Você está na página 1de 11

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

IDENTIDADE PROFISSIONAL DOCENTE: UM


DIAGNÓSTICO DE SUA CONSTITUIÇÃO FRENTE AOS
SEUS PÓLOS DE RECONHECIMENTO

Anteprojeto de pesquisa apresentado à


disciplina de Métodos e Técnicas de Pesquisa
Social II do Bacharelado em Ciências Sociais
da UFRPE, sob a orientação da Professora
Grazia Cardoso, para obtenção de nota na 2ª
Verificação de Aprendizagem, no 6º período,
turno da noite.

Graduando: Paulo Fernando Medeiros


Epaminondas

Recife – Pernambuco – Brasil

1
SUMÁRIO

1. TEMA ............................................................................................. 3
2. PROBLEMA ................................................................................... 4
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................. 5
4. METODOLOGIA ........................................................................... 7
5. REFERÊNCIAS ............................................................................. 9

2
1. TEMA

A temática a ser abordada neste pré-projeto de pesquisa será a da identidade profissional


docente frente aos seus pólos de reconhecimento, o do auto-reconhecimento (visão
sobre si) e o do alter-reconhecimento (visão dos outros).

3
2. PROBLEMA

A mudança de cenário trazida pelo advento da globalização colocou à modernidade


questões que acabaram por descortinar uma possibilidade de conflito sobre identidade
cultural num âmbito mais geral, e frente a tais mudanças nos indagamos se a identidade
profissional docente não teria tido o seu estabelecimento sofrido com essa influência
frente aos seus pólos de reconhecimento – estaria a identidade profissional docente
(des)constituída(indo-se) ou tratar-se-ia apenas de uma transformação trazida à

4
modernidade que foi acompanhada e superada em termos de desenvolvimento pelas
relações sociais?

5
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A identidade tem sido uma temática discutida de forma ampla pela academia,
através de abordagens e perspectivas diferenciadas, dadas as possibilidades de
significado que traz consigo – encaminhando-nos a um desenvolvimento de seu
conceito desde a identidade em sua origem até a identidade a que nos propomos no
presente pré-projeto de pesquisa, a profissional, e especificamente em nosso caso, a
docente.

A origem do termo identidade (século XVII) provém do latim medieval


indentitus-átis, cuja raiz localiza-se em idem, correspondente a “o mesmo, a mesma
coisa”. Dentre as significações possíveis, identidade registra aquela que especifica “um
conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e
graças às quais é possível individualizá-la” (HOUAISS; VILLAR, 2001).

Para Berger e Luckmann (2008), a identidade ainda se contextualiza como um


elemento-chave da realidade subjetiva, encontrando-se numa relação dialética com a
sociedade. Estrutura-se e modifica-se através dos processos e das relações sociais nas
quais o sujeito se encontra inserido, produzindo-se a partir de interações, sendo a
“identidade um fenômeno que deriva da dialética entre um indivíduo e a sociedade” (p.
230).

Vianna (1999) considera a identidade como algo essencialmente subjetivo,


definindo-a como “o conjunto de representações do eu pelo qual o sujeito comprova que
é sempre igual a si mesmo e diferente dos outros” (VIANNA, 1999, p. 51).

Tendo em vista as afirmações visualizadas até o presente, podemos indicar a


identidade como algo dinâmico, em processo de mudança constante e relacionando-se
dialeticamente com as experiências próprias do indivíduo e com a sociedade.

6
Gouveia (1993), contudo, destaca o processo de identificação como precursor da
construção da identidade, por suscitar por parte do indivíduo um vínculo com o objeto
que esteja aonde deseja chegar, destacando o processo de identificação como
fundamental e até imprescindível para se falar em identidade. Segundo Gouveia, além
da identificação como fundamental na construção identitária, há outros elementos
importantes, a saber: o aspecto consciente, que seria uma tentativa do sujeito em
apresentar uma unicidade naquilo que o define, a constância que se trataria dos
elementos que representam o sujeito, a continuidade que se referiria ao “dinamismo
temporal na elaboração da identidade como algo que se estrutura no passado, se atualiza
no presente e se projeta no futuro” (p. 103) e semelhanças e diferenças, entre aquilo que
é percebido entre os parceiros de identidade e o que é dirigido aos que não
compartilham da mesma identidade, respectivamente.

Para Vianna (1999), pode-se perceber que a identidade não se dá apenas no


campo individual, mas também no coletivo, existindo uma correlação entre os dois
campos.

Contudo, Berger e Luckmann (2008) a esse respeito, considerando que as


sociedades possuem histórias no curso das quais surgem identidades particulares, feitas
com homens detentores de identidades específicas, indicam que podemos evitar a noção
equivocada de identidades coletivas, sem a necessidade de recorrência à unicidade da
existência individual, haja vista que “as estruturas sociais históricas particulares
engendram tipos de identidade, que são reconhecíveis em casos individuais” (p. 229).

Para Vianna (1999) a identidade coletiva não decorre diretamente da individual,


mas possui outro “sistema de relações ao qual os atores se referem e em relação ao qual
tomam referimento” (p. 52). Contudo, haveria aspectos da identidade individual que
influenciam na coletiva, a saber: “a subjetividade, a multiplicidade, a tensão entre
mudança e permanência” (p. 53).

Entende-se dessa forma que para Vianna (1999) a construção identitária coletiva
se apóia através da identidade individual e que apesar da influência da personalidade no
comportamento, é coletivamente que as ações e não apenas o indivíduo se torna
responsável pela construção identitária.

Uma das características principais da identidade coletiva é a questão da tensão


entre permanência e mudança, sendo produzida por indivíduos que interagem na

7
construção e negociação repetidas das relações que os liga. Nesse contexto de
identidades coletivas, o indivíduo necessita reconhecer o que os agrupa, fazendo-os agir
em conjunto, frente a condicionantes externos que interferem de uma forma ou de outra
na construção de uma identidade coletiva, já que “ninguém, individualmente ou
coletivamente, constrói sua identidade independentemente das definições sociais
elaboradas a seu respeito”. (VIANNA, 1999, p. 70).

Penna apoiado na idéia de reconhecimento como fundamental para se tratar a


questão da identidade profissional, citado por Galindo (2004, p. 15) define: “é
constituída no jogo do reconhecimento, formado por dois pólos – o do auto-
reconhecimento (como o sujeito se reconhece) e o do alter-reconhecimento (como é
reconhecido pelos outros)”.

Ainda considerando a identidade profissional como inserida nesse jogo de


reconhecimento, pressupomos um sujeito humano capaz de simbolizar, representar,
criar e compartilhar significados em relação aos objetos que convive, ancorado num
reconhecimento que emana das relações sociais, “definindo-se a partir de como se
reconhece no desempenho de papéis sociais e como é reconhecido pelo outros”
(GALINDO, 2004, p. 15).

Sobre esse processo de significação, reconhecimento e construção do conceito


de identidade profissional, temos Pimenta (1997, p. 7) definindo: “[...] se constrói a
partir da significação social da profissão [...] constrói-se também, pelo significado que
cada professor, enquanto ator e autor confere à atividade docente de situar-se no mundo,
de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e
anseios, do sentido que tem em sua vida: o ser professor. Assim, como a partir de sua
rede de relações com outros professores, nas escolas, nos sindicatos, e em outros
agrupamentos.”

Afirma-se dessa forma que a identidade precisa ter seu entendimento como o de
um processo que fornece à constituição humana importância e que não deve ser
compreendida como algo estático, estabelecido, não mutável. A identidade profissional
docente, com base nas identidades pessoal e coletiva, precisa se firmar em seus
elementos de reconhecimento, rumo à sua constituição.

8
Entretanto, para Hall (2004) todo esse processo de aquisição identitária e
consequentemente de afirmação da identidade encontrar-se-ia comprometido com o
advento da modernidade, declarando que “as velhas identidades, que por tanto tempo
estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e
fragmentando o indivíduo moderno” (p. 7). A tentativa de Hall em explorar questões
sobre a identidade cultural da modernidade tardia e de avaliar uma possível crise de
identidade, leva-nos a uma indagação sobre essa crise em relação à identidade
profissional docente, dada a relevância de afirmação de tal identidade para o contexto
social.

9
4. METODOLOGIA

Serão estabelecidos como objetos de nossa pesquisa docentes da Educação


Profissional, especificamente de Cursos Técnicos, de uma dada escola técnica privada
da cidade de Recife, Pernambuco. A amostra da pesquisa contará com 30 docentes, 10
colaboradores em nível de analista e gestão e 50 alunos, de áreas de ensino e atuação
diferenciadas.
Os dados serão coletados através das seguintes fontes: entrevistas semi-
estruturadas (os quais terão como base a elaboração de roteiro com questões
contextualizadas em temas pertinentes à pesquisa), material jornalístico interno e
informações sobre o perfil de investimento do plano de desenvolvimento profissional
docente da empresa onde os sujeitos pesquisados trabalham.

10
5. REFERÊNCIAS

BERGER, P. L. ; LUCKMANN, T. A construção social da realidade: tratado

de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2008.

VIANNA, C. Os nós do “nós”: crise e perspectiva da ação coletiva docente em

São Paulo. São Paulo: Xamã, 1999.

PIMENTA, S. G. Formação de Professores – Saberes da Docência e Identidade

do Professor. Nuances, vol III, Presidente Prudente, 1997, p.05 – 14.

GALINDO, Wedna. A construção da identidade profissional docente. Psicologia

e Ciência, 2004, 24 (2), 14-23.

GOUVEIA, T. M. V. Repensando alguns conceitos – sujeitos, representação

social e identidade coletiva. Dissertação de mestrado em sociologia.

Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 1993.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade \ Stuart Hall; tradução

Tomaz Tadeu da Silva, Guaracira Lopes Louro – 9. ed. – Rio de Janeiro: DP&A,

2004.

11