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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE

JUSTIÇA DO ESTADO DE X.

FRENTE BRASILEIRA UNIDA, já devidamente qualificada


nos autos da ação em epígrafe, por intermédio de seu advogado que esta subscreve, vem
respeitosamente perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 102, inciso III, alínea
“a” da Constituição Federal, interpor RECURSO EXTRAORDINÁRIO contra
decisão deste Egrégio Tribunal de Justiça, requerente sua remessa ao Supremo Tribunal
Federal (STF), para que seja recebido, processado e, ao final julgado, dando-se integral
provimento aos pleitos constantes no mesmo.

Termos em que,

pede deferimento.

Vitória, data.

ADVOGADA
OAB
EGRÉGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
COLENDA TURMA
EMINENTES MINISTROS

RAZÕES DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO

Recorrente: FRENTE BRASILEIRA UNIDA


Recorrido: GOVERNADOR DO ESTADO X
Processo n°.: ...
Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO X

I – PRIMEIRAMENTE
A) BREVE RELATO DOS FATOS
Por conta de intensa movimentação popular, em protestos que
chegaram a reunir mais de trezentas mil pessoas nas ruas de diversas cidades do Estado,
e que culminaram em atos de violência, vandalismo e depredação de patrimônio público
e particular o Governador do Estado X editou o Decreto n° 1.968, com o pretexto de
disciplinar a participação da população em protestos de caráter público, e de garantir a
finalidade pacífica dos movimentos, o qual o Decreto dispõe que, além da prévia
comunicação às autoridades, o aviso deve conter a identificação completa de todos os
participantes do evento sob pena de desfazimento da manifestação.
Ressalta-se que além de todas essas regras, o decreto menciona
que todos participantes deveram ser revistados, como forma de preservar a segurança
dos participantes e do restante da população.
Sendo assim, foi ajuizada a presente ação de
inconstitucionalidade perante o Tribunal do Estado X, uma vez que houve clara
violação as noras da Constituição do Estado referente a direitos e garantias individuais e
coletivos que são de reprodução obrigatória pela Constituição Federal, contudo, o
Plenário do Tribunal de Justiça local, por maioria, julgou improcedente o pedido
formulado de declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos do Decreto estadual,
por entender compatíveis as previsões constantes daquele ato com a Constituição do
Estado, na interpretação que restou prevalecente na corte.
Ocorre que, alguns dos Desembargadores registraram em seus
votos, ainda, a impossibilidade de propositura de ação direta tendo por objeto um
decreto estadual, porém apesar de não haver obscuridade, omissão ou contradição, a
decisão proferida em única instância é equivocada, por não restar nenhuma medida
judicial pertinente é que se interpõe o presente Recurso Extraordinário.
II – DO CABIMENTO / DA TEMPESTIVIDADE E DO
PREPARO
Conforme dispõe o artigo 1.029 do Código de Processo Civil é
cabível Recurso Extraordinário nos casos previstos na Constituição Federal, artigo 321
do Regimento Interno do STF e também o artigo 102, inciso III, alínea “a” e “c”, onde
prevê que o Supremo Tribunal Federal é o competente para processar e julgar,
“mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância
quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta constituição; e c) julgar
válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição.” Tendo em
vista que o Plenário do Tribunal de Justiça do Estado X julgou improcedente o pedido
formulado, e pelo princípio da unirrecorribilidade, por haver apenas um tipo recursal
para cada decisão, por não haver outro meio eficaz, é perfeitamente cabível o Recurso
Extraordinário sendo o Supremo Tribunal Federal competente para processar e julgar.
Quanto a tempestividade, tem-se que o recurso extraordinário é
tempestivo visto que o prazo de interposição dos recursos é de 15 (quinze) dias, sendo
contados na forma do artigo 219 do Código de Processo Civil, em dias úteis.
Por fim, o recurso encontra-se devidamente preparado,
conforme guia de custas e recibos anexos, preenchendo o requisito disposto no artigo
1.007 do Código de Processo Civil, sendo assim todos os pressupostos recursais de
admissibilidade foram preenchidos, tem-se que o presente recurso deve ser recebido e
processado.
III – PRELIMINARMENTE
A) PREQUESTIONAMENTO E REPERCUSSÃO GERAL
Inicialmente, vale destacar que o recurso extraordinário é um
recurso de fundamentação vinculada, devendo, portanto, haver comprovação de
prequestionamento e repercussão geral que deve ser demonstrada conforme dispõe
artigo 1.035, §2° do Código de Processo Civil.
Dessa forma, o prequestionamento se dá pelo esgotamento das
medidas judiciais e instâncias recursais, em que pese a decisão do Plenário não haver
obscuridade, omissão ou contradição, a decisão proferida em única instância é
equivocada, e fere diretamente a Constituição Federal, pois são normas de reprodução
obrigatória, e toda essa questão foi ventilada na Ação Direta de Inconstitucionalidade,
pressupondo assim que o tema já foi diretamente questionado.
Por fim, em relação a Repercussão Geral, na forma do artigo
1.035, §1° do Código de Processo Civil, tem-se que todo o tema debatido refleti
diretamente com uma questão relevante do ponto de vista, político, social e jurídico,
pois o objeto da ação visa proteger direito constitucionalmente e em pactos que o Brasil
faz parte que é o direito de Reunião e liberdade de manifestação e pensamento.
IV – DAS RAZÕES
Conforme amplamente explanado em tópicos anteriores o objeto
da presente ação é a inconstitucionalidade do Decreto Estadual editado pelo Governador
do Estado X com o pretexto de disciplinar a população para participações em protestos
de caráter público afim de garantir a finalidade pacífica dos movimentos, onde prevê a
comunicação prévia às autoridades, além da identificação completa de todos os
participantes do evento, sob pena de desfazimento da manifestação, além de que deverá
haver a revista pessoal de todos, como forma de preservar a segurança dos participantes
e do restante da população.
Contudo, é direito tutelado pela Constituição Federal como
norma de reprodução obrigatória também é tutelado pela Constituição Estadual,
primeiramente o direito de reunião previsto como direitos e garantias individuais e
coletivos não pela Constituição (artigo 5°, inciso XVI da CF) como pelo Pacto de São
José da Conta Rica em seu artigo 15 do Decreto 678/1992, é norma eficácia plena e não
depende de regulamentação, os requisitos é que deve ser pacífico, sem armas, que não
fruste outra marcada anteriormente para mesmo local e data, e é independente de
autorização, e para isso a único exigência é o prévio aviso, o Decreto editado pelo
governador traz outras exigências como forma de inibir as manifestações, não há como
saber quantas e quais pessoas participarão dos movimentos, que em sua maioria tem sua
chamada por meio das redes sociais.
Sendo assim, o Supremo Tribunal entende que pode haver
revista pessoal, desde que seja á indivíduos suspeitos, não é humanamente possível
revistar todos os manifestantes que queiram aderir ao movimento, dessa forma tal
Decreto visa inibir, coibir e até mesmo negar o direito constitucional de reunião e
liberdade de expressar o pensamento e opinião (artigo 5°, inciso IV da CF), portanto, o
Decreto n° 1968 e nem mesmo a decisão do plenário do Tribunal de Justiça não
razoável e muito menos proporcional, referindo o princípio da razoabilidade e
proporcionalidade, e ainda o direito de liberdade previsto no caput do artigo 5° da CF.
Ademais, o artigo 15 do Decreto 678/1992 prevê que as
restrições ao direito de reunião se darão por lei, e a Constituição Federal já prevê que é
em Estado Sítio e em Estado de Defesa (artigo 139, inciso IV e artigo 136, inciso I,
alínea da Constituição Federal).
E por fim a dignidade da pessoa humana (artigo 1°, inciso III da
Constituição Federal) dos manifestantes estão sendo violadas, pois esse Decreto visa
impedir, cercear o direito dos cidadãos em manifestar seus direitos de pensamento e
reunião, portanto, deve ser declarado inconstitucional.
V – DOS REQUERIMENTOS
Diante de todo o exposto, requer-se a Vossa Excelência o
recebimento e o provimento do presente Recurso Extraordinário para declarar a
inconstitucionalidade do Decreto n° 1968 do Estado X, por afrontar a Constituição
Federal que garante o direito de liberdade, de pensamento, e do direito de reunião que
está sendo cerceado, coibido através do referido decreto.

Termos em que,

pede deferimento.

Vitória, data.

ADVOGADA
OAB

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