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El modernismo como proceso literario - Ricardo Ferrada

Para o estudioso chileno da literatura Ricardo Ferrada, de partida se pode afirmar


sobre o modernismo hispano americano, “su condición de pluralidad en formas expresivas
y el simultaneísmo con que emerge en [neste] espacio geográfico”.
Desse âmbito caleidoscópico, seu interesse destina-se a ver o movimento
modernista ‘submetido a tensões internas, aos que se agregam os alcances de seu
impensado desenvolvimento’, por isso, acredita, afirma nosso autor, ‘a história que o
explica e a dinâmica que suas estratégias formais formais assumiram se articulam com o
ponto de vista de quem impulsionaram um projeto, que se foi determinado pelas
condições de produção, se manifestaram estranhamente desde um pano de fundo contra
discursivo em direção à sua época’, por tal motivo Ferrada ‘estima que isso contribui no
exame e recepção para assimilá-la a uma sensibilidade estética’.
Para ele, estudar o modernismo desde hoje, opera-se mediante uma sorte de diálogo
entre a história literária e a história cultural, mais além daquela compreensão do fato
literário ou da autossuficiência da obra.
A ideia de processo do autor do artigo no contexto da temática enunciada se
inscreve no interesse de examinar a forma canonizada de um movimento que em sua
dimensão dualista, literária e cultural, oferece distintas leituras em sua recepção, isto
é, de maneira semelhante à Antônio Candido em sua definição de sistema literário,
quando há a existência de uma geração de escritores, críticos e leitores. Crê ele que o
questionamento inicial significou interpretar as primeiras obras como um discurso alheio à
América; a pretensão universalista do projeto operava, paradoxalmente, no momento em
que se gestava a consciência de identidade nacional e continental - 1850 em diante -
momento em que a expressão literária formou parte do mesmo fenômeno, isto é, uma
literatura nacional e a expressão americana de uma maneira em que os escritores
constroem seu imaginário.
Em outro nível, o processo inaugural do modernismo e posterior desenvolvimento
e fim desse mesmo processo resiste a um estudo uniformizante. Em comparação com o
momento anterior, se há uma estética modernista, suas variações expressivas não
alcançam, dirá nosso pesquisador, a conformar o que seus próprios autores buscavam. E
esse se torna um ponto chave, pois as diversas orientações formais, já traziam a presença
de componentes de linguagem literária que anunciam a vanguarda, e portanto, excedeu sua
própria temporalidade. Isso afetará, crê Ricardo Ferrada, particularmente o panorama da
poesia hispanoamericana até o começo do século XX.
La conciencia modernista
Fiel a tradição crítica aberta por Octavio Paz, Ferrada dirá que o modernismo
hispano foi uma resposta aos movimentos do período, ele recolhe uma afirmação e diz que
ela, a expressão, é um “modo de interpretar un período y cómo se constituyen los medios
expresivos que lo manifiestan, asimismo, una perspectiva para comprender un fenómeno
que modificó toda nuestra cultura a fines del siglo XIX, con proyecciones insospechadas
con respecto a su origen”, a citação em espelho é a seguinte: “el modernismo fue la
respuesta al positivismo, la crítica de la sensibilidad y el corazón - también los nervios -
el empirismo y en cientismo positivista. En este sentido su función histórica fue semejante
a la de la reacción romántica en el alba del siglo XIX. El modernismo fue nuestro
verdadero romanticismo” (Paz, 1984: 128).
Na nova autocompreensão da consciência crítica e da sensibilidade estética e da
imagem de sociedade envolvida, os criadores que impulsionam o período preterem a raiz
espanhola e referenciam-se no modelo francês.
De um lado estávamos “en un contexto donde se vivía la consolidación de la
nacionalidad en muchos países de nuestro” continente, em contrapartida, o modernismo,
dirá o doutor Ferrada, assumiu um discurso distinto, de uma alteridade socialmente
impactante, uma estética descontínua e caótica, sem eixo uniformizador, que segundo o
próprio Darío, abro citação do artigo “porque proclamando, como proclamo, una estética
acrática, la imposición de un modelo o de un código implicaría una contradicción” (Darío,
1978:9).
O que o doutor chileno quer dizer é que se houve ruptura neste movimento e
aprovação de formas literárias e estéticas vistas como extrangeirizantes, essa mesma crítica
nasce de propostas de pensamento cuja origem remete ao externo que operam como
modelos que desenham a orientação social e um modelo de sociedade: o passado
hispânico. A consequência foi que o modernismo abriu a discussão aos escritores, além de
espaços e zonas inexploradas no nosso idioma e geografia e universalizou a imagem de
nosso continente.
Por isso tudo, “la conciencia modernista tendrá la suficiente plasticidad para
recoger medios expresivos de diversos matices: versificación, cromatismo verbal, ritmos,
temáticas, símbolos e imágenes míticas provenientes de la cultura oriental, también del
mundo afroamericano. Enquanto que no mundo da temática, vicejou uma visão da
realidade, uma perspectiva sobre o homem a partir da diferenciação a respeito da
sociedade, isto é, desde seu espaço lírico e geográfico, sempre segundo Ferrada.
A empreitada levada a cabo pela construção dessa linguagem levará a emergência
de uma personalidade intelectual e literária reativa e contrastiva em relação à europeia,
culminando na progressiva constituição de uma identidade e de uma cultura própria e de
uma imagem que muito mais que uma paisagem antípoda à metropolitana, é em si mesma
uma condição social e política.
Sincronía de formas plurales
O movimento modernista hispano americano foi impulsionado por essa diversa
geografia do nosso continente. Porém, teve na Nicarágua sua terra natal e de lá se irradiou
pela América Central e expressou tendências em lugares como Buenos Aires, La Habana,
Santiago de Chile, Ciudad de México, Bogotá, Montevidéu, Lima, para citar cidades em
termos gerais. A predominância estética, literária e cultural é atribuída pelo autor a fatores;
um deles a derrota espanhola na guerra hispano-cubano-americana, que o autor
erroneamente, seguindo uma corrente obtusa, pretensamente objetiva, de considerar a
primeira intromissão imperialista dos EUA, desconsiderando o histórico de três anos de
guerra de Cuba, começada em 1895, de “guerra perdida con Estados Unidos”, quando seria
mais adequado nomear de invasão imperialista patrocinada pelos EUA; e, citando Ángel
Rama, a “autonomía literaria del continente”.
Essa sincronia de formas plurais são as manifestações do modernismo na década de
80 e 90 do século XIX. No entanto, sincronizar não significa ausência de tonalidades
literárias poéticas, antes pelo contrário, foram muitas as intenções e compromissos
explícitos sobre o ofício literário e função do escritor e experimentação de meios
expressivos pelos autores, sem paradigma estabilizador. Muito embora saliente-se a digital
da poesia francesa no imaginário poético, sobretudo Baudelaire, Verlaine, Hugo, Rimbaud,
mas norte-americanos como Poe e Whitman, ou a poesia clássica e a mitologia, ou o
ensaio literário, vide José Enrique Rodó, ou a arte oriental, vide Julián del Casal.
Tecnicamente, em resumo, o modernismo criou uma literatura sensual, melódica,
cromática, metricamente diversa, vide a experiência do verso livre ou branco, a
recuperação de palavras ou os neologismos, a recodificação dos mitos universais e
inclusive americanos. Isso é logrado mediante a observação da imagem do eu poético, que
é o centro do discurso, “en extremo, la síntesis de la sensibilidad modernista, generada
desde ciertas condiciones históricas y culturales, opera mediante ese eje discursivo que se
(auto)legitima como algo único y donde la misma expresión literaria es singular. La obra
es derecho y revés de una identidad y una liberación emotiva, es lo distinto, y esto ocurre
porque un yo (el artista) que diseña objetos artísticos en una sintaxis personal, que intenta
la forma y el equilibrio perfecto entre el sonido y el sentido”.
La (in)definición del modernismo
O antigo escritor político, desde sua condição periférica, a partir da década de
1880, marcado por um momento de crises e polêmicas, assumir-se-á também como sujeito
que discute nesse espaço de ação como intelectual e artista e influenciar culturalmente,
convertida nessa figura pelas mudanças trazidas pelo fim do século.
Lugar privilegiado na reflexão ocupou a reflexão sobre a linguagem, seu papel
quanto à capacidade estética ou expressiva das palavras. Rubén Darío é um exemplo ótimo
de alguém que atacou a tradição envelhecida e envilecida herdada de Espanha. Porém, a
contenda logo empalideceu em meio a conflitos de ordem econômica que levaram até
mesmo a confrontos bélicos entre nações e muita instabilidade política. Gravitando em
torno deste grande entramado, a literatura modernista “intenta resumir y sintetizar lo
moderno mediante la experiencia literaria y vital, donde la textualidad fue la vida en la
ciudad, también el cuerpo, la vida interior y las palabras que se plantean como desafío para
expresar su pleno sentido. Así, hay una tensión entre lo que es texto literario como
construcción de lenguaje y de mundo, versus la constitución social fragmentada, que
intenta de todos modos una especie de unidad espiritual”.
As forças vivas do movimento modernista, aqui entendido não apenas como
movimento literário, e isso são palavras do próprio professor doutor Ferrada, afinal, ele
citando Darío dirá que o poeta nicaragüense afirmou “el movimiento de libertad que me
tocó iniciar en América”, excedia o literário, e foi nesse campo que o próprio se negou a
lançar manifestos ou textos fundacionais, “su eventual ordenamiento como línea
programática fue negada por él mismo, y en gran medida no es del todo irrelevante que
haya pensado así” e que o autor interpreta como estratégia argumentativa de negação. A
colocação em cena de um desenho literário consciente, a abertura em direção à sociedade,
parte de um ideário que escapa à sobredeterminação naturalista, quer-se dizer, “esa
textualidad es el horror del mundo, la separación o el aislamiento del sujeto real y de
enunciación, un modo de (auto)fragmentarse de la sociedad”. E nesse exercício de
confrontação, ao mesmo tempo em que negava esse modelo de sociedade, inseriu-se nele,
“en la expresión cultural, la textualidad se transformó en fragmentos de mundo, el texto se
abrió desde su absoluto de lenguaje y belleza a una moda literaria, finalmente, ese mismo
texto como fragmento de un todo se transformó, también, en un signo de lo dispar en que
se manifiesta la llamada Modernidad”.
La obra como objeto artístico: prefiguraciones de la vanguardia
A proposta modernista e a feitura da literatura deste movimento traz em sua
escritura não apenas a expressividade e o lirismo, mas a marcante presença constitutiva de
um discurso teórico e inclusive crítico e de uma poética pessoal, essa forma reflexiva de
desenvolvimento de idéias ultrapassa e invade os gêneros, permite identificar processos
individuais e ver o grau de coerência entre teoria e prática.
Essa especificidade deixou heranças. Enfrentando novos projetos socioculturais em
novos contextos, foram capazes de responder com a invenção de propostas para seguir
com a tradição.
O problema que aparecerá, segundo R. Ferrada será “el encuentro del vocablo, la
imagen, la metáfora, el adjetivo, en síntesis cómo lograr el verso, la estrofa, el poema, el
ensayo y la crítica”. “En ese proceso de experimentación con lo formal, agregamos, se
produjeron verdaderos hallazgos literarios, consciente o inconscientemente, de modo que
“después de esa experiencia [del modernismo] el castellano pudo soportar pruebas más
rudas y aventuras más peligrosas. Entendido como lo que realmente fue un movimiento
cuyo fundamento y meta primordial era el movimiento mismo aún no termina” (Paz, 1976:
12).

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