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Segunda-

feira, 15 de Junho de 2015 I Sene • — N. 0 87

DIÁRIO DA
REPÚBLICA
ÓRGÃO OFICIAL DA REPÚBLICA DE ANGOLA
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A série Kz: 145
A série 500.00
A 3.1 série Kz: 115 470.00
adopção, o apelfeiçoamento ou a
SUMÁRIO
modificação de distintos instmmentos de
Assembleia Nacional govemaçáo, com vista a concretizar, de
Lei n.0 7/15: fonna dinâmica e gradual, esses
Aprova a Lei Geral do Trabalho. — Revoga a Lei objectivos.
n. 0 2/00, de II de Fevereiro, bem como toda a
Nesta conformidade, impolta rever a
legislação que contraria o disposto na
presente Lei. Lei n. 0 2/00, de 11 de Fevereiro —Lei
Lei n.0 8/15: Geral do Trabalho, no sentido de tomá-la
Lei do Registo Eleitoral Oficioso, que estabelece num meio mais eficaz que contribua, nas
os principios e as regras ñmdamentais ciltunstâncias actuais, para o aumento da
relativos ao registo eleitoral dos cidadãos
angolanos maiores, para efeitos de posterior
geração de emprego e a sua estabilidade,
tratamento eleitoral no âmbito da Comissão para uma crescente dinamização da
Nacional Eleitoral. — Revoga a Lei n.0 3/05, actividade económica, para uma maior
de I de Julho — Lei do Registo Eleitoral e
demais legislação que contrarie o disposto na
responsabilização e dignificação dos
presente Lei. sujeitos da relação laboral e para a
Lei n.0 9/15: consolidação da justiça social.
Lei do Turismo, que estabelece o quadro legal de A Assembleia Nacional aprova, por
suporte à organização, malitorização,
fiscalização, promoção e fomento das
mandato do Povo, nos tennos combinados
actividads turísticas. da alínea b) do n. 0 2 do altigo 161. 0 do n.
0
2 do altigo 165. 0 e da alínea d) do n. 0 2
do afligo 166. 0 , todos da Constituição da
ASSEMBLEIA NACIONAL República de Angola, a seguinte:

Lei n. 0 7/15 LEI GERAL DO TRABALHO


de 15 de Junho
O processo de criação das condições CAPÍTULO 1
mais adequadas para a aplicação das Princípios Gerais
políticas públicas e dos programas ARTIGO 1.0
nacionais com vista a assegurar o (Âmbito de aplicação)
crescimento e o desenvolvimento
económico e social do País, exige a
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l. A Lei Gual do Trabalho aplica-se a contrato de trabalho; fu Os


todos os trabalhad01es que, no ten•itório funcionários públicos ou
da República deAngola, prestam trabalhadores exercendo a sua
actividade remunerada por conta dum actividade profissional na
anpregador no âmbito da 01ganização e Administração Pública Central
sob a autoridade e direcção deste, tais ou Local, num instituto público
como nas empresas públicas, mistas, ou qualquer outro 01ganismo do
privadas, cooperativas, organizações Estado.
sociais, 01ganizações intemacionais e nas ARTIGO 3.
representações diplomáticas e consulares. (Definições)
2. A Lei Geral do Trabalho aplica- Para efeitos da presente Lei considera-
se ainda: se:
a) Aos aprendizes e estagiários 1. Armacbr: toda a pessoa singular
colocados sob a autoridade dum ou colectiva por conta de quem tem uma
empregador; embarcação annada.
b) Ao trabalho prestado no 2. Centro de trabalho: cada uma das
estrangeiro por nacionais ou unidades da empresa, fisicamente
estrangeiros residentes separadas, em que é exercida uma
contmtados no País ao serviço detenninada actividade, empregando
de empregadores nacionais, sem conjunto de trabalhadores sob uma
prejuízo das disposições mais autoridade comum.
favoráveis para o trabalhador e 3. Contrato de trabalho: é aquele
das disposições de ordem pelo qual trabalhador se obriga a colocar a
pública no local de trabalho. sua actividade profissional à disposição
3. A presente Lei aplica-se dum empregador, dentro do âmbito da
supletivamente aos trabalhadores 01ganizaçáo e sob a direcção e autoridade
estrangeiros não residentes. deste, tendo como contrapmtida uma
ARTIGO 2.0 remuneraçao.
(Exclusões do âmbito de aplicação) 4. Contrato de aprendizagem: é
aquele pelo qual o empregador industrial
Ficam excluídos do âmbito de
ou agrícola ou um altesáo se obriga a dar
aplicação desta Lei:
ou a fazer dar uma fonnaçáo profissional
a) Os trabalhadores ao serviço das metódica, completa e prática a uma
representações diplomáticas ou pessoa que no início da aprendizagem
consulares doutros Países ou de tenha idade compreendida entre catorze
01ganizações internacionais, (14) e dezoito (18) anos, e esta se obriga a
que exercem actividade no confonnar-se com as instmções e
âmbito das Convenções de directivas dadas e a executar devidamente
Viena; acompanhada, os trabalhos que lhe sejam
b) Os associados das cooperativas confiados com vista à sua aprendizagem,
e organizações não- nas condições e durante o tempo
govemamentais, sendo o acordados.
respectivo tmbalho regulado 5. Contrato de estágio: é aquele
pelas disposições estatutárias, pelo qual empregador industrial agrícola
ou na sua falta, pelas ou de serviços se obriga a receber em
disposições da Lei Comercial; trabalho prático, a fim de apelfeiçoar os
c) O trabalho familiar; seus conhecimentos e adequá-los ao nível
d) O trabalho ocasional; da habilitação académica, uma pessoa
e) Os consultores e membros do detentora de um curso técnico ou
órgão de administraçáo ou de profissional, ou de um curso profissional
direcção de empresas ou ou laboral oficialmente reconhecido, com
organizações sociais, desde que dezoito (18) a vinte e cinco (25) anos, ou
apenas realizem tarefas ineraites uma pessoa com dezoito (18) a trinta (30)
a tais cargos sem vínculo de anos não detentora de qualquer dos cursos
subordinação titulado por mencionados, desde que, num caso e
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noutro, o estagiário não tenha antes trabalho de ou mais trabalhadores, trate-se
celebrado contrato de trabalho com o de empresa mista, privada ou cooperativa
mesmo ou outro empregador. ou de 01ganizaçáo social.
6. Contrato de trabalho no umicilio: 14. Empresa• é toda a organização
é aquele em que a prestação da actividade estável e relativamente continuada de
laboral é realizada no domicílio ou em instmmentos, meios e factores agregados
centro de trabalho do trabalhador ou em e ordenados pelo empregador, visando
local livTemente escolhido por esse sem uma actividade produtiva ou prestação de
sujeição à direcção e autoridade do serviço e cujos trabalhadores estão
empregador, desde que pelo salário sujeitos, individual e colectivamalte ao
auferido, o trabalhador deva considerar-se regime da presente Lei e demais fontes de
na dependência económica daquele. Direito do Trabalho.
7. Contrato trabalho rural: é o que é 15. Empresa (miem, pequena e
celebrado para o exercício de actividade média empyesq): o que se encontra
profissionais na agicultura, silvicultura e determinado na Lei das Micro, Pequenas
pecuária, sempre que o trabalho esteja e Médias Empresas.
dependente do ritmo das estações e das 16. Falta- é a ausência do
condições climatéricas. trabalhador do centro de trabalho durante
8. Contrato de trabalho a bordo de o período nonnal de trabalho diário.
embarcações: é aquele que é celebrado 17. Horário variável: é aquele em
entre annador ou o seu representante e um que o início e o tenno do trabalho não são
marinheiro, tendo por objecto trabalho a comuns a todos os trabalhadores, e em
realizar a bordo de uma embarcação da que cada um goza de liberdade na escolha
marinha, do comércio ou de pesca. do seu horário de trabalho, dentro das
9. Contrato trabalho a bordo de condições estabelecidas por lei.
aeronaves: é aquele que é celebrado entre 18. Infracção disciplinar: é o
o empregador ou seu representante e uma compoftamento culposo do trabalhador
pessoa singular tendo por objecto um que viole os seus deveres resultantes da
trabalho a realizar a bordo de aeronave de relação jurídico-laboral, designadamente
aviação comercial. os estabelecidos no altigo 44. 0 da presente
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10. Contrato de tcuefa• é aquele que Lei.


é celebrado entre empreiteiro ou um 19. Local de trabalho: é o centro de
proprietário de obra, estabelecimento ou tmbalho onde o trabalhador exace a sua
indústria com uma pessoa singular ou actividade com regulafidade e pennañcia.
colectiva que na base de uma 20. Marinheiro: é toda a pessoa
subempreitada se encanega da realização singular, dum ou doutro sexo, que se
de tarefas ou serviços detenninados. obriga, para com o amador ou o seu
11. Contrato de grupo: é aquele pelo representante, a exercer a sua actividade
qual um grupo de trabalhadores se obriga profissional a bordo de uma embmcaçáo.
a colocar a sua actividade profissional à 21. IVknor: é toda a pessoa singular
disposição de empregador, sendo que o com idade compleendida entre os 14 e 18
empregador não assume essa qualidade anos de idade.
em relação a cada dos membros do grupo, 22. Nomeação: é o acto pelo qual um
mas apenas em relação ao chefe do grupo. trabalhador, patencente ou não ao quadro
12. Despedimento individual por de pessoal da empresa, é constituído pelo
justa causa: a luptura do contrato por empregador, com o seu acordo expresso,
tempo indetenninado, ou por tempo com carácter temporário e exclusivamente
detenninado antes do seu tenno, depois de nas situações previstas nesta Lei, na
concluído o período de experiência, qualidade de dirigente duma empresa de
quando houver, sempre que resulte de qualquer natureza ou duma sua unidade
decisão unilateml do empregador. estmtural, ou incumbido do exercício de
13. Empegador: é toda a pessoa funções caracterizada pela exigência
singular, colectiva, de direito público ou duma especial relação de confiança.
privado, que organiza, dirige e recebe o
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23. Periodo normal de trabalho: é o período conespondente ao horário de


período durante o qual o trabalhador está trabalho.
à disposição do empregador para 30. Ti•abalhacbr nocturno: é aquele
execução das tarefas profissionais a que cujo horário de trabalho é totalmente
se obrigou com o estabelecimento da noctumo ou inclui pelo menos três horas
relação jurídico-laboral, e que tem como de trabalho noctumo.
contrapaltida o salário-base. 31. obrigatório ou compulsório: é
24. Regime de disponibilidade: é o todo o tmbalho ou serviço exigido dum
regime em que o trabalhador, fora do seu indivíduo sob ameaça ou coacção, e para
período nonnal de trabalho, deve manter- o qual ele não se ofeleceu livremente.
se à disposição do empregador, dentro ou 32. frabalho extraordinário: é o
fora do centro de trabalho, durante cato prestado fora do período normal de
período de tempo, a fim de ocon•er a trabalho diário, em antecipação no
necessidade extraordinárias e imprevistas prolongamento do período normal, no
de prestação de trabalho. intervalo de descanso e refeição e no dia
25. Remuneração: é o conjunto das ou meio-dia de descanso complementar e
prestações económicas devidas por um semanal.
empregador a trabalhador em 33. Recuperação interrupção (b
contrapaltida do trabalho por este trabalho: ocon•e em situações de paragem
prestado e em relação aos períodos de da actividade com intenupçáo colectiva
descanso legalmente equivalente à do trabalho num centro de trabalho ou
prestação de tmbalho. palte deste por razões de força maior que
26. Tarefeiro: é a pessoa singular ou não sejam resultantes de greve ou outras
colectiva que, mediante contrato de situações de conflito laboral, nem de
subempreiteiro celebrado com empreiteiro félias ou dias feriados, as horas de
ou contmto de empreitada celebrado com trabalho perdidas podem ser recuperadas
o proprietário da obra, estabelecimento ou nos seis meses seguintes por decisão do
indústria, se encan•ega da realização de empregador.
tarefas ou serviços detenninados, 34. Modulação de horários: ocorre
conespondentes à sua especialização por convenção colectiva de trabalho ou
profissional ou actividade, contratando acordo do empregador com o órgão
para isso trabalhador a tenno cato ou representativo dos trabalhadores.
inceito e fomecendo-lhes as fenamentas e ARTIGO 4
as matérias-primas necessárias. (Direito ao trab alho)
27. frabalhador: é toda a pessoa 1. Todos os cidadãos têm direito ao
singular, nacional ou estrangeira trabalho livremente escolhido, com
residente, que voluntariamente se obriga a igualdade de opoftunidades e sem
colocar a sua actividade profissional, qualquer descriminação baseada na raça,
mediante remuneração, ao serviço dum cor, sexo, Oligem étnica, estado civil,
empregador, no âmbito da 01ganizaçáo e origem e condição social, razões
sob a autoridade e direcção deste. religiosas, opinião política, filiação
28. frabalhador estrangeiro não sindical e língua.
lesidente: considera-se trabalhador 2. O direito ao trabalho é
estrangeiro não residente o cidadão inseparável do dever de trabalhar, sem
estrangeiro com qualificação profissional, prejuízo das limitações derivadas da
técnica ou científica em que o País não diminuição da capacidade de trabalho por
seja auto-suficiente, contratado em País razões de doença comum ou profissional
estrangeiro para exercer a sua actividade ou ainda de invalidez.
profissional no espaço nacional por tempo 3. Todos os cidadãos têm direito à
detenninado. liwe escolha e exercício da profissão, sem
29. frabalhadorestudante: é aquele se lestrições, salvo as eaepções plevistas por
encontra autofizado pelo empregador a lei.
frequentar estabelecimento de ensino ou 4. As ccmdições que o tmbalho é
de fonnaçáo técnico-profissional, no prestado devem respeitar as liberdades e a
dignidade do trabalhador, pennitindo-lhe
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satisfazer normalmente as suas b) Estudos do mercado de
necessidades e as da sua família, proteger emprego;
a sua saúde e gozar de condições de vida c) Promoção de emprego;
decentes. d) Infonnaçáo e orientação
ARTIGO 5 profissional;
(Proibição do trabalho obrigatório ou e) Formação profissional;
compulsivo) J) Requalificação profissional;
. O trabalho obrigatório ou g) Protecção do mercado de
compulsivo é proibido. emprego e valorização da
2. Não é trabalho obrigatório ou mão-de-obra nacional.
compulsivo: ARTIGO 7. 0
a) O trabalho ou serviço prestado (Direitos conexos com o direito ao trabalho)
exclusivamente ao abrigo das 1. Além do direito ao trabalho e ao
leis militares ou de serviço livre exercício da profissão, constituem
cívico de interesse geml direitos fundamentais dos trabalhadores:
prestado de fonna voluntária; q) A liberdade sindical e consequente
b) O trabalho prisional em dilEito à organizaçáo e ao exercício da
instituições penitenciárias; c) Os actividade sindical;
trabalhos comunitários, b) O direito de negociação
considerados obrigações cívicas colectiva;
nonnais, decididos livTemente c) O direito à greve;
pela comunidade ou desde que d) O direito de reunião e
os seus membros ou depalticipaçáo na actividade
representantes directos tenham social da empresa.
sido consultados sobre as 2. Os direitos previstos no número
necessidades dos mesmos; anterior são exercidos no quadro das
d) O trabalho ou serviço exigido disposições constitucionais e das leis que
em casos de força maior, especificamente os regulamentam.
designadamente guerra, ARTIGO 8.
inundações, fome, epidemias, (Deveres fundamentais perante o trabalho)
invasão de animais, Insectos
Constituem deveres fundamentais
ou parasitas prejudiciais e de
dos trabalhadores perante o trabalho:
modo geml todas as
circunstâncias q) O cumprimento das obrigações
que ponham em risco as laborais;
b) A observância da disciplina,
condições nonnais de vida do
conjunto ou duma palte da deontologia e civilidade no local
população. de trabalho;
ARTIGO 6. c) A aptidão, preparação e
(Obrigações do Estado relativas ao superação profissional
direito ao trabalho) contínua.
1. Para garantir o dilEito ao ARTIGO 9.
trabalho, compete ao Estado, através de (Fontes de regulamentação do direito ao trab
alho)
planos e programas de política económica
e social, assegurar a execução de uma l. Constituem fontes deregulamentação do
política de fomento do emprego produtivo direito ao tmbalho:
e livTemente escolhido, e a criação de q) A Constituição da República de
sistema de protecção social na situação de Angola;
desemprego e nas situações de falta ou de b) As convenções intemacionais do
incapacidade para o trabalho. trabalho ratificadas;
2. Na eccução das políticas públicas c) As Leis e seus regulamentos;
defomento do anprego, o Estado d) As convenções colectivas do
desenvolve, dentre outras, as seguintes trabalho;
actividades: e) O contrato de trabalho;
q) Colocação;
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J) Os usos e costumes, profissionais e) Qualquer outro trabalho


e da empresa. que por lei seja declarado como
2. A aplicação das fontes relação juridico-laboral de carácter
mencionadas no número anterior segue o especial. 2. A regulamentação das
princípio da hierarquia dos actos relações jurídico-laborais de
nonnativos. carácter especial respeita os
3. Em caso de conflito entre as princípios e os direitos
disposições de várias fontes, prevalece a fundamentais reconhecidos na
solução que, no seu conjunto e no que Constituição da República
respeita às disposições quantificáveis, se deAngola e nas leis vigentes.
mostrar mais favorável ao trabalhador, 3. As relações de carácter especial
salvo se as disposições de nível superior regem-se pela presente Lei em tudo o que
forem imperativas. se mostrar adaptado à sua natureza.
4. Os usos e costumes só são ARTIGO 12
aplicáveis no caso de falta de nonnas (Sujeitos)
legais ou convencionais ou por remissão São sujeitos do contrato do trabalho e
destas. da relação jurídico-laboral o empregador
CAPÍTULO 11 e o trabalhador.
Estabelecimento da Relação ARTIGO 13.0
Jurídic(ELaboral (Cap acidades)

SECÇÃO 1 1. E válida a relação jurídico-


Contrato de Trabalho laboral estabelecida com menores entre os
catorze (14) e os dezoito (18) anos de
ARTIGO 10.0
(Constituição) idade desde que autorizados pelo
representante legal ou na sua falta pelo
1. Arelaçáo jurídico-laboral
Centro de Enprego ou instituição idónea.
constitui-se com a celebração do contrato
2. O contrato de tmbalho celebmdo
de trabalho e torna mutuamente exigíveis
sem a automação prevista no número
os direitos e os deveres do trabalhador e
anterior é anulável a pedido do seu
do empregador que são paltes no contrato.
representante.
2. Excepcionalmente, nos casos ARTIGO 14.0
previstos nesta Lei, a relação jurídico- (Objecto do contrato de trabalho)
laboral pode constituir-se por nomeação.
1. O contrato de trabalho confere ao
3. Podem ser celebrados, por
trabalhador o direito a ocupar posto de
escrito, contratos promessa de trabalho
trabalho em confonnidade com a lei e as
nos quais se manifeste de fonna expressa
convenções colectivas de trabalho.
a vontade de celebrar o contmto de
2. O contrato de trabalho obriga o
trabalho definitivo, a natureza de trabalho
trabalhador a cumplir as funções e tarefas
a prestar e a respectiva remuneração,
inerentes ao posto de trabalho em que foi
sendo a responsabilidade em caso de
colocado de acordo com o qualificador
incumprimento da promessa regulada nos
ocupacional e a observar a disciplina
tennos gerais do direito.
laboral e os demais deveres decomentes
ARTIGO 11
(Relações de carácter especial)
da relação jurídico-laboral.
3. O contrato de trabalho obriga o
1. São relações jurídico-laborais de
empregador a atribuir ao trabalhador uma
carácter especial as respeitantes às
categoria ocupacional e uma classificação
seguintes modalidades de trabalho:
profissional adequada às funções e tarefas
a) Trabalho doméstico; inerentes ao posto de trabalho, a
b) Trabalho prisional em assegurar-lhe ocupação efectiva, a pagar-
instituições penitenciárias; lhe um salário segundo o seu trabalho e as
c) Actividades despoltiva disposições legais e
profissional; convencionais aplicáveis e a Cliar as
d) Actividade altística em condições necessárias para a obtenção de
espectáculo público; maior produtividade e para a promoção
humana e social do tmbalhador.
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4. A actividade a que o trabalhador 5. O contrato de trabalho com
se obriga pelo contrato de trabalho pode trabalhadores estrangeiros e apátridas é
ser predominantemalte intelectual ou obrigatoriamente reduzido a escrito,
manual. independentemente da sua duração.
5. Sem prejuízo da autonomia 6. A falta de redução do contrato a
técnica inerente às actividades escrito, quando obligatória, presume-se da
nonnalmente exercidas como profissão responsabilidade do empregador.
liberal, pode o respectivo exercício, não 7. Em todos os casos de celebração
havendo disposição legal em contrário, de contrato de trabalho cuja duração
ser objecto de contrato de trabalho. presumida seja superior a seis meses,
6. Quando a actividade do deve o empregador, até o momento da
trabalhador implicar a prática de negócios celebmçáo ou durante o período
jurídicos em nome do empregador, o experimental, exigir do trabalhador
contrato de trabalho envolve a concessão documento médico atestando que possui
dos necessários poderes de representação, os requisitos fisicos e de saúde adequados
salvo nos casos em que a lei exija ao trabalho ou submetê-lo a exame
procuração com poderes especiais. médico para os mesmos efeitos.
ARTIGO 15.0 ARTIGO 16
(Forma do contrato de trabalho) Olodalidades do contrato de trab alho)
1. A celebração do contrato de 1. Por livre acordo das pmtes, tendo
trabalho assume a fonna que for por pressuposto a nattueza da actividade,
estabelecida pelas paltes, salvo se a dimensão e a capacidade económica da
expressamente a lei detenninar a fonna empresa e as funções para as quais é
escrita. contratado o trabalhador, o contrato de
2. No contrato de trabalho devem trabalho pode ser celebrado por tempo
constar os seguintes elementos: indeterminado ou por tempo detenninado,
a) Nome completo e residência a tenno cato ou incerto, integmndo o
habitual dos contratantes; tmbalhador o quadro de pessoal da
b) Classificação profissional e empresa.
categoria ocupacional do 2. O contrato de trabalho por tempo
trabalhador; detenninado pode ser celebrado:
c) Local de trabalho; q) A tenno certo, isto é, com
d) Dumçáo semanal do trabalho fixação precisa da data da sua
normal; conclusão ou do período por que é
e) Montante, fonna e período de celebrado; b) A tenno incerto, isto
pagamento do salário, e menção é, ficando o seu tenno
das prestações salariais condicionado à desnecessidade da
acessórias ou complementares e prestação do trabalho por cessação
das atribuídas em géneros, com dos motivos que justificaram a
indicação dos respectivos contratação.
valores ou bases de cálculo; 3. Salvo disposição expressa em
J) Data de início da prestação do contrário, aos tmbalhadores contratados
trabalho; por tempo detenninado aplicam-se todas
g) Lugar e data da as disposições legais ou convencionais
celebração do contrato; l') relativas à prestação de tmbalho por
Assinatura dos dois tempo indetenninado.
contratantes. 4. São proibidos os contratos
3. A prova da existência do celebrados por toda a vida do trabalhador.
contrato de trabalho e suas condições ARTIGO 17
pode ser feita por todos os meios (Duração do contrato por tempo determinado)
admitidos por lei, presumindo-se a sua
existência entre o que presta serviço por
conta de outrem e o que recebe.
4. O paradigma dos contratos é
aprovado por regulamento próprio.
2452 DIÁRIO DA REPÚBLICA

1. O contrato de trabalho por tempo rendimento, por palte do empregador, e


detenninado pode ser sucessivamente por palte do trabalhador a apreciação das
renovado por períodos iguais ou condições de trabalho, de remuneração,
diferentes até um limite máximo de cinco de higiene e segurança e do ambiente
anos. social da empresa.
2. Nas médias, pequenas e micro- 5. Durante o período de experiência
empresas, o contrato por tempo qualquer das paltes pode fazer cessar o
detenninado pode ser sucessivamente contrato de trabalho, sem obrigação de
renovado por períodos iguais ou pré-aviso, indemnização ou apresentação
diferentes até ao limite de máximo de dez de justificação, devendo o empregador
(10) anos. efectuar o pagamento da remuneração
3. O contrato por tempo devida pelo trabalho prestado.
detenninado vigora por período 6. Decon•ido o período de
indetenninado desde que ultrapassados os experiência sem que qualquer das paltes
períodos máximos estabelecidos nos n. os faça uso do disposto no número anterior,
1 e 2 do presente afligo. o contrato de trabalho consolida-se
4. No caso de uma das paltes não contando-se a antiguidade desde o início
pretender renovar o contrato cuja duração da prestação do tmbalho.
seja igual ou superior a três meses é ARTIGO 19.0
obrigatório o aviso prévio de quinze (15) (Nulidade do contrato de trabalho e das
cláusulas contratuais)
dias úteis.
5. A falta de cumprimento do aviso 1. E nulo e de nenhum efeito o
prévio referido no número anterior contrato celebrado numa das seguintes
constitui o empregador na obrigação de condições:
pagar ao trabalhador uma compensação q) Ser o seu objecto ou fim
conespondente ao período do aviso contrário à lei e à ordem
prévio. pública;
ARTIGO 18.0 b) Tratar-se de actividade para cujo
(Período de experiência) exercício a lei exija a posse de
título profissional e o trabalhador
1. No contrato de trabalho por
não for detentor do mesmo
tempo indetenninado pode ser
título;
estabelecido período experimental
c) Estar o contrato legalmente
conespondente aos primeiros sessenta
(60) dias de prestação do trabalho, sujeito a visto ou autorizaçáo
podendo as pmtes, por acordo escrito, prévia ao início da prestação do
reduzi-lo ou suprimi-lo. trabalho e o mesmo não tiver
2. As partes podem aumentar a sido obtido.
duração do período experimental, por 2. São nulas as cláusulas ou
escrito, até quatro meses, no caso de estipulações do contrato que:
trabalhadores que efectuem trabalhos de q) Contrariem normas legais
elevada complexidade técnica e de dificil imperativas;
avaliação e até seis (6) meses no caso de b) Contenham discriminações ao
trabalhadores que desempenhem funções tmbalhador em razoes da
de gestão e direcção. idade, emprego, caneira
3. No contmto de trabalho de profissional, salários, duração
duração detenninada pode ser e demais condições de
estabelecido período experimental se as trabalho, por circunstância da
paltes assim o acordarem por escrito, não laça, cor, sexo, cidadania,
excedendo a sua duração de quinze (15) origem étnica, estado civil,
ou trinta (30) dias, confonne se trate de condição social, ideias
trabalhadores não qualificados ou de religiosas ou políticas, filiação
trabalhadores qualificados. sindical, vínculo de parentesco
4. O período de experiência com outros trabalhadores da
destina-se à apreciação da qualidade dos empresa e língua.
serviços do trabalhador e do seu
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3. No caso da nulidade do contrato d) Contrato de trabalho a bordo de
resultar da situação referida na alínea c) embarcações de comércio e de
do n. 0 1 deste afligo, o empregador fica pesca;
constituído na obrigação de indemnizar o e) Contrato de trabalho a bordo de
trabalhador nos tennos estabelecidos no aeronaves;
altigo 239. 0 f) Contrato de trabalho no
ARTIGO 20 domicílio;
(Efeitos da nulidade e da anulabilidade)
g) Contrato de trabalho de
1. A nulidade de cláusulas do trabalhadores civis em
contrato não afecta a validade deste, salvo estabelecimentos fabris
se a palte viciada não poder ser suprimida militares;
e não for possível sem ela realizar os fins b) Contrato de trabalho nu•al;
que os contratantes se propuserem ao i) Contrato de trabalho de
celebrá-lo. estrangeiros não residentes;
2. As cláusulas nulas são j) Contrato de trabalho tempolírio;
substituídas pelas disposições aplicáveis t) Outros contratos como tal
das fontes superiores referidas no n. 0 1 do declarados por lei.
artigo 9. 0 3. As cláusulas que estabeleçam 2. Aos contratos de trabalho
condições ou prestações remuneratórias especiais aplicam-se as disposições
especiais, como contrapaltida de comuns desta lei, com as excepções e
prestações estabelecidas na palte nula, especialidades estabelecidas nos altigos
mantêm-se suplimidas, no todo ou em seguintes e em legislação específica.
palte, na sentença que declare a nulidade.
4. O contrato nulo ou anulado
produz efeitos como se fosse válido
enquanto se mantiver em execução.
5. A nulidade pode ser declarada
pelo tribunal competente a todo tempo,
oficiosamente ou a pedido das partes ou
da Inspecção Geral do Trabalho.
6. A anulabilidade pode ser
invocada pela palte em favor de quem a
lei a estabelece, dentro do prazo de seis
meses contados da celebração do
contrato.
7. Cessando a causa da invalidade
durante a execução do contrato, este fica
com validade desde o início, mas se o
contrato for nulo, a convalidação só
produz efeitos desde à cessação da causa
da nulidade.
SECÇÃO 11
Modalidade Especiais de Contrato de
Trabalho
ARTIGO 21
(Contratos de trabalho especiais)
1. São contmtos de trabalho
especiais:
a) Contrato de grupo;
b) Contrato de emplEitada ou
tarefa;
c) Contrato de aprendizagem e o
contrato de estágio;
2454 DIÁRIO DA REPÚBLICA

ARTIGO 22.0 proprietário da obra, estabelecimento ou indústria não


(Contrato de grupo) exerça actividade idêntica ou semelhante à do tarefeiro.
1. Se um empregador celebrar um contrato com um ARTIGO 24
grupo de trabalhadores, considerando na sua totalidade, (Contrato de aprendizagem e contrato de estágio)
não assume a qualidade de empregador em relação a cada 1. Os contratos de aprendizagem e de estágios
dos seus membros, mas apenas em IElaçáo ao chefe do devem ser celebrados por escrito, com sujeição às regras
gmpo. estabelecidas nos afligos 32. 0 a 35. 0
2. O chefe do grupo assume a representação dos 2. Aos contratos de aprendizagem e de estágio
membros deste nas relações com a empresa, respondendo aplicam-se, em especial, as disposições da Secção III deste
pelas obrigações inerentes à mencionada representação e à capítulo e as disposições gerais sobre trabalhos de
qualidade de empregador em relação aos membros do menores, se o aprendiz ou estagiário tiver menos de
grupo. dezoito (18) anos.
3. A empresa é solidariamente responsável pelo 3. O regime dos contratos definidos neste altigo não
cumprimento dos deveres de conteúdo económico que o se aplica, salvo remissão expressa dos respectivos regimes
chefe do grupo tenha para com os membros deste. jurídicos, às situações de aprendizagem e de fonnaçáo
4. Se o trabalhador, autofizado por escrito ou profissional promovidas pelos serviços oficiais
confonne os usos e costumes, associar auxiliar ou ajudante competentes nos tennos do n. 0 2 do altigo 6. 0
à realização do seu trabalho, o empregador do primeiro sê- ARTIGO 25.0
lo-á também do segundo. (Contrato de trabalho a bordo de embarcações)
ARTIGO 23.0 1. O Contrato de trabalho a bordo deve ser celebrado
(Contrato de empreitada ou tarefa)
por escrito e ser redigido em tennos claros, por fonna a não
1. O empreiteiro ou o propfietário responde deixar nenhuma dúvida aos contratantes sobre os seus
solidariamente com o tarefeiro pelos valores de salálios e direitos e obrigações mútuas, e deve indicar se a
indemnizações desde que os trabalhadores contratados por contratação é concluída por tempo indetenninado ou
este sejam credores, tendo esta responsabilidade como detenninado por uma só viagem.
limite os valores salariais e de indemnizações que o 2. Se o contrato é celebradoporuma só viagan, deve
empreiteiro ou proprietário pratica em relação aos seus indicar a duração prevista da viagem e identificar, de fonna
trabalhadores de idêntica classificação profissional ou caso precisa, o poito onde a viagem tennina e o momento das
as não possua, os valores mínimos obrigatórios. opemções comerciais e mafitimas e efectuar no poito de
2. Em igual situação de solidafiedade pelas dívidas destino em que viagem é considerada concluída.
de contribuições que o tarefeiro contraia para a Segurança 3. E dispensada a redução a escrito do contrato de
Social, ficando isento desta lesponsabilidade se, até o trabalho a bordo de embarcação de pesca sempre que a
início da tarefa, tiver obtido da Segurança Social celtidáo duração da saída ao mar esteja prevista para até vinte e (21)
de que o tarefeiro está inscrito como contribuinte e não é dias.
devedor ou se, requerida a celtidáo, com a mtecedência 4. O contrato de tmbalho a bordo deve indicar o
mínima de 15 dias, esta lhe não for passada até ao início da serviço e funções para que o marinheiro ou pescador é
tarefa. contratado, o montante do salário e remunerações
3. A responsabilidade do empreiteiro ou proprietário acessórias ou as bases do cálculo do salário ao rendimento,
pela dívida do tarefeiro aos trabalhadores tem como limite mesmo que seja fixado por cálculo do salário ao
o valor dos créditos que pelos trabalhadores sejam rendimento, ou que seja fixado por participação no
reclamados até ao quinto dia posterior ao da conclusão dos resultado da viagem e é visado pelo capitão do porto
trabalhos, depois de comigidos nos tennos do n. 0 2 deste competente, que pode recusar o visto quando o contrato
altigo se, até sete dias antes dessa tiver feito afixar nos contenha cláusulas contrárias à ordem pública ou à lei.
locais onde os trabalhos são executados ou serviços 5. O lugar e data do embarque do marinheiro devem
fornecidos, «aviso» convidando os trabalhadores a ser anotados no rol da equipagem.
apresentarem os respectivos créditos e adveitindo-os de 6. As condições especiais de contratação para
que a sua lesponsabilidade não abrange os créditos não tmbalho a bordo são estabelecidas por diploma próprio do
reclamados. Titular do Poder Executivo, pelassem confonnidade com as
4. O proprietário não fica solidariamente responsável convenções intemacionais do trabalho ratificadas e pelo
pelos créditos dos trabalhadores em relação ao tarefeiro, regulamento de inscrição marítima, e devem tratar as
quando a actividade contratada respeite exclusivamente à seguintes matérias:
constmçáo ou reparação que um chefe de família mande a) Regulamentação do Trabalho a bordo incluindo a
executar para ou na residência da família ou quando o organização do trabalho;
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2455

b) Obrigação do annador no que respeita situações em que é lícita a sua celebração reguladas
designadamente aos lugares e épocas da segundo os usos da região, salvo nos casos em que o
liquidação e do pagamalto dos salálios e trabalhador seja deslocado, por ter a sua residência habitual
remunerações acessólias e a fonna de gozo ao em região diversa daquela onde se situa o centro de
descanso; trabalho.
c) Garantias e privilégios dos créditos aos 2. A duração do trabalho lural não pode exceder as
marinheiros; quarenta e quatro (44) horas semanais, calculadas em
d) Condições de alimentação e alojamento; tennos médios em relação à duração do contrato, se inferior
e) Assistência e indemnizações devidas em casos de a um ano, ou em tennos médios anuais, em caso contrário,
e em função das necessidades das culturas, actividades e
acidentes e doenças ocon•idos a bordo;
condições climatéricas, o período de trabalho nonnal pode
f) Condições eventuais de repatriamento nos casos
ser variável, desde que não exceda as dez (10) horas diárias
em que a viagem tennine em poito estrangeiro ou
e as cinquenta e quatro (54) horas semanais.
em poito diferente do de paltida.
3. O horálio de trabalho fica sujeito, com as
7. As condições especiais de contratação devem ser
necessárias adaptações, ao disposto no altigo 95. 0
postas pelo annador à disposição dos marinheiros, devem
4. As férias anuais são gozadas em data a fixar por
ser explicadas pela autoridade marítima no momento da
acordo, mas sempre dentro dos períodos em que o horário
plimeira inscrição do marinheiro no rol de equipagem e
de trabalho, dentro da variabilidade referida no n. 0 2 deste
devem estar afixadas nos locais de equipagem.
afligo, não exceda as quarenta e quatro (44) horas
ARTIGO 26
(Contrato de trabalho a bordo de aeronaves)
semanais.
5. A pedido do trabalhador, o salário pode ser pago,
O contrato de trabalho a bordo de aeronave da aviação até ao
comercial é regulado pelas disposições desta Lei nos limite de 50% do seu valor, em bens produzidos ou géneros
aspectos não sujeitos às normas internacionais aplicáveis à alimentícios de primeira necessidade, com aplicação do
aviação civil e que não expressamente plevistos em disposto nos afligos 166. 0 e 168. 0
diploma próprio do Titular do Poder Executivo. 6. O regime do contrato de trabalho lural pode ser
ARTIGO 27 .o alargado por decreto regulamaltar aos trabalhadores
(Contrato de trabalho no domicílio) doutras actividades, estreitamente ligadas à agricultura,
1. O contrato de trabalho é celebrado por escrito com silvicultura e pecuária, ou à pesca, desde que o exercício de
a aplicação do disposto no n. 0 6 do afligo 15. 0 tais actividades esteja dependente das condições climáticas
2. O salário é fixado através de tarifa de rendimento ou seja de natureza sazonal.
que deve respeitar o disposto no n. 0 5 do afligo 157. 0 ARTIGO 30
3. E equiparado ao contrato de trabalho no domicílio (Contrato de trab alho de estrangeiros não residentes)
aquele em que o trabalhador compra as matérias-primas e O contrato de trabalho dos estrangeiros não residentes é
fomece os produtos acabados ao vendedor daquelas, por regulado por esta Lei, nos aspectos não contemplados por
cato preço, sempre que o trabalhador deva considerar-se na lei especial ou em acordos bilaterais.
dependência económica do comprador do produto acabado. ARTIGO 31
4. Todo o empregador que ocupe trabalhadores no (Contrato de trabalho temporário)
domicílio deve colocar à disposição destes um documento 1. E contrato de trabalho temporário o celebrado
de controlo da actividade laboral que realizem, com entre empregador cuja actividade consiste na cedência
indicação do nome do trabalhador, natureza do trabalho a temporária da utilização de trabalhadores a terceiros,
realizar, quantidades de matérias-primas entregues, tarifas designado empresa de trabalho temporário e um
acordadas para detenninação do salário, recebimento dos trabalhador, pelo qual este se obriga, mediante retribuição
afligos produzidos e datas de entrega e de recebimento. paga pelo seu empregador, a prestar temporariamente a sua
ARTIGO 28 actividade profissional a terceiro, designado por
(Contrato de trab alho em estabelecimentos militares)
utilizador.
O contrato de trabalho celebrado por trabalhadores 2. A actividade de cedência temporária de
civis em estabelecimentos militares fica sujeito a esta Lei, trabalhadores só pode ser exercida por quem detenha
sem prejuízo do que estabeleçam as leis militares e o autorização prévia, nos tennos a regulamentar.
regime disciplinar aplicável nesses estabelecimentos. SECÇÃO 111
ARTIGO 29 Contrato de Aprendizagem e Contrato de Estágio frofissional
(Contrato de trabalho rural)
ARTIGO 32
1. O contrato de trabalho lural por tempo (Conteúd o)
detenninado não carece de ser reduzido a escrito, sendo as
2456 DIÁRIO DA REPÚBLICA

. O contrato de aprendizagem e o contrato de estágio, ARTIGO 34.0


definidos no altigo 24. 0 , devem conter, em especial: (Remunerações)
a) Nome, idade, morada e actividade do 1. A remuneração do aprendiz tem como limite
empregador, ou denominação social, tratando-se mínimo 300/0, 500/0 e 75% da remuneração devida ao
de pessoa colectiva; trabalhador da respectiva profissão, respectivamente no 1.
b) Nome, idade, morada e habilitações escolares ou 0
, 2. 0 e 3. 0 anos de aprendizagem.
técnicas do aprendiz ou estagiário e o nome e 2. A remuneração mínima do estagiário, conesponde,
momda do responsável pelo menor, tratando-se de no 1. 0 2. 0 e 3. 0 anos, a 60%, 75% e 900/0 do salário devido
aprendiz;
ao trabalhador da respectiva profissão e 100 0/0 nos anos
c) A profissão pa•a que é feita aprendizagem ou
seguintes.
estágio; d) As condições de remuneração eno caso
ARTIGO 35.0
dos aprendizes, de alimentação e alojamento, se
(Cessação do contrato)
ficar a viver com o empregador;
e) A data e duração do contrato e o local onde a 1. O contrato de aprendizagem e o contrato de
aprendizagem ou estágio é realizada; estágio, pode cessar livTemente por iniciativa de qualquer
f) A autorização do responsável pelo menor. das paltes, durante os primeiros seis (6) meses da sua
2. Cópias do contrato de aprendizagem ou do contrato duração e livremente por iniciativa do estagiário ou
de estágio são enviadas, nos cinco dias seguintes à aprendiz, depois de decomido aquele prazo.
celebração, à Inspecção Geral do Trabalho e ao Centro de 2. No caso do aprendiz ou o estagiário vier a ser
Enprego. admitido no quadro de pessoal do empregador logo que
ARTIGO 33 concluída a aprendizagem ou estágio, o tempo da
(Direitos e deveres especiais) respectiva duração conta para efeitos de antiguidade.
1. Ao aprendiz e ao estagiálio não devem ser CAPÍTULO 111
e<igidos trabalhos e serviços estranhos à profissão para Conteúdo da Relação Jurídico-Laboral
que a aprendizagem é ministrada, nem serviços que exijam SECÇÃO 1
grande esforço fisico ou que de alguma fonna sejam Poderes, Direitos e Deveres das Partes
susceptíveis de prejudicar a sua saúde e o seu ARTIGO 36
desenvolvimento fisico e mental. (Poderes do empregador)
2. O empregador deve tratar o aprendiz ou estagiário 1. São poderes do empiegador:
como chefe de família e assegurar-lhe as melhores
a) Dirigir a actividade da empresa e 01ganizar a
condições de aprendizagem e, se for o caso, de alimentação
utilizaçáo dos factores de produção incluindo os
e alojamento.
recursos humanos, por fonna a realizar o objecto
3. Se o apraldiznão tiva• concluída a escolaidade
da empresa;
obrigatólia ou se se encontrar matriculado num curso
técnico-profissional ou profissional, o empregador deve
b) Aproveitar com eficiência a qualidade e objecto
social da empresa, assegurar o aumento
facultar o tempo para a frequência dos cursos respectivos.
progressivo da produção e da produtividade, bem
4. O empregador deve ensinar de fonna progressiva e
como o desenvolvimento económico e a
completa a profissão que constitui objecto de contrato e no
responsabilidade social da empresa;
final deste deve entregar uma declaração celtificando a
c) Organizar o trabalho de acordo com o nível de
conclusão da aprendizagem ou estágio e mencionando se o
desenvolvimento alcançado, por fonna a obter
aprendiz ou estagiário se encontra apto para o exercício da
elevados níveis de eficácia e rentabilidade, tendo
profissão.
em conta as características do processo
5. O aprendiz ou o estagiário deve obediência e
tecnológico e das qualificações técnicas
respeito ao empregador e deve dedicar toda a sua
profissionais dos tmbalhadores;
capacidade à aprendizagan.
6. O empregador pode dispor e comercializar os d) Definir e atribuir tarefas aos trabalhadores, de
afligos produzidos pelo aprendiz ou estagiário durante a acordo com a sua qualificação, aptidão e
aprendizagem 7. Nas relações do empregador com o experiência profissional e em cumprimento das
aprendiz ou estagiário são aplicáveis, em tudo o que não normas legais;
seja incompatível com os números anteriores, as e) Avaliar os trabalhadores em confonnidade com o
disposições dos altigos 41. 0 43. 0 e44. 0 8. Cópia de definido no regulamento intemo da empresa;
declaração a que se refere o n. 0 3 é remetida ao Centro de
Emprego, dentro dos cinco dias seguintes à sua entrega.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2457

f) Elaborar regulamentos intemos e outras consideração devida à dignidade dos


instmções e normas necessárias à organização e trabalhadores e tendo em atenção a capacidade
disciplina laboral; efectiva de trabalho;
g) Adequar as condições de trabalho e as tarefas dos b) Verificar, em caso de necessidade, o estado de
tmbalhadores por razões técnicas, 01ganizativas doença e de acidente ou outros motivos
ou produtivas especiais; apresentados para justificação das ausências do
b) Assegurar a disciplina laboral; serviço.
i) Exercer o poder disciplinar sobre os trabalhadores; 2. A disciplina no trabalho respeita às disposições da
j) Garantir o respeito e a protecção do património e Secção II deste capítulo.
ARTIGO 41 .o
de outros activos da empresa necessários ao nonnal
(Deveres do
exercício da actividade laboral;
k) Assegurar um ambiente de trabalho propício ao empregador) São deveres do
bom desempenho da actividade laboral. empregador:
2. Os poderes do empregador são exercidos a) Tlatar e respeitar o trabalhador como seu
directamente por ele, pela direcção e pelo responsável colaborador e contribuir para a elevação do seu nível
dos vários sectores da empresa, no âmbito da delegação material e cultural e para a sua promoção humana e
de competência a que aquele proceda. social; b) Contribuir para o aumento do nível de
ARTIGO 37 produtividade
(Organização do trab alho)
e de qualidade dos bals e saviços,
O poder de organização do trabalho inclui o direito de proporcionando boas condições de trabalho;
estabelecer o período de funcionamento dos válios sectores c) Pagar pontualmente ao trabalhador o salário justo
da empresa e de estabelecer os horários de trabalho, para e adequado ao trabalho realizado, praticando
pennitir o cumprimento dos objectivos da empresa e regimes salariais que atendam à complexidade do
satisfazer as necessidades tecnológicas, após a consulta dos posto de trabalho, ao nível da qualificação,
órgãos representativos dos trabalhadores, nos tennos da lei. conhecimento e capacidade do trabalhador da
ARTIGO 38.0
fonna como se insere na 01ganização do trabalho
(Regulamento interno)
e aos resultados no trabalho desenvolvido;
O regulamento intemo e demais instmções obedecem às d) Promover boas relações de trabalho dentro da
normas estabelecidas na Secção III deste capítulo. empresa e contribuir para a criação e manutenção
ARTIGO 39 de condições de hannonia e motivação no
(Alteração das condições de trabalho) 1. A trabalho; e) Acolher e as críticas,
alteração das condições de trabalho e das tarefas dos sugestões e propostas dos trabalhadores IElativos
trabalhadores respeita os seguintes princípios: à 01ganizaçáo do trabalho e mantê-lo infonnado
das decisões tomadas; fu Promover e facilitar a
q) Incidência sobre a duração do trabalho, horário do
palticipaçáo dos trabalhadores em programas ou
trabalho, sistema de remuneração, tarefas dos
acções de fonnação profissional; g) Adoptar e
trabalhadores e local de trabalho;
aplicar com rigor as medidas sobre segurança,
b) Sujeição aos limites e regras estabelecidas por lei. saúde e higiene no local de trabalho;
2. A alteração de tarefas dos trabalhadores e do local de b) Cumprir as disposições legais em matéria de
tmbalho são reguladas respectivamente pelos afligos 73. 0 a olganizaçáo e actividade sindical;
76. 0 3. Da alteração de tarefas, local e demais condições de i) Não celebrar nem aderir a acordos com outros
trabalho, não pode resultar uma alteração pennanente e empregadores no sentido de reciprocamente
substancial da situação jufidico-laboral do trabalhador, limitarem a admissão de trabalhadores que a eles
salvo no sentido da sua evolução profissional ou nos casos tenham prestado serviços e não contratar, sob
e condições expressamente regulados. pena de responsabilidade civil, trabalhadores
ARTIGO 40.0 ainda pertencentes ao quadro de pessoal doutro
(Disciplina do trabalho)
empregador, quando dessa contratação possa
1. No que respeita à disciplina do trabalho pode o resultar concomência desleal;
empregador, em especial. j) Cumprir todas as demais obrigações legais
q) Adoptar as medidas consideradas necessárias de relacionadas com a 01ganizaçáo e prestação do
vigilância e controlo para velificar o trabalho.
cumprimento das obrigações e deveres laborais, ARTIGO 42
assegurando na sua adopção e aplicação a (Formação e aperfeiçoamento profissional)
2458 DIÁRIO DA REPÚBLICA

1. A fonnaçáo profissional destina-se a proporcionar


aos trabalhadores a aquisição de competências teóricas e
práticas com vista a obtenção e elevação da sua
qualificação para o exercício das funções inerentes ao
posto de trabalho.
2. O aperfeiçoamento profissional ou fonnação
profissional contínua destina-se a aumentar a qualificação
profissional e a pennitir a adaptação pennanente dos
trabalhadores às mudanças técnicas, tecnológicas e das
condições de trabalho.
3. O empregador deve, sempre que se afigurar
necessário, elabomr um programa de fonnação contínua no
local de tmbalho.
4. A fonnaçáo ministrada dilectamente pelo
empregador sem recurso às instituições de fonnaçáo, deve
ser objecto de declaração emitida pela entidade
empregadora e assinada pelo trabalhador, com a menção do
tipo de fonnaçáo, a duração e o grau de aproveitamento e
arquivada no processo individual do trabalhador.
ARTIGO 43
(Direitos do trabalhador)
Além dos direitos fundamentais previstos no altigo 7. 0
e outros estabelecidos nesta Lei, nas convenções colectivas
de trabalho e no contrato individual de tmbalho, ao
trabalhador são assegurados os seguintes direitos:
a) Ser tratado com consideração e com respeito pela
sua integridade e dignidade;
b) Ter ocupação efectiva e condições para o
aumento da produtividade do trabalho;
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2459

c) Ser-lhe garantida estabilidade do emprego e do equipamentos de protecçáo individual e colectiva e


trabalho e a exercer funções adequadas às suas proteger os bens
aptidões e prepa•ação profissional dentro do da empresa e os resultados da produção contra
género do trabalho para que foi contratado; danos, destmiçáo, perdas e desvios;
d) Gozar efectivamente os descansos diálios, f) Cumprir rigorosamente as regras e instmções de
semanais e anuais garantidos por lei e não segurança, saúde e higiene no trabalho e de
prestar trabalho extraordinário fora das prevenção de incêndios e contribuir para evitar
condições em que a lei tome legítima a fiscos que possam pôr em perigo a sua segurança,
exigência da sua prestação; dos companheiros, de terceiros e do empregador, as
e) Receber salário justo e adequado ao instalações e materiais da empresa;
seu trabalho, a ser pago com regularidade e g) Guardar sigilo profissional, não divulgando
pontualidade, não podendo ser reduzido, salvo informações sobre a 01ganizaçáo, métodos e
nos casos excepcionais previsto por lei; técnicas de produção, negócios do empregador, e
J) Ser abrangido na execução dos planos de guardar lealdade, não negociando ou trabalhando
fonnaçáo profissional, para melhoria do por conta própria ou por conta alheia em
desempenho e acesso à promoção e para concomência com a empresa; l') Não realizar
evolução na caneira profissional; reuniões de índole pmtidária no centro de trabalho;
g) Ter boas condições de segurança, saúde e i) Cumprir as demais obrigações impostas por lei ou
higiene no trabalho, à integridade fisica e a ser convenção colectiva de trabalho, ou estabelecidas
protegido no caso de acidente de trabalho e pelo empregador dentro dos seus poderes de
doenças profissionais; l') Exercer individualmente direcção e organização.
o direito de reclamação e recurso no que respeita ARTIGO 45
às condições de trabalho e à violação dos seus (Restrições à liberdade de trabalho)
direitos; 1. E lícita a cláusula do contrato de trabalho pela qual
i) Ser abrangido a adquirir bens ou utilizar se limita a actividade do trabalhador por um período de
serviços fomecidos pelo empregador ou por tempo que não pode ser superior a três (3) anos a contar da
pessoa por este indicado. cessação do trabalho nos casos em que ocon•am em conjunto
ARTIGO 44 a seguintes condições:
(Deveres do
a) Constar tal cláusula do contrato do trabalho escrito
trabalhador) São deveres do ou de adenda ao mesmo;
trabalhador: b) Tratar-se de actividade cujo exercício possa causar
prejuízo efectivo ao empregador a ser caracterizado
q) Prestar o trabalho com diligência e zelo na
como concomência desleal;
forma, tempo e local estabelecido,
aproveitando plenamente o tempo de trabalho c) Ser atribuído ao trabalhador um salário, durante o
e capacidade produtiva e contribuindo para a período de limitação de actividade, cujo valor
melhoria da produtividade e da qualidade dos constará do contrato ou adenda, em cuja fixação se
bens e serviços; atenderá ao facto do empregador ter realizado
b) Cumprir as ordens e instmções dos
despesas significativas com a fonnaçáo profissional
responsáveis, relativas à execução, disciplina e do trabalhador.
segurança no trabalho, nos tennos da lei; 2. E também lícita, desde que reduzida a escrito, a
c) Ser assíduo e pontual e avisar o empregador em
cláusula pela qual um trabalhador beneficiando de
caso de impossibilidade de comparência, apelfeiçoamento profissional ou de curso de fonnaçáo
justificando os motivos da ausência; superior, com os custos supoltados pelo empregador, se
obriga a pennanecer ao sewiço do mesmo empregador
d) Respeitar e tratar com urbanidade e lealdade o
durante um cato período, desde que este período não
empregador, os responsáveis os companheiros
ultrapasse ano para as fonnações de apelfeiçoamento
do trabalho e as pessoas que estejam ou entrem
profissional e até três anos para os cursos de fonnaçáo
em contacto com a empresa e prestar auxílio
superior.
em caso de acidente ou perigo no local de
trabalho; 3. No caso do mimero antefior, o trabalhador pode
desobligar-
e) Utilizar de fonna adequada os instmmentos e
materiais fomecidos pelo empregador para a
realização do trabalho, incluindo os
2460 DIÁRIO DA REPÚBLICA

-se da pennanência ao serviço, restituindo ao empregador a) Descrição detalhada dos factos de que o trabalhador
o valor das despesas feitas, em proporção do tempo que é acusado;
ainda falta para o tenno do período acordado. b) Dia, hora e local da entrevista, que deve ter lugar
4. O empregador que admita trabalhador dentro do antes de decomidos dez (10) dias úteis sobre a data
período de limitação da actividade ou da pennanência na de entrega da convocatória;
empresa, é solidariamente responsável pelos prejuízos c) Informação de que o trabalhador pode fazer-se
causados por aquele ou pela impoltância por ele não acompanhar, na entrevista, por até três (3)
restituída. testemunhas ou pessoas da sua confiança,
SECÇÃO 11 peitencentes ou não ao quadro do pessoal da
Disciplina Laboral empresa ou ao sindicato em que esteja filiado.
ARTIGO 46 3. A convocatória pode ser entregue ao tmbalhador
(Poder disciplinar) contra recibo na cópia na presença de duas testemunhas ou
1. O empregador tem poder disciplinar sobre os com envio por comeio registado.
trabalhadores ao seu serviço e exerce-o em relação às 4. Se o trabalhador não poder ser contactado por
infracções disciplinares por estes cometidos. mzões ligadas à prática da infracção pode o empregador, no
2. O poder disciplinar é exercido directamente pelo prazo de dez (10) dias úteis, aplicar de imediato a medida
empregador ou pelos responsáveis da empresa, mediante disciplinar.
delegação de competência expressa. ARTIGO 49
(Entrevista)
3. O anpregador pode mandar instaurar inquérito
prévio de duração não superior a oito dias nos casos em 1. O empregador e o trabalhador durante a entrevista
que a infracção ou o seu autor não estiverem podem, respectivamente, fazer-se acompanhar por uma e até
suficientemente detenninados. três (3) pessoas da sua confiança ou testemunhas, vinculados
ARTIGO 47 ou nao à empresa.
Oledidas disciplinares)
2. No decon•er da entrevista, o empregador ou o seu
l. Pelas infracções disciplinares pmticadaspelos representante expõe as razões da medida disciplinar que
frabalhadores, pode o empregador aplicar as seguintes medidas pretende aplicar e ouve as explicações e justificativas
disciplinares: apresentadas pelo trabalhador, bem como os mgumentos
q) Admoestação verbal; apresentados pelas pessoas que o assistem.
b) Admoestação legistada; 3. A entrevista deve ser reduzida a escrito e assinada
c) Redução temporária do salário; pelas paltes, incluindo as testemunhas, logo após a sua
conclusão.
d) Despedimento disciplinar.
4. Se o trabalhador faltar à entrevista mas a pessoa por
2. Amedida de redução do salário pode ser fixada
ele escolhida comparecer, em função da justificação por este
entre um a seis (6) meses, dependendo da gravidade da apresentada, pode a entrevista ser adiada para dentro de
infracção, não podendo a redução ser superior a 20 0/0 do cinco (5) dias úteis, ficando o trabalhador notificado na
salálio-base mensal. pessoa do seu representante.
3. Os valores dos salários não pagos ao trabalhador 5. Se não comparecer nem o trabalhador nem o seu
em viltude da redução a que se refere o n. 0 2 deste artigo, representante e aquele não justificar a ausência dentro dos
são depositados pelo na cclita da Segurança três (3) dias úteis seguintes, pode o empregador findo este
Social, com a menção «Medidas Disciplinares» e o nome prazo, decidir de imediato a medida disciplinar a aplicar.
do trabalhador, devendo incidir também sobre esses ARTIGO 50
valores as contribuições do trabalhador e do empregador (Aplicação da medida disciplinar)
para a Segurança Social. 1. Amedida disciplinar não pode ser validamente
ARTIGO 48 decidida antes de decomidos três dias úteis ou depois de
(Procedimento disciplinar) decomidos trinta (30) dias sobre a data em que a entrevista se
1. A aplicação de qualquer medida disciplinar, lealize.
salvo a admoestação verbal e a registada, é nula se não 2. A medida aplicada é comunicada por escrito ao
for procedido de audiência prévia do trabalhador, trabalhador nos cinco (5) dias seguintes à decisão por
segundo o procedimento estabelecido nos números e qualquer dos meios referidos no n. 0 3 do altigo 48. 0 ,
afligos seguintes. devendo a comunicação mencionar os factos imputados ao
2. Quando o empregador considere dever aplicar trabalhador e consequências desses factos, o resultado da
uma medida disciplinar, deve convocar o trabalhador entrevista e a decisão final de punição.
para uma entrevista, incluindo na convocatória:
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2461

ARTIGO
3. Sendo o trabalhador representante sindical ou l. As medidas disciplinares aplicadas são sempre
membro do órgão de representação dos trabalhadores, é registadas no processo individual do trabalhador, sendo
enviada, no mesmo prazo, cópia da comunicação feita ao atendidas na detenninaçáo dos antecedentes disciplinares
trabalhador, ao sindicato ou ao órgão de representação, todas as que tenham sido aplicadas há menos de cinco (5)
devendo este pronunciar-se no prazo de dez dias úteis. anos.
51 .o 2. As medidas disciplinaies podem ser objecto de
(Graduação da medida disciplinar) publicação dentro da empresa ou centro de trabalho.
1. Na detenninaçáo da medida disciplinar devem ARTIGO 56
ser consideradas e ponderadas todas as circunstâncias em (Direito de reclamação e de recurso)
que a infracção foi cometida, atendendo-se a sua 1. Da medida disciplinar pode o trabalhador recomer,
gravidade e consequências, ao grau de culpa do se entender que não praticou os factos de que é acusado,
trabalhador, aos seus antecedentes disciplinares e a todas quando a medida aplicada é excessiva para os factos
as circunstâncias que agravem ou atenuem a sua praticados ou para o grau de culpabilidade, ou que a medida
responsabilidade. disciplinar é nula ou abusiva.
2. Não pode ser aplicada mais de uma medida 2. Ao recurso aplica-se o disposto na alínea c) do n. 0 1
disciplinar por uma mesma infracção ou pelo conjunto de e 2 do afligo 61. 0 e nos afligos 273. 0 e seguintes.
infracções cometidas até à decisão. ARTIGO 57
ARTIGO 52.0 (Exercício abusivo do poder disciplinar)
(Ponderação prévia à medida disciplinar)
1 . Consideram-se abusivas as medidas disciplinares
O prazo referido no n. 0 1 do altigo 50. 0 da presente aplicadas pelo facto de um trabalhador:
Lei destina-se a uma reflexão do empregador ou seu a) Ter reclamado legitimamente no uso do direito que
representante sobre os factos que considera constituíran lhe confere a alínea g) do altigo 43. 0 , contra as
infracção disciplinar e sobre a defesa do trabalhador condições de tmbalho e a violação dos seus direitos; b
alguido, apresentada nos tennos do n. 0 2 do altigo 49. 0, Exercer ou ser candidato ao exercício de funções de
para enquadrar conectamente os factos, a defesa, os representação sindical ou no órgão de representaçáo
antecedentes disciplinares e as circunstâncias que dos trabalhadores ou outras funções destas resultantes.
rodeamm os factos e que sejam atendíveis na 2. No caso de exercício abusivo do poder disciplinar o
detenninaçáo da medida disciplinar. trabalhador tem a faculdade de recorrer ao tlibunal
ARTIGO 53 competente para reclamar os direitos que considere violados.
(Suspensão preventiva do trabalhador)
ARTIGO 58
l. Com a convocatólia pa•a a entrevista, pode o (Consequência do exercício abusivo do poder disciplinar)
empregador suspender preventivamente o trabalhador, se
1. Nas situações a que se refere as alíneas a) e b) do n.
a sua presença no local de trabalho se mostrar 0
1
inconveniente, sem prejuízo do pagamento pontual do
do altigo anterior, se for confinnada a presunção da medida
salário-base.
disciplinar aplicada sa• abusiva, o empregador será
2. Se o trabalhador for representante sindical ou
condenado: a) Se a medida disciplinar for a deredução do
membro do órgão de representação dos trabalhadores, a
salário, em indemnização conespondente a cinco (5) vezes o
suspensão é comunicada ao órgão a que peitence.
valor da percentagem do salálio que o trabalhador deixou de
ARTIGO 54
receber;
(Execução da medida disciplinar)
b) Se a medida disciplinar tiver sido a de
1. A medida disciplinar aplicada pelo empregador despedimento disciplinar, em indemnização
começa a ser executada a paltir da sua comunicação ao calculada
trabalhador, a não ser que a execução imediata apresente
nos tennos do altigo 236. 0 , acrescido de mais
inconvenientes sérios para a organização do trabalho,
cinco (5) salários de base.
caso em que a execução pode ser adiada por não mais de
tlinta dias. 2. Tratando-se de despedimento disciplinar, nas
2. O disposto na palte final do número anterior não situações da alínea a) do n. 0 1 do altigo anterior, podem as
é aplicável à medida disciplinar de despedimento que paltes, por acordo, optar pela reintegração imediata, com o
deve ser comunicada de imediato. pagamento dos salários que deixou de receber até à
reintegração ou pela indemnização nos tennos da alínea a) do
ARTIGO 55
(Registo e publicidade das medidas disciplinares) n. 0 1 deste afligo.
3. No caso das pequenas e micro-empresas, a
indemnizaçáo a que se refere a alínea a) do n. 0 1 do presente
2462 DIÁRIO DA REPÚBLICA

afligo, o empregador é obrigado a repor o valor do


salário não pago e no caso da alínea b) o empregador
deve indemnizar nos tennos do altigo 236. 0 , sem o
acréscimo de cinco salários de base.
ARTIGO 59
(Responsabilidade material ou penal
concorrente com a responsabilidade disciplinar)

O exercício do poder disciplinar não plEjudica o


dilEito do empregador simultaneamente exigir do
trabalhador
indemnização pelos prejuízos sofridos em viltude do seu
compoftamento culposo ou de promover acção penal,
através de apresentação de queixa, se o compoftamento
for tipificado como crime pela lei penal.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2463

ARTIGO
60 indemnização por este devida ou sobre as modalidades de
(Responsabilidade material) reparação dos danos causados, para serem válidos, têm de
1. Aresponsabilidade material do trabalhador por ser reduzidos a escrito.
danos ou destruição de instalações, máquinas, ARTIGO 61
equipamaltos, fa•ramaltas (Prazo de prescrição e caducidade)
ou outros meios de trabalho ou de produção, ou por 1. Sob pena de caducidade do procedimento e
quaisquer outros danos materiais causados à empresa nulidade da medida disciplinar aplicada ou de prescrição da
designadamente por violação do dever estabelecido na infracção disciplinar, o exercício do poder disciplinar está
alínea e) do altigo 44. 0 obedece as seguintes regras: sujeito aos seguintes prazos:
q) Se os danos são causados voluntariamente, o a) O procedimento disciplinar, iniciado com o envio
trabalhador responde por eles e pelos prejuízos da convocatória a que se refere o altigo 48. 0, só
emergentes, na sua totalidade; pode ter lugar dentro de vinte e dois (22) dias
b) Se os danos são causados voluntariamente por úteis seguintes ao conhecimento da infracção e do
vários trabalhadores, a sua responsabilidade é seu responsável;
solidária, podendo o empregador reclamar a b) A infracção disciplinar prescreve decon•ido (1) mo
totalidade do dano de qualquer deles ou de todos, sobre a sua prática;
em regime de proporcionalidade e ficando o
c) O recurso contra as medidas disciplinares tem de
trabalhador condenado na indemnização pela
ser apresentado dentro dos vinte e dois (22) dias
totalidade do dano com direito de regresso sobre
úteis seguintes à notificação das mesmas
os seus co-responsáveis; c) Se os danos são
medidas; d) A queixa-crime deve ser feita nos
causados involuntariamente, ou se resultam de
prazos estabelecidos na Lei de Processo Penal;
perda ou extravio de fenamentas, equipamentos
e) A acção de indemnização civil deve ser intentada
ou utensílios de trabalho confiados ao
dentro dos três (3) meses seguintes ao
trabalhador, para seu uso exclusivo ou da perda
conhecimento da infracção e dos seus
ou extravio de dinheiro, bens ou valores por que
responsáveis, salvo se deduzida na acção penal.
seja lesponsável em viltude das funções
exercidas, o trabalhador responde apenas pelo 2. Exceptua-se do disposto na alínea c) do número
prejuízo directo e não pelo prejuízo emergente. anterior o recurso contra a medida de despedimento
disciplinar, ao qual se aplica o prazo de cento e oitenta
2. No caso das alíneas a), b) e c) do número anterior,
(180) dias.
a responsabilidade do trabalhador fica limitada ao montante
SECÇÃO 111
do salário mensal, salvo nas seguintes situações, em que a
Regulamentos
responsabilidade pelo prejuízo directo é exigível na
totalidade: q) Se se trata da perda ou extravio de ARTIGO 62
(Regulamento interno)
fenamentas, equipamentos ou utensílios ou de dinheiro,
bens ou valores; 1. O empregador deve elaborar e aprovar
b) Se os danos são causados em estado de drogado regulamentos internos com vista à organização do trabalho
ou de embriaguez; e disciplina laboral, directivas, instmções, ordem de serviço
c) Se em caso de acidente de trânsito, este resultar e normas de trabalho em que são definidas normas de
de excesso de velocidade, manobras peligosas ou organização técnica do trabalho, prestação do trabalho e
de maneira geral, de culpa grave do condutor. disciplina laboral, delegação de competências, definição
3. Sendo o dano involuntário causado por vários das tarefas dos trabalhadores, segurança, saúde e higiene no
trabalhadores não há responsabilidade solidália, trabalho, indicadores de rendimento do trabalho, sistema de
respondendo cada um na proporção da sua culpa, modo e remuneração, horas de funcionamento dos vários sectores
extensão da palticipaçáo e presumindo-se iguais aos graus da empresa ou centro de trabalho, controle de entradas e
de culpa de todos os trabalhadores pmticipantes na saídas e de circulação na empresa, vigilância e controlo da
produção do dano. produção e outras matérias que não respeitem directamente
ao conteúdo da relação jurídico-laboral.
4. A responsabilidade material é exigida em acção
civil de indemnização, intentada no tribunal competente ou 2. No acto de elaboração do regulamento
em pedido civil deduzido na acção penal, no caso de ter interno, o empregador deve consultar o órgão
sido instaurado procedimento criminal. representativo dos trabalhadores, que sobre o mesmo
5. Os acordos eventualmente celebradas entre o se pronuncia no prazo de 20 dias úteis.
empregador e o trabalhador sobre o montante da 63
2464 DIÁRIO DA REPÚBLICA

ARTIGO
(Informação e registo da Inspecção Geral do Trabalho) 3. Entende-se por mudança na titularidade o
1. Sempre que o regulamento intemo ou restantes trespasse, cessão de amendamento ou qualquer outro facto
modalidades de normas plevistas no altigo 38. 0 tratem de ou acto que envolva transmissão da exploração da empresa
prestação e disciplina, dos sistemas de remuneração, de centro de trabalho ou palte deste, por negócio jurídico
rendimento do trabalho ou de segurança, saúde e higiene no celebrado entre o anterior e o novo titular.
trabalho, 4. Se a mudança na titularidade ou na transmissão da
o empregador deve remeter o respectivo regulamento para exploração da empresa, centro de trabalho ou palte deste
infonnaçáo e registo da Inspecção Geral do Trabalho. resultar de decisão judicial, aplica-se o disposto no n. 0 1
2. Em caso de detecção de inegularidades, a Inspecção deste afligo, sendo mantido o exercício da actividade
Geral do Trabalho deve accionar os mecanismos de anterior se a decisão judicial o detenninar de fonna
conecçáo. expressa.
ARTIGO 69
ARTIGO 64.0
(Estabilidade da relação jurídico-laboral)
(Publicação)
I. Aprovado o regulamento é o mesmo publicado ou 1. O novo empregador desde que mantenha a
afixado no centro de trabalho, em local frequentado pelos actividade prosseguida antes da mudança assume a posição
trabalhadores, a fim de tomarem conhecimento do seu do anterior empregador nos contratos de trabalho e fica
conteúdo. sub-rogado nos direitos e obrigações daqueles resultantes
2. O regulamento só pode entrar em vigor depois de das IElações jurídico laborais, mesmo que tenham cessado
decorridos dez (10) dias úteis contados da publicação na antes da mudança do empregador.
empresa. 2. Os trabalhadores mantêm a antiguidade e os
ARTIGO 65 direitos adquiridos e em fonnaçáo ao serviço do anterior
(Eficácia) empregador.
O regulamento e demais normas em vigor na empresa, a 3. O disposto no n. 0 1 deste altigo não se aplica se os
que se refere o altigo 38. 0, vincula o empregador e os trabalhadores continuarem ao serviço do primeiro
trabalhadores, sendo para estes de cumprimento empregador noutro centro de trabalho, nos tennos disposto
obligatório, nos tennos da alínea i) do altigo 44. 0 no altigo 79. 0 4. Nos vinte e dois (22) dias úteis seguintes à
mudança de empregador, os trabalhadores têm direito de
ARTIGO 66
(Nulidade e regime sucedâneo) rescindir o contrato de trabalho com aviso prévio.
ARTIGO 70
São nulas as disposições do regulamento que tratem de (Co-responsabilidade dos empregadores)
matá•ias estranhas às indicadas no afligo 38. 0 e são
substituídas pelas disposições da lei ou da convenção 1. A sub-rogação nas obrigações do anterior
colectiva as que se não mostrem confonne com estas. empregador fica limitada às contraídas nos doze (12) meses
ARTIGO 67 anteriores à mudança, desde que até vinte e dois (22) dias
(Regulamentos obrigatórios) úteis antes dessa se efectuar, o novo empregador avise os
O empregador com mais de cinquenta (50) trabalhad01es de que devem reclamar os seus créditos até
ao segundo dia útil antefior à data prevista para a mudança.
trabalhadores deve adoptar obrigatoriamente regulamentos
intemos sobre as matérias referidas no n. 0 1 do afligo 62. 0 2. O aviso a que se refere o número anterior deve ser
feito mediante infonnaçáo aos trabalhadores, afixada nos
CAPÍTULO IV locais habitualmente frequentados por eles na empresa ou
Modificação da Relação Jurídic(ELaboral centro de trabalho ou mediante comunicação ao ólgão
SECÇÃO 1 representativo dos trabalhadores, dando conta da prevista
Mudança do Empregador mudança da situação jurídica ou da titularidade da data em
ARTIGO 68 que esta ocon•e, da necessidade de serem reclamados os
(Situações abrangidas) créditos e da data em que tennina a reclamação.
1. A modificação na situação jurídica do empregador 3. Pelos créditos não reclamados e pelos vencidos em
e a mudança na titularidade da empresa ou centro de momento anterior ao referido no n. 0 1 deste afligo,
trabalho não extinguem a relação jurídico-laboral e não continua responsável solidariamente com o novo pelas
constitui justa causa de despedimento. obrigações contraídas por este para com os trabalhadores
2. Hitende-se por mudança na situação jurídica a nos doze (12) meses posteriores à transmissão.
sucessão, fusão, transfonnaçáo, cisão ou outm alteração 4. O anterior empregador responde solidariamente
jurídica sofiida pela empresa. com o novo pelas obrigações contraídas por este para com
os trabalhadores nos doze meses anteriores à transmissão.
ARTIGO 71
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2465

ARTIGO
(Obrigação do novo empregador) 1. O trabalhador apenas pode ser colocado
O novo empregador fica obrigado a manter as definitivamente em posto de trabalho de remuneração
condições de trabalho a que por convenção colectiva ou inferior numa das seguintes situações:
prática intema estava obrigado o anterior, sem prejuízo das a) No caso de extinção do posto de tmbalho que
altemções permitidas nos tennos desta Lei. ocupava; b) Por diminuição da capacidade fisica ou
72.0 psíquica, necessária ao desempenho das tarefas
(Comunicação à Inspecção Geral do Trabalho) inerentes ao seu posto do trabalho, seja por acidente
Nos quinze (15) dias úteis seguintes à mudança, o novo ou outra causa;
empregador é obrigado a comunicar à Inspecção Geral do c) A seu pedido, justificado por razões ponderosas.
Trabalho, com indicação da sua causa e do destino dos 2. No caso das alíneas a) e b) do número anterior,
trabalhadores, tendo em conta o disposto no n. 0 3 do altigo não sendo possível a mudança definitiva do posto de
69. 0 trabalho aplica-se o disposto nos afligos 210. 0 e seguintes.
SECÇÃO 11 ARTIGO 76
Transferência para Funções Diferentes (Permuta de posto de trabalho)
ou para Novo Posto de Trabalho
1. Sempre que dois trabalhadores de comum acordo e
ARTIGO 73. 0 autorizados pelo empregador trocarem de posto de
Olodificação temporária de mnções por razões trabalho, a pennuta é feita por escrito, assinada pelos
respeitantes ao empregador) trabalhadores e pelo empregador.
1. O empregador pode transferir temporariamente o 2. Os trabalhadores passam a receber o salário
trabalhador do posto de trabalho ou encanegá-lo de comespondente ao posto de trabalho que ocuparem e a
cumprirem as condições de trabalho que lhes respeitem.
serviços próprios de diferente categoria ocupacional, desde
SECÇÃO 111
que da transferência não resulte modificação substancial da Mudança de Centro ou Local de Trabalho
situação juñdico-laboral do trabalhador.
ARTIGO 77
2. Se ao posto de trabalho ocupado temporariamente (Local de trabalho)
conesponder remuneração mais elevada, o trabalhador tem 1. Se a actividade profissional do trabalhador é
dilEito a essa remuneração. exercida predominantemente no exterior das instalações da
3. A transferência temporária não pode durar mais de empresa, quer por trabalhar em centros de trabalho móveis
quinze (15) meses, salvo se se tratar da substituição de ou itinerantes, quer por se tratar de actividade extema e
trabalhador temporariamente impedido ou se for acordado variável quanto ao local da respectiva prestação, considera-
pelas pates o prolongamento deste período. se local de trabalho o centro de trabalho de que se encontra
4. Se o posto de trabalho ocupado temporariamente administrativamente dependente para receber instmções
quanto ao serviço a realizar e para prestar conta da
conesponder a menor remuneração, o trabalhador continua
actividade desenvolvida.
a receber a remuneração do posto de trabalho anterior e
2. O trabalhador tem direito a estabilidade no local
mantém os restantes direitos desse mesmo posto. de trabalho, sendo-lhe apenas exigível a alteração
5. Logo que cesse a transferência o trabalhador temporária ou definitiva do local de prestação do trabalho
regressa ao nas situações previstas no número anterior e nos afligos
antefior posto de trabalho, aufefindo o salário seguintes.
conespondente ao mesmo. ARTIGO 78
(Mudança temporária de local de trabalho)
ARTIGO 74
Olodificação temporária de funções 1. Por razões técnicas e oiganizativas, de produção
por razões respeitantes ao trabalhador) ou outras circunstâncias que o justifiquem, o empregador
A transferência temporária para posto de trabalho ou pode transferir temporaliamente o trabalhador para local de
funções de remuneração mais baixa também pode ocorrer a trabalho fora do centro de tmbalho.
pedido do trabalhador por razões sérias a este respeitantes e 2. Os aspectos IElacionados com a mudança
por razões de doença comjunção da declaração médica. temporália do trabalhador são regulados por acordo das
ARTIGO 75.0 paltes, devendo no mesmo ser salvaguardado o acréscimo
Olodificação de funções com carácter definitivo) de despesas do trabalhador.
3. Quando o trabalhador se oponha à transferência
temporária, invocando justa causa, é a recusa apresentada à
2466 DIÁRIO DA REPÚBLICA

ARTIGO
Inspecção Geral do Trabalho, sem prejuízo do trabalhador
cumprir a ordem de tmnsferência.
4. A Inspecção Geml do Trabalho, ponderadas as
mzões invocadas pelo trabalhador e pelo empiegador,
pronuncia-se no prazo de vinte (20) dias úteis.
ARTIGO 79
Oransferência definitiva de local de trab alho)
1. O empregador pode transferir o trabalhador do local
de trabalho, com carácter definitivo, nas seguintes
situações:
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2467

q) Mudança total ou parcial do centro de trabalho apresentem sem o equipamento de protecção


para outro local; individual;
b) Extinção do posto de trabalho, havendo noutro f) Tomar a devida nota das queixas e sugestões
centro de tmbalho posto adequado à qualificação apresentadas pelos trabalhadores acerca do
profissional e aptidões do tmbalhador; ambiente e condições de trabalho e adoptar as
c) Por razoes técnicas e organizativas ou de produção. medidas convenientes;
2. No caso das alíneas a), b) e c) do número anterior, g) Colaborar com as autoridades sanitárias para a
e havendo recusa do trabalhador quanto à enadicação de epidemias e situações endémicas
transfa•ência, aplica-se o disposto no 2. 0 do afligo locais; b) Aplicar medidas disciplinares
75. 0 adequadas aos trabalhadores que violem as regras
ARTIGO 80.0 e instmções sobre a segurança, saúde e higiene no
(Direitos do trabalhador em caso de transferência definitiva) trabalho;
As condições de transfei€ncia definitiva do trabalhador, i) Cumprir todas as demais disposições legais sobre
nos teimos previstos no altigo anterior, são estabelecidas segurança, saúde e higiene no trabalho que lhe
por acordo das pmtes, devendo no mesmo ser sejam aplicáveis.
salvaguardado o acréscimo de despesas e a estabilidade 2. O empregador que não cumpra o disposto na
familiar do trabalhador em função da tmnsferência. alínea b) do núma•o anterior ou que tenha deixado de
cumplir as obligações impostas pelo contrato de seguro
CAPÍTULO V além das sanções a que está sujeito, fica directamente
Condições de Prestação do Trabalho responsável pela consequência dos acidentes e doenças
SECÇÃO 1 verificadas.
Segurança, Saúde e Higiene no Trabalho
ARTIGO 82
ARTIGO 81 .o (Colaboração entre empregadores)
(Obrigações gerais do empregador)
Quando mais de uma empresa exerça simultaneamente
1. Além dos deveres estabelecidos nesta Lei, a sua actividade num mesmo local de trabalho, devem
designadamente na alínea g) do altigo 41. 0 , são obrigações todos os empregadores colaborar na aplicação das regras
gerais do empregador, no que respeita à segurança, saúde e de segurança, saúde e higiene previstas nesta secção e na
higiene no trabalho: legislação aplicável, sem prejuízo da responsabilidade de
q) Tomar as medidas necessárias no âmbito da cada deles em relação à segurança, saúde e higiene dos
segurança, saúde e higiene no trabalho; seus próprios trabalhadores.
b) Fazer o seguro individual ou de grupo a todos os ARTIGO 83
trabalhadores, aprendizes e estagiários, contra o (Obrigações dos trabalhadores)
risco de acidentes de trabalho e doenças
Além dos deveres estabelecidos nesta Lei,
profissionais, salvaguardando as pequenas e
designadamente na alínea f) do artigo 44. 0, os
micro-empresas;
trabalhadores são obrigados a utilizar conectamente os
c) Organizar e dar fonnaçáo prática apropriada em
dispositivos e equipamentos de segurança, saúde e higiene
matéria de segurança, saúde e higiene no trabalho no trabalho, a não os retirar nem os modificar sem
a todos os trabalhadores que contrate, que mudem autorização do empregador.
de posto de trabalho, ou de técnica e processo de
ARTIGO 84
trabalho, que usem novas substâncias cuja (Responsabilidade criminal)
manipulação envolva riscos ou que regressem ao
Sem prejuízo da responsabilidade civil estabelecida no
trabalho após uma ausência superior a seis (6)
n. 2 do altigo 81 0 , o empregador responde criminalmente
0
meses; d) (Ilidar que nenhum trabalhador seja
pelos acidentes de trabalho ou doenças profissionais que,
exposto à acção de condições ou agentes fisicos,
por grave negligência de sua palte, sofram os
químicos, biológicos, ambientais ou de qualquer
trabalhadores, mesmo protegidos pelo seguro a que se
outra natureza ou a pesos, sem ser avisado dos
refere a alínea b) do
prejuízos que possam causar à saúde e dos meios
n. 0 1 do mesmo afligo.
de os evitar;
ARTIGO 85
e) Garantir aos trabalhadores roupas, calçados e
(Obrigações imediatas do empregador)
equipamento de protecção individual, quando seja
necessário para prevenir, na medida em que seja Em caso de acidentes de trabalho ou doenças
razoável, os riscos de acidentes ou de efeitos profissionais, o empregador é obrigado a:
prejudiciais para a saúde, impedindo o acesso ao a) Prestar ao trabalhador sinistrado ou doente os
posto de trabalho aos trabalhadores que se plimeiros socon•os e fomecer-lhe transpolte
2468 DIÁRIO DA REPÚBLICA

adequado até o centro médico ou unidade 1. Nos centros de trabalho onde exerçam actividades
hospitalar onde possa ser tmtado; industriais ou de transpolte, com volume de tmbalhadores
b) Pmticipar às entidades competentes o acidente ou não inferior ao mínimo fixado em legislação própria ou que
doença, desde que provoque impossibilidade para preencham outros requisitos na mesma previstos, é
o trabalho, no prazo e segundo o procedimento constituída uma comissão de prevenção de acidentes de
previsto na legislação própria; trabalho, de composição paritária, destinada a apoiar o
c) Providenciar a investigação das causas do empregador e responsáveis, os trabalhadores, a Inspecção
acidente ou da doença, para adoptar as medidas Geml do Trabalho e outras autoridades com competência
pleventivas apropriadas. nestas áreas, na aplicação e desenvolvimento das normas
ARTIGO 86 sobre ambiente, segurança, saúde e higiene e na vigilância
(Outras obrigações do empregador) da sua aplicação.
Além dos deveres estabelecidos nesta Lei, 2. Sempre que as condições e as actividades da
designadamente na alínea g) do altigo 41. 0, o empregador empresa o pennitem, pode a comissão de prevenção de
é obrigado a: acidentes de trabalho ser substituída por serviço intemo da
a) Instalar nos centros de trabalho condições mesma, responsável pelo tratamento desta tarefa.
sanitárias e de higiene apropñadas a um ambiente SECÇÃO 11
Medicina no Trab alho
laboral sadio; b) Assegurar que as substâncias
perigosas sejam amrazenadas em condições de ARTIGO 90
segurança e que nas instalações do centro de (Posto de saúde e postos farmacêuticos)
trabalho não se acumule lixo, resíduos e 1. Com base no apoio a ser prestado por palte dos
desperdícios; serviços sanitários oficiais e de acordo com o tipo de fiscos
c) Assegurar que nos centros de trabalho onde não a que estão sujeitos os trabalhadores, as possibilidades de
haja posto de saúde, haja uma mala de primeiros assistência médica pública e a capacidade económica do
SOCOITOS, com o equipamento exigido no empregador, pode este ser obrigado, por despacho conjunto
regulamento aplicável; dos Ministros que tiverem a seu cmgo a administração do
d) Impedir a introdução ou distribuição de bebidas trabalho, da saúde e sectorial, a instalar posto de saúde ou
alcoólicas e de drogas nos locais onde o trabalho farmacêutico, destinado aos seus trabalhadores.
é executado. 2. O posto de saúde, quer se trate de posto médico ou
ARTIGO 87 de enfennagem, deve ser instalado no centro de trabalho ou
(Competência da Inspecção Geral do Trabalho) na sua proximidade e destina-se a:
A fiscalização do cumprimento das disposições legais a) Assegurar a protecção dos trabalhadores contra os
regulamentares sobre segurança, saúde e higiene no riscos para a saúde que possam resultar do seu
trabalho compete à Inspecção Geral do Trabalho, que se trabalho ou das condições em que este é efectuado;
pode fazer assistir ou assegurar por peritos médicos dos b) Contribuir para a adaptação dos postos de
serviços oficiais de saúde ou por especialistas doutras trabalho, das técnicas e dos ritmos de trabalho à
áreas, com vista ao apuramento das condições de fisiologia humana;
segurança, saúde e higiene de maior complexidade. c) Contribuir para o estabelecimento e para a
ARTIGO 88 manutençáo no mais elevado grau possível do bem-
(Mstoria das instalações) estar fisico e mental dos tmbalhadores;
1. Sem prejuízo do disposto na legislação específica, d) Contiibuir para a educação sanitália dos
os centros de trabalho de constmçáo nova, ou em que se trabalhadores e para a adopção de padrões de
façam modificações ou se instalem novos equipamentos, compoltamento, confonne as normas e regras de
não podem ser utilizadas antes de vistoriadas por uma saúde no trabalho. 3. A organização, funcionamento
comissão coordenada pela Inspecção Geral do Trabalho e e meios de acção dos postos de saúde são fixados por
composta pelos serviços de inspecção dos sectores da regulamento que igualmente define o apoio que lhes
saúde, dos serviços de protecção civil, bem como dos deve ser assegurado pelos serviços sanitários oficiais.
serviços de inspecção do sector de tutela da actividade do ARTIGO 91
(Exames médicos)
centro de trabalho.
2. A comissão referida no número anterior deve 1. Os exames médicos dos trabalhadores são
emitir o auto de vistoria no prazo de oito dias úteis após a efectuados pelos serviços de saúde, sem prejuízo dos
data de conclusão da vistoria. exames e cuidados especiais exigidos pelas características
ARTIGO 89 de celtos tipos de trabalho, previstos na regulamentação
(Comissão ou serviços de prevenção de acidentes de trabalho) aplicável.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2469

2. Para efeitos do disposto no número anterior, os aos trabalhadcyes por eles abrangidos, com antecedência
centros de saúde devem ser celtificados pela entidade minima de quinze (15) dias relativamente à sua entrada em
responsável pela coordenação do sistema de segurança e execução.
saúde no trabalho. 3. Se o horário de trabalho for por tumos ou com
3. Os trabalhadores ocupados em trabalhos equipas de trabalhadores que pratiquem horários
insalubres ou perigosos ou na manipulação, fabrico, diferenciados, o mapa deve descriminar os diversos
embalagem ou expedição de produtos alimentares para o horários existentes e o empregador deve possuir,
consumo humano e os trabalhadores noctumos, devem ser actualizado, o registo dos trabalhadores incluídos em cada
submetidos anualmente ou sempre que detenninado pelas tumo ou equipa.
entidades competentes a exame médico. ARTIGO 94
(Alterações)
4. Os exames médicos são feitos sem encargos
para os trabalhadores. As alterações do horário de trabalho são obrigatórias
5. Quando por razões médicas, não seja aconselhado para os trabalhadores a que se destinam, se estabelecidas
a pennanência dum trabalhador num posto de trabalho, a em conformidade com o que se encontra definido nos
empresa deve transferi-lo para um posto compatível com o afligos anteriores.
seu estado de saúde. SECÇÃO 11
6. Os exames médicos a que se refere este artigo e Período Normal de Trabalho
outras disposições da lei, podem ser efectuados pelo ARTIGO 95
serviço médico do empregador, mediante a autorização dos (Duração)
serviços oficiais. 1. Com as excepções previstas na lei, o período
CAPÍTULO VI normal de trabalho não pode exceder os seguintes limites:
Organização e Duração Temporal do Trabalho a) Quarenta e quatro (44) horas semanais;
SECÇÃO 1 b) Oito (8) horas diárias.
Horário de Trabalho 2. O período nonnal de trabalho semanal pode ser
ARTIGO 92 alargado até cinquenta e quatro (54) horas, nos casos em
(Conceito de horário de trabalho) que o empregador adopte os regimes de horário por tumos
ou de horário modulado ou variável, em que esteja em
1. O horário de trabalho detennina as horas de início
execução horário de recupemçáo ou em que o trabalho
e tenno do período nonnal de trabalho diário, os intervalos
seja intermitente
diários de descanso e refeição e do dia de descanso
ou de simples presença.
semanal.
3. O período nonnal de trabalho diário pode ser
2. Nos termos do altigo 37. 0 , compete ao
almgado: q) Até nove (9) horas diárias nos casos em que o
empregador estabelecer o horálio de trabalho, de acordo
trabalho seja intennitente ou de simples presença, em que o
com as disposições legais e convencionais.
empregador concentre o peñodo normal de trabalho
3. No estabelecimento do horário do trabalho, o semanal em cinco (5) dias consecutivos; b) Até dez (10)
empregador deve respeitar o regime legal sobre o período horas diárias nos casos em que o trabalho seja intennitente
de funcionamento das empresas e serviços, e organizá-lo ou de simples presença, em que o empregador adopte os
de modo a que o período de funcionamento seja regimes de horário modulado ou variável, ou que esteja em
inteiramente assegurado em regime de tmbalho nonnal a execução horário de recuperação.
prestar confonne as modalidades estabelecidas nesta Lei, 4. Os limites máximos dos períodos nonnais de
adequadas para o efeito. trabalho diário e semanal podem sa- reduzidos por
4. O ólgáo representativo dos trabalhad01es deve ser convalção colectiva de trabalho ou por diploma próprio do
previamente ouvido no estabelecimento do horário de Titular do Poder Executivo, nas actividades em que o
trabalho e nas suas alterações. trabalho seja prestado em condições palticulannente
ARTIGO 93
desgastantes, fatigantes ou perigosas ou que compoltem
(Mapa dos horários de trabalho)
riscos para a saúde dos trabalhadores.
1. O horário de trabalho é escrito em mapa próprio 5. A redução dos limites máximos dos períodos
que além dos elementos referidos no n. 0 1 do altigo normais de trabalho não detennina diminuição do salálio
anterior, indica também o início e tenno do período de dos trabalhadores nem qualquer alteração das condições de
funcionamento do centro de trabalho. trabalho que se tome desfavorável aos trabalhadores.
2. Um exemplar do mapa de horário de trabalho deve 6. O tempo de trabalho conta-se desde que no seu
ser afixado no centro de trabalho, em local bem visível e início e tenno o trabalhador se encontre no seu posto de
acessível trabalho no cumprimento das respectivas tarefas.
2470 DIÁRIO DA REPÚBLICA

ARTIGO 96 3. São tumos rotativos aqueles em que os


(Intervalos de descanso)
trabalhadores estão sujeitos às variações de horário
l. O nonnal de tmbalho diário deve ser intaTompido por resultantes da prestação de trabalho em todos os tumos
intervalo, para descanso e refeição, de duração não inferior
previstos.
a quarenta e cinco (45) minutos e nem superior a uma hora
e meia, de modo que os trabalhad01es não prestem mais de 4. Quando sejam organizados três turnos, este são
cinco (5) horas de trabalho nonnal consecutivo. obrigatoriamente rotativos e deles é inteiramente nocturno,
2. Na medida do possível e salvo acordo com o sendo diumos os dois (2) restantes.
ólgáo representativo dos trabalhadores, o intervalo é de ARTIGO 99
quarenta e cinco minutos se no centro de trabalho estiver (Duração do horário por turnos)
em funcionamento refeitório que fomeça refeições aos l . A duração do trabalho de cada tumo não pode ser
trabalhadores ou de uma hora e meia em caso contrário. supa•ior ao limite máximo do período nonnal de trabalho,
3. Por convenção colectiva de trabalho pode sa- não podendo exceder as oito (8) horas diárias no caso de
estabelecida para o intervalo de descanso e refeição uma tumos rotativos.
duração superior a duas (2) horas, assim como pode ser 2. No caso de tumos rotativos, o intervalo de
estabelecida a frequência e duração doutros intervalos de descanso e refeições é de tlinta (30) minutos, sendo
descanso. considerado tempo de trabalho, sempre que, pela natureza
4. Eltre o tenno dum período de trabalho diário e o do trabalho, o trabalhador não deve ausentar-se do seu
início do trabalho do dia seguinte deve haver intewalo de posto de trabalho.
repouso nunca inferior a dez (10) horas. 3. Quando, pela natureza da actividade, não seja
SECÇÃO 111 possível cumprir o disposto no n. 0 1 deste afligo, operíodo
Regimes Especiais Horário de Trabalho de trabalho semanal pode ser almgado nos tennos do
ARTIGO 97 .o disposto n. 0 2 do afligo 95. 0
(Horários de trabalho especiais) 4. O disposto no n.0 1 deste atigo, quanto à duração
1. Considera-se horários especiais os estabelecidos máxima do trabalho diário em caso de tumos rotativos,
nos altigos seguintes da presente Lei: pode não ser aplicado nas situações previstas no altigo 104.
0
q) O horário de trabalho por turnos; no caso de incluírem a 01ganizaçáo do trabalho por
tumos.
b) O horário de trabalho em tempo parcial;
ARTIGO 100.0
c) O regime de disponibilidade;
(Remuneração)
d) O horário com altemância de tempo de trabalho e
1. Aprestação de tmbalho em regime de tumos
tempo de repouso;
rotativos confere ao trabalhador o direito a uma
e) O horário do trabalhador estudante;
remuneração adicional de 200/0, 15%, 100/0 e 5% do
J) Outras modalidades especiais de horários salário-base, para as grandes, as médias, as pequenas e as
estabelecidos por diploma regulamentar. micro empresas, respectivamente, a qual é devida enquanto
2. As pates podem, por acordo colectivo ou o trabalhador se encontrar sujeito a este regime de trabalho.
individual, estabelecer horários que revestem a natureza de 2. A remuneração estabelecida no número anterior
horário de trabalho para recuperação de suspensões de inclui o adicional por trabalho noctumo e compensa o
actividades, de trabalho modulado e de trabalho variável, trabalhador pelas valiações de horário e de descanso a que
desde que respeitem os limites fixados no afligo 95. 0 está sujeito.
ARTIGO 98
3. Se o horário de trabalho for em regime de dois
(Horário de trabalho por turnos)
turnos, fixos ou rotativos ou de horários parcialmente
1. Sempre que o período de funcionamento da sobrepostos ou desfasados, não é devida qualquer
empresa ou estabelecimento exceda a duração máxima do remuneração adicional, salvo se estabelecido por
período de trabalho diário, fixado pela alínea a) do n. 0 3 do convenção colectiva de trabalho.
0 ARTIGO 101.0
afligo 95. devem ser organizadas diferentes equipas de
(Mudança de turnos)
trabalhadores que através da sobreposição parcial ou
A rotação ou mudança de tumo só pode ser feita após o
sucessão de horários assegurem o trabalho na totalidade de
dia de descanso semanal do trabalhador.
funcionamento.
ARTIGO 102.0
2. Os tumos podem ser fixos ou rotativos. (Trabalho em tempo parcial)
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2471

1. Considera-se trabalho em tempo parcial aquele em ARTIGO 104.0


que o trabalhador realiza a actividade até período máximo (Horário de trabalho em alternância)
de cinco (5) horas do período nonnal diário e quatro horas l. Considera-se h01irio de trabalho em altemância
no peliodo nonnal noctumo. oregime de horálio de trabalho constituído por um período
2. O recurso ao trabalho em tempo parcial é feito por máximo de quatro semanas de trabalho efectivo seguido
acordo das paltes e reveste obrigatoriamente a fonna dum período igual de repouso.
escrita. 2. O sistema de tmbalho a que se refere o número
3. A ocupação de trabalhadores em tempo parcial anterior respeita as seguintes regras:
deve, sempre que possível, ser facilitada aos trabalhadores a) O período de repouso inclui o tempo despendido
com responsabilidades familiares, com capacidade de nas viagens de ida e regresso ao centro de
trabalho reduzida e que frequentem estabelecimento de trabalho;
ensino médio ou superior. b) Os dias de descanso semanal, descanso
4. O trabalhador em tempo parcial goza dos mesmos complementar semanal e feliados incluídos no
direitos e deveres, bem como das condições de trabalho período de trabalho efectivo são dias de trabalho
respeitantes ao trabalhador a tempo inteiro, observando-se normal, sendo o seu gozo transferido para
sempre a proporcionalidade do trabalho prestado para períodos de repouso subsequente;
efeitos de remuneração. c) O período de férias anuais é imputado aos
ARTIGO 103.0
períodos de repouso desde que estes não tenham
(Regime de disponibilidade) duração inferior a quinze (15) dias consecutivos,
sem prejuízo do pagamento das gratificações
1. O regime de disponibilidade só pode ser praticado
anuais previstas no altigo 158. 0 ;
em centros de trabalho que prestem serviços pennanentes à
colectividade, designadamente transpoltes e comunicações, d) A duração do trabalho nonnal pode atingir o
captação, transporte e distribuição de água e produção, limite de doze (12) horas diárias que inclui dois
transpolte e distribuição de enagia e empresas de laboração períodos de descanso, de trinta (30) minutos cada
contínua em que seja indispensável por razoes técnicas, um, considerado tempo de trabalho, sempre que o
manter a regularidade e nonnalidade do funcionamento dos horário seja cumprido em regime de tumos e
equipamentos e instalações. ocorra a circunstância referida na palte final do n.
0
2. Salvo disposições especiais estabelecidas por 2 do afligo 99. 0;
decretos regulamentares ou por convenção colectiva de e) Se em consequência deste regime de trabalho, for
trabalho, o regime de disponibilidade fica sujeito às excedida a duração anual de trabalho calculada a
seguintes regras: quarenta (44) horas semanais e depois de
b) O trabalhador é designado para o regime de deduzidos o período nonnal de férias e os
disponibilidade por escala a fixar com o mínimo feriados obrigatórios, o tempo excedente é
de uma semana de antecedência; considerado tmbalho extraordinário e como tal
b) O trabalhador não pode ser escalado para regime remunerado.
de disponibilidade em dias seguidos; ARTIGO 105.0
c) O período de disponibilidade não pode ser (Trabalhador estudante)
superior ao período nonnal do trabalho diário; 1. O regime de trabalhador estudante está sujeito a
d) O trabalhador em regime de disponibilidade não acordo escrito entre o empregador e o trabalhador, que
deve pemranecer nas instalações do centro de define o horário de trabalho, a remuneração, as condições
trabalho, é obrigado a manter o empregador de trabalho, as obrigações do trabalhador, bem como a
infonnado do local onde se encontra, a fim de suspensão e a cessação do respectivo estatuto.
poder ser chamado para início imediato da 2. Os trabalhadores que frequentam estabelecimento
prestação extraordinária de trabalho. de ensino em regime pós-laboral devem ser dispensados
3. O trabalhador tem direito a uma remuneração para prestação de provas de frequência e exames finais nos
adicional do seu salário-base, nos dias em que se encontre tennos do altigo 148. 0 , desde que comuniquem a sua
em regime de disponibilidade, conespondente às seguintes condição ao empregador no início do ano lectivo.
percentagens: 3. O tmbalhador em regimepós-laboml deve ser
q) 200/opara os trabalhadores das grandes empresas; dispensado no dia de prestação de provas de frequência e
b) 15% para os trabalhadores das médias empresas; exame escolares, sem direito à remuneração.
c) 100/opara os trabalhadores das pequenas ARTIGO 106.0
empresas; (Remuneração do trabalhador estudante)

d) 5% para os trabalhadores das micro empresas.


2472 DIÁRIO DA REPÚBLICA

A remuneração do trabalhador estudante é proporcional nomeadamente: q) O trabalho de segurança pessoal e


ao tempo de trabalho prestado, podendo, por acordo das patrimonial;
pmtes, ser estabelecido outro valor. b) O tmbalho prestado pelos sewiços de saúde,
SECÇÃO IV incluindo as fannácias;
Isenção de Horário de Trabalho
c) O trabalho prestado por ponderosas razões
ARTIGO 107.0 de emagêncla;
(ñmções susceptíveis de isenção)
d) O trabalho prestado em regime de turnos;
1. Estão isentos de horário de trabalho, não lhes e) O tmbalho prestado em regime de horas
sendo aplicáveis os limites diários e semanais estabelecidos extnordinálias; f) O tmbalho prestado
no altigo 95. 0, os trabalhadores que exerçam funções de pennanaltemente à colectividade, nomeadamente
direcção e chefia, funções de fiscalização ou integrem os nas áreas da energia e águas, dos transpoltes e das
órgãos de apoio dilecto do empregador. comunicações;
g) O trabalho prestado em empresas de laboração
2. Podem, mediante acordo escrito, ser isentos de
contínua; l') O trabalho doméstico;
horário de trabalho os trabalhadores que com regulafidade
exerçam funções fora do centro de tmbalho em locais i) O trabalho prestado por civis em estabelecimentos
variáveis. militares e para-militares;
3. O acordo referido no número anterior deve constar j) O trabalho prestado nas grandes supelficies
do processo individual do trabalhador. comerciais e nos centros comerciais;
ARTIGO 108.0
t) O tmbalho regulado por regime especial.
(Limites de isenção) 3. Podem os titulares das áreas de tutela do trabalho, da
saúde e da actividade em que o trabalho seja desenvolvido
1. Aos trabalhadores isentos de horário de trabalho é
definir em diploma próprio outro tipo de actividades em
reconhecido o direito ao dia de descanso semanal, aos dias
que não se aplique o regime de tmbalho noctumo.
feliados
ARTIGO
e ao dia ou meio dia de descanso complementar semanal. (Duração)
2. Os trabalhadores isentos do horálio de trabalho
O periodo de trabalho nonnal do trabalhador noctumo
mediante acordo não trabalham, em média, mais de dez
não pode exceder dez (10) horas diárias.
(10) homs por dia e têm direito a intervalo de descanso e
ARTIGO 112.0
refeição de uma hora durante o tempo de trabalho diário.
(Remuneração adicional)
ARTIGO 109.0
(Remuneração da isenção) 1. O trabalho noctumo confere o direito a uma
remuneração adicional do salário devido por idêntico
1. Os trabalhadores isentos de horário de trabalho
trabalho prestado durante o dia, conespondente a:
mediante acordo têm dilCito a uma lemuneração adicional
conespondente ao valor auferido por cada hora nonnal de a) 200/0 para os trabalhadores das grandes
tmbalho efectivo. empresas;
2. O empregador deve manter um registo b) 15% para os trabalhadores das médias
actualizado, em mapa próprio, das horas de trabalho empresas;
prestadas em regime de isenção. c) para os trabalhadores das pequenas
3. Cessando a isenção de horário de trabalho, deixa empresas;
de ser devida a remuneração adicional referida no número d) 5% para os trabalhadores das micro
anterior. empresas.
SECÇÃO V 2. A remuneração adicional por trabalho nocturno,
Trabalho Nocturno
nos casos em que seja devida, pode, por convenção
ARTIGO 110. 0 colectiva de trabalho, ser substituída por redução
(Noção) conespondente do tempo de trabalho incluído no período
1. O trabalho noctumo é aquele cujo horário de nocturno, sempre que desta redução não resultem
trabalho é totalmente noctumo ou inclui pelo menos três inconvenientes para a actividade prosseguida.
horas do período compreendido entre às vinte (20) horas às SECÇÃO
Trabalho Extraordinário
6 horas do dia seguinte.
2. Para efeitos do disposto no número anterior não é ARTIGO 113.0
considerado trabalho noctumo as actividades que pela sua (Licitude do recurso ao trab alho extraordinário)
natureza são desenvolvidas durante o período noctumo,
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2473

1. O trabalho extraordinário só pode ser prestado quando prestado na situação a que se refere a alínea d) ao limite
necessidades imperiosas da produção ou dos serviços o estabelecido na alínea a) do mesmo número.
exigirem. 3. Nas restantes situações previstas no n o 2 do altigo
2. Constituem, nomeadamente, necessidades imperiosas: 113. , os limites fixados no n. 0 1 deste afligo só podem ser
0

a) A prevenção ou eliminação das consequências de ultrapassados mediante autorização prévia da Inspecção


quaisquer acidentes, calamidades naturais ou outras Geral do Trabalho a requerimento do empregador que
situações de força maior; justifica a necessidade de os exceder.
b) A montagem, manutenção ou reparação de 4. Se no termo da prestação de trabalho
equipamentos e instalações cuja inactividade ou extraordinário e por força do intervalo de repouso previsto
paralisaçáo ocasione prejuízos sérios à empresa no n. 0 4 do altigo 96. 0 o trabalhador tiver de retomar o
ou causa grave transtomo à comunidade; trabalho no período posterior ao do início do seu período
c) A ocon•ência temporária e imprevista dum nonnal de trabalho, lhe é devido o salário pelo tempo de
volume anonnal de trabalho; trabalho não prestado.
d) A substituição de trabalhadores que se não 5. O requerimento a que se refere o n. 0 3 deste artigo
apresentem no início do respectivo período de considera-se deferido, se no prazo de cinco (5) dias úteis
trabalho, quando este coincida com o tenno do contados da apresentação do requerimento, o empregador
período de tmbalho anterior; não for notificado de qualquer decisão.
e) A movimentação, transfonnaçáo ou laboração de ARTIGO 116. 0
produtos facilmente deterioráveis; (Condições e obrigações de prestação)

f) A realização de trabalhos preparatórios ou 1. A prestação de trabalho extraordinário deve ser


complemaltares que devem ser executados prévia e expressamente detenninada pelo empregador, sob
necessariamente pena de não ser exigível o respectivo pagamento.
fora do horário de funcionamento do centro de 2. Salvo nos casos a que se referem as alíneas a), d) e
trabalho; g) do n. 0
2 do altigo 113. 0
0 trabalhador deve ser
g) O prolongamento de trabalho, até ao limite de
infonnado da necessidade de prestar trabalho
trinta (30) minutos após o encerramento, nos
extraordinário com a maior antecedência possível e nunca
estabelecidos de venda ao público e de prestação
de sewiços pessoais ou de interesse geral, para depois do início do período de repouso ou de intervalo de
completar transacções ou serviços em curso, para descanso e refeição anterior ao início dessa prestação.
apuramentos, anumações e preparação do 3. Salvo nos casos previstos na lei, a prestação de
estabelecimento para a actividade do peñodo trabalho extraordinário é obrigatória para o trabalhador,
seguinte de abeltura. caso seja cumprida a obrigação a que se refere o número
ARTIGO 114. 0 anterior.
(Excep ções)
4. O trabalhador pode ser dispensado pelo
Não é considerado trabalho extraordinário: empregador caso o solicite por razões ponderosas.
q) O prestado em dia nonnal de trabalho por 5. Salvo nos casos a que se referem as alíneas a) e d)
trabalhadores isentos do horário de trabalho; do n. 0 2 do artigo 113. 0 ou autorização da Inspecção Geral
b) O prestado em recuperação de anteriores
do Trabalho, não pode ser exigida a prestação de trabalho
suspensão de actividades ou noutras situações
extraordinário aos trabalhadores noctumos.
contempladas nos n. os 2 e 3 do afligo 95. 0
ARTIGO 117.0
dentro dos limites estabelecidos na respectiva
(Remuneração)
regulamentação.
ARTIGO 115. 0 1. Cada hora de trabalho extraordinário é remunerada
(Limites) com um adicional até ao limite de 30 homs por mês,
1. Os limites máximos de duração do trabalho conesvondente a: a) 50% do valor da hora de trabalho
extraordinário são: nonnal para os tmbalhadores das gmndes empresas;
q) Duas (2) horas por dia nonnal de trabalho; b) 30% do valor da hora de trabalho nonnal para os
b) Quarenta (40) horas por mês de trabalho; tmbalhadores das médias empresas;
c) Duzentas (200) horas anuais. c) 20% do valor da hora de trabalho nonnal para os
2. O trabalho extraordinário prestado nas situações a tmbalhadores das pequenas empresas;
que se refere a alínea a) do n. 0 2 do altigo 113. 0 não fica
sujeito aos limites estabelecidos no número anterior e o
2474 DIÁRIO DA REPÚBLICA

d) 10% do valor da hora de trabalho nonnal para os (Encerramento Semanal)


tmbalhadores das micro empresas. 1. Os estabelecimentos industriais, comerciais e de
2. O tempo do trabalho extraordinário que exceda o prestaçáo de sewiços devem suspender a laboração ou
limite estabelecido no número anterior é remunerado, por encenar um dia completo por semana, que é o domingo,
cada hora, com adicional de: salvo no caso de laboração contínua ou se as actividades a
que se dedicam não poderem ser suspensas nesse dia, por
a) 75% para os trabalhadores das grandes
razões de interesse público ou motivos técnicos.
empresas;
2. A autofizaçáo para laboração contínua é
b) 45% para os trabalhadores das médias concedida nos tennos a regulamentar pelo Titular do Poder
empresas; Executivo e a respectiva actividade por peñodo de tempo
c) 20% para os trabalhadores das pequenas indeterminado ou detenninado.
empresas; 3. O Titular do Poder Executivo pode detenninar, em
d) 100/0 para os trabalhadores das micro diploma próprio, as actividades, empresas ou
empresas. estabelecimentos que são dispensados de suspender a
laboração ou encerrar dia completo, por semana, por
3. Os adicionais estabelecidos nos números
razões de interesse público ou motivos técnicos.
anteriores acrescem a outros adicionais devidos aos
ARTIGO 120.0
trabalhadores, designadamente, o estabelecido no n. 0 1 do
(Direito ao descanso semanal)
afligo 112. 0
4. Para efeito de pagamento do trabalho 1. O trabalhador tem direito a um (1) dia completo
extraordinário: de descanso por semana que, em regra, é o domingo.
2. O dia de descanso semanal só pode ser noutro dia
a) Não são consideradas as fracções de tempo
da semana quando o trabalhador preste serviço a
inferi01es a quinze (15) minutos; empregadores que, nos tennos do altigo anterior, estejam
b) São contadas como meia hora as fracções de dispensados de encerrar ou suspender a laboração dia
tempo de quinze (15) a quarenta ( 44) completo por semana ou que esteja obrigado a encenar ou a
minutos; suspender a laboração em dia que não seja domingo.
c) São consideradas como uma hom as fiacções 3. Fora dos casos a que se refere o número anterior,
de tempo de quarenta e cinco (45) a sessenta pode também deixar de coincidir com o domingo o dia de
( 60) minutos. descanso semanal dos trabalhadores:
5. Para efeito de remuneração do trabalho q) Necessários ao asseguramento da continuidade de
extraordinário, o dia ou meio dia de descanso serviços que não possa ser inten•ompido;
complementar semanal é considerado dia nonnal de b) Dos serviços de higiene, salubridade e limpeza ou
trabalho. encarregados doutras tarefas preparatórias ou
ARTIGO 118. 0 complementares que devam necessariamente ser
(Obrigações Administrativas) realizados no dia de descanso dos restantes
l. O anpregador é obrigado apossuir um registo de tmbalhadores ou quando os equipamentos e
trabalho extraordinário onde, em cada dia, são registados o instalações se encontram inactivos;
início e o tenno do trabalho extraordinálio prestado por c) Dos serviços de guarda, vigilância e poitaria.
cada trabalhador. ARTIGO 121.0
2. O apuramento do tempo total de trabalho (Duração do descanso semanal)
extraordinálio é feito mensalmente através da folha de 1. O descanso semanal não pode ter duração inferior
efectividade. a vinte e quatro (24) horas consecutivas, em regra iniciadas
3. O registo pode ser sujeito amodelo aprovado por às zero (0) horas do dia destinado ao mesmo descanso.
diploma próprio do Titular do Poder Executivo, que pode 2. No caso de trabalho por turnos, o descanso
estabelecer a inclusão doutros elementos. semanal conta-se desde o termo do turno e deve ter a
4. O registo deve ser apresentado à Inspecção Geral duração de quatro (24) horas.
do Trabalho sempre que por esta é exigido. ARTIGO 122.0

CAPÍTULO VII (Descanso complementar semanal)


Suspensão da Prestação do Trabalho 1. O meio dia de descanso que resulta da distribuição
SECÇÃO 1 do horário semanal por cinco dias e meio de trabalho ou o
Encerramento e Descanso Semanal dia de descanso que resulta da aplicação do disposto na
alínea a) do n o 3 do altigo 95. 0 é considerado descanso
ARTIGO 119. 0
complementar semanal.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2475

2. O tempo de descanso complementar semanal deve tem direito ao respectivo pagamento sem que o
anteceda• ou seguir sempre que possível o dia de descanso empregador o possa compensar com trabalho
sananal. extraordinálio ou almgamento do horário nonnal de
ARTIGO 123.0 trabalho.
(Condições de prestação de trabalho) 2. Sempre que a prestação de trabalho seja em dia
O trabalho prestado em dia de descanso semanal e no feriado, ao pagamento devido nos teimos do número
dia ou meio dia de descanso complementar semanal só antefior acresce a seguinte remuneração:
pode ser prestado nas situações a que se refere o altigo 113. a) O salário conespondente a dia de trabalho ou ao
0
, sendo-lhe aplicável o disposto nos afligos 116. 0 e 118. 0 período de trabalho, se inferior, salvo tratando-se
ARTIGO 124.0
do trabalho prestado em actividades ou centros de
(Remuneração do trabalho) trabalho abrangido pelo n. 0 2 do altigo 126. 0 ou
pelo n. 0 3 do altigo 120. 0;
1. O trabalho prestado no dia de descanso semanal é
remunerado pelo valor conespondente ao tempo de b) Tratando-se de trabalho prestado em que seja
trabalho com adicional de 75% do mesmo valor, sendo lícito o recurso ao trabalho exfraordinálio ou em
sempre garantida uma remuneração mínima de três (3) casos de força maior ou outras ocon•ências
horas, no caso do trabalho ter tido duração inferior a este imprevistas, à remuneração comespondente ao
período. trabalho prestado em dia de descanso semanal.
2. Ao trabalho prestado no dia ou meio dia de SECÇÃO 111
Férias
descanso complementar semanal aplica-se o disposto no n.
0
5 do altigo 117. 0 ARTIGO 129.0
(Direito a férias)
ARTIGO 125.0
(Descanso semanal) 1. O trabalhador tem direito, em cada ano civil, a um
O trabalho prestado no dia de descanso semanal período de férias remuneradas.
confere ao trabalhador o direito a gozar, obrigatoriamente, 2. O direito a férias repolta-se ao trabalho prestado
na semana seguinte, meio dia ou dia completo de descanso no ano civil anterior e vence no dia um 1) de Janeiro de
compensatório, confonne a duração do trabalho tenha sido cada ano.
inferior a quatro (4) horas, ou igual ou superior a este 3. O direito a férias no ano de admissão vence no dia
limite. (1) de Janeiro do ano seguinte, só podendo ser gozadas
depois de completados seis meses de trabalho efectivo e
SECÇÃO 11
Feriados reportam-se ao trabalho prestado no ano de admissão.
ARTIGO 130.0
ARTIGO 126.0 (finalidade e garantias do direito a férias)
(Suspensão do trabalho nos feriados)
1. O direito a félias destina-se a possibilitar ao
1. O empregador deve suspender o trabalho nos dias trabalhador condições de recuperação fisica e psíquica de
que a lei consagra como feriados nacionais. desgaste provocada pela prestação do trabalho e a pennitir-
2. O disposto nonúmero só não se aplica an relação lhe condições de inteira disponibilidade pessoal, de
às actividades ou estabelecimentos em regime de laboração integração na vida familiar e de paticipaçáo social e
contínua ou que, nos tennos do n. 0 3 do altigo 119. 0, cultuml.
estejam dispensados de suspender a laboração ou encerrar 2. O direito a fá•ias é in•enunciável e o seu gozo
um dia completo por semana. efectivo não pode ser substituído, fora dos casos
ARTIGO 127.0
expressamente previstos nesta Lei, por qualquer
(Condições de prestação de trabalho)
compensação económica ou doutra natureza, mesmo a
l. Excepto nos casos a que serefere o n. 0 2 do atigo pedido ou com o acordo do trabalhador, sendo nulos os
antefior e o n. 0 3 do altigo 120. 0, não pode ser exigida dos acordos ou actos unilaterais do trabalhador em sentido
trabalhadores a prestação de trabalho nos dias feriados, contrário.
salvo em situações em que seja lícito o recurso a trabalho ARTIGO 131.0 (Duração)
extraordinário.
1. O período de férias é de vinte e dois (22) dias
2. Aprestação de trabalho refeiida no número anterior
úteis em cada ano, não contam como tal os dias de
fica sujeita ao disposto nos afligos 116. 0 e 118. 0 descanso semanal, de descanso complementar e feriados.
ARTIGO 128.0 2. As férias que se reportam ao ano da admissão ao
(Remuneraçao) trabalho são conespondentes a dois dias úteis por cada mês
1. Os dias feriados são considerados dias nonnais de completo de tmbalho, com o limite mínimo de seis dias
trabalho pam efeitos do direito ao salário e o trabalhador úteis.
2476 DIÁRIO DA REPÚBLICA

3. Idêntica fonna de cálculo do período de férias, As férias devem ser gozadas no decurso do ano civil
com o idêntico limite mínimo, é aplicada no caso do em que se vencem, sem prejuízo de poderem ser marcadas
contrato de trabalho ter estado suspenso no ano a que se para serem gozadas no primeiro trimestre do ano seguinte,
repolta o direito, por facto respeitante ao trabalhador. no todo ou em palte, se o trabalhador o solicitar e não
4. Na determinação dos meses completos de trabalho resultarem inconvenientes em cumulação ou não com as
contam-se os dias de efectiva prestação de serviço e ainda férias vencidas nesse ano.
os dias de falta justificada com direito à remuneração e os ARTIGO 136.0
dias de licença gozada nos tennos das disposições sobre (Adiamento ou suspensão do gozo de férias)
protecção na matemidade. 1. O período de gozo das férias deve ser alterado
ARTIGO 132.0 sempre que o trabalhador na data marcada para o início
(Redução das férias) estiver temporaliamente impedido por facto que lhe seja
O período de férias a que se refere o n. 0 1 do afligo imputável, designadamente doença ou cumprimento de
antefior, ou detenninado nos tennos dos n. 0S 2 e 3 do obligações legais.
mesmo afligo, é objecto de IEduçáo em consequência de 2. Se o tmbalhador adoecer durante o gozo de férias,
faltas ao trabalho nas condições definidas no altigo 154. 0 é o gozo suspenso por umpa•íodo de até cinco (5) dias
ARTIGO 133.0 úteis, desde que o empregador seja de imediato infonnado
(Férias no contrato por tempo determinado) da situação de doença com apresentação do documento
1. Os trabalhadores admitidos por tempo comprovativo, passado ou confumado por estabelecimento
detenninado, cuja duração inicial ou a IMIovação do de saúde.
contrato não ultrapasse ano, têm direito a um período 3. No caso refeiido nonúmero anterior, cabe ao
de férias conespondente a dois (2) dias úteis por mês anpregador marcar o período em que o trabalhador deve
completo de trabalho. concluir o gozo das suas félias.
2. As férias a que se refere o número anterior podem ARTIGO 137.0
ser substituídas pela remuneração conespondente, a pagar (Remuneração de férias havendo suspensão do contrato)
no tenno do contmto. Se o contrato de trabalho ficar suspenso antes do gozo
3. Para determinação do mês completo de serviço das férias vencidas no ano da suspensão, por motivo não
aplica-se o disposto no n. 0 4 do afligo 131. 0 imputável ao trabalhador e por esse motivo as não puder
ARTIGO 134.0 gozar até ao tenno do primeiro tlimestre do ano seguinte, as
(Plano de férias) férias vencidas e não gozadas são substituídas pelo
1. Em cada centro de trabalho deve ser organizado pagamento da remuneração conespondente.
plano de férias onde constem todos os trabalhadores, ARTIGO 138.0
com a indicação das datas de início e de tenno no (Remuneração de férias por cessação do contrato)
respectivo peñodo de férias. 1. Sempre que o contrato de trabalho cesse, por
2. A marcação do pefiodo de félias deve sa- feita, na qualquer motivo, o trabalhador tem direito a receber a
medida do possível, por acordo entre o empregador e o remuneração das férias vencidas no ano da cessação, salvo
trabalhador ou no caso de não ser possível o acordo, se já gozadas.
decidida pelo anpregador. 2. Sem prejuízo do disposto no número anterior tem
3. Na organização do plano de férias, o empregador direito a receber a remuneração conespondente a um
deve ter em conta as necessidades do funcionamento do período de férias calculado a dois (2) dias úteis de férias
centro de trabalho e considerar os aspectos relevantes dos por cada mês completo de serviço decomido desde (1) de
interesses dos trabalhadores. Janeiro até à data da cessação.
4. A paragem total ou parcial da actividade do centro 3. A cessação do contrato de trabalho antes de
de trabalho por motivos ligados ao empregador pode ser vencido o peliodo de félias não se aplica o disposto nos
considemda para efeitos de direito ao gozo de férias, anteliores, mas o trabalhador tem direito à remuneração
sempre que impemtivos económicos da empresa o conespondente a período calculado na base de dois (2) dias
justifiquem. úteis de félias por cada mês completo de trabalho prestado
5. O plano de félias é elaborado e afixado nos desde à data da admissão até a data da cessação do
centros de trabalho até ao dia trinta e um (31) de Janeiro de contrato.
cada ano e permanece afixado enquanto houver ARTIGO 139.0
trabalhadores a gozar férias dentro do mesmo ano. (Remuneração e gratificação de férias)
ARTIGO 135.0 1. A remuneração do trabalhador durante o período
(Gozo de férias)
de férias é igual ao salário-base.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2477

2. A remuneração de férias acresce-se a gratificação seguintes, sendo injustificadas as ausências não autofizadas
de férias a que se refere a alínea a) do n. 0 1 do altigo 158. 0 pelo empregador, bem como aquelas em relação às quais o
3. A redução do período de férias efectuada nos tmbalhador não cumpra as obrigações estabelecidas no
tennos do altigo 132. 0 , bem como a substituição do gozo altigo seguinte.
de férias pela remuneração conespondente, não ocasiona a 3. Sempre que a ausência seja de duração inferior ao
redução da gratificação de férias. pa•íodo nonnal de trabalho diário a que o trabalhador está
4. A remuneração e a gratificação das férias são sujeito, os tempos de ausência são adicionados para
pagas antes do início do respectivo gozo. detenninaçáo dos dias de falta.
ARTIGO 140.0 4. Se o horário for de duração desigual nos diversos
(Violação do direito a férias) dias da semana, considera-se dia de falta o que conesponde
Sempre que o empregador impeça, fom do âmbito legal à duração média do período nonnal de trabalho diário.
ou contratual, o gozo das férias nos tennos estabelecidos 5. Sempre que as faltas tenham como consequência a
nos afligos anteriores, o trabalhador recebe como perda da remuneração o empiegador pode fazer o desconto
indemnização o dobro da remuneração conespondente ao do tempo de falta no salário do mês em que esta tem lugar
período de férias não gozadas e deve gozar o período de mesmo que inferior a um dia de falta.
férias em falta até ao tenno do primeiro trimestre do ano ARTIGO 144.0
seguinte. (Solicitação e justificação de faltas)
SECÇÃO IV 1. O trabalhador deve solicitar ao empregador com a
Licença sem Remuneração
antecedência mínima de uma semana, a necessidade de se
ARTIGO 141.0 ausentar do serviço e respectivo motivo e a duração
(Licença sem remuneração) prevista para a ausência exibindo nessa altura a notificação,
1. A pedido escrito do trabalhador, o empregador requisição ou convocatória que eventualmente lhe tenha
pode autorizar-lhe licença sem remuneração cuja duração sido dirigida.
deve constar expressamente da decisão. 2. Se o conhecimento da necessidade de se ausentar
2. O período de licença conta para efeitos de do serviço ocorrer dentro da semana anterior ao seu início,
antiguidade e o trabalhador tem direito a retomar o posto a solicitação a que se refere o número anterior deve ser
de trabalho sempre que se apresente no tenno da licença. imediata com a exibição do documento referido se for o
3. Para efeito do direito de gozo a férias, a licença caso.
sem remuneração considera-se tempo efectivo de trabalho, 3. Se a ausência for imprevista, a solicitação ao
se for de dumçáo inferior ou igual a trinta (30) dias de empregador deve ser feita logo que possível, mas sempre
calendário. antes de retomar ao trabalho.
4. Se a licença for de dumçáo superior a trinta (30) 4. O trabalhador é obrigado a fomecer a prova dos
dias, aplica-se o disposto no n. 0 3 do altigo 131. 0 sobre a motivos invocados para a justificação da falta se essa prova
detenninação do período de férias no caso do contrato de estiver estabelecida no regulamento intemo ou for exigida
trabalho ter ficado suspenso. pelo empregador.
ARTIGO 142.0 5. Constitui infracção disciplinar grave a prestação
(Licença para formação)
pelo trabalhador de falsas declarações relativas à
Mediante solicitação escrita do trabalhador, com justificação de faltas.
antecedência mínima de trinta (30) dias úteis, o ARTIGO 145.0
empregador pode autorizar o gozo de licença sem (Faltas justificadas)
remuneração de duração igual ou superior a sessenta (60)
1. São motivos justificativos de faltas ao trabalho:
dias para a frequência no País ou no estrangeiro de cursos
de fonnaçáo técnica ou cultural ministrados sob q) O casamento do trabalhador desde que a ausência
responsabilidade duma instituição de ensino ou de tenha duração não superior a oito (8) dias
fonnaçáo profissional ou de cursos intensivos de seguidos de calendário;
especialização ou semelhantes. b) Um dia, para o pai, por ocasião do nascimento do filho;
SECÇÃO V c) O falecimento de familiares directos, dentro dos
Faltas ao Trabalho limites definidos no altigo seguinte;
ARTIGO 143.0 d) O cumprimento de obrigações legais ou militares
(Tipos de faltas) que devam ser satisfeitas dentro do pa•íodo
nonnal
1. As faltas podem ser justificadas ou injustificadas.
2. São justificadas as faltas autorizadas pelo de trabalho, nas condições e limites referidos
empregador e as estabelecidas nos afligos 145. 0 e no afligo 147. 0;
2478 DIÁRIO DA REPÚBLICA

e) A prestação de provas a que estejam de pais, filhos e outros membros do agregado


obrigados os trabalhadores-estudantes, nos familiar;
tennos dos artigos 105. 0 e 148. 0 ; b) Três (3) dias úteis, tratando-se do falecimento de
tios, avôs, sogros, n•máos, netos, genros e noras.
f) A pmticipaçáo em cursos de fonnaçáo,
2. Se o funeral tiver lugar em localidade distante do
apelfeiçoamento, qualificação ou reconversão
centro do trabalho, o tmbalhador tem ainda direito a dispor
profissional que tenha sido autorizada pelo
do tempo indispensável pam a deslocação sem
empregador;
remuneração.
g) A impossibilidade de prestar trabalho, devido a
facto que seja imputável ao trabalhador, ARTIGO 147.0

nomeadamente, acidente, doença ou necessidade (Faltas por cumprimento de obrigações)


de prestação de assistência inadiável a membros 1. No caso de faltas para cumplimento de obrigações
do seu agregado familiar, em caso de doença ou legais, o empregador é obligado a pagar o salário
acidente, dentro dos limites fixados no afligo 149. conespondente às faltas, até ao limite de dois dias por mês,
0
; h Apalticipaçáo em actividades culturais ou mas não por mais de oito (8) dias por ano.
desportivas ou em representação do País ou da 2. As autoridades judiciais, militares, policiais ou
empresa ou em provas oficias nos tennos do outras com idênticos poderes legais para detenninar a
altigo 150. 0 ; A prática de actos necessários e comparência do trabalhador ou perante as quais o
inadiáveis no exercício de funções dirigentes em trabalhador deva praticar os actos que, por constituírem
sindicatos e na qualidade de delegado sindical ou obrigação legal, justificam a falta, são obligadas a fomecer
de membro do ólgão represaitativo dos a este, meios de prova idóneas e circunstanciados
trabalhadores, dentro dos limites estabelecidos no contendo, nomeadamente, o local, data e peliodo de
altigo 151. 0 comparência para serem apresentados ao empregador.
J) A paticipaçáo do trabalhador como candidato às ARTIGO 148.0
eleições gerais ou autárquicas aprovadas pelo (Faltas para provas escolares)
órgão competente.
2. São remuneradas dentro dos limites estabelecidos O empregador deve autorizar a ausência do
no número anterior e nos afligos seguintes as faltas trabalhador a que não se aplique o regime do
justificadas pelos motivos constantes das alíneas a) a i) do trabalhador estudante nos dias de prestação de provas
n. 0 1 deste afligo. escolares de frequência e de exame, devendo justificar
3. O anpregador pode autorizar ausências, face à a ausência mediante prova documental.
invocação pelo trabalhador de motivos não constantes das ARTIGO 149.0
alíneas anteriores, mas que aquele entenda dever (Faltas por acidente, doença ou assistência)
considerar atendíveis.
I. A impossibilidade de prestar trabalho pelos
4. As faltas autorizadas nos tennos do número
fundamentos a que se refere a alínea g) do n. 0 1 do altigo
anterior são remuneradas ou não, confonne seja
145. 0 é paga, na situação de doença ou acidente comum do
estabelecido pelo empregador no acto de autorização
trabalhador, no valor de 100% do salário-base, por um
entendendo-se que são remuneradas se nada for
período de dois (2) meses, no caso das médias e grandes
detenninado.
empresas.
5. As faltas justificadas por motivos plevistos nas
2. Sem prejuízo do disposto no número anterior,
alíneas c), D e h) do n. 0 1 deste altigo quando se
enquanto não for assumida a modalidade de protecção na
prolonguem por mais de trinta (30) dias de calendário, dão
doença ou acidente comum pela entidade gestora da
lugar a suspensão de contrato de trabalho com aplicação do
protecção social obrigatória, o empregador deve pagar ao
respectivo regime.
trabalhador, do terceiro ao décimo segundo mês, 50% do
6. As faltas justificadas contam sempre para efeitos
valor do salário-base, seguindo-se a aplicação do regime
de antiguidade do trabalhador.
legal em vigor.
ARTIGO 146.0
(Faltas por falecimento) 3. No caso das pequenas e micro-empresas ao
trabalhador é pago, na situação de doença ou acidente
I. As faltas motivo de falecimento de familiares
comum, o montante de 500/0 do salário-base, no peliodo de
directos têm os seguintes limites:
90 dias, findo o qual o contrato caduca se a situação de
a) Oito (8) dias úteis, seguidos ou intemolados,
doença se mantiver.
tratando-se do falecimento do cônjuge ou do
4. A obrigação do pagamento dos salários, nos
companheiro de união de facto ou do falecimento
tennos previstos nos n. os 1, 2 e 3 do presente afligo, cessa
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2479

na data em que se verificar o tenno do contmto por tempo 4. As faltas que excedam os limites fixados na alínea
detenninado se a doença se mantiver após essa data. a) do n. 0 1 deste altigo são justificadas desde que
5. A falta ao trabalho pela necessidade de prestar comunicadas ao empregador mas não são remuneradas.
assistência inadiável aos membros do agregado familiar, ARTIGO 152.0
tratando-se de doença ou acidente do cônjuge, pais e filhos (Faltas autorizadas)
até aos dezoito (18) anos de idade, é remunerada com o O empregador pode autorizar a falta ao trabalho pelo
limite máximo de oito (8) dias úteis por ano. falecimento de pessoas que não estejam previstas nas
6. Os limites estabelecidos no número anterior alíneas a) e b) do n. 0 1 do altigo 146. 0, sempre que a
podem ser alargados, a pedido do trabalhador, não sendo presença do trabalhador nos actos do funeral seja
remuneradas as faltas resultantes do alargamento. devidamente justificada, ficando o pagamento da
ARTIGO 150.0 remuneração ao critério do empregador.
(Faltas para actividades culturais ou desportivas)

As faltas para palticipaçáo em actividades culturais ou


desportivas de carácter oficial, bem como nos respectivos
actos pleparatórios, nos casos em que essa palticipaçáo
deva verificar-se dentro do período nonnal de trabalho,
ficam sujeitas às seguintes regras:
a) Cumprimento obrigatório do disposto no n. 0 1 do
altigo 144. 0 e n. 0 2 do afligo 147. 0 ;
b) Ranuneração das faltas pelo anpregador até o
limite de oito ( 8) dias úteis em cada ano civil.
ARTIGO 151.0
(Faltas por actividades sindical ou representação dos
trabalhadores)
1. As faltas justificadas pela prática dos actos
necessálios e inadiáveis a que se refere a alínea i) do n. 0 1
do afligo 145. 0 são remuneradas dentro dos seguintes
limites:
a) Quatro (4) dias úteis por mês por exercício de
funções de membro de ólgáo executivo de sindicato;
b) Quatro ou cinco (5) horas por mês para cada
delegado sindical ou para cada membro do órgão
representativo dos trabalhadores, confonne no
centro de trabalho existam até duzentos ou mais
tmbalhadores filiados nos respectivos sindicatos, no
primeiro caso, ou existam até duzentos (200) ou
mais trabalhadores, no segundo.
2. Em substituição do disposto nos n. 0S 1 a4 do atigo
144. 0, as faltas a que se refere a alínea a) do número
anterior são justificadas mediante comunicação escrita da
direcção do sindicato ao empregador, feita com um dia de
antecedência mínima ou, se tal for impossível, nos dois (2)
dias seguintes ao início da ausência, indicando as datas e
pefiodos de que o seu diligente necessita para o exercício
das suas funções, sem menção dos actos a praticar.
3. Os delegados sindicais e os membros do ólgáo
representativo dos trabalhadores, sempre que pretendam
exercer o direito IEferido na alínea b) do n. 0 1 deste afligo,
mesmo no interior das instalações do centro de trabalho,
devem infonnar do facto ao empregador com a
antecedência mínima de cinco dias.
2480 DIÁRIO DA REPÚBLICA

153. instalações, fomecimento obrigatório de


(Efeitos das faltas injustificadas)
alojamento e outms de idêntica natureza;
As faltas injustificadas têm os seguintes efeitos cumulativos: b) As gratificações acidentais e voluntálias não
q) Perda de remuneração; relacionadas com a prestação do trabalho ou que
b) Desconto nas férias do trabalhador, nos tennos do sirvam de prémio ou reconhecimento pelos bons
altigo seguinte; saviços, desde que de atribuição personalizada;
c) Infracção disciplinar sempre que excedam três c) O abono de família e todas as demais prestações e
dias em cada mês ou doze (12) em cada ano ou subsídios da segurança social ou seus
sempre que, independentemente do seu número, complementos quando pagos pelo empregador.
sejam causa de prejuízos ou riscos graves 3. Salvo prova em contrário, presume-se
conhecidos pelo trabalhador. quefazempalte da remuneração todas as despesas
ARTIGO 154.0 económicas que o tmbalhador receba do empregador, com
(Efeitos das faltas na duração das férias) legularidade e periodicidade.
Constituem deitos das faltas na do periodo de férias: a) 4. E da responsabilidade do tribunal competente
Desconto na duração das félias, na proporção de resolver as dúvidas que se suscitem na qualificação como
dia de férias por cada dia de falta, não podendo a remuneração das prestações recebidas pelo tmbalhador.
duração das férias ser reduzida a menos de seis (6) ARTIGO 156.0
dias úteis tal como nas situações referidas nos Olodalidade de salário)
n. 0S 2 e 3 do altigo 131. 0 quando se trate de 1. O salário pode ser certo, variável ou misto.
faltas injustificadas;
2. O salário é certo ou ao tempo quando remunera o
b) Desconto na duração das férias das faltas trabalho realizado num detenninado período de tempo sem
justificadas que não conferem direito à remuneração atender ao resultado obtido.
na proporção de dia de férias por cada dois (2) dias
3. O salário é variável ou ao rendimento quando
de falta, não podendo a redução do período de férias
remunera o trabalho realizado em função dos resultados
exceder os limites fixados na alínea anterior; c)
obtidos no peliodo de tempo a que respeita.
Substituição da aplicação da alínea b) pelo
4. O salário variável pode assumir as modalidades de
estabelecido no n. 0 3 do altigo 131. 0 , sempre que o
salário à peça e comissão quando atende apenas ao
contrato do trabalho fique suspenso nos tennos do n.
0 resultado do trabalho realizado pelo trabalhador no período
4 do afligo 145. 0
considerado sem atender ao tempo de execução, e de
d) Desconto de meio dia de férias por cada dia de
salário tarefa quando atende a duração de tmbalho com a
dispensa para prestação de provas escolares, com
obrigação de assegurar a obtalção de um detenninado
o limite máximo de cinco (5) dias, mas sem
lesultado no peliodo an rael€ncia.
prejuízo do período mínimo de gozo de férias
5. O salário é misto quando constituído por uma pate
previsto na alínea a).
celta ou outra variável.
CAPÍTULO VIII 6. Na medida em que o empregador tenha adoptado
Remuneração do Trabalho e Outros Direitos Económicos indicadores de rendimento do trabalho e outras bases de
do Trabalhador definição de produtividade nos tennos do altigo 39. 0, pode
SECÇÃO 1 adoptar sistemas de salálio valiável ou misto no sentido de
frincípios Gerais incentivar a elevação dos níveis de produtividade.
ARTIGO 155.0 ARTIGO 157.0
(Remuneraçao) (Não discriminação e garantias do trabalhador)

1. A remuneração compreende o salálio-base e todas 1. O empregador é obrigado a assegurar para mesmo


as demais prestações e complementos pagos directa ou trabalho ou para trabalho de valor igual, a igualdade de
indirectamente em dinheiro ou em espécie, seja qual for a lemuneração os trabalhadores sem qualquer disciiminação
sua denominação e fonna de cálculo. com respeito pelas disposições desta Lei.
2. Não constituem remuneração: 2. Os diferentes elementos constitutivos da
q) As atribuições acessórias do empregador ao remuneração devem ser estabelecidos segundo normas
trabalhador, quando destinadas ao reembolso idênticas para os homens e para as mulheres.
ou compensação de despesas por este realizadas 3. As categorias e os critérios de classificação e
em relação com a prestação de trabalho, tais promoção profissional, assim como todas as demais bases
como ajudas de custo abonos de viagens e de de cálculo da remuneração, designadamente os critérios de
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2481
0
ARTIGO
avaliação dos postos de trabalho devem ser comuns aos 2. As percentagens estabelecidas no n. 0 1 podem ser
trabalhadores dos dois sexos. alteradas para valor superior por convenção de trabalho ou
4. O salário não pode ser inferior ao estabelecido na contrato individual de trabalho.
convenção colectiva de trabalho aplicável para o trabalho 3. O trabalhador que no momento do pagamento
de que é contmpaltida ou na sua falta ao salário mínimo destas gratificações não tenha prestado ano de serviço
nacional garantido, salvo nos casos expressamente efectivo, em viltude da data de admissão ao trabalho, de
previstos por lei. suspensão ou de cessação da relação jurídico-laboral, tem
5. Quando o salário for variável, as respectivas bases direito a leceber as referidas gratificações calculadas em
de cálculo devem ser estabelecidas de fonna a garantir ao valor proporcional aos meses completos tmbalhados.
trabalhador, trabalhando normalmente, valor igual ao do ARTIGO 159.0
trabalhador de idêntica capacidade remunerado ao tempo, (Informação das remunerações)
efectuando tmbalho análogo. 1. Antes de trabalhador ocupar posto de trabalho, e
6. Se o trabalhador não puder prestar o seu trabalho sanpre que se produza altemção no mesmo, o empregador
na vigência da relação jurídico-laboral por o empregador deve informá-lo, de fonna apropriada e facilmente
lhe não dar a executar por motivos estranhos ao compreensível, das condições remuneratórias que lhe
trabalhador, este mantém o direito ao salálio na totalidade devem ser aplicadas.
sem que aquele possa compensar o trabalho não prestado 2. Quando a alteração da remuneração for aplicável a
com outro prestado noutra ocasião. um conjunto de trabalhadores por ser resultante da revisão
7. O trabalhador remunerado com salário variável de salários garantidos por lei, convenção colectiva ou
tem direito ao salário nonnal sempre que o rendimento do prática do empregador, a infonnaçáo é feita através da
trabalho seja diminuído por motivos imputáveis ao afixação dos novos valores no local de pagamento e nos
empregador. locais habitualmente frequentados pelos trabalhadores.
8. No caso a que se refere o número anterior ARTIGO 160.0
considera-se salário nonnal para efeito de pagamento da (Redução de salário)
remuneração de férias e cálculo de indemnização e 1. Salvo nos casos expressamente previstos na lei,
compensações, a média mensal calculada em relação em convenção colectiva ou contmto de trabalho, o salário
àquelas prestações recebidas nos doze (12) meses não é devido em IElaçáo aos períodos de ausência do
anteriores de prestação de trabalho ou durante o período de trabalhador ao serviço.
duração do contrato, se inferior. 2. Para fazer o cálculo do valor a deduzir, aplica-se a
9. Há compensação, quando as prestações fónnula estabelecida no n. 0 10 do altigo 157. 0, não
remuneratórias efectivamente recebidas sejam no seu podendo no entanto ser paga quantia inferior a
conjunto e em cômputo anual mais favoráveis ao conespondente ao tempo de tmbalho efectivamente
trabalhador que as prestações fixadas na lei ou na prestado.
convenção colectiva aplicável. 3. Com as excepções previstas na lei ou em
10. Para detenninar o valor do salário-horário do convenção colectiva de trabalho as prestações,
trabalhador, utiliza-se a fónnula: complementos e adicionais ao salário-base que constituan
S/'h = Sm x 12/52s x Hs, em que S/h significa o valor contrapaltida das condições em que o trabalho é prestado,
do salário-horário, Sm o salário-base mensal, 52s x Hs 12 0 deixam de ser devidas logo que a prestação do trabalho
número de meses do ano, 52s o número de semanas deixe de esta- sujeita às mesmas condições.
laborais do ano e Hs o horário nonnal semanal. SECÇÃO 11
0
Salário Mínimo Nacional
ARTIGO 158.
(Gratificações anuais) ARTIGO 161.0
l. Todos os tmbalhadores têm direito, cada ano de (fixação do salário mínimo nacional)
serviço efectivo, às seguintes gmtificações obligatórias no 1. O salário mínimo nacional é fixado,
mínimo: periodicamente, por diploma próprio do Titular do Poder
q) 500/0 do salário-base conespondente ao salário do Executivo.
peñodo de férias a titulo de gratificação de férias; b) 2. A fixação do salário mínimo nacional é precedida
50% do salário-base a título de subsídio de Natal, de cclisultas com representantes das 01ganizações de
pago em simultâneo com o salário do mês de empregad01es e de trabalhadores.
Dezembro ou de acordo com o estabelecido no 3. Na fixação do salário mínnnonacional deve
contrato individual de trabalho ou em convenção
colectiva de trabalho.
2482 DIÁRIO DA REPÚBLICA

a) A evolução e tendência do índice nacional dos ARTIGO 166.0


(Forma de pagamento)
preços no consumidor, nível geral dos salários e
das prestações da segurança social e o nível de 1. O salário deve ser pago em dinheiro, podendo ser
vida relativo de outros grupos sociais; parcialmente em prestações de outra natureza,
b) Os factores económicos condicionantes, designadamente géneros alimentares, alimentação,
nomeadamente a necessidade de atingir e manter alojamento e vestuário.
alto nível de emprego, níveis de produtividade e 2. A pate não pecuniária do salário, quando exista,
de desenvolvimento económico. não pode exceder 50% do valor total.
162. ARTIGO 167.0
(Modalidade do salário mínimo nacional) (Pagamento da parte pecuniária)

. O salário mínimo nacional pode adoptar uma das I. A parte pecuniária do salálio é paga em Kwanzas,
seguintes modalidades: podendo ser em dinheiro, cheque bancário, vale postal,
q) Salário mínimo nacional único garantido; depósito ou transferência bancária à ordem do tmbalhador.
2. Com as excepções previstas no número anterior, é
b) Salário mínimo nacional por grandes ramos
proibido o pagamento do salário em vales, fichas, cupões,
económicos;
créditos em conta, declarações de dívida ou qualquer outra
c) Salário mínimo nacional por áreas geográficas. fonna substitutiva do pagamento em moeda comente.
2. As modalidades das alíneas b) e c) do número 3. A pate pecuniária do salário é paga directamente
anterior podem ser alticuladas com a modalidade da alínea ao trabalhador ou à pessoa que este indique por escrito,
a), podendo ainda a modalidade da alínea c) ser alticulada ficando o trabalhador a dispor livremente do salário sem
com a modalidade da alínea b). que o empregador possa limitar essa liberdade de qualquer
3. À medida que os trabalhadores de qualquer dos fonna.
agrupamentos económicos referidos na modalidade da 4. O empregador não pode por qualquer modo coagir
alínea b) do n. 0 1 vão sendo abrangidos por convenções o trabalhador ao pagamento de dívidas, não podendo o
colectivas de trabalho, afixação do salário mínimo nacional pagamalto do salário ser feito na presença de cled01es do
deixa de adoptar a modalidade da alínea c) do mesmo trabalhador.
número. ARTIGO 168.0
ARTIGO 163.0 (Pagamento da parte não pecuniária)
(Regularidade de fixação)
1. Aparte não pecuniária do salário, quando exista,
A periodicidade de fixação do salário mínimo nacional deve destinar-se à satisfação de necessidades pessoais do
é detenninada tendo em atenção a evolução dos factores de tmbalhador ou da sua família.
ponderação IEferidos no n. 0 3 do afligo 161. 0
2. A palte não pecuniária do salário é substituída
ARTIGO 164.0 pelo conespondente valor desde que o trabalhador informe
(Destinatários do salário mínimo nacional) o empregador até quinze (15) dias antes da data do
1. Com as excepções estabelecidas por lei, o salálio pagamento de que pretende que o salário lhe seja pago
minimo nacional é aplicado a todos os trabalhadores em apenas em dinheiro.
regime de tempo de trabalho completo, podendo o diploma 3. Eproibido o pagamento do salário com produtos
que o fixe exceptuar os trabalhadores abrangidos por ilícitos
convalção colectiva de trabalho celebrada há menos de seis ou proibidos por lei.
(6) meses. ARTIGO 169.0
2. Para os trabalhadores em regime de trabalho em (Períodos de vencimento do pagamento)
tempo parcial, a aplicação do salário mínimo nacional é
feita com recurso à fónnula estabelecida no n. 0 10 do altigo 1. A obrigação de pagar o salário vence por períodos
157. 0 . celtos e iguais que, salvo o disposto nos números seguintes,
ARTIGO 165.0 são omês, a quinzena ou a semana e deve ser satisfeita,
(Nulidade da indexação salarial) pontualmente, até ao último dia útil do período a que se
refere, durante as horas nonnais de trabalho.
São nulas as disposições das convenções colectivas de
2. O trabalhador remunerado com salário-horálio ou
trabalho que prevejam indexação sobre os valores do
diário contratado para uma tarefa de culta duração, é pago
salário mínimo nacional expressa de fonna directa ou
em cada dia após o teimo do trabalho.
indirecta.
SECÇÃO 111 3. Tmtando-se de trabalho remunerado à peça ou por
Liquidação e Pagamento do Salário tarefa, o pagamento é feito depois de concluída cada peça
ou tarefa, excepto se a respectiva execução durar mais de
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2483
0
ARTIGO
quatro semanas, caso em que o trabalhador deve receber empregador utilizar folhas colectivas de pagamento de
em cada semana um adiantamento não inferior a 900/0 do salários, pela assinatura do trabalhador ou das testemunhas
salário mínimo nacional gamntido, sendo integralmente na palte que lhe conesponda.
pago da diferença apurada na semana seguinte à conclusão 2. O recibo ou a folha colectiva de pagamento de
da peça ou tarefa. salários deve identificar o empregador, o nome completo
4. As comissões adquiridas no dect11S0 dum do trabalhador, número de beneficiário da segurança social,
trimestre devem ser pagas durante o mês seguinte ao tenno período a que respeita o pagamento, discriminação das
desse trimest1E. impoltâncias pagas, todos os descontos e deduções feitas,
5. As participações nos lucros realizados durante bem como o valor líquido total pago.
exercício devem ser pagas no decurso do trimestre 3. No acto do pagamento ou antes deste, quando
subsequente ao apuramento dos resultados. feito segundo uma das modalidades permitidas no n. 0 1 do
6. Em caso de cessação do contrato de trabalho, o artigo 167. 0 , ao trabalhador é entregue uma cópia do
salário, indemnização e demais valores devidos ao recibo ou, se o pagamento for feito segundo uma daquelas
trabalhador seja a que título for, são pagos dentro dos três modalidades ou com utilização de folha colectiva de
dias subsequentes à cessaçao. pagamento de salários, um boletim de pagamento contendo
7. Em caso de litígio sobre a detenninaçáo dos todas as referências exigidas no número anterior.
valores devidos, pode o tribunal competente mediante 4. Se o trabalhador, antes de decomido o prazo de
requerimento apresentado pelo empregador nos cinco dias prescriçáo, reclamar contra o empregador por falta de
seguintes ao da verificação do litígio, autorizar a retenção pagamento de salários, presume-se o não pagamento de
provisória dos valores que excedam os confessados pelo fonna iniludível, se o empregador, salvo o caso de força
empregador ou, tratando-se de salário-base, da palte que maior, não apresentar o recibo ou folha colectiva
exceda o valor calculado desde o último período respeitante ao valor reclamado.
comprovadamente pago, com a base do cálculo que serviu 5. Na falta de imputação das impoltâncias pagas a
para a detenninaçáo desse. outms prestações ou complementos, presume-se que tais
8. Excepto o disposto nos números 1 e 6 deste altigo, valores respeitem ao salário de base do tmbalhador.
SECÇÃO IV
os trabalhadores ausentes no dia de pagamento do salálio
Compensações e Descontos sobre o Salário
podem levantar os valores que lhes sejam devidos, em
qualquer dia posterior, dentro das horas nonnais de ARTIGO 172.0
(Descontos Lícitos)
expediente.
ARTIGO 170.0 1. E proibido ao empregador proceder à
(Local de Pagamento) compensação de créditos que tenha sobre o trabalhador no
salário devido a este ou efectuar quaisquer descontos ou
1. O pagamento do salário deve ser feito no local
deduções, salvo o disposto nos números e afligos
onde o trabalhador presta o seu trabalho ou nos serviços de
seguintes.
pagamento do empregador se estiverem situados na
2. O empregador deve deduzir no salário os
vizinhança do local de trabalho, salvo se outra fonna
descontos a favor do Estado, da segurança social ou de
estiver acordada.
outras entidades detenninadas por lei, por decisão judicial
2. Tendo sido acordado local diverso para o
transitada emjulgado ou por acordo homologado
pagamento do salário, considera-se tempo de serviço
judicialmente quando tenha sido notificado da decisão ou
efectivo o tempo gasto pelo trabalhador para se deslocar a
de acordo homologado.
esse local.
3. A pedido escrito do trabalhador, o empregador
3. O pagamento do salário não pode ser feito em
deve deduzir no salário o montante da quotização para o
estabelecimento de venda de bebidas alcoólicas, casas de
sindicato, legalmente constituído, em que aquele se
jogos ou centros de diversões, salvo a trabalhadores dos
encontra filiado.
referidos estabelecimentos.
4. O empregador pode descontar no salário o preço
4. Sempre que as condições pennitirem o pagamento
das refeições fornecidas, da utilização de telefones e outros
do salário deve ser feito pelo sistema bancário.
equipamentos e materiais, de fomecimento de géneros
ARTIGO 171.0 alimentares, outros bens ou serviços solicitados pelo
(Documento de pagamento)
trabalhador e que tenham sido fomecidos a crédito, bem
O pagamento do salário é comprovado por recibo como outras despesas efectuadas a pedido escrito do
assinado pelo trabalhador ou, se for analfabeto, por duas trabalhador, desde que se trate de fomecimentos que não
testemunhas por si escolhidas, impressão digital ou se o integrem o salário, nos tennos do n. 0 1 do afligo 166. 0.
2484 DIÁRIO DA REPÚBLICA

5. Podem igualmente ser descontadas no salário as dos seis (6) meses anteriores à abeltum do
amortizações de empréstimos concedidos pelo empregador, processo de falência;
pam construção, reparação, beneficiação ou aquisição de b) O limite dos valores calculados nos tennos da lei,
habitação ou de outros bens. tratando-se de indemnização, vencida três meses
6. São também deduzidos nos salários os valores dos antes da abafura do processo de falência;
adiantamentos e outros abonos feitos pelo empregador a c) Os limites fixados pela lei, tratando-se de
pedido escrito do trabalhador, os quais não podem exceder prestações salafiais ou indemnizações vencidas
o montante de três salários da base. em momento anterior aos fixados nas alíneas a) e
7. O montante dos descontos previstos nos n. 0S 4 a 6 b) deste artigo, se a respectiva acção judicial tiver
deste afligo não pode, no seu conjunto, ser superior a 25% sido proposta antes da abafura do processo de
do salário líquido de imposto e outros descontos falência.
detenninados por lei. 2. Os créditos mencionados no número anterior, se
ARTIGO 173.0 reconhecidos são pagos integralmente ou, se o património
(Descontos froibidos)
for insuficiente para garantir a totalidade dos créditos de
Não podem, em qualquer caso, efectuar-se sobre o todos os trabalhadores, mediante rateio do valor do
salário descontos ou deduções destinadas a garantir ao património, antes que os demais credores possam ser
empregador e seus representantes ou a intennediário pagos.
pagamento directo ou indirecto destinado à obtenção ou 3. Os créditos dos trabalhadores que não preencham
manutenção de emprego. os requisitos definidos no n. 0 1 deste afligo devem ser
174. reclamados no processo de falência ou insolvência e se
(Créditos do empregador)
reconhecidos, devem ser graduados e pagos nos tennos da
Quaisquer créditos do empregador sobre o trabalhador lei civil e do processo civil.
que não preencham o disposto nos n. 0S 4 a 6 do altigo 172. 4. Sempre que os créditos a que se refere o n. 0 1
0
, não podem ser objecto de compensação no salário sem deste altigo sejam garantidos e pagos por uma instituição
decisão do tribunal competente transitada em julgado ou ou fundo de gamntia salarial, fica este sub-rogado nos
acordo homologado judicialmente que os reconheçam, direitos que ao trabalhador confere o n. 0 2 deste afligo.
sendo em tal situação aplicável o disposto no n. 0 2 do ARTIGO 177 0
mesmo afligo. (Penhorabilidade do salário)
ARTIGO 175.0
1. Até ao montante do salário mínimo legal o salário-
(Disposições e cláusulas nulas)
base é impenhorável.
1. São nulas as disposições das convenções 2. Na parte que excede o mínimo legal o salário é
colectivas ou contratos de trabalho que pennitam quaisquer penhorável em 25% do respectivo valor, igual limite de
descontos ou deduções além das estabelecidas no altigo penhorabilidade sendo aplicado a outros créditos do
172. 0 ou que aumentem os limites da dedução. trabalhador por prestação e complementos salariais ou
2. Os valores descontados no salário em violação do indemnizações.
disposto nesta secção vencem juros à taxa legal que o 3. No caso da penhora se destinar a garantir dívidas
tribunal competente pode agravar até ao dobro, desde à de alimentos ou de assistência do trabalhador e da sua
data em que deveriam ser pagos e podem ser sempre família, o limite fixado no número anterior pode, pelo
reclamados até ano após o tenno do contrato. tribunal competente, ser fixado em até 500/0.
SECÇÃO V
ARTIGO 178.0
hotecção ao Salário
(Renúncia ao salário durante a vigência do contrato)
ARTIGO 176.0
(Garantias do salário em caso de falência ou insolvência)
1 . A assinatura dum recibo ou boletim colectivo de
pagamento de salários pelo trabalhador durante a vigência
1. Em caso de falência ou insolvência do da relação jurídico-laboral, sem protesto nem reserva, não
empregador, as prestações salariais ou indemnizações vale como renúncia ao pagamento da totalidade ou palte do
devidas aos trabalhadores têm preferência sobre quaisquer salário, outras prestações e complementos salariais que lhe
outros créditos sobre o empregador, incluindo os créditos sejam devidos por disposição legal ou convencional, não
do Estado ou da segurança social e gozam de privilégios lhe sendo oponível a expressão para saldo de qualquer
mobiliários e imobiliários, nos seguintes limites: crédito ou qualquer outm expressão equivalente por si
q) O limite dos valores mínimos fixados na lei ou subscrita.
em convenção colectiva de trabalho, tratando- 2. O acordo da transacção sobre o valor dos
se de prestações salariais, vencidas no decurso
salários devidos ao trabalhador, celebrado durante a
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2485
0
ARTIGO
vigência da relação jurídico-laboral, só é válido se devem acordar as condições de transpolte e alojamento do
homologado judicialmente ou pelo ólgáo competente trabalhador e da sua família.
para a mediação e para a conciliação. 2. Os apoios estabelecidos no n. 0
1 podem, por
0
ARTIGO 179. acordo escrito das paltes ser concedidos por compensação
(Proibição da cessão do salário)
pecuniália.
1. O trabalhador não pode ceder o seu crédito de
salários, a título gratuito ou oneroso. 3. Para efeitos do n. 0 1 deste artigo, entende-se
por
2. São nulas as estipulações pelas quais o trabalhador
família do trabalhador o cônjuge ou o companheiro de
renuncie o dilEito ao salário ou em que se estabeleça a
prestaçáo gratuita do trabalho ou se faça depender o união de facto e os membros do agregado familiar que com
pagamento do salário de qualquer facto de verificação ele residam habitualmente.
inceita. ARTIGO 183.0
ARTIGO 180. 0 (Regresso do trabalhador)
(Prescrição dos créditos de salários) 0
l. O trabalhador deslocado, nos tennos definidos non.
l. Os créditos de outras prestações e complementos
1 do altigo 182. 0, tem direito a regressar para o local da
salaliais ou indemnizações, prescrevem no prazo de dois
anos contados da data em que o respectivo direito se residência habitual à data da constituição da relação
venceu, mas nunca depois de decomido ano contado do dia jurídico-laboral,
seguinte ao da cessação do contmto.
quando esta se extinguir.
2. O prazo de prescrição, no entanto, fica suspenso:
2. Este direito abrange os familiares que o tenham
q) Com o reconhecimento escrito, pelo empregador,
do clédito e seu valor; acompanhado ou se lhe venham ajuntar, bem como dos
b) Com a citação para acção judicial em que o respectivos objectos e bens de uso pessoal.
crédito seja reclamado; 3. Caso o trabalhador não pretenda regressar dentro
c) Com a notificação para diligência de mediação ou das duas semanas subsequentes à conclusão do contrato e
de conciliação promovida pelo ólgáo competente salvo acordo em contrário, extingue-se o direito
nos tennos da presente Lei.
estabelecido nos numeros anteriores.
SECÇÃO
Outros Direitos Económicos e Sociais dos Trab alhadores 4. O direito de regresso do trabalhador é ainda
obrigatório para o empregador:
ARTIGO 181.0
a) No caso do trabalhador, por acidente ou doença,
(Criação de cafetarias, refeitórios e cozinhas)
ficar incapacitado para o desempenho do seu
1. As empresas podem, sempre que se justificar e de trabalho, com carácter definitivo ou temporário
acordo com as condições económicas, criar cafetarias, de longa duração, tendo, neste último caso, lugar
IEfeitórios e cozinhas destinados a directa ou logo que medicamente autorizado;
indirectamente proceder à b) Se o contrato de trabalho for nulo, caducar por
qualquer motivo no decurso da sua execução, ou
venda ou fomecimento de alimentos e produtos de primeira
cessar por qualquer outra razão não imputável ao
necessidade aos trabalhadores, para as suas necessidades trabalhador,
pessoais, nonnais ou das suas famílias. c) Se o contrato de trabalho for nulo, por facto
2. No caso de fornecimento de alimentação, a mesma imputável ao trabalhador, os custos de regresso
deve ser saudável, valiada, suficiente e confeccionada com são repartidos entre o empregador e o
géneros de boa qualidade. trabalhador, na proporção de 400/0 e 60%,
ARTIGO 182.0
respectivamente.
(Apoio ao trabalhador transferido)
5. caso de falecimento do trabalhador ou dum
1. Nos casos em que o trabalhador é contratado para
familiar que o acompanhe, nos tennos do altigo 182. 0, é da
trabalhar em local diverso do da sua residência habitual, a
responsabilidade do empregador o regresso dos restos
uma distância que obrigue a instalação de nova residência
moitais do falecido.
pelo tempo de duração da relação jurídico-laboral, as paltes
CAPÍTULO IX
2486 DIÁRIO DA REPÚBLICA

Suspensão da Relação Jurídic(ELaboral ARTIGO 189.0


(Factos geradores da suspensão)
SECÇÃO 1
Disposições Gerais 1. Consideram-se factos impeditivos da prestação do
ARTIGO 184. 0 trabalho não imputáveis ao trabalhador os seguintes:
(Noçao) a) Prestação de serviço militar, de sewiço cívico
substitutivo e períodos obligatólios de instmção
Há suspensão da relação juñdico-laboral sempre que,
militar;
com carácter temporário, o trabalhador esteja impedido de
b) Acidente e doença profissional ou comum;
prestar o seu trabalho por factos que lhe respeitem mas não
lhe sejam imputáveis, ou o empregador impedido ou c) Licença de maternidade;
dispensado de receber o mesmo trabalho. d) Exercício de cargo público por eleição e de
ARTIGO 185.0
funções de direcção e chefia em empresas
(Efeitos da suspensão) públicas, desde que o cargo ou funções sejam
exercidas em legime de exclusividade;
l. Durante o pa•íodo de suspensão, salvo disposição
e) Detenção preventiva;
evressa em contrário, cessam os direitos e deveres das
J) Exercício de funções sindicais em tempo inteiro;
partes na relação jurídico-laboral inerentes à efectiva
prestação do trabalho, mantendo-se, no entanto, os deveies g) Cumprimento de pena de prisão até ano, por
de respeito e lealdade. crime em que não seja lesado o empregador e que
não lespeite à prestação do trabalho;
2. Durante o peliodo de suspensão, por facto respeitante
h) Outros casos de força maior temporália
ao empregador, é pennitido ao trabalhador exercer
impeditivos da prestação do trabalho;
actividade profissional remunerada para outro empregador.
i) A pmticipaçáo do trabalhador como candidato às
ARTIGO 186.0
(Outros efeitos da suspensão)
eleições gerais ou autárquicas aprovadas pelo
ólgáo competente.
O período de suspensão conta-se para efeitos de 2. A suspensão verifica-se logo que o impedimento
antiguidade do trabalhador, que conserva o direito ao posto se prolongue por mais de trinta (30) dias seguidos, mas
de trabalho. inicia-se antes, logo que se tome ceifo que o impedimento
2. O contrato de trabalho, no entanto, caduca e a tenha duração superior àquele prazo.
relação jurídico-laboral extingue-se, no momento em que ARTIGO 190.0
se tome cato que o impedimento é definitivo. (Efeitos da suspensão relativos ao trabalhador)
3. Se o contrato de trabalho for por tempo
1. A suspensão do contrato implica a perda do direito
detenninado, a suspensão não impede a respectiva extinção
ao salário a paltir da sua verificação, salvo nos casos em
por decurso do prazo ou verificação do facto gerador da
que a lei determine o contrário, nomeadamente nas
caducidade.
situações de doença e acidente comum ou profissional.
187.
(Apresentação do trab alhador) 2. Os direitos ao fomecimento de alojamento e de
assistência médica prestados pelo empregador mantêm-se
1. Tenninada a causa da suspensão, o trabalhador
até um período de três (3) meses, salvo acordo por escrito
deve apresentar-se ao empregador para retomar o trabalho
das paltes.
nas condições anteriores, sob pena do contrato se extinguir.
3. Aos efeitos da suspensão regulada nesta secção
2. A apresaitação do trabalhador deve va•ificar-senos
quanto ao direito a férias aplica-se o disposto no n. 0 3 do
cinco dias úteis seguintes ao tenno da causa da suspensão,
afligo 131. 0
salvo nos casos expressamente referidos nos afligos 191. 0 e
ARTIGO 191.0
196. 0 (Apresentação do trabalhador)
3. O empregador é obrigado a integrar o trabalhador
no seu posto de trabalho ou em posto equivalente, logo que 1. Finda a causa da suspensão, o prazo de
se apresente. apresentação ao trabalho previsto no n. 0 2 do altigo 187. 0 é
alargado para doze (12) dias úteis no caso de serviço
ARTIGO 188.0
militar e situações equiparadas e no caso de outras
(Normas aplicáveis)
situações de que tenha resultado impedimento de duração
1. A suspensão do contrato por facto relativo ao não inferior a doze (12) meses, 6 dias úteis.
tmbalhador aplica-se em especial as disposições da secção 2. No momento da apresentação ao trabalho, o
seguinte. trabalhador entrega ao empregador o documento
2. À suspalsão do contrato por facto relativo ao
comprovativo da data da cessação do impedimento.
aplica-se an especial as disposições da Secção III deste capítulo.
SECÇÃO 11 ARTIGO 192.0
Suspensão do Contrato por Facto Relativo ao Ti'abalhador (Substituição do trab alhador)
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2487
0
ARTIGO
O empregador pode, se o entender, contratar outro As situações de suspensão a que se refere esta secção
trabalhador para desempenhar as funções do trabalhador não afectam o direito a férias cuja duração é, para esse
com o contrato suspenso, sendo tal contrato celebrado por efeito, considerada tempo de trabalho efectivo.
tempo determinado, a tenno incerto, nos tamos do n. 0 2 do ARTIGO 196.0
afligo 16. 0 (Cessação do impedimento)
SECÇÃO 111
Cessado o impedimento, o empregador deve afixar no
Suspensão do Contrato por Motivo Relativo ao Empregador
centro de trabalho a infonnaçáo da data de retomo ao
ARTIGO 193.0 trabalho e notificar os trabalhadores com contratos
(Causas geradoras da suspensão) suspensos, por meio apropriado, para retomarem o
A suspensão do contrato de trabalho por facto relativo trabalho, contando-se da data dessa notificação o prazo de
ao empregador velifica-se sempre que este esteja apresentação a que se refere o
temporariamente impedido ou dispensado de receber o n. 0 2 do afligo 187. 0
trabalho de todos ou parte dos trabalhadores da empresa ou ARTIGO 197.0
centro de trabalho por: a) Verificação de razões (Preferência na admissão)
conjunturais, motivos económicos ou tecnológicos de
No prazo de ano contado da data da caducidade do
duração temporária; b) Calamidade, acidentes e outras
contrato, nos tennos da alínea c) do n. 0 2 do altigo 194. 0 ,
situações de força maior, como a intenupçáo do
os trabalhadores cujos contratos tenham caducado têm
fomecimento de enelgia ou de matérias-primas que
preferência na admissão para preenchimento das vagas que
obriguem ao encemmento tempolirio do centro de trabalho
se abram no centro de trabalho ou empresa para as quais
ou a diminuição temporário da laboração;
tenham qualificação adequada.
c) Encerramento temporário do estabelecimento para
obras, para instalação de equipamentos ou por CAPÍTULO X
detenninaçáo das autoridades competentes; Extinção da Relação Jurídic(ELaboral
d) Outras situações previstas e reguladas em SECÇÃO 1
disposição legal especial. Disposições Gerais
ARTIGO 194.0 ARTIGO 198.0
(Procedimento em caso de suspensão relativa ao empregador) (Estabilidade de emprego)
As situações previstas no altigo anterior regem-se pelas 1. O trabalhador tem direito à estabilidade de
seguintes regras: emprego, sendo as razões susceptíveis de extinção da
a) Comunicação à Inspecção Geral do Trabalho e ao relação laboral as previstas na lei.
Centro de Emprego da área do centro de trabalho, 2. O contrato de trabalho pode cessar por:
até quinze (15) dias úteis anteriores ao início da
q) Causas objectivas, alheias à vontade das paltes;
suspensão da plestação do trabalho, sua
b) Por mútuo acordo;
ocon•ülcia e causas, salvo nas situações referidas
na alínea b) do altigo anterior; c) Decisão
unilateral de qualquer das paltes,
oponível à outra.
b) Sempre que o estabelecimento não retomar o
fimcionamento por um período de até seis (6) 3. Tendo o contrato de trabalho sido constituído por
meses, o empregador pode, mediante autorização nomeação, extingue-se por exoneração.
da Inspecçáo Geral do Trabalho, declarar os ARTIGO 199.0
contratos extintos por caducidade, pagando aos (Caducidade do contrato por causa objectiva)
trabalhadores uma compensação calculada nos 1. O contrato caduca por causa objectiva, alheia à
termos do altigo 236. 0;
vontade das paltes, nas seguintes situações:
c) Comunicação à Inspecção Geral do Trabalho e ao
a) Morte do trabalhador;
Centro de Emprego da caducidade do contrato,
nos três dias seguintes àquele em que foi b) Incapacidade pennanente, total ou parcial do
comunicado aos trabalhadores, com indicação de trabalhador, que o impossibilite de continuar a
que foram pagos ou postas à disposição dos prestar o seu trabalho por pa•íodo supa•ior a doze
trabalhadores as compensações a que se refere a
(12) meses;
alínea b), deste número.
ARTIGO 195.0 c) Reforma do trabalhador nos tennos da legislação
(Efeitos no direito a férias) da protecção social obligatória;
2488 DIÁRIO DA REPÚBLICA

d) Condenação do trabalhador por sentença


transitada em julgada à pena de prisão superior a
ano ou independentemente da sua duração nos
casos previstos por lei;
e) M01te, incapacidade total ou pennanente ou
refonna do empregador, quando dela resultar o
encen•amento da empresa ou cessação da
actividade;
f) Falência ou insolvência do empregador e
extinção da sua personalidade jurídica;
g) Caso f01tuito ou de força maior que impossibilite
definitivamente a prestação ou o recebimento do
tmbalho.
2. A caducidade por causa objectiva é regulada no
presente capítulo.
ARTIGO 200.0
(Cessação do contrato por mútuo acordo)

1. A todo o tempo podem as paltes fazer cessar o


contrato de trabalho, por tempo detenninado ou
indetenninado, desde que o façam por escrito, assinado
pelas duas pmtes, sob pena de nulidade.
2. O acordo escrito deve identificar as duas partes e
conter a declaração expressa de cessação do contrato, a
data em que a cessação deve produzir efeitos e a data de
celebração, podendo as paltes estabelecer outros efeitos
não contrários à lei.
3. O acordo é feito em duplicado, ficando cada uma
das paltes com exemplar.
4. Se no acordo for estabelecida alguma
compensação a favor do trabalhador, deve declarar-se a
data ou datas do respectivo pagamento, entaldendo-se que
não inclui os créditos que à data da cessação existam a
favor do trabalhador nem os que a este sejam devidos em
consequência da cessação, salvo se o contrário constar
expressamente do acordo que fixa a compensação.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2489

ARTIGO
201 .o SUBSECÇÃO 1
(Certificado de trabalho) frincipios Gerais
1. Ao cessar o contrato de trabalho, seja qual for o ARTIGO 205.0
motivo e a forma, o empregador é obrigado a entregar ao Olodalidade de justa causa)
trabalhador um celtificado de trabalho, indicando as datas O despedimento só pode ser validamente decidido com
de admissão ao serviço e de cessação do contrato, a fundamento em justa causa como tal, se for considerada a
natureza da função ou funções exercidas durante a vigência prática de infracção disciplinar grave pelo tmbalhador ou a
do contrato e a qualificação profissional do trabalhador. ocon•ência de motivos objectivamente imputáveis e
2. O celtificado de trabalho não pode conter lu•ificáveis e se torne impossível a manutenção da
quaisquer outras referências, salvo se tendo-as o relaçãojufidico-laboral.
trabalhador solicitado, o empregador aceite mencioná-las, SUBSECÇÃO 11
desde que se trate apenas da apreciação das qualidades Despedimento Disciplinar
profissionais do trabalhador.
ARTIGO 206.0
SECÇÃO 11
(ñmdamentos da justa causa)
Caducidade do Contrato por Causas Objectivas
Constituem justa causa para despedimento disciplinar
ARTIGO 202.0
as seguintes infracções disciplinares do trabalhador:
(Caducidade do contrato do trabalhador reformado)
a) Faltas injustificadas ao trabalho, desde que
O empregador pode contratar o trabalhador refonnado excedam três (3) dias por mês ou doze (12) por
desde que o contrato revista a fonna escfita, podendo o ano ou, independentemente do seu número, desde
mesmo cessar a relação laboral sem o cumprimento de que sejam causa de prejuízos ou riscos graves
quaisquer formalidades, nomeadamente justa causa e aviso para a empresa;
prévio. b) Incumprimento do horálio de trabalho mais de
ARTIGO 203.0 cinco (5) vezes por mês;
(Caducidade por facto respeitante ao empregador) c) Desobediência grave, ou repetida, a ordens e
1. A caducidade do contrato por motivos a que se refere instruções legítimas dos superiores hierárquicos e
a alínea e) do n. 0 1, do altigo 199. 0 , confere ao trabalhador dos responsáveis pela 01ganizaçáo e
o dilEito à indemnização, calculada nos tennos do altigo funcionamento da empresa ou centro de trabalho;
238. 0 2. A caducidade do contrato por motivos referidos d) Desinteresse repetido pelo cumplimento das
nas alíneas d) e g) do n. 0 1 do altigo 199. 0, é equiparada, obrigações inerentes ao cargo ou funções que lhe
para efeitos de compensação, à situação regulada no estejam atribuídas;
número anterior, desde que seja o empregador que fique e) Ofensas velbais ou fisicas a trabalhadores da
impossibilitado de receber o trabalho. empresa, ao empregador e seus representantes ou
3. A caducidade não se verifica sempre que o superiores hierárquicos;
estabelecimento ou empresa continue em actividade, f) Indisciplina grave, paturbadora da 01ganizaçáo e
aplicando-se neste caso o disposto nos afligos 70. 0 e funcionamento do centro de trabalho;
seguintes. g) Fulto, roubo, abuso de confiança, burla e outras
ARTIGO 204.0 fraudes praticadas na empresa ou durante a
(Caducidade por falência ou insolvência) realizaçáo do trabalho;
1. caso de declaração judicial de falência ou b) Quebra do sigilo profissional ou de segredos da
insolvência e enquanto o estabelecimento ou empresa não produção e outros casos de deslealdade, de que
for definitivamente encenado, os contratos de trabalho resultem prejuízos graves pam a empresa;
caducam à medida que o exercício das funções dos i) Danos causados intencionalmente ou com
trabalhadores deixe de ser indispensável ao respectivo negligência grave, nas instalações, equipamentos
funcionamento, aplicando-se o disposto no n. 0 1 do altigo e instmmentos de trabalho ou na produção, e que
anterior. sejam causa de redução ou intenupçáo do
2. Enquanto o estabelecimento ou empresa continuar processo produtivo ou prejuízo grave para a
a funcionar, o administrador da massa falida é obrigado a empresa;
cumprir, pam com os trabalhadores que continuem a j) Redução continuada do rendimento do trabalho,
prestar trabalho, as obrigações salariais que vão vencendo tendo por referência as metas estabelecidas e o
desde a propositura da acção. nível habitual de rendimento;
SECÇÃO 111
Despedimento Individual por Justa Causa
2490 DIÁRIO DA REPÚBLICA

t) Subomo activo ou passivo e conupçáo, c) Se a Inspecção Geral do Trabalho se opuser


relacionados com o trabalho ou com os bens e fundamentadamente ao despedimento, o
interesses da empresa; empregador, no caso de não aceitar a decisão,
l) Enbriaguez ou toxicodependência que se pode reclamar para o tribunal competente.
repercutam negativamente no trabalho; hl') Falta de 4. No caso de processo disciplinar para
cumprimento das regras e instmções de segurança no despedimento de trabalhadores a que se referem as alíneas
trabalho, e falta de higiene pessoal ou relacionada d) e e) do n. 0 1 do presente afligo, o empregador deverá
com o trabalho, quando sejam repetidas ou, no remeter cópia da convocatória do trabalhador para a
último caso, dão lugar a queixas justificadas dos entrevista e da comunicação do despedimento que pretende
companheiros de tmbalho. enviar ao trabalhador à Inspecção Geral do Trabalho, que
ARTIGO 207.0 deverá pronunciar-se no prazo máximo de dez (10) dias
(Protecção especial contra o despedimento) úteis.
l. São objecto de protecção especial contra o 5. O prazo concedido à Inspecção Geral do Trabalho
despedimento: q) Os trabalhadores que exerçam ou para pronunciar-se, nos tennos dos números anteriores,
tenham exeltido funções de dirigente sindical, de suspende os demais prazos do processo disciplinar, e caso
delegado sindical ou de membro de órgão não haja pronunciamento o empregador pode de imediato
representativo dos trabalhadores no exercício legal tomar a decisão.
da actividade sindical; 6. As paltes podem impugnar no tribunal competente
b) As mulheres abrangidas pelo regime de a decisão da Inspecção Geral do Trabalho.
protecção na maternidade; ARTIGO 208.0
(Nulidade do despedimento)
c) Os antigos combatentes na definição dada pela
legislação em vigor; 1. O despedimento é nulo sempre que ao trabalhador
d) Os menores; não seja remetida ou entregue a convocação para a
e) Os trabalhadores com capacidade reduzida com entrevista, a que se refere o n. 0 2 do altigo 48. 0 , sempre
grau de incapacidade igual ou superior a 20% que esta se não realize por culpa do empregador ou sempre
2. Aos trabalhadores a que se refere a alínea a) do que ao trabalhador não seja feita a comunicação de
número anterior, que o empregador decida instaurar despedimento nos tennos do n. 0 2 do afligo 50. 0.
procedimento disciplinar para despedimento, aplica-se, em 2. É igualmente nulo o despedimento que tenha por
especial, o disposto do n.0 3 do altigo 50. 0, on. 0 2 do altigo fundamento:
53. 0, a alínea b) do n. 0 1 e no n. 0 2 do altigo 57. 0 e no n. 0 1 q) As opiniões políticas, ideológicas ou religiosas do
do altigo 58. 0. tmbalhador;
3. Se o procedimento disciplinar for instaurado a b) A filiação ou não filiação sindical em detenninado
antigo combatente e tal qualidade for conhecida do sindicado;
empregador ou lhe for comunicado documentalmente até c) Qualquer outro motivo que nos teimos do n. 0 1 do
ao momento da entrevista a que se refere o artigo 49. 0 , o altigo 4. 0 e da alínea b) do n. 0 2 do altigo 19. 0
procedimento disciplinar suspende-se após a tomada de seja fundamento de discriminação.
decisão a que se refere o n. 0 1 do altigo 49. 0 se for no 3. Quando o despedimento seja nulo, o empregador é
sentido do despedimento seguindo-se os seguintes tennos: obrigado a proceder à reintegração e pagar-lhe os salálios e
q) Cópia da convocação do trabalhador para a complementos que este deixou de receber até à
entrevista e da comunicação do despedimento reintegmçáo, até ao limite máximo previsto no n. 0 3 do
que o empregador pretende enviar ao altigo 209. 0 .
trabalhador nos tennos do n. 0 4 do altigo 49. 0,
4. Não obstante o disposto no número anterior,
são enviadas de imediato à Inspecção Geral do
pode o empregador, no caso do n. 0 1 deste artigo, e
Trabalho, sobre registo ou protocolo;
antes da reintegração, suprir as irregularidades do
b) Se a Inspecção Geral do Trabalho, no prazo
procedimento disciplinar até cinco (5) dias úteis após
de dez (10) dias úteis contados do envio dos
a declaração da nulidade do despedimento.
documentos, nada comunicar ao empregador
5. Na situação prevista no número anterior, o
ou não se opuser ao despedimento, pode
empregador é obrigado a pagar os salálios e os
aquele manter a decisão com a entrega ou complementos que o trabalhador deixou de receber até ao
envio ao trabalhador, da comunicação a que momento da comunicação da nova decisão de
se refere o citado no n. 0 3 do altigo 50. 0 ; despedimento, se a mantiver.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2491

6. A nulidade do despedimento é declamda pelo d) Os critérios a utilizar na selecção dos


tribunal competente, nos tennos do altigo 307. 0. trabalhadores a despedir;
ARTIGO 209.0 e) A possibilidade ou impossibilidade de transferir
(Desp edimento improcedente) esses trabalhadores, no todo ou em palte, para
1. Se o tribunal competente declarar o despedimento outros postos de trabalho existentes ou a criar,
improcedente, por sentença transitada em julgado, deve o por força da reorganização e para os quais seja
empregador proceder à reintegração imediata do exigida a mesma ou idêntica qualificação
trabalhador no posto de trabalho, com as condições de que profissional e que tenham direito a salário igual
beneficiava anteriormente, ou em alternativa, indemnizá-lo ou superior; J) Outras infonnações consideradas
nos tennos estabelecidos no altigo 239. 0 . úteis.
2. Se o trabalhador não pretender ser reintegrado, 2. A comunicação é acompanhada do quadro de
tem sempre dilCito à indemnização a que se ICfere o pessoal do centro de trabalho discriminado por sectores ou
número antefior. serviços.
3. Além da reintegração ou indemnização previstas 3. A Inspecção Geral do Trabalho pode no prazo
no n. 0 1 deste altigo, são sempre devidos ao trabalhador os de quinze dias úteis efectuar as diligências que
salários base que telia recebido se estivesse a prestar o considerar necessárias para um melhor
trabalho, até a data em que obteve novo emprego ou até à esclarecimento da situação.
data do tlinsito em julgado da sentença, se anterior ao novo 4. Os trabalhadores ou seus representantes podem,
emprego mas sempre com o limite máximo de seis meses em caso de discordância com o despedimento, impugnar a
para as grandes empresas, de quatro meses para as médias decisão no tribunal competente, sem prejuízo dos
empresas e de dois meses para as pequenas e micro- mecanismos de resolução extrajudicial de conflitos
empresas. previstos na presente Lei.
SUBSECÇÃO 111 ARTIGO 212.0
Despedimento Individual por Causas Objectivas (Aviso prévio)

ARTIGO 210.0 1. O empregador deve enviar, com a antecedência


(ñmdamentos) mínima de 30 dias, ao trabalhador ou trabalhadores que
Ocorrendo motivos econánicos, tecnológicos ou ocupam os postos de trabalho a extinguir ou transformar,
estmturais devidamente comprovados que impliquem aviso prévio de despedimento.
reorganização ou reconversão interna, redução ou 2. OAviso prévio deve mencionar a data em que o
encenamento de actividade e destes factos resultar a contrato de tmbalho cessa.
necessidade de extinguir ou transformar de fonna ARTIGO 213.0
substancial postos de trabalho, pode o empregador (Direitos do trabalhador)
promover o despedimento dos trabalhadores que ocupem Durante o período de aviso prévio de despedimento, o
esses postos. trabalhador tem direito a cinco dias úteis de dispensa
ARTIGO 211
remunerada, caso os motivos do despedimento não sejam
(Procedimento para o despedimento individual)
económicos, para procurar trabalho, podendo usar essa
1. O empregador que pretenda promover o dispensa de fonna repmtida ou por uma só vez mediante
despedimento com os fundamentos referidos no altigo comunicação ao empregador até ao dia anterior ao início de
anterior, desde que o número de trabalhad01es a despedir cada ausência.
seja de até vinte (20), deve previamente enviar ARTIGO 214.0
comunicação escrita à Inspecção Geral do Trabalho, (Compensação)
indicando:
O trabalhador despedido nos tennos do disposto nos
q) As mzões económicas, tecnológicas ou estmturais
artigos 210. 0 e seguintes tem direito a uma compensação
que impõem a 01ganizaçáo, redução ou
calculada nos tennos do altigo 236. 0
encenamento e a descrição destas;
ARTIGO 215.0
b) Os postos de trabalho afectados, com indicação
(Recurso judicial do despedimento)
do número de trabalhadores que representam e da
respectiva qualificação profissional; 1. O trabalhador pode recomer judicialmente do
c) As medidas de reolganização, redução de despedimento com qualquer dos seguintes fundamentos:
actividades ou encen•amento de serviços com que a) Não concordância com a redução ou alteração do
o empregador pretende ajustar o funcionamento posto de trabalho;
da empresa ou estabelecimento à situação b) Violação dos critérios de preferência na
existente; manutenção do emprego.
2492 DIÁRIO DA REPÚBLICA

2. Sendo o despedimento declarado judicialmente b) Número do bilhete de identidade;


improcedente, tem direito a ser reintegrado no posto de c) Morada;
trabalho imediatamente após trânsito em julgado da d) Data de nascimento;
sentença. e) Data de admissão na empresa;
3. Se o trabalhador não desejar ser reintegrado ou se J) Data em que o contrato cessa;
o empregador o não pretender reintegrar, lhe é devida uma g) Número de segurado da Segurança Social;
indemnimçáo calculada nos tennos do dispostono artigo l') Profissão;
237. 0 independentemente da compensação devida nos i) Classificação profissional;
tennos do altigo 214. 0 , no caso de não a ter recebido. j) Ultimo salário de base.
4. Tanto no caso de ser reintegrado como no caso de ARTIGO 220.0
ser aplicado o disposto no número anterior, ao trabalhador (Direito dos trabalhadores)
são devidos os salários de base contados desde a data do Aos trabalhadores em regime de aviso prévio é
despedimento, com os limites fixados no n. 0 3 do afligo aplicável o disposto no altigo 213. 0
209. 0 ARTIGO 221 .o
SECÇÃO IV (Compensação)
Despedimento Colectivo
O trabalhador despedido em processo de despedimento
ARTIGO 216.0 colectivo tem direito a uma compensação calculada nos
(Aplicação do processo de despedimento colectivo) tennos do n. 0 1 do altigo 236. 0
Sempre que, pelos fundamentos indicados no altigo ARTIGO 222.0
210. 0 a extinção ou transfonnaçáo dos postos de trabalho (Ilicitude do despedimento)
afecte simultaneamente o emprego de mais de 20 O despedimento do trabalhador é ilícito nas seguintes
trabalhadores, aplica-se o procedimento de despedimento situações: a) Quando as razões invocadas para
colectivo. fundamentar o despedimento colectivo, nos tennos
ARTIGO 217.0 do altigo 211. 0 forem comprovadamente declaradas
(Procedimento para o despedimento colectivo) inexistentes por decisão judicial transitada em
1. O empregador que pretenda efectuar julgado;
despedimento colectivo deve comunicar a intenção à b) Tiver havido violação dos clitélios de preferência
Inspecção Geral do Trabalho, devendo observar o disposto na manutenção do emprego definidos pelo
no altigo 211. 0 empregador.
2. O prazo para as diligências da Inspecção Geral do ARTIGO 223.0
Trabalho referidas no altigo 211. 0, no caso de (Declaração e efeitos da ilicitude)
despedimento colectivo, é de vinte e dois (22) dias úteis. 1. Sendo o despedimento declarado ilícito, por
ARTIGO 218.0 sentença transitada em julgado, o empregador é obligado a
(Consultas) reintegmr o trabalhador e a pagar-lhe os salários que teria
Durmte o pa•íodo an que decom a apleciação da recebido desde a data de despedimento até a data da
Inspecção Geral do Trabalho, o empregador pode sentença.
promover a realização de encontros com o ólgáo de 2. Se a reintegração não for possível ou se o
representação ou com a comissão indicada para troca de trabalhador não quiser ser reintegrado, tem direito, em sua
infonnações e esclarecimentos, podendo remeter as substituição, a uma indemnização nos tennos do altigo 237.
0
conclusões dos encontros à Inspecção Geral do Trabalho. , a que se acresce a compensação devida no afligo 221. 0
ARTIGO 219.0 3. A indemnização calculada nos tennos do altigo
(Aviso prévio) 237. 0 é substituída por indemnização calculada nos termos
1. No caso do despedimento colectivo o prazo de do altigo 239. 0 sempre que o despedimento seja declarado
aviso prévio é de sessenta (60) dias. improcedente pelos fundamentos das alíneas a) ou b) do
2. A falta do aviso prévio, no todo ou em palte, altigo anterior.
confere ao trabalhador o direito aos salários ARTIGO 224.0

conespondentes ao período em falta. (Competência do tribunal)


3. Na data de envio das comunicações de aviso 1. Compete ao tribunal competente decretar a
prévio, o empregador deve enviar ao centro de emprego da ilicitude do despedimento colectivo e fixar os seus efeitos.
respectiva área, mapa a identificar todos os trabalhadores 2. A decisão de ilicitude com os fundamentos
avisados de despedimento, mencionando em relação a cada previstos nas alíneas a) e b) do altigo 223. 0 só pode ser
um: tomada em acção intentada por quem nela tenha interesse
q) Nome completo; directo.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2493

SECÇÃO V b) Alteração substancial e duradoura das condições


Rescisão do Contrato por Iniciativa do Trabalhador de trabalho, quando decidida pelo empregador
ARTIGO 225.0 no exercício legítimo dos deveres que lhe
(Modalidades de rescisão) reconhece o afligo 44. 0
1. O trabalhador pode rescindir o contrato com ou 2. A decisão de extinção da relação jurídico-laboral é
sem justa causa. comunicada por escrito ao empregador, com indicação dos
2. A rescisão comjusta causa pode ter fundamentos seus fundamentos e produz efeitos imediatos, sem
respeitantes ao empregador ou estranhos a este. constituir qualquer das paltes em responsabilidade para
com a outra.
ARTIGO 226.0
ARTIGO 228
(Rescisão comjusta causa respeitante ao empregador)
(Rescisão do contrato sem justa causa)
1. A rescisão do contrato, por iniciativa do
1. Não havendo justa causa para a rescisão do
trabalhador, é feita com justa causa relativa ao empregador,
contrato pelo trabalhador, pode este extinguir a
quando este viole, culposa e gravemente, direitos do
relaçãojuñdico-laboral, mediante aviso prévio escrito ao
trabalhador estabelecidos na lei, na convenção colectiva de
empregador, com a antecedência de tlinta (30) dias.
trabalho ou no contrato de trabalho.
2. A falta, total ou parcial, do aviso prévio constitui o
2. São designadamente justa causa para a rescisão:
trabalhador na obrigação de indemnizar o empregador com
a) A falta culposa e reiterada de pagamento pontual
o valor do salário conespondente ao período de aviso
do salário, na fonna exigida;
prévio em falta.
b) A aplicação de qualquer medida disciplinar de
3. Se o empregador recusar aceitar a prestação do
fonna abusiva, nos tennos do altigo 56. 0;
trabalho durante o período de aviso prévio, fica obrigado a
c) A falta de cumprimento, repetido ou grave, das
pagar o trabalhador o salário conespondente ao período de
normas de segurança, saúde e higiene no tmbalho;
aviso que este não possa cumprir.
d) As ofensas à integridade fisica, honra e dignidade
4. O regime de indemnização por falta de aviso
do trabalhador ou dos seus familiares directos,
prévio, estabelecido no n. 0 2 deste afligo, é aplicável
praticadas tanto pelo empregador como pelos seus
sempre que o trabalhador se despeça, invocando justa
representantes;
causa com os fundamentos referidos no n. 0 2 do altigo 226.
e) A violação culposa e grave de direitos legais ou 0
ou no n. 0 1 do artigo 227. 0 e estes sejam
convencionais do trabalhador;
comprovadamente falsos.
f) A lesão de interesses patrimoniais sãos do trabalhador,
ARTIGO 229.0
g) A conduta intencional do empregador ou dos seus (Ab andono do trabalho)
representantes, no sentido de levar o trabalhador a
1. Há abandono do trabalho quando o trabalhador se
fazer cessar o contrato.
ausenta do centro de trabalho com a intenção declarada ou
3. A rescisão do confrato pelo trabalhador pelos
filndamentos r±lidos no m'lmero antefior considera-se presumível de não regressar.
despedimento indirecto. 2. Presume-se a intenção de não regressar ao
4. O despedimento indirecto só é lícito se for feito trabalho quando o trabalhador:
por escfito, com indicação suficiente dos factos que o q) Imediatamente antes ou depois de iniciar a
filndamaltam e só pode ser feito no prazo de trinta (30) ausência tenha declarado publicamalte ou aos
dias contados do conhecimento dos mesmos factos. companheiros de trabalho a intenção de não
5. O despedimalto indirecto confa•e ao trabalhador o continuar ao serviço do empregador;
direito a receber do empregador uma indemnização b) Celebre novo contrato de trabalho com outro
detenninada nos tennos do afligo 239. 0 empregador, presumindo-se essa celebração
6. Em caso de não concordância do empregador no quando passe a trabalhar em centro de trabalho
pagamento da indemnização prevista no número anterior, não pertencente ao empiegador;
cabe recurso aos tribunais nos tennos da lei. c) Se mantém ausente por um peliodo de dez (10)
ARTIGO 227.0 dias úteis consecutivos sem infonnar o
(Rescisão com justa causa estranha ao empregador) empregador do motivo da ausência.
1. O trabalhador pode rescindir o contmto comjusta 3. O empregador, oconmdo qualquer das situações
causa estranha ao empregador com os seguintes refeiidas no número anterior, pode declarar o trabalhador
fundamentos: na situação de abandono do trabalho mediante afixação da
q) Necessidade de cumplir obrigações legais comunicação no centro de trabalho.
imediatamente incompatíveis com a 4. O trabalhador deve provar documentalmente, nos
manutenção da relação jurídico-laboral; cinco (5) dias úteis seguintes contados da afixação da
2494 DIÁRIO DA REPÚBLICA

comunicação estabelecida no número anterior, as razões da empresa, de acordo com o previsto nas alíneas a) e b) do n.
0
sua ausência e a impossibilidade de ter cumprido a 1 do altigo seguinte.
obligaçáo de infonnaçáo e justificação da ausência 3. A cessação da comissão de serviço por iniciativa
estabelecida no altigo 144. 0 do trabalhador está sujeita a aviso prévio de trinta (30)
5. O abandono do trabalho vale como rescisão do dias.
contrato sem justa causa e sem aviso prévio e constitui o ARTIGO 233.0
trabalhador na obrigação de pagar ao empregador a (Direitos do trabalhador)
indemnização estabelecida no n. 0 3 do altigo 228. 0, sem 1. Com a exoneração, o tenno da comissão de
prejuízo da aplicação do disposto no altigo 47. 0 , se for o serviço ou a cessação por iniciativa do trabalhador
caso. nomeado, este tem dilEito a:
SECÇÃO a) Regresso às funções e posto de trabalho que
Exoneração do Trabalhador Nomeado
detinha no momento da nomeação ou a que tenha,
ARTIGO 230.0 entretanto, sido promovido, se pertencer ao
(Comissão de serviço) quadro da empresa;
O exercício de funções de direcção de estabelecimento b) Integração nas funções e classificação
ou serviço ou de outras fonnas de responsabilidade profissional que tenham sido acordadas nos
superior pelas actividades duma unidade de serviço da teimos da alínea d) do altigo 231. 0, se não
empresa, bem como das funções de secretariado pessoal de pertencendo ao quadro da empresa, essa
membros do órgão de administração ou de direcção e ainda integração tiver sido plevista;
de outras funções exigindo uma especial relação de c) Compensação que, eventualmente, tenha sido
confiança, pode ser atribuído, em comissão de serviço, a prevista no acordo, se não houver lugar a
trabalhadores do quadro da empresa ou a tmbalhadores integração referida na alínea anterior.
estranhos efica sujeito às disposições dos afligos seguintes. 2. Se o trabalhador peitencer ao quadro da empresa e
ARTIGO 231.0 a comissão de serviço cessar por exoneração, tem direito a
(Acordo escrito) rescindir o contrato de trabalho, nos trinta (30) dias
1. A nomeação em comissão de serviço é precedida seguintes à exoneração, ficando com o direito a sua
indemnização calculada nos tennos do n. 0 3 do altigo 239. 0
de acordo escrito com o trabalhador nomeado, contendo
necessariamente as seguintes menções: a) Identificação das 3. Os direitos previstos na alínea a) do n. 0 1 e no n. 0
paltes; 2 deste altigo não são exigíveis, se a cessação da comissão
de serviço for consequência de despedimento com justa
b) Cargo ou função a desempenhar pelo nomeado,
em comissão de serviço; causa disciplinar que não seja declamdo improcedente.
c) Classificação profissional e posto de trabalho que ARTIGO 234.0

o nomeado ocupa ao quadro da empresa, à data (Contagem de tempo de serviço)

da nomeação, se for o caso; O tempo de exercício de cmgos ou funções em


d) Funções e classificação profissional que passa a comissão de serviço conta-se para todos os efeitos, como se
deter, finda a comissão de serviço, tratando-se de tivesse sido prestado na classificação profissional que o
trabalhador estranho e o acordo envolver a sua trabalhador possui no quadro da empresa ou na que lhe for
integração no quadro; devida nos tennos da alínea a) do n. 0 1 do altigo anterior.
e) Duração da comissão de sewiço. ARTIGO 235.0
(Exclusão)
2. Sempre que as condições pennitirem, o
empregador pode proceder à apresentação dos nomeados Tratando-se de trabalhador não patencente ao quadro de
em evento específico, devendo do mesmo ser palte o uma anpresa pública ou em que a entidade pública
representante sindical dos trabalhadores. competãlte tenha, legalmente, o direito de nomear e
ARTIGO 232.0 exonerar gestores, o desempenho das respectivas funções
(Cessação da comissão de serviço) por nomeação do Governo é excluído do regime desta
1. A todo o tempo, pode qualquer das paltes fazer secção, nos tennos da alínea e) do altigo 2. 0
cessar a comissão de serviço. SECÇÃO *vil
Compensações e Indemnizações
2. A comissão de serviço cessa imediatamente após a
exoneração, caso seja da iniciativa do empregador, ARTIGO 236.0
devendo este garantir o pagamento dos salários e (Compensação por cessação do contrato
complementos no período de dois meses, mesmo que o por motivos relativos ao empregador)
trabalhador mantenha o vínculo jurídico-laboral na
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2495

A compensação devida aos tmbalhadores nos tennos improcedência do despedimento individual


dos afligos 214. 0 e 216. 0 , no caso de despedimento com invocação de justa causa objectiva, com as
individual e colectivo com justa causa objectiva, excepções estabelecidas no n. 0 4 do mesmo
respectivamente, e da alínea c) do n. 0 1 do altigo 194. 0, no altigo;
caso de caducidade após suspensão do contrato por razões b) No n. 0 3 do afligo 223. 0, para o caso do direito a
objectivas, é a seguinte: reintegmçáo ter sido reconhecido por ilicitude
a) Para as grandes empresas a compaisação do despedimento colectivo.
comesvonde a (1) salário-base por cada ano de ARTIGO 238.0
efectivo serviço até ao limite de cinco (5), (Indemnização em caso de falência, insolvência ou
acrescido de 50% do salário-base multiplicado extinção do empregador colectivo)
pelo número de anos de serviço que excedam A indemnização reconhecida no n. 0 1 do altigo 203. 0
aquele limite; devida no caso de caducidade do contrato, por falência,
b) Para as médias empresas a compensação insolvência e por extinção da personalidade jurídica do
conesponde a um salário-base por cada ano de empregador é detenninada multiplicando:
efectivo serviço até ao limite de três (3), q) 500/0 do valor do salário base dos trabalhadores
acrescidos de 400/0 do mesmo salário-base das grandes empresas, pelo número de anos de
multiplicado pelo número de anos de serviço que sewiço na mesma data;
excedam aquele limite; b) 40% do valor do salário base para os
c) Para pequenas empresas a compensação trabalhadores das médias empresas, pelo número
conesponde a dois (2) salários base acrescido de de anos de serviço na mesma data;
300/0 do salário-base multiplicado pelo número de c) 30% do valor do salário base para os
anos de serviço que excedam o limite de dois (2) trabalhadores das pequenas e micro empresas,
anos; d) Para as micro-empresas a compensação pelo número de anos de serviço na mesma data;
conesponde a dois (2) salários base acrescido de d) 200/0 do valor do salário-base para os
20% do salário-base multiplicado pelo número de trabalhadores das micro empresas, pelo número
anos de serviço que excedam o limite de dois de anos de serviço na mesma data.
anos. ARTIGO 239.0
ARTIGO 237.0 (Indemnização por despedimento individual)
(Indemnização por não reintegração) 1. A indemnização devida ao trabalhador em caso de
1. A indemnização compensatória por não decisão judicial de improcedência do despedimento
reintegração do trabalhador despedido ou por este não individual com a invocação de justa causa disciplinar, não
pretender sa- reintegrado, sempre que, para fundamentar havendo reintegração e em caso de despedimento indirecto
o despedimento, tenha sido invocada justa causa reconhecida respectivamente, no n. 0 1 do altigo 209. 0 e no
objectiva, é a conespondente a: n. 0 5 do altigo 226. 0, é detenninada multiplicando:
a) 500/0 do valor do salário base praticado à data do q) 50% do valor do salário base para os
despedimento para os trabalhadores das grandes trabalhadores das grandes empresas, pelo
empresas, multiplicado pelo número de anos de número de anos de serviço à data do
serviço do trabalhador; despedimento;
b) 400/0 do valor do salário base praticado à data do b) 30% do valor do salário base para os
despedimento para os trabalhadores das médias trabalhadores das médias empresas, pelo número
empresas, multiplicado pelo número de anos de de anos de serviço à data do despedimento;
serviço do trabalhador; c) 20% do valor do salário base para os
c) 200/0 do valor do salário base praticado à data do trabalhadores das pequenas empresas, pelo
despedimento para os trabalhadores pequenas número de anos de serviço à data do
empresas, multiplicado pelo número de anos de despedimento;
serviço do trabalhador, d) 10% do salário-base para os trabalhadores das
micro empresas, pelo número de anos de serviço
d) 200/0 do valor do salário-base praticado à data do
à data do despedimento.
despedimento para os trabalhadores das micro
empresas, multiplicado pelo número de anos de 2. A indemnização calculada nos tennos do núma•o
serviço do trabalhador. anterior tem sempre como valor mínimo o conespondente
2. O direito a essa indemnização está previsto: ao salário-base de três meses, no caso das grandes e médias
empresas, e de dois e mês, no caso das pequenas e micro-
q) No n. 0 3 do afligo 215. 0, para o caso do direito à
empresas, resp ectivamente.
integmção ter sido declamdo por
2496 DIÁRIO DA REPÚBLICA

3. A indemnização calculada nos tennos dos e) O direito à ausülcia de qualquer outra


números anteriores é ainda devida nas situações a que se discriminação, directa ou indirecta, fundada no
referem o n. 0 3 do altigo 19. 0 , o n. 0 3 do altigo 223. 0 e o n. género.
0
2 do altigo 233. 0 3. Para efeitos da alínea d) do núma•o considera-se: q)
ARTIGO 240.0 Trabalho igual, quando seja igual ou de natureza
(Equiparação para efeitos de compensações e indemnizações) objectivamente semelhante às funções exeltidas e às
tarefas desempenhadas;
l. Para efeitos de cálculo das compensações e
b) Trabalho de valor igual, quando as tarefas
indannizações previstas na presente secção, equiparam-se
desempenhadas, embora de diversa natureza,
a:
sejam consideradas equivalentes por aplicação de
a) Grandes empresas, as instituições e ólgãos
critérios objectivos de avaliação de funções.
daAdministraçáo directa, indirecta, autónoma e
ARTIGO 243
local do Estado, as empresas públicas, as (Trabalhos proibidos e condicionados)
organizações intemacionais e as representações
diplomáticas e consulares; 1. E proibida a ocupação de mulheles em trabalhos
b) Médias empresas, as cooperativas e as insalubres, perigosos, em subten•âneos e minas, bem como
01ganizações não govemamentais estrangeiras; em todos àqueles que sejam considerados como implicando
c) Pequenas empresas, as organizações religiosas, as riscos efectivos ou potenciais para a sua função genética.
organizações sociais sem fim lucrativo, as 2. A proibição estabelecida no n. 0 1 deste altigo pode
fundações públicas e privadas e as 01ganizações ser substituída pelo condicionamento da ocupação de
não govemamentais nacionais. nmlheres nos mesmos trabalhos desde que os locais ou
2. As situações não referidas no número anterior são postos de trabalhos estejam dotados de equipamentos
enquadradas de acordo com a qualificação existente na Lei adequados e eficazes de eliminação dos fiscos que efectiva
das Micro, Pequenas e Médias Empresas. ou potalcialmente awolvam.
ARTIGO 241.0 3. A lista das ocupações proibidas às mulheres, bem
(Determinação da antiguidade) como dos condicionamentos a que fica sujeito o trabalho
de mulha•es nessas ocupações, é estabelecida por diploma
Na detenninaçáo da antiguidade do trabalhador, para os
próprio do Titular do Poder Executivo.
efeitos dos afligos anteriores desta secção, as fiacções de
4. A lista a que se refere o número anterior deve ser
ano iguais ou superiores a três (3) meses contam-se como
revista periodicamente em função dos conhecimentos
ano de antiguidade.
científicos e técnicos.
CAPÍTULO XI ARTIGO 244
O Trabalho da Mulher Orabalho em tempo parcial)
SECÇÃO 1 Salvo inconveniente grave, às trabalhadoras com lar
Condições Específicas Aplicáveis à Mulher constituído e responsabilidades familiares, deve o
ARTIGO 242.0 empregador facilitar o trabalho em tempo parcial, em
(Igualdade de tratamento e não discriminação no trabalho) qualquer das modalidades previstas no n. 0 3 do altigo 102.
0
1. E garantido à mulher trabalhadora, por referência ao com redução proporcional da remuneração.
homem, a igualdade de tratamento e a não- ARTIGO 245.0
(Duração e organização do trabalho)
discriminaçáo no trabalho.
2. E garantido às trabalhadoras: 1. Sem prejuízo do estabelecido nesta Lei, no que
q) O acesso a qualquer emprego, profissão ou posto respeita a duração e organização do tempo de trabalho, às
de trabalho; mulheres são garantidos os seguintes direitos:
b) A igualdade de opoftunidades e de tratamento no q) Intervalo de repouso entre o teimo do trabalho de
acesso às acções de fonnaçáo e de um dia e o início do período de trabalho do dia
apelfeiçoamento profissional; seguinte, estabelecido no n. 0 4 do artigo 96. 0 é
c) O direito a que sejam comuns para os dois elevado a doze (12) horas;
géneros as categorias e os critérios de b) A não prestação de trabalho noctumo em
classificação e de promoção, com a aplicação do estabelecimentos industriais, salvo se
disposto no n. 0 3 do altigo 157. 0 ; autorizado por entidade da saúde pública.
d) O direito a salário igual para trabalho igual ou de 2. A autorização exigida na alínea b) do número
valor igual; anterior só pode ser concedida nas seguintes situações:
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2497

a) Em caso de força maior que ocasione alteração 2. Para gozar os direitos previstos no número
anonnal no funcionamento do centro de trabalho; b) anterior, deve a trabalhadora comprovar o seu estado de
Quando as matérias-primas em elaboração sejam gravidez perante o empregador, com toda a antecedência
susceptíveis de rápida alteração, comendo o risco de possível, mediante a apresentação de documento emitido
perda inevitável se o trabalho não continuar; pelos serviços de saúde, salvo se o seu estado for evidente.
c) No caso do trabalho estar 01ganizado no regime 3. As proibições constantes das alíneas a), b) e c) do
de tumos rotativos, tendo as trabalhadoras dado n. 0 1 deste altigo aplicam-se até três meses após o palto,
o seu acordo à inclusão nos tumos. podendo algumas delas ser prolongadas, se por documento
3. O requerimento para a prestação de trabalho médico for justificada a necessidade de tal almgamento.
noctumo por mulheres deve ser decidido, face aos 4. A proibição de despedimento, salvo infracção
fundamentos invocados, no prazo de três (3) dias úteis, sob disciplinar grave, estabelecida na alínea d) do n. 0 1 deste
pena de se considerar concedida a autorização. afligo, mantém-se até um (1) ano após o palto.
4. A proibição do trabalho nocturno às mulheres em 5. As intenupções do trabalho diário, para
estabelecimentos industriais não se aplica: aleitamento, a que se refere a alínea e) do n. 0 1 deste
a) Às trabalhadoras que exerçam filnções de dilecção afligo, têm lugar nas oportunidades escolhidas pela
ou de cffácter técnico, que envolvam responsabilidade, trabalhadora, sempre que possível com o acordo do
b) As trabalhadoras que se ocupem dos serviços de empregador e são substituídas, no caso do filho a não
higiene, limpeza e de confecção de alimentação. 5. As acompanhar no centro de trabalho, por alargamento do
trabalhadoras referidas no altigo antefior que tenham a intervalo para descanso e refeição em uma hora ou se a
seu cargo filhos menores de dez (10) anos, é aplicável o trabalhadora o preferir por redução do período nonnal de
disposto no n. 0 4 do altigo 116. 0 trabalho diário, no início ou no fim, em qualquer caso sem
SECÇÃO 11 hotecção diminuição do salário, por período de até doze (12) meses.
ARTIGO 247
da Maternidade
(Licença de maternidade e de pré-maternidade)
ARTIGO 246.0
(Direitos especiais) A trabalhadora tem direito a uma licença de
matemidade e de plé-matemidade, nos tennos definidos an
1. Durante o período de gravidez e após o palto, a legislação própfia.
mulher trabalhadora tem os seguintes direitos especiais, ARTIGO 248.0
sem diminuiçáo do salário: (Licença complementar de maternidade)
a) Não desempenhar tarefas desaconselháveis ao seu 1. Tenninada a licença de maternidade, nos tennos da
estado ou que exijam posições incómodas ou legislação referida no altigo anterior, a trabalhadora pode
prejudiciais, devendo o empregador assegurar-lhe continuar na situação de licença, por período máximo de
tmbalho adequado ao seu estado; quatro semanas, para acompanhamento do filho.
b) Não prestar trabalho extraordinário nem ser 2. O período complementar não é remunerado e só
transferida de centro de trabalho, salvo se pode ser gozado mediante comunicação prévia ao
localizado na mesma área geográfica e para empregador, com indicação da sua duração e desde que a
pennitir a mudança de trabalho a que se refere a empresa não disponha de infantário ou creche.
alínea anterior; ARTIGO 249.0
c) Não poder a entidade de saúde pública (Ausências durante a gravidez e após parto)
competente autorizar a prestação de trabalho
1. Durante o período de gravidez e até quinze (15)
nocturno, nos casos a que se refere a alínea b) do
meses após o palto, a trabalhadora tem direito a faltar dia
n. 0 2 do artigo 245. 0 e deixar de prestar, se o
por mês sem perda de salário, para acompanhamento
vinha prestando; d Não ser despedida, salvo
médico do seu estado e para cuidar do filho.
infracção disciplinar que tome imediata e
2. Este período não é cumulável, no período após
praticamente impossível a manutenção da relação
opalto, com a prestação de trabalho em tempo parcial, a
jurídico-laboral;
que se refere o afligo 244. 0
e) Inten•omper o trabalho diário para aleitamento do
ARTIGO 250.0
filho, em dois períodos de meia hora cada, sempre
(Rescisão do contrato por iniciativa da trabalhadora)
que o filho permaneça, durante o tempo de
trabalho, nas instalações do centro de trabalho ou A trabalhadora, durante a gravidez e até quinze (15)
em infantário do empregador, meses após o palto, pode rescindir o contrato sem
f) Beneficiar das licenças de matemidade reguladas obrigação de indemnização, mediante aviso prévio de uma
nos afligos seguintes. semana ao empregador, por razões de saúde comprovada.
ARTIGO 251.0
2498 DIÁRIO DA REPÚBLICA

(Protecção contra o despedimento por causas objectivas) empregador ou imediatamente, se o fundamento da


Durante a gravidez e até doze (12) meses após o palto, oposição for a necessidade do menor frequentar
a trabalhadora goza do regime especial de protecção contra estabelecimento de ensino oficial ou acção de fonnaçáo
o despedimento individual por causas objectivas e contra o profissional.
despedimento colectivo de acordo com o estabelecido para 6. A faculdade de oposição do representante legal
os trabalhadores com capacidade de trabalho reduzida. cessa no caso do menor ter adquirido o estatuto de maior
ARTIGO 252.0 idade, por casamento ou por outro meio legal.
(Complemento de férias) ARTIGO 255.0
Orabalhos permitidos)
O período de férias das trabalhadoras com filhos
menores a seu cargo é aumentado de um dia de férias por Os menores só podem ser admitidos para a prestação de
cada filho com idade até catorze (14) anos. trabalhos leves, que não envolvam grande esforço fisico,
que não sejam susceptíveis de prejudicar a sua saúde e o
CAPÍTULO XII seu desenvolvimento fisico e mental e que lhes
Condições Aplicáveis a Grupos Específicos de possibilitem condições de aprendizagem e de fonnaçáo.
Trabalhadores ARTIGO 256.0
SECÇÃO 1 (Trabalhos proibidos ou condicionados)
Trabalho de Menores
1. E proibido afectar os menores a trabalho que, pela
ARTIGO 253.0 sua natureza e riscos potenciais, ou pelas condições em que
(Princípios gerais) são prestados, sejam plEjudiciais ao seu desenvolvimento
1. O empregador deve assegurar aos menores ao seu fisico, mental e moral.
serviço, mesmo em regime de aprendizagem, condições de 2. E proibido o trabalho de menores em teatros,
trabalho adequadas à sua idade, evitando qualquer risco cinemas, boites, cabalés, dancing e estabelecimentos
para a sua segurança, saúde e educação e qualquer dano ao análogos, bem como o exercício das actividades de
seu desenvolvimento integral. vendedor ou propagandistas de produtos fannacêuticos.
2. O empregador deve tomar todas as medidas 3. Os trabalhos cujo exercício é proibido ou
tendentes à fonnaçáo profissional dos menores ao seu condicionado a menores, bem como as condições em que
serviço, solicitando a colaboração das entidades oficiais os menores que tenham completado dezasseis (16) anos de
competentes sempre que não disponha de estmturas e idade, podem ter acesso a tais trabalhos, para efeitos de
meios adequados para o efeito. fonnaçáo profissional prática são estabelecidos por diploma
3. O Estado deve assegurar a criação e própfio do Titular do Poder Executivo.
funcionamento de estmturas de fonnaçáo profissional ARTIGO 257
adequadas à integração dos menores na vida activa. (Exames médicos a menores)

ARTIGO 254.0 1. Os menores devem ser sujeitos, antes da sua


(Celebração do contrato de trabalho) admissão, a exame médico destinado a comprovar a sua
1. O contrato de trabalho celebrado com menores capacidade fisica e mental para o exercício das suas
que tenham completado a idade mínima de admissão ao funções.
trabalho só é válido com autorização expressa dos pais, 2. O exame médico deve ser repetido anualmente,
tutor, representante legal, pessoa ou instituição idónea que até os dezoito (18) anos de idade, por fonna a celtificar que
tenha o menor a seu cmgo ou na sua falta, da Inspecção do exercício da actividade profissional não resultam
Geral do Trabalho. prejuízos para a sua saúde e desenvolvimento.
2. Para menores que já tenham completado os 3. A Inspecção Geral do Trabalho pode, por sua
dezasseis (16) anos de idade, a autorização pode ser tácita. iniciativa, detenninar a realização de exames médicos
3. A autorização para celebrar o contrato de trabalho intercalares.
envolve sempre autorização para exercer os direitos e 4. Sempre que o relatório do exame médico
cumplir os deveres da relação jurídico-laboral, para receber detennine a necessidade de adoptar celtas condições de
o salário e para fazer cessar o contrato. trabalho ou a transferência para outro posto de trabalho,
4. O contrato de tmbalho com menores deve ser deve o empregador dar cumprimento a tais detenninações.
celebrado por escrito, devendo o menor fazer prova de que 5. O empregador é obrigado a manter, em condições
completou os catorze (14) anos de idade. de confidencialidade, os relatórios dos e<ames médicos
5. O represaitante legal do menor, a que serefere o efectuados aos menores e pô-los sempre à disposição dos
0
n. 1 deste afligo, pode a todo tempo e por escrito, opor-se à serviços oficiais de saúde e da Inspecção Geral do
manutenção do contrato de trabalho, produzindo a sua Trabalho.
oposição efeitos duas semanas após a entrega ao ARTIGO 258.0
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2499

(Remuneraçao) c) Na medida em que se mostre desajustado às


O salário dos menores é detenninado por referência ao aptidões do menor, a profissão ou especialidade
salário do trabalhador adulto da profissão em que esteja a para que foi admitido, deve o empregador
trabalhar ou ao salário mínimo nacional, no caso de exercer facilitar, sempre que possível e depois de
funções não qualificadas, e não pode, salvo as situações consultado o representante legal, a adequação do
referidas no altigo 34. 0 ser inferior a 400/0 e supefior a posto de trabalho e de funções;
700/0. d) O menor só pode ser transfeiido do centro de
ARTIGO 259.0 trabalho, com autorização expressa do
(Duração e organização do trab alho) representante legal.
SECÇÃO 11
1. O período nonnal de trabalho dos menores não
Trab alhadores com Capacidade de Trabalho Reduzida
pode ser superior a seis ( 6) horas diárias e trinta e quatro
(34) horas semanais, se tiverem menos de dezasseis (16) ARTIGO 262.0
anos e a sete (7) horas diárias e trinta e nove (39) horas (Princípios gerais)
semanais, se tiverem idade compreendida entre dezasseis l. Os anpregadores devem facilitar o anprego a
(16) e os dezoito (18) anos. tmbalhadores com capacidade de trabalho reduzida,
2. Aprestação de trabalho edmordinálio é proibida, proporcionando-lhes condições adequadas de trabalho e
podendo excepcionalmente ser autorizada pela Inspecção colaborando com o Estado em acções apropriadas de
Geral do Trabalho, se o menor tiver completado dezasseis fonnaçáo e apelfeiçoamento ou reconversão profissional ou
(16) anos de idade e o trabalho for justificado com a promovendo-as directamente.
iminência de graves prejuízos, pela verificação de qualquer 2. As autoridades públicas devem estimular e apoiar,
das situações a que se referem as alíneas a) e b) do n. 0 2 do pelos meios mais adequados e convenientes, a acção das
altigo 113. 0 empresas na política de emprego dos trabalhadores com
3. Aprestação excepcional de trabalho extraordinário capacidade de trabalho reduzida.
nas condições a que se refere o número anterior, não pode, ARTIGO 263
em caso algum, exceder as duas (2) horas diárias e sessenta (Requisitos da ocupação e do posto de trabalho)
(60) horas anuais. As ocupações e os postos de trabalho destinados a
4. Os menores de dezasseis (16) anos não podem trabalhadores afectados na sua capacidade de trabalho, por
prestar trabalho no período compreendido entre as vinte redução da sua integridade fisica ou psíquica, quer natural,
(20) horas dum dia e as sete (7) horas do dia seguinte e não quer adquirida, devem estar de acordo com o tipo e grau de
podem ser incluídos em tumos rotativos. incapacidade e atender a sua capacidade de trabalho
5. Os menores com idade igual ou superior a efectiva ou restante.
dezasseis (16) anos só podem trabalhar no período referido ARTIGO 264
no número antefior no caso de prestação do trabalho em tal (Duração e organização do trabalho)
período ser estritamente indispensável à sua fonnaçáo 1. O horário de trabalho do trabalhador com
profissional. capacidade reduzida devem ser organizado tendo em conta
ARTIGO 260.0 a sua condiçáo especial.
(Protecção contra o despedimento) 2. Ao trabalhador referido no número anterior deve
O despedimento de menores fica sujeito ao regime ser concedido, sempre que solicitem, o regime de trabalho
especial de autofizaçáo da Inspecção Geral do Trabalho em tempo parcial, na modalidade consistente na redução do
estabelecido no n. 0 4 do afligo 207. 0 . período nonnal de trabalho diário.
ARTIGO 261.0 3. Ao trabalhador com capacidade de trabalho
(Condições especiais de trabalho) reduzida não pode ser exigida a prestação de trabalho
O trabalho de menores fica sujeito às seguintes extraordinário ou de trabalho noctumo.
condiçoes especiais: ARTIGO 265.0

a) O h01i1io de trabalho é 01ganizado de fonna a (Remuneraçao)


pennitir-lhes a frequência escolar ou de acções 1. Ao trabalhador com capacidade de trabalho
oficiais de fonnaçáo profissional em que estejam reduzida, trabalhando em tempo integral, é garantida
inscritos; remuneração calculada segundo os seguintes critérios:
b) O empregador e os responsáveis do centro de q) O salário é proporcionalmente conespondente ao
trabalho devem velar, em tennos formativos, pela grau de capacidade efectiva para o desempenho
atitude do menor perante o trabalho, a segurança e do posto de trabalho ou funções exercidas;
saúde no trabalho e a disciplina laboral;
2500 DIÁRIO DA REPÚBLICA

b) A certificação do grau de capacidade efectiva é 2. As empresas devem igualmente apoiar e fomentar


feita, a pedido do trabalhador, do candidato a as iniciativas dos trabalhadores tendentes à piítica
emprego ou do empregador, pelos sewiços despoltiva e ao desenvolvimento da cultura fisica.
oficiais de saúde e atende às exigências ARTIGO 270.0
específicas do posto de trabalho ou actividade (ñmdo social)
que o trabalhador realiza ou vai ocupar; 1. As grandes e médias empresas podem criar fundo
c) Se o grau de capacidade efectiva for igual ou social destinado à assistência social aos trabalhadores ou
supa•ior a 90% em relação ao posto de trabalho outros mecanismos de protecção social complementar
ou ocupação, o trabalhador é considerado como previstos em legislação específica.
tendo uma capacidade efectiva de 1000/0', 2. Uma percentagem do salário do trabalhador deve,
d) O salário nunca pode ser infelior a 500/0 do por convenção colectiva de trabalho ou por acordo do
devido ao tmbalhador que ocupe idêntico posto trabalhador, ser objecto de dedução e afectado ao fundo
de trabalho em condições nonnais de rendimento. social.
2. A redução de salário resultante da aplicação dos 3. As condições de acesso aos trabalhadores aos
critérios do número anterior não prevalece sobre o beneficios do fundo social são aprovados por regulamento
princípio de a trabalho de valor igual deve ser pago salário da empresa.
igual.

CAPÍTULO XIII
Promoção Social e Cultural dos Trabalhadores
ARTIGO 266.0
(Princípios gerais)
l. As empresas devem colaborarcom as autcyidades
públicas na política de promoção social e cultural e de
desenvolvimento fisico dos trabalhadores.
2. Além das obrigações que resultam de outras
disposições desta Lei, os empregadores devem, na medida
do possível, prosseguir a política subjacente ao disposto
nos afligos seguintes, cooperando activamente com os
organismos oficiais competentes e com os sindicatos e
órgãos representativos dos trabalhadores.
ARTIGO 267.0
(Instalações sociais para os trabalhadores)
As empresas devan, frnção da sua capacidade
económica, dimensão e condições de organização do
trabalho, instalar e manter locais adequados ao repouso,
convívio e ocupação de tempos liVTes dos trabalhadores,
bem como a elevação do seu nível cultural e
desenvolvimento fisico.
ARTIGO 268.0
Oransportes)
As empresas podem assegurar o transporte dos seus
trabalhadores aos centros de trabalho com meios próprios
ou serviços contratados a terceiros.
ARTIGO 269.0
(Promoção cultural e desportiva)
1. As empresas devem apoiar, na medida do
possível, as iniciativas dos trabalhadores tendentes à
conservação e divulgação da cultura nacional,
designadamente a constituição de aguamentos de teatro,
musicais e de dança e à promoção cultuml dos
trabalhadores.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2501
0
ARTIGO
271. ARTIGO 276.0
(Apoio escolar) (Requerimento)
O empregador que esteja autorizado a ter ao seu serviço 1. Em caso de conflito laboral, qualquer das paltes
menores sem a escolaridade obrigatória deve apoiá-los na pode solicitar a mediação aos serviços da Inspecção Geral
sua superação escolar colaborando com as entidades do Trabalho, por meio de requerimento.
competentes para o efeito. 2. O requerimento referido no número anterior pode
ser aplesentado de fonna oral, devendo os serviços
CAPÍTULO XIV
competentes da Inspecção Geral do Trabalho reduzi-lo a
Garanfia dos Direitos Emergentes
escrito.
da Relação Jurídic(ELaboral
3. O solicitante deve indicar no requerimento as
SECÇÃO 1 matérias em conflito, bem como fomecer todos os
Confütos e Modalidades de Resolução
elementos que possam contribuir pam a resolução do
ARTIGO 272.0 conflito.
(Confüto individual e colectivo de trabalho) ARTIGO 277.0
1. E conflito individual de trabalho o que surja entre (Procedimento)
o trabalhador e o empiegador, por motivos relacionados 1. Após a recepção do requerimento, a Inspecção
com a constituição, manutenção, suspensão e extinção da Geral do Trabalho deve notificar as paltes para audiência
relação jurídico-laboral, ou com a execução do contrato de no prazo de dez (10) dias úteis.
trabalho e a satisfação dos direitos e cumprimento das 2. Os serviços da Inspecção Geral do Trabalho
obrigações, de uma e de outra palte, decomentes do mesmo dispõem de até dez (10) dias úteis após a audiência referida
contrato, bem como o recurso das medidas disciplinares no número antefior para apresentar às pmtes, em audiência,
aplicadas ao trabalhador. a proposta de resolução do conflito.
2. E conflito colectivo de trabalho o que surja no
3. Caso a proposta referida no número anterior seja
âmbito de uma convenção ou de acordo colectivo de
aceite, deve ser elaborado o acordo final e posterionnente
trabalho, de acordo com o previsto em legislação
assinado pelas paltes.
específica.
4. O acordo não contmriar ncllnas legais nnpemtivas,
ARTIGO 273.0
incluir disposições menos favoráveis para o trabalhador do
(Modalidades de resolução de confütos)
que o consagrado na lei, incluir disposições sobre regimes
1. Os conflitos individuais de trabalho são resolvidos fiscais nem limitar os poderes de organização e de direcção
por mecanismos extrajudiciais, nomeadamente a mediação, da entidade empregadora.
a conciliação e a albitmgem, ban como por mecanismos 5. Nos casos em que não tenha havido acordo das
judiciais. paltes ou tendo este sido parcial, bem como naqueles que
2. Os conflitos colectivos de tmbalho são resolvidos uma das paltes não tenha comparecido e haja sido lavTada
pelos mecanismos referidos no número anterior, sem declaração de impossibilidade, qualquer das paltes pode
prejuízo do estabelecido em legislação específica. intentar acção judicial, aplicando-se oregime da propositum
ARTIGO 274.0 da acção previsto no regime da conciliação.
(Precedência obrigatória) 6. Se uma das paltes não comparecer à audiência e
l. Todo o de trabalho deve obligatoriamente ser não justificar a sua ausência nos cinco dias seguintes à data
precedido do recurso a dos mecanismos extrajudiciais marcada para a sessão de mediação, a Inspecção Geral do
de resolução de conflitos referidos no n. 0 1 do altigo Trabalho deve emitir uma declaração de impossibilidade de
anterior. obtenção de acordo.
2. No caso das paltes recorrerem, simultaneamente, a 7. A Inspecção Geral do Trabalho, sempre que se
um dos mecanismos de resolução extrajudicial de conflitos justificar, pode solicitar apoio ao representante do
previstos no número anterior, prevalece a modalidade cujo Ministério Público responsável pela conciliação junto dos
requefimento for registado na data mais antiga. ólgáos judiciais competentes.
SUBSECÇÃO 1 ARTIGO 278.0
Mediação (Representação do empregador)

ARTIGO 275. 0 A representação do empregador na mediação aplica-se


Olediaçao) o disposto no n. 0 4 do altigo 286. 0
A mediação é mecanismo de resolução extrajudicial de ARTIGO 279.0
conflitos da competência da Inspecção Geral do Trabalho e (Falta de comparência do empregador)
das demais entidades autorizadas por lei.
2502 DIÁRIO DA REPÚBLICA

ARTIGO 0

Havendo falta de compm€ncia do empregador à reunião 4. Se o Magistrado do Ministério Público competente


de mediação convocada pela Inspecção Geral do Trabalho, considerar que o pedido é manifesta e totalmente inviável
é o mesmo sancionado nos tennos estabelecidos em lei ou carece de fundamentos legalmente protegidos, deve
específica. rejeitá-10s mediante despacho fundamentado a proferir
ARTIGO 280.0 dentro dos cinco (5) dias seguintes à apresentação, que é
(Homologação do acordo) notificado o interessado, a quem mediante tenno no
A homologação do acordo aplica-se, com as necessárias processo, é entregue cópia do despacho e do pedido de
adaptações, o regime previsto no altigo 289. 0. tentativa de conciliação, se o requerer.
281. 5. No caso de ter havido despacho de rejeição o
(Depósito) interessado pode intentar acção no tribunal competente sem
O acordo deve ser lavrado em triplicado, peitencendo precedência da tentativa de conciliação, instmindo a
um a cada uma das paltes e outro depositado e registado petição com as cópias que recebeu nos tennos do número
nos serviços da Inspecção Geral do Trabalho. anterior.
ARTIGO 282 6. A suspensão dos prazos de prescrição e de
(Propositura da acção) caducidade referidos no altigo 305. 0 cessa decomidos trinta
Não havendo acordo ou tendo este sido parcial, a parte (30) dias sobre a data em que ao interessado for feita a
notificação referida no n. 0 4.
que tenha solicitado a mediação pode livremente intentar
acção judicial, no prazo de trinta (30) dias, devendo para o 7. O Magistmdo do Ministério Público competente
efeito juntar a declaração de impossibilidade de obtenção deve rejeitar o pedido com notificação ao interessado se o
de acordo ou a acta da reunião onde constem os tennos da órgão de conciliação for tenitorialmente incompetente.
mediação. ARTIGO 285.0
(Convocação da reunião)
SUBSECÇÃO 11
Conciliação 1. Se não houver despacho de rejeição e dentro do
ARTIGO 283 prazo estabelecido no n. 0 4 do artigo anterior, o Magistrado
(Conciliação) do Ministério Público competente deve marcar o dia e hora
para a reunião de conciliação a realizar entre 0 10. 0 e 0 15.
1. A conciliação é realizada pelo Magistrado do 0
dias posteriores, procedendo os serviços do Ministério
Ministério Público junto dos ólgáos judiciais competentes.
Público
2. tudo quanto for requerido para o exercício desta,
ao envio de convocação pam as paltes dentro das quarenta
pode o Magistrado do Ministério Público competente
e oito (48) horas seguintes.
solicitar apoio dos serviços da Inspecção Geral do
Trabalho. 2. As convocações são enviadas pela via mais lápida
e segura, tendo em atenção os condicionalismos existentes,
ARTIGO 284.0
podendo também ser enviadas através das autoridades
(Apresentação do pedido)
administmtivas ou policiais que ficam sujeitas ao dever a
1. O pedido de tentativa de conciliação é apresentado cooperação.
em triplicado pelo interessado seja este empregador ou 3. caso de comprovada dificuldade ou peiturbaçáo
trabalhador, ao Magistrado do Ministério Público dos sistemas de comunicação, o prazo dentro do qual a
competente e deve conter obrigatoriamente: conciliação deve ser marcada pode ser alargado por mais
q) A identificação do requerente e da entidade trinta (30) dias.
contra quem é fonnulado e respectivas 4. A convocação deve indicar o dia, hora e local da
moradas; reunião e o objecto desta, sendo enviada àpate reclamada
b) As reclamações apresentadas e os respectivos acompanhada de cópia do pedido.
fundamaltos desclitos defonna sumália mas 5. A reunião pode ser marcada para realização fora
suficientes; c) Sempre que possível, a indicação dos das instalações e da localidade onde funciona a estmtura do
montantes reclamados se os pedidos forem de Ministério Público, em atenção aos interesses das paltes ou
natureza pecuniária. a outros factores atendíveis previstos na lei.
2. O pedido de tentativa de conciliação pode ser
ARTIGO 286.0
apresentado oralmente, sendo reduzido a escrito, em (Comparências)
triplicado, pelos serviços do Ministério Público.
1. A conciliação comparecem pessoalmente as
3. A pate que apresenta o pedido de tentativa de
paltes.
conciliação deve incluir neste todas as reclamações que até
2. Se o trabalhador for menor, pode fazer-se
à data da apresentação tenha contra a outra palte.
acompanhar do seu representante legal.
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2503
0
ARTIGO
3. O trabalhador pode ainda fazer-se acompanhar de 2. Iniciada a reunião de conciliação, pode o
um representante do sindicato a que peitence ou de uma Magistrado do Ministério Público suspendê-la, para ter
pessoa da sua confiança. continuação no prazo máximo de quinze (15) dias, se
4. O empregador pode fazer-se representar por um qualquer das partes o solicitar, para melhor ponderação do
director ou trabalhador com funções de responsabilidade no caso, ou se o órgão de conciliação entender dever fazer
centro de trabalho onde o trabalhador presta ou prestou algumas diligências de apuramento dos factos.
trabalho, munidos de declaração escrita, que fica junto ao ARTIGO 288.0
processo, de que constem poderes expressos de (Acto conciliatório)
representação e a declaração de que fica vinculado pelo que 1. Na reunião de conciliação, estando presente as
o representante confesse ou aceite. paltes e seus acompanhantes se existirem, o Magistrado do
5. As partes podan ainda fazer-se acompanhar de Ministélio Público ouve o requerente e o requerido,
advogado com procuração, que fica junto ao processo e que fazendo de seguida um resumo do pedido e seus
é eficaz para a acção judicial que venha a decomer entre as fundamentos e da posição da palte requerida, após o que
mesmas paltes, no caso de não haver conciliação ou desta verifica se as paltes estão dispostas a conciliar-se.
ser parcial. 2. Senão houver conciliação, o Magistrado do
6. Além do Magistrado do Ministério Público, só Ministério Público infonna quais podem ser, em seu
podem estar presentes na reunião de conciliação as paltes, entender, face aos elementos até então apresentados e com
seus representantes e acompanhantes e funcionário para reserva da apreciação que o tribunal possa a vir fazer, em
secretariar. ñlnçáo da prova produzida e da aplicação da lei, os tennos
287.
dum acordo pautado por princípios de equidade e de
(Falta de comparência)
equilíbrio.
1. Se faltar algumas das paltes, no dia e hora 3. De seguida, verifica de novo se as paltes estão
designados para a conciliação, aplica-se o seguinte dispostas a conciliar-se e em que tennos.
procedimento: 4. Se não houver acordo, o Magistrado do Ministério
q) Se a falta for justificada, até a hora marcada, a Público assegura que na acta da reunião fiquem a constar,
realização da conciliação é adiada para um dos além da indicação das pessoas presentes e suas qualidades:
dez (10) dias seguintes com envio de nova
a) O enunciado dos diferentes pontos de reclamação,
convocatória à palte faltosa;
a indicação do valor de cada uma das reclamações
b) Se a falta não for justificada e o faltoso for o
e o valor total do pedido;
requerente da conciliação, o pedido é arquivado;
c) Se a falta não for justificada e o faltoso for a pate b) Os pontos sobre os quais houve acordo e, sempre
contra a qual o pedido foi apresentado, é entregue que este tenha expressão pecuniária, os valores
ao requerente uma declaração de impossibilidade em que se traduz o acordo sobre cada desses
de realização da tentativa de conciliação e das pontos; c) Os prazos acordados para cumprimento
respectivas causas, para este, se o quiser, propor a voluntário do acordo se este não for cumprido de
acção judicial dentro dos tlinta (30) dias imediato, o que fica exarada na acta, sempre que
seguintes; d) Nos casos das alíneas b) e c), é se verifique; d) Os pontos de pedido de
aplicada ao faltoso uma multa, dentro dos limites conciliação em relação aos quais houve
legais; desistência;
e) Se na segunda reunião marcada para a conciliação e) Em caso de conciliação parcial, os pontos sobre os
esta não for possível, por falta de uma ou das quais não houver acordo, mas dos quais o
duas partes, mesmo que se trate de falta requerente não desiste, deve para o efeito ser
justificada, não há lugar a segundo adiamento e expressamente inten•ogado.
o pedido é arquivado, com entrega ao 5. Senãohouva• acordo, o Magistrado do Ministélio
requerente da conciliação da declaração a que Público assegura que na acta fiquem a constar, além da
se refere a alínea c), salvo se a falta for deste e indicação dos presentes e suas qualidades:
não tiver sido justificada, caso em que se aplica a) As indicações da alínea a) do número anterior;
o disposto na alínea b); b) O valor total do pedido;
J) A multa aplicada nos tennos da alínea d) fica sem c) Os motivos da falta de acordo;
efeito no caso do faltoso justificar a falta para d) A declaração do requerente de que não desiste da
que o Magistrado do Ministério Público reclamação apresentada, se assim se pronunciar,
considere atendível, dentro dos cinco dias devendo ser sempre inten•ogado a este respeito.
seguintes à sua verificação.
2504 DIÁRIO DA REPÚBLICA

ARTIGO 0

6. As menções exigidas na alínea a) dos n. os 4 e 5


podem ser feitas por remissão para o pedido de conciliação
se o Magistrado do Ministério Público o considera
suficiente para a compreensão da reclamação.
7. A acta da reunião de conciliação é lavrada de
imediato e deve ser sempre assinada pelos presentes à
reunião que o saibam fazer.
ARTIGO 289.0
(Homologação do acordo)

1. Lavrada e assinada a acta de que conste um


acordo, total ou parcial, o Magistrado do Ministério
Público exara na mesma despacho de confinnaçáo do
acordo alcançado, salvo na situação a que se refere o
número seguinte.
2. Se o Magistrado do Ministério Público considerar
que o acordo, nos tennos em que foi alcançado, lesa os
princípios da boa-fé e da equidade, nomeadamente por
afectar, de fonna grave, direitos do trabalhador, em
situação que estes podem ser satisfeitos, deve declará-lo na
acta de fonna fundamentada.
3. Verificando-se a falta de despacho de confinnaçáo
pelas razões a que se refere o número anterior, qualquer das
partes pode declarar, em tenno que lhe é tomado de
imediato, pretender que o processo incluindo a acta com a
declaração
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2505

do Magistrado do Ministério Público seja enviado ao valores sobre que incidiu a diligência
tribunal, para homologação pelo juiz. conciliatória, referidos na acta respectiva.
4. O processo é enviado dentro de cinco dias úteis 2. Logo que estejam juntos os documentos referidos
seguintes à declaração e o juiz, depois de vista pelo no número anterior, ou que tenha decomido o prazo
Magistrado do Ministério Público competente, decide em estabelecido no mesmo número, os autos são conclusos ao
definitivo, ponderando os elementos constantes do juiz.
processo e os fundamentos invocados pelo Magistrado do 3. Se não for junto o alticulado adicional a que se
Ministério Público. refere a alínea b) do n. 0 1 deste afligo, o juiz deve indeferir
5. A confumaçáo do acordo, nos tennos do n. 0 1 ou a acção, salvo se considerar suficiente para a prossecução a
do n. 0 4 deste afligo, confere-lhe a natureza de título ewlicitação do pedido e da causa de pedir constantes do
executivo, sem prejuízo do controlo de legalidade que, em processo recebido do órgão de conciliação.
caso de execução, o juiz deva fazer do acordo confumado 4. Se não forem juntos ou amolados os meios de
nos tennos do n. 0 1. prova, aplicam-se as disposições patinentes da Lei do
6. O controlo de legalidade referido no número processo.
anterior destina-se a verificar se o acordo constante da acta 5. Junto o alticulado adicional de aperfeiçoamento,
apresentada como título executivo viola disposições legais ou velificada a situação prevista na parte final do n. 0 3
imperativas ou ofende direitos indisponíveis, mas não pode deste afligo, o juiz ordena a notificação do réu, para
afectar os direitos de renúncia e de disponibilidade contestar, seguindo-se os tennos subsequentes da lei do
condicionada, estabelecidos no altigo 306. 0 e o n. 0 1 do processo.
altigo 178. 0. 6. O prazo referido no n.0 1 deste artigo conta-se da
ARTIGO 290 notificação da nomeação do defensor oficioso, se, sendo
(Propositura da acção) requerente da conciliação, o trabalhador tiver lequerido
1. Nos casos em que não tendo havido acordo ou essa nomeação nos dez (10) dias seguintes do registo da
tendo este sido parcial, o requerente tenha feito a entrada do processo no tribunal.
declamçáo, a que se referem a alínea e) do n. 0 4 e a alínea ARTIGO 292.0
d) do n. 0 5, ambos do altigo 288. 0, o Magistrado do (Recurso)
Ministério Público assegura a apresentação do processo no Da decisão final do juiz pode ser intemosto recurso por
Caitório do Tribunal, contra protocolo, dentro dos cinco qualquer uma das paltes litigantes para o Tlibunal
dias úteis seguintes à realização da conciliação. competente nos tennos da lei geral do processo.
2. No dia seguinte ao da apresentação, o órgão de SUBSECÇÃO 111
conciliação notifica ao reclamante a data em que o Arbitragem
processo deu entrada no tribunal. ARTIGO 293.0
3. Decorrendo o prazo do n. 0 1 deste altigo sem que (Arbitragem voluntária)
a apresentação tenha sido feita, e sem prejuízo da
l. Para efeitos do presaiteDiploma, a arbitragem
responsabilidade disciplinar a que haja lugar, pode o
voluntária constitui o mecanismo extrajudicial de resolução
reclamante, em requefimento ao Juiz do Tribunal
de conflitos laborais na qual as paltes escolhem livTemente
competente, apresentar no Caitório do Tribunal, requerer a
os árbitros.
notificação do Magistrado do Ministério Público, para a
2. Os conflitos colectivos de trabalho são
apresentação do processo, no prazo de três dias úteis, sob
preferencialmalte resolvidos através do mecanismo da
pena de crime de desobediência.
arbitragem voluntária, nos tennos da presente Lei.
ARTIGO 291 .o
(Aperfeiçoamento do processo) ARTIGO 294.0
(Submissão à arbitragem)
1. Nos 30 dias seguintes ao registo de entrada do
processo ao tribunal, o requerente deve juntar aos autos: 1. As paltes podem, por acordo, submeter à
q) Os meios de prova de que disponha e que não arbitragem voluntária as matélias em conflito.
tenha junto ao pedido de conciliação, não 2. O reculS0 à arbitragem do conflito exclui a sua
podendo amolar testemunhas em número submissão à mediação ou à conciliação.
superior a três (3) por cada facto nem a cinco ARTIGO 295.0
(5) ou sete (7) no total, confonne a acção caiba (Composição do Tribunal Arbitral)
ou exceda a alçada no tribunal competente; 1. A arbitragem será realizada por três (3) árbitros,
b) O alticulado adicional de aperfeiçoamento do nomeado por cada uma das paltes e o terceiro, que
pedido, em triplicado, sem contudo criar novas presidirá, escolhido pelos árbitros das pmtes.
situações relativamente às reclamações e aos 2. Não podem ser escolhidos para árbitros
presidentes os gerentes, administradores, directores,
2506 DIÁRIO DA REPÚBLICA

consultores e trabalhadores da empresa ou empresas respeitado os princípios do ordenamento jurídico


envolvidas na arbitmgem, bem como todos aqueles que angolano.
tenham algum interesse directo ou relacionado com ARTIGO 300.0
qualquer das paltes e ainda os cônjuges, parentes an linha (Requisitos da decisão arbitral)
recta ou até ao terceiro gau da linha colateral, os afins,
A decisão do Tribunal Arbitral deve ser reduzida a
adoptantes e adoptados das entidades nelas refeiidas.
escfito e dela constar:
ARTIGO 296.0
(Apoio técnico) q) A identificação das paltes;
b) A identificação de cada árbitro;
Os árbitros podem solicitar às paltes e aos organismos
c) O objecto do litígio;
públicos competentes os dados e as infonnações que
d) O lugar da arbitragem, o local e a data em que a
julguem necessárias para a tomada de decisão e ser
sentença foi proferida; e) A decisão tomada e
assistidos por peritos.
ARTIGO 297.0 a respectiva fundamentação; J) A assinatum dos
(Encargos do processo de arbitragem) árbitros.
ARTIGO 301.0
Os encargos do processo da arbitragem são supoftados (Direito supletivo)
pela entidade empregadom.
Em tudo que pela presente Lei não esteja especialmente
ARTIGO 298.0
regulado, aplicam-se, com as necessárias adaptações, a
(Decisão arbitral)
legislação sobre a arbitragem voluntária.
1. A decisão arbitral é tomada por maioria e deve SECÇÃO 11
respeitar a legislação laboral em vigor e demais normas Prescrição de Direitos e Caducidade do Direito de Acção
aplicáveis e os princípios da imparcialidade e da equidade.
ARTIGO 302.0
2. Os árbitros devem enviar a decisão albitral ea (Prazo de prescrição)
respectiva fundamentação a cada uma das paltes, e à
Inspecção Geral do Trabalho para efeitos de depósito e 1. Todos os créditos, direitos e obrigações do
registo, nos quinze (15) dias seguintes à tomada da decisão. trabalhador ou do empregador, resultantes da celebração e
execução do contrato de trabalho, da sua violação ou da
3. A decisão arbitral produz os mesmos efeitos de
sua cessação, extinguem-se, por prescrição, decomidos ano
uma sentença proferida pelos ólgáos do poder judicial e
contado do dia seguinte àquele em que o contrato cesse.
constitui título executivo.
2. O prazo de prescrição estabelecido no número
4. Os árbitros decidem com força obrigatória sobre a
anterior aplica-se, em especial, aos créditos de salários, de
resolução do conflito.
adicionais e complementos, indemnizações e
5. Os árbitros e os pelitos que os assistirem estão
compensações devidas por cessação do contrato de
obrigados a guardar sigilo das infonnações recebidas sob
fomecimalto de prestações em espécie e ainda, de
reserva de confidencialidade.
reembolso de despesas efectuadas.
6. Da decisão arbitral é admitido recurso de
3. O disposto nos números anteriores não prevalece
anulação.
sobre o regime especial de prescrição de créditos vencidos
ARTIGO 299.0
(Anulação da decisão)
no decurso da execução do contrato estabelecido no n. 0 1
do altigo 190. 0.
A decisão albitral pode ser anulada pelo tribunal ARTIGO 303.0
competente a pedido do Ministério Público por algum dos (Caducidade do direito de acção para reintegração)
seguintes fundamentos:
O direito de requerer judicialmente a reintegração na
q) Ter sido profelida a decisão por ólgáo albitral empresa, nos casos de despedimento individual ou
inegulannente constituído; colectivo, caduca no prazo de cento e oitenta (180) dias
b) Não conter fundamentação; contados do dia seguinte àquele em que se verificou o
c) Ter havido violação do princípio da igualdade das despedimento.
paltes, do contraditório em todas as fases do ARTIGO 304.0
processo e da audiência das pmtes, oral ou (Caducidade do direito de acção, no caso de direitos não
escrita, antes da tomada da decisão final e isso pecuniários) O direito de exigir o cumprimento de
influenciado a resolução do litígio; obrigações não pecuniárias ou de prestações de facto que
d) Ter o tribunal conhecido de questões de que não não possam ser satisfeitas após a cessação do contrato
podia tomar conhecimento ou ter deixado de se caduca no prazo de
pronunciar sobre questões que devia apreciar; (1) ano contado do momento em que se tomam
e) Não ter a entidade albitral, sempre que julgue exigíveis.
segundo a equidade e os usos e costumes,
1 SÉRIE -N. 0 87 - DE 15 DE JUNHO DE 2015 2507

ARTIGO 305 As remissões feitas ao longo da presente Lei referem-se


(Suspensão dos prazos)
a afligos da mesma, salvo indicação expressa em contrário.
Os prazos de prescrição e de caducidade estabelecidos ARTIGO 312.0
nos artigos 302. 0 a 304. 0 ficam suspensos com a (Dúvidas e omissões)
apresentação do pedido de conciliação, de mediação ou
com a propositura da acção judicial em que os créditos ou As dúvidas e omissões stngidas na intemretação e
cumprimentos das obrigações sejam reclamados. aplicação
ARTIGO 306.0 da presente Lei são resolvidas pela Assembleia Nacional.
(Renúncia ao crédito) ARTIGO 313.0
(Revogação)
E lícito ao trabalhador, após a extinção da relação
jundico-laboral, renunciar, total ou parcialmente, ao crédito E revogada a Lei n. 0 2/00, de 11 de Fevereiro, bem
que tenha sobre o empregador, ban como celebmr acordos como toda a legislação que contraria o disposto na presente
de conciliação, de tmnsacçáo e de compensação sob1E os Lei.
mesmos créditos. ARTIGO 314.0
SECÇÃO 111 (Entrada em vigor)
Competência dos Ti'ibunais

ARTIGO 307
Apresente Lei enfia em vigor 90 dias após a sua
(Competência dos Ti'ibunais) publicação.
1. Os Tribunais têm competência para conhecer e Vista e aprovada pela Assembleia Nacional, em
julgar todos os conflitos de trabalho. Luanda, aos 21 de Abril de 2015.
2. O disposto no número anterior não prejudica O Presidente da Assembleia Nacional, Fernando
outras competências que por lei sejam deferidas aos da Piedad? Dias dos Santos.
Tribunais. Promulgada aos 4 de Junho de 2015.
0
3. Com a excepção mencionada no n. 5 do altigo
Publique-se.
0
284. , a propositura da acção emergente de conflitos
O Presidente da República, JOSÉ EDUARDO DOS
individuais de trabalho é precedida da realização de
SANTOS.
tentativa de mediação, de conciliação e de arbitragem. Lei n. 0 8/15 de
4. A criação, funcionamento e competência tenitorial 15 de Junho
dos Tribunais do Trabalho e as normas de processo são as A entrada em vigor, em 2010, da Constituição da
estabelecidas em legislação própria. RQública deAngola, impõe a necessidade de alteração do
ARTIGO 308.0 regime jurídico do registo eleitoral em vigor desde 2005,
(Punição das contravenções) com vista a sua adequação aos novos cânones
constitucionais.
As contraversões ao disposto na presente Lei e demais A Constituição da República de Angola estabelece, no
legislação complementar são punidas com multa, nos n. 0 2 do artigo 107. 0, os princípios da oficiosidade e da
tennos de diploma próprio que fixa os limites máximo e obrigatoriedade do legisto eleitoral, remetendo ao
mínimo de punição para cada conduta contravencional, a legislador ordinário a sua conceptualização e a definição
do seu regime jurídico, o qual deve adequar-se ao estágio
competência para a aplicação das multas, os clitérios de
actual de desenvolvimento institucional do País.
graduação destas e o prazo de caducidade da acção AAssembleia Nacional aprova, por mandato do povo,
contravencional. nos tennos da alínea b) do altigo 161. 0 e da alínea d) do n. 0
ARTIGO 309 2 do altigo 166. 0 ambos da Constituição da República de
(Inconvertibilidade das multas) Angola, a seguinte:
As multas por contravenção às disposições desta Lei e
legislação complementar não são conveltíveis em Plisáo.
LEI DO REGISTO ELEITORAL OFICIOSO
ARTIGO 310.0
(Regulamentação) CAPÍTULO 1
A presente Lei deve ser regulamentada pelo Executivo Disposições Gerais
no prazo de 6 meses contados da data da entrada em vigor. SECÇÃO 1
ARTIGO 311. 0
Objecto e Princípios
(Remissão) ARTIGO 1.0
(Objecto)
2508 DIÁRIO DA REPÚBLICA

A presente Lei estabelece os princípios e as regras


fundamentais relativos ao legisto eleitoral dos cidadãos
angolanos maiores, para efeitos de posterior tratamento
eleitoral no âmbito da Comissão Nacional Eleitoral.
ARTIGO 2.0
(Princípios)

O registo dos cidadãos maiores rege-se pelos princípios


da universalidade, da pennanência, da actualidade, da
oficiosidade, da obrigatoriedade, da unicidade e inscrição
['mica, transparência e imparcialidade.
ARTIGO 3
(Universalidade)
1. Estão sujeitos ao registo eleitoral todos os
cidadãos angolanos, maiores de 18 anos.
2. Todos os cidadãos angolanos mai01es de 18 anos
têm direito de estar inscritos na Base de Dados dos
Cidadãos Maiores, com dados identitários e de residência
conectos.
3. Em ano de realização de eleições, estão sujeitos ao
registo eleitoral, os cidadãos que completem 18 anos de
idade até ao dia 31 de Dezembro do respectivo ano.
4. Sem prejuízo do disposto no número anterior, o
Ficheiro Infonnático dos Cidadãos Maiores deve conter
apenas os cidadãos que completem 18 anos até à data das
eleições.
ARTIGO 4.0
(Permanência e actualidade)
1. A insciiçáo do cidadão na Base de Dados dos
Cidadãos Maiores tem efeito pennanente e só pode ser
cancelada nos casos e nos tennos previstos na presente Lei.

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