, porque não antecipam
um pouco?
— Se Carlos NY, uma lenda em coleta, o senhor mandou ao
Purgatório por um erro em mais de 137 anos, por antecipar uma
vinda, o que seria feito com um pobre coletor de poucos anos.
O ser olha com raiva, mas era o que fizeram, todos poderiam
não saber, mas quem o chamara sabia, talvez o não prestar a
atenção nos “Carlos” nem o fez pensar em quem estava a sua
frente.
John olha para o rapaz e fala.
— Respeito rapaz.
Carlos encara John e fala.
— Não faltei ao respeito, nossa educação é na verdade, não
faltei com ela, mas se alguém em anos antecipa uma única vez, só
reforçou que o antecipar do acontecimento não o pode acontecer,
todos que tinham duvida, quando se espalhou que fora considerado
um erro, com represália, embora eles nem saibam qual foi a
represália, pois não a espalhei, todos tinham de saber, antecipar,
mesmo que você seja o mais considerado dos “Coletores”, não será
perdoado.
O Grande Luz olha o ser e fala.
— Mas o que mais estava acontecendo, parecia querer narrar
mais coisas, está em sua aura.
— Por mais que coletássemos, sempre coletávamos os que
estavam na lista, deixando outros lá, que foram enterrados com
suas almas, as narrativas da Terra, são de milhares de almas se
desprendendo dos corpos, brilhando, sorrindo e sumindo dos
cemitérios pelo mundo.
41
O grande ser olha Carlos 532 e depois para John e fala.
— Pelo jeito talvez você tivesse razão John, não o ouvi, mas
quanto tempo da condenação de NY?
— 3 dias.
— Ele atravessou o Purgatório em 3 dias, você me alertou,
mas tenho de falar com os demais, vou destravar a porta do
Purgatório, preciso saber como as coisas estão ali.
— Do que estão falando? – 532.
— Que me alertaram que se um Coletor que não dormia, que
coletava 24 horas, decidisse atravessar o purgatório e entrar no
inferno, teríamos pela primeira vez um Coletor no Inferno, as almas
que não coletamos eram as que achávamos não ter nenhuma
chance de recuperação, então são os candidatos ao inferno
perfeito.
John olha o Grande Luz se afastar e olha para Carlos 532.
— O que mais está acontecendo 532?
— Sabe quem sou?
— Está em suas vestes seu numero, mesmo que não o veja,
mas o que mais está acontecendo, o que não parece normal.
— O que estranho é que nada esta anormal lá, os mundos
continuam, mas os que colocamos lá para coletar a um dia, por
excesso de trabalho, sem o mesmo, não sentem mais suas foices.
— E as pessoas a rua, parecem mais felizes ou tristes?
— Normais, nem mais nem menos.
Volte e aguarde a posição do Grande Luz para voltar ao
trabalho.

42
Carlos senta-se a beira da porta, batia
as vezes, mas as vezes ele queria pensar,
sentar era bom para isto, olha em volta,
sente o cheiro de terra molhada, olha para
os campos ao fundo, não os observara
antes, mas agora estavam brotando, verde
ao fundo, olha para Nina e pergunta.
— Sempre pensei em um lugar mais triste.
Nina olha os campos, olha para Cão que olha o grande vale,
que vinha encurtando até aquela porta, era uma imensa parede de
rocha com a porta, mas aquela visão o fez sorrir.
— O que fez Carlos?
— Eu apenas caminho.
— Isto era um deserto de pessoas, tristes, sem vida, agora
tem gramíneas a todo lado, algo que nunca houve neste lugar.
Cão olha uma nuvem, saindo de frente da grande luz e
recorda quando ainda um cão, a latir, para o sol e fala.
— Aqui o céu era cinza, o tempo inteiro, não haviam nuvens,
não havia chuva, o cheiro diz que choveu, mas sol ao céu, nunca.
Carlos estava ali para entender, olha para as pessoas
começando a caminhar, como se o sol alimentasse suas almas, que
estavam cansadas, sempre se indagou o que alimenta as almas, será
que por serem energia, o sol tinha uma função maior a elas que aos
humanos, sorri e viu uma moça ao fundo, olhar para todos os lados,
ela olha uma vala cheia de agua, lava o rosto e lava-se, olha em
volta, madeira, começa a fazer uma tapera, os cães olham aquilo,
ela trabalha naquela tarde eterna, depois olha em volta, olha umas
gramíneas diferentes e começa a diferenciar seu quintal, o Coletor
sorri, pois eles começavam ver aquilo como um mundo a ser vivido,
não apenas pensado.
Todos olham para a porta, se ouviu os primeiros lacres se
desfazendo do lado de dentro, mas não viram os imensos lacres
caírem, apenas ouviram.
43
— O que está acontecendo? – Nina.
— Alguém vai abrir a porta. – Cão.
— Não entendi. – Nina.
— Estão tirando os lacres, ninguém abre esta porta a séculos,
então o caminho para este lado não é opção, já que ele é lacrado.
Carlos olha o Cão, ele sabia disto e mesmo assim o seguiu, ele
acreditou que algo estava acontecendo, e olhando em volta, estava
mesmo.
— Tem ideia de quanto tempo? – Carlos.
— Algum tempo, não tenho ideia.
Carlos levanta-se e olha a madeira lateral do caminho fora do
lugar, coloca ela no lugar, olha para Nina e pergunta.
— Aquela pedra ao fundo é cal?
— Sim.
— Consegue algo para por parte dela e agua?
— Não entendi a ideia?
— Cão, vamos organizar, vamos mostrar a quem abrir, algo
que eles não sabem, e não existia, mas eles não sabem se era assim,
eles lacraram a porta.
Carlos foi ajeitando as madeiras de uma espécie de mureta,
todas desajeitadas, mas não era para ter um padrão, era para ser
apenas uma indicação do caminho, quando terminou de ajeitar uns
100 metros, ele pega algumas poucas ervas daninhas, prende em
um dos lados, e pegando a vasilha que a Nina trazia, começa a
passar aquele cal, nas madeiras, dando um visual de branco sujo,
pois ainda estava molhado, ele fazia isto e outras almas chegavam
junto, ele foi indicando para tirarem as pedras imperfeitas do
caminho, fizeram uma serie de vassouras improvisadas e começam
a varrer aquele caminho, ele ajeita uma madeira velha entre dois
bancos bem em frente a porta, o pinta de branco, Cão olha em volta
e sorri.
Ao fundo outras pessoas colocavam as coisas em ordem, ele
olha aquele ser, olha Nina ao seu lado e fala.
— Como alguém pode querer transformar o Purgatório em
algo bom?
— Ele caminha, ele parece não ter os pesos da vida, as
pessoas a tinham, e isto as parava em pensamentos, mas uma vez
44
alguém se mexendo, todos a volta começam a lembrar que a vida
não era apenas coisas ruins, era de momentos bons e ruins, o ditado
que não existe felicidade, pois se ela existisse existiria Tristeza, mas
existem momentos felizes e tristes, é nossa escolha estar em
qualquer dos momentos.
Cão olha em volta e olha aquele senhor, sentir suas vestes de
serviço, se viu uma capa negra surgir sobre ele, ele descobre a
cabeça e olha em volta, olha para os campos ao fundo e fala.
— Acho que podemos ter entendido tudo errado.
Cão olha ele e fala.
— Se entendemos errado não sabemos senhor Carlos NY,
mas está mostrando que dependia de nós mudarmos isto.
— Sei disto, sabe qual a função do senhor na entrada da
residência de Beliel?
— Não.
— Dizer que ali era o inferno, cobrando para não entrarem, se
as coisas fossem como eles pregam, estaria ali alguém oferecendo
uma entrada, não como empecilho.
— O quer dizer? – Nina.
— Estamos em um mundo Etéreo, mas que pelo que narram,
não existia dia e noite, apenas horas que eram escuras, horas claras,
disposto de acordo com o sentimento de todos a volta, agora temos
a parte atrás da porta, ao centro, e o Sol ao céu esta se
locomovendo, então teremos dia e noite, se isto for real, isto deixa
de ser apenas etéreo para ser regido por regras físicas, as gramas
por regra, não nascem no etéreo, não por não poder, mas por
inexistência de gravidade, sem alto e baixo, ela se perde, ela cresce
para o lado errado e morre.
— Mas o que geraria isto?
— Aquilo que todos ignoram, o peso da alma, todas tem o
mesmo micronésio de peso, o que lhes dá velocidade, o que lhes
tira o precisar de comida, mas a luz parece me devolver até minhas
vestes padrões.
— Acha que a luz era nos tirada para nos tirar as capacidades
inerentes da alma? – Fala um ser se aproximando, Carlos viu que
era alguém como ele, que readquirira as vestes, sentia a adaga em
sua mão.
45
— Ainda esperando eles deslacrarem a porta, para ter
certezas.
— Eles não o deixarão caminhar. – O ser que olha para Carlos
e fala – Fui Carlos 78.
— Carlos NY.
O ser olha em volta e fala.
— A lenda, se até a lenda eles mandam para cá, muitos
devem o estar aqui.
— Pelo que entendi 78, o caminho não é regido por eles, e
sim pelo que nos gerou a morte, mas quando eles nos tiram deste
caminho, por sentirmos a adaga de coletor, eles não tem controle
sobre quando e para onde iremos após nos tirar de lá.
— Vai dizer que a lenda se matou.
— Eu era trabalhador da estrutura da ponte do Brooklyn
quando peguei a doença da ensecadeira, minha cabeça parecia que
iria estourar, eu antecipei minha morte, eles sabem, pois ninguém
que pegou a doença sobreviveu, então me condenar por isto, é
apenas mostrar que eles não entendem de nada externo ao local.
— Então é real que esta nisto a mais de 90 anos.
— 90 quando você foi tirado de lá 78, 137 quando resolveram
me dar isto como pagamento por todas as almas colhidas.
Se ouve o cair de mais um dos lacres.
— As vezes queria as coisas normais de coletar minhas almas,
mas se este caminho não existe mais, talvez tenha de caminhar para
longe, mas primeiro, quero entender o que causei. – Carlos.
— Acha que causou algo? – Carlos 78.
— Deve saber, para alma colhida, se absorvem uma infinita
parte desta alma em seu peso.
— Sempre falaram isto, mas nunca entendi isto. – 78.
— A disputa não é entre o bem e o mal, pois se o fosse, não
existiria o purgatório a serviço do bem, ou vai dizer que 3 dias isto
parecia feliz.
— Esta a apenas 3 dias nisto? – 78.
Carlos sacode a cabeça afirmativamente, mas termina.
— Alguém acima disto, calculou, era um limite que não
deveriam ter deixado acontecer, mas se aconteceu, não me
chamaram antes, e não me chamariam, como se tivessem felizes
46
com minha produtividade, e esqueceram que mesmo o
infinitamente pequeno, quando multiplicado por milhões, gera
diferenças.
— Quantas almas colheu? – Nina.
— Beliel disse acreditar que passei do limite, e a conta é
simples, 120 por dia, por 137 anos.
— Não entendi.
— 6 milhões de almas. – Carlos.
Carlos começa a sentir o fim da tarde, olha os campos, as
pessoas se protegendo de algo que agora pareceria normal, o fim da
luz, mas por lembrarem agora da noite, muitos tinham boas
lembranças deste momento em suas vidas, Carlos olha aquele
planeta surgir ao céu, e ao fundo, uma lua, sorri e olha para as
estrelas a perder de vista, toda a Via de Leite.
— Estamos diante do planeta? – Carlos 78.
— Disto eu não entendo, mas parece que sim, mas sei hoje
que estamos a um passo de lá, eles podem não abrir nosso caminho
Carlos 78, mas entre viver aqui e lá, será escolha nossa.
— Não entendi. – Nina.
— Pelo que me lembro, esta segunda lua, surgiu para mim no
céu somente depois que virei um Coletor, então eu não a via antes
de morrer, sinal que ela está em uma frequência de luz invisível aos
vivos, ou aos humanos. – Carlos olhando para Nina.
— Para nós cães, sempre existiram três luas ao céu.
— 3? – 78.
Carlos nem termina de perguntar e olha aquele segundo
planeta girando, surgir ao fundo, olha para onde ele surgiu, olha a
cor dele, veio no momento certo, sorri.
— Esta falando deste? – Carlos.
Nina olha o grande planeta surgir ao lado, aquela cor de
liquens azulada tomar toda parte não iluminada, e a parte
iluminada, num verde intenso.
— Sim, vai dizer que estes mundos estão ligados.
— Estou dizendo que o purgatório parece estar entre os dois
mundos, é etéreo, então estarmos aqui não muda o ponto de
caminhada, apenas a distancia.
Ouvem mais um lacre cair e Nina fala.
47
— Pelo jeito são muitos lacres.
— Se são muitos lacres que os separam dos demais mundos
Nina, prefiro ficar do lado de fora do mundo deles.
— Mas não entendi onde estamos? – Cão.
— Entre a parte externa do mundo, que os de Luz ocupam o
interior, e o mundo de Beliel, a frente, todo espaço entre os dois
mundos, como almas, podemos caminhar, ainda não sei como, mas
acredito que dê para colonizar todo o espaço, agora que parecemos
estar girando novamente.
Cão olha para o lado que vai a trilha, no sentido do planeta ao
espaço, estanha, sorri e fala.
— E veio mudar nosso mundo, e tentei o barrar.
— Quanto mais resistência Cão, me dá mais gana a caminhar.
Ficaram a olhar as estrelas, a sentir os caminhos e Carlos não
fala nada, mas sabia agora como voltar, como ser parte deste todo,
ele estava aprendendo com seus sentidos.
Estava amanhecendo quando o ultimo lacre cai e o Grande
Luz surge a frente da porta, alguns seres de luz ajudam a abrir a
porta, Carlos olha para Nina e Cão e fala.
— Não recomendo este lugar para cães.
— Por quê?
— Mataria a forma que olham os humanos.
Os dois ficaram as costas, Carlos 78 um pouco atrás e Carlos
NY bem à frente.
John olha para Carlos NY, ele estava na forma de um Coletor,
os seres de luz, nunca viram um Coletor portado de sua pequena
foice, ele olha aos fundos e olha Carlos 78, dois já estavam ali se
portando como coletores, olha ao fundo, ele nunca olhara direito o
Purgatório, regras internas de deixar as pessoas lá, não olhar nem
para elas e nem em volta.
Mas o que mais agradou a John, foi sentir o sol, que brilhava
na parte externa, estranho, uma sensação melhor do que a diante
da grande Pedra de Luz, estava a observar, não falaria nada, mas
olha para os campos, não eram reais, eram etéreos, mas tinham a
cor verde de um campo plantado, viu as pessoas começarem a
caminhar para aquele lugar, milhares que quando viram o abrir da
porta, começam a caminhar para aquele ponto.
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John conta com os olhos, poderia parecer muito, mas eram
poucas comparadas ao que deveria ter ali, a visão dos campos ao
fundo, entrou com o cheiro de mato molhado, vida, o que o fez
sentir aquilo depois de mais de século.
O Grande Luz olha para Carlos NY e fala.
— Porque bate a minha porta?
— Gostaria de trocar uma ideia, mas teria de ser com quem
sabe as regras, não apenas almas penando senhor.
— Sabe que não daremos acesso a eles.
— Senhor Grande Luz, eles aqui são livres, ai presos, eles
precisavam ver que os campos de vocês é de luz, por sinal, deveria
dizer que os campos de entrada tiravam a força das almas que ai
chegam, para precisarem da Grande Pedra, mas preciso trocar uma
ideia, já que parece que embora eu tenha perdido função, parece
que a função está em mim.
O senhor vendo que vinham muitos, faz sinal para alguns que
se postam como se fossem um exercito de almas prontas a guardar
a entrada.
Carlos observa que as plantas de luz estavam todas
morrendo, o que fazer, as vezes as pessoas estão em uma função
por milênios, como as convencer que um simples coletor tinha algo
a falar.
— Senhor, não vim invadir suas terras, já falei isto, vocês
deveriam olhar em volta, não estão vendo, a luz acima de vocês está
tentando os mostrar que estão presos, não livres, que não
entendem mais de almas, sei que não mereço um lugar ao lado da
pedra de luz, eu me suicidei, mas a pergunta, vocês merecem estar
presos a ela?
— Não sabe o que diz.
— Grande Luz, sua luz e a da pedra, em nada assemelham a
gama de energia de um sol real, que nos dá todas as frequências de
luz, não apenas uma variante visível, mas a pergunta, querem
continuar presos, sei que tradições prendem mais que grades, mas a
pergunta, querem ficar presos?
— Acha que nos convencemos que não querem nos invadir.
— Amanha estes campos estarão vazios senhor, eu não vou a
casa de Beliel, mas vou a minha casa.
49
— Não entendi.
— Todos a volta, não estarão aqui amanha, pois os mostrarei
um mundo melhor do que o que vê ao fundo, mas isto quer dizer, se
ontem, as pessoas foram no sentido de Beliel, amanha, verão que
os 4 mundos, 2 reais e dois etéreos a volta, são mundo das almas,
nossas almas, não sei ainda o que sou, o que farei, precisava trocar
uma ideia, mas não falarei coisas onde não posso falar, assim como
não pararei de caminhar, e se a porta estará fechada, quando o
ultimo pensar em a abrir, agora sei que sozinho não conseguira e
sua teimosia e arrogância Grande Luz, os matará a todos, talvez não
esteja ouvindo, mas todos, todos ai dentro, deveriam saber, as
regras mudaram, queria as entender, mas se terei de caminhar em
um mundo real para entender um etéreo, minha caminhada será
longa.
O senhor ficou irritado e mandou começarem a fechar a
porta, Carlos olha os demais lhe condenando, mas ele não
prometera nada, não naquele caminho.
Carlos senta-se sentindo o sol e suas vestes se transformam,
indo a de um irlandês do fim do século 19, a adaga se transforma
em uma faca, ele prende a cintura e todos o olhavam, Carlos 78 olha
para Cão e pergunta.
— O que ele pretende, ele parece ter recuperado sua alma
original, como ele o fez?
— Sente o sol Carlos 78, ela nos dá todas as frequências de
luz, ele quer fazer algo, mas não entendo o que.
— Mas o que ele quer fazer?
— Não sei, ele parece pensar.
Carlos senta-se a grama ao fundo e fica a pensar.

50
Carlos 532 para a beira da praia,
senta-se a areia e um grupo de Carlos e
Carolinas foi para lá, olham para ele,
parecia estar pensando e Carlos 700, já sem
sua foice e vestes, pois não a sentia mais,
olha pra 532.
— O que aconteceu, que não contou
para nós.
532 olha em volta e fala.
— Não sei se deveria falar, mas tudo começou a 3 dias, alguns
a volta lembram do acontecimento, tiroteio no centro, com mortes,
13 delas, como éramos 12, um ser que todos falavam ser uma
lenda, entra na área, faz sua parte, como ele antecipou uma morte,
ele foi condenado ao Purgatório, isto que não falei.
— O condenaram ao purgatório por aquele erro? – Carolina
173 olhando ele serio.
— O condenaram, se foi apenas por isto não sei, mas o
Grande Luz, foi alertado que Carlos NY, era um coletor que não
dormia, não descansava, e em 3 dias, ele atravessou o purgatório e
entrou nas terras que chamam de inferno.
— Eles falaram isto para você?
— Discutiram a minha frente para que soubesse, e não me
alertaram a não espalhar, então o que eles estão pensando, logo
após Carlos NY entrar no inferno, tudo desanda, todas as almas que
não coletamos, e que o Grande Luz afirmou serem almas com
chance alguma de recuperação, levantam-se e estão indo sei lá,
devem estar indo ao inferno. Temos um coletor no Inferno.
— Devem?
— Ninguém sabe, eles estavam lá falando em deslacrar o
purgatório para olhar atentamente para dentro.
A fofoca corre o mundo entre os coletores.

51
O grande Luz olha o conselho, que
condenara o ser ao purgatório, olha para
John e fala.
— Saberia me explicar algumas
coisas?
— Posso tentar.
— Agora ele me ouvia.
— Estávamos entre dois mundos, não sei se do lado de lá ele
não lhe ouviria senhor, mas o senhor estava em um mundo e ele no
outro, mesmo que ninguém fale, a porta ali não é física apenas, é
um portal de entrada.
— Ele se portava como um coletor, como?
— Sei que nunca viu um coletor Grande Luz, mas não
entendo de regras de função, ele parece ter recuperado a foice, isto
que estranho, os coletores no planeta não conseguem administrar
lá a foice, pois não a sentem, ele ali ao lado sente.
— Ele nos afirmou que somos presos, entendeu algo sobre
isto?
— Não senhor, mas eles tinham um sol as costas deles, sentiu
a força, os campos etéreos deles que deveriam ser secos, estavam
verdes e com cheiro de mato molhado, não temos chuvas na parte
interna, nem na etérea, mas o que não entendi, achei que
abriríamos e ele não estaria ali, que estaria no Inferno, mas ele nos
esperava a porta, como outro coletor ao lado, com os cães as costas
e uma gama de pessoas.
— Pensei que eles nos invadiriam.
— Senhor, eles estavam em muito poucos para isto.
— Poucos? – Um outro do conselho.
John olha o senhor e fala.
— Os cálculos apontam que ali deveria ter mais de um bilhão
de almas senhor, tinha pouco mais de 100 mil.
O Grande Luz olha para John e pergunta.
— Alguma teoria?
52
— Senhor, estou ainda pensando na visão que vi, tudo que
me proibiram olhar durante uma vida, não condiz com a visão ao
abrir a porta, pois ali parecia um mundo vivo, aqui, dependente, o
que ele falou foi neste sentido.
— Como vivo? – Outro senhor do conselho.
— Eles tinham gramíneas etéreas, a toda distancia, o caminho
de entrada, que não é usado a séculos segundo vocês, não estava
aqui, parecia cuidado, pintado, varrido, ao fundo, parecia que as
pessoas criaram taperas para viver no local, o cheiro de mato
molhado, foi o que mais me pereceu irreal, isto vem de uma
recordação ainda quando vivo, ao céu, eles tinham visão do astro
que temos apenas quando vivos, no planeta, a direita de onde
estavam, os campos pareciam crescer para cima e para baixo, como
se saíssem do planeta, ou não entendi o que era aquilo, mas existia
os campos e a luz a atravessava, como se fosse etéreo e ao mesmo
tempo, campos de grama.
O ser que perguntou vira-se ao Grande Luz e pergunta.
— Estão afirmando que um coletor transformou o purgatório
em dias?
— Aparentemente sim, mas como podemos garantir, estamos
pensando nas consequências, mas os campos de luz na entrada do
grande reino, estão todos morrendo, eles viviam da força das almas,
então sem a entrada de almas, eles estão se desfazendo.
— O que faremos?
— Não sei conselho, sempre usamos o calculo de momento
da morte para abrir para nós as almas, se anteciparmos ou
atrasarmos, podemos perder a alma, mas não sei.
O conselho começa a pensar, eles teriam de dar uma solução.

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Carlos NY estava sentado, ele olha
aquele ser de luz surgir ali a olhar para o
campo, olha em volta, tudo parado, ou
quase parado, olha-o e fala.
— Como eles podem vir a entender,
se nem eu entendi? – Carlos.
O ser olha em volta e fala.
— Quando os espíritos superiores, calcularam sua existência
Newton, eles não sabiam que poderia tanto.
— Calcularam?
— As coisas na dimensão humana, são calculáveis, muitos
falam em probabilidade, nós falamos em caminho inevitável,
quando você tem por dia, mais de 12 milhões de experimentos
genéticos avançando, de varias formas, o chegar a você era uma
estrada que surgiria, quando o Grande Luz o tocou, ele sentiu sua
foice, como nunca havia sentido, ele sabia que seria um grande
coletor, mas ele nem se deu ao trabalho de ver os motivos de sua
morte, quando John o tocou, a ordem era sua exclusão, eles
estavam lhe mandando ao planeta para vagar, mas você não
poderia mais cumprir as ordens, você tinha direito a caminhar entre
eles, então surgiu no purgatório, os seres superiores não falariam
que não escolheram o purgatório, acharam que era vontade da
grande pedra de Luz.
— Quem é John e o que é esta pedra de Luz, ouvir falar não é
saber o que é?
— John é o nome do Carlos que lhe antecedeu, a ele é
passado toda a gloria de ter indicado o melhor coletor de almas
existente, mesmo ele não se gabando disto, todos os indicam por
isto, já a pedra de luz, é o centro de calor de um mundo etéreo, no
planeta terra teria o núcleo solido, aqui, um núcleo de luz.
— E como os posso ajudar, eles não querem ajuda.
— Caminha pelo que sentiu, todos estão lhe olhando, embora
alguns ainda duvidem. – O ser some da frente de Carlos, que olha
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para o céu, iriam a noite novamente, ele perdera um dia, ou
ganhara, não sabia, estava confuso, mas queria tentar algo.
Carlos chega a Carlos 78 e pergunta.
— A pergunta é simples Carlos, quer vagar por aqui a
eternidade ou vagar pela Terra pela eternidade.
O ser olhou Carlos, ele olha serio.
— O lugar parece bom.
— Tem de entender a diferença para escolher ou é uma
escolha definitiva Carlos 78.
78 olha o planeta surgir ao céu com o giro deles e fala.
— Vai para a Terra?
— Vou, não sei ainda o que farei, mas todos que quiserem ir
para lá, ajudo, os que quiserem algo mais moderno, as grutas de
Beliel são indicadas, quem quer campo, estes parecem bons. –
Carlos olhando os cães chegando perto.
— Qual o desafio Carlos? – Nina.
— Vou voltar ao planeta, apenas a escolha tem de ser de cada
ser, não sei como sentem este caminho, eu vou para lá, o caminho
vai ficar aberto por algum tempo, depois não sei.
Nina olha para Cão que fala.
— E o que seremos lá?
— Nem ideia, estou aprendendo caminhando.
Carlos caminha no sentido da montanha que se erguia no
sentido do planeta ao fundo, se via ela etérea, se via através do solo
o planeta ao fundo.
Os demais viram aquele senhor caminhar, todos achavam que
ele apontaria uma solução, mas quando viram a ponte se estender
entre o local que estavam e a Terra, alguns apressaram o passo, ali
poderia ser bom, mas ainda era um mundo etéreo, todos queriam
uma chance, embora a maioria fez por impulso, nem sabia o que
faria em um planeta físico, em estado etéreo.
Carlos caminha pensando, o ser de luz sabia seu nome, não
era qualquer um, duvidava que o Grande Luz soubesse, tentou
entender o que faria, mas estava seguindo para fora daquele
caminho, não por não ter o transformado em bom, mas por não
achar que era seu caminho.

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Carlos caminha por horas, as pessoas não pararam não por
não sentir o cansaço, e sim por não saber quanto tempo aquele
caminho se manteria aberto.
Quando chega ao centro da cidade do Rio de Janeiro, viu
algumas almas as costas, a noite ainda estava alta, eles ignoravam
que a ligação estava em um estado de tempo diferente, se eles
tivessem olhado de fora, teriam tido a sensação de que passaram
quase a velocidade da luz, mas como estavam dentro da mesma, foi
demorado.
Carlos pisa na rua, viu que os demais surgiram muito rápido,
como se estivessem todos acelerados no caminho, ele calmamente
sente o ser coletor dentro dele e os demais viram ele ir a veste
negra, foi no sentido da baia.
Ele para a beira da praia do Flamengo olhando aquela leva de
Carlos olhando para o 532, talvez o olhar do mesmo para ele, fez
todos virarem-se para ele.
Talvez a forma de ver das coisas, eles eram os bonzinhos,
Carlos o que se bandeara ao inferno, fez todos puxarem suas foices,
os cães ao fundo, nitidamente não eram vistos por ninguém, mas os
seres a praia os viram chegando, uma coisa era atacar em grupo um
coletor, outra coisa uma leva de cães que não sabiam o que fazia ali.
Carlos foi chegando perto e olha para 532.
— Podemos conversar 532.
— Acha que vai nos convencer a mudar de lado?
Carlos gargalhou e olhou os cães e fala.
— Não entrem na provocação. – Fala olhando Nina, esta para,
os demais ficam a observar enquanto Carlos se transforma em
Newton, deixando suas vestes de Coletor, para as suas reais roupas,
532 sentia a foice ainda na mão do senhor, não a via, mas sabia
estar ali, e fala.
— E quer saber oque?
— O que está acontecendo, pois parece que está tudo fora do
lugar, eu fui jogado a 5 dias no Purgatório, mas está tudo fora do
lugar, pelo jeito todos acreditam que a culpa é minha.
— Você está aqui, quem mais saiu do purgatório.
— Todos que lá estavam.

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Carlos 532 olha para as almas chegando ao fundo, os demais
viram que o problema estava se ampliando.
— E como aconteceu?
— Uma passagem entre o etéreo e o planeta se abriu, então
estamos onde é mais cruel, mas não é tão pesado.
— O que quer conversar?
— Saber o que está acontecendo, minhas almas do dia não
foram coletadas, ninguém o está fazendo?
— Ninguém consegue, elas se libertam antes.
Carlos olha para os demais e fala.
— Todos crianças brincando de coletores, deveria imaginar
isto.
Carlos volta a sua forma e fala olhando os demais.
— Acho que vocês não entenderam, quem faz a passagem
entre a alma não é o Grande Luz, a alma está determinada a ir, se
você não a indicar o caminho, ela vai para onde sente ser seu lugar,
mas a pergunta, onde elas estão indo?
— Mas e as que não desprendemos e foram a cemitérios, elas
se levantaram e foram embora.
— E os demais?
— Eles desencarnam e não os conseguimos tocar, eles
parecem não nos verem.
Carlos olha 78 chegar a ele e falar.
— Ouvi, parece a crise do Afeganistão a 30 anos. – 78.
— Não estava lá. – NY.
— Os seres estavam em guerra, Mulçumanos e Exercito
Russo, um lado não acreditava em nosso Deus, o outro, não
acreditava em Deus, então ninguém via-nos, estávamos em campo
e não tínhamos como coletar.
— E como os coletaram?
Carlos 78 toca sua foice e todos viram ela bem mais real e
brilhosa.
— Fizemos eles verem a foice, assim eles pareciam fazer um
caminho entre o existente e o etéreo.
Carlos olha o rapaz e fala.
— E lhe largaram lá para estar aqui agora?

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— Não sei, olhando assim, parece, mas fiquei décadas lá para
que estivesse neste momento aqui.
— Nunca entendi tudo, mas parece que o contexto está
diferente do que pensei, mas o surgir das almas lá, dará acesso a Luz
novamente sobre o purgatório.
— Entendo a preocupação, mas acredito que quase todos
passaram.
— Tem certeza de que não estão no caminho?
— Como falou Carlos NY, a escolha era simples, vagar aqui
pela eternidade ou lá, a escolha foi de cada um.
Carlos NY olha para 532 e pergunta:
— Saberia fazer?
— Se nos mostrar com certeza conseguimos.
Carlos volta a caminhar, os seres abrem caminho, as almas
estavam temerosas, pois a visão de uma leva de Coletores lhes dava
medo, ele chega a uma senhora, estava marcada para ser sua
colheita, se estivesse ali, ele espera o momento da morte, a sente,
as pessoas ao quarto viram aquela lamina brilhar, e passar ao ar, o
ser não sentiu, mas a alma olhou a lamina e pareceu parar a olhar
Carlos, ele lhe estica a mão, e surge diante do Grande Luz.
O ser olha a primeira alma em dias, normalmente não olharia
os coletores, mas quis saber quem o conseguira e reconhece NY que
fala.
— Calma Grande Luz, apenas mostrando aos calouros como
fazer.
Carlos some no ar, os coletores foram saindo e o olhar de
Camila para ele parecia de critica.
— Você mata pessoas.
— Não, eu apenas indico o caminho, seu amado estaria no
caminho sem entender que havia morrido se não o tivesse
conduzido, eu não escolho, mas obvio, as vezes parece frio, como
aquele menino a cama na periferia a 6 dias, mas ele estava lá
sofrendo, quando o coração dele parou, acabei com o sofrimento
apenas.
Camila se afasta de costas de mãos dadas ao amado, Carlos
sorri voltando a forma de Newton, olha em volta, estava ainda
tentando entender tudo.
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Estava ele ali parado, quando 532 para a sua frente e
pergunta.
— Me responderia uma coisa?
— Sim.
— Não foi ao inferno mesmo?
— Fui ao local que os seres da Luz, chamam de inferno, mas
eu chamaria apenas de casa de Beliel, mas ainda tenho de aprender
os limites do que aprendi.
— Eles querem falar com você.
— Sem problemas.
Carlos 532 olha para Newton voltar a forma de um coletor e
olhar em volta, esperando o chamar dos seres de Luz.
Carlos fecha os olhos, sente a energia o conduzir e surge de
frente ao conselho, estivera ali a alguns dias, agora parecia que não
era mais parte, mas vê o ser que todos chamavam de Grande Luz,
parar a sua frente.
— Ainda não sei se lhe agradecemos ou condenamos.
— Vim por bem senhor, porque me condenar?
— Deveria estar no Purgatório.
— Prove que não estou.
— Sabe que não está, mas gostaríamos de trocar uma ideia,
seu mentor gostaria de lhe perguntar algumas coisas.
Carlos sai da imagem de Coletor para a de Newton e olha
para John e estiva a mão.
— Meu nome é Newton, senhor John.
— Quer os por medo.
— Se eles tem medo de um Irlandês como vão enfrentar os
problemas do universo senhor.
— Todos querem saber o que fez por traz daquelas portas?
— Hoje se as abrir, verá que não existem muitas almas ali,
umas duzentos mil, foram vagar longe dali, a maioria, escolheu o
conforto das terras de Beliel.
— Como alguém transforma as coisas tão rápidas.
— Um ser de luz me falou, que eu era previsto, não entendo
isto, que estavam observando, mas acho que mesmo eles, são
apenas observadores, assim como vocês observam o planeta ao
fundo, alguém deve olhar os controles dos planetas habitados,
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depois deve ter alguém que olha os controles das Galáxias, acima
disto, alguém que controla os conglomerados, acima disto, os
universos, sempre existirá algo maior, mas como saber quando
alguém lhe fala, qual dos limites estas pessoas fazem parte.
— Como era este ser de luz. – Um dos conselheiros.
— Um ser que apenas me disse, que vocês não teriam como o
ver, pois para casa segundo dele, para vocês passar mais de 200 mil
deles, algo que é um sopro, mas pareceram apenas observadores
curiosos.
— Acha que acreditamos nisto? – Grande Luz.
— Não pedi para acreditarem, se vocês pensaram em me
prender no caminho do purgatório, agora sei, ali sou livre, aqui,
apenas um membro de uma sociedade estacionaria.
— E pretende viver onde.
— Sou um espectro de vida, todas as almas o são, não
pretendo viver, observar e esperar o dia que minhas forças se
forem.
— E se não se forem?
— Quem sabe retome minha caminhada.
O grupo olhava para Carlos, ele apenas fecha os olhos e surge
na frente dos demais, olha os cães e saem a norte, ele não ficaria na
cidade, achava que teria algo a fazer no futuro.
Ele sai caminhando enquanto os demais olham eles se
afastar, os campos do purgatório, de tempos em tempos, eram
esvaziados, mas Newton ainda vivia isolado, sem que os demais
entendessem o quanto aquele senhor, era feliz sozinho.

Fim.

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