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ÁUDIO

ESPAÇOS | EDIFÍCIOS | EMPRESAS |

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Tratamento acústico no ambiente corporativo

No processo de aferição do comportamento acústico de uma sala, é necessário reunir o maior número de informação possível sobre a dimensão e finalidade, mas também acerca da atual e futura composição dos de materiais convencionais de revestimento. Diante da necessidade de estabelecer critérios para a avaliação acústica dos espaços, cada vez mais se começa a adotar o tratamento acústico, que prevê o isolamento acústico a sons aéreos ou percussão, impedindo a contaminação do ambiente pelo ruído exterior.

Por Ana Rita Dinis

Reportagem
Reportagem

Se é certo que a maioria das pessoas não percebe o som ruim que recebe em diversas ocasiões, a verdade é que muitas são aquelas que, sem o conseguirem explicar, reconhecem facilmente um som de qualidade. Habituadas a ouvir mal, as pessoas perdoam os espaços e cul- pam, não raras as vezes, a fonte sonora ou até o seu próprio sistema auditivo. Ouvir e fazer-se ouvir nas melhores condições são duas premis- sas fundamentais que, tal qual a luz, apenas na ausência se fazem notar. Neste contexto, crescem em número os espaços que, além de preverem o isolamento

acústico a sons aéreos ou percussão (impedindo a contaminação pelo ruído exterior), começam a adotar o tratamento acústico. Segundo Marcelo Tavares, diretor técnico na Audiodesigner, empresa que desenvolve projetos na área de isolamento e tratamento acústico, “a acústica é fundamental em estúdios de gravações, estúdios de Rádios e TV, centrais de controle, teatros, cinemas, etc. Porém, há outros espaços que são tão importantes quanto os anteriores, mas ainda pouco valorizados a este nível, como os ginásios, escolas, bares, restaurantes e mesmo salas particulares para reprodução de som”.

Enumerando: igrejas, auditórios, cinemas, call centers, pavilhões e salas de aulas, são ape- nas alguns dos espaços que, pela natureza da ati- vidade que encerram, exigem atenção redobrada no que respeita às condições acústicas.

CrItérIOs De avalIaçãO aCústICa Na descrição das principais queixas e pro- blemas acústicos associados a um espaço, é possível elencar várias preocupações: fraca inteligibilidade de palavra (espaços esportivos, salas de aula, open spaces, etc.); reverberação excessiva (restaurantes, grandes superfícies

comerciais, etc); isolamento sonoro deficiente (entre habitações, escritórios, salas de reunião, etc); isolamento de percussão deficiente (pas- sos entre casas, etc); isolamento de fachada deficiente (edifícios nas proximidades de gran- des vias de transporte automóvel, ferroviário e aéreo); isolamento deficiente de vibrações (edi- fícios nas proximidades de linhas ferroviárias, de metro ou de instalações industriais espe- ciais, etc.); e controle de ruído e vibração de equipamentos - individuais, comuns ou externos (sistema de climatização, centrais técnicas de produção de frio, linhas de produção industrial, centrais de produção energética, etc.). É então necessário estabelecer critérios para a avaliação acústica dos espaços. Um dos parâmetros primordiais entre estes critérios é efetivamente o tempo de reverberação (intervalo de tempo necessário para que a energia volú- mica do campo sonoro de um recinto fechado se reduza a um milionésimo do seu valor inicial). O tempo de reverberação “clássico” é o RT60, cujo valor depende do volume livre da sala e do valor de absorção sonora total.

volume livre da sala e do valor de absorção sonora total. ESPAÇOS | EDIFÍCIOS | EMPRESAS

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As salas de congressos fazem parte dos espaços que carecem de tratamento acústico, neste caso
As salas de congressos fazem parte dos espaços que carecem de
tratamento acústico, neste caso dando-se prioridade aos índices de
inteligibilidade.
caso dando-se prioridade aos índices de inteligibilidade. Para alguns especialis- tas, o truque de um correto

Para alguns especialis- tas, o truque de um correto tratamento acústico está em equilibrar o tempo de reverberação nas diver-

sas freqüências sonoras (sem discrepâncias). Outros parâmetros a levar em conta na qualificação do desempenho acústico da sala são os índi- ces objetivos de inteligibilidade:

C50, STI e RaSTI. Os valores do STI (Speech

Transmission Index) variam de 0 (completamente incompreensível) a 1 (inteli-

os

2 sinais são iguais (inteligibilidade perfeita)].

gibilidade perfeita). Para calcular esse índice, a

O

RaSTi (Rapid Speech Transmission Index) é

palavra é modelada a partir da geração de um sinal teste com conteúdo espectral idêntico ao da própria palavra. Depois, simplificando o con- ceito, o sinal recebido num dado ponto de uma sala, auditório, etc., é comparado com o sinal teste. Dessa comparação, é calculado o índice STI [quanto mais idênticos forem os dois sinais, maior será o índice STI, tendo-se STI = 1 quando

apenas uma versão simplificada do STI mais rápido de calcular, e o índice C50, por sua vez, remete para a clareza e definição da fala. No processo de aferição do comportamento acústico de uma sala, é necessário reunir o maior número de informação possível sobre a dimensão e finalidade da sala, mas também acerca da atual e futura composição ao nível de

possível sobre a dimensão e finalidade da sala, mas também acerca da atual e futura composição

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Som ESPAÇOS | EDIFÍCIOS | EMPRESAS | 34 No bar, nas imagens, foi executado um teto

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No bar, nas imagens, foi executado um teto em gesso cartonado, perfurado e em ângulos para não haver paralelismo com o pavimento. Também foram colocados painéis angulados em madeira (MDF pintado), à volta da sala para aumentar a absorção e a difusão acústica

ticas, entre painéis (madeiras, aglomerados, fibras, revestidos a tecido, etc.), espumas, e difusores, com diversas aplicações (até para trabalhar sobre superfícies envidraças), muitos deles preparados contra fatores adversos, como

o fogo ou a umidades. Cada produto atua de acordo com as suas propriedades (absorção, reflexão e difusão), sendo que muitos podem assumir duplas funções.

PrOgNóstICO POsItIvO A necessidade do tratamento acústico dos espaços destinados a espetáculos ou a traba- lho, reflete-se diretamente no crescimento do

número de fabricantes de materiais acústicos e no aumento do número de gabinetes dedicados

a projetos de acústica. A procura aumenta, as

pessoas estão mais exigentes e os públicos mais

atentos à importância de bem escutar.

públicos mais atentos à importância de bem escutar. ■ É a organização perfeita dos materiais (e

É a organização perfeita dos materiais (e suas propriedades) nas devidas proporções que faz com que a acústica da sala seja equilibrada. Não se podendo ignorar a regra crucial da simetria: o que se faz do lado esquerdo tem que se fazer do lado direito da sala, para uniformidade entre os ouvidos.

materiais convencionais de revestimento con- tínuo e equipamentos (mobiliário, iluminação, luminárias, instrumentos musicais, grelhas de AVAC, etc.). Especialistas apontam que, muitas vezes, são esquecidos os equipamentos que serão depois associados ao funcionamento da sala e que pro- duzirão ruído dentro da sala, que por vezes matam completamente o trabalho dos projetistas. Geralmente é feita uma modelagem 3D (exer- cício para o qual nem todos os projetistas estão aptos), através de software específico, onde se simula a sala “completa” e são avaliadas todas as propriedades de absorção e reflexão de todos os seus componentes. Entre os problemas mais comuns a corrigir num espaço (para se atingirem os níveis apro- priados reverberação e inteligibilidade), contam- se os batimentos (dissonância, som áspero), eco (reflexão do som original que chega no mínimo 50 ms depois do som direto), micro-ecos, modos sonoros (zonas de cancelamento muito notadas nas médias-baixas freqüências) e early reflec- tions (primeiras ondas sonoras refletidas que chegam ao ouvido logo após o som direto). Todas estas dificuldades são provocadas (ou agravadas) pela existência dos mais diversos tipos de revestimentos: mármores, vidros (jane-

las, etc.), tacos ou carpetes

- material absorvente, que,

podendo solucionar alguns problemas, pode criar outros se usada em excesso.

MaterIaIs e sOlUções É a organização perfeita dos

materiais (e suas propriedades) nas devidas proporções que faz com que

a

Não se podendo ignorar a regra cru- cial da simetria: o que se faz do lado esquerdo tem que se fazer do lado direito da sala, para uniformidade entre os ouvidos. Outra das regras é não se aplicar um material predominante numa área

acústica da sala seja equilibrada.

contínua muito grande, já que esse material vai tonificar a sala à sua característica acústica. Será o articular de formas e de materiais que vai fazer com que a sala soe de determinada maneira, visto que cada material reage de maneira diferente aos impulsos da acústica

e vai absorver e refletir em função das suas

características. Existem hoje no mercado múltiplas soluções

e matérias para corrigir as fragilidades acús-

Os mitos na acústica Por André Brito - A cortiça não é um material adequado

Os mitos na acústica

Por André Brito

- A cortiça não é um material adequado ao tratamento acústico, mas sim ao isolamento.

- Forrar as paredes e teto com absorção acústica raramente é uma solução adequada para o tratamento acústico de um espaço. Torna-o demasiado seco.

- Material de absorção acústica não aumenta o isolamento sonoro da sala.

- Usar apenas absorção acústica pode não ser a solução para determinados espaços

onde é necessário que a sala seja viva acusticamente mas eliminando defeitos acústicos. Esses espaços podem necessitar de difusores acústicos para a resolução dos seus problemas.