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Nome: Valter dos Santos Catuto

Unidade 1: Estrutura E Organização De Um Laboratório Escolar

1.0.Laboratório

Segundo Sousa (2018), laboratório é um espaço físico equipado especialmente por diversos
instrumentos, elementos ou equipamentos de medição, a fim de atender as demandas e
necessidades de diversas experiências ou pesquisas, conforme a área que pertence o
laboratório.

1.1.Tipos de Laboratórios

Richmond et. al (2001), diz que, há uma grande diversidade de laboratórios, entre os mais
destacados estão:
 Laboratório Clínico;
 Laboratórios Químicos (Química Inorgânica e Química Orgânica);
 Laboratórios Biológicos (Microbiologia e Parasitologia);
 Hidrobiologia;
 Ecotoxicologia;
 Toxicologia

1.1.1.Laboratório Clínico
Que se realiza as análises clínicas e tem como meta a prevenção, o diagnóstico e o tratamento
das doenças.
1.1.2.Laboratórios Químicos
1.1.2.1.Química Inorgânica
São aqueles em que se realizam ensaios para determinação de nutrientes, metais, semi-metais,
compostos inorgânicos não metálicos, agregados orgânicos e outros parâmetros físico-
químicos em amostras de interesse ambiental (água tratada, água bruta, água residuária, lodo,
sedimento, solo, resíduo sólido, tecido biológico) como suporte a diversos interesses,
destacando-se o licenciamento, a fiscalização, o monitoramento e a gestão ambiental.

1.1.2.2.Química Orgânica

São aqueles em que se realizam ensaios para determinação de compostos orgânicos voláteis,
semi-voláteis (pesticidas, PCBs, dioxinas e furanos) e parte de análise de agregados orgânicos
em amostras de interesse ambiental (água tratada, bruta e residuária, sedimento, solo, resíduos
sólidos, tecido biológico e ar) como suporte a diversos interesses da companhia como o
monitoramento e avaliação do impacto desses poluentes no meio ambiente e subsidiar as
acções de fiscalização e controle do órgão ambiental.

1.1.3.Laboratórios Biológicos
1.1.3.1.Microbiologia e Parasitologia

Nestes tipos de laboratório realizam-se análises para detecção de microrganismos indicadores


de contaminação fecal e de qualidade higiénica, além de bactérias, vírus e parasitas
patogénicos para o homem, empregando métodos microbiológicos tradicionais, imunológicos
e de biologia molecular em amostras de águas, sedimento, ar, solo, resíduos sólidos, esgotos,
etc. em suporte aos programas de monitoramento e diagnóstico da qualidade ambiental, bem
como atendimento às legislações ambientais vigentes, incluindo balneabilidade das praias.
Sistematicamente, o laboratório atua realizando a vigilância ambiental da cólera e da
poliomielite: para esse fim amostras de esgoto são rotineiramente analisadas quanto à
presença dos agentes etiológicos, ou seja Vibrio cholerae e poliovírus.
1.1.4.Hidrobiologia

Realizam-se estudos de identificação das espécies e quantificação dos organismos das


comunidades fitoplanctônica e zooplanctônica (algas e animais microscópicos que vivem nas
águas) e betónica (pequenos animais que vivem no fundo dos corpos hídricos), e a
determinação da concentração da clorofila a em ambientes aquáticos, para o diagnóstico e
monitoramento da qualidade ambiental.

Esses laboratórios conduzem trabalhos que envolvem a pesquisa de poluentes acumulados nos
tecidos de organismos, principalmente em peixes e dão suporte a eventos críticos que
envolvam organismos aquáticos, tais como mortandades de peixes ou outros organismos
aquáticos, florações de algas e cianobactérias ou crescimento excessivo de macrófitas (plantas
aquáticas), bem como atendimento de emergência em eventos que envolvem derrames de
produtos tóxicos na água.

1.1.5.Ecotoxicologia

Realizam-se ensaios ecotoxicológicos com organismos aquáticos de água doce (Daphnia


similis, Ceriodaphnia dubia, Hyalella azteca e Chironomus sancticaroli) e marinha
(Lytechinus variegatus, Leptocheirus plumulosus, Vibrio fischeri) em amostras de água
superficiais e sedimentos para avaliar a qualidade desses ecossistemas, e em efluentes líquidos
para avaliar o impacto desses despejos lançados em rios, reservatórios, estuários e no mar.

1.1.6.Toxicologia

Realiza análises toxicológicas em matrizes biológicas de seres humanos, peixes e plantas,


testes de genotoxicidade (Salmonella/microssoma – teste de Ames, indução de micronúcleos e
ensaio cometa em células de peixes) e determinação de atividade estrogénica em amostras
ambientais para avaliação da qualidade ambiental. (Richmond et. al., 2001).

1.2.Estrutura física/Instalações e Ambiente

Em cada laboratório e dependendo do tipo de objectivo que possui, deve contar com material
específico que pode ser de vidro, de porcelana, de madeira, tais como os cristalizadores,
espátulas, bico de gás, balança analítica, pinças, frascos, tubos de ensaio, entre outros.

A evolução e sofisticação que a maioria dos laboratórios alcançou nos últimos anos têm a ver
com a crescente preocupação do ser humano por encontrar diferentes opções ou alternativas
para aliviar as condições que pululam e abundam na humanidade, mas naturalmente, exigem
materiais e equipamentos cada vez mais desenvolvidos para avançar sempre e todos os dias
um passo a mais.

Para que o trabalho em um laboratório seja seguro, vários factores devem coexistir:
instalações bem planejadas, manutenção rigorosa, quantidades necessárias de equipamentos
de segurança, tanto individuais como colectivos e treinamentos para situações de rotina e de
emergência. Ao se pensar em riscos em um laboratório de química, é comum associá-los aos
reagentes que podem estar presentes, mas também devem ser avaliados aqueles causados por
electricidade, calor, materiais cortantes, agentes biológicos, radiações, poeiras, fumos, névoas,
fumaças, gases, vapores, ruídos e riscos ergonómicos (LUTZ, 2005).

A NR-8 do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) dispõe sobre as especificações para


edificação de ambiente de trabalho. No caso específico do laboratório de química devem ser
observados” (Oliveira et al, 2007) pisos, paredes, teto, portas e janelas, armazenamento de
reagentes, e instalações eléctrica, hidráulica, de gases, contra incêndio, ventilação e exaustão,
iluminação, bancadas de trabalho e mobiliário.

Na sua construção e instalação, devem ser usados materiais não combustíveis e resistentes à
acção de compostos químicos que farão parte da rotina do laboratório, como solventes,
agentes corrosivos e outros. Estes materiais devem ser de boa qualidade e estar em
conformidade com as respectivas normas técnicas, como as da ABNT ou normas
internacionais (Lutz, 2005).

Segundo Lutz (2008) “o piso deve ser antiderrapante, resistente a agentes químicos e a
choques mecânicos”. De acordo com a NR-8 (MTE, 2011) “os pisos dos locais de trabalho
não devem apresentar saliências, nem depressões que prejudiquem a circulação de pessoas ou
a movimentação de materiais”. “Os pisos, as escadas e rampas devem oferecer resistência
suficiente para suportar as cargas móveis e fixas, para as quais a edificação se destina” (Lutz,
2008).

As aberturas nos pisos e nas paredes devem ser protegidas de forma que impeçam a queda de
pessoas ou objetos. Nos pisos, escadas, rampas, corredores e passagens dos locais de trabalho,
onde houver perigo de escorregamento, serão empregados materiais ou processos
antiderrapantes (MTE, 2011).

As paredes devem ser claras, foscas e impermeáveis, revestidas com material que permita o
desenvolvimento de atividades em condições seguras sendo resistente ao fogo e às substâncias
químicas, além de oferecer fácil limpeza (Oliveira et al, 2007).

De acordo com a NR-8 (MTE, 2011) as partes externas, bem como todas as que separem
unidades autônomas de uma edificação, ainda que não acompanhem sua estrutura, devem,
obrigatoriamente, observar as normas técnicas oficiais relativas, isolamento térmico,
Isolamento e condicionamento acústico, resistência estrutural e impermeabilidade.

De acordo com a NR-8 (MTE, 2011) “os pisos e as paredes dos locais de trabalho devem ser,
sempre que necessário, impermeabilizados e protegidos contra a humidade”.

De acordo com Oliveira et al (2007) o teto deve atender às necessidades do laboratório quanto
à passagem de tubulações, luminárias, isolamento térmico e acústico. Conforme a NR-8
(MTE, 2011) os locais de trabalho devem ter a altura do piso ao teto, pé direito, de acordo
com as posturas municipais, atendidas as condições de conforto, segurança e salubridade.

Segundo a NR-23 (MTE, 2011) os locais de trabalho deverão dispor de saídas em número
suficiente, de modo que aqueles que se encontrem nesses locais possam abandoná-los com
rapidez e segurança em caso de emergência. Conforme Lutz (2005) deve existir, no mínimo,
duas portas, de largura suficiente (de preferência duplas, pelo menos uma delas), em áreas
diferentes, abrindo para o exterior, providas de visores. De acordo com a NR 23 (MTE, 2011)
a largura mínima de saídas deverá ser de 1,20 m e com sentido de abertura da porta para a
parte externa do local de trabalho. De acordo com Lutz (2005) devem existir, no mínimo,
duas portas, de largura suficiente (de preferência duplas, pelo menos uma delas), em áreas
diferentes providas de visores.

Oliveira et al (2007), diz que, as janelas sejam localizadas acima de bancadas e equipamentos
numa altura aproximada de 1,20 m do nível do piso. Deverá haver sistema de
controlo de raios solares, como persianas metálicas ou breezes (anteparos externos instalados
nas janelas que impeça a entrada de raios solares, mas não impeça a entrada de claridade).
Porém sob nenhuma hipótese deverão ser instaladas cortinas de material combustível. As
janelas devem estar afastadas das áreas de trabalho e dos equipamentos que possam se
afectados pela circulação de ar.

Critérios rígidos devem ser seguidos para armazenar produtos químicos variados. Deve-se
levar em conta que os produtos químicos podem ser voláteis tóxicos, corrosivos, inflamáveis,
explosivos e peroxidáveis. Assim sendo, o local de armazenagem deve ser amplo, bem
ventilado, preferencialmente com exaustão, dotado de prateleiras largas, seguras e
instalações eléctricas à prova de explosões (Oliveira et al, 2007).

De acordo com Oliveira et al ( 2007), o projecto das instalações eléctricas deve às normas de
segurança e atender ao estabelecido na NR-10, considerando o espaço seguro quanto ao
dimensionamento e a localização dos seus componentes e as influências externas quando da
operações da realização de serviços de construção e manutenção. No caso específico dos
laboratórios químicos recomenda-se que, sempre que possível, as instalações sejam externas
às paredes a fim de facilitar os serviços de manutenção. Os circuitos eléctricos devem ser
protegidos contra umidade e agentes corrosivos por meio de eletrodutos emborrachados e
flexíveis e dimensionamento como base no número de equipamentos e suas respectivas
potências. Conforme a Lutz (2005), As instalações eléctricas devem ser projectadas com
folgas para possíveis necessidades posteriores (expansões, reformas, novos equipamentos). As
tomadas de 110 e 220 V devem ter formatos diferentes, incompatíveis, para que não ocorram
casos em que aparelhos sejam ligados à tensão incorrecta.

Ligar todas as tomadas e aparelhos eléctricos ao fio terra. Afixar nas tomadas e interruptores
etiquetas com códigos relacionando-os seus respectivos quadros de força e disjuntores.
Localizar estes quadros de força na área externa ao laboratório, livre de materiais inflamáveis.
Conforme Oliveira et al (2007) “o quadro de força deve ficar em local visível e de fácil
acesso, sendo recomendável um painel provido de um sistema que permita a interrupção
imediata da energia eléctrica em caso de emergência, em vários pontos do laboratório”. De
acordo com Lutz (2005) “se necessário, devem ser usadas luminárias e interruptores à prova
de faíscas e prover o prédio de um sistema páraraios eficiente”.

A NR -17 trata que os níveis mínimos de iluminamento são estabelecidos da Norma NBR-
5413 (ABNT, 1992). Lutz (2005) recomenda manter uma “iluminação artificial com
intensidade adequada e lâmpadas que forneçam radiação branca, em geral fluorescentes, com
proteções contra pó e vapores”.

Conforme Oliveira et al (2007), O nível de iluminamento recomendado é de 500 a 1000 lux,


devendo ser evitados a incidência de reflexos ou focos de luz nas áreas de trabalho,
sendo importante avaliar a necessidade de sistema de iluminação de emergência. As
luminárias devem ser embutidas no forro e as lâmpadas fluorescentes devem ter proteção para
evitar a queda sobre a bancada ou piso do laboratório.

Todo laboratório necessita de um sistema de exaustão e ventilação projectado para as


atividades realizadas, incluindo capelas, coifas, ar condicionado, exaustores e ventiladores. O
projeto de ventilação deve contemplar a troca contínua de ar fornecido ao laboratório de
forma a não aumentar as concentrações de substâncias odoríferas e/ou tóxicas. A manutenção
deve ser periódica, para garantir a eficiência das instalações (Oliveira et al, 2007).

A ventilação deve ser suficiente para impedir o acúmulo de fumos e vapores no interior dos
laboratórios. Se necessário, instalar sistemas de ventilação e exaustão forçadas, com os
cuidados para que o sistema de ventilação, se existente, não influa no sistema de exaustão a
ponto de comprometer a sua eficiência (Lutz, 2005).

Oliveira et al (2007) recomenda que a área de ventilação/iluminação seja proporcional a área


do recinto, numa relação mínima1:5 (um pra cinco) A tubulação para distribuição de água e
escoamento de efluentes diluído deve ser projetada considerando os produtos que serão
manuseados e a vazão necessária, sendo que a tubulação de esgoto deve ser de material
resistente e inerte. Todas as redes de água devem dispor de uma válvula de bloqueio, do tipo
fechamento rápido de fácil acesso, para ter agilidade quando houver necessidade e
interromper o suprimento de água (Lutz, 2005).
Lutz (2005) recomenda, adequar o sistema de esgotos ao tipo de laboratório instalado, quanto
ao seu dimensionamento e ao tipo de material utilizado na sua construção. Não
descartar por esse meio solventes, substâncias tóxicas ou agressivas ao meio ambiente. Os
encanamentos nas saídas de pias e cabine de segurança química e ralos devem ter sifões para
evitar o retorno de eventuais gases tóxicos presentes no esgoto.

1.3.Normas de Segurança de um laboratório

Qualquer laboratório onde se manipule substâncias químicas é potencialmente perigoso.


Portanto, tenha o máximo de cautela e atenção ao realizar um experimento, evitando
conversas e brincadeiras que dispersem a concentração.

As substâncias químicas, principalmente os solventes, são normalmente, voláteis, corrosivos e


combustíveis. Desta forma, o uso de chama deve ser evitado, quando utilizado, deve-se cercar
de todas precauções.

Existe uma regra geral que deve ser seguida neste ambiente: toda substância desconhecida é
potencialmente perigosa até que se prove o contrário.

A toxidade das substâncias químicas varia enormemente e nem todas, mesmo as mais
comuns, tiveram seus aspectos toxicológicos suficientemente estudados.

Muitas das operações de laboratório necessitam de instruções específicas que os alunos


devem seguir para a sua segurança e de seus colegas. Embora as normas aqui assinaladas
devam se estender a todos os ambientes onde se manipulem substâncias químicas, nesta
explanação, a sua importância se restringirá exclusivamente ao laboratório de Farmacognosia.

Diversas operações são desenvolvidas na rotina de um laboratório. Entretanto algumas


práticas gerais devem ser sempre obedecidas:

 Não trabalhe sozinho no laboratório. Um companheiro, ao menos, sempre será uma


ajuda ou testemunha em caso de acidente;
 Use o guarda-pó ou avental para proteger a roupa;
 Use sapato fechado (nunca sandálias);
 Não fume no laboratório;
 Evite brincar no laboratório;
 Se algum ácido ou outro produto químico for derramado, lave local com bastante
água;
 Leia com atenção o rótulo dos reagentes para se ter certeza de que pegou frasco
correto;
 Não jogue material sólido na pia;
 Observe a limpeza dos materiais antes de utilizá-los;
 Não gaste reagentes e soluções inutilmente, utilize somente o necessário para o
experimento;
 Nunca pese material diretamente sobre o prato da balança; use béquer, vidro de
relógio ou papel toalha;
 Se houver precipitado ou duas fases em solução a ser utilizada, agite
cuidadosamente de modo a homogeneizá-la;
 Não ingira ou beba qualquer alimento no laboratório;
 Não recoloque nos frascos soluções restantes, podem contaminar o conteúdo do
recipiente;
 Quando utilizar soluções e reagentes, certifique-se que o rótulo esteja voltado para
cima, evitando que se estrague;
 Só use água destilada nos experimentos;
 Não trabalhe com material defeituoso, principalmente o de vidro;
 Não deixe sobre a mesa a lamparina acesa com chama forte;
 Não deixe vidro quente em lugares que possam pegá-lo inadvertidamente;
 Não prove ou engula drogas ou reagentes do laboratório;
 Não trabalhe com inflamáveis próximos a chamas;
 Não aqueça tubos de ensaio com a boca virada para si ou para outra pessoa.
Habitue-se a aquecer o tubo de ensaio de forma intermitente;
 Não aqueça substâncias inflamáveis ou voláteis em chama directa, use banho-maria;
 Feche direito os frascos das soluções e regentes, principalmente os que forem
voláteis e inflamáveis;
 Evite jogar líquidos inflamáveis na pia, se o fizer abra bastante a torneira;
 Lave bem as mãos ao deixar o laboratório;
 NUNCA pipete com a boca soluções ou líquidos puros;
 NUNCA adicione água a uma solução de ácido ou base concentrada para diluí-los.
Sempre adicione essas soluções concentradas à água;
 Substâncias como vapores tóxicos tais como: bromo, cloro, ácido clorídrico e nítrico
concentrados, solução concentrada de amônia entre outras devem ser manipuladas
na capela.
1.4.Organização num laboratório

A gestão de laboratório pode e deve ser entendida como fundamental quer se trate de um
laboratório escolar, quer seja um laboratório de análises ou de investigação. Para quem
trabalha num laboratório, a capacidade de organizar seu trabalho e de compreender a
estrutura, normas de funcionamento e organização do laboratório é um pré-requisito para o
desempenho eficaz e seguro do seu trabalho. A gestão de um laboratório implica quatro
domínios: planeamento, organização, liderança e controlo de qualidade (Mireles 2010, pg.10).

Ao nível do planeamento pretende-se sobretudo perspectivar acções que facilitem o


funcionamento do laboratório de modo a que os procedimentos ou práticas sejam realizados
de forma rápida e eficiente.

Em termos da organização é importante determinar-se as tarefas que cada operador executa,


as técnicas a adoptar, os procedimentos de gestão de necessidades materiais, os planos de
higienização de equipamento e do espaço e as questões da segurança dos utentes. Os aspectos
relacionados com a liderança também são extremamente importantes uma vez que
influenciam a produtividade e promovem a colaboração entre colegas. Por fim, o controlo da
qualidade num laboratório envolve a avaliação do trabalho realizado, perspectivando a
ampliação da qualidade do serviço prestado (fig.).

FIGURA. Domínios da organização de um laboratório

A organização de um laboratório exige formulários de diversos tipos que permitam manter


actualizado o inventário de materiais indispensáveis à realização do trabalho, das
operações realizadas nos diferentes espaços ou com os diversos equipamentos, dos
processos de manutenção dos equipamentos, das quebras de material, dos processos de
higienização, dos acidentes ou incidentes de trabalho, (Mireles 2010, pg.07).
1.5.Organização de materiais e equipamentos

A organização do laboratório deve ser feita levando-se em conta diferentes aspectos


relacionados com:

 O uso de materiais e reagentes;

 O uso e disposição de equipamentos laboratoriais;

 O uso e disposição dos equipamentos de segurança;

 Procedimentos de execução de registos e anotações.

1.5.1.Materiais e reagentes

Em relação à organização dos reagentes no laboratório, estes devem ser armazenados


considerando a incompatibilidade das substâncias químicas. Esta incompatibilidade ou
reactividade deve ser considerada, não somente para o armazenamento, mas também na
manipulação, no transporte e na eliminação. Outro item importante na organização do
laboratório diz respeito à quantidade dos produtos químicos. Num laboratório é sempre
indicado que sejam mantidas pequenas quantidades dos produtos químicos. No caso de
reagentes líquidos devem manter-se 1 ou 2 litros no máximo. Para sais não perigosos até 1 Kg
e para sais reactivos ou tóxicos limitar-se a alguns gramas. No caso de quantidades superiores
a estas recomendadas, é indicado que estes reagentes sejam armazenados num local específico
e distinto do laboratório propriamente dito. Não esquecer de utilizar no laboratório somente
produtos químicos compatíveis com o sistema de ventilação e exaustão existente.

Os reagentes devem ser armazenados levando em conta a sua natureza. Portanto ácidos devem
ser guardados com ácidos. Não colocar, por exemplo, ácidos próximos a bases. Se possível,
reservar locais separados para armazenar produtos com propriedades químicas distintas como
os corrosivos, oxidantes, inflamáveis, etc. O armazenamento das substâncias químicas deve
ser feito levando em consideração os seguintes aspectos:

 Sistema de ventilação para evitar o confinamento ou acumulação de gases que por ventura
possam ser emitidos. A temperatura não deve ultrapassar a 38º C;

 Sinalização correta, indicando a categoria dos reagentes existentes e os respectivos riscos;


 Disponibilidade de Equipamentos de Protecção Individual (EPI) e Equipamentos de
Protecção
Colectiva (EPC);

 Acessos restritos à área, permitindo o acesso apenas das pessoas autorizadas no local, tais
como o técnico de laboratório desde que esteja em seu horário de actividade;

 Os armários devem ser confecionados em materiais não combustíveis, com portas em vidro
para possibilitar a visão do seu conteúdo. As prateleiras ou os armários de armazenagem
devem ser rotulados de acordo com a classe do produto que contêm;

 Os produtos voláteis, preferencialmente, devem ser armazenados com tampas e uso de filme
inerte, para evitar odores ou a deterioração do mesmo, se estes forem sensíveis ao ar e/ou
humidade;
 Não armazenar produtos químicos no chão do laboratório;

 Se utilizar armário fechado para armazenagem, este deve ter aberturas laterais ou na parte
superior, para ventilação, evitando-se a acumulação de vapores.

Todo laboratório deve possuir um sistema de identificação das substâncias armazenadas que
podem ser as fichas de identificação (fig. 2). Nesta identificação é importante destacar a
validade do produto e alguma observação quanto ao seu estado físico, se está lacrado ou em
uso.
Preferencialmente, junto a este sistema de identificação deve existir um conjunto de medidas
de segurança que tenha informações acerca do uso, manipulação e disposição dos produtos
químicos perigosos.

O material de vidro deve ser agrupado conforme o seu tipo, ou seja, todos os funis, todas as
provetas, todos os balões e assim por diante. Também devem ser respeitadas diferenças como
a capacidade do material e o erro (tabela 1). Preferencialmente, o material de vidro deve ser
guardado em armários e gavetas específicas, com a devida identificação na porta. O material
de vidro deve ser mantido sempre limpo. Após o uso, a limpeza deverá ser realizada conforme
as normas de procedimento de limpeza adoptadas pelo laboratório. A escolha do material e do
procedimento de limpeza dependerá do objectivo da prática. Para além do vidro, regularmente
no laboratório também é usado material de porcelana (tabela 2.), material de papel (tabela 3.)
e outro material diversificado (tabela 4).
Tabela 2. Material de vidro

Os materiais de porcelana são muito utilizados nos laboratórios em geral, quando as


operações
a realizar exigem o recurso à pressão ou altas temperaturas. Este tipo de materiais é usado
em
laboratórios onde se executa análise física, química e biológica, por exemplo para
quantificar resíduo seco em águas ou sais minerais em alimentos. Os diferentes tipos de
materiais de porcelana e as respectivas especificações técnicas são apresentadas na tabela
2.Tabela 2. Material de porcelana

Para além do material de vidro, do similar a este em plástico e do material de porcelana


existem no laboratório uma série de outros materiais com funções múltiplas. São de referir o
material metálico, de papel e borracha. A tabela 3 identifica estes materiais e a apresenta as
respectivas funções.
Tabela 3. Materiais diversos

2.0.Trabalho Laboratorial e Actividades laboratoriais em estudo no ESG


Se considerarmos os recursos didácticos que os professores têm disponíveis, podemos entre
eles encontrar o trabalho prático que, segundo Hodson (1988), inclui todas as actividades em
que o aluno esteja activamente envolvido.

Assim, o trabalho prático engloba, entre outros, o trabalho laboratorial e o trabalho de


campo (Leite, no prelo a). O trabalho laboratorial inclui actividades que requerem a utilização
de materiais de laboratório, mais ou menos convencionais, e que podem ser realizadas num
laboratório ou mesmo numa sala de aula normal, desde que não sejam necessárias condições
especiais, nomeadamente de segurança, para a realização das actividades. O trabalho de
campo é realizado ao ar livre, onde, geralmente, os acontecimentos ocorrem naturalmente.
Note-se que há trabalho prático que não é laboratorial nem de campo (fig. 1). Dele são
exemplo actividades de resolução de problemas de papel e lápis, de pesquisa de informação
na biblioteca ou na internet, de utilização de simulações informáticas, etc. Algum trabalho
prático envolve controlo e manipulação de variáveis e designa-se, por isso, trabalho
experimental. Algumas actividades laboratoriais e de campo apresentam estes requisitos,
podendo, assim, falar-se, por exemplo, de actividades laboratoriais de tipo experimental

Fig. 1: Relação entre trabalho prático, laboratorial, experimental e de campo


(Leite, no prelo a)

Como referiu Hodson (1994), as actividades laboratoriais têm a potencialidade de permitir


atingir objectivos relacionados com:

• A motivação dos alunos;

• A aprendizagem de conhecimento conceptual, ou seja conceitos, princípios, leis, teorias;


• A aprendizagem de competências e técnicas laboratoriais, aspectos fundamentais do
conhecimento procedimental;
• A aprendizagem de metodologia científica, nomeadamente no que se refere à aprendizagem
dos processos de resolução de problemas no laboratório, os quais envolvem, não só
conhecimentos conceptuais mas também conhecimentos procedimentais;

• Desenvolvimento de atitudes científicas, as quais incluem, rigor, persistência, raciocínio


crítico, pensamento divergente, criatividade.

A motivação dos alunos e o desenvolvimento de atitudes científicas devem ser


preocupações presentes em toda e qualquer actividade laboratorial. No entanto, qualquer outra
actividade de aprendizagem deverá contribuir também para o desenvolvimento das mesmas.
Aliás, tal como não faz sentido realizar actividades laboratoriais só para motivar os alunos,
também não faria muito sentido, usar actividades laboratoriais só para desenvolver atitudes
científicas. Aqueles dois objectivos, no contexto das actividades laboratoriais, surgem sempre
a par com outros que são os que justificam a realização da actividade. Para que os restantes
objectivos possam ser alcançados, tal como defendem, não só os especialistas (Woolnough &
Allsop, 1985; Hodson, 1994; Gott & Duggan, 1995; Wellington, 1998) mas também alguns
programas, nomeadamente os de Ciências Físico-Químicas do 3º ciclo do ensino básico
(DEB, 1995), as actividades laboratoriais têm que ser organizadas em conformidade.
Os conhecimentos sobre técnicas e skills laboratoriais podem ser adquiridos à custa de
actividades de tipo exercício (Woolnough & Allsop, 1985) que permitam o domínio de
técnicas laboratoriais, o treino de utilização de aparelhos ou de capacidades de observação, ou
o desenvolvimento de competências de manipulação. Apesar de os resultados da investigação
não serem concludentes (Hodson, 1994; Woolnough, 1998), é frequentemente defendido que
as actividades laboratoriais podem contribuir positivamente para a aprendizagem de
conhecimentos conceptuais (Gunstone, 1991; Howe & Smith, 1998; Woolnough, 1998;
Leach, 1999). Estes podem ser desenvolvidos à custa de actividades que permitam o reforço
de conceitos previamente apresentados, que promovam a construção de conhecimentos
conceptuais novos, do ponto de vista do aluno, ou que facilitem a reconstrução das
concepções alternativas dos alunos (Silva & Leite, 1997).

Cada um destes objectivos tem mais probabilidade de ser alcançado se for utilizado o tipo de
actividade mais adequado (Quadro 1) e se não se confundir tipo de actividade com execução
do procedimento laboratorial (Leite, no prelo a).

A aprendizagem de metodologia científica requer a realização de investigações


(Hodson, 1990). Investigações são actividades de resolução de problemas que exigem que
seja o aluno a descobrir uma forma de resolver o problema que lhe foi colocado ou que ele
próprio gerou (Lopes, 1994; Neto, 1998). No contexto em que se situa este trabalho, uma
investigação requer que o aluno utilize o laboratório para resolver o problema em causa. Dos
tipos de actividades apresentados no quadro 1, apenas as actividades Prevê-Observa-Explica
Reflecte (sem procedimento laboratorial incluído) e as investigações exigem que o aluno
recorra a conhecimentos procedimentais e conceptuais para desenhar um procedimento
laboratorial que, depois de implementado, lhe permita vencer o obstáculo que o problema que
está a investigar comporta. Quando isso acontece, o aluno aprende conhecimento novo. O
comportamento do aluno no laboratório de ensino adquire, nestes casos, algumas semelhanças
com o comportamento dos cientistas no laboratório de investigação.

OBJECTIVO PRINCIPAL TIPOS DE ACTIVIDADES


Técnicas e skills laboratoriais *Exercícios
Conhecimento Reforço *Actividades para aquisição de sensibilidade
conceptual acerca dos fenómenos
* Actividades ilustrativas
Construção * Experiências orientadas para a
determinação do que acontece
* Investigações
Reconstrução * Prevê-Observa-Explica-Reflecte
(com procedimento laboratorial incluído)
* Prevê-Observa-Explica-Reflecte
(sem procedimento laboratorial incluído)
Metodologia científica * Investigações
Quadro 1: Tipologia de actividades laboratoriais

3.0.Laboratório virtual

Os laboratórios virtuais são softwares que permitem realizar experimentos realistas e


sofisticados com os principais recursos de um laboratório físico.

Os alunos têm acesso a um ambiente virtual em que podem fazer escolhas como se estivessem
em um laboratório real, observando todas as reacções com absoluta segurança e precisão.

Os laboratórios possuem microscópios, balanças, termómetros, tubos de ensaio, produtos


químicos e tecidos, no qual os estudantes fazem experiências de biologia, química e física. A
diferença é que no laboratório virtual tudo é feito virtualmente, no computador com o uso de
um software que simula o ambiente de um laboratório escolar.
Recomenda três possibilidades de uso para o laboratório virtual: ser projectado em sala de
aula com o comendo do professor, ser instalado em um laboratório de informática para que os
alunos conduzam as experiências e ser disponibilizado para que os alunos utilizem em seus
computadores ou celulares em casa.

A implantação de laboratórios virtuais tem potencial para dirimir um dos grandes


problemas do ensino em ciências actual que é a falta de laboratórios para permitir uma
aprendizagem activa e de cunho prático. Adicionalmente, com o advento dos cursos em
modalidade de educação à distância, laboratórios virtuais podem oferecer aos alunos a
possibilidade de realizar prática de laboratório, ao menos uma parte da prática, a partir de
qualquer local, em qualquer horário e com custo reduzido, pois não consome recursos
materiais, humanos para apoiar a realização das experiências e, não menos importante,
reduzem riscos de acidentes humanos ou ambientais decorrentes de eventuais problemas
ocorridos durante as experiências.

Uma forma de se aproveitar a tecnologia a favor da educação é por meio da utilização de


laboratórios virtuais de ensino. Conforme Dizeró et al. (1998), “um Laboratório Virtual
consiste num ambiente tridimensional modelado de tal forma a fornecer ao aluno a
sensação de se estar em um laboratório real, permitindo a ele manipular objectos, simular
efeitos, entre outras experiências, muitas delas até mesmo impossíveis de serem
realizadas em um laboratório real”.

Ao mesmo tempo, a utilização de um laboratório real de ensino pode ser muito onerosa, pois
envolve investimento em infra-estrutura, funcionários (e.g., professores, monitores/tutores
de laboratório), entre outras restrições como limite de horários, disponibilidade de espaços
físicos (i.e., para comportar um número maior de alunos/turmas). Todos esses factores,
além do avanço tecnológico, levaram à construção de uma vasta gama de laboratórios virtuais
aplicados a diferentes áreas do conhecimento (e.g., Ensino de Línguas, Matemática,
Medicina, entre outros). Neste sentido, diversos estudos apontam estratégias para
implantação de laboratórios virtuais e vantagens decorrentes tais como os realizados por
Lucena et al. (2013), Bertolini et al. (2013) e Ferreira e Queiroz (2010).

Segundo Torricelli (2007), a aprendizagem da Química passa necessariamente pela utilização


de fórmulas, equações, símbolos, enfim, de uma série de representações que muitas vezes
pode parecer muito difícil de ser absorvida. Dessa forma, os professores precisam encontrar
maneiras de trabalhar com os conceitos químicos que despertem o interesse dos alunos e os
motivem a estudar a disciplina. Uma das maneiras de facilitar o aprendizado da Química é a
demonstração dos seus conceitos através de experimentos. Porém, muitas escolas não
possuem a infra-estrutura (laboratórios, equipamentos e substâncias) necessária para a
realização de aulas práticas. Com o avanço tecnológico e a crescente disponibilização de
programas de modelagem e animação é possível criar ambientes nos quais os alunos poderão
interagir com os objectos virtuais realizando inúmeras experiências que ajudarão
posteriormente na assimilação dos conceitos químicos. Segundo Fiolhais (1996), a reunião de
simulações com experiências reais fornece um ambiente particularmente rico do ponto de
vista pedagógico que ajuda a substituir ideias comuns por ideias científicas. Os laboratórios
virtuais tornam-se uma realidade virtual.

3.1.Realidade virtual

Segundo Jorge A. Trindade e Carlos Fiolhais (1996), a Realidade Virtual baseia-se na


construção computacional de ambientes gráficos tridimensionais. Por meio de hardware
específico, consegue-se em tempo real a interacção e manipulação dos objectos desses
cenários, numa completa imersão num mundo “alternativo”.

Segundo Braga (2001), a Realidade Virtual pode ser classificada como:

Sistemas de imersão: aqueles que submergem ou introduzem o explorador de maneira


estreita com o mundo virtual, mediante a utilização de sistemas visuais montados na cabeça
chamados Helmet Mounted Display (HMD);

Realidade Virtual em segunda pessoa: envolve respostas em tempo real. O explorador vê a


si mesmo dentro de cena, pois é colocado em frente a um monitor no qual é projectada sua
imagem somada a outra imagem utilizada como fundo ou ambiente;

Sistema de Telepresença: a imersão é percebida através de sons e respostas aos movimentos


realizados no mundo real;

Sistema Desktop: englobam as aplicações que mostram uma imagem 2D ou 3D na tela plana
de um monitor de computador.

3.2.Realidade Virtual e Educação

A Realidade virtual tem muito a oferecer na área educacional devido as suas características
que criam uma sensação de realidade. Essas características são: a imersão, a interacção e a
navegação. Dessa forma, o aluno explora um assunto de forma interactiva e aprende a partir
de sua imersão no próprio contexto deste assunto. Podemos citar algumas razões que podem
contribuir para o sucesso das aplicações utilizando ambientes virtuais ao ensino, dentre elas
destacam-se:

 Torna o aprendizado mais divertido e interessante;


 Possibilita que pessoas com necessidades especiais realizem tarefas que de outra
forma não seriam possíveis;
 Reduz custo na realização de experimentos que muitas vezes necessitam de
investimentos financeiros;
 Possibilita a realização de actividades impossíveis de serem realizadas no mundo real,
como a visualização de moléculas;
 Dá oportunidades para inovar e criar experimentos, experiências académicas e
aplicadas ao mercado;
 Elimina o risco de acidentes com substâncias químicas.

3.3.Programas e software do laboratório virtual

São vários os programas e softwares aplicados para o trabalho prático das aulas de química e
aqui iremos apontar alguns que são mais usados em algumas escolas:

Em relação ao uso dos softwares educacionais, uma dificuldade extra para a utilização destes
é a incompatibilidade dos sistemas operacionais. A maioria destes softwares está disponível
apenas para computadores que utilizam o sistema operacional Windows, que é o sistema
operacional mais comum nos computadores pessoais, entretanto, a maioria das escolas
públicas utilizam o sistema operacional Linux, principalmente por este ser um sistema
operacional de uso livre, ou seja, não pago. Neste contexto, o uso destes softwares por parte
das escolas públicas fica prejudicado, ou mesmo inexistente. No entanto, há alguns programas
com versão online, sendo a minoria, infelizmente. Na versão online os softwares podem ser
acessados utilizando qualquer sistema operacional que esteja instalado no computador,
bastando o aluno estar conectado à internet. Assim, os alunos poderão acessar estes softwares
na escola ou mesmo em suas casas. Na categoria de jogos educacionais, existem softwares
que proporcionam reflexões importantes no contexto da sociedade moderna. Um exemplo
deste tipo de jogos é o Carbópolis, que tem como tema principal a questão ambiental. O jogo
leva o aluno a reflectir sobre o seu papel na sociedade, principalmente em relação ao meio
ambiente em que vive. O software trabalha basicamente com o estímulo ao aluno para que ele
busque e questione a razão da população na cidade imaginária de carbópolis, usando de
algumas ferramentas, tais como entrevistas com personagens para analisar suas opiniões com
relação ao problema ambiental, biblioteca com artigos para auxílio, análises de algumas
variáveis para identificação do problema ambiental, além da utilização de equipamentos para
melhor constatação do problema causado pela instalação de uma indústria. Importante
salientar que este jogo possui versão nos dois sistemas operacionais, Windowns e Linux, o
que facilita a sua utilização e download. Há softwares que promove a simulação de
experimentos, o que desenvolve um estímulo a mais para que o aluno se interesse pela
química, sendo esta uma matéria de carácter essencialmente experimental.

Na categoria Construção de gráficos e moléculas, destaca-se o software ChemSketch. Apesar


de ser disponibilizado apenas no idioma inglês, é um programa de fácil manipulação. Neste
software há possibilidade de construir moléculas e verificar sua visualização em três
dimensões, o que tende a favorecer a compreensão da disposição espacial das moléculas,
trabalhando a movimentação destas no espaço, como apresentado na figura 1.

Esse software é uma opção diferenciada para que o professor faça a interacção com os alunos,
demonstrado tipo de ligação e geometria das moléculas, o que é difícil quando se utiliza
apenas o livro didáctico e figuras em duas dimensões. Além disso, há um banco de vidrarias e
equipamentos de laboratórios, que são importantes para montar aulas experimentais,
relatórios, conforme figura 2.

Fig. 1: visualização de uma molécula em 3D


Figura 2: Algumas vidrarias presentes no software ChemSketch

3.4.Blender 3d e a linguagem vrml

Segundo a Blender Foundation, uma fundação sem fins lucrativos e que é responsável pelo
desenvolvimento do software, o Blender 3D é um programa de código aberto que permite a
modelagem, animação, texturização, composição, renderização, edição de vídeo e criação de
aplicações interactivas em 3D. O programa é multiplataforma, estando disponível para
diversos sistemas operacionais e implementa ferramentas similares às de outros softwares não
livres, que incluem avançadas ferramentas de simulação, tais como: dinâmica de corpo rígido,
dinâmica de corpo macio e dinâmica de fluídos.

3.5. Carbópolis

Carbópolis é um programa de computador sobre poluição ambiental desenvolvido para alunos


e professores dos diferentes níveis de ensino. O programa utiliza uma estratégia de solução de
problemas e motivos lúdicos para abordar alguns conceitos da química e do meio ambiente
relacionados à poluição do ar e à chuva ácida.

3.6.Cidade do átomo

Cidade do Átomo é um software educativo que pretende colaborar para ara a abordagem
escolar do tema radioactividade. Utiliza uma abordagem de resolução de problemas,
relacionadas à protecção radiológica, e permite desenvolver uma estratégia pedagógica de
jogo de papéis para discussões sobre a produção de energia nuclear.

 3.7.Soluções que ao serem misturadas verifica-se o que se forma


Programa que necessita de Java, mas é aplicado online, tem varias soluções que podem ser
misturadas para verificar o que é formado.

3.8.Y science laboratories

Software avançado de laboratórios virtuais.

3.9.Labiq

Laboratório Integrado de Química e Bioquímica, é um projeto institucional do IQ - USP que


visa ao desenvolvimento de ferramentas educacionais e metodológicas para o ensino
experimental de Química

3.10.Khi3

Calculadora com multi-funções que conta com tabela periódica, estrutura cristalina, dentre
muitas outras funções como um simulador do Sistema Solar.

3.11.Virtual Lab

O software apresenta imagens capturadas com supermicroscópios de laboratório. É evidente


que o software oferece apenas as imagens disponibilizadas em seu banco de dados online, mas
esse banco é amplo e está em expansão constante.

3.12. 3-D Angles

O software consegue transformar o estudo de uma matéria nada agradável em um jogo. Ele se
divide em blocos de 10 perguntas consecutivas, cada uma exibe uma molécula tridimensional
animada e coloca uma questão sobre cada. O sistema de resposta é de múltipla escolha com
quatro alternativas e indica se a escolha foi bem sucedida ou não.

3.13.Periodic Table Explorer

Periodic Table Explorer é uma verdadeira inovação no que diz respeito ao ensino de química
através da famosa tabela periódica. O programa conta com toda e qualquer informação acerca
dos elementos químicos em seus mais importantes aspectos. O único problema do PTE é ser
disponibilizado apenas em inglês.

3.14. QuipTabela 4.01


QuipTabela e prepara-se para aprender tudo sobre a Química. A tabela interactiva apresenta o
formato tradicional, com os elementos químicos distribuídos em metais, não-metais e gases
nobres. Programa disponibilizado totalmente em português.

3.15. BK Chem

O software é bastante completo e oferece muitas opções para você. O usuário pode inserir
elementos, editar suas letras e estabelecer a natureza de suas ligações. Enquanto alguns
elementos estão ligados de maneira simples, podem existir outros com ligações múltiplas,
com casos particulares e até mesmo vários modelos cíclicos. Nenhum desenho é fixo e todas
as figuras e ligações podem ser movidas ou alongadas para destacar o que você deseja.

3.16. ACD/ChemSketch 11.0

O software, apesar de ser freeware, é uma ferramenta completa de desenho, não só molecular
mas de inúmeras ilustrações para uma aula de química.

Possui uma seção de "modelos", onde há dezenas de estruturas "prontas", vidraria de


laboratório, modelos representacionais, e muito mais.

Ao lado, alguns exemplos de estruturas orgânicas com as mais diversas formatações e um


sistema de vidrarias montado com os modelos já inclusos no software.

Além da representação no plano, que é usual para representarmos a reacções orgânicas, existe
a possibilidade de se mostrar a molécula na conformação 3D, evidenciando a repulsão entre
os átomos e a sua estrutura no espaço. Além de apenas representar a estrutura em 3D, há a
possibilidade também de se definir a distância entre as moléculas, bem como o ângulo entre
as ligações. Sem falar nos recursos de nomenclatura da IUPAC, propriedades físicas,
verificação de tautomeria, numeração de cadeia carbónica além de diversos outros recursos.

3.17. Educador.net

O Educador.net é um software gratuito desenvolvido especialmente para facilitar o trabalho


do professor. Entre os seus principais recursos estão: banco de questões, relatórios e gráficos,
diário electrónico.

3.18. CurtiPot
Programa gratuito (freeware) para simulação e análise de Curvas de Titulação
Potenciométrica, cálculos de pH e de equilíbrios ácido-base.

Em resumo abaixo estão alguns programas e os endereços electrónicos

4.0. Referências bibliográficas


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