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MA11 - Unidade 5

Atividade Especial

Semana 18/04 a 24/04

Exercícios propostos

1. Na Unidade 3, observamos que representações decimais para


números reais correspondem a séries innitas. Como comenta-
mos, uma série não pode ser encarada simplesmente como uma
soma algébrica, mas sim, como o limite da sequência dada por
suas somas parciais nitas. Pensar em uma série como uma
soma algébrica pode conduzir a erros, como ilustra o seguinte
exemplo, bem conhecido.
+∞
(a) Considere a série (−1)n . Esta série converge ou diverge?
X

n=1

1
2 MA11 - Unidade 5

Se a série for convergente, qual é o limite?


(b) Considere a sequência das somas parciais da série do item
n
anterior: sn = (−1)k . Esta sequência converge ou di-
X

k=1
verge?

2. Na Unidade 3, comentamos que as operações que fazemos para


determinar a fração geratriz de uma dízima periódica são na ver-
dade operações com limites, e que estas operações só são legí-
timas porque sabemos de antemão que as séries envolvidas são
convergentes. No entanto, operar com sequências sem garantias
de sua convergência pode levar a erros. Observe o exemplo a
seguir. Considere a sequência de números reais denida recursi-
vamente da seguinte forma:
(
a1 = 2
an+1 = 21 (a2n + 1), ∀ n ≥ 1

(a) Mostre que (an ) é estritamente crescente. Sugestão: use


indução.
(b) Considere o seguinte argumento para determinar o limite
de (an ):
Temos que x = lim an+1 = lim an . Então,
1 1
an+1 = (a2n + 1) ⇒ lim an+1 = (lim an )2 + 1 ⇒

2 2
1
x = (x2 + 1) ⇒ x2 − 2x + 1 = 0 ⇒ x = 1
2
Logo, lim an = 1.
Este argumento está correto? Justique sua resposta.
Atividade Especial 3

(c) É verdade que lim an = 1? Justique sua resposta.

3. Na Unidade 3, p. 4, foi dada uma prova de que a razão entre o


lado e a diagonal do quadrado não pode ser um número racional.
A demonstração original dos gregos antigos para a incomensu-
rabilidade desses segmentos partiu de um argumento diferente.
Acredita-se que este argumento tenha sido, em linhas gerais, o
seguinte:
Considere um quadrado ABCD de lado e diagonal medindo a
e d, respectivamente. Suponha, por absurdo, que ambos a e d
sejam múltiplos inteiros de uma unidade comum u.

(a) Seja E o ponto sobre a diagonal AC tal que o segmento AE


mede a. Considere um quadrado ECF G com lado EC .
Mostre que o lado e a diagonal desse quadrado também
seriam múltiplos inteiros da unidade u.
(b) O processo acima pode ser repetido para o quadrado ECF G
e assim indenidamente. Este processo conduz a uma con-
tradição, o que nos permite concluir que não pode existir a
unidade comum u. Que contradição é essa?

4. Podemos denir, no conjunto dos números complexos, a chamada


ordem lexicográca, denida da seguinte maneira. Se z1 = a1 +
i b1 e z2 = a2 + i b2 são números complexos, diremos que z1 ≤ z2
se:

a1 < a2 ou (a1 = a2 e b1 < b2 )


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(a) Na Unidade 3, p. 9, vimos que R, munido da ordem usual,


é um corpo ordenado. A ordem lexicográca faz de C um
corpo ordenado?
(b) É possível munir C de uma ordem, de forma que ele seja
um corpo ordenado?

5. Na Unidade 4, p. 7, é enunciada a regra para obter a fração


geratriz de uma dízima periódica: A geratriz de uma dízima pe-
riódica composta é a fração cujo numerador é igual à parte não-
periódica, seguida de um período menos a parte não-periódica,
e cujo denominador é formado por tantos noves quantos são os
algarismos do período, seguidos de tantos zeros quantos são os
algarismos da parte não-periódica.
Escreva uma demonstração geral para esta regra.

6. O exercício 1 da Unidade 4 (p. 11) propõe uma aproximação



para o número 3 3. Com a ajuda de uma planilha eletrônica,
obtenha aproximações com até 10 casas decimais para os números
√ √ √ √ √ √
2, 3, 5, 3 2, 3 3 e 3 5.

7. Da mesma forma que expressamos um número real qualquer na


base 10, podemos encontrar expressões em relação a uma base
β ∈ N, β ≥ 2 qualquer. Dizemos que um número α ∈ R,
positivo, está expresso na base β se ele é escrito na forma:
+∞
X
α = a0 + an β −n
n=1

em que a0 ∈ N ∪ {0} e os an são dígitos entre 0 e β − 1.


Atividade Especial 5

(a) Em uma base β qualquer, é verdade que um número é ra-


cional se, e somente se, admite representação nita ou pe-
riódica?
(b) Considere o número que possui uma expressão na base β
dada por a0 = 0 e an = β − 1 ∀n ∈ N. Que número é esse?

8. (a) Mostre que um número racional, representado como fração


irredutível por pq , admite expressão decimal nita se, e so-
mente se, o denominador q não possui fatores primos dife-
rentes de 2 ou 5.
(b) É verdade que, se um número racional possui representação
decimal nita, então ele terá representação nita em relação
a outra base qualquer?
(c) Generalize o fato demonstrado no item (a) para uma base
qualquer.

9. Chamemos de A o conjunto dos números reais algébricos, isto é,


aqueles que são raízes de polinômios com coecientes inteiros. O
objetivo deste exercício é mostrar que A é enumerável.

(a) Para cada n ∈ N, considere Pn o conjunto dos polinômios


com coecientes inteiros e grau menor do que ou igual a n
(incluindo o polinômio nulo). Mostre que existe uma função
bijetiva entre Pn e o produto cartesiano Zn+1 .
(b) Com base no item anterior, mostre que o conjunto Z[x], dos
polinômios com coecientes inteiros, é enumerável.
(c) Para cada polinômio p ∈ Z[x], considere[
Rp o conjunto das
raízes reais de p. Observando que A = Rp , use o item
p∈Z[x]
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anterior para concluir que A é enumerável.

Observe que, dentre os números algébricos, encontram-se to-


dos aqueles que admitem expressões por radicais. Portanto,
como consequência deste exercício, podemos concluir que exis-
tem muito mais números irracionais que não possuem expressão
por radicais do que números que possuem .